Aram Khachaturian (1903-1978) – Concerto for Flute and Orchestra (Sikorski) , Einojuhani Rautavaara (1928-2016) – Flute Concerto, Op.69, ‘Dances with the Winds’ – Sharon Bezaly, SPSO, Enrique Diemecke, Lahti Simphony Orchestra, Dima Slobodeniouk

Hoje trago mais um CD desta incrível flautista israelense, Sharon Bezaly. E hoje o negócio é peso pesado, pois ela encara dois petardos, o Concerto para Flauta de Khachaturian, originalmente composto para violino, e transcrito para flauta por Jean Pierre Rampal, que também contribuiu com a cadenza que Bezaly toca aqui,  um Concerto para Flauta do compositor finlandês Ratavaara. Diga-se de passagem que o Concerto original para violino foi dedicado e estreado por David Oistrakh, ou seja, o cara só frequentava altos círculos.
Esse concerto de Khachaturian é de um grau de dificuldade insano. Sharon Bezaly fez sua estréia nos palcos foi aos 13 anos de idade com a regência de Zubin Mehta. Diversos compositores já lhe dedicaram obras, como Kalevi Aho e Sofia Gubaldulina.
A outra curiosidade nesta gravação do selo BIS é ela ser acompanhada pela nossa Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, dirigida pelo maestro mexicano Enrique Diemecke.

A segunda obra deste CD é de autoria do compositor finlandês Einojuhani Rautavaara, que assim se descreve, em entrevista concedida em 1999:

“‘I was born in 1928 – fortunately in Finland. Fortunately, because this is a country with dramatic destinies, situated between east and west, between Tundra and Europe, between the Lutheran and Orthodox faiths. It is full of symbols, of ancient metaphors, revered archetypes.’

Neste incrível Concerto o solista precisa se revezar entre quatro tipos de flauta. Maiores detalhes vocês podem encontrar no booklet se segue em anexo ao arquivo compactado.
Espero que apreciem. Já conhecia o Concerto de Khachaturian, tanto a versão para Violino quanto para Flauta, e a obra de Rautavaara é uma agradável surpresa, que permite que Sharon Bezaly demonstre todo o seu talento.

KHACHATURIAN, Aram (1903–78)
Concerto for Flute and Orchestra (Sikorski) (transcribed and provided with a cadenza by Jean-Pierre Rampal)
I. Allegro con fermezza
II. Andante sostenuto
III. Allegro vivace

RAUTAVAARA, Einojuhani (b.1928)
Flute Concerto, Op.69, ‘Dances with the Winds’ (Original version for four flutes)
I. Andantino
II. Vivace
III. Andante moderato
IV. Allegro

Revised version for three flutes
I. Andantino
II. Vivace
III. Andante moderato
IV. Allegro TT:

Sharon Bezaly flute
[1–3] São Paulo Symphony Orchestra (OSESP)
Enrique Diemecke conductor
[4–11] Lahti Symphony Orchestra (Sinfonia Lahti)
Dima Slobodeniouk conductor

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Great Works for Flute and Orchestra – Sharon Bezaly, Residentie Orkest den Haag

Sharon Bezaly é um dos grandes nomes da flauta na atualidade. É jovem (ou ao menos aparenta, já que nasceu em 1972), ou seja, tem muito a contribuir ainda, muito versátil, e encara com tranquilidade petardos como este Concerto de Nielsen que temos neste CD, e o de Kachaturian, que pretendo trazer amanhã, ou depois de amanhã. Destaque especial para o arranjo que Kalevi Aho fez em 2008 do “Vôo do Besouro” de Korsákov e lhe dedicou e que fecha este CD.
Aqui nesta gravação ela é acompanhada pelo experiente maestro Neeme Järvi, que conduz a Residentie Orkest den Haag.

P.S. O booklet com maiores informações está anexo ao arquivo compactado.

NIELSEN, Carl (1865–1931) Concerto for Flute and Orchestra, FS119 (1926)
I. Allegro moderato
II. Allegretto, un poco – Adagio ma non troppo – Allegretto – Poco Adagio – Tempo di Marcia

GRIFFES, Charles Tomlinson (1884–1920) Poem for Flute and Orchestra(1918)
Andantino

REINECKE, Carl (1824–1910) Concerto for Flute and Orchestra in D major Op.283 (1908)
I. Allegro molto moderato 7’02
II. Lento e mesto 4’44
III. Finale. Moderato 6’08

CHAMINADE, Cécile (1857–1944) Concertino for Flute and Orchestra (Enoch & Cie) Op.107 (1902)
Moderato

TCHAIKOVSKY, Pyotr Ilyich (1840–93) adapted by Ernest Sauter
Largo and Allegro for two flutes and strings (1863–64) Version for solo flute and strings (Verlag Walter Wollenweber)

POULENC, Francis (1899–1963) orch. Lennox Berkeley Flute Sonata (1956–57) (Chester Music) 11’27
I. Allegro malinconico 4’22
II. Cantilena. Assez lent 3’32
III. Presto giocoso 3’21

RIMSKY-KORSAKOV, Nikolai (1844–1908) arr. Kalevi Aho 2008 –dedicated to Sharon Bezaly The Flight of the Bumblebee (1899–1900) (Fennica Gehrman)

Presto

Sharon Bezaly flute
Residentie Orkest Den Haag
Neeme Järvi conductor

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Chopin Evocations – Daniil Trifonov, Mikhail Pletnev, Mahler Chamber Orchestra

Este CD vai em homenagem à todos aqueles românticos babões, como este que vos escreve, que sempre se emocionam com as obras do polonês Chopin, mesmo que já as tenham ouvido dezenas, quiçá, centenas de vezes.
Daniil Trifonov é um dos grandes nomes do piano da atualidade, sem dúvida nenhuma. E esta sua parceria com o também pianista, regente e compositor Mikhail Pletnev, e claro, russo como ele, é uma grande prova disso. Os fãs destes concertos vão notar que existe uma diferença na parte orquestral, e aí é que entra Pletnev, que reescreveu essa parte. Li em certa ocasião que aí residia um dos grandes problemas destes concertos: a parte orquestral, que não seria a praia de Chopin. Alguns excessos desnecessários, diziam os críticos. Pletnev realmente deu um trato, digamos assim, enxugou estas partes. Volto a repetir, os fãs dos concertos e ouvintes destas obras há décadas, como este que vos escreve, irão entender do que estou falando. Aliás, antes de ouvir com mais atenção esta gravação, ouvi a histórica gravação de Samson François, lá do final dos anos 50, com a regência de Louis Fremaux, uma de minhas leituras favoritas. E Samson François foi um dos maiores intérpretes de Chopin do século XX.

Mas vamos ouvir o que Trifonov tem a dizer:
“Chopin revolutionized the expressive horizons of the piano. From very early in his musical output, Chopin’s lyrical grace, thematic sincerity, harmonic adventure and luminous virtuosity embodied all the qualities the Romantics, like Schumann, found irresistible.”

O texto do booklet continua a análise:

“In the context of these diverse works composed or inspired by Chopin, a new light is cast on his two piano concertos, written in close succession when he was turning 20. The F minor “Second” Concerto was in fact composed and premiered first, although it was published after the E minor “First” Concerto. Yet irrespective of sequence, the two works can be understood together as a singular experiment in a genre to which Chopin never returned. They reflect the young composer’s creative consciousness paying homage to his musical predecessors while searching for new expressive means. As Trifonov explains: “The concertos are more massive in terms of length and instrumentation than anything else Chopin ever wrote. He knew and admired the piano concertos of Mozart and Beethoven, yet his interest in the form was not in the Classical balance between soloist and orchestra, but in the concerto as a lyrical epic form, like a Delacroix painting, providing a huge tableau for his musical expression.”
The experiment was only partly successful. While the E minor Concerto is more bravura and the F minor more introversion, they are both full of candid sentiment, drama and pianistic innovation, their central movements evoking bel canto melodies of heartbreaking intimacy. But the proportions are challenging. Chopin eschews the Classical convention of discrete cadenzas, instead subsuming all elements of thematic variation and technical development in a continuous soloistic narrative. His typically delicate, improvisational style and compact elegance can get lost in the sprawling dimensions of the works, the authenticity of whose orchestrations have always been a matter of debate. In both concertos, the piano plays almost uninterruptedly from the solo introduction in the first movement exposition through to the final bars. Yet, as the soloist winds and twists and explores melodic nuances, the original orchestral accompaniment provides punctuation and amplitude but little affinity with this flow of ideas. It was the desire to restore these two works to more chamberlike proportions commensurate with the detail of the solo material and to allow for more faithful interaction between soloist and orchestra that motivated Mikhail Pletnev to create new orchestrations for the two Chopin concertos. The piano parts are unaltered, but Pletnev’s streamlined instrumentation, in Trifonov’s words, “liberates the soloist. The new orchestral transparency allows the pianist greater spontaneity and sensitive engagement with the other voices.” Himself a brilliant pianist-composer, Pletnev’s intimate knowledge of the scores as both performer and orchestrator make him an ideal partner in Trifonov’s Chopinist evocations. The Mahler Chamber Orchestra, a dynamic ensemble of soloists steeped in the responsiveness demanded by opera and chamber music, realizes Pletnev’s refreshed balances of voice and colour. Pletnev’s contribution to the musical constellation is not only material, but also spiritual. As Trifonov explains: “My mentor and teacher, Sergei Babayan, studied with Mikhail Pletnev in Moscow in the 1980s. That makes him a little bit like my musical forefather.” The family portrait is completed on this album by a rendition of Chopin’s rarely heard and devilishly difficult Rondo op. posth. 73, performed by Trifonov and Babayan together. This autobiographical element closes the circle of thematic motives in Trifonov’s project revolving around Chopin. “Chopin is one of the world’s most beloved composers – the poetry of his music goes straight to the heart and requires no justification”, Trifonov contends. “But in a sense, the genius of Chopin becomes even more clear in the context of those who influenced him and those who have been inspired by him.” The programme affords an opportunity to hear his familiar music afresh, transfigured within a tapestry of historical, musicological, personal and expressive “evocations”, as well as a glimpse of the young man to whose “genius, steady striving, and imagination” Schumann bowed his head.”

Espero que apreciem. Eu gostei muito deste CD.

CD 1
FRÉDÉRIC CHOPIN (1810–1849)
Concerto for Piano and Orchestra No.  2 in F minor op.  21 f-Moll | en fa mineur
1 1. Maestoso
2 2. Larghetto
3 3. Allegro vivace

Daniil Trifonov piano
Mahler Chamber Orchestra
Mikhail Pletnev

Variations on “Là ci darem la mano” from the opera Don Giovanni by W. A. Mozart in B flat major op.  2 B-Dur | en si bémol majeur
4 Introduction. Largo – Poco più mosso
5 Tema. Allegretto
6 Var. 1. Brillante
7 Var. 2. Veloce, ma accuratamente
8 Var. 3. Sempre sostenuto
9 Var. 4. Con bravura
10 Var. 5. Adagio

ROBERT SCHUMANN (1810–1856)
12 Chopin. Agitato 1:30 No. 12 from Carnaval op.  9

EDVARD GRIEG (1843–1907)
13 Study “Hommage à Chopin” op.  73 no. 5. Allegro agitato

SAMUEL BARBER (1910–1981)
14 Nocturne op.  33. Moderato

PYOTR ILYICH TCHAIKOVSKY (1840–1893)
15 Un poco di Chopin op. 72 no.  15. Tempo di Mazurka

Daniil Trifonov piano

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (FLAC)
CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (MP3)

CD 2

1 Rondo for Two Pianos in C major op. posth. 73 n ut majeur
Daniil Trifonov, Sergei Babayan pianos

Concerto for Piano and Orchestra No. 1 in E minor op. 11 e-Moll
2 1. Allegro maestoso
3 2. Romance. Larghetto
4 3. Rondo. Vivace

Daniil Trifonov piano
Mahler Chamber Orchestra
Mikhail Pletnev

FREDERIC MOMPOU (1893–1987) Variations on a Theme by Chopin
5 Theme. Andantino
6 Var. 1. Tranquillo e molto amabile
7 Var. 2. Gracioso
8 Var. 3. Lento (Para la mano izquierda / For the left hand)
9 Var. 4. Espressivo
10 Var. 5. Tempo di Mazurka
11 Var. 6. Recitativo
12 Var. 7. Allegro leggiero
13 Var. 8. Andante dolce e espressivo
14 Var. 9. Valse
15 Var. 10. Évocation. Cantabile molto espressivo
16 Var. 11. Lento dolce e legato
17 Var. 12. Galope y Epílogo 3:19

FRÉDÉRIC CHOPIN
18 Impromptu No.  4 in C sharp minor 5:36 “Fantaisie-Impromptu” op.  66

Daniil Trifonov piano

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CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (MP3)

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3, Rondos, Trios, etc – Sviatoslav Richter, Borodin Quartet

Vamos continuar nossa saga de apresentar os grandes músicos do passado, e trazer um russo que olha, o cara não era fraco não… já contei aqui uma pequena anedota: quando Emil Gilels veio se apresentar nos Estados Unidos pela primeira vez foi muito elogiado. Seu comentário então foi : ‘se vocês acham que eu toco muito deveriam ouvir meu amigo, Sviatoslav Richter. Esse é o cara !!’

Essa coleção da DECCA se intitula “Richter The Master”, e tem diversos volumes. Aleatóriamente, escolhi este aqui, também dedicado a Beethoven. Uma informação importante: estas gravações aqui são bem mais recentes que aquelas que eu trouxe anteriormente dos Arturs… são quarenta anos que as separam, pois estas aqui foram registradas ao vivo com o grande pianista russo já adentrado nos setenta e tantos anos, ali em 1986. É também sabido que a memória já o vinha traindo, por isso se utilizava das partituras em suas apresentações. Mas isso não tira o mérito. Identificamos aqui um músico em seu apogeu, dono e conhecedor de seus talentos, e profundo conhecedor daquilo que está tocando. Eu contei que é tudo ao vivo? Com direito a tosses, ranger de cadeiras, etc? É mais emocionante assim, né?

CD 1

01. Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3 – 1. Allegro
02. Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3 – 2. Scherzo. Allegretto vivace
03. Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3 – 3. Menuetto. Moderato e grazioso
04. Sonata No. 18 in E Flat, Op. 31 No. 3 – 4. Presto con fuoco
05. Rondo in C, Op. 51 No. 1
06. Rondo in G, Op. 51 No. 2
07. Sonata No. 28 in A, Op. 101 – 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindu
08. Sonata No. 28 in A, Op. 101 – 2. Lebhaft, marschmassig. Vivace alla marcia
09. Sonata No. 28 in A, Op. 101 – 3. Langsam und sehnsuchtsvoll. Adagio ma non tr
10. Sonata No. 28 in A, Op. 101 – 4. Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entsc

Sviatoslav Richter – Piano

CD 1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2

01. Piano Trio No. 7 in B flat, Op. 97 ‘Archduke’ – 1. Allegro moderato
02. Piano Trio No. 7 in B flat, Op. 97 ‘Archduke’ – 2. Scherzo. Allegro
03. Piano Trio No. 7 in B flat, Op. 97 ‘Archduke’ – 3. Andante cantabile, ma pero
04. Piano Trio No. 7 in B flat, Op. 97 ‘Archduke’ – 4. Allegro moderato

Sviatoslav Richter – Piano
Members of Borodin Quartet:
Mikhail Kopelmann – Piano
Valentin Berlinsky – Cello

05. Quintet in E flat, Op. 16 – 1. Grave – Allegro ma non troppo
06. Quintet in E flat, Op. 16 – 2. Andante cantabile
07. Quintet in E flat, Op. 16 – 3. Rondo. Allegro, ma non troppo

Members of the Quintette Moragués
David Walter – Oboe
Pascal Moragués – Clarinet
Pierre Moragués – Horn
Patrick Vilaire – Basson

CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concerto nº3, Piano Sonatas nº 18 e 23 – Arthur Rubinstein, Arturo Toscanini, NBC Symphony Orchestra

Como sei que os senhores gostaram daqueles históricos registros do Artur Schnabel tocando Beethoven, resolvi fuçar no baú e encontrei esta outra preciosidade, e também trazendo dois gigantes do século XX, o outro Arthur, mas desta vez o Rubinstein, sendo dirigido por ninguém menos que Arturo Toscanini, o mítico maestro italiano. Esta gravação tem uma história interessante, que tentarei resumir abaixo.

O próprio Rubinstein sempre declarou que tinha um grande desejo de ser dirigido por Toscanini, porém suas agendas sempre eram incompatíveis. A ocasião apareceu quando ele foi convidado a tocar este Concerto de nº3 com o italiano, porém havia um problema: Ele tinha um recital de Chopin para apresentar no Carnegie Hall de noite. Mas conseguiram a façanha: ensaiaram o Concerto na parte da manhã, gravaram de tarde e duas horas após o término desta apresentação, ele foi para o Carnegie Hall cumprir seu contrato, com um repertório dedicado a Chopin. É ou não é coisa de gente grande? Ah, era sabido que Toscanini não gostava de tocar com músicos solistas, então o tal do ensaio foi bem complicado, pois o maestro não quis parar para corrigir detalhes, ou falhas. Eles tinham concepções diferentes relacionadas à obra, mas no momento da gravação, a genialidade de ambos tornou possível a presente gravação. O próprio Rubinstein a considera um dos melhores momentos de sua carreira discográfica.

Rubinstein, Toscanini, NBC Symphony Orchestra … fala sério, vocês nem vão levar muito em consideração que este registro foi realizado em 1944, né? Isso aconteceu há apenas setenta e cinco anos …

Ah, comparada com a gravação do outro Artur, o Schnabel, o trabalho dos engenheiros da RCA Victor, ou Sony nos dias de hoje, não foi lá grandes coisas, pois estão presentes aqueles típicos chiados das gravações antigas. Mas em se tratando de quem está tocando, isso soa como mero detalhe.

Preciso dizer que temos aqui um registro absolutamente IM-PER-DÍ-VEL ?

01. Concerto for Piano and Orchestra No. 3 in C minor, Opus 37_ I. Allegro con brio
02. Concerto for Piano and Orchestra No. 3 in C minor, Opus 37_ II. Largo
03. Concerto for Piano and Orchestra No. 3 in C minor, Opus 37_ III. Rondo. Allegro
04. Sonata for Piano No. 18 in E-flat major, Opus 31, No. 3_ I. Allegro
05. Sonata for Piano No. 18 in E-flat major, Opus 31, No. 3_ II. Scherzo_ Allegretto vivace
06. Sonata for Piano No. 18 in E-flat major, Opus 31, No. 3_ III. Menuetto_ Moderato e grazioso
07. Sonata for Piano No. 18 in E-flat major, Opus 31, No. 3_ IV. Presto con fuoco
08. Sonata for Piano No. 23 in F minor, Opus 57 ‘Appassionata’_ I. Allegro assai
09. Sonata for Piano No. 23 in F minor, Opus 57 ‘Appassionata’_ II. Andante con moto
10. Sonata for Piano No. 23 in F minor, Opus 57 ‘Appassionata’_ III. Allegro non troppo

Arthur Rubinstein – Piano
NBC Symphony Orchestra
Arturo Toscanini – Conductor

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas nº 14, 15 e 16 – Artur Schnabel

Graças a tecnologia temos acesso a estes históricos registros de Artur Schnabel, para muitos críticos o maior pianista da primeira metade do século XX e um dos maiores intérpretes de Beethoven de todos os tempos. Esta caixa de onde tirei estes registros destas sonatas ainda tem Mozart, Schubert e Brahms.
São gravações realizadas entre 1933 e 1935,  e os os engenheiros de som fizeram um belo trabalho aqui, conseguido retirar aqueles ruídos característicos destas gravações antigas. Ou seja, temos aqui registros com mais de 80 anos de idade, olhem que beleza. E viva a tecnologia.
E com relação a interpretação? Bem, em se tratando de Beethoven, diria que Schnabel ajudou a pavimentar a estrada por onde vieram outros gigantes do século XX, como Rubinstein, Richter, Gilels, Kempff, para citar apenas alguns. Posso não concordar com algumas escolhas, e isso seria normal, afinal nossos ouvidos estão acostumados a outras possibilidades criadas pelos nomes acima citados, mas não seria maluco a ponto de dizer que são ultrapassadas, e que deveriam ficar cobertas pelas areias do tempo.
Se os senhores gostarem, trago o restante do material. Vale e muito a pena ouvir.

01. Klaviersonate Nr.14 in cis-moll op.27 Nr.2 ‘Mondschein’ I. Adagio sostenuto
02. Klaviersonate Nr.14 in cis-moll op.27 Nr.2 ‘Mondschein’ II. Allegretto & Trio
03. Klaviersonate Nr.14 in cis-moll op.27 Nr.2 ‘Mondschein’ III. Presto Agitato
04. Klaviersonate Nr.15 in D-Dur op.28 ”Pastorale’ I. Allegro
05. Klaviersonate Nr.15 in D-Dur op.28 ”Pastorale’ I. Andante
06. Klaviersonate Nr.15 in D-Dur op.28 ”Pastorale’ I. Scherzo (Allegro vivace)
07. Klaviersonate Nr.15 in D-Dur op.28 ”Pastorale’ IV. Rondo (Allegro ma non tro
08. Klaviersonate Nr.16 in G-Dur op.31 Nr.1, I. Allegro vivace
09. Klaviersonate Nr.16 in G-Dur op.31 Nr.1, II. Adagio grazioso
10. Klaviersonate Nr.16 in G-Dur op.31 Nr.1, III. Rondo (Allegretto)

Artur Schnabel – Piano

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Sirba Orchestra! Russian, Klezmer & Gypsy Music

Em 2003, o violinista Richard Schmoucler apostou na criação de um conjunto intermediário entre o academismo clássico e a música de Klezmer e Gipsy: o Octeto de Sirba. Ele uniu forças com cinco de seus amigos músicos da Orquestra de Paris e da Orquestra Nacional de França, bem como um pianista, um tradicional percussionista e com Cyrille Lehn, que se tornou o arranjador inseparável do conjunto. Seu fundador originalmente não tinha a vontade de transmitir, mas propunha programas musicais relacionados às suas memórias de infância e reuniões familiares durante as quais a música iídiche e cigana criava laços de amor e alegria no ritmo de danças e melodias.
Seu patrimônio oral e intangível de música popular do leste europeu que seus pais e avós o transmitiram seria a fonte de inspiração de Richard Schmoucler ao longo de seus processos de concepção musical para o Octeto de Sirba. Para os músicos, é um encontro entre o Oral e
Tradição escrita, uma mistura de música clássica e mundial, que define o conjunto em um universo sem precedentes: o da música clássica do mundo. Esta formação prestigiosa e virtuosa encontrou o seu público e encontrou sucesso muito rapidamente graças a uma grande energia contagiante. Um primeiro álbum, A ‘Yiddishe Mame’, foi lançado em 2005 pela Naïve Classique. Sirba então cruzou o caminho da cantora Isabelle Georges. Eles criaram um programa que une seus respectivos playgrounds musicais, entre repertórios musicais tradicionais e americanos. O álbum ‘Du Shtetl à New York’, lançado na Naïve Classics em 2009, originou-se deste encontro. Sua cumplicidade persistiu para uma criação orquestral e um terceiro álbum em 2010: ‘Yiddish Rhapsody’. Esta comissão mútua do Octeto de Sirba e da Orquestra de Pau / Pays de Béarn sob a batuta de Fayçal Karoui conheceu outras orquestras francesas e estrangeiras desde a sua origem e apresentações no Théâtre des Champs-Elysées em Paris, no Musikverein e no Japão.
Richard Schmoucler dedica-se incansavelmente ao repertório do Leste Europeu e escolheu honrar as músicas das danças tradicionais em um novo álbum intitulado ‘Tantz!’. Foi lançado pela primeira vez em 2015 no Dolce Volta, e reeditado pela Deutsche Grammophon em 2017. Em 2015, a amizade entre o Sirba Octet e a Orquestra de Pau / Pays de Béarn levou-os a criar um novo programa: Sirba Orchestra! o coração das melodias russas, romenas e moldavas e as tradições Ashkenazi. Sirba Octet convidou Nicolas Kedroff e seu instrumento mágico da Rússia, a balalaica, para sublimar alguns números.
Um caminho sem fronteiras com múltiplos tons, festivo, melancólico ou apaixonado. Um cabaré russo que celebra canções de amor – Otchi Tchornye (Olhos escuros), Ja Vstretil vas (eu conheci você) ou Kalinka – e seu indispensáveis romances agradáveis ​​como Cocher ralentis tes chevaux ou Katioucha – uma jovem apaixonada por um soldado que estava de serviço para defender sua terra natal … Numerosas histórias de vida e emoções se acumulando ao redor da peça orquestral central de Yidish Gayen zay em shvartze Reien, uma canção do gueto tanto iluminante e profundamente em movimento. Atraídos das canções folclóricas judaicas que fizeram as Barry Sisters, Sirba Octet reinterpreta Zug e Meir Noch Amool (Tell Me One More Time) e, assim, estabelece uma ponte musical em uma sensação de Jazz do Yiddish 50. O Octeto de Sirba, a orquestra e a balalaica respondem sucessivamente e naturalmente deslizam para o repertório de cabaret russo cigano – notavelmente com a famosa canção Valenki (Felt Boots), escrita por ciganos nômades – e danças tradicionais romenas ou moldavas – Tata vine pastele ( Papai, a Páscoa está chegando!) E a Suite de Moldavie, uma mistura de Doinas, canções que se originaram entre pastores.
Esse rico programa feito de contos, um projeto musical surpreendente para três solistas, ganhou vida com Sirba Octet e graças ao talento da Orquestra Filarmônica Royal de Liège, dirigido por Christian Arming e Nicolas Kedroff … antes da próxima jornada musical da Orquestra Sirba com outros conjuntos sinfônicos.

1 – Katioucha Otchi Tchornye
2 – Valenki
3 – Cocher, ralentis tes chevaux
4 – Tata, vine pastele
5 – Kalinka
6 – Farges mikh nit Zug es Meir Noch Amool
7 – Le temps du muguet
8 – Ya Vstretil Vas
9 – Gayen zay in shvartze Reien
10 – Hora Moldoveneasca Theme des Lautarii De la Cluj la Chisinau
11 – Azol Tanzmen
12 – Dos Broitele A Vaible a Tsnien
13 – Suite de Moldavie Jelea din Bosanci (doïna) Hora din Granicesti Sirba Lui Nutu

Richard Schmoucler Violon
Laurent Manaud-Pallas Violon
David Gaillard Alto
Claude Giron Violoncelle
Bernard Cazauran Contrebasse
Philippe Berrod Clarinette
Christophe Henry Piano
Iurie Morar Cymbalum
Nicolas Kedroff Invité spécial / Special guest / Ehrengast Balalaïka / Balalaika / Balalaika

Orchestre Philharmonique Royal de Liège
Christian Arming

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Christoph Schneider – Spectrum – Werke von Beethoven, Weber, Debussy, Berg & Schneider

“Spectrum – uma grande variedade. Este é o termo que melhor descreve a intenção do meu CD de estréia. Assim como minha vida musical com músico de orquestra e músico de câmara, solista e professor inclui uma variedade de diferentes facetas, a música para essa gravação foi deliberadamente escolhida para refletir a vasta gama de literatura de clarinete e riqueza de expressão que é possível neste maravilhoso instrumento. Em latim, no entanto, “espectro” também significa algo como “concepção” ou “imagem na alma” – também se pode falar de inspiração. Um espírito imanente que guia tanto compositores como intérpretes e que, à sua maneira, dá vida a todas as obras deste CD, conectando-as como um fio comum.”

Assim o jovem clarinetista Christoph Schneider apresenta seu CD de estréia. O jovem virtuose escolheu um belo e variado repertório para mostrar seus talentos, incluindo ai uma obra de sua própria autoria. Vale a audição exatamente pelo excepcional músico que Schneider é, o que pode ser observado já na primeira obra, uma peça de Carl Maria von Weber, compositor que escreveu diversas peças para o instrumento, inclusive dois concertos.

Carl Maria von Weber (1786–1826)
Grand Duo concertant op. 48 Es-Dur für Klarinette und Klavier (1815/16)
01 Allegro con fuoco
02 Andante con moto
03 Rondo. Allegro

Alban Berg (1885–1935) Vier Stücke op. 5 für Klarinette und Klavier (1913)

04 Mäßig
05 Sehr langsam
06 Sehr rasch
07 Langsam

Ludwig van Beethoven (1770–1827) Sonate F-Dur op. 24 für Violine und Klavier (1800/01)
Fassung für Klarinette und Klavier von Christoph Schneider

08 Allegro
09 Adagio molto espressivo
10 Scherzo. Allegro molto
11 Rondo. Allegro ma non troppo

Christoph Schneider (*1989)
12 Konstrukt I – Thema und Variationen für Klarinette solo (2015)

Claude Debussy (1862–1918)
13 Première Rhapsodie für Klarinette und Klavier (1909/10)

Christoph Schneider, Klarinette
Yuliya Balabicheva, Klavier

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Carl Reinecke (1824-1910) – Flute Concertos, Flute Sonatas – Ruhland, RSOSSWR

O selo alemão CPO faz um extraordinário trabalho ao resgatar compositores desconhecidos, que não foram muito reconhecidos em vida. Confesso que não conhecia Carl Reinecke até conhecer este belíssimo CD com composições suas para Flauta. Nasceu em 1824 e morreu em 1910, mas não teve muito reconhecimento em vida, e olha que sua obra é muito extensa, registrando aproximadamente 288 obras catalogadas. No booklet em PDF que acompanha o arquivo compactado há uma pequena biografia do compositor. Vale a leitura, para os senhores melhor entenderem o contexto de sua obra.
Neste CD temos um Concerto, uma Balada, uma sonata e uma sonatina, todas as obras tendo a Flauta como instrumento principal. A solista é Tatjana Ruhland, uma ilustre desconhecida até então para este que vos escreve, o que não significa absolutamente nada, mas sente-se uma grande afinidade, intimidade, e principalmente, delicadeza em seu timbre. Lembramos que são peças românticas, que exigem uma grande sensibilidade e emotividade por parte dos músicos envolvidos.
Resumindo, eis um belo CD, que faz trazer uma grande paz de espírito àquelas almas mais conturbadas pelo estresse de seu dia a dia. Dependendo da reação dos senhores, posso trazer outros CDs deste compositor.

P.S. Uma curiosidade: a Balada para Flauta e Orquestra, op. 288, foi a última obra registrada de Reinecke.

01. Flute Concerto in D Major, Op. 283 I. Allegro molto moderato
02. Flute Concerto in D Major, Op. 283 II. Lento e mesto
03. Flute Concerto in D Major, Op. 283 III. Finale. Moderato
04. Ballade in D Minor, Op. 288 I. Adagio
05. Ballade in D Minor, Op. 288 II. Allegro
06. Ballade in D Minor, Op. 288 III. Tempo I
07. Flute Sonata, Op. 167 Undine I. Allegro
08. Flute Sonata, Op. 167 Undine II. Intermezzo. Allegretto vivace-Più lento, quasi andante
09. Flute Sonata, Op. 167 Undine III. Andante tranquillo-Molto vivace
10. Flute Sonata, Op. 167 Undine IV. Finale. Allegro molto agitato ed appassionato, quasi presto
11. Flute Sonatina, Op. 108 I. Allegro moderato
12. Flute Sonatina, Op. 108 II. Andante con moto
13. Flute Sonatina, Op. 108 III. Allegretto grazioso

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Tatjana Ruhland segurando seu instrumento de trabalho

Haendel & Purcell – Sound of Trumpet – Alison Balsom, Trevor Pinnock, The English Concert

Dia destes um outro cd da Alison Balsom, dedicado a Bach, teve seu link atualizado, tratava-se de uma postagem lá do começo da década. Hoje trago para os senhores mais um belíssimo CD desta mesma Alison Balsom, onde novamente ela demonstra todo o seu talento. E aqui temos obras especificamente de Haendel e Purcell.

Os arranjos foram feitos pelo maestro inglês Trevor Pinnock, um dos grandes especialistas em Barroco dos últimos quarenta anos, e por ela mesma, o que reforça o que comentou PQPBach em postagem anterior, a moça além de uma excepcional instrumentista, é uma musicóloga de mão cheia. Para melhorar o que já está bom demais, ela é acompanhada pelo excelente conjunto The English Concert, conjunto criado e dirigido por Pinnock já há muito tempo.

Creio que esta seja uma bela trilha sonora para iniciar a semana, que promete ser bem agitada e difícil.

Haendel & Purcell – Sound of Trumpet – Alison Balsom, Trevor Pinnock, The English Concert

01. Handel – Arr Pinnock- Amidigi di Gaula, HWV 11, Act 3- Sento la goia
02. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 1- Overture
03. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 1- Come if you dare
04. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 5- Symphony
05. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 2- Shepherd, Shepherd, Leave Decoying
06. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 5- Round thy shores
07. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 5- Trumpet Tune
08. Purcell – Arr Balsom- King Arthur Suite, Z. 628, Act 5- Fairest isle
09. Handel – Arr Balsom- Atalanta, HWV 35- Overture
10. Handel – Arr Balsom- Birthday Ode for Queen Anne, HWV 74- ”Eternal Source of Light Divine” (countertenor)
11. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances, Act 4- Symphony
12. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances- Rondo (Second Musick)
13. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances, Act 1- Jig
14. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances, Act 5- Prelude
15. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629 – Suite of Musicks and Dances, Act 5- Chaconne and Chorus
16. Purcell – Arr Balsom- Come Ye Sons of Art, Z. 323- Sound the trumpet (countertenor)
17. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- I. Overture
18. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- II. Gigue (Allegro)
19. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- III. Minuet (Aria)
20. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- IV. Bourrée
21. Handel – Arr Pinnock- Water Music, Suite in D Major, HWV 349- V. March No. 2 (Partenope, HWV 27)
22. Purcell – Arr Balsom- The Fairy Queen, Z. 629, Act 5- ”The plaint”
23. Handel – Arr Pinnock & Balsom- Oboe Concerto No. 1 in B-Flat Major- I. Adagio
24. Handel – Arr Pinnock & Balsom- Oboe Concerto No. 1 in B-Flat Major- II. Allegro
25. Handel – Arr Pinnock & Balsom- Oboe Concerto No. 1 in B-Flat Major- III. Siciliana (Largo)
26. Handel – Arr Pinnock & Balsom- Oboe Concerto No. 1 in B-Flat Major- IV. Vivace

Alison Balsom – Trumpet
The English Concert
Trevor Pinnock – Conductor

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia nº 9 – Karajan, BPO

Com esta postagem volto ao final dos anos 70, quando tive acesso a um LP duplo, presente de meu irmão, que trazia as Sinfonias de nº 8 e 9, de Beethoven. Aquela capa preta com amarelo com aquele expressivo senhor de cabelos brancos agitando os braços se tornaria um paradigma. Este velho LP esteve comigo boa parte de minha vida, mas infelizmente não o tenho mais, o tempo se encarregou de danificá-lo, a capa se deteriorou assim como aquele plástico que envolvia os LPs. Devo tê-lo vendido em algum momento de minhas diversas fases de grana curta, desempregado.

Não estou trazendo com esta postagem a sinfonia nº 8, em seu lugar temos a Abertura Coriolano. Mas a principal obra daquele velho LP duplo está ali, a maior das obras musicais já compostas e criadas pelo ser humano, a Nona Sinfonia de Beethoven. E a mesma gravação: Karajan e sua Filarmônica de Berlim, o Wiener Singverein, a Gundula Janowitz, Walter Berry, nomes que aprendi a reverenciar desde então, lembrando que eu era um jovem adolescente que entendia e conhecia pouco da vida, morando em uma pequena cidade do interior, com uma única rádio que tocava música sertaneja e os últimos sucessos da parada. Mas não posso deixar de agradecer ao seu dono a transmissão de um programa de música clássica nos domingos de noite. Ali ouvi pela primeira vez ‘Va Pensiero’, de Verdi, obra que abria e fechava o programa.

Não lembro se foi ali que ouvi a Nona Sinfonia pela primeira vez, provavelmente não. Mas foi aquele programa de rádio que me mostrou a imensidão que se abria à minha frente. E foi o velho LP com capa preta e amarela da Deutsche Grammophon que me permitiu explorar aquele mundo até então desconhecido para mim. E ouvindo novamente esta gravação depois de tantos anos, entendo o impacto que ela me causou. Não é brincadeira o que o velho Kaiser fez, usando todo o poder e recursos que tinha à sua disposição. Os tímpanos , os violoncelos e contrabaixos, os primeiros e segundo violinos, as violas, os trompetes e trompas, clarinetes, flautas, tudo está tão coeso, tão perfeito, tão compacto, que não temo em dizer que trata-se de meu disco favorito, aquele que me é realmente indispensável, que jamais deixará de estar comigo, até o meu último momento, no último suspiro de minha vida.

P.S. Lembro de que em certa ocasião fiquei sozinho em casa, meus pais provavelmente estavam trabalhando, e coloquei o velho LP no velho toca discos, e deixei no último volume. Foi uma sensação única … depois disso nunca mais tive a oportunidade de fazer isso. Alguns meses depois deste momento único me mudei da cidade, indo estudar na cidade grande. Mas aí é outra história …

1. Obertura ‘Coriolano’

Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan – Conductor

Symphony No. 9 in D Minor, Op. 125 “Choral”

2.1. Allegro ma non troppo, un poco maestoso 15:27
2.2. Molto vivace 11:03
2.3. Adagio molto e cantabile 16:30
2.4. Presto – 6:23
2.55. Presto – “O Freunde nicht diese Töne” – 17:35

Gundula Janowitz
Hilde Rössel-Majdan
Waldemar Kmentt
Walter Berry
Wiener Singverein
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan – Conductor

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Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sir Colin Davis Conducts Mozart – Colin Davis, Staatskapelle Dresden

Neste final de semana resolvi ouvir Mozart. Depois de muita pesquisa em meu acervo, escolhi esta belíssima caixa dedicada às suas últimas sinfonias e dirigidas pelo maestro inglês Sir Colin Davis. Curiosamente, a escolha do produtor e do próprio maestro, com certeza, estas gravações foram realizadas com a excelente Sttatskapelle Dresden entre 1981 e 1992, conjunto orquestral com o qual ele tinha muita afinidade.

São 5 cds de pura beleza, harmonia e paz. Sugiro como trilha sonora para um final de semana sem maiores planos, apenas talvez ficar sentado em seu sofá e apreciar a obra de Mozart nas mãos de um dos maiores maestros do século XX.

CD 1

1 Symphony no.28 in C major, K.200 I. Allegro spiritoso
2 symphony no.28 in C major, K.200 II. Andante
3 symphony no.28 in C major, K.200 III. Menuetto. Allegretto – Trio
4 Symphony no.28 in C major, K.200 IV. Presto
5 Symphony no.29 in A major, K.201 I. Allegro moderato
6 Symphony no.29 in A major, K.201 II. Andante
7 Symphony no.29 in A major, K.201 III. Menuetto – Trio
8 Symphony no.29 in A major, K.201 IV. Allegro con spirito
9 Symphony no.34 in C major, K.338 I. Allegro vivace
10 Symphony no.34 in C major, K.338 II. Andante di molto
11 Symphony no.34 in C major, K.338 III. Finale. Allegro vivace

CD 2

1 Symphony no.32 in G major, K.318 Allegro – Andante – Tempo I
2 Symphony no.30 in D major, K.202 I. Molto allegro
3 Symphony no.30 in D major, K.202 II. Andantino con moto
4 Symphony no.30 in D major, K.202 III. Menuetto – Trio
5 Symphony no.30 in D major, K.202 IV. presto
6 Symphony no.33 in B flat mejor, K.319 I. Allegro assai
7 Symphony no.33 in B flat mejor, K.319 II. Andante mederato
8 Symphony no.33 in B flat mejor, K.319 III. Menuetto – Trio
9 Symphony no.33 in B flat mejor, K.319 IV. Allegro assai
10 Symphony no.31 in D major, K.297 ‘Paris’ I. Allegro assai
11 Symphony no.31 in D major, K.297 ‘Paris’ II. Andante
12 Symphony no.31 in D major, K.297 ‘Paris’ III. Allegro

CD 3

1 Symphony no.35 in D major major, K.385 ‘Haffner’ I. Allegro con spirito
2 Symphony no.35 in D major major, K.385 ‘Haffner’ II. Andante
3 Symphony no.35 in D major major, K.385 ‘Haffner’ III. Menuetto – Trio
4 Symphony no.35 in D major major, K.385 ‘Haffner’ IV. Finale. Presto
5 Symphony no.38 in D major, K.504 ‘Prague’ I. Adagio – Allegro
6 Symphony no.38 in D major, K.504 ‘Prague’ II. Andante
7 Symphony no.38 in D major, K.504 ‘Prague’ III. Finale. Presto

CD 4

1 Symphony no.36 in C major, K.425 ‘Linz’ I. Adagio – Allegro spiritoso
2 Symphony no.36 in C major, K.425 ‘Linz’ II. Andante
3 Symphony no.36 in C major, K.425 ‘Linz’ III. Menuetto – Trio
4 Symphony no.36 in C major, K.425 ‘Linz’ IV. Finale. Presto
5 Symphony no.40 in G minor, K.550 I. Molto allegro
6 Symphony no.40 in G minor, K.550 II. Andante
7 Symphony no.40 in G minor, K.550 III. Menuetto. Allegretto – Trio
8 Symphony no.40 in G minor, K.550 IV. Allegro assai

CD 5

1 Symphony no.39 in E-flat major, K.543 I. Adagio – Allegro
2 Symphony no.39 in E-flat major, K.543 II. Andante con moto
3 Symphony no.39 in E-flat major, K.543 III. Menuetto. Alegretto – Trio
4 Symphony no.39 in E-flat major, K.543 IV. Finale. Allegro
5 Symphony no.41 in C major, K.551 ‘Jupiter’ I. Allegro vivace
6 Symphony no.41 in C major, K.551 ‘Jupiter’ II. Andante cantabile
7 Symphony no.41 in C major, K.551 ‘Jupiter’ III. Menuetto. Alegretto – Trio
8 Symphony no.41 in C major, K.551 ‘Jupiter’ IV. Molto allegro

Staatkapelle Dresden
Sir Colin Davis – Conductor

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 4 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 5 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Variations on variations – Rinaldo Alessandrini, Concerto Italiano

No dia do aniversário de nosso compositor maior, Johann Sebastian Bach, trago para os senhores um dos últimos CDs de Rinaldo Alessandrini e seu Concerto italiano, e aqui estamos falando de um dos maiores especialistas em barroco da atualidade com seu conjunto de câmara. Me perdoem não ter traduzido o texto abaixo, o tempo urge, e estou fazendo esta postagem a toque de caixa, como sempre, aliás. Enfim, este texto abaixo foi retirado do booklet do CD, que segue em anexo ao arquivo de áudio, por sinal.  De qualquer forma, existem diversos programas tradutores disponíveis na internet.

“The programme of this recording is composed of works that adopt the variation as the generating principle of the music. Our ‘variations’ on them modify the image and sonor- ity of the works, originally conceived for harpsichord, pedal harpsichord and organ. The varying styles of the original pieces make it possible to adapt them using different instru- mental scorings: violin and basso continuo in the case of the Aria variata alla maniera italiana BWV 989; a four-voice texture transcribed for four-part string ensemble in the Passacaglia BWV 582, the Canzona BWV 588, and a substantial portion of the Goldberg Variations BWV 988. Chamber formations of various sizes have been chosen for the canons and some of the other variations in the Goldberg cycle. What you will hear makes no pretence at orthodoxy. It is, rather, a divertissement, a subtle intellectual pleasure, which we experienced during the year it took for the project to come to gestation and realisation. In fact, I am not the first to have hit on the idea of arranging the Goldberg Variations for string ensemble: Dmitri Sitkovetsky made a version for string trio years ago, and Bernard Labadie one for string orchestra even before that. To transcribe the different sets of variations here for large forces would seem to be forcing their nature. For the style of the Goldberg Variations is already somewhat inhomogeneous (the other works on the programme are more regular in style) and sometimes highly idiomatic in keyboard terms. The series of canons is (almost) invariably in three parts. Some of the variations are in four parts, others in two. Others again are developed in polyphony with a varying number of voices. Hence, since we cannot adduce a specific reason to justify this project, the sole remaining argument is that of an intellectual and technical challenge.

The rest of the programme presented fewer problems of elaboration. The Passacaglia was transposed up a tone to the key of D minor, in which the strings sound well; similarly, the Aria BWV 989 was transposed down a tone. The Passacaglia, conceived in four parts (almost) throughout, adapts splendidly to an orchestral texture, which emphasises the dance character that, in the end, a passacaglia should always possess. The Canzona was given a literal transcription. The Aria reverts to what is presumed to have been its original Italian model, for violin and basso continuo. But it should not be thought that undertakings of this kind are unjustified modern  ‘outrages’. On the contrary, we have many illustrious examples of the practice: beginning with the fugues Mozart selected from The Well-Tempered Clavier and transcribed for string quartet (K404a and K405), the list stretches right down to the present with the monumental transcriptions of Elgar, Stokowski, Schoenberg and Webern, to name only a few. And the first composer to embark on such an enterprise was Bach himself, who reused many of his and other composers’ works (the Mass in B minor, for instance, contains a great many revisions of earlier compositions; numerous movements from the Brandenburg Concertos are reworked in different ways in church cantatas; and his German version of Psalm 51 is adapted from the score of Pergolesi’s Stabat Mater), modifying their performing forces to produce spectacular transcriptions, of which the most striking is the transformation of the Prelude and Fugue in A minor for harpsichord BWV 894 into the Triple Concerto for flute, violin, harpsichord and strings BWV 1044. My initial idea was to realise a version of these works that would in any case present orthodox structural aspects consistent with a historical notion of instrumental style. Hence, in the Goldberg cycle, I transcribed the canons and some of the variations as chamber music for two instruments and basso continuo (Variations 3, 6, 9, 12, 15, 18, 21, 24) or two instruments without bass (Variations 11, 17 and 27). The challenge was to realise the rest of the variations in a homogeneous and complete texture in three or four parts, conceived for a group of strings and continuo. It therefore proved necessary to complete the irregular texture of many variations, adding lines or bringing out the polyphony present in skeleton form in the harpsichord writing. Variation 1 was completed in four real parts, as were nos. 5, 8, 14, 20, 23, 28 and 29. I added a middle part to Variation 7 in order to justify the function of the bass line as a bassetto. The French Overture of Variation 16 was completed in four real parts, as was its fugue, which in the original is mostly in three parts. Variation 20 was the piece that required the greatest adjustment of the writing to the possibilities of performance by a group of strings. The operation inevitably bordered on the arbitrary in those cases where it was necessary to complete the contrapuntal texture in order to realise four complete and independent parts. Very often, Bach’s compositional technique implies a significant quantity of canonic procedures (most apparent in Variation 8), inherent in the texture but which remained incomplete because of the obvious physical impossibility of executing such complexities with two hands. The figuration, especially the most brilliant, frequently reaches the limits of execution on a single stringed instrument (Variations 14, 20 and 26). For this reason, one might have accepted the principle, in some passages, of changing the figuration into something similar, but more idiomatic for the strings. But I preferred, at least for this recording, to keep as close as possible to the original for harpsichord. The result offers an opportunity to listen in a new way to the polyphony of the Goldberg Variations (and the rest of the programme) with the help of the rich timbres of a group of strings, which isolate the individual lines and at the same time recreate the contrapuntal unity of these pieces, underlining once more their extraordinary wealth of invention.”

Rinaldo Alessandrini é um maestro italiano, muito conhecido e admirado aqui no PQPBach por suas gravações de música barroca. Seu conjunto não por acaso se chama Concerto Italiano, e é com ele que os senhores terão a oportunidade de conhecer uma outra possibilidade de interpretação das míticas “Variações Goldberg”, neste caso em arranjo para conjunto de cordas e cravo. Muitos estão acostumados com as tradicionais versões ou para o próprio cravo ou então para piano, e de vez em quando trazemos outras possibilidades, como por exemplo, saxofone. O que tenho a dizer é que o trabalho que Alessandrini fez aqui é absolutamente sensacional, estonteante. Dá uma nova perspectiva a estas variações. Em minha opinião valem cada minuto de audição.

1 passacaglia in d minor, from the original for pedal harpsichord in c minor, bwv 582
aria variata alla maniera italiana in g minor for violin and basso continuo, from the original for harpsichord in a minor, bwv 989
2 Thema
3 Variatio 1
4 Variatio 2 5 Variatio 3
6 Variatio 4
7 Variatio 5
8 Variatio 6
9 Variatio 7
10 Variatio 8
11 Variatio 9
12 Variatio 10
13 canzona in d minor, from the original for organ, bwv 588
goldberg variations, from the original for harpsichord, bwv 988

14 Aria (à 4)
15 Variatio 1 (à 4)
16 Variatio 2 (à 3)
17 Variatio 3 – Canone all’Unisuono (à 3)
18 Variatio 4 (à 4)
19 Variatio 5 (à 4)
20 Variatio 6 – Canone alla Seconda (à 3)
21 Variatio 7 – Al tempo di Giga (à 3) [nicholas robinson]
22 Variatio 8 (à 4)
23 Variatio 9 – Canone alla Terza (à 3)
24 Variatio 10 – Fughetta (à 4)
25 Variatio 11 (à 2 violini)
26 Variatio 12 – Canone alla Quarta (à 3) [nicholas robinson]
27 Variatio 13 (à 3) [antonio de secondi]
28 Variatio 14 (à 4)
29 Variatio 15 – Canone alla Quinta (à 3)
30 Variatio 16 – Ouverture (à 4)
31 Variatio 17 (à 2, violino e violoncello) [antonio de secondi]
32 Variatio 18 – Canone alla Sesta (à 3)
33 Variatio 19 (à 3)
34 Variatio 20 (à 4)
35 Variatio 21 – Canone alla Settima (à 3) [nicholas robinson]
36 Variatio 22 – Alla breve (à 4)
37 Variatio 23 (à 4)
38 Variatio 24 – Canone all’Ottava (à 3) [antonio de secondi]
39 Variatio 25 – Adagio (à 3) [nicholas robinson]
40 Variatio 26 (à 4)
41 Variatio 27 – Canone alla Nona (à 4)
42 Variatio 28 (à 4)
43 Variatio 29 (à 4)
44 Variatio 30 – Quodlibet (à 4)
45 Aria (à 4)

Transcriptions, arrangements and adaptations by rinaldo alessandrini from the originals by johann sebastian bach

Concerto Italiano
Rinaldo Alessandrini – Harpsichord & Conductor

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Violin Concertos – Isabelle Faust, Akademie für Alt Musik Berlin

Já há alguns anos acompanho a carreira da violinista alemã Isabelle Faust. Creio que eu deva ter todas as suas gravações. E graças à internet temos acesso quase que instantâneo ao lançamento de seus CDs.

Pois foi o que aconteceu com este seu novo registro, onde interpreta nossos amados Concertos para Violino de Johann Sebastian, o Bach. E qualquer nova gravação de Faust me é muito especial, pelo apreço que tenho por esta excepcional musicista. Não teme em encarar desde Bártok, Berg, Brahms, Beethoven ou nosso amado e imortal Bach. E também não temo em colocá-la no mesmo patamar de outras duas grandes violinistas da atualidade, Rachel Podger e Amandine Beyer, porém estas duas tem seu principal foco na música barroca, enquanto Faust circula facilmente por estes diversos períodos com extrema competência, versatilidade e diria até facilidade.

Para acompanhá-la, Faust convidou a “Akademie für Alt Musik Berlin”, conjunto altamente especializado neste repertório.

Ah, este CD foi lançado pela Harmonia Mundi agora no dia 15 de março, ou seja, é fresquinho, recém saído dos fornos da gravadora. Assim a amazon nos apresenta a este fortíssimo candidato a Gravação do Mês, quiçá do ano, da conceituada revista Grammophone:

“This recording featuring Isabelle Faust and Akademie für Alte Musik Berlin explores works by Johann Sebastian Bach that were, in one form or another, originally written or conceived as violin showpieces. Along with the famous Violin Concertos BWV 1041-43, a selection of of overtures, trio sonatas, and concertos now associated with other instruments, are performed here on violin as the composer intended. Hearing Faust play the famous Badinerie from the second Orchestral Suite (normally played on flute) is a reminder that the author of The Well-Tempered Clavier was also a virtuoso violinist.”

CD 1
1. Isabelle Faust – Violin Concerto in D Minor, BWV 1052R_ I. Allegro
2. Isabelle Faust – Violin Concerto in D Minor, BWV 1052R_ II. Adagio
3. Isabelle Faust – Violin Concerto in D Minor, BWV 1052R_ III. Allegro
4. Akademie fur Alte Musik Berlin – Ich liebe den Höchsten von ganzem Gemüte, BWV 174_ I. Sinfonia
5. Isabelle Faust – Violin Concerto in E Major, BWV 1042_ I. Allegro
6. Isabelle Faust – Violin Concerto in E Major, BWV 1042_ II. Adagio
7. Isabelle Faust – Violin Concerto in E Major, BWV 1042_ III. Allegro assai
8. Akademie fur Alte Musik Berlin – Ich hatte viel Bekümmernis, BWV 21_ Sinfonia
9. Isabelle Faust – Trio Sonata in C Major, BWV 529_ I. Allegro (Arr. for 2 violins and basso continuo)
10. Isabelle Faust – Trio Sonata in C Major, BWV 529_ II. Largo (Arr. for 2 violins and basso continuo)
11. Isabelle Faust – Trio Sonata in C Major, BWV 529_ III. Allegro (Arr. for 2 violins and basso continuo)
12. Isabelle Faust – Concerto for violin and oboe in C Minor, BWV 1060R_ I. Allegro
13. Isabelle Faust – Concerto for violin and oboe in C Minor, BWV 1060R_ II. Largo ovvero Adagio
14. Isabelle Faust – Concerto for violin and oboe in C Minor, BWV 1060R_ III. Allegro

CD 2

1. Isabelle Faust – Overture No. 2 in B Minor, BWV 1067_ I. Ouverture
2. Isabelle Faust – Overture No. 2 in B Minor, BWV 1067_ II. Rondeau
3. Isabelle Faust – Overture No. 2 in B Minor, BWV 1067_ III. Sarabande
4. Isabelle Faust – Overture No. 2 in B Minor, BWV 1067_ IV. Bourrées I & II
5. Isabelle Faust – Overture No. 2 in B Minor, BWV 1067_ V. Polonaise. Moderato e staccato. Double
6. Isabelle Faust – Overture No. 2 in B Minor, BWV 1067_ VI. Menuet
7. Isabelle Faust – Overture No. 2 in B Minor, BWV 1067_ VII. Badinerie. Staccato
8. Isabelle Faust – Trio Sonata in D Minor, BWV 527_ I. Andante (Arr. for oboe, violin and basso continuo)
9. Isabelle Faust – Trio Sonata in D Minor, BWV 527_ II. Adagio e dolce (Arr. for oboe, violin and basso continuo)
10. Isabelle Faust – Trio Sonata in D Minor, BWV 527_ III. Vivace (Arr. for oboe, violin and basso continuo)
11. Isabelle Faust – Violin Concerto in G Minor, BWV 1056R_ I. [no tempo marking]
12. Isabelle Faust – Violin Concerto in G Minor, BWV 1056R_ II. Largo
13. Isabelle Faust – Violin Concerto in G Minor, BWV 1056R_ III. Presto
14. Akademie fur Alte Musik Berlin – Himmelskönig, sei willkommen, BWV 182_ I. Sonata. Grave. Adagio
15. Isabelle Faust – Violin Concerto in A Minor, BWV 1041_ I. [no tempo marking]
16. Isabelle Faust – Violin Concerto in A Minor, BWV 1041_ II. Andante
17. Isabelle Faust – Violin Concerto in A Minor, BWV 1041_ III. Allegro assai
18. Akademie fur Alte Musik Berlin – Sinfonia in D Major, BWV 1045
19. Isabelle Faust – Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043_ I. Vivace
20. Isabelle Faust – Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043_ II. Largo ma non tanto
21. Isabelle Faust – Concerto for 2 Violins in D Minor, BWV 1043_ III. Allegro

Isabelle Faust, violin Jacobus Stainer (1658)
Bernhard Forck, anonymous violin, South Germany (1725)
Xenia Löffler, oboe and recorder
Jan Freiheit, cello
Raphael Alpermann, harpsichord
Akademie für Alte Musik Berlin

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CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Isabelle Faust

Sergey Rachmaninov (1873-1943) – Complete Symphonies & Piano Concertos – Lorin Maazel, Támas Vasary,

Confesso que fiquei surpreso quando nosso mentor PQPBach mandou dia destes uma solicitação da Segunda Sinfonia de Rachmaninov. Quase perguntei se era correta sua solicitação, de repente ele podia estar atrás da sinfonia de mesmo número de outro compositor, mas pelo tipo de pergunta e pelo motivo da solicitação entendi que era realmente a Segunda Sinfonia de Rachmaninov que ele pedia. Sabemos que ele não é muito fã deste compositor, por isso a dúvida. Informei então que tinha a caixa da DG onde o grande Lorin Maazel gravara a integral das sinfonias, as Danças Sinfônicas e o poema sinfônico ‘Ilha dos Mortos”, frente a Filarmônica de Berlim. Ele aceitou imediatamente. Na verdade, esta postagem nada mais é que uma repostagem de uma original que fiz lá nos primórdios do PQPBach, em 2007.

Então em atenção á solicitação de nosso mestre / guru / mentor estou trazendo esta bela caixa. Ah, de quebra os senhores ainda levam os concertos para piano, nas mãos de Támás Vásáry, é mole, ou querem mais?

CD 1

Symphony No. 2 in E minor op. 27 e-moll · en mi mineur A
1. Largo – Allegro moderato
2. Allegro molto
3. Adagio
4. Allegro vivace

Symphony No. 1 in D minor op. 13 d-moll · en ré mineur
1. Grave – Allegro ma non troppo – Allegro vivace
2. Allegro animato

CD 2

Symphony No. 1 in D minor (cont.)
3. Larghetto
4. Allegro con fuoco

Symphony No. 3 in A minor op. 44 a-moll · en la mineur

1. Lento – Allegro moderato – Allegro
2. Adagio ma non troppo – Allegro vivace
3. Allegro – Allegro vivace

4. The Rock op. 7
Fantasy »Der Fels« ·
« Le Rocher »

5 Intermezzo from the opera Aleko
6 Allegro pastorale
7 Vocalise op. 34 no. 14 Lentamente

CD 3

1 The Isle of the Dead op. 29
Symphonic Poem »Die Toteninsel« · « L’Île des morts » Lento – Tranquillo – Largo – Allegro molto – Largo – Tempo I

Symphonic Dances op. 45
2 1. Non allegro
3. Andante con moto (Tempo di valse)
4. Lento assai – Allegro vivace – Lento assai come prima

Berliner Philharmoniker
LORIN MAAZEL

Rhapsody on a Theme by Paganini for Piano and Orchestra op. 43
5 Introduction – Variations I–VI
6 Variations VII–X
7 Variations XI–XV
8 Variations XVI–XVII
9 I Variation XVIII A tempo vivace – Variations XIX–XXIV

TAMÁS VÁSÁRY piano
London Symphony Orchestra
YURI AHRONOVITCH

CD 4

Concerto for Piano and Orchestra No. 1 in F sharp minor op. 1 fis-moll · en fa dièse mineur

1. Vivace – Moderato – Vivace
2. Andante
3. Allegro vivace

Concerto for Piano and Orchestra No. 2 in C minor op. 18 c-moll · en ut mineur
4 1. Moderato – Più vivo – Allegro – Maestoso. Alla marcia – Moderato
5.2 Adagio sostenuto
3. Allegro scherzando – Moderato – Presto – Moderato – Allegro scherzando – Alla breve – Presto – Maestoso – Risoluto

CD 5

Concerto for Piano and Orchestra No. 3 in D minor op. 30 d-moll · en ré mineur
1. Allegro ma non tanto
2. Intermezzo. Adagio – attacca:
3. Finale. Alla breve 14:19

Concerto for Piano and Orchestra No. 4 in G minor op. 40 g-moll · en sol mineur
4 1. Allegro vivace
5 2. Largo – attacca subito:
6 3. Allegro vivace

TAMÁS VÁSÁRY piano
London Symphony Orchestra
YURI AHRONOVITCH

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FDPBach

Antonin Dvorák (1841-1904) – Chamber Works II – Piano Trios – Guarnieri Trio

Até agora, grande parte das obras de Antonin Dvorák que foram postadas aqui no PQPBach eram obras dedicadas a um instrumento solista com orquestra, ou alguma outra obra orquestral, como as Sinfonias, Poemas Sinfônicos ou As Danças Eslavas.
Gostaria de apresentar aos senhores um outro Dvorák, o das obras para Câmara. Pretendo dar prosseguimento à belíssima coleção do selo tcheco Supraphon, dos quais já trouxe as sinfonias de Dvorák na histórica gravação de Vaclav Neuman com a Filarmônica Tcheca, e trazer os CDs da série dedicados à quase desconhecida obra de Câmara deste compositor. Teremos Trios para Piano, Quartetos de Corda, Quartetos com Piano, enfim, pretendo que esta série seja a mais completa possível. Como citei acima, trata-se de projeto do selo Supraphon, então talvez em alguns casos os músicos envolvidos não sejam tão conhecidos, mas lhes garanto a qualidade.
Por estar encantado com os Trios para Piano, começarei com o segundo volume da coleção. É de se ouvir com muita atenção.

CD 1

01. Piano Trio No. 1 in B flat major, B. 51 (Op. 21)- Allegro molto
02. Piano Trio No. 1 in B flat major, B. 51 (Op. 21)- Adagio molto e mesto
03. Piano Trio No. 1 in B flat major, B. 51 (Op. 21)- Allegretto scherzando
04. Piano Trio No. 1 in B flat major, B. 51 (Op. 21)- Finale, Allegro vivace
05. Piano Trio No. 2 in G minor, B. 56 (Op. 26)- Allegro moderato
06. Piano Trio No. 2 in G minor, B. 56 (Op. 26)- Largo
07. Piano Trio No. 2 in G minor, B. 56 (Op. 26)- Scherzo, Presto
08. Piano Trio No. 2 in G minor, B. 56 (Op. 26)- Finale, Allegro non tanto

CD 2

01. Piano Trio No. 3 in F minor, B. 130 (Op. 65) (once listed as Op. 64) Allegro
02. Piano Trio No. 3 in F minor, B. 130 (Op. 65) (once listed as Op. 64) Allegre
03. Piano Trio No. 3 in F minor, B. 130 (Op. 65) (once listed as Op. 64) Poco ad
04. Piano Trio No. 3 in F minor, B. 130 (Op. 65) (once listed as Op. 64) Finale,
05. Piano Trio No. 4 in E minor (‘Dumky’), B. 166 (Op. 90) Lento maestoso
06. Piano Trio No. 4 in E minor (‘Dumky’), B. 166 (Op. 90) Poco adagio
07. Piano Trio No. 4 in E minor (‘Dumky’), B. 166 (Op. 90) Andante
08. Piano Trio No. 4 in E minor (‘Dumky’), B. 166 (Op. 90) Andate moderato
09. Piano Trio No. 4 in E minor (‘Dumky’), B. 166 (Op. 90) Allegro
10. Piano Trio No. 4 in E minor (‘Dumky’), B. 166 (Op. 90) Lento maestoso

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Richard Wagner – Götterdämmerung – Dernesch, Ridderbusch, Stewart, etc., Karajan, BPO

Götterdämmerung: a mais grandiosa das quatro óperas do ciclo O Anel do Nibelungo. Composta entre 1869 e 1874, sua estréia ocorreu no Bayreuth Festspielhaus, Bayreuth, em 17 de agosto de 1876, como parte da primeira apresentação completa da Saga do Anel. A Canção dos Nibelungos (conjunto de poemas medievais alemães), é a fonte de inspiração para o “O Crepúsculo dos Deuses”.

Götterdämmerung é musicalmente genial, embora seja narrativamente mais fraco (comparado à Die Walkürie e Das Rheingold). Temos uma Brünnhilde humana, um Hagen dual, um Gunther fraco, um Siegfried com seus defeitos e não mais estereotipado como na ópera anterior. Quanto tempo dura Götterdämmerung? O primeiro ato sozinho passa um pouco de duas horas, mais do que o La Bohème de Puccini em sua totalidade. Para a orquestra e os cantores, numa apresentação ao vivo, é um dos testes de resistência mais difíceis do repertório operístico. Para se ter uma idéia da grandiosidade desse espetáculo, nesta ópera está a cena mais difícil de se representar da história do teatro (última cena do último ato, falarei sobre ela). Analisando percebe-se que, narrativamente falando, sua duração imponente é parcialmente gratuita, com quase uma hora revirando a história e fazendo um resumão dos acontecimentos das três partes anteriores. Pode ser redundante, mas esta exposição ajuda alguém que não conhece as outras peças a entrar e acompanhar a história. A ópera em três atos mostra a caminhada de Sigfried e Brünnhilde ao encontro da morte, levando com eles os deuses e todo o mundo dos antigos. Um novo mundo pode nascer na Terra. Götterdämmerung é a tradução alemã para a palavra em nórdico antigo Ragnarök, que em português seria o Crepúsculo dos Deuses. Götterdämmerung continua a história de Siegfried, filho de Siegmund, e ainda mais que “Die Walkürie e Siegfried”, mudanças drásticas no mito ocorrem, inclusive a própria interpretação do Crepúsculo dos Deuses.

Bayreuther Festspiele 2010

Além das inovações formais já iniciadas por Wagner à ópera, temos em Götterdämmerung um prelúdio antes da 1ª cena. O prelúdio pode ser dividido em duas partes, a primeira onde as Nornas tecem o fio do destino, as três Nornas, filhas de Erda, tecem a trama do destino do mundo. Mas o fio com que trabalham rompe-se de repente, quando procuram desvendar o paradeiro do ouro do Reno: ali também se fazem sentir as consequências da maldição de Alberich. Doravante, o destino dos deuses está selado. O canto das Nornas é belíssimo, elas contam em poucas linhas a história passada e a futura. A segunda parte do prólogo, após uma breve e bela Orchesterzwischenspiel, mostra Siegfried e Brünnhilde saindo de uma gruta, onde a ex-Valkíria afirma que Siegfried deve prosseguir em sua jornada, com mútuas promessas de fidelidade Siegfried como prova de amor lhe dá o anel que tomou de Fafner e ela lhe dá o seu cavalo e seu escudo de Valkíria. Podemos ver no prólogo que o Siegfried de Götterdämmerung não é o mesmo Siegfried de “Siegfried”. O personagem está mais humano e heróico (até na música), e não é mais aquele estereótipo-bombadão. Dá uma prova de amor na mesma medida em que recebe. A música em Götterdämmerung é muito mais sóbria que nas outras óperas da saga, e não é exagerada como “Die Walkürie”, mas ainda possui peso e expressividade.

A primeira cena se passa no palácio de Gunter, próximo ao Reno. Gunter é o rei dos Gibichungos onde Hagen (meio-irmão do rei Gunther) e Gutrune (irmã) estão presentes. Gunther pergunta sobre sua popularidade, e Hagen (depois de fazer mistério), afirma que sua popularidade não é satisfatória porque ambos (Gunther e Gutrune) não são casados. Hagen, filho de Alberich e Grimhilde, mãe também de Gunther e da moça Gutrune, aproveita-se do diálogo para enredar os irmãos em seus planos: instigado por Alberich, pretende apossar-se do anel. Ambos devem casar-se, diz: Gunther com a bela Brunnhilde e Gutrune com o valoroso Siegfried. Não será fácil, porém, concretizarem o projeto, já que Brunnhilde vive cercada por uma barreira de fogo e Siegfried não vê encantos em mulher que não seja a ex-Valquíria. Uma possibilidade existe, no entanto; basta que Gutrune ofereça a Siegfried uma bebida mágica e o rapaz, a um só tempo, deixar-se-á enamorar por ela e consentirá em conquistar Brunnhilde para Gunther. Como no cinema e no teatro, na ópera também a conveniência das situações fala mais alto: Siegfried chega justamente quando estão discutindo como encontrá-lo. Hagen o convida para entrar, e fecha-se a cena.

A cena dois mostra como Siegfried e Gunther se conhecem pessoalmente. Sigfried convida Gunther para medirem forças, mas o outro prefere recebê-lo como hóspede. Siegfried desconhecia o poder do Tarnhelm, que Hagen explica seu poder. Gutrune dá a bebida do esquecimento a Siegfried, e ele esquece totalmente de Brünnhild, e promete tirá-la das chamas e entregar a Gunther em troca da mão de Gutrune. Siegfried foi enganado em sua ingenuidade (justificável, devido sua criação), e essa cena é muito coerente e bem feita, mas, há um ponto que foi esquecido: CADÊ A CLARIVIDÊNCIA DE SIEGFRIED??? O dragão lhe concedeu a clarividência em “Siegfried”, e aparentemente não foi capaz de usá-la agora… esquece, sem poção não há história, então…

Na terceira cena volta aonde está Brünnhilde, a Valkíria Waltraute chega, narrando a Brünnhilde a decadência do Walhalla. Waltraute tenta convencer a irmã de devolver o anel ao Reno (lembrando também da maldição de Alberich), o que Brünnhilde recusa-se a fazer. Após esse discurso, Waltraute vai embora triste, e Siegfried surge (disfarçado de Gunther devido o Tarnhelm). Siegfried subjuga Brünnhild para levá-la (como Gunther), mas ela reconhece sua voz (uma magnífica performance vocal, entre Tenor e Barítono), e ao final ele fala em sua voz normal, afirmando que ele e Gunther são irmãos de sangue.

A primeira cena do segundo ato é uma das mais sinistras e controversas. Hagen está na corte como guarda (adormecido) e Alberich aparece (ou não). Nessa cena há o diálogo entre Hagen e Alberich (filho e pai). Muito se infere desse diálogo, entre elas que Alberich não está materialmente, mas sim nos sonhos, e é uma projeção do próprio Hagen. Pode-se inferir também uma conexão do real e do onírico. A música é sombria, e o diálogo impressionante. Vale a pena conferir (AQUI libreto e texto). Na segunda cena do segundo ato Siegfried chega, afirmando a Hagen que tudo saíra como o planejado, e se coloca a disposição para organizar os dois casamentos. Temos uma melhor descrição de Hagen, que aparece esnobe e irônico. Na cena terceira temos mais Hagen, onde ele brinca com os soldados dando-lhes as boas novas, o que os soldados se espantam, pois, Hagen é carrancudo. Hagen aparece nesse ato múltiplo, mas coerente, podemos inferir algumas coisas sobre suas atitudes. A terceira cena é uma confusão, causada por Brünnhilde, e onde novamente Hagen se destaca. Siegfried defende-se e Brünnhilde o acusa, causando uma confusão geral onde ninguém entende nada (exceto o leitor/ouvinte). Na última cena do segundo ato, Hagen se oferece em amizade à Brünnhilde, e junto com Gunther tenta compreender a confusão da outra cena. Hagen incita a pena capital ao “traidor” Siegfried, enquanto Gunther como sempre indeciso e manipuladíssimo. Hagen pergunta a Brünnhilde se e como Siegfried pode ser morto, e ela o informa que ele é um herói poderoso e não pode ser vencido em combate, mas pode ser atingido pelas costas. A explicação aqui para a invulnerabilidade de Siegfried não é o sangue de dragão do Nibelungenlied, mas as artes de Brünnhilde que lhe protegem dos ferimentos. Como Siegfried jamais daria as costas em fuga para um inimigo, ela não o protegeu nas costas. A última cena do terceiro ato termina com Hagen convencendo Gunther a aceitar a morte de Siegfried. No terceiro ato, Siegfried se perde de seu grupo de caça (que incluia Gunther e Hagen), e depara-se com as ninfas do Reno. Elas lhe contam a história da maldição, e afirmam que Siegfried será liquidado assim como Fasolt, Fafner e todos que porem as mãos no anel. Siegfried não se importa.

Na segunda cena Hagen dá uma bebida a Siegfried (com poder inverso da outra), que lembra e conta sua história, Hagen pergunta-lhe se pode compreender uma ave que está a sua frente, e Siegfried olha-a. Nesse momento Hagen golpeia covardemente Siegfried pelas costas. Siegfried canta uma música à Brunnhilde enquanto ainda estava agonizando, e depois morre. Segue o cortejo fúnebre. Nessa cena aparecem duas das melhores músicas da ópera: a Canção de Siegfried e a Marcha Fúnebre de Siegfried. Na terceira cena o corpo do herói é levado para o palácio onde Hagen reivindica a posse do anel, que, no entanto, Gunther deseja oferecer a Gutrune. Há muita confusão e ação, nesta que é a cena mais difícil da história do teatro. Os dois homens se atracam, após acalorada discussão, e Gunther cai morto por Hagen, que logo procura tirar o anel do dedo de Siegfried. Mas a mão do herói se ergue, ameaçadora, e ele desiste, amedrontado. Brunnhilde aproxima-se e manda que se faça uma fogueira, onde deverá consumir-se o corpo de Siegfried: também se arroja à pira, montada no cavalo que fora seu e do amado. O importante aqui é o Discurso de Brunnhilde, onde muito se pode interpretar sobre toda a obra e a filosofia wagneriana. Transbordando, o Reno alcança o fogo e em suas águas lança-se Hagen, que desaparece levado pelas ondinas. Uma delas mostra, exultante, o anel recuperado. A corrente caudalosa reflui, enquanto a cena mostra, ao longe, as chamas atingindo o Walhalla, o palácio inteiro desmorona, e quando os deuses se reúnem em assembléia todo o cenário entra em chamas, o Reno se acalma, a música cresce a um grande clímax sobre os temas do Reno e do Walhalla, decrescendo com o motivo da redenção pelo amor soando nas cordas. Cai o pano e encerra a obra.

Assim terminamos todo o ciclo do anel, mas antes algumas considerações. Não há termo às reflexões que o drama desperta. Tudo está repleto de profundos símbolos nesse trabalho, vai do “super-homem” de Nietzsche ao profundo pessimismo de Shopenhauer, mas Wagner tudo reveste com o seu próprio simbolismo e ideologia. O desmoronamento do Walhalla é talvez o sonho de Wagner, de 1848, de ver o mundo apodrecido num mar de chamas desaparecer e das cinzas aparecer um mundo novo e virtuoso. As quatro óperas O Ouro do Reno (Das Rheingold), A Valquíria (Die Walküre), Siegfried e Crepúsculo dos Deuses (Götterdämmerung) totalizam 15 horas de espetáculo (três mil setecentas e cinqüenta páginas de música). Wagner é um gênio fora do comum, e essa obra causou uma influência absurda (positiva e negativa) em seu país, apesar de, como pessoa, Wagner ser pouco exemplar. O Anel dos Nibelungos de Wagner é uma obra ímpar.

Wagner Götterdämmerung – Personagens e intérpretes

Agora que terminamos os posts de todo o ciclo do Anel, torna-se possível ver a bela interpretação de Karajan do tremendo trabalho do começo ao fim. O refinamento e delicadeza da textura de Karajan, e a maior clareza dada às palavras são notáveis. Para começar com o Prelúdio do Ato 1, as Nornas: Christa Ludwig possui uma voz altamente individual é inconfundível, se encaixa bem no trio excelente e equilibrado formado com Lili Chookasian e Catarina Ligendza. No final da cena, Karajan faz com as três uma de suas transições finamente gerenciadas, aqui da melancolia ao nascer do sol e à luz do dia, terminando em um clímax brilhante pouco antes do dueto que se segue. Isso leva a Brünnhilde de Helga Dernesch e Siegfried de Helge Brilioth. A bela soprano lírica Dernesch, com sua ampla voz, com um valioso registro baixo, sua musicalidade inata, seu calor de expressão, suas notas altas colocadas com precisão infalível, fazem dela uma atraente Brünnhilde. A voz seca de Brilioth, é um pouco restrita no topo do seu alcance, mas ele fala bem e soa jovem. O excelente Gunther, de Thomas Stewart, transmite algo da dignidade, vaidade e desconfiança do rei. Karl Ridderbusch não tem a qualidade “negra” e nem é tão maléfico mas tem muita beleza em sua voz. Gundula Janowitz como Gutrune está à vontade e canta com um tom encantador. No Prelúdio do Terceiro Ato, as ondinas formam uma equipe equilibrada, Karajan trata a cena muito em seu “estilo de música de câmara”, isto é, com grande delicadeza e refinamento. É muito lindo. Brilioth é bom em suas conversas de troca com as garotas e também na longa narração de Siegfried que se segue quando Hagen e os caçadores entram. Ele canta a história naturalmente e interessa por toda parte, e coloca um patético ponderável em sua cena de morte. Orquestra Filarmonica de Berlim, bom, sensacional é pouco !!!!

Wagner Götterdämmerung

Helga Dernesch soprano – Brünnhilde
Helge Brilioth tenor – Siegfried
Karl Ridderbusch baixo – Hagen

Zoltán Kelemen baixo – Alberich
Thomas Stewart barítono – Gunther
Gundula Janowitz soprano – Gutrune
Christa Ludwig mezzo – Waltraute
Liselotte Rebmann soprano – Woglinde
Edda Moser soprano – Wellgunde
Anna Reynolds mezzo – Flosshilde
Lili Chookasian contralto – First Norn
Christa Ludwig mezzo – Second Norn
Catarina Ligendza soprano – Third Norn
Chorus of the German Opera Berlin, Berlin PhiIharmonic Orchestra / Herbert von Karajan

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FDP

Richard Wagner – Siegfried – Jess Thomas, Thomas Stewart, Helga Dernesch, Gerhard Stolze, Karl Ridderbusch, etc., Karajan, BPO

Vamos que vamos com o Siegfried, a terceira ópera do ciclo do Anel dos Nibelungos de Wagner, por sinal, Siegfried era o nome de meu falecido sogro. O texto abaixo, como nas postagens anteriores, é de autoria do colega Ammiratore. Os senhores irão reparar que este seu texto está um pouco mais leve, mais descontraído.

“Dentro da tetralogia de Wagner, o terceiro drama, Siegfried, pode ser o menos popular ou conhecido. Porém é o mais importante no estabelecimento de um equilíbrio dramático entre as quatro obras. Wagner interrompeu a composição em 1857 no final do segundo ato de Siegfried para escrever “Tristan und Isolde” e “Die Meistersinger von Nürnberg”, retornando a Siegfried sete anos depois para completar o terceiro ato em 1869. A estréia mundial foi em 16 de agosto de 1876.
Elementos dessas duas óperas alimentam Siegfried: apresenta a música mais leve do ciclo do Anel, acho que é uma celebração musical maravilhosa da natureza, tem o dueto de amor mais extático (influenciado pelo dueto de Tristan und Isolde), quando Brünhilde e Siegfried se descobrem. A principal tarefa dramática da obra está no estabelecimento do grande herói do “Ciclo do Anel”. Há muito menos peças reconhecíveis nesta ópera quando comparadas às outras três, mas “Siegfried” possui alguns grandes momentos. Uma das mais famosas é a música de forjamento, aonde Siegfried num número solo nos mostra imediatamente que Wagner exige uma grande disposição do intérprete com seu principal personagem. Outros momentos famosos são a breve passagem do pássaro na floresta e, mais notavelmente, o dueto de amor final entre Siegfried e Brünhilde. Como em Die Walküre, Siegfried é uma ópera gigantesca por si só. A natureza fantástica e mitológica da trama é uma das razões pelas quais a ópera dura bem mais de quatro horas. Vamos tentar resumir então (fiquei feliz pelos comentários das outras duas e farei uma abordagem, digamos, leve e alguns trechos foram inspirados na casabibliofilia.blogspot.com):

“Mais uma vez nos encontramos com Wotan, agora chamado de Wanderer – que deixamos no final de Die Walküre , chateado com o destino de sua filha amada, Brünhilde. Como o próprio Wagner escreveu ao músico alemão August Roeckel, “depois da despedida de Brünhilde, Wotan realmente não é mais do que um espírito sem luz”. O Wotan de Siegfried é um deus velho e cansado, que perdeu o poder de comandar, que está disposto a deixar que os acontecimentos sigam o seu curso e está contente em desistir. O foco principal de “Siegfried” não é Wotan, mas o lendário personagem nórdico Sigurd, um herói nacional representado em todos os tipos de formas de arte. O personagem Siegfried de Wagner, diferente de outras versões, é filho de Siegmund com sua irmã (os dois são volsungos, ou Wälsung), o que faz de Siegfried neto de Wotan duas vezes (por parte de pai e de mãe). Entre as histórias de “Die Walkürie” e “Siegfried”, Sieglinde é encontrada por Mime na floresta, o anão ferreiro a leva para a caverna onde habita. Ali nasce Siegfried, mas Sieglinde morre: na agonia declara o nome escolhido para o filho e relata quem era o pai. Mime cria o menino, que cresce cheio de vigor e torna-se um rapaz de temperamento ousado, qualidade que vem bem a calhar aos desígnios de Mime: espera que seja Siegfried aquêle a cujos pés Fafner cairá morto, trespassado pela espada (“Nothung”) que, feita em pedaços, recebeu das mãos de Sieglinde. Mime deseja que Siegfried pegue o anel de Fafner e depois planeja matá-lo.
Primeira cena do primeiro ato. Mime está com raiva pois está preparando uma espada para Siegfried, mas sabe que o jovem quebrará a arma assim que estiver pronta. Tem forjado outras espadas, Siegfried as quebrou todas com uma só pancada, entre risos e palavras de zombaria. O nibelungo sonha obter o Anel e o Tarnhelm (aquele elmo que transforma), e para isso precisa de Siegfried. O jovem chega com um urso encoleirado, e brinca com o urso como se este fosse um Yorkshire Terrier. Depois ele quebra a espada pronta como se fosse uma vareta de bambu, o que deixa Mime muito azedão. O anão lamenta-se de tamanha ingratidão. Diz-se injustiçado, ele que criou Siegfried com todo desvelo. Mime conta a história de Siegfried, mas sem lhe contar a história do pai, mostra os fragmentos da Excalibur … ops, digo, Notung, e Siegfried fica animado, pedindo para que Mime reconstrua a espada.
Duas coisas podemos perceber a partir da leitura e audição da primeira cena. A primeira é que “Siegfried” não é tão monumental musicalmente quanto “Die Walkürie”, e que a dramatização é mais importante do que as narrativas e lirismo. É a obra mais dramática das quatro óperas, e ao mesmo tempo a mais épica. A segunda é que Siegfried é o herói com mais testosterona da história da literatura nórdica. Não é qualquer um que brinca com um ursinho de estimação e quebra uma espada de metal feita por um nibelungo como se fosse de bambu.
Na segunda cena Wotan, disfarçado como andarilho, aparece e provoca Mime, o desconhecido insiste e propõe, para provar sabedoria, que Mime lhe faça três perguntas. Se não as responder, dará sua cabeça em troca. Mime concorda e, tendo o outro se havido bem, deve admitir que lhe subestimara a capacidade. Só não esperava de Wotan (a quem ainda não reconheceu) a exigência de submeter-se a igual desafio. Sente-se aliviado ao responder às primeiras duas perguntas: “Qual a raça marcada pela cólera de Wotan, embora êste a amasse mais que a própria vida?” (OS Wilsungos); “Que espada poderá ser o instrumento da morte de Fafner?” (a Nothung). Para a terceira questão, porém, não encontra resposta: “Quem saberá retemperar a espada?” dizendo ao final que apenas quem não conhece o medo poderá forjar a espada Notung , e assim passa para a 3ª cena, onde entra Siegfried e pede a espada, que Mime não conseguiu forjar. Como Siegfried não conhece o medo, ele mesmo forja a espada e para testá-la parte uma bigorna ao meio (quanta testosterona!!!).
No segundo ato, Alberich espreita Fafner (na forma de um dragão), quando surge Wotan e avisa a Fafner que vem alguem matá-lo. Fafner não se importa e na segunda cena Mime conduz Siegfried as proximidades da caverna onde Fafner dorme sobre o tesouro. Desperto pelo som da trompa do rapaz, o dragão deixa seu abrigo. A luta é breve: agonizante, Fafner adverte Siegfried que se acautele, pois quem o induziu a esse ato assassino também trama sua morte e o dragão conta sua história. Após o dragão morrer Siegfried com a mão suja de sangue a leva a boca e acaba por ingerir o líquido que lhe dá o poder clarividente de falar com as aves. Siegfried então descobre o que Mime planejava e mata-o, em seguida conversando com uma ave ela fala sobre Brünhilde. Siegfried se prepara para mais uma prova de bravura.
Na primeira cena do último ato, Wotan invoca a deusa da Terra e conversa com ela. Esse diálogo é muito legal de se ler (o libreto em português está AQUI no link), mas ele não cria mudanças significativas no enredo. Na segunda cena, Siegfried encontra Wotan, e há uma discussão entre eles. Wotan afirma que já quebrou a Notung uma vez e pode fazê-lo novamente, mas Siegfried quebra a lança e Wotan recolhe os pedaços tranquilamente e desaparece. Na última cena, por fim, Siegfried encontra Brünhilde tal como Wotan a deixara no final da “Die Walkürie”, e não sabe o que fazer com ela (pois nunca viu uma mulher na vida). Um pequeno parêntesis, tá bom perdoo o Siegfried, pois quando era mais novo, com uns 14 – 15 anos, provavelmente não saberia o que fazer se uma Valkíria caísse nos meus braços, provavelmente a chamaria para jogar Enduro ou River Raid, tomar um suquinho ouvindo na vitrola um Vivaldi… sei lá… . Após o beijo, Brünnhilde acorda e pergunta quem é o herói, que prontamente se identifica. Brünhilde conta que salvou a vida dele antes, e Siegfried cogita ser ela sua mãe, o que é logo desmentido. Brünhilde ainda faz-se de difícil por um tempinho, mas logo rende-se ao amor do guerreiro volsunga cheio de testosterona, um estereótipo de super-guerreiro-bombado.

Cosima-Siegfried-Richard

Um caso curioso é que presentes de aniversário vêm em todas as formas e tamanhos. Cosima Wagner quando acordou em 25 de dezembro de 1870 para celebrar seu 33º aniversário, um grupo de 17 músicos se reuniu nas escadas que levavam ao seu quarto. Com Richard Wagner regendo, os músicos tocaram “uma saudação de aniversário sinfônica”. Wagner posteriormente mudaria o nome da composição para o conhecido “Siegfried Idyll”.

Siegfried, personagens e intérpretes:
O elenco é absolutamente de primeira linha. O Mime de Gerhard Stolze transmite a malícia revoltante do anão maligno de maneira mais convincente, lembrando que Wagner pediu uma voz “dura e rouca”, uma exigência impossível. Thomas Stewart é novamente um Wotan impressionante e usa sua esplêndida voz com grande efeito. Ridderbusch é um Fafner menos aterrorizante, mas ainda não é uma fera que alguém gostaria de encontrar! Oralia Dominguez transmite bem o mistério de Erda. Catherine Gayer, bom, achei que o seu pássaro esta com uma voz excessivamente trêmula. Gostei imensamente do bombadão Siegfried de Jess Thomas. Ele é excelente em seu total desprezo por Mime. No dueto final, ele mostra que percebeu rapidinho os encantos de uma mulher e canta lindamente para ela. Dernesch tem uma voz adorável, pura e uniforme com um registro baixo e quente, sua Brünnhilde é muito convincente quando acorda para o amor humano, ela canta lindamente o seu despertar. Siegfrid, filho de Wagner nasceu na época em que compôs a parte do dueto final, podemos ouvi rWagner e Cosima evocando o amor de forma intensa. Karajan tinha à sua disposição uma esplêndida orquestra. Como sempre regendo com clareza, intensidade e ritmo!”

Wagner – Siegfrid

Jess Thomas – tenor – Siegfried
Thomas Stewart – baritono – Der Wanderer
Gerhard Stolze – tenor – Mime
Helga Dernesch – soprano – Brünnhilde
Karl Ridderbusch – baixo – Fafner
Oralia Dominguez – mezzo – Erda
Catherine Gayer – soprano – Waldvogel
Berlin Philharmonic Orchestra / Herbert von Karajan

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Edward Elgar (1857-1934) – Cello Concerto in E Minor op. 85 – Jacqueline Du Pré, John Barbirolli, London Symphony Orchestra

Trago mais uma vez para os senhores a histórica e mítica gravação do Concerto para Violoncelo de Edward Elgar com Jacqueline Du Pré, que é considerada até hoje a melhor intérprete desta obra.
A carreira desta incrível musicista foi meteórica, com detalhes trágicos. Alcançou cedo a fama, porém também cedo foi diagnosticada com uma gravíssima doença degenerativa, Esclerose Múltipla, que a afastou dos palcos com apenas vinte e oito anos de idade, e a matou com apenas quarenta e dois anos.
Alcançou fama após esta mítica gravação, que sem dúvida é extraordinária. Casou-se com Daniel Baremboim, com quem gravou diversos outros discos.
Espero que apreciem. Amo esta gravação. Para mim e para muita gente, esta é o registro definitivo deste concerto.

1 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – I. Adagio – Moderato
2 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – II. Lento – Allegro molto
3 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – III. Adagio
4 Elgar – Cello Concerto in E minor, Op. 85 – IV. Allegro, ma non troppo

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
London Symphony Orchestra
Sir John Barbirolli

5 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – I. Allegro non troppo
6 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – II. Allegretto con moto
7 Saint-Saens – Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33 – III. Allegro non troppo

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
New Philharmonia Orchestra
Daniel Baremboim

8 Delius – Cello Concerto – Lento – Con moto tranquillo –

Jacqueline Du Pré – Violoncelo
Royal Philharmonic Orchestra
Sir Malcolm Sargent

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Héctor Berlioz (1803-1869) – Harold en Italie, Les Nuits d´été – Les Siècles, François-Xavier Roth, Tabea Zimmerman, Stéphane Degout

Interessante entrevista do maestro François-Xavier Roth, inclusa no booklet desta gravação:

O que Berlioz significa para você e Les Siècles?
Berlioz tem sido uma forte presença na história de Les Siècles virtualmente desde que a orquestra foi formada, mas ainda mais forte desde que fomos associados à sua aldeia natal, La Côte-Saint-André, onde tocamos todos os anos onde tocamos todos os anos como parte do maravilhoso Festival de Berlioz, do qual Bruno Messina é o diretor. Eu descobri essa música graças à geração mais velha, mas também durante o início de minha carreira como maestro, quando fui assistente de Sir Colin Davis, que era então o diretor musical da London Symphony Orchestra. O primeiro trabalho que preparei com eles foi Les Troyens. Tive a sorte de ajudar sir John Eliot Gardiner no Théâtre du Châtelet, também em Les Troyens. Com ele, descobri outra dimensão do compositor: Berlioz em instrumentos de época. Assim, no início dos anos 2000, Berlioz entrou na minha vida como maestro de uma maneira absolutamente decisiva e devastadora, e ele nunca mais me deixou.

O que o timbre de um barítono como Stéphane Degout traz para Les Nuits d’été?
Neste ciclo, surge a questão de qual voz usar, porque é escrita para diferentes faixas vocais. Eu acho que com Stéphane Degout estamos em uma situação ideal que vai muito além de seu tipo de voz – um barítono na tradição francesa, extraordinariamente nobre e expressivo, caracterizado por sua beleza flexível e sua inteligência com palavras. O que ele traz para o repertório da música em geral e a melodie francesa em particular faz dele um intérprete de primeira classe e era óbvio para mim que ele era a pessoa certa para atribuir este ciclo.

Qual é o papel específico dos instrumentos do tempo de Berlioz que a orquestra usa aqui?
Berlioz, como outros orquestradores inovadores, trouxe as melhores qualidades dos instrumentos que tinha à sua disposição na época. Ele manteve-se atualizado com os últimos desenvolvimentos na fabricação de instrumentos e, como um chef, estava disposto a usar o ingrediente certo para temperar sua receita musical. É realmente emocionante encontrar os sabores originais dos instrumentos de seu tempo porque você percebe quase instantaneamente o que eram essas novas combinações de timbres. Com instrumentos mais recentes ou modernos, seria muito mais difícil alcançar a mistura sônica, enquanto que com aqueles que Berlioz estava familiarizado, você pode entender imediatamente o que ele estava procurando e como ele queria criar suas novas cores. Você pode apreciar essas combinações sem precedentes na orquestra sinfônica e até mesmo em Les Nuits d’été, que exige uma orquestra menor.

A outra obra-prima deste disco é Harold en Italie com Tabea Zimmermann. Você diria que as questões interpretativas são comparáveis ​​às de Les Nuits d’été ou diferentes?
Com Harold en Italie nos encontramos com outra faceta de Berlioz. A única coisa que tem em comum com Les Nuits d’été é que tem um protagonista que faz um papel solo. Isso é bastante óbvio com Les Nuits d’été, já que temos uma voz solo cantando os textos com acompanhamento orquestral, mas com Harold en Italie, as coisas são muito mais complexas: a viola não é uma solista concertante, como seria em um romântico. Concerto, mas sim um personagem musical, um narrador, um ator na história de Harold que está relacionado a nós. Berlioz inventou um papel genuinamente novo aqui na relação entre o solista e a orquestra. Costumo comparar Harold ao Don Quixote de Richard Strauss – um poema sinfônico com um violoncelista principal que também parece incorporar um personagem. Em Harold en Italie, Berlioz inventou essa mesma forma, obviamente muito antes de Richard Strauss.

Você diria que nos mostra um Berlioz em busca de novas orientações artísticas neste programa?
Pode-se pensar que temos dois trabalhos nesta gravação que têm pouco em comum – Harold en Italie apresenta uma enorme orquestra, enquanto Les Nuits d’été é para um grupo muito menor. No entanto, eles estão ligados pelo fato de que Berlioz inventou novas formas aqui: foi a primeira vez que um compositor escreveu um ciclo de canções acompanhado por uma orquestra, e que alguém criou esse tipo de poema sinfônico com viola principal. Então, é verdade, este disco destaca como Berlioz inventou novos caminhos para a música.

P.S. Como não poderia deixar de ser, mais uma vez a Harmonia Mundi dá um show de qualidade em matéria de gravação, intérpretes, edição do booklet que segue em anexo ao arquivo de áudio traz muitas informações importantes. A tradução da entrevista acima fiz por conta e risco, com um pouco de ajuda do tradutor do Google, mas ela está lá, em três idiomas…

HECTOR BERLIOZ (1803-1869) Harold en Italie
Symphonie avec un alto principal en 4 parties, op. 16, H. 68 D’après Childe Harold’s Pilgrimage de George Gordon Byron  |
1 No 1. Harold aux montagnes. Scènes de mélancolie, de bonheur et de joie. Adagio – Allegro 15’14
2 No 2. Marche de pèlerins chantant la prière du soir. Allegretto 7’51
3 No 3. Sérénade d’un montagnard des Abruzzes à sa maîtresse. Allegro assai 5’58
4 No 4. Orgie de brigands. Souvenirs des scènes précédentes. Allegro frenetico 11’44

Les Nuits d’été Six mélodies avec un petit orchestre, op. 7, H. 81B Poèmes de Théophile Gautier (extraits de La Comédie de la mort)
5 1. Villanelle, H. 8 2’12
6 2. Le Spectre de la rose, H. 83 6’40
7 3. Sur les lagunes – Lamento, H. 84 5’43
8 4. Absence, H. 85 5’45
9 5. Au cimetière – Clair de lune, H. 86 5’41
10 6. L’Île inconnue, H. 87 3’37

Tabea Zimmermann, alto
Stéphane Degout, baryton
Les Siècles
François-Xavier Roth

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Sabine Devieilhe – Mirages – Alexandre Tharaud, François-Xavier Roth, Les Siècles

A voz da soprano Sabine Devieilhe é o grande destaque deste belíssimo CD. E é ela quem o apresenta:

“Este álbum veio através do meu desejo de gravar Lakmé, um papel que tem sido muito querido para o meu coração desde que eu o fiz pela primeira vez no palco em 2012.
Para este personagem de Lakmé, Leo Delibés compôs algumas das mais belas músicas já compostas para soprano coloratura. Sua abordagem artística era essencialmente francesa, pois sempre fazia da voz o centro das atenções, com uma orquestração que às vezes é diáfana (quando uma heroína recita uma oração) e às vezes deslumbrante (nos grandes duetos amorosos).
Foi esse trabalho que despertou meu amor pela ópera francesa do século XIX. Mas Lakmé também surgiu no contexto de artistas europeus, tornando-se mais abertos a influências de terras distantes. Os ouvidos ocidentais estavam ansiosos por fazer viagens musicais e poéticas, e as pessoas eram cada vez mais receptivas a perfumes de longe.” Esta sua apresentação em sua íntegra se encontra no booklet que está anexado ao arquivo.

Dois momentos memoráveis deste CD é a magnífica ”Viens, Mallika’, com a ‘Duo das Flores’, uma das mais belas árias já compostas, e ‘La Romance d’Ariel” de Debussy. A voz de Sabine Devieilhe é alguma coisa de outro mundo. Tenho certeza que os senhores irão amar este CD.

1 Messager Madame Chrysanthème, Act 3 ‘Le jour sous le soleil béni’ (Madame Chrysanthème)
2 Debussy Pelléas et Mélisande, Act 3 ‘Mes longs cheveux descendent’ (Mélisande)
3 Delibes Lakmé, Act 2 ‘Où va la jeune Hindoue’ (Lakmé)
4 Delage 4 poèmes hindous – I. Madras
5 Delage 4 poèmes hindous – II. Lahore
6 Delage 4 poèmes hindous – III. Bénarès
7 Delage 4 poèmes hindous – IV. Jeypur
8 Debussy La Romance d’Ariel
9 Delibes Lakmé, Act 1 ‘Viens, Mallika’ (Lakmé, Mallika)
10 Stravinsky Le Rossignol, Act 2 ‘Ah, joie, emplis mon coeur’ (Le Rossignol)
11 Thomas Hamlet, Act 4 ‘À vos jeux, mes amis’ (Ophélie)
12 Berlioz La mort d’Ophélie
13 Massenet Thaïs, Act 2 ‘Celle qui vient est plus belle’ (La Charmeuse, Crobyle, Myrtale)
14 Koechlin Le voyage
15 Delibes Lakmé, Act 3 ‘Tu m’as donné le plus doux rêve’ (Lakmé)

Sabine Devieilhe – Soprano
Alexandre Tharaud – Piano
Jodie Devos – Soprano
Marianne Crebassa – Mezzo-Soprano
Les Siècles
François-Xavier Roth – Conductor

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Richard Wagner – Die Walküre – Karajan, Vickers, Crispin, Janowitz, Stewart, etc., BPO

A segunda ópera do ciclo do Anel dos Nibelungos é ‘Die Walküre”, uma obra prima de Wagner, uma das mais belas óperas já compostas. É emocionante desde os primeiros acordes, quando a orquestra entra simulando uma tempestade, e Sigmund entra em cena, e conhece Sieglinde.
O mago Karajan reúne aqui novamente um elenco estelar, destacando a dupla Jon Vickers, um dos maiores cantores wagnerianos de todos os tempos, e Gundula Janowitz, uma das cantoras favoritas do Kaiser Karajan, a magnífica Regine Crespin, sem esquecer de Thomas Stewart, um dos grandes baixos do século XX.

Como expliquei anteriormente, na postagem do “Ouro do Reno”, nosso caro Ammiratore se encarregou de preparar a sinopse desta complexa ópera:

“Die Walküre – segunda ópera da tetralogia, e que ópera ! Sua estréia ocorreu no teatro Nacional em Munique a 26 de junho de 1870. Baseada na Saga dos Valsungos que figura entre os grandes clássicos da literatura mundial; trata-se de um dos principais textos da produção popular da Baixa Idade Média europeia, foi redigida na Islândia do século XIII por autor(es) anônimo(s), não apenas por conta de seus méritos literários ou de sua importância para o estudo da antiga religião e das lendas dos povos germânicos, mas também pela inegável influência que exerceu sobre autores ocidentais modernos e contemporâneos. As sagas, e a literatura nórdica antiga em geral, foram lidas e apreciadas por escritores como J.R.R. Tolkien, famoso por seu Senhor dos Anéis, obra cuja fonte de inspiração essencial foi justamente a Saga dos Valsungos. Wagner iniciou a composição da música assim que encerrou o Ouro do Reno, em setembro de 1854, trabalho a que dedica cerca de 2 anos, tem como principal tema a luta do amor que está associada à natureza e liberdade, contra o poder que está associada à civilização e à lei.
A montagem Das Valkirias é mais frequentemente realizada nos teatros separadamente das outras três partes da tetralogia, e sem dúvida pode ser o trabalho mais amado de Wagner do grande público. A fonte dessa afeição é certamente a representação sensível de Wagner do amor de Siegmund e Sieglinde, e a relação pai-filha de Wotan e Brünnhilde. O primeiro ato, em particular, é uma obra-prima da melodia rapsódica unida a um firme plano de tensão cada vez maior, liberada em sucessivos clímaxes, à medida que Siegmund e Sieglinde são atraídos um pelo outro e revelam seus passados. Wotan sacrifica um olho pelo conhecimento, e seu poder se reduz à medida que o ciclo prossegue, seu longo monólogo no Ato II é muito humano em seu arrependimento pelo preço que pagou por conhecimento e poder. Acima de tudo, essa divindade falha e compreende a conexão íntima entre poder e amor e sua incompatibilidade. Wotan lembra que, mesmo com o mundo sujeito à sua autoridade: “Eu não podia deixar o amor. / No meu poder ansiava por amor ”. Brünnhilde, talvez a personagem mais intrigante de todo o ciclo, desafia o comando de seu pai de permitir que Siegmund morra – mas o faz por amor a Wotan e sua percepção de que é isso que ele realmente quer. Sua nobre rebelião é o eixo em torno do qual gira a história.
Wagner compreendeu que o poder e o amor não eram apenas incompatíveis, mas os pólos gêmeos do compromisso humano. Então, um dos desafios do Anel é decidir quem está certo. Vale a pena renunciar ao amor para sempre, como Alberich, para ganhar o controle do poder?

Die Walküre – Resumo:

Sob terrível tempestade, Siegmund foge de inimigos que o perseguem. Aproximando-se de uma casa tosca, construída ao redor de grande árvore, não hesita em entrar e larga o corpo exausto junto à lareira. Ouvindo a porta abrir-se, Sieglinde vem do outro cômodo e depara com o estranho, que ergue a cabeça e pede-lhe água. Ao marido, Hunding, que logo retorna da caça, ela explica as circunstâncias em que encontrou o rapaz.
Siegmund fala então de sua existência, pontilhada de desditas. É filho de Wolfe, a quem não vê há muito tempo, depois de um combate com os Neidingos, os mesmos inimigos que, antes, já haviam assaltado e destruído o palácio onde viviam. A mãe fora assassinada e, da irmã gêmea, que mal conhecera, nenhum vestígio encontrou. Agora, procura abrigo naquela casa, depois de haver lutado em auxílio de uma jovem obrigada a casar sem amor. Mas, ferido e desarmado, vira-se constrangido a evitar novo confronto com os adversários. São seus parentes conclui Hunding. É o que revela a Siegmund advertindo-o de que poderá usufruir as regalias de hóspede apenas por aquela noite. Já na manhã seguinte deverão ir à luta. Enquanto isso que trate de obter uma arma.
Mergulhado em sono profundo – Sieglinde dera-lhe de beber uma mistura preparada com tal finalidade -, Hunding ignora a ajuda que a esposa presta ao hóspede. Conduzido por ela a uma árvore onde está cravada uma espada. Siegmund apossa-se da arma com movimento vigoroso, identificando-a com aquela que o pai prometera enviar em momento de real dificuldade. Entre o herói e a mulher já crescera, e agora aflora em palavras de afeto, um amor incontido, embora percebam, ao confrontar suas histórias, que são irmãos, filhos do mesmo pai: o, velho desconhecido que, na festa de casamento de Sieglinde com Hunding, fincara a espada na árvore. Siegmund abraça-a ardorosamente e assegura ter soado para ambos a hora da vingança, da reconquista da honra. Confiantes em que os espera uma vida feita apenas de felicidade, deixam para trás a casa de Hunding. Na verdade, Wolfe não era outro senão Wotan, cuja união com uma mulher mortal
dera como fruto a estirpe dos Walsungos. Wotan tem interesse especial em Siegmund, pois por meio dele espera um dia recuperar o anel que se encontra nas mãos do gigante Fafner. Ele não pode recuperá-lo por iniciativa direta, pois isto lhe é vedado pela qualidade de deus dos tratados, mas deseja evitar qualquer possibilidade de que o anel volte as mãos do anão Alberich. É muito perigoso para os deuses.
Tudo isso Wotan explica a Brunnhilde, sua filha dileta, nascida, como outras oito irmãs, de encontros ocasionais com Erda, deusa da terra. São as Valquírias, incumbidas de conduzir para o Walhalla, em suas montarias aladas, os guerreiros mortos, que irão integrar o corpo dos sentinelas da morada dos deuses. Constrangido pela vontade férrea de Fricka, a quem Hunding recorreu para obter a condenação da
união entre Siegmund e Sieglinde, Wotan contraria os próprios sentimentos e ordena a Brünnhilde que interfira na luta entre os dois homens e faça a vitória caber a Hunding. No entanto, ao encontrar-se com Siegmund e Sieglinde, que tem Hunding em seu encalço, a
Valquíria deixa-se levar pelo coração e passa a protege-lo com seu escudo durante o combate, para faze-lo vencedor. Wotan, entretanto, intervém exatamente quando Siegmund atinge o outro comum golpe mortal: faz em pedaços a espada do Wälsungo, permitindo que Hundig lhe
trespasse o peito com a lança. Brünnhilde, aterrorizada, toma Sieglinde nos braços, monta seu cavalo e foge para junto das outras Valquírias. Pretende levar a jovem para o Oriente, onde, em sossego, esta poderá dar à luz a criança que é fruto do amor com Siegmund. Daquelas paragens certamente não se aproximará Wotan, pois ali vive Fafner, que, usando o Tarnhelm (elmo mágico), transformou-se em dragão e dorme sobre o tesouro.
Envolto em nuvens tempestuosas, Wotan irrompe Envolto em nuvens tempestuosas, Wotan irrompe á procura de Brünnhilde, que apenas tem tempo de convencer Sieglinde a fugir, levando consigo os pedaços da espada de Siegmund, a qual, um dia, será refundida. Quanto à criança, diz Brünnhilde, receberá o nome de Siegfried. Furioso com a desobediência da filha rebelde, Wotan impõe-lhe a punição mais temida: perderá seus poderes de deusa, transformando-se em uma mulher destinada a ser possuída por qualquer homem. A ira divina assusta as outras
Valquírias, que fogem em cavalgada.
A sós com Brünnhilde, entretanto, Wotan acaba curvando-se a voz mais forte do amor paternal e alivia o castigo. Auxiliado por Loge, a quem chama, levanta um círculo de fogo em torno da jovem. Só conseguirá possui-la alguém suficientemente destemido, capaz de vencer a mágica barreira. Antes, beija-a, faz com que adormeça e cobre-a com o escudo de Valquíria.
Thomas Stewart tem uma voz magnífica de amplo poder e alcance, seu Wotan, sua enunciação e fraseado são excelentes. Sua raiva resplandece ferozmente no Ato 2 quando Fricka parte. No Ato 3, Stewart é capaz de realçar toda a beleza musical das frases de Wotan banindo Brünnhilde da “hoste celestial”. Crespin é uma artista talentosa demais, ela nos da, no curso dos atos, muitos momentos preciosos, e há uma frase no Ato 3 que eu nunca ouvi cantar tão bela e afetivamente, é onde Brünnhilde fala, simplesmente e de coração, de compreender pelo menos um dos comandos de Wotan, “amar tudo o que amava”, ela invoca poder dramático e tonal considerável em seu apelo para ser cercada pelo fogo. Gundula Janowitz muito bem como Sieglinde, realmente parecendo surpresa ao encontrar um homem estranho em sua casa e mais tarde no ato suas lindas notas altas dão muito prazer. O desempenho de Jon Vickers como Siegmund é soberbo nesta fase da carreira ele está com a voz esplêndida, os momentos heróicos são muito excitantes. Como sempre, sua enunciação é admirável, no Ato 2, onde sua ternura por Sieglinde, e suas respostas dignas a Brünnhilde, tocam a grandeza. Fricka de Josephine Veasey verdadeira mezzo-soprano adequada para os enraivecidos pronunciamentos da deusa. Este é um desempenho finamente cantado e distinto. Martti Talvela é um magnífico Hunding, tão ameaçador quanto Fricka e com uma voz tão negra e com o poder tonal. Não há muito o que escolher entre as maravilhosas Valquírias, tudo é adorável como por exemplo na silenciosa passagem em que as três vozes superiores entram uma depois da outra é inquestionavelmente um belo registro de entrosamento, gravação muito boa. Karajan têm a mitica Filarmônica de Berlim sob o comando. No Ato 1, quando a orquestra pinta tão lindamente o amor desperto de Sieglinde e Siegmund, para tornar-se emocionalmente indulgente, Karajan constrói seu clímax com sutileza empolgante. O magnífico registro orquestral de Karajan, o Siegmund de Jon Vickers, o Wotan de Thomas Stewart e Crespin tentando atingir as alturas tornam esta gravação belíssima. Ela pode nos surpreender e muito.

Jon Vickers tenor – Siegmund
Martti Talvela baixo – Hunding
Thomas Stewart barítono – Wotan
Gundula Janowitz soprano – Sieglinde
Josephine Veasey mezzo – Fricka
Régine Crespin contralto – Brünnhilde
Liselotte Rebmann soprano – Gerhilde
Ingrind Steger mezzo – Waltraute
Daniza Mastlovic soprano – Helmwige
Cvetka Ahlin mezzo – Grimgerde
Carlotta Ordassy soprano – Ortlinde
Lilo Brockhaus mezzo – Schwertleite
Barbro Ericson mezzo – Sigrune
Helga Jenckel soprano – Rossweisse
Orquestra Filarmônica de Berlim / Herbert von Karajan

Richard Wagner (1813 – 1883)
Die Walküre, WWV 86B

Act 1

1.
Orchestervorspiel
2. Szene 1: “Wes Herd dies auch sei, hier muß ich rasten”
3. Einen Unseligen labtest du (Siegmund, Sieglinde)
4. Szene 2: “Müd am Herd fand ich den Mann”
5. “Friedmund darf ich nicht heißen”
6. Die so leidig Los dir beschied (Hunding, Sieglinde, Siegmund)
7. “Ich weiß ein wildes Geschlecht”
8. Szene 3: “Ein Schwert verhieß mir der Vater”
9. “Schläfst du, Gast?”
10. “Winterstürme wichen dem Wonnemond”
11. Du bist der Lenz
12. O süßeste Wonne! Seligstes Weib! (Siegmund, Sieglinde)
13. War Wälse dein Vater
14. Siegmund, den Wälsung, siehst du, Weib! (Siegmund, Sieglinde)

Act 2

15. Vorspiel – Szene 1: “Nun zäume dein Roß”
16. Hojotoho! Hojotoho! (Brünnhilde)
17. “Der alte Sturm, die alte Müh'”
18. So ist es denn aus mit den ewigen Göttern
19. “Was verlangst du?”
20. Deiner ew’gen Gattin heilige Ehre (Fricka, Wotan)
21. Szene 2: “Schlimm, fürcht ich, schloß der Streit”
22. “Ein andres ist ‘s: achte es wohl”
23. So nimmst du von Siegmund den Sieg? (Brünnhilde, Wotan)
24. So nimm meinen Segen, Niblungen-Sohn (Wotan, Brünnhilde)
25. “So sah ich Siegvater nie”
26. Szene 3: “Raste nun hier; gönne dir Ruh!”
27. Szene 4: “Siegmund! Sieh auf mich!”
28. “Du sahest der Walküre sehrenden Blick”
29. So jung und schön erschimmerst du mir (Siegmund, Brünnhilde)
30. Szene 5: “Zauberfest bezähmt ein Schlaf”
31. Der dort mich ruft, rüste sich nun (Siegmund, Sieglinde, Hunding, Brünnhilde)
32. Zu Ross, daß ich dich rette! (Brünnhilde, Wotan)

Act 3

33.Szene 1: “Hojotoho! Heiaha!”
34. “Schützt mich und helft in höchster Not”
35. “Nicht sehre dich Sorge um mich”
36. Szene 2: “Wo ist Brünnhild’, wo die Verbrecherin?”
37. “Hier bin ich, Vater”
38. Einleitung 3.Aufzug (Finale)
39. Szene 3: “War es so schmählich?”
40. So tatest du, was so gern zu tun ich begehrt
41. Nicht streb, o Maid, den Mut mir zu stören (Wotan, Brünnhilde)
42. “Leb wohl, du kühnes, herrliches Kind”
43. Der Augen leuchtendes Paar
44. “Loge, hör! Lausche hieher!”
45. – Magic Fire Music –

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.: interludio :. Hiromi & Edmar Castaneda – Live In Montreal (2017)

Já ensaiei uma postagem deste CD anteriormente, mas por algum motivo, acabei desistindo. O que é uma sacanagem para com os senhores: isso aqui é absolutamente sensacional. Dois ‘monstros’ em seus respectivos instrumentos, se desafiando constantemente, mostrando todo o seu virtuosismo e possibilidades infinitas de seus instrumentos.

A pianista japonesa Hiromi é um assombro, nunca deixa de nos surpreender, lembra um pouco Keith Jarrett em seu apogeu nos anos 70, revolucionando o ‘tocar piano’, ficamos nos imaginando de onde vem tanto talento, tanta capacidade de improvisação, tanto virtuosismo.

Edmar Castaneda até então me era um ilustre desconhecido. É colombiano, e o que faz com sua Harpa é assustador também. Assustador no bom sentido, claro. Também tira água da pedra, extraindo de seu instrumento sonoridades mil, explora com maestria todas suas nuances. Por vezes nós é difícil entender como ele consegue fazer isso tudo.

O virtuosismo é o que impera neste ‘IM-PER-DÍ-VEL’ CD. Sim, há momentos de virtuosismo extremo, mas também há momentos de puro encantamento, delírio emocional, sei lá como chamar. Tratam-se de dois músicos no apogeu de sua carreira e técnica mostrando até onde podem ir, e se possível, ir mais além.

Deleitem-se, caros mortais… é para se ouvir diversas vezes para melhor ser apreciado em seus detalhes. Melhor ainda é que foi gravado ao vivo …

Hiromi & Edmar Castaneda – Live In Montreal (2017)

1. A Harp In New York
2. For Jaco
3. Moonlight Sunshine
4. Cantina Band
5. The Elements – Air
6. The Elements – Earth
7. The Elements – Water
8. The Elements – Fire
9. Libertango

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FDP

Anne Sophie von Otter – A Simple Song

Esse CD é assim apresentado no site da Gravadora BIS:

Uma breve olhada na lista de faixas é suficiente para revelar quem é o cantor – somente Anne Sofie von Otter poderia ter um programa tão variado e abrangente. E somente von Otter poderia mantê-lo unido, encontrando as ressonâncias entre essas peças muito diferentes, e trazendo-as para fora com uma rara habilidade de abraçar diferentes estilos de canto e registros expressivos: parafraseando Bernstein em A Simple Song, Anne Sofie von Otter nunca não consegue cantar como ela gosta de cantar.

De Liszt a Pärt e da Sinfonia de Ressurreição de Mahler ao Sound of Music de Richard Rodgers, von Otter é apoiado por seu acompanhante de longa data, Bengt Forsberg, aqui no órgão, em vez de seu piano habitual. Em vários pontos do programa, elas se juntam a vários amigos musicais, no órgão da Igreja de St. James, no centro de Estocolmo – a mesma igreja onde a jovem von Otter começou sua carreira como corista e, junto com Forsberg, deu um de seus primeiros shows públicos.

Com esta apresentação, o que preciso falar mais? Anne Sophie Von Otter é uma das maiores cantoras líricas de sua geração, ninguém tem dúvidas a respeito disso. Sua voz pode ser robusta e encorpada quando necessário, mas também suave e delicada. Ouçam com atenção a primeira faixa, ‘A Simple Song’, de Leonard Bernstein, e irão entender o que estou falando.

Leonard Bernstein
01 A Simple Song, from Mass

Aaron Copland
02 I’ve heard an organ talk sometimes

Charles E. Ives
03 Serenity 2’33

Gustav Mahler
04 Es sungen drei Engel

05 Urlicht

Richard Strauss
06 Traum durch die Dämmerung

07 Morgen

Arvo Pärt
08 My Heart’s in the Highlands

Maurice Duruflé
09 Pie Jesu, from Requiem

Olivier Messiaen
Trois mélodies (1930)
10 Pourquoi ? 2’03
11 Le sourire 1’44
12 La fiancée perdue

Francis Poulenc
13 Priez pour paix 2’08

Frank Martin
14 Agnus Dei, from Requiem
Arvo Pärt
15 Es sang vor langen Jahren

Franz Liszt
16 Ave Maria III (Sposalizio), S. 60

Richard Rodgers
from The Sound of Music
17 Climb ev’ry mountain

Mezzo-soprano Anne Sofie von Otter
Electric guitar Fabian Fredriksson
Organ Bengt Forsberg
Flute Sharon Bezaly
Harp Margareta Nilsson
Violin Nils-Erik Sparf
Cello Marie McLeod
Viola Ellen Nisbeth

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Frédéric Chopin (1810-1849) – Barcarolle, Mazurkas, Polonaise-Fantaisie In A Flat Major, Op. 61, etc. – Maurizio Pollini

Não precisam se assustar, não estou repetindo postagem. Ontem postei o segundo CD lançado por Pollini, dedicado aos últimos opus de Chopin. Este aqui é o primeiro, que tem a magnífica Polonaise-Fantaisie, uma das mais belas obras do repertório pianístico. E Pollini é Pollini.  Admirável, perfeito, divino, sei lá, ficar aqui relacionando adjetivos para este músico é chover no molhado.

Ouçam, ouçam, ouçam, e depois tirem suas conclusões. Aos 77 anos de idade ele continua em atividade, gravando, realizando espetáculos enfim, uma lenda viva.

01. Chopin Barcarolle In F Sharp Major, Op. 60
02. Chopin 3 Mazurkas, Op. 59-No. 1 In A Minor. Moderato
03. Chopin 3 Mazurkas, Op. 59-No. 2 In A Flat Major. Allegretto
04. Chopin 3 Mazurkas, Op. 59-No. 3 In F Sharp Minor. Vivace
05. Chopin Polonaise-Fantaisie In A Flat Major, Op. 61
06. Chopin 2 Nocturnes, Op. 62-No. 1 In B Major. Andante
07. Chopin 2 Nocturnes, Op. 62-No. 2 In E Major. Lento
08. Chopin 3 Mazurkas, Op. 63-No. 1 In B Major. Vivace
09. Chopin 3 Mazurkas, Op. 63-No. 2 In F Minor. Lento
10. Chopin 3 Mazurkas, Op. 63-No. 3 In C Sharp Minor. Allegretto
11. Chopin 3 Valses, Op. 64-No. 1 In D Flat Major. Molto vivace
12. Chopin 3 Valses, Op. 64-No. 2 In C Sharp Minor. Tempo giusto
13. Chopin 3 Valses, Op. 64-No. 3 In A Flat Major. Moderato
14. Chopin Mazurka In F Minor, Op. Posth. 68-No. 4 Andantino

Maurizio Pollini – Piano

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