BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sexteto para sopros, Op. 71 – Obras para banda militar – Membros da Filarmônica de Berlim

Dinheiro na mão, partitura no chão?

Quem vem acompanhando esta série conhece o velho expediente quando Ludwig precisava de grana e tinha que atender rapidamente uma encomenda: abrir a canastra de Bonn dela tirar qualquer coisa que pudesse polir para trocar por dindim.

Não foi diferente com o agradável sexteto para clarinetes, trompas e fagotes composto para o Eleitor de Colônia, que tinha um conjunto de sopros em sua sala de banquetes porque acreditava que essa música ajudava em sua digestão. Ludwig requentou-o, já em Viena, para um concerto beneficente em prol de seu amigo, o violinista Ignaz Schuppanzigh. Entre composição e publicação, passaram-se quatorze anos, o que explica o elevado número de Opus para a obra, tão antiquada que chegava a conter um minueto, em plena era dos temperamentais scherzi de Beethoven. O sexteto – elogiado pela crítica da época pelas “ideias novas”, certamente numa ironia com a velhacagem de Ludwig em ressuscitar uma velharia  – é extremamente bem composto e deveras melífluo, relembrando a familiaridade do compositor com o meio, com os instrumentos e, principalmente, com as peças que seu ídolo Mozart compusera para os sopros.

Por coincidência, a mesma formação de instrumentos seria usada mais tarde numa obra sem qualquer relação com sexteto: a pequena marcha (WoO 29) que escreveu para o príncipe Esterházy quando o visitou em Eisenstadt, e sobre a qual nada mais sei para lhes escrever.

As peças que completam o disco atestam a breve e bem sucedida carreira de Beethoven como compositor para banda militar. A primeira delas (WoO 18) é a mais famosa de todos: composta para a “Milícia Boêmia” do exército austríaco, ganhou fama com o nome do general prussiano Yorck, é até hoje a primeira a tocada nas cerimônias da Bundeswehr alemã, como marcha oficial de suas tropas de elite. Juntamente com uma outra marcha composta para o regimento de Baden (WoO 19), foi tocada nas festividades de aniversário da imperatriz, a italiana Maria Ludovica, em 1810. Em rápida sucessão seguiram-se a escocesa em Ré (WoO 22), uma outra escocesa em Sol (WoO 23, que nos chegou só em redução para piano), uma polonesa em Ré  (WoO 21) e uma marcha em Dó (WoO 20, chamada de “Tattoo” não porque tenha relação com tatuagem – palavra que, assim como “motel“, devo ter sido o primeiro a escrever aqui no PQP Bach – e sim porque este é o nome duma elaborada cerimônia militar acompanhada de música).

Ludwig ainda comporia uma última marcha (WoO 24) em 1816, para atender uma encomenda de “música turca” – o que, na época, não significava música autêntica da Turquia, e sim peças de ritmos bem marcados por pratos e outros exóticos instrumentos de percussão. O sucesso de suas obras marciais levaria ainda, no final de sua vida, a sondagens para tornar-se o compositor oficial das bandas das forças armadas da Prússia, que Beethoven, já severamente enfermo, infelizmente não conseguiu responder.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sexteto em Mi bemol maior para dois clarinetes, duas trompas e dois fagotes, Op. 71
Composto em 1796
Publicado em 1810

1 – Adagio – Allegro
2 – Adagio
3 – Menuetto. Quasi allegretto
4 – Rondo. Allegro

Marcha em Si bemol maior para dois clarinetes, duas trompas e dois fagotes, WoO 29 (1797-98)
5 – Tempo di marcia

Peças para banda militar

Marcha em Fá maior, WoO 18, ‘Yorck’scher March’/”Für die Böhmische Landwehr” (“Marcha de Yorck”/”Para a Milícia Boêmia”) (1809)
6 – Tempo di marcia

Polonaise em Ré maior, WoO 21 (1810)
7 – Tempo di polacca

Escocesa em Ré maior, WoO 22 (1810)
8 – Alla scozzese

Marcha e trio em Dó maior, WoO 20, “Zapfenstreich” (“O Tattoo”) (1810)
9 – Tempo di marcia

Marcha em Fá maior, WoO 19, “Pferdemusik” (“Música para cavalos”) (1810)
10 – Tempo di marcia

Marcha em Ré maior, WoO 24 (1816)
11 – Tempo di marcia

Conjunto de sopros da Berliner Philharmoniker
Hans Priem-Bergrath, regência

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

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