PQP, após sugestão de Gilberto Agostinho. Obrigado!
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Do leitor que assina apenas “Benedito”
Em seu premiado livro “The rest is noise” sobre a musica clássica do século XX, Alex Ross, crítico de música da revista New Yorker aponta em seus apêndices 5 gravações que ele considera altamente recomendáveis (séc.XX).
1- Schoenberg, Berg and Webern – Pieces for Orquestra, Berlin Philharmonic (DG)
2- Stravinsky, Rite of Spring/ Bartók, Miraculous Mandarim, Esa-Pekka Salonen Los Angeles Philharmonic (DG)
3- Britten, Peter Grimes, Royal Opera House (Philips)
4- Messiaen, Quartet for the end of time, Tashi (RCA)
5- Reich, Music for 18 musicians, Steve Reich and musicians (ECM).
Verificando na página do Steve Reich, há quatro gravações de Music for 18 musicians, a que está no post acima “revalidado” é a do grupo Amadinda Percussion Group “Live in Budapest”.
PQP, parabéns… importante e oportuno post.
(Obrigado, Benê!)
Steve Reich (1936-): Music for 18 Musicians – link revalidado
Este disco, comprado em vinil no ano de 1980, foi a maior das surpresas. Em primeiro lugar, era editado pela ECM mas não era absolutamente jazz; segundo, era uma música minimalista muito mais complexa e bem acabada do que a composta por um certo Philip Glass. Era um minimalista mesmo! Sua música tinha as mesmas repetições das de Glass, só que suas variações eram muito mais rápidas, inteligentes e interessantes, às vezes quase inaudíveis, mas sempre ocorrendo sem possibilidade de mesmice. Fiquei fascinado. Ouvi este disco de olhos fechados talvez dezenas de vezes, procurando entender e visualizar o que todos os 18 músicos realizavam, às vezes abrindo os olhos para ver suas fotos no bolachão da ECM. Vinte anos depois, comprei a gravação de um grupo húngaro que refazia a “Música” com extraordinário entusiasmo. É esta gravação que posto em P.Q.P. Bach. Ainda me seduzo pela incrível sucessão de harmonias mostradas por Reich. É uma audição lúdica e de complexidade nunca diminuída. É um clímax perpétuo, algo que nem os Viagras conseguem. Mas não posso fazer analogias com orgasmos, pois 61 minutos de orgasmo seria como esconder-se no Orgasmotron do filme “O Dorminhoco”, de Woody Allen.
Depois conheci Adams e outros, mas… (Grande parte do texto abaixo foi traduzido da Wikipedia espanhola por mim.)
Todos os músicos do passado, começando na Idade Média, estavam interessados na música popular. A música de Béla Bartók se fez inteiramente com fontes de música tradicional húngara. E Igor Stravinsky, ainda que gostasse de nos enganar, utilizou toda a sorte de fontes russas para seus primeros balés. A grande obra-prima Ópera dos Três Vinténs, de Kurt Weill, utiliza o estilo de cabaret da República de Weimar. Arnold Schoenberg e seus seguidores criaram um muro artificial, que nunca existiu antes. Minha geração atirou o muro abaixo e agora estamos novamente numa situação normal. Por exemplo, se Brian Eno ou David Bowie recorrem a mim e se músicos populares reutilizam minha música, como The Orb ou DJ Spooky, é uma coisa boa. Este é um procedimento histórico habitual, normal, natural.
Steve Reich
Em 1974, Reich começou a escrever Music for 18 Musicians, o número de integrantes de seu “ensemble”, uma peça que acabaria dois anos mais tarde. Seguramente é a obra de Reich que obteve maior êxito e, para muitos, é que se chamaria sua obra principal. Esta peça trouxe consigo muitas idéias novas, ainda que outras já houvessem sido escutadas em peças anteriores. A obra se organiza ao redor de um ciclo de onze acordes introduzidos no princípio, seguidos por pequenas variações em cada acorde, e por um retorno ao ciclo original. É complicado mesmo e sei lá como alguém consegue interpretar tal música ao vivo, como fazem esses húngaros malucos. As seções chamam-se conveniente, «Pulsos», «Seção I-XI» e novamente, «Pulsos». Esta foi a primeira tentativa de Reich de escrever uma obra para um conjunto maior de executantes, o que permitiaria um maior alcance dos efeitos psicoacústicos, fato que fascinou a Reich, que declarara na época que gostaria de «explorar mais esta idéia» («explore this idea further»). Reich comentou que este trabalho continha mais movimento harmônico em seus primeiros cinco minutos do que qualquer outro trabalho que escrevera antes. A Deutsche Grammophon gravou a peça, mas não estava nada segura de lançá-la depois do relativo fracasso de vendas de Drumming. Foi proposto a Reich um lançamento pela ECM. Ele logo rechaçou a idéia dizendo que sua obra não era jazz. Porém Bob Hurwitz — então na ECM (logo depois foi para a Nonesuch) —, o convenceu. Venderam mais de 100.000 copias nos dois anos seguintes, promovendo a obra em emissoras de rádio de rock progressivo e jazz experimental. Para Reich, foi uma sorte haver concordado, pois desde aquele momento passou a gozar de um amplo prestígio e respeito no cenário musical internacional.
Imperdível esta gravação ao vivo feita por este extraordinário – e concentradíssimo! – grupo húngaro. Procurem ouvir sem interrupção e com atenção. Vale a pena.
Steve REICH – MUSIC for 18 MUSICIANS – Amadinda Percussion Group
Os Músicos:
1 Ida Szabó – ének / voices
2 Ágnes Dobszay – ének / voices
3 Zsuzsanna Lukin – ének / voices
4 Katalin Károlyi – ének / voices
5 László Melis (Group 180) – hegedu / violin
6 Ákos Pásztor (Group 180) – gordonka / cello
7 Gellért Tihanyi (Group 180) – klarinét, basszusklarinét / clarinet, bass clarinet
8 János Maczák – klarinét, basszusklarinét / clarinet, bass clarinet
9 Béla Faragó (Group 180) – zongora / pianos
10 Zoltán Rácz – zongora / pianos
11 György Oravecz – zongora, maracas / piano, maraca
12 Zsolt Sárkány – marimba
13 Zoltán Váczi – marimba
14 Károly Bojtos – xilofon, zongora / xylophone, piano
15 Benedek Tóth – xilofon / xylophone
16 Tibor Nemes – marimba, zongora / piano, marimba
17 Gergely Bíró – marimba, maracas
18 Aurél Holló – vibrafon, zongora / vibraphone, piano
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PQP
.: interlúdio :. Keith Jarrett: Solo Concerts: Bremen & Lausanne
De vez em quando, Keith Jarrett fazia apresentações que pareciam um stand-up. Ele ia lá para a frente do palco e deixava o piano deitar falação. E falava bem. E havia tantos momentos verdadeiramente sublimes que virou mania. Depois houve outras gravações, sempre com nomes cidades acompanhados de datas e ali tinha sempre algo que se aproveitava. Como estas gravações. (Que me parecem muito adequadas para um despertar dominical como fiz onde moro. Não demorou muito — era 9h30 da manhã — para aparecerem duas mulheres me perguntando que maravilha era aquilo… Ofereci-lhes café, torradas, suco de laranja, ora.)
Keith Jarrett: Solo Concerts: Bremen & Lausanne
1. Bremen, July 12, 1973 Part I – 18:04
2. Bremen, July 12, 1973 Part II – 45:12
3. Lausanne, March 20, 1973 – 1:04:57
BAIXE AQUI O CD 1 – DOWNLOAD CD 1 HERE
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PQP
G. F. Handel (1685-1759): Chandos Anthems (CD 2)
FDP Bach passa por momentos de justificada revolta contra seu provedor, contra a zona rural onde mora, contra o rapidshare, o paypal, o mundo. É tanta revolta que, quando perguntei a ele se ele um dia tinha a pretensão de terminar esta série aqui começada… Não, engana-se quem pensa que ele me mandou tomar no cu. Ele apenas respondeu, agastado: toma esse link, ¡carajo! Bom, eu não vou ter coragem de pedir os outros dois CDs desta bela série. Fica o trabalho para vocês. Mas peçam com delicadeza. Não lembrem a ele a existência daquele provedor que promete uma velocidade de X e lhe dá apenas (X / 20). Nem dos raios que assolam Santa Catarina e que insistem em queimar os valiosos (MUITO VALIOSOS MESMO, DE VERDADE) HDs de seus briosos computadores. Muito cuidado, o homem está puto, mas não desse jeito de dar a bunda, entendem? Ele não é disso, não o irritem, por favor!
Finalizo este belo comentário sobre Handel indicando esse excelente CD que apenas reafirma meu lema de sexo, drogas e música sacra.
George Frederic Handel – Chandos Anthems – CD 2
1. O sing unto the Lord, HWV 249b, “Chandos Anthem No. 4”: Sonata Ian Partridge 2:54
2. O sing unto the Lord, HWV 249b, “Chandos Anthem No. 4”: O sing unto the Lord a new song! ? (Soprano, Chorus) James Bowman 1:54
3. O sing unto the Lord, HWV 249b, “Chandos Anthem No. 4”: Declare his honour unto the heathen ? (Chorus) Ian Partridge 2:39
4. O sing unto the Lord, HWV 249b, “Chandos Anthem No. 4”: The waves of the sea rage horribly ? (Tenor) James Bowman 1:35
5. O sing unto the Lord, HWV 249b, “Chandos Anthem No. 4”: Duet: O worship the Lord in the beauty of holiness ? (Soprano, Tenor) Ian Partridge 3:15
6. O sing unto the Lord, HWV 249b, “Chandos Anthem No. 4”: Let the whole earth stand in awe of him ? (Chorus) James Bowman 0:49
7. O sing unto the Lord, HWV 249b, “Chandos Anthem No. 4”: Let the heav’ns rejoice ? (Chorus) Ian Partridge 1:36
8. I will magnify thee, O God, HWV 250a, “Chandos Anthem No. 5A”: Sonata Ian Partridge 3:38
9. I will magnify thee, O God, HWV 250a, “Chandos Anthem No. 5A”: I will magnify thee, O God my King ? (Chorus) Ian Partridge 1:46
10. I will magnify thee, O God, HWV 250a, “Chandos Anthem No. 5A”: Ev’ry day will I give thanks unto thee ? (Tenor) Ian Partridge 3:31
11. I will magnify thee, O God, HWV 250a, “Chandos Anthem No. 5A”: One generation shall praise thy works ? (Chorus) Ian Partridge 2:06
12. I will magnify thee, O God, HWV 250a, “Chandos Anthem No. 5A”: The Lord preserveth all them that love him ? (Tenor) Ian Partridge 2:31
13. I will magnify thee, O God, HWV 250a, “Chandos Anthem No. 5A”: The Lord is righteous in all his ways ? (Soprano) Ian Partridge 3:07
14. I will magnify thee, O God, HWV 250a, “Chandos Anthem No. 5A”: Happy are the people that are in such a case ? (Tenor) Ian Partridge 3:57
15. I will magnify thee, O God, HWV 250a, “Chandos Anthem No. 5A”: My mouth shall speak the praise of the Lord ? (Tenor, Chorus) Ian Partridge 2:51
16. As pants the hart, HWV 251b, “Chandos Anthem 6A”: Sonata James Bowman 3:26
17. As pants the hart, HWV 251b, “Chandos Anthem 6A”: As pants the hart for cooling streams ? (Chorus) Ian Partridge 3:07
18. As pants the hart, HWV 251b, “Chandos Anthem 6A”: Tears are my daily food ? (Soprano) James Bowman 3:08
19. As pants the hart, HWV 251b, “Chandos Anthem 6A”: Now, when I think thereupon ? (Tenor) Julie Miller 1:32
20. As pants the hart, HWV 251b, “Chandos Anthem 6A”: In the voice of praise and thanksgiving ? (Chorus) James Bowman 1:40
21. As pants the hart, HWV 251b, “Chandos Anthem 6A”: Duet: Why so full of grief, O my soul? (Soprano, Tenor) Ian Partridge 4:22
22. As pants the hart, HWV 251b, “Chandos Anthem 6A”: Put thy trust in God ? (Tenor, Chorus) James Bowman 2:55
The Sixteen Choir & Orchestra
dir. Harry Christophers
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PQP
Heinrich Schütz (1585-1672) – Musicalische Exequien
Este é um CD de arrepiante beleza. Schütz, juntamente com tio Bux, constituiu-se na maior influência para o compositor que foi meu pai e estas Musicalische Exequien são fundamentais para aquilo que seriam as suas Cantatas. (Ouçam a Cantata BWV 4 para conferir, ouçam!) Colocado numa encruzilhada histórica, Schütz ora parece olhar o passado e ora ser presciente em sua ousada e austera polifonia. Foi um grande gênio.
O tratamento que o Knabenchor de Hannover dá a estas peças é quase inacreditável. O som do conjunto e do pequeno grupo que as acompanha é digno de todos os prêmios que este CD recebeu quando de seu lançamento. Comprei este disco na Itália, sem saber nada a respeito. Talvez o som de Schütz tenha me obrigado a visitar mais igrejas do que seria razoável…
CD IM-PER-DÍ-VEL para os amantes do barroco!
Schütz – Musicalische Exequien SWV 279-281, Op. 7
1. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Intonatio (TI)
2. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (T,T,B)
3. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
4. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (S,S,TI)
5. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
6. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (A,B)
7. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
8. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Intonatio (TI)
9. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Favoritchor
10. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
11. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (S II,B I)
12. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
13. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (S I, B)
14. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
15. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (T,T)
16. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
17. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Solo (A)
18. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (S,S,B)
19. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Solo (T I)
20. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (A,T,T,B)
21. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
22. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Soli (B,B)
23. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
24. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Solo (TI)
25. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
26. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Favoritchor
27. Concert in Form einer teutschen Begräbnis-Missa: Capella
28. Herr, wenn ich nur dich habe SWV 280
29. Canticum B. Simeonis Herr, nun lässest du deinen Diener in Frieden fahren”, SWV 281
30. Herr, nun lässest du deinen Diener im Friede fahren, SWV 432
31. Herr, nun lässest du deinen Diener im Friede fahren, SWV 433
32. Das ist je gewisslich wahrm SWV 277
33. Nun danket alle Gott, SWV 418
34. Vater unser, SWV 411
Knabenchor Hannover
Ensemble UCS
Heinz Hennig
PQP Bach
Culpa de P.Q.P. Bach, de Britten e de C.D.F. Bach
Eu, PQP Bach, ouço TODOS os CDs deste blog. Os meus (que posto após as audições) e os dos outros (já postados). Como a gente publica muito, estou ainda no dia 8 de abril de 2009. Pois agora me aconteceu de ouvir este CD há uma semana. Sem parar. E só posto o que ouço. Como estou perdidamente apaixonado, parei de postar.
Paciência, esperem sem pressões que eu me desapaixone.
Vocês são muitos, mas precisamos de todos
E faltam uns 14 minutos para acabar o mês…
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| Jan | 29346 |
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| Feb | 28053 |
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| Mar | 34859 |
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| Apr | 39065 |
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| May | 45107 |
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| Jun | 40436 |
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| Jul | 44249 |
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| Aug | 49263 |
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| Sep | 54691 |
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| Oct | 59441 |
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| Nov | 57762 |
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| Dec | 50922 |
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| Jan | 53558 |
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| Feb | 49367 |
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| Mar | 59385 |
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| Apr | 59532 |
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| May | 66526 |
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| Jun | 63060 |
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| Jul | 63506 |
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| Aug | 68185 |
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PQP
Philip Glass (1937) – White Raven, ópera de 1991
Sei lá como esta gravação chegou até mim. Parece registro de um concerto gravado por um espectador na terceira fila, meio escondido. Pura pirataria, coisa que detesto. A música é legítimo Glass; ou seja, é um ventilador legalzinho, mas só serve para dias muito quentes. A curiosidade é que é falada em português de Portugal. Os caras falam de navegações, mares, etc. Uma curiosidade. Quem são os executantes? Ah, meu amigo…
Philip Glass – White Raven (ópera)
01 – Knee Play 1 (El Escritor con los dos Cuervos)
02 – Acto I, 1 (Corte Portuguesa)
03 – Knee Play 2 (El Escritor con los dos Cuervos)
04 – Acto I, 2 (El Viaje)
05 – Acto I, 3 (Africa)
06 – Acto I, 4 (India)
07 – Acto II, 1 (Exploracao Submarina)
08 – Acto II, 2 (Exploracao de Agujeros Negros en el Cielo)
09 – Acto III (Prologo)
10 – Acto III, 1 (Corte Portuguesa)
11 – Knee Play 3 (El Escritor Como Cuervo)
12 – Acto III, 2 (Visiones Nocturnas)
13 – Acto IV (Scherzo)
14 – Knee Play 4 (El Escritor con una Mesa de Agua y una Pluma Voladora)
15 – Act V (Brasil)
16 – Epilogo
PQP
Nicolai Rimsky-Korsakov (1844-1908): Scherazade e A Grande Páscoa Russa
Sem planejamento nenhum, estou promovendo um verdadeiro Festival Russo no blog. Como disse, é casual; deve ser uma fase.
Na casa de meu pai, o toca-discos estava sempre ligado. Como mais ouvidos estavam Chopin, Concertos para Piano de Mozart, o Beethoven da middle age e duas músicas que meu amava loucamente: Quadros de uma Exposição e Scherazade. É absolutamente alto o número de vezes que ouvi esta obra do grande compositor e maior ainda orquestrador Rimsky-Korsakov em várias gravações, pois meu pai comprava discos como garrafas de leite. Por isso, talvez possa garantir que Ozawa trata muito bem uma das histórias da princesa que narrava para não morrer.
Lembrei que ainda não postei um disco espetacular de outro do Grupo dos Cinco: um de quartetos de Borodin. Os membros do nacionalista Grupo dos Cinco eram Rimsky-Korsakov, Mily Balakirev, Borodin, César Cui e Modest Mussorgsky. Acho que tanto Rimsky-Korsakov como Borodin era militares… É um mundo estranho e morto…
Grande CD!
Scheherazade, Op. 35
1. Rimsky-Korsakov – The sea and Sindbad’s ship (9:52)
2. Rimsky-Korsakov – The story of the Calendar Prince (11:34)
3. Rimsky-Korsakov – The young prince and the young priness (9:21)
4. Rimsky-Korsakov – Festival at Bagdad – The sea – The ship goes to pieces against a rock surmounted by a bronze warrior (The shipwreck) (12:33)
Russian Easter Festival Overture, Op. 36
5. Rimsky-Korsakov – Russion Easter, Op. 36 – Overture on sacred Russian themes (14:58)
Rainer Honeck, violin
Wiener Philharmoniker
Seiji Ozawa
PQP
Morre Les Paul, 94
Detalhes aqui.
Alfred Schnittke (1934-1998): Concerto Grosso Nº 1, Quasi una sonata, Moz-Art à la Haydn
No tempo em que comprei este CD, em 1991, Schnittke era “o mais celebrado compositor soviético”. Assim como seu país mudou, Schnittke mudou muito como compositor ao longo da vida. Antes influenciado por Shostakovich, depois adotou o poli-estilismo — uma coisa divertidíssima que pode ser ouvida neste Concerto Grosso de cordas enlouquecidamente vivaldianas e tangos de um Piazzolla que veio do frio — e depois adotou um estilo bem mais tímido e sério.
O carro-chefe do CD é o Concerto Grosso — casualmente, o Avicenna irá dançar um tango barenboiniano amanhã –, mas Quasi una sonata e Moz-Art à la Haydn são de primeira linha. Há um certo parentesco, nada mais do que isso, entre Quasi una sonata e Sonâncias III, de Marlos Nobre, obra que não lembro ter sido postada aqui. Daqui alguns dias, postarei a ópera Life with an Idiot, de Schnittke. Aguardem com a habitual paciência.
Schnittke: Concerto Grosso Nº 1, Quasi una sonata, Moz-Art à la Haydn
Concerto Grosso No.1, for 2 violins, harpsichord, prepared piano & 21 strings (1976-77)
1. Prelude: Andante
2. Toccata: Allegro
3. Recitativo: Lento
4. Cadenza [without tempo marking]
5. Rondo. Agitato
6. Postludio. Andante – Allegro – Andante
Tatjana Grindenko e Gidon Kremer, violinos
Yuri Smirnov, cravo e piano preparado
Heinrich Schiff, regência
7. Quasi una sonata, for violin & chamber orchestra (1987)
Yuri Smirnov, piano
Gidon Kremer, violino e regência
8. Moz-Art à la Haydn, for 2 violins & 11 strings (1987)
Tatjana Grindenko, violino
Gidon Kremer, violino e regência
Chamber Orchestra of Europe (nas 3 obras)
PQP
Antonio Vivaldi (1678-1741) & Johann Sebastian Bach (1685-1750): The Bach-Vivaldi Concertos
Ao menos de minha parte, fecho a temporada de transcrições com uma curiosidade: transcrições escritas por Bach para o cravo sobre Concertos de Vivaldi. Robert Woolley vai muito bem, dando-nos um excelente recital deste Johann Sebastian Vivaldi. Há também transcrições para o órgão, provas da enorme admiração que meu pai tinha pelo Padre Tonho, o Vermelho.
Bach-Vivaldi Concertos
Concerto No 1 in D major, BWV972
1 Movement 1: [Allegro] [2’20]
2 Movement 2: Larghetto [3’48]
3 Movement 3: Allegro [2’19]
Concerto No 2 in G major, BWV973 Antonio Vivaldi (1678-1741) & Johann Sebastian Bach (1685-1750)
4 Movement 1: [Allegro assai] [2’41]
5 Movement 2: Largo [2’28]
6 Movement 3: Allegro [2’23]
Concerto No 5 in C major, BWV976 Antonio Vivaldi (1678-1741) & Johann Sebastian Bach (1685-1750)
7 Movement 1: [Allegro] [3’48]
8 Movement 2: Largo [3’31]
9 Movement 3: Allegro [3’08]
Concerto No 4 in G minor, BWV975 Antonio Vivaldi (1678-1741) & Johann Sebastian Bach (1685-1750)
10 Movement 1: [Allegro] [3’10]
11 Movement 2: Largo [3’47]
12 Movement 3: Giga. Presto [1’46]
Concerto No 9 in G major, BWV980 Antonio Vivaldi (1678-1741) & Johann Sebastian Bach (1685-1750)
13 Movement 1: [Allegro] [3’52]
14 Movement 2: Largo [4’05]
15 Movement 3: Allegro [3’47]
Concerto No 7 in F major, BWV978 Antonio Vivaldi (1678-1741) & Johann Sebastian Bach (1685-1750)
16 Movement 1: Allegro [2’24]
17 Movement 2: Largo [2’47]
18 Movement 3: Allegro [2’28]
Robert Woolley (harpsichord)
PQP
Tem uns malucos que a gente tem que respeitar…
… clique aqui e confira a absurda maravilha!
J. S. Bach (1685-1750): Bach / Busoni – Piano Transcriptions
Eu esperei anos por este disco, lançado em 2000. Afinal, Ferruccio Busoni (1866-1924) foi o maior “transcritor” da obra de Bach para o piano. Busoni tem uma obra, foi um bom compositor, etc., mas creio que alcançou a imortalidade ao transcrever, sempre com brilhantismo, peças e mais peças de Bach. Ouçam este CD. As obras não foram recriadas com enorme talento? É espantosa a “recriação” para o piano de uma das mais radicais obras de papai: a Toccata BWV 564. E a Chaconne? Ouvir esse disco me deixa feliz.
De resto, um repertório cheio de charme, longe da obviedade de repalmilhar pela nonagésima vez as peças mais conhecidas. O excelente Kun-Woo Paik fez escolhas muito particulares e sensíveis, coisa de conhecedor. Um feliz sábado para todos nós.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Bach / Busoni – Piano Transcriptions
– Toccata in C Major for Organ, BWV 564
1. Preludio, quasi improvisando – Tempo moderato
2. Intermezzo – Adagio
3. Fuga – Moderatamente scherzando, un poco umoristice
– Chorale Preludes for Organ
4. Komm, Gott Schopfer, Heiliger Geist, BWv 667
5. Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWv 645
6. Nun komm, der Heiden Heiland, BWV 659
7. Nun freut euch, lieben Christen gmein, BWV 734
8. Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, BWV 639
9. Jesus Christus, unser Heiland, BWV 665
10. In dir ist Freude, BWV 615
11. Herr Gott, nun schleuss den Himmel auf, BWV 617
12. Durch Adam’s Fall ist ganz verderbt, BWV 637
13. Durch Adam’s Fall ist ganz verderbt, BWV 705
14. Chaconne from Partita No. 2 for Violin, BWV 1004
Kun-Woo Paik, piano
PQP
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias – A Décima-terceira (CDs 10 e 11 de 11)
Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)
Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 — lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… –, Shostakovich voltaria às boas relações com a música sinfonia da forma mais gloriosa possível: pela Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma seqüência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com a nada desprezível colaboração do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasiliense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!)
O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 29 e 30 de setembro de 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios.
Ievtuchenko criticou a maneira que o governo soviético tratara o local. O monumento em homenagem aos mortos referia-se às vítimas como ucranianas e russas, o que também eram, apesar de saber-se que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele… O jovem poeta Ievtuhenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O que parece ser uma crítica de importância relativa para nós, era digna de censura, na União Soviética. O poema fui publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram solicitadas alterações que nunca foram feitas na sinfonia. No Ocidente, Babi Yar foi considerado prova da violência anti-semita na União Soviética, mas o próprio Ievtuchenko declara candidamente em sua Autobiografia Precoce (Ed. Brasiliense, 1987) que a tentativa de censura ao poema não teve nada a ver com este gênero de discussão e que, das trinta mil cartas que recebeu falando em Babi Yar, menos de trinta provinham de anti-semitas… É tudo muito estranho.
O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.
O tratamento que Shostakovich dá ao poema é perfeito. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino e orquestra. Principalmente em Babi Yar e em Na Loja, é música de impressionante gravidade e luto; a belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora ao grande modelo de Shostakovich, Mussorgski; mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para seu sarcasmo.
Calma crueldade: soldados alemães examinam as roupas dos judeus mortos em Babi Yar. (Adotando o tom sarcástico tão caro a Shostakovich, diria que, hoje, as roupas poderiam ser palestinas e os soldados… Deixa pra lá!)
A seguir, aproveitarei a excelente descrição que Clovis Marques fez para o concerto que incuía a Sinfonia Nº 13, Babi Yar, realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 27/07/2006. Volto no final do post:
Chostakovich, ‘for ever’ – Clovis Marques – Opinião & Noticia
30/07/2006
O contato em condições ideais com uma obra-prima do século XX é raro na vida musical de um mortal carioca. Na última quinta-feira, a Sinfonia nº 13 de Chostakovich passou pelo Teatro Municipal com uma carga tão densa de significado e beleza que quase não surpreendeu que a interpretação e o acabamento, a cargo da Petrobras Sinfônica, estivessem também em esferas muito altas.
“Babi Yar” é como ficou conhecida esta sinfonia-cantata para coro masculino, baixo e orquestra composta e estreada em 1962 em Moscou. O título vem do poema de Ievgueni Evtuchenko que causara rebuliço ao ser publicado no ano anterior na “Literaturnaia Gazeta”, tocando na chaga do anti-semitismo a propósito do massacre cometido pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, no local conhecido como “ravina das mulheres”, perto de Kiev.
A partir desse texto de dura indignação, e apesar dos problemas que uma tal inspiração de “protesto” ainda geraria na União Soviética pós-stalinista, Chostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de duas ou três mazelas trágicas do seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre quotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação pelo humor e a intransigência.
Em linguagem quase descritiva, contrastando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, “Babi Yar” tem um poder de evocação propriamente cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica e de poder de invenção tão sustentado, com um grau de concentração expressiva que sublima a revolta, o negrume e a angústia como poucas vezes na música pós-romântica.
O realismo e a concisão imagética dos poemas são admiravelmente esposados pelo estilo alternadamente sombrio e irruptivo da música de Chostakovich, que apesar da forma atípica, para uma sinfonia, dota a obra de continuidade estrutural e organicidade musical mesmerizantes – para não falar da invenção melódica tão sua, que associamos indelevelmente à Rússia soviética. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímaxes, as texturas são parcimoniosas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas – mais um elemento dessa pungência feita de desolação e sobreexcitação nervosa.
O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios, sobre Anne Frank e um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, os tambores em ritmo marcado, a maior animação da música e o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve pictoricamente as filas de humilhadas donas-de-casa em uma linha sinuosa nas cordas graves, entrelaçada a outra que, no registro médio, evoca a maneira como elas se insinuam cautelosas até o balcão. “Elas nos honram e nos julgam”, diz o poema, enquanto blocos e castanholas fazem as vezes de panelas e garrafas se entrechocando. A reserva da estupefação moral explode na última estrofe: “Nada está fora do alcance da força delas”.
A subjugada linha sinuosa torna-se reta, com permanente vibração surda na percussão, ao prosseguir sem interrupção no episódio seguinte, em ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Frente ao negrume até aqui prevalecente, a sinfonia conclui em uma satírica meditação sobre o que é seguir “Carreira”. Em orquestração e harmonização reminiscentes da música do tcheco Martinu (1890-1959), no emprego de flautas e oboés oscilantes em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstoi: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela sonoridade onírica da celesta.
A Orquestra Petrobras Sinfônica esteve esplêndida, tocando como gente grande em cada naipe e coletivamente, sob a batuta do jovem maestro chileno Rodolfo Fisher. O barítono americano David Pittman-Jennings, embora não tenha aquele baixo profundo que impressiona nas interpretações russas, ostentou o metal nobre, a projeção plena e a capacidade de nuançar que permitiram total imersão nessa escorchante fantasia pânica. O Coro Sinfônico do Rio de Janeiro, dirigido por Julio Moretzsohn, esteve mais coeso e homogêneo que nunca, em sua formação exclusivamente masculina. Faltou apenas a reprodução/tradução dos poemas.
<— Shostakovich (esquerda), com o poeta Evgeni Ievtuchenko (direita) e o regente Kiril Kondrashin na estréia da controversa 13ª Sinfonia.
A seguir, eu, P.Q.P. Bach, copiei para vocês trechos traduzidos por Lauro Machado Coelho dos poemas utilizados na 13ª Sinfonia. Notem como o poema Babi Yar não é só aquilo que diz Clóvis Marques, mas uma clara alusão ao anti-semitismo soviético. Depois, mais comentários sobre a grande estréia da peça na URSS.
Babi Yar
Tenho medo.
Tenho hoje tantos anos
quanto o próprio povo judeu.
Parece que agora sou um judeu.
Perambulo no Egito antigo.
E eis-me na cruz, morrendo.
E ainda trago em mim a marca dos pregos.
Parece que Dreyfus sou eu.
Os filisteus são os que me denunciam e são o meu juiz.
Estou atrás das grades.
Estou cercado,
perseguido, cuspido, caluniado.
E as mocinhas, com suas rendas de Bruxelas,
rindo, me enfiam a sombrinha na cara.
(…)
Eu, chutado por uma bota, sem forças,
em vão peço piedade aos pogromistas.
(…)
Que a Internacional ressoe
quando enterrarem para sempre
o último anti-semita da terra.
Não há sangue judeu no meu sangue,
mas sou odiado com todas as forças
por todos os anti-semitas, como se judeu fosse.
E é por isso que sou um verdadeiro russo.
Humor
Czares, reis, imperadores
soberanos do mundo inteiro,
comandaram as paradas
mas ao humor não puderam controlar.
Ó euzinho aqui!
De repente me desembaraço de meu casaco,
faço um gesto com a mão e “Tchau!”.
Na loja
Dar-lhes o troco errado é uma vergonha,
enganá-las no troco é um pecado.
(…)
E, enquanto enfio no bolso as minhas massas,
olho, solene e pensativo,
cansadas de carregar seus sacos de compras,
as suas nobres mãos.
Elas nos honram e nos julgam,
nada está fora do alcance de suas forças.
Medos
Lembro do tempo em que ele era todo-poderoso,
na corte da mentira triunfante.
O medo se esgueirava por toda parte, como uma sombra,
infriltava-se em cada andar.
Agora é estranho lembrarmo-nos disso,
o medo secreto que alguém nos delate,
o medo secreto de que venham bater à nossa porta.
E depois, o medo de falar com um estrangeiro…
com um estrangeiro? até mesmo com sua mulher!
E o medo inexplicável de, depois de uma marcha,
ficar sozinho com o silêncio.
Não tínhamos medo de construir em meio à tormenta,
nem de marchar para o combate sob o bombardeio,
mas tínhamos às vezes um medo mortal,
de falar, nem que fosse com nós mesmos.
Uma Carreira
Os padres diziam que Galileu era mau e doido.
Que Galileu era doido.
Mas, como o tempo o demonstrou,
o doido era o mais sábio.
Um cientista da época de Galileu,
não era menos sábio que Galileu.
Ele sabia que a Terra girava,
mas tinha uma família
e, ao subir com sua mulher na carruagem,
achava que tinha feito sua carreira,
quando, na realidade, a tinha destruído.
Para compreender nosso planeta,
Galileu correu riscos.
É isso — eu penso — que é uma carreira.
Por isso, viva sua carreira,
quando é uma carreira como
a de Shakespeare e Pasteur,
Newton e Tolstói.
Liev?
Liev!
Por que eles foram caluniados?
Talento é talento,
digam o que disserem.
Os que insultaram estão esquecidos,
mas nós lembramos dos que foram insultados.
Com estes textos, foi difícil estrear a sinfonia. Em 1962, todos tiram o corpo fora, até o velho amigo Mravinski alega excesso de trabalho. Shostakovich volta-se para um moço talentoso — Kirill Kondrashin –, que aceita reger. O regente escala Viktor Nietchpailo para cantar na noite de estréia, deixando o jovem Vitali Gromadski “na reserva”. Sábia providência, pois Nietchpailo não suporta as pressões, acrescidas de um bate boca entre Ievtushenko e Nikita Kruschev, numa reunião entre artistas que devia dissuadi-lo a manter o texto de Babi Yar na sinfonia, e, amedrontado, cai fora. Gromadski é chamado. Muitos outros músicos “adoecem” e o coro desiste de cantar. Kondrashin e Ievtushenko dão discursos indignados e o coral retorna. Popov, o Ministro da Cultura, telefona a Kondrashin perguntando se a sinfonia pode ser apresentada sem o primeiro e quarto movimentos. Kondrashin responde que não, porque mutilaria a forma da sinfonia e todos sabem que o primeiro movimento fala sobre os anti-semitas soviéticos e de Babi Yar… “Ministro, se cortarmos, haverá reações indesejáveis…”. Ouve Popov afirmar e perguntar: “A responsabilidade é sua. Faça como achar melhor. A propósito, há algo que possa impedi-lo de reger esta noite?”. “Não, todos estamos em excelente forma…”, responde Kondrashin. Enquanto isso, as pessoas brigam pelos ingressos de um concerto que fez a Grande Sala do Conservatório vir abaixo, com os aplausos ocorrendo entre cada movimento. O CD 11 é a som desta estréia.
CD 10
SYMPHONY No.13 in B flat minor, Op.113
For Bass Solo, Bass Choir and Orchestra in B Flat Minor, Op.113, “Babi Yar”
1. Babi Yar (Adagio)
2. Yumor – Humour (Allegretto)
3. V Magazine – In the Store (Adagio)
4. Strachi – Fears (Largo)
5. Kariera – A Career (Allegretto)
Recorded: August 23, 1967
Arthur Eisen, Bass
Choirs of the Russian Republic
Alexander Yourlov, Conductor
Moscow Philharmonic Orchestra
Kirill Kondrashin, Conductor
Total time 56:06
E depois, no mesmo arquivo, o registro ao vivo da primeira apresentação. Esta gravação é superior à postada acima. O baixo é o excelente e corajoso Vitali Gromadski.
CD 11
Shostakovich: The Complete Symphonies – No.13
Artist: Moscow Philharmonic Orchestra cond. Kirill Kondrashin
Length: 0:56:35
Notes: Recorded live in the Large Hall of the Moscow Conservatory on December 18, 1962 with State Academic Choir, Yurlov Russian Choir, Vitaly Gromadsky (bass).
Tracks:
01 I Babi Yar (Adagio) [15:03]
02 II Humor (Allegretto) [7:52]
03 III In the Store (Adagio) [11:06]
04 IV Fears (Largo) [10:30]
05 V A Career (Allegretto) [12:04]
BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
PQP
J. S. Bach (1685-1750): Capricci, Toccata, Little Preludes
Vou tomar uma atitude profilática. Estou mandando tomar no cu quem reclamar que este CD tem apenas uma faixa. Bom, ele é uma conversão de um antigo LP de 1986 da Melodija soviética que nunca tornou-se CD e que é tão bom, tão bom, mas tão bom que é melhor calar e ouvir. (Explico melhor: mandarei tomar aqueles não leem o que estão baixando. Você, meu dedicado leitor que chegou a esta linha, é amado por mim).
Eu não sei quem foi este Lubimov, eu só sei que o cara amava Bach, tocava demais e seu LP/CD/mp3 é de se ouvir de joelhos. Ajoelhei ou tremei, infiéis! (Querem ver como alguém vai reclamar que está tudo numa só faixa? Não me chamo P.Q.P. Bach se alguém não reclamar!)
IM-PER-DÍ-VEL!!!
Ah, som de boa qualidade!
J. S. Bach – Capricci, Toccata, Little Preludes
Capriccio in B flat major “Sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo” BWV 992 – 10.15
01. 1. Arioso. Adagio
02. 2. (Andante)
03. 3. Adagissimo
04. 4. (Andante con moto)
05. 5. Aria di Postiglione. Allegro poco
06. 6. Fuga all’ imitazione della cornetta di postiglione
07. Capriccio in E major “In honorem Joh. Christoph. Bachii”, BWV 993 – 5.51
Toccata in E minor, BWV 914 – 7.09
08. 1. –
09. 2. Un poco Allegro
10. 3. Adagio
11. 4. Fuga. Allegro
Twelve Little Preludes, – 11.35
12. 1. in C major, BWV 924
13. 2. in C major, BWV 939
14. 3. in C minor, BWV 999
15. 4. in D major, BWV 925
16. 5. in D minor, BWV 926
17. 6. in D minor, BWV 940
18. 7. in E minor, BWV 941
19. 8. in F major, BWV 927
20. 9. in F major, BWV 928
21. 10. in G minor, BWV 929
22. 11. in G minor, BWV 930
23. 12. in A minor, BWV 942
Six Little Preludes – 10.46
24. 1. in C major, BWV 933
25. 2. in C minor, BWV 934
26. 3. in D minor, BWV 935
27. 4. in D major, BWV 936
28. 5. in E major, BWV 937
29. 6. in E minor, BWV 938
Alexei Lubimov – “Tschudi” harpsichord, London 1766
Conversão feita a partir de um LP
PQP
E ainda nem respondi ao e-mail…
… apesar de estar louco de orgulho!
Assunto: O Pensador Selvagem: CD de composições do Compomus da UFPB
Boa tarde!
Venho aqui atender ao pedido dos compositores do Laboratório de Composição Musical da UFPB (COMPOMUS) que desejam ter o conteúdo do seu CD mais recente (BRASSIL Interpreta Compositores da Paraíba, patrocinado pela Petrobrás) disponibilizado para download em seu blog, PQP Bach. Todos os compositores envolvidos no projeto concordaram com a disponibilização gratuita do disco.
Aguardo seu retorno para saber como devemos proceder.Rafael Laurindo
Podem usar e abusar do PQP Bach. Procedam primeiramente chutando a porta. A casa é de vocês! Por favor, enviem o link do mp3 convertido em 320 KB — acompanhado de comentários e notícias biográficas de cada autor — para o e-mail [email protected] .
Nós é que agradecemos a cada um de vocês!
PQP
Curioso
Confiram este link.
PQP
Carlo Gesualdo da Venosa (1566-1613): Livro I dos Madrigais
Texto de Milton Ribeiro. Retirado daqui.
Quem leu Cortázar direitinho sabe quem é Gesualdo da Venosa. Aquele pessoal da Renascença não era mole. Passei grande parte da segunda e terça-feira com o iPod ligado, ouvindo Gesualdo, um sujeito nascido em 1566 que merecia ser conhecido por sua música e não apenas por ter cometido um espetacular assassinato.
Gesualdo casou-se aos 26 anos com sua prima, Maria d`Avalos. Dois anos de casamento feliz — provavelmente só na opinião do marido — e Maria começou um caso com Fabrizio Carafa, Duque de Andria. Como quase sempre acontece, o corno é o último a saber; ou seja, toda cidade sabia, menos o proprietário das frondosas peças. Talvez fosse esperado que, ao descobrir com quem sua Maria se deitava, o Príncipe da Venosa tivesse uma reação blasé, mais ou menos como um nobre francês… Nada disso! Gesualdo deve ter pensado que “Corno que sabe e consente, bem age quem lhe acrescente…”, e tratou de vingar-se. Vamos ver o que fez Gesualdo.
Num belo dia de outono, ele preparou algo que lhe servisse como aquecimento: uma caçada com amigos. Nada melhor que um pouco de sangue para alguém quem traz um desejo de morte na alma. Então, em meio à caçada, Gesu resolveu ver como andavam as coisas em casa, digo, no Palazzo San Severo. Severo? Severíssimo! Testemunhas disseram que Gesualdo pediu que os empregados segurassem Fabrizio, dando-lhe um lugar confortável onde pudesse ver o primeiro ato da cena. Então, dedicou-se à mulher, enfiando-lhe a espada diversas vezes. Como Maria custasse a morrer, ele berrava “Ainda não?, Ainda não?” e seguia perfurando a pobre adúltera. Na segunda parte, ministrou tratamento semelhante à Fabrizio, com resultado análogo. Contudo, antes, fez o Duque de Andria trajar um vestido de noite de Maria. As roupas de Fabrizio foram encontradas limpas e sem marcas de violência.
Completou a obra deixando os corpos bem na frente de seu castelo, de forma a mostrar como se faz à cidade de Nápoles. Tal atitude foi cantada em versos por Tasso e admirada em toda a Europa. Virou tema de ópera, poemas e peças teatrais.
Mas voltemos ao caso. Vocês estão pensando que ele foi preso, não? Nada disso, os nobres nunca eram presos; havia para eles uma pizza institucionalizada. Porém (ah, porém…), um outro nobre podia vingar-se dele numa boa. Após o crime, Gesualdo arranjou outra mulher e isolou-se, compondo sua maravilhosa (mesmo!) obra musical. Aquele aristocrático napolitano só foi reconhecido nos primeiros anos do século XX. Tinha uma linguagem avançada que incluia dissonâncias, progressões harmônicas, ritmos contrastantes, passagens diatônicas, cromatismo, etc. Stravinski erigiu-lhe um monumento musical — o Monumentum pro Gesualdo (1960) –, Julio Cortázar dedicou-lhe com conto; Anatole France, um romance (Le puits de Sainte-Claire); e Aldous Huxley várias páginas de seu As Portas da Percepção (The Doors of Perception).
Só que eu escrevi um “ah, porém” ao estilo de Paulinho da Viola. O motivo é que, vinte anos depois da morte da mãe, o segundo filho do casal Gesualdo e Maria d`Avalos resolveu vingar-se, matando o pai que assassinara sua mãe quando era bebê. A vingança é um prato que se come frio e, com mais esta morte, pegamos um dos pingos do sangue de Gesualdo para pormos um ponto final a este post.
Gesualdo (1566-1613): Livro I dos Madrigais
1 Baci Soavi E Cari
2 Il Parte – Quanto Ha Di Dolce
3 Madonna Io Ben Vorrei
4 Come Esser Può
5 Gelo Ha Madonna Il Seno
6 Mentre Madonna Il Lasso
7 Il Parte – Ahi Troppo Saggia
8 Se Da Sì Nobil Mano
9 II Parte – Amor Pace Non Chero
10 Sì Gioioso Mi Fanno I Dolor Miei
11 O Dolce Mio Martire
12 Tirsi Morir Volea
13 II Parte – Frenò Tirsi Il Desio
14 Mentre Mia Stella Miri
15 Non Mirar Di Questa Bella Imago
16 Questi Leggiadri Adorosetti
17 Felice Primavera
18 II Parte – Danzan Le Ninfe Oneste
19 Son Sì Belle Le Rose
20 Bella Angioletta
Conductor, Harpsichord – Sergio Vartolo
Ensemble – Concerto Delle Dame Di Ferrara
Harp – Loredana Gintoli
Vocals [Alto] – Gabriella Martellacci
Vocals [Bass] – Walter Testolin
Vocals [Soprano I] – Lisa Serafini
Vocals [Soprano Ii] – Angela Bucci
Vocals [Tenor I] – Makoto Sakurada
Vocals [Tenor Ii] – Giampaolo Fagotto
PQP
Arcangelo Corelli (1653-1713) – Concerti Grossi, Op.6 (Completo) – LINK RESTAURADO
Um acepipe de primeira categoria para o numeroso grupo de adoradores do barroco que vem a este blog cuja modéstia ruborizou-se após a premiação referida por mim no antepenúltimo post e que só meu pudor impede de citar novamente… (Sim, sem vírgulas! Espero não ter roubado muito ar dos leitores.)
Adianto que o Op.6 de Corelli é grande música, aqui interpretada pelo sempre escandaloso Fabio Biondi, o qual costuma tomar algumas liberdades que, ao menos a mim, são bem-vindas. Ouvi os dois CDs ontem à noite, enquanto preparava-se o dia gris de hoje e, puxa, fui dormir o sono dos justos. Não vou escrever mais porque o livro que estou lendo é muito bom (Istambul, de Orham Pamuk) e está me chamando. Assim sendo, deixo vocês livres de minha verborragia sem direção.
Antes copio aqui uma nota biográfica de Coreli retirada deste barulhento site. Notem como toda a pequena obra de Corelli está no repertório barroco atual. Prova de sua imensa qualidade.
Arcangelo Corelli nasceu no dia 17 de fevereiro de 1653 em Fusignano, cidade localizada entre Bolonha e Ravena. Descendia de uma das mais ricas e tradicionais famílias da região.
Foi enviado muito cedo para Faenza onde recebeu educação básica e onde teria recebido as primeiras lições de música de um padre. Continuou os estudos em Lugo e, depois mudou-se para Bolonha, em 1666.
Em Bolonha o jovem Corelli se familiarizou com o violino e resolveu dedicar-se inteiramente a ele. Com Giovanni Benvenuti e Leonardo Brugnoli ele adquiriu os elementos essenciais da técnica violinística. Após quatro anos de estudos, Corelli foi admitido na Academia Filarmônica de Bolonha.
Em 1675, ele já estava em Roma. Nesta época, os nobre de Roma rivalizavam-se em pompa ao patrocinar apresentações artísticas. Entre os grandes mecenas, destacava-se Cristina Alexandra, que se fixara em Roma depois de abdicar de seu trono na Suécia, em 1659. Músicos, poetas, filósofos reuniam-se ao redor dela em seu palácio, e era uma honra ser convidado para suas festas. Cristina fundou a Academia da Arcádia – a sociedade musical mais fechada da Itália – onde Corelli seria recebido em 1709.
Aos 36 anos, e após a morte de Cristina da Suécia, Corelli passou a trabalhar para o Cardeal Ottoboni, seu maior protetor e grande amigo. Homem liberal e apaixonado pelas artes, Ottoboni possibilitou livre trânsito a seu protegido, fornecendo-lhe o tempo e as condições necessárias para que ele elaborasse suas obras com absoluta tranqüilidade.
Sua fama se expandia e estudantes de música vinham de longe para aprender com ele. Corelli já se firmara como um dos nomes importantes da música instrumental.
Corelli morreu durante a noite de 8 de janeiro de 1713. Estava só. Desolado, o Cardeal Ottoboni mandou embalsamá-lo e colocá-lo em um triplo ataúde, feito de chumbo, de cipreste e de castanheiro, e enterrou-o no panteão de Roma, reservado apenas aos pintores, arquitetos e escultores, membros da Artística Congregazione dei Virtuosi al Pantheon.
Sua Obra
Contrariamente à maioria dos grandes nomes da música barroca, Corelli produziu pouco, abordando apenas poucas formas de expressão musical existente em seu tempo. Jamais escreveu para voz. Sua glória repousa inteiramente em seis coletâneas de música instrumental, todas elas dedicadas aos instrumentos de arco.
As quatro primeiras delas dedica-se aos trios, a quinta é o famoso livro de sonatas para violino solo e baixo; e a sexta obra, os doze Concertos Grossos.
A Corelli pertence, entre outros, o mérito de ter favorecido a expansão do concerto grosso e contribuído de modo decisivo para o enobrecimento do violino. Derivado da viola, o violino surgiu em meados do século XIV, sempre relegado às festas populares e à idéia de vagabundagem e ao gosto duvidoso. Timidamente introduzido nos salões do início do século XVII, recebeu depois, com Corelli, brilhante tratamento técnico e conquistou definitivamente a corte.
Corelli – Concerti Grossi, Op.6 (Completo)
CD1:
1. Concerto N 2 In Fa Maggiore : Vivace, Allegro, Adagio, Vivace, Allegro…
2. Concerto N 2 In Fa Maggiore : Allegro
3. Concerto N 2 In Fa Maggiore : Grave, Andante Largo
4. Concerto N 2 In Fa Maggiore : Allegro
5. Concerto N 4 In Re Maggiore : Adagio, Allegro
6. Concerto N 4 In Re Maggiore : Adagio
7. Concerto N 4 In Re Maggiore : Vivace
8. Concerto N 4 In Re Maggiore : Allegro
9. Concerto N 5 In Si Bemolle Maggiore : Adagio, Allegro, Adagio
10. Concerto N 5 In Si Bemolle Maggiore : Adagio
11. Concerto N 5 In Si Bemolle Maggiore : Allegro, Adagio
12. Concerto N 5 In Si Bemolle Maggiore : Largo, Allegro
13. Concerto N 3 In Do Minore : Largo
14. Concerto N 3 In Do Minore : Allegro, Adagio
15. Concerto N 3 In Do Minore : Grave
16. Concerto N 3 In Do Minore : Vivace
17. Concerto N 3 In Do Minore : Allegro
18. Concerto N 1 In Re Maggiore : Largo, Allegro, Largo, Allegro
19. Concerto N 1 In Re Maggiore : Largo
20. Concerto N 1 In Re Maggiore : Allegro
21. Concerto N 1 In Re Maggiore : Allegro
22. Concerto N 6 In Fa Maggiore : Adagio
23. Concerto N 6 In Fa Maggiore : Allegro
24. Concerto N 6 In Fa Maggiore : Largo
25. Concerto N 6 In Fa Maggiore : Vivace
26. Concerto N 6 In Fa Maggiore : Allegro
CD2:
27. Concerto N 7 In Re Maggiore : Vivace, Allegro, Adagio
28. Concerto N 7 In Re Maggiore : Allegro
29. Concerto N 7 In Re Maggiore : Andante Largo
30. Concerto N 7 In Re Maggiore : Allegro
31. Concerto N 7 In Re Maggiore : Vivace
32. Concerto N 8 In Sol Minore : Vivace, Grave
33. Concerto N 8 In Sol Minore : Allegro
34. Concerto N 8 In Sol Minore : Adagio, Allegro, Adagio
35. Concerto N 8 In Sol Minore : Vivace
36. Concerto N 8 In Sol Minore : Allegro
37. Concerto N 8 In Sol Minore : Pastorale Largo
38. Concerto N 9 In Fa Maggiore : Preludio : Largo
39. Concerto N 9 In Fa Maggiore : Allemanda : Allegro
40. Concerto N 9 In Fa Maggiore : Corrente : Vivace
41. Concerto N 9 In Fa Maggiore : Gavotta : Allegro
42. Concerto N 9 In Fa Maggiore : Adagio
43. Concerto N 9 In Fa Maggiore : Minuetto : Vivace
44. Concerto N 10 In Do Maggiore : Preludio : Andante Largo
45. Concerto N 10 In Do Maggiore : Allemanda : Allegro
46. Concerto N 10 In Do Maggiore : Adagio
47. Concerto N 10 In Do Maggiore : Corrente : Vivace
48. Concerto N 10 In Do Maggiore : Allegro
49. Concerto N 10 In Do Maggiore : Minuetto : Vivace
50. Concerto N 11 In Si Bemolle Maggiore : Preludio : Andante Largo
51. Concerto N 11 In Si Bemolle Maggiore : Allemanda : Allegro
52. Concerto N 11 In Si Bemolle Maggiore : Adagio, Andante Largo
53. Concerto N 11 In Si Bemolle Maggiore : Sarabanda : Largo
54. Concerto N 11 In Si Bemolle Maggiore : Giga : Vivace
55. Concerto N 12 In Fa Maggiore : Preludio : Adagio
56. Concerto N 12 In Fa Maggiore : Allegro
57. Concerto N 12 In Fa Maggiore : Adagio
58. Concerto N 12 In Fa Maggiore : Sarabanda : Vivace
59. Concerto N 12 In Fa Maggiore : Giga : Allegro
Europa Galante (Ensemble),
Fabio Biondi (Violino e Regência),
Antonio Fantinuoli (Violoncelle),
Silvia Cantatore (Violon), et al.
BAIXE AMBOS AQUI – DOWNLOAD BOTH HERE
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Quinteto Villa-Lobos de graça em Porto Alegre
O Quinteto Villa-Lobos traz de volta seu amor, desata macumbaria, doenças mandadas e da carne. Traz seu emprego de volta — assim como o desejo –, cura doenças e faz com que ela chame seu nome mesmo que esteja junto de outro homem. Faz tudo ao contrário e vice-versa se você for mulher.
Não perca, imbecil!
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Luto
El Cuervo Lopez morreu. Viveu apenas 43 anos. Fiquei muito triste. Espero que Fernando e os outros dois da equipe mantenham aquele incrível blog de todos os amantes de Mahler-Shosta e mais.
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Sobre Mozart
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Pérotin (c. 1160-c. 1236) com o Hilliard Ensemble
É impossível descrever a maravilhosa interpretação que o Hilliard Ensemble dá ao genial Pérotin neste CD da ECM. Que vozes! Pouco se sabe a respeito do compositor, mas… Bem, ouçam.
Perotin
1 Viderunt Omnes
2 Veni Creator Spiritus
3 Alleluia Posui Adiutorium
4 O Maria Virginei
5 Dum Sigillum
6 Isaias Cecinit
7 Alleluia Nativitas
8 Beata Viscera
9 Sederunt Principes
The Hilliard Ensemble:
David James (Countertenor)
John Potter (Tenor)
Rogers Covey-Crump (Tenor)
Mark Padmore (Tenor)
Charles Daniels (Tenor)
Gordon Jones (Baritone)
Paul Hillier (Baritone)
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