Não encontrei resquício deste CD na minha cedeteca, mas posso afirmar que ele existe(iu) não somente em CD mas no formato LP (Philips 416 329) e fita cassete… É muito bom, tenho o LP em casa. Ah, este eu achei. É da época em que era meio escandaloso utilizar instrumentos originais fora da música estritamente barroca. Hoje, não surpreende mais ninguém. Encontrei este arquivo mp3 perdido no computador. A surpresa causada pelas abordagens do pessoal dos instrumentos originais a Beethoven pode ser medida por este artigo de 16/03/1986, publicado no New York Times: HERE COMES THE ‘AUTHENTIC’ MUSIC OF BEETHOVEN.
W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonia Nº 40, K. 550 e L. v. Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 1, Op. 21 (Orch. of 18th Century, Brüggen)
01. Mozart No. 40, K. 550, Molto allegro
02. Mozart No. 40, K. 550, Andante
03. Mozart No. 40, K. 550, Menuetto (Allegretto)
04. Mozart No. 40, K. 550, Allegro assai
05. Beethoven No. 1, Op. 21, Adagio molto – Allegro con brio
06. Beethoven No. 1, Op. 21, Andante cantabile con moto
07. Beethoven No. 1, Op. 21, Menuetto (Allegro molto e vivace)
08. Beethoven No. 1, Op. 21, Finale (Adagio – Allegro molto e vivace)
The Orchestra of the Eighteenth Century
Frans BRÜGGEN
Eu sou um bruckneriano. Sou um admirador embasbacado de suas sinfonias, principalmente da 4ª, 5ª, 7ª, 8ª e 9ª. A terceira está um degrau abaixo das 5 perfeições citadas. Mas tudo já está latente nesta terceira: a grandiosidade, os bons temas colocados dentro de estruturas poderosas e o caráter organístico, pois o órgão foi o instrumento de Bruckner. E aqui temos um scherzo e um movimento final espetaculares. Tudo leva aos fortissimi e depois aos silêncios. Nos silêncios de Bruckner, há os ecos das igrejas e da religião que lhe era tão necessária. Sou um ateu que sente a importância da religião na vida deste cara estranho que foi Anton. Crescendos e silêncios, longos adágios pontuados de mais silêncios e no meio, sempre um scherzo supimpa.
Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 3
1 Mehr langsam, Misterioso
2 Adagio, bewegt, quasi Andante
3 Scherzo : Ziemlich schnell
4 Finale : Allegro
Muito bom CD produzido por dois craques: a Akademie Für Alte Musik Berlin e Andreas Scholl. São aberturas para orquestra e árias de Händel interpretadas com a habitual competência dos citados craques. Händel dominava a arte de transformar emoção em melodia e suas árias continuam sendo desafios vocais e tesouros expressivos até hoje. Handel compôs mais de 40 óperas, muitas para o Royal Opera House de Londres. As árias deste CD foram escritas para castrati, mas hoje são cantadas por contraltos ou contratenores como Scholl, claro. São são pilares do repertório barroco, conhecidas por sua expressividade dramática, virtuosismo vocal e estruturas que variam entre árias da capo (A-B-A) e árias di bravura (de exibição técnica).
Georg Friedrich Händel (1685-1759): Ombra Mai Fu (Andreas Scholl, Akademie Für Alte Musik Berlin)
Admeto, Rè Di Tessaglia
1 Ouverture 5:55
2 Ballo Di Larve 3:18
3 Recitativo-accompagnato – Orride Larve 3:30
4 Aria – Chiudetevi, Miei Lumi (Atto I, Scena 1) 3:49
Rodelinda, Regina De Langobardi
15 Sinfonia / Recitativo – Pompe Vano Di Morte 2:28
16 Aria – Dove Sei (Atto I, Scena 6) 5:01
17 Sinfonia 1:34
18 Accompagnato – Sì, L’infida Consorte 0:31
19 Aria – Confusa Si Miri (Atto I, Scena 6) 4:45
Alcina
20 Aria – Verdi Prati (Atto II, Scena 1) 3:50
Alexander’s Feast
21 Allegro 3:22
22 Largo 2:26
23 Allegro 3:20
24 Andante Non Presto 3:29
Bassoon – Christian Beuse, Frank Heintze (faixas: 8)
Cello – Jan Freiheit, Sibylle Huntgeburth
Countertenor Vocals – Andreas Scholl
Double Bass – Matthias Winkler
Harpsichord – Raphael Alpermann
Horn – Christian-Friedrich Dallmann
Lute – Wolfgang Katschner
Oboe – Alessandro Piqué*, Ann-Kathrin Brüggemann
Orchestra – Akademie Für Alte Musik Berlin
Organ – Tobias Schade (faixas: 21 to 24)
Viola – Anja-Regine Graewel, Clemens Nußbaumer, Sabine Fehlandt
Violin – Dörte Wetzel, Edburg Forck, Georg Kallweit, Gudrun Engelhardt, Kerstin Erben, Ulrike Kunze, Uta Peters
Violin [Solo] – Bernhard Forck, Midori Seiler
Achei por bem postar este maravilhoso CD, porquanto desde o momento em que pude ouvi-lo, fiquei absurdamente satisfeito. Traz os dois concertos para violino de um dos meus compositores favoritos – Shostakovich. A música de Shosta sempre foi geradora de um intenso mistério em mim. Existe um profundo senso trágico, de lamento, de dor velada, de angústia represada, talvez fruto de suas emoções incontidas; de seu silêncio aflito. Quiçá eu possua um pouco do compositor soviético em mim. Shosta seria quem foi em qualquer lugar do universo. Li isso uma vez num texto escrito pelo Milton Ribeiro. Verifiquei que ele foi muito feliz nessa assertiva. De fato, em se tratando de Shostakovich, o regime soviético serviu apenas como um aspecto contingente em seu âmago como ser histórico. O compositor se portaria como essa figura introvertida, silenciosa e de alma vulcânica, mesmo em outro país. Gosto muito dessas gravações da Naxos. A Naxos possui um charme curioso. Sinto-me compelido a postar tudo o que consigo dela. Um bom deleite!
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 2 Concertos para Violino (Kaler, Wit)
Violin Concerto No. 1 in A minor, Op. 99
01. I. Nocturne
02. II. Scherzo
03. III. Passacaglia
04. IV. Burlesque
Violin Concerto No. 2 in C sharp minor, Op. 129
05. I. Moderato
06. II. Adagio
07. III. Adagio – Allegro
Polish National Radio Symphony Orchestra (Katowice)
Antonio Wit, regente
Ilya Kaler, violino
Espero que vocês gostem da primeira das três joias da coroa de Bruckner, conforme diz o texto abaixo. A sétima é dedicada mais a Wagner do que a Deus… O que me deixa mais tranquilo, na verdade. Apresentamos a capa da nova gravação que Haitink fez com a Orquestra de Chicago e não a capa do CD gravado com a Orquestra do Concertgebow de Amsterdam, que ora postamos. O motivo é o de que você não a consegue nem entre os usados da Amazon. Quem o tem não o larga. É uma obra-prima. Os dois primeiros movimentos são arrasadores. A seguir coloco para vocês um bom texto encontrado faz algum tempo na rede:
Anton Bruckner nasceu em 4 de setembro de 1824, no vilarejo de Ansfeld, norte da Áustria. Seus pais eram professores primários e ele mesmo teve educação formal para o magistério, mas levou adiante seus estudos de música (notadamente órgão) e, aos 13 anos, entrou para o famoso coro do monastério de Sankt Florian.
Foi lá que abraçou definitivamente sua vocação religiosa e musical. Em 1845, tornou-se professor e organista adjunto, e começou a compor. Bruckner permaneceu nas funções até 1856, quando foi nomeado organista da catedral de Linz e saiu do monastério. Este período foi marcado por estudos de contraponto e orquestração e constantes viagens a Viena. Em uma dessas viagens, Bruckner conheceu a obra de Wagner, e ficou completamente fascinado por ela. Foi nesta época, quando tinha aproximadamente 40 anos, que sua produção como compositor toma fôlego, com as primeiras sinfonias.
Em 1868, obteve o posto de professor do Conservatório de Viena, e para lá fixou residência; veio a lecionar na Universidade de Viena oito anos depois. Na capital do Império Austro-Húngaro, Bruckner, uma pessoa tímida, sem muito manejo social e com baixíssima autoestima, sofria com os ataques da ala brahmsiana, principalmente de Eduard Hanslick, o mais influente dos críticos vienenses. Porém, como organista, era aclamado e disputado.
O reconhecimento público como compositor só veio com a apresentação da Sétima Sinfonia, em 1884. A Oitava Sinfonia estreou em 1892 e foi outro grande sucesso (inquestionável até por Brahms e Hanslick), mas teve gestação complicada. O compositor havia enviado esboços da obra a seu amigo, o maestro Hermann Levi, que a reprovou. Bruckner entrou em profunda depressão – até pensou no suicídio – e tratou de revisar completamente a sinfonia. Mas o resultado final valeu muito a pena, já que a Oitava é sua maior obra e uma das maiores sinfonias de todos os tempos.
O esforço na revisão da Oitava acabou por comprometer a Nona, que foi deixada inacabada: Bruckner morreu em 11 de outubro de 1896, aos 72 anos, trabalhando no Finale. Seus restos mortais foram depositados sob o órgão do mosteiro de Sankt Florian.
SUA OBRA
Podemos fazer uma divisão da obra bruckneriana em dois períodos: o período sacro, que abrange das primeiras obras até a Terceira Sinfonia (1873); e o período das grandes sinfonias, de 73 até sua morte.
Apesar de toda a fama de Bruckner como compositor religioso, sua obra sacra não é tão grande como pode parecer (mais intrigante, porém, dado que era um organista de grande renome, é o número muito reduzido de obras para órgão). Ele compôs seis missas – destaque para a segunda e para a terceira, a Grande – e um réquiem, muitos motetos, o famoso Te Deum e o Salmo CL, os dois últimos já no final da vida.
Mais importantes, para Bruckner, são suas sinfonias. Foram compostas onze delas, sendo que as duas primeiras foram rejeitadas e depois editadas como as de números 00 e 0. Da Zero à Terceira forma-se um grupo relativamente homogêneo de sinfonias. Todas são em tom menor, trágicas e pesadas. A mais grandiosa delas é justamente a de número três, dedicada a Wagner. Nenhuma sinfonia dessa fase, mesmo as rejeitadas, é menos do que interessante.
As três sinfonias seguintes, 4, 5 e 6, formam o segundo grupo. São sinfonias mais positivas, em tom maior. A mais conhecida é a Quarta, a Romântica, uma sinfonia perfeita, de grande beleza e humanidade. A Quinta é mais ampla e tem maiores pretensões arquitetônicas, especialmente no grandioso final em fuga. Data do período em que ingressou na Universidade de Viena, talvez daí o rigor técnico.
As três últimas, 7, 8 e 9, são as verdadeiras jóias da coroa de Bruckner. A Sétima é uma sinfonia belíssima, com destaque para o sublime Adagio, composto em memória a Wagner, que tinha acabado de falecer.
A Oitava é talvez a maior obra-prima de Bruckner e uma das maiores sinfonias já compostas em todos os tempos. Gigantesca (mais de 80 minutos de duração), com orquestração grandiosa e concepção monumental, ela impressiona a todos por sua profundidade e majestosidade. O Scherzo, de mais de 15 minutos, é um dos maiores da história e seu maravilhoso trio, um dos pontos altos de sua produção sinfônica.
Da Nona, infelizmente, conhecemos apenas os três primeiros movimentos. É a mais mística das sinfonias brucknerianas, de concepção tão grandiosa quanto a Oitava e de inspiração religiosa – foi dedicada “ao Bom Deus”. Muitas vezes, a orquestra soa como um imenso órgão. É de suas obras mais potentes.
AS VERSÕES
Bruckner era uma pessoa tremendamente insegura e, por causa das críticas – muitas delas injustas – que recebia, revisava constantemente suas obras. Isso acabou gerando um problema para a posteridade. Muitas vezes suas sinfonias têm três versões para o intérprete escolher, e a escolha sempre é difícil. Afinal, qual é a mais fiel às intenções originais de Bruckner?
Duas edições completas das sinfonias foram lançadas, a de Robert Haas e a de Leopold Nowak. Cada uma delas recupera cores feitos em algumas versões, ou os aceita, ou acrescenta partes. A edição Nowak tende a manter os cortes e a Haas, a restaurar os trechos perdidos. Nenhuma versão é perfeita e cada um tem a sua predileta. Em geral, aceita-se que a melhor Terceira é a Haas e que a melhor Quarta é a Nowak (apesar do prato “errado” do Finale), mas não chegou-se a um consenso quanto à versão da Oitava. Uma opinião? Nowak.
Trecho de texto anônimo retirado daqui. O endereço parece estar desativado atualmente…
Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nro. 7 (Haitink, RCO)
Symphony No. 7: I. Allegro moderato
Symphony No. 7: II. Adagio: Sehr feierlich und sehr langsam
Symphony No. 7: III. Scherzo: Sehr schnell
Symphony No. 7: IV. Finale: Bewegt, doch nicht schnell
Bernard Haitink
Royal Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
Ao ouvir esse disco (com muito prazer) a palavra groovy me veio à mente. Eu realmente não sei se o termo é adequado, mas para mim, ficou sendo. Groovy no sentido descolado, com um certo senso nostálgico, mas de certa forma atual – ou melhor – atemporal.
Não adianta insistir com as palavras, creio que o ideal é ouvir o disco – que é bem curtinho – e ver se você concorda comigo, se me entende.
Eu gosto dessa combinação de dois saxofonistas, um propondo um tema, uma ideia para o outro tomar e elaborar, ou quando ambos atacam o tema juntos, como é o caso bem na abertura do disco, na primeira faixa, chamada Bunny.
Hodges
O disco vai assim, uma mais levada, outra mais mela-cueca, como descreveria o síndico, mas tudo groovy!
Gerry Mulligan é uma figura já do século XX e foi primariamente um saxofonista, do cool jazz, mas também tocava clarineta e piano, era compositor e fazia arranjos. Atuou ao lado de nomes lendários como Miles Davis e Chet Baker.
Johnny Hodges era mais velho do que Mulligan e ficou conhecido por atuar como solista no grupo de Duke Ellington, mas teve também sua própria banda e a sua própria história.
Sobre Johnny Hodges: In addition to the singing clarity and mellowness of Hodges’ tone, his playing is also characterized by consummate poise. […] A corollary of Hodges’ poise is his capacity for total relaxation – floating, flawless time, fully developing ideas; an equal ease in ballads and swings.
Como eu disse: groovy!
Aproveite!
René Denon
PQP Bach Quizz: Por que a faixa 5 é intitulada 18 Carrots for Rabbit?
Se você gostou dessa postagem, não deixe de visitar essa aqui:
Não foi com Bach que Anne Sofie von Otter fez suas primeiras aparições solo, mas ela tinha grande vivência com o compositor por ter participado, quando jovem, do Coro Bach de Estocolmo. “O maestro do Coro Bach naquela época era muito dinâmico e entusiasmado por Bach. Em seguida, surgiu Nikolaus Harnoncourt para nos conduzir nos motetos de Bach e também foi uma experiência maravilhosa. Foi um momento emocionante para jovens como eu, que já se reuniam em torno do toca-discos para escutar suas novas gravações de Monteverdi, Bach e Mozart. Harnoncourt realmente foi a minha principal influência de Bach.”
“Depois de alguns anos, voltei a cantar bastante Bach, até participando de gravações com John Elliot Gardiner”, acrescenta, “mas depois eu coloquei de propósito sua música de lado, porque havia muito a explorar, principalmente na ópera. Portanto, este disco não chega a ser uma surpresa. Eu ouvi todas as Cantatas, Oratórios e Paixões e anotava aquilo que achava mais adequado à minha voz. Foi maravilhoso descobrir novas árias, mas ao invés de apenas solos vocais, decidi dividi-lo com movimentos puramente instrumentais. Quando o Concerto Copenhague apareceu no horizonte, comecei também a me aconselhar com Lars Ulrik, que acrescentou novas ideias”.
J. S. Bach (1685-1750): Árias com Anne Sofie von Otter
01 “Widerstehe Doch Der Sünde” (Cantata BWV 54) 6:17
02 “Schläfert Aller Sorgenkummer” (Cantata BWV 197) 7:54
03 “Wenn Des Kreuzes Bitterkeiten” (Cantata BWV 99) 2:50
04 “Erbarme Dich, Mein Gott” (St. Matthew Passion) 6:17
05 “Kommt, Ihr Angefocht’nen Sünder” (Cantata BWV 30) 4:12
06 Sinfonia (Cantata BWV 35) 5:17
07 “Nichts Kann Mich Erretten” (Cantata BWV 74) 5:30
08 Sinfonia (Cantata BWV 12) 2:19
09 Agnus Dei (Mass In B Minor) 5:33
10 “Et Misericordia” (Magnificat) 3:28
11 “O Ewigkeit, Du Donnerwort” (Cantata BWV 60) 4:05
12 “Sei Lob Und Ehr Dem Höchsten Gut” (Cantata BWV 117) 3:20
Anne Sofie von Otter, mezzo-soprano
Baroque Concerto Copenhagen
Lars Ulrik Mortensen
(Alô, alô, FDP! Cadê a terceira de Brahms com o Bernstein que a Clara pediu????)
Prometi que a cada dia 1º postaria uma versão da Missa em Si Menor de Bach. Hoje é a vez do imenso Nikolaus Harnoncourt.
Só estou sem tempo para grandes explicações e teria que descobrir se a versão que tenho em meu micro é a primeira ou a segunda… Deixo para vocês descobrirem, OK? Sim, uma charada, por que não?
O que posso dizer é que é um tremendo registro deste fantástico maestro e teórico. Costumo ouvi-lo enquanto trabalho… A propósito, se você não leu os livros de Harnoncourt até hoje, não sabe o que está perdendo em termos de conhecimento e experiência musical. O homem é um espanto. Sim, há traduções e boas. Procure! O nome dos livros? Ora, vá procurar!
Adiante que estou com muita pressa! E não desconsiderem esta versão motivados por minha inexatidão. Ela é quase a perfeição.
J.S. Bach (1685-1750): Missa em Si Menor, BWV 232 (Harnoncourt)
1-01 Missa: Kyrie: Kyrie eleison
1-02 Missa: Kyrie: Christe eleison
1-03 Missa: Kyrie: Kyrie eleison
1-04 Missa: Gloria: Gloria in excelsis Deo – Et in terra pax
1-05 Missa: Gloria: Laudamus te
1-06 Missa: Gloria: Gratias agimus tibi
1-07 Missa: Gloria: Domine Deus
1-08 Missa: Gloria: Qui tollis
1-09 Missa: Gloria: Qui Sedes
1-10 Missa: Gloria: Quoniam tu solus
1-11 Missa: Gloria: Cum Sancto Spiritu
2-01 Symbolum Nicenum: Credo: Credo in unum Deum
2-02 Symbolum Nicenum: Credo: Patrem omnipotentem
2-03 Symbolum Nicenum: Credo: Et in unum Dominum
2-04 Symbolum Nicenum: Credo: Et incarnatus est
2-05 Symbolum Nicenum: Credo: Crucifixus
2-06 Symbolum Nicenum: Credo: Et resurrexit
2-07 Symbolum Nicenum: Credo: Et in Spiritum
2-08 Symbolum Nicenum: Credo: Confiteor
2-09 Symbolum Nicenum: Credo: Ex expecto
2-10 Sanctus: Sanctus
2-11 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem: Osanna
2-12 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem Benedictus
2-13 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem: Agnus Dei
2-14 Osanna, Benedictus, Agnus Dei et Dona nobis pacem: Dona nobis pacem
Intérpretes (o meu chute):
Max van Egmond,
Emiko Iiyama,
Rotraud Hansmann,
Kurt Equiluz
Viennensis Chorus
Concentus Musicus Wien
Regente: Nikolaus Harnoncourt
“Foram os pássaros que me levaram à superposição de andamentos. Na primavera, quando os pássaros acordam de madrugada, cada um canta em um andamento. Cinquenta vozes se superpõem em andamentos diferentes. O resultado é um caos absolutamente impenetrável, um emaranhado prodigioso, que no entanto soa harmonioso. É isso que eu quis recriar em minha música” Olivier Messiaen
Os cantos de pássaros já tinham sido usados pelos compositores franceses mais importantes dos séculos 17 e 18, Couperin e Rameau. Depois, aparecem nas obras de Beethoven (Sinfonia Pastoral), Mahler (várias sinfonias), Stravinsky (Pássaro de Fogo, Canto do Rouxinol), Villa-Lobos (Uirapuru, Bachianas nº 4). Mas foi Messiaen que fez da notação de cantos de pássaro uma ciência complexa, rigorosa e sofisticada. A partir dos anos da 2ª Guerra ele não se cansou de usar, de maneiras variadas, os cantos dos pássaros em obras como:
– Quatuor pour la fin du Temps (quarteto para o fim dotempo ou dos tempos) de 1940-41 para clarinete, violino, violoncelo e piano
– Trois petites liturgies de la présence divine, de 1943-44 para coro feminino, piano solo, percussão e orquestra de cordas
– Vingt regards sur l’Enfant-Jésus (20 olhares sobre o menino Jesus), de 1944 para piano
– Turangalîla-Symphonie, de 1946-9, para piano solo, ondas Martenot e orquestra
– 4º movimento da Messe de la Pentecôte (Missa de Pentecostes), de 1948-50, para órgão e pouco depois, 4º e 7º movimentos do Livre d’orgue, de 1951
– Le Merle noir (o melro-preto), de 1952, para flauta e piano
– Réveil des oiseaux (despertar dos pássaros), de 1953, para piano solo e orquestra
– Oiseaux exotiques (pássaros exóticos), de 1955-56, para piano solo e pequena orquestra
– Catalogue d’oiseaux (catálogo de pássaros), de 1956-59, para piano
E Messiaen continuou estudando os pássaros até pouco antes de sua morte em 1992. A 1ª obra que ouvimos aqui, Le Réveil des Oiseaux, evoca os sons dos pássaros em uma manhã de primavera da meia-noite ao meio-dia, e foi gravada por um time de respeito que inclui na regência e no piano Kent Nagano e Yvonne Loriod (ambos ex-alunos de Messiaen e ela acabou se casando com ele).
A 2ª obra, Três pequenas liturgias da presença divina, estreou em 1945 pouco após o fim da ocupação alemã de Paris e alguns dias antes do fim da guerra. Segundo relatos, as Três liturgias dividiram o meio musical de Paris em dois grupos opostos, um de entusiasmo delirante, outro de insultos violentos, confundindo o homem e a obra. Provavelmente o clima bélico do fim da guerra foi responsável por essa disputa que, segundo Claude Rostand, não era vista desde os dia áureos de Stravinsky.
Nesta obra os cantos de pássaros são mais nítidos no piano, enquanto um coro feminino canta palavras de Messiaen, que provavelmente foram o principal alvo das críticas na época, mais do que a música em si. Entre outras coisas, elas cantam que a presença divina se encontra nas estrelas, no arco-íris, nos anéis de Saturno, nas nossas células e sangue. O próprio Rostand foi um dos críticos mais ferozes mas depois deu o braço a torcer. Em 1957 ele escreveu: “a linguagem polimodal e o refinamento rítmico habituais do autor aqui são levados mais longe do que antes. A sutileza dos timbres é muito grande. O poema é de Messiaen, rimado e ritmado como a música. A partitura busca a diversidade por modulações polimodais e polirítmicas. A instrumentação é de estilo hindu ou balinês europeizado”.
Como estamos em família, nas Trois Liturgies temos ainda a cunhada do compositor, Jeanne Loriod, um dos maiores expoentes das ondas martenot, instrumento eletrônico inventado em 1928 que tem um som contínuo e foi usado em trilhas sonoras de filmes como Ghostbusters e por bandas como Radiohead e Daft Punk.
Ondes Martenot: música eletrônica desde 1928
Réveil des Oiseaux
1. Minuit
2. 4 Heures du matin
3. Chants de la matinée
4. Cadenza finale du piano
Trois petites liturgies de la présence divine
5. I – Antienne de la conversation intérieure (Dieu est présent en nous…)
6. II – Séquence du verbe, cantique divin (Dieu présent en lui-même…)
7. III – Psalmodie de l’Ubiquité par amour (Dieu présent en toutes choses…)
Orchestre National de France, Kent Nagano
Piano: Yvonne Loriod
Ondes Martenot: Jeanne Loriod, Coro: Maîtrise de Radio France (faixas 5 a 7)
“Eles cantaram muito antes de nós. E inventaram a improvisação coletiva, pois cada pássaro, junto com os outros, faz um concerto geral” Messiaen
P.S. Esta é uma respostagem e, além deste disco, também reativei os links para download das seguintes obras de Messiaen: O quarteto em impressionante gravação por músicos espanhóis – aqui “Des Canyons aux étoiles…” por Chung e Muraro – aqui Sinfonia Turangalîla por Chung e Loriod – aqui
Um sensacional álbum triplo que reúne gravações dos anos 90 de música moderna por Anne-Sophie Mutter e diversas orquestras. Tudo é um primor, a começar pelo Concerto neoclássico de Stravinsky. Aliás, cada um dos CDs inicia com uma obra-prima. Há o já citado Concerto de Strava, o belíssimo e insuperável Concerto Nº 2 para Violino e Orquestra de Bartók e o não menos de Berg. Este último tem a triste alcunha de “À Memória de um Anjo”. É que Berg recebeu a notícia da morte de Manon Gropius, filha do arquiteto Walter Gropius e de Alma Mahler. Manon faleceu aos 18 anos, vítima de poliomielite. Naquele momento, Berg estava finalizando o Concerto. Ele então transformou-se num tributo à memória da adolescente e também em um réquiem para si mesmo, que morreria logo depois de compô-lo. O restante tem menos história, mas não é de jogar fora, imagina! Destaque para obras de Lutoslawski, Moret e Rihm, compostas especialmente “Para Anne-Sophie Mutter”. Te mete com ela, rapaz! (Bem, adoraria que ela se metesse comigo).
Anne-Sophie Mutter Modern: Works by Stravinsky / Lutoslawski / Bartók / Moret / Berg / Rihm
Disc 1
Concerto en ré
Composed By – Igor Stravinsky
Conductor – Paul Sacher
Orchestra – Philharmonia Orchestra
1 1. Toccata 5:51
2 2. Aria I 4:09
3 3. Aria II 5:13
4 4. Capriccio 5:49
Partita (“For Anne Sophie Mutter”)
Composed By – Witold Lutoslawski
Piano – Phillip Moll
5 1. Allegro giusto 4:14
6 2. Ad libitum 1:12
7 3. Largo 6:22
8 4. Ad libitum 0:47
9 5. Presto 3:51
Chain 2 (“For Paul Sacher”)
Composed By – Witold Lutoslawski
Conductor – Witold Lutoslawski
Orchestra – BBC Symphony Orchestra
10 1. Ad libitum 3:48
11 2. A battuta 4:58
12 3. Ad libitum 4:58
13 4. A battuta – Ad libitum – A battuta 4:27
Disc 2
Violinkonzert Nr. 2
Composed By – Béla Bartók
Conductor – Seiji Ozawa
Orchestra – Boston Symphony Orchestra
1 1. Allegro non troppo 16:16
2 2. Andante tranquilo – Allegro scherzando – Tempo I 9:58
3 3. Allegro molto 12:13
En rêve (“pour Anne Sophie Mutter”)
Composed By – Norbert Moret
Conductor – Seiji Ozawa
Orchestra – Boston Symphony Orchestra
4 1. Lumière vaporeuse. Mystérieux et envoŭtant 7:13
5 2. Dialogue avec l’Etoile 5:44
6 3. Azur fascinant (Sérénade tessinoise). Exubérant, un air de fête
Disc 3
Violinkonzert (“To the memory of an angel”)
Composed By – Alban Berg
Conductor – James Levine
Orchestra – The Chicago Symphony Orchestra
1 I. Andante – Allegretto 11:31
2 II. Allegro – Adagio 16:12
“Gesungene Zeit” (“Time Chant”) – Dedicated To Anne-Sophie Mutter
Composed By – Wolfgang Rihm
Conductor – James Levine
Orchestra – The Chicago Symphony Orchestra
3 [Anfang / beginning / début / inizio] 14:27
4 [Takt / bar / mesure / battuta 179] 9:56
Hoje, dia 18 de maio de 2011, se comemoram os 100 anos da morte de Gustav Mahler. Com certeza, uma data importante para celebrar aquele que foi um dos maiores compositores das história, um compositor único, que conseguiu em apenas 50 anos de vida criar um dos maiores ciclos de sinfonias, além de outras obras, já compostos pelo ser humano. Uma obra que causou, e ainda causa, grande impacto. São obras densas, de extrema complexidade, com uma orquestração ímpar, e que muito exige de todos os envolvidos: desde o regente até a orquestra e, claro, o próprio ouvinte, que de início não sabe bem como reagir, mas acaba por se render à grandiosidade e genialidade daquelas obras. Já postamos algumas integrais aqui no PQP, portanto, vocês podem optar.
Curiosamente, este CD que estou postando em homenagem a esta data, traz uma das obras que considero de mais fácil assimilação da obra mahleriana. Segundo a Wikipedia, “Des Knaben Wunderhorn (alemão, em português – literalmente: A trompa mágica do menino, referindo-se a um objeto mágico como a cornucópia) é uma coleção de textos de canções populares, publicada em três volumes em Heidelberg pelos poetas e escritores alemães Achim von Arnim e Clemens Brentano entre 1805 e 1808. A coleção contém canções da Idade Média até o Século XVIII”. Mahler musicou algumas delas entre 1892 e 1902. Mas basta para termos uma noção da escrita mahleriana, principalmente as canções.
Não sou nem pretendo ser um expert em Mahler, admiro-o imensamente e digamos que ainda estou me adaptando à sua linguagem (isso que ouço Mahler desde meus 18 anos de idade…).
Já ouso dizer que o Adágio da Sinfonia Nº 10 é não apenas o canto de cisne de Mahker como uma das maiores e antecipatórias peças de todos os tempos.
Boulez é um dos grandes regentes e compositores do século XX e deste início de século XXI. Podemos não concordar com algumas das escolhas que ele faz, mas jamais podemos negar seu talento enquanto regente. Nesta gravação ele tem “apenas” nossa musa, Madalena Kozená, e o excelente barítono Christian Gerhaher. A Orquestra de Cleveland já é uma velha conhecida nossa quando se trata deste repertório, principalmente nas mãos de Boulez.
Mas vamos ao que interessa: Viva Mahler !!!
Gustav Mahler – Des Knaben Wunderhorn – Adagio from Symphony n° 10 – Boulez – Gerhaher – Kozená
01 – Der Schildwache Nachtlied
02 – Verlorne Mueh’
03 – Trost im Unglueck
04 – Wer hat dies Liedlein erdacht
05 – Das irdische Leben
06 – Revelge
07 – Des Antonius von Padua Fischpredigt
08 – Rheinlegendchen
09 – Lied des Verfolgten im Turm
10 – Wo die schoenen Trompeten blasen
11 – Lob des hohen Verstandes
12 – Der Tambourg’sell
13 – Symphony no. 10-Adagio
Madalena Kozená – Mezzo-soprano
Christian Gerhaher – Barítono
The Cleveland Orchestra
Pierre Boulez – Conductor
Esses irrepetíveis CDs “fora de gênero”… Isto é jazz em razão de Bela Fleck? É world music por causa do grande Zakir Hussain? É clássica devido a Edgar Meyer? Bem, o mais importante é dizer que é tudo isso e que é tudo acessível, agradável e bem feito. Não é uma miscelânea de estilos, é algo com unidade e química próprias. Há as músicas em trio e há a participação de uma orquestra sinfônica com regência do excelente Leonard Slatkin.
Classifiquei o CD em jazz, mas não sei. Há improvisação mas não é jazz, certamente. Não é absolutamente vanguarda, nem free, nem world. Erudito seria adequado, mas não contaria toda a história. OK, fica sob o largo guarda-chuva do jazz.
Para vocês saberem se vão gostar, só ouvindo.
Bela Fleck / Zakir Hussain / Edgar Meyer – Melody Of Rhythm (2009)
1. Babar 6:10
2. Out Of The Blue 4:58
3. Bubbles 7:12
4. The Melody Of Rhythm, Movement 1 11:51
5. The Melody Of Rhythm, Movement 2 6:26
6. The Melody Of Rhythm, Movement 3 9:39
7. Cadence 3:56
8. In Conclusion 6:34
9. Then Again 6:40
Bela Fleck – five string banjo
Zakir Hussain – tabla
Edgar Meyer – double bass
Bela Fleck, Edgar Meyer e Zakir Hussain na Sala Jazz de Detroit da PQP Bach Corp.
PQP (2012)
Post-scriptum de Pleyel em 2025 — Não conheço nenhum disco ruim com Zakir Hussain (1951 – 2024). O percussionista indiano tocou por mais de 50 anos com centenas de parceiros e mesmo quando o negócio era mediano ele fazia ficar bom. Aqui, no Concerto Tríplice, antes de Hussain entrar a música já estava boa mas quando ele chega, vira uma festa para os ouvidos. O concerto foi escrito pelos três solistas, estreado em 2006 e gravado em 2009.
Assim como a obra de Beethoven, a de Bartók também tem suas fases, ainda que talvez não tão nitidamente demarcadas.
Entre 1899 e 1903 ele estudou na Real Academia de Música de Budapeste. Estudou piano com um aluno de Liszt e composição com um compositor e organista alemão, primo de Max Reger. Mas o grande período de aprendizado talvez tenha sido de 1908 a 1914 quando, junto com Kodaly, ele se dedicou a estudar e coletar melodias folclóricas húngaras, romenas e de vários outros povos da Europa do leste. Uma inovação tecnológica foi essencial: Bartók gravava essas melodias in loco, ao invés de usar papel e caneta, única tecnologia disponível para os compositores do século XIX.
E como muitos gênios, ele precisou negar em bloco o passado, no caso, ele dizia que o grande compositor das rapsódias húngaras usava temas vagamente ciganos e italianizados, de forma que pouca coisa das Rapsódias Húngaras seria realmente húngara: “Devo frisar que as rapsódias – especialmente as húngaras – são criações perfeitas no gênero. O material que Liszt nelas utiliza não poderia ser tratado com maior arte e beleza. Que o material em si não seja dos mais ricos é outro problema” (Bartók em artigo de 1936). Bartók também não poupou o mais famoso compositor polonês: “As Mazurkas de Chopin são prova de que ele não conhecia a autência música folclórica polonesa”. Entendo nessas citações um certo ar sarcástico do mochileiro que rodou por tantos cantos e não consegue mais admirar aqueles compositores estabelecidos que ficaram na ponte Paris-Viena tomando bons vinhos em salões burgueses.
Com a 1ª Guerra Mundial, as viagens ficaram mais difíceis e Bartók, que tinha o piano como seu 1º instrumento, compôs muita música em movimentos curtos, baseados em música folclórica, como as Quinze Canções Populares Húngaras, Sz. 71 (1914-18) ou os Três Rondós sobre temas eslovacos, Sz. 84 (1916-1927).
São obras desse período – década de 1910 e começo da de 20 – que András Schiff escolheu gravar neste álbum. A partir da década de 1926, Bartók integraria os temas populares em movimentos mais longos, com mais dissonâncias e clusters como na Sonata para Piano (1926) e nos Concertos para Piano e Orquestra nº 1 (1926) e 2 (1931).
Béla Bartók (1881-1945) – Obras para piano
1. Dance Suite, Hungarian Peasant Songs, Sz.77 16:46
2. Roumanian Folk Dances Sz.56 4:44
3. Three Rondos On Folk Tunes Sz. 84 7:45
4. 15 Hungarian Peasant Songs Sz.71 12:43
P.S. Postagem reativada e também reativei o link para as Danças Romenas (Sz. 56), as mesmas que Schiff gravou aqui, mas na versão para violino e piano.
Existem discos que são da família, que nos acompanham há anos seja em LP, CD, arquivos digitais… Tenho essa gravação de três balés franceses do século XX em um belo LP com essa mesma capa que parece de livro infantil. A partitura de Dutilleux, um pouco menos célebre que a de Milhaud, é extremamente bonita e às vezes soa previsível como um bom balé, bem distante dos sons mais áridos da maioria dos compositores do pós 2ª Guerra.
As obras de Poulenc e Milhaud foram estreadas na década de 1920. A de Poulenc poderia ser traduzida como “as coquetes” e é um balé sem argumento teatral, baseado apenas na livre e sensual dança das bailarinas. A de Milhaud, inspirada no jazz que ele ouviu em Nova York nos anos 1920, posterior, portanto, à sua primeira obra carregada de exotismo e de pequenos roubos de melodias de brasileiros, Le Boeuf dans le toit (1920)
Já a obra de Dutilleux é bem posterior, tendo sido estreada em 1953, também em Paris.
Francis Poulenc: Les Biches – Suite d’Orchestre (Ballet: 1924 / Suite: 1948)
1. Rondeau
2. Adagietto
3. Rag-Mazurka – Andantino
4. Final Henri Dutilleux: Le Loup – Fragments Symphoniques
5. 1er Tableau – La Baraque Foraine : Les Mystifications
6. 2ème Tableau – La Chambre Nuptiale : La Belle et la Bête
7. 3ème Tableau – La Forêt d’Hiver : Danse d’Amour, Danse de Mort Darius Milhaud: La Création Du Monde (1923)
8. La Création Du Monde
Orchestre De La Société Des Concerts Du Conservatoire, Georges Prêtre
Recorded: 1961
A sexta sinfonia de Mahler ganhou o apelido de Trágica, e não é por acaso: o clima geral é sério, com o movimento lento servindo como um respiro de calmaria antes da tempestade. Nesta sinfonia, do meu ponto de vista, o mais importante é que maestro e orquestra consigam mantes uma atmosfera de seriedade, além da gravação que precisa trazer de modo balanceado os vários naipes orquestrais, com destaques em certos momentos para as cordas graves (violoncelos e contrabaixos), especialmente no último movimento. Svetlanov e seus músicos e equipe de gravação cumprem com louvor as tarefas, colocando-se no mesmo nível de outras grandes gravações dessa sinfonia. Um ponto muito alto dessa integral que talvez tenha menos acertos nas sinfonias com voz e mais acertos naquelas puramente instrumentais. No mínimo na 1ª, na 5ª, na 6ª e na 9ª as interpretações dos russos são muito bem executadas e com certos detalhes que fogem um pouco do óbvio, sempre com muita coerência e respeito pelas partituras.
É a minha opinião, é claro que outras opiniões vão variar e há quem prefira a sexta de Bernstein, Boulez ou mesmo Karajan, que não era um especialista em Mahler mas tinha certa afinidade com a 5ª e a 6ª.
Chegamos ao fim dessa integral postada ao longo de oito anos no blog. Vou inserir no final da postagem os links para todas as sinfonias de Mahler gravadas por Svetlanov, todas elas com links funcionando.
Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 6 (1906)
I. Allegro energico, ma non troppo. Heftig, aber markig
II. Scherzo: Wuchtig
III. Andante moderato
IV. Finale: Sostenuto – Allegro moderato – Allegro energico
Russian State Symphony Orchestra
Evgeny Svetlanov, conductor
Recording: Moscow, Large Hall of the Conservatory, 1990
Imagine um amante da música e de suas gravações que tenha ficado por um bom tempo sem acesso às informações e lançamentos musicais. Há vários cenários nos quais tal situação poderia ter ocorrido. O cara poderia ter ficado algumas décadas em uma ilha isolada de tudo e todos, como o Chuck-Tom Hanks em Cast Away (O Náufrago) em companhia apenas de uma bola de basquete e só nos dias de hoje tenha retornado à chamada ‘civilização’. Outra possibilidade é uma situação semelhante à vivida pelo general do ‘Me tira o tubo!’, personagem do Jô Soares, que sai do coma depois de décadas e se depara com o cenário da música gravada atual. Esse nosso fictício amante dos discos ficaria definitivamente confuso ao se deparar com o lançamento dessa postagem.
Como assim? John Eliot Gardiner no selo Deutsche Grammophon, não no Archiv Produktion? E regendo uma baita orquestra com instrumentos modernos? Sem contar que essa orquestra, a tal de Amsterdã, que grava para o selo Philips! E o repertório, Sinfonias de Brahms, não é música antiga ou barroca!
Realmente, o lançamento reúne as quatro sinfonias de Brahms numa ótima gravação, uma excelente maneira de se ouvir as sinfonias do Hannes. A orquestra é um primor e John Eliot, que andou com sua imagem desgastada pelo episódio de pugilismo fora dos ringues, garante andamentos ágeis e ótima articulação de tudo.
Ainda bem que Gardiner se retratou, pediu desculpas ao alvo de suas ‘manitas de piedra’ e agora tenta se enquadrar.
Eu ouvi essa gravação novinha das sinfonias de Brahms comparando com um dos ciclos do ‘inominável’ HvK, o segundo que ele gravou com a Berliner Philharmoniker, no fim da década de 1970. As gravações de Karajan foram muitas e tiveram muitas encarnações nos LPs e nos CDs, mas há um bom mapa que permite entender a cronologia e identificar esse ou aquele particular lançamento. Para isso, faça uma visita à página do blog IONARTS, aqui.
Não posso dizer que gostei mais desse do que daquele, acho os dois ciclos excelentes. Mas, se me torcerem o braço, escolheria a gravação recente.
“Can I protest my innocence?” John Eliot said. “I can be impatient, I get stroppy, I haven’t always been compassionate. I made plenty of mistakes in my early years. But I don’t think I behaved anything like as heinously as you have heard. The way an orchestra is set up is undemocratic. Someone needs to be in charge.”
Johannes Brahms (1833 – 1897)
Symphony No. 1 in C minor, Op. 68
Un poco sostenuto – Allegro
Andante sostenuto
Un poco allegretto e grazioso
Adagio – Più andante – Allegro non troppo, ma con brio – Più allegro
In these performances, Gardiner manages to have his period-instrument cake and enjoy his modern-instrument refinement in a way that is totally convincingThe Guardian
Johannes Brahms (1833 – 1897)
Symphony No. 1 in C minor, Op. 68
Un poco sostenuto – Allegro
Andante sostenuto
Un poco allegretto e grazioso
Adagio – Più andante – Allegro non troppo, ma con brio – Più allegro
The playing of the Berlin Philharmonic remains uniquely cultivated, the ensemble is finely polished, and yet there is no lack of warmth or impetus throughout the set. — Penguin Guide, 2011 edition
Aqui outra ótima opção para as sinfonias do Hannes:
Esta Sinfonia está longe de ser minha obra preferida de Shosta, mas é bastante apreciada por aí, talvez por seu simbolismo e posição histórica. É uma obra politicamente carregada, composta em meio ao cerco de Leningrado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Foi composta em 1941, logo após a invasão alemã da União Soviética e estreada em Leningrado em 1942, com a cidade ainda sitiada. A partitura foi levada em microfilme até a cidade. A orquestra local estava tão fragilizada pela fome que músicos do exército tiveram que ser convocados para completar os naipes. É uma sinfonia em quatro movimentos, grandiosa, com mais de uma hora de duração. O movimento mais célebre é o primeiro, com sua célebre “marcha da invasão”. Oficialmente, foi saudada como símbolo da resistência soviética ao nazismo. Mas muitos ouvintes e críticos — principalmente no Ocidente — perceberam que a sinfonia poderia ser uma crítica dupla, tanto ao terror de Hitler quanto ao de Stálin. É uma sinfonia de guerra, mas também de luto e ambiguidade moral.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 7, Op. 60, “Leningrado” (Slovák)
Symphony No. 7 in C Major, Op. 60, “Leningrad”
1 I. Allegretto 26:08
2 II. Moderato (Poco allegretto) 10:15
3 III. Adagio 19:20
4 IV. Allegro non troppo 16:42
Arthur Moreira Lima, um dos maiores brasileiros de todos os tempos (e percebam que nem mencionei seu instrumento!), completaria hoje 85 anos. Para celebrar seu legado extraordinário e honrar sua memória, publicaremos a integral da coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – seu testamento musical – de hoje até 30 de outubro, primeiro aniversário de seu falecimento. Esta é a primeira das onze partes de nossa eulogia ao gigante.
Se me perguntassem qual minha primeira memória de Arthur Moreira Lima, eu provavelmente lhes diria que ela é tão remota quanto a que eu tenho de um pianista. Nasci sob o Terror e cresci entre os ventos da Abertura que traziam de volta quem partira em rabos de foguete. Em minha casa ouvia-se muita música – nenhuma que atraísse cassetetes, e quase sempre daquela prevalente em elevadores e consultórios odontológicos. Ainda assim, era música bastante para que a aparição de um pianista na tela da TV, daquelas de antenas finamente ajustadas com palha de aço, não fosse sumariamente rechaçada por uma mudança de canal para a novela da vez. E o pianista, bem, ele era sempre o mesmo: aquele tipo de perfil pontiagudo, olhos a um só tempo alheios e dardejantes, de postura algo gibosa ao teclado e a drapejar sua cabeleira enquanto debulhava com os dedos coisas que eu não imaginava possíveis a mim, menino telespectador. Ele tocava de tudo, e em todo lugar, e ante centenas, milhares, dezenas de milhares de pessoas, e sozinho, e com orquestras, e em toda e qualquer companhia. No programa que teve na TV aberta, inimaginável nesses nossos tristes tempos de Tigrinho, dividiu a ribalta com chorões e roqueiros, seresteiros e jazzistas; mostrou-me Ney Matogrosso pela primeira vez de cara limpa e apresentou-me o semideus Raphael Rabello, que toca, como Gardel canta para os argentinos, cada dia melhor. Entre um número e outro, com o maroto sotaque que nunca renegou seu berço, entrevistava seus convidados com muita descontração – tanta que promoveu o seguinte diálogo entre meus genitores:
– Esse é aquele pianista?
– É.
– Bem informal, hein?
– Sim.
– Nem parece pianista…
O programa saiu do ar sem-cerimoniosamente, e eu, exceto por um LP e outro que encontrava em briques, fiquei sem saber do madeixudo carismático, até o dia em que, exaurido por um plantão no pronto-socorro e disposto a tudo para ver algo que não fosse sangue ou pus, encontrei um palco montado no meio do maior parque de minha Dogville natal. Sobre ele, um piano, e ante este – sim, adivinharam! – o pianista que nem parecia pianista, e que, contrariando tudo o que se dizia dele – que não estudava, que não se levava a sério, que estava decadente – despachava com segurança os arpejos do Estudo Op. 10 no. 1 de Chopin sob o olhar tietante duns gatos-pingados aos quais me juntei, lá na fila do gargarejo. Emendou, em seguida, o “Revolucionário“, o “Tristesse“, o das teclas pretas, e foi esgotando o Op. 10, estudo a estudo, inteiros ou em parte, até que faltou somente…
– O número 2, Arthur.
– Hein?
– Faltou o número 2.
– Cê me odeia, né? – gargalhava – Mas certamente não tanto quanto eu odeio o número 2.
E atacou o temido Op. 10 no. 2, com aquelas escalas rapidíssimas todinhas com os dedos fracos da mão direita, enquanto resmungava das tendinites que ele lhe trouxera.
– Que mais cês querem?
– …
– Digam logo, que daqui a pouco vão me levar à força pro camarim.
– Piazzolla, então!
E nos deu um Adiós Nonino com a mesma eletricidade que pôs suas madeixas em riste na memorável capa do álbum que dedicou a Astor. Ao terminar, com o produtor já a olhar com ganas de arrancá-lo do palco, um dos gatos-pingados lhe alcançou um número de telefone:
– Volto hoje para o Rio – explicava-se, enquanto guardava o papelucho na casaca – mas não deixo de te ligar.
– A costela está assando desde que saí de casa. Eu e ela te aguardamos.
– E a cerveja?
– Ela também. Mais gelada que em Moscou.
E foi arrastado para as coxias, de onde voltou para tocar um Tchaikovsky furioso com a Sinfônica de Dogville. Nunca soube se ele, enfim, telefonou para o churrasqueiro. Imagino que sim. Afinal, aquele ex-menino prodígio, de nobre arte forjada no Brasil e burilada na França e na União Soviética, capaz de dialogar com bolcheviques e mencheviques, maragatos e chimangos, cronópios e famas, sempre foi também um perfeito exemplo do que em minha terra se chama de “pau de enchente” – aquele tipo que, como os galhos de árvores levados pelas enxurradas, vai parando aqui e ali – e nunca perdeu qualquer oportunidade de falar, de ouvir e de aprender.
– Decadente.
– Quê?
– Sim. Olha aí: tá vendendo disco na Caras!
– Eita…
O brasileiro não é gentil com seus heróis, e desancaram o heroico Sr. Pau de Enchente quando ele lançou sua antologia pianística a preços módicos e acessível em qualquer banca de revistas. Onde outros viam dinheirismo e decadência, eu, seu desde sempre tiete, só via generosidade – a mesma que o fez tocar para aquelas centenas, aqueles milhares, aquelas dezenas de milhares de gentes, a brilhar na TV e matar de inveja tantos colegas de ofício, a implodir o Muro da Vergonha entre os assim chamados “erudito” e “popular’, e que o levaria, em seu caminhão-teatro feito Caravana Rolidei, a tocar para compatriotas que nunca tinham visto um piano na vida.
Eu nunca consegui lhe agradecer, que se dirá o bastante – se é que haveria gratidão suficiente para tanta dedicação aos ouvidos de seu país! Até tive oportunidades: afinal, tanto eu quanto Sr. De Enchente escolhemos a mesma ilha para passar nossos últimos anos. Por algum tempo, inclusive, compartimos a mesma praia em que, vez que outra, nossos percursos se cruzavam. Numa delas, ele jogava bola com uma criança que, com um pontapé somado ao vigor do Vento Sul, mandou a redondinha na minha direção. Eu, que tenho dois pés esquerdos, devolvi-a com uma vergonhosa rosca para os devidos donos. Já me conformava com a ideia de ir buscá-la ainda mais longe, quando, antes mesmo dela quicar no chão, aquele torcedor doente do Fluminense Football Club aparou a pelota com um golpe seco que orgulharia o Príncipe Etíope e, com um toque de letra digno de Super Ézio, devolveu-a à remetente.
– Valeu, meu bom!
Craque com as mãos e com os pés, o Pelé e o Garrincha do Piano Brasileiro, gênio da raça: também tocas cada dia melhor! Venero-te tanto que jamais te conseguirei ser crítico. Se os leitores-ouvintes o quiserem, que assim sejam – mas minha homenagem aqui, ela terá só carinho e saudade ❤️.
Em memória de Fluminense Moreira Lima (16 de julho de 1940, Rio de Janeiro – Florianópolis, 30 de outubro de 2024) em seu 85º aniversário.
ARTHUR MOREIRA LIMA – MEU PIANO/TRÊS SÉCULOS DE MÚSICA PARA PIANO Coleção publicada pela Editora Caras entre 1998-99, em 41 volumes Idealizada por Arthur Moreira Lima Direção artística de Arthur Moreira Lima e Rosana Martins Moreira Lima
Volume 1: CLÁSSICOS FAVORITOS I
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Transcrição de Myra Hess (1890-1965)
Da Cantata “Herz und Mund und Tat und Leben“, BWV 147: 1 – Coral: Jesus bleibet meine Freude
Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Da Sonata para piano no. 11 em Lá maior, K. 331: 2 – Alla Turca: Allegretto
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827) Bagatela em Lá menor, WoO 59, “Für Elise” 3 – Poco moto
Carl Maria Friedrich Ernst Freiherr von WEBER (1786-1826)
Da Sonata para piano no. 1 em Dó maior, Op. 24: 4 – Rondo: Presto (“Perpetuum mobile“)
Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Das Fantasiestücke, Op. 12: 5 – No. 3: “Warum?”
Ferenc LISZT (1810-1886)
Dos Grandes Estudos de Paganini, S. 141:
6 – No. 3: La Campanella
Jules Émile Frédéric MASSENET (1842-1912)
De Thaïs, ópera em três atos:
7 – Méditation (transcrição do compositor)
Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN Bartholdy (1809-1847)
Da Música Incidental para Ein Sommernachtstraum (“Sonho de uma Noite de Verão”), de William Shakespeare, Op. 61:
8 – No. 9: Marcha nupcial (transcrição do compositor)
Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
Das Dezoito Peças para piano, Op. 72:
9 – No. 2: Berceuse
Sergei Vasilievich RACHMANINOFF (1873-1943)
Dos Morceaux de Fantaisie, Op. 3: 10 – No. 2: Prelúdio em Dó sustenido menor
Anton Grigorevich RUBINSTEIN (1829-1894)
Das Duas Melodias, Op. 3: 11 – No. 1: Melodia em Fá maior
Alexander Nikolayevich SCRIABIN (1872-1915)
Dos Doze Estudos, Op. 8: 12 – No. 12 em Ré sustenido menor, “Patético”
Achille Claude DEBUSSY (1862-1918)
Da Suite Bergamasque, L. 75: 13 – No. 3: Clair de Lune
Manuel DE FALLA y Matheu (1876-1946)
De El Amor Brujo, balé em um ato: 14 – Dança Ritual do Fogo (transcrição do compositor) BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
Volume 3: CLÁSSICOS FAVORITOS II
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Transcrição de Ferruccio Busoni (1866-1924)
Da Toccata e Fuga em Ré menor para órgão, BWV 565:
1 – Toccata
Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)
2 – Sonata em Mi Maior, L. 23 (K. 380)
Carl Philipp Emanuel BACH (1714-1788)
3 – Solfeggietto em Dó menor, H 220, Wq. 117:2
Georg Friedrich HÄNDEL Da Suíte para Teclado no. 5 em Mi maior, HWV 430: 4 – No. 4: Ária com Variações, “The Harmonious Blacksmith”
Ludwig van BEETHOVEN
5 – Seis Escocesas, WoO 83
Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
6 – Fantasia-Improviso em Dó sustenido menor, Op. 66
Gioachino Antonio ROSSINI (1792-1868)
Das Soirées Musicales: 7 – No. 8: La Danza (Tarantella Napolitana)
Felix MENDELSSOHN Das Canções sem Palavras: 8 – Allegro non troppo (Op. 53 no. 2) – Allegretto grazioso (Op. 62 no. 6, Frühlingslied) – Presto (Op. 67 no. 4, La Fileuse)
Ferenc LISZT Dos Liebesträume, Noturnos para piano, S. 541: 9 – No. 3 em Lá bemol maior
Edvard Hagerup GRIEG (1843-1907)
Do Peças Líricas, Livro III, Op. 43: 10 – No. 1: Papillon
Antonín Leopold DVOŘÁK (1841-1904)
Das Oito Humoresques, Op. 101: 11 – No. 7 em Sol bemol maior
Pyotr TCHAIKOVSKY
Das Estações, Op. 37a: 12 – No. 11: Novembro (Troika)
Sergey Sergeyevich PROKOFIEV (1891-1953)
Das Dez Peças para piano, Op. 12: 13 – No. 2: Gavota em Sol menor
Claude DEBUSSY
14 – La Plus que Lente, L. 121
Isaac Manuel Francisco ALBÉNIZ y Pascual (1860-1909)
Da Suíte Espanhola no. 1, Op. 47:
15 – No. 3: Sevilla
Gravações realizadas na Saint Philip’s Church em Londres, Reino Unido, em 1998 Piano Steinway and Sons Engenheiro de som: Peter Nichols Direção Musical, produção, edição e masterização por Rosana Martins Moreira Lima
Fãs de Arthur encontram-se doravante INTIMADOS a ouvir o podcast “Conversa de Pianista”, do Instituto Piano Brasileiro, em que nosso ídolo conversa com o incrível Alexandre Dias, e que foi ao ar em 2020:
“1ª parte da entrevista do pianista Arthur Moreira Lima a Alexandre Dias, em que ele falou sobre como o piano começou em sua vida, suas primeiras aulas em família, seus primeiros recitais quando criança prodígio, e suas aulas com a grande professora Lúcia Branco, que o levou a participar do I Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro do 1957. Também comentou sobre grandes pianistas a que assistiu nas décadas de 1940 e 1950. Foram mencionados alguns dos assuntos que serão conversados nos próximos episódios, com especial atenção para sua rica discografia, e também sua premiação em importantes concursos internacionais de piano, como o Concurso Chopin (1965), Concurso de Leeds (1969) e o Concurso Tchaikovsky (1970). Nossa homenagem e agradecimento ao grande pianista Arthur Moreira Lima, que em 2020 completa 80 anos”.
Em mais uma homenagem a Fluminense Moreira Lima, oferecer-lhe-emos um álbum de figurinhas com os heróis da final da Copa Rio de 1952, que certamente fizeram Arthurzinho chorar de alegria. Eis o arqueiro Carlos José Castilho, o Castilho (1927-1987).
Mais um post do grande pai – dessa vez os deliciosos Concertos de Brandenburgo. “Os Concertos de Brandeburgo ou Concertos de Brandenburgo (BWV 1046-1051, título original: Six Concerts avec plusieurs instruments, em alemão: Brandenburgische Konzerte) são uma coleção de seis peças musicais composta por Johann Sebastian Bach entre 1718 – 1721, dedicados e apresentados ao margrave de Brandenburg-Schwedt, Christian Ludwig em 1721. São amplamente considerados como expoentes do barroco na música, além de estar entre os clássicos mais populares. Estes trabalhos foram esquecidos na biblioteca do margrave até sua morte em 1734 quando foram vendidos por poucos centavos. Os concertos foram descobertos em arquivos de Brandemburgo no século XIX sendo publicados em 1850″ (wikipédia). Boa apreciação!
J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo (completo) e Suítes Orquestrais (idem) (Pinnock)
DISCO 1
Brandenburg concerto No. 1 in F major, BWV 1046
01. 1 (Without tempo indication)
02. 2 Adagio
03. 3. Allegro
04. 4. Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II
Brandenburg concerto No. 2 in F major, BWV 1047
05. 1. (Without tempo indication)
06. 2. Andante
07. 3. Allegro assai
Brandenburg concerto No. 3 in G major, BWV 1048
08. 1. (Without tempo indication)
09. 2. Adagio
10. 3. Allegro
Este CD vale por StepanRazin e pelo CincoFragmentos orquestrais preparatórios para a Sinfonia Nº 4. Outubro é uma música escrita para comemorar os 50 anos da revolução socialista e é um horror, data de uma época em que o relacionamento entre Shostakovich e o regime soviético ia muito mal.
A Execução de Stepan Razin, Op. 119 (1964), assim como a Sinfonia Nº 13, foi baseada em poemas de Ievtushenko. Trata-se de uma obra coral-sinfônica poderosa e pouco conhecida fora da Rússia, mas essencial para entender o compositor em sua fase mais sombria e politicamente carregada. Stepan Razin foi um líder cossaco do século XVII que liderou uma rebelião camponesa contra o czar e foi executado brutalmente. Tornou-se símbolo da resistência popular na cultura russa. Shostakovich usou texto do mesmo poeta de Babi Yar, mas aqui o foco é a violência do Estado e o sacrifício dos rebeldes. Composta durante o governo de Brejnev, a obra ecoa críticas indiretas à repressão stalinista (que Shostakovich sofreu). O baixo representa Razin (voz grave e heroica), enquanto o coro é o “povo” — alternando entre gritos de revolta e lamento. A orquestra cria cenas vívidas: cavalos galopando (trompetes), golpes de machado (tímpanos), o rio Volga (cordas graves). O clímax é aterrorizante: a execução é retratada com acordes dissonantes e um silêncio súbito; depois, o coro sussurra “E o rio flui…”, simbolizando que a luta continua. Há trechos que lembram músicas folclóricas e marchas militares, mas distorcidas — uma crítica à propaganda soviética que glorificava “heróis” enquanto perseguia dissidentes. Stepan foi banida de gravações por anos, pois autoridades viram na figura de Razin um paralelo com rebeldes modernos, claro.
Nos anos 1960, jovens russos viram Razin como um “Che Guevara” medieval. A obra ressurgiu em protestos contra autoritarismo, como, por exemplo, as manifestações na Bielorrússia em 2020. A curiosidade é que Shostakovich disse que compôs o final — onde a cabeça decepada de Razin rola pelo chão — inspirado em pesadelos.
Dmitri Shostakovich (1906-1975) – A Execução de Stepan Razin y otras cositas (Schwarz)
1. The Execution Of Stepan Razin, Symphonic Poem For Baritone Soloist, Mixed Chorus And Orchestra Op.119 (28:37)
Conductor Gerard Schwarz
Performer Charles Austin (Bass Baritone)
Ensemble Seattle Symphony Orchestra
Uma joia, uma maravilha esse CD. Música moderna do melhor nível. Fiquei entusiasmado com a qualidade do que ouvi e dos reconhecimentos que fiz. Ouvi My favorite things distorcida em meio às belas invenções desse Hartke. Não sabia nada acerca do autor e fui ver se havia alguma notícia biográfica ou entrevista do sujeito. Encontrei e a qualidade do ser humano não nega sua música. Um postura impecável frente à religião e… Bem, copio abaixo a entrevista e peço para vocês prestarem atenção a sua resposta para a pergunta de número 12.
Hartke is one of the most exciting contemporary composers, writing orchestral and chamber music that blends the most experimental aspects of concert music with simpler elements of folk songs, and the comprehensible structures of song forms. Listen to his piece “The King of the Sun.”
1. What’s the first piece of music you listened to today?
The sound of finches dive-bombing the windows of my house to pick off the moths that had taken refuge on the glass during the night. I know this sounds rather like a John Cage sort of answer, and, to be honest, I don’t have much use for John Cage. The fact is, I don’t listen to recorded music every day. I rather think we hear too much music nowadays, and it ceases to be special. When I was younger, I certainly did listen to recordings a lot, and attended far more concerts, but now I’m more inclined to sit quietly and remember pieces or to flip through a score or play something. Later this morning, after the finch attack was over, I played through a couple of the Bach English Suites and a few Scarlatti sonatas.
2. What are your vices?
My musical vices include a fondness for unison orchestral doublings of flutes, oboes and clarinets. Some folks think I am overfond of natural harmonics in the strings, but there’s no twelve-step program for that (most string instruments can’t get past the eighth step partial anyway). I also take perverse and anachronistic delight in the vibraphone with the motor on.
3. What is one of your prejudices?
I heartily dislike popular culture, especially rock and roll.
4. In what way do you think music has the ability to change the way people live their lives?
This question suggests that you think that such an ability might be a good thing. I’m not so sure. Music makes life worth living, but I don’t know if it is because it might have a power to change someone’s life. Certainly most music written with a political purpose does not achieve its aim. The Three-Penny Opera was intended as a work of musique-engagee and was tremendously successful as a work of musical theater, but it did nothing to alter the course of German political or social life, more’s the pity.
5. At what age did you first feel distrust?
At the age of 54 when I was first posed this question by you.
6. What is the best piece of music you’ve ever created, in your opinion?
My favorites shift according to my mood and my ever-evolving perspective as I write more. However, at the moment I’m inclined to say “Cathedral in the thrashing rain.”
7. Right now, how are you trying to change yourself?
By relaxing.
8. If you had the time, what else would you do?
Learn a few more languages.
9. What social cause do you feel the most strongly about (negative or positive)?
Bringing an end to all superstition and releasing mankind from the thralldom imposed by religion.
10. What are your fears?
That religionists will hasten the demise of life on this planet through their vainglorious belief that the world was created for them by some sort of uber-parent.
11. What is your favorite joke (tasteful or tasteless)?
A nice old lady meets a 9-year old child and starts an innocent little chat. “What do you want to be when you grow up?” she asks. The kid replies: “A dry-cleaner.”
12. Who is your favorite author?
Joaquim Machado de Assis
13. What is your favorite movie?
Fellini’s Eight and a Half
15. What would you like to know more about?
Just about everything.
16. What is one thing you would like to do/see/accomplish before you die?
I’d like to visit Japan.
.oOo.
Stephen Hartke (1952):
The Horse with the Lavender Eye – Piano and Chamber Music
The Horse with the Lavender Eye (1997)
Episodes for Violin, Clarinet and Piano
1 I Music of the Left. Left-handed
2 II The Servant of Two Masters. Quite manic
3 III Waltzing at the Abyss. Gingerly, but always moving along
4 IV Cancel My Rumba Lesson. Two Left Feet
Selections from ‘Post-modern Homages’ (1984-92)
for Piano
5 Sonatina-Fantasia (1987). Giubilante
6 Gymnopédie No. 4 (1984). Suave
7 Template (1985). Presto
8 Estudo-Scherzo (1992). Presto-leggiero
9 Sonatina DCXL (1991). Boppin’ along
Sonata (1997-98)
for Piano
10 I Prelude. Massive
11 II Scherzo. Epicycles, Tap-dancing, and a Soft Shoe. Deft and lively
12 III Postlude. Floating
The King of the Sun (1988)
Tableaux for Violin, Viola, Cello and Piano
13 I Personage in the night guided by the phosphorescent tracks of snails. Stealthily
14 II Dutch interior. Phantasmagorical
15 III Dancer listening to the organ in a Gothic cathedral. Granitic
16 Interlude. Tempo of Movement I
17 IV The flames of the sun make the desert flower hysterical. Fiery
18 V Personages and birds rejoicing at the arrival of night. Quietly energetic, with an air of innocence
Richard Faria: clarinet
Xak Bjerken: piano
Ellen Jewett: violin
Los Angeles Piano Quartet
Mais uma gravação de Svetlanov fazendo Mahler com músicos russos, mezzo-soprano russa, coro russo. Há momentos muito bons aqui, mas tanto os músicos como a cantora não alcançam as sublimes sonoridades da 3ª por Haitink, tanto a primeira com a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam em 1966 (aqui) como a última com a Orquestra da Rádio Bávara em 2016 (aqui).
Esta sinfonia, a mais longa do repertório sinfônico usual e atualmente uma das mais amadas pelos especialistas, se baseava inicialmente em um programa relacionado a uma relação panteista do ser humano com o mundo natural, relação que é alegre na maior parte do tempo mas alcança um momento de pensativo desespero no breve 4º movimento com solo de mezzo-soprano. As palavras ali são do Zaratustra de Friedrich Netzsche, que naquela década de 1890 alcançava ao mesmo tempo grande fama como escritor e, pessoalmente, vivia seus últimos anos internado com neurossífilis.
Múltiplas fontes indicam que Mahler era um leitor atento de Nietzsche, assim como de literatura russa, tendo recomendado a Schoenberg que estudasse menos contraponto e lesse mais Distoievsky. Em 1892, um ano antes de Gustav Mahler iniciar esta 3ª Sinfonia (que ele concluiu em 1896), uma publicação em Leipzig pelo Dr. Max Zerbst afirmava, sobre a popularidade do autor de O Nascimento da Tragédia e da Genealogia da Moral:
“Há dois Nietzsches. Um é o mundialmente famoso ‘filósofo na moda’, o brilhante poeta e mestre soberano da língua alemã e do estilo, de quem todos falam na atualidade e em cuja obra algumas frases de efeito mal-compreendidas se transformam em duvidoso patrimônio comum das pessoas ‘cultivadas’.” O outro Nietzsche corresponderia à real essência do autor, que ele (Zerbst) e seus colegas eruditos compreendiam ou pretendiam compreender. Se Mahler compreendia bem ou mal o filósofo, isso já é assunto para os biógrafos e, no fundo, um detalhe pouco relevante.
Imaginemos, em todo caso, que a leitura do irônico e inquieto Nietzsche ajudou Mahler a se afastar da pompa majestosa da música sinfônica da sua época (Wagner, Bruckner, Strauss…) Ou melhor dizendo: Mahler utiliza, quando lhe convém, os meios orquestrais lapidados por Wagner e Bruckner, aquelas sonoridades ainda mais brilhantes, grandiosas e luxuosas que as de Beethoven. Mas ele alterna, em cada uma de suas obras, essa orquestra grandiosa com momentos camerísticos, canções populares, de modo que o luxo parece conviver lado a lado com melodias que se ouvia na rua.
Em cada uma das suas sinfonias, e mais ainda nesta longa Terceira que às vezes parece uma versão secularizada da grandiosa Criação de Haydn, há momentos grandiosos, elevados, emocionantes. Mahler deixa claro que estudou bem as orquestrações de Berlioz e Wagner. Mas também, em cada uma das sinfonias, há quebras nessas espectativas monumentais. Em uma introdução para uma edição das canções (Lieder) de Mahler, Richard Specht mostra esse caráter duplo de Mahler:
“Nos séculos passados devia ser assim que cantavam soldados, pastores e camponeses nas feiras das pequenas cidades” e ao mesmo tempo a “admirável instrumentação alcança uma delicadeza, uma variedade no colorido orquestral que só a nossa época [Specht morreu em 1930], posterior a Wagner e a Berlioz, poderia conseguir.”
Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3 (1896)
1. Kräftig. Entschieden (Strong and decisive) D minor to F major
2. Tempo di Menuetto Sehr mässig (In the tempo of a minuet, very moderate) A major
3. Comodo (Scherzando) Ohne Hast (Comfortable (Scherzo), without haste) C minor to C major
4. Sehr langsam—Misterioso (Very slowly, mysteriously) D major
5. Lustig im Tempo und keck im Ausdruck (Cheerful in tempo and cheeky in expression) F major
6. Langsam—Ruhevoll—Empfunden (Slowly, tranquil, deeply felt) D major
Russian State Symphony Orchestra
Evgeny Svetlanov, conductor
Olga Alexandrova, mezzo-soprano
Recording: Moscow, Large Hall of the Conservatory, 1994
A Paixão Segundo Mateus (em alemão Matthäuspassion) é uma das grandes peças compostas pelo grande pai, Johann Sebastian Bach. Trata-se de uma das obras mais excelsas que o ser humano já teve a capacidade de criar. A beleza e a monumentalidade da obra é um desafio à nossa inteligência. Ela possui toda a sofisticação que somente alguém como o maior compositor da música ocidental teria condições de imprimir. Bach baseou-se no Evangelho segundo Mateus para retratar paixão de Cristo – o tema do sofrimento e da morte de Jesus. O compositor possivelmente escreveu a obra em 1727. Parece clichê afirmar isso, mas foi somente em 1829 com Mendelssohn, que houve um resgate esplendoroso da obra de Johann Sebastian. Foi assim que pela primeira vez a obra foi apresentada fora de Leipzig e isso mais de um século depois. Foi aclamada pelo público, assim como o restante da obra de Bach. A gravação que ora apresento não é a de um Tom Koopman, de um Klemperer, de um Gardiner, de um Harnoncourt ou de um Herreweghe. Tentei fugir dessa referência e trouxe essa interpretação alternativa com Géza Oberfrank pela imortal Naxos. Apreciemos. Permitamos que ela nos envolva e nos console.
Johann Sebastian Bach (1685-1750) – A Paixão Segundo Mateus, BWV 244
DISCO 1
01. Nr. 1 Chor mit Choral (Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen!) (7:34)
02. Nr. 2 Rezitativ (Da Jesus diese Rede vollendet hatte) (0:33)
03. Nr. 3 Choral (Herzliebster Jesu, was hast du verbrochen) (0:47)
04. Nr. 4 Rezitativ und Chor (Da versammleten sich die Hohenpriester) (2:49)
05. Nr. 5 Rezitativ (Alt) (Du lieber Heiland du) (0:40)
06. Nr. 6 Arie (Alt) (Buß’ und Reu’) (4:14)
07. Nr. 7 Rezitativ (Da ging hin der Zwölfen einer) (0:30)
08. Nr. 8 Arie (Sopran) (Blute nur, du liebes Herz!) (4:47)
09. Nr. 9 Rezitativ und Chor (Aber am ersten Tage der süßen Brot) (1:48)
10. Nr. 10 Choral (Ich bin’s, ich sollte büßen) (0:50)
11. Nr. 11 Rezitativ (Er antwortete und sprach) (2:44)
12. Nr. 12 Rezitativ (Sopran) (Wiewohl mein Herz in Tränen schwimmt) (1:14)
13. Nr. 13 Arie (Sopran) (Ich will dir mein Herze schenken) (3:39)
14. Nr. 14 Rezitativ (Und da sie den Lobgesang gesprochen hatten) (0:56)
15. Nr. 15 Choral (Erkenne mich, mein Hüter) (0:59)
16. Nr. 16 Rezitativ (Petrus aber antwortete und sprach zu ihm) (1:01)
17. Nr. 17 Choral (Ich will hier bei dir stehen) (1:08)
18. Nr. 18 Rezitativ (Da kam Jesus mit ihnen zu einem Hofe) (1:32)
19. Nr. 19 Rezitativ (Tenor) mit Choral (O Schmerz!) (1:35)
20. Nr. 20 Arie (Tenor) mit Chor (Ich will bei meinem Jesu wachen) (5:25)
21. Nr. 21 Rezitativ (Und ging hin ein wenig) (0:42)
22. Nr. 22 Rezitativ (Bass) (Der Heiland fällt vor seinem Vater nieder) (0:47)
23. Nr. 23 Arie (Bass) (Gerne will ich mich bequemen) (4:27)
24. Nr. 24 Rezitativ (Und er kam zu seinen Jüngern) (1:13)
25. Nr. 25 Choral (Was mein Gott will) (1:27)
26. Nr. 26 Rezitativ (Und er kam und fand sie aber schlafend) (2:12)
27. Nr. 27 Arie mit Chor (So ist mein Jesus nun gefangen) (3:50)
28. Nr. 28 Rezitativ (Und siehe, einer aus denen) (2:02)
29. Nr. 29 Choral (O Mensch, bewein dein Sünde groß) (6:04)
DISCO 2
01. Nr. 30 Arie (Alt) mit Chor (Ach, nun ist mein Jesus hin!) (3:32)
02. Nr. 31 Rezitativ (Die aber Jesum gegriffen hatten) (0:52)
03. Nr. 32 Choral (Mir hat die Welt trüglich gericht’) (0:50)
04. Nr. 33 Rezitativ (Und wiewohl viel falsche Zeugen) (1:05)
05. Nr. 34 Rezitativ (Tenor) (Mein Jesus schweight zu falschen Lügen stille) (0:53)
06. Nr. 35 Arie (Tenor) (Geduld! Geduld!) (3:26)
07. Nr. 36 Rezitativ und Chor (Und der Hohepriester antwortete und sprach zu ihm) (2:03)
08. Nr. 37 Choral (Wer hat dich so geschlagen) (0:51)
09. Nr. 38 Rezitativ und Chor (Petrus aber saß draußen im Palast) (2:14)
10. Nr. 39 Arie (Alt) (Erbarme dich, mein Gott!) (7:06)
11. Nr. 40 Choral (Bin ich gleich von dir gewichen) (1:14)
12. Nr. 41 Rezitativ und Chor (Des Morgens aber hielten alle Hohepriester) (1:48)
13. Nr. 42 Arie (Bass) (Gebt mir meinen Jesum wieder!) (3:30)
14. Nr. 43 Rezitativ (Sie hielten aber einen Rat) (1:51)
15. Nr. 44 Choral (Befiehl du deine Wege) (1:12)
16. Nr. 45 Rezitativ und Chor (Auf das Fest aber hatte der Landpfleger Gewohnheit) (2:21)
17. Nr. 46 Choral (Wie wunderbarlich ist doch diese Strafe!) (0:47)
18. Nr. 47 Rezitativ (Der Landpfleger sagte) (0:11)
19. Nr. 48 Rezitativ (Sopran) (Er hat uns allen wohlgetan) (1:00)
20. Nr. 49 Arie (Sopran) (Aus Liebe will mein Heiland sterben!) (4:49)
21. Nr. 50 Rezitativ und Chor (Sie schrieen aber noch mehr und sprachen) (1:52)
22. Nr. 51 Rezitativ (Alt) (Erbarm es Gott!) (0:48)
23. Nr. 52 Arie (Alt) (Können Tränen meiner Wangen Nichts erlangen) (6:26)
DISCO 3
01. Nr. 53 Rezitativ und Chor (Da nahmen die Kriegsknechte des Landpflegers Jesum zu sich in das Richthaus) (1:01)
02. Nr. 54 Choral (O Haupt voll Blut und Wunden) (2:25)
03. Nr. 55 Rezitativ (Und da sie ihn verspottet hatten) (0:44)
04. Nr. 56 Rezitativ (Bass) (Ja! freilich will in uns das Fleisch und Blut) (0:32)
05. Nr. 57 Arie (Bass) (Komm, süßes Kreuz, so will ich sagen) (6:27)
06. Nr. 58 Rezitativ und Chor (Und da sie an die Stätte kamen mit Namen Golgatha) (3:22)
07. Nr. 59 Rezitativ (Alt) (Ach Golgatha, unsel’ges Golgatha!) (1:13)
08. Nr. 60 Arie (Alt) mit Chor (Sehet, Jesus hatdie Hand) (3:13)
09. Nr. 61 Rezitativ und Chor (Und von der sechsten Stunde an war eine Finsternis über das ganze Land) (2:02)
10. Nr. 62 Choral (Wenn ich einmal soll scheiden) (1:27)
11. Nr. 63 Rezitativ und Chor (Und siehe da, der Vorhang im Tempel) (2:14)
12. Nr. 64 Rezitativ (Bass) (Am Abend, da es kühle war) (1:24)
13. Nr. 65 Arie (Bass) (Mache dich, mein Herze rein) (7:44)
14. Nr. 66 Rezitativ und Chor (Und Joseph nahm den Leib) (2:20)
15. Nr. 67 Rezitativ (Solisten und Chor) (Nun ist der Herr zur Ruh gebracht) (1:37)
16. Nr. 68 Chor (Wir setzen uns mit Tränen nieder) (6:27)
József Mukk, evangelist
István Gáti, Jesus
Judit Németh, first Witness
Peter Köves, Judas
Péter Cser, Pilatos
Ferenc Korpás, First High Priest
Rózsa Kiss, Pilate’s Wife
Hungarian State Symphony Orchestra
Hungarian Festival Choir
Children’s Choir Of The Hungarian Radio
János Remémyi, chorus Master
Géza Oberfrank, regente
Claro que um álbum com este nome – The Mozart Family Album – deveria ser uma caixa de 200 CDs e não apenas um mero disquinho de 48 minutos, mas este é um CD simpático. Não é grande música, são antes as pequenas e divertidas obras da família. Wolfgang comparece com um fragmento de uma de suas partituras mais desconhecidas, a música para o balé Les Petits Riens, composta em junho de 1778, em Paris. A obra tem 20 movimentos, mas os que foram garantidamente escritos por W. A. Mozart são os cinco aqui presentes. Mais divertida é a sinfonia de Leopold, cujos gritos da orquestra me pregaram um susto ontem, depois da meia-noite. Um disco despretensioso e bom.
Franz Xaver Mozart (1791-1844), Leopold Mozart (1719-1789), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): The Mozart Family Album (The Chicago Sinfonietta, Freeman)
Franz Xaver Mozart – Piano Concerto n°2 in Eb major Op.25 1. Allegro Con Brio
2. Andante Espressivo
3. Rondo
Wolfgang Amadeus Mozart – Music from ”Le petit riens” KV299b 4. Allegro
5. Largo
6. Andantino
7. Larghetto
8. Gavotte
Leopold Mozart – Sinfonia in D ”Die Bauernhochzeit” – O Casamento dos Mendigos 9. Marcia Villanesca
10. Menuet
11. Andante
12. Menuet
13. Finale
Grant Johannesen (Piano)
Jacalyn Bettridge, bagpipes
The Chicago Sinfonietta
dir. Paul Freeman
Um esplêndido e inesperado disco de música barroca. Também é uma raridade, tanto que não consegui em lugar nenhum a relação das faixas. Mas adorei ouvi-lo muitas vezes. O Ensemble Sans Souci é extremamente competente e dá vida aos desconhecidos Birckenstock e Benda. Sim, sei da família Benda.
Johann Adam Birkenstock foi um compositor e violinista alemão. Foi considerado um dos principais violinistas de sua época. Em Kassel, tornou-se músico da corte em 1708, onde permaneceu até 1722, quando embarcou em uma turnê pela Holanda. Lá, foi oferecido a Birkenstock um posto na comitiva do Rei de Portugal. Ele recusou a oferta e após seu retorno a Kassel foi nomeado Konzertmeister da capela local em 1725. Quando o Landgrave de Kassel morreu em 1730, Birkenstock mudou-se para Eisenach, onde também se tornou o Kapellmeister da corte.
Franz (František) Benda nasceu na Boêmia na povoação de Altbenatky. Tornou-se o fundador de uma escola alemã de tocar violino. Depois obteve um cargo na Capela Real de Dresden. Ao mesmo tempo, juntou um grupo de músicos que tocavam em festas, feiras, etc. Aos dezoito anos de idade Benda abandonou esta vida errante e retornou a Praga, indo depois para Viena, onde estudou violino com Heinrich Graun, um aluno de Tartini. Dois anos depois, foi nomeado mestre de capela em Varsóvia. Benda foi um mestre na arte de tocar violino. Tinha muitos alunos e escreveu uma série de obras, principalmente exercícios e estudos de violino.
Johann Adam Birckenstock (1687-1733) / Franz Benda (1709-1786): Sonatas para Violino e baixo contínuo (Sans Souci)