Convido-os para os eventos comemorativos dos 40 anos do Museu da Música de Mariana (MG), que serão realizados nessa cidade nos dias 6 e 7 de julho próximos, em alusão à fundação oficial do Museu da Música no dia 7 de julho de 1973. A seguir, o folder dos eventos e, abaixo, o link para baixar o texto publicado na revista portuguesa de música Glosas, sobre a história e as atividades atuais do Museu da Música (3 Mb):
. .Museu da Música de Mariana
Projeto Acervo da Música Brasileira – Restauração e Difusão de Partituras
O Projeto Acervo da Música Brasileira – Restauração e Difusão de Partituras é uma das mais completas e arrojadas iniciativas de recuperação, preservação e divulgação do patrimônio musical do país, idealizado pela Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana e patrocinado pela Petrobras, sob a coordenação do Santa Rosa Bureau Cultural.
Obras preciosas da música religiosa brasileira dos séculos XVII a XX, antes restritas ao espaço do Museu da Música de Mariana (MG), são reorganizadas, catalogadas, editadas e oferecidas ao grande público na forma de concertos, CDs e livros de partituras, também acessíveis pela Internet.
Pela profundidade, abrangência, volume de ações e recursos envolvidos, o projeto alcança proporções inéditas no país. O Museu de Mariana é um dos mais importantes acervos latino-americanos de música religiosa manuscrita, com mais de 2 mil partituras. Muitas delas foram salvas pelo trabalho de restauração, já que estavam em estado precário de preservação. Foi recuperada a estrutura original das partituras tal como concebidas por seus autores.
Compositores respeitados como Emerico Lobo de Mesquita, José Maurício Nunes da Silva e João de Deus de Castro Lobo têm novas peças reveladas. Outros, como Miguel Teodoro Ferreira, Frutuoso de Matos Couto e Manuel Dias de Oliveira começam a ter sua memória resgatada, com a identificação de criações importantes, anteriormente desconhecidas. O trabalho inclui também várias peças de autoria desconhecida.
Iniciado em janeiro de 2001 e com término previsto para 2003, o projeto envolve 150 profissionais, com destaque para a equipe de musicologia, coordenada pelo professor e pesquisador Paulo Castagna, da Unesp, e constituída por Aluízio José Viegas (São João del Rei), André Guerra Cotta (Belo Horizonte), Carlos Alberto Figueiredo (Rio de Janeiro), Clóvis de André (São Paulo), Francisco de Assis Gonzaga da Silva (Ouro Preto), Marcelo Campos Hazan (Rio de Janeiro), Maria José Ferro de Sousa (Ouro Preto), Maria Teresa Gonçalves Pereira (Mariana), Vitor Gabriel de Araújo (São Paulo) e Vladmir Agostini Cerqueira (Belo Horizonte).
A reorganização e catalogação está sendo realizada com uma metodologia desenvolvida no final da década de 90 e pela primeira vez aplicada, em sua total potencialidade, em um acervo brasileiro do gênero. O modelo de inventário adotado já se qualifica como referência latino-americana na área de acervos de manuscritos musicais.
Todos os 9 CDs apresentam músicas inéditas. Foram produzidos e distribuidos somente 1.000 exemplares de cada. Hoje é considerada uma coleção rara e está esgotada!. Os 9 CDs já foram postados pelo PQPBach, em arquivos FLAC e MP3 320 kbps, exclusividade essa que somente os ouvintes do PQPBach desfrutam !!!
As partituras e o aparato crítico das obras acima estão disponíveis aqui, em arquivos Adobe Acrobat (.pdf). As partituras estão divididas em partes para facilitar sua transferência pela internet.
Mais um compositor para os arquivos do PQP: Alexander von Zemlinsky (1842-1942), nascido em Viena e emigrado para os EUA, onde morreu durante a 2a. Guerra
Tenho sido aqui defensor dos compositores oprimidos e esquecidos, e este não foge à regra: na mesma linha de Hans Rott (embora mais velho), Zemlinsky também foi um compositor extremamente representativo no pós-romantismo alemão que antecedeu imediatamente a Segunda Escola de Viena, sendo também um professor destacado, que teve entre seus discípulos Schoenberg (de quem era cunhado) e Korngold.
Teve uma amizade de amor e ódio com o casal Gustav e Alma Mahler: Alma, em seu diário, conta que, antes de se casar com Mahler, foi cortejada por Zemlinsky, e, apesar de admirá-lo musicalmente, repudiou-o por ser feio como um gnomo (ela dizia: “ele não tem queixo!”). Manteve, por conta disso, certa inveja psicológica em relação a Mahler, chegando mesmo a escrever obras para concorrer com as de seu rival: sua Sinfonia Lírica, por exemplo, é a resposta ao Das Lied von der Erde. Enquanto esta é musicada sobre textos chineses e escrita para Contralto e Tenor, aquela é sobre textos hindus (do poeta Rabinadrath Tagore), e escrita para Soprano e Barítono.
Mesmo assim, frequentava a casa dos Mahler e chegou a ser contratado por Gustav para reger a ópera de Viena em 1907. Teve uma vida tumultuada e nunca conseguiu impor-se na mesma medida de sucesso que seus rivais, o que lhe rendeu muitas inimizades. Uma das obras que escolheu para musicar foi justamente o Salmo XXIII, que fala “Meu Deus, em vós confio: não seja eu decepcionado! Não escarneçam de mim meus inimigos!” e “Aliviai as angústias do meu coração, e livrai-me das aflições. Vede minha miséria e meu sofrimento, e perdoai-me todas as faltas. Vede meus inimigos, são muitos, e com ódio implacável me perseguem.”
Emigrou para a América por conta da perseguição nazista, mas suas tentativas de se estabelecer como compositor foram fracassadas, e acabou morrendo na miséria. Sua música foi banida da Alemanha nazista e só foi redescoberta recentemente. Para ajudar na correção deste sacrilégio musical, eis-me postando sobre ele.
Este CD tinha sido lançado originalmente pela DECCA numa edição normal, e logo em seguida saiu na coleção “Entartete Musik”, que reunia obras de compositores alemães suprimidas pelo Terceiro Reich.
E o disco é uma pérola, que mostra o imenso talento da escrita de Zemlinsky: um poema sinfônico em três movimentos baseados no conto de Hans Christian Anderssen, “A Pequena Sereia”. Obra empolgante e cativante, de riqueza temática, lírica e ao mesmo tempo bastante vigorosa. Meu amigo, o maestro Mateus Araujo, que me apresentou esta obra, costumava compará-la a Sheherazade, com alguns créditos a mais para ela. As demais obras são os Salmos XIII (maravilhoso) e o XXIII, já descrito anteriormente.
ZEMLINSKY: Die Seejungfrau (The little Mermaid), Psalms XIII & XXIII
1. Die Seejungfrau – 1. Sehr Mässig Bewegt
2. Die Seejungfrau – 2. Sehr Bewegt, Rauchend
3. Die Seejungfrau – 3. Sehr Gedehnt, Mit Schmerzvollem Ausdruck
4. Psalm 13, Op.24
5. Psalm 23, Op.14
Riccardo Chailly – RSO Berlin, Ernst Senff Kammerchor
Esta é uma fantástica gravação de Smetana. Tudo registrado pela Chandos e pelo excelente maestro australiano Geoffrey Simon. Um espanto! A Suíte de A Noiva Vendida está perfeita e o quarteto do tcheco orquestrado por George Szell é absolutamente convincente e soa como uma sinfonia. Se você tem uma boa gravação do Ma Vlast por Kubelik e ainda este CD, você tem o Smetana básico.
Bedřich Smetana (1824–1884)
Overture and Dances from ‘The Bartered Bride’ 24:23
I Overture 6:32
II Dance of the Villagers 4:26
III Polka 4:57
IV Furiant 1:58
V Fanfare 0:41
VI Dance of the Comedians 5:32
String Quartet in E minor ‘From My Life’ 30:30
in e-Moll • en mi mineur
Orchestral version by George Szell
I Allegro vivo appassionato 8:27
‘Romantic longing and foreboding of misfortune’
II Alla polka 5:47
‘The merriment of youth; my love of dancing and dance
music’
III Largo sostenuto 9:28
‘Memories of the happiness of my first love’
IV Vivace – Meno mosso 6:25
‘Joy in discovering how to treat Bohemian national
elements in music; the catastrophe of deafness;
reminiscences of happier days; and resignation’
Voltamos a postar mais um disco de Waldemar Henrique, um dos grandes nomes do (se é que podemos dizer assim) lied brasileiro, que muito bem unia o folclórico com o erudito.
Já bem disse sobre a sua obra a reportagem do Diário do Pará, quando do lançamento deste CD em 2005, comemorativo ao centenário de Waldemar Henrique:
Há 100 anos nascia em Belém Waldemar Henrique, o compositor que mais contribuiu com a música paraense, com temas regionais que enriqueceram ainda mais nossa cultura. Não há paraense que não conheça, por exemplo, Foi Boto Sinhá, cantada por sete em 10 músicos populares paraenses.
Sua obra percorreu as lendas amazônicas (Foi Botó Sinhá, Tambá-Tajá, Uirapuru, Curupira, Manha-Nungara etc.), canções amazônicas (A Lenda da Vitória Régia, Cabocla Malvada, Noite de São João) e canções regionais (Boi-Bumbá, Meu Boi Vai-Se Embora, Pastorinhas de Belém). Sua música se estendeu por outros temas, indo de canções infantis ao folclore de Portugal, trazendo a lembrança de quando mudou para lá aos cinco anos de idade.
(…) O CD tem 57 músicas resgatadas do acervo pessoal do maestro, nunca ou poucas vezes executadas antes. As composições foram descobertas entre os objetos que integram a Coleção Waldemar Henrique, que passa por um tratamento técnico no Museu do Estado do Pará (MEP). “De todos os trabalhos discográficos referentes de Waldemar, promovidos pela Secult (ou não), este nos parece o mais ambicioso, como também o mais necessário”, define o diretor do Theatro da Paz, Gilberto Chaves, um dos responsáveis pela pesquisa que resultou no CD. Para o resgate da obra, Chaves teve a ajuda dos professores Maria Sylvia Nunes, Felipe Andrade e Guilhermina Nasser, além do músico Luiz Pardal.
O espetáculo de lançamento reunirá a soprano Dione Colares, a cantora Lucinnha Bastos, os tenores Augusto Ó de Almeida e Wilson Azevedo e o músico Luiz Pardal. Também participarão do concerto – no qual serão apresentadas 30 das 57 músicas do CD, em cerca de 75 minutos – os músicos Emílio Meninéia e Babu. Ana Maria Adade fará o acompanhamento ao piano. Os bailarinos da Companhia de Danças Ana Unger completam o elenco do espetáculo, reunindo as duas facetas musicais de Waldemar Henrique: o erudito e o popular.
(Extraído do Jornal Diário do Pará)
Fonogramas espetaculosamente cedidos pelo inveterado paraense Raphael Soares! Não tem preço!
Um disco precioso! Ouça, ouça! Deleite-se!
Waldemar Henrique (1905-1995)
Waldemar Inédito e Raro Henrique
Disco 1
01. Confissão
02. Caprichosa
03. Num barracão à tardinha
04. Jongo-jongo-longo
05. Lundu da negrinha
06. Festa primitiva
07. Louco de amor
08. Suave spleen
09. Canto de Obá
10. Cantiga
11. Boi Tungão
12. Vamos embora pro engenho
13. Joana da Barca
14. Romance
15. Folia
16. Felicidade
17. Se fores ao Rio-Roxo
18. Oração ao Negrinho Do Pastoreio
19. Rede
20. Nayá
21. Por que partiste
22. Anuncia
23. Romance
24. Hindo dos 350 anos de Belém
25. Meu irmão que vai passando
26. Remadores seringueiros
27. Tirana
28. Hino do SAR
29. Casa da viúva Costa
Disco 2
01. Um diamante e cinco balas – Tema da flor
02. Um diamante e cinco balas – Tema da nega
03. Um diamante e cinco balas – Capangueiro
04. Um diamante e cinco balas – Tema do João
05. Um diamante e cinco balas – Tema da morte da mulher e fuga de João
06. Um diamante e cinco balas – João e Tinhoso perseguem corcunda
07. Um diamante e cinco balas – Noturno
08. Yo le dije a Buenos Aires
09. A negra da Tapioca
10. Carimbó
11. Há de acabar um dia nosso amor
12. Por tua causa
13. Ai compadre, não faça barulho
14. Banho de cheiro
15. Coronel de Macambira – Guriatã, curió
16. Coronel de Macambira – Canto da Transição
17. Coronel de Macambira – Vem o doutor
18. Coronel de Macambira – Minha flor, minha ternura
19. Coronel de Macambira – O meu boi morreu
20. Coronel de Macambira – Cuidado com o engenheiro
21. Coronel de Macambira – Fui, fui, fui
22. Coronel de Macambira – Canto, canto, canto
23. Coronel de Macambira – Campeiros vizinhos
24. Coronel de Macambira – O avião caiu
25. Relax over my shoulder
26. Japiym
27. Tema da Peça ‘Morte e vida Severina’
28. Quiriru
Patrícia Oliveira, soprano (cd1, 1-6 e 29)
João Augusto Ó de Almeida – 7-15 e 29)
Dione Colares, soprano (cd1, 16-21 e 29)
Antônio Wilson Azevedo, tenor (cd1, 22-29)
Lucinha Bastos, mezzo-soprano (cd2, 11-14)
João Augusto Ó de Almeida, tenor (cd2, 15-24)
Ana Maria Adade, piano
Emílio Meninéa, Percursão
Augusto Castro, Violão de 6 e 7 cordas
Luiz Pardal, arranjos (cd2, 1-14 e 24)
Belém, 2004
Pois é, né, gente? O cara é inglês e é barroco e sempre dizem que a Inglaterra, depois de Purcell, passou por séculos sem um compositor decente até o surgimento de Elgar ou Britten. Pois eu achei este Hebden bastante bom. Claro que ele não está nos níveis daqueles autores que magicam (quieto, Vanderson!), ele é um cara de segundo escalão, mas é muito digno, tanto que o trabalho está com 4,5 estrelas na avaliação do pessoal que opinou na Amazon. Quem baixar, não vai brigar comigo.
John Hebden (1712–1765): Six Concertos for Strings
1. Concerto In A Major, Op. 2, No. 1: Adagio – Allegro. Fugga – Largo – Allegro
2. Concerto In C Major, Op. 2, No. 2: Allegro – Largo E Siciliana – Allegro Ma Non Troppo
3. Concerto In E Minor, Op. 2, No. 3: Allegro – Largo – Gigga. Allegro
4. Concerto In E-Flat Major, Op. 2, No. 4: Adagio – Allegro – Adagio – Minuet Amoroso
5. Concerto In C Minor, Op. 2, No. 5: Adagio – Allegro – Adagio – Allegro
6. Concerto In D Minor, Op. 2, No. 6: Adagio – Allegro – Grave – Allegro
Descobri hoje que este disco de Zawinul, gravado ao vivo em Viena (sua cidade natal) poucos meses antes de sua morte, ganhou o Grammy 2010 na categoria jazz contemporâneo. Eu não dou a mínima para premiações da indústria desse tipo — ao contrário, acho-as predatórias — , mas sou fã de Zawinul e, claro, fui conferir o prêmio póstumo.
Infelizmente fica aquém do que eu esperava, ou quem sabe sou eu quem estou num momento pouco fusion? É verdade que há um trabalho de percussão fantástico, mas não adiciona mais do que um disco recente, Viena Nights (2005), já havia trazido. Só não vou chamar 75th (foi um show comemorativo ao seu aniversário, com parabéns a você e tudo) de caça-níqueis porque, gravadora à parte, são músicos excepcionais tocando com o vigor de sempre. A faixa “Fast City”, em especial, comprova. Além do fusion há um forte acento de world music (músicos brasileiros e africanos, um samba meio João Bosco no repertório) e momentos de puro rock. Vibrante é, sem dúvida. Mas avaliem melhor vocês, que esse cão vai seguir sua fase viciada em Wes Montgomery. (Aliás, porque Denzel Washington não filma uma biografia de Wes? São iguais!)
Joe Zawinul & The Zawinul Syndicate – 75th [V0]
Joe Zawinul (keyboards, vocoder); Sabine Kabongo (vocals, percussion); Alegre Corrêa (vocals, berimbau, electric guitar, acoustic guitar); Linley Marthe (bass); Paco Sery (drums, kalimba, vocals); Jorge Bezerra (percussion, vocals); Aziz Sahmaoui (percussion, vocals); Wayne Shorter (soprano sax in In a Silent Way).
CD1
01 Introduction to Orient Express
02 Orient Express
03 Madagascar
04 Scarlet Woman
05 Zanza II
06 Cafe Andalusia
CD2
01 Fast City/Two Lines
02 Clario
03 Badia/Boogie Woogie Waltz
04 Happy Birthday
05 In a Silent Way
06 Hymn
Sinceramente, eu gostaria de ter assassinado meu irmão mais velho. Wilhelm Friedemann foi o filho predileto de papai. Para mim, nada; para ele, tudo. WF ganhou até um Clavierbüchlein para aprender a tocar cravo. Depois, já grandinho, demonstrou enorme talento. Compunha bem pra caralho. Inventava estranhas e belas melodias, muito originais. Mas era indisciplinado e logo agregou o alcoolismo a seus predicados. Largava — ou era largado — de emprego atrás de emprego e muitas vezes acabava em grandes dificuldades financeiras, que o fizeram vender seus bens e os manuscritos paternos recebidos em herança. Naquela época, o filho mais velho levava tudo, lembram? Mas era um puta improvisador e, como vemos neste CD de Christophe Rousset, deixou boa quantidade de música para teclado de excelente qualidade. Mas, nunca esqueçam, ele perdeu 100 Cantatas de papai, aproximadamente.
W.F. Bach (1710-1784): Obras para cravo
Keyboard Sonata in A major, F. 8 (BR A15)
1 Poco allegro 5:34
2 Largo 1:58
3 Presto 5:35
4 Fantasia for keyboard in C minor, F. 15 (BR A18) 5:47
5 Prelude for keyboard in C minor, F. 29 (BR A54) 1:28
6 March for harpsichord in E flat major, F. 30 (BR A56) 3:19
Suite for keyboard in G minor, F. 24 (BR A39)
7 Allemande 3:41
8 Courante 3:18
9 Sarabande 3:31
10 Presto 2:32
11 Bourrée. Trio 1 & 2 5:41
Fugues (8) for keyboard, F. 31 (BR A81-88)
12 No. 1 en Do majeur 1:23
13 No. 2 en ut mineur 2:22
14 No. 3 en Ré majeur 0:51
15 No. 4 en ré mineur 1:00
16 No. 5 en Mi bémol majeur 2:53
17 No. 6 en mi mineur 2:48
18 No. 7 en Si bémol majeur 0:50
19 No. 8 en fa mineur 5:06
Keyboard Sonata in G major, F. 7 (BR A14)
20 Andantino. Allegro di molto 3:14
21 Lamento 4:29
22 Presto 3:10
Uma postagem dupla com concertos para piano de Mozart com Maria João Pires e Claudio Abbado é tudo de bom. São dois cds gravados em momentos diferentes, e que só mostram a beleza da música de Mozart, nas mãos de dois especialistas neste repertório.
O primeiro CD é de 1993, e traz Maria João tocando os Concertos de n° 14 e o de n° 26, também conhecido como “Coroação”. Abbado está à frente da Filarmônica de Viena, orquestra que dispensa apresentações, e que conhece este repertório muito bem. O segundo cd é bem recente, de 2012, e Abbado desta vez está à frente da excelente Orchestra Mozart, conjunto que ele mesmo montou e dirige há alguns anos.
Enfim, dois músicos em diferentes momentos de suas carreiras, e que mostram toda a sua versatilidade, em um repertório que eles conhecem muito bem.
Piano Concertos n°14 e 26
01 – Concerto for Piano and Orchestra no. 14 in E flat major, K. 449 – Allegro Vivace
02 – K. 449 – Andantino
03 – K. 449 – Allegro ma non troppo
04 – Concerto for Piano and Orchestra no. 26 in D major, K. 537 ”Coronation” – Allegro
05 – K. 537 – [Larghetto]
06 – K. 537 – [Allegretto]
Maria João Pires – Piano
Wiener Philharmoniker
Claudio Abbado
1 Piano Concerto No.27 in B flat major, K 595 – I. Allegro
2 Piano Concerto No.27 in B flat major, K 595 – II. Larghetto
3 Piano Concerto No.27 in B flat major, K 595 – III. Allegro
4 Piano Concerto No.20 in D minor, K 466 – I. Allegro
5 Piano Concerto No.20 in D minor, K 466 – II. Romanze
6 Piano Concerto No.20 in D minor, K 466 – III. Rondo. Allegro assai
Maria João Pires – Piano
Orchestra Mozart
Claudio Abbado
Infelizmente, Rostropovich não gravou este excelente concerto de Kabalevsky. Kaba prova que é um sub-Shostakovich de respeito. E o que faz este menino Lidström também é sensacional! E no Khachaturian então? O Concerto de Khacha não é tão bom quanto o de Kaba, mas faz-lhe belo par. Anotem este nome: Mats Lidström é um grande celista. Tanto que quase consegue salvar Rachmaninov!
Ah, deixa eu contar pra vocês. O CD que ora posto tem quase o mesmo repertório que este aqui. Devia tê-los postado juntos, mas esqueci completamente…
Nos últimos dias tenho ouvido muito esse cara, Brad Mehldau. Como comentei em postagem anterior, seu estilo é muito semelhante ao de Keith Jarrett, ídolo deste que vos escreve e também de meu mano, PQPBach. Carreguei meu mp3 player com praticamente toda sua discografia e tenho ouvido com atenção tanto quando vou trabalhar quando estou voltando para casa. Como li dia destes em uma postagem do facebook, o ônibus é um dos melhores lugares para a gente meditar e pensar nos problemas da vida, e tenho uma vantagem, pois meu horário de serviço é diferenciado, começo a trabalhar ao meio dia e saio às 7 da noite, então nesta hora do dia o trânsito, assim como o transporte coletivo, estão bem mais tranquilos, sem aquele tumulto dos horários de pico.
Mas enfim, devido ao sucesso conseguido com o segundo volume desta série, “The Art of Trio”, trago o quarto volume, quando este trio incrível volta ao famoso Village Vanguard, famosa casa de jazz em Nova York. E novamente temos um show de virtuosismo e sensibilidade artística. Mehldau literalmente viaja longe em seus solos, então uma canção como “All the things you are” tem a duração de 13 minutos. Mehldau literalmente descontrói a melodia, e a reconstrói, no melhor estilo dos grandes improvisadores do jazz. E claro que não tem como não lembrar de Keith Jarrett, Chick Corea, Bill Evans, etc., etc., etc. Divirtam-se.
P.S. Antes que me esqueça, ainda estou atrás do servidor ideal, e estarei testando pelos próximos meses o “1fichier”, excelente servidor francês, que diversos outros blogs tem usado quase que com frequência e do qual tenho gostado muito. Ah, quando vocês clicarem no link, vai abrir outra página, que basta fechar. Vai aparecer então uma frase em francês tipo “telechargé fichier”, ou algo do gênero. Basta clicar ali, escolher onde guardar o arquivo e mandar baixar.. .
(01) [Brad Mehldau] All the Things You Are
(02) [Brad Mehldau] Sehnsucht
(03) [Brad Mehldau] Nice Pass
(04) [Brad Mehldau] Solar
(05) [Brad Mehldau] London Blues
(06) [Brad Mehldau] I’ll Be Seeing You
(07) [Brad Mehldau] Exit Music (For a Film)
Brad Mehldau – Piano
Larry Grenadier – Bass
Jorge Rossy – Drums
Nosso amigo Milton Ribeiro confidenciou-me dia destes que desconhecia Brad Mehldau. Eu fiquei espantando, ainda mais sabendo que o Milton é uma verdadeira enciclopédia da música, e conhece muita coisa e muita gente. Surpreendeu-me realmente, afinal de contas, o jovem pianista já está há um bom tempo na área, e já gravou com um monte de gente conhecida, como Pat Metheny, Anne Sophie von Otter, entre diversos outros.
Meu caro Milton, imagine um Keith Jarrett sem ter passado por todas as fases que passou até chegar à sua versão de trio acústico. Sei que estou exagerando, mas vejo Brad Mehldau como a evolução daquilo que Keith Jarrett acrescentou e ainda acrescenta à técnica do piano. O rapaz é um fenômeno e não teme se arriscar. Claro que não podemos esquecer de Bill Evans, Herbie Hancock, Thelonius Monk, Chick Corea, para citar apenas algumas das influências visíveis do rapaz; Então, una estas técnicas apuradíssimas, conseguidas através de anos sentados atrás do instrumento, aliadas a um virtuosismo espantoso, desconte a idade e a quantidade de heroína que Bill Evans consumiu… então podes ter uma idéia de quem é Brad Mehldau. Aí comece a ouvir este cd pela sua terceira faixa, uma homenagem a Thelonius Monk… e depois me diga o que achas. Se o conheço mais ou menos bem, sei que sua expressão será: onde diabos eu estava que não conheci esse cara antes?
Num primeiro momento, o espanto… depois a certeza de que estamos diante de um novo fenômeno do piano, e o que é mais importante, ainda jovem, e ainda podendo evoluir, e muito. Quando comecei a ouvir este rapaz, há pelo menos uns dez anos atrás, achei muita presunção da parte dele lançar uma série de cinco cds com o título de “Art of Trio”. Pensei comigo mesmo, quem esse cara está pensando que é? Ainda mais com toda a lista de excepcionais músicos que vieram antes dele e deram forma à este estilo tão caracteristico do jazz, o Piano Trio. Depois entendi que na verdade se tratava de uma homenagem à todos aqueles gigantes que vieram antes dele, me apropriando de uma frase meio clichê, ele se apoiava sobre os ombros dos gigantes para mostrar a evolução da técnica, e do próprio jazz.
Enfim, caro Milton, eis a nova face do piano no jazz, apesar de não ser tão nova assim, afinal, esse cd que estou postando ainda é de 1998.
P.S. – Ainda estou procurando um servidor que não me dê problemas. A bola da vez é o 4shared.
Brad Mehldau – It’s Alright With Me
Brad Mehldau – Young And Foolish
Brad Mehldau – Monk’s Dream
Brad Mehldau – The Way You Look Tonight
Brad Mehldau – Moon River
Brad Mehldau – Countdown
Aproveitando a onda das integrais, vou postar uma rara: integral dos poemas sinfônicos de Franz Liszt.
Como a maioria sabe, Liszt foi um cara bem louco que sintetizou como poucos a cultura romântica européia do século XIX. Erudito, foi educado na língua alemã e francesa, pouco falava o húngaro de sua terra natal, mas conhecia profundamente a literatura e a filosofia do ocidente, possibilitando polarizar a vanguarda musical que fez a ponte entre a cultura clássica pós-beethoviana e a cultura romântica que iria encontrar seu arauto em Wagner. Além disso, foi uma personalidade heterogênea, que passou de playboy bon-vivant a abade, além de, musicalmente, dominar o cenário pianístico e orquestral ao mesmo tempo, o que por si só já é um feito notável.
Entusiasmado com o ideal sinfônico de Berlioz e sua sinfonia descritiva, Liszt arrojou traduzir ideias literários, que antes só tinham espaço na abertura sinfônica, num gênero inventado por ele mesmo: o poema sinfônico. Forma livre, porém narrativa e prosódica, que acaba sempre emprestando da forma-sonata alguma arquitetura, mas que tem por mérito a tradução musical da dramaticidade literária (ou de algum outro assunto extra-musical, como a pintura ou a natureza).
Mas muita água rolou até que o estilo se consolidasse, e desde sua época as polêmicas deram pano pra manga: Hanslick escreveu um tratado (“Do Belo Musical”) que simplesmente relega ao poema sinfônico a qualidade de música inferior, ao passo que quase todos os compositores experimentaram de alguma forma o gênero – até mesmo Brahms, se considerarmos a Abertura Trágica com uma narrativa extra-musical – e aprovaram a receita.
Da integral de 4 CDs, posto aqui o primeiro volume (2 cds) que mostra bem a que veio. Dá pra ver bem onde Liszt acertou e onde a bola foi parar na arquibancada. Tem horas que a música é bem convincente, tem outras que é apenas verborrágica. Mesmo alguns sendo um pé no saco, a gente fica admirado, o cara consegue sustentar quase 1/2 hora de música sem assunto nenhum. De qualquer modo, é o pioneiro no gênero que veio a fornecer obras-primas do repertório sinfônico, e vale a curiosidade.
Liszt: Complete Tone Poems, Vol.1
CD1
1. Ce qu’on entend sur la montagne
2. Tasso, lamento e trionfo
3. Les Préludes
Hoje vou presentear o PQP com a introdução de um novo nome: Hans Rott (1858-1884).
Muitos dirão: “quem?”
Para apresentá-lo, vou utilizar as palavras de seu contemporâneo direto, colega de turma no Conservatório de Viena, Gustav Mahler: “a musician of genius … who died unrecognized and in want on the very threshold of his career. … What music has lost in him cannot be estimated. Such is the height to which his genius soars in … [his] Symphony [in E major], which he wrote as 20-year-old youth and makes him … the Founder of the New Symphony as I see it.”. (Wikipédia)
E assim como Mahler, foi também aluno de Bruckner, que o elogiou como um excelente improvisador ao órgão, coisa que devia ser mesmo, já que era a especialidade de Bruckner. Um verdadeiro talento promissor, vindo da mesma geração vienense de Mahler e Zemlinsky, mas que passou boa parte do século XX em total esquecimento. A pergunta que não quer calar: por quê?
Consta que quando escreveu sua sinfonia, submeteu-a a Brahms e Richter para que ela fosse apresentada, mas como rapadura é doce mas não é mole, a primeira impressão dos seus mestres foi negativa e muito crítica. Brahms inclusive disse que ele não tinha nenhum talento, mas na verdade estava era de saco cheio das influências que Bruckner exercia sobre os alunos do Conservatório, e por isso desdenhou-o.
O problema é que ele não soube lidar com as adversidades comuns da vida, e entrou em profunda depressão, sendo inclusive diagnosticado com neurose maniaco depressiva e vindo a morrer de tuberculose aos 25 anos. Mahler depois lamentou o quanto de música se perdeu com sua morte. Sua sinfonia em mi maior ficou esquecida e só foi feita uma première em 1989! Obra grandiosa, reúne todas as virtudes típicas da era pós-wagneriana: clima épico, grande orquestração, narrativa estendida, com direito a fuga dupla e finale apoteótico. Em muitos momentos o ouvinte desavisado pode estranhar: “ei, mas isso não é Mahler?”. Acho que as primeiras duas sinfonias do mestre Gustav devem muito a essa.
As demais obras do CD só reforçam o sentimento de perda para a música por ter morrido tão jovem. Já são realmente o apontamento para um pós-wagner sem sequelas.
Eis, portanto, uma pequena amostra deste enorme talento.
HANS ROTT: Symphony in E major, etc.
01 Symphony in E major – 1.Alla breve 09:28
02 Symphony in E major – 2.Sehr langsam 11:19
03 Symphony in E major – 3.Scherzo_ Frisch und lebhaft 12:20
04 Symphony in E major – 4.Sehr langsam 22:38
05 Orchestervorspiel in E major 03:37
06 Ein Vorspiel zu Julius Caesar 07:45
Um cd no mínimo peculiar. Xavier de Maistre é o primeiro harpista da Filarmônica de Viena, e só isso já é excelente carta de apresentação. Mas o rapaz vai mais longe, e muito mais longe, nos brindando com um belo e delicado cd, fazendo transcrições das mais conhecidas peças da música espanhola. Eu particularmente gostei muito, apesar de estar sempre com a sensação de que está faltando alguma coisa. Pode ser que os mais puristas torçam o nariz ao ouvirem o Concierto de Aranjuez tocado numa harpa, mas o timbre super delicado do instrumento torna a peça ainda mais romântica. Até onde sei, a única peça realmente composta para o instrumento é o Concerto para Harpa, de Ginastera.
O regente da Viena Radio Symphony Orchestra, Bertrand de Billy, e claro, os engenheiros de som da Sony, conseguiram um belo equilíbrio entre a orquestra e a harpa,não deixando ela desaparecer atrás da massa sonora orquestral.
Enfim, um cd para aqueles que, em primeiro lugar, apreciam o instrumento, e em segundo lugar, gostam de novas experiências, e por que não dizer, de novas sonoridades para peças que fazem parte do repertório de qualquer violonista de concerto.
01. Falla – Spanish Dance No. 1 from the opera ‘La vida breve’
02. Rodrigo – Concierto de Aranjuez – I. Allegro con spirito
03. II. Adagio
04. III. Allegro gentile
05. Tárraga – Recuerdos de la Alhambra
06. Granados – Valses poeticos. Preludio, Vivace
07. Valses poeticos. 1. Melódico
08. Valses poeticos. 2. Tiempo de Vals noble
09. Valses poeticos. 3. Tiempo de Vals lento
10. Valses poeticos. 4. Allegro humóristico
11. Valses poeticos. 5. Allegretto (Elegante)
12. Valses poeticos. 6. Quasi ad libitum (Sentimental)
13. Valses poeticos. 7. Vivo
14. Valses poeticos. 8. Presto – Andante – Tiempo de Vals
15. Ginastera – Harp Concerto, op. 25 – I. Allegro giusto
16. II. Molto moderato
17. III. Kadenz
18. IV. Vivace
19. Ginastera – Milonga
Xavier de Maistre – Harp
Vienna Radio Symphony Orchestra
Bertrand de Billy – Conductor
P.S. – Não sei o que aconteceu, mas alguns leitores não estão conseguindo baixar o link do MEGA, por isso estou disponibilizando outro link, desta vez baseado no FileFactory, bom servidor que não tem me dado problemas.
Minha contribuição para os 100 anos da estréia desta obra, at last but not least, é a versão de sir Colin Davis. A virtude desta gravação, ao meu ver, é a extrema limpidez com que Davis dá à leitura da obra, realçando ao mesmo tempo a riqueza da imensa orquestração e a selvageria da música, a níveis de pura barbárie. Ele faz a percussão descer o cassete, como raras vezes pude ouvir. Ademais, a poderosa sonoridade da orquestra do Concertgebouw em sua melhor forma (a gravação é de 1976), faz dela um espetáculo à parte.
Na época do LP, a obra vinha solo, mas na era do CD, foi lançada, pra variar, com Petrouchka. Pensei em postar apenas a Sagração, mas seria sacanagem, vale o bonus.
Mais: o CD é antigo, e a Sagração veio com divisão de index, e não de tracks, mas hoje essa informação não é mais utilizada, de forma que ela fica com duas faixas mesmo.
Enjoy!
Stravinsky: Le Sacre du Printemps / Petrouchka
Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 01.The Shrovetide Fair Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 02.Russian Dance Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 03.In Petrouchka’s Booth Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 04.In The Moor’s Booth Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 05.Waltz (The Ballerina & The Moor) Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 06.The Shrovetide Fair (Evening) Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 07.Dance Of The Nursemaids Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 08.The Bear & The Peasant Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 09.The Jovial Merchant With Two Gypsy Girls Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 10.Dance Of The Coachmen & Grooms Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 11.The Masqueraders Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 12.The Fight: The Moor & Petrouchka Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 13.Death Of Petrouchka Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 14.The Police & The Showman Stravinsky: Petrouchka (1947 version) – 15.Apparition Of Petrouchka Stravinsky: Le Sacre du Printemps (The Rite of Spring) 1.The Adoration of the Earth Stravinsky: Le Sacre du Printemps (The Rite of Spring) 2.The Sacrifice
Sir Colin Davis, Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
PHILIPS, 1976
Seguindo nossa homenagem aos 100 anos da estreia de A Sagração da Primavera, lá vai o segundo torpedo, este com Seiji Ozawa, grande regente que atualmente luta com problemas de saúde decorrentes de um câncer no esôfago contraído em 2009. Assim como no CD postado por FDP Bach, a Sagração vem com o brinde de Petrouchka, mas aqui temos também a curta e excelente Fogos de Artifício.
Igor Stravinsky (1882-1971): Rite of Spring / Fireworks / Petrouchka
1. Petrouchka (1947 version): Scene I: The Shrovetide Fair: Vivace 4:59
2. Petrouchka (1947 version): Scene I: The Shrovetide Fair: The Magic Trick 1:57
3. Petrouchka (1947 version): Scene I: The Shrovetide Fair: Russian Dance 2:29
4. Petrouchka (1947 version): Scene II: Petrouchka’s Cell 3:58
5. Petrouchka (1947 version): Scene III: The Moor’s Cell: L’istesso tempo 2:39
6. Petrouchka (1947 version): Scene III: The Moor’s Cell: Dance of the Ballerina 0:45
7. Petrouchka (1947 version): Scene III: The Moor’s Cell: Waltz 3:00
8. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): Tempo giusto 1:05
9. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): Wet Nurses’ Dance 2:21
10. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): Peasant with Bear 1:37
11. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): Gypsies and a Rake Vendor 0:51
12. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): Dance of the Coachmen 1:56
13. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): Masqueraders 1:37
14. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): The Scuffle (Moor and Petrouchka) 0:53
15. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): Death of Petrouchka 1:54
16. Petrouchka (1947 version): Scene IV: The Fair (toward evening): Appearance of Petrouchka’s Ghost 0:49
17. The Rite of Spring: Part I: The Adoration of the Earth: Introduction 3:07
18. The Rite of Spring: Part I: The Adoration of the Earth: Harbingers of Spring (Dances of the Young Girls) 3:08
19. The Rite of Spring: Part I: The Adoration of the Earth: Mock Abduction 1:22
20. The Rite of Spring: Part I: The Adoration of the Earth: Spring Khorovod (Round Dances) 3:33
21. The Rite of Spring: Part I: The Adoration of the Earth: Games of the Rival Tribes 1:47
22. The Rite of Spring: Part I: The Adoration of the Earth: Procession of the Wise Elder 0:39
23. The Rite of Spring: Part I: The Adoration of the Earth: Adoration of the Earth (Wise Elder); Dance of the Earth 1:26
24. The Rite of Spring: Part II: The Sacrifice: Introduction 4:25
25. The Rite of Spring: Part II: The Sacrifice: Mystic Circles of the Young Girls 3:14
26. The Rite of Spring: Part II: The Sacrifice: Glorification of the Chosen Victim 1:24
27. The Rite of Spring: Part II: The Sacrifice: Summoning of the Ancestors 0:53
28. The Rite of Spring: Part II: The Sacrifice: Ritual of the Ancestors 3:30
29. The Rite of Spring: Part II: The Sacrifice: Sacrificial Dance (Chosen One) 4:03
30. Fireworks, Op. 4 3:34
Boston Symphony Orchestra (Petrouchka)
Chicago Symphony Orchestra
Seiji Ozawa
Minha homenagem aos 100 anos da estreia da “Sagração da Primavera” é modesta, mas é de coração. Adoro esta gravação que o Pierre Boulez realizou com a Cleveland Orchestra, no início dos anos 90. O maestro e compositor francês é um grande intérprete deste excepcional compositor russo. E de quebra, os senhores levam “apenas” a “Petrouchka”. Ou seja, a “Sagração da Primavera” completa seus primeiros cem anos, mas quem está ganhando o presente são os senhores.A Wikipediatem uma excelente página sobre a obra, trazendo os principais detalhes e curiosidades.
Divirtam-se…
Igor Stravinsky (1882-1971) –
Pétrouchka, Le Sacré du Printemps – Boulez, Cleveland Orchestra
01 – Pétrouchka – First Tableau
02 – Pétrouchka – Second Tableau
03 – Pétrouchka – Third Tableau
04 – Pétrouchka – Fourth Tableau
05 – Le Sacre du Printemps, Part 1 – L’Adoration de la Terre
06 – Le Sacre du Printemps, Part 2 – Le Sacrifice
Após as surpresas que o servidor Depositfiles que aprontou, apagando os últimos arquivos que subi, voltei a utilizar o uploaded, mas também não confio muito nele. Estou estudando as possibilidades para ver o que faço daqui para a frente. Só aviso que os cds do Wagner, que foram apagados sumariamente, sem prévio aviso, assim ficarão enquanto não resolver o problema.
Então, vamos ao que viemos, que hoje o tempo é curto.
Demorou mas finalmente saiu os outros dois cds dos Trios para Piano de Beethoven, nesta memorável gravação com Ashkenazy, Perlman e Hazell. E aqui temos as duas obras primas desta formação, os Trios “Ghost” e “Archduke”. Para variar, o trio de músicos está impecável.
CD 1
1 1 Piano Trio, Op, 70, n°1, “Ghost”, in D major – Allegro vivace con brio
2 2 Largo assai ed espressivo
3 Presto
4 – 18 – Variations, Op. 44, in E Flat
19 – Piano Trio, op 70, n°2, in E Flat – 1 Poco sostenuto – Allegro ma non troppo, Tempo I, Tempo II
20 2 Allegretto
21 3 Allegretto ma non troppo
22 4 Finale: Allegro
23 Piano Trio, Hess 48 – Allegretto
CD 2
1 Piano Trio, op. 97, “Archduke” in B Flat – 1 Allegro moderato
2 2 Scherzo & Trio: Allegro
3 3 Andante cantabile ma pero con moto – Poco piu adagio – Tempo I
4 4 Allegro moderato – Presto
5 1 Piano Trio, Woo 38 in E flat – Allegro moderato
6 2 Scherzo & Trio: Allegro ma non troppo
7 3 Rondo; Allegretto
Verklärte Nacht (Noite Transfigurada), escrita em 1899 para um sexteto de cordas, foi um dos raríssimos sucessos que Schoenberg teve em vida. Já velho, quando vivia nos Estados Unidos, ficou surpreso e felicíssimo em perceber que um taxista ouvia sua música no rádio. Ao contrário de suas obras do período atonal, Noite transfigurada é apaixonante logo na primeira audição. O tema da obra é curioso: um casal se encontra numa noite de lua cheia, e no meio do pega-pega a moça revela, arrependida, que está grávida de outro homem. “Não importa” diz o rapaz, “vou cuidar da criança como se fosse minha e viveremos para sempre felizes”. A presente versão que vamos ouvir é uma transcrição feita pelo próprio compositor em 1917 para orquestra de cordas e revista em 1943. Devo confessar que Schoenberg fez certo, pois a orquestra dá mais dramaticidade à obra. Como a composição foi influenciada por Wagner e Brahms, eu diria que a versão para orquestra está para Wagner, assim como o sexteto está para Brahms. E como Karajan foi um perfeito condutor de Wagner, esta gravação é obrigatória. Até os maiores detratores de Schoenberg caem de amor por esta obra.
Já Pelleas und Melisande, Op. 5, escrita três anos depois, não teve o mesmo sucesso. A obra é tonal, mas tão intrincada, complexa e densa que praticamente sufoca o ouvinte. A peça é um poema sinfônico de Richard Strauss elevado a 10. Dizem alguns especialistas que Schoenberg “exagerou” no empenho de criar algo novo, mas como é recompensador. Em certos momentos eu chego a pular da cadeira: “Isso”. O problema é que o “isso” não é tão freqüente. Novamente, não há melhor defensor da obra que o general Karajan e sua filarmônica de Berlim.
Arnold Schoenberg (1874 – 1951): Verklärte Nacht, Pelleas und Melisande
1. Verklärte Nacht, Op.4 – Arr. String Orch. (second vers. 1943) – 1. Grave
2. Verklärte Nacht, Op.4 – Arr. String Orch. (second vers. 1943) – 2. Molto rallentando
3. Verklärte Nacht, Op.4 – Arr. String Orch. (second vers. 1943) – 3. Pesante
4. Verklärte Nacht, Op.4 – Arr. String Orch. (second vers. 1943) – 4. Adagio
5. Verklärte Nacht, Op.4 – Arr. String Orch. (second vers. 1943) – 5. Adagio
6. Pelleas und Melisande op.5 – Die Achtel ein wenig bewegt
7. Pelleas und Melisande op.5 – Heftig
8. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 9: Lebhaft
9. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 16: Sehr rasch
10. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 33: Ein wenig bewegt
11. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 36: Langsam
12. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 43: Ein wenig bewegter
13. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 50: Sehr langsam
14. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 55: Etwas bewegt
15. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 59: In gehender Bewegung
16. Pelleas und Melisande op.5 – Ciff. 62: Breit
Berlin Philharmonic Orchestra
Conducted by Herbert von Karajan
Estreando no PQP, escolhi dar início com a elegância (mas não a pontualidade) britânica, com um compositor que eu gosto muito e que é genericamente injustiçado.
O inglês Gustav Holst é um dos curiosos casos da música que, a exemplo de Pachelbel, Dukas e Ponchielli (entre outros), vivem de uma obra só. Se já tentaram achar gravação de outra ópera de ponchielli que não a gioconda ou outra obra de Dukas que não o l´apprenti sorcier, sabem do que estou falando. Apesar de Pachelbel ser mais fácil, seu Canon é tão famoso acaba deixando todas as suas outras obras pra trás (thanx PQP por postar um Pachelbel diferente).
Holst sofre da mesma síndrome, e seus Planetas acabam por ofuscar suas outras obras. Venhamos e convenhamos, não é sem razão: a suite intergaláctica é a melhor coisa que ele escreveu, mas seu legado não se encerra nisso e ele tem outras obras muito interessantes: a deliciosa suite para cordas St.Paul, o rítmico e bombástico ballet The Perfect Fool, experiências neo-barrocas como o Fugal Concerto, e, claro, suas obras místicas, como Hymn to Jesus, Seven Part Songs, Choral Hymns From The Rig Veda e a curta one-act-opera Saavitri (essas duas, bastante intimistas, inspiradas pela milenar cultura hindu).
Descontando as extravagâncias, Holst é um compositor muito honesto em seus propósitos, dono de um estilo extremamente pessoal, que, apesar de não muito carismático, é direto e objetivo, sendo meu candidato a imediato sucessor do trono de Elgar como melhor compositor inglês. Ademais, orquestrador refinado e talentoso, sabia tratar com o mesmo padrão de qualidade formações de câmara intimistas e grandes orquestrações.
Este é um dos poucos compêndios de sua obra que não apresenta os Planetas como carro chefe, e merece ser ouvido com o mesmo entusiasmo.
THE BRITISH MUSIC COLECTION: GUSTAV HOLST
CD1
1.Choral Hymns From The Rig Veda, Group #3, Op. 26, H 99 – Hymn To The Dawn
2.Choral Hymns From The Rig Veda, Group #3, Op. 26, H 99 – Hymn To The Waters
3.Choral Hymns From The Rig Veda, Group #3, Op. 26, H 99 – Hymn To Vena
4.Choral Hymns From The Rig Veda, Group #3, Op. 26, H 99 – Hymn Of The Travellers
5.Savitri (Opera in One Act) – Savitri! Savitri! I Am Death
6.Savitri (Opera in One Act) – Like A Spectre Of The Forest
7.Savitri (Opera in One Act) – I Am With Thee (Savitri’s Aria)
8.Savitri (Opera in One Act) – Then Enter, Lord; Dwell With Me
9.Savitri (Opera in One Act) – Loneliness & Pain Are Ended
10.Seven Part Songs – Say Who Is This
11.Seven Part Songs – O Love, I Complain
12.Seven Part Songs – Angel Spirits Of Sleep
13.Seven Part Songs – When First We Met
14.Seven Part Songs – Sorrow & Joy
15.Seven Part Songs – Love On My Heart From Heaven Fell
16.Seven Part Songs – Assemble All Ye Maidens
17.The Evening Watch, Op. 43/1
18.A Fugal Concerto For Flute & Oboe, Op. 40/2 – 1. Moderato
19.A Fugal Concerto For Flute & Oboe, Op. 40/2 – 2. Adagio
20.A Fugal Concerto For Flute & Oboe, Op. 40/2 – 3. Allegro
CD2
1.St. Paul’s Suite, Op.29 No. 2, H118 – I. Jig_ Vivace
2.St. Paul’s Suite, Op.29 No. 2, H118 – II. Ostinato_ Presto
3.St. Paul’s Suite, Op.29 No. 2, H118 – III. Intermezzo_ Andante Con Moto
4.St. Paul’s Suite, Op.29 No. 2, H118 – IV. Finale (The Dargason)_ Allegro
5.The Perfect Fool – Ballet Music, Op. 39, H150 – I. Introduction – Dance Of Spirits Of Earth
6.The Perfect Fool – Ballet Music, Op. 39, H150 – II. Dance Of Spirits Of Water
7.The Perfect Fool – Ballet Music, Op. 39, H150 – III. Dance Of Spirits Of Fire
8.Egdon Heath, Op. 47
9.The Hymn Of Jesus, Op. 37
10.A Moorside Suite
Purcell Singers
Janet Baker, Robert Tear, Etc.;
Imogen Holst – English Chamber Orchestra
Christopher Hogwood – The St.Paul Chamber Orchestra
Sir Adrian Boult – London Philharmonic Orchestra / BBC Symphony Orchestra & Chorus
Elgar Howarth: Grimethorpe Colliery Band
O Coral Cidade dos Profetas, atendendo a pedidos, está de volta. Fará uma apresentação especial, dia 31/05, às 20h, no Teatro Bradesco. Trata-se de um dos mais modernos teatros do Brasil, que acaba de ser inaugurado em Belo Horizonte, na sede do Minas Tênis Clube. O Coral foi convidado a se apresentar no local devido ao grande sucesso dos recitais de lançamento do CD em homenagem a Lobo de Mesquita. O repertório será executado novamente pelo coro, além de solistas e orquestra. A oportunidade é única de conferir este belo e elogiado trabalho. Atenção: os ingressos estão sendo vendidos a preços populares no local e as vagas são limitadas.
Contamos com a colaboração de todos na divulgação.
O Teatro Bradesco fica na Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, Belo Horizonte.
Horário: às 20h.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada).
Duração: 60 minutos.
Classificação: livre.
Informações: (31) 3516-1027 e 3516-1360
Fonogramas fornecidos pelo musicólogo Prof. Dr. Paulo Castagna (CD) e por Alisson Roberto Ferreira de Freitas (LP).
Em 1980, Fernando Lopes gravou a obra integral para piano de Carlos Gomes. É disco de cabeceira! É obra que devemos conhecer. Aqui temos o Carlos Gomes que foi além das óperas, que mostrou-se influenciado por outros compositores contemporâneos e que introduziu inovações em seu tempo. Aqui o vemos mais por completo: Carlos Gomes é muito, mas muito mais do que o compositor d’O Guarani!
O título já é bastante significativo: o Piano Brazileiro de Carlos Gomes, e brasileiro com “Z”, quer deixar bem claro que trata-se de música do século XIX, quando a grafia mais utilizada do nome deste país era assim: Brazil, e que as obras aí contidas, por maiores que fossem as preocupações nacionalistas de Carlos Gomes, não conseguem perder a influência europeia (e italiana) que o compositor sofreu.
E Carlos Gomes mostra que era um compositor acima da média, sim! Suas obras para piano são de grande qualidade e de rara beleza melódica. É inegável: o compositor campineiro era um melodista de primeira. No entanto, como eu já afirmei em postagem anterior, tais obras nunca tiveram uma preocupação didática e muito menos de exploração e desenvolvimento da técnica pianística: não vamos encontrar um Chopin nem um Rachmaninov aqui. Essas músicas eram danças de salão, peças para recitais. Nessa visão, encontramos um belo panorama da música do século XIX nas obras gomianas. Há modinhas, tão caras ao gosto brasileiro, valsas, e, como não poderia faltar à verve nacionalista de Nhô Tonico, mulato, quadrilhas e danças de negros, com destaque para A Cayumba, uma dança de negros composta no longínquo ano de 1857, 32 anos antes da Abolição! Carlos Gomes procurava, ainda que com dificuldade de se desvencilhar dos padrões preestabelecidos da música europeia, fazer uma leitura dos ritmos brasileiros.
No encarte do LP/CD, Brunio Kiefer, fala mais sobre essa e outras obras: Num primeiro contato com a quadrilha Quilombo, o ouvinte pode ficar intrigado por duas razões: uma delas decorre da presença da dança A Cayumba. O artigo definido sugere que Carlos Gomes tenha composto uma só dança com esse nome, o que estaria de acordo com os registros que temos. Mas, e a dança de mesmo nome na face oposta [do disco, aqui faixa 12]? A nosso ver, A Cayumba, que integra a referida quadrilha, deriva da que inicia esta gravação. O autor simplificou, encurtou e modificou aí aspectos rítmicos. Razões de pressa, de extensão? Não temos base para responder. Além disso, a dança original está um pouco mais próxima de uma possível dança de negros. Infelizmente não conhecemos a data da composição da quadrilha. A Cayumba (Dança de Negros) original foi composta em 1857 e ocupa um lugar histórico em nossa música. A outra razão decorre da presença do titulo Bamboula, que corresponde a uma dança negra das Antilhas. Somos levados a pensar, imediatamente, em Gottschalk, famoso pianista-compositor americano que esteve entre nós em 1869 e exerceu notável influência tanto como pianista como pelas composições. Entre estas figurava uma Bamboula (gravada na série Música na Corte Brasileira nº 4 [na faixa 07, o álbum foi postado aqui no PQP], por iniciativa da Rádio MEC). Se ouvirmos ambas, tornar-se-á patente que Carlos Gomes tirou seu material temático da peça de Gottschalk, sem a menor preocupação de disfarçar a origem! A peça do compositor brasileiro, no entanto, é mas curta. Na décima faixa encontramos, baseado em material impresso, cinco peças designadas por Quadriglia: Caxoeira (sic), Santa Maria, Morro Alto, Saltinho e Mogy-Guassú. Segundo registro de Juvenal Fernandes (Carlos Gomes – do Sonho à Realidade), as mencionadas peças integram o Ramalhete de Quadrilhas (sic. no plural). Na faixa n 11, está registrado Mormorio (Improviso), de belo efeito. De um modo geral, as peças desta gravação não apresentam uma fisionomia definida. São, no entanto, bem-construídas, fluentes e agradáveis. Música de salão de século passado! E européia, antes de mais nada! Nem tudo se encontra em impresso. A execução de Anemia, por exemplo, foi baseada em manuscrito. E por falar em execução: a desta gravação merece destaque. (Bruno Kiefer – extraído do encarte)
É lindo! Ouça, ouça! Deleite-se!
Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
O Piano Brazileiro de Carlos Gomes
01. A Cayumba (Dança dos negros)
02. Niny (Polca Salon)
03. Anemia (Preludietto)
04. Grande valsa de bravura
05. Uma paixão amorosa
06. Caxoeira (Quadriglia)
07. Santa Maria (Ouadriglia)
08. Morro alto (Quadriglia)
09. Saltinho (Quadriglia)
10. Mogy-Guassu (Ouadriglia)
11. Murmúrio (Improviso) Quilombo
(quadrilha brasileira, sobre os motivos dos negros de Ramalhete de Quadriglias nº 22)
12. I. A Cayumba
13. II. Bananeira
14. III. Quimgombô
15. IV. Bamboula
16. V. Final
Fernando Lopes, piano
Gravado na Sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro, 1980
Coordenação: Edino Krieger
Remasterizado em 1997
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
FLAC (159Mb) encartes a 5.0 Mpixel MP3 (103Mb) encartes a 5.0 Mpixel
CD lindamente cedido para a extração do áudio pelo musicólogo Prof. Dr. Paulo Castagna. De valor inestimável!
Ah, que saudade de postar alguma coisa de Antonio Carlos Gomes, o compositor brasuca que mereceria um lugar muito mais destacado no cenário mundial, como disse em comentário um de nossos amigos que aqui acessam: “the most neglected composer of opera”. O cara era muito bom!
Aqui teremos uma seleção de alta categoria de árias de Carlos Gomes, executadas por uma grande orquestra, a Sinfônica da Escola de Música da UFRJ, cantadas por grandes solistas e regida por um competentíssimo maestro: Ernani Aguiar: assim como Alberto Nepomuceno executou Nunes Garcia, José Siqueira se debruçou sobre Lobo de Mesquita, o compositor Ernani Aguiar (um dos eruditos brasileiros mais executados no mundo atualmente) dedica-se a gravar Carlos Gomes: um compositor enaltece outro e vai-se criando uma linha que liga todos eles.
Nosso colega CVL já havia postado este CD, mas o link estava expirado há tempos e acabamos sobrepondo as postagens. REuní ambas aqui e, por isso, reproduzo as palavras do CVL, muito mais entendido de música que eu:
Um equívoco de maestros e musicólogos que já se tornou lugar-comum é que Carlos Gomes foi um compositor brasileiro de música italiana, e daí eles cobrarem que o compositor campineiro deveria ter sido uma coisa que ele não foi nem pensou ser: um Nepomuceno, um Mignone, um Nazareth ou um Villa, i. é, comprometido ou preocupado com a formação da identidade da música brasileira. Talvez isso viesse com o tempo (e sabe-se lá de que forma) – por sorte, outros musicólogos (que honestamente não sei citar) tomaram a defesa do nosso maior operista. O que Carlos Gomes foi, foi o compositor com o segundo maior número de récitas na Itália no período em Verdi era imbatível (cerca de 15 anos depois da morte de Donizetti, até o sucesso de Puccini) e Ponchielli nem sequer lhe fazia rastro; foi o compositor que fez sucesso involuntário com O Guarani por conta do exotismo que atraía os olhos europeus, mas que insistia aos demais ter escrito partituras melhores, como Fosca; foi o compositor das Américas mais representativo em seu tempo; e foi o compositor que emplacou a única ópera composta por um americano encenada com alguma regularidade no Velho Mundo. Pra mim, me basta isso para que a música do autor de Quem sabe? seja eternamente respeitada. Aqui vai uma seleção de árias e duetos desconhecidos, a título de prelúdio para mais dois posts futuros. Destaque para Era un tramonto d’oro, da ópera-oratório Colombo – pucciniana, decerto, mas muito bela.
Sobre as obras deste álbum, preferi transcrever o encarte:
O fracasso da “Fosca” representou para Carlos Gomes a maior decepção de sua carreira. Após o êxito em sua terra natal, com suas óperas com texto em português, e o triunfo no Scala de Milão com “II Guarany”, não imaginava que um trabalho que apresentava maiores virtudes musicais e no qual apostava no sucesso, fosse tão friamente recebido. A ópera Salvator Rosa foi sua tentativa, coroada de êxito, de novamente cair nas graças da crítica e do público, mesmo que para tal fossem necessárias algumas concessões e escrever aquilo que o público esperava ouvir. Tal atitude, entretanto, não é um demérito da obra e, antes, serviu para torná-la sua ópera mais popular e a que mais vezes foi representada durante o século XIX. O enredo escolhido facilitou o sucesso. Baseia-se no romance “Masaniello” do escritor francês Eugène Mirécourt (1812-1880) que trata da revolta dos napolitanos contra o domínio espanhol em 1647, fato verídico da história italiana e que, com certeza, despertou os brios patrióticos do público. Talvez o melhor exemplo dessa preocupação do compositor com o sucesso esteja na canzoneta Mia Picirella, cantada pelo personagem Generaielo logo no início do primeiro ato. Nela encontramos o melodismo esparramado e de efeito seguro, que fazia o público sair cantando ao término do espetáculo. Foi aqui gravada na sua versão de concerto e, como no original, com o soprano fazendo o papel masculino do pajem de Salvator Rosa. No segundo ato encontra-se um dos momentos de maior dramaticidade da ópera, a ária de baixo Di sposo di padre, cantada pelo Duque D’Arcos, o vilão da história. O musicólogo italiano Marcello Conati diz que “este trecho é justamente famoso pela qualidade do declamado (tão descobertamente verdiano), pela nobreza da melodia, pela articulada diferenciação dos sentimentos expressa através da música, em que o discurso orquestral procede de maneira autônoma no tocante ao canto”.
Maria Tudor foi escrita após o estrondoso sucesso de Salvator Rosa e é uma ópera que não goza de grande prestígio, apesar de alguns trechos realmente inspirados. Foi termi-nada às pressas, pouco tempo antes da estréia, em função da morte de um dos libretistas, Emilio Praga. O outro libretista foi o compositor Artigo Boito, cuja participação, apesar de não vir creditada na partitura, é comprovada através da correspondência de Carlos Gomes com a Casa Ricordi. Para terminar o libreto foram chamados Angelo Zanardini e Ferdinando Fontana. O insucesso da ópera em sua estréia deveu-se ao momento político delicado, quando os jornais italianos começavam uma campanha de defesa dos compositores italianos contra os diversos “estrangeiros”, entre os quais estava Carlos Gomes [insucesso que, diga-se de passagem, foi alimentado pela imprensa: nas récitas seguintes, a aceitação da ópera foi crescente], e também devido a falta de tato do compositor ao escolher um enredo no qual o mocinho da historia é um aventureiro italiano assassinado por uma rainha inglesa, por não ser correspondida em seu amor. A Romanza de Fabiani (Sol ch’io ti stiori), localizada no início do terceiro ato, é urna das mais belas árias de tenor escritas por Carlos Gomes, com as acentuações apaixonadas do recitativo inicial e as frases largas que conduzem à região aguda da voz, valorizada por uma bem equilibrada orquestração.
Com Lo Schiavo Carlos Gomes volta a abordar um enredo brasileiro, desta vez elaborado por seu amigo Visconde de Taunay. O libreto, produzido por Rodolfo Paravicini, foi outro que grandes transtornos causou ao compositor, a ponto de inviabilizar a estreia da ópera em Bolonha, para onde era destinada. Apesar da temática nacional, em nenhum momento encontramos elementos característicos de música brasileira, nem mesmo durante a “Dança dos Tamoios”, apesar de alguns comentaristas mais otimistas vislum-brarem “certas estranhezas rítmicas” ou mesmo “temas de sabor agreste”. É, antes, música da melhor escola italiana. A musica de “Lo Schiavo” é, sem dúvida, um passo à frente daquela de Maria Tudor. As linhas melódicas são mais elegantes e envolventes, os personagens mais bem caracteri-zados, sendo associados a motivos melódicos próprios, retornando o compositor proce-dimentos já utilizados na Fosca. Ao mesmo tempo a orquestra alinhava o discurso dramático, sendo importante elemento descritivo. A famosa ária Sogni d’amore é cantada, no quarto ato, por Iberê, o índio escravo que é obrigado a casar-se com Ilara a mando do Conde Rodrigo, que pretende afastá-la de seu filho Américo, que por ela é apaixonado. Iberê lamenta o seu amor não correspondido e mostra-se disposto a sacrificar-se para que Ilara e Américo possam, finalmente, ficar juntos.
A ópera Condor foi encomendada pelo Scala de Milão para a temporada de 1891. De todas é a que menos é representada, amargando um imerecido ostracismo. Nela já se percebem “novos comportamentos da linha melódica”. O belíssimo Noturno que abre o terceiro ato merece figurar ao lado de outros tantos recursos sinfônicos de óperas italianas que alçaram voo isoladamente. Como os Intermezzos da “Manon Lesecaut ” de Puccini e da “Cavaleria Rusticana” de Mascagni. Nele destaca-se, a bem dosada orquestração, onde sobressai o Solo de oboé e a apaixonada melodia a cargo das cordas.
O Poema Vocal-Sinfônico Colombo foi escrito em 1892 para as comemorações ao quarto centenário da descoberta da América. Apesar de ter recebido este título do próprio compositor tem, na verdade, a estrutura de uma ópera. A ária Era um tramonto d’oro é apresentada no primeiro ato quando Colombo narra suas desventuras amorosas dizendo ser este o motivo pelo qual deseja descobrir novas terras. O dueto Non fosti mai si bel é cantado por Isabel e Fernando, Reis de Espanha, a quem Colombo pede ajuda para realizar seu sonho de descobrir um mundo novo. Diante da dúvida de Fernando, Isabel pede para que confie em Colombo, a quem finalmente o Rei decide fornecer marujos e navios para a viagem. No último ato, Isabel canta sua ária Vittoria!Vittorita! momento no qual saúda Colombo após a vitoriosa jornada. (texto extraído do encarte)
Ouça, ouça! Deleite-se!
Palhinha: o belíssimo Noturno da ópera Condor, que figura entre as melhores obras orquestrais de Carlos Gomes:
http://youtu.be/ZEsq1P9XWj0
Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Cortina Lírica
01. Salvator Rosa – Mia Piccirella
02. Salvator Rosa – Di Sposo Di Padre
03. Maria Tudor – Romanza di Fabiani
04. Lo Schiavo – Sogni d’Amore
05. Condor/Odaléa – Noturno
06. Colombo – Era un Tramonto d’Oro
07. Colombo – Non Fosti mai si Bel
08. Colombo – Vittoria, Vittoria
Carol McDavit, Soprano (faixas 01, 02, 07 e 08)
Fernando Portari, Tenor (faixas 03 e 07)
Inácio de Nonno, Barítono (faixas 04 e 06)
Maurício Luz, Baixo (faixa 02)
José Francisco Gonçalves, Oboé (Faixa 05)
Orquestra Sinfônica da Escola De Música da UFRJ
Ernani Aguiar, regente
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Eu vou contar uma coisa pra vocês. No último domingo à tarde, eu tinha que cumprir o dever cívico de acompanhar carinhosamente — mesmo que pela TV — o SC Internacional na busca de mais um título gaúcho. (Claro que fui bem sucedido). Bem, como os nossos narradores e comentaristas são péssimos, costumo assistir as partidas de futebol ouvindo música, coisa que, aliás, refarei hoje. E coloquei dois discos de Samuel Barber para ouvir: este e o da postagem abaixo, que revalidei do Carlinus. Na verdade, de Barber só conhecia aquele Adágio para Cordas que os americanos tocam pra gente cada vez que tomam no cu.
Qual não foi a minha surpresa por ter começado a gostar da música muito mais do que do jogo. OK, isso me acontece com grande frequência, mas ver Barber ganhando do Inter era demais. Só que aconteceu e eu, que nunca minto pra vocês, sou obrigado a confessar. A Sinfonia Nº 1 tem a estrutura da Sétima de Sibelius e é excelente. The School for Scandal e a segunda sinfonia são obras de um Richard Strauss que tomou Ritalina. Nestes dois CDs que posto hoje em dois posts consecutivos (ver abaixo), o momento mais fraco é de responsabilidade da Sra. Amy Marcy Cheney Beach, da qual já ouvi obras superiores a sua Sinfonia Gaélica.
Como destaque de ambos os discos, temos que citar as duas orquestras e seus regentes. O trabalho de Järvi e da Orquestra de Detroit, assim como o de Alsop e seus escoceses no CD do post abaixo são dignos de todos os elogios.
Gostei.
Barber (1910-1981): Symphony Nº 1; The School for Scandal Overture /
Beach (1867-1944): Gaelic Symphony
1. The School for Scandal, Op. 5: The School for Scandal, Op. 5: Overture 9:03
2. Symphony No. 1, Op. 9 21:48
3. Symphony in E minor, Op. 32, “Gaelic Symphony”: I. Allegro con fuoco 11:11
4. Symphony in E minor, Op. 32, “Gaelic Symphony”: II. Alla siciliana – Allegro vivace 7:48
5. Symphony in E minor, Op. 32, “Gaelic Symphony”: III. Lento con molto espressione 12:42
6. Symphony in E minor, Op. 32, “Gaelic Symphony”: IV. Allegro di molto 9:20