A glória do Barroco Francês Corte de Luis XIV, o Rei Sol Grandes mestres Grandes intérpretes Registros históricos
REPOSTAGEM
As características essenciais do estilo francês eram: a forma clara e concisa, peças instrumentais de expressão condensada, movimentos curtos e muito simples. A ópera, de um gênero totalmente diverso da italiana, era voltada, sobretudo, para a dança. Era como se a forma clara e rígida das danças tivesse sido criada especialmente para que se pusesse, em música, o estilo desta nação. (http://ciaesons.blogspot.com.br/2010/06/musica-barroca-os-estilos-italiano-e.html)
CD 01/10
Marc-Antoine CHARPENTIER (1643-1704)
Te Deum, H146 Chorale des Jeunesses Musicales de France Orchestre de Chambre Jean-François Paillard 1953
Jean-Baptiste LULLY (1632-1687)
Te Deum Ensemble Vocal “À Coeur Joie” de Valence Orchestre de Chambre Jean-François Paillard 1975
CD 03/10
Nicolas BERNIER (1665-1734)
Motet du Saint-Esprit Jocelyne Chamonin (soprano) Bernard Fonteny (cello) Marie-Claire Alain (orgue) 1966
Louis MARCHAND (1669-1732)
Livre d’orgue, Livre I, Ier ton Jocelyne Chamonin (soprano) Bernard Fonteny (cello) Marie-Claire Alain (orgue) 1966
Marc-Antoine CHARPENTIER (1643-1704)
Messe pour les trépassés, H2 (beginning)
Dies Irae, H12
Motet pour les trépassés “Miseremini mei”, H311
Messe pour les trépassés, H2 (conclusion) Gulbenkian Choir and Orchestra, Lisbon 1974
CD 05/10
Jean GILLES (1668-1705)
Requiem Chorale Phillipe Caillard Orchestre de Chambre Jean-François Paillard 1976
Michel-Richard DELALANDE (1637-1726)
Trois leçons de ténèbres – 3e Leçon de Jeudy Saint Micaëla Etcheverry (mezzo-soprano) Jean-Louis Charbonnier (viola de gamba) Laurence Boulay (harpsichord & organ) 1978
CD 06/10
Guillaume Gabriel NIVERS (c.1632-1714)
Livre contenant cent Pièces de tous les tons d’Eglise – Suite de 2e ton Orchestre de Chambre Jean-François Paillard 1966
Nicolas de GRIGNY (1672-1703)
Messe “Conctipotens genitor Deus” – Il Gloria Les Chantres de la Chapelle Marie-Claire Alain (orgue) 1997
Francois COUPERIN (1668-1733)
Messe à l’usage ordinaire des Paroisses
Messe pour les Couvents de religieux et religieuses Compagnie Musicale Catalane Marie-Claire Alain (orgue) 1990
CD 09/10
Jean-Philippe RAMEAU (1683-1764)
Premier Livre de Pièces de clavecin
Cinq Pièces pour clavecin seul Laurence Boulay, harpsichord 1980
Francois COUPERIN (1668-1733)
L’Art de toucher le clavecin
Deuxième Livres de Pièces de clavecin, 6e Ordre Laurence Boulay, harpsichord 1980
Jacques Champion DE CHAMBONNIÈRES (1601/2-1672)
Pavane
La Volte Laurence Boulay, harpsichord 1980
Michel CORRETTE (1707-1795)
Prélude
La Fürstenberg Laurence Boulay, harpsichord 1980
Joseph-Nicolas-Pancrace ROYER (c.1705-1755)
Pièces de clavecin Laurence Boulay, harpsichord 1980
Jean-Henry D’ANGLEBERT (1629-1691)
Pièces de clavecin Laurence Boulay, harpsichord 1980
Joseph Bodin DE BOISMORTIER (1689-1755)
Première Suite de pièces de clavecin, op.59 Laurence Boulay, harpsichord 1980
Louis COUPERIN (c.1626-1661)
Prélude in A minor
Branle de Basque
Gigue in C minor
Gaillarde
Sarabande et canaries Laurence Boulay, harpsichord 1980
Francois COUPERIN (1668-1733)
Concert royal no.4
Deuxième Livre de pièces de clavecin, 9e Ordre
Troisième Livre de pièces de clavecin, 15e Ordre Françoise Lengellé, harpsichord 1976
Lisboa abrigava no século 17 uma cultura musical exuberante e um grande número de igrejas, conventos e mosteiros que mantinham uma refinada tradição de música polifônica.
Entre os mais proeminentes compositores atuantes em Lisboa nos anos iniciais do século 17, cuja música só recentemente começou a receber o reconhecimento que merece, estão Manuel Cardoso, Duarte Lobo, Filipe de Magalhães e Manuel Rodrigues Coelho, que tiveram todos boa parte de suas músicas impressas por editoras de Lisboa e de Antuérpia (hoje na Bélgica).
Esses músicos tiveram diferentes posições de proeminência nas seguintes instituições: Catedral, Igreja da Casa de Misericórdia, Hospital del Rey, Convento do Carmo e Capela Real.
A capela e palácio reais – o Paço da Ribeira, construído por Dom Manuel por volta de 1500 – ficavam à beira-rio. Exceto por algumas alterações significativas feitas em torno de 1610 como parte dos preparos para uma visita de Felipe III da Espanha (a qual na verdade só aconteceu em 1619) a capela permaneceu intacta até o terremoto de 1755, que destruiu grande parte da região central de Lisboa. Registros pictóricos do palácio real no século 17 mostram o edifício completo, com suas alas de estilo clássico acrescentadas por volta de 1586.
De 1580 e 1640 Portugal esteve anexada à Espanha sob os reis Felipe II, III e IV, da Casa de Habsburgo. Durante esse período houve constante trânsito de músicos e de repertórios musicais entre os dois países, especialmente entre Lisboa e Madri. Tanto o português quanto o castelhano eram falados – e cantados – na corte de Lisboa.
Os monarcas espanhóis eram todos amantes e conhecedores de música – e até mesmo compositores -, permanentemente interessados no cultivo da música nas suas cortes e capelas. Quando Felipe II visitou Lisboa pela primeira vez, em 1581-82, mostrou-se claramente desapontado com o padrão musical encontrado ali, queixando-se não apenas de que o coro da capela era fraco, mas também de que não havia organistas competentes, e mandou imediatamente buscar seu organista em Madri, Hernando de Cabezón, filho do grande Antonio de Cabezón.
Esta situação insatisfatória levou o rei a solicitar em 1592 do capelão-mor, o Bispo Jorge de Atayde, que redigisse um estatuto regulando a organização da Capela Real – um documento que fornece importantes informações sobre o tipo e quantidade de músicos e clérigos a serem empregados ali no final do século 16 e seus respectivos salários.
Os músicos incluíam um mestre de capela (diretor do coro polifônico), 24 cantores (o que permitia 6 por voz na música a quatro vozes), dois organistas, dois baixões (fagotes ou outros instrumentos baixos) e um cornetista [tocador de corneto, instrumento de bocal em madeira, diferente de corneta].
A capela era frequentada também por 22 meninos “de boa criação”, quatro dos quais, os “moços de estante”, em treinamento contínuo para sua futura contratação como cantores. A essa lista podem se acrescentar os 30 capelães, procedentes de um número de diferentes ordens religiosas, 26 dos quais eram responsáveis por cantar o cantochão durante os serviços litúrgicos e dos quais se requisitava, portanto, que tivessem boa voz e bom domínio do latim.
Em 1608, seguindo a solicitação de Atayde por reformas, o rei (Felipe III da Espanha) reduziu o número de músicos da capela a 17 cantores (quatro tiples [sopranos], cinco contraltos, cinco tenores e três “contrabaixos”) e a 24 capelães.
No final do século 16 diversos espanhóis haviam ocupado posições importantes na Capela Real portuguesa. Esses incluem Francisco Garro (~1556-1623), que veio em 1524 da cidade de Sigüenza para suceder Antonio Carreña (~1525-~1590) como mestre de capela, e os organistas Juan de Lucerna e Sebastián Martínez Verdugo. Esses dois seriam sucedidos em 1602 por Diego de Alvarado (~1643) – um basco que já havia estado a serviço da coroa espanhola – e em 1604 pelo organista português Manuel Rodrigues Coelho (~1555-1635).
Coelho havia estudado em Elvas (Portugal) e passado algum tempo como organista tanto em Badajoz (Espanha) quanto em Elvas antes de vir para Lisboa em 1602 para assumir um cargo similar. Tanto Alvarado quanto Coelho ainda trabalhavam na Capela Real quando em 1623 Filipe de Magalhães (~1571-1652), que havia ingressado na Capela Real como capelão em torno de 1596, sucedeu a Francisco Garro como mestre de capela – posto em que permaneceu até sua aposentadoria em março de 1641, tendo publicado dois volumes de polifonia vocal em 1636: um livro de versões do Magnificat e outro de Missas.
Como Cardoso e Lobo, Magalhães havia estudado na Catedral de Évora com Manuel Mendes. Enquanto capelão da Capela Real, ensinava cantochão e polifonia aos cantores e dirigia o coro na ausência do mestre de capela Francisco Garro, desempenhando ainda as funções de mestre de capela na Igreja da Casa de Misericórdia. Em 1623, quando finalmente sucedeu a Garro, Magalhães já era um homem maduro, na casa dos cinquenta, e respeitado pelos seus colegas músicos.
Em 1639 a corte real em Lisboa havia se tornado uma instituição exuberante no aspecto musical que, paralelamente aos músicos da capela, tinha um grande conjunto de instrumentistas à disposição. Quando em 1640 Dom João IV ascendeu ao recém-restaurado trono português, essa vida musical se beneficiou das tradições musicais e litúrgicas de que os Duques de Bragança desfrutavam em seu palácio e capela em Vila Viçosa. Lamentavelmente, a famosa biblioteca musical de Dom João IV – que também havia sido transferida de Vila Viçosa para o palácio em Lisboa – foi destruída no terremoto de 1755, porém sobrevive seu índice parcial, impresso em 1649, como um excitante registro da música que era apreciada e provavelmente executada nos círculos reais.
Missa para a Festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria na Capela Real, ~1635
Na Capela Real, os ofícios litúrgicos eram rezados ou cantados diariamente de acordo com o uso romano, e nos dias festivos mais importantes do calendário litúrgico a missa era celebrada com muita pompa e cerimônia, e grande elaboração musical. Nas festas maiores como a Páscoa e Corpus Christi, e nas principais festas marianas, a cidade inteira vibrava com música e dança e procissões coloridas pelas ruas. Uma dessas festas era a da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria em 8 de setembro, dia no qual se celebrava também uma das festas marianas mais populares em Portugal, a de Nossa Senhora da Luz. Havia diversas igrejas dedicadas a ela país afora, incluindo uma em Lisboa que, a partir do relato da presença de Felipe III sua missa do domingo 8 de setembro de 1619, tornou-se um dos mais populares centros de romarias do século 17.
Há uma vívida descrição contemporânea do estilo da celebração dessa festa em Pedrógão Grande (uma pequena cidade na região de Portugal), a qual retrata um animado festival que incluía procissão bem como dança e música de caráter popular tocada em instrumentos como harpa, rabequinhas, charamelas e trompetes, touradas, entretenimentos teatrais e jejum.
Esta gravação apresenta uma reconstrução parcial da Missa Alta como poderia ter sido celebrada nesse dia de festa na Capela Real, conjugando música vocal e para órgão de compositores dessa capela, tendo como núcleo a Missa Ó Soberana Luz, de FILIPE DE MAGALHÃES, com apoio de outras peças apropriadas a esse tema mariano. O título da missa de Magalhães sugere uma associação com Nossa Senhora da Luz, e a missa pode ter sido baseada num vilancico [ou vilancete, canção popular de tema religioso, em espanhol villancico], talvez de autoria do próprio Magalhães. (Em muitos vilancicos da época, compostos para festas marianas, Maria era designada como rainha – Soberana Reyna ou La Niña Soberana – e se fazia referência a sua luz radiante.
Infelizmente não sobrevive nenhum vilancico desses com origem em Portugal, mas a madrigalística villanesca [um gênero aparentado] La luz de vuestros ojos [faixa 22], de Francisco Guerrero, na qual Maria é tratada inequivocamente como Soberana Maria, fornece uma contraparte em estilo mais popular à missa de Magalhães – levando em conta que a biblioteca de Dom João IV continha uma cópia das Canciones y villanescas espirituales de Guerrero (1589).
Quer baseada no canto gregoriano – como a versão a quatro vozes da antífona Asperges me [faixa 2]-, quer num modelo polifônico, quer composta livremente, a música vocal de Magalhães é em grande medida caracterizada por um stile antico livremente adaptado, abarcando momentos de extrema pungência e de lirismo. Em seu único moteto que sobreviveu, o Comissa mea pavesco [faixa 20], a seis vozes, Magalhães surge como um mestre da expressividade, com o pathos do texto penitencial – muito particularmente nas palavras noli me condemnare [‘não queiras me condenar’] – expresso por dissonâncias intensas.
Das oito versões de Magalhães para a Missa Ordinária publicadas em seu Missarum Liber, a Missa a cinco vozes Ó Soberana Luz se destaca como a de estilo mais incomum. Ela é notável por suas fortes justaposições de passagens em um contraponto impassível com outras escritas com uma veia mais declamatória e ritmicamente animada, com mudanças súbitas de ritmo, caráter e distribuição de vozes – especialmente no Credo e nas palavras Dominus Deus Sabaoth do Sanctus – evocando o estilo de escrita antifonal do período.
Cada uma das seções principais se abre com um motivo capitular proeminente (mesmo se ás vezes sutilmente variado) que consiste de um tema ascendente em uma voz baixa em movimento contrário às duas vozes superiores que se movem em terças. Esses temas, juntamente com aqueles apresentados na primeira seção “Christe”, são entretecidos na textura da missa inteira (por vezes com o tema ascendente usado em imitação entre as vozes), resultando em uma estrutura unificada de artesania extremamente hábil. (Nesta gravação, os Kyries são cantados alternadamente com Kyries em canotchão tradicionalmente cantados nas festas marianas).
O moteto Ave Virgo Sanctissima para cinco vozes [faixa 11], de FRANCISCO GUERRERO (1528-1599) foi uma das peças da polifonia ibérica mais amplamente difundidos na Renascença. Foi publicado pela primeira vez em Paris em 1566 em um volume de missas dedicado a Dom Sebastião de Portugal. Nesse ano Guerrero viajou de Sevilha a Portugal para ofertar pessoalmente o volume ao jovem rei, ocasião em que teria encontrado Antonio Carreira, bem como outros músicos a serviço do rei.
Neste moteto as duas vozes de soprano são combinadas engenhosamente em cânon do começo ao fim, emprestando à peça uma expansividade suave típica de seus motetos escritos em mais de quatro vozes. Um clímax é atingido no meio do caminho na palavra “salve”, como a repetição cromática insistente do início do canto Salve Regina, produzindo uma passagem de extraordinária intensidade.
ESTÊVÃO DE BRITO (~1575-1641), um músico português que passou a maior parte de sua carreira na Espanha (em Badajoz e a partir de 1613 em Málaga, onde foi maestro de capilla na catedral) teria estudado com Magalhães. Seu Salve Regina [faixa 23] a quatro vozes parafraseia e usa imitativamente os contornos melódicos familiares dessa antífona mariana em cada um dos versos polifônicos, atingindo um clímax na súplica final ‘O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria’, onde o canto é ouvido em registro agudo na linha do soprano.
A música para órgão desempenhava muitas funções dentro do desenrolar da liturgia. Podia ser usada para marcar momentos de importância central na missa (como a Elevação), no acompanhamento de outros rituais litúrgicos substituindo itens de cantochão (como o Gradual e o Ofertório, ou versos e respostas executados de modo alternado), ou ainda como música processional.
Toda a música para órgão ouvida neste disco é de compositores que trabalharam da Capela Real de Lisboa durante os séculos 16 e 17, com exceção da peça anônima para a Elevação Obra de sexto tom para o Levantar o Deus [faixa 15] (adaptada de uma peça muito mais longa encontrada em um manuscrito em Braga). Esta obra é singular por ser a única em fontes organísticas portuguesas destinada especificamente à Elevação. É característico do estilo de música a ser tocada nesse ponto da missa que seja ‘grave, devoto e suave’.
Considerando a sólida reputação de ANTONIO CARREIRA entre os teóricos seus contemporâneos, é algo surpreendente que nada de sua música tenha sido publicada durante sua vida, e que as peças preservadas em manuscrito sejam tão pequenas. O Tento executado aqui [faixa 1] é típico da música organística ibérica de meados do século 16, sendo construído tanto com temas como se de motetos tratados imitativamente quanto com texturas animadas que empregam figuras sincopadas.
De DIEGO DE ALVARADO restaram somente duas peças para órgão. Sua um tanto cromática e modalmente aventurosa Obra sobre el Pange lingua [faixa 12] se baseia na frase inicial da versão tradicional desse hino tão popular na Península Ibérica na época (sobretudo na face hispânica).
A música de MANUEL RODRIGUES COELHO foi publicada em Lisboa em 1620 em uma coleção intitulada “Flores de Música” que foi dedicada a Felipe III da Espanha. Na tradição das “Obras de Música” de Antonio de Cabezón (1578), esta compilação é destinada tanto a harpistas quanto a tecladistas. Contém tentos longos, arranjos de hinos, versículos alternatim para o Kyrie, salmos e cânticos, e versos selecionados dos cânticos para voz solo com acompanhamento instrumental.
Como demonstrado pelas três peças incluídas neste disco, Coelho foi um mestre da técnica da fuga e do cantus firmus em pequena escala. O Verso sobre Ave Maris Stella [faixa 7], baseado no início desse hino mariano, é uma síntese bem-sucedida de contraponto fugal com figuração convencional para teclado, enquanto o versículo Ave Maris Stella [faixa 17], que aparece com texto na fonte, é um arranjo vívido e imaginativamente concebido da melodia completa do hino em cantus firmus. Já o versículo curto usado como resposta ao Ite missa est, que é cantado com a mesma melodia dos Kyries gregorianos, procede de um conjunto de versetos de Kyrie no primeiro tom [faixa 21]. (Bernadette Nelson, 1994 – extraído do encarte. Traduzido do inglês e do alemão pelo Prof. Ralf Rickli <[email protected]> especialmente para esta postagem. Não tem preço!)
Palhinha: ouça 20. Communion motet: Commissa mea pavesco com o Ars Nova Vocal Ensemble.
Masters of The Royal Chapel, Lisbon: A Capella Portugvesa
António Carreira (Lisbon, c1515-c1590) 01. Tento (Stephen Farr, organ)
Filipe de Magalhães (Portugal, c1571-1652) 02. Asperges me
Anonymous 03. (Chant) Introit: Salve sancta parens
Filipe de Magalhães (Portugal, c1571-1652) 04. Missa O soberana luz – Movement 1: Kyrie
05. Missa O soberana luz – Movement 2: Gloria
Anonymous 06. (Chant): Collect: Famulis tuis (soloist: Philip Cave)
Padre Manuel Rodrigues Coelho (1555 – 1635) 07. Gradual substitute: Verso sobre Ave maris stella
Anonymous 08. (Chant): Alleluia: Felix es
Filipe de Magalhães (Portugal, c1571-1652) 09. Missa O soberana luz – Movement 3: Credo
Anonymous 10. (Chant): Offertory: Beata es, Virgo Maria
Francisco Guerrero (Seville, 1528-1599) 11. Offertory motet: Ave virgo sanctissima
Diego de Alvarado (1570-1643) 12. Obra sobre el Pange lingua (Stephen Farr, organ)
Anonymous 13. (Chant): Preface: Per omnia saecula – Dominus vobiscum – Vere dignum et iustum est (soloist: Philip Cave)
Filipe de Magalhães (Portugal, c1571-1652) 14. Missa O soberana luz – Movement 4: Sanctus
Anonymous 15. At the elevation: Obra de sexto tom para o Levantar o Deus (Stephen Farr, organ)
Filipe de Magalhães (Portugal, c1571-1652) 16. Missa O soberana luz – Movement 5: Benedictus
Padre Manuel Rodrigues Coelho (1555 – 1635) 17. Ave maris stella (Stephen Farr, organ verset)
Filipe de Magalhães (Portugal, c1571-1652) 18. Missa O soberana luz – Movement 6: Agnus Dei
Anonymous 19. (Chant): Communion: Beata viscera
Filipe de Magalhães (Portugal, c1571-1652) 20. Communion motet: Commissa mea pavesco
Anonymous 21. (Chant) Dismissall: Ite missa est (soloist Robert MacDonald) – Deo gratias (Stephen Farr, organ)
Francisco Guerrero (Seville, 1528-1599) 22. La luz de vuestros ojos
Estêvão de Brito (Portugal, c1575-Spain, 1641) 23. Salve regina
Masters of The Royal Chapel, Lisbon – 1994
A Capella Portugvesa
Director: Owen Rees
Recorded in the Chapel of All Souls College, Oxford, and on the organ of The Queen’s College, Oxford, on 7, 8 and 9 January 1994.
Depois de uma temporada em que acontecimentos vários me levaram a postar quase exclusivamente música brasileira do século 20, volto a um resgate mais variado daqueles vinis mais queridos dos anos 70, dos quais posso dizer, sem muito exagero, que ‘fizeram de mim quem eu sou hoje’.
Um deles é este, apesar de que nas primeiras audições nem tenha me agradado tanto: achei um pouco afobado e sem profundidade. Pouco tempo depois, no entanto, já havia se juntado àqueles a que eu recorria quanto sentia muita, mas muita vontade mesmo de “voltar pra casa”: por alguma razão sempre foi no renascimento e barroco inicial que me senti em casa – e ainda mais quando é um puro som de cordas dedilhadas, como o deste disco, tocado inteiro em duo.
Mas o maior presente que este disco de 1974 me deu foi ter me revelado de modo gritante a conexão cultural entre o Mediterrâneo e o Nordeste Brasileiro: eu se fosse vocês não deixava de ouvir com atenção as “três branles de aldeia” (branle ou bransle é uma dança de roda), especialmente a que aparece a 1 min 20 s da faixa!
E pra provocar ainda um pouco mais, na audição de hoje – 35 anos (ai!) depois de comprar o disco – tive a nítida impressão de ouvir prenúncios do som de New Orleans na faixa B10, Les Bouffons. Sinais de demência precoce? Se acharem que sim, por favor me alertem para eu postar todo o resto rápido!…
Música da Renascença para alaúdes, vielas e bandurra
Guy e Elisabeth Robert
Edição original: LP Arion France 1974
Edição brasileira: LP CBS Odissey, 1974
Digitalizado por Ranulfus, ago.2010
ESPANHA
A01 Cinco diferencias sobre Las Vacas (n.n.)
A02 La dama le demanda (Antonio de Cabezón)
A03 Pavana Italiana (Antonio de Cabezón)
A04 Recercada sobre el passamezzo moderno (Diego Ortiz)
A05 Conde Claros (Enrique de Valderrabano)
ITÁLIA
A06 Due Fantasie (Francesco da Milano)
A07 Spagna et Canon (Francesco da Milano)
A08 Contrapuncto (Vicenzo Galilei)
A09 Fantasia (Melchiore de Berberiis)
INGLATERRA
B01 Rogero (John Johnson)
B02 Levecha Pavan and Galliard (John Johnson)
B03 My Lor Chamberlain his Galliard (John Dowland)
B04 La rossignol (n.n.)
B05 Drewies accorders (n.n.)
B06 Fancy (Thomas Robinson)
B07 A toye (Thomas Robinson)
B08 Twenty ways upon The Bells (Thomas Robinson)
B09 Flatt Pavan (John Johnson)
FRANÇA
B10 Les bouffons (n.n.)
B11 Trois bransles de village (Jean-Baptiste Bésard)
B12 Allegez-moy (Pierre Phalèse)
B13 Grace et Vertu (Pierre Phalèse)
Aqui, estamos em terreno de obras-primas. Dois concertos absolutamente selvagens e percussivos, acompanhados de um terceiro muito tranquilo. Não tenho preferência, apesar de minha queda pelo Allegretto do terceiro concerto. São daquelas obras que ouço sob permanente tensão, aguardando o momento seguinte, torcendo para que o pianista use o fraseado que gosto com a agressividade adequada. Ou não. O mesmo vale para a orquestra. Esta gravação não é a campeã, mas, olha, é muito boa! Sim, sou totalmente apaixonado pelos Concertos para Piano de Bartók. E pelos outros também… E pelos 6 quartetos… E a música orquestral… E todo o resto.
Béla Bartók (1881-1945): Os 3 Concertos para Piano
Piano Concerto No. 1, Sz 83
1 Allegro Moderato 9:02
2 Andante 8:21
3 Allegro Molto 7:07
Piano Concerto No. 2, Sz 95
4 Allegro 10:05
5 Adagio – Più Adagio – Presto 12:24
6 Allegro Molto 6:22
Os dois extraordinários concertos para violoncelo de Shostakovich foram compostos praticamente em parceria com Mstislav Rostropovich, de quem o compositor era grande amigo. Shosta escrevia um trecho e chamava Rostrô para dar uma experimentada. Não chega a ser surpresa o fato de Rostropovich ter realizado gravações sensacionais de ambos os concertos sob a regência de Seiji Ozawa. Mas outros violoncelistas também tentam e fazem bonito. Das que conheço, as mais belas tentativas foram as da argentina Sol Gabetta e as duas de Truls Mørk — a primeira gravação de 1996 com Jansons e a segunda agora com Petrenko. O resultado é muito bom. Parece que, desta vez, Mørk captou não apenas a música mas a altíssima potência e ELETRICIDADE de ambos, escritos na época mais difícil da vida do compositor.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Cello Concertos Nos. 1 & 2
Konzert F.Violoncello & Orch.Nr.1 Es-Dur Op.107
1. I. Allegretto
2. II. Moderato
3. III. Cadenza
4. IV. Finale: Allegro Con Moto
Konzert F.Violoncello & Orch.Nr.2 Es-Dur Op.126
5. I. Largo
6. II. Scherzo: Allegretto
7. III. Finale: Allegretto
Truls Mørk
Oslo Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko
Andrew Manze é um violinista barroco, um tremendo violinista barroco, desses que tocam em instrumentos originais. É natural que uma orquestra sinfônica regida por ele tivesse seu principal destaque nas cordas. E, com efeito, a Orquestra Sinfônica de de Helsingborg (Suécia) demonstra aqui que seu forte é a espantosa qualidade de suas cordas. Os andamentos escolhidos por Manze e sua orquestra de instrumentos modernos é quase sempre mais veloz que o habitual e me agradaram muito. É o tipo de gravação que o ouvinte mais tradicional talvez custe a engolir, mas duvido que ele não sinta o frescor que vem das águas da pequena e belíssima cidade portuária de Helsingborg, de menos de 150 mil habitantes e com uma orquestra portentosa como essa.
Johannes Brahms (1833-1897): Integral das Sinfonias / Variações sobre um tema de Haydn / Abertura Trágica / Abertura do Festival Acadêmico
DISCO 01
01. Symphony No.1 in C minor, Op.68 – I. Un poco sostenuto – Allegro – Meno Allegro
02. Symphony No.1 in C minor, Op.68 – II. Andante sostenuto
03. Symphony No.1 in C minor, Op.68 – III. Un poco Allegretto e grazioso
04. Symphony No.1 in C minor, Op.68 – IV. Adagio – Piu andante – Allegro non troppo, ma con brio
05. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Thema. Chorale St. Antoni
06. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 1 Poco piu animato
07. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 2 Piu vivace
08. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 3 Con moto
09. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 4 Andante con moto
10. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 5 Vivace
11. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 6 Vivace
12. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 7 Grazioso
13. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 8 Presto non troppo
14. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Finale Andante
DISCO 02
01. Symphony No.2 in D major, Op.73 – I. Allegro non troppo
02. Symphony No.2 in D major, Op.73 – II. Adagio non troppo
03. Symphony No.2 in D major, Op.73 – III. Allegretto grazioso (Quasi andantino)
04. Symphony No.2 in D major, Op.73 – IV. Allegro con spirito
05. Tragic Overture, Op.81
06. Academic Festival Overture, Op.80
DISCO 03
01. Symphony No.3 in F major, Op.90 – I. Allegro con brio
02. Symphony No.3 in F major, Op.90 – II. Andante
03. Symphony No.3 in F major, Op.90 – III. Poco Allegretto
04. Symphony No.3 in F major, Op.90 – IV. Allegro – Un poco sostenuto
05. Symphony No.4 in E minor, Op.98 – I. Allegro non troppo
06. Symphony No.4 in E minor, Op.98 – II. Andante moderato
07. Symphony No.4 in E minor, Op.98 – III. Allegro giocoso – Poco meno presto
08. Symphony No.4 in E minor, Op.98 – IV. Allegro energico e passionato
Helsingborg Symphony Orchestra
Andrew Manze, regente
Eu não sou tarado por essas sonatas de Beethoven — prefiro as sonatas mais, digamos, novas — , mas a grande estrela da Hyperion Angela Hewitt as toca tão bem que permaneci ouvindo o CD mesmo durante o jogo do Inter no fim-de-semana. Fiquei com o CD Player ligado ouvindo a Hewitt enquanto via o Inter na TV montar sua pilhinha de gols no Grêmio. A A TV sem som, claro, para não ouvir as imbecilidades dos comentaristas. Nos dois casos houve vitória, aqui bem mais fácil do que em campo, pois Angie não foi obrigada — ainda bem — a bater pênaltis.
Mesmo com um olho no jogo, pude notar o senso de estilo de uma pianista tão afeita aos barrocos quanto a Ravel. Sua Patética, olha, saiu boa demais. Ouvi duas vezes as duas primeiras sonatas; na terceira já estava mais preocupado com a partida. Mas confiram porque é biscoito fino!
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano — Op.2 No.3, Op.13 Pathétique, Op.28 Pastoral
1. No.15 in D, Op.28 ‘Pastoral’: I. Allegro
2. No.15 in D, Op.28 ‘Pastoral’: II. Andante
3. No.15 in D, Op.28 ‘Pastoral’: III. Scherzo: Allegro vivace
4. No.15 in D, Op.28 ‘Pastoral’: IV. Rondo: Allegro ma non troppo
5. No.8 in c, Op.13 ‘Pathétique’: I. Grave – Allegro di molto e con brio
6. No.8 in c, Op.13 ‘Pathétique’: II. Adagio cantabile
7. No.8 in c, Op.13 ‘Pathétique’: III. Rondo: Allegro
8. No.3 in C, Op.2/3: I. Allegro con brio
9. No.3 in C, Op.2/3: II. Adagio
10. No.3 in C, Op.2/3: III. Scherzo: Allegro
11. No.3 in C, Op.2/3: IV. Allegro assai
Um bom disco, discreto e delicado, muito especialmente pela presença de Giuseppe Zambon como contratenor. Classificamos o CD como de autoria anônima porque não há certeza de nada. Pode ser de autoria da lista abaixo, pode não ser. Era o Século de Ouro em Veneza. Na época, o alaúde era o parceiro ideal da voz, cumprindo a parte das outras vozes para que um diletante pudesse executar, com o acompanhamento, uma peça polifônica, dando origem a um novo tipo de repertório, para voz solo e alaúde, em que Dowland, na Inglaterra, por exemplo, se torna especialista. Mas tudo começou em Veneza. A parte instrumental passa a ser um personagem musical que concerta com a voz, como fará o piano no lied romântico.
Alaúde e Voz na Veneza do Século XVI
1 –Francesco Spinacino Recercar
2 –Bartolomeo Tromboncino Or Che ´l Ciel E la Terra
3 –Francesco Spinacino Recercar
4 –Vincenzo Capirola Ti(entalora) Baleto Da Balar Bello
5 –Bartolomeo Tromboncino Su,su,leva,alza Le Ciglia
6 –Joan Ambrosia Dalza Tartar de Corde Recercar
7 –Paulo Scotti* O Tempo, O Ciel Volubil
8 –Franciscus Bossinensis Sotto Un Verde Alto Cupresso
9 –Franciscus Bossinensis Io Non Compro Piu Speranza
10 –Peregrinus Cesena Recercar Primo
11 –Peregrinus Cesena Non Posso Abandinarte
12 –Joan Maria Da Crema* Recercar Undecimo
13 –Joan Maria Da Crema* Recercar Tredecimo
14 –P. Verdelot / A. Willaert Madonna Per Voi Ardo
15 –P. Verdelot / A. Willaert Quando Amor I Belli Occhi
16 –Petro Paulo Borrono* Fantasia
17 –Petro Paulo Borrono* Pescatore Che Va Cantando
18 –P. Verdelot / A. Willaert Amor Se D´hor In Hor
19 –P. Verdelot / A. Willaert Quanto Sia Lieto Il Giorna
20 –Francesco Da Milano* Cecercar
21 –Francesco Da Milano* Cecercar
22 –Jacques Arcadelt Il Bianco E Dolce Cigno
23 –Cipriano De Rore Ancor Che Col Partire
Giuseppe Zambon, contra-tenor
Massimo Lonardi, alaúde
Esta caixinha de 5 CDs é uma joia lançada pela Virgin Records em 2002. Comprei-a imediatamente. Aqui, talvez o mais xiíta dos regentes da música com instrumentação original demonstra toda sua austeridade e radicalismo ao enfrentar a Paixão segundo João, que a meu ver não fica nada a dever à Mateus, os oratórios da Páscoa e da Ascensão e, como se não bastasse, a Missa em Si Menor já aqui postada nesta versão.
Mais Bach talvez seja difícil, pois Andrew Parrott realmente tratou de obedecer meu pai. Seus registros são muito emocionantes, prova de que também os xiítas são suscetíveis de nos arrancar lágrimas furtivas. Em minha opinião, Bach aprovaria o uso do menino contralto que ouvimos aqui. Apesar dos instrumentos soarem rarefeitos, o resultado é poderoso. Parrott parece ter encontrado uma fórmula para adequar sua magreza instrumental a tempi sutilmente diferentes dos que ouvimos habitualmente. E arrasa.
J. S. Bach (1685-1750): Paixão segundo João (BWV 245), Oratório da Páscoa (BWV 249), Oratório da Ascensão (BWV 11), Missa em Si Menor (BWV 232) (Andrew Parrott)
John Passion, BWV 245
Part 1. No. 1. Herr, unser Herrscher
Part 1. No. 2a. Jesus ging mit seinen Jüngern
Part 1. No. 3. Choral. O große Lieb
Part 1. No. 4. Auf dass das Wort erfüllet würde
Part 1. No. 5. Choral. Dein Will gescheh, Herr Gott, zugleich
Part 1. No. 6. Die Schar aber und der Oberhauptmann
Part 1. No. 7. Aria. Von den Stricken meiner Sünden
Part 1. No. 8. Simon Petrus aber folgte Jesum nach
Part 1. No. 9. Aria. Ich folge dir gleichfalls
Part 1. No. 10. Derselbige Jünger war dem Hohenpriester bekannt
Part 1. No. 11. Choral. Wer hat dich so geschlagen
Part 1. No. 12a. Und Hannas sandte ihn gebunden
Part 1. No. 13 Aria. Ach, mein Sinn
Part 1. No. 14. Choral. Petrus, der nicht denkt zurück
Part 2. No. 15. Choral. Christus, der uns selig macht
Part 2. No. 16a. Da führeten sie Jesum
Part 2. No. 17. Choral. Ach, großer König
Part 2. No. 18a. Da sprach Pilatus zu ihm
Part 2. No. 19. Arioso. Betrachte, meine Seel
Part 2. No. 20. Aria. Jesu, ach!
Part 2. No. 21a. Und die Kriegsknechte flochten
Part 2. No. 22. Choral. Durch dein Gefängnis, Gottes Sohn
Part 2. No. 23a. Die Juden aber schrien
Part 2. No. 24. Aria – Choral. Eilt, ihr angefocht’nen Seelen
Part 2. No. 25a. Allda kreuzigten sie ihn
Part 2. No. 26. Choral. In meines Herzens Grunde
Part 2. No. 27a. Die Kriegsknechte aber
Part 2. No. 28. Choral. Er nahm alles wohl in acht
Part 2. No. 29. Und von Stund an nahm sie
Part 2. No. 30. Aria. Es ist vollbracht
Part 2. No. 31. Und neigte das Haupt und verschied
Part 2. No. 32. Aria – Choral. Mein teurer Heiland
Part 2. No. 33. Und siehe da, der Vorhang im Tempel zerriss
Part 2. No. 34. Arioso. Mein Herz, in dem die ganze Welt
Part 2. No. 35. Aria. Zerfließe, mein Herze
Part 2. No. 36. Die Juden aber, dieweil es der Rüsttag war
Part 2. No. 37. Choral. O hilf, Christe, Gottes Sohn
Part 2. No. 38. Darnach bat Pilatum Joseph von Arimathia
Part 2. No. 39. Choral. Ruht wohl, ihr heiligen Gebeine
Part 2. No. 40. Choral. Ach Herr, lass dein’ leib’ Engelein
Easter Oratorio, BWV 249
Sinfonia
Adagio
Chorus. Kommt, eilet und laufet
Recitativo. O kalter Männer Sinn!
Aria. Seele, deine Spezereien
Recitativo. Hier ist die Gruft
Aria. Sanfte soll mein Todeskummer
Recitativo. Indessen seufzen wir
Aria. Saget, saget mir geschwinde
Recitativo. Wir sind erfreut
Chorus. Preis und Dank
Ascension Oratorio, BWV 11
Chorus. Lobet Gott in seinen Reichen
Recitativo. Der Herr Jesus hub seine Hände auf
Recitativo. Ach, Jesu, ist dein Abschied schon so nah?
Aria. Ach, bleibe doch, mein liebstes Leben
Recitativo. Und ward aufgehoben zusehens
Choral. Nun lieget alles unter dir
Recitativo. Und da sie ihm nachsahen
Aria. Jesu, deine Gnadenblicke
Choral. Wenn soll es doch geschehen
Mass in B minor, BWV 232
Kyrie. Coro. Kyrie eleison
Kyrie. Duetto. Christe eleison
Kyrie. Coro. Kyrie eleison
Gloria. Coro. Gloria in excelsis Deo
Gloria. Coro. Et in terra pax
Gloria. Aria. Laudamus te
Gloria. Coro. Gratias agimus tibi
Gloria. Duetto. Domine Deus
Gloria. Coro. Qui tollis peccata mundi
Gloria. Aria. Qui sedes ad dextram Patris
Gloria. Aria. Quoniam tu solus Sanctus
Gloria. Coro. Cum Sancto Spirito
Symbolum nicenum. Coro. Credo in unum Deum
Symbolum nicenum. Coro. Patrem omnipotentem
Symbolum nicenum. Duetto. Et in unum Dominum
Symbolum nicenum. Coro. Et incarnatus est
Symbolum nicenum. Coro. Crucifixus
Symbolum nicenum. Coro. Et resurrexit
Symbolum nicenum. Aria. Et in Spiritum Sanctum
Symbolum nicenum. Coro. Confiteor
Symbolum nicenum. Coro. Et expecto
Coro. Sanctus
Coro. Osanna in excelsis
Aria. Benedictus
Coro. Osanna in excelsis
Aria. Agnus Dei
Coro. Dona nobis pacem
Emma Kirkby, Evelyn Tubb, Emily Van Evera (sopranos)
Margaret Cable, Panito Iconomou, Caroline Trevor (altos)
Rogers Covey-Crump, Charles Daniels, Wilfried Jochens (tenors)
Stephen Charlesworth, Peter Kooy, David Thomas (basses)
Andrew Parrott (Regente)
Solisten des Tölzer Knabenchors
Taverner Consort & Players
Total playing time: 278:48
Recorded 1985-1994 | Released 2002
A Sinfonia Nº 14 – espécie de ciclo de canções – foi dedicada a Britten, que estreou-a em 1970 na Inglaterra. É a menos casual das dedicatórias. Seu formato e sonoridade é semelhante à Serenata para Tenor, Trompa e Cordas, Op. 31, e à Les Illuminations para tenor e orquestra de cordas, Op. 18, ambas do compositor inglês. Os dois eram amigos pessoais; conheceram-se em Londres em 1960, e Britten, depois disto, fez várias visitas à URSS. Se o formato musical vem de Britten, o espírito da música é inteiramente de Shostakovich, que se utiliza de poemas de Lorca, Brentano, Apollinaire, Küchelbecker e Rilke, sempre sobre o mesmo assunto: a morte.
O ciclo, escrito para soprano, baixo, percussão e cordas, não deixa a margem à consolação, é música de tristeza sem esperança. Cada canção tem personalidade própria, indo do sombrio e elegíaco em A la Santé, An Delvig e A Morte do Poeta, ao macabro na sensacional Malagueña, ao amargo em Les Attentives, ao grotesco em Réponse des Cosaques Zaporogues e à evocação dramática de Loreley. Não há música mais direta e que trabalhe tanto para a poesia, chegando, por vezes, a casar-se com ela sílaba por sílaba para tornar-se mais expressiva. Há uma versão da sinfonia no idioma original de cada poema, mas sempre a ouvi em russo. Então, já que não entendo esta língua, tenho que ouvi-la ao mesmo tempo em que leio uma tradução dos poemas. Posso dizer que a sinfonia torna-se apenas triste se estiver desacompanhada da compreensão dos poemas – pecado que cometi por anos! Ela perde sentido se não temos consciência de seu conteúdo autenticamente fúnebre. Além do mais, os poemas são notáveis.
Possui indiscutíveis seus méritos musicais mas o que importa é sua extrema sinceridade. Me entusiasmam especialmente a Malagueña, feita sobre poema de Lorca e a estranha Conclusão (Schluss-Stück) de Rilke, que é brevíssima, sardônica e – puxa vida – muito, mas muito final.
Symphony No. 14, for Soprano, Bass, Strings & Percussion, Op. 135
1. De profundis (Bass; Carcia Lorca) 4:23
2. Malaguena (Soprano; Carcia Lorca) 2:50
3. Lorelei (Soprano & bass; Apollinaire) 8:00
4. The Suicide (Soprano; Apollinaire) 6:13
5. On Watch (Soprano; Apollinaire) 2:59
6. Madam, look! (Sorprano & bass; Apollinaire) 1:32
7. In Prison, at the Sante Jail (Bass, Apollinaire) 8:20
8. The Zaporozhian Cossack’s answer to the Sultan of Constantinople (Bass; Apollinaire) 2:07
9. O Delvig, Delvig (Bass; Küchelbecker) 3:44
10. The Death of the Poet (Soprano: Rilke) 4:23
11. Conclusion (Soprano & bass; Rilke) 1:04
Alla Simoni, soprano
Vladimir Vaneev, bass
WDR Sinfonieorchester
Rudolf Barshai
A Sinfonia Nº 15 está entre as maiores do mestre russo e possui grande alegria e desespero sob sua aparente tranqüilidade. É uma obra consistente, com movimentos melodiosos apoiando-se harmonicamente um no outro. Não há nada sobrando nem faltando. O primeiro movimento é felicíssimo e aparentado com a Sinfonia Nº 9 e com o primeiro movimento do Concerto Nº 2 para piano e orquestra. Ele evoca os brinquedos infantis e possui em seu cerne um dos temas da Guilherme Tell, de Rossini.
O Adagio é belo e triste com longos solos de violoncelo e também do trombone e da tuba; há a inserção do Tema do Destino (ou da Morte) que Wagner escreveu para seu Nibelungo. O Alegretto, em tom de deboche, é levado pelo clarinete.
O movimento final é o mais longo de todos: há evocações ao compositor — o motivo DSCH reaparece acompanhado pelo Tema do Destino em clara alusão às doenças e à morte próxima de Shostakovich –, mas a sinfonia é finalizada serenamente após várias intervenções de cantabiles violinos. O final, quase todo a cargo da percussão, é delicado. Um verdadeiro achado. Um despedida sem desespero, um aceno algo irônico, de um grande mestre.
Mas o que queria mesmo dizer é que esta sinfonia exerce um efeito magnético (palavras de Lauro Machado Coelho) sobre os ouvintes. É impossível não ceder a ela, ouvindo e reouvindo. Tenho vários amigos que concordam: há algo nela que nos instiga, anima, estimula, incita, algo que espicaça nossa curiosidade. O que será?
Symphony No. 15 in A major Op. 141
1. Allegretto 8:19
2. Adagio-largo-adagio-allegretto 11:43
3. Allegretto 3:53
4. Adagio-allegretto-adagio-allegretto 13:58
Achei fantástico que os russos tenham colocado nesta coleção dois CDs completos com as transcrições de 4 quartetos para orquestra sinfônica. Há anos me divirto com eles. São bons pra caraglio. Ouçam aí!
Chamber Symphony Op. 73a (Arrangement of String Quartet No.3)
1. Allegretto 2:20
2. Moderato con moto 5:26
3. Allegro non troppo 4:41
4. Adagio 5:14
5. Moderato 10:48
Um bom CD sobre a (boa) fama dos mestres italianos do barroco. O grupo The Parley of Instruments — incluindo Alison Balsom e Crispian Steele-Perkins nos trompetes — é um especialista na área e dá um verdadeiro espetáculo na sua caminhada de Lazzari e Cazzati até Alessandro Scarlatti e Vivaldi. Apesar de ser um grupo inglês, o espírito da bota está mantido com toda sua alegria e timbres. Não vai mudar a vida de ninguém, mas é um disco agradabilíssimo para se ouvir bem alto porque os trompetes, sabe-se, costumam ser ensurdecedores. E futebol é bola na rede.
The fam’d Italian Masters: Música Barroca Italiana para 2 Trompetes
Sonata a 6 in D major[5’43] Ferdinando Lazzari (1678-1754)
1 Presto e spicco[1’58]
2 Grave[0’35]
3 Canzona[0’59]
4 Grave[0’31]
5 Presto[1’40]
6 Sonata a 4 in G minor ‘La sampiera'[3’36] Maurizio Cazzati (1620-1677)
Sonata a 5 in D major Op 3 No 10[5’29] Andrea Grossi (fl1680-1690)
7 Vivace[1’11]
8 Adagio[2’06]
9 Grave[0’59]
10 Presto[1’13]
Sonata a 5 in D major[4’08] Giuseppe Maria Jacchini (c1663-1727)
11 Grave – Allegro[1’08]
12 Grave[0’38]
13 Allegro[1’06]
14 Grave – Allegro[1’16]
15 Sonata in A minor ‘La sassatelli’ Op 5 No 10[3’06] Giovanni Vitali (1632-1692)
Sonata a 5 in C major[10’19] Alessandro Melani (1639-1703)
16 Adagio – Allegro[2’01]
17 Allegro[3’14]
18 Canzona – Grave[2’42]
19 Vivace[2’22]
20 Sonata in E minor Op 10 No 17[5’15] Giovanni Legrenzi (1626-1690)
Il barcheggio [6’01] Alessandro Stradella (1639-1682)
21 Sinfonia in D major Movement 1: [Allegro][0’56]
22 Sinfonia in D major Movement 2: Andante[2’13]
23 Sinfonia in D major Movement 3: Allegro ma non troppo[1’16]
24 Sinfonia in D major Movement 4: Allegro[1’36]
Sonata a 5 in D major G7[5’23] Giuseppe Torelli (1658-1709)
25 Grave – Allegro[1’02]
26 Adagio[1’26]
27 Allegro[1’11]
28 Grave – Allegro[1’44]
Sonata a 4 No 1 in F minor[5’46] Alessandro Scarlatti (1660-1725)
29 Grave[0’51]
30 Allegro[1’38]
31 Larghetto[2’09]
32 Allemanda[1’08]
Concerto in C major RV537[6’41] Antonio Vivaldi (1678-1741)
33 Vivace[2’52]
34 Largo[0’33]
35 Allegro[3’16]
The Parley of Instruments
Crispian Steele-Perkins: trumpet
Alison Balsom: trumpet
Judy Tarling: violin
Theresa Caudle: violin
Tassilo Erhardt: viola
Mark Caudle: cello
Peter Holman: organ
Digamos que eu seja conhecido aqui no blog por algumas declarações bombásticas. Pois, desta vez, não creio que vá ser muito discutida a afirmativa de que os Quartetos de Béla Bártok sejam a mais importante obra do século XX, até porque esta frase é meio consenso, meio convenção. Ora próximo ao Stravinsky da “fase russa”, ora próximo ao Beethoven dos últimos quartetos de Beethoven, Bartók casualmente distribuiu a composição dos mesmos de forma a traduzir as etapas de sua evolução artística — 1908, 1917, 1927, 1928, 1934 e 1939. O calhamaço História da Música Ocidental, de Jean e Brigitte Massin (1255 páginas), propõe que se ouça os último quartetos de Beethoven, emendando-os imediatamente com os de Bartók. A mesma força, a mesma nobreza, o mesmo espírito no tratamento das massas sonoras. Não que Bartók tenha imitado o mestre — ao contrário, Bartók não apenas tinha voz própria como bebeu nas mais diversas fontes: música folclórica, Debussy, Brahms, russos, Bach, etc.
Curiosa mistura de profunda erudição e absoluto “visceralismo”, os quartetos me chamaram a atenção durante a adolescência, por serem citados por todos os grandes escritores que gostavam de música: Erico Verissimo fala no Nº 3 e vários romancistas do pós-guerra citam o Nº 5 como uma obra inigualável, produzida pelo ódio ao nazismo que o fez exilar-se em 1940 nos EUA, já minado pela leucemia.
A interpretação desta integral pelo Tokyo String Quartet é muito boa, mas inferior a esta aqui.
Não há como falar dos quartetos de Bartók de forma não apaixonada. É a maior música de nossa época e este é talvez o segundo ou terceiro CD que posto e que estão naquela categoria dos “dez mais” de minha discoteca/cedeteca.
Béla Bartók (1881-1945): Os 6 Quartetos de Cordas
CD1
1. String Quartet No.1, Sz. 40 (Op.7) – 1. Lento
2. String Quartet No.1, Sz. 40 (Op.7) – 2. Allegretto
3. String Quartet No.1, Sz. 40 (Op.7) – 3. Introduzione. Allegro – Allegro vivace
4. String Quartet No.3, Sz. 85 – 1. Prima parte (Moderato)
5. String Quartet No.3, Sz. 85 – 2. Seconda parte (Allegro)
6. String Quartet No.3, Sz. 85 – 3. Ricapitolazione della prima parte (Moderato)
Um CD imensamente agradável. Enquanto realizo algumas atividades aqui em casa, estou a ouvir essa música alegre, bela, simples, cheia de uma poesia comovente. Destaco o Concerto para cello de Mozart. Revela aquele aspecto mais essencial de Mozart: dizer de forma singela aquilo que nos comove, envolvendo-nos por completo. Mozart sempre me faz sentir bem. Tenho uma relação de prazer com a beleza e com a alegria todas as vezes que o escuto. Consigo identificar a música e as peculiaridades tão características do compositor à distância. No CD ainda temos Haydn, Boccherini e Tartini. Boa apreciação!
Joseph Haydn (1732-1809) – Divertimento for Cello and String Orchestra in D major
01. Adagio
02. Minueto & Trio
03. Allegro di molto
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concerto for Cello and Orchestra in D major K.447
04. Allegro
05. Romanze
06. Rondo
Luiggi Boccherini (1743-1805) – Adagio and Allegro for Cellor and String Orchestra in A major
07. Adagio
08. Allegro
Giuseppe Tartini (1692-1770) – Concerto for Cello and String Orchestra in D major
09. Poco Largo. Pomposo
10. Allegro Moderato
11. Grave espressivo
12. Allegro
Yuli Turovsky, cello
I Musici de Montréal Chamber Orchestra
Não chego a ser um apaixonado pelo Quinteto para Piano em fá maior, Op. 34, dedicado a Sua Alteza Real, a princesa Anne de Hesse-Darmstadt. Como quinteto para piano, está escrito para piano e quarteto de cordas (dois violinos, viola e violoncelo). Desde minha juventude, acho que há algo problemático em seu desbragado romantismo, não obstante o convincente melodismo do mesmo. A mim, parece Schumann. Este Quinteto conheceu várias formas e feitios até chegar à versão definitiva em 1865. Começou, entre 1861 e 1862, por ser um quinteto de cordas (que teve uma recepção fria), passou depois para uma obra para dois pianos (com uma estreia desastrosa), e só a partir do verão de 1864 é que o compositor pegou de novo na partitura e a transformou numa obra para piano e quarteto de cordas. Houve uma primeira audição privada com a presença da a princesa Anna de Hesse (1843-1865) e a estreia pública, finalmente com sucesso, teve lugar no dia 22 de Julho de 1866.
Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano Op.34 (Maurizio Pollini, Quartetto Italiano)
1. Allegro Non Troppo
2. Andante, Un Poco Adagio
3. Scherzo (Allegro)
4. Finale (Poco Sostenuto – Allegro Non Troppo)
Esta gravação que ora vos trago é uma delícia. Três especialistas em interpretações de época, se utilizando de instrumentos de época, acompanhados por uma orquestra que também é especialista neste tipo de interpretação. Staier usa um pianoforte fabricado de acordo com um modelo de 1850, ou seja, contemporâneo de Robert, mas não consegui maiores informações sobre o instrumento que Coin utiliza. Eis o release que encontramos no site da Harmonia Mundi sobre este CD:
“Intimate Concertos
This two concertos by Schumann constitute the true quintessence of German Romanticism: this is music charaterised from start to finish by a sense going beyond formal limits and by a spirit of fantasy, with the solo instrumental both the partner and the confidant of the orchestra. With the cumplicity of two exceptional soloists, Christopher Coin and Andreas Staier, Phillipe Herreweghe here give us the oportunity to rediscover two masterpieces played on period instruments.
Andreas Staier plays a piano by J.B. Streicher, 1850”
Para quem estava acostumado com as gravações tradicionais (postei pelo menos umas duas versões de cada um destes concertos aqui no PQP) é muito interessante ouvir as diferentes sonoridades do piano de Staier frente a um Stenway, e do próprio violoncelo de Coin, a própria forma de tocar dos solistas e da postura da própria orquestra. Uma experiência fascinante, sem dúvida. Espero que apreciem.
Texto de FDP Bach em 2010.
Robert Schumann (1810-1856): Cello & Piano Concertos
Concerto pour violoncelle et orchestre, Op. 129 en la mineur:
1 I. Allegro. Nicht zu schnell 12:08
2 II. Adagio. Langsam 4:59
3 III. Finale. Vivace. Sehr lebhaft 8:17
Christophe Coin
Orchestre des Champs-Elysées and
Philippe Herreweghe
Concerto pour piano et orchestre, Op. 54 en la mineur:
4 I. Allegro affetuoso 15:02
5 II. Intermezzo 4:36
6 III. Finale. Allegro Vivace 11:16
Andreas Staier
Orchestre des Champs-Elysées
Philippe Herreweghe
Bach não especificou a instrumentação de sua última obra; desta forma, não chega a ser um abuso tocá-la com o quarteto de cordas que seria inventado anos depois por Haydn, nem interpretá-la ao cravo, ao órgão, com metais ou orquestra. É uma obra de estudo, complexa, pouco sedutora e para muitos inacessível. Aqui temos o Loeki Stardust Quartet interpretando A Arte da Fuga com uma variedade de flautas doces que vão desde a sopranino até as mais graves. É curioso e bonito. A gravação é excelente. Os microfones estão tão próximos que podemos ouvir o som da saliva e do ar no bocal de alguns instrumentos, principalmente os graves.
J. S. Bach (1685-1750): A Arte da Fuga (Loeki Stardust Quartet)
01. Contrapunctus 1 3:14
02. Contrapunctus 3 3:04
03. Contrapunctus 2 3:01
04. Contrapunctus 4 5:07
05. Canon Alla Duodecima in Contrapunto Alla Quinta 4:16
06. Contrapunctus 5 3:36
07. Contrapunctus 6 A 4 in Stylo Francese 3:22
08. Contrapunctus 7 a 4 Per Augment Et Diminut 4:50
09. Contrapunctus 8 A 3 6:33
10. Contrapunctus 9 A 4 Alla Duodecima 2:26
11. Contrapunctus A 3 c 2:18
12. Contrapunctus Inversus A 3 c 2:20
13. Contrapunctus 10 a 4 Alla Decima 4:22
14. Contrapunctus Inversus 12 A 4 2:30
15. Contrapunctus Inversus 12 a 4 2:10
16. Contrapunctus 11 a 4 6:53
17. Canon Alla Ottava 4:11
18. Fuga A 3 Soggetti 8:46
Ah, as Baladas de Chopin …!!! São minhas obras favoritas do polonês, principalmente a de nº 1. Já suspirei muito ouvindo ela. A conheço desde meus 10 anos de idade, e já ouvi algumas dezenas de intérpretes. Dentre os antigos, minha preferência sempre será Arthur Rubinstein. Entre os atuais, o jovem pianista chinês Yundi dá um show. Esta obra chopiniana expõe a alma do compositor e o pianista tem que estar apaixonado para encará-la. É um estado de espírito, eu diria, e não permite apenas uma execução mecânica, sem emoção, sem alma e sem personalidade.
01 – Four Ballades – No. 1 in G minor, op.23 – Largo – Moderato – Presto con fuoco
02 – Four Ballades – No. 2 in F major, op.38 – Andantino – Presto con fuoco
03 – Four Ballades – No. 3 in A flat major, op.47 – Allegretto
04 – Four Ballades – No. 4 in F minor, op.52 – Andante con moto
05 – Berceuse in D flat major, op.57 – Andante
06 – Four Mazurkas – No. 1 in B flat major, op.17 – Vivo risoluto
07 – Four Mazurkas – No. 2 in E minor, op.17 – Lento ma non troppo
08 – Four Mazurkas – No. 3 in A flat major, op.17 – Legato assai
09 – Four Mazurkas – No. 4 in A minor, op.17 – Lento ma non troppo
Um ESPLÊNDIDO CD da dupla Gergiev-Matsuev. O regente e o pianista têm grande intimidade musical e demonstram isso no extraordinário Concerto Nº 3 de Prokofiev. Já a Sinfonia Nº 5 é levada com categoria por Gergiev e a Mariinsky Orchestra, da bela São Petersburgo. Se você não conhece essas obras, está mais do que na hora de preencher esta lacuna em sua vida. É curioso notar a evolução do compositor entre o concerto de 1917 e a sinfonia de 1944. O mundo girou e, mesmo que as duas obras sejam absolutamente brilhantes, Prokofiev mudou muito entre uma obra e outra. Ouçam e confiram!
Serguei Prokofiev (1891-1953): Piano Concerto No.3 / Symphony No.5
Piano Concerto No. 3 in C major, Op. 26
1 1. Andante – Allegro 9:04
2 2. Tema con variazioni 8:48
3 3. Allegro, ma non troppo 8:57
Excelente CD com a música de Telemann. Um disco com uma estrutura que não chega a surpreender na sua alternância entre Cantatas, Quartetos e Aberturas, mas sim pela qualidade musical e pelo grupo de solistas e orquestra. Dorothee Mields é realmente uma espantosa cantora, um soprano que transpira musicalidade. Recomendo incondicionalmente o disco para quem quiser saber do multi-facetado artista que foi Telemann. E, pasmem, essas são obras gravadas que aparecem pela primeira vez em disco. A Cantata TWV 1:795 é uma joia muito especial.
Hier ist mein Herz, geliebter Jesu, sacred cantata for 2-part chorus, strings & continuo, TWV 1:795
1 Hier ist mein Herz, geliebter Jesu 4:26
2 Ich war ein Sklavenkind 0:29
3 Wollten doch die Augen brechen 2:37
4 Indessen leg ich mich vor deine Füße 0:28
5 Du willst ein Opfer haben 1:17
6 So nimm mein Opfer hin 0:48
7 Ach mein Gott 2:47
Quartet for flute, violin, viola & continuo in G minor, TWV 43:g4
8 Allegro 2:09
9 Adagio 1:52
10 Allegro 4:29
Weiche Lust und Fröhlichkeit, sacred cantata for 2 solo voices, unison violins, solo viola & continuo, TWV 1:1536
11 Weiche, Lust und Fröhlichkeit 3:36
12 Bedenk, o Mensch! 0:34
13 Um uns Verfluchte zu erlösen 3:24
14 Bedenk hiernächt sein treues Lieben 1:12
15 Herz und Seele sind erfreut 4:04
Quartet for flute, oboe, violin & continuo in A minor, TWV 43:a3
16 Adagio 2:44
17 Allegro 1:30
18 Adagio 1:28
19 Vivace 4:04
Ach Herr, strafe mich nicht (Psalm 6; II), psalm setting for voice, oboe, bassoon, strings & continuo, TWV 7:2
20 Ach Herr, strafe mich nicht 2:54
21 Herr, sei mir gnädig 1:24
22 Wende dich, Herr 1:23
23 Denn im Tode gedenkt man 0:34
24 Ich bin so müde vom Seufzen 4:17
25 Weichet von mir, ihr Übeltäter 1:07
26 Es müssen alle meine Feinde 1:10
Overture: Perpetuum mobile, suite for strings & continuo in D major, TWV 55:D12
27 Ouverture 6:05
28 Perpetuum mobile 1:33
29 Sarabande 2:05
30 Bourée 1:03
31 Menuet I und II 3:46
32 Tourbilon 1:33
33 Gigue 1:06
Balthasar-Neumann-Ensemble
Dorothee Mields
Benoît Haller
Han Tol
Bem, há duas gravações dos Concertos para Violino de Shostakovich que parecem ser inalcançáveis por pobres e simples MORTAES. São as de Maxim Vengerov e a lendária de David Oistrakh. O jovem armênio Sergey Khachatryan faz uma boa tentativa de se ombrear aos citados gênios, mas fica ali pela cintura deles. Porém, de qualquer maneira, é uma boa introdução de a este concertos. A famosa e VISCERABILÍSSIMA Passacaglia do Concerto Nº 1 recebeu cuidadoso tratamento de Khachatryan, mas não transcende, entende? Pois é, é foda, mas faltou maturidade ao rapaz que certamente vai tentar novamente no futuro. Bonne chance!
D. Shostakovich (1906-1975): Os Concertos para Violino Nº 1 e 2
1. Violin Concerto No. 1 in A minor, Op. 77 (published as Op. 99): Nocturne. Moderato
2. Violin Concerto No. 1 in A minor, Op. 77 (published as Op. 99): Scherzo. Allegro
3. Violin Concerto No. 1 in A minor, Op. 77 (published as Op. 99): Passacaglia. Andante
4. Violin Concerto No. 1 in A minor, Op. 77 (published as Op. 99): Burlesque. Allegro con Brio
5. Violin Concerto No. 2 in C sharp minor, Op. 129: Burlesque. Allegro con Brio
6. Violin Concerto No. 2 in C sharp minor, Op. 129: Adagio
7. Violin Concerto No. 2 in C sharp minor, Op. 129: Adagio – Allegro
Sergey Khachatryan
Orchestre National de France
Kurt Masur
Samuel Scheidt foi um organista alemão, professor de música e compositor do período da Renascença. Foi um dos mais completos compositores de sua geração. Organista, compôs música sacra e instrumental que faz intersecção entre a tradição polifônica luterana e todas as influências da música italiana e do estilo de Monteverdi. As danças e a canzoni contidas em seu Ludi Musici (1621) demonstram esta mistura de estilos, sendo tanto o legado dos modelos tardio-renascentistas quanto o reflexo do novo virtuosismo iniciado pelos italianos. Estas peças são de fato destinadas à viola da gamba, que ainda gozava de sucesso considerável na Alemanha na época.
Samuel Scheidt (1587-1654): Ludi Musici – Hamburg 1621
1. Ludi Musici: Paduan a 4 voc. Cantus IV
2. Ludi Musici: Galliard a 4 voc. Cantus VIII
3. Ludi Musici: Courant a 4 voc. Cantus XI
4. Ludi Musici: Courant a 4 voc. Cantus XIX
5. Ludi Musici: Canzon a 5 voc. ad imitationem Bergamas, angl. Cantus XXVI
6. Ludi Musici: Courant a 4 voc. Cantus XXIII
7. Ludi Musici: Galliard a 5 voc. Cantus XXV
8. Ludi Musici: Courant a 4 voc. Cantus XVII
9. Ludi Musici: Galliard Battaglia a 5 voc. Cantus XXI
10. Ludi Musici: Paduan a 4 voc. Cantus VI
11. Ludi Musici: Galliard a 4 voc. Cantus VII
12. Ludi Musici: Alamande a 4 voc. Cantus XVI
13. Ludi Musici: Canzon a 5 voc. super Cantionem Gallicam Cantus XXIX
14. Ludi Musici: Paduan a 4 voc. Cantus V
15. Ludi Musici: Courant Dolorosa a 4 voc. Cantus IX
16. Ludi Musici: Courant a 4 voc. Cantus XIII
17. Ludi Musici: Canzon a 5 voc. super o Nachbar Roland. Cantus XXVIII
e, como se não bastasse, EM-BAS-BA-CAN-TE, indo direto para a Galeria Especial de Mais Amados e Louvados. É por essas e outras que Sir Simon Rattle acabou em Berlim.
Estou meio sem palavras após ouvir este disco por inteiro três vezes consecutivas, assim de enfiada. (Nada de piadinhas, sou gaúcho mas não pratico). Então, faço a seguir uma meia tradução daquilo que o também embasbacado crítico da Gramophone escreveu.
Este registro dos concertos para piano de Bartók está entre os melhores. O entendimento entre Peter Donohoe, Simon Rattle e a CBSO é fantástico. Como disse na Gramophone, eles fazem o Primeiro Concerto para Piano parecer pura diversão. O Primeiro e o Segundo concertos são obras formidáveis, com o piano sendo tratado como um instrumento de percussão. Certamente, não são trabalhos fáceis de ouvir. Eles são tocados aqui com uma sensibilidade que traz à luz cada detalhe de sombreamento e textura. O Andante do Segundo (uma música norturna) é de meus favoritos e é aqui executado com todas as nuances. O terceiro concerto é absolutamente luminoso. O segundo movimento, com seus sons de natureza, está particularmente perfeito.
Para os fãs da música de Bartók, este disco é uma obrigação.
Obs. típica: nunca digo o nome de Bartók como ele deve ser pronunciado. Lembrete: o acento em húngaro não é tônico. Impossível dizer Bártok… A sonoridade de Bartók em português é muito mais bonita. E o mesmo vale para Ligeti. O correto é Lígeti.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Béla Bartók (1881-1945): Os 3 Concertos para Piano
Piano Concerto No. 1 in A major, Sz. 83, BB 91
1. I: Allegro Moderato – Allegro – Allegro Moderato
2. II: Andante
3. III: Allegro Molto
Piano Concerto No. 2 in G major, Sz. 95, BB 101
4. I: Allegro
5. II: Adagio – Presto – Adagio
6. III: Allegro Molto
Piano Concerto No. 3 in E major, Sz. 119, BB 127 (completed by Tibor Serly)
7. I: Allegretto
8. II: Adagio Religioso – Poco Piu Mosso – Tempo I
9. III: Allegro Vivace
Peter Donohoe, piano
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle, conductor
Curioso, talvez esse disco seja bom para o sexo. Ou para elevadores ou aeroportos. Mas dizem que também serve para crianças. Não sei bem, só sei que é new age e que é relaxante no início, mas depois, se prestarmos atenção, irrita. Melhor deixá-lo como música de fundo para as primícias de uma noite de sexo ou para trilha sonora de um longo banho de espuma. (Por algum motivo, pensei em um cara velho tomando banho de espuma com uma jovem mulher, enquanto bebem champanhe e sorriem um para o outro. Não, não eram Michel e Marcela, eram coisa melhor). Serviria também para a ioga, para ler um livro mais ou menos, para meditar doce e equivocadamente ou para a contação de histórias infantis.
Trata-se do disco independente de estreia do trio feminino Angels of Venice. Os tais anjos são a loiríssima harpista texana Carol Tatum, a violoncelista Sarah O’Brein e a flautista e percussionista Suzanne Teng. O grupo foi formado em 1993 e toca tudo o que é açucarado. São arranjos de música medieval, barroca e neoclássica. É um som romântico, bonitinho, macio e bem feitinho. Há uma faixa que tem fontes murmurantes e passarinhos ao fundo. Me senti mal.
Angels of Venice: Music For Harp, Flute And Cello
01 – Pachelbell’s Canon
02 – Little Angels
03 – Dragonfly
04 – Crystal Tears
05 – An English Garden
06 – Greensleeves
07 – Sara’s Dream
08 – Night Spirits
09 – Luna Mystica
10 – A time For Dreams
11 – The Enchanted Forest
12 – Lover’s Requiem
13 – The Reflecting Pool
14 – Dreamcatcher
Angels of Venice:
Cello – Sarah O’Brein
Flute – Suzanne Teng
Harp – Carol Tatum
Ah, há um erro perfeitamente suportável no Moderato da Sonata para Piano N° 2 e o Quarteto Nº 9 comento mais quando chegarmos ao 10º e ao 11º.
CD 22
Sonata para Violoncelo e Piano, Op. 40 (1934)
A Sonata em Ré Menor Op. 40 foi composta em 1934, no período em que Shostakovitch apaixonara-se por uma jovem estudante, o que ocasionou um efêmero divórcio de sua esposa Nina. O compositor dedicou esta sonata ao violoncelista Victor Lubatski e ambos a estrearam em Moscou, no dia 25 de dezembro de 1934.
O primeiro movimento (Allegro non troppo) é escrito em forma sonata. O primeiro tema, bastante extenso, é apresentado pelo violoncelo, acompanhado por arpeggios do piano e depois desenvolvido por este até seu clímax; o segundo tema, muito mais delicado, é, contrariamente, apresentado pelo piano e imitado pelo violoncelo. Durante o desenvolvimento o primeiro tema ganha motivos rítmicos, mas logo o afetuoso segundo tema reaparece. Tudo parece em ordem, encaminhando-se para o final do movimento, mas Shostakovitch nos surpreende ao inserir alguns acordes em staccato do piano, acompanhados por notas sustentadas pelo violoncelo, o que faz com que a música torne-se quase estática. É uma estranha preparação para o que se ouvirá no segundo movimento (Allegro) o qual é um scherzo típico de Shostakovitch. Trata-se de um frenético ostinato que é interrompido por um tema apresentado pelo piano que, apesar de mais tranqüilo, é também muito pouco contemplativo. O terceiro movimento (Largo) faz-lhe intenso contraste, pois é uma melodia tranquila e vocal, acompanhada pelo piano de forma introspectiva, dissonante e um tanto fúnebre. O Allegro final é um rondó bastante irônico no qual o tema principal é apresentado três vezes, ligados, a cada intervalo, por estranhas e vertiginosas cadenzas.
Cello Sonata in D minor Op. 40
1. Allegro non troppo 11:18
2. Allegro 3:14
3. Largo 7:00
4. Allegro 3:49
5. Piano Sonata No. 1 Op. 12 12:24
Piano Sonata No. 2 Op. 61
6. Allegretto 7:31
7. Largo 7:22
8. Moderato 11:55
Total: 64:23
Timora Rosler, cello
Klára Würtz, piano (1-4)
Colin Stone, piano (5-8)
CD 23
Quarteto de Cordas Nº 2, Op. 68 (1944)
Este trabalho em quatro movimentos foi escrito em menos de três semanas. A abertura é uma melodia de inspiração folclórica, tipicamente russa. O grande destaque é o originalíssimo segundo movimento, Recitativo e Romance: Adagio. O primeiro violino canta (ou fala) seu recitativo enquanto o trio restante o acompanha como se estivessem numa ópera ou música sacra barroca. O Romance parece música árabe, mas não suficientemente fundamentalista a ponto que a Al Qaeda comemore. Segue-se uma pequena valsa no mesmo estilo. O quarto movimento é um Tema com variações que fecha brilhantemente o quarteto.
É curioso que neste quarteto, talvez por ter sido composto rapidamente, há uma musicalidade simples, leve e nada forçada. Talvez nem seja uma grande obra como os Quartetos Nros. 8 e 12, mas é dos que mais ouço. Afinal, esta é uma lista pessoal e as excentricidades valem, por que não?
Quarteto de Cordas Nº 8, Op. 110 e Sinfonia de Câmara, Op. 110a – Arranjo de Rudolf Barshai (1960)
Na minha opinião, o melhor quarteto de cordas de Shostakovich. Não surpreende que tenha recebido versões orquestrais que até hoje são gravadas, como a que coloco à disposição abaixo. Trata-se de uma obra bastante longa para os padrões shostakovichianos de quarteto; tem cinco movimentos, com a duração total ficando entre os 20 minutos (na versão para quarteto de cordas) e 26 (na versão orquestral). O quarteto abre com um comovente Largo de intenso lirismo, o qual é seguido por um agitado Allegro molto, de inspiração folclórica e que fica muito mais seco na versão para quarteto. O terceiro movimento (Allegretto) é uma surpreendente valsinha sinistra a qual é respondida por outra valsa, muito mais lenta e com um acompanhamento curiosamente desmaiado. O quarteto é finalizado por dois belos ; o primeiro sendo pontuado por agressivamente por um motivo curto de três notas e o segundo formado por mais uma fuga a quatro vozes utilizando temas dos movimentos anteriores.
Quarteto Nº 13, Op. 138 (1970)
Um pouco menos funérea que a Sinfonia Nº 14, este quarteto foi escrito nos intervalos do tratamento ortopédico que conseguiu devolver-lhe do parte do movimento das mãos e antes do segundo ataque cardíaco. O décimo-terceiro quarteto é um longo e triste adagio de cerca de vinte minutos. O quarteto foi dedicado ao violista Vadim Borisovsky, do Quarteto Beethoven, e a viola não somente abre o quarteto como é seu instrumento principal. Trata-se de um belo quarteto em que a tranqüilidade só é quebrada por um pequeno scherzando estranhamente aparentado do bebop (sim, isso mesmo).
String Quartet No. 2 in A major Op. 68 (1944)
1. Overture (moderato con moto) 8:03
2. Recitative & Romance (adagio) 10:53
3. Waltz (allegro) 5:59
4. Theme & variations (adagio) 10:47
String Quartet No. 8 in C minor Op. 110 (1960)
5. Largo 4:40
6. Allegro molto 2:45
7. Allegretto 4:16
8. Largo 4:33
9. Largo 4:04
String Quartet No. 13 in B flat minor Op. 138 (1970)
10. Adagio 20:44
Total: 77:05
Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van den Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello
CD 24
Quarteto de Cordas Nº 7, Op. 108 (1960)
Mais um quarteto de Shostakovich com um lindíssimo movimento lento, desta vez baseado no monólogo de Boris Godunov (ópera de Mussorgski baseada em Puchkin), e mais um finale construído em forma de fuga, utilizando temas do primeiro movimento. Uma pequena e curiosa joia de onze minutos.
String Quartet No.3 in F major Op.73 (1946)
1. Allegretto 6:40
2. Moderato con moto 4:54
3. Allegro non troppo 4:01
4. Adagio 5:41
5. Moderato 10:40
String Quartet No.7 in F sharp monor Op.108 (1960)
6. Allegretto 3:33
7. Lento 3:36
8. Allegro 6:03
String Quartet No.9 in E flat major Op.117 (1964)
9. Moderato con moto 4:20
10. Adagio 4:34
11. Allegretto 3:47
12. Adagio 3:32
13. Allegro 9:54
Total: 71:38
Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van de Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello
Nos comentários ao post anterior, de FDP Bach, alguém ficou cantando as maravilhas de Helmuth Rilling. E eu respondi que tinha a Coleção Completa de Cantatas Sacras e Seculares de Bach sob a regência do dito cujo. Dá 77 CDs. Então, no entusiasmo e por acaso, peguei o Vol. 49. Agora, ouçam que CD espetacular! A 164 pode ser meia-boca, mas o resto é lindo, de uma felicidade total. É a perfeição! Muita atenção às Sinfonias e principalmente à Ária para contralto da 33.
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 35, 33 e 164 (Vol. 49 da coleção completa de Rilling)
1. Soul With Spirit Is Bewildered, Cantata BWV 35: 1. Sinf – Helmuth Rilling
2. Soul With Spirit Is Bewildered, Cantata BWV 35: 2. Aria – Julia Hamari
3. Soul With Spirit Is Bewildered, Cantata BWV 35: 3. Recitative – Julia Hamari
4. Soul With Spirit Is Bewildered, Cantata BWV 35: 4. Aria – Julia Hamari
5. Soul With Spirit Is Bewildered, Cantata BWV 35: 5. Sinf – Helmuth Rilling
6. Soul With Spirit Is Bewildered, Cantata BWV 35: 6. Recitative – Julia Hamari
7. Soul With Spirit Is Bewildered, Cantata BWV 35: 7. Aria – Julia Hamari
8. Alone To Thee, Lord Jesus Christ, Cantata BWV 33: 1. Chor (Verse 1) – Helen Watts/Frieder Lang/Philippe Huttenlocher
9. Alone To Thee, Lord Jesus Christ, Cantata BWV 33: 2. Recitative – Philippe Huttenlocher
10. Alone To Thee, Lord Jesus Christ, Cantata BWV 33: 3. Aria – Hele Watts
11. Alone To Thee, Lord Jesus Christ, Cantata BWV 33: 4. Recitative – Frieder Lang
12. Alone To Thee, Lord Jesus Christ, Cantata BWV 33: 5. Aria – Freider Lang/Philippe Huttenlocher
13. Alone To Thee, Lord Jesus Christ, Cantata BWV 33: 6. Chor – Helen Watts/Frieder Lang/Philippe Huttenlocher
14. Ye Who The Name Of Christ Have Taken, Cantata BWV 164: 1. Aria – Lutz-Michael Harder
15. Ye Who The Name Of Christ Have Taken, Cantata BWV 164: 2. Recitative – Walter Heldwein
16. Ye Who The Name Of Christ Have Taken, Cantata BWV 164: 3. Aria – Julia Hamari
17. Ye Who The Name Of Christ Have Taken, Cantata BWV 164: 4. Recitative – Lutz-Michael Harder
18. Ye Who The Name Of Christ Have Taken, Cantata BWV 164: 5. Aria – Edith Wiens/Walter Heldwein
19. Ye Who The Name Of Christ Have Taken, Cantata BWV 164: 6. Chor – Edith Wiens/Julia Hamari/Lutz-Michael Harder