Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Modest Mussorgsky (1839-1881): Canções e Danças da Morte (Philadelphia Orch, Jansons)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Modest Mussorgsky (1839-1881): Canções e Danças da Morte (Philadelphia Orch, Jansons)

IM-PER-DÍVEL !!!

A Sinfonia Nº 10, Op. 93, de Dmitri Shostakovich é uma das obras mais pessoais, enigmáticas e poderosas do compositor. Ela foi concluída após a morte de Stalin (março de 1953), que havia perseguido Shostakovich e outros artistas. É vista como uma reação emocional a esse período de terror e à esperança de liberação artística. Shostakovich declarou que a obra representa — referindo-se ao segundo movimento — “Stalin e os anos stalinistas”, embora seu significado vá muito além. A sinfonia tem quatro movimentos. Inicia por um Moderato, um movimento lento, vasto e sombrio, que constrói uma tensão quase insuportável. Representa a opressão e a solidão do indivíduo sob o regime totalitário. Depois temos o tal Allegro, um scherzo brutal, frenético e violento. É frequentemente interpretado como um retrato musical de Stalin — mecânico, implacável e esmagador. Um dos movimentos mais agressivos já escritos por Shostakovich. Segue-se um Allegretto – Largo que finalmente e pela primeira vez introduz o motivo musical DSCH, as notas correspondentes às iniciais do seu nome em alemão: D. SCHostakovich). É como uma assinatura musical, afirmando sua identidade artística após anos de silêncio forçado. O clima é pesado, melancólico e introspectivo. Finaliza com um Andante – Allegro que começa de forma sombria, mas evolui para uma conclusão triunfante. O motivo DSCH retorna com força, simbolizando, talvez, a vitória pessoal do compositor. Bem, mas por que esta sinfonia é tão importante? Ora, porque captura a essência do terror stalinista e o alívio pós-morte do psicopata. Também, pela primeira vez, Shostakovich “assina” uma obra de forma clara com o motivo DSCH, o qual é repetido inúmeras vezes, insistentemente MESMO. É uma obra magistral e emocionalmente devastadora. A estreia (dezembro de 1953) foi controvertida. Autoridades soviéticas acharam a obra “pessimista”, enquanto que outros a viram como um grito de liberdade. Tornou-se um símbolo da resistência artística. Não é apenas música, mas um ato de coragem política e pessoal, onde Shostakovich transforma sua angústia em arte universal. Uma obra obrigatória para entender o século XX. Só mesmo um tolo como Osvaldo Colarusso, no pasquim curitibano de extrema direita Gazeta do Povo, teve a pachorra de chamar Shosta de “covarde e egoísta”. Ele talvez quisesse que Shosta enfrentasse seus algozes de frente e morresse cedo como um herói olaviano? Não vou colocar o link aqui para não ajudar na audiência do jornal, que é um lixo. Ah, voltando ao CD: a regência de Mariss Jansons e a orquestra de Filadélfia dispensam elogios.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 / Modest Mussorgsky (1839-1881): Canções e Danças da Morte (Philadelphia Orch, Jansons)

Symphony No. 10, Op. 93
Composed By – Dmitri Shostakovich
1 I. Moderato 21:49
2 II. Allegro 4:19
3 III. Allegretto 12:03
4 IV. Andante – 4:24
5 __ Allegro 8:35

Songs And Dances Of Death
Composed By – Modest Mussorgsky
Orchestrated By – Dmitri Shostakovich
Text By – Count Arseni Golenishchev-Kutuzov
6 I. Cradle Song 4:40
7 II. Serenade 5:02
8 III. Trepak 4:44
9 IV. The Field-Marshall 5:44

Bass Vocals – Robert Lloyd (4) (tracks: 6-9)
Conductor – Mariss Jansons
Orchestra – The Philadelphia Orchestra

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 5 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 5 (Éder Quartet)

Um baita disco. Dois Quartetos alegres e sarcásticos… O Quarteto Nº 2 foi composto logo após a Segunda Guerra Mundial, no mesmo período da Nona Sinfonia. É uma obra de transição: o otimismo oficial do pós-guerra se choca com a desilusão pessoal de Shostakovich. Ainda não havia a repressão aberta de 1948 (com o Decreto Jdanov), mas o clima já era de cautela. É uma “sinfonia de guerra” em miniatura, mas dizendo muito: é feliz, mas parece focar mais no custo humano do que na vitória. O terceiro movimento é um scherzo grotesco, típico do estilo de Shostakovich. Já o Nº 5 foi escrito durante o auge do Decreto Jdanov, que acusou Shostakovich de “formalismo burguês”. Sua música mais pública (sinfonias, concertos) era censurada, então ele canalizou sua voz mais autêntica para a música de câmara. É uma obra estruturalmente perfeita e, como sempre, carregada de subtexto emocional. Tratou-se de uma válvula de escape artística; nele, Shostakovich fala sem as restrições da música sinfônica oficial. Podemos dizer que o Nº 3 é um documento histórico emocional da experiência traumática do século XX. É Shostakovich como cronista da guerra e da memória. E o Nº 5 seria um testemunho da resistência artística.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 5 (Éder Quartet)

String Quartet No. 3 In F, Op. 73
1 Allegretto 6:52
2 Moderato Con Moto 4:59
3 Allegro Non Troppo 4:08
4 Adagio 5:26
5 Moderato 9:02

String Quartet No. 5 In B Flat, Op. 92
6 Allegro Non Troppo 10:11
7 Andante 9:20
8 Moderato – Allegretto 10:08

Éder Quartet:
Cello – György Éder
Viola – Sándor Papp
Violin – György Selmeczi, Péter Szüts*

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Shostakovich sendo pai.

PQP

Franz Schubert (1797 – 1828): Quatro Mãos (Fantasia D. 940 e outras peças) – Bertrand Chamayou e Leif Ove Andsnes (piano) ֍

Franz Schubert (1797 – 1828): Quatro Mãos (Fantasia D. 940 e outras peças) – Bertrand Chamayou e Leif Ove Andsnes (piano) ֍

Para os ouvintes, estas obras a quatro mãos oferecem uma dupla recompensa: o prazer imediato de uma música bem elaborada e discursiva e a satisfação mais profunda de sentir as vozes de dois pianistas unindo-se numa única arquitetura expressiva. Esta música – compacta em escopo, expansiva em sentimento – permanece um testemunho do gênio de Schubert: uma arte da conversa que faz com que um espaço pareça, de repente e para sempre, mais íntimo.
James Jolly

Como Schubert morreu relativamente jovem, eu achava que a sua ‘Sinfonia Inacabada’ assim ficara por ‘justa causa’, o compositor morreu e a obra ficou sem ser arrematada. É vero que ele a deixou inacabada ao morrer, mas não foi a morte que o impediu de a terminar, uma vez que a composição da sinfonia ocorreu em 1822. A razão para abandonar a obra deve ser bem mais prosaica, a falta de perspectiva de executá-la ou mesmo por razões estéticas, não foi só esta obra que ele deixou (in)completa.

Na verdade, no ano de sua morte, Schubert estava artisticamente muito vivo, este período resultou em uma cesta cheia de obras primas. O quanto Schubert estava consciente de sua iminente morte é um mistério. Apesar de incrivelmente talentoso, Schubert poderia ser bastante tímido. Viveu na mesma cidade que Beethoven, a quem idolatrava, mas nunca o visitou. E, pasmem, passou a ter aulas de contraponto com Simon Sechter! Queria aperfeiçoar-se!

Todas as obras desse disco foram compostas nesse ano de 1828, a fuga reflete mais evidentemente esses estudos. A Fantasia em fá menor é bem provavelmente a mais famosa delas, outras interessantes e famosas interpretações podem ser encontradas aqui, aqui e aqui.

Bertrand e Leif adoraram conhecer o parreiral da Vinícula PQP Bach em Alegrete

O livreto que acompanha o arquivo traz uma entrevista com os dois (excelentes) pianistas feita por James Jolly (ex-editor da Gramophone). Nesta entrevista descobrimos algumas curiosidades, como a diferença, para os pianistas, entre tocar um piano a quatro mãos, situação na qual os dois dividem o mesmo teclado, e o caso das interpretações em duo pianistico. Leif Ove Andsnes já compareceu aqui na lojinha tocando nessa formação com Marc-André Hamelin, num disco com obras de Stravinsky, que você pode acessar aqui.

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Fantasia in F minor D.940 (January–March 1828)
  2. Allegro in A minor D.947 “Lebensstürme” (May 1828)
  3. Fugue in E minor D.952 (June 1828)
  4. Rondo in A D.951 (June 1828)

Bertrand Chamayou

Leif Ove Andsnes

piano four-hands

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 119 MB

Pianists Bertrand Chamayou and Leif Ove Andsnes join forces to record Schubert’s magnificent Fantasia in F minor, presenting a landmark Schubert 4 Hands album. This release arrives 40 years after Radu Lupu and Murray Perahia’s legendary CBS recording and 60 years after Benjamin Britten and Sviatoslav Richter’s historic Aldeburgh Festival performance.

Parte da entrevista, traduzida pelo Chat PQP, agora com inteligência artificiosa: (Em 1828, Schubert procurou o compositor e professor Simon Sechter para orientação em contraponto – não exatamente a atitude de um homem que sabia que estava perto da morte.) LOA: “Todo esse novo interesse por mais vozes, vozes independentes, manifesta-se maravilhosamente nessas peças. Há tanta coisa acontecendo. Quero dizer, o domínio de certas passagens e a vivacidade das vozes intermediárias em Lebensstürme são simplesmente inacreditáveis. E a Fantasia, em seu uso do contraponto, é uma peça realmente magistral. E a pequena Fuga em Mi menor mostra claramente como ele estava estudando contraponto. Acho uma fuga incomum e realmente bela.” BC: “O interesse pelo contraponto foi claramente um desenvolvimento em sua escrita. E o fato de ele estar trabalhando com Sechter é uma prova de que ele estava interessado em desenvolver ainda mais suas habilidades em contraponto. É curioso que tantos compositores, em algum momento perto do fim de suas vidas, como Chopin, por exemplo, se dediquem cada vez mais ao contraponto. Esse tipo de desenvolvimento, essa busca por mais linhas melódicas, é claramente o que Schubert almejava naquele momento.”

Aproveitem!

René Denon

Ilustração da dupla enviada pela turma do Dpt. de Artes da PQP Bach Publishing House

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral dos Quartetos de Cordas (Emerson String Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral dos Quartetos de Cordas (Emerson String Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Há muitos anos acredito que os 15 quartetos de Shostakovich rivalizam com suas 15 sinfonias em qualidade. Sinto-me instado a ouvi-los sempre com a mesma ou maior atenção que dou às sinfonias. São certamente obras mais íntimas, mas quem disse que o intimismo deva ser menos considerado que os grandes painéis?

Esta é a quinta série completa que conheço. Tenho as dos quartetos Fitzwilliam, Borodin, Shostakovich e Éder (Naxos) e, olha, somando e pesando as qualidades de todos, acho que ficou com o Emerson, apesar do fundamental 8º Quarteto não ser tão DEVASTADOR quanto eu gostaria. Mas a musicalidade do grupo e seu grande senso de estilo dão-lhe o título provisório de campeões. Abaixo, algumas anotações que fiz ao longo dos anos. Não comento todos os quartetos. Minha escolha não significa que goste mais dos que comentei e menos dos outros, é puramente casual.

Quarteto de Cordas Nº 2, Op. 68 (1944)

Este trabalho em quatro movimentos foi escrito em menos de três semanas. A abertura é uma melodia de inspiração folclórica, tipicamente russa. O grande destaque é o originalíssimo segundo movimento, Recitativo e Romance: Adagio. O primeiro violino canta (ou fala) seu recitativo enquanto o trio restante o acompanha como se estivessem numa ópera ou música sacra barroca. O Romance parece música árabe, mas não suficientemente fundamentalista a ponto que a Al Qaeda comemore. Segue-se uma pequena valsa no mesmo estilo. O quarto movimento é um Tema com variações que fecha brilhantemente o quarteto.

É curioso que neste quarteto, talvez por ter sido composto rapidamente, há uma musicalidade simples, leve e nada forçada. Talvez nem seja uma grande obra como os Quartetos Nros. 8 e 12, mas é dos que mais ouço. Afinal, esta é uma lista pessoal e as excentricidades valem, por que não?

Quarteto de Cordas Nº 6, Op. 101 (1956)

Talvez apenas aficionados possam gostar deste esquisito quarteto. Ele tem quatro movimentos, dos quais três são decepcionantes ou descuidados. O intrigante nesta música é o extraordinário terceiro movimento Lento, uma passacaglia barroca que é anunciada solitariamente pelo violoncelo. É de se pensar na insistência que alguns grandes compositores, em seus anos maduros, adotam formas bachianas. Os últimos quartetos e sonatas para piano de Beethoven incluem fugas, Brahms compôs motetos no final de sua vida e Shostakovich não se livrou desta tendência de voltar ao passado comum de todos. Enfim, este quarteto vale por seu terceiro movimento e, com certa boa vontade, pelo Lento – Allegretto final.

Quarteto de Cordas Nº 7, Op. 108 (1960)

Mais um quarteto de Shostakovich com um lindíssimo movimento lento, desta vez baseado no monólogo de Boris Godunov (ópera de Mussorgski baseada em Puchkin), e mais um finale construído em forma de fuga, utilizando temas do primeiro movimento. Uma pequena e curiosa jóia de onze minutos.

Quarteto de Cordas Nº 8, Op. 110 e Sinfonia de Câmara, Op. 110a – Arranjo de Rudolf Barshai (1960)

Na minha opinião, o melhor quarteto de cordas de Shostakovich. Não surpreende que tenha recebido versões orquestrais. Trata-se de uma obra bastante longa para os padrões shostakovichianos de quarteto; tem cinco movimentos, com a duração total ficando entre os 20 minutos (na versão para quarteto de cordas) e 26 (na versão orquestral). O quarteto abre com um comovente Largo de intenso lirismo, o qual é seguido por um agitado Allegro molto, de inspiração folclórica e que fica muito mais seco na versão para quarteto. O terceiro movimento (Allegretto) é uma surpreendente valsinha sinistra a qual é respondida por outra valsa, muito mais lenta e com um acompanhamento curiosamente desmaiado. O quarteto é finalizado por dois belos temas ; o primeiro sendo pontuado por agressivamente por um motivo curto de três notas e o segundo formado por mais uma fuga a quatro vozes utilizando temas dos movimentos anteriores.

Quarteto Nº 9, Op. 117 (1964),
Quarteto Nº 10, Op. 118 (1964) e
Quarteto Nº 11, Op. 122 (1966)

Os quartetos de números 9, 10 e 11 são semelhantes em estrutura e espírito. São os três muito bons e têm em comum o fato de manterem por todo o tempo a alternância entre movimentos rápidos e lentos, sendo tais contrastes ampliados pelo fato de o nono e o décimo primeiro serem compostos por movimentos executados sem interrupções. O décimo ainda separa os primeiros movimentos, porém o Alegretto final surge de dentro de um Adágio. A postura de fazer com que surjam movimentos antagônicos um de dentro do outro é uma particularidade que torna estes quartetos ainda mais interessantes, sendo que o décimo primeiro é um inusitado quarteto de 17 minutos com sete movimentos; isto é, Shostakovich brinca com a apresentação de temas que fazem surgir de si outros muito diversos em estilo, como se o compositor estivesse sofrendo de uma incontrolável superfetação (*). É, no mínimo, desafiador ao ouvinte. Melodicamente são muito ricos, e exploram com insistência incomum os ostinatos, os quais são sempre no máximo belíssimos e no mínimo curiosos. Merecem inteiramente o lugar que modernamente obtiveram no repertório dos quartetos de cordas. É curioso como é fácil confundi-los. Estou ouvindo-os enquanto escrevo e noto quando o CD passa de um para outro, pois têm personalidades muito próprias, mas nunca sei se o que estou ouvindo é o nono ou o décimo. Certamente é uma limitação minha! Já no décimo primeiro, o paroxismo da criação de melodias chega a tal ponto, seus ostinatos são tão alucinados, que é mais fácil reconhecê-lo.

Aliás, o décimo primeiro apresenta aqueles finais tranquilos que constituíram-se uma das assinaturas do Shostakovich final. Esqueçam o gran finale. Sem fazer grande pesquisa, sei que os finais quietos, nada grandiosos, podem ser encontrados na 13ª, 14ª e 15ª sinfonias, neste quarteto e no sensacional Concerto para Violoncelo.

(*) Palavra pouco utilizada, não? Significa a concepção que ocorre quando, no mesmo útero, já há um feto em desenvolvimento.

Quarteto Nº 13, Op. 138 (1970)

Um pouco menos funéreo que a Sinfonia Nº 14, este quarteto foi escrito nos intervalos do tratamento ortopédico que conseguiu devolver-lhe do parte do movimento das mãos e antes do segundo ataque cardíaco. O décimo-terceiro quarteto é um longo e triste adágio de cerca de vinte minutos. O quarteto foi dedicado ao violista Vadim Borisovsky, do Quarteto Beethoven, e a viola não somente abre o quarteto como é seu instrumento principal. Trata-se de um belo quarteto cuja tranquilidade só é quebrada por um pequeno scherzando estranhamente aparentado do bebop (sim, isso mesmo).

Quarteto de Cordas Nº 14, Op. 142 (1972-73)

Este é quase um quarteto para violoncelo solo e trio de cordas, tal é a proeminência dada àquele instrumento. É um quarteto inspiradíssimo, escrito em três movimentos (Allegretto – Adagio – Allegretto), e que tem seu centro dramático em um dilacerante adagio de 9 minutos. Não consigo imaginar uma audição deste quarteto sem a audição em seqüência do Nº 15. Eles, que costumam aparecer juntos, seja em vinil ou em CD, formam, em minha imaginação, uma só música.

Quarteto de Cordas Nº 15, Op. 144 (1974)

Este trabalho, assim como a Sonata para Viola, são tidas como obras-primas e seriam os dois principais “réquiens privados” de Shostakovich. Concordo.

O que dizer de um obra escrita em seis movimentos, em que quatro deles são adagio e os outros dois são adagio molto, sendo que, destes dois últimos, um é uma marcha funeral e outro um epílogo…? Ora, no mínimo que é lenta. Porém, como estamos falando do Shostakovich final, estamos falando de uma obra que tem como fundo a morte. Há três movimentos realmente notáveis nesta música: a Serenata: Adagio, a Marcha Fúnebre – Adagio Molto e o musicalmente espetacular Epílogo – Adagio Molto. O Epílogo recebeu vários arranjos sinfônicos e costuma aparecer — separadamente ou não do resto do quarteto — em gravações orquestrais.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral dos Quartetos de Cordas (Emerson String Quartet)

CD 1:
String Quartet No.1 in C major, Op.49
1. 1. Moderato [3:56]
2. 2. Moderato [3:59]
3. 3. Allegro molto [2:23]
4. 4. Allegro [3:44]
String Quartet No.2 in A major, Op.68
5. 1. Overture (Moderato con moto) [7:58]
6. 2. Recitative & Romance (Adagio) [9:05]
7. 3. Valse (Allegro) [5:29]
8. 4. Theme & Variations [10:44]
String Quartet No.3 in F major, Op.73
9. 1. Allegretto [6:52]
10. 2. Moderato con moto [4:22]
11. 3. Allegro non troppo [3:50]
12. 4. Adagio [4:44]
13. 5. Moderato [8:19]

CD 2:
String Quartet No.4 in D major, Op.83
1. 1. Allegretto [3:51]
2. 2. Andantino [6:23]
3. 3. Allegretto [4:35]
4. 4. Allegretto [9:31]
String Quartet No.5 in B flat major, Op.92
5. 1. Allegro non troppo [11:19]
6. 2. Andante [8:29]
7. 3. Moderato [10:22]
String Quartet No.6 in G major op.101
8. 1. Allegretto [6:44]
9. 2. Moderato con moto [4:59]
10. 3. Lento – attacca: [3:58]
11. 4. Lento – Allegretto – Andante – Lento [6:33]

CD 3:
String Quartet No.7 in F sharp minor, Op.108
1. 1. Allegretto [3:42]
2. 2. Lento [2:49]
3. 3. Allegro [5:06]
String Quartet No.8 in C minor, Op.110
4. 1. Largo [4:34]
5. 2. Allegro molto [2:38]
6. 3. Allegretto [4:05]
7. 4. Largo [4:46]
8. 5. Largo [3:34]
String Quartet No.9 in E flat major, Op.117
9. 1. Moderato con moto [4:24]
10. 2. Adagio [3:47]
11. 3. Allegretto [4:02]
12. 4. Adagio [3:00]
13. 5. Allegro [9:29]
String Quartet No.10 in A flat major, Op.118
14. 1. Andante con moto [4:13]
15. 2. Allegretto furioso [3:58]
16. 3. Adagio [4:49]
17. 4. Allegretto – Andante [8:41]

CD 4:

1. Adagio (Elegy) for String Quartet [4:35]
2. Allegretto (Polka) for String Quartet [2:47]
String Quartet No.11 in F minor, Op.122
3. 1. Introduction: Andantino [2:12]
4. 2. Scherzo: Allegretto [2:42]
5. 3. Recitative: Adagio [1:08]
6. 4. Etude: Allegro [1:15]
7. 5. Humoresque: Allegro [1:02]
8. 6. Elegy: Adagio [4:12]
9. 7. Finale: Moderato [3:39]
String Quartet No.12 in D flat major, Op.133
10. 1. Moderato – Allegretto [6:29]
11. 2. Allegretto – Adagio – Moderato – Allegretto [19:24]
12. String Quartet No.13 in B flat minor, Op.138 [19:09]

CD 5:
String Quartet No.14 in F sharp major Op.142
1. 1. Allegretto [8:14]
2. 2. Adagio [8:52]
3. 3. Allegretto [7:59]
String Quartet No.15 in E flat minor, Op.144
4. 1. Elegy [12:37]
5. 2. Serenade [5:47]
6. 3. Intermezzo [1:38]
7. 4. Nocturne [4:30]
8. 5. Funeral March [4:36]
9. 6. Epilogue [6:18]

Emerson String Quartet

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Shostakovich: no topo dos compositores

PQP

Bohuslav Martinů (1890-1959): Música de Câmara: La Revue de Cuisine + Noneto + um monte de Madrigais e outras peças (The Dartington Ensemble)

Bohuslav Martinů (1890-1959): Música de Câmara: La Revue de Cuisine + Noneto + um monte de Madrigais e outras peças (The Dartington Ensemble)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Repertório raro e interessante. Martinu lembra muito Hindemith com sua música altamente contrapontística e bem humorada. Gostei muito, ainda mais depois de saber que ele foi expulso do Conservatório de Praga por sua “incorrigível negligência”. Ele foi violinista, mas os muitos amantes da viola que nos frequentam podem deliciar-se com seus Três Madrigais para Violino e Viola. Atenção também para as outras duas peças que colocamos aí em cima, no título. Baita disco!

Ah, e La Revue de Cuisine (Jornal de Cozinha, não?) é música felicíssima e GENIAL. Confira!

Bohuslav Martinu (1890-1959): Música de Câmara: La Revue de Cuisine + Noneto + um monte de Madrigais e outras peças (The Dartington Ensemble)

Five Madrigal Stanzas
1-1 Part 1
1-2 Part 2
1-3 Part 3
1-4 Part 4
1-5 Part 5

Four Madrigals
1-6 Part 1
1-7 Part 2
1-8 Part 3
1-9 Part 4

Three Madrigals
1-10 Part 1
1-11 Part 2
1-12 Part 3

Madrigal Sonata
1-13 Madrigal Sonata

Nonet (1959)
2-1 I Poco Allegro
2-2 II Andante
2-3 III Allegretto

Trio In F
2-4 I Poco Allegretto
2-5 II Adagio
2-6 Andante – Allegretto Scherzando

Sonatina For 2 Violins & Piano
2-7 Part 1
2-8 Part 2
2-9 Part 3
2-10 Part 4

La Revue De Cuisine (1927) 14:40
2-11 I Prologue: Allegretto (Marche) 3:57
2-12 II Tango (Lento) 4:10
2-13 III Charleston (Poco A Poco Allegro) 2:52
2-14 IV Finale: Tempo Di Marcia 3:29

Bassoon – Graham Sheen
Cello – Michael Evans*
Clarinet – David Campbell (6)
Double Bass – Nigel Amherst
Ensemble – The Dartington Ensemble
Flute – William Bennett (3)
Horn – Richard Watkins
Oboe – Robin Canter
Piano – John Bryden
Trumpet – Barry Collarbone
Viola – Patrick Ireland
Violin – Oliver Butterworth

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Martinu feliz.
É assim que o talentoso Martinu aparece em várias fotos. De bem com a vida, né?

PQP

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Todos os Concertos para Cravo (Astronio, Harmonices Mundi)

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Todos os Concertos para Cravo (Astronio, Harmonices Mundi)

Um belo álbum duplo com músicas de meu irmão mais velho. Excelente orquestra e solista idem. Era o filho predileto de papai. Era um gênio, mas muito indisciplinado. Para sua educação musical papai escreveu o Clavierbüchlein. Mas, já viram, deixava todos os empregos estáveis para tentar a vida boêmia de músico itinerante, chegando em muitas ocasiões a enfrentar dificuldades financeiras, quando era obrigado a vender bens pessoais e manuscritos paternos recebidos em herança para poder subsistir. O PUTO VENDEU PARTITURAS DE JOHANN SEBASTIAN BACH QUE JAMAIS FORAM REENCONTRADAS. ELE PERDEU MAIS DE 100 CANTATAS. Também dizem que foi um renomado alcoolista que sugou boa parte do álcool produzido em sua Turíngia natal. Mas era um grande músico, apreciado por sua capacidade de improvisar e deixou boa quantidade de música para teclado de excelente qualidade, cujas características antecipam a tensão e emocionalismo do Romantismo. Confiram aí e bebam à vontade.

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Todos os Concertos para Cravo (Astronio, Harmonices Mundi)

CD1
1. Concerto in F Minor (c. 1767): I. Allegro di molto 6:33
2. Concerto in F Minor (c. 1767): II. Andante 8:23
3. Concerto in F Minor (c. 1767): III. Prestissimo 3:25

4. Concerto in F, F. 44 (1740-45): I. Allegro ma non troppo 9:56
5. Concerto in F, F. 44 (1740-45): II. Molto adagio 10:31
6. Concerto in F, F. 44 (1740-45): III. Presto 5:51

7. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): I. Allegretto 9:23
8. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): II. Adagio 9:15
9. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): III. Allegro assai 5:59


CD2
1. Concerto in D, F. 41 (1735-40): I. Allegro 6:18
2. Concerto in D, F. 41 (1735-40): II. Andante 5:14
3. Concerto in D, F. 41 (1735-40): III. Presto 4:36

4. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): I. – 5:17
5. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): II. Larghetto 4:07
6. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): III. Allegro ma non molto 5:34

7. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): I. Allegro moderato 8:54
8. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): II. Andante 6:05
9. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): III. Presto 3:54

10. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): I. Un poco allegro 11:18
11. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): II. Cantabile 3:28
12. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): III. Vivace 8:09

Harmonices Mundi
Claudio Astronio, cravo e regência

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Amarra os tênis, Astronio!
Amarra os tênis, Astronio!

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

O Quarteto Nº 14 é particularmente fascinante porque Shostakovich estava experimentando uma estrutura incomum de movimentos encadeados dentro de uma linguagem musical moderna. É um espécime muito curioso. E bonito. E aquele movimento final com o tema judeu… Lembrem que ele usou temas klezmer em outras obras também, como no Trio para Piano nº 2. Sabiam que isso era uma forma de protesto silencioso contra o anti-semitismo soviético? Já o Quarteto Nº 15 é outra história completamente diferente – seis adágios consecutivos! Isso é beeeem radical. É impressionante como Shostakovich conseguiu criar tanta variedade dentro de um único andamento. São obras de um gênio, digamos, crepuscular. Ele sofria de uma doença cardíaca, também de outra enfermidade degenerativa, havia sobrevivido aos expurgos stalinistas, à Segunda Guerra Mundial e a décadas de opressão soviética. Essas obras são uma meditação sobre a mortalidade, o sofrimento e a resignação.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

String Quartet No. 14 in F-Sharp Major, Op. 142
1 I. Allegretto 08:48
2 II. Adagio – 08:59
3 III. Allegretto 08:22

String Quartet No. 15 in E-Flat Minor, Op. 144
4 I. Elegy: Adagio – 12:50
5 II. Serenade: Adagio – 05:42
6 III. Intermezzo: Adagio – 01:29
7 IV. Nocturne: Adagio – 04:47
8 V. Funeral March: Adagio molto – 04:44
9 VI. Epilogue: Adagio – Adagio molto 06:14

Éder Quartet

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O final da vida de Shostakovich foi fucking foda.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827): Sonatas para Piano Nos. 30 a 32, Op. 109 a Op. 111 – Anne Queffélec (piano) – “Ele por elas…” ֍

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827): Sonatas para Piano Nos. 30 a 32, Op. 109 a Op. 111 – Anne Queffélec (piano) – “Ele por elas…” ֍

‘Ele interpretado por elas…’

O foco da primeira postagem da série (?) ‘Ele, por elas…’ foi a Sonata ‘Waldstein’, um marco na produção de meio período do Ludovico, assim como a Sonata ‘Appassionata’. Eu gosto das interpretações temerárias, que vão na linha ‘fogo, foguinho…’, como a do Mikhail Pletnev (aqui), Maurizio Pollini (algum lugar no blog, eu aposto) e a própria Valentina Lisitsa (aqui).

A postagem de hoje é mais uma coisa de conjunto – a última vez que Beethoven comporia sonatas para piano, mais uma vez um grupo de três, mesmo que neste caso cada sonata tenha recebido um número de opus individual. Ouvir as três sonatas do Op. 2 (1795-6) e depois as sonatas deste disco, com op. 109 (1820), op. 110 (1821) e op. 111 (1822), revela uma jornada de uma vida artística genial. Experiência similar pode ser feita com os quartetos, comparando os seis quartetos do op. 18 e o grupo dos chamados Últimos Quartetos.

É verdade que a experiência e a impetuosidade podem ser ferramentas importantes para o intérprete, especialmente num conjunto de obras como estas. Não consigo deixar de comparar as interpretações do jovem Maurizio Pollini com as do maduro Willem Kempff. E vejam que Pollini as regravou no seu próprio período de maturidade. Bom, divago, como sempre… Vamos dar atenção à essa pianista espetacular, chamada Anne Queffélec. Com uma ótima discografia, ela gravou peças que demandam muita técnica, dando ênfase aos compositores franceses. Mais recentemente ela tem gravado obras de Scarlatti, Handel, Mozart.

O disco da postagem é relativamente recente, um disco maravilhoso dedicado a Beethoven, que reúne essas três sonatas que transcendem o estilo clássico ainda mais do que a Hammerklavier. O domínio da técnica, impecável, e a experiência desta pianista lhe dão a liberdade para nos brindar com sua sensível interpretação, trazendo a sua perspectiva da maturidade do genial compositor.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Piano Sonata No. 30 in E Major, Op. 109

  1. Vivace ma non troppo, sempre legato – Adagio espressivo
  2. Prestissimo
  3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung

Piano Sonata No. 31 in A-Flat Major, Op. 110

  1. Moderato cantabile molto espressivo
  2. Allegro molto
  3. Adagio ma non troppo – Arioso dolente
  4. Fuga. Allegro ma non troppo

Piano Sonata No. 32 in C Minor, Op. 111

  1. Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
  2. Arietta. Adagio molto semplice e cantabile

Anne Queffélec, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 1 60 MB

To echoe Beethoven’s own words: “Music is the only incorporeal introduction to the world of knowledge (…) a higher revelation than all wisdom and philosophy… reaching beyond even the starry sky to the original source”. That is indeed where the epiphanies of the ultima verba uttered by the last three sonatas take us: on a journey of initiation that could not be undertaken in reverse. Let us listen to it…
“The rest is silence”
(Anne Queffélec)

… e o resto é silêncio! Aproveite!

René Denon

Robert Schumann (1810-1856): Sonatas para Violino (Alina Ibragimova, Cédric Thiberghien)

Já fazia algum tempo que não trazíamos discos deste magnifico duo Alina Ibragimova e Cédric Thiberghien, que já há muito tempo nos encantam com seu talento e cumplicidade. As Sonatas de Beethoven gravadas por eles ao vivo foram uma de minhas postagens favoritas. E agora trazemos a dupla encarando as belíssimas Sonatas de Schumann que me foram apresentadas pela primeira vez pela Martha Argerich acompanhando Gidon Kremer, em um velho LP da Deutsche Grammophon, postagem que foi atualizada pelo colega Vassily  em 2021.

Em minha humilde opinião, estas Sonatas são por demais explícitas em sua intensidade e força, um romantismo intenso, porém muito bem controlado aqui pelos intérpretes. Foram compostas em parcerias de Schumann com alguns de seus amigos instrumentistas como os violinistas Joseph Joachim e Ferdinand David, e do grande amigo do casal Schumann, Johannes Brahms, todos músicos que o incentivaram a compor estas peças,   São obras já da maturidade do compositor, e mostram o total domínio da escrita musical por sua parte. Sugiro a leitura do livreto que acompanha o arquivo.

Não por acaso, este CD está na lista dos melhores discos de 2025 segundo a revista Gramophone. Ibragimova e Thiberghien nos brindam com uma interpretação segura, intensa, porém controlada, como comentei acima. A música de Schumann penetra fundo em nossa alma, suas angústias, desejos e medos estão ali presentes. Nos envolve, e por vezes nos inebria com tanta emoção. Espero que apreciem.

Violin Sonata No 1 in A minor Op 105
1 Mit leidenschaftlichem Ausdruck
2 Allegretto
3 Lebhaft

Violin Sonata No 2 in D minor Op 121
4 Ziemlich langsam – Lebhaft
5 Sehr lebhaft
6 Leise, einfach
7 Bewegt

Violin Sonata No 3 in A minor WoO27
8 Ziemlich langsam – [Lebhaft]
9 Intermezzo: Bewegt, doch nicht zu schnell
10 Scherzo: Lebhaft
11 Finale: Markiertes, ziemlich lebhaftes Tempo

Alina Ibragimova – Violin
Cédric Thiberghien – Piano

DOWNLOAD HERE – BAIXE AQUI

FDP

 

.: interlúdio :. McCoy Tyner, Jackie McLean, Woody Shaw, Cecil McBee, Jack DeJohnette, Cecil Taylor, Bennie Wallace – One Night With Blue Note, Town Hall, NYC, 1985, Vol 2

Dando prosseguimento às homenagens ao baterista Jack DeJohnette, temos aqui um álbum de belíssima capa, parte de uma série de gravações ao vivo de 1985 para marcar o renascimento do selo Blue Note, que havia sido extinto por uns anos… Lançado tanto em LP como CD (era a fase da transição), com essa bela capa mostrando de certa maneira o quanto é impressionante termos preservados – como em potes de remédio típicos da época em que a Blue Note foi fundada: 1939! – encontros de brilhantes músicos como McCoy Tyner (1938-2020), Jack DeJohnette (1942-2025) e outros menos famosos mas de muito extensa ficha corrida, como Jackie McLean (1931-2006) e Cecil McBee (nasc. 1935).

Jack DeJohnette mostra, nesse registro ao vivo cheio de espontaneidade, seus vários tipos de viradas rítmicas, batendo nos tambores com a força de um baterista de rock’n’roll.

One Night With Blue Note Preserved, Volume 2
1. Sweet And Lovely
2. Appointment in Ghana
3. Passion Dance
4. Blues on the Corner
5. Pontos Cantados
6. Broadside

Tracks 1-4 – McCoy Tyner (piano), Jackie McLean (alto sax), Woody Shaw (trumpet), Cecil McBee, Cecil McBee (bass), Jack DeJohnette (drums)
Track 5 – Cecil Taylor (piano)
Track 6 – Bennie Wallace (tenor sax), Cecil McBee (bass), Jack DeJohnette (drums)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

McCoy Tyner
Jack DeJohnette

Pleyel

.: interlúdio :. Vigleik Storaas, Pale Danielsson, Jack DeJohnette (ao vivo, 2009)

Antes que o ano se encerre, vamos de mais uma homenagem a uma das baixas que tivemos neste ano em que também se foram os tão queridos Hermeto Pascoal, Jards Macalé e Lô Borges. Mas hoje me refiro ao baterista Jack DeJohnette, que ainda estava bastante ativo pouco antes de partir aos 83 anos de idade.

Como resume o site luso Jazz ponto PT, DeJohnette desempenhou um papel fundamental em praticamente todas as fases do jazz desde o início dos anos 1960. O mesmo site afirma – não fui conferir – que DeJohnette é o músico que mais gravou pela gravadora europeia ECM. “Refira-se, em especial, que a colaboração de DeJohnette com a ECM remonta aos primórdios da editora, atuando em duo com Keith Jarrett em Ruta and Daitya, gravado em 1971” (que postei meses atrás, aqui).

Os portugueses comentam, entre outros pontos altos de sua discografia, o Standards Trio, pelo qual meu colega FDP Bach já expressou mais de uma vez sua admiração incondicional (aqui e aqui). Os portugas disseram, sobre esse trio formado nos anos 1980 por Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette: “Todos os registos do grupo são excelentes, pelo que destacar um é sempre uma escolha pessoal. Aqui, a cumplicidade é total: tocam com depuração e liberdade, com um gesto simultaneamente leve e jubiloso. O diálogo é sempre novo e emocionalmente intenso.”

Eu trago hoje, porém, um álbum lançado em 2025, gravação de um show de 2009. Aqui, o selo não é ECM e não temos Keith Jarrett. Mas por coincidência o baixista é o mesmo do velho quarteto escandinavo de Jarret (ativo de 1974 a 79). Enfim, coincidência não tão rara nesse mundo do jazz onde os grupos vão se fazendo e refazendo: no caso de DeJohnette seu currículo inclui ainda bandas como a de Miles Davis na fase fusion, a do guitarrista John Abercrombie e o Special Edition, que era liderado pelo baterista e costumava contar com dois ou três saxofonistas que faziam arranjos de sopros junto com a bateria e os teclados. Aliás, uma curiosidade sobre DeJohnette é que ele também estudou piano e costumava tocar teclados acústicos e elétricos nos seus álbuns solo.

Mas aqui o pianista é o norueguês Vigleik Storaas, nascido em 1963, um nome da nova geração. OK, não tão nova assim, mas mais jovem que o falecido baterista e o baixista que – noto agora – deixou este mundo em 2024. Storaas toca um piano limpo, suave, sem momentos percussivos como às vezes faziam outros como K. Jarrett e M. Tyner. Talvez por não estarem tocando há anos na estrada juntos, os músicos às vezes soam mais contidos, mas os três conseguem seus momentos de brilho e os dois veteranos no baixo e na bateria mostram o que os anos lhe ensinaram.

Vocês conhecem aquela piada, né, em que um escorrega fala para o outro: os ânus passam depressa! Esse disco, gravado por Danielsson e DeJohnette quando ambos se aproximavam dos 70 anos, nos apresenta o melhor da maturidade: três instrumentistas seguros de si, com som polido, bem cuidado, elegante, resultado de décadas de apresentações e ensaios.

Storaas, Danielsson, DeJohnette: Live at Trondheim Jazzfestival
Alice in Wonderland (Sammy Fain)
Isotope (Joe Henderson)
Palle’s Headache (Palle Danielsson)
Eiderdown (Steve Swallow)
Lines (Vigleik Storaas)
Falling Grace (Steve Swallow)
Everybody’s Song But My Own (Kenny Wheeler)

Vigleik Storaas – piano
Palle Danielsson – bass
Jack DeJohnette – drums
Recorded 06/06/2009 at Trondheim, Norway / Released 2025

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

A felicidade é toda nossa!

Pleyel

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel  (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)
Version 1.0.0

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Meu jesuiscristinho, que gravação das Sonatas e Partitas de Bach que faz a francesa Amandine Beyer! Beyer é do time da música com instrumentos originais, mas há uma diferença fundamental sobre a imensa maioria. Ela toca com emoção, verve e ritmo, não é um metrônomo. Cada movimento foi pensado profunda e criativamente, de modo a experimentar novas fluências. E é um registro vibrato-free, quente e claro!!! Talvez esta seja a primeira gravação destas obras onde podemos bater o pezinho e balançar a cabeça. Basta pensar que tudo aqui deriva da música de dança. Chega de funerais! Arte impecável, execução perfeita e belo som.

Esta gravação é considerada uma das interpretações mais originais e impactantes das últimas décadas no universo da música barroca. É marcada por uma fluidez quase vocal. Como disse, ela prioriza a dança. Amandine também foi elogiada pela clareza polifônica (o “diálogo” entre vozes no violino solo é excepcionalmente claro). Ela desconstrói a grandiosidade monumental das Sonatas e Partitas, transformando-as em uma experiência íntima e humana. Não é uma versão “fácil” ou imediatamente cativante, mas que recompensa o ouvinte com camadas de significado e beleza singular. Amandine Beyer enfatiza a voz interior de Bach em vez do virtuosismo exterior. Sua gravação é um marco que dialoga com a história, sem ser museológica. Para muitos, tornou-se uma versão de referência do século XXI. Para quem busca uma interpretação que una intelecto, coração e autenticidade histórica, esta é uma bela escolha.

Como um bônus, ela inclui um trabalho solo fascinante, onde Pisendel homenageia Bach. E mais não digo porque amo Amandine, mas sou casado com outra violinista.

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)

CD1 #01 – Partita, BWV 1002: I. Allemanda
CD1 #02 – Partita, BWV 1002: II. Double
CD1 #03 – Partita, BWV 1002: III. Corrente
CD1 #04 – Partita, BWV 1002: IV. Double, Presto
CD1 #05 – Partita, BWV 1002: V. Sarabande
CD1 #06 – Partita, BWV 1002: VI. Double
CD1 #07 – Partita, BWV 1002: VII. Tempo di borea
CD1 #08 – Partita, BWV 1002: VIII. Double

CD1 #09 – Sonata BWV 1003: I. Grave
CD1 #10 – Sonata BWV 1003: II. Fuga
CD1 #11 – Sonata BWV 1003: III. Andante
CD1 #12 – Sonata BWV 1003: IV. Allegro

CD1 #13 – Partita, BWV 1004: I. Allemanda
CD1 #14 – Partita, BWV 1004: II. Corrente
CD1 #15 – Partita, BWV 1004: III. Sarabanda
CD1 #16 – Partita, BWV 1004: IV. Giga
CD1 #17 – Partita, BWV 1004: V. Ciaccona

CD2 #01 – Sonata BWV 1005: I. Adagio
CD2 #02 – Sonata BWV 1005: II. Fuga
CD2 #03 – Sonata BWV 1005: III. Largo
CD2 #04 – Sonata BWV 1005: IV. Allegro assai

CD2 #05 – Sonata BWV 1001: I. Adagio
CD2 #06 – Sonata BWV 1001: II. Fuga, Allegro
CD2 #07 – Sonata BWV 1001: III. Siciliana
CD2 #08 – Sonata BWV 1001: IV. Presto

CD2 #09 – Partita, BWV 1006: I. Preludio
CD2 #10 – Partita, BWV 1006: II. Loure
CD2 #11 – Partita, BWV 1006: III. Gavotte en rondeaux
CD2 #12 – Partita, BWV 1006: IV. Menuet I – Menuet II
CD2 #13 – Partita, BWV 1006: V. Bourée
CD2 #14 – Partita, BWV 1006: VI. Gigue

Johann Georg Pisendel: Sonata a Violino Solo senza Basso
CD2 #15 – Sonata a violino solo senza basso: I.
CD2 #16 – Sonata a violino solo senza basso: II. Allegro
CD2 #17 – Sonata a violino solo senza basso: III. Giga
CD2 #18 – Sonata a violino solo senza basso: IV. Variatione

Amandine Beyer, violino

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

csacac
Pode rir à vontade, Amandine.

PQP

JS Bach (1685 – 1750): Magnificat BWV 243 e Cantata ‘Unser Mund sei voll Lachens’, BWV 110 – The Netherlands Bach Society – Jos van Veldehoven ֎

JS Bach (1685 – 1750): Magnificat BWV 243 e Cantata ‘Unser Mund sei voll Lachens’, BWV 110 – The Netherlands Bach Society – Jos van Veldehoven ֎

Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico

Salmo 126:2

Feliz Natal!

A Cantata Unser Mund sei voll Lachens  teve sua estreia no Serviço Matinal (às 7 da manhã) da Igreja de São Tomás, em Leipzig, no Dia de Natal do ano 1725, há exatos 300 anos! Sua música foi adaptada da Suíte Orquestral No. 4. O festivo primeiro movimento saúda o recém-nascido e a parte rápida da abertura está cheia de bocas sorridentes.

Três anos antes Bach preparara a música para seu primeiro Natal como cantor da Igreja de São Tomás e para tanto compusera uma primeira versão do Magnificat. Dessa composição, ele também ‘emprestou’ um trechinho de música, adaptando o Virga Jesse floruit (de Jessé nasceu a vara, de Jessé nasceu a vara, da vara o Salvador…) para o coro Ehre sei Gott in der Höhe (Louvado seja Deus, nas alturas), o cara era mesmo fera!

Jos feliz com a afinação dos meninos sopranos do PQP Bach Choir

No disco desta natalícia postagem o Magnificat é a versão posterior preparada por Bach em 1733, com nova orquestração e apenas com os trechos cantados em latim. Na primeira versão, identificada por BWV 243a, Bach interpola os textos em latim por ‘interlúdios’, que foram suprimidos na nova versão. Como explica Jos van Veldehoven no livreto do disco: ‘Essas interpolações já eram conhecidas no século XVI. Compositores acrescentaram canções de Natal alemãs e latinas entre os versos do Magnificat, tornando o texto deste último inseparável do Natal’.

A peça adaptada para a cantata, o Virga Jesse floruit é o quarto destes interlúdios, que na cantata tornou-se o coral Ehre sei Gott in der Höhe. Nesta gravação do Magnificat, o regente, que é holandês, usa música de três compositores holandeses (Dirck Janszoon Sweelinck, Jan Baptist Verrijt e Johann Hermann Schein) e um parente de João Sebastião (Johann Michael Bach) para seguir a tradição e usar ‘interlúdios’ na apresentação do Magnificat.

Aproveito a postagem para desejar a todos um feliz Natal e que muito se deliciem ao som dos holandeses… tocando Bach.

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

Unser Mund sei voll Lachens (BWV 110)

  1. Unser Mund sei voll Lachens
  2. Ihr Gedanken und ihr Sinnen
  3. Dir, Herr, ist niemand gleich
  4. Ach Herr, was ist ein Menschenkind
  5. Ehre sei Gott in der Höhe
  6. Wacht auf, ihr Adern und ihr Glieder
  7. Alleluja! Gelobt sei Gott

Magnificat in D major (BWV 243)

  1. Magnificat anima mea Dominum
  2. Et exsultavit spiritus meus
  3. Hoe schoon lichtet de morghen ster (1)
  4. Quia respexit humilitatem
  5. Omnes generationes
  6. Quia fecit mihi magna
  7. Currite, pastores (2)
  8. Et misericordia
  9. Fecit potentiam
  10. O Jesulein, mein Jesulein (3)
  11. Deposuit potentes
  12. Esurientes implevit bonis
  13. Ehre sei Gott in der Höhe (4)
  14. Suscepit Israel
  15. Sicut locotus est
  16. Gloria Patri

‘Einlagen’ in Magnificat:

(1) Dirck Janszoon Sweelinck (1591-1652)

(2) Jan Baptist Verrijt (1600-1650)

(3) Johann Hermann Schein (1586-1630)

(4) Johann Michael Bach (1648-1694)

The Netherlands Bach Society

Jos van Veldhoven conductor

Dorothee Mields soprano 1

Johannette Zomer soprano 2 (Magnificat)

William Towers alto

Charles Daniels tenor

Stephan MacLeod bass

Faixa Bonus

Magnificat in E-flat major, BWV 243a

  1. Virga Jesse floruit

Choir of Christchurch Cathedral Oxford

The Academy of Ancient Music

Simon Preston

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 157 MB

Como é Natal, você ganha o presente: The Netherlands Bach Society’s recording of Bach Cantata 110 (“Unser Mund sei voll Lachens”) and the Magnificat, led by Jos van Veldhoven, is universally acclaimed for its vibrant, joyful, and pristine sound, featuring fresh-sounding, first-rate soloists and choir, demonstrating both majesty and intimacy, with critics praising its technical brilliance and authentic spirit, often highlighting the captivating instrumental work and welcome inclusion of 17th-century Dutch motets within the Magnificat. 

E viva o Jesulein, o Menino Jesus!

Aproveite!

René Denon

Olivier Messiaen (1908-1992): Organ works – Landmark interpretations – Marie-Claire Alain, Naji Hakim

Olivier Messiaen (1908-1992): Organ works – Landmark interpretations – Marie-Claire Alain, Naji Hakim
“E isso aí não é pênalti, professor?”

Cést Noël!

Estamos em tempo de Natal, o que significa tender com abacaxi, farofa de uva passa, arroz com creme de milho, conversas pitorescas com parentes que fazem oração para pneus, Roberto Carlos de branco e azul na tv, caixinhas à mancheia, espumantes de gosto duvidoso y muchas otras cositas mas.

É, sobretudo, uma época de tradições, as grandes e pequenas. Eu, cá comigo, tenho uma pequenina: ouvir muitas cantatas e muito órgão. Pois aqui vai um precioso disquinho com um belíssimo repertório religioso-natalino-messiaenico. Vai muito bem com uma ou três fatias generosas de um ótimo panetone e um vinho do porto geladinho. Prefiro um tawny, mas pode ser o que você quiser. Como dizia o saudoso Mr. Catra, “deixa as pessoas”.

Aliás, acho que essa é a minha mensagem pra 2026: não sejamos chatos. Deixe as pessoas serem felizes. Quer botar gelo na cerveja? Bota. Quer colocar ketchup na pizza, cortar o macarrão, colocar o feijão por baixo do arroz, ouvir transcrições de sinfonias de Bruckner para gaita solo? Manda brasa! Cada um no seu quadrado, respeitando o quadrado do amiguinho, tá tudo certo.

Se cada um fizesse a sua parte nisso, evitando ser chato, a coisa melhoraria tanto…

Feliz Natal e que venha um ano bom, queridos leitores!

Marie-Claire Alain: a tranquilidade antes de ESMERILHAR os teclados

Olivier Messiaen (1908-1992)
Organ works

  1. Apparition de l’Église éternelle (1932)
  2. Le Banquet célest (1928)
    La Nativité du Seigneur (1935)
  3. I. La Vierge et l’Enfant
  4. II. Les Bergers
  5. III. Desseins éternels
  6. IV. Le Verbe
  7. V. Les Enfants de Dieu
  8. VI. Les Anges
  9. VII. Jésus accepte la souffrance
  10. VIII. Les Mages
  11. IX. Dieu Parmi nous
    Le Livre du Saint-Sacrement (1984)
  12. XVI. Prière après la Communion

Marie-Claire Alain at the organ of the Hofkirche, Lucerne (1-11)
Naji Hakim at the Cavaillé-Coll organ, Église de la Sainte-Trinité, Paris (12)

BAIXE AQUI / DOWNLOAD HERE

“Hmmm… needs more cowbell”

Karlheinz

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um excelente disco de música sacra vindo do ateu Herreweghe. Não se enganem, este não é o Oratório de Natal formado por 6 Cantatas, são outras Cantatas Também natalinas. O ponto alto é, sem dúvida, o Magnificat que fecha o CD duplo. É uma interpretação emocionante. Uma combinação matadora de solistas de primeira linha, canto coral incomparável e trabalho impecável da orquestra de instrumentos de época. O disco foi Editor`s Choice da revista Gramophone. Não é para menos.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

CD 1
1. Cantata No. 91, ‘Gelobet seist su, Jesu Christ,’ BWV 91 (BC A9): Choral
2. BWV 91 (BC A9): Recitativo: Der Glanz der höchsten Herrlichkeit
3. BWV 91 (BC A9): Aria: Gott, dem der Erden Kreis zu klein
4. BWV 91 (BC A9): Recitativo: O Christenheit!
5. BWV 91 (BC A9): Aria: Die Armut, so Gott auf sich nimmt
6. BWV 91 (BC A9): Choral: Das hat er alles uns getan

7. Cantata No. 121, ‘Christum wir sollen loben schon,’ BWV 121 (BC A13): Choral
8. BWV 121 (BC A13): Aria: O du von Gott erhöhte Kreatur
9. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Der Gnade unermeßlichs Wesen
10. BWV 121 (BC A13): Aria: Johannis freudenvolles Springen
11. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Doch wie erblickt es dich in deiner Krippen
12. BWV 121 (BC A13): Choral: Lob, Ehr und Dank sei dir gesagt

13. Cantata No. 133, ‘Ich freue mich in dir,’ BWV 133 (BC A16): Choral
14. BWV 133 (BC A16): Aria: Getrost! es faßt ein heileiger Leib
15. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Ein Adam mag sich voller Schrecken
16. BWV 133 (BC A16): Aria: Wie lieblich klingt es in den Ohren
17. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Wohlan! Des Todes Furcht und Schmerz
18. BWV 133 (BC A16): Choral: Wohlan, so will ich

CD 2
1. Cantata No. 63, ‘Christen, ätzet diesen Tag,’ BWV 63 (BC A8): Choral
2. BWV 63 (BC A8): Recitativo: O selger Tag! O ungermeines Heute
3. BWV 63 (BC A8): Aria: Gott, du hast es wohl gefüget
4. BWV 63 (BC A8): Recitativo: So kehret sich nun heut
5. BWV 63 (BC A8): Aria: Ruft und fleht den Himmel an
6. BWV 63 (BC A8): Recitativo: Verdoppelt euch demnach
7. BWV 63 (BC A8): Choral: Höchster, schau in Gnaden an

8. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Magnificat anima mea
9. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et exultavit spiritus meus
10. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Vom Himmel
11. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia respexit humilitatem
12. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Omnes generationes
13. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia fecit mihi magna
14. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Freut euch und jubiliert
15. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et misericordia
16. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Fecit potentiam
17. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria in excelsis Deo
18. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Deposuit potentes
19. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Esurientes implevit bonis
20. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Virga Jesse floruit
21. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Suscepit Israel
22. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Sicut locutus est
23. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria Patri

Dorothee Blotzky-Mields: soprano
Carolyn Sampson: soprano
Ingeborg Danz: alto
Mark Padmore: tenor
Peter Kooy: bass
Sebastian Noack: bass

Philippe Herreweghe (cond.)
Collegium Vocale Gent

Total playing time: 117:09
Recorded 2001-2002 | Released 2003

Recording:
December 2001, Salle Philharmonique de Liège, Belgium (CD1)
December 2002, Arsenal de Metz, France (CD2)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Não, Philippe, a Cantata do Café a gente posta outro dia, tá?
Não, Philippe, a Cantata do Café a gente posta outro dia, tá?

PQP

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta gravação foi “Editor`s Choice” da Gramophone em 2011, “Gravação recomendada” pela ClassicFM e depois, em 2016, foi considerada a melhor gravação do Concerto de Mendelssohn, novamente pela Gramophone. Tá bom?

Aclamado como “o Jascha Heifetz dos nossos dias”, o violinista James Ehnes é considerado um dos artistas mais perfeitos e musicais da música erudita. Talvez seja o melhor violinista em atividade atualmente. Ele já se apresentou em mais de 30 países, atuando e gravando com as melhores orquestras e regentes. A extensa discografia de Ehnes inclui desde sonatas para violino de Bach a Road Movies, de John Adams. Desde que Vladimir Ashkenazy ganhou destaque no cenário mundial na Competição Chopin de 1955 em Varsóvia, ele construiu uma carreira extraordinária de pianista. A regência tomou a maior parte de suas atividades nas últimas duas décadas, e ele mantém um relacionamento de longa data com a Philharmonia Orchestra, da qual foi nomeado regente em 2000.

O Concerto para Violino, Op. 64, de Mendelssohn passou a ser visto como um degrau inescapável na carreira de todo violinista que almejasse o sucesso, multiplicando-se seus recitais e gravações. Hoje é considerado uma das principais composições de Mendelssohn e um dos mais importantes exemplos de seu gênero, continuando a desfrutar de grande popularidade.

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Violin Concerto In E Minor Op.64 (26:37)
1 I Allegro Molto Appassionato 12:45
2 II Andante 8:16
3 III Allegretto Non Troppo – Allegro Molto Vivace 5:35

Octet In E Flat Op.20 (30:44)
4 I Allegro Moderato Ma Con Fuoco 13:49
5 II Andante 6:31
6 III Scherzo 4:29
7 IV Presto 5:53

Cello – Edward Arron (tracks: 4 to 7), Robert deMaine (tracks: 4 to 7)
Conductor – Vladimir Ashkenazy (tracks: 1 to 3)
Orchestra – Philharmonia Orchestra (tracks: 1 to 3)
Viola – Cynthia Phelps* (tracks: 4 to 7), Richard O’Neill (tracks: 4 to 7)
Violin – Andrew Wan (tracks: 4 to 7), Augustin Hadelich (tracks: 4 to 7), Erin Keefe (tracks: 4 to 7), James Ehnes

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Ehnes, genial.

PQP

.: interlúdio :. Kenny Drew Trio: Season’s Greetings – Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (bass) & Ed Thigpen (drums) ֎

.: interlúdio :. Kenny Drew Trio: Season’s Greetings – Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (bass) & Ed Thigpen (drums) ֎

Feliz Natal!

Escrevo estas mal traçadas ainda em novembro, mas com dezembro já quase virando a esquina. Contrariando todas as mais acuradas previsões climáticas, nem mesmo o INPE conseguiu prever essa, já há árvores cuneiformes com seus galhos cheios de neve nas mais diversas partes de Niterói. O clima de Jingle Bells está no ar…

Uma das coisas que eu mais gosto nesta época do ano é a motivação para ouvir velhas canções natalinas em suas diferentes formas, sempre com uma nota de saudosismo, mas também uma de esperança. Eu já andei postando alguns álbuns com essa temática, como você poderá desencavar aqui, aqui ou ainda aqui.

Para este ano, seguindo minha nova tendência de ouvir jazz e coisas afins, escolhi o álbum de um pianista estadunidense que se mudou de mala, bagagens e piano para a Europa, ficando o resto da vida na Dinamarca.

The Kenny Drew Trio – Season’s Greetings

  1. Blue Christmas
  2. Jingle Bells
  3. White Christmas
  4. Quiet Cathedral
  5. The Christmas Song
  6. Silent Night
  7. Greensleeves
  8. Away In A Manger
  9. Quiet Cathedral (Solo Piano Version)

Kenny Drew, piano

Niels-Henning Ørsted Pedersen, bass

Ed Thigpen, drums

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 116 MB

A talented bop-based pianist, Kenny Drew was somewhat underrated due to his decision to permanently move to Copenhagen in 1964. He recorded with Howard McGhee in 1949 and in the 1950s was featured on sessions with a who’s who of jazz, including Charlie Parker, Coleman Hawkins, Lester Young, Milt Jackson, Buddy DeFranco, Dinah Washington, and Buddy Rich. […] He also appeared as a sideman on classic Blue Note albums including John Coltrane Blue Train, Dexter Gordon Dexter Calling, Grant Green Sunday Mornin’, and Jackie McLean Bluesnik. […] Drew recorded many dates for SteepleChase in the 1970s and remained active up until his death.

Aproveite!

René Denon

Kenny Drew

William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um maravilhoso CD duplo onde o pianista canadense Marc-André Hamelin brilha notavelmente. Hamelin é conhecido por sua habilidade demoníaca, mas eu o defendo com convicção — ele também tem muita sensibilidade e creio que eu, na minha idade e com minha vivência de ouvinte, saiba reconhecer um virtuose vazio quando ele dobra lá longe na esquina. Hamelin não é nada vazio, dá cara própria a cada uma das peças de Bolcom e estas são pra lá de boas!

Nas generosas notas do CD, o próprio compositor estadunidense apresenta o repertório, explicando como sua descoberta da música de Scott Joplin — que havia caído na obscuridade após a morte do compositor — levou-o a explorar o gênero no final dos anos 1960, justo em um momento em que a ópera Treemonisha ressurgia e o ragtime em geral, estava sendo revivido. Os elementos do ragtime tradicional de Joplin são evidentes nos rags de Bolcom – o DNA musical de síncope e swing que Hamelin captura perfeitamente – mas Bolcom se permite desviar para territórios mais incomuns, como, por exemplo, em Rag-Tango, que alterna a sensualidade do tango argentino, com suas harmonias picantes, e elementos de rags tradicionais. Eu desconhecia Bolcom e acho que este disco deve ser um bom ponto de partida. É uma audição maravilhosa, reveladora e, acima de tudo, muito agradável do início ao fim.

William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

1-1 Eubie’s Luckey Day 5:00
1-2 Epithalamium 4:57
1-3 Tabby Cat Walk 5:41
1-4 Knockout ‘A Rag’ 3:57
1-5 Rat-Tango 8:43
The Garden Of Eden (18:38)
1-6 Old Adam 2:18
1-7 The Eternal Feminine 5:47
1-8 The Serpent’s Kiss 5:32
1-9 Through Eden’s Gates 4:57
1-10 California Porcupine Rag 3:27
1-11 The Gardenia 5:07
1-12 The Brooklyn Dodge 4:47
1-13 Contentment 7:38
Three Ghost Rags (15:34)
2-1 Gracefull Ghost Rag 4:35
2-2 The Poltergeist 3:31
2-3 Dream Shadows 7:26
2-4 Raggin’ Rudi 3:54
2-5 Epitaph For Louis Chauvin 5:07
2-6 Seabiscuits Rag 3:44
2-7 Estella ‘Rag Latino’ 5:12
2-8 Fields Of Flowers 5:47
2-9 Incineratorag 3:11
2-10 Knight Hubert 3:57
2-11 Lost Lady Rag 6:32
2-12 Glad Rag 3:40
2-13 Last Rag 4:58
2-14 Brass Knuckles
Written-By [Written In Collaboration With] – William Albright
3:25

Piano [M Steinert & Sons] – Marc-André Hamelin

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

William Bolcom dando aula de ragtime

PQP

Johann Adolf Hasse (1699-1783): Messe in d / Johann David Heinichen (1683-1729): Requiem

Vai se aproximando o Natal, então deixo como contribuição duas obras corais compostas no século XVIII para a mui católica corte de Dresden. Eu considero este CD um tanto desigual, porque enquanto a Missa de Hasse (1751) é cheia de momentos expressivos emocionantes, o Requiem de Heinichen (1726) passou pelos meus ouvidos como passa barulho de trânsito: dois minutos depois eu não saberia descrever nada de interessante.

J.A. Hasse nasceu perto de Hamburgo e viveu uma vida longa e cheis de sucessos, principalmente na ópera e na música sacra. Muitos dos seus anos foram em Dresden e Viena, com períodos anteriores na Itália (década de 1720 em Nápoles e os últimos dez anos de vida em Veneza). Consta que ele aprendeu muito com o napolitano Alessandro Scarlatti. Representante da geração posterior à de J.S. Bach e Händel, Hasse já não é barroco, sendo um dos mais importantes compositores do período que hoje em dia é pouco lembrado, aquele entre 1750 e 1770. Eu, pessoalmente, diria que além dele também Antonio Soler e C.P.E. Bach são autores de música interessantíssima, mas é inegável que eles são menos tocados e menos estudados hoje do que Haydn e Mozart.

O regente alemão Hermann Max não chega a ser tão famoso quanto o belga Philippe Herreweghe ou o austríaco Nikolaus Harnoncourt, mas ele tem uma longa estrada com os grupos Rheinische Kantorei (Os Cantores do Reno) / Das Kleine Konzert (O Pequeno Concerto), que ele fundou em 1977. Pela gravadora Capriccio, Max e seus dois grupos gravaram muita coisa de Bach (Paixões, Cantatas) e de Telemann, incluindo um Oratório de Natal que FDP Bach postou ano passado (aqui).

1-16. Johann Adolf Hasse (1699-1783): Messe in d (Missa em ré menor)

17-36. Johann David Heinichen (1683-1729): Requiem em mi bemol maior

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Giovanni Adolfo Hasse, é o nome que consta no desenho de Hasse por Lorenzo Zucchi (circa 1755)

Pleyel

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

O Éder dispensa apresentações. Já postamos vários quartetos com os caras e eles são espetaculares. Vamos às obras?

Os Quartetos Nº 2 e 12 de Shostakovich parecem nascer em extremos opostos — mas ambos revelam o compositor em momentos de rara intensidade. O Quarteto Nº 2 (1944) é uma ferida aberta. Escrito em plena guerra, mistura um lirismo tenso com explosões de desespero. Seu grande arco narrativo — sim, narrativo: da simplicidade inicial ao final devastado — soa como se Shostakovich tentasse organizar o caos do mundo apenas para perceber que a dor sempre retorna mais profunda. Já o Quarteto Nº 12 (1968) abre outra porta: mais austero, mais introspectivo, com harmonias que parecem deslizar para regiões sombrias e abstratas. Aqui, Shostakovich escreve como quem conversa consigo mesmo — um diálogo carregado de verdade. Se o primeiro é um grito, o segundo é um murmúrio. Se um olha o mundo em chamas, o outro olha para dentro. Juntos, mostram duas faces do mesmo artista — sempre dividido entre coragem e medo, entre resistência e esgotamento, entre a necessidade de falar e o risco de ser ouvido (ou censurado).

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

String Quartet No. 2 In A Major, Op. 68
1 Overture: Moderato Con Moto 8:18
2 Recitativo And Romance: Adagio 8:58
3 Valse: Allegro 5:43
4 Theme With Variations: Adagio – Moderato Con Moto 11:02

String Quartet No. 12 In D Flat Major, Op. 133
5 Moderato – Allegretto 6:37
6 Allegretto 19:43

Éder Quartet:
Cello – György Éder
Viola – Sándor Papp
Violin – György Selmeczi, Péter Szüts

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Porque às vezes só resta abraçar o sofá.

PQP

Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

Nhé, não é um grande CD, longe disso, mas, pô, é da família! Vale pela sinfonia de mano mais velho W.F., que era mesmo muito bom, meio deprimido e salva o CD. Como sabemos, o mano J.C. tem o mérito de ter inventado o estilo de Mozart, é o perfeito Mozart-sem-talento e sua música chega a ser agradável se não prestarmos muita atenção a ela. O J.C.F. não merecia a atenção que papai lhe deu. Era tão sem inspiração quanto eu. A Accademia Bizantina é apenas OK e leva as obras até seus finais sem grandes surpresas. Se você baixar este CD, a família agradece sem entusiasmo. Ah, já que o iPod já foi quase todo postado, vou copiar para ele o Réquiem de Verdi para depois postar, OK? Mas ainda falta um Villa-Lobos, um Nono e uma coisinha de jazz.

Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°1 in A-dur
1. Allegro
2. Rondò Grazioso

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°2 in D-dur
3. Andante
4. Minueto

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°3 in C-dur
5. Allegro
6. Rondò Grazioso

J. C. F. Bach – Symphonie in d-moll
7. Allegro
8. Andante Amoroso
9. Allegro Assai

W. F. Bach – Symphonie in F-dur
10. Vivace
11. Adagio
12. Allegro
13. Andante <—- Uma joia
14. Allegro
15. Minueto 1
16. Minueto 2

Accademia Bizantina
Carlo Chiarappa

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

O macharedo da Família Bach

PQP

Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Grande CD duplo com os três quartetos do polonês Górecki. Eu prefiro os dois primeiros, mas jamais jogaria fora o terceiro. O Kronos Quartet encomendou as obras e as estreou. O que talvez jamais imaginasse é que, poucos anos depois, viria um Royal String Quartet, da Polônia — bem, o fato de serem poloneses não chega a ser surpreendente — e faria gravações bem melhores das obras. Bem, acontece, a gente bota as coisas no mundo e perde o controle sobre elas. A música de Górecki é algo extraordinário neste CD que recebi com o maior entusiasmo. Parabéns à Hyperion inglesa por nos trazer tais obras-primas. O Arioso do Quarteto Nº 2 é de chorar de tão lindo!

Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

Disc: 1
1-1 Already It Is Dusk (String Quartet No 1) Op 62 (15:43)

Quasi Una Fantasia (String Quartet No 2) Op 64 (33:02)
1-2 Largo Sostenuto – Mesto 7:49
1-3 Deciso – Energico Marcatissimo Sempre 6:57
1-4 Arioso: Adagio Cantabile Ma Molto Espressivo E Molto Appassionato 8:00
1-5 Allegro Sempre Con Grande Passione E Molto Marcato 10:16

Disc: 2
… Songs Are Sung (String Quartet No 3) Op 67 (55:54)

2-1 Adagio – Molto Andante – Cantabile 11:11
2-2 Largo Cantabile 12:55
2-3 Allegro Sempre Ben Marcato 4:51
2-4 Deciso – Espressivo Ma Ben Tenuto 12:24
2-5 Largo – Tranquillo 14:31

Royal String Quartet

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Górecki feliz, pelo visto
Górecki feliz, pelo visto

PQP

Henryk Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2 (Kronos)

Henryk Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2 (Kronos)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Já que temos duas excelentes gravações dos quartetos de Bartók e também dos últimos de Beethoven, nada como dialogar com mano CDF postando os dois primeiros quartetos do polonês Górecki: o primeiro plenamente bartokiano, o segundo indiscutivelmente beethoveniano.

Não creio que as grandes influências recebidas por Górecki desconsiderar o polaco. Burrice seria pensar que um quarteto de cordas pode ser escrito sem a referência destes gigantes. O primeiro quarteto é eslavo até a raiz dos cabelos, com lentos corais e danças furiosas de sabor mais bartokiano do que shostakovichiano. O segundo quarteto, principalmente no Arioso: Adagio Cantabile faz referências aos últimos quartetos de Beethoven, com a utilização de um tema curto levado ao paroxismo. Neste “Quasi una Fantasia” também há muito do minimalismo. Um bom disco!

Sobre o Kronos… Bem, não vou repetir o que os mais antigos no blog já sabem: acho-os o máximo!

Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2

1. Already It Is Dusk String Quartet No. 1, Op. 62

2. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Largo Sostenuto – Mesto
3. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Deciso – Energico; Furioso, Tranquillo – Mesto
4. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Arioso: Adagio Cantabile
5. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Allegro – Sempre Con Grande Passion E Molto Marcato; Lento – Tranquillissimo

Kronos Quartet

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

O CD Victor Biglione e Marcos Ariel, Duo #1 é uma joia da música instrumental brasileira que merece ser celebrado. Lançado em 1994, captura um diálogo íntimo entre violão e piano em arranjos sofisticados. Victor Biglione (violão de 7 cordas) e Marcos Ariel (piano) são mestres em unir musicalidade e leveza, criando um som ao mesmo tempo acessível. Biglione traz harmonias ricas e baixos marcantes enquanto Ariel responde com linhas melódicas fluidas no piano e improvisos cheios de classe. Bom disco para fãs de Ralph Towner e Egberto Gismonti (universalidade acústica), de Tom Jobim (sofisticação harmônica) e Yamandu Costa (raiz e virtuosismo). Para tardes chuvosas, jantares elegantes ou quando a alma pede beleza sem pressa. O disco foi gravado quase ao vivo (poucos overdubs), capturando a cumplicidade rara do duo. Biglione e Ariel já colaboravam há anos em trilhas sonoras e shows – a sintonia é orgânica.

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

1 Viola Enluarada
2 Bala Com Bala
3 Invitation
4 Lua Branca
5 Elegia Aos Pássaros II (Sanhaço)
6 Easy Living
7A Concerto De Aranjuez
7B Canto de Ossanha
8 Inútil Paisagem
9 São Jorge
10 Baleia Azul
11 Poema Brasileiro
12 Chuva Em Ipanema

Victor Biglione, violão
Marcos Ariel, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Jovem, saiba que todos nós envelhecemos.

PQP

BTHVN255 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Ostatnie Sonaty Fortepianowe/Últimas Sonatas para Piano – Marcin Masecki (2015)

Ao renano genial em seu 255º aniversário

As derradeiras sonatas de Beethoven, tocadas num humilde piano vertical por um músico artificialmente surdo: sob quaisquer outras mãos, essa empreitada poderia desandar numa micagem tosca, mas Marcin Masecki não é um músico qualquer. Ao abordar, aos trinta e poucos anos, a trinca de obras-primas que tantos grandes pianistas de concerto guardam nas casacas até se lhes crerem maduros o bastante, o versátil, vasto Masecki abriu mão do trato sacrossanto que seus colegas costumam dar a elas e as recriou num “pianino” de seis oitavas (“raramente afinado”, segundo ele), que emula os instrumentos em frangalhos que serviram o compositor em seus últimos anos de vida. E foi além: usando tampões nos ouvidos e fones redutores de ruído, tocou-as na surdez mais completa possível a alguém que escuta. Em vez de ícones intangíveis burilados à perfeição, ele parte da perspectiva da precariedade em que as sonatas foram escritas – no apartamento mais caótico de Viena, com seus pianos mais torturados, e por um homem arrasado, capaz de ouvir tão só seus pensamentos – e nos oferece uma leitura calorosa e reverente, imbuída da estética lo-fi que explodiria nos anos de pandemia, em que havia tantos artistas a gravarem imperfeitamente em suas casas quanto ouvidos dispostos a escutá-los mundo afora.

A quem estiver em busca duma gravação definitiva, sem manchas e gravada em mármore, fica a cordial sugestão de procurá-la alhures – e aos ouvidos aventureiros dispostos a guardar os tomates, desejo bom proveito do frescor com que Masecki nos conta que a Arte, felizmente, sempre será aberta.


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano no. 30 em Mi maior, Op. 109
Composta em 1820
Publicada em 1821
Dedicada a Maximiliane Brentano

1 – Vivace ma non troppo – Adagio espressivo
2 – Prestissimo
3 – Gesangvoll, mit innigster Empfindung – Andante molto cantabile ed espressivo – Variazione I: Molto espressivo – Variazione II: Leggermente – Variazione III: Allegro vivace – Variazione IV: Un poco meno andante – Variazione V: Allegro ma non troppo – Variazione VI: Tempo I del tema

Sonata para piano no. 31 em Lá bemol maior, Op. 110
Composta em 1821
Publicada em 1822

4 – Moderato cantabile – Molto espressivo
5 – Allegro molto
6 – Adagio, ma non troppo – Arioso – Fuga: Allegro ma non troppo – L’istesso tempo di arioso – L’istesso tempo della Fuga poi a poi di nuovo vivente

Sonata para piano no. 32 em Dó menor, Op. 111
Composta em 1821-22
Publicada em 1823
Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustra

7 – Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
8 – Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Marcin Masecki, pianino Kemble de seis oitavas

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE



Masecki em ação na sala da Filarmônica Nacional de Varsóvia, palco do Concurso Internacional Chopin.

 

Vassily