Cecilia Bartoli – Arie Antiche (Peças Italianas do Século XVIII)

Os CDs de cantores não são um gênero muito apreciado neste blog, só que este é o terceiro ou quarto que publicamos de Cecilia Bartoli, a maravilhosa romana nascida em 1966 e que antes dos 20 anos já era uma celebridade cacarejante. Adoro Bartoli! Mais: adoro seu repertório sempre raro e surpreendente. Arie Antiche é uma gravação de 1992, quando Cecilia tinha 26 anos, e concordo com este post que transcrevo aqui:

Nascida em Roma, Cecilia Bartoli estudou canto no Conservatório de Santa Cecília, na capital italiana, enquanto, ao mesmo tempo, era ensinada e acompanhada pelos seus pais, Silvana Bazzoni e Angelo Bartoli, ambos cantores profissionais.

Particularmente famosa por sua voz de mezzo-soprano coloratura e suas interpretações de Rossini e Mozart, destaques da sua espetacular carreira incluem o papel de Rosina (Il Barbiere di Siviglia), o papel título de La Cenerentola, Zerlina (Don Giovanni), Despina e Dorabella (Così fan tutte), Cherubino (Le nozze di Figaro) e L’anima del filosofo, de Haydn.

Nesta trilha, entretanto, ela canta uma ária de seu disco de 1990, Arie Antiche, onde interpreta, como o nome diz, árias antigas dos séculos XVII e XVIII. Caro mio ben, de Giuseppe Giordani (1751-1798) é uma ária que encanta pela delicadeza de interpretação, mostrando que Cecilia Bartoli não sabe fazer só coloratura.

Sim, eu sou seu fã desvairado.

É, eu também.

Cecilia Bartoli – Arie Antiche: Se tu m’ami – Peças italianas do Século XVIII

1 L’honestà negli amori, opera Già il sole dal Gange
Composed by Alessandro Scarlatti

2 La donna ancora è fedele, opera (with intermezzo “Filandra e Selvino”) Son tutto duolo
Composed by Alessandro Scarlatti

3 La donna ancora è fedele, opera (with intermezzo “Filandra e Selvino”) Se Florindo è fedele
Composed by Alessandro Scarlatti

4 Il Pompeo, opera O cessate di piagarmi
Composed by Alessandro Scarlatti

5 Work(s) Aria: Spesso vibra per suo gioco
Composed by Alessandro Scarlatti

6 Caro Mio Ben for voice & piano (or orchestra)
Composed by Giuseppe Giordani

7 Arminio, opera Pur dicesti, o bocca bella
Composed by Antonio Lotti

8 Intorno all’idol mio (soprano aria from opera “Orontea”)
Composed by Antonio Cesti

9 La Molinara, opera Nel cor più non mi sento
Composed by Giovanni Paisiello

10 Nina, o sia La pazza per amore, opera Il mio ben quando ve
Composed by Giovanni Paisiello

11 O Leggiadri Occhi Belli
Composed by Anonymous

12 Il mio bel foco (Quella Fiamma che m’accende), for cantata for soprano, 2 violins, 2 oboes & continuo, SF. 142 (spurious)
Composed by Benedetto Marcello

13 Selve amiche
Composed by Antonio Caldara

14 La Costanza in amor, opera Sebben, crudele
Composed by Antonio Caldara

15 Tu ch’ hai le penne, amore, for voice & continuo
Composed by Giulio Caccini

16 Se tu m’ ami
Composed by Alessandro Parisotti

17 Zingari in Fiera, opera Act 1, Chi vuol la zingarella
Composed by Giovanni Paisiello

18 Le Nouve Musiche, 1602 for voice & continuo
Composed by Giulio Caccini

19 Delizie Contente
Composed by Pietro Francesco Cavalli

20 Ottone in Villa, opera in 3 acts, RV 729 Sposa son disprezzata, aria
Composed by Antonio Vivaldi

21 Vittoria, mio core (Amante sciolto d’amore), cantata for soprano & continuo
Composed by Giacomo Carissimi

Cecilia Bartoli, soprano ou mezzo-soprano de coloratura
György Fischer, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Christoph Willibald Gluck (1714 – 1787): Le Cinesi

Este é um Gluck bastante raro. As três cantoras, entre elas Anne Sofie von Otter, fazem papel de chinesas. O irmão de Lisinga volta da Europa e as meninas tratam de diverti-lo com árias de estilos contrastantes. Pouco sei sobre a obra, mas ela me agradou muito. É leve, tranquila e engraçada, porém como toda ópera, não prescinde da visualização. Gostaria de ver Anne Sofie como chinesa num DVD… É menos ópera e mais a “Ação Teatral” que algumas versões anunciam. Bom divertimento para uma noite que se anuncia como chuvosa. (Explico: Porto Alegre precisa urgentemente de chuva).

Gluck: Le Cinesi, action théâtrale en un acte

1 Sinfonia pour orchestre
2 E ben: stupide e mute… Recitativo (Lisinga-Sivene-Tangia-Silango)
3 Prenditi il figlio!… Aria (Lisinga)
4 Ah, non finir sì presto… Recitativo (Silango-Lisinga-Tangia-Sivene)
5 Son lungi e non mi brami… Aria (Silango)
6 Che vi par della scena?… Recitativo (Tangia-Silango-Lisinga-Sivene)
7 Non sperar, non lusingarti… Aria (Sivene)
8 Che amabilil pastoralla!… Recitativo (Silango-Lisinga-Sivene-Tangia)
9 Ad un riso, ad un’occhiata… Aria (Tangia)
10 Che ti sembra, Silango… Recitativo (Tangia-Silango-Lisinga-Sivene)
11 Voli il piede in lieti giri… Quartetto (Lisinga-Sivene-Silango-Tangia)libretto by Pietro Metastasio

first performed for the Royal family at
the Vienna Schlosshof on September 24, 1754

Isabelle Pouleard (Sibene)
Anne Sofie von Otter (Lisinga)
Gloria Banditelli (Tangia)
Guy De Mey (Silango)

Schola Cantorum Basiliensis
dir. René Jacobs

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

J.S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo com Pablo Casals

Meu amigo CVL me enviou esta gravação para que eu a postasse e comentasse. Não que eu vá fazer um grande comentário, mas, enfim, ele quis me dar esta honra! São os registros históricos que Pablo Casals (1876-1973) (em catalão Pau Casals) realizou com a Marlboro Festival Orchestra dos Concertos de Brandenburgo no ano de 1964.

Pablo Casals foi uma figura importantíssima do século passado. Violoncelista catalão e republicano, tornou-se o maior adversário de Franco fora da Espanha, recusando-se a voltar ao país antes do fim da ditadura franquista. Faleceu alguns anos antes do ditador. Era tanto uma figura pública — uma espécie de reserva moral viva, ilibada e talentosa da humanidade — quanto grande músico. Foi também o primeiro divulgador das Suítes para Violoncelo de Bach, num tempo em que estas eram consideradas apenas “obras de estudo”. Revelou-as ao mundo em gravações feitas entre os anos de 1936 e 1939. Meu pai as tinha em discos de 78 rotações, mas elas sumiram após sua morte. Lembro de ouvi-las no início dos anos 70, acompanhado de meu pai, que era a única pessoa na casa que conseguia fazer funcionar a geringonça do toca-discos. O som do cello, bastante amplificado, rivalizava com os chiados. Casals errava aqui e ali, o que tornava aquele registro quase ao vivo, interpretado em seu violoncelo veneziano de 1700 (algo fantástico na época), ainda mais emocionante (eu simplesmente amo gravações ao vivo, sem muita edição, sujas, e aquela era obviamente assim). No final de sua longa carreira, Casals passou a reger e é nesta condição que ele aparece aqui.

Apesar da orquestra inchada e do timbre inteiramente fora de moda nos dias de hoje, é um excelente registro. Casals não se dobra ao estilo romantizado de muitos de seus contemporâneos e faz uma abordagem decidida e estimulante. O som é muito bom e esta foi a versão crucial que ouvi lá pelos meus nove anos: estava dormindo em meu quarto quando alguém ligou bem alto a “eletrola” e a orquestra atacou o terceiro concerto. Aquilo me deixou de tal forma arrepiado, a emoção foi tão intensa que, de certa forma, ainda está presente em mim. Com um pouco de vontade de chorar, levantei rapidamente para descobrir que disco era “aquilo”.

Inteiramente sem querer, CVL me causou esta surpresa. Fui conferir no disco pesadão — mas já no formato LP — e era verdade. É a gravação de minha infância.

Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo

1. Brandenburg Concerto No.1 In F Major,BWV 1046: 1. (Allegro)
2. Brandenburg Concerto No.1 In F Major,BWV 1046: II. Adagio – III. Allegro
3. Brandenburg Concerto No.1 In F Major,BWV 1046: IV. Menutto -Trio I – Polacca – Trio II

4. Brandenburg Concerto No.2 In F Major, BWV 1047: I. (Allegro)
5. Brandenburg Concerto No.2 In F Major, BWV 1047: II. Andante
6. Brandenburg Concerto No.2 In F Major, BWV 1047: III. Allegro assai

7. Brandenburg Concerto No.3 In G Major, BWV 1048: I. (Allegro)
8. Brandenburg Concerto No.3 In G Major, BWV 1048: 1a. Adagio
9. Brandenburg Concerto No.3 In G Major, BWV 1048: II. Allegro

10. Concerto No. 4, BWV 1049/I. Allegro (Instrumental) Alexander Schneider;Marlboro Festival Orchestra;Pablo Casals 6:57
11. Concerto No. 4, BWV 1049/II. Andante (Instrumental) Alexander Schneider;Marlboro Festival Orchestra;Pablo Casals 3:21
12. Concerto No. 4, BWV 1049/III. Presto (Instrumental) Alexander Schneider;Marlboro Festival Orchestra;Pablo Casals 4:33

13. Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050/I. Allegro Rudolf Serkin 10:56
14. Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050/II. Affettuoso Rudolf Serkin 5:38
15. Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050/III. Allegro Rudolf Serkin 5:31

16. Concerto No. 6, BWV 1051/I. Allegro Pablo Casals;Peter Serkin 6:29
17. Concerto No. 6, BWV 1051/II. Adagio ma non tanto Pablo Casals;Peter Serkin 5:03
18. Concerto No. 6, BWV 1051/III. Allegro Pablo Casals;Peter Serkin 3:02

Donald MacCourt ,
Joyce Kelley,
Ornulf Gulbransen,
A. Robert Johnson,
Myron Bloom,
John Mack,
Joseph Turner,
Peter Christ,
Ronald Richards
Robert Nagel
Alexander Schneider [violin]
Barbara Wilson,
Julius Levine,
Joyce Kelley,
Bonnie Hampton
David Soyer
Hermann Busch
Ko Iwasaki
Madeline Foley
Mischa Schneider
Peter Schenkman
Robert Sylvester
Nancy Dalley
Ornulf Gulbransen
Peter Serkin
John Mack
Joseph Turner
Patricia Grignet
Rudolf Serkin

Pablo Casals (Conductor)
Marlboro Festival Orchestra (Orchestra)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Datas

Todo o início de ano há rituais a cumprir. Um deles: percorrer cronologias e biografias à procura de compositores com datas redondas que permitam homenageá-los. Celebram-se nascimentos. Relembram-se mortes. Uma breve pesquisa e logo se vai preenchendo uma relação, às vezes mínima, às vezes exagerada, de possíveis homenageáveis num ano que começa. Com eles se recheia o programa de concertos como se se recheasse empadas ou pastéis – alguns compositores serão o recheio principal, outros haverão de cumprir o papel da proverbial azeitona. Uns serão o gosto permanente da empada musical. Outros serão o sabor delicioso que logo se vai. Essa é a hora, então, de colocar em marcha o ritual. Sem muita procura, a música europeia logo nos entrega quatro candidatos: Henry Purcell e os seus 350 anos de nascimento, os 250 anos da morte de Händel, os 200 da morte de Haydn, os dois séculos que nos separam do nascimento de Mendelssohn.

Quarteto fantástico, esse! Seus integrantes estão prontos a atender as demandas dos programas das orquestras que hoje, à custa de repertórios cada vez mais petrificados na tradição, caminham na direção firme da obsolescência. Purcell, diz a BBC, marca o nascimento da música britânica – embora uns 300 anos antes tenha existido John Dunstaple e um pouco depois Thomas Tallis tenha feito a glória musical dos Tudors. A música de Händel recém foi ouvida, pois é ele o compositor do coro de aleluia que encerra a parte relativa ao nascimento de Cristo no seu oratório Messias e que por isso é cantado a plenos pulmões em dezembro por coros e comerciais de TV. Mendelssohn, já em pleno romantismo da primeira metade do século 19, foi compositor mediano mas com ocasionais lampejos de genialidade que o tornam bastante agradável, para ouvir sem esforço. Quanto a Haydn – bem, este é o caso clássico de compositor que possibilitou a existência musical de outros dois, neste caso Mozart e Beethoven, que a ele renderam homenagens mas que, ultrapassando-o, o jogaram num esquecimento que nem efemérides evitam.

Que importância têm esses compositores para nós, ao sul do Equador? Provavelmente nenhuma, embora vamos encontrá-los durante o ano todo num e noutro concerto ou recital. Talvez seja o caso de não procurar longe o que está perto: a nossa música brasileira, o que apresenta de compositores e suas datas redondas? Há, sim, o que assinalar. Há os 80 anos de Ernest Mahle, o compositor de Piracicaba que é uma espécie de Hindemith brasileiro, no seu neoclassicismo funcional e na sua música espraiada pelos mais diversos instrumentos. Há os 70 anos de Lindembergue Cardoso que, falecido em 1989, foi um dos fundadores do Grupo de Compositores da Bahia, essencial para a renovação da música brasileira de concerto dos anos 1960 e 1970. Há também os 70 anos de Ricardo Tacuchian, músico carioca que revitalizou a Academia Brasileira de Música e que compõe com mão segura. Deve haver ainda outros, mas esses a memória ainda não alcança.

Para lembrar há, antes de mais nada, os 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos. Lembro do dia em que morreu, embora àquela altura ainda não tivesse ouvido uma nota sequer da sua música. A trajetória de Villa-Lobos nestes 50 anos tem sido acidentada pois só os que têm muita coragem ainda desbravam a sua música, aqui e lá fora. Orquestras, então, nem se fala! Publicadas por editora francesa, as suas partituras ainda tem direitos autorais de preços elevados e nem sempre os orçamentos permitem aventuras fora do repertório de domínio público. Mais: como me dizia certa vez o musicólogo Régis Duprat, na música de Villa-Lobos todos tocam tudo ao mesmo tempo, o que requer paciência e competência, coisas que às vezes rareiam. Assim, Villa-Lobos tem sido menos ouvidos do que deveria e ainda é incerto o destino das suas Bachianas Brasileiras, dos seus Choros.

Se há um aniversário, no entanto, que a música brasileira deve comemorar sem ressalvas é o do amazonense Cláudio Santoro, que estaria comemorando os seus 90 anos, não tivesse falecido em 1989 em meio a crises musicais e institucionais. São duas datas redondas e aí está: Santoro é o compositor do ano. A sua trajetória ideológica é interessantíssima, foi central a sua posição na música em Brasília que viu o seu expurgo e acolheu o seu retorno. A música segue os mesmos caminhos do compositor. Iniciando como integrante ativo do Grupo Música Viva que nos anos 1930 trouxe o modernismo para a música brasileira, Santoro construiu uma obra que vai da miniatura à sinfonia, da música de câmara ao pioneirismo da música eletroacústica, do abstrato ao engajamento explícito. Tivesse a música de concerto uma posição menos periférica na cultura brasileira, este seria o momento de celebrar Santoro. Pois não há dúvida que o Brasil deve mais a ele do que a Purcell, Mendelssohn, Haydn ou Händel.

CELSO LOUREIRO CHAVES, músico.
Publicado em Zero Hora no dia de ontem.

PQP

.: interlúdio :. The Dowland Project: Romaria

Não é um CD de música erudita. Ou é. É música antiga, mas não há Dowland aqui, apesar de que nos dois CDs anteriores do The Dowland Project havia. Vou tentar explicar: são arranjos para tenor, saxes (muitos), violino e algo como o alaúde. Trata-se de uma coleção de canções muito bonitas, interpretadas com extrema sensibilidade, delicadeza e respeito. Não são arranjos comuns, daqueles que trazem um compositor antigo para uma linguagem atual ou para a linguagem dos músicos, até porque aqui não há de modo algum uma linguagem comum — ou seja, não é aquele horror habilidosinho francês ao estilo de Jacques Loussier –, são antes recriações de músicos muito diferentes entre si sobre compositoções antigas, buscando uma terceira expressão, através de um outro grupo de instrumentos e culturas. Talvez o The Dowland Project faça alguns puristas mais xiítas se morderem de ódio. Porém, ficarei autenticamente desconfiado de sua qualificação como ouvintes… Sério.

Este é mais um grupo que tem como participante o genial saxofonista e claronista inglês John Surman.

Encontrei um texto anônimo circulando na rede. Muito bom.

This is a disc of whispered conversations: among musicians, cultures and periods – past, present and future. Anonymous composers from the Franus Codex and the Carmina Burana manuscript break bread with Josquin and Lassus, while ancient instruments freely consort with modern.

With a revised line-up, John Potter’s Dowland Project expands its repertoire on its third album, freely exploring love songs, chants and motets from the 12th century to the present by Oswald von Wolkenstein, Orlando di Lasso, Josquin Desprez and others including the anonymous composers of the Carmina Burana manuscript. New to the Project is Miloš Valent, the vibrant violinist and violist from Slovakia who is equally at home in early music and in the gypsy and folk musics of eastern Europe. Like English reedman John Surman and American lutenist Stephen Stubbs he is also able to improvise beyond the traditions: these richly atmospheric pieces are reborn in the interaction of the players.

Imperdível!

The Dowland Project: Romaria ECM 1970 [CD]

1. Got schepfer aller dingen (‘Der Kanzler’) 4:34
2. Veris dulcis (Carmina Burana manuscript) 5:14
3. Pulcherrima rosa (Franus Codex) 5:31
4. Ora pro nobis (anonymous) 4:13
5. La lume (traditional Iberian) 4:22
6. Dulce solum (Carmina Burana manuscript) 6:53
7. Der oben swebt (Oswald von Wolkenstein) 4:59
8. O beata infantia (Gregorian) 3:35
9. O Rosa (traditional Iberian) 4:48
10. Saudade (Valent/Surman/Stubbs) 6:18
11. In flagellis (Josquin Desprez) 3:52
12. Kyrie Jesus autem transiens (Firminus Caron) 3:30
13. O beata infantia (Gregorian) 3:53
14. Credo Laudate dominum (Orlando di Lasso) 3:57
15. Ein gut Preambel (Hans Neusidler) 0:57
16. Sanctus Tu solus qui facis (Josquin Desprez) 4:30
17. Ein iberisch Postambel (Valent/Surman/Stubbs) 5:48

recorded January 2006, Propstei St. Gerold

John Potter, tenor voice;
John Surman, soprano saxophone, bass clarinet, tenor and bass recorders;
Milos Valent, violin, viola;
Stephen Stubbs, baroque guitar, vihuela

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Um dia, eu ou FDP mataremos alguém por pura inveja

A revista Pequena Morte — cujo editor é nosso frequente comentador Hugo Langone, que até já nos enviou arquivos para serem postados — e o “amigo” deste blog Milton Ribeiro realizaram uma entrevista com a divina Emma Kirkby. Fizeram-na (a entrevista, bem entendido) pelas costas, sem nos dar a oportunidade de participar deste FESTIM DIABÓLICO. Porém, como temos um enorme coração, um coração autenticamente bachiano, CONCEDEREMOS em divulgar a entrevista. Temos certeza de que as perguntas desses dois foram ABSOLUTAMENTE OBTUSAS E OCIOSAS, mas que não EMPANARAM o brilho da maravilhosa cantora. FDP Bach deve estar subindo pelas paredes, pois em certa oportunidade chegou a confessar em nosso blog que seus MAIS ALTOS e MAIS BAIXOS instintos manifestavam-se por Emma. A entrevista dos putos está BEM AQUI, Ó.

Uma grande morte para a dupla.

PQP

The Dmitri Shostakovich Edition (CDs 13, 14 e 15 de 27)

SÉRIE IM-PER-DÍ-VEL!!!

CD 13

Aqui, temos a continuidade dos quartetos de cordas em arranjo para orquestra. O primeiro quarteto pode ser desprezado, o segundo absolutamente NÃO e o terceiro idem, mas com menos veemência.

Chamber symphony Op. 49a “Eine kleine Symphonie” (Arrangement of String Quartet No. 1)
1. Moderato 4:22
2. Moderato 4:53
3. Allegro Molto 2:44
4. Allegro 3:31

Chamber symphony Op. 110a (Arrangement of String Quartet No. 8 )
5. Largo 4:45
6. Allegro molto 3:40
7. Allegretto 4:29
8. Largo 4:29
9. Largo 3:41

Chamber symphony Op. 118a (Arrangement of String Quartet No. 10)
10. Andante 5:16
11. Allegretto furioso 4:14
12. Adagio 7:01
13. Allegretto 10:00

Orchestra Sinfonica di Milano Giuseppe Verdi
Rudolf Barshai, conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 14

Em um famoso conto de Machado de Assis, Um Homem Célebre, havia um grande compositor de polcas, o Pestana, que queria fazer algo maior, grandioso, mas – que diabo! – só lhe saíam mais polcas. O que fazer? O personagem fazia o maior esforço, passava meses trancado em casa a fim de parir a grande obra, porém não produzia nada além de belas polcas, que logo se tornavam popularíssimas e eram assobiadas pelo povo nas ruas, para desespero do Pestana. Estas eram compostas copiosa e rapidamente. Acabou rico, infeliz e doente. Coitado.

Com Shostakovitch o caso é diferente. Compôs copiosamente obras-primas, tem obra profunda e numerosa, mas, um belo dia, resolveu escrever suítes para grupos de jazz. Vocês podem adivinhar o que aconteceu? Saíram apenas… polcas. Polcas e valsas. O timbre é o do jazz – não poderia ser diferente com aquela formação orquestral -, já a música são as polcas do personagem machadiano. Ah, vocês não acreditam? Então ouçam o CD abaixo. É um bom disco, há a espetacular Valsa 2 da Suíte Nro. 2, que foi utilizada por Stanley Kubrick na abertura de De Olhos bem Fechados, com um ritmo e um solo de sax que nos obriga a levantar e ensaiar uns passinhos pela sala, há várias polquinhas bem legais e há uma imitação marcial de Duke Ellington que dá para rolar de rir. É o “Grande Projeto Falhado” do imortal Shosta e, mesmo assim, é muito bom e divertido.

Suite For Variety Orchestra No.1 (Jazz Suite No.2)
1. March 3:04
2. Dance No.1 2:56
3. Dance No.2 3:39
4. Little Polka 2:33
5. Lyric Waltz 2:38
6. Waltz no.1 3:21
7. Waltz no.2 3:34
8. Finale 2:13

9. Overture On Rusian And Kirghiz Themes Op.115 9:19

Jazz suite No.1
10. Waltz 2:19
11. Polka 1:38
12. Foxtrot 3:47

13. Novorossijsk Chimes 2:32

14. Festive Overture Op.96 5:46

National Symphony Orchestra Of Ukraine,
Theodore Kuchar

BAIXE AQUI -DOWNLOAD HERE

CD 15

Para o meu gosto, o CD mais fraco de toda a coleção. O Límpido Regato tem momentos… engraçadinhos.

The Bolt, Ballet Suite Op. 27a
1. Overture 6:34
2. Polka 2:36
3. Variation 1:49
4. Tango 5:07
5. Intermezzo 3:50
6. Finale 3:23

The Limpid Stream, Ballet Suite Op. 39a
7. Waltz 2:23
8. Russian Lubok 2:30
9. Galop 1:57
10. Adagio 7:19
11. Pizzicato 1:12

The Golden Age, Ballet Suite Op. 22a
12. Overture 3:54
13. Adagio 8:40
14. Polka 2:08
15. Dance 2:10

National Symphony Orchestra of Ukraine,
Theodore Kuchar

BAIXE AQUI -DOWNLOAD HERE

Apoie os bons artistas, compre sua música!

PQP

.: interlúdio :. A baronesa que amou Thelonious Monk

Pelo grande pianista – e por amor ao jazz – a herdeira de uma nobre família britânica largou tudo. A história de Kathleen Annie Pannonica Rotschild, ou simplesmente Nica, está contada em um novo documentário dirigido por sua sobrinha-neta.

Ao descobrir que amava os músicos de jazz, Kathleen Annie Pannonica Rothschild, esposa do barão Jules de Koenigswarter, mudou sua vida – a sua e a deles também. A baro­nesa pagou seus aluguéis, resgatou seus instrumentos hipotecados em lojas, levou-os a shows em seu Bentley prata e convidou-os a morar em sua própria casa nos tempos mais difíceis.

Diante da desaprovação da sua família, ela apoiou de músicos proeminentes, como Sonny Rollins, Charles Mingus e Art Blakey, aos obscuros. Um deles, do qual ficou indissocia­vel­mente ligada, foi Thelonious Monk. Pannonica, ou Nica, se apaixonou pela música do sumo sacerdote do bebop em 1952, ao ouvir Round Midnight. Em 1954, quando ele tinha 34 anos, e ela, 40, iniciaram uma relação cuja essência desafia analistas – e que só terminou com a morte dele.

Pannonica, assim chamada em homenagem a uma borboleta rara, era a caçula do banquei­ro e entomologista Charles Roths­child. O homem, que sofria de depres­são, cometeu suicídio quando ela tinha 12 anos e estava prestes a embarcar numa adolescência que para uma Rothschild só poderia representar, como ela diz em The Jazz Baroness, documentário recém-lançado por sua sobrinha-neta, Hannah, “uma sala de espera para o casamento e a maternidade”.

Tudo, então, mudou: artista talentosa, aos 18 anos ela estudava arte em Munique. Aprendeu a voar e, aos 22, casou-se com Jules, um colega aviador. Eles moraram em um castelo no noroeste da França, onde tiveram os filhos Patrick e Janka. A II Guerra levou o barão para a África, depois de ele aderir ao exército de De Gaulle.

Nica foi com o marido. Depois da guerra, o barão virou diplomata, primeiro na Noruega, a seguir no México. Eles tiveram outros três filhos – Berit, Shaun e Kari – mas, relata Hannah Rothschild, “Nica não se adaptou à vida de mulher de embaixador”. Em 1952, o casal se separou. E a baronesa foi para Nova York.

Três anos mais tarde, o divórcio foi incitado depois que Charlie Par­ker morreu no seu apartamento, no Hotel Stanhope, na 5th Avenue. O grande trompetista estava em turnê quando começou a tossir sangue. Um médico sugeriu repouso – é quando a casa de Nica entra na história. Três dias depois, enquanto viam TV, Parker caiu de súbito e morreu. Os Rothschild não gostaram da repercussão do caso.

Jules ganhou a guarda dos três filhos mais novos. Nica não foi uma mãe negligente, mas suas prioridades estavam noutro lugar, geralmente com Monk. O genial compositor e pianista tinha uma esposa, a quem dedicou Crepuscule with Nellie. Com a baronesa, o casal formou uma espécie de ménage – cujo principal objetivo era o de sustentá-lo e transpor o que provavelmente hoje seria diagnosticado como transtorno bipolar. “Nellie precisava de Nica para ajudá-la a lidar com a instabilidade de Monk”, diz um entrevistado do filme.

O par se tornou conhecido em clubes de Nova York, mas o espetáculo de uma mulher branca com um homem negro na década de 1950 acabou por provocar incidentes. Um deles: Nica levava Monk e seu saxofonista, Charlie Rouse, a um show em Wilmington, Delaware, quando, durante uma breve parada, um policial vasculhou o carro e encontrou uma pequena quantidade de maconha. Sabendo que uma condenação para os músicos significaria a proibição de se apresentar em casas noturnas, Nica assumiu a culpa, passou a noite na cela e foi condenada a três anos de prisão – o que seria anulado posteriormente.

Cansada de ser convidada a se reti­rar de hotéis por gerentes que não gostavam do entra-e-sai de músicos, a baronesa comprou uma mansão em New Jersey. Lá, instalou o piano Steinway que comprara para Monk, junto com seus – mais de 300 – gatos. Ele e Nellie se mudaram para lá.

De saúde instável, o jazzista morreu em 1982, aos 64 anos. Seis anos mais tarde, Nica, então com 75, não sobreviveu a uma cirurgia. Sua generosidade, contudo, não morreu com ela. A casa, pertencente a seus herdeiros, tem sido ocupada por Barry Harris, outro pianista. Tempos depois, as cartas de Nica foram descobertas entre os papéis do pianista Mary Lou William, outro amigo próximo, junto com várias de suas requintadas pinturas abstratas. Fragmentos das cartas, lidos pela atriz Helen Mirren, são ouvidos no filme, incluindo o veredito sobre seu casamento: “Jules odiava jazz. Ele se acostumou a quebrar meus discos quando eu me atrasava para jantar. Eu geralmente estava atrasada para jantar.”

Quanto aos seus amigos músicos, Hannah os descreveu, no lançamento do longa, como “as mais dignas, humanas e articuladas pessoas que conheci em 20 anos fazendo documentários.” Não deixa de ser uma resposta para quem se pergunta por que razão a discografia do jazz pós-guerra é estudada com um nome exótico, em um catálogo de composições que inclui não apenas a Pannonica de Monk, mas Nica’s Dream, Nica Steps Out, Blues for Nica e uma dúzia de outras.

O documentário não tem previsão de lançamento no Brasil.

The Guardian – Publicado hoje em Zero Hora

C. P. E. Bach (1714-1788) – Sonatas para pianoforte com acompanhamento de violino e violoncelo (Five Piano Trios)

Adoro este CD do Trio 1790. Adotei a longa caracterização original de C.P.E., mas trata-se apenas daquilo que chamaríamos simplesmente de “Trios para piano”. E por que gosto tanto dele? Ora, A MÚSICA DE MEU IRMÃO É MUITO BOA e a SONORIDADE do Trio 1790 me é absolutamente SEDUTORA. Cada vez que coloco este CD da cpo no CD Player, ele fica ali por dias e dias, tantas são as vezes que o ouço. Quando o trio faz um tutti tenho vontade de voltar um pouquinho para reouvi-lo. Talvez um dia ME DÊ O DESEJO DE LAMBER O CD, mas ainda não foi necessário, principalmente porque há COISAS MAIS LAMBÍVEIS aqui em casa. Sou ESPECIALMENTE ADITO do pernicioso, estranho e viciante Arioso com nove variações, mas o restante também é bom e não causa dependência química, apenas timbrística.

Excelente CD.

C. P. E. Bach – Sonatas para pianoforte com acompanhamento de violino e violoncelo

1. Son Wq 90 No.3 in C: Allegro Di Molto
2. Son Wq 90 No.3 in C: Larghetto
3. Son Wq 90 No.3 in C: Allegretto

4. Son Wq 89 No.1 in B flat: Allegretto
5. Son Wq 89 No.1 in B flat: Larghetto
6. Son Wq 89 No.1 in B flat: Allegro

7. Son Wq 91 No.3 in F: Andante – Allegro Assai
8. Son Wq 91 No.3 in F: Adagio
9. Son Wq 91 No.3 in F: Allegretto

10. Son Wq 89 No.5 in e: Allegretto
11. Son Wq 89 No.5 in e: Larghetto
12. Son Wq 89 No.5 in e: Allegro

13. Son Wq 89 No.6 in D: Allegro
14. Son Wq 89 No.6 in D: Andantino
15. Son Wq 89 No.6 in D: Allegro

16. Son Wq 91 No.4 in C: Arioso With Nine Vars

Trio 1790
Harald Hoeren, pianoforte
Matthias Fischer, violino
Philipp Bosbach, violoncelo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Dica do Gustavo

Prezados,
Uma dica: uma rádio que toca somente músicas de Beethoven durante as 24 horas do dia. Creio que deve ser mantida pela American Beethoven Society, pois o locutor está sempre convidando os ouvintes a se tornarem sócios desta sociedade. O nome da rádio é All Beethoven Web Radio (da San Jose State University), neste link. Quando a página abrir procure em All-Beethoven web radio.

Ou então, usem o link direto:

24 horas do Mestre dos Mestres !
Abraço,
Gustavo

Nota de PQP: Mestre dos Mestres? Para lá! O número 2 dos Mestres, né, meu?

PQP

F. J. Haydn (1732-1809) – Concertos para Oboé, Trompete e Cravo

Sem dúvida, um disco muito bom. Haydn, considerado por alguns ignaros um “compositor menor”, foi um mestre da forma sinfônica — e comprovou tal fato 104 vezes –, o inventor do quarteto de cordas — só isso já bastaria para dar-lhe lugar de destaque na história da música –, o compositor de belas e estranhamente alegres missas e oratórios, foi professor de Mozart e Beethoven e… talvez o mais curioso em sua trajetória é que foi um sujeito feliz e bem normal. Só no fim de sua vida deixou de ser empregado. Foi demonstrar sua arte em Londres, onde compôs suas sinfonias finais, para pasmo e felicidade daquele país quase sem compositores. Será que pensou que poderia ter ficado rico se tivesse se aventurado antes pelo mundo? Pode até ter pensado, mas da forma sorridente e sem ressentimentos de sua arte.

Eu gosto muito de Haydn e este CD com seus concertos menos divulgados — pois os para violoncelo são, com justiça, os mais ouvidos — é inteiramente satisfatório.

(Lembro agora da única vez que vi Rostropovich tocar. Foi no Colón, em Buenos Aires. Fiquei lá em cima no meio da plebe a qual pertenço. Visualmente, só conheci direito sua careca lustrosa. Mas ouvi o som. Que som, meus amigos! E era o Concerto Nº 2 para violoncelo e orquestra de Haydn. Estou arrepiado só de lembrar. E morrerei sem esquecer).

Excelente CD!

Haydn – Concertos para Trompete, Oboé e Cravo

Concerto for Oboe and Orchestra in C major Hob VIIg-C1
1. 1. Allegro spiritoso – Paul Goodwin, Trevor Pinnock, The English Concert
2. 2. Andante – Paul Goodwin, Trevor Pinnock, The English Concert
3. 3. Rondo (allegretto) – Paul Goodwin, Trevor Pinnock, The English Concert

Concerto for Trumpet and Orchestra in E flat major Hob VIIe-1
4. 1. Allegro – Mark Bennett, The English Concert, Trevor Pinnock
5. 2. Andante – Mark Bennett, Trevor Pinnock, The English Concert
6. 3. Allegro – Mark Bennett, Trevor Pinnock, The English Concert

Concerto for Harpsichord and Orchestra in D major Hob XVIII-11
7. 1. Vivace – The English Concert, Trevor Pinnock
8. 2. Un poco adagio – The English Concert, Trevor Pinnock
9. 3. Rondo all’Ungherese – The English Concert, Trevor Pinnock

Paul Goodwin, oboe
Mark Bennett, trumpet
Trevor Pinnock, harpsichord

English Concert
dir. Trevor Pinnock

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

J. S. Bach (1685-1750): A Oferenda Musical, BWV 1079

Em primeiro lugar, digo a vocês que a Oferenda, as Variações Goldberg e a Missa em Si Menor são as obras de meu pai que mais aprecio. Tudo bem, há as outras mil e já estou me sentindo culpado pelos Brandenburgo, Suítes para Violoncelo, Violino, Cravo Bem Temperado, umas vinte Cantatas, a São Mateus e João… Enfim, a culpa que cale-se pois ainda assim deixo estas três escolhas um milímetro acima de todas as outras. Então é natural que eu babe cada vez que descubro um novo registro destas maravilhas.

Porém nosso informado visitante pergunta:

– But who the fuck is Ensemble Aurora?

Pois é, quando eu baixei este CD — do qual excepcionalmente não possuo o original –, fiz-me a mesma pergunta e fui ouvir a Oferenda com um pé atrás. Besteira, trata-se de uma gravação magnífica, tão magnífica que é melhor suportar algumas falhas (um irritante tsc, tsc, tsc que logo depois some) em alguns momentos da Trio Sonata. Se alguém reclamar desta falha, favor dirigir-se a nosso mal-humorado SAC, que hoje acaba de fazer mais uma vítima.

Com vocês, mais um absolutamente imperdível!

JOHANN SEBASTIAN BACH – MUSICALISCHES OPFER BWV 1079

1. Ricercar a 3 5’15
2. Canon perpetuus super Thema Regium 1’20

Canones diversi super Thema Regium
3. 1, a 2. cancrizans 1’14
4. 2, a 2. Violin in unissono 0’44
5. 3, a 2. per motum contrarium 1’00
6. 4, a 2. per Augmentationem, contrario Motu 1’36
7. 5, a 2. per Tonos 2’37
8. Fuga canonica in Epidiapente 2’14
9. Ricercar a 6 5’37

Quaerendo invenietis

10, Canon a 2 1’07
11, Canon a 4 2’58

Sonata Sopr’Il Sogetto Reale a Traversa, Violino e Continuo
12. 1, Largo 5’45
13. 2, Allegro 5’46
14. 3. Andante 3’06
15. 4. Allegro 3’00

16. Canon perpetuus 2’03

SONATA G-DUR für Violine und Basso continuo, BWV 1021

17. 1. Adagio 3’27
18. 2. Vivace 0’56
19. 3. Largo 2’09
20. 4. Presto 1’20

TRIO SONATE G-DUR für Flöte, Violino discordato und Basso continuo, BWV 1038

21. 1. Largo 3’07
22. 2. Vivace 0’56
23. 3. Adagio 1’52
24. 4. Presto 1’24

ENSEMBLE AURORA

maestro di concerto
ENRICO GATTI

ENRICO GATTI, violon Laurentius Storioni, Cremona 1789
MARCELLO GATTI, flute R. Tutz, Innsbruck 1991
d’apres G.A. Rottenburgh, Bruxelles ca. 1745
GAETANO NASILLO, violoncelle Barak Norman, Londres ca, 1710
GUIDO MORINI, clavecin Philippe Humeau, Barbaste 1993
d’apres Carl Conrad Fleischer, Hambourg 1720

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

G. F. Handel (1685-1759) – O Messias (McGegan)

Tradicionalmente, nossos leitores-ouvintes pediam o Messias, clamavam por ele, aguardavam por ele. Era muito chato ouvir tantas orações e pedidos. Tinha gente que se rasgava nos comentários, outros nos ameaçavam, outros prometiam atentados suicidas às casas dos autores do blog. Então, veio dos céus o primeiro Messias, um bem eficiente e digno. Depois, o segundo pousou na Terra para nosso gáudio; afinal, era o melhor de todos, o de Pinnock. E hoje, após bombas e mais bombas cairem nos céus de Gaza, chega-nos o mais fraquinho dos três, quase um foguetinho do Hamas, mas ainda assim aceitável. O erro desta gravação começa pelo contratenor — comparável à defesa do Vasco, ele bem que poderia ser utilizado como escudo humano palestino –, mas o resto é eficiente como um time de Celso Roth. Dá para ouvir, porém as outras versões que há no blog são superiores.

Handel – O Messias

Disc 1

1. Messiah: Sinfonia/Comfort ye/Every valley shall be exalted/And the glory of the Lord 11:32 Album Only
2. Messiah: Thus saith the Lord 1:17
3. Messiah: But who may abide the day of His coming 4:10
4. Messiah: And He shall purify the sons of Levi 2:20
5. Messiah: Behold, a virgin shall conceive/O thou that tellest good tidings to Zion/O thou that tellest… 5:36
6. Messiah: For behold, darkness shall cover the earth/The people that walked in darkness 5:07
7. Messiah: For unto us a child is born/Pifa (Pastoral Symphony)/There were shepherds abiding in the field 6:48
8. Messiah: And lo, the angel of the Lord came upon them 0:19
9. Messiah: And the angel said unto them/And suddenly there was with the angel/Glory to God 2:35
10. Messiah: Rejoice greatly, O daughter of Zion 4:16
11. Messiah: Then shall the eyes of the blind be opened 0:24
12. Messiah: He shall feed His flock 5:48
13. Messiah: His yoke is easy 2:18
14. Messiah: Thus saith the Lord: alternate version 1:32
15. Messiah: But who may abide the day of His coming: alternate version 3:01
16. Messiah: But who may abide the day of His coming: alternate version 4:23
17. Messiah: But who may abide the day of His coming [recitative]: alternate version 0:22
18. Messiah: But lo! the angel of the Lord came upon them: alternate version 1:42
19. Messiah: Rejoice greatly, O daughter of Zion: alternate version 5:32
20. Messiah: He shall feed His flock: alternate version 5:11

Disc 2

1. Messiah: Behold the lamb of God 2:48
2. Messiah: He was despised and rejected of men 10:06 Album Only
3. Messiah: Surely He hath borne our griefs…/And with His stripes…/All we like sheep have gone astray/All they that see Him…/He trusted in God/Thy rebuke hath broken His heart/Behold and see…/He 15:22 Album Only
4. Messiah: Lift up your heads/Unto which of the angels said He at any time/Let all the angels of God worship Him 4:16
5. Messiah: Thou art gone up on high 2:54
6. Messiah: The Lord gave the word 1:03
7. Messiah: How beautiful are the feet 2:12
8. Messiah: Their sound is gone out into all lands 1:20
9. Messiah: Why do the nations so furiously rage together 2:57
10. Messiah: Let us break their bonds asunder 1:43
11. Messiah: He that dwelleth in heaven/Thou shalt break them with a rod of iron 2:13
12. Messiah: Hallelujah! 3:33
13. Thou art gone up on high: alternate version 2:56
14. Messiah: Thou are gone up on high: alternate version 2:49
15. Messiah: How beautiful are the feet…/Their sound is gone out…: alternate version 5:11
16. Messiah: How beautiful are the feet…/Break forth into joy…: alternate version 3:34
17. Messiah: How beautiful are the feet…: alternate version 3:06
18. Messiah: Their sound is gone out: alternate version 1:07
19. Messiah: Why do the nations…: alternate version 1:25
20. Messiah: He that dwelleth…/Thou shalt break them… [recitative]: alternate version 0:21

Disc 3

1. Messiah: I know that my Redeemer liveth 6:38
2. Messiah: Since by man came death 1:41
3. Messiah: Behold, I tell you a mystery 0:30
4. Messiah: The trumpet shall sound 8:18
5. Messiah: Then shall be brought to pass 0:15
6. Messiah: O Death, where is thy sting? 1:44
7. Messiah: But thanks be to God 2:06
8. Messiah: If God be for us 4:22
9. Messiah: Worthy is the Lamb 3:00
10. Messiah: Amen 4:20
11. Messiah: O Death, where is thy sting? [recitative]: alternate version 0:27
12. Messiah: He was despised…: alternate version

Lorraine Hunt Lieberson, soprano
Janet Williams, soprano
Patricia Spence, mezzosoprano
Drew Minter, controtenor
William Parker, bass

U.C.Berkeley Chamber Chorus
dir. Jeffrey Thomas
Philharmonia Baroque Orchestra
dir. Nicholas McGegan

BAIXE AQUI A PARTE 1 – DOWNLOAD PART 1 HERE

BAIXE AQUI A PARTE 2 – DOWNLOAD PART 2 HERE

PQP

A ilusão da vitória na Faixa de Gaza

Observação: Este texto foi deixado pelo leitor-ouvinte Gustavo num comentário à versão do ELP para Quadros de uma Exposição. A princípio, achei que a notável Carta Aberta de Barenboim não tinha nada a ver com o blog, porém, a partir de uma reclamação do próprio Gustavo, fiz a reflexão óbvia: se a música erudita tem a ver com Baremboim e Barenboim tem a ver com a guerra, a publicação em post em nosso blog é pertinente. E é o que estou fazendo agora.

Por Daniel Barenboim, (publicado no THE GUARDIAN)

O regente e pianista Daniel Barenboim é judeu, cidadão israelense e cidadão de honra da Palestina.

Tenho apenas três desejos para o ano-novo. O primeiro é que o governo de Israel se conscientize, de uma vez por todas, que o conflito no Oriente Médio não pode ser resolvido por meios militares. O segundo é que o Hamas se conscientize que não defenderá seus interesses pela violência, e que Israel está aqui para ficar. O terceiro é que o mundo reconheça que esse conflito não é igual a nenhum outro em toda a história.

É um conflito intricado e sensível, um conflito humano entre dois povos profundamente convencidos de seu direito de viver no mesmo pedaço de terra. É por isso que não poderá ser resolvido nem pela diplomacia nem pelas armas.

Os acontecimentos dos últimos dias são extremamente preocupantes para mim por várias razões de caráter humano e político.

Embora seja óbvio que Israel tem o direito de se defender, que não pode e não deve tolerar os constantes ataques contra seus cidadãos, os bombardeios brutais sobre Gaza suscitam profundas indagações na minha mente.

MORTES

A primeira é se o governo de Israel tem o direito de considerar todo o povo palestino culpado pelas ações do Hamas. Será que toda a população de Gaza deve ser responsabilizada pelos pecados de uma organização terrorista?

Nós, o povo judeu, deveríamos saber e sentir mais profundamente do que qualquer outro povo que o assassinato de civis inocentes é desumano e inaceitável. Os militares israelenses argumentam, de maneira muito frágil, que a Faixa de Gaza é tão densamente povoada que é impossível evitar a morte de civis.

A debilidade desse argumento me leva a formular outras perguntas. Se as mortes de civis são inevitáveis, qual é a finalidade dos bombardeios? Qual é a lógica, se é que existe alguma, por trás da violência, e o que Israel espera conseguir por meio dela? Se o objetivo da operação é destruir o Hamas, a pergunta mais importante a ser feita é se esse objetivo é viável. Se não é, todo o ataque não só é cruel, bárbaro e repreensível, como também é insensato.

Por outro lado, se for realmente possível destruir o Hamas por meio de operações militares, que reação Israel espera que haja em Gaza depois que isso se concluir? Em Gaza vivem 1,5 milhão de palestinos, que seguramente não cairão de joelhos de repente para reverenciar o poderio do Exército israelense.

Não devemos esquecer que o Hamas, antes de ser eleito, foi encorajado por Israel como tática para enfraquecer o então líder palestino Yasser Arafat. A história recente de Israel me faz acreditar que, se o Hamas for eliminado por meio de bombardeios, outro grupo certamente tomará o seu lugar, um grupo que talvez seja mais radical e mais violento.

VINGANÇA

Israel não pode se permitir uma derrota militar porque teme desaparecer do mapa. No entanto, a história demonstrou que toda vitória militar sempre deixou Israel em uma posição política mais fraca do que a anterior por causa do surgimento de grupos radicais.

Não pretendo subestimar a dificuldade das decisões que o governo israelense precisa tomar a cada dia, nem subestimo a importância da segurança de Israel. Entretanto, continuo convencido de que o único plano viável para a segurança em Israel, no longo prazo, é obter a aceitação de todos os nossos vizinhos.

Desejo para o ano de 2009 a volta da famosa inteligência que foi sempre atribuída aos judeus. Desejo a volta da sabedoria do Rei Salomão para os estrategistas israelenses, a fim de que a usem para compreender que palestinos e israelenses gozam de idênticos direitos humanos.

A violência palestina atormenta os israelenses e não contribui para a causa palestina. A retaliação militar israelense é desumana, imoral e não garante a segurança de Israel. Como disse antes, os destinos dos dois povos estão inextricavelmente ligados e os obriga a viver lado a lado. Eles terão de decidir se querem que isso se torne uma bênção ou uma maldição.

J. S. Bach (1685-1750) – Oratório de Natal, BWV 248

Aproveitando que hoje é dia de Natal, publicamos a versão de Herreweghe do Oratório escrito por meu pai. Ah, vocês sabem tanto quanto eu: são seis cantatas bem legais, as primeiras mais legais que as últimas, apesar de que todas são muito boas. Aqui não há o elemento kitsch e mentiroso da festa comercial-religiosa, aqui é Natal mesmo, com a grandiosidade da história inventada e retocada pelos homens.

Elas impressionam pela coerência, riqueza musical e unidade. As seis Cantatas foram apresentadas pela primeira vez em 1734, em Leipzig, uma a uma em cada feriado que antecedia o Natal. A seguir, apresento um artigo de Ricardo de Mattos, retirado daqui, sobre o Oratório. Feliz Páscoa!

Johann Sebastian Bach – 1.685/1.750 – encerrou a composição do seu Oratório de Natal no mês de outubro de 1.734, ocorrendo sua primeira execução nas comemorações natalinas do mesmo ano. A evidente finalidade d’esta obra era celebrar o nascimento de Jesus Cristo, e esta homenagem ao facto máximo do cristianismo verifica-se no decorrer e alternância de 31 recitativos, catorze corais, dez árias, oito coros, dois ariosos, um quarteto, um terceto, um dueto e uma sinfonia.

Bach foi um homem de entranhada e madura religiosidade. Uma crença fervorosa e sincera transparece em suas obras sacras, e diante d’isso podemos calcular seu senso de responsabilidade ao compor um oratório pelo advento d’Aquele que tanto amou. O compositor era luterano, mas esta peça é tão bonita e possui nobreza tal que já comovia, e ainda comove, pessoas de credo diverso. Ao romper esta barreira, já mostra uma primeira face de sua excelência.

O texto-base do Oratório de Natal é formado por trechos dos Evangelhos segundo São Lucas e São Mateus, complementado com versos de Christian Friedrich Henrici, dito “Picander”. Este poeta é autor do texto de várias cantatas e da Paixão Segundo São Mateus. Muitas foram, contudo, as intervenções de Bach. Não há como acompanhar o Oratório sem ler o texto, e quem, como eu, não fala alemão, deve procurar uma versão acompanhada da tradução. Não é difícil ouvir a música em alemão, ler o trecho e sua tradução ao mesmo tempo.

Oratório e cantata, nos séculos XVII e XVIII, são géneros musicais a apresentar certa confusão, e a peça de Natal ora comentada pode trazer ainda mais dúvidas. O oratório irmana-se à ópera por descender dos mistérios medievais, dela diferindo apenas pela temática, pois inicialmente era acompanhado até de acção, cenário e costume. A cantata nada mais é além de uma peça profana para ser cantada e tem sua origem nos madrigais, ainda da Idade Média. Tínhamos então peças para serem cantadas – cantatas – e peças para serem tocadas – toccatas. Até aqui tudo simples e claro. Introduzindo na cantata o coro, levando-a para a igreja e no oratório substituindo-se a encenação pela narração – ficando esta a cargo do narrador ou historicus – confundiram-se os géneros. Talvez a única diferenciação restante seja a extensão, sendo maior a do oratório. Além disso, uma cantata pode ser religiosa ou profana – a Cantata do Café, do próprio Bach – mas um oratório será sempre religioso ou, no mínimo, de orientação religiosa, como As Estações, de Haydn. Este Oratório de Natal mostra bem a referida mistura, porém é um caso proposital. Na igreja de São Tomás, em Leipzig, para a qual foi composto, as celebrações natalinas estendiam-se por seis dias: 25, 26 e 27 de dezembro, primeiro e seis de janeiro e o primeiro domingo do ano. Assim, ou para não fraccionar uma peça única, ou para não repetir a mesma durante esses seis dias, Bach dividiu-o em seis partes, ou seis cantatas, reunidas de forma mais ou menos uniforme. Recebeu algumas críticas não só pela indefinição do género – nada tão indefinido assim, convenha-se – como pelo aproveitamento da música e texto de outras cantatas. O novo aproveitamento não era hábito exclusivo de Bach, mas a ocupação de alguns compositores levava a tal proceder. Vivaldi utilizou na ária Dell’aura al sussurrar o conhecido tema do allegro da Primavera.

O carácter geral do Oratório é glorificar, exaltar o espírito pelo nascimento do Messias, sendo assim oposto ao das Paixões, nas quais predominam a consternação e o drama. Com este objectivo de alegrar as almas, a primeira peça é um retumbante coro, ao qual os trompetes e tímpanos conferem um carácter de intrata:

Regozija-vos, cantai de alegria! Louvai estes dias!
Abandonai vossos temores, cessai vossos prantos,
Entoai hinos de regozijo e alegria!
Uni vossas vozes para cantar a glória do Altíssimo,
Adoremos o nome do Todo Poderoso!

Após o coro, inicia-se a narrativa, com a viagem de José e Maria de Nazareth à Belém. O parto ocorre e a contralto, primeiro em recitativo, depois em ária, admoesta Sião a bem receber o Salvador dos judeus, já padecentes do jugo romano. Cristo nasceu sob Augusto e foi crucificado na era de Tibério. Dando-se o parto no presépio, um coro de sopranos acompanhado do baixo – não ainda no papel de Herodes – acentua a humildade do facto (“Pobre veio à terra/Quem saberá honrar como merece/ O Amor que nos oferece nosso Salvador?”). O mesmo baixo, na ária seguinte, lembra a pouca importância do meio escolhido para nascer por aquele que reina sobre o mundo. Além d’isso, percebemos em vários momentos um capricho de ternura bem próprio de Bach, que curiosamente lembra-nos os escritos de Santa Terezinha do Menino Jesus e São Pedro Julião Eymard. Repare-se no coral Ach mein herzliebes Jesulein – Ah, meu bem amado Jesusinho! Aqui Bach demonstra o amor mencionado, referindo-se ao Menino como se pudesse estar pessoalmente com ele.

A segunda parte inicia-se com uma sinfonia pastoral substituindo um previsível coro, e melhor escolha Bach não poderia ter feito. Pastoral é uma obra vocal ou instrumental que pela melodia e emprego de certos instrumentos (flauta, oboé) pretende reproduzir um ideal de vida simples e pacífica, tal como imaginou-se sempre, nas Artes, ser a dos pastores. Pesquisando este ideal, chegamos em Virgílio. Ulisses desejou, em certa altura da Odisseia, ter nascido um mero pastor. Portanto, a escolha da sinfonia pastoral para iniciar a segunda parte, ou segunda cantata, é perfeita para retractar o ambiente rústico do nascimento de Jesus. Pode-se afirmar que toda esta cantata é pastoral, pois o tema da sinfonia repete-se no último coral, só retornando no coro de abertura da quarta parte.

Segundo a mensagem da segunda parte, os simples serão os primeiros a encontrar Jesus Cristo, e nos Evangelhos encontramos o desenvolvimento doutrinário desta assertiva. Basta ler o Sermão da Montanha. A última ária de contralto é uma canção para embalar o Recém Nascido. Esta parte foi apresentada pela primeira vez há exactos 268 anos.

Se na segunda cantata os pastores são avisados por um anjo – soprano – do nascimento de Jesus, na terceira eles efectivamente visitam-no. O mesmo coro do início é o do final (da capo), responsável pela volta do clima de júbilo. Deve-se reparar no duo de soprano e baixo Herr dein Mitled, dein Erbarmen – Senhor, Tua piedade, Tua Misericórdia.

A quarta parte, segundo o plano de comemorações da igreja de São Tomás, foi executada em primeiro de janeiro de 1.735. Por isso a primeira menção que o Evangelista faz em seu recitativo é à circuncisão e baptismo de Jesus, factos celebrados no dia. Após um arioso emoldurado por dois recitativos, segue-se a curiosa ária Flösst, mein Heiland, flösst dein Namen – Poderia, meu Salvador, poderia seu Nome. Nela temos duas sopranos, a segunda servindo de eco para a primeira. Eco mesmo: a primeira termina um verso e a segunda repete a última palavra apenas, de preferencia com o inte’rprete fora de cena. E um oboé ecoa esta segunda soprano. Este efeito do eco pode ser percebido também no concerto Audi , coelum do orato’rio Vésperas da Virgem Maria de Cláudio Monteverdi (1.567/1.643) e mais recentemente, na ária de Violetta Follie! Delírio vano é questo! na famosa ópera La Traviata de Giuseppe Verdi (1.831/1.901) Bach dedicou toda esta parte à relação entre o homem e Jesus, bem como a Sua palavra.

Um mui alegre coro complementado por vozes infantis inaugura a quinta cantata, dedicada à chegada dos Magos e à reacção de Herodes ao receber a notícia. Muita atenção para a ária Erleucht’ auch meine finstre Sinnen – Ilumina também meus escuros sentidos, na qual o baixo é acompanhado pelo órgão e pelo oboé.

Um coro épico abre a sexta e última cantata, apresentada na Epifania de 1.735. Por este motivo Bach destacou a visita dos Reis Magos ao Menino, embora também se discorra sobre a ordem de Herodes e à fuga de José e Maria. Esta a cantata mais dramática de todo o conjunto, transpirando tensão e aflição. O alívio pela salvação do Menino recompõe, no quarteto e coral finais, a sobreexcitação e alegria dominantes em todo o Oratório. Nada adianta eu tagarelar sobre esta excelente obra. Ela deve ser apreciada e sua contribuição para um Natal melhor será inafastável

Christmas Oratorio, BWV 248

1. Part I: Jauchzet, Frohlocket!, Chorus
2. Part I: Es Begab Sich Aber Zu Der Zeit, Recitative
3. Part I: Nun Wird Mein Liebster BrÄUtigam, Recitative
4. Part I: Bereite Sich, Zion, Alto Aria
5. Part I: Wie Soll Ich Dich Empfangen, Chorale
6. Part I: Und Sie Gebar Ihren Ersten Sohn, Recitative
7. Part I: Er Ist Auf Erden Kommen Arm, Chorale For Soprano And Bass
8. Part I: Wer Kann Die Liebe Recht ErhÖH’n, Bass Recitative
9. Part I: Grosser Herr Und Starker KÖNig, Bass Aria
10. Part I: Ach, Mein Herzliebes Jesulein!, Chorale
11. Part Ii: Sinfonia
12. Part Ii: Und Es Waren Hirten, Tenor Recitative
13. Part Ii: Brich An, O SchÖNes Morgenlicht, Chorale
14. Part Ii: Und Der Engel Sprach Zu Ihnen, Recitative For Tenor & Soprano
15. Part Ii: Was Gott Dem Abraham Verheissen, Bass Recitative
16. Part Ii: Frohe Hirten, Eilt, Tenor Aria
17. Part Ii: Und Das Habt Zum Zeichen, Tenor Recitative
18. Part Ii: Schaut Hin!, Chorale
19. Part Ii: So Geht Denn Hin!, Bass Recitative
20. Part Ii: Schlafe, Mein Liebster, Alto Aria
21. Part Ii: Und Alsobald War Da Bei Dem Engel, Tenor Recitative
22. Part Ii: Ehre Sei Gott In Der HÖHe, Chorale
23. Part Ii: So Recht, Ihr Engel, Bass Recitative
24. Part Ii: Wir Singen Dir In Deinem Heer, Chorale
25. Part Iii: Herscher Des Himmels, Chorus
26. Part Iii: Und Da Die Engel Von Ihnen Gen Himmel FÜHren, Tenor Recitative
27. Part Iii: Lasset Uns Nun Gehen Gen Bethlehem, Chorus
28. Part Iii: Er Hat Sein Volk GetrÖSt, Bass Recitative
29. Part Iii: Dies Hat Er Alles Uns Getan, Chorale
30. Part Iii: Herr, Dein Mitleid, Dein Erbarmen, Duet For Soprano & Bass
31. Part Iii: Und Sie Kamen Eilend, Tenor Recitative
32. Part Iii: Schliesse, Mein Herze, Dies Selige Wunder, Alto Aria
33. Part Iii: Ja, Ja! Mein Herz Soll Es Bewahren, Alto Recitative
34. Part Iii: Ich Will Dich Mit Fleiss Bewahren, Chorale
35. Part Iii: Und Die Hirten Kehrten Wieder Um, Tenor Recitative
36. Part Iii: Seid Froh, Dieweil, Dass Euer Heil, Chorale
37. Part Iv: Fallt Mit Danken, Fallt Mit Loben, Chorus
38. Part Iv: Und Da Acht Tage Um Waren, Tenor Recitative
39. Part Iv: Immanuel, O SÜSses Wort, Recitative For Soprano & Bass
40. Part Iv: Jesu Du, Mein Liebstes Leben/Komm!, Ich Will Dich Mit Lust Umfassen, Ar
41. Part Iv: FlÖSst, Mein Heiland, Aria For 2 Sopranos
42. Part Iv: Wohlan! Dein Name Soll Allein, Recitative & Arioso For Soprano & Bass
43. Part Iv: Ich Will Nur Dir Zu Ehren Leben, Tenor Aria
44. Part Iv: Jesus Richte Mein Beginnen, Chorale
45. Part V: Ehre Sei Dir, Gott, Gesungen, Chorus
46. Part V: Da Jesus Geboren War Zu Bethlehem, Recitative
47. Part V: Wo Ist Der Neugeborne KÖNig Der Juden?, Chorus & Recitative
48. Part V: Dein Glanz All’finsternis Verzehrt, Chorale
49. Part V: Erleucht’ Auch Meine Finstre Sinnen, Bass Aria
50. Part V: Da Das Der KÖNig Herodes HÖRte, Tenor Recitative
51. Part V: Warum Wollt Ihr Erschrecken, Alto Recitative
52. Part V: Und Liess Versammeln Alle Hohenpriester, Tenor Recitative
53. Part V: Ach, Wenn Wird Die Zeit Erscheinen?, Trio For Soprano, Alto, & Tenor
54. Part V: Mein Liebster Herrschet Schon, Alto Recitative
55. Part V: Zwar Ist Solche Herzensstube, Chorale
56. Part Vi: Herr, Wenn Die Stolzen Feinde Schnauben, Chorus
57. Part Vi: Da Berief Herodes Die Weisen Heimlich, Tenor Recitative
58. Part Vi: Du Falscher, Suche Nur Den Herrn Zu FÄLlen, Soprano Recitative
59. Part Vi: Nur Ein Wink, Soprano Aria
60. Part Vi: Als Sie Nun Den KÖNig, Tenor Recitative
61. Part Vi: Ich Steh’ An Deiner Krippen Hier, Chorale
62. Part Vi: Und Gott Befahl Ihnen Im Traum, Tenor Recitative
63. Part Vi: So Geht! Genug, Mein Schatz, Tenor Recitative
64. Part Vi: Nun MÖGt Ihr Stolzen Feinde Schrecken, Tenor Aria
65. Part Vi: Was Will Der HÖLle Schrecken Nun, Choral Recitative
66. Part Vi: Nun Seid Ihr Wohl Gerochen, Chorale

Barbara Schlick (Soprano)
Michael Chance (Countertenor)
Howard Crook (Tenor)
Peter Kooy (Bass)

Collegium Vocale Ghent
Collegium Vocale Ghent Orchestra
dir. Philippe Herreweghe

BAIXE AQUI A PARTE 1 – DOWNLOAD PART 1 HERE

BAIXE AQUI A PARTE 2 – DOWNLOAD PART 2 HERE

Dois centenários

Por CELSO LOUREIRO CHAVES,
publicado na Zero Hora de 20 de dezembro de 2008

Este mês, centenários de dois compositores incontornáveis da música de concerto: o francês Olivier Messiaen, de 10 de dezembro de 1908, e o norte-americano Elliott Carter, de 11 de dezembro de 1908. Dois centenários com uma distância enorme entre eles – Messiaen morreu em 1992 e portanto sua obra é um livro fechado, o que havia para ouvir foi ouvido, o que havia para descobrir foi descoberto; Carter não só continua produzindo sem cessar como tem participado das comemorações do seu próprio centenário. Há quem diga: que um compositor participe do próprio centenário já é uma façanha, mas que componha uma peça para marcar a data não tem precedentes na história da música. Elliott Carter é o exemplo mais lúcido da atemporalidade na composição musical, a possibilidade de criar sons em qualquer idade, a prova de que um compositor pode ser muitos, mesmo nos limites de uma única vida.

Por um momento Messiaen e Carter cruzaram seus caminhos. Foi no final dos anos 1940, o mundo musical ainda cambaleante depois da guerra. Messiaen tinha acabado de compor uma das suas obras mais monumentais, a sinfonia Turangalîla, e subitamente lhe veio a vontade de criar miniaturas que, no seu rigor composicional, abriram a porta para a vanguarda européia dos anos 1950. Essa foi a importância dos seus Quatro Estudos de Ritmo e também foi ali naqueles anos de mudança que Elliott Carter, já com sinfonias, canções e balés no currículo, decidiu abandonar um “eu” para alcançar um outro “eu”, para se tornar… Elliott Carter. Modernista inflexível e rigoroso, compositor de obras difíceis de tocar e ásperas de ouvir, obras profundas e racionalizadas no mínimo detalhe das decisões musicais.

A partir de caminhos absolutamente pessoais, Carter e Messiaen seguiram escolhas próprias e foram criando um repertório vasto de obras nas quais se tropeça uma e outra vez quando se percorre o panorama da música de concerto a partir de 1940. É que tanto Carter quanto Messiaen construíram idiomas musicais muito característicos que permitem identificar suas obras logo ao primeiro som, com retóricas inconfundíveis e impossíveis de resistir. Em Messiaen é a individualidade da harmonia que surpreende e cativa, os seus acordes – uns diferentes dos outros sem nada que os una – e o seu som granítico, diria o poeta Mallarmé. De repente há espaços que se abrem para melodias amplas que são ou celestiais ou simplesmente bregas, não há meio termo. Tudo envelopado numa orquestração luminosa e exagerada que não raro lança mão das ondas martenot, instrumento eletrônico que Messiaen fundiu à orquestra sinfônica.

Na música de Carter são o pontilhismo dos sons e as intricações de ritmo que agarram o ouvinte e não o deixam tomar distância da obra ouvida. Melodias não há e nem harmonias que se possa identificar como tal. Há jogo de densidades sonoras, alternâncias de cores, superfícies ásperas, rugosas, raramente lisas, que se misturam e se superpõem. Quando então Carter se volta para a voz humana, é nos poetas de sua geração que ele vai buscar guarida. Aí os poemas de Elizabeth Bishop, Robert Frost e William Carlos Williams soam na sua música. Mesmo quando não claramente articulados em som, os poetas norte-americanos são o alicerce da música de Carter – Hart Crane e seu À Ponte do Brooklyn são sombras que se escondem na Sinfonia de Três Orquestras, obra central da música para orquestra de Carter.

Também em Messiaen há textos que se escondem atrás da música e que surgem nos títulos que vão pontuando o catálogo de obras: Vinte Olhares Sobre o Menino Jesus, A Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo, Meditações Sobre o Mistério da Santíssima Trindade, Cores da Cidade Celeste. Pois para Messiaen os mistérios da fé católica são a fonte principal de irrigação da música, algo que agrada a muitos e desgosta outros tantos. O fio da navalha entre bom gosto e mau gosto é ultrapassado várias vezes no contexto dessas obras que, se discutíveis, são indiscutivelmente sinceras, ainda mais quando a religiosidade de Messiaen se une ao amor à natureza e, nela, ao amor verdadeiramente franciscano aos pássaros que povoam a sua obra. Foi Messiaen quem compôs um Catálogo dos Pássaros e colocou uma multidão de aves – brasileiras, inclusive – na sua mais gigantesca obra para orquestra, Dos Cânions às Estrelas.

Quando morreu, Messiaen ainda se recuperava da tarefa monumental de compor sua única ópera, São Francisco de Assis que, em quatro horas e oito cenas exaltadamente estáticas, conta a vida do santo que simboliza o catolicismo que o compositor conheceu por dentro. Líder de uma geração de vanguardistas – Boulez, Xenakis, Stockhausen – ao longo da vida Messiaen veio se afastando das vanguardas e, ao morrer, encerrou uma obra imensa marcada pela espiritualidade e que nunca fugiu das banalidade inevitáveis quando as sonoridades são tão exuberantes. Para que fugir? Logo numa de suas primeiras obras, o Quarteto para o Fim do Fempo, Messiaen fez soar as trombetas do juízo final. Depois disso, quem se importaria com críticas?

Críticas também nunca foram problema para Elliott Carter desde que ele se transformou nele mesmo em 1948. As suas obras foram se espalhando em todas as direções, marcando gênero a gênero. O Concerto para Orquestra, as Fantasias Noturnas, peça que ampliou o repertório de gestos do pianista, o monumental Concerto Duplo para Piano, Cravo e Orquestra e a série dos cinco quartetos de cordas. Só esse grupo de peças já seria influente por si só, pelos caminhos que apontam no tratamento das sonoridades e na transformação da vitalidade em som. O que mais surpreende, no entanto, é a nova arrancada de criatividade que Carter deu à sua música a partir dos noventa anos. A primeira ópera foi composta há pouco, a primeira peça para grupo de percussão estreou semana passada e o terceiro concerto para piano e orquestra, Intervenções, foi reservado para o dia do centenário. Todas obras de uma agressividade seríssima, algo inédito para um compositor em atividade há 72 anos.

Até quando irá a música de Elliott Carter? Não se sabe e o melhor seria perguntar até onde irá essa música que começou mansa, se tornou irredutível na obediência ao próprio estilo e que agora, nas obras de hoje, quase assusta pela vitalidade e pelo movimento incessante. Foi assim também com Olivier Messiaen que, das exuberâncias dos anos 1940 se transformou no monumento mais alto da música cristã. São os dois compositores centenários da semana. Um já é estátua e sem ele não se conta a história da música francesa. O outro ainda está aí, prestigiando sempre os concertos que o prestigiam. Vale, para marcar esse duplo centenário e para localizar as buscas incessantes da música de um e de outro, uma frase de William Carlos Williams que Carter transformou em música em Of Rewaking, obra de 2002: “cedo ou tarde devemos chegar ao fim de toda a luta… mas ainda não, tu dizes, estendendo o tempo indefinidamente.”

Assista em casa aos concertos da Filarmônica de Berlim

Simon Rattle e a orquestra alemã inauguram no dia 6 de janeiro ao Digital Concert Hall, que retransmitirá pela internet os concertos da temporada

A Filarmônica de Berlim, considerada a orquestra de maior prestígio do mundo, dá um passo gigante na direção da modernidade e se coloca à frente da nova era.

A partir de 6 de janeiro inaugura o Digital Concert Hall. E o faz com uma experiência pioneira que permite, a 9,90 euros por concerto, contemplar ao vivo desde os nossos computadores os grandes concertos da temporada.

O primeiro deles sairá por um preço especial. Por cinco euros, no próximo dia 6, com o maestro Simon Rattle à frente, a orquestra interpretará a Sinfonia número 1 de Brahms e obras de Dvorák.

O Digital Concert Hall é um portal situado dentro da página web da Filarmônica.

Nele, a orquestra oferecerá seus concertos ao vivo, gravações de arquivo e as experiências educativas que leva a cabo em subúrbios e colégios da cidade.

Com um correio eletrônico, uma senha, alguns dados pessoais e um cartão de crédito, qualquer pessoa pode, de qualquer parte do mundo, assistir aos concertos da orquestra.

Um som de máxima qualidade e uma transmissão detalhada com cinco câmeras na sala de concerto assegurarão um espetáculo único.

Retirado do Blog do Noblat que achou a notícia aqui no El Pais.

PQP

G. F. Handel (1685-1759) – Judas Maccabaeus, oratório, HWV 63

Antes de responder o e-mail de mano FDP Bach, sigo arrasando durante os semiferiadões. Esta gravação de Nicholas McGegan, solistas, coro e orquestra é, efetivamente, DIGNA DOS MAIORES ELOGIOS. Copio deste endereço maiores detalhes a respeito deste grande oratório de Handel.

Por Miguel Farinha

Judas Maccabaeus HWV 63 – Georg Friedrich Handel

Handel (1685-1758) compôs o oratório Judas Maccabeus no Verão de 1746, após vários sucessos com Messiah, Samson, Belshazzar, e Israel in Egypt. Com libretto do Rev. Thomas Morell, Judas Maccabeus relata a história da revolta dos Macabeus contra a ocupação dos sírios e celebra a vitória do Duque de Cumberland sobre o Príncipe Carlos Eduardo da Escócia. O primeiro livro dos Macabeus relata a resistência do povo judeu à conquista da Judeia pelos sírios em 169 a.C. Händel, um leal partidário da sucessão de Hanover ao trono de Inglaterra, pretendia celebrar a vitória militar do Duque de Cumberland na batalha de Culloden, que teve lugar em Abril de 1746. A rebelião jacobita do Príncipe Carlos Eduardo, sucessor dos Stuart e pretendente ao trono de Inglaterra, terminou em Culloden. Em 1747, Händel escolheu o tema da vitória militar dos Macabeus para coroar a sua habitual série londrina de concertos de oratório.

Estreada em 1 de Abril de 1747 em Londres no Teatro de Covent Garden, o oratório Judas Maccabeus foi um sucesso na sua estreia e tornou-se um dos mais populares de Händel. Durante a vida do compositor, foi executado pelo menos 54 vezes, 33 das quais sob a sua direcção.

O tom desta obra e das duas que se lhe seguiram (Joshua e Alexander Balus) bem como a associação ao libretista Thomas Morell (1703-1784) marcam uma ruptura com os oratórios dramáticos precedentes: a intriga reduzida à sua mais simples expressão (proveniente do Livro dos Macabeus e das Antiguités de Flavius Josèphe) serve de pretexto à exaltação bélica e patriótica, da mesma forma que as personagens, pouco caracterizadas, nada mais são que simples porta-vozes. Händel não procura seguir a evolução psicológica de um herói, como em Samson, ou a sustentar a tensão dramática como em Belshazzar. Ele traça sentimentos colectivos simples e violentos (luto, ardor guerreiro, terror, piedade, exaltação da vitória) em vastos conjuntos, postos em cena por uma orquestração poderosa e eficaz.

O oratório inicia-se com uma abertura francesa em sol menor composta por dois andamentos – o primeiro lento e pontuado, o segundo rápido e fugado, interrompido por uma secção lenta antes de ser retomado.

O primeiro acto abre com um coro fúnebre dos israelitas que lamentam a morte do seu chefe Matatias, sobre um ritmo lento e regular de colcheias (Mourn ye afflicted children). Um dueto em sol menor (From this dread scene) expõe, sobre um acompanhamento pontuado sombrio e enérgico, um motivo impressionante, no espaço de 4 compassos. Um novo coro, acompanhado por notas sustentadas no fagote solo (For Sion lamentation make) desenvolve uma melodia ternária cortada por silêncios.

O filho do defunto, Simão, convida os seus a rezar ao Eterno. O coro responde-lhe (Oh father whose almighty power), animando-se com os judeus que pedem a Simão que lhes nomeie um novo chefe capaz de os libertar da opressão dos sírios. Simão recebe uma inspiração divina e designa Judas, seu irmão, num recitativo acompanhado (I feel the deity within). Apela aos homens para que combatam, numa ária acompanhada por fanfarras a cargo dos oboés (Arm, arm ye brave). Segue-se-lhe um coro guerreiro, muito rápido (We come, we come), que joga com alternância de incisos homorrítmicos e curtas secções imitativas. Judas prepara-se para a batalha numa heróica ária da capo (Call forth pow’rs), em que brilhantes vocalisos se articulam com os trechos descendentes e as notas repetidas nas cordas.

Os israelitas cantam a sua liberdade, pela qual vão combater. A liberdade é louvada num dueto (Come ever smilling liberty), onde os violinos respondem em eco à melodia vocal. O quadro é fechado por um coro rápido e homorrítmico em ré maior (Lead on! Lead on!).

Recordando a vontade de seu pai, Judas chama os judeus às armas num recitativo acompanhado. Um trio contrapontístico animado responde-lhe (Disdainful of danger) – as vozes desenvolvem motivos que sugerem o combate. Numa ária viva e brilhante (No unhallow’d desire), Judas assegura que a guerra tem por fim não a ambição mas a paz. O coro final do primeiro acto (Hear us oh Lord) começa por uma prece recolhida mas anima-se com a ideia da batalha.

Uma viva introdução instrumental, ao estilo italiano, depois as vozes graves em uníssono e finalmente todas as vozes dialogando entre si proclamam a derrota do inimigo num coro em ré menor com que inicia o segundo acto (Fall’n is the foe). Um israelita conta o combate num recitativo e depois numa ária da capo ilustra a rapidez de Judas (So rapid thy course is).

Uma israelita louva a valentia de Judas numa ária da capo em lá maior (From mighty kings) cujo ritmo ternário dá lugar na parte central a exultantes vocalisos em ritmo binário rápido. Um duo alegre em ré maior introduz as aclamações repetidas pelo coro (Hail, hail Judea, happy land).

O vencedor, num recitativo seguido de ária da capo (How vain is man who boasts in fight), afirma que não foi senão instrumento de Deus.

Um mensageiro vem interromper as alegrias: anuncia que Antíoco reuniu novas forças para derrubar Israel. As lamentações dos Judeus são traduzidas num tema em dó menor proposto pelo violoncelo, cantado por uma israelita e finalmente retomado pelo coro (Ah! Wretched Israel). Judas apela de novo às armas num recitativo e ária em ré maior sobre um motivo de fanfarra (Sound an alarm), em cuja parte final intervêm trompetes e timbales. O efeito é impressionante já que esta constitui a primeira intervenção destes instrumentos no oratório. Um coro poderoso (We hear the pleasing dreadfull call) responde sobre o mesmo acompanhamento.

Simão implora ao Céu numa ária (With pious hearts) onde a melodia poderosa se desenvolve sobre um acompanhamento contínuo dos violinos. A nova batalha que se prepara é uma guerra santa, em que os israelitas desprezam os deuses estrangeiros.

Um dueto em dó menor recusa os ídolos (Oh! Never, never bow we down) e introduz um coro homorrítmico, que dá lugar a uma secção coral e finalmente a um contraponto fugado para afirmar a fé em Deus.

O terceiro acto abre com o regresso da paz anunciada por uma israelita numa ária em si bemol maior (So shall the lute and harp), adornada com inspirados vocalisos.

Um mensageiro anuncia o regresso de Judas, depois da vitória decisiva de Cafarsalama. O herói é anunciado por um coro em sol maior (See the conqu’ring hero comes!), composto para Joshua e introduzido em Judas Maccabaeus em 1750. O coro de jovens rapazes é orquestrado com trompas, o dueto de jovens raparigas com flautas, o tutti coral junta os timbales às trompas. Uma marcha sobre um motivo de Muffat vem fechar o conjunto.

Um coro em ré maior, introduzido pelo contralto e depois pelo tenor (Sing unto God) desenvolve longos vocalisos sobre um acompanhamento de trompetes e timbales. Judas presta homenagem aos guerreiros mortos em combate numa ária heróica em estilo concertante (With honour let desert be crowned). Um recitativo do embaixador Eupólemo assegura a Israel a protecção de Roma. Os judeus dão graças a Deus num coro contrapontístico em sol menor (To our great God). Uma ária de Simão (Rejoice, oh Judah) introduz o triunfante coro final, acompanhado por trompetes e timbales.
Apresentando-se como uma vasta cantata de triunfo, Judas Maccabeus ocupa na obra de Händel uma posição intermédia entre o grande fresco bíblico que é Israel no Egipto e os oratórios dramáticos como Saul ou Samson.

G. F. Handel – Judas Maccabaeus, oratorio, HWV 63

1. Judas Maccabaeus: Overture 6:05
2. Judas Maccabaeus, Act 1. Chorus: Mourn, ye afflicted children 4:09
3. Judas Maccabaeus, Act 1. Recit: Well may your sorrows 1:06
4. Judas Maccabaeus, Act 1. Duet: From this dread scene 2:27
5. Judas Maccabaeus, Act 1. Chorus: For Sion lamentation make 2:24
6. Judas Maccabaeus, Act 1. Recit: Not vain is all this storm of grief 1:02
7. Judas Maccabaeus, Act 1. Aria: Pious orgies, pious airs 3:12
8. Judas Maccabaeus, Act 1. Chorus: O Father, whose almighty pow’r 2:15
9. Judas Maccabaeus, Act 1. Recit: I feel the deity within 0:58
10. Judas Maccabaeus, Act 1. Aria & Chorus: Arm, arm, ye brave! 3:55
11. Judas Maccabaeus, Act 1. Recit: ‘Tis well, my friends 0:39
12. Judas Maccabaeus, Act 1. Aria: Call forth thy pow’rs, my soul 1:38
13. Judas Maccabaeus, Act 1. Recit: To heav’n’s Almighty king 0:26
14. Judas Maccabaeus, Act 1. Aria: O liberty, thou choicest treasure 2:23
15. Judas Maccabaeus, Act 1. Aria: Come, ever-smiling liberty 2:45
16. Judas Maccabaeus, Act 1. Recit: O Judas, may these noble views 0:11
17. Judas Maccabaeus, Act 1. Aria: ‘Tis liberty, dear liberty alone 2:34
18. Judas Maccabaeus, Act 1. Duet: Come, ever-smiling liberty 1:02
19. Judas Maccabaeus, Act 1. Chorus: Lead on, lead on! 0:47
20. Judas Maccabaeus, Act 1. Recit: So will’d my father 1:08
21. Judas Maccabaeus, Act 1. Semi-chorus: Disdainful of danger 1:54
22. Judas Maccabaeus, Act 1. Recit: Ambition! 0:15
23. Judas Maccabaeus, Act 1. Aria: No, no unhallow’d desire 1:52
24. Judas Maccabaeus, Act 1. Chorus: Hear us, O Lord 3:19
25. Judas Maccabaeus, Act 2. Chorus: Fall’n is the foe 2:58
26. Judas Maccabaeus, Act 2. Recit: Victorious hero! 0:33
27. Judas Maccabaeus, Act 2. Aria: So rapid thy course is 3:54
28. Judas Maccabaeus, Act 2. Recit: Oh let eternal honours 0:31
29. Judas Maccabaeus, Act 2. Aria: From mighty kings 6:06
30. Judas Maccabaeus, Act 2. Duet & Chorus: Hail, hail, Judea 1:57
31. Judas Maccabaeus, Act 2. Recit: Thanks to my brethren 0:38
32. Judas Maccabaeus, Act 2. Aria: How vain is man 5:26
33. Judas Maccabaeus, Act 2. Recit: O Judas, O my brethren! 0:37
34. Judas Maccabaeus, Act 2. Aria & Chorus: Ah! wretched Israel! 6:26

1. Judas Maccabaeus, Act 2. Recit: Be comforted 0:44
2. Judas Maccabaeus, Act 2. Aria: The Lord worketh wonders 2:52
3. Judas Maccabaeus, Act 2. Recit: My arms! Against this Gorgias 0:20
4. Judas Maccabaeus, Act 2. Aria & Chorus: Sound an alarm! 3:45
5. Judas Maccabaeus, Act 2. Recit: Enough! To Heav’n we leave the rest 0:39
6. Judas Maccabaeus, Act 2. Aria: With pious hearts 3:10
7. Judas Maccabaeus, Act 2. Recit: Ye worshippers of God 1:00
8. Judas Maccabaeus, Act 2. Duet & Chorus: Oh! never, never bow we down 6:14
9. Judas Maccabaeus, Act 3. Aria: Father of Heav’n! 6:11
10. Judas Maccabaeus, Act 3. Recit: See, see yon flames 0:31
11. Judas Maccabaeus, Act 3. Recit: Oh grant it, Heav’n 0:25
12. Judas Maccabaeus, Act 3. Aria: So shall the lute and harp awake 4:07
13. Judas Maccabaeus, Act 3. Recit: From Capharsalama 1:06
14. Judas Maccabaeus, Act 3. Chorus of Youths, Duet, Chorus: See, the conqu’ring hero comes! 1:45
15. Judas Maccabaeus, Act 3. March 1:09
16. Judas Maccabaeus, Act 3. Duet & Chorus: Sing unto God 2:21
17. Judas Maccabaeus, Act 3. Recit: Sweet flow the strains 0:49
18. Judas Maccabaeus, Act 3. Aria: With honour let desert be crown’d 3:07
19. Judas Maccabaeus, Act 3. Recit: Peace to my countrymen 0:35
20. Judas Maccabaeus, Act 3. Chorus: To our great God be all the honour giv’n 2:03
21. Judas Maccabaeus, Act 3. Recit: Again to earth 0:46
22. Judas Maccabaeus, Act 3. Duet: O lovely peace 6:35
23. Judas Maccabaeus, Act 3. Aria & Chorus: Rejoice, O Judah!; Hallelujah! Amen 3:26
24. Judas Maccabaeus, Appendix. Recit: Well may we hope 0:12
25. Judas Maccabaeus, Appendix. Duet & Chorus: Sion now her head shall raise 5:24
26. Judas Maccabaeus, Appendix. Aria: Wise men, flatt’ring, may deceive us 5:10
27. Judas Maccabaeus, Appendix. Aria: Far brighter than the morning 6:40
28. Judas Maccabaeus, Appendix. Recit: Sweet are thy words 0:13
29. Judas Maccabaeus, Appendix. Aria: Great in wisdom, great in glory 3:33
30. Judas Maccabaeus, Appendix. Recit: Not vain is all this storm of grief 0:50
31. Judas Maccabaeus, Appendix. Aria: Pious orgies, pious airs 2:59

Judas Maccabaeus: Guy de Mey, tenor
Israelite Woman: Lisa Saffer, soprano
Israelite Man: Patricia Spence, mezzo-soprano
Simon: David Thomas, bass
Priest / Messenger: Brian Asawa, countertenor
Eupolemus / Messenger: Leroy Kromm, bass-baritone

U.C.Berkeley Chamber Chorus
dir. John Butt

Philharmonia Baroque Orchestra
dir. Nicholas McGegan

BAIXE AQUI (Parte 1) – DOWNLOAD HERE (Part 1)

BAIXE AQUI (Parte 2) – DOWNLOAD HERE (Part 2)

PQP

.: interlúdio :. Pat Metheny – Trio 99->00

Vamos combinar que, nestes dias de semiferiados, vamos POSTAR APENAS OBRAS-PRIMAS para quem ficou trabalhando? Combinado! Então lá vai mais uma.

Depois de alguns trabalhos mais ou menos, Pat Metheny resolveu fechar o século XX com este extraordinário CD publicado no ano 2000, O MELHOR CD DE JAZZ DAQUELE ANO E TALVEZ DOS QUE VIERAM DEPOIS. Este disco faz com que eu não consiga reconhecer outro guitarrista deste nível no jazz de todos os tempos. Um disco cheio de sutilezas, de excelente repertório quase integralmente original e… por favor, que trio! Como disse um comentarista, trata-se de uma perfeita combinação de BOM GOSTO, TALENTO E DIVERSÃO. Metheny desfia uma SÉRIE ARREBATADORA DE GRANDES SOLOS e, se você é baterista, certamente se interessará pelo que Bill Stewart faz aqui.

Imperdível!

Pat Metheny – Trio 99->00

1. (Go) Get It 5:37
2. Giant Steps 7:54
3. Just Like The Day 4:43
4. Soul Cowboy 8:28
5. The Sun In Montreal 4:35
6. Capricorn 6:19
7. We Had A Sister 5:30
8. What Do You Want? 5:24
9. A Lot Of Livin’ To Do 5:29
10. Lone Jack 5:30
11. Travels 5:48

Pat Metheny, guitars
Larry Grenadier, bass
Bill Stewart, drums

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

K. Penderecki (1933) – Symphony No. 7 ‘Seven Gates of Jerusalem’

Apesar de não amá-lo como Clara Schumann, costumo gostar das obras de Penderecki. Porém, ouvi este disco com frieza e desatenção. Explico: muitas vezes estou trabalhndo enquanto ouço música e, desta vez, Penderecki apenas logrou captar minha atenção quando de um discurso que há lá pelo final da Sinfonia. Não direi que é ruim, direi somente que não me chamou a atenção, mesmo que tenha ouvido a obra por duas vezes. Também estou meio cheio desses caras modernos que quase só fazem música religiosa. Haja Deus para agüentar as repetidas louvações de Pärt e Penderecki! Devem ser pagos para fazê-las, não? Acho que vou publicar a Missa de Bernstein; servirá como espanador para o ranço católico — argh! — que grassa nesta postagem. (Peço desculpas aos crentes por minha franqueza). Tenho aquela super gravação do Nagano para a Harmonia Mundi. Me aguardem.

Penderecki – Symphony No. 7 ‘Seven Gates of Jerusalem’

1. Sym No.7: Part I: Magnus Dominus Et Laudabilis Nimis
2. Sym No.7: Part II: Si Oblitus Fuero Tui, Lerusalem
3. Sym No.7: Part III: De Profundis
4. Sym No.7: Part IV: Si Oblitus Fuero Tui, Lerusalem
5. Sym No.7: Part V: Lauda, Lerusalem, Dominum
6. Sym No.7: Part VI: ‘Hajeta Alai Jad Adonai’
7. Sym No.7: Part VII: Haec Dicit Dominus: Ecce Ego Do Coram Vobis Viam Vitae Et Viam Mortis

Ewa Podles (Alto)
Izabella Klosinska (Soprano)
Gustaw Holoubek (Spoken Vocals)
Bozena Harasimowicz (Soprano)
Romuald Tesarowicz (Bass)
Wieslaw Ochman (Tenor)

Warsaw National Choir
Warsaw National Philharmonic Orchestra
Kazimierz Kord

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Gilberto Agostinho (1986) – Trio, Sonata para piano e outras peças

Hoje é um dia especialíssimo e escrevo esta introdução com a certeza de que o P.Q.P. Bach chegou a um ponto onde eu nunca imaginaria ser possível chegar. Hoje, temos a honra de divulgar em primeira mão a obra de um jovem compositor brasileiro. Vou dar a palavra para que ele se apresente e depois retorno.

Meu nome é Gilberto dos Santos Agostinho Filho, tenho vinte e dois anos e nasci em São Paulo. Quando pequeno estudei alguns anos de piano e flauta transversal, mas acabei abandonando meus estudos musicais quando tinha doze anos. Minha primeira composição data desta época, uma inocente e pequena peça para piano, mas minha professora de teoria deu pouca importância para ela. Acho que talvez tenha sido isso que atrasou em tantos anos a minha decisão de me tornar compositor. Desde pequeno fui muito sensível às críticas, apesar de estar conseguindo mudar isso radicalmente no momento. Aos dezessete anos fui aprovado no curso Engenharia Aeronáutica na Universidade de São Paulo, o qual freqüentei durante um ano pois, em seguida, percebi que a vida de engenheiro não me satisfazia. Procurei algo mais purista e fui parar na Física, a qual cursei por um pouco mais de um ano. Neste meio tempo retomei minhas aulas de música com uma professora alemã e viajei para Londres por três meses, dois acontecimentos que iriam mudar a minha vida. Em Londres percebi, depois de muitas crises, que eu queria mesmo era ser compositor. Nessa época eu já estava arriscando alguns rabiscos nas pautas, mas nada a ser levado a sério. Voltei a São Paulo e procurei um professor de composição. Topei com Mário Ficarelli, meu grande mestre e amigo, que durante um longo ano me guiou com a maior paciência do mundo. Também tive aulas de regência com Paulo Rydlevski, outra pessoa que me ajudou muito. Eu fui aprovado no curso de composição da ECA, que faz parte da Universidade de São Paulo, mas desde o princípio senti que aquilo também não era para mim. O curso era fraco e eu já tinha uma boa base musical, além de não ter recebido o apoio que procurava. Larguei o curso após apenas quatro ou cinco meses. Me apliquei como nunca após isso e fiquei praticamente um ano sem aulas de composição, vivendo como um monge: comendo, rezando e compondo. Rezando pela minha aprovação em alguma boa instituição européia, o que veio a se concretizar no meio deste ano. “Conservatório de Praga”, dizia a carta. Acho que ainda não acredito, mesmo estando aqui por mais de um mês. Atualmente estudo sob orientação do professor Otomar Kvech.

A respeito das composições aqui publicadas: a primeira é o meu “Trio para piano, flauta e violino”, minha mais recente composição. Acredito que seja uma das melhores peças que já escrevi. São cinco movimentos, nos quais os instrumentos tocam todos juntos apenas no primeiro e no último. Reservei os centrais para duos entre tais instrumentos. Em seguida vem a “Sonata para piano”, música mais pesada e intelectualizada. A sonata não agradou muita gente, mas eu ainda aposto minhas fichas nela. Acho que é uma boa composição. O trio surgiu justamente como uma contraposição a sonata pois queria ver se eu era capaz de compor algo diametralmente oposto. As outras peças, “Prelúdio para piano”, “Prelúdio para violão” e “Pequenas peças para flauta” são mais antigas, mas ainda guardo um grande carinho por elas.

Saibam todos que fiquei extremamente lisonjeado com o convite de postar minhas músicas no PQP. Sou um freqüentador assíduo deste blog, além de outros do OPS!. Espero que vocês gostem do que irão ouvir. Lamento muito o fato de as músicas não serem executadas por instrumentistas reais, e sim por um software, mas saibam que essa vida de compositor não é fácil e às vezes faltam tempo e paciência para procurar, convencer e ensaiar os músicos. Apesar disto, estou em busca de instrumentistas para gravar meu Trio, e se isso acontecer, terei imenso prazer em compartilhá-los com todos.

Quem se interessar em fazer algum comentário diretamente para mim, meu email é gsagostinho e estou no hotmail.com. Será um prazer para mim receber alguma mensagem.

Obrigado novamente, PQP, FDP, CDF, Clara, Blue Dog e CVL.

Eu conheci Gilberto através de e-mails e só depois ele mandou obras de sua autoria para que eu conhecesse. A primeira obra que ouvi é até hoje a minha preferida: a Sonata para Piano. Fiquei entusiasmadíssimo com seu primeiro e último movimentos (Allegro energetico e Fuga com variazione). Vocês sabem o quanto sou franco e penso que o Adagio meditativo seja bom, mas que fique abaixo da companhia. Os dois primeiros movimentos citados são realmente notáveis e, é claro, qualquer fuga logo recebe a simpatia deste filho de Bach, ainda mais esta.

O Trio é expansivo e feliz. O software que o executa deixa a desejar em sonoridade, mas dá para ouvir bem. O Trio também não é música fácil, é polifônico de cabo a rabo e penso que aqui não se repita o provável defeito da sonata. Inicia com um tremendo Allegro, segue um Adagio ainda melhor e nunca cai. Tudo é muito interessante e a ironia que se insinua no Scherzo comparece plenamente no Tempo di valse o qual é seguido por um Finale em que ouço citações de alguma música nordestina — algum baião — que não consigo identificar. É tudo bom humor e inventividade.

As Pequenas peças para flauta são ótimas, mas acho que uma delas – uma rápida – tem um parentesco irritante com o som do videogame de meu ex-vizinho. Pode ser efeito do software-executante. Não há nada a criticar no belo Prelúdio Nº 2 para piano. Gostei muito. O curto Prelúdio para violão é um triste noturno que me deixa com vontade de ouvir mais.

Há um fato importantíssimo que devo salientar: FALO DE UM JOVEM DE 22 ANOS e sou, digamos, um experiente ouvinte de muito boa música, interpretada por grandes artistas. Ou seja, sou um ouvinte exigente e tudo o que ouvi do Gilberto aponta para um baita compositor.

Fico muito feliz por ele ter concordado em expor-se (ou jogar-se) para o público (aos leões) do PQP.

Gilberto Agostinho – Trio, Sonata pata piano e outras peças

01 Agostinho – Trio – allegro.mp3
02 Agostinho – Trio – adagio.mp3
03 Agostinho – Trio – scherzo.mp3
04 Agostinho – Trio – tempo di valse.mp3
05 Agostinho – Trio – finale.mp3

06 Agostinho – Sonata – allegro energetico.mp3
07 Agostinho – Sonata – andante meditativo.mp3
08 Agostinho – Sonata – fuga con variazione.mp3

09 Agostinho – Pequenas peças para flauta.mp3

10 Agostinho – Prelúdio No2 para piano.mp3

11 Agostinho – Prelúdio para violão.mp3

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943): The Isle of the Dead, Op.29 / Symphonic Dances, Op.45

Eu não gosto de Rachmaninov. Sofri silenciosamente enquanto mano FDP publicava seus Concertos para Piano, Variações sobre Paganini (ESSES DOIS SE MERECEM), Sinfonias e outros horrores. Mas, sabe como é, eu respeito meu irmão. Rach é um romântico tardio, um chato, um mela-cueca, um discursivo, um pentelho. Só que nesta semana ele se de mim vingou com juros.

Um pouco surpreso com os elogios histéricos que este CD de Ashkenazy e do Concertgebouw recebia por todos os cantos, resolvi voltar a enfrentar o ogro pegajoso. Deu tudo errado. Eu simplesmente amei! Como o ouvi tarde da noite, fui dormir com a perturbadora sensação de ter recebido FDP em meu corpo — nada físico, bem entendido; tudo espiritual. Achei que uma noite de sono me curaria da tragédia de ter gostado de obras de Rach. No outro dia, de estômago cheio e em CNTP, ouvi novamente a coisa. Olha, não cheguei a desmilingüir (essa trema some na unificação ortográfica), mas… É muito bom. É tri bom. Bom demais. Que maravilha.

Se vocês quiserem ler elogios mais abalizados, cliquem sobre o selo da Amazon acima. Há nove caras babando ali.

Vá lá, é imperdível.

Rachmaninov: The Isle of the Dead, Op.29 / Symphonic Dances, Op.45

01 – Die Toteninsel
02 – Symphonische Taenze – Non Allegro
03 – Symphonische Taenze – Andante Con Moto [Tempo Di Valse]
04 – Symphonische Taenze – Lento Assai – Allegro Vivace

Vladimir Ashkenazy
Concertgebouw Orchestra Amsterdam

BAIXE AQUI -DOWNLOAD HERE

PQP