Mendelssohn (1809-1847): Concertos para Violino – Alina Ibragimova – OAE – Vladimir Jurowski

Mendelssohn (1809-1847): Concertos para Violino – Alina Ibragimova – OAE – Vladimir Jurowski

Mendelssohn

Concertos para Violino

Abertura ‘As Hébridas’ ou ‘A Gruta de Fingal’

 

O que chamou a minha atenção neste disco, além da excelente Alina Ibragimova, foi o plural de Concerto: Mendelssohn escreveu mais do que um Concerto para Violino?

Adoro cavalos…

O Concerto para Violino de Mendelssohn, assim no singular, é um dos primeiros concertos do tipo ‘cavalos-de-batalha’, ao lado do Concerto de Beethoven, obras que estabeleceram um altíssimo nível para os compositores que vieram depois. Ou seja, puxam uma fila que continua com Brahms, Tchaikovsky, Bruch, Sibelius e tantos outros. Tão excelsa companhia nos faz esquecer um pouco que o Concerto foi composto em um período onde o estilo clássico estava começando a ceder espaço para as maiores ousadias românticas.

Ferdinand David

Mendelssohn começou a composição deste concerto em 1838, mas o projeto só foi terminado em 1845. Durante este período, ele trocou várias cartas com Ferdinand David, amigo e primeiro violino da Leipzig Gewandhaus Orchestra, que ofereceu várias sugestões. A estreia ocorreu em Leipzig, em 13 de março de 1845, tendo Ferdinand David como solista. O concerto deve ter causado bastante impacto pelas ‘novidades’ que apresenta, como a entrada antecipada do solista, deixando o costumeiro preâmbulo da orquestra muito mais curto, assim como a maior integração entre os movimentos, passando de um para o outro mais fluentemente. O Concerto foi um sucesso imediato.

Esta gravação resgata este aspecto inovador do concerto por apresenta-lo com uma orquestra parecida com a que o introduziu às audiências da época e nos permite ver a obra sob uma diferente perspectiva daquela a que estamos mais acostumados.

Sir Yehudi Menuhin

Pois não é que o danado do Felix já havia composto outro Concerto para Violino ainda na adolescência? De escopo bem mais modesto, o Concerto para Violino em ré menor é uma obra que revela o futuro brilhante do jovem compositor. Com uma interpretação tão convincente como esta, dada pela Alina Ibragimova, podemos entender o interesse que a obra causou em Sir Yehudi Menuhin, o responsável por reintroduzir esta obra para as novas audiências. O último movimento é particularmente cativante, uma ótima lembrança para guardar nos ouvidos.

O disco também apresenta uma gravação da Abertura ‘As Hébridas’ ou ‘A Gruta de Fingal’, como é chamado o poema sinfônico composto por Mendelssohn, sob a impressão causada pela visão da famosa Ilha com a tal caverna.

Felix Mendelssohn (1809-1847)

Concerto para Violino em mi menor, Op. 64

  1. Allegro molto appassionato
  2. Andante
  3. Allegretto non troppo – Allegro molto vivace

Abertura ‘As Hébridas’, ou

  1. Abertura ‘A Gruta de Fingal’

Concerto para Violino em ré menor

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Allegro

Alina Ibragimova, violino

Orchestra of the Age of Enlightment

Vladimir Jurowski

Produção: Andrew Keener

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FLAC | 249 MB

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MP3 | 320 KBPS | 129 MB

Alina Ibragimova, foto de Benjamin Ealovega

Alina Ibragimova é uma excelente intérprete, que apesar do pouco uso de vibrato, não deixa de apresentar a intensidade e virtuosismo dos concertos. O acompanhamento é com uma das minhas orquestras de época preferidas. A regência de Jurowski é excelente, como a gravação da ‘Gruta de Fingal’ mostra. A produção, ao encargo do Andrew Keener, com acabamento do selo Hyperion completa este lindo e revelador álbum. Aproveite!

René Denon

A Quatro Mãos: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Franz Schubert (1797-1828) – Igor Stravinsky (1882-1971) – Duos para piano – Martha Argerich e Daniel Barenboim

81i-IsCDEEL._SL1400_Depois de aparecerem nesta série em companhias diferentes, Martha Argerich e Daniel Barenboim voltam num aclamado recital na Philarmonie de Berlim. Os dois grandes músicos portenhos conheceram-se em sua cidade natal, enquanto eram as mais famosas crianças-prodígio de Buenos Aires. Os estudos e a família levaram Argerich para Viena, ao passo que Barenboim tomou o rumo de Israel. Reuniram-se depois, já mundialmente famosos, e em muitas ocasiões Daniel conduziu orquestras para solos de Martha. Suas aparições como duo pianístico são bem mais raras, e este recital de 2014, em que a Philarmonie transbordou de cadeiras extras, foi o primeiro do gênero em mais de quinze anos. O programa é um clássico: a graciosa Sonata para dois pianos de Mozart e as Variações de Schubert abrindo as cortinas para a furiosa Sagração da Primavera de Stravinsky, depois da qual, parece, nada mais cabe tocar. A caprichada gravação foi lançada pelo interessante selo Peral, do próprio Barenboim, dedicado inteiramente ao lançamento fonográfico de seus trabalhos como pianista e regente via internet  – e, para quem não sabe, “peral” em espanhol significa “pereira”, que em alemão é “Birnbaum” e, em iídiche, “Barenboim”.

MARTHA ARGERICH – DANIEL BARENBOIM – PIANO DUOS

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Sonata em Ré maior para dois pianos, K. 448
01 – Allegro con spirito
02 – Andante
03 – Allegro molto

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

04 – Variações sobre um Tema Original em Lá bemol maior, K. 813

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

La Sacre du Printemps, em versão para dois pianos do próprio compositor
05 – Primeira parte: A Adoração da Terra
06 – Segunda parte: O Sacrifício

Martha Argerich e Daniel Barenboim, pianos

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Martha e Daniel, ontem e hoje
Martha e Daniel, ontem e hoje

Vassily Genrikhovich

Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 5 / Schubert (1797-1828): Sinfonia No. 8 “Inacabada” – Leopold Stokowski

Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 5 / Schubert (1797-1828): Sinfonia No. 8 “Inacabada” – Leopold Stokowski

Pessoal, depois de um tempão volto a postar algumas grandes gravações do imenso maestro Leopold Stokowski (1882 – 1977). Nesta quarta parte da mini biografia compreende intenso período na carreira do maestro que vai de 1923 até 1940. No início dos anos vinte Leopold se separou de Olga Samaroff e logo se casou novamente, e desta vez com Evangeline Brewster Johnson, filha e herdeira de Robert Wood Johnson, co-fundador da empresa farmacêutica Johnson & Johnson. Ele renovou a orquestra da Filadélfia para poder se expandir para o balé e a ópera. Carismático conseguiu arrecadar fundos e pressionou a oposição do Conselho da Orquestra da Filadélfia e alguns de seus partidários para montar produções do drama musical de Schoenberg “Die glückliche Hand opus 18”, e uma produção de ballet completo de “Le Sacre du Printemps” de Stravinsky em 1930. As três apresentações, com lotação total, dessas duas obras na Filadélfia e na cidade de Nova York esgotaram-se, justificando a aposta de Stokowski de que teriam sucesso. Com muita moral (e dólares) Stokowski alcançou em 1936 um dos objetivos que procurava há pelo menos uma década: o Conselho da Associação de Orquestra concordou com uma excursão transcontinental da Orquestra da Filadélfia. Isso seria financiado pela RCA Victor Records, e incluiria 33 shows em 27 cidades ao longo de 35 dias.

No final dos anos 30, Stokowski levou ao envolvimento da Orquestra da Filadélfia no histórico filme “Fantasia” de Walt Disney. Um encontro casual com Walt Disney resultou em um jantar no “Chasen’s Restaurant” em Hollywood em 1938. Disney delineou seus planos para fazer “O Aprendiz de Feiticeiro” e outros projetos combinando música clássica com animação. Disney ficou surpreso quando o maestro respondeu “Eu gostaria de fazer estre trabalho com você…”. Ter o proeminente maestro voluntário para o projeto era uma oportunidade que a Disney não podia deixar passar. O projeto foi expandido em vários curtas que seriam combinados no “Concert Feature”. Enquanto considerava vários títulos melhores para o projeto, foi o próprio Stokowski que sugeriu o termo musical “fantasia” – um título perfeito para um filme só com música e sem enredo (O Mestre Aviccena já postou AQUI).
Estas gravações tiveram algumas dificuldades técnicas quanto à sincronização, mas Stokowski as aprovou e elas foram usadas no filme final. No entanto, Walt Disney decidiu que o curta-metragem “The Sorcerer’s Apprentice” precisava ser expandido para um filme completo, a fim de ser financeiramente viável. Depois de discutir seleções musicais adicionadas com Stokowski, Disney garantiu os direitos de “Le Sacre du Printemps” em abril de 1938. Em dezembro de 1939, Stravinsky visitou os estúdios da Disney e, embora anos depois tenha sido crítico de “Fantasia”, Stravinsky, na época, parecia favorável. Mais tarde, houve mais críticas às escolhas musicais de Stokowski e Disney, particularmente na edição da música. Por exemplo, a Sinfonia Pastoral de Beethoven foi cortada em 22 minutos. “Fantasia” foi estreada em 1940. Foi amplamente vendido em DVD, em várias versões restauradas. Esta estadia em Hollywood foi tão ativa e produtiva que em março de 1938, Leopold Stokowski e Greta Garbo passaram férias juntinhos na ilha de Capri, na Itália . Será que ele pegou a Greta ? O resultado, claro, foi o divórcio com a herdeira da Johnson & Johnson.
To be continued…..

Beethoven – Sinfonia No. 5
O que dizer da quinta de Beethoven que já não estamos cansados de saber…. Bom ele terminou a composição no início de 1808. A “Quinta Sinfonia” foi executada, pela primeira vez, no dia 22 de dezembro de 1808, no “Theater an der Wien”, por um grupo de músicos angariados para o concerto, sob a regência do próprio Beethoven. Um ouvinte de hoje transportado para a Viena da época se assustaria com a precariedade dos concertos. Viena não tinha orquestras permanentes nem salas de concerto. Os concertos eram realizados nos palácios dos príncipes ou nos teatros, geralmente com acústica precária. Os músicos eram contratados para ocasiões específicas e geralmente executavam as obras com pouquíssimos ensaios, já que os cachês eram, na maioria das vezes, insuficientes para um trabalho artístico detalhado. Um típico concerto do início do século XIX consistia de uma abertura, um concerto, uma sinfonia, árias e cenas de ópera e uma improvisação do solista. O concerto que Beethoven deu naquele dia, além de muito longo, mesmo para os padrões da época, foi longe de ser perfeito. Nele foram estreadas a “Quinta e a Sexta Sinfonias”, a “Fantasia Coral”; o “Concerto para piano nº 4” que também foram executados em público pela primeira vez; quanto à ária de concerto “Ah! Perfido” e movimentos da “Missa em Dó maior” tiveram naquela oportunidade sua primeira execução em Viena; Beethoven ainda se sentou ao piano para uma série de improvisações. Embora o público estivesse acostumado a concertos longos, o concerto de estreia da “Quinta Sinfonia” durou intermináveis quatro horas, em um teatro com sistema de aquecimento estragado. Beethoven havia requisitado o teatro durante todo o ano e lhe deram apenas uma noite morta, três dias antes do Natal. Foi uma noite longa de inverno para o público vienense, que assistiu a um concerto das 18h30 às 22h30 com obras modernas de um compositor ainda pouco conhecido, executadas por uma orquestra que não havia ensaiado suficientemente. O compositor Johann Reichardt, que estava presente ao concerto, escreveu: “O pobre Beethoven, que finalmente realizava seu próprio concerto e conseguia seu primeiro e único pequeno lucro de todo o ano, recebeu, nos ensaios e na apresentação, apenas oposição e praticamente nenhum suporte. Os cantores e a orquestra, compostos dos elementos mais heterogêneos, não conseguiram realizar um único ensaio completo das peças apresentadas.”

Schubert – Sinfonia No. 8 “Inacabada”
Esta sinfonia é a mais romântica de todas as sinfonias de Schubert. Foi escrita em outubro de 1822, mais ou menos na mesma época em que o compositor foi diagnosticado com sífilis, mais impressionante ainda, e totalmente consistente com o silêncio de Schubert sobre o assunto, ele nos dá um pouco de sua música mais pessoal, angustiada e intimista – música de natureza nunca antes associada com o meio muito ‘popular’ da sinfonia. Esta situação é inteiramente consistente com a escuridão, pungência e violentas erupções de protestos angustiados que caracterizam ambos os movimentos da Sinfonia “Inacabada”. Qualquer que seja a explicação, os dois movimentos concluídos complementam-se perfeitamente e, juntos, constituem uma das supremos obras-primas da história da música. Esta é outra obra que para mim traz uma grande recordação: no início dos anos 80, ainda criança, eu via meu pai chegar do trabalho toda sexta feira e colocar exatamente este LP para ouvir a oitava de Schubert, se deitava no tapete da sala ao lado da “Radio Vitrola Valvulada Telefunken” fechava os olhos e entrava numa espécie de transe. Acabava a música ele se levantava e ia tomar banho. Quem viveu aquela época sabe da grande recessão que o Brasil passava. Ele trabalhava numa grande montadora de veículos que tinha cerca de 30.000 funcionários e deveria reduzir o quadro à metade até o fim do ano. Depois mais calmo ele contava as histórias para minha mãe como esta: “… hoje vi vários amigos e pais de família chorando desesperados após serem mandados embora…”. Esta música acalmava o que chamamos hoje de stress (mas na época ele chegava era puto mesmo).

Acredito que a interpretação deste Beethoven do Stoki é bastante tradicional, mas o Schubert é muito tenso e dramático, espetacular, ambos gravados em setembro de 1969 no Walthamstow Assembly Hall, Londres, com a London Philharmonic Orchestra. Stokowski tinha 87 anos na época da gravação, idoso, mas com controle total dos seus movimentos, seus olhos e as mãos mágicas sem a batuta, transmitindo suas emoções para a orquestra. É interessante ver seu arranjo e sua técnica para criar o “Som Stokowski”. O desempenho destas sinfonias é impecável.

Deleitem-se amigos !

Beethoven – Sinfonia No. 5
1 – Allegro Con Brio
2 – Andante Con Moto
3 – Allegro
4 – Allegro

Schubert – Sinfonia No. 8 “Inacabada”
5 – Allegro Moderato
6 – Andante Con Moto

London Philharmonic Orchestra
Leopold Stokowski
Recorded: 9 and 10 September 1969
Recording Venue: Walthamstow Assembly Hall, London

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E ai Greta, bora para a praia ?

Ammiratore

A Quatro Mãos: Johannes Brahms (1833-1897) – Obras para dois pianos – Martha Argerich e Alexandre Rabinovitch

MI0000962114NOTA DE VASSILY: sem perceber, acabei fazendo uma postagem sobre um disco já postado – erro capital que, no talião PQPiano, significa punição compulsória de suspensão por ganchos e banho de piche, que, com agravantes (como, no meu caso, fazê-lo com um disco já postado pelo patrão PQP), acrescenta também a tortura, esta sim insuportável, de audições forçadas perpétuas de André Rieu. Na tentativa de evitar este fim horrível, redimo-me e remeto as senhoras e senhores para postagem original do patrão, cujo link eu reativei. Miserere mei, PQP!

Curioso duo: Argerich, que dispensa apresentações (e, se você acabou de chegar ao planeta e precisar delas, basta dizer que ela é, para muitos, a maior pianista viva), e Alexandre Rabinovitch-Barakovsky, pioneiro da composição minimalista, regente e, descobri só comprando a gravação, bom pianista.

Fazer um duo com Argerich não é para qualquer um, claro, e Rabinovitch dá conta do recado. Em minha insignificante opinião, entretanto, o trabalho de Argerich em duo é (se é que se pode dizer isso de uma artista tão sensacional) o ponto, assim digamos, menos forte em sua carreira. Não me entendam mal: sou tiete irremediável de Martha, só acho que sua força mercurial torna seu piano pouco miscível ao conjunto intrincado e coeso que é necessário à música para duo. Felizmente, não é o caso desta gravação – ainda que em sua capa, estranhamente, os músicos se deem as costas.

BRAHMS – HAYDN VARIATIONS – WALTZES – SONATA IN F MINOR
MARTHA ARGERICH – ALEXANDRE RABINOVITCH

Johannes BRAHMS (1833-1897)

Variações sobre um Tema de Joseph Haydn para dois pianos, Op. 56b
01 – Chorale St. Antoni: Andante
02 – Var. I: Andante con moto
03 – Var. II: Vivace
04 – Var. III: Con moto
05 – Var. IV: Andante
06 – Var. V: Poco presto
07 – Var. VI: Vivace
08 – Var. VII: Grazioso
09 – Var. VIII: Poco presto
10 – Finale: Andante

Sonata em Fá menor para dois pianos, Op. 34b
11 – Allegro non troppo
12 – Andante, un poco Adagio
13 – Scherzo: Allegro – Trio
14 – Finale: Poco sostenuto – Allegro non troppo

Cinco Valsas para dois pianos, Op. 39b
15 – No. 1 em Si maior: Tempo giusto
16 – No. 2 em Mi maior
17 – No. 3 em Si menor
18 – No. 4 em Sol sustenido menor
19 – No. 5 em Lá bemol maior

Martha Argerich e Alexandre Rabinovitch, pianos

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Trecho do documentário “Nelson Freire”, de João Moreira Salles, em que uma dengosa e quase ronronante Martha fala (em português!) de sua longa amizade e parceria com o pianista mineiro.

Vassily Genrikhovich

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach

“Six Concerts avec plusieurs instruments”

 

Como todas as atividades humanas, a vida de blogueiro, especialmente de blogueiro de música clássica, gera ansiedade e envolve riscos. Ah, mas se assim não fosse, que graça teria? Vocês não imaginam o que é escolher uma peça para a postagem, depois a gravação, o que dizer, o que não dizer na redação do texto? Cada uma destas etapas levanta enormes considerações, intranquilidades muitas. Será que a gravação já foi postada antes? Alguém já escreveu aquela frase que você só conseguiu alinhavar depois de muitas folhas de rascunho rabiscadas e várias xícaras de café? O que dirão da sua escolha, os venerandos pares, que ajudam a fazer singrar esta nossa nau musical? Provavelmente estarão tão atarefados com as suas próprias considerações e obrigações que não terão tempo de verificar as patuscadas dos outros. Mas vai que…

E vocês podem imaginar meus sobressaltos ao escolher obra tão icônica como este conjunto de concertos do nosso compositor mor. Mas, creiam, assim que ouvi o álbum pela primeira vez, decidi: vou postar! Este aqui é preciso dividir com nossos seguidores.

Bach, quando jovem…

Todos já devem saber da história, mas aqui vai a minha versão. Bach compilou este conjunto de seis (número mágico para as coleções de obras musicais) concertos e na primavera de 1721 os dedicou ao Margrave de Brandenburgo, com a clara intensão de conseguir uma posição na corte. Portanto, o conjunto foi compilado para exibir os seus talentos e sua inventividade. É incrível a variedade de instrumentos usados, a energia que cada uma destas peças demanda de seus intérpretes e contagia as plateias que tiverem a sorte de ouvi-los. A forte presença de instrumentos de sopros é uma clara preferência germânica. Como nos explica Karl Geiringer, nos concertos Nos 1, 3 e 6, a orquestra é composta de coros instrumentais uniformemente equilibrados que lançam os temas de uns para os outros em encantadora conversação, só ocasionalmente destacando um único instrumento saído do meio de todos eles. Estes concertos evocam as canzonas venezianas, com seus coros instrumentais contrastantes. Os outros três concertos, Nos. 2, 4 e 5, têm as cordas acompanhantes, os ripieni, defrontando-se com o concertino, consistindo de três ou quatro instrumentos solistas. São do tipo concerti grossi. Além disso, neste concertino há um instrumento protagonista e condutor, cuja parte é mais brilhante e tecnicamente mais exigente.

O cravo saiu do anonimato do baixo contínuo para revelar-se um maravilhoso instrumento solista no Concerto No. 5. No Concerto No. 2, uma flauta e um trompete roçam ombros ao lado do oboé e um violino como solistas. Fechando o cortejo, o Concerto No. 6 é só para cordas e um cravo. E cordas graves, duas violas, duas violas da gamba, acompanhadas de violoncelo, cravo e um ‘violone’.

Pois se o Margrave não contratou Bach, pior para ele. As partituras dos concertos acabaram tomando poeira nas prateleiras da biblioteca, foram vendidas por uma ninharia, mas chegaram até nós e perfazem uma das coleções de obras mais gravadas de que se tem notícia. Nem as ‘Quatro Estações’ são páreo para os ‘Brandenburgos’.

Rinaldo Alessandrini

Esta gravação, de que eu gostei tanto, não é unanimidade, mas foi bastante bem recebida pela crítica. Na minha opinião, conta a seu favor o fato de que cada ‘parte’ é tocada por apenas um instrumento, dando mais agilidade e transparência ao discurso musical. O tal andamento mais rápido, que é uma característica dos conjuntos italianos que adotam instrumentos e prática de época, é uma característica positiva para mim, mas pode causar franzir de testas e levantamento de sobrancelhas em outras fisionomias. Mas como diria o sábio e poeta, toda unanimidade é unânime.

Enfim, tenho certeza que esta gravação não o deixará indiferente e poderá ganhar espaço junto daquelas outras que você já considera como as suas preferidas. Pode até ser que ela já esteja lá…

De brinde, no primeiro disco há uma faixa com uma Sinfonia da Cantata 174, que é uma outra versão do Concerto No. 3, acrescentado de três oboés e duas trompas. No segundo disco, há uma faixa intitulada ‘Cadenza’ que é a versão original da cadência do Concerto No. 5.

Ao fazer a compilação dos concertos, Bach escreveu uma versão estendida da cadência, passando de 17 para 65 barras, que deu muito mais drama e virtuosismo ao concerto.

Concerto Italiano

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concertos de Brandenburgo

CD1

Concerto No. 1 em fá maior, BWV 1046

  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro
  4. Menuet

Concerto No. 2 em fá maior, BWV 1047

  1. […]
  2. Andante
  3. Allegro assai

Concerto No. 3 em sol maior, BWV 1048

  1. […]
  2. Adagio – Allegro

Cantata ‘Ich liebe den Höchsten von ganzen Gemüte’, BWV 174

  1. Sinfonia

CD2

Concerto No. 4 em sol maior, BWV 1049

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Presto

Concerto No. 5 em ré maior, BWV 1050

  1. Allegro
  2. Affettuoso
  3. Allegro
  4. Cadenza

Concerto No. 6 em si bemol maior, BWV 1051

  1. […]
  2. Adagio ma non tanto
  3. Allegro

Concerto Italiano

Rinaldo Alessandrino

Observação: os nomes dos específicos solistas em cada concerto podem ser encontrados em documentos tipo pdf anexados aos downloads.

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FLAC | 543 MB

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MP3 | 320 KBPS | 253 MB

Mais uma frase do erudito Karl Geiringer: ‘Até mesmo o estudioso de Bach, que espera a máxima variedade da obra do mestre, deve ficar surpreendido com a abundância de cenas cambiantes nessas joias musicais’.

Baixe a versão que mais seja adequada ao seu uso, flac ou mp3, e aproveite esta maravilha de música!

René Denon

PS: Se você entendeu a ideia da capa do disco, por favor, divida conosco…

 

Felix Mendelssohn Bartholdy – Complete Symphonies – Cds 1 e 2 de 6 – Thomas Fey, Heidelberger Sinfoniker

Que tal uma overdose desse genial compositor chamado Mendelssohn? Creio que todos gostam dele, sejam suas sinfonias, seja sua obra de câmera, suas obras para piano, enfim, em todas as áreas em que atuou. Mesmo morrendo tão jovem, ele deixou sua marca.

Mas aqui vamos nos fixar em sua obra sinfônica. E estamos em boas mãos. Thomas Fey é um maestro alemão, já quase chegando aos sessenta anos de idade,  e tem total e pleno controle da ótima Orquestra de Heidelberg. Serão seis cds ao todo, muito bem gravados e produzidos. O Selo Hänsller Classics sempre é garantia de qualidade.

Ah, antes que esqueça, claro que não teremos aqui apenas as grandes sinfonias, como a Quarta, intitulada ‘Italiana’, ou a Quinta, também conhecida como ‘Reforma’, que o compositor criou para as comemorações dos 300 anos da implantação da Reforma Luterana, por Martin Luther. Thomas Fey também gravou as treze belissímas Sinfonias para Cordas, obra de juventude, mas que demonstram tremenda maturidade artística do adolescente Felix.

Mas vamos ao que viemos.

CD 1

1. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 11, MWV N13_ I. Allegro di molto
2. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 11, MWV N13_ II. Andante
3. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 11, MWV N13_ III. Minuetto & Trio. Allegro molto
4. Symphony No. 1 in C Minor, Op. 11, MWV N13_ IV. Allegro con fuoco
5. String Symphony No. 8 in D Major, MWV N8 (Version for Orchestra)_ I. Adagio e grave – Allegro
6. String Symphony No. 8 in D Major, MWV N8 (Version for Orchestra)_ II. Adagio
7. String Symphony No. 8 in D Major, MWV N8 (Version for Orchestra)_ III. Menuetto. Allegro molto – Trio. Presto
8. String Symphony No. 8 in D Major, MWV N8 (Version for Orchestra)_ IV. Allegro molto
9. String Symphony No. 13 in C Minor, MWV N14

CD 2

1. String Symphony No. 7 in D Minor, MWV N7_ I. Allegro
2. String Symphony No. 7 in D Minor, MWV N7_ II. Andante
3. String Symphony No. 7 in D Minor, MWV N7_ III. Menuetto
4. String Symphony No. 7 in D Minor, MWV N7_ IV. Allegro molto
5. String Symphony No. 12 in G Minor, MWV N12 _Fuga__ I. Fuga. Grave – Allegro
6. String Symphony No. 12 in G Minor, MWV N12 _Fuga__ II. Andante
7. String Symphony No. 12 in G Minor, MWV N12 _Fuga__ III. Allegro molto
8. Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 _Italian__ I. Allegro vivace
9. Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 _Italian__ II. Andante con moto
10. Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 _Italian__ III. Con moto moderato
11. Symphony No. 4 in A Major, Op. 90, MWV N16 _Italian__ IV. Saltarello. Presto

Heidelberger Sinfoniker
Thomas Fey – Conductor

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A Quatro Mãos: Piano Brasileiro a Quatro Mãos – Duo Kaplan-Parente (Série Discos Marcus Pereira)

capaA intensa atividade do duo pianístico formado por José Alberto Kaplan e Gerardo Parente – ex-professores da Universidade Federal da Paraíba – também gerou este álbum lançado pelo precioso selo Discos Marcus Pereira. O repertório, bastante incomum, é aparentemente uma gota do imenso e inexplorado repertório brasileiro para quatro mãos. Aos que me cobram novas postagens do Discos Marcus Pereira, e em particular àqueles que me fizeram pedidos específicos, prometo para breve novos .:interlúdios:. com blocos de quatro ou cinco discos. Só lhes peço paciência, e que guardem os tomates, pois subi ao servidor muito mais coisas do que o tempo que tenho me permite postar. Fazemos o PQP Bach por puro amor, nas poucas horas livres, e sem nada ganharmos por isso – e, de quebra, ainda levamos algumas pedradas.

Sim, isso dói. E, sim, aceitamos abraços carinhosos ali na caixa de comentários.

PIANO BRASILEIRO A QUATRO MÃOS – DUO KAPLAN-PARENTE

Francisco Paulo MIGNONE 
01 – Lundu

José Alberto KAPLAN
02 – Duas Modinhas: Azulão (sobre canção de Jayme Ovalle) e Casinha Pequenina (tradicional)

Octavio MAUL
03 – Duas Miniaturas: Cirandinha e Polka Antiga

Aylton ESCOBAR
04 – Seresta opus um

Osvaldo LACERDA
05 – Brasiliana no. 4

Aloysio de ALENCAR PINTO
06 – Sarau de Sinhá: Schottisch – Polca – Romance – Contradança – Valsa – Noturno – Capricho – Lundu – Recitativo – Galope

Duo Kaplan-Parente
José Roberto Kaplan e Gerardo Parente, piano

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Duo Kaplan-Parente, aqui disposto como Parente-Kaplan.
Duo Kaplan-Parente (ou, aqui, Parente-Kaplan)

Vassily Genrikhovich

 

J. S. Bach, Balbastre, F. Couperin, Daquin, Fischer, Händel, Rameau, D. Scarlatti: The Harmonious Blacksmith – Trevor Pinnock, cravo

J. S. Bach, Balbastre, F. Couperin, Daquin, Fischer, Händel, Rameau, D. Scarlatti: The Harmonious Blacksmith – Trevor Pinnock, cravo

Favourite Harpsichord Pieces

PERIGO!

Música altamente contagiante

Lidar com muito cuidado!

 

Este álbum deveria ser distribuído na saída das escolas, nas salas de espera de consultórios, nas filas para elevadores, nas travessias de barcas e ferryboats. Isto é pura propaganda!

Por favor, faça uma corrente, distribua esta postagem para mais dez pessoas e você alcançará a graça de ouvir música por muito, muito tempo!

Havia o cassette do álbum!

The Harmonious Blacksmith – Favourite Harpsichord Pieces são título e subtítulo do álbum. O Ferreiro Harmonioso é o nome da peça que inicia o disco e consiste de tema e cinco variações, o último movimento da Suite No. 5, em mi maior, HWV 430, que de tão bonito ganhou carreira solo. Outra peça favorita de quem quer que a ouça é Les baricades mistérieuses, de François Couperin. Com um nome assim misterioso e uma melodia que gruda na gente para toda a vida, é um hit das paradas de sucesso de música barroca desde que foi composta.

E o Concerto Italiano? Bach gostava tanto dos concertos de Vivaldi que fez um só para tocar para as pessoas que o iam visitar. Ele dizia: Ah, o roter Priester, ele é assim…. E aí, tocava o Concerto Italiano.

Foca na Música!

O som do disco? Bem, como eu diria? Ressonante! Um amigo me disse que este disco foi gravado em algum banheiro. Mas, quem liga para isto? Foca na música! A música é tão boa de se ouvir.

Tem as duas contrastantes sonatinhas de Scarlatti, com seu ares de Espanha. Tem a Le coucou (cuco!), do Daquin, e também La Suzanne, do Balbastre. E mais umas outras peças marcantes do repertório para cravo.

Trevor Pinnock estudou cravo no London’s Royal College of Music e lhe disseram que ele nunca ganharia a vida tocando instrumento tão arcano. Ele queimou a predição quase de saída, tornando-se o cravista da veneranda Academy of St. Martin-in-the-Fields. Em 1972 criou The English Concert, e começaram a se apresentar em festivais onde encontraram um big shot da Archiv Produktion. Tiveram que ralar com o cara por uns quatro anos antes do primeiro contrato de gravação. Depois, só sucesso. Pinnock continuou como regente do grupo por uns trinta anos.

Pelas entrevistas que andei lendo e pelas gravações que continuam a aparecer, podemos deduzir que Pinnock é um excelente músico e parece ótimo sujeito. Dividindo seu tempo como regente e solista, Pinnock continua bastante ativo. Sua segunda gravação das Partitas para Cravo de Bach é excelente, assim como um disco intitulado Journey, que reúne música para cravo cobrindo um longo período. Ele está a caminho de realizar um de seus grandes desejos, gravando os dois livros do Cravo Bem Temperado, antes de chegar aos 80 anos. Como ele diz, é uma questão de força de vontade: acordar cedo, praticar os Prelúdios e Fugas e depois brincar com o neto.

Georg Frideric Handel (1685 – 1759)

  1. Aria e variações “The Harmonious Blacksmith”

Johann Caspar Fischer (1656 – 1746)

  1. Passacaglia da Suíte “Urania”, para cravo, em ré menor

François Couperin (1668 – 1733)

  1. Les baricades mistérieuses

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

  1. Concerto Italiano, BWV 971

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

  1. Gavotte (com 6 Doubles), em lá menor

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata para cravo em mi maior, K. 380
  2. Sonata para cravo em mi maior, K. 381

Joseph-Hector Fiocco (1703 – 1741)

  1. Adagio em sol maior, Da Suíte No. 1, Op. 1

Louis-Claude Daquin (1694 – 1772)

  1. Le coucou

Claude-Béninge Balbastre (1724 – 1799)

  1. La Suzanne

Trevor Pinnock, cravo

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Trevor, de bem com a vida!

Aproveite, baixe, desfrute e divulgue!

René Denon

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Il Progetto Vivaldi 3 – Sol Gabetta, Andres Gabetta, Capella Gabetta

Demorou, mas finalmente estou concluindo esta saga da Sol Gabetta tocando Vivaldi. Peço desculpas, a vida da gente é sempre uma correria, e eu tinha certeza de que tinha concluido esse ‘Il Progetto Vivaldi’.
Sempre acompanhada do irmão Andres e do pequeno conjunto de câmara que montou para este projeto, a ‘Capella Gabetta’, Sol Gabetta continua a nos brindar com todo o seu talento e versatilidade, sem temer se expor. Vale conferir.
Final de ano chegando, e nossa, como esse ano passou rápido, tanta coisa aconteceu, e sei lá o que ainda vem pela frente. A vida da gente é um nada no mundo, é uma gota, um lamento,  citando o saudoso Gonzaguinha. Felizmente temos a música para nos animar, e nos levar adiante.
Ah, peço a sua atenção para ler o booklet, pois Gabetta não toca apenas Vivaldi aqui. Temos alguns outros compositores contemporâneos do veneziano, porém não tão conhecidos, como o incrível Giovanni Benedetto Platti, que conheci há pouco tempo, e que me agradou bastante.

Antonio Vivaldi
01. Concerto for Violoncello and Orchestra in A Minor, RV 422 I. Allegro
02. Concerto for Violoncello and Orchestra in A Minor, RV 422 II. Largo
03. Concerto for Violoncello and Orchestra in A Minor, RV 422 III. Allegro

Giovanni Benedetto Platti (1697-1763)
04. Concerto for Violoncello and Orchestra in C major, WD 646 I. Allegro
05. Concerto for Violoncello and Orchestra in C major, WD 646 II.
06. Concerto for Violoncello and Orchestra in C major, WD 646 III. Presto

Antonio Vivaldi (1678-1741)
07. Concerto for 2 Mandolins and Orchestra in G major, RV 532 (adapted for Violin, Violoncello and Orchestra) I. Allegro
08. Concerto for 2 Mandolins and Orchestra in G major, RV 532 (adapted for Violin, Violoncello and Orchestra) II. Andante
09. Concerto for 2 Mandolins and Orchestra in G major, RV 532 (adapted for Violin, Violoncello and Orchestra) III. Allegro

Andrea Zani (1696-1757)
10. Concerto for Violoncello and Orchestra in A minor, WD 789 I. Allegro
11. Concerto for Violoncello and Orchestra in A minor, WD 789 II. Larghetto
12. Concerto for Violoncello and Orchestra in A minor, WD 789 III. Allegro

Antonio Vivaldi (1678-1741)
13. Concerto for Violoncello and Orchestra in F major, RV 411 I. Allegro
14. Concerto for Violoncello and Orchestra in F major, RV 411 II. Largo
15. Concerto for Violoncello and Orchestra in F major, RV 411 III. Allegro molto

Giovanni Benedetto Platti (1697-1763)
16. Concerto for Violoncello and Orchestra in C minor, WD 669 I. Adagio e staccato. Allegro
17. Concerto for Violoncello and Orchestra in C minor, WD 669 II. Largo
18. Concerto for Violoncello and Orchestra in C minor, WD 669 III. Presto

Antonio Vivaldi (1678-1741)
19. Concerto for Violoncello and Orchestra in D major, RV 404 I. Allegro
20. Concerto for Violoncello and Orchestra in D major, RV 404 II. Adagio affetuoso
21. Concerto for Violoncello and Orchestra in D major, RV 404 III. Allegro vivace

Fortunato Chelleri (1687-1757)
22. Concerto for Violoncello and Orchestra in G major I. Adagio staccato. Tempo giusto
23. Concerto for Violoncello and Orchestra in G major II. Andante e spuntato
24. Concerto for Violoncello and Orchestra in G major III. Allegro

Sol Gabetta – Cello
Cappela Gabetta
Andres Gabetta – Violin, Konzertmeister

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A Quatro Mãos: Reimagine – Anderson & Roe Piano Duo

71nqPbHmeIL._SX355_Fred Astaire e Ginger Rogers transpostos da pista de dança para o teclado“.

Só este veredito acerca do trabalho do duo pianístico de Greg Anderson e Elizabeth Joy Roe já bastaria, cauteloso que sou acerca das sensibilidades da ala ultrarradical de nossos leitores-ouvintes, para colocar um sinal de .:interlúdio:. na frente do título. O duo Anderson & Roe, afinal, é jovem, bem-apessoado, bastante performático nos palcos, faz sucesso entre públicos que jamais sonhariam em escutar música para dois pianistas e, sacrilégio talvez maior ainda, usam amplamente a internet para granjearem sua fama.

Não coloquei qualquer ressalva .:interlúdica:., incluí os jovens em meio a gravações de Argerich, Barenboim e Lupu, e já ouço, por isso, os tomates zunindo em minha direção. Apresso-me em alcançar-lhes o contraponto: estes dois egressos da Juilliard School são excelentes pianistas, ótimos arranjadores e, de quebra, ainda têm um sensacional trabalho de duo. Vê-los tocando (e convido os leitores-ouvintes a explorarem a cybersfera para tanto) é se embasbacar com a precisão com que esses jovens dividem um teclado, entrecruzando as mãos de maneiras que não parecem fisiologicamente plausíveis, e a clareza que mantêm linhas melódicas que mesmo grandes pianistas deixam nubladas. Talvez falte um tanto de “peso” a este CD, que, à exceção da boa interpretação para a “Sagração da Primavera” de Stravinsky, é um bonito balaio de gatos composto tão só de transcrições e paráfrases de curtas obras alheias. O duo lançou posteriormente álbuns mais coesos, entre os quais um primoroso “The Art of Bach” que, depois que eu sair da base da pilha de pedras, eu postarei para vocês se os bramidos nas caixas de comentários não forem tão ferozes.

ANDERSON & ROE – REIMAGINE

01 – “Danse Macabre (remix)”, sobre “Dança Macabra, Poema Sinfônico Op. 40 de Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

02 – “The Swan”, sobre “O Cisne” de “O Carnaval dos Animais”de Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

03 – “A New Account of the Blue Danube Waltzes”, baseado em “An die schönen blauen Donau”, Op. 314 de Johann STRAUSS, filho (1825-1899)

04 – “The Cat’s Fugue”, sobre o tema da Sonata em Sol menor, K. 40, “A Fuga do Gato”, de Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)

05 – Libertango, sobre obra de Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

06 – “The Cuckoo in Sussex”, sobre “Le Coucou” de Louis-Claude DAQUIN (1694-1772)

07 – “Erbarme dich”, sobre ária da “Paixão segundo Mateus” de Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

A Sagração da Primavera, para dois pianos
08 – Introduction to Part I
09 – The Augurs of Spring
10 – Ritual of Abduction
11 – Spring Rounds
12 – Ritual of the Two Rival Tribes
13 – Procession of the Oldest
14 – The Kiss of the Earth
15 – The Dancing Out of the Earth
16 – Introduction to Part II
17 – Mystic Circle of the Young Girls
18 – Glorification of the Chosen One
19 – Evocation of the Ancestors
20 – Ritual Actions of the Ancestors
21 – Sacrificial Dance

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)
22 – Danse Macabre, Op. 40 (arranjo de Anderson & Roe)

Greg Anderson e Elizabeth Joy Roe, pianos e arranjos

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Eu disse que eles eram performáticos!
Eu disse que eles eram performáticos!

 

Vassily Genrikhovich

Jan Dismas Zelenka (1679 -1745): Peças Orquestrais

Jan Dismas Zelenka (1679 -1745): Peças Orquestrais

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Camerata Bern e um belo grupo de solistas apresentam um retrato vibrante de Zelenka. A peças são tocadas com compreensão e estilo, apesar do uso de refinamentos instrumentais e modos interpretativos de nosso próprio tempo. Um grande CD! Para comprovar, você pode começar ouvindo pela faixa 5 do CD.

Da Wiki: Jan Dismas Zelenka nasceu em 16 de outubro de 1679 em Louňovice pod Blaníkem, um pequeno povoado ao sudoeste de Praga, na Boêmia (atual República Checa). Ainda não se conhece muito a respeito de sua infância e juventude. Provavelmente foi seu pai, professor e organista desta cidade, quem o introduziu no mundo da música. Pensa-se que pode ter recebido uma educação musical em um colégio jesuíta de Praga, chamado Clementinum.

Em 1709 foi contrabaixista da capela do Conde J. L. von Hartig em Praga em em 1710 da Capela Real Saxônica de Dresden. De 1715 a 1719 estudou com Johann Joseph Fux em Viena e com Antonio Lotti e Alessandro Scarlatti na Itália. Em 1719 fixou residência definitiva em Dresden, onde foi nomeado em 1721 vice-mestre de capela na corte de Augusto II da Polônia, convertendo-se em auxiliar do compositor Johann David Heinichen. Em 1729 recebe o cargo de diretor de música da igreja. Permaneceu nesta cidade até sua morte, em 1745. Jamais casou-se e nem teve filhos.

Jan Dismas Zelenka (1679 -1745): Peças Orquestrais

1 Ouverture a 7 concertanti In F Major : 1. (Grave – Allegro – Grave) 8:24

2 Sinfonia a 8 concertanti In A Minor : 1. (Allegro) 08:19
3 Sinfonia a 8 concertanti In A Minor : 2. Andante 03:22
4 Sinfonia a 8 concertanti In A Minor : 3. Cappricio: Tempo di Gavotta 02:44
5 Sinfonia a 8 concertanti In A Minor : 4. Aria di Capriccio: Andante – Allegro – Andante – Allegro 06:20
6 Sinfonia a 8 concertanti In A Minor : 5. Minuetto I-II-I 03:15

7 Hipocondrie a 7 concertanti In A Major : (Adagio) – Allegro – Lentement 09:47

8 Concerto a 8 concertanti in G major : 1. (Allegro) 06:15
9 Concerto a 8 concertanti in G major : 2. Largo cantabile 03:47
10 Concerto a 8 concertanti in G major : 3. Allegro 06:28

11 Capriccio II in G major : 1. (Allegro) – Aria – Canarie 03:24
12 Capriccio II in G major : 2. Canarie 04:14
13 Capriccio II in G major : 3. Gavotte 01:34
14 Capriccio II in G major : 4. Rondeau 00:49
15 Capriccio II in G major : 5. Minuetto – Trio – Minuetto 03:09

Camerata Bern
Alexander van Wijnkoop

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Zelenka não poderia ganhar a vida como modelo.

PQP

Fréderic Chopin (1810-1846) – Mazurkas – Nikita Magaloff

As sutilezas do ritmo da mazurca e do rubato tão essencial a Chopin tornam sua leitura difícil para muitos pianistas, apesar de não serem obras carregadas de notas ou com passagens hiper-rápidas. O aspecto melancólico está presente com frequência, mascarado pelo ritmo da dança.

Aí estão as Mazurkas, divinamente interpretadas por esse grande pianista russo que estudou em Paris com Isidor Philipp. Espero que apreciem.

CD 1

1 – 4 – Mazurkas op. 6
5 – 9 – Mazurkas op. 7
10 – 13 – Mazurkas op. 17
14 – 17 – Mazurkas op. 24
18 – 21 – Mazurkas op. 30
22 – 25 – Mazurkas op. 33
26 – 29 – Mazurkas op. 41

CD 2

1 – 3 – Mazurkas op 50
4 – 6 – Mazurkas op. 56
7 – 9 – Mazurkas op. 59
10 – 12 – Mazurkas op. 63
13 – 17 – Mazurkas op. 67
18 – 20 – Mazurkas op. 68
21. Mazurka in A minor (Notre temps no.2)
22. Mazurka in A minor (à son ami Emile Gaillard, 1840)
23. Mazurka in G major
24. Mazurka in B flat major
25. Mazurka in D major
26. Mazurka in B flat (1832)
27. Mazurka in C major
28. Mazurka in A flat major

Nikita Magaloff – Piano

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FDP / Pleyel (links revalidados)

O Mestre Esquecido, capítulo VI (Beethoven – Sonatas Op. 53 “Waldstein” e Op. 109 – Antonio Guedes Barbosa)


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PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 17/10/2015

Emergimos brevemente da latrina do Hades para saudá-los – olá, tudo bem, como vão? – e para publicar a contribuição de nosso leitor Raymond Pratt, que gentilmente nos alcançou uma ripagem em melhores condições que a nossa e, mais ainda, a disponibilizou em arquivos .flac, sem perdas.
Thank you once again, Mr. Pratt, for your priceless contribution!
E para o Hades voltamos. Mandarei postais!

Vassily [18/3/2016]

Nosso patrão PQP costuma usar a sensacional Sonata “Waldstein” como um “termômetro” para as interpretações das demais sonatas de Beethoven. Se um pianista convence na “Waldstein”, diz ele, convencerá nas demais sonatas.

Faz todo sentido, se levarmos em conta o brilho e expressividade dessa obra que nunca enfada, assim como as medonhas dificuldades técnicas que ela impõe ao solista. A interpretação de Barbosa é reminiscente daquela de Horowitz, de quem era amigo e fã incondicional. Já a Sonata Op. 109, escrita como que na “ressaca” na colossal “Hammerklavier”, com aquele início tão peculiar que nos dá a impressão de já estarmos no meio do movimento, é tão boa que nos faz lamentar que nosso Mestre Esquecido não tenha vivido o bastante para aventurar-se nas outras sonatas tardias do Ludovico.

Sobre a conversão de LP para Mp3, cabe uma breve nota: Barbosa preferiu executar attacca (sem pausas significativas entre um movimento e outro) não só os dois últimos movimentos da “Waldstein”, como também os dois primeiros do Op. 109. Em respeito a sua escolha, os movimentos tocados “attacca” foram postos juntos na mesma faixa.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano no. 21 em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”

01 – Allegro con brio

02 – Introduzione: Adagio molto – Rondo: Allegretto moderato – Prestissimo

Sonata para piano no. 30 em Mi maior, Op. 109

03 – Vivace ma non troppo. Adagio espressivo – Prestissimo

04 – Gesangvoll, mit innigster Empfindung. Andante molto cantabile ed espressivo.

Antonio Guedes Barbosa, piano
(LP do selo Connoisseur Society, nunca lançado no Brasil)

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Além das gravações desta série que tão orgulhosamente lhes alcançamos, Barbosa já aparecera por aqui interpretando "Rios", de Almeida Prado, que lhe foi dedicada. Para acessar a postagem original do colega Itadakimasu, clique na imagem.
Além das gravações desta série que tão orgulhosamente lhes alcançamos, Barbosa já aparecera por aqui interpretando “Rios”, de Almeida Prado, que lhe foi dedicada. Para acessar a postagem original do colega Itadakimasu (sem as Bachianas Brasileiras no. 4, pois Villa-Lobos é proibido por aqui), clique na imagem.

Vassily Genrikhovich [revalidado em 15/1/2021]

.: interlúdio :. William Parker`s In Order to Survive: Shapeshifter

.: interlúdio :. William Parker`s In Order to Survive: Shapeshifter

Eu gostei muito deste disco. É um free jazz cheio de eufonia e belos timbres. Música boa para se caminhar com ela nos fones pelas ruas.  William Parker já apareceu em mais de 150 álbuns e já foi descrito pelo Village Voice de Nova York como “o baixista mais consistentemente brilhante de todos os tempos”. Ele trabalhou com Cecil Taylor, fez parte de vários combos, escreveu 6 livros e incentiva jovens artistas. Este CD é uma gravação ao vivo de 2 grupos de composições, o primeiro set é o conjunto Eternal is The Voice of Love, que consiste em 5 faixas e o segundo set é de 6 faixas, incluindo o dolorosamente belo ‘Newark’ escrito para Grachan Moncur III. Todas as faixas são composições de Parker e a essência de cada uma é diferente, demonstrando sua facilidade de transição de uma mensagem musical para outra. Neste álbum duplo, William Parker, juntamente com Rob Brown no sax alto, Cooper-Moore no piano e Hamid Drake na bateria com vocais adicionais, em duas faixas, de Dave Sewelson, fazem música interessante e vibrante. In Order To Survive é um dos grandes grupos de jazz dos últimos 25 anos e foi o primeiro pequeno grupo de Parker, formado em 1993. Os bateristas mudaram, mas o sax, a bateria e o piano tiveram a longa associação que é evidente nessas gravações.

In order to survive, you’ve gotta keep hope alive!

William Parker: In Order to Survive / Shapeshifter

Eternal is the Voice of Love
i.Entrance To The Tone World
ii. Color Against Autumn Sky
iii. If there is a chance
iv. A Situation
v. Birth Of The Sunset

vi. Demons lining the Hall of Justice
vii. Drum and Bass Interlude
viii. Newark ( For Grachan Moncur)
ix. In Order to Survive
x. Eternity

Personnel:
William Parker: bass, compositions
Rob Brown: alto saxophone
Cooper-Moore: piano
Hamid Drake: drums

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William Parker

PQP

Cláudio Santoro (1919-1989): Sinfonia n.º 6 (1958). Radamés Gnattali (1906-1988): Sinfonia Popular n.º 1 (1956)

Cláudio Santoro (1919-1989): Sinfonia n.º 6 (1958). Radamés Gnattali (1906-1988): Sinfonia Popular n.º 1 (1956)

100 anos atrás, no dia 23/11/1919, nascia em Manaus o compositor e maestro Claudio Santoro!

Em homenagem, subo novamente esta excelente performance da OSB, na época em que tinha músicos do quilate da flautista Odette Ernest Dias (ainda em atividade!), do fagotista Noel Devos (1929-2018) e recebia maestros convidados como o próprio Santoro. As madeiras são um destaque nessas duas sinfonias brasileiras. As notas da contracapa do disco, porém, não são do mesmo nível da orquestra: falam que a sinfonia de Santoro tem movimentos “que se tornam sucessivamente acelerados”, quando na verdade a ordem é a mais tradicional possível: I allegro, II lento, III allegro com humor, IV allegro serioso. Santoro e Gnattali seguem essa ordem bastante comum mas os temas e orquestrações não têm nada de comum. Fiquem com a postagem original do Ranulfus, em que ele descreve duas das melhores sinfonias brasileiras. Achei uma nova digitalização, com menos chiados do LP, recomendo que baixem as duas e façam suas comparações!

Faz poucos dias (27/07) postei uma digitalização feita em casa do Concerto para dois violões, oboé e cordas de Radamés Gnattali, e aí resolvi aproveitar o embalo e digitalizar a obra de mais peso que tenho desse compositor: a Sinfonia Popular, de 1956.

Por umas conversas com o CVL fiquei com a impressão de que ele compôs toda uma série de peças sob esse nome, mas no disco esta aparece sem número, então suspeito que seja a primeira. [Depois da postagem, o leitor Vinícius confirmou e deu a data de composição das demais: 1969 (2ª e 3ª – me parece interessante que bem no ano de lançamento deste disco!), 1974-75 (4ª) e 1983 (5ª). Valeu, Vinícius!]

A edição é do antológico selo Festa, que se empenhou em documentar a produção brasileira de concerto dos anos 50 e 60. Foi lançado em 1969, infelizmente ainda em mono – o que reduz drasticamente a percepção das vozes internas da massa sonora. A execução é da Sinfônica Brasileira (OSB) sobre regência do Cláudio Santoro, autor da sinfonia do outro lado.

Nascido em Porto Alegre, Radamés Gnattali (‘nhátali’) viveu principalmente no Rio, onde suscedeu Pixinguinha como arranjador da orquestra da gravadora Victor. Vocês vão reparar: o espírito do rádio brasileiro em meados do século 20 deve demais à sonoridade da orquestração de Gnattali.

Não vou me aprofundar em análises, só quero dizer que gosto muito dos seus trechos em contraponto (fugatos), que mostram que sabia mais que manejar massas espetaculosas para levantar cantores. E que me parece notável o seu movimento lento (Estensivo con fantasia), inteiramente baseado no pregão baiano “Olhe a flor da noite”. Até estranho que não tenha virado um standard.

Se o gaúcho Gnattali foi o mais popular e midiático dos nossos sinfonistas, talvez o amazonense Cláudio Santoro tenha sido o mais erudito e tecnicamente refinado dos nossos compositores. Sei que o CVL lhe tem fortes ressalvas, mas ainda não tive chance de aprofundar a conversa.

Talvez tenha a ver com o fato de Santoro ser vários compositores em um: nos anos 40 adotou a técnica dodecafônica, cujos resultados na maior parte – confesso – ainda hoje me parecem duros de ouvir e não sei se um dia serão menos. Mas, comunista militante, a partir de 1948 opta pelos caminhos do “realismo socialista”, voltando porém aos caminhos experimentais nos anos 60 e 70. Foi nosso compositor de sinfonias mais prolífico, sendo a primeira de 1940 e a décima-quarta de 1989, seu último ano de vida.

A Sexta Sinfonia, regida aqui pelo autor, é de 1958 e usa material temático caracteristicamente brasileiro – porém de modo muito menos óbvio e infinitamente mais complexo que o de Gnattali (não estou dizendo que melhor… nem pior!). Além disso, em vários momentos me recorda Shostakóvitch – não sei se vocês vão concordar.

Como já respondi a um leitor no outro post, fora esta sinfonia tenho pouquíssima coisa de Santoro, sobretudo peças curtas, em discos que já planejava digitalizar e postar ao longo dos próximos um ou dois semestres – mas para quem quiser ver outras coisas, e logo, há um volume considerável de obras suas no blog Música Brasileira de Concerto (agora linkado também na coluna ao lado) .

Radamés Gnattali: Sinfonia Popular [n.º 1] (1956)
01 Allegro moderato 6:07
02 Estensivo con fantasia 6:44
03 Con spirito 5:11
04 Allegro 6:03

Cláudio Santoro: Sinfonia n.º 6 (1958)
05 Allegro grazioso e vivo 4:27
06 Andante molto 5:29
07 Allegro vivo 2:40
08 Allegro deciso – final 6:10

Orquestra Sinfônica Brasileira regida por Cláudio Santoro

BAIXE AQUI VERSÃO 1 – download here
Digitalizado por Prosper Alpanus, som com menos chiados do vinil

BAIXE AQUI VERSÃO 2 – download here
Gravação em vinil (mono): Festa, 1969
Digitalizado por Ranulfus em jul.2010, com mais chiados mas talvez com menos perda de qualidade sonora

Maestro Radamés
Maestro Santoro

Ranulfus

John Williams (1932): Across the Stars – Anne-Sophie Mutter

John Williams (1932): Across the Stars – Anne-Sophie Mutter

Este excelente álbum que ora compartilho com os amigos do PQPBach, Across the Stars, é o resultado da colaboração de duas divindades musicais, a violinista Anne-Sophie Mutter (1963) e o compositor John Williams (1932). A origem exata desta colaboração não é clara, mas a gênese do projeto começou despretensiosamente quando Mutter foi apresentada a Williams pelo o maestro Andre Previn (1929 – 2019). Uma semente foi plantada e o que originalmente não passaria de alguns arranjos, no entanto, floresceu. Os ótimos frutos estão neste espetacular CD e o que temos é um conjunto de pequenas peças de concerto para violino e orquestra solo, são arranjos da música cinematográfica de Williams reescritos sob medida para o violino da talentosa Anne-Sophie. O álbum é apaixonadamente construído e divertido de ouvir. São peças ótimas que mostram tanto Williams quanto Mutter no seu melhor. A The Recording Arts Orchestra of Los Angeles também está no seu melhor, acompanhando equilibradamente a incrível Anne-Sophie. A faixa “Luke and Leia” é emocionante. Outro tema bem legal é o “ Hedwig’s Theme ”dos filmes da franquia de Harry Potter, John e Mutter descrevem a música como “Harry Potter se encontra com Paginini”. O que dizer da Lista de Schindler? Mutter está simplesmente maravilhosa e a vontade com seu querido Stradivarius !!!

Se fecharmos os olhos, desligando a percepção de que são temas de cinema, as peças formam um adorável “concertino”.

A sinergia entre os dois podem ser lidas na página da Mutter e transcrevi algumas frases: “Existe apenas um John Williams”, disse Anne-Sophie Mutter. “O que ele escreve é extraordinário. Toda vez que vou a um de seus filmes e há violino ou violoncelo, eu penso que gostaria de tocar estas músicas! E agora tenho suas maravilhosas transcrições de todos esses temas icônicos.” John Williams escreve que Mutter “não é alguém a quem você diz não” e acrescenta : “Trabalhar com Anne-Sophie nesta gravação foi pura inspiração. Ela trouxe uma grande vibração a esses temas que todos os fãs de cinema conhecem, a sua interpretação tem sido uma grande alegria para mim como compositor.”

Vale a pena entrar no site da Anne-Sophie Mutter e ver as entrevistas CLIQUE AQUI

Um CD agradável de ouvir !

Across the Stars
1. Rey’s Theme – from STAR WARS: THE FORCE AWAKENS
2. Yoda’s Theme – from STAR WARS: THE EMPIRE STRIKES BACK
3. Hedwig’s Theme – from HARRY POTTER AND THE PHILOSOPHER’S STONE
4. Across the Stars (Love Theme) – from STAR WARS: ATTACK OF THE CLONES
5. Donnybrook Fair – from FAR AND AWAY
6. Sayuri’s Theme – from MEMOIRS OF A GEISHA
7. Night Journeys – from DRACULA
8. Theme – from SABRINA
9. The Duel – from THE ADVENTURES OF TINTIN: THE SECRET OF THE UNICORN
10. Luke and Leia – from STAR WARS: RETURN OF THE JEDI
11. Nice to Be Around – from CINDERELLA LIBERTY
12. Theme – from SCHINDLER’S LIST

Anne-Sophie Mutter, violino
The Recording Arts Orchestra of Los Angeles
John Williams

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Turminha talentosa fazendo pose na sala de ensaios do PQP

Ammiratore

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia nº 6, ‘Pastoral’ – Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra

Vamos de Sinfonia ‘Pastoral’ hoje. Sei que é a sinfonia favorita de muita gente. Essa gravação aí foi remasterizada, e apesar de ter sido realizada lá no início da década de 60, o registro de gravação é de ótima qualidade. Vale conhecer, apesar da capa meio esquisita.

O que alguns podem estranhar são algumas escolhas que o mítico e lendário maestro Bruno Walter fez. Já no final de sua vida, não creio que ele precisasse provar alguma coisa. Minha versão favorita desta obra é a de Karajan, também lá daquela mesma época. Mas Walter faz jus à fama, e nos entrega uma ‘Pastoral’ belíssima, talvez um pouco acelerada no segundo movimento (implicância minha mesmo, a escolha foi perfeita), mas tudo bem, o conjunto da obra beira a perfeição, coisa de gênio mesmo. Detalhe: Walter veio a falecer logo após essa gravação. Entre 1958 e 1961 ele gravou a integral das sinfonias de Beethoven com esta mesma orquestra. Quero trazer todas elas, aos poucos, para os senhores terem a oportunidade de conhecer um dos maiores maestros de todos os tempos.

Fico feliz de ter tido acesso a esse material, raríssimo até há alguns anos atrás.

01. I. Erwachen heiterer Empfindungen bei der Ankunft auf dem Lande. Allegro ma non troppo
02. II. Szene am Bach. Andante molto mosso
03. III. Lustiges Zusammensein der Landleute. Allegro
04. IV. Gewitter, Sturm. Allegro
05. V. Hirtengesang. Frohe und dankbare Gefühle nach dem Sturm. Allegretto

Columbia Symphony Orchestra
Bruno Walter – Conductor

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Switched-on Bach – 2000 – Wendy Carlos (1992)

frontConsiderando o grande número de downloads (ou deveria chamá-los “descargas”, “baixadas” ou “descarregamentos”?) da série “Switched-on Boxed Set” que divulgamos na semana passada, para desespero ainda maior dos que detestam sintetizadores, e também para o de alguns fãs do Moog primitivo, trazemos este álbum lançado por Wendy Carlos em comemoração ao Jubileu de Prata de seu estrondoso sucesso “Switched-on Bach”, dando uma nova roupagem ao repertório do clássico álbum de 1968: sintetizadores modernos, som digital e, mais ainda, temperamento desigual.

Aprecio muito o efeito que as sutis diferenças de afinação trazem para as engenhosas “orquestrações” de Carlos – que, aliás, continuam basicamente as mesmas, incluindo a bonita escolha dos timbres de madeiras para a célebre Ária da Suíte no. 3.

A crítica execrou o álbum, e os fãs do “Switched-on Bach” original também chiaram. Claro que estes têm o direito de estranhar, pois as paletas acessíveis a Carlos, que eram de escolha bem limitada em 1968, tinham expandido consideravelmente, e os timbres peculiares à gravação original estavam radicalmente modificados. Como artista e pesquisadora incansável que ela é, e sempre demonstrou ser, vejo méritos, coragem e desprendimento em sua empreitada de reler seu álbum clássico e abordar Bach sem as limitações técnicas do passado, para, assim, tentar atingir algo mais próximo do seu ideal artístico.

Este álbum foi-nos gentilmente cedido por um fiel leitor-ouvinte que escolheu identificar-se como Papai Noel e, assim, deixar seu retumbante ho-ho-ho a nós outros. Salve, Noel!

SWITCHED-ON BACH 2000 – WENDY CARLOS

Wendy CARLOS (1939)

01 – Happy 25th, S-OB

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

02 – “Wir danken dir, Gott, wir danken dir”, Cantata BWV 29 – Sinfonia

03 – Suíte no. 3 em Ré maior para orquestra, BWV 1068 – Aria

04 – Invenção a duas vozes no. 8 em Fá maior, BWV 779

05 – Invenção a duas vozes no. 14 em Si bemol maior, BWV 784

06 – Invenção a duas vozes no. 4 em Ré menor, BWV 775

07 – “Herz und Mund und Tat und Leben”, Cantata BWV 147 – Coral: “Jesus bleibet meine Freunde”

O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Mi bemol maior, BWV 852
08 – Prelúdio
09 – Fuga

O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó menor, BWV 847
10 – Prelúdio
11 – Fuga

12 – “Wachet auf, ruft uns die Stimme”, Prelúdio-Coral BWV 645

Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048

13 – Allegro
14 – Cadenza: Andante
15 – Allegro

FAIXA-BÔNUS:
16 – Toccata e Fuga em Ré menor, BWV 565

Wendy Carlos, sintetizadores e arranjos

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A incansável e inesgotável Wendy Carlos, em foto de 2014.
A incansável, inesgotável Wendy, em foto de 2014.

Vassily Genrikhovich

Switched-on Boxed Set (4 de 4): Switched-on Brandenburgs (1979) – Wendy Carlos

51ZRMWXNYBLCinco anos depois de “Switched-on Bach II”, Wendy Carlos concluiu sua tetralogia bachiana e completou a série dos Concertos de Brandenburg, gravando os de números 1, 2 e 6. Somados àqueles já lançados nos álbuns anteriores (e incluindo uma nova cadenza, mais sóbria, para o Concerto no. 3), o resultado foi o duplo “Switched-on Brandenburgs” em que, mais uma vez, impressionam a realização impecável e a clareza com que soam as partes na “orquestração” de Carlos. No entanto, aos ouvintes contemporâneos, e em especial aos fãs do “Switched-on Bach” original, os timbres do Moog já não soam tão invulgares. O veredito da filha de um leitor-ouvinte foi “música de videogame, papai” – o que só atesta as doses suprafisiológicas de música sintetizada, tanto boa quanto terrível, a que o cidadão médio é exposto desde cedo, e cotidianamente.

SWITCHED-ON  BOXED SET – SWITCHED-ON BRANDENBURGS (1979)

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046
01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Allegro
04 – Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II

Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047
05 – Allegro
06 – Andante
07 – Allegro assai

Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051
08 – Allegro
09 – Adagio ma non tanto
10 – Allegro

Wendy Carlos, sintetizador

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Carlos, Carlos & Carlos

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Paixão Segundo São Mateus, BWV 244 – Herreweghe

Nossa, já se passaram onze anos desde que fiz essa postagem … como o tempo passa rápido … estou repostando com novos links a pedidos de nosso mentor, PQP Bach, e quando ele pede, temos de nos apressar. Agradeço ao querido Vassily Genrikhovich por ainda ter estes arquivos em seu acervo em boa qualidade de conversão. 

Talvez por hoje ser domingo, talvez por ser véspera de mais um feriadão santo, talvez pelo fato de que o mano PQP esteja desesperado atrás desta gravação, além de outros comentaristas, enfim, não sei, talvez mesmo pelo fato de eu estar me sentido bem hoje, e a partir de amanhã começa uma nova fase em minha vida (pela primeira vez na vida encararei a sala de aula enquanto professor), ou seja, acabaram-se os finais de semana sem nada para se fazer a não ser descansar, sei lá, só sei que preciso terminar este enorme parágrafo dizendo que aí está a Paixão Segundo Mateus, na versão de Phillipe Herreweghe, Andreas Schöll, do Ian Bostridge entre outros.

Seguindo meio que os moldes que o mano PQP utilizou para postar a Missa, estarei postando algumas versões dessa obra absolutamente impactante, é impossível ficar indiferente à ela. Desde o coral inicial, “Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen”, passando pela mais bela ária já composta para contralto, “Erbarme dich”, neste caso interpretada pelo contra-tenor Andreas Schöll, em minha opinião, esta é a obra mais importante de meu pai.

Herreweghe tem uma interpretação mais intimista, com coral e orquestra reduzidos, ao contrário das versões arrasa-quarteirão de Jochum (minha favorita), Klemperer, ou Karajan, que se utilizam de uma grande massa orquestral e vocal.

Neste site vocês irão encontrar comentários, críticas, a letra da obra, sua tradução para vários idiomas, inclusive para o português.

Enfim, não consigo imaginar uma forma melhor de se passar um domingo.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Matthäeus-passion BWV 244 – Herreweghe

CD 1
01 – Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen
02 – Da Jesus diese Rede vollendet hatte
03 – Herzliebster Jesu, was hast du verbrochen
04 – Da versammleten sich die Hohenpriester
05 – Du lieber Heiland du
06 – Buss und Reu
07 – Da ging hin der Zwölfen einer
08 – Blute nur, du liebes Herz
09 – Aber am ersten Tage der süssen Brot
10 – Ich bin’s, ich sollte büssen
11 – Er antwortete und sprach;
12 – Wiewohl mein Herz in Tränen schwimmt
13 – Ich will dir mein Herze schenken
14 – Und da sie den Lobgesang gesprochen hatten
15 – Erkenne mich, mein Hüter
16 – Petrus aber antwortete
17 – Ich will hier bei dir stehen
18 – Da kam Jesus mit ihnen zu einem Hofe
19 – O Schmerz! hier zittert das gequälte Herz
20 – Ich will bei meinem Jesu wachen
21 – Und ging hin ein wenig
22 – Der Heiland fällt vor seinem Vater nieder
23 – Gerne will ich mich bequemen
24 – Und er kam zu seinen Jüngern
25 – Was mein Gott will, das g’scheh’ allzeit
26 – Und er kam und fand sie aber schlafend
27 – So ist mein Jesus nun gefangen
28 – Und siehe, einer aus denen
29 – O Mensch, bewein’ dein Sünde groß

CD 2

01 – Ach! nun ist mein Jesus hin
02 – Die aber Jesum gegriffen hatten
03 – Mir hat die Welt trüglich gericht’t
04 – Und wiewold viel falsche Zeugen herzutraten
05 – Mein Jesus schweigt zu falschen Lügen stille
06 – Geduld, Geduld!
07 – Und der Hohepriester antwortete
08 – Wer hat dich so geschlagen
09 – Petrus aber saß draußen im Palast
10 – Erbarme dich
11 – Bin ich gleich von dir gewichen
12 – Des Morgens aber hielten alle Hohenpriester
13 – Gebt mir meinen Jesum wieder
14 – Sie hielten aber einen Rat
15 – Befiehl du deine Wege
16 – Auf das Fest aber hatte der Landpfleger
17 – Wie wunderbarlich ist doch diese Strafe
18 – Der Landpfleger sagte
19 – Er hat uns allen wohlgetan
20 – Aus Liebe will mein Heiland sterben
21 – Sie schrieen aber noch mehr
22 – Erbarm es Gott
23 – Können Tränen meiner Wangen

CD 3

01 – Da nahmen Kriegsknechte
02 – O Haupt voll Blut und Wunden
03 – Und da sie ihn verspottet hatten
04 – Ja! freilich will in uns das Fleisch und Blut
05 – Komm, süßes Kreuz
06 – Und da sie an die Stätte kamen
07 – Ach, Golgatha, unsel’ges Golgatha
08 – Sehet Jesus hat die Hand
09 – Und von der sechsten Stunde
10 – Wenn ich einmal soll scheiden
11 – Und siehe da, der Vorhang im Tempel zerriß
12 – Am Abend da es kühle war
13 – Mache dich, mein Herze, rein
14 – Und Joseph nahm den Leib
15 – Nun ist der Herr zu Ruh gebracht
16 – Wir setzen uns mit Tränen nieder

Tenor[Evangelist]: Ian Bostridge
Bass [Jesus]: Franz-Josef Selig
Soprano [arias, Pilatus’ wife]: Sibylla Rubens
Alto: Andreas Scholl
Tenor: Werner Güra
Bass: Dietrich Henschel
Bass [Pilatus]: Dietrich Henschel
Baritone [Judas & Priest 1]: Frits Vanhulle
Bass [Petrus & Priest 2]: Dominik Wörner
Alto [Witness]: Andreas Scholl
Tenor [Witness]: Werner Güra
Sopranos [Maids]: Elisabeth Hermans & Susan Hamilton

Chœur et Orchestre de Collegium Vocale Gent / Schola Cantorum Cantate Domino
Phillipe Herreweghe – Director

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CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Switched-on Boxed Set (3 de 4): Switched-on Bach II (1974) – Wendy Carlos

R-216552-1308173871.jpegCinco anos depois de “The Well-Tempered Synthesizer”, Wendy Carlos voltou à carga com um álbum que pretendeu batizar com outros nomes, mas que os capi da Columbia decidiram chamar de “Switched-on Bach II”, para tentar surfar nas ondas ainda fortes do  fenômeno “Switched-On Bach”, lançado seis anos antes. A fórmula é bastante semelhante à do original: excertos célebres e obras curtas de J. S. Bach, e um dos Concertos de Brandenburg para arrematar o disco. O desenvolvimento tecnológico do sintetizador Moog é muito evidente na gravação, que soa claramente mais “moderna” que “Switched-on Bach”, e de tal maneira que Carlos tentou, com bastante sucesso, emular os sons dos instrumentos originais no Concerto de Brandenburg no. 5. Apesar da interpretação ser muito transparente e bonita, tirando de letra inclusive a difícil cadenza para cravo do primeiro movimento, ainda prefiro os timbres frescos e bizarros das gravações anteriores, que aqui aparecem mais proeminentemente nas duas Invenções a duas vozes, nas miniaturas do Pequeno Livro de Anna Magdalena e na Fuga em Sol menor.

SWITCHED-ON BOXED SET: SWITCHED-ON BACH II

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

01 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Badinerie
02 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Menuet
03 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Bourrée
04 – Invenção a duas vozes no. 13 em Lá menor, BWV 784
05 – Invenção a duas vozes no. 12 em Si bemol maior, BWV 783
06 – “Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd”, Cantata BWV 208 – Ária: “Schafe können sicher weiden” (“Sheep may safely graze”)
07 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Musette em Ré maior, BWV Anh. 126
08 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Minueto em Sol maior
09 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Bist du bei mir, BWV 508
10 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Marcha em Ré maior, BWV Anh. 122
11 – Pequena Fuga para órgão em Sol menor, BWV 578
12 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
13 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Affettuoso
14 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro

Wendy Carlos, sintetizador Moog

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“Moça, pra que serve aquele fiozinho?”

Vassily Genrikhovich

 

Switched-on Boxed Set (2 de 4): The Well-Tempered Synthesizer (1969) – Wendy Carlos

bach-portada 2O sucesso mastodôntico de “Switched-on Bach” trouxe não só os holofotes para a ademais mui discreta Wendy Carlos, como também a pressão dos executivos da Columbia para que produzisse (“cuspisse”, segundo ela própria) um novo álbum arrasa-quarteirões. A ideia dos tubarões fonográficos era, claro, um outro disco dedicado a Bach, mas a laboriosa e criativa Wendy tinha outros planos, que incorporavam os novos módulos desenvolvidos em colaboração com Robert Moog para o sintetizador – incluindo o recurso spectrum follower, que permitia incluir vocalizações, ouvidas na segunda seleção de Monteverdi e, posteriormente, nos trechos da Nona Sinfonia de Beethoven incluídos na trilha sonora de Carlos para “A Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick.

O resultado do trabalho de Moog, Wendy, e de sua produtora e co-intérprete Rachel Elkind foi “The Well-Tempered Synthesizer” (“O Sintetizador bem Temperado”), lançado em 1969, um ano depois de “Switched-on Bach”. Apesar de bem aceito por parte da crítica (pois os puristas, naturalmente, detestaram), as vendas não foram nem de longe semelhantes às do predecessor. Glenn Gould, que, como dissemos, virara tiete de Wendy, escreveu as notas que acompanharam o disco, em que taxativamente afirmava que “a realização de Carlos do Quarto Concerto de Brandenburgo, é, para colocá-lo com franqueza, a melhor interpretação de qualquer dos Brandenburgos – ao vivo, enlatada, ou intuída – que eu jamais ouvi”. Os pastiches também não paravam de brotar, lançando mão de todos os trocadilhos possíveis com “Switched-on”. Um deles foi lançado pela própria Columbia: “Switched-off Bach”, que incluía as mesmas seleções do célebre disco de 1968, executada com instrumentos convencionais.

Carlos levaria cinco anos para voltar a Bach, dedicando o ínterim a trabalhos autorais (“Sonic Seasonings”, somente com composições originais) e à realização da trilha sonora para “A Laranja Mecânica” de Kubrick, realizador cricri e perfeccionista de quem Wendy ainda musicaria “O Iluminado”, em 1980.

SWITCHED-ON  BOXED SET – THE WELL-TEMPERED SYNTHESIZER

Claudio Giovanni Antonio MONTEVERDI (1567-1643)
01 – Suíte da ópera “Orfeo”: toccata – ritornello I – coro I – ritornello II – coro II – ritornello II

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)
02 – Sonata em Sol maior, L. 209/K. 455
03 – Sonata em Ré maior, L. 164/K. 491

Georg Friedrich HÄNDEL (1685-1759)
Música Aquática, Suíte em Fá maior, HWV 348
04 – Bourrée
05 – Aria
06 – Allegro deciso

Giuseppe Domenico SCARLATTI
07 – Sonata em Mi maior, L. 430/K. 531
08 – Sonata em Ré maior, L. 465/K. 96

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049
09 – Allegro
10 – Andante
11 – Presto

Claudio Giovanni Antonio MONTEVERDI
12 – Vésperas (1610) – Domine ad adjuvandum

13 – Teste de alinhamento de estéreo

14 – Experimentos (em inglês, narração de Wendy Carlos)

Wendy Carlos, sintetizador Moog (em colaboração com Rachel Elkind)

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A produtora Rachel Elkind e Wendy Carlos (na época, ainda, legalmente chamada Walter Carlos)
A produtora Rachel Elkind e Wendy Carlos (na época, ainda, legalmente chamada Walter)

Vassily Genrikhovich

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): Stabat Mater / Nel chiuso centro / La conversione e morte di Sang Guglielmo duca d’Aquitania / Questo è il piano

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): Stabat Mater / Nel chiuso centro / La conversione e morte di Sang Guglielmo duca d’Aquitania / Questo è il piano

Um disco estranho, paradoxal. Após o Réquiem de Verdi e o Stabat Mater de Rossini, Antonio Pappano e sua Orquestra de Santa Cecília voltam mais no tempo, até o início do século XVIII. É uma jogada ousada: o maestro e a orquestra não estão associados à música barroca. Nem Anna Netrebko, estrela da Ópera de Kirov e agora vista em toda parte. Então, é de se pensar que esta performance remontaria aos registros incrivelmente pesados das gravações saídas da Itália nos anos 50, 60 e 70? Não, nem tanto. Liderada — e, de acordo com Pappano, treinada — por Alessandro Moccio, spalla da Orquestra dos Champs-Elysées de Philippe Herreweghe, a orquestra toca tudo com algum cuidado, deixando entrar boa quantidade de ar. Mas as cantoras não são nada barrocas e tentam resolver tudo no berro mesmo. Sim, ficou estranho.

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): Stabat Mater / Nel chiuso centro / La conversione e morte di Sang Guglielmo duca d’Aquitania / Questo è il piano

Nel chiuso centro
1 Nel chiuso centro
2 Euridice e dove
3 Si, che pietà non v’è
4 O d’Euridice n’andrò fastoso

Li prodigi della divina grazia nella conversione e morte di san Guglielmo d’Aquitania
5 Allegro assai e spiritoso
6 Andante
7 Allegro

Questo è il piano, questo è il rio Cantata for alto and strings
8 Questo è il piano
9 Oh, dolce tempo
10 Torna, torna a Cocito
11 Se nel dir son menzognero

Stabat Mater
12 Stabat mater
13 Cujus animam
14 O quam tristis
15 Quae moerebat
16 Quis est homo
17 Vidit suum
18 Eja mater
19 Fac ut ardeat
20 Sancta mater
21 Fac ut portem
22 Inflammatus
23 Quando corpus

Anna Netrebko
Marianna Pizzolato
Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia
Antonio Pappano

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As divas

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Brandenburg Concertos – Amsterdam Guitar Trio

Nem me lembro quando e como este curioso e belíssimo CD me chegou em mãos. Não faz muito tempo. Já o ouvi algumas vezes, e lhes garanto que vale a pena. É um tour de force, poderia dizer. O que estes dois rapazes e a moça fazem aqui beira a loucura. Pode ser que alguém não goste, tudo bem, não pretendo agradar a todos, apenas mostrar a universalidade da música de Bach, e claro, suas possibilidades. Talvez eu esteja passando por uma fase de simplificações na minha vida, para que complicar se podemos facilitar?
Já comentei em outras ocasiões que tive a pretensão de ser um violonista na minha juventude. Mas logo após casar, passei o violão adiante. Nem sei onde está. Já pensei em comprar outro, e me dedicar com maior carinho à causa. E quando ouço estes três elementos tocar imagino que posso, um dia, quem sabe, tocar um pequeno trecho de um Concerto de Brandenburgo no violão. Eles conseguiram, por que não eu?

P.S. Antes que perguntem, não sei dizer se eles gravaram os dois concertos que faltam aqui.

01. Concerto No 6 B-flat BWV 1051 1. Allegro moderato
02. Concerto No 6 B-flat BWV 1051 2. Adagio ma non tanto
03. Concerto No 6 B-flat BWV 1051 3. Allegro
04. Concerto No 3 in G BWV 1048 1. Allegro
05. Concerto No 3 in G BWV 1048 2. Adagio
06. Concerto No 3 in G BWV 1048 3. Allegro
07. Concerto No 5 in D BWV 1050 1. Allegro
08. Concerto No 5 in D BWV 1050 2. Affetuoso
09. Concerto No 5 in D BWV 1050 3. Allegro
10. Concerto No 2 in F BWV 1047 1. Allegro moderato
11. Concerto No 2 in F BWV 1047 2. Andante

12. Concerto No 2 in F BWV 1047 3. Allegro.

Amsterdam Guitar Trio:

Helenus de Rijke
Johann Dorrenstein
Olga Fransen
Tini Mathat – Harpsichord (Concerto nº5 )

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Switched-on Boxed Set (1 de 4): Switched-on Bach (1968) – Wendy Carlos

imagesSe não levei pedrada com todo Glenn Gould que postei mês passado, será agora que minha carcaça receberá, em uma só prestação, todo o monolito que merece sobre si: música de Bach, o Demiurgo da Música, tocada num sintetizador.

Não é qualquer sintetizador, claro, nem um intérprete qualquer: é o pioneiro Moog de Wendy Carlos, que tanto colaborou para seu desenvolvimento ao lado de seu inventor, Robert Moog, como deu-lhe um senhor cavalo de batalha na forma do estrondoso sucesso dessa gravação.

Ninguém na Columbia levava muito a sério o obstinado trabalho de Carlos, dotada de formação privilegiada para a empreitada: pianista e compositora, com diplomas em Música e Física e estudos sob Vladimir Ussachevsky, um dos pioneiros da música eletrônica. A natureza monofônica do sintetizador Moog tornava qualquer acorde frugal um exaustivo trabalho de overdubbing, e todos os crescendos e decrescendos eram frutos de meticulosa filtragem e ajustes. Ainda assim, Carlos e seus colaboradores fizeram questão de gravar Bach nota por nota, sem outros aditivos. A honrosa exceção foi o segundo movimento do Concerto de Brandenburg no. 3, para o qual Bach forneceu somente uma sucinta cadência de dois acordes, por talvez esperar que o cravista do contínuo improvisasse a sua própria, e na qual Carlos insere efeitos de “virtuosidade eletrônica” que não considerou apropriados às outras faixas do disco. Em 1979, ao relançar este Concerto como parte de “Switched-on Brandenburgs”, ela, arrependida do que considerou um excesso, incluiu uma outra cadenza, mais sóbria.

O sucesso do álbum, lançado com pouquíssimo alarde, foi tremendo, e “Switched-on Bach” tornou-se a primeira gravação de música clássica a chegar ao topo das paradas desde a triunfal estreia de Glenn Gould com as “Variações Goldberg” em 1955. Gould, aliás, virou tiete de Carlos, talvez porque o trabalho dela trouxesse não só a clareza e transparência na realização das partes polifônicas, que eram parte importante do ideal artístico do canadense, e também porque era o produto de exasperante atividade de estúdio, que Gould tinha como cenário ideal para fazer música, já que abandonara os palcos ainda nos anos 60.

Talvez os leitores-ouvintes tenham impressão diferente da minha, mas eu sou um eterno fascinado por esta gravação que não envelhece. Desde a cintilância da abertura com a Sinfonia da Cantata no. 29, passando por Invenções a Duas Vozes transparentes e pela célebre Ária da Suíte no. 3 com timbres de madeiras, e concluindo com um Concerto de Brandenburgo tão sui generis que se pode até suspeitar da fidelidade estrita ao original bachiano, este “Switched-on Bach” – relançado numa caprichada edição remasterizada e meticulosamente comentada por Carlos em áudio e no encarte – ainda soa sanguíneo e fresco como um dos mais importantes álbuns da história fonográfica.

SWITCHED-ON BOXED SET: SWITCHED-ON BACH

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

01 – “Wir danken dir, Gott, wir danken dir”, Cantata BWV 29 – Sinfonia

02 – Suíte no. 3 em Ré maior para orquestra, BWV 1068 – Aria

03 – Invenção a duas vozes no. 8 em Fá maior, BWV 779

04 – Invenção a duas vozes no. 14 em Si bemol maior, BWV 784

05 – Invenção a duas vozes no. 4 em Ré menor, BWV 775

06 – “Herz und Mund und Tat und Leben”, Cantata BWV 147 – Coral: “Jesus bleibet meine Freunde”

07 – O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Mi bemol maior, BWV 852

08 – O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó menor, BWV 847

09 – “Wachet auf, ruft uns die Stimme”, Prelúdio-Coral BWV 645

10 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Allegro

11 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Adagio [cadenza de 1968]

12 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Allegro

13 –  Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Adagio [cadenza de 1979]

14 – Experimentos iniciais (em inglês, narração de Wendy Carlos)

Wendy Carlos, sintetizador Moog (em colaboração com Rachel Elkind e Benjamin Folkman)

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A expectativa sobre "Switched-on Bach" era tão pequena que a Columbia aprovou uma capa que deixou Carlos indignada: um Bach rubicundo e caricato a ouvir, com expressão chocada ou indignada, algo com fones de ouvidos conectados à ENTRADA, e não à saída, de um sintetizador Moog. Com o LP rapidamente esgotado, Carlos conseguiu colocar nas novas tiragens uma capa diferente, com Bach em pé e olhar menos esdrúxulo.
A expectativa sobre “Switched-on Bach” era tão pequena que a Columbia aprovou uma capa que deixou Carlos possessa: um Bach rubicundo e caricato a ouvir, com expressão chocada ou indignada, algo com fones de ouvidos conectados à ENTRADA, e não à saída, de um sintetizador Moog. Com o LP rapidamente esgotado, Carlos conseguiu colocar nas novas tiragens uma capa diferente, com Bach em pé e olhar menos esdrúxulo.

Vassily Genrikhovich