Bedřich Smetana (1824-1884) – Má Vlast (Minha Pátria) – Rafael Kubelík (1990)

Ma_Vlast_KubelikUm CD sensacional com o registro de um dos mais significativos concertos da longa história da veneranda Orquestra Filarmônica Tcheca, na abertura do Festival Primavera de Praga em 12 de maio de 1990.

Nele, o legendário maestro Rafael Kubelík (1914-1996), ex-diretor artístico da Filarmônica, idealizador do Festival e regente do concerto de abertura de sua primeira edição, em 1946, retornava a seu país e ao pódio da magnífica Sala Smetana da Casa Municipal de Praga após um exílio de 42 anos.

Kubelík, que conseguira manter a Filarmônica ativa mesmo durante a brutal ocupação nazista da Tchecoslováquia, deixou o país após o golpe comunista de 1948, jurando só voltar depois que o país fosse liberado da opressão (“tendo vivido sob uma forma de tirania bestial, o Nazismo, por uma questão de princípios não iria viver sob outra”). Desenvolveu uma brilhante carreira no Reino Unido, Estados Unidos (onde teve problemas na Sinfônica de Chicago por aceitar músicos negros) e, principalmente, na Alemanha, elevando a Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara, sob sua batuta, à condição de um dos melhores conjuntos do mundo. Como o mais ilustre exilado tcheco de seu tempo, recebeu vários convites do governo comunista para retornar, ao que respondeu que só voltaria sob a condição de “liberdade de opinião, liberdade de criação, liberdade de expressão, e liberdade de movimento para qualquer tcheco e eslovaco decente, com ou sem talento” – o que, claro, só poderia acontecer depois do colapso do regime comunista da Tchecoslováquia, após a incruenta “Revolução de Veludo” liderada pelo escritor e dramaturgo Václav Havel em 1989.

“Esperei ansiosamente por este momento e sempre acreditei em que algum dia ele chegaria. Sou grato a Deus, à nossa nação inteira, aos amigos, e a todos vocês”, declarou Kubelík ao aterrissar em Praga e beijar o chão da pátria. Esta interpretação elétrica para o ciclo “Má Vlast” de Smetana – tradicional programa de abertura do Festival Primavera de Praga – só atesta sua excitação pela oportunidade longamente aguardada. Alguns leitores-ouvintes estranharão os andamentos escolhidos por Kubelík nesta sua quinta gravação da obra, em especial o do célebre “Vltava” (“O Moldava”), muito diferente do Allegro commodo non agitato prescrito pelo compositor. Entendo que, em lugar de considerar cada um dos poemas sinfônicos peças avulsas, como Smetana os concebeu, Kubelík preferiu abordá-los como movimentos de uma obra maior, enfatizando as citações dos Leitmotiven de cada um que vão ressurgindo nos demais e dando à obra uma coesão raramente vista em outras gravações. Especialmente tocante é a interpretação do solene hino hussita de “Tábor”, evocação da cidade-fortaleza fundada pelos seguidores do reformador Jan Hus e que, aqui, soa como o cerne emocional da obra.

SMETANA – MÁ VLAST – CZECH PHILARMONIC ORCHESTRA – RAFAEL KUBELÍK

Bedřich SMETANA (1824-1884)

Má vlast (“Minha Pátria”), Ciclo de Poemas Sinfônicos

01 – Vyšehrad
02 – Vltava
03 – Šárka
04 – Z českých luhů a hájů (“Das Florestas e Bosques da Boêmia”)
05 – Tábor
06 – Blaník

Česká filharmonie
Rafael Kubelík, regência
Gravado ao vivo na Sala Smetana da Casa Municipal de Praga (“Obecní dům”) na abertura do Festival Primavera de Praga (“Pražské jaro”) em 12 de maio de 1990

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Quem apreciou a gravação certamente gostará de assistir ao vídeo com a íntegra do concerto da Filarmônica Tcheca e do retorno de Kubelík do exílio. Notem a aclamação, durante a fanfarra de abertura (extraída da ópera “Libuše” de Smetana), que o presidente Vacláv Havel e sua esposa recebem ao ingressarem na tribuna de honra; o hino nacional tocado, que ainda é o tchecoslovaco – um híbrido do tcheco “Kde domov můj?” (“Onde está minha casa?”) e do eslovaco “Nad Tatrou sa blýska” (“Sobre os Tatras o clarão”), pois a dissolução pacífica da Tchecoslováquia só ocorreria dois anos depois; o comovente vigor com que Kubelík, então com 86 anos e já muito doente, conduz a Filarmônica Tcheca; e a maravilhosa arquitetura da Sala Smetana, uma das melhores casas de concerto do mundo, que fica dentro da não menos magnífica Casa Municipal de Praga, que é talvez o mais belo exemplo do estilo Art Nouveau e atração imperdível para todos que tiverem o privilégio de conhecer essa Rainha dos Superlativos que é a belíssima capital da Boêmia.

Vassily Genrikhovich

.: interlúdio :. Ella and Louis ∞ Christmas ∞ Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

.: interlúdio :. Ella and Louis  ∞  Christmas ∞  Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

 

 

Natal! Christmas! Natal!

 

 

 

Eu sei, é um pouco esquizofrênico estas canções falando de trenós, Natais brancos, homens de neve e coisas do gênero. Mas, (what the hell), é Natal!!!

Não temos os aficionados que ao menor possível sinal de neve nas serras gaúchas ou catarinenses desabam para lá em busca da tão sonhada paisagem?

Portanto, vamos de Christmas Album! Este disco pertence a uma inabalável tradição americana. De Elvis Presley, Nat King Cole, Johnny Mathis, Barbra Streisand, Sinatra (é claro!), Celine Dion até Rod Stewart (que é inglês), todos produziram pelo menos um Christmas Album.

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong não ficaram de fora desta ilustre lista. E se cada um a seu turno faz grande sucesso, quando se juntam, aí é covardia!

Este “Ella & Louis Christmas” álbum é uma compilação. Não se preocupe por isto, você ouvirá cada um deles no que há de melhor e os dois juntos, algumas vezes, sempre gloriosos.

Temos um desfile de deliciosas canções, algumas nostálgicas, como é próprio da estação, outras humorosas, porque só de seriedade o homem acaba perecendo.

Se você não tiver tempo para todo o álbum, afinal, há que fazer compras de Natal, pagar promessas para ficar fora das listas dos que ganham meias e lenços (uma vez nesta lista, meu caro, you are gone!), ouça essa minha playlist:

∞ Have Yourself a Merry Little Christmas (só para entrar no clima…)

∞ Christmas Song (Ella at her best!)

∞ Let it Snow! Let it Snow! Let it Snow! (Esta eu canto com headphones e sunga…)

∞ White Christmas (onde Louis exibe todo o seu charme e talento)

∞ Baby, It’s Cold Outside (Aqui, Louis faz dueto com Velma Middleton. Espetacular! Delicioso!)

Louis & Velma

∞ I’ve Got My Love to Keep Me Warm (Louis e Ella, numa de suas mais lindas performances.)

∞ Jingle Bells (Como deixar de fora?)

∞ Woul You Like to Take a Walk? (Só para terminar com os dois cantando juntos.)

  1. Have Yourself a Merry Little Christmas (Ella)
  2. Sleigh Ride (Ella)
  3. The Christmas Song (Ella)
  4. Christmas Night in Harlem (Louis)
  5. Let it Snow! Let it Snow! Let it Snow! (Ella)
  6. Frosty The Snowman (Ella)
  7. Whitte Christmas (Louis)
  8. Cool Yule (Louis)
  9. Baby, It’s Cold Outside (Louis and Velma Middleton)
  10. I’ve Got My Love to Keep Me Warm (Louis & Ella)
  11. Santa Claus is Coming to Town (Ella)
  12. ‘Zat You, Santa Claus? (Louis)
  13. Jingle Bells (Ella)
  14. Rudolph The Red-Nosed Reindeer (Ella)
  15. Winter Wonderland (Louis)
  16. The Secret of Christmas (Ella)
  17. Christmas in New Orleans (Louis)
  18. What Are You Doing New Year’s Eve? (Ella)
  19. Would You Like to Take a Walk? (Ella & Louis)
  20. What a Wonderful Worls (Louis)

Louis Armstrong & Ella Fitzgerald

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MP3 | 320 KBPS | 136 MB

Se você fizer uma outra playlist, pode mandar que ouvirei, mesmo que já seja Véspera de Ano Novo!

Aproveite e …

Feliz Natal!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Oratório de Natal (Weihnachts-Oratorium / Christmas Oratorio) (Jacobs)

J. S. Bach (1685-1750): Oratório de Natal (Weihnachts-Oratorium / Christmas Oratorio) (Jacobs)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Natal está chegando e já estou montando uma árvore em meu coração para abrigar meus amigos e presentes, principalmente os últimos. Esta data — que é uma verdadeira e bela conspiração de amor — sempre me deixa, bem , muito irritado…

Até porque o Natal é uma festa de origem pagã que nos foi roubada pelos religiosos. A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. No hemisfério norte, o solstício de inverno era comemorado por marcar a noite mais longa do ano. No dia seguinte, ela seria paulatinamente mais curta, encaminhando o final do período ruim para as lavouras. Então, no solstício de inverno era festejada a melhoria das perspectivas. Era um tempo em que o homem deixava de ser caçador errante e começava a dominar a agricultura; então a volta dos dias mais longos significava a certeza de novas colheitas no ano seguinte. Na Mesopotâmia a celebração era enorme, com mais de dez dias de festa. Já os gregos cultuavam Dionísio no solstício, o deus do vinho e do prazer. Na China, as homenagens representavam a harmonia da natureza. Os povos antigos que habitavam a atual Grã-Bretanha criaram Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano. Então, em 221 d.C., o historiador cristão Sextus Julius Africanus propôs à Igreja a fixação do nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro. Aceita a proposta, a partir do século IV o Solis Invictus começou sua mutação. Ficou convencionado que Jesus nascera em 25 de dezembro e que as celebrações eram em sua honra. Ora, e meu pai caiu nessa.

Mas tergiverso.

Meus amigos, que Cantatas, que gravação, que belo trabalho de Jacobs com a Akademie für alte Musik Berlin. Quando digo que são Cantatas, não estou fazendo uma figura de linguagem: o Oratório de Natal foi escrito para o 25 de dezembro de 1734. Talvez por falta de tempo — o que era raro em Bach — , o compositor juntou algumas de suas Cantatas,  inclusive a música de três cantatas seculares (profanas), escritas entre 1733 e 1734, e a de uma cantata extraviada por meu irmão mais velho, aquele puto, que seria a BWV 248a.

Então, o oratório tem seis partes, sendo cada uma delas destinadas a apresentação em um dia das festas principais do período natalino. Modernamente, a peça é geralmente apresentada como um todo, ou dividida em duas partes iguais. A duração total da obra é aproximadamente três horas. De modo similar aos outros oratórios, um tenor Evangelista narra a história. A primeira parte (para o dia de Natal) descreve o nascimento de Jesus; a segunda (para o dia 26 de dezembro), a anunciação aos pastores; a terceira (para 27 de dezembro), a adoração dos pastores; a quarta (para o Ano Novo), a circuncisão (ui!) de Jesus; a quinta (para o domingo após o Ano Novo), a jornada dos Reis Magos, e a sexta (para a Epifania), a adoração dos Reis Magos.

J. S. Bach (1685-1750): Oratório de Natal

Weihnachts-Oratorium; BWV 248

Erster Teil / Am Ersten Weihnachtstag
1-1 1. Chor: Jauchzet, Frohlocket, Auf, Preiset Die Tage 7:31
1-2 2. Rezitativ – Evangelist: Es Begab Sich Aber Zu Der Zeit 1:19
1-3 3. Rezitativ – Alt: Nun Wird Mein Liebster Bräutigam 0:58
1-4 4. Arie – Alt: Bereite Dich, Zion, Mit Zärtlichen Trieben 4:48
1-5 5. Choral: Wie Soll Ich Dich Empfangen 1:41
1-6 6. Rezitativ – Evangelist: Und Sie Gebar Ihren Ersten Sohn 0:25
1-7 7. Choral – Sopran: Er Ist Auf Erden Kommen Arm / Rezitativ – Bass: Wer Will Die Liebe Recht Erhöhn 3:19
1-8 8. Arie – Bass: Großer Herr Und Starker König 4:51
1-9 9. Choral: Ach Mein Herzliebes Jesulein 1:22

Zweiter Teil / Am Zweiten Weihnachtstag
1-10 10. Sinfonia 7:48
1-11 11. Rezitaitv – Evangelist: Und Es Waren Hirten In Derselben Gegend 0:39
1-12 12. Choral: Brich An, O Schönes Morgenlicht 1:30
1-13 13. Rezitativ – Evangelist: Und Der Engel Sprach Zu Ihren / Engel: Fürchtet Euch Nicht 0:42
1-14 14. Rezitativ – Bass: Was Gott Dem Abraham Verheißen 0:38
1-15 15. Arie – Tenor: Forhe Hirten, Eilt, Acht Eilet 3:24
1-16 16. Rezitativ -Engel: Und Das Habt Zum Zeichen 0:20
1-17 17. Choral: Schaut Hin, Dort Liegt Im Finstern Stall 0:55
1-18 18. Rezitativ – Bass: So Geht Denn Hin, Ihr Hirten, Geht 0:51
1-19 19. Arie – Alt: Schlafe, Mein Liebster, Genieße Der Ruh 10:14
1-20 20. Rezitativ – Evangelist: Und Alsobald War Da Bei Dem Engel 0:14
1-21 21. Chor: Ehre Sei Gott In Der Höhe 2:19
1-22 22. Rezitativ – Bass: So Recht, Ihr Engel, Jauchzet Und Singet 0:23
1-23 23. Choral: Wir Singen Dir In Deinem Heer 1:52

Dritter Teil / Am Dritten Weihnachtstag
1-24 24. Chor: Herrscher Des Himmels, Erhöre Das Lallen 1:46
1-25 25. Rezitativ – Evangelist: Und Da Die Engel Von Ihnen Gen Himmel Fuhren 0:09
1-26 26. Chor: Lasset Uns Nun Gehen Gen Bethlehem 0:40
1-27 27. Rezitativ – Bass: Er Hat Sein Volk Getröst 0:36
1-28 28. Choral: Dies Hat Er Alles Uns Getan 0:56
1-29 29. Duett – Sopran, Bass: Herr, Dein Mitleid, Dein Erbarmen 7:04
1-30 30. Rezitativ – Evangelist: Und Sie Kamen Eilend Und Fanden Beide 1:24
1-31 31. Aire – Alt: Schließe, Mein Herze, Dies Selige Wunder 4:54
1-32 32. Rezitativ – Alt: Ja, Ja, Mein Herz Soll Es Bewahren 0:24
1-33 33. Choral: Ich Will Dich Mit Fleiß Bewahren 1:09
2-1 34. Rezitativ – Evangelist: Und Die Hirten Kehrten Wieder Um 0:25
2-2 35. Choral: Seid Froh 1:02
2-3 Chor (Da Capo Nr. 24): Herrscher Des Himmels, Erhöre Das Lallen 1:47

Vierter Teil / Am Fest Der Beschneidung
2-4 36. Chor: Fallt Mit Danken, Fallt Mit Loben 5:01
2-5 37. Rezitativ – Evangelist: Und Da Acht Tage Um Waren 0:28
2-6 38. Rezitativ – Bass: Immanuel, O Süßes Wort! / Choral – Sopran: Jesu, Du Mein Liebstes Leben 2:34
2-7 39. Arie – Sopran, Echo: Flößt, Mein Heiland, Flößt Dein Namen 5:34
2-8 40. Rezitativ – Bass: Wohlan, Dein Name Soll Allein / Choral – Sopran: Jesu, Mein Freud Und Wonne 1:44
2-9 41. Arie – Tenor: Ich Will Nur Dir Zu Ehren Leben 4:28
2-10 42. Choral: Jesus Richte Mein Beginnen 2:34

Fünfter Teil / Am Sonntag Nach Neujahr
2-11 43. Chor: Ehre Sei Dir, Gott, Gesungen 6:03
2-12 44. Rezitativ – Evangelist: Da Jesus Geboren War Zu Bethlehem 0:22
2-13 45. Chor: Wo Ist Der Neugeborne König Der Juden? / Rezitativ – Alt: Sucht Ihn In Meiner Brust 1:41
2-14 46. Choral: Dein Glanz All Finsternis Verzehrt 1:05
2-15 47. Arie – Bass: Erleucht Auch Meine Finstre Sinnen 4:29
2-16 48. Rezitativ – Evangelist: Da Das Der König Herodes Hörte 0:09
2-17 49. Rezitativ – Alt: Warum Wolt Ihr Erschrecken? 0:34
2-18 50. Rezitaitv – Evangelist: Und Ließ Versammlen Alle Hohenpriester 1:12
2-19 51. Terzett – Sopran, Alt, Tenor: Ach, Wenn Wird Die Zeit Erscheinen? 5:59
2-20 52. Rezitativ – Alt: Mein Liebster Herrschet Schon 0:29
2-21 53. Choral: Zwar Ist Solche Herzensstube 1:13

Sechster Teil / Am Epiphaniasfest
2-22 54. Chor: Herr, Wen Die Stolzen Feinde Schnauben 5:12
2-23 55. Rezitativ – Evangelist: Da Berief Herodes Die Weisen Heimlich / Rezitativ – Herodes: Ziehet Hin Und Forschet Fleißig Nach Dem Kindlein 0:42
2-24 56. Rezitativ – Sopran: Du Falscher, Suche Nur Den Herrn Zu Fällen 0:50
2-25 57. Arie – Sopran: Nur Ein Wink Von Seinen Händen 4:15
2-26 58. Rezitativ – Evangelist: Als Sie Nun Den König Gehöret Hatten 1:14
2-27 59. Choral: Ich Steh An Deiner Krippen Hier 1:45
2-28 60. Rezitativ – Evangelist: Und Gott Befahl Ihnen Im Traum 0:23
2-29 61. Rezitativ – Tenor: So Geht! Genug, Mein Schatz Geht Nicht Von Hier 1:54
2-30 62. Arie – Tenor: Nun Mögt Ihr Stolzen Feinde Schrecken 4:17
2-31 63. Rezitativ – Sopran, Alt, Tenor, Bass: Was Will Der Höllen Schrecken Nun 0:51
2-32 64. Choral: Nun Seid Ihr Wohl Gerochen 3:36

Dorothea Röschmann: soprano
Andreas Scholl: alto
Werner Güra: tenor
Klaus Häger: bass

René Jacobs (cond.)
RIAS-Kammerchor
Akademie für alte Musik Berlin

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René Jacobs, gênio total
René Jacobs, gênio total

PQP

Ariana Savall & Hirundo Maris – Silent Night – Early Christmas Music and Carols

Filho de peixe, peixinho é, reza o dito popular. E com Arianna Savall nada pode ser tão certo. Filha de Jordi Savall e de Montserrat Figueiras, a soprano e harpista segue carreira solo com o mesmo sucesso e qualidade dos pais, contando com a ajuda de músicos altamente qualificados, e que conhecem muito sobre música antiga.
Neste CD temos Canções de Natal de diversas culturas e tradições, desde escandinavas, irlandesas, provençal, norueguesas, catalãs. Um festival de ritmos estilos.
O texto abaixo foi livremente traduzido por mim, com a ajuda do Google. Peço desculpas pelos erros que aparecerem:

“Hirundo Maris, o grupo liderado pela catalã Arianna Savall e pelo norueguês Petter Udland Johansen, nos convida a uma viagem mística ao mundo mágico do inverno, do Advento e da música natalina. Este programa especial de música, montado por Hirundo Maris, contém músicas com raízes tradicionais e origens antigas, canções do Norte e do Sul, cheias de alegria e músicas do presente que abraçam as músicas do passado. Hirundo Maris se caracteriza por arranjos musicais muito pessoais e criativos e um amor pelo passado que se funde com o presente. Neste programa, o espírito antigo se harmoniza com o moderno.
As vozes puras e expressivas de Arianna e Petter se misturam em um diálogo delicado com uma grande variedade de instrumentos. Os músicos de Hirundo Maris são de muitos países europeus: Noruega, Inglaterra, Alemanha, Polônia, Espanha e Catalunha. Ouvimos gaitas de foles alegres, o virtuoso cornetto e violinos, flautas cheias de luz, a intensa hardingfele, o baixo profundo e constante, o poético Dobro, as harpas oníricas e a percussão cantada.”

Maiores informações no belo booklet que tem o link abaixo.

1 The Holly and the Ivy & El noi de la mare
(Trad. English & Catalan, arr. Arianna Savall & Petter Udland Johansen)
2 El desembre congelat
“Trad. Catalan, arr. Arianna Savall & Petter Udland Johansen”
3 Ay, que me abraso, ay!
Juan García de Zéspedes (c.1619–1679), arr. Arianna Savall & Petter Udland Johansen
4 Mitt hjerte alltid vanker
Trad. Scandinavian, arr. Arianna Savall & Petter Udland Johansen
5 Es ist ein Ros entsprungen
Michael Praetorius (1571–1621), arr. Arianna Savall
6 The Wexford Carol
Trad. Irish, arr. Arianna Savall & Petter Udland Johansen
7 Ô nuit brillante
Trad. Provençal, arr. Joseph Bovet, Arianna Savall & Petter Udland Johansen
8 El cant dels ocells
Trad. Catalan, arr. Jordi Savall
9 Kling no, klokka
Trad. Norwegian
10 La Salve
Arianna Savall
11 Rug Muire Mac do Dhia
Trad. Irish, arr. Arianna Savall
12 Stille Nacht
Franz Xaver Gruber (1787–1863) / Joseph Mohr (1792–1848) arr. Arianna Savall & Petter Udland Johansen

HIRUNDO MARIS
Arianna Savall soprano, Baroque triple harp, Renaissance harp
Petter Udland Johansen tenor, hardingfele, mandolin
Adam Taubitz violin (tr. 6) Sveinung Lilleheier Dobro, acoustic guitar
Gesine Bänfer cittern, flute, whistles
Ian Harrison whistle, border pipe, mute cornett
Miquel Àngel Cordero double bass Pedro Estevan percussion

CD BAIXE AQUI DOWNLOAD HERE

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Hirundo Maris

Handel (1685-1759) ∞ Messiah ∞ Christopher Hogwood

Handel (1685-1759)   ∞   Messiah   ∞   Christopher Hogwood

Handel

Messiah

Hogwood

Eu odeio dezembros! Onde moro faz um calor insuportável e a barba coça, demais. Suo às bicas e a fantasia vermelha não ajuda. Quando me livro de tudo isso e tento voltar para casa, o trânsito é péssimo.

Ah, tem os famosos livros-de-ouro! Brotam dos mais inusitados cantos, brandidos por mãos que se esticam em minha direção, seguidas por caras sorridentes, que não costumo ver no resto ano!

Santa tirando um cochilo antes de distribuir os presentes para o pessoal do PQP

E nem me fale de panetone, não suporto. Passas então, tenho horror!

Mas, que fazer? Lá pelo dia 20 começo a ceder terreno e entrar no clima de frenesi de Natal!

Só o que me consola é a tradicional audição de música de Natal, em particular do Messias.

Every valley shall be exalted, and every mountain and hill made low: the crooked straight and the rough places plain.”

Is. XL, 4

Assim aproveito a ocasião para dividir essa maravilha com vocês e sem mais outras palavras que não sejam:

Feliz Natal!

Vejam lá, não vão esquecer o aniversariante!

George Frideric Handel (1685-1759)

MESSIAH

Foundling Hospital Version 1754

Judith Nelson, Emma Kirkby, sopranos
Carolyn Watkinson, contralto
Paul Elliott, tenor
David Thomas, baixo
Choir of Christ Church Cathedral, Oxford
dirigido por Simon Preston
The Academy of Ancient Music

Christopher Hogwood

Gravação: St. Jude-on-the-Hill, Londres
Produção: Peter Wadland
Hogwood, com os anjos…

CD1

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CD2

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For unto us a child is born!

Feliz Natal!

René Denon

Georg Friedrich Händel (1685-1759) – Messiah – Karl Richter

Finalmente, depois de treze anos, o PQPBach traz para os senhores, entusiastas ou não, uma das gravações mais emblemáticas da história da indústria fonográfica do século XX. Amada por uns, odiada por outros, foi minha porta de entrada para o universo handaelino, assim como para muitos outros.

Confesso que até há alguns anos eu tinha medo de postar esse CD. Mas acho que todos merecem uma chance neste mundo. E convenhamos, estamos falando de um dos maiores especialistas na obra de Bach no século XX, antes de Harnoncourt e Cia Ltda, e muito antes de Gardiner, Pinnock, entre outros, Essa sua gravação do Messiah pode até ser considerada um equívoco, mas ajudou a divulgar esta obra prima do barroco, uma das maiores composições e criações do ser humano desde que ele pisou na Terra.

Aqueles que não a conhecem, baixem e tirem suas conclusões, os que a odeiam, ignorem a postagem. Simples assim.

CD 1 DISC ONE

1. Symphony (Grave-Allegro Moderato)
2. Accompagnato (Tenor): Comfort Ye My People
3. Aria (Tenor): Ev’ry Valley Shall Be Exalted
4. Chorus: And The Glory Of The Lord Shall Be Revealed
5. Accompagnato (Bass): Thus Saith The Lord Of Hosts
6. Aria (Bass): But Who May Abide The Day Of His Coming
7. Chorus: And He Shall Purify
8. Recitative (Contralto): Behold, A Virgin Shall Conceive/Aria (Contralto): O Thou That Tellest Good
9. Chorus: O AThou That Tellest Good Tidings
10. Accompagnato (Bass): For Behold, Darkness Shall Cover
11. Aria (Bass): The People That Walked In Darkness
12. Chorus: For Unto Us A Child Is Born
13. Pifa (Pastoral Symphony)
14. Recitative (Soprano): There Were Shepherds Abiding In The Fields
15. Chorus: Glory To God In The Highest
16. Aria (Soprano): Rejoice Greatly, O Daughter Of Zion
17. Recitative (Contralto): Then Shall The Eyes Of The Blind /Duet: (Contralto, Soprano): He Shall Feed
18. Chorus: His Yoke Is Easy, His Burthen Is Light
19. Chorus: Behold The Lamb Of God
20. Aria (Contralto): He Was Despised
21. Chorus: Surely, He Hath Borne Our Griefs

DISC TWO

1. Chorus: And With His Stripes We Are Healed
2. Chorus: All We Like Sheep Have Gone Astray
3. Accompagnato (Tenor): All They That See Him
4. Chorus: He Trusted In God
5. Accompagnato (Tenor): Thy Rebuke Hath Broken His Heart
6. Arioso (Tenor): Behold, And See If There Be Any Sorrow
7. Accompagnato (Tenor): He Was Cut Off Out Of The Land/ Aria (Tenor): But Thou Didst Not leave His So
8. Chorus: Lift Up Your Heads, O Ye Gates
9. Recitative (Tenor): Unto Which Of The Angels/Chorus: Let All The Angels Of God Worship Him
10. Aria (Contralto): Thou Are Gone Up On High
11. Chorus: The Lord Gave The Word
12. Aria (Soprano): How Beautiful Are The Feet
13. Arioso (Tenor): Their Sound Is Gone Out
14. Aria (Bass): Why Do The Nations So Furiously Rage
15. Chorus: Let Us Break Their Bonds Asunder
16. Recitative (Tenor): He That Dwelleth In Heaven/Aria (Tenor): Thou Shalt Break Them
17. Chorus: Hallelujah
18. Chorus: Since By Man Came Death
19. Accompagnato (Bass): Behold, I Tell You A Mystery/Aria (Bass): The Trumpet Shall Sound
20. Recitative (Contralto): Then Shall Be Brought To Pass/Duet (Contralto, Tenor): O Death, Where Is Thy Sting?
21. Aria (Soprano): If God Be For Us
22. Chorus: Worthy Is The Lamb That Was Slain
23. Chorus: Amen

SOPRANO: HELEN DONATH
CONTRALTO: ANNA REYNOLDS
TENOR: STUART BURROWS
BASS: DONALD MCINTYRE
LONDON PHILHARMONIC ORCHESTRA
CHOIR: JOHN ALLDIS CHOIR
KARL RICHTER – CONDUCTOR

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Jakub Jan Ryba (1765-1815) – Česká mše vánoční (Missa de Natal Tcheca)

Não me lembro da fonte, mas li certa vez que os tchecos são o povo que menos frequenta igrejas na Europa. De fato, quem explora as cidades e vilarejos na Boêmia e Morávia encontra normalmente nas igrejas mais turistas do que locais, mais flashes do que orações. Por isso, considero um fenômeno que esta pequena Missa, escrita para amadores e num estilo pastoral, seja tão popular naquelas terras, e de tal modo que mesmo tchecos seculares lotem as igrejas na véspera de Natal (conhecida por lá como “Štědrý den”, ou “Dia Generoso”, devido à fartura das mesas humanas, que se estende até as manjedouras dos animais) para escutar essa peça tão arraigada às suas tradições de final de ano.

O compositor Ryba (“peixe”, em tcheco), mestre de música em várias escolas e pequenas igrejas da Boêmia, teve uma vida muito triste, que acabou por tirar de si depois de, pela milionésima vez, ter sido exonerado de suas funções. Numa deprimente ironia, um dos poucos monumentos à sua memória fica justamente no bosque em que se matou – além, claro, desse delicado memorial musical que é sua Missa de Natal Tcheca. Ainda que publicada com o pomposo título Missa solemnis Festis Nativitatis D. J. Ch. accommodata in linguam bohemicam musikamque redacta – que redacta per Jac. Joa. Ryba, a Missa de Ryba encanta justamente por nada ter de solene e pomposo. Ela é, por isso mesmo, imensamente popular em seu país: nas ruas de Praga, perto do Natal, escutei muitas pessoas assobiando ou cantarolando o “Hej, mistře!” (“Ei, mestre!”) que abre a obra.

Apesar dos títulos latinos do movimentos, a Missa é toda cantada na língua tcheca, que a música consegue, num pequeno milagre, fazer soar menos árida que o habitual. O libreto, do próprio Ryba, transpõe os acontecimentos da Judeia para os pequenos vilarejos da Boêmia, ao estilo das encantadoras e rústicas gravuras que, ainda hoje, os artesãos vendem nos mercados de Natal em toda República Tcheca.

Este álbum encantador também inclui alguns hinos natalinos, também em tcheco, harmonizados para as mesmas forças vocais e instrumentais da Missa. Espero que seja do agrado dos leitores-ouvintes de todos os credos, observantes ou seculares, e que enriqueça o “Dia Generoso” daqueles que o celebram.

JAKUB JAN RYBA – ČESKÁ MŠE VÁNOČNÍ – KOLEDY

Jakub Šimon Jan RYBA (1765-1815)

Missa de Natal Tcheca
01 – Kyrie
02 – Gloria
03 – Graduale
04 – Credo
05 – Offertorium
06 – Sanctus
07 – Benedictus
08 – Agnus Dei
09 – Communio

Hinos natalinos

10 – Čas radosti, veselosti
11 – Veselme se všichni nyní
12 – Vánoční hospoda
13 – Byla cesta, byla ušlapaná
14 – Nastal nám den veselý
15 – Vánoční roztomilosti
16 – Vánoční magnét a střelec
17 – Maria hustým lesem šla
18 – Vánoční vinšovaná pošta

Zdena Koublová, soprano
Pavla Vykopalová, mezzo soprano
Tomáš Černý, tenor
Roman Janál, barítono

Coro Infantil Kühn
Coro de Câmara da Rádio de Praga
Virtuosi di Praga

Oldřich Vlček, regência

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A partir de 6:30, a mesma Missa Tcheca numa gravação feita na magnífica Catedral de São Vito, no Castelo de Praga.

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concertos para Piano – Ronald Brautigam, Die Kölner Akademie & Michael Alexander Willens #BTHVN250

Chego atrasado para as comemorações do aniversário de 249 anos de Beethoven, porém trago para os senhores uma belíssima integral dos Concertos para Piano, recentemente lançada pelo selo BIS.
Ronald Brautigam é uma figura ímpar no cenário da música clássica. Excepcional pianista, e um dos principais intérpretes de Beethoven da atualidade, há alguns anos gravou uma das melhores integrais das Sonatas para Piano que já tive oportunidade de ouvir, porém tocadas em um fortepiano, sua especialidade.  Postamos estes volumes há alguns anos, e foram bem recebidos. Passados alguns anos, como seria de se esperar, gravou os Concertos para Piano do mesmo Ludwig, porém desta vez sentou-se em frente a um piano de cauda para encarar as obras. Novamente esta postagem foi muito bem recebida.
Pois bem, eis que neste final de década, o gajo resolve encarar novamente os mesmos concertos, porém desta vez voltou ao seu velho instrumento de guerra, o fortepiano. Antes disso, gravou alguns concertos de Mozart, com este mesmo instrumento. Curioso, não acham?
Mas esquisitices à parte, o que importa aqui é a qualidade da música e dos intérpretes envolvidos. Brautigam e o maestro Michael Alexander Willens já são parceiros de longa data e essa parceria tem gerado excelentes gravações. Então, vamos ao que viemos. Beethoven em altíssimo nível.

01. Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15- I. Allegro con brio
02. Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15- II. Largo
03. Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15- III. Rondo. Allegro
04. Piano Concerto No. 2 in B-Flat Major, Op. 19- I. Allegro con brio
05. Piano Concerto No. 2 in B-Flat Major, Op. 19- II. Adagio
06. Piano Concerto No. 2 in B-Flat Major, Op. 19- III. Rondo. Molto allegro
07. Piano Concerto No. 4 in G Major, Op. 58- I. Allegro moderato
08. Piano Concerto No. 4 in G Major, Op. 58- II. Andante con moto
09. Piano Concerto No. 4 in G Major, Op. 58- III. Rondo. Vivace
10. Piano Concerto No. 3 in C Minor, Op. 37- I. Allegro con brio
11. Piano Concerto No. 3 in C Minor, Op. 37- II. Largo
12. Piano Concerto No. 3 in C Minor, Op. 37- III. Rondo. Allegro – Presto
13. Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73 -Emperor– I. Allegro
14. Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73 -Emperor– II. Adagio un poco mosso
15. Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73 -Emperor– III. Rondo. Allegro

Ronald Brautigam – Pianoforte
Die Kölner Akademie
Michael Alexander Willens – Conductos

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O Mestre Esquecido, capítulo VII (Franck: Sonata – Szymanowski: Mythes – Wanda Wiłkomirska e Antonio Guedes Barbosa)

R-4147687-1356876153-5539.jpegPUBLICADO ORIGINALMENTE EM 6/11/2015

Um leitor-ouvinte apontou sons “alienígenas” na gravação que postei originalmente, frutos de meu semianalfabetismo em questões de mixagem. Com os devidos pedidos de desculpas pela bisonhice, e enquanto agradeço pela atenciosa notificação de minha patinada, convido as senhoras e senhores a baixarem a versão alien-free da ótima gravação de Wanda Wiłkomirska e de nosso “muso” Antonio.

Damos um tempo na interminável série sobre a Família das Cordas para atendermos ao coro uníssono de mimimis clamando por mais uma gravação com o Mestre Esquecido, nosso muso Antonio Guedes Barbosa.

Contentar gregos e troianos não é muito fácil, mas acho que esta gravação, estrelada por uma violinista, não deixará tão bicudos os amantes das cordas. Diferentemente do álbum anterior que postamos do duo, com miniaturas de Kreisler, neste aqui as obras têm partes bem mais importantes para o piano, ricos substratos para que nosso ídolo mostre seu brilho. A interpretação da Sonata de Franck é das melhores que conheço, e a tríade de peças de Szymanowski nos faz lamentar ainda mais que aquele maldito infarto do miocárdio tenha colhido o enorme talento de Barbosa antes que ele pudesse gravar outras coisas do polonês.

César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert FRANCK (1822-1890)

Sonata em Lá maior para violino e piano
01 – Allegretto ben moderato
02 – Allegro
03 – Recitativo – Fantasia (ben moderato)
04 – Allegretto poco mosso

Karol Maciej Korwin-SZYMANOWSKI (1882-1937)

Mythes, Três Poemas para violino e piano, Op. 30
05 – No. 1: La Fontaine d’Arethuse
06 – No. 2: Narcisse
07 – No. 3: Dryades et Pan

Wanda Wiłkomirska, violino
Antonio Guedes Barbosa, piano
a partir de um LP de 1973 da Connoisseur Society. Gravação relançada em 1987 em CD, mas que, como sói acontecer com a discografia do Mestre Esquecido, em nenhuma das formas chegou ao Brasil

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Como não teremos imagens de Barbosa suficientes para completar a série, rendemos homenagem à ótima Wiłkomirska, que hoje vive na Austrália e, aos 86 anos, é muito ativa como professora.
Como não teremos imagens de Barbosa suficientes para completar a série, rendemos homenagem à ótima Wiłkomirska (1929-2018), ativa até o final da vida como professora.

Vassily Genrikhovich [revalidado em 15/1/2021]

Vivaldi (1678-1741): Concerti – Orchestra of the Age of Enlightenment

Vivaldi (1678-1741): Concerti – Orchestra of the Age of Enlightenment

 

Antonio Vivaldi

Concertos

 

A combinação de uma orquestra especializada em música barroca ou clássica, tocando sem regente em instrumentos de época, uma coleção magnífica e variada de concertos de Vivaldi, exibindo a criatividade do Padre Vermelho, gera grande expectativa para um excelente álbum. Ao final, você dirá…

A música de Veneza até uma geração antes de Vivaldi concentrava-se na Basílica de São Marco, onde músicos com Monteverdi e Legrenzi deram continuidade à tradição estabelecida por Andrea e Giovanni Gabrieli. Com Vivaldi, a referência passou a ser os orfanatos com suas orquestras formadas pelas órfãs que eram exímias instrumentistas, principalmente o Ospedale della Pietà.

A música que Vivaldi produziu neste ambiente e que organizou em várias coleções que foram publicadas em Amsterdam entre 1711 e 1729, influenciou a música em todos os grandes centros da Europa. Em Paris, em Dresden, onde estava Georg Johann Pisendel, na Corte de Weimar, com o entusiasmado jovem Johann Sebastian Bach, grande admirador de Vivaldi. Também em Londres, Praga e Viena.

Proteo

O disco traz uma coleção que ilustra bem a razão de tal influência. Começa com uma versão expandida do Concerto ‘Il Proteo o sia il mondo al rovescio’, para grande combinação de instrumentos. A alusão ao deus grego se deve a sua capacidade de assumir diferentes formas. Na versão original, os solos para violino e violoncelo são tais que podem ser tocados tanto por um quanto pelo outro solista.

A coleção tem alguns concertos para um instrumento solista. Há um concerto para oboé, um para violoncelo e um para flauta, intitulado ‘La Notte’, que especialmente bonito. Este concerto existe em uma versão para concerto de câmera e foi reescrito nesta forma estendida, para flauta transversa, para fazer parte da coleção publicada como o Opus 10. Além disso, é um típico concerto programático, em seis partes, algumas com títulos como ‘Fantasmi’ e ‘Il sonno’.

Os outros concertos do programa são do tipo ‘multi instrumenti’ ou concerto duplo, como o concerto para duas trompas, RV 539.

O concerto para alaúde e viola d’amore, que encerra o disco, era particularmente caro ao compositor, que gostava da viola d’amore, cujo som aqui é combinado ao do alaúde lindamente.

Enfim, um disco primoroso no qual os membros da orquestra se fazem solistas na medida em que os concertos demandam, com a produção cuidadosa da gravadora Linn, para alegrar os amantes da música barroca, e além!

Antonio Vivaldi (1678-1741)

Concerto em fá maior para duas flautas, dois oboés, violino, violoncelo e cravo – ‘Il Proteo o sia il mondo al rovescio’, RV 572
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em ré menor para oboé e cordas, RV 454
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em ré menor para duas flautas doces, dois oboés, fagote e dois violinos, RV 566
  1. Allegro assai
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em fá maior para duas trompas, RV 539
  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro
Concerto em sol maior para violoncelo, RV 413
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto de câmera em sol menor para flauta, oboé, fagote, violino e contínuo, RV 107
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em sol menor para flauta – ‘La Notte’, RV 439
  1. Largo – Allegro – Largo – Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Concerto em ré menor para alaúde e viola d’amore, RV 540
  1. Allegro
  2. Largo
  3. Allegro
Lisa Beznosiuk & Neil McLaren, flautas
Anthony Robson & James Eastway, oboés
Margaret Faultless & Alison Bury, violinos
David Watkin, violoncelo
Paul Nicholson & John Toll, cravos
Catherine Latham & Emma Murphy, flautas doces
Andrew Watts, fagote
Andrew Clark & Roger Montgomery, trompas
Elizabeth Kenny, tiorba e alaúde
Catherine Mackintosh, viola d’amore

Gravado no Abbey Studio, Londres, julho de 1999

Produção: Ben Turner

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FLAC | 368 MB

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MP3 | 320 KBPS | 191 MB

Veja como termina uma crítica sobre este disco: Talvez uma das melhores coisas sobre esta coleção é sua flexibilidade rítmica. Não há a menor sombra aqui do estereótipo ‘máquina de costura barroca’!

Aproveitem!

René Denon

Béla Bartók (1881-1945): Pierre Boulez conducts Bartók

Béla Bartók (1881-1945): Pierre Boulez conducts Bartók

ATENDENDO A DIVERSOS PEDIDOS ESTOU MAIS UMA VEZ RENOVANDO OS LINKS DESTA HISTÓRICA POSTAGEM, UMA DE MINHAS FAVORITAS, NÃO APENAS PELA QUALIDADE DA MÚSICA MAS TAMBÉM PELO TALENTO DESTE MÚSICO EXTRAORDINÁRIO CHAMADO PIERRE BOULEZ. 

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Link revalidado por PQP, que não admite que esta extraordinária, notável, imbatível caixa esteja indisponível. (Pequena apresentação da repostagem de 2014)

Várias vezes declaramos aqui no PQP Bach nossa admiração e apreço pelo compositor hungaro Bèla Bartók. E também já declarei minha admiração pelo regente e compositor francês Pierre Boulez. Admiro mais sua carreira como regente, pois conheço pouco sua obra enquanto compositor.

Mas Boulez é o grande nome nesta caixa que ora começo a postar para os senhores. Desde a primeira vez que o ouvi como regente foi admiração imediata, digamos assim. Trata-se de um maestro mais afeito ao repertório do século XX, com poucas incursões no repertório do século XIX, com destaque para sua leitura de Wagner, polêmica, porém com grandes qualidades, de acordo com os especialistas da área, quando esteve à frente do Festival de Bayreuth, Mahler, do qual creio que já gravou todas as sinfonias, acho, e, é claro, Debussy, Boulez, na minha modesta opinião, é o grande intéprete da obra orquestral de Debussy.

Mas é no repertório do século XX que Boulez se encontra em casa. Bartók, Stravinsky, Berg, Schöenberg, Prokofiev, citando apenas alguns, entre dezenas de outros, tem no francês o seu referencial.

Esta caixa que estou começando a postar tem muitos méritos. Detalhe: são as gravações realizadas na Deutsche Grammophon. as realizadas pela antiga CBS, atual Sony, são outra história.

O nosso colega de blog CDFBach nos propôs há umas semanas atrás fazermos uma lista das nossas melhores postagens. Ao contrário dele, não sou muito afeito a listas. Resolvi então responder outra questão: quem era o grande compositor do Século XX na minha opinião, eu, FDPBach, reconhecidamente um romântico inveterado, com pouquíssimas incursões no século XX, escolher dentre dezenas de compositores que nem conheço? Escolhi então aquele que mais me atrai, e que melhor conheço: Bela Bartók. E no meio de diversas gravações que possuo, acho que o Boulez foi o regente que melhor conseguiu sintetizar aquilo que defino como o melhor para mim quando se trata desse compositor.

Listas são de gosto pessoal, e tenho certa dificuldade de realizá-las. Alguns mais céticos, ou críticos, poderão perfeitamente discordar de minhas opiniões, e de meus gostos. Dou-lhes toda razão, e é óbvio também que encontro alguns pontos fracos na caixa, que serão colocados no momento oportuno.

Béla Bartók – Four Orchestral Pieces, Op.12 (sz51), Concerto for Orchestra (Sz116)
CD 1

01 – Four Orchestral Pieces Op. 12 (Sz 51) – 1. Preludio – Moderato
02 – 2. Scherzo – Allegro
03 – 3. Intermezzo – Moderato
04 – 4. Marcia Funebre – Maestoso
05 – Concerto For Orchestra (Sz 116) – 1. Introduzione – Andante Non Troppo – Allegro vivace – Tempo I
06 – 2. Giuoco Delle Coppie – Allegretto Scherzando
07 – 3. Elegia – Andante, Non Troppo
08 – 4. Intermezzo Interrotto – Allegretto
09 – 5. Finale – Pesante – Presto

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Chicago Symphony Orchestra
Pierre Boulez – Conductor

CD 2

01 – Tanz Suite Sz77 – 1. Moderato
02 – 2. Allegro molto
03 – 3. Allegro vivace
04 – 4. Molto tranquillo
05 – 5. Comodo
06 – 6. Finale- Allegro
07 – Two Pictures op10 Sz746 – 1. In voller Bluete
08 – 2. Dorftanz
09 – Hungarian Sketches Sz97 – 1. Ein Abend auf dem Lande – Lento rubato – Allegro
10 – 2. Barentanz – Allegro vivace
11 – 3. Melodie – Andante
12 – 4.Etwas angeheitert – Leggermente ubriaco
13 – 5. Ueroeger Schweinehirtentanz – Allegro molto
14 – Divertimento Sz113 – 1. Allegro non troppo
15 – 2. Molto adagio
16 – 3. Allegro assai

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CD 3

01 – Piano Concerto No.1 in E minor, Sz.83 (1926) – 1. Allegro moderato – Allegro
02 – 2. Andante – Allegro – attacca-
03 – 3. Allegro molto
04 – Piano Concerto No.2 in G major, Sz.95 (1930-1) – 1. Allegro
05 – 2. Adagio – Presto – Adagio
06 – 3. Allegro molto – Presto
07 – Piano Concerto No.3 in E major, Sz.119 (1945, Tibor Serly) – 1. Allegretto
08 – 2. Adagio religioso
09 – 3. Allegro vivace

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CD 4

01 – Concerto for two pianos, Percussion and Orchestra – 1 Assai Lento
02 – Concerto for two pianos, Percussion and Orchestra – 2 Lento Ma Non Troppo
03 – Concerto for two pianos, Percussion and Orchestra – 3 Allegro Ma Non Troppo
04 – Concerto for violin and Orchestra 1 – 1 Andante Sostenuto
05 – Concerto for violin and Orchestra 1 – 2 Allegro giocoso
06 – Concerto for viola and Orchestra – 1 Moderato
07 – Concerto for viola and Orchestra – 2 Adagio Religioso
08 – Concerto for viola and Orchestra – 3 Allegro vivace

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CD 5

01 – Concerto for Violin and Orchestra no.2 Sz112 – 1. Allegro non troppo
02 – 2. Andante tranquillo
03 – 3. Allegro molto
04 – Rhapsody for Violin and Orchestra – 1. Lassú. Moderato
05 – 2. Friss. Allegretto moderato
06 – Rhapsody for Violin and Orchestra no.2 Sz90 – 1. Lassú. Moderato
07 – 2. Friss. Allegro moderato

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CD 6

01 – Prologue – ‘The Tale Is Old’ – ‘Here We Are Now’
02 – Judith – ‘Is This Really Bluebeard’s Castle’
03 – Judith – ‘Ah, I See Seven Great Shut Doorways’
04 – First Door – Judith – ‘Woe!’ – ‘What Seest Thou’
05 – Second Door – Bluebeard – ‘What Seest Thou’
06 – Third Door – Judith – ‘Mountains Of Gold!’
07 – Fourth Door – Judith – ‘Ah! Lovely Flowers’
08 – Fifth Door – Bluebeard – Look, My Castle Gleams And Brightens’
09 – Sixth Door – Judith – ‘I Can See A Sheet Of Water’
10 – Bluebeard ‘The Last Of My Doors Must Stay Shut’
11 – Judith – ‘Now I Know It All, O Bluebeard’
12 – Bluebeard – ‘Hearts That I Have Loved And Cherished’

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CD 7

01 – Cantata Profana I. there was once an old man
02 – II. but their father grew impatient
03 – III. Volt egy oreg apo
04 – The Wooden Prince – Introduction
05 – First Dance
06 – Second Dance
07 – Third Dance
08 – Fourth Dance
09 – Fifth Dance
10 – Sixth Dance
11 – Seventh Dance

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CD 8

01 – The Miraculous Mandarin, Op. 19, Sz 73- Beginning (Allegro)
02 – First seduction game- the shabby old rake (Moderato)
03 – Second seduction game
04 – Third seduction game (Sostenuto)
05 – The Mandarin enters and remains immobile in the doorway… (Maestoso)
06 – The girl sinks down to embrace him… (Allegro)
07 – The tramps leap out, seize the Mandarin and tear him away from the girl
08 – Suddenly the Mandarin’s head appears between the pillows and he looks longingly at the gio
09 – The terrified tramps discuss how they are to get rid of the Mandarin at last. (Agitato)
10 – The body of the Mandarin begins to glow with a greenish blue light. (Molto moderato)
11 – She resists no longer; they embrace (Più mosso – Vivo)
12 – Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz 106- Andante tranquillo
13 – Allegro
14 – Adagio
15 – Allegro molto

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Boulez:
Boulez: primeira foto é tua, guri

FDPBach

In memoriam Mariss Jansons (1943-2019) – Wolfgang Rihm (1952): Requiem-Strophen – Chor und Symphonieorchester des Bayerischer Rundfunks

Prestamos, antes tarde que ainda mais tarde, nossa homenagem ao magnífico Mariss Jansons, que deixou este vale de lágrimas no estrebucho do último novembro. Falo em lágrimas, e também de como Jansons, depois de longa enfermidade, deixou o mundo, antes mesmo de lembrar as duras circunstâncias em que veio a ele: na Letônia ocupada por Hitler, talvez o pior momento no século para se nascer letão e de ventre judeu, um pouco depois de sua mãe escapar do gueto de Riga e de sua liquidação. Cresceu sob a inspiração do pai regente, que sucumbiu a um infarto no palco, e de uma mãe cantora lírica, e seguiu sua formação no mesmo Conservatório de Leningrado em que depois lecionaria, no qual também estudaram Tchaikovsky e Shostakovich, que sempre estariam no cerne de seu repertório. O posto de assistente na Filarmônica local, liderada pelo legendário Mravinsky, trouxe-lhe notoriedade e convites, não sem várias pestanas queimadas por conta de seus opressores de Moscou, para trabalhar e estudar com Karajan e Swarowsky. Sob sua direção (1979-2000), a discreta Filarmônica de Oslo saltou para um patamar com que nunca sonhara entre as orquestras do mundo. Depois de mais de vinte anos a comandá-la, deixou-a para assumir a Sinfônica de Pittsburgh (1997-2004), não sem antes repetir a escrita do pai e infartar no palco, desgraça que só não foi completa porque foi prontamente atendido depois do colapso. Em seguida, encontraria os conjuntos mais importantes de sua formidável carreira: a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam (2004-2015) e, ainda mais notavelmente, a Sinfônica da Rádio Bávara, que conduziu até o final da vida, e com quem realizou a gravação ao vivo que ora compartilhamos.

O Réquiem de Wolfgang Rihm, composto em 2016 e cuja première nossos leitores-ouvintes apreciarão nas faixas a seguir, é, na tradição de “Um Réquiem Alemão” de Brahms, menos uma obra litúrgica do que uma reflexão sobre a vida e a morte, baseada em textos tão diversos quanto sonetos de Michelangelo, poemas de Rilke e salmos bíblicos, e concluída por “Strophen”, de Hans Sahl, donde seu epíteto. Constrito, ainda que com momentos de velada celebração, é uma composição que me deu, desde a primeira audição, a impressão de merecer manter-se no repertório. Jansons demonstra aqui sua fabulosa capacidade de compreender uma obra por inteiro – no caso, imensa, novíssima, inédita, sem qualquer tradição interpretativa em que se pudesse basear – e expressar em sua leitura um maravilhoso senso de continuidade e coerência. Rihm derramou-se em elogios, e nossos leitores-ouvintes, creio eu, hão de se lhe juntar ao coro.

Já com saudades do maiúsculo Maestro que, por todos os relatos, era um humilde servo da Música, tão exigente quanto gentil com seus colegas e generoso com seus muitos protegidos, e enquanto me desculpo pelo que talvez seja a indelicadeza de colocá-lo a reger seu próprio Réquiem, faço votos de que, lá nas Esferas, haja música tão extraordinária quanto a que nos deixou moldada pela batuta.

RIHM – REQUIEM-STROPHEN – MARISS JANSONS

Wolfgang RIHM (1952)
REQUIEM-STROPHEN, para solistas, coro e orquestra (ESTREIA MUNDIAL)

PARTE I

1 – I: Initial
2 – II
3 – III: Kyrie

PARTE II

4 – IV: Sonett I
5 – V.a: Psalm
6 – VI: Sonett II
7 – V.b: Psalm
8 – VII: Sonett III

PARTE III

9 – VIII
10 – IX: Lacrimosa I
11 – X: Sanctus
12 – XI

PARTE IV

13 – XII: Lacrimosa II
14 – XIII: Agnus Dei
15- XIV: Epilog (Strophen)

Mojca Erdmann e Anna Prohaska, sopranos
Hanno Müller-Brachmann, barítono
Coro e Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara
Mariss Jansons, regente

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Se eu fosse chefe do estagiário do G1 e lesse o “Neujahrskonzert”/’New Year’s Concert” (Concerto de Ano Novo) de Viena transfigurado em “Concerto de Nova York”, propor-lhe ia a pena de demissão sumária, demolição da habitação, banho de penas após submersão em piche, defenestração sobre uma piscina de ariranhas e – talvez aqui um pouco de crueldade – André Rieu no repeat. Como, no entanto, sou um mero estagiário do PQP Bach, contento-me a ficar aqui, ruminando fel…

 

 

 

 

… esperando que todos os maestros que também se consideram músicos depositem suas batutas (e Gergiev, seu palito de dentes) na jugular do infeliz.

Vassily

Gioachino Rossini (1863-1867): Petite messe solennelle – Pavarotti, Mirella Freni, Lucia Valentini-Terrani e Ruggero Raimondi

Gioachino Rossini (1863-1867): Petite messe solennelle – Pavarotti, Mirella Freni, Lucia Valentini-Terrani e Ruggero Raimondi

Essa peça peculiar de Rossini (1863-1867) é elegante e tem uma beleza irresistível, maravilhosa. Cerca de 30 anos após completar sua última ópera (Guilherme Tell) Rossini volta a compor (oficialmente). A “Petite messe solennelle”, escrita entre os anos de 1863 e 1864, em Passy, na França. Possivelmente a pedido do conde Alexis Pillet-Will para sua esposa Louise, a quem Rossini dedica a obra. O compositor a descreveu como o último dos “péchés de vieillesse” (pecados da velhice). O trabalho extenso é uma missa solemnis, mas Rossini o rotulou, não sem ironia como “pequena missa”.

O Harmonium

Rossini indicou originalmente a missa para doze cantores, quatro deles solistas, dois pianos e harmônium (instrumento de teclas que é similar a um órgão de igreja). Tons sagrados se misturam perfeitamente com alusões às suas óperas cômicas. A missa é enigmática, mas agradável, Rossini demonstra sua rica paleta musical, variando de remanescentes barrocos a audácias harmônicas que apontam para a música de Fauré. Apesar dessa variedade estilística, a missa soa inconfundivelmente no bom tom rossiniano. A missa foi cantada pela primeira vez em 14 de março de 1864 na capela particular do casal Pillet-Will em Paris . Mais tarde, Rossini produziu uma versão orquestral, incluindo um movimento adicional, uma composição do hino “O salutaris hostia” como uma ária soprano. Esta versão da missa não foi cantada durante sua vida, porque ele não pôde obter permissão para executá-la com cantoras de uma igreja. Foi apresentada pela primeira vez três meses após sua morte, no Salle Ventadour em Paris pela companhia do Théâtre-Italien em 24 de fevereiro de 1869. Dizem que Rossini orquestrou esse trabalho tardio antes de sua morte, a fim de impedir que outro compositor tentasse a tarefa, mostrando que ele realmente preferia a versão original íntima. AQUI o querido fdpbach postou a considerada melhor versão orquestral: maestro Pappano, e AQUI uma incrível versão do original a 12 vozes que o pqpbach postou com um texto mais incrível ainda.

Junto à composição foi achada as seguintes notações manuscritas por Rossini:
1 – “Petite Messe Solennelle”, para quatro vozes com acompanhamento de dois pianos e harmonium, composta em Passy durante minhas férias. Os doze cantores de três sexos (!!!) – homem, mulheres e castrati – serão o suficiente para esta performance; isso é, oito para o coro e quatro solistas, fazendo doze querubins no total. Querido Deus, perdoe-me pela seguinte comparação. Também há doze apóstolos na celebrada tela pintada por Leonardo, chamada A Última Ceia. Quem acreditaria que entre Teus discípulos há aqueles que cantam fora do tom! Senhor, tenha certeza: eu afirmo que nāo haverá um Judas em minha Ceia, e que os meus cantarão no tom e com amor as Tuas preces e essa pequena composição, que é o meu último pecado de minha velhice”.

2 “Querido Deus, aqui está, a pobre missazinha. Compus música sacra ou uma música amaldiçoada? Eu fui feito para a ópera cômica, como você bem sabe. Um pouco de competência, um pouco de coração e isso é tudo. Abençoado seja e deixe-me entrar em seu paraíso”.

Acho que a “Petite Messe solennelle” é um trabalho interessante e muito bonito sobretudo as faixas 1-Kyrie, 2-Gloria e 8-Credo. Os cantores são acompanhados apenas por um piano (Leone Magiera) e harmônium (Vittorio Rosetta). O Coro Polifonico del Teatro alla Scala canta sob a batuta de Romano Gandolfi. Os solistas são Pavarotti, Mirella Freni, Lucia Valentini-Terrani e Ruggero Raimondi. Eles conseguem uma interpretação muito calma e introspectiva. O timbre autêntico do Pavarotti é como sempre um sonho, Valentini-Terrani, referência em se tratando de Rossini, canta lindamente. Apenas Raimondi parece um pouco tenso em seu solo, sei lá… Já a Mirella Freni está encantadora.

Pessoal, divirtam-se com este “pecado da velhice”, a maravilhosa música de Rossini !!!

Rossini: Petite messe solennelle
01 – No. 1, ‘Kyrie’
02 – No. 2, ‘Gloria’
03 – No. 3, ‘Gratias agimus tibi’
04 – No. 4, ‘Domine Deus’
05 – No. 5, ‘Qui tollis peccata mundi’
06 – No. 6, ‘Quoniam tu solus sanctus’
07 – No. 7, ‘Cum sancto spiritu’
08 – No. 8, ‘Credo’
09 – No. 9, ‘Crucifixus’
10 – No. 10, ‘Et resurrexit’
11 – No. 11, ‘Preludio religioso’
12 – No. 12, ‘Sanctus’
13 – Rossini – Petite Messe solennelle, O salutaris
14 – Rossini – Petite Messe solennelle, Agnus Dei

Luciano Pavarotti – Tenor
Mirella Freni – Soprano
Lucia Valentini-Terrani – Mezzo-Soprano
Ruggero Raimondi – Baixo

Vittoria Rosetta – Harmonium
Leone Magiera – Piano

Coro Polifonico de Teatro Alla Scala
Romano Gandolfi – Regente

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Ammiratore

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas, vol. 13

“Volume 13 in this CD presentation contains the third series of chorale cantatas from the second annual cycle Bach composed for Leipzig. Following the discussion of the nine individual works, a chronology shows the order in which they were first performed during 1724-25.”

 

 

COMPACT DISC 1

“Wie schön leuchtet der Morgenstern” BWV 1
Feast of the Annunciation

1. Chorus: “Wie schön leuchtet der Morgenstern”
2. Recitative (Tenor): “Du wahrer Gottes und Marien Sohn”
3. Aria (Soprano): “Erfüllet, ihr himmlischen göttlichen Flammen”
4. Recitative (Bass): “Ein irdscher Glanz, ein leiblich Licht”
5. Aria (Tenor): “Unser Mund und Ton der Saiten”
6. Chorale: “Wie bin ich doch so herzlich froh”

“Nun komm, der Heiden Heiland” BWV 62
Advent Sunday

7. Chorus: “Nun komm, der Heiden Heiland”
8. Aria (Tenor): “Bewundert, o Menschen, dies große Geheimnis”
9. Recitative (Bass): “So geht aus Gottes Herrlichkeit und Thron”
10. Aria (Bass): “Streite, siege, starker Held!”
11. Recitative (Soprano): “Wir ehren diese Herrlichkeit”
12. Chorale: “Lob sei Gott, dem Vater, ton”

“Herr Christ, der einge Gottessohn” BWV 96
18th Sunday after Trinity

13. Chorus: “Herr Christ, der einge Gottessohn”
14. Recitative (Alto): “O Wunderkraft der Liebe”
15. Aria (Tenor): “Ach, ziehe die Seele mit Seilen der Liebe”
16. Recitative (Soprano): “Ach, führe mich, o Gott, zum rechten Wege”
17. Aria (Bass): “Bald zur Rechten, bald zur Linken”
18. Chorale: “Ertöt uns durch dein Güte”

Appendix BWV 62: Nun komm, der Heiden Heiland
Strings, basso continuo, bass 19. Aria (Bass): “Streite, siege, starker Held!” 5’04

COMPACT DISC 2
“Aus Tiefer Not schrei ich zu dir” BWV 38
21st Sunday after Trinity

1. Chorus: “Aus tiefer Not schrei ich zu dir”
2. Recitative (Alto): “In Jesu Gnade wird allein”
3. Aria (Tenor): “Ich höre mitten in den Leiden”
4. Recitative (Soprano): “Ach! Daß mein Glaube noch so schwach”
5. Aria (Terzetto S, A, B): “Wenn meine Trübsal als mit Ketten”
6. Choral: “Ob bei uns ist der Sünden viel” l’20

“Wer nur den lieben Gott läßt walten” BWV 93
5th Sunday after Trinity

1. Chorus: “Wer nur den lieben Gott läßt walten”
8. Recitative • Chorale (Bass): “Was helfen uns die schweren Sorgen?”
9. Aria (Tenor): “Man halte nur ein wenig stille”
10. Aria (Duetto S, A) • Chorale: “Er kennt die rechten Freudenstunden”
11. Recitative • Chorale (Tenor): “Denk nicht in deiner Drangsalshitze”
12. Aria (Soprano): “Ich will auf den Herren schaun”
13. Chorale: “Sing, bet und geh auf Gottes Wegen”

“Allein zu dir, Herr Jesu Christ” BWV 33
13th Sunday after Trinity

14. Chorus: “Allein zu dir, Herr Jesu Christ”
15. Recitative (Bass): “Mein Gott und Richter”
16. Aria (Alto): “Wie furchtsam wankten meine Schritte”
17. Recitative (Tenor): “Mein Gott, verwirf mich nicht”
8. Aria (Duetto T, B): “Gott, der du die Liebe heißt”
19. Chorale: “Ehr sei Gott in dem höchsten Thron”

COMPACT DISC 3
“Ich freue mich in dir” BWV 133
3rd day of Christmas

1. Chorus: “Ich freue mich in dir”
2. Aria (Alto): “Getrost! Es faßt ein heiiger Leib”
3. Recitative (Tenor): “Ein Adam mag sich voller Schrecken”
4. Aria (Soprano): “Wie lieblich klingt es in den Ohren”
5. Recitative (Bass): “Wohlan! Des Todes Furcht and Schmerz”
6. Chorale: “Wohlan, so will ich mich”

“Das neugeborne Kindelein” BWV 122
Sunday after Christmas

7. Choral: “Das neugeborne Kindelein”
8. Aria (Bass): “O Menschen, die ihr täglich sündigt”
9. Recitative (Soprano): “Die Engel, welche sich zuvor”
10. Aria (Terzetto S, A, T): “Ist Gott versöhnt und unser Freund”
11. Recitative (Bass): “Dies ist ein Tag”
12. Choral: “Es bringt das rechte Jubeljahr”

“Ich hab in Gottes Herz und Sinn” BWV 92
Septuagesima Sunday

13. Chorus: “Ich hab in Gottes Herz und Sinn”
14. Recitative • Chorale (Bass): “Es kann mir fehlen nimmermehr!”
15. Aria (Tenor): “Seht, seht! wie reißt, wie bricht, wie fällt”
16. Choral: “Zudem ist Weisheit und Verstand”
17. Recitative (Tenor): “Wir wollen nun nicht länger zagen”
18. Aria (Bass): “Das Stürmen von den rauhen Winden”
19. Choral • Recitative (S,A,T,B): “Ei nun, mein Gott, so fall ich dir”
20. Aria (Soprano): “Meinem Hirten bleib ich treu”
21. Chorale: “Soll ich den auch des Todes Weg”

Deborah York soprano
Franziska Gottwald alto
Paul Agnew tenor
Klaus Mertens bass
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 (seleção) – Dmitri Shostakovich, piano

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 (seleção) – Dmitri Shostakovich, piano

Sim, prometi a saideira, e quem melhor para oferecê-la que o responsável por tudo o que lhes alcancei nos últimos dias – sim, ele mesmo, o próprio Dmitri Dmitrievich?

Shostakovich legou-nos versões próprias de quase metade de seu Op. 87, gravadas entre vários estúdios e radiodifusões, com qualidade entre sofrível e lamentável. Como já puderam ouvir em outros registros que compartilhamos aqui no PQP, Dmitri Dmitrievich era um pianista muito competente, inda que impaciente, e um prestidigitador propenso a esbarrar em várias notas indesejadas e, ainda assim (pois eu lhes falei que ele era impaciente), considerar o take feito e a gravação aprovada. Noutras palavras, sua preferência como intérprete era a mesma que tenho como ouvinte: a impressão do todo à precisão nota a nota.

Já os leitores-ouvintes que consideram as versões de Tatiana Nikolayeva definitivas e as mais próximas às intenções de Shostakovich – dada sua posição única como inspiradora da obra, sua consultora durante toda a composição, e sua intérprete na estreia, na primeira gravação e ao longo de toda sua carreira de recitalista – estes ficarão surpresos com as ideias que Dmitri tinha ao teclado para seu Op.87.

Dmitri Dmitrievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87 (seleção)

Dmitri Shostakovich, piano

01 – Prelúdio e Fuga no. 1 em Dó maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 2 em Lá menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 3 em Sol maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 4 em Mi menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 5 em Ré maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 6 em Si menor
07 – Prelúdio e Fuga no. 7 em Lá maior
08 – Prelúdio e Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
09 – Prelúdio e Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
10 – Prelúdio e Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
11 – Prelúdio e Fuga no. 14 em Mi bemol menor

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Vassily Genrikhovich

Сигарета/Cigarro № 9231574 de 14551211

.: interlúdio :. Cyminology: Saburi (2011)

.: interlúdio :. Cyminology: Saburi (2011)

Este é um daqueles discos típicos de jazz da ECM / Manfred Eicher — bonito, com som espetacular e contemplativo. Há um amigo que chama este tipo de jazz de “Te vejo lá na esquina em 5 min”. Quem conhece sabe que a ironia é válida, pois estes sons claros, free, seguros e familiares estão conosco há meio século. Aqui há também uma voz feminina. Ela se chama Cymin Samawatie, uma moça de origem iraniana que vive em Berlim. Ao lado de um trio formado pelo pianista Benedikt Jahnel, baixista Ralf Schwarz e baterista Ketan Bhatti, Cymin traz de volta uma clássica configuração de jazz de câmara, sempre muito apreciada no jazz moderno. Saburi, em persa moderno, significa “paciência”). Um disco melodioso, eufônico e muito bom.

Cyminologu: Saburi (2011)

1. Sibaai
2. Saburi
3. Shakibaai
4. Norma
5. As maa
6. Nemibinam
7. Hedije
8. Hawaa

Saburi:
Cymin Samawatie (vocals)
Benedikt Jahnel (piano)
Ralf Schwarz (doublebass)
Ketan Bhatti (drums percussion)

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O Saburi

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas, vol. 12 – Ton Koopman, Amsterdam Baroque Orchestra, Larsson , Sibylla Rubens , etc.

“The cantatas in this volume all date from Johann Sebastian Bach’s second year of office as Thomaskantor in Leipzig. Based on Lutheran hymns, most of them were composed in the second half of 1724, though two (BWV 124 and 111) were written in the first weeks of 1725. The series of chorale cantatas, which breaks off in early 1725, forms an almost complete yearly cycle which derives an exceptional unity of style and content from its debt to established Lutheran hymnody. Almost all the cantatas contain the first and last verse of a hymn, the other verses being paraphrased in recitatives and arias. Only one cantata from the 1724-25 cycle, BWV 107, uses all the verses of a hymn unaltered.The identity of the librettist for the chorale cantata cycle is unknown, but he must have worked closely with Bach.The most likely candidate is Andreas Stöbel, former Co-Rector of the Thomasschule, who died in early 1725. (…)”

COMPACT DISC 1
“Ach Herr, mich armen Sünder” BWV 135
3rd Sunday after Trinity

1 Chorus: “Ach Herr, mich armen Sünder”
2 Recitative (Tenor): “Ach heile mich, du Arzt der Seelen”
3 Aria (Tenor): “Tröste mir, Jesu, mein Gemüte”
4 Recitative (Alto): “Ich bin von Seufzen müde”
5 Aria (Bass): “Weicht, all ihr Übeltäter”
6 Chorale: “Ehr sei ins Himmels Throne”

“Meinen Jesum laß ich nicht” BWV 124
1st Sunday after Epiphany

7 Chorus: “Meinen Jesum laß ich nicht”
8 Recitative (Tenor): “Solange sich eine Tropfen Blut”
9 Aria (Tenor): “Und wenn der harte Todesschlag”
10 Recitative (Bass): “Doch ach!”
11 Aria (Duet: Soprano, Alto): “Entziehe dich eilends, mein Herze, der Welt”
12 Chorale: “Jesum laß ich nicht von mir”

Christum wir sollen loben schon” BWV 121
2nd day of Christmas

13 Chorus: “Christum wir sollen loben schon”
14 Aria (Tenor): “O du von Gott erhöhte Kreatur”
15 Recitative (Alto): “ Der Gnade unermeßlichs Wesen”
16 Aria (Bass): “Johannis freudenvolles Springen”
17 Recitative (Soprano): “Doch wie erblickt es dich in deiner Krippe?”
18 Chorale: “Lob, Ehr und Dank sei dir gesagt”

“Was mein Gott will, das g’scheh allzeit” BWV 111
3rd Sunday after Epiphany

19 Chorus: “Was mein Gott will, das g’scheh allzeit”
20 Aria (Bass): “Entsetze dich, mein Herze, nicht”
21 Recitative (Alto): “ O Törichter! der sich von Gott entzieht”
22 Aria (Duet: Alto, Tenor): “So geh ich mit beherzten Schritten”
23 Recitative (Soprano): “Drum wenn der Tod zuletzt den Geist
24 Chorale: “Noch eins, Herr will ich bitten dich”

COMPACT DISC 2

“Was Gott tut, das ist wohl getan” (II) BWV 99
15th Sunday after Trinity

1 Chorus: “Was Gott tut, das ist wohl getan”
2 Recitative (Bass): “Sein Wort der Wahrheit stehet fest”
3 Aria (Tenor): “Erschüttre dich nur nicht, verzagte Seele”
4 Recitative (Alto): “ Nun, der von Ewigkeit geschlossne Bund”
5 Aria (Duet: Soprano, Alto): “Wenn des Kreuzes Bitterkeiten”
6 Chorale: “Was Gott tut, das ist wohl getan”

“Jesu, der du meine Seele” BWV 78
14th Sunday after Trinity

7 Chorus: “Jesu, der du meine Seele”
8 Aria (Duet: Soprano, Alto): “Wir eilen mit schwachen, doch emsigen Schritten”
9 Recitative (Tenor): “Ach! ich bin ein Kind der Sünden”
10 Aria (Tenor): “Das Blut, so meine Schuld durchstreicht”
11 Recitative (Bass): “Die Wunden, Nägel, Kron und Grab”
12 Aria (Bass): “Nun du wirst mein Gewissen stillen”
13 Chorale: “Herr, ich glaube, hilf mir Schwachen”

“Ach, lieben Christen, seid getrost” BWV 114
17th Sunday after Trinity

14 Chorus: “Ach, lieben Christen, seid getrost”
15 Aria (Tenor): “Wo wird in diesem Jammertale”
16 Recitative (Bass): “O Sünder, trage mit Ged uld”
17 Chorale (Soprano): “Kein Frucht das Weizenkörnlein bringt”
18 Aria (Alto): “Du machst, o Tod, mir nun nicht ferner bange”
19 Recitative (Tenor): “Indes bedenke deine Seele”
20 Chorale: “Wir wachen oder schlafen ein”

COMPACT DISC 3
“Gelobet seist du, Jesu Christ” BWV 91
Christmas Day – Jour de Noël

1 Chorus: “Gelobet seist du, Jesu Christ”
2 Recitative and Chorale (Soprano): “Der Glanz der höchsten Herrlichkeit”
3 Aria (Tenor): “Gott, dem der Erdenkreis zu klein”
4 Recitative (Bass): “O Christenheit!”
5 Aria (Duet: Soprano, Alto): “Die Armut, so Gott auf sich nimmt”
6 Chorale: “Das hat er alles uns getan”

“Was willst du dich betrüben” BWV 107
7th Sunday after Trinity

7 Chorus: “Was willst du dich betrüben”
8 Recitative (Bass): “Denn Gott verlässet keinen”
9 Aria (Bass): “Auf ihn magst du es wagen”
10 Aria (Tenor): “Wenn auch gleich aus der Höllen”
11 Aria (Soprano): “Er richts zu seinen Ehren”
12 Aria (Tenor): “Drum ich mich ihm ergebe”
13 Chorale: “Herr, gib, daß ich dein Ehre”

“Du Friedefürst, Herr Jesu Christ” BWV 116
25th Sunday after Trinity

14 Chorus: “Du Friedefürst, Herr Jesu Christ”
15 Aria (Alto): “Ach, unaussprechlich ist die Not”
16 Recitative (Tenor): “Gedenke doch”
7 Aria (Trio: Soprano, Tenor, Bass): “Ach, wir bekennen unsre Schuld”
18 Recitative (Alto): “Ach, laß uns durch die scharfen Ruten”
19 Chorale: “Erleucht auch unser Sinn und Herz”

“Liebster Gott, wenn werd ich sterben?” BWV 8
16th Sunday after Trinity

20 Chorus: “Liebster Gott, wenn werd ich sterben?”
21 Aria (Tenor): “Was willst du dich, mein Geist, entsetzen”
22 Recitative (Alto): “Zwar fühlt mein schwaches Herz”
23 Aria (Bass): “Doch weichet, ihr tollen, vergeblichen Sorgen!”
24 Recitative (Soprano): “Behalte nur o Welt, das Meine!”
25 Chorale: “Herrscher über Tod und Leben”

Appendix: BWV 8 Version with traverso and oboe d’amore

26 Aria (Bass): “Doch weichet, ihr tollen, vergeblichen Sorgen!” 4’58

Lisa Larsson Sibylla Rubens (BWV 116) soprano
Annette Markert alto
Christoph Prégardien tenor
Klaus Mertens bass

THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1962)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1962)

Foi só desistir da busca de muitos anos para que, do nada, me caíssem na mão estes improváveis CDs russos com aquela que, até onde se sabe, foi a primeira versão integral jamais gravada do monumental Op. 87 de Shostakovich.

Quem a gravou, quem inspirou a obra e acompanhou sua gestação, visitando o compositor repetidamente em seu apartamento e singrando a espessa fumaça de cigarros a cada peça que completava, e quem teve a honra de estreá-la em Leningrado em 1952 foi a extraordinária Tatiana Nikolayeva, que vocês já conheceram em gravações outras da mesma obra, postadas aqui e ali, artista tão indissoluvelmente ligada ao Op.87 que veio mesmo a falecer em consequência de um acidente vascular encefálico sofrido durante a interpretação de um desses prelúdios – parece-me que o em Si bemol menor – num recital em San Francisco.

Esta gravação valiosa mostra uma Nikolayeva imprimindo andamentos mais rápidos às peças e, assim, concluindo o ciclo em meros dois discos. Ainda que prefira sua versão intermediária, gravada ainda na União Soviética em 1987, fico fascinado com a riqueza e frescor dessa interpretação, que certamente muito carrega das sugestões do compositor.

Lembram-se da lista, aquela? Pois ela agora está completa:

Konstantin Scherbakov
Vladimir Ashkenazy
Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1962), a segunda (1987) e a derradeira (1990)
Keith Jarrett
Peter Donohoe
Alexander Melnikov
BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Se encerramos? Bem, apreciem mais este portento da Nikolayeva que amanhã teremos a saideira para vocês!

Dmitri Dmitrievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87

Tatiana Nikolayeva, piano

DISCO 1

01 – Prelúdio no. 1 em Dó maior
02 – Fuga no. 1 em Dó maior
03 – Prelúdio no. 2 em Lá menor
04 – Fuga no. 2 em Lá menor
05 – Prelúdio no. 3 em Sol maior
06 – Fuga no. 3 em Sol maior
07 – Prelúdio no. 4 em Mi menor
08 – Fuga no. 4 em Mi menor
09 – Prelúdio no. 5 em Ré maior
10 – Fuga no. 5 em Ré maior
11 – Prelúdio no. 6 em Si menor
12 – Fuga no. 6 em Si menor
13 – Prelúdio no. 7 em Lá maior
14 – Fuga no. 7 em Lá maior
15 – Prelúdio no. 8 em Fá sustenido menor
16 – Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
17 – Prelúdio no. 9 em Mi maior
18 – Fuga no. 9 em Mi maior
19 – Prelúdio no. 10 em Dó sustenido menor
20 – Fuga no. 10 em Dó sustenido menor
21  – Prelúdio no. 11 em Si maior
22 – Fuga no. 11 em Si maior
23 – Prelúdio no. 12 em Sol sustenido menor
24 – Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
25 – Prelúdio no. 13 em Fá sustenido maior
26 – Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
27 – Prelúdio no. 14 em Mi bemol menor
28 – Fuga no. 14 em Mi bemol menor

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DISCO 2

01 – Prelúdio no. 15 em Ré bemol maior
02 – Fuga no. 15 em Ré bemol maior
03 – Prelúdio no. 16 em Si bemol menor
04 – Fuga no. 16 em Si bemol menor
05 – Prelúdio no. 17 em Lá bemol maior
06 – Fuga no. 17 em Lá bemol maior
07 – Prelúdio no. 18 em Fá menor
08 – Fuga no. 18 em Fá menor
09 – Prelúdio no. 19 em Mi bemol maior
10 – Fuga no. 19 em Mi bemol maior
11 – Prelúdio no. 20 em Dó menor
12 – Fuga no. 20 em Dó menor
13 – Prelúdio no. 21 em Si bemol maior
14 – Fuga no. 21 em Si bemol maior
15 – Prelúdio no. 22 em Sol menor
16 – Fuga no. 22 em Sol menor
17 – Prelúdio no. 23 em Fá maior
18 – Fuga no. 23 em Fá maior
19 – Prelúdio no. 24 em Ré menor
20 – Fuga no. 24 em Ré menor

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Vassily Genrikhovich

Dmitri Dmitrievich, esperando que Maxim Dmitrievich lhe traga logo o maço que mandou buscar na tabacaria.

 

 

 

 

Dietrich Buxtehude (1637-1707): Cantatas Barrocas Alemãs (Vol. 7)

Dietrich Buxtehude (1637-1707): Cantatas Barrocas Alemãs (Vol. 7)

Aos poucos, a gente vai completando (ou não) esta série. O que interessam são os bons discos que ela possui e não tê-la por inteiro. E este é excelente. Buxtehude foi um dos ídolos de Bach e aqui os motivos de sua admiração estão mais do que claros. Buxtehude — nascido provavelmente em Helsingborg e falecido em Lübeck — foi um compositor e organista teuto-dinamarquês do período barroco. Apesar de nascido na cidade de Helsingborg, na época pertencente à Dinamarca (hoje território sueco), Buxtehude era de ascendência alemã e é considerado um dos representantes mais importantes do período barroco alemão. Seu pai, organista e mestre de escola em Bad Oldesloe, mudou-se para Hälsingburg, na Suécia, quando Buxtehude tinha um ano de idade. Seu pai, também seu único professor de música por toda a vida, depois mudou-se para Helsingor, na Dinamarca, onde morreu em 1674. Esta foi a cidade na qual Buxtehude cursou a Lateinschule. Buxtehude assumiu a função do pai, de organista na igreja em Hälsingburg em 1658 e, em 1660, foi para Helsingor, e, posteriormente, para Lübeck, na Alemanha, onde foi nomeado Werkmeister (gerente geral) e organista da Marienkirche em 11 de abril de 1668, após concorrido concurso para um dos cargos mais cobiçados do norte do país. Casou, em agosto desse ano, com Anna Margarethe Tunder, filha de Franz Tunder, seu antecessor nesta igreja. Esse era o costume da época, no qual o sucessor do organista da igreja deveria se casar com a filha do seu antecessor. A partir daí, e nos 40 anos seguintes, Buxtehude entraria na parte mais prolífica de sua carreira, principalmente considerando que sua obra era praticamente nula até então. Ele tentou passar sua filha para Bach, que FUGIU dela. Buxtehude ganhou prestígio com a retomada da tradição dos Abendmusik, que eram saraus vespertinos organizados na igreja, idealizados por seu antecessor inicialmente apenas como entretenimento para os homens de negócios da cidade, previstos para ocorrerem em cinco domingos por ano, precedendo o Natal. Mas Buxtehude ampliou grandemente o escopo destes saraus e para eles compôs algumas de suas melhores obras, em forma de cantata, das quais se preservam cerca de 120 em manuscrito, com textos retirados da Bíblia, dos corais da tradição Protestante e mesmo da poesia secular. Também dedicou-se a outros gêneros, como solos para órgão (variações corais, canzonas, toccatas, prelúdios e fugas) e os concertos sacros. Todos os oratórios se perderam, mas guardam-se os registros de que existiram. Em diversas ocasiões, foi visitado por compositores promissores da época, como Georg Friedrich Händel e Johann Mattheson, que o procuravam principalmente quanto à sua fama de organista. De todas as visitas, a mais notável foi a de Johann Sebastian Bach, grande admirador de sua obra. Bach prorrogou a estada inicialmente planejada de quatro semanas para quatro meses. Buxtehude, a despeito da importância para a música alemã e de sua origem também alemã (a família era de Buxtehude, uma cidade a sudoeste de Hamburgo), sempre se considerou dinamarquês.

Dietrich Buxtehude (1637-1707): Cantatas Barrocas Alemãs (Vol. 7)

1 O Clemens, O Mitis, O Coelestis Pater 7:57
2 An Filius Non Est Dei 13:09
3 Mein Herz Ist Bereit 7:54
4 Drei Schöne Dinge Sind 10:49
5 Quemadmodum Desiderat Cervus
Organ – Robert Kohnen
6:26
6 Ich Bin Eine Blume Zu Saron 8:26
7 Erbarm Dich Mein, O Herre Gott 18:42

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Alegoria da Amizade, de Johannes Voorhout, 1674. Buxtehude está ali sentado com a viola da gamba, atrás do cravista.

PQP

Frederic Chopin (1810-1846) – Estudos, op. 10 & 25, 3 nouvelles études – Nikita Magaloff

Por uma falha em meu planejamento, esqueci de postar o volume dedicado aos Estudos. Ei-lo ai, mas que malandro … tinha certeza de que já havia postado.

1 – 12 – Études op. 10

13 – 24 – Études, op. 25

25. 3 nouvelles Études , Op. posth. No. 1

26. 3 nouvelles études , Op. posth. No. 2

27. 3 nouvelles études , Op. posth. No. 3

Nikita Magaloff – Piano

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J. S. Bach (1685-1750) – Suítes Orquestrais – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach (1685-1750) – Suítes Orquestrais – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

Johann

Bernhard ◦ Sebastian ◦ Ludwig

Bach

Ouvertures

 

 

Este álbum contêm as quatro Suítes para Orquestra (Ouvertures) de Johann Sebastian Bach e mais duas, de dois de seus primos, Johann Bernhard e Johann Ludwig Bach.

Vocês podem imaginar a confusão de nomes nas reuniões familiares. Aqui está a árvore genealógica com os nossos três compositores do álbum em destaque pelas molduras.

Do livro de Karl Geiringer

As quatro suítes de Bach são peças belíssimas e diferem um pouco entre si especialmente pela orquestração. A Suíte No. 1, em dó maior, é para trio de oboés e fagote, além das cordas e contínuo e lembra, em algum sentido, um concerto grosso, neste aspecto de orquestração. A abertura (por isso o nome alternativo, Ouverture) é espetacular, com um momento de transição entre os primeiros acordes solenes e a sequência de desenvolvimento, que nesta gravação ocorre a 2’10, especialmente mágico. Desde a primeira vez que ouvi este trecho, fiquei completamente fascinado por estas obras.

Buffardin

A Suíte no. 2, em si menor, é famosa pelo solo de flauta, que é o único instrumento de sopro em sua orquestração. É possível que Pierre-Gabriel Buffardin, famoso flautista da corte de Dresden, fosse o destinatário desta maravilhosa peça.

As outras duas Suítes, Nos. 3 e 4, são ambas em ré maior e têm a mesma orquestração, com dois oboés, três trompetes, tímpanos, cordas e contínuo. São peças espetaculares. A Suíte No. 3 se destaca pela Aria, movimento no qual os instrumentos de sopro descansam.

O movimento de abertura da Suíte No. 4 foi usado por Bach no coro inicial da Cantata de Natal BWV 110 – “Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de jubilosos cânticos”. Bem, acho que vocês entenderam… Fica a dica.

As outras duas suítes, dos primos de Johann Sebastian, são diferentes em suas orquestrações. Johann Bernard manteve ótimas relações com Johann Sebastian. Eram compadres e Sebastian tinha grande apreço pela obra do primo. Johann Bernard trabalhou com Georg Philipp Telemann, que produziu muitas aberturas. A Suíte em mi menor de Johann Bernard é orquestrada para cordas e contínuo e não usa instrumentos de sopros.

Johann Sebastian tinha também estima pelas obras de seu outro primo, Johann Ludwig. Na verdade, algumas das suas cantatas só chegaram até nós devido ao fato de terem sido apresentadas por Johann Sebastian em Leipzig, tendo portanto suas partes copiadas e preparadas lá para essas apresentações. A Suíte em sol maior dá algumas indicações de instrumentação, designando algumas de suas seções para oboés, indicando maior uso de instrumentos de sopros.

Estas peças maravilhosas muito possivelmente foram apresentadas em Leipzig, no Café de Gottfried Zimmermann, pelo Collegium Musicum. Este grupo de músicos se apresentava às quartas e sextas-feiras e apesar de uma certa informalidade, era excelente e famoso. A direção do Collegium foi exercida por Telemann, depois por Melchior Hoffman e posteriormente por Georg Balthasar Schott. Schott e Bach se davam muito bem e quando Schott mudou-se para Gotha para assumir um posto musical, em 1729, Bach assumiu a direção do Collegium. A combinação do pessoal da Thomaskirche com os músicos do Collegium permitia que Bach apresentasse obras de grande porte como a Paixão Segundo São Mateus e outras grandes cantatas.

Imagine estar no Café Zimmernann e ouvir a Cantata do Café, depois uma Suíte de Johann Ludwig e outra ainda de Johann Sebastian… Qual das quatro você escolheria?

Este álbum, a despeito de sua capa um tanto inusitada, é muito bom. É claro, o grupo usa instrumentos e práticas de época, mas as grandes aberturas são apresentadas solenemente, pelo menos sob minha perspectiva e com excelente sonoridade. Eu gostei de tudo, do começo ao fim, mas aviso, I’m easy to please. Você só precisa baixar e ouvir… Aposto que vai gostar!

CD1

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

[1-5] – Suíte No. 3 em ré maior, BWV 1068

Johann Bernard Bach (1676-1749)

[6-13] – Suíte em mi menor

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

[14-20] – Suíte No. 1 em dó maior, BWV 1066

CD2

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

[1-5] – Suíte No. 4 em ré maior, BWV 1069

Johann Ludwig Bach (1677-1731)

[6-11] – Suíte em sol maior

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

[12-18] – Suíte No. 2 em si menor, BWV 1067

Concerto Italiano

Rinaldo Alesandrini

Mais informações poderão ser obtidas no livreto que acompanha os arquivos.

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FLAC | 735 MB

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MP3 | 320 KBPS | 314 MB

Rinaldo Alessandrini

Uma crítica equilibrada deste álbum pode ser encontrada aqui.

Aproveite!

René Denon

Samuel Barber (1910 – 1981) – Concerto for Violin & Orchestra, Op.14, Erich Wolfgang Korngold (1897 – 1957) Violin Concerto In D Major, Op.35 – André Previn, Gil Shaham, LSO

Esse CD é tão lindo que dói. Os apreciadores de Samuel Barber e de Erick Korngold irão ficar mais do que satisfeitos com o magnífico trabalho dessa dupla formada pelo então jovem violinista de apenas 23 anos de idade, Gil Shaham, e pelo maestro e também pianista, falecido em fevereiro deste ano, André Previn. Melancólicos, doloridos, estes dois concertos são obras marcantes e quase um retrato do Século XX, e que resumem de certa forma o que foi o século passado: guerras, bombas, tristezas, mas ao mesmo tempo, alegrias pelas grandes conquistas da ciência e do desenvolvimento tecnológico, que nos permitiram ter acesso a estes momentos únicos de lirismo e por que não dizer, romantismo.

Não tenho dúvidas ao aplicar esse CD com o selo de qualidade do PQPBach:  IM-PER-DÍ-VEL !!!

Samuel Barber (1910 – 1981)
Concerto for Violin & Orchestra, Op.14

1.1. Allegro
2.2. Andante
3.3. Presto in moto perpetuo

Erich Wolfgang Korngold (1897 – 1957)
Violin Concerto In D Major, Op.35

4.1. Moderato nobile
5.2. Romance: Andante
6.3. Finale: Allegro assai vivace
Gil Shaham
London Symphony Orchestra
André Previn

Much Ado About Nothing – Incidental Music

7.No. 2 The Maiden in the Bridal Chamber
8.No. 3 Dogberry and Verges
9.No. 4 Intermezzo
10.No. 5 Masquerade

Gil Shaham – Violin
André Previn – Piano

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Shostakovich: DVD dos 24 Prelúdios e Fugas com Tatiana Nikolayeva

MI0001172234POSTADO POR PQP BACH EM 18/10/2010, REVALIDADO POR VASSILY EM 29/8/2015 E 18/12/2019

Que seria de nosso blogue sem os leitores-ouvintes? Como se não bastasse serem a própria razão por que existimos, recebendo a música que polinizamos pela blogosfera e contribuindo com o influxo de comentários, volta e meia ainda nos ajudam a aumentar ou (como é o caso) restaurar o acervo do PQP Bach.

Este excelente DVD com a integral do Op. 87 por Tatiana Nikolayeva já tinha sido disponibilizada pelo leitor Rafael Pascini, mas foi tragada pelo desabamento do Megaupload. Graças a um outro leitor, o Angelo, o DVD volta para a alegria dos fãs desse monumento musical do século XX.

Cadê a lista, aquela?

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Uma salva de palmas para o Angelo, gurizada!

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 18/10/2015

Texto e uploads: Rafael Pascini (deixado nos comentários deste blog).

O ciclo de 24 prelúdios e fugas de Shostakovich sempre ocupou um lugar especial no repertório de Tatiana Nikolayeva. Ela inspirou e estreou a obra em Leningrado em 1952 e também foi a última peça que ela apresentou no palco antes de sua morte prematura em 1993. O longa amizade entre o compositor e a intérprete começou quando, aos 26 anos de idade, Nikolayeva ganhou o primeiro prêmio no Concurso Internacional de Piano Bach em 1950 na cidade de Leipzig, organizada para o bicentenário da morte compositor alemão. Como um membro do júri, Shostakovich ficou imensamente impressionado com sua maneira de tocar. Inspirado pela experiência, ele retornou a Moscou para compor o seu próprio conjunto de Prelúdios e Fugas de 10 de outubro de 1950 a 25 de Fevereiro de 1951. Nikolayeva testemunhou o processo criativo. Tomando apenas um ou dois dias para completar cada prelúdio e fuga novos, Shostakovich pedia-lhe para vir repetidamente ao seu apartamento em Moscou, onde tocava para Nikolayeva as peças que ele tinha acabado de compor.

Classic Archive
Tatiana Nikolayeva Dmitri Shostakovich: 24 Preludes and Fugues, Op. 87 (complete)
Tatiana Nikolayeva, piano
Broadcast 21-30 December 1992, BBC Archives

Bonus:
Documentary: Tatiana Nikolayeva plays Dmitri Shostakovich

Language (bonus): Russian
Subtitle (bonus): English
Running time: 150 minutes (concert) + 14 mins (bonus)

Parte/Part 1: BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
Parte/Part 2: BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
Extras/Bonus: BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 9 Sinfonias — Andris Nelsons #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 9 Sinfonias — Andris Nelsons #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje são comemorados os 249 anos de nascimento de Beethoven. No ano que vem… Bom, vocês sabem.

Andris Nelsons (1978) é um jovem maestro letão. Atualmente, ele é o diretor musical da Orquestra Sinfônica de Boston e da Gewandhaus Orchestra de Leipzig. Também já foi chefe da respeitadíssima City of Birmingham Symphony Orchestra (CBSO). É uma estrela em plena ascensão e a Deutsche Grammophon já o contratou para gravar integrais das Sinfonias de Bruckner (Gewandhaus), de Shostakovich (Boston) e de Beethoven (com a Filarmônica de Viena).  As duas primeiras séries ainda estão sendo gravadas, mas a de Beethoven foi lançada neste mês.

E que esplêndido trabalho Nelsons fez com os filarmônicos de Viena! Um Beethoven forte e redondo, escandaloso e alegre, porém jamais, mas jamais mesmo, grosso. Certo pessoal do século XX achava que para tocar Beethoven, em certos trechos mais agitados, era só dar ênfase e berrar que estava bom. Era tudo muito emocional. Isso é ignorar a cultura. Beethoven foi um enorme artista de transição do classicismo para o romantismo. Se este é um dos fatores que o torna tão grande, também nos obriga a abordá-lo com conhecimento.

E Nelsons, com fraseados muito trabalhados, vai pelo outro lado e mata a questão com classe. E a Filarmônica de Viena fala beethoveniano, respira Beethoven. Creio que Nelsons deva ter ouvido muito os músicos da orquestra. Sei que se trata de um homem profundamente sensível e inteligente, conheço músicos que trabalham com ele. Sei das surpresas que apronta e que costuma dialogar com os músicos das orquestras que dirige.

O desenho do primeiro movimento da Eroica é quase erótico com a mágica das passagens da melodia de um instrumento para outro. Isso se repete a cada sinfonia, sublinhando a qualidade da orquestração. Raramente ouvi coisa mais natural, fluida e perfeita. E a sonoridade nem se fala.

Bem, ouvi as 4 primeiras sinfonias de Beethoven com Nelsons de enfiada. E vou completando o texto enquanto ouço tudinho. As duas primeiras — que jamais chamaram minha atenção — cresceram muito. A Eroica está sensacional, apesar de certas alegres liberdades tomadas na Marcha Fúnebre. A 4ª nem se fala. Mas logo voltei à Eroica (3ª), que está anormal de tão boa. Depois fui para uma excelente 5ª, cheia de sinuosidades e plena de tradição no terceiro movimento. Mas parece que Nelsons se dá melhor na delicadeza, pois sua 6ª é um primor, uma campeã.

Não, me enganei, sua sétima — com a sucessão fantástica de danças e o rock pauleira do último movimento — está sensacional!

(Comecei a frequentar os concertos de música erudita com a idade de 4 ou 5 anos. Meu pai me levava. Ele disse que, por uns 5 anos, eu sistematicamente dormia após dez minutos. Ele queria saber quando eu pararia com aquilo, ainda mais porque eu dizia que gostava de ir… Certamente gostava era da companhia dele, claro.

Mas houve um dia em que eu passei a não mais dormir. Foi quando assisti uma 7ª Sinfonia de Beethoven regida por Pablo Kómlos. Aquilo era enlouquecedor. Uma sucessão de agitadas danças com aquele Alegretto (uma Pavana) no meio.

Ouvi hoje a 7ª e, pela enésima vez… Toda aquela primeira impressão permanece viva. Eu sou o mesmo, de certa forma. De certa forma bem distorcida.)

A oitava está menos haydniana do que o costume e mais parruda. A nona se vem dentro do padrão de alta qualidade do restante. Adorei.

A DG rouba sempre a cena quando o assunto é Beethoven, né?

E Nelsons, contrariamente àquela outra grande estrela da DG no século XX, está mais pela música do que pelo negócio. Isto é muito claro.

E, para deixar claro, QUE NOTÁVEL ORQUESTRA É A FILARMÔNICA DE VIENA. Não creio que possa haver algo melhor atualmente!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 9 Sinfonias — Andris Nelsons

Symphony No. 1 in C Major, Op. 21
1. Adagio molto – Allegro con brio 9:45
2. Andante cantabile con moto 8:46
3. Menuetto (Allegro molto e vivace) 3:24
4. Finale (Adagio – Allegro molto e vivace) 5:55

Symphony No. 2 in D Major, Op. 36
5. Adagio molto – Allegro con brio 12:30
6. Larghetto 12:04
7. Scherzo (Allegro) 3:34
8. 4. Allegro molto 6:18

Symphony No. 3 in E-Flat Major, Op. 55 “Eroica”
9. Allegro con brio 17:40
10. Marcia funèbre (Adagio assai) 16:34
11. Scherzo (Allegro vivace) 5:53
12 Finale (Allegro molto) 12:19

Symphony No. 4 in B-Flat Major, Op. 60
13. Adagio – Allegro vivace 11:30
14. Adagio 10:16
15. Allegro vivace 5:38
16. Allegro ma non troppo 6:54

Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67
17. Allegro con brio 7:42
18. Andante con moto 10:35
19. Allegro 5:14
20. Allegro 11:12

Symphony No. 6 in F Major, Op. 68 “Pastoral”
21. Erwachen heiterer Empfindungen bei der Ankunft auf dem Lande (Allegro ma non troppo) 9:45
22. Szene am Bach (Andante molto mosso) 12:20
23. Lustiges Zusammensein der Landleute (Allegro) 5:08
24. Gewitter, Sturm (Allegro) 3:38
25. Hirtengesang. Frohe und dankbare Gefühle nach dem Sturm (Allegretto) 10:05

Symphony No. 7 in A Major, Op. 92
26. Poco sostenuto – Vivace 11:50
27. Allegretto 8:59
28. Presto – Assai meno presto 8:38
29. Allegro con brio 6:49

Symphony No. 8 in F Major, Op. 93
30. Allegro vivace e con brio 9:52
31. Allegretto scherzando 4:25
32. Tempo di menuetto 4:40
33. Allegro vivace 7:32

Symphony No. 9 in D Minor, Op. 125 “Choral”
34. Allegro ma non troppo, un poco maestoso 16:42
35. 2. Molto vivace 11:59
36. Adagio molto e cantabile 16:00
37. Finale. Presto 2:53
38. Allegro assai 3:50
39. Presto – Recitativo “O Freunde, nicht diese Töne!” 3:35
40. Allegro assai vivace (alla Marcia) 3:59
41. Andante maestoso 3:17
42. Allegro energico e sempre ben marcato 2:10
43. Allegro ma non tanto 2:16
44. Poco allegro, stringendo il tempo, sempre più allegro – Presto 1:43

Camilla Nylund
Gerhild Romberger
Klaus Florian Vogt
Johannes Prinz
Georg Zeppenfeld
Wiener Singverein
Wiener Philharmoniker
Andris Nelsons

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Nelsons com alguns filarmônicos de Viena.

PQP

Beethoven (1770-1827): Fidelio, Op. 72 #BTHVN250

Beethoven (1770-1827): Fidelio, Op. 72 #BTHVN250

“Simplesmente Beethoveniana! “Fidelio” a única ópera de Beethoven, é um memorial atemporal de Amor, Vida e Liberdade. Uma celebração dos direitos humanos, da liberdade de expressão, à dissidência, um manifesto político contra a tirania e a opressão, um hino à beleza e santidade do casamento, uma afirmação exaltada da fé em Deus como o último recurso humano” (Leonard Bernstein).

No tempo em que Fidelio foi composta a ópera italiana era a paixão de Viena, a ópera alemã ganhava admiração sobretudo pela “A Flauta Mágica” (postamos recentemente AQUI ) e que Beethoven considerava como a melhor obra de Mozart. Beethoven sempre se manteve a uma distância segura da ópera, conhecia e escolhia melodias operísticas contemporâneas como temas de algumas variações para piano. Na época em que Beethoven começou a pensar em projetos para o palco, por volta de 1803, em Viena, sua surdez já se estabelecera e piorava, o que tornou difícil lidar com o pessoal da ópera – cantores, empresários, diretores de palco, público, escritório de reservas -, em suma, com o mundo atarefado da produção operística. Quando ele estudou a colocação de texto em italiano com Salieri, sem dúvida já estava com projeto de ópera em mente. A grande motivação aconteceu em 1802, quando Emanuel Schikaneder (aquele amigo de Mozart que escreveu o libreto da “A Flauta Mágica”) apresentou a ópera “Lodoïska”, de Cherubini, no recém-inaugurado Theater an der Wien e lhe propôs o desafio de compor para o palco.

Interior of Theater an der Wien, Vienna. Beethoven’s Fidelio premiered here in 1805. Ludwig van Beethoven.

Com essa ópera a nova escola operística francesa entrou em cena: as óperas “de salvamento”. As óperas de salvamento estavam na moda há mais de vinte anos, certamente desde “O rapto do serralho” de Mozart, de 1782, e agora serviam como histórias de aventuras de heróis em reinos exóticos e como evocações fictícias das prisões e das guilhotinas da Revolução Francesa. A evocação de uma cruel realidade política nas óperas convidava à ilusão da verdade, enquanto o final feliz abrandava o medo do público. A prisão política, o heroísmo e a restauração da liberdade pela força do iluminismo liberal constituem o tema central de “Leonore”.

Fidelio. Um oferecimento do extrato de carne da Liebig

O libreto de Leonore, ou L’amour conjugale, tinha sido escrito originalmente no final de 1790 por Jean Nicolas Bouilly, um homem letrado que tinha sido administrador de uma província perto de Tours durante o período de “ O Terror” (…na Revolução Francesa, o Período do Terror, ou O Terror, ou Período dos Jacobinos, foi um período compreendido entre 5 de setembro de 1793 (queda dos girondinos) e 27 de julho de 1794 prisão de Maximilien de Robespierre, ex-líder dos Jacobinos que foi um precursor da ideia de um Terrorismo de Estado. Entre junho de 1793 e julho de 1794, cerca de 16 594 pessoas foram executadas durante o Reinado de Terror na França, sendo 2 639 mortes só em Paris. Apesar disso, há um consenso de que o número é muito maior devido a mortes na prisão – wikipédia). Acreditava-se que, durante o governo de Bouilly, um episódio parecido com a trama da ópera tinha realmente acontecido. Segundo a história, uma mulher disfarçada de homem teria conseguido entrar no cárcere do marido e libertá-lo da prisão injusta. Assim, se a lenda fosse verdade, o próprio Bouilly teria sido o ministro que libertara o prisioneiro e, portanto, o libreto parecia comemorar não somente o verdadeiro heroísmo, mas também a própria benevolência do autor na atmosfera aterrorizante da França naqueles anos.

Ato 1 cena 4

O libreto de 1805 de Leonore foi traduzido para Beethoven por Joseph Sonnleithner, secretário do Court Theater e proeminente advogado e músico vienense, que Beethoven tinha conhecido por meio de seus empreendimentos musicais alguns anos antes. Esse libreto é bem-feito, satisfaz as exigências do melodrama, entremeando pequenas intrigas domésticas entre os personagens secundários (o carcereiro Rocco, sua filha Marzelline e seu pretendente Jacquino) com cenas de poder e de compaixão para com os personagens principais (a disfarçada heroína Leonore, o sofrido prisioneiro Florestan e o cruel governador da prisão Pizarro). Nas cenas domésticas, Beethoven criou um conjunto efetivo de números, com ocasionais toques mozartianos (algumas vezes até mesmo com virtuais citações de Mozart, sem dúvida inconscientes, mas inequívocas), mas as cenas de intensidade mais dramática são inteiramente originais.

Ato 2 cena 8a

A Leonore fracassou em suas primeiras apresentações em novembro de 1805, bem provável porque Viena tinha acabado de ser invadida e ocupada pelos exércitos de Napoleão. De fato, a audiência da primeira apresentação estava repleta de oficiais do exército francês, mas pode ser também que a ópera estivesse bem além da compreensão de muitos ouvintes, acostumados a obras mais leves. Embora se acredite que as alterações feitas por Beethoven resultaram de uma reunião com seus amigos, é mais provável que essa reunião tenha acontecido, se é que realmente aconteceu, em 1807, depois que os planos para uma apresentação em Praga fracassaram. Em todo caso, a versão revisada produzida em março e abril de 1806, com a abertura no 3 da Leonore reescrita, no lugar daquela conhecida como no 2, obteve muito mais sucesso. A história subsequente da Leonore na vida de Beethoven foi marcada por tentativas malogradas de produzir a obra em Berlim e em Praga, embora tenha sido finalmente apresentada em Leipzig e em Dresden em 1815. De longe, o passo mais importante foi a concordância de Beethoven em revisar a obra para uma nova produção em Viena, no início de 1814. A versão final, veio a ser o “Fidelio” como nós a conhecemos. O libreto foi revisto por G. F. Treitschke, um homem experiente em teatro – e Beethoven reescreveu muitas partes da partitura, um trabalho que o ocupou de março a maio de 1814. Ele afirmou que isso lhe custou muito mais trabalho do que se estivesse compondo uma obra nova, mas ficou orgulhoso em oferecer encaixes sutis para as alterações de Treitschke, em reduzir as redundâncias e em fortalecer o conteúdo musical. Também teve que escrever várias partes novas, notavelmente o segmento final da cena de Florestan na masmorra. Tudo isso faz da conversão da “Leonore” de 1805-06 em “Fidélio” – a única vez que Beethoven revisou uma obra do vasto período intermediário, durante a transição para seu estilo final.

Ato 2 cena 8b

A essência de “Fidélio”, implícita no título, é o amor de Leonore por Florestan e sua coragem em arriscar a vida para salvá-lo. A obra tem ressoado através de quase dois séculos como a celebração do heroísmo feminino. A crítica feminista, que protesta contra o sofrimento e a morte das heroínas nas mãos de homens ou por causa de suas maquinações, acha em “Fidélio” uma exceção poderosa, já que a vítima sofredora é o homem, e o agente da salvação, a mulher. O subtítulo da obra é “Die eheliche Liebe”, que traduz literalmente o “L’amour conjugal” de Bouilly.

Que o espírito de Mozart paire como pano de fundo dessa obra não deveria nos surpreender. Mais surpreendente é a capacidade de Beethoven para aprofundar a expressão no lado sério e ético da trama, de modo a fazer com que a obra se tornasse – como de fato se tornou – um dos clássicos da literatura operística, insuperável na transmissão da verdade dramática e emocional. Sua importância não está intrinsecamente relacionada à crença de Beethoven de que a trama deveria transmitir a verdadeira história, não uma fantasia operística. Tem, sim, a ver com sua capacidade para enquadrar as dinâmicas formais à obra, de modo a dar um peso máximo às questões morais subjacentes à ação: o sofrimento físico dos maltrapilhos prisioneiros e o sistema que promove esse sofrimento; o heroísmo de Florestan diante da injustiça; o amor e a coragem de Leonore, esposa apaixonada, disposta a correr qualquer risco.

Beethoven ainda escreveu quatro aberturas que foram compostas na seguinte ordem: Leonore no 2 (1805); Leonore no 3 (1806); Leonore no 1 (1808), para uma produção malograda em Praga; e por fim a abertura Fidélio (1814). As versões destas beethovenianas aberturas que ora compartilho com vocês é a seguinte: “Leonore 1”, Op.138 com o maestro Eugen Jochum. “Leonore 2”, Op 72 com o Claudio Abbado. “Leonore 3”, Op. 72b com o maestro Leonard Bernstein e pôr fim a abertura “Fidelio”, Op.72 com o mestre Nikolaus Harnoncour.

Ato 3 cena 2

Causo: Em 1822, Beethoven desejava dirigir o ensaio geral da sua ópera. Será que ele pretende desprezar a doença ou, mais uma vez, enganar a todos sobre o seu verdadeiro estado? Infelizmente foi um caos completo: palco e orquestra desentenderam-se, e todos ficaram a olhar, temerosos, o mestre que continuava a dirigir. De repente, enxerga a terrível verdade na expressão dos que o cercam. O seu fiel amigo Schindler (que nos pinta a cena) escreveu-lhe estas linhas: “Por favor, não continue; explicar-lhe-ei tudo depois”. Mas a explicação já não é necessária; alquebrado, Beethoven cai sobre uma cadeira e por muitas horas é incapaz de levantar-se …

Resumo – Fidelio

Ato 1
Em uma prisão nos arredores de Sevilha, onde Rocco, pai de Marzelline, trabalha como carcereiro. Marzelline é incomodada pelos flertes de Jacquino, assistente de seu pai. Jacquino tem grandes esperanças de se casar com ela um dia, mas Marzelline tem o coração em Fidelio, o novo garoto que trabalha na prisão. Fidelio trabalha duro e chega à prisão todos os dias com muitas provisões. Quando Fidelio descobre que Marzelline se interessou por ele, ele fica ansioso – especialmente depois que descobre que Rocco deu sua bênção ao possível relacionamento. Acontece que Fidelio não é quem ele diz que é; Fidelio é na verdade uma nobre chamada Leonore, disfarçada de jovem, com o objetivo de encontrar o marido que foi capturado e preso por causa de suas diferenças políticas. Rocco menciona que um homem acorrentado nas profundezas das masmorras está praticamente à beira da morte. Leonore o ouve e acredita que é seu marido, Florestan. Leonore pede que Rocco o acompanhe em suas rondas na prisão, com as quais ele concorda alegremente, mas o governador da prisão, Don Pizarro, apenas permite que Rocco entre nos níveis mais baixos da masmorra.

Ato 3 cena 3

No pátio onde os soldados se reúnem, Don Pizarro recebe notícias de que o ministro de Estado, Don Fernando, está indo para a prisão a fim de inspecioná-la e investigar os rumores de que Don Pizarro é um tirano. Com um senso de urgência, Don Pizarro decide que seria melhor executar Florestan antes da chegada do ministro. Chamando Rocco, Don Pizarro ordena que ele cave uma cova pelo corpo de Florestan. Felizmente, Leonore está por perto e ouve os planos malignos de Don Pizarro. Ela reza por força e depois implora a Rocco que a leve novamente na prisão, mais especificamente a cela do condenado. Ela convence Rocco a deixar os prisioneiros entrarem no pátio para tomar um pouco de ar fresco. Assim que os prisioneiros são levados para o pátio, Don Pizarro ordena que retornem imediatamente às suas celas. Ele então leva Rocco a cavar o túmulo de Florestan. Quando Rocco entra na masmorra, Leonore rapidamente segue atrás dele.

Ato 2
Nas profundezas da masmorra da prisão, um delirante Florestan tem visões de Leonore libertando-o do lugar infernal. Infelizmente, quando ele chega, ele se vê sozinho e cai em desespero. Momentos depois, Rocco e Leonore entram com pás, prontos para cavar a cova. Florestan engasga algumas palavras, sem reconhecer sua esposa, pedindo uma bebida. Rocco mostra compaixão pelo prisioneiro e pega um copo de água para ele. Leonore mal consegue se conter, mas ela permanece composta o suficiente para lhe oferecer um pouco de pão, enquanto lhe diz para permanecer esperançoso. Quando terminam de cavar a cova, Rocco apita para alertar Don Pizarro de que está tudo pronto. Don Pizarro entra na cela de Florestan, mas antes de matá-lo, confessa seus atos de tirania. Assim como Don Pizarro puxa a adaga para o ar e faz o balanço para baixo, Leonore revela sua verdadeira identidade e retira a pistola que ela havia escondido consigo, o que faz com que o movimento de Don Pizarro pare.
Em um instante, as buzinas soam quando Don Fernando pisa nos terrenos da prisão. Rocco acompanha imediatamente Don Pizarro ao pátio para cumprimentá-lo. Enquanto isso, Florestan e Leonore comemoram o reencontro.

Do lado de fora, Don Fernando anuncia a erradicação da tirania. Rocco se aproxima dele com Leonore e Florestan, que por acaso é um velho amigo dele. Rocco pede ajuda e explica como Don Pizarro aprisionou Florestan e seu tratamento cruel com ele, como as ações heroicas de Leonore salvaram seu marido e revela a trama de assassinato de Don Pizarro. Don Fernando imediatamente condena Don Pizarro à prisão e seus homens o escoltam para longe. Leonore recebe as chaves para destrancar as correntes de Florestan, e ela o liberta feliz e apressadamente. Os prisioneiros restantes também são libertados e todos se alegram e comemoram Leonore.

Furtwängler em ação, 1953

Wilhelm Furtwängler gravou quatro vezes a ópera Fidélio, esta que ora compartilho com os amigos é de estúdio realizada em 1953. O brilhante elenco é liderada por Martha Modl, e ainda tem Wolfgang Windgassen, Gottlob Frick, Otto Edelmann. O canto dos comandados pelo incomparável Wilhem e sua orquestra de Viena é possuído e dominado por um verdadeiro “frisson” e energia, belíssima versão e a remasterização está de boa para ótima. Para aqueles que ainda acreditam que a música clássica pode falar com o que há de mais nobre e melhor na humanidade, com mais poder do que meras palavras, esta versão é obrigatória. “Incandescente” é um adjetivo muito suave. A maneira pela qual Furtwängler conduz a orquestra para expressar alguns momentos da fúria reprimida não apenas de Leonore, mas de todos aqueles que queimam com fúria por injustiça em qualquer lugar, é impressionante. Existem muitas versões desta ópera, particularmente esta versão me toca mais, pode ser pelo fato da regência e do canto terem uma tendência proposital para ser “mozartiano”, ai aquele véu de inspiração que mencionamos da admiração de Beethoven se encaixa perfeitamente, no início logo na primeira cena parece mesmo uma parte da “Flauta Mágica” mas com orquestração de Beethoven.

Muito interessante também são os cartazes de patrocínio do extrato de carne da Liebig (atual Fray Bentos) com desenhos de diversas óperas, nesta postagem estão os cartazes referentes à versão da ópera em três atos. Os cartazes são do final do século XIX vale a pena dar uma conferida AQUI, pois é o período em que a indústria dos enlatados começa.

A história “passo a passo” com fotos do encarte original do CD estão junto no arquivo de download com as faixas, o resumo da ópera foi extraído do livro “As mais Famosas Óperas”, Milton Cross (Mestre de Cerimônias do Metropolitan Opera). Editora Tecnoprint Ltda., 1983.

Pessoal, abrem-se as cortinas e deliciem-se com a “Simplesmente Beethoveniana! “Fidélio” !!!

Aberturas

Overture “Leonore 1”, Op.138
Concertgebouw Orchestra of Amsterdam, Eugen Jochum

Overture “Leonore 2”, Op 72
Vienna Philhamonic Orchestra Claudio Abbado

Overture “Leonore 3”, Op. 72b
Bavarian Broadcast Symphony Orchestra Venue, Leonard Bernstein

Ouverture “Fidelio”, Op.72
Orchestre de l-Opéra de Zurich, Nikolaus Harnoncour

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Fidélio, op. 72

01 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 Ouvertüre
02 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 1 Duett – Jetzt, Schätzchen
03 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 2 Arie – O wär ich schon
04 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 3 Quartett – Mir ist so wunderbar
05 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 4 Arie – Hat man nicht
06 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 5 Terzett – Gut, Söhnchen
07 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 6 Marsch
08 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 7 Arie mit Chor
09 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 8 Duett – Jetzt, Alter, hat es Eile!
10 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 9 Rezitativ und Arie – Abscheulicher!
11 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 10 Finale – O welche Lust, in freier Luft
12 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 Nun sprecht, wie ging-s
13 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 Ach! Vater, eilt!
14 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 11 Introduktion
15 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 11 Arie – Gott! Welch Dunkel hier!
16 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 12 Melodram – Wie kalt ist es hier!
17 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 12 Duett – Nur hurtig fort
18 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 13 Terzett – Euch werde Lohn in besser-n Welten
19 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 14 Quartett – Er sterbe! Doch er soll erst wissen
20 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 14 Recitative – Vater Rocco!
21 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 15 Duett – O namenlose Freude!
22 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 Ouvertüre – Leonore III in C, Op. 72a
23 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 16 Finale – Heil sei dem Tag
24 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 16 Finale – Des besten Königs
25 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 16 Finale – Du schlossest auf des Edlen Grab
26 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 16 Finale – Wer ein holdes Weib errungen

Leonore – Martha Mödl
Florestan – Wolfgang Windgassen
Don Pizarro – Otto Edelmann
Rocco – Gottlob Frick

Vienna State Opera Chorus
Vienna Philharmonic Orchestra
Wilhelm Furtwängler

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Ammiratore