Provavelmente o Concerto para Violino de Brahms seja o meu concerto favorito para violino. Como sou um colecionador compulsivo de CDs, não sei dizer, talvez um dia conte, o número de versões que possuo.
Em minha modesta opinião este CD que ora vos trago é mais um daqueles casos em que o céus conspiraram para que tudo desse certo. O maestro Pierre Monteux se reuniu com o grande violinista Henrik Szeryng é produziram um dos grandes momentos da indústria fonográfica, para o nosso deleite. Excepcionais músicos reunidos, tocando um dos maiores concertos para violino já compostos.
Espero que apreciem.
Johannes Brahms (1833-1897) – Concerto para Violino in D, op. 77 – Szeryng, Monteux, LSO
01. Brahms – Violin Concerto in D, Op.77 I. Allegro non troppo [Cadenza Joseph Joachim]
02. Brahms – Violin Concerto in D, Op.77 II. Adagio
03. Brahms – Violin Concerto in D, Op.77 III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace
Henrik Szeryng – VIolin
London Symphony Orchestra
Pierre Monteux — Conductor
Sempre me pergunto que tamanho terá o barroco. Pois ele parece não acabar nunca. Além dos mais votados, compositores inéditos vão sendo desencavados e raramente são desprezíveis. Este alemão de Nuremberg, Johann Philipp Krieger, é ótimo! Ele surfa nos estilos alemão, italiano e francês como eu mastigo chiclete. O grupo de músicos é esplêndido com destaque para a particularmente maravilhosa viola da gamba e para um cravo muito brilhante. O time merece ser citado: Margaret MacDuffie e Matthias Fischer (violinos), Matthias Müller (viola da gamba), Hubert Hoffmann (archlute) e Helene Lerch (cravo e órgão). Música inventiva, expressiva e um pouco fora das principais vertentes determinadas por gênios como Schütz, Buxtehude, Heinichen, Bach, Handel e Telemann. Imaginem que Krieger escreveu 2000 cantatas…
Johann Philipp Krieger (1649-1725): Trio Sonatas
1 Sonata No. 1 for 2 Violins in D Minor 5:55
2 Sonata No. 2 for 2 Violins in E Minor 5:33
3 Sonata No. 3 for 2 Violins in F Major 5:59
4 Sonata No. 4 for 2 Violins in G Major 6:10
5 Sonata No. 5 for 2 Violins in A Minor 5:37
6 Sonata No. 6 for 2 Violins in B-Flat Major 4:28
7 Sonata No. 7 for 2 Violins in B Minor 6:11
8 Sonata No. 8 for 2 Violins in C Major 5:31
9 Sonata No. 9 for 2 Violins in G Minor 5:13
10 Sonata No. 10 for 2 Violins in D Major 5:20
11 Sonata No. 11 for 2 Violins in A Major 5:17
12 Sonata No. 12 for 2 Violins in C Minor 6:20
Parnassi musici
Bavarian Chamber Orchestra
Bad Brückenau
Este com certeza é um daqueles CDs que eu separaria para levar para uma ilha deserta. Celebrada por muita gente como a melhor gravação do imortal concerto de Beethoven, ele realmente tem aquele algo a mais que distingue os grandes artistas. Detalhe: essa gravação foi realizada nos anos cinquenta, ou seja, tem mais de sessenta anos, e em minha modesta opinião, foi superada, ou igualada, como queiram, apenas pela de David Oistrakh, realizada mais ou menos na mesma época, pela EMI. Briga de grandes gravadoras, a norte americana RCA Victor, de um lado, e a inglesa EMI do outro. Briga de cachorro grande.
A nossa sorte é que passados sessenta e poucos anos, a tecnologia nos permite ter acesso a estas verdadeiras jóias da indústria fonográfica.
Então vamos ao que viemos.
01 – Concerto for Violin and Orchestra in D Major, Op. 61; I. Allegro, Ma Non Troppo
02 – Concerto for Violin and Orchestra in D Major, Op. 61; II. Larghetto
03 – Concerto for Violin and Orchestra in D Major, Op. 61; III. Rondo; Allegro
Jascha Heifetz – Violin
Boston Symphony Orchestra
Charles Munch – Conductor
Quando morava em São Paulo, no começo dos anos 90, começava o advento dos CDs. Lembro de ter comprado meu primeiro aparelho usado, sem garantia, e ele estragou logo na primeira ou segunda semana, o que muito me frustou. Ainda não conseguia comprar um aparelho novo, os tempos eram difíceis, de vacas magras.
Mas, apesar de nunca ter dinheiro suficiente, sempre frequentava as lojas de discos, e em uma delas sempre via exposta uma caixa da EMI, que trazia as sinfonias de Bruckner com o Otto Klemperer. Não lembro se foi a primeira vez que vi o nome deste regente, só sei que aquilo se tornou um objeto de desejo. Passava constantemente por aquela loja, localizada nos fundos do Teatro Municipal. Não era a famosa Breno Rossi, que tinha uma loja logo ao lado do Teatro, e que eu também frequentava. Bem, nunca consegui comprar aquela bendita caixa.
Passaram-se os anos até que tive acesso àquela caixa, só que com sinfonias a partir da quarta. E é com ela que começo a postar essa série consagrada, com um dos maiores especialistas em Bruckner de todos os tempos.
Espero que apreciem. Eu gosto, e muito dessas gravações.
1. Symphonie Nr.4
I. Bewegt, nicht zu schnell
2. II. Andante quasi allegretto
3. III. Scherzo Bewegt – Trio Nicht zu schnell
4. IV. Finale Bewegt, doch nicht zu schnell
Symphonie Nr.5
I. Introduction Adagio – Allegro
II. Adagio – Sehr langsam
III. Scherzo Molto vivace – Schnell
IV. Finale Allegro moderto
Symphonie Nr.6
I. Maestoso
II. Adagio Sehr feierlich
III. Scherzo Nicht schnell – Trio Langsam
VI. Finale Bewegt, doch nicht zu schnell
Na fronteira da Armênia com o Irã está o Monte Ararat, honorável porto da Arca de Noé. Ponto a partir do qual, conforme este dado bíblico, a humanidade teria voltado a florescer após o Dilúvio. Não seria este o único dilúvio que aqueles píncaros testemunhariam. Milênios após aquele cataclismo deflagrado pelo Criador, outro dilúvio inundaria o sopé do Ararat; não um dilúvio de água, mas de sangue. O Genocídio (ou Holocausto) Armênio, também chamado no idioma armênio de Medz Yeghern – “Grande Crime”, foi o extermínio sistemático deflagrado pelo Império Otomano contra a sua minoria armênia, com uma estimativa de vítimas entre 800.000 a 1,5 milhões. A data de 24 de abril de 1915 demarca o início desse massacre que preludiou, de certa forma, o Holocausto seguinte que se desdobraria na Segunda Guerra Mundial. Na data mencionada, as autoridades otomanas prenderam e deportaram de Constantinopla para Ankara 250 intelectuais e líderes comunitários armênios, a maioria dos quais sendo assassinados. Entre eles estava Soghomon Gevorki Soghomonian, mais conhecido como Komitas. Sacerdote armênio, compositor, musicólogo, cantor e maestro; fundador da Escola Nacional Armênia de Composição e um dos pioneiros da etnomusicologia.
Komitas (também chamado Gomidas) nasceu em 26 de setembro de 1869 em Koutina – Anatólia, em território de Império Otomano (no oeste da Turquia de hoje). Órfão muito cedo, foi criado por parentes. Conta-se que seus pais eram amantes da música. Seu pai era sapateiro e sua mãe tecelã, ambos compunham e cantavam canções folclóricas que se tornaram populares em seu contexto. A perda da mãe e posteriormente do pai por alcoolismo debilitaram e afetaram profundamente a sua infância, na qual foi descrito como um “gentil e frágil menino que costumava ser visto dormindo nas pedras frias da lavanderia”. Em 1881 foi enviado para continuar sua educação em Etchmiadzin, ao Seminário Gervogian, centro da Igreja Armênia, em território do Império Russo, onde ele se destacou por sua bela voz. Tendo o seu talento musical desenvolvido e colocado em uso enquanto trabalhava com o coro, ao longo de sua educação religiosa, sendo então elevado à categoria de Vardapet (ou Vartabed, muitas vezes traduzido como “Arquimandrita” – um padre celibatário). Em virtude de sua ordenação foi renomeado de Komitas, homenagem a um notável poeta e compositor de hinos do século VII, Chatolicos Komitas.
Com o apoio do Catholicos Khrimian e do magnata arménio Mantáshev, Komitas Vardapet recebeu educação musical superior na Alemanha, introduzindo os europeus pela primeira vez na tradição musical armênia. Mais do que meramente a realização e partilha de cultura através das fronteiras, o talento musical profundo de Komitas serviu para realizar uma profunda investigação sobre a música armênia tradicional (e curda); música religiosa armênia, bem como o sistema de notação musical armênio, conhecido como “Khaz”. Foi durante esse tempo que a liturgia (missa, culto de domingo) da Igreja Armênia foi modificada através de métodos musicais ocidentais e notação; o arranjo de Komitas permanece muito popular hoje (juntamente com a de seu contemporâneo, Makar Yekmalian). Em 1896 chegou Berlim, onde estudou teoria e composição, piano e órgão, e aperfeiçoou a sua técnica de canto. Também, na Friedrich-Wilhelms-Universität, estudou Filosofia, Estética, História Geral e História da Música. Utilizou seus conhecimentos da tradição ocidental para construir uma tradição nacional, recolhendo e transcrevendo 3.000 peças da música folclórica armênia (mais da metade perdida, sobrevivendo cerca de 1200 peças). Publicou, em 1904, a primeira coleção de canções folclóricas curdas. Juntamente com seu coro chamado “Gousan” e uma orquestra de instrumentos tradicionais armênios, se apresentou em inúmeras cidades e em eventos na Europa, ganhando a admiração de Claude Debussy: “Brilhante Pai Komitas, eu me curvo perante o seu gênio musical!”; como também teve a admiração de Fauré, Vincent d’Andy e Saint-Säens. Sua fascinante personalidade, beleza e habilidade vocal, mais sua destreza ao piano e na flauta embeveciam as plateias. Em 1910 Komitas se estabeleceu em Constantinopla, fugindo da inveja e hostilidade dos clérigos ultraconservadores de Etchmiadzin (assim como em seu tempo Guido d’Arezzo teve de fazer o mesmo, indo para Roma apresentar ao Papa suas novas ideias de codificação da música); também com a finalidade de apresentar o seu trabalho a um público cada vez mais vasto. Sendo assim amplamente admirado e aceito pelas comunidades armênias e chamado de “salvador da música armênia”. Infelizmente seu sonho de estabelecer um Conservatório Nacional em Constantinopla foi frustrado pelo descaso das autoridades que poderiam patrocinar tal feito. Isto não o impediu, contudo, de dar curso à sua obra vocal e instrumental, na qual mesclava elementos da tradição europeia ocidental e elementos da música sacra tradicional armênia e folclórica. Seu Patarag – Liturgia, para vozes masculinas, é considerado o ápice de suas criações. Música monumental, de impressionante força, como um oceano profundo e tempestuoso; no qual, lembrando um trecho de Ésquilo em seu Prometeu Acorrentado, ‘as ondas que se elevam e inundam o caminho dos astros’.
No dia em que se deflagrou o genocídio armênio ele foi preso e embarcado num trem juntamente com mais 180 outros notáveis armênios. Sendo remetidos para o norte da Anatólia Central, a uma distância de cerca de 300 milhas. Seu amigo poeta e nacionalista turco Mehmet Emin Yurdakul e outros personagens influentes, como o embaixador americano Henry Morgenthau, prontamente se mobilizaram em seu favor e de outros, conseguido com que ele fosse remetido à capital juntamente com mais oito deportados. O período no qual Komitas permaneceu prisioneiro o afetou indelevelmente. Os horrores que testemunhou e a traumática experiência avariaram irreversivelmente sua mente. Um dos seus companheiros de degredo, Grigoris Balakian, escreveu em seu livro “O Gólgota Armênio” sobre o que testemunhou e detalhes de sua deportação junto a Komitas: “Quanto mais afastados da civilização, mais agitadas eram nossas almas e nossas mentes atordoadas pelo medo. Víamos bandidos por trás de cada pedra. As redes ou suportes de suspensão nas árvores nos pareciam cordas de forca. O especialista em canções armênias, o inigualável arquimandrita Padre Komitas, que estava em nosso vagão, parecia mentalmente instável. Ele pensou que as árvores fossem bandidos em ataque e continuamente escondeu sua cabeça sob a bainha do meu sobretudo, como uma perdiz com medo. Ele me pediu que lhe dissesse uma bênção – O Salvador – na esperança de que iria acalmá-lo”.
No outono de 1916 ele foi levado para um hospital em Constantinopla, em seguida mudou-se para Paris, onde morreu em 22 de outubro de 1935, numa clínica psiquiátrica em Villejuif na qual se encontrava por vinte anos. No ano seguinte as suas cinzas foram transferidas para Yerevan, na Armênia, e depositadas em um Panteão batizado com seu nome. Komitas, para mim é santo. Não sei para vocês. Que é um mártir do Genocídio Armênio, não o podemos negar. Acima de tudo foi um genialíssimo compositor e musicólogo. Ouçamos reverentes a esta impressionante obra, um dilúvio sonoro de forte beleza.
Patarag (Liturgia) – for male choir.
O Mystery deep
Throug the intercession of the Virgin Mother
Holy God
Again in peace
Glory to thee, O Lord
The body of the Lord
Who is like unto the Lord
Again in peace. Save O Lord
Christ in our midst
Let us stand in awe, Mercy and peace
Holy, holy
Heavenly Father
In all things blessed art thou, O Lord
Son of God
Spirit of God
Intercessions
Thanksgiving
And the Mercy of our great Lord
Our Father
The one holy
Holy is the Father
Lord, have mercy
Christ is sacrified
We have been filled with thy good things
We give thanks to thee
The Prayer Amid the church. Blessed be the Lord’s name
A viola d’amore tem 7 ou 6 cordas e é (ou foi) um instrumento musical utilizado principalmente no período barroco. Para ser tocado, ele fica sob o queixo do instrumentista do mesmo modo que o violino. Em português, seu nome significa viola do amor e traz seu marido ou mulher de volta em sete dias ou devolve o valor investido. Este disco — todo ele pontuado por compositores desconhecidos do barroco — é muito bom. Logo mais, estaremos apresentando a vocês o Bumbo del Coito, o Tubófono Silicônico Cromático, o Dactilófono, o Latín e o Flautim Sodomita. Aguardem.
Böhm, Pezold, Borghi & Rust: Música Noturna para Viola D’Amore
Concerto in G Major (For Viola d’amore, Oboe d’amore & Bassoon)
1 Grave 3:30
2 Allegro 4:04
3 Andante 2:44
4 Menuet 2:03
Partita in F Major (For Viola d’amore)
5 Air 1:27
6 Courant 2:00
7 Saraband 1:27
8 Gavott 0:59
9 Gigue 1:24
10 Bourrée 1:07
11 Menuet 2:50
Sonata in D Major (For Viola d’amore & Basso continuo)
12 Allegro Moderato 3:54
13 Adagio 3:36
14 Rondo. Allegro Moderato 4:04
Trio in D Major (For Viola d’amore & 2 Flutes)
15 Grazioso 5:53
16 Allegro Vivo 6:33
17 Allegro Assai 2:46
Poucos artistas tiveram, como Kenny Wheeler, a felicidade e a infelicidade de serem ao mesmo tempo reverenciados e ignorados. Se a gente conversa com um músico de jazz, notamos que o nome do canadense Wheeler recebe todos os Ohhhs e Ahhhs regulamentares, ou seja, a mais alta estima. Mas esta entidade estranha chamada grande público não tem ideia do quão valioso foi este trompetista falecido em 2014 aos 84 anos. Seus projetos na ECM foram absolutos sucessos de crítica, mas… Bem, vocês já sabem que não venderam.
Nesta gravação, Wheeler aparece com uma espécie de big band de câmara. São oito metais mais o pianista John Taylor e o guitarrista John Parricelli. O disco é uma joia de sonoridade e musicalidade. Para os pequepianos mais radicais em seu amor aos eruditos, há uma fuga chamada Going for Barroco que é uma loucura.
O cerne do disco é The Long Time Ago Suite, uma peça de mais de 30 minutos que é de babar. Partindo de alguns motivos simples, Wheeler desenvolve a música através de trocas múltiplas de naipes e andamentos. O próprio Wheeler dá um banho com seu flugelhorn durante toda a meia hora. Outra faixa maravilhosa é a outra Suíte, Gnu.
Kenny Wheeler — A Long Time Ago
1 The Long Time Ago Suite
2 One Plus Three (Version 1)
3 Ballad for a Dead Child
4 Eight Plus Three / Alice My Dear
5 Going for Baroque
6 Gnu Suite
7 One Plus Three (Version 2)
Kenny Wheeler flugelhorn
John Taylor piano
John Parricelli guitar
Derek Watkins trumpet
John Barclay trumpet
Henry Lowther trumpet
Ian Hamer trumpet
Pete Beachill trombone
Richard Edwards trombone
Mark Nightingale trombone
Sarah Williams bass trombone
David Stewart bass trombone
Tony Faulkner conductor
Um assombro essa gravação dos Concertos de Brandenburgo com o conjunto Tafelmusik. Os caras dão um show de competência e virtuosismo, trazendo novas sonoridades e possibilidades para estes concertos que a gente pensava conhecer tão bem.
Tenho algumas gravações favoritas destas obras, que claro, passam pelos ingleses da Academy of Ancient Music do Christopher Hogwood, pelo English Concert, do Pinnock e dos English Baroque Soloists do Gardiner. Todas gravações de excelente qualidade, mas esta do canadenses do Tafelmusik tem um que a mais, que não sei explicar. Eles não são óbvios em suas escolhas, tanto que certo comentarista fala em ‘refreshing recordings’ ou seja, um sopro de vitalidade e energia na interpretação de obras tão gravadas e tão conhecidas.
Com certeza, este é um CD que eu escolheria para levar para uma ilha deserta.
Baixem e ouçam, e depois me digam se esta não é uma das melhores gravações que os senhores já ouviram destas obras imortais e eternas.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Bradenburg Concertos – Tafelmusik
Disco 1
1 Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: I. [ ]
2 Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: II. Adagio
3 Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: III. Allegro
4 Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: Concerto No. 1 in F Major, BWV 1046: IV. Menuetto – Trio – Polonaise – Trio
5 Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: I. [ ]
6 Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: II. Andante
7 Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: Concerto No. 2 in F Major, BWV 1047: III. Allegro assai
8 Concerto No. 3 in G Major, BWV 1048: Concerto No. 3 in G Major, BWV 1048: I. [ ]
9 Concerto No. 3 in G Major, BWV 1048: Concerto No. 3 in G Major, BWV 1048: II. Allegro
Jeanne Lemon – Violins & Music Director
Ab Koster – Horn
Derek Conrod – Horn
John Abberger – Oboe
Washington McClain – Oboe
Marie-France Richard – Oboe
Michael McCraw – Basson
Crispian Steele-Perkins – Trumpet
Marion Verbruggen – Recorder
Tafelmusik Baroque Orchestra
Disc 2
1 Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: I. Allegro
2 Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: II. Andante
3 Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: Concerto No. 4 in G Major, BWV 1049: III. Presto
4 Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: I. Allegro
5 Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: II. Affettuoso
6 Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: III. Allegro
7 Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: I. [ ]
8 Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: II. Adagio ma non tanto
9 Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: Concerto No. 6 in B-Flat Major, BWV 1051: III. Allegro
Jeanne Lemon – Violins & Music Director
Stephen Marvin – Viola
Marion Verbruggen – Recorder
Alison Melville – Recorder
Marten Root – Transverse Flute
Charlotte Nediger – Harpsichord
Tafelmusik Baroque Orchestra
Ah, que bom! Já eram grandes as saudades deste coração pequepiano em poder colocar uma bandeirinha do Brasil em frente ao nome do compositor…
Faz uns meses que tenho me dedicado com mais afinco à música latina, especialmente a mexicana, mas agora o filho à casa torna.
E torno a dedicar-me à música da terra-mãe postando um dos compositores nacionais que mais aprecio: José de Lima Siqueira, o paraibano arretado criador de orquestras. Só para refrescar vossas memórias, Zé Siqueira fundou, por iniciativa própria ou em conjunto com outros colegas, a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, a do Recife, a Orquestra Norte-Nordeste, a Orquestra de Câmara do Brasil, o Clube do Disco, a Ordem dos Músicos do Brasil e a Academia Brasileira de Música! Era um empreendedor nato, além de exímio condutor e elaborado compositor. Gênio!
O chato é que, por ser declaradamente comunista, ele foi aposentado precocemente, proibido de tocar e reger e foram proibidas execuções de música de sua autoria. Quiseram jogá-lo no ostracismo. Por isso é tão difícil encontrar gravações desse cara! Se não tivesse sido alijado pelo regime militar, conheceríamos muito mais obras suas.
A Sinfônica de Barra Mansa pronta para o concerto.
De alguns anos para cá, no entanto, tem havido um esforço de se recuperar as peças de José Siqueira. Em julho do ano passado (2015), quando a Academia Brasileira de Música, da qual ele foi um dos fundadores, completou 70 anos, o concerto comemorativo foi inteiramente de obras dele, executadas com entusiasmo pela Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, sob a batuta da regente taiwanesa Apo Hsu (não me perguntem como se pronuncia o sobrenome dessa mulher…). Hsu vive em Taiwan e nos EUA, rege orquestras de ambos os países. Em Taiwan é regente de nada menos que a Orquestra Nacional… Então pode confiar: ela é boa!
Lembro que o que temos aqui não é um CD, mas um concerto completo que foi gravado (relaxem: a captação está muito boa) e convertido em áudio para os formatos FLAC e MP3. A orquestra de Barra Mansa executa o Concerto pra Orquestra de José Siqueira e sua 5ª Sinfonia, cognominada “Indígena“. Com essas obras, pode-se perceber que Siqueira tinha total domínio da formação e da composição orquestral: são duas peças muito bonitas, de inspiradas melodias, porém, difíceis, elaboradas, cheias das dissonâncias, que um compositor engajado no movimento moderno como ele primava por usar, na busca incessante por sonoridades ricas, que saíssem do “quadrado”.
Vale demais a audição! Ouça! Ouça! Ouça! Deleite-se!
Ainda colocamos o vídeo da Sinfonia Indígena pra vocês:
José Siqueira (1907-1985) Concerto para Orquestra e Sinfonia nº 5 “Indígena”
01. Concerto para orquestra, I. Allegro Enérgico
02. Concerto para orquestra, II. Adagio
03. Concerto para orquestra, III. Allegro Moderato
04. Sinfonia n.5 ‘Indígena’, I. Devagar – Allegro Moderato
05. Sinfonia n.5 ‘Indígena’, II. Andante
06. Sinfonia n.5 ‘Indígena’, III. Allegro non troppo
07. Sinfonia n.5 ‘Indígena’, IV. IV. Devagar – Allegro Moderato
Orquestra Sinfônica de Barra Mansa
Apo Hsu, regência
Sala Cecília Meireles, Escola de Música da UFRJ, Rio de Janeiro
08 de julho de 2015
Nada de hipobachemia, pessoal, vamos lá. As melhores pessoas, como todos sabem, nascem no mês D´Agosto. Mesmo que sejam esquisitas e solitárias, como os alaudistas e organistas, somos, ops, são as melhores. O repertório de Bach para o alaúde é pequeno e respeitabilíssimo. São obras de alta qualidade que não deixam morrer o pequeno e cheio de cordas instrumento de caixa em forma de meia pera ou gota, como quiserem. Ou ele é usado na música antiga, ou como baixo contínuo ou em Bach. No último caso, seu uso é mais nobre, como vocês podem ouvir neste belíssimo registro de 2013, por Mario D`Agosto, mês do cachorro louco.
Vocês sabem que as condições climáticas do mês de agosto aumentam a concentração de cadelas no cio? E que quando as cadelas estão no período fértil, os cachorros ficam loucos e brigam para conquistar as fêmeas e perpetuar sua espécie? E que essa luta entre os machos em busca da fêmea faz com que a raiva, doença transmitida pela saliva, se espalhe mais? E que os animais que estão infectados pela raiva babam muito e ficam com aparência de loucos e que daí saiu a expressão “cachorro louco”. Viram como o PQP é cultura?
J. S. Bach (1685-1750): Obras Completas para Alaúde
CD1:
Suite in E minor, BWV996:
01. I. Prelude (03:06)
02. II. Allemande (03:14)
03. III. Courante (02:40)
04. IV. Sarabande (04:02)
05. V. Bourré (01:44)
06. VI. Gigue (03:27)
Prelude, Fugue & Allegro in E flat major, BWV998:
07. I. Prelude (03:04)
08. II. Fugue (06:47)
09. III. Allegro (04:20)
Suite in G minor, BWV995:
10. I. Prelude (05:59)
11. II. Allemande (05:05)
12. III. Courante (02:28)
13. IV. Sarabande (03:31)
14. V. Gavottes I & II ‘en Rondeau’ (04:50)
15. VI. Gigue (02:31)
CD2:
Partita in C minor, BWV997:
01. I. Prelude (03:54)
02. II. Fugue (07:43)
03. III. Sarabande (04:24)
04. IV. Gigue – Double (03:32)
Partita in E major, BWV1006a:
05. I. Prelude (04:50)
06. II. Loure (03:11)
07. III. Gavotte ‘en Rondeau’ (03:43)
08. IV. Menuets I & II (05:24)
09. V. Bourré (02:26)
10. VI. Gigue (02:52)
A música para piano de Leos Janáček, quase toda ela composta nos primeiros anos do século XX, parece vir de Debussy, porém o filtro do nacionalismo tcheco e as águas do Danúbio transformaram aquela influência em algo mais direcionado, ou seja, de poesia não tão vaga. Nenhuma das três peças deste CD são esquecíveis. A Sonata 01/10/1905 é maravilhosa. Trata-se de uma homenagem — na verdade um lamento — dedicada a um jovem trabalhador assassinado por uma baioneta do exército durante uma manifestação em Brno, no dia em 1º de outubro de 1905. Janáček estreou a sonata logo a seguir, em 1906. In the mists (Nas brumas) é belíssima e o ciclo de canções On the Overgrown Path é aquela música que está na trilha sonora de A Insustentável leveza do Ser, lembram? Parece um Schumann melhorado.
A leveza e a sensibilidade da pianista Hélène Couvert está perfeitamente adequada às peças. Sua interpretação tem notável senso de estilo. A poesia contida nas peças esconde grandes emoções e ela facilmente poderia escorregar para o vulgar, mas Couvert fica longe disso. A dignidade e sincera poesia das peças está preservada. Um disco absolutamente bom e que explora um repertório mais ou menos ignorado, ao menos no Ocidente. Gente, tá na hora de (re)ouvir Janáček.
Leos Janácek (1854-1928) – Pièces pour piano
01. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: Nos Soirées
02. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: Une feuille emportée
03. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: Venez avec nous!
04. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: La vierge de Frydek
05. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: Elles bavardaient en hirondelles
06. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: La parole manque!
07. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: Bonne nuit!
08. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: Anxieté indicible
09. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: En Pleurs
10. On the Overgrown Path (Po zarostlém chodnícku), for piano, JW 8/17: La chevêche ne s’est pas envolée!
11. Piano Sonata (‘Zulice, 1.X.05,’ ‘From the Street, 1 October, 1905’), JW 8/19 (final movement lost): Le pressentiment
12. Piano Sonata (‘Zulice, 1.X.05,’ ‘From the Street, 1 October, 1905’), JW 8/19 (final movement lost): La mort
13. In the mists (V Mlhách), pieces (4) for piano, JW 8/22: Andante
14. In the mists (V Mlhách), pieces (4) for piano, JW 8/22: Molto adagio
15. In the mists (V Mlhách), pieces (4) for piano, JW 8/22: Andantino
16. In the mists (V Mlhách), pieces (4) for piano, JW 8/22: Presto
Olha só o que estou trazendo para os senhores: uma raridade do nosso Nelson Freire, realizada lá pelo final dos anos 60, quando estava começando a carreira. Ele encara duas pedreiras, o Concerto de Tchaikovsky e a Totentanz de Liszt, e muito bem acompanhado, diga-se de passagem: Rudolf Kempe regendo a Filarmônica de Munique. Isso não é pra qualquer um não. Calma que não é só isso não. O segundo CD traz outras duas obras imortais do romantismo, os Concertos de Grieg e de Schumann.
Estes discos estavam escondidos no acervo da antiga CBS, que foi adquirida pelo grupo Sony, e que recém lançou uma caixa com sete cds com estas gravações de Nelson Freire. Se vocês forem bonzinhos, e baixarem bastante estes dois volumes, prometo que trago os outros assim que possível.
Não quero tecer comentários sobre a qualidade das gravações, o que importa é que elas estão novamente disponíveis, e assim podemos apreciar o talento do maior de nossos pianistas.
CD 1
01. Tchaikovsky – Piano Concerto n° 1 in B-Flat minor, Op. 23 – I. Andante ma non troppo e molto maestoso
02. II. Andante semplice
03. III.Finale. Allegro con fuoco
04. Liszt – Totentanz S 126
01. Grieg – Piano Concerto in A minor, Op. 16 – I. Allegro molto moderato
02. II. Adagio
03. III. Allegro marcato
04. Schumann – Piano Concerto in A minor, Op. 54 – I. Allegro affettuoso – Andante espressivo – Allegro
05. II. Andante grazioso
06. III. Allegro vivace
Não sou muito afeito a coletâneas mas tive de dar o braço a torcer para esta coleção. Coloquei alguns dos cds (são nove ao todo) em um pen drive e deixei tocando no carro, enquanto estava no trajeto trabalho – serviço e vice versa. E gostei da sensação. São canções bem leves, adequadas a combater o stress, e quem encara o dia a dia no trânsito sabe do que estou falando.
Conheço poucos dos artistas selecionados, mas satisfez o meu gosto. Não cai na monotonia, nem na obviedade de alguns destes músicos especializados em música para elevador. Não vou citar nomes para não criar polêmica. Curiosamente, a canção que abre este primeiro CD é da Madeleine Peyroux, que apareceu recentemente aqui no PQPBAch, pelas mãos de nosso guru e mentor.
Espero que gostem. Dependendo do número de downloads posso trazer mais alguns volumes da série.
01. Madeleine Peyroux – Don’t wait too long
02. Peter Cincotti – Some kind of wonderful
03. Renee Olstead – A love that will last
04. Nils Landgren – Fragile
05. Terry Callier – Paris Blues
06. Kevyn Lettau – Message in a bottle
07. Fessler – If you never come to me
08. Andy Ezrin – Stompin’ at the savoy
09. Michael Franks – Monk’s new tune
10. Stacey Kent – Under a blanket of blue
11. Slim Man – Sweet little angel
12. David Sanborn – Daydreaming
13. Stephan Oberhoff – Amistad
14. Z Start – Lonely
15. Peter Eldridge – Someone to lighten up my life
16. Freddie Ravel – In a sentimental mood
Ô, tristeza… Chegamos ao fim desta viagem na bela sonoridade gerada na catedral de Puebla. A Coleção México Barroco – Puebla chega a seu encerramento retomando o classicismo, dedicando-se, pela segunda vez, como no volume 6, a Manuel Arenzana, compositor nascido e criado já no ambiente poblano e um dos autores transicionais que mais influência exerceu no México.
A obra de Arenzana é a ao mesmo tempo vibrante (característica por demais exacerbada na música dos países latinos, especialmente Itália, Espanha e Portugal) e elegante: alegre e limpa, precisa. é um prazer imenso de ouvi-la.
Ouça! Ouça ! Deleite-se!
Meu Deus! O que é este Te Deum do Arenzana!?
México Barroco / Puebla VIII
Manuel Arenzana (Puebla, México, c.1791-1821)
Maitines para la Virgen de Guadalupe
01. Invitatorio, Sancta Mater Dei genitrix
02. Responsorio primero, Vidi speciosam sicut columbam
03. Responsorio segundo, Quae est ista ascendit
04. Responsorio tercero, Quae est ista processit sicut sol
05. Responsorio cuarto, Signum magnum apparuit
06. Responsorio quinto, Quae est ista progreditur
07. Responsorio sexto, Elegi et sanctificavi locum istum
08. Responsorio séptimo, Felix namque
09. Responsorio octavo, Beatam me dicent omnes generationes
10. Te Deum laudamus
11. Te ergo quaesumus
Coro e Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
Hoje, PQP já deve estar em Londres para assistir à Oitava de Mahler… Talvez esta seja sua última postagem de novembro, mas calma, só ele estará em férias. Enquanto isso, ouçam este divertidíssimo CD onde Bach chega junto com sua filharada legal, mas sem mim, o bastardo. Katsaris é assim mesmo, um pianista divertido e bom.
Baita CD!
J. S. Bach e filhos: 5 Concertos para Piano
Johann Sebastian Bach
1. Concerto No. 4 for Harpsichord (Piano) and Strings in A Major, BWV 1055: I. Allegro
2. Concerto No. 4 for Harpsichord (Piano) and Strings in A Major, BWV 1055: II. Larghetto
3. Concerto No. 4 for Harpsichord (Piano) and Strings in A Major, BWV 1055: III. Allegro ma non tanto
Wilhelm Friedemann Bach
4. Concerto for Harpsichord (Piano), Strings and Basso continuo in E Minor, FK 43: I. Allegretto
5. Concerto for Harpsichord (Piano), Strings and Basso continuo in E Minor, FK 43: II. Adagio (Cadenza: Cyprien Katsaris)
6. Concerto for Harpsichord (Piano), Strings and Basso continuo in E Minor, FK 43: III. Allegro assai
Johann Christian Bach
7. Concerto for Harpsichord or Piano and Strings in C major, Op. 7/1: I. Allegretto
8. Concerto for Harpsichord or Piano and Strings in C major, Op. 7/1: II. Minuetto
9. Concerto for Harpsichord (Piano) and Strings in E Major, Wf.II.1: I. Allegro
Johann Christoph Friedrich Bach
10. Concerto for Harpsichord (Piano) and Strings in E Major, Wf.II.1: II. Adagio
11. Concerto for Harpsichord (Piano) and Strings in E Major, Wf.II.1: III. Allegro moderato
12. Concerto for Harpsichord (Piano) and Orchestra in C Minor, Wq 43/4: I. Allegro assai
Carl Philipp Emanuel Bach
13. Concerto for Harpsichord (Piano) and Orchestra in C Minor, Wq 43/4: II. Poco adagio
14. Concerto for Harpsichord (Piano) and Orchestra in C Minor, Wq 43/4: III. Tempo di minuetto
15. Concerto for Harpsichord (Piano) and Orchestra in C Minor, Wq 43/4: IV. Allegro assai
Cyprien Katsaris
Orchestre de Chambre du Festival d’Echternach
Yoon K. Lee
Uma prova de que o jazz sempre está se reinventando pode ser encontrado neste absurdo CD do genial McLaughlin. Cercado mais uma vez de um grupo de músicos excepcionais, o guitarrista britânico dá um show de competência técnica, virtuosismo. Como um amigo comentou dia destes, ao sair de um show deles em Curitiba, estes caras não são seres humanos normais. Eles já ultrapassaram este limite. São sobre-humanos.
Ouço este estilo de jazz já há uns quarenta anos, então sou suspeito para falar dele. McLaughlin faz parte daquele seleto time de músicos que ultrapassaram barreiras, quebraram paradigmas, se reinventaram, enfim, nunca temeram se expor.
É difícil dizer qual o melhor momento do CD. Talvez a primeira faixa, Raju, já dê uma amostra do que vem pela frente.
Para ser apreciado sem moderação. É para se ouvir duzentas vezes seguidas, sem medo de ser feliz.
01 – Raju
02 – Little Miss Valley
03 – Abbaji
04 – Echos From Then
05 – Senor C. S.
07 – Maharina
08 – Hijacked
09 – You Know You Know
John McLaughlin – Guitar
Etienne M´Bappe – Bass
Ranjit Barot – Drums
Gary Husband – Keyboards & Drums
Este é um belo CD de uma compositora desconhecida. Élisabeth Jacquet — que ganhou o “de la Guerre” pelo casamento — é uma rara compositora, cantora e cravista parisiense. E muito boa! Até o século XIX, a presença feminina na música erudita era quase nula. É óbvio que tal fato não se deve a uma incapacidade feminina e sim às condições sociais. Hoje, ainda temos poucas compositoras, mas o mundo já está maravilhosamente tomado de esplêndidas instrumentistas. Elas chegarão logo à composição, certamente. Mas vejamos o que ocorreu antes do século XX: sem pesquisar, usando apenas a memória, diria que, mesmo com a atmosfera repressiva, apareceram duas curiosidades e dois verdadeiros talentos que se desenvolveram sabe-se lá como.
As duas curiosidades, que só podemos suportar com muito boa vontade, seriam Clara Wieck Schumann no século XIX e Hildegard von Bingen, pasmem, no século XII. Muito mais talentosa foram Barbara Strozzi, do século XVII, e esta sua quase contemporânea Jacquet de la Guerre. Mas vejam quantos séculos e quão poucas mulheres!
O CD abaixo, da Alpha, vale a audição. A Betinha era foda. Confiram!
Élisabeth Jacquet de la Guerre (1665-1729): Le Sommeil d’Ulisse /Desrochers
— Suite in A minor (from Pieces de Clavecin, 1687): Prelude pour clavecin en la mineur
— Le Sommeil d’Ulisse, cantata for voice & continuo
— Suite in A minor (from Pieces de Clavecin, 1687): Chaconne pour clavecin en la mineur
— Sonata for violin & continuo No. 1 in D minor
— Samson, for soprano, flute, violin & continuo
Christine Payeux, Alice Pierot, Francois Nicolet, Marc Wolf, Freddy Eichelberger
Les Voix Humaines
Outra preciosidade que nos foi enviada por Camilo Di Giorgi! Não tem preço
É meio melancólico anunciar que esta linda coleção do México Barroco de Puebla está chegando aos finalmentes… Este é o penúltimo CD da série, que se encerra na sexta-feira.
Hoje, a coleção se volta novamente ao estrelado Juan Gutiérrez de Padilla (c.1590 – 1664), o compositor que abriu a série.
Como já vimos, Padilla era espanhol, malagenho. Em sua terra natal foi cantor da catedral ainda menino, depois organista e depois mestre de capela. Transferiu-se para Cádiz, onde também foi mestre de capela. Ficou pouco por lá, pois mudou-se para o México, quando foi contratado, em 1622, como mestre de capela auxiliar da Catedral de Puebla, por indicação do próprio mestre de então, Gaspar Fernández. Com a morte deste, em 1629, Padilla assumiu o cargo principal e o ocupou até o ano de sua morte, em 1664, deixando grade produção.
Ele compôs, entre credos, missas e villancicos, duas Maitines de Navidad. Uma em 1652 e outra no ano seguinte. A de 1653 é a obra que abre esta série e as primeiras maitines, do ano ano anterior são as peças contempladas hoje, de belo aspecto, delicadas e de fina elaboração.
Ouça! Ouça ! Deleite-se sem dó nem piedade!
Vai dizer que este villancico dos reis magos não é lindo ?
México Barroco / Puebla VII
Juan Gutiérrez de Padilla (Málaga, Espanha, c.1590 – Puebla, México, 1664)
Maitines de Navidad, 1652
01. Villancico I, En la gloria de un portalillo
02. Villancico II, Al portal nos venimos todos
03. Villancico III, Niño hermoso de Belén
04. Villancico IV, Sol hermoso que naces del alba
05. Villancico V, Ensaladilla, Al establo más dichoso
06. Villancico VI, Jácara, Afuera, afuera pastores
07. Villancico VII, Va a ver al rey Perote
08. Villancico VIII, Calenda, a prevenciones del cielo
09. Villancico IX, De los reyes, Los tres reyes
10. Himno, Christus natus est nobis
Coro e Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
Como este CD de Peyroux parece ter tocado profundamente o coração dos pequepianos, postamos outro da cantora norte-americana de voz tão parecida com a de Billie Holiday, interpretando suas canções. Peyroux nasceu no sul dos Estados Unidos. Seu pai era um eterno aspirante a ator que ouvia música a toda a hora, sua mãe era professora de francês. Peyroux diz que eram, na verdade, dois hippies e “educadores excêntricos”. Ela conta que a música era a forma de juntar a família num local “especial e escondido” da casa. Bare Bones é todo composto por originais, nada de entremear clássicos às próprias composições e às de seus músicos.
Madeleine Peyroux: Bare Bones
1 Instead 5:12
Percussion, Organ [Estey] – Larry Klein
Written-By – J. Coryell*, M. Peyroux*
2 Bare Bones 3:26
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, W. Becker*
3 Damn The Circumstances 4:36
Written-By – D. Batteau*, L. Klein*, M. Peyroux*
4 River Of Tears 5:20
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*
5 You Can’t Do Me 5:03
Backing Vocals – Luciana Souza, Rebecca Pidgeon
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, W. Becker*
6 Love And Treachery 4:19
Written-By – J. Henry*, L. Klein*, M. Peyroux*
7 Our Lady Of Pigalle 4:19
Trumpet, Fiddle [Nyckelharpa] – Carla Kihlstedt
Written-By – D. Batteau*, L. Klein*, M. Peyroux*
8 Homeless Happiness 3:58
Written-By – J. Coryell*, M. Peyroux*
9 To Love You All Over Again 3:58
Written-By – D. Batteau*, M. Peyroux*
10 I Must Be Saved 4:44
Written-By – M. Peyroux*
11 Somethin’ Grand 3:44
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, S. Wayland*
Mais dois cds do projeto Berlioz da Deutsche Grammophon, desta vez trazendo outra obra bem conhecida do francês, “Haroldo na Italia”, uma belíssima composição, sub-intitulada ‘Sinfonia em Quatro Partes com uma Viola Solo’. A descrição de seus movimentos é semelhante à da Sinfonia Fantástica:
Primeiro Movimento: Haroldo nas Montanhas – Cenas de Melancolia, de Felicidade e de Alegria (Harold aux Montagnes – Scènes de Mélancolie, de Bonheur et de Joie) Adagio; Allegro.
Segundo Movimento: Procissão dos Peregrinos Cantando a Prece Vespertina – (Marche des Pelèrins Chantant la Prière du Soir) Alegretto.
Terceiro Movimento: Serenata de um Montanhês dos Abruzzos a sua Amada – (Sérénade d’un Montagnard des Abruzzes à sa Maîtresse) Allegro Assai.
Quarto Movimento: Orgia de Salteadores. Lembranças das Cenas Precedentes -(Orgie de Brigands. Souvenirs des Scènes Précédentes) Allegro Frenetico; Adagio; Allegro; Tempo I.
A obra foi composta baseada em um poema do inglês Lord Byron, e encomendada por Paganini. porém este não ficou contente com o resultado, e a obra foi estreada por outro solista.
Esta gravação da Deutsche Grammophon ficou a cargo de Lorin Maazel, frente a Filarmônica de Berlim, e o solista é o próprio primeiro violista da orquestra, Wolfram Christ.
O CD também traz o Carnaval Romano, também com o Maazel e a Filarmônica de Berlim, e então temos outra sinfonia, descrita como uma Sinfonia Dramática com coro e solistas, baseado na obra imortal de Shakespeare.
Estou disponibilizando dois cds, para o “Romeo & Juliet” não ficar incompleto. Espero que apreciem.
01 – Harold en Italie op.16_ 1. Harold aux montagnes, Scènes de mélancolie, de bonheur et de joie
02 – Harold en Italie op.16_ 2. Marche de pélerins chantant la prière du soir
03 – Harold en Italie op.16_ 3. Sérénade d’un montagnard des Abruzzes à sa maîtresse
04 – Harold en Italie op.16_ 4. Orgie de brigands. Souvenirs des scènes précédentes
Wolfram Christ – Viola
Berliner Philharmoniker
Lorin Maazel – Conductor
05 – Le Carnaval romain op.9, Ouverture charactéristique
Berliner Philharmoniker
Lorin Maazel – Conductor
06 – Roméo et Juliet op.17_ I 1. Introduction_ Combats – Tumultes – Intervention du Prince, 2. Prologue
07 – Roméo et Juliet op.17_ I Récitatif choral ‘D’anciennes haines endormies’
08 – Roméo et Juliet op.17_ I Premiers transports que nul n’oublie!’
09 – Roméo et Juliet op.17_ I Récitatif et Scherzetto ‘Bientôt de Roméo la pâle rêverie’
Julia Hamari – Mezzo Soprano
Jean Dupoy – Tenor
Jose van Dam – Bass, Baritone
Boston Symphony Orchestra
Seiji Ozawa – Conductor
Eu adorei este CD, mas deixo um aviso aos desatentos: se você não gosta de música moderna, fuja! Larcher é um excelente compositor austríaco e este disco da ECM é uma joia encontrada numa de nossas navegações. O programa do CD é formado por três obras inéditas. Abrindo e fechando o disco, há dois substanciais quartetos de cordas: Ixxu e Cold Farmer. O Rosamunde dá um banho. My Illness Is the Medicine I Need marca a estreia fonográfica do espetacular soprano americano Andrea Lauren Brown, assim como do violinista Christoph Poppen. Podem baixar porque a coisa é do caralho, a não ser que você seja um passadista empedernido.
Thomas Larcher (1963): Ixxu
Ixxu
1. Flüchtig, nervös
2. Sehr schnell, präzise
3. Ruhig
My Illness Is the Medicine I Need
4. My illness is the medicine I need
5. I think I’ll stay here until I die, I’m tired of life. …
6. Eat and sleep. Eat and sleep. The monotony here kills you.
7. I like it when people ask me the time. It’s almost a conversation. …
8. I don’t know why I’m here. I’ve no idea. …
9. Once they give you an injection you instantly stop hearing voices.
Mumien
10. Tempo giusto
11. Schneller
12. Langsam
Cold Farmer
13. : Mit Groove
14. : Ruhige Halbe
15. : Sehr schnell
16. : Ganz langsam
Rosamunde Quartett
Andrea Lauren Brown: soprano
Christoph Poppen: violin
Thomas Demenga: violoncello
Thomas Larcher: piano
Eu gosto muito do blog holandês 33 toeren klassiek. Ele se dedica a divulgar apenas discos de música erudita em vinil. E, para completar, não divulga aquilo que foi passado para CD, mas sim as raridades mesmo, todas digitalizadas. Fala sério, é muito gáudio. O nível do blog é altíssimo e eles são finos como o PQP Bach, pois possuem também uma espécie de pqpshare. Isto é, para baixar seus discos, não se precisa sofrer com a superfetação de abas, telas e propagandas, propagandas, propagandas!
Este O Livro de Ouro do Bandolim é uma ultra raridade. Tem obras para bandolim solo, bandolim e piano, dois lieder de Mozart para o instrumento, alaúde e voz e ainda música moderna para bandolim de Norbert Sprongl. Por isso, fizemos questão de copiar o arquivo para vocês. Fala sério, é muito júbilo.
R. Calace, H. Gal, W. A. Mozart, N. Sprongl: Le Livre D`or De La Mandoline
Mais uma inestimável contribuição do internauta Camilo Di Giorgi!
O antepenúltimo volume desta coleção primorosa do México Barroco – Puebla chega ao classicismo, na verdade, a um dos primeiros compositores classicistas da Nova Espanha, Manuel Arenzana, que viria a influenciar gerações depois de si. Foi mestre de capela da Catedral de Puebla a partir de 1792 e, por isso, sua produção chega-nos neste álbum: na catedral se conservaram mais de cem composições suas, tanto sacras como profanas.
Arenzana ficou conhecido por sua música humorosa e elegante, aspectos que poderão ser ouvidos nos arquivos que lhes disponibilizamos.
E nossa equipe, sempre muito atenta aos anseios de nossos internautas/ouvintes, separou um petisco para que vocês morram de vontade de baixar. A obra é muito vibrante: já começa assim, com o Kyrie, ó:
Ouça! Ouça ! Deleite-se!
México Barroco / Puebla VI
Manuel Arenzana (Puebla, México, c.1762 – 1821)
Missa en Re ‘La Grande’ , Dixit Dominus, Salve Regina
01. Missa en Re “La Grande”, I. Kyrie
02. Missa en Re “La Grande”, II. Gloria
03. Missa en Re “La Grande”, III. Laudamus te
04. Missa en Re “La Grande”, IV. Domine Deus
05. Missa en Re “La Grande”, V. Qui tollis peccata mundi
06. Missa en Re “La Grande”, VI. Quoniam tu solus sanctus
07. Missa en Re “La Grande”, VII. Cum Sancto Spiritu. Missa en Re “La Grande”, I. Amen
08. Missa en Re “La Grande”, VIII. Credo
09. Missa en Re “La Grande”, IX. Et incarnatus est
10. Missa en Re “La Grande”, X. Et resurrexit
11. Missa en Re “La Grande”, XI. Sanctus
12. Missa en Re “La Grande”, XII. Agnus Dei
13. Salve Regina a 4 para grande orquesta
14. Responsorio a Dúo para Nuestra Sra. de las Nieves
15. Dixit Dominus a 4
Coro e Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
O som não é lá essas coisas mas a qualidade das obras e a interpretação com sotacão russo vale a audição. Como é bom ouvir um grande regente do mesmo país e da mesma cultura do autor da obra! E como eu gosto da Sinfonia Nº 5! Ela me deixa feliz desde o Andante, passando pelo Marcato até chegar ao Jocoso. Me dá vontade de sorrir a eté esqueço que o pré-sal vai me aquecer, sufocar e que ninguém vai nem quer sequer pensar em fontes renováveis. Também gosto da Sexta, mas esta não tem a alegria e a inventividade da que a precede.
Sergei Prokofiev (1891-1953): Sinfonia Nº 5, Op.100, e Sinfonia Nº 6, Op.111
Symphony No.5,Op.100
1. I. Andante
2. II. Allegro marcato
3. III. Adagio
4. IV. Allegro giocoso
Symphony No.6,Op.111
5. I. Allegro moderato
6. II. Largo
7. III. Vivace
Este francês é mesmo da pesada, uma de minhas preferências e não poderia ficar de fora deste pequeno Festival do Barroco Francês que ora promovo sem… bem, sem tê-lo planejado. Leclair estudou dança e violino em Turim. Em 1716 casou com Marie-Rose Casthanie, uma dançarina, que morreu em 1728. Em 1730, Leclair casou-se pela segunda vez. Sua nova esposa era a gravadora Louise Roussel, que preparou a impressão de todas as suas obras a partir do Opus 2.
Leclair foi ESFAQUEADO E MORTO em 1764. Apesar do homicídio permanecer um mistério, existe a possibilidade de que sua ex-mulher possa ter sido a instigadora, ainda que a mais forte suspeita recaia sobre o seu sobrinho, Guillaume-François Vial.
Jean-Marie Leclair (1697–1764): Triosonatas, Op. 4
Sonate I en ré mineur
Sonate II en si bémol majeur
Sonate III en ré mineur
Sonate IV en fa majeur
Sonate V en sol mineur
Sonate VI en la majeur