Joachim Raff era um dos compositores mais populares e influentes da era romântica. ele escreveu onze sinfonias, três óperas, e uma infinidade de sonatas, concertos e canções, trazendo sua obra completa para mais de 300 peças. Por que não ouvimos falar dele? Ora, ele deveria estar na moda. Imaginem que ele era socialmente progressista e fundou uma escola de composição para mulheres! Mas era suíço, e as pessoas odeiam a Suíça. A família Raff mudou-se da Alemanha para a Suíça para que seu pai evitasse o recrutamento por Napoleão para a campanha malfadada à Rússia. Boa jogada. Por falar em boa, sua música é de boa qualidade. Raff parece ter simplesmente caído fora de moda sem explicação plausível. E a gente ouve carradas de românticos ruins… A estrela desta gravação é, sem dúvida, Daniel Müller-Schott, cuja inteligência na interpretação e virtuosismo são realmente arrebatadores. São performances muito maduras para um artista ainda em início de carreira.
Joseph Joachim Raff (1822-1882):
Cello Concertos / Begegnung / Duo for Cello and Piano, Op.59
1. Cello Concerto No. 1 in D minor, Op. 193: 1. Allegro
2. Cello Concerto No. 1 in D minor, Op. 193: 2. Larghetto
3. Cello Concerto No. 1 in D minor, Op. 193: 3. Finale. Vivace
4. Begegnung, phantasie-stück for cello & piano, Op. 86/1
5. Duo for cello & piano in A major, Op. 59: 1. Andantino
6. Duo for cello & piano in A major, Op. 59: 2. Allegro appassionato
7. Cello Concerto No. 2 in G major, Op. posth.: 1. Allegro
8. Cello Concerto No. 2 in G major, Op. posth.: 2. Andante
9. Cello Concerto No. 2 in G major, Op. posth.: 3. Allegro vivace
Daniel Müller-Schott, violoncelo
Robert Kulek, piano
Bamberger Symphoniker
Hans Stadlmair, regente
Então vamos fazer o seguinte: diante de tantos apelos por mais postagens de Haydn, vou trazer aos poucos as Sinfonias em sua íntegra, a partir da de nº 45. Começo com Hogwood, mas pode ser que apareçam gravações com outros regentes e orquestras.
A Sinfonia de nº 45, também conhecida como Sinfonia do Adeus, é a mais extensa e a única das sinfonias de Haydn que termina em um Adagio. Existe uma lenda por trás de sua composição, e não sei se ela é real, de qualquer forma, é obra de gênio. Ela terminaria em um Adagio, e na medida em que cada músico termina sua parte ele se retira do palco, ficando apenas dois violinos, que a concluem. A lenda conta que na época em que a escreveu, Haydn era compositor residente do Principe Esterházy, e no verão de 1772 esse poderoso Príncipe foi passar as suas férias em seu palácio de Verão na Hungria. Porém os músicos ficaram insatisfeitos, pois o local era longe de suas residências, então eles precisavam pegar uma condução, segundo consta um barco, para o retorno, e este barco saia em determinada hora. Para evitar que os músicos perdessem a tal da condução, Haydn compôs um adágio para o final da sinfonia, então à medida em que cada músico terminava sua parte, saia correndo para pegar a condução. Quem ficava no final era o próprio Haydn e outro músico, que não tinham suas famílias residindo em outro local. Genial, não acham? Assim o compositor não se indispunha nem com os músicos nem com seu patrão.
Lembro de ter ouvido esta sinfonia ao vivo pela primeira vez com a Orquestra de Câmera Russa, lá pela metade da década de 80, se não me engano dirigida pelo lendário violinista Vladimir Spikanov, e que contou esta história antes de tocarem a sinfonia.
Mas chega de falar e vamos ao que interessa.
CD 1
1 Symphony 45 in f# ‘Farewell’ – 1. Allegro assai
2 Symphony 45 in f# ‘Farewell’ – 2. Adagio
3 Symphony 45 in f# ‘Farewell’ – 3. Menuet_ Allegretto – Trio
4 Symphony 45 in f# ‘Farewell’ – 4. Finale_ Presto – Adagio
5 Symphony 46 in B – 1. Vivace
6 Symphony 46 in B – 2. Poco adagio
7 Symphony 46 in B – 3. Meneut_ Allegretto – Trio
8 Symphony 46 in B – 4. Finale_ Presto e scherzando
1 Symphony 47 in G – 1. [Allegro]
2 Symphony 47 in G – 2. Un poco adagio, cantabile
3 Symphony 47 in G – 3. Menuet al roverso – Trio al roverso
4 Symphony 47 in G – 4. Finale_ Presto assai
5 Symphony 51 in Bb – 1. Vivace
6 Symphony 51 in Bb – 2. Adagio
7 Symphony 51 in Bb – 3. Menuetto – Trio I, II
8 Symphony 51 in Bb – 4. Finale_ Allegro
Eis uma Postagem com P maiúsculo, daquelas tipo arrasa-quarteirão, facilmente classificável como IM-PER-DÍ-VEL !!!, e que vai deixar nosso mentor PQPBach alucinado, perguntando de onde tirei essa jóia rara e também perguntando o porquê de estar postando isso só agora.
Na verdade, só agora estou trazendo isso porque só agora é que consegui esse CD. Sabia de sua existência, mas ainda não tivera a oportunidade nem de ouvi-lo nem sequer encontrá-lo.
Martha Argerich e Stephen Kovacevich estavam no apogeu de seus trinta e poucos anos, e já conhecidos como grandes músicos. Se já eram casados, ou se já estavam separados, precisaria pesquisar melhor. Só sei que a química entre os dois funciona perfeitamente aqui. Sai faísca desse CD.
Bela Bartok (1881-1945): Sonata for 2 Pianos and Percussion, BB 115, W. A. Mozart (1756-1791): Andante and Five Variations in G for Piano (4-Hands), K.501, Debussy: En blanc et noir, L.134
(01) Bártok – Sonata for 2 Pianos and Percussion, BB 115 (Sz.110), 1. Assai lento – Allegro molto
(02) Sonata for 2 Pianos and Percussion, BB 115 (Sz.110), 2. Lento ma non troppo
(03) Sonata for 2 Pianos and Percussion, BB 115 (Sz.110), 3. Allegro non troppo
(04) Mozart – Andante and Five Variations in G for Piano (4-Hands), K.501, 1. Thema
(05) Andante and Five Variations in G for Piano (4-Hands), K.501, 2. Var.1
(06) Andante and Five Variations in G for Piano (4-Hands), K.501, 3. Var.2
(07) Andante and Five Variations in G for Piano (4-Hands), K.501, 4. Var.3
(08) Andante and Five Variations in G for Piano (4-Hands), K.501, 5. Var.4
(09) Andante and Five Variations in G for Piano (4-Hands), K.501, 6. Var.5
(10) Debussy – En blanc et noir, L.134, 1. Avec emportement
(11) En blanc et noir, L.134, 2. Lent. Sombre
(12) En blanc et noir, L.134, 3. Scherzando
Martha Argerich & Stephen Kovacevich – Pianos
Willy Goudswaard, Michael de Roo – Percussions
Um grande disco! Uma das melhores versão das Sonatas e Partitas de Bach para violino solo. E uma bela e surpreendente gravação da ECM. Em todos os níveis — estético, emocional, técnico — , as interpretações de John Holloway convencem. Sua articulação está limpa, maleável e o timbre de seu violino barroco garante desde o Adagio da abertura do Sonata Nº 1, o brilho que os contrapontos de Bach exigem serem abordados com clareza. Inteligência, intensidade e drama estão presentes em igual medida.
É uma música muito familiar a mim, mas que aqui é ouvida como se fosse nova. O violinista inglês, um astro da música em instrumentos de época, extrai Bach de seu violino como se o estivesse reesculpindo.
J. S. Bach – The Sonatas and Partitas for Violin Solo
CD 1
1. Sonata No.1 in G minor BWV 1001 – I. Adagio
2. Sonata No.1 in G minor BWV 1001 – II. Fuga – Allegro
3. Sonata No.1 in G minor BWV 1001 – III. Siciliana
4. Sonata No.1 in G minor BWV 1001 – IV. Presto
5. Partita No.1 in B minor BWV 1002 – I. Allemanda
6. Partita No.1 in B minor BWV 1002 – II. Double
7. Partita No.1 in B minor BWV 1002 – III. Corrente
8. Partita No.1 in B minor BWV 1002 – IV. Double. Presto
9. Partita No.1 in B minor BWV 1002 – V. Sarabande
10. Partita No.1 in B minor BWV 1002 – VI. Double
11. Partita No.1 in B minor BWV 1002 – VII. Tempo di Borea
12. Partita No.1 in B minor BWV 1002 – VIII. Double
13. Sonata No.2 in A minor BWV 1003 – I. Grave
14. Sonata No.2 in A minor BWV 1003 – II. Fuga
15. Sonata No.2 in A minor BWV 1003 – III. Andante
16. Sonata No.2 in A minor BWV 1003 – IV. Allegro
CD 2
1. Partita No.2 in D minor BWV 1004 – I. Allemanda
2. Partita No.2 in D minor BWV 1004 – II. Corrente
3. Partita No.2 in D minor BWV 1004 – III. Sarabanda
4. Partita No.2 in D minor BWV 1004 – IV. Giga
5. Partita No.2 in D minor BWV 1004 – V. Ciaccona
6. Sonata No.3 in C major BWV 1005 – I. Adagio
7. Sonata No.3 in C major BWV 1005 – II. Fuga
8. Sonata No.3 in C major BWV 1005 – III. Largo
9. Sonata No.3 in C major BWV 1005 – IV. Allegr assai
10. Partita No.3 in E major BWV 1006 – I. Preludio
11. Partita No.3 in E major BWV 1006 – II. Loure
12. Partita No.3 in E major BWV 1006 – III. Gavotte en rondeau
13. Partita No.3 in E major BWV 1006 – IV. Menuet I
14. Partita No.3 in E major BWV 1006 – V. Menuet II
15. Partita No.3 in E major BWV 1006 – VI. Bourrée
16. Partita No.3 in E major BWV 1006 – VII. Gigue
Pois bem, resolvi fuçar meu acervo e principalmente as gravações que tenho da coleção Originals, da Deutsche Grammophon e tenho reencontrado diversos cds que merecem ser trazidos para os senhores. Comecei com os concertos para piano de Beethoven com o Wilhelm Kempff, e agora trago Karajan regendo a monumental Sinfonia nº 1 de Brahms, a sinfonia das sinfonias, em minha modesta opinião.
Já comentei que minha relação com esta gravação do Karajan é muito pessoal, por isso a considero a melhor já realizada, apesar de obviamente saber da qualidade das versões de Fützwangler e a do Toscanini, gravadas ainda em Mono, e creio que já postadas por aqui. Enfim, aquele momento em que ouvi esta impressionante versão do Karajan era um momento muito particular de minha vida, e ela de certa forma supriu determinada carência que não vem ao caso discutir. Na época até comentei com um amigo que parecia que eu estava tendo uma visão, entrando no Nirvana, ou algo do gênero, eramos apenas eu e aquela música maravilhosa. O resto era silêncio. É incrível o efeito que a música de Brahms exerce sobre mim,nem sei explicar. Por isso vou seguir em frente.
A outra gravação deste CD é a belíssima Sinfonia Primavera de Schumann, o amigão de Brahms. Ao contrário da sinfonia deste, a obra de Schumann evoca um estado de espírito mais elevado, mais alegre, contrastando com a sobriedade da obra brahmsiana. Não por acaso é chamada de ‘Primavera’.
01. Brahms – Symphony No. 1, Mvt. 1 – Un poco sostenuto – Allegro
02. Symphony No. 1, Mvt. 2 – Andante – sostenuto
03. Symphony No. 1, Mvt. 3 – Un poco allegretto e grazioso
04. Symphony No. 1, Mvt. 4 – Adagio – Allegro non troppo ma co
05. Schumann Symphony No. 1, Mvt. 1 – Andante un poco maestoso – Alle
06. Symphony No. 1, Mvt. 2 – Larghetto – (attacca)
07. Symphony No. 1, Mvt. 3 – Scherzo. Molto vivace
08. Symphony No. 1, Mvt. 4 – Allegro animato e grazioso
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan – Conductor
É inevitável. Ao menos um disco de Satie você terá em seu acervo. Ele tem algumas obras bastante boas e famosas. Mas poucas pessoas são apaixonadas por sua arte muitas vezes estática e quase sempre bem humorada. Aliás, o cômico em Satie costuma permanecer esquecido para dar espaço à poesia de peças como a deste disco. Porém, afirmo-lhes: o melhor de Satie está nos últimos discos da coleção de suas obras completas. São peças para vários instrumentos que ninguém mais ouve. Sei lá onde guardei aquilo, mas é muito cômico e bom. No mês passado, em 17 de maio, Satie completou 150 anos de nascimento. As homenagens foram bem modestas, considerando sua popularidade. Olga Scheps dá excelente tratamento a elas neste CD recém lançado e dá um passinho à frente dos outros CDs ao gravar a alegre Cinq Grimaces pour le songe d’une nuit d’été.
Debussy e Satie estáticos, como quase sempre.
Erik Satie (1866-1925): Peças para Piano
01. Gnossienne No. 1 Lent
02. Gnossienne No. 2 Avec étonnement
03. Gnossienne No. 3 Lent
04. Gnossienne No. 4 Lent
05. Gnossienne No. 5 Modéré
06. Gnossienne No. 6 Avec conviction et avec une tristesse rigoureuse
07. Cinq Grimaces pour le songe d’une nuit d’été I. Préambule
08. Cinq Grimaces pour le songe d’une nuit d’été II. Coquecigrue
09. Cinq Grimaces pour le songe d’une nuit d’été III. Chasse
10. Cinq Grimaces pour le songe d’une nuit d’été IV. Fanfaronnade
11. Cinq Grimaces pour le songe d’une nuit d’été V. Pour sortir
12. Gymnopédie No. 1 Lent et douloureux
13. Gymnopédie No. 2 Lent et triste
14. Gymnopédie No. 3 Lent et grave
15. Je te veux
16. Sarabande No. 1 in F Minor
17. Sarabande No. 2 in D Minor, à Maurice Ravel
18. Sarabande No. 3 in B-Flat Minor
19. Tendrement – Valse chantée
20. Gentle Threat
Este disco vale para conhecer a tremenda violinista russa Lydia Mordkovitch (1944-2014), aluna e assistente de David Oistrakh nos anos 60. Desde 1980, quando mudou-se para Londres e assinou contrato com a Chandos, ela fez 60 CDs de altíssima qualidade. Mas, sabem vocês, ficou sempre em segundo plano, talvez por ser gordinha, baixinha e só se preocupar com música. Lydia Mordkovitch mereceria estar no topo com outros tantos violinistas de primeira linha. Por exemplo, sua gravação dos Concertos de Shostakovich, de 1995, recebeu inúmeros prêmios e é uma referência absoluta. Sua gravação dos Concertos Nº 1 e 2 de Prokofievé inacreditável. Faleceu sem gravar o Concerto de Tchaikovsky, o qual foi longamente esperado por seus admiradores. Dizia não estar pronta, mas o tocava mais de 3 vezes por ano em concertos. Desde 1995, dava aulas de música russa na Royal Academy of Music. Era procuradíssima.
Max Bruch foi um bom compositor romântico. Só que este disco é inteiramente da intérprete. Aqui, a cantora supera em muito a canção.
Max Bruch (1838-1920): Concertos para Violino Nros. 2 e 3
Violin Concerto No. 2, Op. 44 in D minor
1 I. Adagio ma non troppo 15:04
2 II. Recitative. Allegro moderato 4:32
3 III. Finale. Allegro molto 9:52
Violin Concerto No. 3, Op. 58 in D minor
4 I. Allegro energico 20:27
5 II. Adagio 11:50
6 III. Finale. Allegro molto 9:03
Lydia Mordkovitch
London Symphony Orchestra
Richard Hickox
Esta é outra daquelas postagens feitas a toque de caixa, pelo simples motivo de falta de tempo: trago hoje uma das grandes gravações do selo alemão Deutsche Grammophon com dois concertos para piano de Beethoven com o imenso Wilhelm Kempff, um dos maiores pianistas do século XX. Trata-se de uma gravação histórica realizada há cinquenta e poucos anos, 1961, para ser mais exato, mas que se mantém no topo da lista das maiores e principais gravações destes concertos. Pode até soar meio antiquada para alguns ouvidos mais apurados, mas não se pode negar sua qualidade. Kempff é referência quando se trata de Beethoven, mesmo passado tanto tempo de sua morte, lembrando que ele viveu quase cem anos, morrendo aos 96 anos de idade.
P.S. Prestem atenção para as cadenzas, elas foram escritas pelo próprio Kempff.
Apesar de não ter chegado ainda aos 40 anos. Mason Bates é o segundo compositor erudito vivo mais executado de nosso planeta. Creio que vocês sabem quem é o primeiro. Sua obra recém está começando a ser criada, mas ela já funde inovadoras escritas orquestrais, formas narrativas originais, harmonias do jazz, ritmos de techno e foi a primeira música sinfônica que recebeu ampla aceitação e integração de sons eletrônicos, muitas vezes pilotados pelo compositor. Maestros como Riccardo Muti, Michael Tilson Thomas e Leonard Slatkin já o descobriram o têm em seus catálogos. Gostei de conhecê-lo. Sua música olha para o futuro. Ele não escreve para o passado. Divirtam-se. Conheçam.
Mason Bates estará como compositor visitante da Osesp em 9 (amanhã!), 10 e 11 de junho deste ano. Vai tocar… laptop. Mas não pense em loucuras eletrônicas. Quando você mantiver contato com este disco, ouvirá tudo super integrado, elegante e… acústico.
Mason Bates (1977): Works for Orchestra
The B-Sides
1 Broom of the System 4:12
2 Aerosol Melody (Hanalei) 4:01
3 Gemini in the Solar Wind 5:32
4 Temescal Noir 3:14
5 Warehouse Medicine 4:45
Liquid Interface
6 Glaciers Calving 6:47
7 Scherzo Liquido 3:54
8 Crescent City 8:24
9 On the Wannsee 4:29
Alternative Energy
10 Ford’s Farm, 1896 7:07
11 Chicago, 2012 5:53
12 Xinjiang Province, 2112 8:06
13 Reykjavik, 2222 4:55
Pense no seu prato favorito, aquele com o qual você sonha, dormindo e desperto. Esta trilha é tão deliciosa quanto um prato favorito. Temos aqui uma Nouvelle Cuisine, à qual se aplicaria perfeitamente a velha sentença dos pequenos frascos com os melhores perfumes, pois que é uma trilha breve, porém rica e deliciosa; de um filme hoje infelizmente raro: The Moderns, de Alan Rudolph, 1988. Existiu em VHS, que eu saiba jamais saiu em DVD e se alguém souber, por caridade, me avise. O filme se passa na Paris de 1926, após a primeira catástrofe mundial, numa pausa entre as duas tempestades. Artistas plásticos, literatos e poetas, desocupados – flâneurs; damas do dia e da noite, modelos, provocadores dadaísta, nouveau riches, nobres arruinados e embusteiros; punguistas, pianistas e pianeiros, amontoados nos cafés toldados pela fumaça dos cigarros, cachimbos e charutos. As estéticas em metamorfose, à maneira de um magnífico piano Art Nouveau arremessado abaixo numa escadaria cubista.
Um filme raro com raros artistas. Keith Carradine (irmão de David – Kung Fu e Bill de Tarantino – ambos filhos do prístino vampirão John Carradine). Talvez alguns lembrem dele em Os amores de Maria, o violeiro que seduz a bela Natassja Kinski. Keith interpreta Nick Hart, um pintor e desenhista norte americano de seus quarante ans, flanando pelos cafés parisienses e compondo o quadro que tentei pintar acima. A bela do filme – e põe bela nisso – é Linda (linda) Fiorentino, antiga esposa de Hart, que sumira e agora aparece ao lado de um misterioso oriental de passado sombrio, milionário no comércio dos então modernos preservativos de borracha; aluno de Houdini em ‘artes de fuga’. Este oriental é vivido pelo também raro e ótimo ator John Lone – sim, Pu Yi, O Último Imperador; que ignora totalmente o passado de sua ‘propriedade’, digo, de sua amante. Sobre isso nem preciso dizer mais nada. Emoldurando estes protagonistas temos figuras fictícias, históricas e semi-históricas. No papel de fiel parceiro de Nick Hart temos o próprio Hemingway! Vivido por Kevin J. O’Connor. Hem, acorrentado ao balcão do bar e em constante banho maria etílico, mistura realidade com ficção, nomes reais com os de seus personagens. Em meio a esta glamourosa fauna transita a insuportável Gertrude Stein e sua escudeira, a não menos insuportável Alice B. Toklas. Em certo momento, numa festa de intelectuais, Miss Stein diz pra Hem: “Hemingway, lembre-se: o sol também se põe!”; ao que Hem responde: “Sim, bem sobre o seu grande traseiro”. Geraldine Chaplin interpreta uma ricaça espertinha, abandonada pelo marido que fugira com uma dançarina apache. Tenta passar a perna em Hart lhe encomendando três obras falsas – no que Hart é especialista – porém sem a menor intenção de pagar por elas. São elas um Matisse, um Modigliani e um Cezanne. Obras que emblematizariam a chamada modernidade. Em certo momento de fúria o truculento oriental irá destruir os originais pensando que são falsos. As cópias de Hart irão para os museus do mundo e serão aclamadas como obras únicas, inefáveis, irreproduzíveis! Mas estou falando demais do filme, que espero, todos possam algum dia conhecer. Falemos da música.
Apesar da trilha se configurar uma galeria de estilos, autores e intérpretes, quem a assina é o trompetista americano Mark Isham, que a divide com o cantor francês Charlélie Couture. E apesar de Isham ser trompetista, é o violino quem praticamente lidera a trilha, na participação do violinista americano Sid Page. Numa galeria de atmosferas, encontramos o grande Sidney Bechet na faixa 4 – Really the Blues, irresistível, com seu intenso vibrato e generosidade melódica. Quem viu a abertura do também delicioso ‘Meia noite em Paris’ de Woody Allen sabe do que estou falando. Esta presença de Bechet não somente é oportuna por enriquecer a trilha, como também está de acordo com a acolhida que a França deu ao jazz e aos jazzistas americanos no início do século XX. A faixa 7 traz a versão original da famosíssima canção francesa Parlez moi d’amour, com Lucienne Boyer, 1930; canção que, por incrível que pareça e por alguma razão, faltou no repertório da mais famosa das divas do canto francesas, Edith Piaf. A faixa de abertura com o tema chefe do filme, será, acredito, inesquecível. Quem não conheceu o filme ainda, poderia ouvi-la assistindo a antigas filmagens da Paris de princípios do século XX ou contemplando antigas fotografias daquele contexto. Quem o fizer se concederá, garanto, um grande prazer. A sexta faixa, cantada por Charlélie Couture que aparece no filme como pianista dos cafés e cabarés, é uma curiosa peça que sabe a dadaísmo, um toque de caricatura musical típica do grande Erik Satie – Dada Je suis…
Separei este parágrafo para destacar a faixa 8, La Valse Moderne. É que da primeira vez que estive no MASP (que os céus protejam este lugar da barbárie que impera), estava precisamente a ouvir em um aparelhinho de mp3 essa faixa quando fiquei de frente com um dos mais encantadores modiglianis: Renée. A música naquele instante deu vida ao quadro e os olhos daquela musa de Modi brilharam de verdade. Fiquei longo tempo verdadeiramente apaixonado por Renée, que travou comigo o mais profundo e romântico diálogo tácito e estético. Quem baixar esta trilha e estiver em São Paulo tente o mesmo. Não terei ciúmes, juro.
A derradeira faixa e das mais deliciosas é uma versão ‘moderna’ do Parlez moi d’amour. Algo inebriante, muito bonito e de grande elegância. O trompetista introduz reflexos de Miles Davis em seu fraseado. Esta música acompanha os créditos do filme, nos quais se vêm cortinas de seda que esvoaçam suavemente. Uma imagem que deixo para os que ouvirem esta trilha, que casa elementos impressionistas e modernos com perfeição; num indubitável exemplo de finíssimo gosto musical.
Mark Isham & Charlélie Couture: The Moderns – original soundtrack
1 Les Modernes
2 Café Selavy
3 Paris La Nuit /Selavy
4 Really the Blues
5 Madame Valentin
6 Dada Je Suis
7 Parlez moi d’amour (Retro)
8 La Valse Moderne
9 Les Peintres
10 Death of Irving Fagelman
11 Je ne veux pas des tes chocolats
12 Parlez moi d’amour (Moderne)
L’Orchestre Moderne
Sid Page – violin
Peter Maunu – violin, mandolin, electric guitar
Ed Mann – vibraphone, marimba, snare drum
Dave Stone – acoustic bass
Charlélie Couture – piano, vocals
Rich Ruttenberg – piano
Patrick O’Hearn – electrid and acoustic bass
Michael Barsimanto – drum machine
Suzy Katayama – cello
Mark Isham – trumpet
“Sentado numa rocha, na ilha de Ogígia, com a barba enterrada entre as mãos, de onde desaparecera a aspereza calosa e tisnada das armas e dos remos, Ulisses, o mais subtil dos homens, considerava, numa escura e pesada tristeza, o mar muito azul que, mansa e harmoniosamente, rolava sobre a areia muito branca. Uma túnica bordada de flores escarlates cobria, em pregas moles, o seu corpo poderoso, que engordara. Nas correias das sandálias, que lhe calçavam os pés amaciados e perfumados de essências, reluziam esmeraldas do Egipto. E o seu bastão era um maravilhoso galho de coral, rematado em pinha de pérolas, como os que usam os Deuses marinhos.” Este suntuoso parágrafo abre o conto “A Perfeição”, de Eça de Queiroz, no qual o genial escritor português narra o tédio, a inquietação e descontentamento de Odisseu, por sete anos preso à ilha (e ao leito) da ninfa Calípso. Paraíso no qual tudo é perfeição, onde os mortais e as flores jamais fenecem: “A divina ilha, com os seus rochedos de alabastro, os bosques de cedros e tuias odoríferas, as messes eternas dourando os vales, a frescura das roseiras revestindo os outeiros suaves, resplandecia, adormecida na moleza da sesta, toda envolta em mar resplandecente. Nem um sopro dos Zéfiros curiosos, que brincam e correm por sobre o Arquipélago, desmanchava a serenidade do luminoso ar, mais doce que o vinho mais doce, todo repassado pelo fino aroma dos prados de violetas. No silêncio, embebido de calor afável, eram duma harmonia mais embaladora os murmúrios de arroios e fontes, o arrulhar das pombas voando dos ciprestes aos plátanos e o lento rolar e quebrar da onda mansa sobre a areia macia.” Odisseu, farto de tanta perfeição, anseia por atirar-se ao confronto das ondas e perigos, em busca de sua perdida Ítaca, onde lhe aguardam Penélope com seu já gasto tear e o seu filho Telêmaco.
Mas existiria, fora dos domínios dos deuses, tal perfeição? Talvez a exuberância destes textos nos dê uma pista. Sim, na arte encontramos tal perfeição e para além de escritos dessa estirpe, a encontramos nos domínios da música. A arte por excelência das Musas, conforme a tradição mitológica grega. O que temos aqui, nesta postagem, é um exemplo de tal perfeição. Imaginemos que, hóspedes de Calípso, sonhamos com uma orquestra de deuses a interpretar as mais divinas peças: eis aqui a realização de um sonho assim. A flautista dinamarquesa Michala Petri – já em si uma divindade em talento e beleza, a maior flautista-block da história; ao seu lado, Felix Ayo – violinista veterano do I Musici; o exímio oboísta Heinz Holliger, capaz de inebriar com seu instrumento todas as cabeças da Hidra de Lerna; mais o incomparável fagotista Klaus Thunemann! Que dizer? Ao cravo, Christiane Jacottet, tecendo sobre as cifras do contínuo uma teia de ouro, digna das mais caprichosas criações de Hefestos. Completando a constelação, Pasquale Pellegrino, também ao violino; Thomas Demenga ao violoncelo e Jonathan Rubin, na Teorba. Estes fabulosos músicos, em total comprometimento com seu repertório e imersos em evidente paixão pelo mesmo, nos trazem a perfeição. Todas estas palavras escritas até agora também servem para dizer que Vivaldi é de lascar. Sim, o Padre Ruivo é estupendo, um artista que jamais sonegou beleza; dono de uma cornucópia de beleza musical inesgotável. Um dos ápices do que para alguns – eu, pelo menos – foi o mais extraordinário período da música (opinião pessoalíssima). O reverendo veneziano que ensinou ao mestre maior, J. S. Bach, os sensos de proporção, discurso instrumental e equilíbrio; o próprio mestre declarou isso em carta, após ter tido acesso a concertos da série do L’Estro Armonico de Vivaldi, os quais transcreveu para o cravo e o órgão. A gravação é de 1983. Há muitos anos tive este espetáculo fonográfico em vinil. Esperei séculos para que aparecesse em CDs. Eis que os bons e misericordiosos deuses vieram a me recompensar a longa espera. Agora tenho o sincero prazer e honra de partilhá-lo com vocês. Esta suprema beleza e perfeição, que se existisse na ilha de Calípso, eu sendo Ulisses, esqueceria Ítaca e por lá iria ficando. Na foto acima, noite em Veneza. Sob a Ponte dos Suspiros correm as fétidas águas que nos legaram tanta beleza.
Não poderia escrever o que quer que fosse sobre Vivaldi sem que caísse em certo arrebatamento, efeito de sua música sobre nós. Entre estes concertos temos uma de suas criações mais ricas e impressionantes: a Sonata em lá menor RV 86. Há muitos anos me correspondia com a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, com o setor de partituras. Era atendido por gentilíssimas senhoras, que me forneciam sob ínfimo preço partituras diversas. Entre elas, alguns desses concertos e a citada Sonata. Atualmente, infelizmente, o setor decaiu e aquelas senhoras, pelo que soube, já não lá se encontram – evidente reflexo da decadência cultural em curso nos últimos anos em nosso desventurado país. Não vivemos na ilha de Calípso, enfim, mas a música nos traz a perfeição que nos inspira a olhar para melhores horizontes.
Disco I
Concerto RV 94 in D-dur
1 Allegro
2 Largo
3 Allegro
Concerto RV 103 in g-moll
4 Allegro ma cantabile
5 Largo
6 Allegro non molto
Concerto RV 87 in C-dur
7 Adagio – Allegro
8 Largo
9 Allegro assai
Sonata RV 86 in a-moll
10 Largo
11 Allegro
12 Largo, cantabile
13 Allegro molto
Disco II
Concerto RV 101 in G-dur
1 Allegro
2 Largo
3 Allegro
Concerto RV 108 in a-moll
4 Allegro
5 Largo
6 Allegro
Concerto “La Pastorella” RV 95 in D-dur
7 Allegro
8 Largo
9 Allegro
Concerto RV 105 in g-moll
10 Allegro
11 Largo
12 Allegro molto
Não se enganem: isto não é uma “curiosidade” que “talvez valha a pena baixar”… É Música com M Maiúsculo.
Não se costuma pensar em Gulda como compositor e sim como pianista – e muitas vezes como um pianista questionável por suas ousadias heterodoxas, mesmo tendo sido professor de gente como Marta Argerich e Claudio Abbado – mas aqui Gulda comparece não só como pianista, mas também como band leader e autor das três composições, cuja proposta vamos deixar que ele mesmo explique:
Music for Four Solists and Band No. 1 é uma nova obra em uma série de composições em que venho tentando abrir para o jazz as formas clássicas maiores (sonata, sinfonia, concerto etc.). Creio que até agora o jazz se confinou em formas muito estritas e esquemáticas – quase só a da canção ou balada de 32 compassos e do blues de 12 compassos. Hoje muitos músicos jovens vêm se dando conta da limitação dessas formas, e tentam libertar-se delas de golpe, abrindo mão de toda e qualquer forma e jogando fora tudo o que foi legado pela tradição (free jazz).
Eu acredito que há outra saída: não é apenas explodindo as formas que o jazz teve até agora que seus limites podem ser dilatados, mas também mediante o seu enriquecimento através das grandes formas clássicas. Europeu que sou, este último caminho me parece o mais frutífero. Tenho a sensação de que simplesmente ainda não foram percebidas as possibilidades que nossa grande tradição musical oferece ao jazz. Longe de esgotadas, essas possibilidades são novas e vigorosas. Os jazzistas europeus se miram em New Orleans, Harlem ou no South Side de Chicago, mas nem assim conseguem assimilar a tradição do negro americano em sua plenitude. Nunca entendi por que não recorrem mais intensamente à sua própria tradição!
AMusic for Four Solists and Bandé uma obra para quatro solistas – trompete, trombone, sax barítono alternado com flauta, e piano – na forma clássica de concerto em três movimentos: 1º: Forma-de-sonata com uma introdução lenta, exposição, desenvolvimento, reexposição e coda. – 2º: Balada com um e meio “choruses” (variações), com introdução e cadência do piano. – 3º: Rondó. […] (Traduzido por Ranulfus)
Ou seja: a cooperação entre tradição clássica e jazz que Gulda propõe e realiza não é um maneirismo: uma descaracterização de composições clássicas interpretando-as à maneira de jazz, nem uma descaracterização do jazz interpretando-o à maneira clássica (p.ex. em arranjos para orquestra sinfônica): trata-se de “jazz de verdade” – em suas características harmônicas, melódicas, rítmicas, tímbricas, prosódicas, etc. – que apenas faz uso complementar de técnicas composicionais originárias da tradição europeia. E a isso este monge só pode voltar o entusiasmo devido a uma realização intelectual do mais alto nível!
Nas duas outras peças do disco vemos um caminho misto: o “Minueto” não se restringe a um uso de forma: este mescla, sim, materiais melódicos, rítmicos, harmônicos, bem como estilos de interpretação, de origem europeia e jazzística. Que cada um avalie como lhe aprouver; da minha parte, não deixo de achar uma peça encantadora.
Já no “Prelúdio e Fuga”, peça para piano solo que conclui o disco, temos um prelúdio (forma livre) em que predomina a vertente europeia, e uma fuga (forma fortemente regrada) onde predomina o jazz: bem o contrário do que seria de esperar, no que talvez possamos ver mais um exemplo da verve intelectual do Sr Friedrich. (Vale ainda notar que mais tarde esta Fuga foi gravada mais de uma vez pelo recém-falecido Keith Emerson – inclusive no álbum ao vivo Welcome back, my friends, to the show that never ends, postado aqui recentemente pelo colega FDP, onde mesmo um fã de E.L.& P., como eu, tem que reconhecer que Keith não se saiu muito bem).
Digno de nota, ainda, que colaborem com Gulda neste seu projeto cinco dos maiores jazzistas estadunidenses da segunda metade do século XX – quatro deles negros: além dos solistas nomeados logo abaixo, Ron Carter foi o baixista e Mel Lewis o baterista da “Eurojazz Band”, ao lado de nove jazzistas nascidos de fato na Europa.
Finalmente: esta postagem marca a volta do “monge Ranulfus” à arte da digitalização do vinil, que aprendeu em 2010 com o colega Avicenna e chegou a praticar até outubro daquele ano, tendo aí que deixá-la de lado devido a contingências da vida. Restabelecidas agora as condições mínimas, Ranulfus ainda não sabe com que frequência conseguirá praticá-la, mas mesmo assim informa que tem cerca de 50 LPs (ou vinis) à espera. Por essa e por muitas outras razões esta postagem vai carinhosamente dedicada ao “decano do PQP”, nosso querido Avicenna!
Friedrich Gulda:
MUSIC FOR 4SOLOISTS AND BAND No.1 [M4SB1] 01 Primeiro movimento 9’38”
02 Segundo movimento 8’25”
03 Terceiro movimento 6’44”
04 MINUET (da suíte Les Hommages) 6’47”
05 PRELUDE AND FUGUE 4’11”
Freddie Hubbard (1938-2008), trompete J. J. Johnson (1924-2001), trombone Sahib Shihab (Edmond Gregory) (1925-1989), sax barítono e flauta Friedrich Gulda (1930-2000): piano, composição e direção Eurojazz Orchestra
Gravado na Áustria em 1965
Digitalizado em 2016 por Ranulfus, com assistência de Daniel S.,
a partir do LP remasterizado em estéreo lançado na Alemanha nos anos 70.
Para não se alegrar com Haydn, só mesmo embriagado ou muito louco. Que compositor e que interpretação esta de Daniel Barenboim com a Orquestra de Câmara Inglesa! Este CD não existe na Europa. Ele faz parte da Deutsche Grammophon Collection, vendida apenas — creio –no Brasil, América do Sul e Península Ibérica. Trata-se de uma garimpagem nos bons CDs da DG, o que não desmerece o resultado, muito pelo contrário. E, bem, se você não ficar feliz ouvindo a Sinfonia Maria Teresa, chame o Dr. Simão Bacamarte porque há uma corrente e uma árvore aguardando por você num manicômio.
F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nros. 44, 48 e 49
01. 1.Allegro Con Brio – Symphony N. 44 In E Minor ‘Trauer’
02. 2.Menuetto – Allegretto – Canone In Diapason – Symphony N. 44 In E Minor ‘Trauer’
03. 3.Adagio – Symphony N. 44 In E Minor ‘Trauer’
04. 4.Finale – Symphony N. 44 In E Minor ‘Trauer’.
05. 1.Allegro – Symphony N. 48, In C Major ‘Maria Theresia’.
06. 2.Adagio – Symphony N. 48, In C Major ‘Maria Theresia’
07. 3.Menuetto – Trio – Menuetto – Symphony N. 48, In C Major ‘Maria Theresia’
08. 4.Finale – Allegro – Symphony N. 48, In C Major ‘Maria Theresia’
09. 1.Adagio – Symphony N. 49, In F Minor ‘La Passione’
10. 2.Allegro Di Molto – Symphony N. 49, In F Minor ‘La Passione’
11. 3.Menuet – Symphony N. 49, In F Minor ‘La Passione’
12. 4.Finale – Presto – Symphony N. 49, In F Minor ‘La Passione’
Que o Concerto para violoncelo de Dvořák é uma das mais belas obras já compostas para o instrumento não há dúvida, e é difícil postarmos uma versão desta obra que possa ser considerada de menor qualidade. Quando trazemos um músico do nível de Rostropovich ou Fournier, ou até mesmo quando trazemos uma instrumentista menos conhecida como Alisa Weilerstein o nível parece que permanece o mesmo. A música extraordinária de Dvořák parece que faz com que o instrumentista ultrapasse seus próprios limites, buscando no coração o que pode faltar de técnica ou experiência.
Alisa Weilerstein tem 34 anos, e já possui uma sólida carreira internacional, se apresentando com as principais orquestras do planeta, ao lado de maestros como Daniel Baremboim, com quem toca o Concerto de Elgar, e Jiri Belohlávek.
01 Dvorak Cello Concerto In B Minor, Op. 104 – 1. Allegro
02 Cello Concerto In B Minor, Op. 104 – 2. Adagio, Ma Non Troppo
03 Cello Concerto In B Minor, Op. 104 – 3. Finale_ Allegro Moderato
Pacotaço duplo com dois petardos recém lançados pelo Pat Metheny. PQPBach me intimou a postar estes cds depois que fiz propaganda deles no Facebook, tipo menino faceiro porque ganhou um sorvete.
No primeiro, Metheny retorna com sua Unity Band, um quarteto sem piano mas com sax. No segundo, ele se reúne ao trompetista Cuong Vu, velho conhecido dos que acompanham a carreira do guitarrista há mais tempo. Basta lembrar do excelente “Speaking of Now”, de 2002, onde Vu nos é apresentado com todo o seu talento e virtuosismo.
Nos dois cds, não podemos dizer que apenas Metheny se destaca, pois o talento dos músicos com quem toca é indiscutível. Mas é ele quem norteia, é ele quem dá o rumo. A inconfundível timbragem de sua guitarra se destaca no meio dos experimentalismos do trompete de Vu.
Aviso: os que não estão familiarizados com o jazz moderno que essa galera vem tocando podem estranhar um pouco a sonoridade, mas basta ouvirem algumas vezes que garanto que irão gostar e muito,principalmente o cd que conta com a participação do trio de Cuong Vu.
Pat Metheny – The Unity Sessions
1. Adagia
2. Sign of the Season
3. This Belongs to You
4. Roof Dogs
5. Cherokee
6. Genealogy
7. On Day One
8. Medley Phase DanceMinuanoMidwestern NightsThe Sun in MontrealOmaha CelebrationAntoniaLast Train Home
9. Come and See
10. Police People
11. Two Folk Songs
12. Born
13. Kin (–)
14. Rise Up
15. Go Get It
Pat Metheny – Guitars
Chris Potter – Clarinet (Bass), Flute, Guitar, Sax (Soprano), Sax (Tenor)
Antonio Sanchez – Drums
Ben Williams – Bass
Já desde a primeira faixa deste CD, o Adagio Trio Hob. XV 37 in F, já temos uma amostra do que virá pela frente: beleza, sensibilidade, coerência, virtuosismo, talento. Poucos conjuntos de Câmera reuniram todos estes atributos durante tanto tempo quanto o Beaux Arts Trio. Foram 60 anos de dedicação a uma causa: a música. E somos os felizes ouvintes e apreciadores de toda esta dedicação.
Estes Trios para Piano de Haydn foram escolhidos a dedo. Difícil dizer qual o melhor, o mais bonito. O conjunto é todo de excelente qualidade. Mesmo depois de quase trinta anos os ouvindo, até hoje continuo me espantando com a capacidade de coesão deste conjunto. Eles tocam como se fossem um único instrumento.
01. Piano Trio Hob. XV.37 in F – 1. Adagio
02. Piano Trio Hob. XV.37 in F – 2. Allegro molto
03. Piano Trio Hob. XV.37 in F – 3. Menuet
04. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 1. Allegro moderato
05. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 2. Menuet
06. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 3. Andante con variazioni
07. Piano Trio Hob. XIV.6-XVI.6 in G – 1. Allegro
08. Piano Trio Hob. XIV.6-XVI.6 in G – 2. Adagio
09. Piano Trio Hob. XIV.6-XVI.6 in G – 3. Menuetto
10. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 1. Allegro
11. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 2. Andante
12. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 3. Allegro
13. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 4. Menuetto
14. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 5. Scherzo
15. Piano Trio Hob. XV.1 in G minor – 1. Moderato
16. Piano Trio Hob. XV.1 in G minor – 2. Menuet
17. Piano Trio Hob. XV.1 in G minor – 3. Presto
O legal destas séries históricas é podermos apreciar a evolução do artista. Horowitz é amado e odiado na mesma proporção, aqui mesmo no PQPBach ele tem defensores e detratores. Me incluo no meio do caminho, há coisas dele realmente fantásticas, outras evito. Lembro de te-lo conhecido por meio de um CD com Sonatas de Bethoven, e fiquei realmente encantado.
Na pressa, sem tempo, trago hoje o segundo CD desta série histórica, que mostra todo o talento e versatilidade de um dos grandes pianistas do século XX.
Quando no ano de 1953 o célebre diretor Akira Kurosawa encomendou ao seu jovem amigo o compositor Fumio Hayasaka a trilha sonora para o seu filme Os Sete Samurais, o compositor, diante de tão honorável solicitação, correu para o piano e dedilhou um breve tema, anotando-o ligeiramente num fragmento de pentagrama. Insatisfeito, amassou o papel e o atirou à cesta de lixo. Cerrando os olhos por trás dos seus possantes óculos, respirou fundo e se pôs a conceber uma sucessão de temas, até formar uma considerável pilha de papéis de música. Satisfeito, convocou Kurosawa para exibir a sua criação. O compositor tocou para ele um tema após o outro. Kurosawa, cabisbaixo, abanava a cabeça recusando cada um deles. O compositor, vendo a pilha de temas se extinguir sem qualquer resultado positivo, desesperadamente acorreu à cesta de lixo, catou no fundo o fragmento que lá havia atirado e tocou o que lá anotara. O ‘Shogun do Cinema’ ergueu a fronte, arregalou os olhos nipônicos e apontando imperativamente, grunhiu: “É isto!”. Era o icônico tema dos Sete Samurais, que pode ser ouvido a princípio na faixa 2, ressurgindo com diferentes arranjos.
Certos filmes revisito quase que religiosamente. Filmes como Todas as Manhãs do Mundo e O Sétimo Selo; outro é Os Sete Samurais (1954). A saga dos heroicos ronins que se sacrificam na defesa de uma pobre aldeia de camponeses. Com marcantes atuações, especialmente de Toshiro Mifune, no papel do espalhafatoso, histriônico e destemido Kikuchiyo. O filme, repleto de grandes e antológicos momentos, como a soberba batalha final, mescla a teatralidade típica do cinema japonês (cujas raízes remontam ao teatro tradicional) com elementos do cinema ocidental, o que é bastante típico na obra de Kurosawa. Esta mescla de elementos também caracteriza a obra musical de Fumio Hayasaka.
Hayasaka nasceu em Sendai, ilha de Honshu, em 1918. Em 1918 sua família mudou-se para Sapporo, ilha de Hokkaido. Em 1933, junto com o também compositor Akira Ifukube (autor das trilhas de Godzilla), organizou festivais de música. Hayasaka recebeu diversos prêmios por seus trabalhos de caráter erudito. Em 1939 mudou-se para Tokyo para se dedicar às trilhas sonoras. No início da década de 40 era conhecido como um grande compositor japonês de cinema. Em 1950 fundaria a Associação de Música de Cinema e seria também o mentor de famosos nomes como Masaru Sato e Toru Takemitsu. Dos filmes de Kurosawa para os quais trabalhou, Rashomon (1950) teve especial significado. Foi premiado com o Leão de ouro de Veneza e foi o primeiro filme japonês a ser amplamente visto no ocidente. Para esta película, Hayasaka compôs algo inspirado no Bolero de Ravel. Em seus últimos anos, em plena atividade, trabalhou também para premiados títulos de Kenji Mizoguchi. Os Sete Samurais foi a maior produção cinematográfica em seu tempo no Japão e, dos filmes para os quais Hayasaka compôs, foi o que mais o notabilizou para a posteridade. Sobre sua relação para com a música em seus filmes e sobre o trabalho de Hayasaka, disse Kurosawa: “Eu mudei meu pensamento sobre o acompanhamento musical a partir do momento que Fumio Hayasaka começou a trabalhar comigo como compositor nas trilhas sonoras dos meus filmes. A música de cinema na época não era nada mais do que um acompanhamento – para uma cena triste, havia sempre música triste. Esta é a maneira que maioria das pessoas usam a música, e é ineficaz. Mas a partir do filme Drunken Angel em diante, eu usei música leve para algumas cenas tristes, e minha maneira de usar a música diferiu da norma; eu não a ponho da maneira que a maioria das pessoas fazem. Trabalhando com Hayasaka, comecei a pensar em termos de o contraponto de som e imagem, em oposição à união de som e imagem”.
Infelizmente sua amizade com Kurosawa não foi mais duradoura devido a sua morte prematura em 1955, aos 41 anos, vitimado pela tuberculose. Sua morte afetou profundamente o diretor, lançando-o em um dos seus períodos de depressão, que mais tarde o levariam a tentativas de suicídio. Ainda Kurosawa: “Ele era um bom homem. Nós trabalhamos tão bem juntos porque a nossa própria fraqueza era a força do outro. Era como se ele, com seus óculos, fosse cego; e como se eu fosse surdo. Nós estivemos juntos dez anos e depois ele morreu. Não foi só a minha perda. Foi uma perda da música também. Você não encontra uma pessoa como essa duas vezes em sua vida.”
A qualidade sonora poderá desagradar a muitos, talvez a própria trilha também, por diversas razões. Talvez algumas trilhas que nos agradam estejam indissociavelmente ligadas ao nosso afeto pelos filmes e não sobreviveriam ao nosso gosto se deles estivessem dissociadas. Particularmente falando gosto muito de toda a trilha, especialmente da primeira faixa, de abertura do filme. Uma rústica peça para percussões tradicionais japonesas. Impressionante e ao meu ver – e ouvir – perfeita para o espetáculo que irá se desenrolar. Outra faixa genial é a 27 (Tryst). Um minuto e três segundos de pura beleza, uma peça para Koto e flauta que sem dúvida deixaria Debussy encantado. Gostaria de dedicar esta postagem à Sra. Taeko Kawamura, amante da música e amiga de facebook que há meses se ausentou de nossas páginas sem quaisquer notícias.
Fumio Hayasaka (1918-1955): The Seven Samurai Original Film Soundtrack
Problemas alheios a minha vontade, ligados a questão de saúde, me tem deixado afastado do blog, e infelizmente assim será por um tempo.
Para cobrir estas minhas ausências, na medida do possível, tenho procurado agendar postagens, como vai ser o caso desta sequência de CDs de Wladimir Horowitz, para o desespero do colega PQPBach, e alegria de nosso querido e sumido Vassily Genrikhovich.
Estes três primeiros CDs então são exclusivamente dedicados a Chopin.
Como se trata de uma retrospectiva da carreira de Horowitz, algumas destas gravações são ainda da década de 50 e até mesmo de 40. Espero que apreciem.
CD 1
01. Chopin – Polonaise-Fantaisie in A-flat, Op. 61
02. Chopin – Ballade No. 1 in G minor, Op. 23 (Recorded May 22, 1982)
03. Chopin – Barcarolle, Op. 60
04. Chopin – Etude in C-sharp minor, Op. 25, No. 7
05. Chopin – Etude in G-flat, Op. 10, No. 5 (Black Keys) (recorded 1979-80, in concert)
06. Chopin – Ballade No. 4 in F minor, Op. 52
07. Chopin – Waltz in A-flat, Op.69, No. 1 (recorded Nov 1, 1981, in concert at the Metrop
08. Chopin – Andante spianato in E-flat, Op.22
09. Chopin – Grande Polonaise in E-flat, Op. 22 (recorded Oct 6, 1945, in NYC)
Vou trazer hoje mais alguns concertos de Mozart com uma de suas principais intérpretes, a austríaca Ingrid Haebler. Em minha modesta opinião, poucos pianistas conseguiram capturar a essência mozartiana como Haebler. Ela tem aquele algo a mais que a diferencia dos outros. Ouçam com calma e tranquilidade. Sentem em suas melhores poltronas, abram uma boa garrafa de vinho e apreciem. Volto a repetir, é Mozart em sua essência.
01. Piano Concerto No. 22 in E flat major, KV 482 – I. Allegro
02. Piano Concerto No. 22 in E flat major, KV 482 – II. Andante
03. Piano Concerto No. 22 in E flat major, KV 482 – III. Allegro
London Symphony Orchestra
Witold Rowicki – Conductor
04. Piano Concerto No. 23 in A major, KV 488 – I. Allegro
05. Piano Concerto No. 23 in A major, KV 488 – II. Adagio
06. Piano Concerto No. 23 in A major, KV 488 – III. Allegro assai
London Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor
07. Concerto Rondo for Piano and Orchestra in A major, KV 386
Ingrid Haebler
London Symphony Orchestra
Alceo Galliera – Conductor
Este Trio Nº 1, Op. 8, é uma comprovação de que Brahms nasceu pronto. É obra de um jovem compositor maduro. É um repertório incontornável do período romântico. Você tem que conhecer. Simples assim.
Como se não bastasse o trocadilho infame que o nome Brahms sugere a nós, brasileiros, ele era filho de um contrabaixista de Hamburgo que tocava em cervejarias… E, a partir dos dez anos de idade, o pequeno Johannes passou a trabalhar como pianista com seu pai, nas tabernas. Não sabemos se estas atividades foram nocivas à saúde do menino, sabemos apenas que ele, mais tarde, fez bom uso de seu conhecimento sobre o repertório popular alemão. Brahms teve apenas dois professores, ambos durante a infância e adolescência. Ainda muito jovem, ficou pronto para compor após estudar Bach, Mozart e Beethoven.
Começou a compor cedo e, antes de completar 20 anos, seu Scherzo opus 4 já tinha entusiasmado e revelado afinidades com Schumann, a quem Brahms ainda desconhecia. Foi visitar Schumann e então os fatos são mais conhecidos: primeiro, Schumann escreve em seu diário “Visita de Brahms, um gênio!”, depois publica artigo altamente elogioso ao compositor, fazendo com que o jovem Brahms tivesse a melhor publicidade que um artista pudesse desejar. Schumann o considerava um filho espiritual e a esposa de Schumann, Clara, chamava-o de seu “deus loiro”. Muitas hipóteses são possíveis sobre a relação entre Clara e Brahms, mas só uma coisa é certa: eles destruíram a maior parte das cartas que dizia respeito a ela. Porém, a versão de que houve um forte componente amoroso na relação entre os dois dá margem a muitas conjeturas e ficções.
A música de câmara de Brahms é um verdadeiro tratado sobre a humanidade. Foi um compositor originalíssimo. Suas obras representam uma tentativa única de fusão entre a expressividade romântica e as preocupações formais clássicas. O resultado é uma música de grande densidade e intensidade. Foi, em sua época, adotado pelos conservadores. Ele colaborou bastante com esta adoção ao assinar um manifesto contra a chamada escola neo-alemã de Liszt e Wagner. Porém… teve tal imerecido estigma quebrado pelo famoso ensaio de Schoenberg: “Brahms, o Progressista”.
Johannes Brahms (1833-1897): Piano Trios 1 & 3
Piano Trio No.1 in B major, Op.8
01. I. Allegro
02. II. Scherzo- Allegro molto
03. III. Adagio
04. IV. Allegro
Piano Trio No.3 in C minor, Op.101
05. I. Allegro energico
06. II. Presto non assai
07. III. Andante grazioso
08. IV. Allegro molto
Gutman Trio
Sviatoslav Moroz, violino
Natalia Gutman, cello
Dmitri Vinnik, piano
O compositor romeno George Enescu não é tão conhecido em nosso país. Não é fácil encontrar material sobre este grande compositor do leste europeu. Lembro-me que os primeiros contatos que tive com o compositor se deu há alguns anos atrás num programa de rádio que é transmitido aqui em Brasília e se chama Clássicos de Todos os Tempos. É um extraordinário programa diário. Duas horas de música erudita – das 20 horas às 22 horas. Neste programa entrei em contato com as rapsódias romenas, que são majestosas. É música folclórica. Enescu nasceu em 1881 e morreu em 1955. Aos quatro anos já tocava violino. Com 12 anos era uma sensação nas salas de concerto da Europa. Estreou como compositor ao 17 anos (Poema Romeno, Op. 1). As suas famosas rapsódias romenas foram escritas em 1901-02. Com a extensão do seu trabalho, Enescu chegou a se tornar o diretor de orquestras americanas – Nova York e Filadélfia. No que tange às composições deste CD que ora posto, já tive oportunidade de ouvir por várias vezes durante a semana. O Poema Romeno para orquestra e coro, Op. 1 é maravilhoso e demonstra toda a precocidade de um gênio. Há a participação de um coro. Já a Rapsódia Romena no. 1 é a mais conhecida e de melodia doce e agradável. E aparece ainda a Rapsódia Romena no. 2 de fulgurante leveza orquestral. É de uma beleza silenciosa. Faz lembrar Sibelius. Acredito que este CD impressione. É uma oportunidade positiva para se conhecer George Enescu que há muito deveria ter aparecido aqui no PQP Bach. Boa apreciação!
George Enescu (1881-1955) – Poema Romeno, Op. 1 e Rapsódias Romenas nos. 1 e 2, op. 11 no. 1 e 2
01 – Romanian Poem Op.1 – Moderato – Adagio – Allegro vivo – Adagio – Moderato – Presto [30:06]
02 – Romanian Rhapsody No.1 in A major Op.11 No.1 [12:22]
03 – Romanian Rhapsody No.2 in D major Op.11 No.2 [11:48]
Coro e Orquestra da Rádio e Televisão Romena
Iosif Conta, regente
Tive a rara oportunidade de apreciar o talento de Ingrid Haebler ao vivo, no Teatro Municipal de São Paulo, no inicio dos anos 90. E fiquei encantado, como não poderia deixar de ser. A pianista austríaca interpretou creio que o Concerto de nº 18, acompanhada pela Orquestra do Teatro Municipal, e foi longamente ovacionada. Já a conhecia por causa de alguns LPs em que interpretava estes mesmos concertos. E foi a primeira vez que tive a oportunidade de ouvir Mozart interpretado por uma austríaca da gema, e na época ainda considerada uma das principais intérpretes do gênio de Salzburgo.
Vou postar alguns dos meus concertos favoritos, e começo pelo magnífico Concerto de nº 17, seguidos pelos de nº 18, 19 e 20 e 21. Sei que os senhores irão apreciar.
P.S. Peço ajuda a quem já possua essas gravações para identificar as orquestras, principalmente no Concerto de nº 17.
01. Piano Concerto No. 17 in G major, KV 453 – I. Allegro
02. Piano Concerto No. 17 in G major, KV 453 – II. Andante
03. Piano Concerto No. 17 in G major, KV 453 – III. Allegretto
04. Piano Concerto No. 18 in B flat major, KV 456 – I. Allegro vivace
05. Piano Concerto No. 18 in B flat major, KV 456 – II. Andante un poco sostenuto
06. Piano Concerto No. 18 in B flat major, KV 456 – III. Allegro vivace
07. Piano Concerto No. 19 in F major, KV 459 – I. Allegro vivace
01. Piano Concerto No. 19 in F major, KV 459 – II. Allegretto
02. Piano Concerto No. 19 in F major, KV 459 – III. Allegro assai
03. Piano Concerto No. 20 in D minor, KV 466 – I. Allegro
04. Piano Concerto No. 20 in D minor, KV 466 – II. Romance
05. Piano Concerto No. 20 in D minor, KV 466 – III. Rondo
06. Piano Concerto No. 21 in C major, KV 467 – I. Allegro
07. Piano Concerto No. 21 in C major, KV 467 – II. Andante
08. Piano Concerto No. 21 in C major, KV 467 – III. Allegro vivace assai
Ingrid Haebler – Piano
London Symphony Orchestra (21)
Vienna Symphony Orchestra (19,20)
Witold Rowicki – Conductor (21)
Karl Melles – Conductor (18,19,20)
Sim, a versão apresentada neste disco para o adágio da 10ª Sinfonia — Mahler completou apenas este movimento da 10ª que permaneceu incompleta, apesar das atuais “reconstruções” — é uma redução para cordas escrita por Hans Stadlmair. É inferior ao original mahleriano, mas é muito bonita. Porém, a Sinfonia Nº 14 de Shostakovich está com sua instrumentação completa. Não têm razão os críticos que atacam Kremer por ele ter gravado duas reduções. Fico pasmo com isso: pessoas que se apresentam como críticos de música ignoram que a Sinfonia Nº 14 SEJA uma sinfonia de câmara.
Este CD é uma iguaria. A redução do tristíssimo Adágio de Mahler combinou perfeitamente com a 14ª de Shosta. A KREMERara Baltica (fundada em 1997) comemorou seu décimo aniversário lançando este CD onde interpreta o adágio da inacabada décima de Mahler com grande sensibilidade, assim como 14ª Sinfonia de Shostakovich – ambos são trabalhos escritos tendo por horizonte a proximidade da morte. Shosta, aliás, fez sua sinfonia sobre poemas a respeito da morte. Estão presentes, por exemplo, García Lorca, Apollinaire e Rilke. Ambas são composições plenas de dor e desespero.
Sobre a 14ª de Shostakovich, eu já tinha escrito neste blog:
Sinfonia Nº 14, Op. 135 (1969)
A Sinfonia Nº 14 – espécie de ciclo de canções – foi dedicada a Britten, que a estreou em 1970 na Inglaterra. É a menos casual das dedicatórias. Seu formato e sonoridade é semelhante à Serenata para Tenor, Trompa e Cordas, Op. 31, e à Les Illuminations para tenor e orquestra de cordas, Op. 18, ambas do compositor inglês. Os dois eram amigos pessoais; conheceram-se em Londres em 1960, e Britten, depois disto, fez várias visitas à URSS. Se o formato musical vem de Britten, o espírito da música é inteiramente de Shostakovich, que se utiliza de poemas de Lorca, Brentano, Apollinaire, Küchelbecker e Rilke, sempre sobre o mesmo assunto: a morte.
O ciclo, escrito para soprano, baixo, percussão e cordas, não deixa a margem à consolação, é música de tristeza sem esperança. Cada canção tem personalidade própria, indo do sombrio e elegíaco em A la Santé, An Delvig e A Morte do Poeta, ao macabro na sensacional Malagueña, ao amargo em Les Attentives, ao grotesco em Réponse des Cosaques Zaporogues e à evocação dramática de Loreley. Não há música mais direta e que trabalhe tanto para a poesia, chegando, por vezes, a casar-se com ela sílaba por sílaba para tornar-se mais expressiva. Há uma versão da sinfonia no idioma original de cada poema, mas sempre a ouvi em russo. Então, já que não entendo esta língua, tenho que ouvi-la ao mesmo tempo em que leio uma tradução dos poemas. Posso dizer que a sinfonia torna-se apenas triste se estiver desacompanhada da compreensão dos poemas – pecado que cometi por anos! Ela perde sentido se não temos consciência de seu conteúdo autenticamente fúnebre. Além do mais, os poemas são notáveis.
Possui indiscutíveis seus méritos musicais mas o que importa é sua extrema sinceridade. Me entusiasmam especialmente a Malagueña, feita sobre poema de Lorca e a estranha Conclusão (Schluss-Stück) de Rilke, que é brevíssima, sardônica e — puxa vida — muito, mas muito final.
Gustav Mahler (1860-1911)
1 Symphony No. 10 – Adagio (1910) adapted for strings by Hans Stadlmair and Kremerata Baltica
Dmitri Shostakovich (1906-1975)
Symphony No. 14 op. 135 (1969) for soprano, bass and chamber orchestra Dedicated to Benjamin Britten
2 De profundis
3 Malagueña
4 Loreley
5 The Suicide
6 On the Alert
7 Look, Madame
8 At the Santé Jail
9 The Zaporozhian Cossacks’ Reply to the Sultan of Constantinople
10 O Delvig, Delvig!
11 The Death of the Poet
12 Conclusion