Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Muito famosa em razão do Adagietto — utilizado por Luchino Visconti em A Morte em Veneza — a Sinfonia Nº 5 é muito bela e também difícil de ser tocada. As interpretações de Mahler a cargo de Sir Simon Rattle são amplamente reconhecidas com elogios da crítica mundial. Muitas delas estão entre as melhores versões disponíveis. De fato, a maioria recebeu prêmios de algumas das organizações e publicações musicais mais prestigiadas do mundo, entre elas o Gramophone no Reino Unido; Diapason na França, Grammy nos EUA, além de prêmios da Alemanha, Holanda, Canadá e República Tcheca.

A 5ª é marcadamente diferente de suas antecessoras. A capacidade de renovação de Mahler é surpreendente e não há duas sinfonias iguais, sendo que nenhum dos cinquenta movimentos nessas sinfonias segue o mesmo padrão. Esta sinfonia é puramente instrumental e segue uma forma sinfônica mais convencional, apesar de suas dificuldades.

A última gravação da 5ª de Mahler que ouvi foi a de Abbado e certamente há uma grande diferença. A perspectiva de Rattle sobre Mahler é muito diferente. Talvez Abbado fosse um otimista, enquanto Rattle é pessimista. Fico com o inglês. Onde Abbado dá um grande suspiro de alívio e esperança, Rattle estremece em desespero. A semelhança entre as duas leituras também é clara, não apenas porque Abbado e Rattle compartilharam a mesma orquestra, mas também porque ambos estão de olho nos detalhes.

Destaque para a fantástica participação do trompista Stephan Dohr no terceiro movimento.

Esta gravação é e permanecerá como uma das principais performances da Quinta de Mahler. Ela tem tempi vibrantes e permite que os detalhes da orquestração brilhem. Uma joia!

Symphony No. 5 In C-Sharp Minor (69:07)

1-1 I: Trauermarsch (In Gemessenem Schritt. Streng. Wie Ein Kondukt) 13:04
1-2 II: Stürmisch Bewegt (Mit Größter Vehemenz) 14:24
1-3 III: Scherzo (Kräftig, Nicht Zu Schnell) 16:56
1-4 IV: Adagietto (Sehr Langsam) 9:33
1-5 V: Rondo — Finale (Allegro) 15:02

Orquestra Filarmônica de Berlim
Sir Simon Rattle

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Mahler perdeu-se no Grande Lago dos Melômanos da Sede Rural da PQP Bach Corp.

PQP

.: interlúdio :. Pat Metheny Group – The First Circle

Meu dia começou triste quando nosso guru PQPBach, em férias pela Europa, mandou uma mensagem noticiando a morte de Lyle Mays, o emblemático tecladista que acompanhou Pat Metheny por muitos anos.
Para  nós, fãs confessos do grande guitarrista que é Pat Metheny, a notícia é desoladora. É como se com ele se fosse uma fase de nossas vidas, quando aguardávamos ansiosos as novidades da banda pelo selo ECM. Não sei se eu consideraria Mays um virtuose, mas sim alguém com um amplo conhecimento musical, que servia de base para Metheny desfilar todo o seu talento e nos trazer discos fundamentais, que acompanharam nossa adolescência, que serviram de trilha sonora. Claro que não podemos ignorar outros músicos que tocaram com Metheny naquela época, como o baixista Steve Rodby, principal arranjador e produtor do grupo. Mas ouvindo discos como ‘American Garage’ ou ‘First Circle’ não há como não entender o papel fundamental que os teclados de Mays exercem na música produzida.
Fica um sentimento muito grande de perda, perda de um músico que embalou meus sonhos de juventude e de jovem adulto. Rodei milhares de quilômetros ouvindo estes discos com meu walkman, e mais tarde com meu discman. Poderia dizer que estes discos fizeram (e fazem) parte da trilha sonora de minha vida. Para quem não o conheceu, sugiro  assistir ao vídeo do Youtube abaixo para entender o que estou falando.

Escolhi o ‘First Circle’ para homenageá-lo.

Descanse em Paz, Lyle Mays.

01. Forward March
02. Yolanda, You Learn
03. The First Circle
04. If I Could
05. Tell It All
06. End Of The Game
07. Mas Alla (Beyond)
08. Praise

Pat Metheny – Guitar
Steve Rodby – Bass
Lyle Mays – keyboards
Pedro Aznar – Percussion
Paul Wertico – Drums

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Lyle Mays (1953-2020) – Retrato do Artista Quando jovem

 

.: interlúdio .: Pat Metheny Group- American Garage

Com certeza esse álbum do Pat Metheny Group é um dos mais belos discos de jazz já gravados. Impecável na sua produção, na qualidade das músicas, no nível altíssimo dos músicos envolvidos … nunca deixo de me emocionar quando o ouço, e já faço isso há mais de trinta anos e cinco anos.

Pat Metheny com este disco inscrevia seu nome no rol dos grandes músicos de Jazz, nos trazendo belíssimas melodias, muito inspiradas, sem precisar espanar sua guitarra, me utilizando da expressão de nosso mentor, PQPBach para reclamar daqueles guitarristas que gostam de demostrar seu virtuosismo tocando mil notas por segundo, nos mostrando uma técnica apuradíssima, com sua excepcional banda, que tinha o seu parceiro de banda pelas próximas duas décadas, o pianista e tecladista Lyle Mays, o baixista Mark Egan e o baterista Dan Gotlieb.

Canções como ‘(Cross The) Heartland’, ‘American Garage’, e a épica ‘Epic’ já se tornaram clássicas, e são obras obrigatórias em seus concertos. Elas nos remetem a uma época que não volta mais, a campos cultivados, a estradas sem fim, lembrando do belo título de uma coletânea do The Allman Brothers Band, ‘The Road Goes on Forever”. Até hoje, Pat Metheny é uma de minhas trilhas sonoras de viagem favoritas.

A capa deste disco também é detalhe a se destacar: aqueles trailers sob um céu azul não trazem uma paz de espírito para os senhores?, nos deixa serenos. Talvez o único defeito deste LP seja sua curta duração: meros trinta e cinco minutos, que você que durem cem minutos. Entendemos que na época os discos não eram muito mais longos que isso, estamos falando de 1979.

Para aqueles que não conhecem Pat Metheny, creio que esta seja a melhor apresentação que se possa fazer.

01 – (Cross The) Heartland
02 – Airstream
03 – The Search
04 – American Garage
05 – The Epic

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BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano Opp. 14, 26 e 28 – Perahia

Depois de alguns de vocês transformarem-me em bonequinho de voodoo por ter trazido duas postagens em sequência com pianistas malditos na interpretação de Beethoven, redimo-me em alto estilo enquanto desinfeto as agulhadas. Ninguém me espetará, espero, por postar Murray Perahia. Sua seleção de repertório para esta gravação é perfeita: abre com a sonata em Lá bemol maior, com suas belíssimas variações iniciais e a marcha fúnebre, prossegue com o par de diminutas sonatas do Op. 14, e encerra com a majestosamente serena sonata Op. 28, alcunhada “Pastoral”.

Depois do sucesso da predecessora “Patética”, Beethoven publicou duas sonatas muito curtas e contrastantes. A primeira do Op. 14 é tecnicamente facílima – provavelmente pensada na execução por amadores – e de escritura muito transparente, e não surpreende que o autor a tenha transcrito para quarteto de cordas dois anos depois. A segunda é composicionalmente mais complexa, cheia de surpresas e mudanças harmônicas, e está distante das mãos dos diletantes. Já a belíssima e bem acabada sonata “Pastoral” (outra das alcunhas atribuídas por editores que não tiveram a anuência de Beethoven), assim chamada talvez por seu caráter idílico, sem grandes dramas e tensões, ou pelo uso de bordões no baixo, é uma das minhas favoritas. Concluída e publicada no mesmo 1801 que testemunhou a saída das prensas da sonata Op. 26 e das duas do Op. 27, é um encerramento apropriado para essa tetralogia incomum para o compositor, que nunca mais comporia tantas sonatas para piano em tão pouco tempo. Mais que isso, demonstra, pelos contrastes vivos entre quatro obras de tanta qualidade, que o melhor pianista de Viena também já era, com folgas, seu maior compositor.

A leitura de Perahia, que muito me agrada, atenua a dramaticidade de movimentos como a “Marcia Funebre” da Op. 26 em prol de humor, que permeia todo o recital e lhe instila um convincente senso de continuidade – uma proposta de interpretação totalmente diferente daquela de Horowitz, que foi muito próximo de Perahia na velhice e lhe serviu, como não poderia deixar de ser, de profunda inspiração.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano em Lá bemol maior, Op. 26, “Marcha Fúnebre”
Composta em 1800-1801
Publicada em 1801
Dedicada ao príncipe Karl von Lichnowsky

1 –  Andante con variazioni
2 – Scherzo. Molto allegro
3 – Marcia funebre sulla morte d’un eroe
4 –  Allegro

Duas sonatas para piano, Op. 14
Compostas em 1798-1799
Publicadas em 1799
Dedicadas à baronesa Josefa von Braun

No. 1 em Mi maior
5 – Allegro
6 – Allegretto – Trio
7 – Rondo. Allegro comodo

No. 2 em Sol maior
8 – Allegro
9 – Andante
10 – Scherzo. Allegro assai

Sonata para piano em Ré maior, Op. 28, “Pastoral”
Composta em 1800-1801
Publicada em 1801
Dedicada ao conde Joseph von Sonnenfels

11 – Allegro
12 – Andante
13 – Scherzo. Allegro vivace
14 – Rondo. Allegro ma non troppo

Murray Perahia, piano

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Volodya mandando vocês espetarem as orelhas de seu bonequinho de voodoo

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 2 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 2 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 7 & Op. 10

 

Prosseguimos com nossas homenagens postando esta maravilhosa Integral das Sonatas para Piano, interpretadas por Igor Levit. Neste vídeo ele explica o que torna a música de Beethoven tão atual, apesar de ter sido escrita há tanto tempo.

Beethoven compôs duas sonatas após a grande sonata que fecha o Opus 2, mas que foram publicadas mais tarde, como Opus 49. Vocês terão que esperar um pouco para ouvir estas duas sonatinhas, pois estamos postando a série na sequência “oficial” de publicação. Assim, neste álbum temos a Grande Sonata em mi bemol maior, Opus 7, e as três sonatas que formam o Opus 10.

Condessa Babette von Keglevics

A Sonata No. 4 foi escrita em 1796 e dedicada à Condessa Anna Louisa Barbara (Babette) von Keglevics, uma de suas alunas. Segundo Carl Czerny, enquanto escrevia esta sonata, Beethoven estava repleto de ternos sentimentos pela aluna, mas também muito emotivo devido aos avanços das tropas de Napoleão em direção à Viena. A sonata é grandiosa e seu primeiro movimento deixa claro que é uma explosão de paixão e vigor. Só a Hammerklavier alcançará proporções ainda maiores.

As duas primeiras sonatas do Opus 10 são em dó menor e fá maior, respectivamente, e são estruturadas em três movimentos. As tonalidades são significativas para Beethoven. Dó menor é a tonalidade do Concerto de Mozart que Beethoven tanto admirava e a sonata remete a este mundo dramático, assim como a uma das sonatas para piano de Mozart, também em dó menor. Não deixe de notar o lindo Adagio molto, o segundo movimento. Já a Sonata em fá maior tem um tom mais relaxado, de quem está caminhando ao ar livre, em contato com a natureza, como será também o caso da Sinfonia Pastoral.

A última sonata do disco, a terceira do Opus 10, é em ré maior e novamente se expande em quatro movimentos. Contraste é uma constante nesta sonata, que abre com um agressivo e dinâmico primeiro movimento, continua com um angustiado largo, um quase convencional minueto e termina em um caprichoso rondó. Sir Donald Francis Tovey escreveu que o primeiro movimento desta sonata “parece saltar sobre a gente como uma pantera”. Portanto, agarre-se na poltrona!

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 4 em mi bemol maior, Op. 7

  1. Allegro molto e con brio
  2. Largo, com gran espressione
  3. Allegro
  4. Poco allegretto e grazioso

Sonata para piano No. 5 em dó menor, Op. 10, 1

  1. Allegro molto e con brio
  2. Adagio molto
  3. Prestissimo

Sonata para piano No. 6 em fá maior, Op. 10, 2

  1. Allegro
  2. Allegretto
  3. Presto

Sonata para piano No. 7 em ré maior, Op. 10, 3

  1. Presto
  2. Largo e mesto
  3. Allegro
  4. Allegro

Igor Levit, piano

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FLAC | 204 MB

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MP3 | 320 KBPS | 182 MB

Igor Levit

Certa vez, Beethoven ficou aborrecido com seus ouvintes em uma apresentação em Berlim, pois todos chegaram às lágrimas com sua interpretação. Ele teria reclamado com um amigo: Não é isto que nós artistas queremos. Nós queremos aplausos!

Pois então, batam palmas! Aplausos paro o artista!

René Denon

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano Opp. 13, 10 no. 3 e 57 – Horowitz

Depois de Gould, Horowitz.

Minha determinação em ganhar um lugar de honra no Livro do Ódio de vós outros certamente será premiada depois que eu lhes trouxer mais um entre os grandes pianistas mais malditos do século XX para tocar neste Festival Beethoven. E começo afirmando-lhes que, por tudo que sobre ele li, Horowitz detestava Beethoven – o que provou gravando-o pouquíssimo e banindo-o de seus recitais por uma boa parte da carreira. Não o entendia e tinha ranços em tentar imprimir sentido no que chamava de “bagunça sonora” do renano. Ademais, as obras principais do mestre alemão, ainda que tecnicamente muito difíceis, não lhe permitiam momentos de bravado para seduzir com seus muitos truques pianísticos as plateias. Não foi à toa, portanto, que uma das poucas obras de Beethoven que tocava com certa frequência e gravou mais de uma vez foi a sonata Op. 57, a “Appassionata”, que muito se presta àqueles momentos horowitzianos que seus admiradores tanto apreciam em obras de Rachmaninov e Scriabin.

Não há como saber se a recíproca, se Vladimir e Ludwig tivessem sido contemporâneos, seria verdadeira. Todavia, qualquer pessoa que já tentou produzir sons com um teclado admira a maestria de Horowitz em fazê-lo, por maiores que sejam as restrições que tenha ao restante de suas qualidades de intérprete. Não são poucos os pianistas do panteão que o consideram o maior de todos que ouviram – a deusa Martha Argerich, por exemplo -, embora seja igualmente fácil reconhecer que suas interpretações de boa parte do repertório, Beethoven incluso, pareçam priorizar o momento, o detalhe, e o colorido à estrutura das peças, qualidades que certamente o fariam cair em desgraça junto a Ludwig, que tinha profundo desdém por tal abordagem, manifesto muitas vezes acerca de virtuoses itinerantes que volta e meia tentavam, sem sucesso, arrebatar-lhe a posição de melhor pianista de Viena

Posto isso, e gasturas que vocês possam ter com Horowitz à parte, acredito que sua leitura para a sonata Op. 13, cognominada “Patética” pelo editor da obra, seja a melhor das que fez para o punhado de sonatas do renano que levou a disco. Acho que seu estilo é bem apropriado para o primeiro movimento, ao sublinhar seus contrastes, e acho difícil alguém fazer o teclado cantar como Horowitz o faz no célebre Adagio cantabile. Ademais, a peça é concisa o bastante para que a encerre convincentemente, sem incorrer nas inconsistências de andamento que tanto criticam nele. Completam o disco uma gravação muito boa da terceira sonata do Op. 10, em que as inconsistências supracitadas talvez apareçam (não que eu ligue para elas), e a já mencionada sonata “Appassionata”, em que Horowitz está um pouco mais próximo de seu quintal.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano em Dó menor, Op. 13, “Patética”
Composta em 1798
Publicada em 1799
Dedicada ao príncipe Karl von Lichnowsky

1 – Grave – Allegro di molto e con brio
2 – Adagio cantabile
3 – Rondo: Allegro

Três sonatas para piano, Op. 10 – No. 3 em Ré maior
Composta e publicada em 1798
Dedicada à condessa Anne Margarete von Browne

4 – Presto
5 – Largo e mesto
6 – Menuetto: Allegro
7 – Rondo: Allegro

Sonata para piano em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”
Composta entre 1804-1805
Publicada em 1807
Dedicada ao conde Franz von Brunswick

8 – Allegro assai
9 – Andante con moto
10 – Allegro ma non troppo – Presto

Vladimir Horowitz, piano

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Lud Van emergindo de seu congelamento em carbonita para invadir a tumba de Vladimir Samoylovich e quebrar-lhe os ossos
#BTHVN250, por René Denon

Vassily

 

 

J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825 a 830 – Angela Hewitt, piano (2ª Gravação – 2019)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825 a 830 – Angela Hewitt, piano (2ª Gravação – 2019)

J.S. Bach

Partitas BWV 825 – 830

Angela Hewitt

 

 

 

Meu primeiro contato com estas joias musicais que são as Partitas de Bach foi pela gravação de Stanislav Heller, cravista checo, gravado em 1965 pela Christophorus e divulgado nas nossas paradas em LP duplo pela Paulus, a editora das Irmãs Paulinas. Então, faz tempo que ouço estas peças, mas nunca me canso. Há um tsunami de gravações destas obras e você pode escolher se prefere ouvi-las tocadas ao cravo ou ao piano. Eu ainda não decidi e sigo tentando. Ao piano, gosto das interpretações de Perahia, Richard Goode, Igor Levit. Isso sem contar uns discos com apenas três das seis partitas. Ao cravo, gosto imenso do Christopher Rousset e da segunda gravação do Trevor Pinnock, para o selo Hänssler. Não que a primeira, para a Archiv Produktion, seja ruim. Talvez um pouco reverberante, mas o cara queria ser gravado no banheiro…

Isso nos traz à segunda gravação da mesma obra pelo intérprete. Bom, como dizia um dos meus cínicos amigos, basta viver o suficiente, aparecer uma nova tecnologia, e eles gravam tudo de novo. Vimos muito disto, mas não creio que seja o caso desta segunda gravação das Partitas pela famosa pianista Angela Hewitt. Pois é, eu não mencionei o nome dela anteriormente, mas a sua primeira gravação, feita em 1996/7, está na minha prateleira, ao lado das outras três (gravações com piano) mencionadas. Mas eu sou assim, compulsivo quando se trata de certas obras. Portanto, quando vi esta segunda gravação da Hewitt destas Partitas, tratei de colocar na playlist.

Decididamente, a mais bonita capa de álbuns com as Partitas

Ela explica no livreto as razões que a levaram a gravar a mesma obra uma segunda vez. Claro, todo mundo sabe, Angela Hewitt iniciou suas gravações com um ótimo disco de música de Bach para a Deutsche Grammophon. Mas o destino não quis e ela mudou para a Hyperion, onde se estabeleceu e gravou praticamente toda a obra de Bach para teclado. Depois deste envolvimento por tanto tempo com este compositor, passou a gravar também música de outros mestres, como um excelente disco com peças de Debussy e também a integral das peças de Ravel. Pois estava assim a moça levando a vida quando, em 2004, John Gilhooly, diretor do Wigmore Hall, lhe propôs um mega projeto: tocar toda a obra para teclado de Bach em 12 recitais. Hewitt negaceou mas acabou embarcando no projeto que iniciou em 2016 e terminará em 2020 (que chegará amanhã, é claro, estou escrevendo estas mal traçadas linhas no último dia de 2019 e é melhor parar de experimentar estes espumantes aqui, esta louça nunca que acaba…). Com isto, a artista percorreu o mundo novamente tocando as Partitas e decidiu gravá-las de novo. A gravação foi feita no Kulturzentrum Gustav Mahler em Toblach/Dobbiaco, desta vez ela usou seu próprio piano Fazoli, e tudo com produção de Ludger Böckenhoff, que foi o engenheiro de som na primeira gravação, feita vinte anos antes! Ela disse, não necessariamente nesta ordem: ‘Não espere diferenças de proporções Gouldianas’. ‘Uma allemande ainda é uma allemande, uma courant ainda não deve ser corrida e uma gigue deve ser dançável’. ‘Quanto mais envelhecemos, mais a música significa para nós, e me dá grande alegria compartilhar estas partitas com vocês mais uma vez’. O que dizer? A alegria é toda nossa!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

[1-6] Partita No. 1 em si bemol maior, BWV 825
[7-12] Partita No. 2 em dó menor, BWV 826
[13-19] Partita No. 4 em ré maior, BWV 828

CD2

[1-7] Partita No. 3 em lá menor, BWV 827
[8-14] Partita No. 5 em sol maior, BWV 829
[15-21] Partita No. 6 em mi menor, BWV 830

Angela Hewitt, piano

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FLAC | 499 MB

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MP3 | 320 KBPS | 353 MB

Angela adorando o fim de semana na Ilha do PQP…

Um dos críticos da Amazon sobre este álbum: ‘clean-cut, undiosyncratic, straight-up and honest’. Realmente,  eu acrescentaria, excelente música, apresentada com amor por uma espetacular artista!

Aproveite!

René Denon

.: interlúdio :. Duke Ellington — 2nd Sacred Concert [Live]

.: interlúdio :. Duke Ellington — 2nd Sacred Concert [Live]

OK, é Duke Ellington, mas também é aquela babação àquele amigo imaginário. Mas é Ellington. E há uma big band. E há um coral. E há uma boa cantora. Sueca. Mas há uma narração de Duke que é bem chatinha. Mas é Ellington. Supreeeeeeeme Beeeeeeing. Ouvir as orquestrações, o som inimitável de Ellington… A gente suporta até o terror da louvação.

O 2º Concerto Sacro foi registrado em 22 de janeiro e 19 fevereiro de 1968 em Nova York e foi originalmente lançado como um LP duplo da Prestige Records e relançado em CD simples. É a primeira vez que a sueca Alice Babs grava com a Orquestra de Ellington. Ela cantou “Heaven” e o vocal sem palavras “T.G.T.T. (Too Good To Title)”. Cootie Williams rosna seu trompete em “The Shepherd (Who Watches Over The Night Flock). Lindo! Esta peça é dedicada ao Rev. John Garcia Gensel, um pastor luterano que enrolava a comunidade do jazz. O final “Praise God And Dance ” vem do Salmo 150 e é muito legal. É meio jazz, meio mainstream popular dos anos 60.

Duke Ellington — 2nd Sacred Concert [Live]

1. Praise God 3:09
2. Supreme Being 11:46
3. Heaven 4:54
4. Something About Believing 8:12
5. Almighty God 6:32
6. The Shepherd (Who Watches Over The Night Flock) 7:10
7. It’s Freedom 13:00
8. Meditation 3:08
9. The Biggest And Busiest Intersection 3:58
10. T.G.T.T. 2:25
11. Praise God And Dance 10:57

Músicos:
Duke Ellington – piano, narration
Cat Anderson, Mercer Ellington, Money Johnson, Herb Jones, Cootie Williams – trumpet
Lawrence Brown, Buster Cooper, Bennie Green – trombone
Chuck Connors – bass trombone
Russell Procope – alto saxophone, clarinet
Johnny Hodges – alto saxophone
Jimmy Hamilton – clarinet, tenor saxophone
Paul Gonsalves – tenor saxophone
Harry Carney – baritone saxophone
Jeff Castleman – bass
Sam Woodyard, Steve Little – drums
Alice Babs, Devonne Gardner, Trish Turner, Roscoe Gill – vocals
The AME Mother Zion Church Choir, Choirs Of St Hilda’s and St. Hugh’s School, Central Connecticut State College Singers, The Frank Parker Singers – choirs

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O duque na antessala da Capela Ateia do Grand Hall do PQP Bach

PQP

Carl Phillip Emanuel Bach (1714-1788) – Oboe Concertos – Xenia Löffler, Akademie für Alte Musik Berlin

Assim nos é apresentada Xenia Löffler em seu próprio site:

“As a soloist, chamber musician, and orchestral musician, Xenia Löffler has gained an outstanding reputation as a baroque oboist over the past several years. Working with ensembles such as the Akademie für Alte Musik Berlin, where she has been active as a member and soloist since 2001, she has toured throughout the world and has performed at some of the most important music festivals and concert halls.”

Neste CD recém lançado pelo selo Harmonia Mundi, Xênia se dedicada à obra de Carl Phillip Emanuel Bach, o filho mais talentoso de Johann Sebastian acompanhada pelos seus colegas do excepcional conjunto “Akademie für Alte Musik Berlin” , a solista mostra que sabe muito bem o que está fazendo.

Importante salientar que devemos entender as obras de Carl Phillip dentro de um contexto de transição entre o Barroco e o Clacissismo, e o filho de Johann Sebastian é um dos principais compositores desse período. Ele ajudou a criar uma nova linguagem, uma nova forma de compor. Influenciou Mozart  dentre outros compositores do período.

Espero que apreciem.

01. Oboe Concerto in E-Flat Major, H. 468, Wq. 165 I. Allegro
02. Oboe Concerto in E-Flat Major, H. 468, Wq. 165 II. Adagio ma non troppo
03. Oboe Concerto in E-Flat Major, H. 468, Wq. 165 III. Allegro ma non troppo
04. Sinfonia for winds, strings and basso continuo in F Major, H. 656, Wq. 181 I. Allegro
05. Sinfonia for winds, strings and basso continuo in F Major, H. 656, Wq. 181 II. Andante
06. Sinfonia for winds, strings and basso continuo in F Major, H. 656, Wq. 181 III. Allegro assai
07. Oboe Concerto in B-Flat Major, H. 466, Wq. 164 I. Allegretto
08. Oboe Concerto in B-Flat Major, H. 466, Wq. 164 II. Largo e mesto
09. Oboe Concerto in B-Flat Major, H. 466, Wq. 164 III. Allegro moderato
10. Sinfonia for 2 oboes, 2 horns, strings and basso continuo in G Major, H. 655, Wq. 180 I. Allegro di molto
11. Sinfonia for 2 oboes, 2 horns, strings and basso continuo in G Major, H. 655, Wq. 180 II. Largo
12. Sinfonia for 2 oboes, 2 horns, strings and basso continuo in G Major, H. 655, Wq. 180 III. Allegro assai

Xenia Löffler – Oboe
Akademie für Alte Musik Berlin

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BTHVN250 – A Obra completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para violino e piano, Op. 12 – Kavakos – Pace

Se apreciadas no contexto da evolução de Beethoven como compositor, muito evidente nas obras solo para piano, as melífluas sonatas para violino do Op. 12 podem parecer até um retrocesso: clássicas, bem no prumo das de Mozart, sem sobressaltos, soam até mais antigas que aquelas para violoncelo do Op. 5, compostas dois anos antes.  Diferentemente destas, frutos do contato com virtuoses numa corte real, e das sonatas para violino Op. 47 (a “Kreutzer”) e a Op. 96, dedicadas a solistas ilustres, as Op. 12 não tinham intérpretes específicos em vista, tampouco grandes pretensões – como atesta seu frontispício, aliás, que as descreve sem-cerimoniosamente como “sonatas para o pianoforte ou cravo, com acompanhamento de um violino”. Dedicando-as ao ainda muito influente Antonio Salieri, com quem pretendia estudar, Beethoven provavelmente quis fazer bom cartaz, pisando terreno firme e não ferindo as sensibilidades do velho professor. Parece que funcionou: em dois anos, ele iniciaria seus estudos com Salieri, dentro de seu projeto de fazer fortuna escrevendo óperas em italiano.

Uma das poucas dificuldades de escrever aqui no PQP Bach é tentar trazer novidades relevantes a um acervo gargantuano alimentado cotidianamente diariamente por colegas com tão fino gosto quanto apetite pantagruélico por novidades fonográficas. Quase todas minhas versões preferidas das sonatas para violino já estavam aqui – mas faltava essa, com o ateniense de ouro, Leonidas Kavakos, e o riminese Enrico Pace, talvez de todas a mais lindamente burilada e de articulações mais trabalhadas, que ficam ainda mais notáveis em função dos andamentos mais lentos escolhidos pela dupla. Kavakos é capaz de todas virtuosidades, mas aqui prefere privilegiar o timbre – e o seu, em minha desimportante opinião, é o mais belo entre os de todos violinistas em atividade. O som de seu Stradivarius é tão lindo que a gente nem liga para a alegada banalidade que os críticos, que desde o final do século XVIII já esperavam novidades de Beethoven, apontaram nessas sonatas – nós as ouvimos entre sorrisos, e só capazes de pensar nas próximas.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três sonatas para violino e piano, Op. 12
Compostas entre 1797-1798
Publicadas em 1798
Dedicadas a Antonio Salieri

Sonata no. 1 em Ré maior

1 – Allegro con brio
2 – Tema con variazioni: Andante con moto
3 – Rondo: Allegro

Sonata no. 2 em Lá maior

4 – Allegro vivace
5 – Andante, più tosto allegretto
6 – Allegro piacevole

Sonata no. 3 em Mi bemol maior

7 – Allegro con spirito
8 – Adagio con molta espressione
9 – Rondo: Allegro molto

Leonidas Kavakos, violino
Enrico Pace, piano

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Pace, Kavakos e Stradivarius

Vassily

BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Sonatas CDs 7 a 11 de 11 – Claudio Arrau

Vamos finalizar hoje essa série do grande pianista Claudio Arrau interpretando Beethoven, trazendo os quatro últimos cds das Sonatas.

Aqui teremos as imensas Sonatas ‘Waldstein’, ‘Appassionata’, ‘Hammerklavier’ entre outras obras primas. Na época destas gravações Arrau já era um pianista altamente reconhecido, e com uma imensa discografia. Iria retomar estas sonatas alguns alguns antes de sua morte, mas isso é assunto para outro momento.

CD 7

Piano Sonata No. 19 In G Minor, Op. 49, No. 1
1.1. Andante
2.2. Rondo (Allegro)

Piano Sonata No. 20 In G Major, Op. 49, No. 2
3.1. Allegro ma non troppo4:58
4.2. Tempo di Menuetto

Piano Sonata No. 21 in C Major, Op. 53 “Waldstein”
5.1. Allegro con brio
6.2. Introduzione (Adagio molto)
7.3. Rondo (Allegretto moderato – Prestissimo)

Piano Sonata No. 22 in F Major, Op. 54
8.1. In Tempo d’un Menuetto
9.2. Allegretto
10.3. Più Allegro

Piano Sonata No. 23 in F Minor, Op. 57 “Appassionata”
11.1. Allegro assai
12.2. Andante con moto
13.3. Allegro ma non troppo

CD 8

Piano Sonata No. 24 in F-Sharp Major, Op. 78 “For Therese”
1.1. Adagio cantabile – Allegro ma non troppo
2.2. Allegro vivace

Piano Sonata No. 25 in G Major, Op. 79
3.1. Presto alla tedesca
4.2. Andante
5.3. Vivace

Piano Sonata No. 26 in E-Flat Major, Op. 81a “Les Adieux”
6.1. Das Lebewohl (Adagio – Allegro)
7.2. Abwesenheit (Andante espressivo)
8.3. Das Wiedersehen (Vivacissimamente)

Piano Sonata No. 27 in E Minor, Op. 90
9.1. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck
10.2. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen

CD 9

Piano Sonata No. 28 in A Major, Op. 101
1.1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung (Allegretto ma non troppo)
2.2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia)
3.3. Langsam und sehnsuchtsvoll (Adagio ma non troppo, con affetto)
4.4. Geschwind, doch nicht zu sehr und mit Entschlossenheit (Allegro)

Piano Sonata No. 29 in B-Flat Major, Op. 106 -“Hammerklavier”
5.1. Allegro
6.2. Scherzo. Assai vivace
7.3. Adagio sostenuto
8.4. Largo – Allegro risoluto

CD 10

Piano Sonata No. 30 in E Major, Op. 109
1.1/2. Vivace ma non troppo-Adagio espressivo-Tempo I – Prestissimo
2.3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung (Andante molto cantabile ed espressivo)

Piano Sonata No. 31 in A-Flat Major, Op. 110
3.1. Moderato cantabile molto espressivo
4.2. Allegro molto
5.3a. Adagio ma non troppo
6.4. Fuga (Allegro ma non troppo)

Piano Sonata No. 32 in C Minor, Op. 111
7.1. Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
8.2. Arietta (Adagio molto semplice e cantabile)

CD 11

1-33. Diabelli Variations, Op. 120

Claudio Arrau – Piano

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#BTHVN250, por René Denon

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trios para clarinete, violoncelo e piano, Opp. 11 (“Gassenhauer”) & 38 – Beethoven Trio

As duas obras para trio que hoje apresentamos são mais conhecidas em outras roupagens. O Op. 11 foi concebido para clarinete, na tonalidade de si bemol que lhe é tão confortável, mas rapidamente acomodado numa versão com violino, instrumento mais encontradiço, já publicada nesta série. Depois que o ouvimos com clarinete, entretanto, fica difícil escutar as passagens tão idiomáticas que Beethoven lhe escreveu em qualquer outro timbre. A alcunha “Gassenhauer” traduz-se, grosso modo, como “sucesso popular” (hit ou Schlager), no sentido das canções pegajosas cantaroladas por todos nas ruelas (Gassen, em alemão) – no caso, a ária “Pria ch’io l’impegno”, da ópera “L’amor marinaro ossia Il corsaro” de Joseph Weigl, um tremendo sucesso na Viena da época que foi amplamente usado como tema para obras com variações. O trio em si garante alguns minutos agradáveis, se não exatamente memoráveis – embora, e fica aqui a advertência, a tal “Gassenhauer” seja realmente MUITO grudenta.

O trio Op. 38, por sua vez, é uma versão do próprio compositor para o seu bem-sucedido septeto, Op. 20, arranjada para um conjunto instrumental mais econômico. O tal septeto fez tanto sucesso que Beethoven chegou a irritar-se com a imensa demanda por ouvi-lo em toda parte, e em diferentes arranjos, por considerar que compusera coisas muito melhores. Além da versão para clarinete, há outra para violino, violoncelo e piano, cujo dia também chegará por aqui.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trio em Si bemol maior para clarinete, piano e violoncelo, Op. 11, “Gassenhauer”
Composto em 1797
Publicado em 1798
Dedicado a
Maria Wilhelmine von Thun

1 – Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Tema con variazioni (“Pria ch’io l’impegno”: Allegretto)

Trio em Mi bemol maior para clarinete, piano e violoncelo, Op. 38
Composto entre 1799-1800 (versão original do septeto, Op. 20)
Arranjado e publicado como trio em 1805
Dedicado à imperatriz Maria Theresia

4 – Adagio – Allegro con brio
5 – Adagio cantabile
6 – Tempo di menuetto
7 – Tema con variazioni: Andante
8 – Scherzo: Allegro molto e vivace
9 – Andante con moto alla marcia – Presto

Beethoven Trio
Raffaele Bertolini, clarinete
Silvano Fusco, violoncelo
Marco Schiavo, piano

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Joguei “Gassenhauer” no Google – e foi isso que me apareceu

Vassily

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 1 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 1 de 9 – BTHVN250

 

 

BTHVN Op. 2

 

 

Começamos aqui nossas homenagens ao grande aniversariante do ano – Ludwig van Beethoven! Em 17 de dezembro ele completará 250 anos, vivo, vivíssimo! Sua música soará o ano todo com a mesma energia, vibração e encantamento de sempre.

Acreditem, datas como esta são apenas casualidades. Tivesse a Terra um pouco mais de pachorra ao girar em torno do Sol e teríamos anos mais longos e estaríamos comemorando talvez o centenário de nascimento de Beethoven. Caso nossos ancestrais tivessem quatro dedos em cada mão (como o Mickey e o Pato Donald) no lugar de cinco e contaríamos de oito em oito no lugar de dez em dez e pronto, de novo estas datas simbólicas estariam totalmente mudadas.

Eu já passei pelos 200 anos de nascimento de Beethoven, lá em 1970, pelos 200 anos da morte de Mozart, em 1991. Há muito de marketing sendo feito nestas ocasiões pelas gravadoras e pela mídia que vive de música, mas acabamos nos rendendo a isto tudo. Afinal, esta é uma boa desculpa para ouvir as músicas todas novamente.

Começaremos nossas homenagens postando esta maravilhosa Integral das Sonatas para Piano, interpretadas por Igor Levit. Neste vídeo ele explica o que torna a música de Beethoven tão atual, apesar de ter sido escrita há tanto tempo. Além disso, o vídeo serve como trailer das maravilhas que virão nesta série de postagens.

As sonatas serão postadas na ordem em que foram publicadas. No primeiro disco as três sonatas reunidas no Opus 2, são assim três jovens irmãs. Estas sonatas foram compostas por volta de 1795, resultados dos primeiros anos de Beethoven em Viena e refletem o arrojo, o ímpeto e a autoconfiança do compositor. Mas lembremos que Beethoven já estava então com 25 anos, era um virtuose do piano, excelente improvisador e não era exatamente inexperiente na arte de composição de sonatas para piano. Estruturadas em quatro movimentos, todas apresentam belíssimos movimentos lentos e apenas a primeira tem um minueto no terceiro movimento. As outras exibem já um scherzo e todas terminam com movimentos onde o solista pode exibir todo o seu virtuosismo.

Dedicadas a Haydn, estas peças mostram a qualidade do compositor e anunciam o escopo que ele alcançaria nas próximas sonatas.

O Largo appassionato da segunda sonata do grupo revela a capacidade de Beethoven produzir movimentos que nos tocam profundamente. O arrojo e as proporções da terceira sonata, em dó maior, a destacam do grupo e fizeram dela peça de repertório de muitos grandes pianistas.

A interpretação de Igor Levit evidencia tudo isto e nos prepara para uma viagem que, prometo, será espetacular.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 1 em fá menor, Op. 2, 1

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Menuetto – Allegretto
  4. Prestissimo

Sonata para piano No. 2 em lá maior, Op. 2, 2

  1. Allegro vivace
  2. Largo appassionato
  3. Scherzo: Allegretto
  4. Rondo: Grazioso

Sonata para piano em dó maior, Op. 2, 3

  1. Allegro com brio
  2. Adagio
  3. Scherzo: Allegro
  4. Allegro assai

Igor Levit, piano

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FLAC | 165 MB

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MP3 | 320 KBPS | 151 MB

Igor Levit

Que esta jornada seja tão empolgante para vocês quanto está sendo para mim!

Aproveitem!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonatas e Partitas para violino solo, BWV 1001-1006 – James Ehnes

Parem tudo o que estão fazendo e ouçam isso. Não exagero: eu parei minha série de postagens da obra completa de Beethoven em pleno Ano Beethoven, e acho que Ludovico não se chatearia com a reverência ao demiurgo João Sebastião, recriado pelo talento do mais fascinante dos violinistas em atividade, o canadense James Ehnes. Atentem para os andamentos mais lentos que o habitual, que permitem à linda entonação de Ehnes destacar as diversas vozes com clareza, particularmente nas fugas. Percebam seu uso comedido do vibrato, tão em desuso nessa era de preferências historicamente informadas, que nem de longe descamba para romantismo ou, menos ainda, sacarose sentimental. Maravilhem-se com momentos como o prelúdio da terceira partita, que cintila e efervesce. E – nem sei o que lhes dizer – SINTAM nessa Chacona, também mais lenta que o costumeiro, o domínio absoluto que Ehnes tem sobre tudo, e sobretudo ao pulso do tempo, enquanto desenrolam-se as engenhosas variações na criação instrumental suprema de Bach. Eu fui fisgado logo no primeiro acorde da primeira sonata, e só parei de ouvir muito depois da última partita terminar, para então colocar novamente a Chacona para conseguir acreditar no que meus sentidos me diziam: que aquela era a mais bela versão das sonatas e partitas que conheci na última década, e certamente uma das melhores que jamais existirão.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

J. S. BACH – THE SIX SONATAS & PARTITAS FOR SOLO VIOLIN – JAMES EHNES

DISCO 1

Sonata no.1 em Sol menor para violino solo, BWV 1001
1 – Adagio
2 – Fuga
3 – Siciliana
4 – Presto

Partita no.1 in Si menor para violino solo, BWV 1002
5 – Allemanda
6 – Double
7 – Corrente
8 – Double
9 – Sarabande
10 – Double
11 – Tempo di Borea
12 – Double

Sonata no.2 in Lá menor para violino solo, BWV 1003
13 – Grave
14 – Fuga
15 – Andante
16 – Allegro

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DISCO 2

Partita no. 2 em Ré menor para violino solo, BWV 1004
1 – Allemanda
2 – Corrente
3 – Sarabanda
4 – Giga
5 – Ciaccona

Sonata no.3 em Dó maior para violino solo, BWV 1005
6 – Adagio
7 – Fuga
8 – Largo
9 – Allegro assai

Partita no.3 em Mi maior para violino solo, BWV 1006
10 – Preludio
11 – Loure
12 – Gavotte en Rondeau
13 – Menuet I
14 – Menuet II
15 – Bourrée
16 – Gigue

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James Ehnes, violino

Ehnes e seu Stradivarius, preparando-se para enfeitiçar vocês

Vassily

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Viola d`Amore

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Viola d`Amore

Não chega a ser um disco de levantar poeira, mas que entra no barracão no Andante do Concerto RV 396, por exemplo. Pois vocês conhecem Vivaldi — o padre vem na banguela e de repente engata a marcha e só vai e a gente acaba feliz. É o que acontece aqui. A Orchestra Of The Age Of Enlightenment, dirigida e solada por Catherine Mackintosh, formam um extraordinário conjunto, sempre competente e feliz, dentro espírito do veneziano.

A viola d’amore é um instrumento musical de cordas friccionadas. Tem 6 ou 7 cordas simpáticas, o que a faz ter de 12 a 14 cordas no total, e foi usado sobretudo no período barroco. É tocada sob o queixo do mesmo modo que o violino. O instrumento foi especialmente popular no final do século XVII, embora um especialista em viola de amor fosse raro, já que era costume um músico profissional tocar uma série de instrumentos, particularmente da família do instrumento principal desse músico. Mais tarde, o instrumento caiu em desuso, com o volume e pujança da família do violino a serem preferidos face à delicadeza e suavidade da família da viola. Todavia, houve interesse renovado pela viola d’amore no século XX: os violistas Henri Casadesus e Paul Hindemith tocaram ambos viola de amor no início do século XX, e o compositor de bandas sonoras Bernard Herrmann fez uso dela em várias obras. De notar que, tal como outros instrumentos da família do violino, a moderna viola d’amore foi alterada em estrutura face à versão do Barroco, sobretudo para suportar a tensão adicional das cordas metálicas. Leoš Janáček planeou usar a viola d’amore no seu quarteto de cordas n.º 2, “Cartas Íntimas”. O uso do instrumento era simbólico, pela natureza da sua relação com Kamila Stösslová, relação essa que inspirou a obra. Porém, a versão com a viola d’amore veio a ser impraticável nos ensaios e Janáček adaptou a obra para uma viola convencional. O bailado Romeu e Julieta de Sergei Prokofiev tem uma viola de amor.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Viola d`Amore

Concerto In D Major, RV 392 (11:12)
1 Allegro 4:28
2 Largo 3:25
3 Allegro 3:19

Concerto In D Minor, RV 395 (14:02)
4 Allegro 4:20
5 Andante 1:55
6 Allegro 3:47
7 Largo 4:00

Concerto In D Minor, RV 393 (9:39)
8 Allegro 3:35
9 Largo 2:26
10 Allegro 3:38

Concerto In A Minor, RV 397 (10:35)
11 Allegro 3:59
12 Largo 3:11
13 Allegro 3:25

Concerto In D Minor, RV 394 (9:53)
14 Allegro 4:23
15 Largo 1:56
16 Allegro 3:34

Concerto In A Major, RV 396 (10:47)
17 Allegro 3:21
18 Andante 4:03
19 Allegro 3:23

Orchestra – Orchestra Of The Age Of Enlightenment
Viola d’Amore, Soloist, Directed By – Catherine Mackintosh

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PQP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sonatas for Fortepiano & Violin V. 2 – Isabelle Faust, Alexander Melnikov

Neste mundo em que vivemos, é difícil esconder a informação. Em questão de poucos minutos o outro lado do planeta já está sabendo das novidades que estão acontecendo cá pelas nossas bandas.
Foi o que aconteceu quando fuçava a Internet atrás de alguma novidade quente. Eis que me deparo com essa belezura para animar os meus sonhos. Já postei o primeiro CD desta série lá em 2018 (parece que foi ontem), e agora, fresquinho, aqui está para os senhores o segundo CD. Não sei quais são os planos de Frau Faust e de Herr Melnikov, mas de qualquer forma, o segundo CD está disponível, porém seu lançamento oficial está sendo hoje, dia 7 de fevereiro.
Com músicos deste nível, como não poderia deixar de ser, temos um Mozart impecável, com Faust e Melnikov nos apresentando uma visão historicamente informada de como tocar essas obras primas. Esqueçam por um instante as gravações de Grumiaux e de Szering, por exemplo, e ouçam como se toca Mozart no século XXI.
Preciso dizer que ele leva com todos os méritos o selo PQPBach de qualidade de IM-PER-DÍ-VEL ???

01. Violin Sonata in F Major, K. 376 I. Allegro
02. Violin Sonata in F Major, K. 376 II. Andante
03. Violin Sonata in F Major, K. 376 III. Rondò. Allegretto grazioso
04. Violin Sonata in A Major, K. 305 I. Allegro di molto
05. Violin Sonata in A Major, K. 305 II. Tema [con Variazioni]. Andante grazioso
06. Violin Sonata in G Major, K. 301 I. Allegro con spirito
07. Violin Sonata in G Major, K. 301 II. Allegro
08. Violin Sonata in B-Flat Major, K. 378 I. Allegro moderato
09. Violin Sonata in B-Flat Major, K. 378 II. Andantino sostenuto e cantabile
10. Violin Sonata in B-Flat Major, K. 378 III. Rondeau. Allegro

Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov Pianoforte

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Isabelle Faust / Alexander Melnikov

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano, Opp. 10 & 26 – Gould

Bem, eu avisei que lhes traria Gould.

Antes que me chovam tomates por trazer este mais controverso de todos os grandes pianistas, justifico-me: depois de Bach, Beethoven é o segundo compositor mais importante em seu legado discográfico. Ademais, e a despeito da fama de ludwigófobo que construiu por interpretações bizarras como as que deu para a “Appassionata”, Glenn reconhecia o gênio do renano e pôs seu domínio fenomenal do teclado e a heterodoxia nas escolhas interpretativas para legar-nos gravações muito recompensadoras àqueles que não consigam se deixar irritar por seus expedientes de costume, como o de propor alterações dinâmicas e agógicas a bel prazer, e, mais notoriamente, aquele de cantarolar ao teclado. Gould está especialmente canoro nos movimentos de abertura das sonatas, aos quais ele imprime andamentos frenéticos. A articulação impecável e clareza com que ele distingue as vozes, responsável por muito da mágica gouldiana a tocar Bach, aqui brilha com clareza, particularmente no último movimento da segunda sonata, um fugato matreiro. E a terceira sonata, que considero a primeira obra-prima de Beethoven no gênero, com seu belíssimo, sentido Adagio, é tão equilibrada que se pode facilmente esquecer do escândalo causado por Gould quando, em seguida ao terremoto do sucesso de sua gravação de estreia, escolheu levar a disco as três últimas sonatas para piano de Ludwig, com recepção que variou do pasmo a, claro, jorros de ódio. E, falando em ódio, já que vocês estão a esvurmá-lo por mim, convido-os a tentarem aplacá-lo ouvindo a sonata Op. 26, com suas maravilhosas variações de abertura e a marcha fúnebre, que o canadense despacha com elegância e sem qualquer bizarrice. Vocês quase não o reconhecerão tocando e, talvez, até me perdoem – pelo menos, claro, até a próxima postagem de Gould.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Sonatas para piano, Op. 10
Compostas entre 1796-1798
Publicadas em 1798
Dedicadas à condessa Anne Margarete von Browne

No. 1 em Dó menor
1 – Allegro molto e con brio
2 – Adagio molto
3 – Finale. Prestissimo

No. 2 em Fá maior
4 – Allegro
5 – Allegretto
6 – Presto

No. 3 em Ré maior
7 – Presto
8 – Largo e mesto
9 – Menuetto. Allegro
10 – Rondo. Allegro

Sonata para piano em Lá bemol maior, Op. 26, “Marcha fúnebre”
Composta entre 1800-1801
Publicada em 1801
Dedicada ao príncipe Karl von Lichnowsky

11 – Andante con variazioni
12 – Scherzo, allegro molto
13 – Maestoso andante, marcia funebre sulla morte d’un eroe
14 – Allegro

Glenn Gould, piano

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Gould, à espera de que vocês o odeiem outra vez
#BTHVN250, por René Denon


Vassily

Mussorgsky (1839-1881): Quadros de Uma Exposição / Ravel (1875-1937): Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola – Carlo Maria Giulini

Mussorgsky (1839-1881): Quadros de Uma Exposição / Ravel (1875-1937): Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola – Carlo Maria Giulini

Mussorgsky

Quadros de Uma Exposição

Ravel

Ma Mère l’Oye & Rapsódia Espanhola

Carlo Maria Giulini

 

Nas eternas discussões sobre música que mantínhamos nos encontros ao redor das bancas dos desejados LPs e CDs nas lojas de discos, falávamos de quase tudo. – Leon Fleisher e Szell são imbatíveis neste repertório! – Eu ouvia de um sério senhor de ascendência nipônica, enquanto segurava minha possível compra dos Concertos para Piano de Brahms, com Rudolf Serkin e o mesmo George Szell. Dúvidas abundavam, pois o investimento seria substancial.

Um dos temas que vez por outra entrava em pauta era o que o mesmo senhor chamava de ‘música canalha’. Eu sei, soa pior do que deveria, mas o pessoal era assim, radical. A cada um era permitido gostar de uma peça do gênero. Scheherazade era a queridinha dele. Vaias e apupos se elevavam quando Jardins de Um Mosteiro era mencionado.

Mas o repertório de ‘Música Ligeira’ ou de apelo popular, típico de orquestras como a Boston Pops, reserva grandes surpresas e geralmente traz ótimas lembranças.

Pois minha música de apelo popular preferida é ‘Quadros de Uma Exposição’ e esta é a minha gravação preferida. Sim, este álbum é um dos meus ‘Discos Mais Queridos’!

Carlo Maria Giulini foi um excelente regente, apesar de um repertório relativamente reduzido. Ele começou estudando violino e chegou a ocupar a fileira de violas da Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia. Tocou sob a batuta de grandes regentes, como Bruno Walter, Wilhelm Furtwängler, Victor de Sabata, Otto Klemperer. Esta experiência na orquestra certamente o ajudou a tornar-se um ótimo regente. Ele disse em entrevistas que detestava a abordagem ditatorial e exigente do então diretor musical da orquestra, preferindo a maneira gentil de reger de Bruno Walter. Segundo ele, Walter fazia cada músico sentir-se importante.

Entre as suas gravações mais famosas se encontram peças como ‘La mer’, de Debussy, as Sinfonias Nos. 3 e 5 de Beethoven, algumas das sinfonias de Mahler, as três últimas sinfonias de Bruckner. Óperas também eram importantes em seu repertório e as gravações de Don Giovanni, As Bodas de Fígaro, de Mozart, e Rigoletto e Falstaff de Verdi, vêm facilmente à memória. O Requiem de Verdi é também uma das gemas de sua discografia.

As peças que estão reunidas neste álbum foram lançadas originalmente em diferentes LPs. O denominador comum aqui é a orquestração de Maurice Ravel. A orquestração feita por Ravel do original Os Quadros de Uma Exposição, para piano, de Modest Mussorgsky, era tocada com frequência por Giulini. Realmente, esta peça pode ser usada para convencer pessoas que não têm o hábito de ouvir música ‘erudita’ a se aventurar nestas veredas. O movimento de abertura, Promenade, é uma daquelas músicas que gruda na nossa memória musical e como é repetida ao longo do passeio para vermos os quadros, acaba ficando de vez na nossa mente.

Para completar o programa, a suíte ‘Ma Mère l’Oye’, que nos leva para o mundo dos Contos de Fadas e a magia de Ravel permite nossa imaginação alçar grandes voos. E ainda há espaço para a Rapsódia Espanhola, que nos transporta diretamente para uma Espanha mítica, com seus jardins, perfumes e sons.

As duas orquestras – Chicago Symphony e Los Angeles Philharmonic foram dirigidas por Giulini e essas gravações mostram o quanto foi frutífera essa relação.

Modest Mussorgsky (1839 – 1881)

Quadros de Uma Exposição (Orquestração de Maurice Ravel)

  1. Promenade
  2. Gnomus
  3. Promenade
  4. Il vecchio castello
  5. Promenade
  6. Tuileries
  7. Bydlo
  8. Promenade
  9. Ballet des Petits Poussins dans leurs Coques
  10. Samuel Goldenberg und Schmuyle
  11. Limoges: Le Marché & Catacombae: Sepulchrum Romanum
  12. Cum mortuis in lingua mortua
  13. La Cabane de Baba-Yaga sur des Pattes de Poule & La Grande Porte de Kiev

Chicago Symphony Orchestra

Carlo Maria Giulini

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Ma Mère l’Oye

  1. Pavane de la Belle au Bois Dormant
  2. Petit Poucet
  3. Laideronnette, Impératrice des Pagodes
  4. Les Entretiens de la Belle et la Bête
  5. Le Jardin Féerique

Rapsodia Espanhola

  1. Prélude à la Nuit
  2. Malagueña
  3. Habanera
  4. Feria

Los Angeles Philharmonic Orchestra

Carlo Maria Giulini

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FLAC | 254 MB

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MP3 | 320 KBPS | 160 MB

Música fácil, dirão certos puristas, mas com esta qualidade de interpretação, eu quero é mais!!

Para saber um pouco mais sobre a vida deste grande maestro, veja aqui.

Aproveite!

René Denon

BTHVN250- Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano – CDs 4-6 de 10 – Claudio Arrau

Dando continuidade à postagem da primeira integral das sonatas de Beethoven que Claudio Arrau gravou em 1964, trago algumas Sonatas fundamentais nestes três CDs, como a “Sonata ao Luar”, a “Pastoral” e a “Tempestade”. Se Beethoven só tivesse escrito estas três peças, com certeza seu nome já estaria inscrito no panteão dos grandes gênios da humanidade. Felizmente, para nós, ele viveu para escrever outras obras primas.

Admiro Claudio Arrau por seu pleno domínio do instrumento, e claro, da própria obra. Era um especialista neste repertório, e com certeza foi um dos maiores intérpretes do gênio de Bonn no século XX.

Então vamos ao que viemos.

CD 4

01. Piano Sonata #10 In G, Op. 14-2 – 1. Allegro
02. Piano Sonata #10 In G, Op. 14-2 – 2. Andante
03. Piano Sonata #10 In G, Op. 14-2 – 3. Scherzo Allegro Assai
04. Piano Sonata #11 In B Flat, Op. 22, ‘Grand’ – 1. Allegro Con Brio
05. Piano Sonata #11 In B Flat, Op. 22, ‘Grand’ – 2. Adagio Con Molta
06. Piano Sonata #11 In B Flat, Op. 22, ‘Grand’ – 3. Minuetto
07. Piano Sonata #11 In B Flat, Op. 22, ‘Grand’ – 4. Rondo Allegretto
08. Piano Sonata #12 In A Flat, Op. 26, ‘Funeral March’ – 1. Andante C
09. Piano Sonata #12 In A Flat, Op. 26, ‘Funeral March’ – 2. Scherzo
10. Piano Sonata #12 In A Flat, Op. 26, ‘Funeral March’ – 3. Marcia Fu
11. Piano Sonata #12 In A Flat, Op. 26, ‘Funeral March’ – 4. Allegro

CD 5

01. Sonata No. 13 in E flat major, op. 27 no. 1 – I. Andante – Allegro – Tempo I
02. Sonata No. 13 in E flat major, op. 27 no. 1 – II. Allegro molto e vivace
03. Sonata No. 13 in E flat major, op. 27 no. 1 – III. Adagio con espressione
04. Sonata No. 13 in E flat major, op. 27 no. 1 – IV. Allegro vivace – Tempo I –
05. Sonata No. 14 in C sharp minor, op. 27 no. 2 ”Moonlight” – I. Adagio sostenuto
06. Sonata No. 14 in C sharp minor, op. 27 no. 2 ”Moonlight” – II. Allegretto
07. Sonata No. 14 in C sharp minor, op. 27 no. 2 ”Moonlight” – III. Presto
08. Sonata No. 15 in D major, op. 28 ”Pastoral” – I. Allegro
09. Sonata No. 15 in D major, op. 28 ”Pastoral” – II. Andante
10. Sonata No. 15 in D major, op. 28 ”Pastoral” – III. Scherzo (Allegro assai)
11. Sonata No. 15 in D major, op. 28 ”Pastoral” – IV. Rondo (Allegro ma non tro

CD 6

01. Sonata No. 16 in G major, op. 31 no. 1 – I. Allegro vivace
02. Sonata No. 16 in G major, op. 31 no. 1 – II. Adagio grazioso
03. Sonata No. 16 in G major, op. 31 no. 1 – III. Rondo (Allegretto)
04. Sonata No. 17 in D minor, op. 31 no. 2 ”The Tempest” – I. Largo – Allegro
05. Sonata No. 17 in D minor, op. 31 no. 2 ”The Tempest” – II. Adagio
06. Sonata No. 17 in D minor, op. 31 no. 2 ”The Tempest” – III. Allegretto
07. Sonata No. 18 in E flat major, op. 31 no. 3 – I. Allegro
08. Sonata No. 18 in E flat major, op. 31 no. 3 – II. Scherzo (Allegretto vivace)
09. Sonata No. 18 in E flat major, op. 31 no. 3 – III. Menuetto (Moderato e grazi
10. Sonata No. 18 in E flat major, op. 31 no. 3 – IV. Presto con fuoco

Claudio Arrau – Piano

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Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonias – COE – Paavo Berglund

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonias – COE – Paavo Berglund

Brahms

Sinfonias

COE & Berglund

 

 

As Sinfonias de Beethoven foram fonte de grande inspiração para Brahms, mas também foram motivo de um certo desencorajamento. Aproximar-se dos padrões estabelecidos por estas obras maravilhosas parecia impossível. Ele teria afirmado: ‘Eu nunca escreverei uma sinfonia’. Mas a criatividade venceu as barreiras internas e o enorme senso autocrítico, resultando em uma sinfonia muito especial. Aos 43 anos, após ter criado obras primas em muitos outros gêneros, Brahms completou sua Primeira Sinfonia. Uma vez vencida a primeira barreira, mais outras três sinfonias seguiram num período de aproximadamente dez anos.

Paavo tentando descobrir qual oboé antecipou a sua entrada…

É este conjunto de obras primas que temos aqui, na interpretação segura e direta de Paavo Berglund, regendo o excelente grupo de músicos que forma a COE, Chamber Orchestra of Europe. Esta orquestra sob a regência de Nikolaus Harnoncourt nos deixou um ótimo registro das Sinfonias de Beethoven. Agora, com selo Ondine e ótima produção de Andrew Keener temos as Sinfonias de Brahms.

A formação com um número menor de músicos nas seções de cordas tem beneficiado muito as gravações das Sinfonias de Brahms, como aconteceu, por exemplo, no caso de Charles Mackerras e a Scottish Chamber Orchestra. Os diferentes grupos de instrumentos têm igual oportunidade de brilhar, resultando em uma performance ágil e equilibrada. Os movimentos lentos também estão muito bem apresentados, nos quais o discurso musical se desenvolve com fluência e elegância. Resumindo, temos uma clássica apresentação destas quatro lindas sinfonias.

Johannes Brahms (1833 – 1897)

CD1

Sinfonia No. 1 em dó menor, op. 68

  1. Um poco sostenuto – Allegro
  2. Andante sostenuto
  3. Um poco allegretto e grazioso
  4. Adagio non troppo ma con brio

CD2

Sinfonia No. 2 em ré maior, op. 73

  1. Allegro non troppo
  2. Adagio non troppo
  3. Allegro grazioso (Quase Andantino) – Presto ma non assai
  4. Allegro con spirito

CD3

Sinfonia No. 3 em fá maior, op. 90

  1. Allegro com brio
  2. Andante
  3. Poco Allegretto
  4. Allegro

Sinfonia No. 4 em mi menor, op. 98

  1. Allegro non troppo
  2. Andante moderato
  3. Allegro giocoso – poco meno presto
  4. Allegro enérgico e passionato – Più Allegro

Chamber Orchestra of Europe

Paavo Berglund

Produção: Andrew Keener

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FLAC | 751 MB

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MP3 | 320 KBPS | 397 MB

Chamber Orchestra of Europe

Ah, se eu pego quem desafinou…

Eu não vou jogar fora meus discos do Günter Wand regendo a NDR Orchestra ou os do Bernstein regendo a opulenta Wiener Philharmoniker, mas ouvir a interpretação do Berglund de quando em vez me dará muito prazer. Espero que o mesmo aconteça com você…

Aproveite!

René Denon

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano Opp. 7, 10 no. 3 & 57 – Hewitt

Se havia quaisquer dúvidas de que Ludwig van Beethoven – pianista virtuoso de fama consolidada em Viena, professor de piano requisitado e compositor crescentemente reconhecido – pretendia romper com tradições para fazer ouvir sua voz altamente individual, elas dissiparam-se quando, aos 26 anos, ele publicou a Sonata em Op. 7. Composta durante uma visita a Pressburg (hoje Bratislava, Eslováquia), estava entre as obras preferidas de Beethoven, que quis deixar isso claro ao dar-lhe um número próprio de opus, lançando-a separadamente, e não em dupla ou trinca, que era a praxe da época. De lambujem, chamou-a de “Grande Sonata”, título que lhe é muito apropriado, tanto pela duração – a segunda mais longa entre suas sonatas, menor somente que a transcendental “Hammerklavier” – quanto pelo escopo grandioso da obra, especialmente se a comparamos às sonatas anteriores do Op. 2. Ainda que nela haja muito pouco que fizesse imaginar o que viria com as vinte e oito sonatas seguintes, o abismo que a separa das Op. 2 só não é menor que aquele entre ela e a três sonatas do Op. 10  – a terceira das quais abre esta gravação, e que serão objeto de uma postagem específica.

Para encerrar, uma “Appassionata” sem-cerimoniosa e atenta à partitura, carregando as marcas registradas da canadense Angela Hewitt, que, depois levar ao disco e às salas de concerto de todo mundo interpretações de Bach que já nasceram clássicas, voltou-se para as sonatas do renano com toda bagagem de clareza, respeito às intenções do compositor e rejeição ao bravado amealhados na larga experiência de interpretação das obras do Maior de Todos. Apesar de nunca ter prometido a integral das trinta e duas sonatas, Hewitt já está há mais de década e no oitavo volume deste afã e, através do bonito som de seus queridos pianos Fazioli, propõe-nos uma refrescante maneira de ouvir Beethoven.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Sonatas para piano, Op. 10
No. 3 em Ré maior
Composta entre 1797-8
Publicada em 1798
Dedicada à condessa Anna Margaret von Browne

1 – Presto
2 – Largo e mesto
3 – Menuetto. Allegro
4 – Rondo: Allegro

Grande Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 7
Composta entre 1797-8
Publicada em 1798
Dedicada à condessa Babette von Keglevics

5 – Allegro molto e con brio
6 – Largo, con gran espressione
7 – Allegro
8 – Rondo: Poco allegretto e grazioso

Sonata para piano em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”
Composta entre 1804-5
Publicada em 1807
Dedicada ao conde Franz von Brunsvik

9 – Allegro assai
10 – Andante con moto
11 – Allegro ma non troppo – Presto

Angela Hewitt, piano

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Angela e seu Fazioli
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Vassily

Mozart (1756-1791): Arias – Christian Gerhaher – Freiburger Barockorchestrer & Gottfried von der Goltz

Mozart (1756-1791): Arias – Christian Gerhaher – Freiburger Barockorchestrer & Gottfried von der Goltz

M O Z A R T

A R I A S

G E R H A H E R

Este disco segue uma tradição que pode andar um pouco desatualizada – coleção de árias famosas – mas sempre faz sucesso e emplaca grandes vendas.

Foi ouvindo discos como este que passei a me interessar e a gostar de ópera.

Há casos em que o disco reúne mais do que um compositor, em função do repertório do cantor. Este segue a linha de árias de um só compositor, no caso Mozart. O acompanhamento é por uma das melhores orquestras especializadas em música barroca e clássica: a Freiburger Barockorchester, regida pelo também violinista Gottfried von der Goltz.

O cantor está em evidência no momento – Christian Gerhaher – especialista em Lieder, mas como deixa claro este álbum, também ótimo cantor de ópera.

O repertório é magnífico. Como especial bônus, entremeada entre as árias, a Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – maravilhosa!

Os seus movimentos funcionam como intermezzos e mostra que a orquestra é mesmo excelente em território mozartiano.

Difícil escolher a ária mais bonita. Várias de Don Giovanni, tais como a ária do catálogo, que abre o disco, e a serenata que o Don faz sob a janela da donzela acompanhante de Dona Elvira. Nela ele revela seu lado absolutamente sedutor.

A chamada Ária da Champagne, a terceira do disco, é um autorretrato exato de Don Giovanni. É um tour de force, brilhante e superficial, mas que por isso precisa ser curta, menos do que minuto e meio. Apesar disso, ela permanece ressoando em nossos ouvidos. Gênio!

Mais à frente haverá outra ária do Don, agora revelando seu caráter dissimulado, de quem não assume seus maus atos.

Outro aspecto genial das óperas de Mozart que este disco revela é o contraponto que há entre os personagens. Há o nobre e o plebeu. Plebeus são Fígaro, Leporello, Papageno. O conde e o Don representam os nobres, e representam bem demais, pois revelam um caráter pouco idôneo. (Ah, Beaumarchais…) O conde Almaviva (mal tem seu nome citado em toda a ópera) consegue redenção, mas o Don Giovanni recebe punição capital.

Um pouco diferente das outras óperas, que tem seus personagens centrais, Così fan tutte é ópera de conjunto. Não há um personagem que se destaca sobre os outros, mas um conjunto de cantores com núcleo no quarteto de mocinhos e mocinhas e o cético Don Alfonso. As árias deste disco são de um dos mocinhos, o de voz mais grave, Guglielmo.

Temos assim um recorte do maravilhoso universo das Óperas de Mozart, servindo como um instigante abridor de apetite.

Somam à beleza deste álbum o bandolim de Avi Avitar e o acompanhamento em pianoforte de Kristian Bezuidenhout.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Don Giovanni, K. 527

  1. No. 4 Aria: “Madamina, il catalogo è questo” (Leporello)
  2. No. 16 Canzonetta: “Deh, vieni alla finestra” (Don Giovanni)
  3. No. 11 Aria: “Fin ch’han dal vino” (Don Giovanni)

Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – K. 425

  1. Presto

Le Nozze di Figaro, K. 492

  1. Recitativo & No. 3 Cavatina: “Bravo, signor padrone! … Se vuol ballare, signor contino” (Figaro)

Don Giovanni, K. 527

  1. No. 17 Aria: “Metà di voi qua vadano” (Don Giovanni)

Così fan tutte, K. 588

  1. No. 15 Aria: “Non siate ritrosi” (Guglielmo)

Don Giovanni, K. 527

  1. No. 20 Aria: “Ah, pietà, Signori miei” (Leporello)

Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – K. 425

  1. Andante

Die Zauberflöte, K. 620

  1. No. 2 Aria: “Der Vogelfänger bin ich já” (Papageno)
  2. No. 20 Aria: “Ein Mädchen oder Weibchen” (Papageno)
  3. No. 21 Finale. Allegro: “Papagena! Papagena! Papagena!” (Papageno)

Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – K. 425

  1. Menuetto – Trio

Le Nozze di Figaro, K. 492

  1. No. 27 Recitativo ed Aria: “Tutto è disposto … Aprite um po’ quegli occhi” (Figaro)
  2. No. 10 Aria: “Non più andrai, farfallone amoroso” (Figaro)
  3. No. 18 Recitativo ed Aria: “Hai già vinta la causa! … Vedrò, mentr’io sospiro” (Il conte)

Così fan tutte, K. 588

  1. No. 26 Aria: “Donne mie, la fate a tanti” (Guglielmo)

Sinfonia No. 36 em dó maior – Linz – K. 425

  1. Adagio – Allegro spiritoso

Così fan tutte, K. 588

  1. No. 15a Aria: “Rivolgete a lui lo sgauardo” (Guglielmo)

Christian Gerhaher, barítono

Freiburger Barochorchester

Gottfried von der Goltz

Avi Avital, bandolim (2)
Kristian Bezuidenhout, fortepiano (5), strumento d’acciaio (11)

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MP3 | 320 KBPS | 184 MB

Joelle Harvey como Susanna e Christian Gerhaher como Figaro

Há quem torça o nariz para um disco como este, preferindo ouvir as árias no contexto da ópera toda. Este disco seria como seguir em uma mesa de sobremesas pegando apenas as cerejas que estão sobre os bolos… Mas, quem liga?

Portanto, deixe os preconceitos de lado, baixe logo o disco e ouça muitas vezes.

René Denon

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonata para piano a quatro mãos, Op. 6 – Marchas, Op. 45 – Grande Fuga para piano a quatro mãos, Op. 134 – Variações, WoO 67 & 74 – Demus – Shetler

Diferentemente da postagem anterior, com obras e performances eletrizantes, chego a um capítulo da obra do mestre renano que não me desperta muito entusiasmo. Suas peças para duo pianístico, que cabem todas num só disco, já foram postadas anteriormente no PQP Bach e mereceram, na ocasião, um meu comentário modorrento. Admito que talvez não esteja sendo justo com criações despretensiosas que não foram destinadas a causar estupor nos palcos, nas mãos de virtuoses, nem a estimular impulsos mecenáticos entre nobres endinheirados, e sim aos amadores em suas residências. Instrumentos de teclado eram crescentemente mais comuns nos lares, e a música para piano a quatro mãos – fosse ela original, ou arranjada para duo a partir de obras para conjuntos maiores – era um veículo importante de divulgação de composições naquela época em que o acesso a concertos ainda era mormente um privilégio e as gravações não estavam sequer na ficção científica, porque, talvez, nem ficção científica existisse.

A singela sonata Op. 6, uma das mais curtas entre as sonatas de Beethoven, com suas figurações simples que se dividem e repetem entre as quatro mãos, foi certamente dedicada ao estudo e à prática de conjunto. As  simpáticas, despreocupadas Marchas, Op. 45, são de interesse um pouco maior, e ficam mesmo intrigantes quando se sabe que foram compostas em torno do período de desespero em Heiligenstadt, que culminou com o famoso testamento que algum dia abordaremos nesta série. Completam a gravação obras de fases contrastantes da carreira do compositor: aquela sobre um tema do Conde Waldstein (WoO 67), seu patrono em Bonn, datam, naturalmente, de seus últimos anos na cidade natal, e são interessantes pelas sugestões de colorido orquestral; as variações sobre sua canção “Ich denke dein” (WoO 74) foram dedicadas em Viena às condessas Therese e Josephine von Brunsvik, quase que certamente para o uso das moças (e, provavelmente, para impressioná-las); e a transcrição da Grande Fuga (Op. 134; originalmente o finale do quarteto de cordas, Op. 130, e editada em separado como Op. 133), que foi a última obra pianística que publicou. Muito me intrigam os motivos que levaram a este arranjo da mais radical e visionária das obras de Beethoven, recebida com reações que variavam entre a estranheza e as conjecturas de que o compositor enlouquecera, para um meio tão burguesmente doméstico como o do piano a quatro mãos. Enquanto o escutava, a preparar este texto, percebi pela primeira vez que a falta dos ataques furiosos às cordas, tão essenciais ao impacto da versão original, permitia uma percepção mais clara das vozes e da magistral transfiguração delas dentro do modo beethoveniano de tratar as leis da fuga. A obra futurística e iracunda para quarteto de cordas fica mais transparente e, voilà – 1 x 0 para você, velho Ludwig!

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata em Ré maior para piano a quatro mãos, Op. 6
1 – Allegro molto
2 – Rondo. Moderato

Três Marchas para piano a quatro mãos, Op. 45
3 – No. 1 em Dó maior
4 – No. 2 em Mi bemol maior
5 – No. 3 em Dó maior

Oito Variações em Dó maior para piano a quatro mãos sobre um tema do Conde Waldstein, WoO 67
6 – Thema. Andante con moto – Variationen I-VIII

Seis Variações em Ré maior sobre a canção “Ich denke Dein”, de Beethoven, WoO 74
7 – Thema. Variationen I-VI

Grande Fuga em Si bemol maior para piano a quatro mãos, Op. 134
8 –  Overtura. Allegro –  Fuga. Allegro – Meno mosso e moderato – Allegro – Allegro molto e con brio – Allegro molto e con brio

Jörg Demus e Norman Shetler, piano

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Meus desimportantes resmungos quanto à obra de Beethoven para duo pianístico não me permitiram a gentileza de apresentar os intérpretes da gravação no corpo do texto. Acredito que o ilustre Jörg Demus (1928-2019) recentemente falecido, dispense apresentações. Norman Shetler (1931) nasceu nos Estados Unidos, vive na Áustria há décadas, é recitalista, requisitado acompanhante de cantores e instrumentistas, e famoso marionetista. Ei-lo, com um amigo, nesta última função

 

 

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Vassily

Jan Dismas Zelenka (1679–1745): Il Serpente Di Bronzo

Jan Dismas Zelenka (1679–1745): Il Serpente Di Bronzo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Il Serpente di Bronzo, ZWV 61 é uma belíssima cantata sacra composta pelo tcheco Jan Dismas Zelenka (1679-1745). Foi escrita em 1730 e apresentada pela primeira vez em Dresden. O libreto usado é uma história bíblica ligeiramente modificado por Zelenka. É cantada em italiano e não é tradicional pelo fato de que Deus tem várias passagens na cantata. A história é a do povo judeu que viaja do Egito para a Terra Prometida. Três judeus — Azaria, Egla e Namuel — estão cansados ​​por terem que fazer uma jornada tão longa e começam a reclamar. Isso irrita Deus, que envia mil cobras para atormentar os blasfemadores. Moisés pede perdão e Deus manda que se lance uma serpente de bronze, daí o nome Il Serpente di Bronzo. Quem é mordido por uma cobra e vê a serpente de bronze será salvo. O fim da cantata é uma repetição do início.

Zelenka foi contratado como contrabaixista na capela da corte de Dresden em 1710, e estudou com o maestro da corte imperial Johann Joseph Fux em Viena de 1716 a 1719, depois retornando à sua posição em Dresden. Ele assumiu cada vez mais os cultos da igreja e também emergiu como compositor. Em 1730, entregou seu oratório (ou cantata) Il serpente di bronzo para a Semana Santa. Em 1736 ele foi nomeado “Kirchen-Compositeur”.

Aqui, são particularmente impressionantes a ária de Deus (cantada por Peter Kooij) e a oração de Moisés, a quem o tenor Jaroslav Brezina empresta sua voz. O Inégal, sob a condução de Adam Viktora, demonstra o mais alto nível na prática da música historicamente informada.

Jan Dismas Zelenka (1679–1745): Il Serpente Di Bronzo

1 Coro 4:40
2 Recitativo (Azaria, Namuel) 1:06
3 Aria (Namuel) 9:44
4 Recitativo (Egla) 0:34
5 Aria (Egla) 4:35
6 Recitativo Accompagnato (Dio) 1:35
7 Aria (Dio) 5:53
8 Recitativo (Azaria, Egla, Namuel) 1:26
9 Aria (Azaria) 5:54
10 Recitativo (Egla,Namuel) 1:01
11 Aria A Due (Egla, Namuel) 6:19
12 Recitativo (Mose) 1:35
13 Aria (Mose) 6:45
14 Recitativo Accompagnato (Dio) 1:15
15 Recitativo (Egla) 1:49
16 Arietta Con Recitativo (Egla, Azaria) 2:45
17 Aria (Azaria) 5:37
18 Recitativo (Mose) 1:31
19 Coro 3:13

Alto Vocals – Alex Potter, Petra Noskaiová
Bass Vocals – Peter Kooy*
Libretto By – Stefano Benedetto Palvicini*
Soprano Vocals – Hana Blažíková
Tenor Vocals – Jaroslav Březina
Ensemble – Ensemble Inégal
Conductor – Adam Viktora

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Acontece sempre.

PQP

BTHVN250- Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano – CDs 1-3 de 10 – Claudio Arrau

“Claudio Arrau nasceu em Chillán, Chile, filho de Carlos Arrau, oftalmologista que morreu quando Cláudio tinha apenas um ano de idade, e Lucrecia León Bravo de Villalba, professora de piano. Ele pertencia a uma antiga e proeminente família do sul do Chile. Seu ancestral Lorenzo de Arrau, um engenheiro espanhol, foi enviado ao Chile pelo rei Carlos III da Espanha. Através de sua bisavó, Maria del Carmen Daroch del Solar, Arrau era um descendente dos Campbells de Glenorchy, uma família nobre escocesa. Arrau foi criado como católico, mas desistiu no final da adolescência.
Arrau era uma criança prodígio e sabia ler música antes de ler palavras, mas, ao contrário de muitos virtuosos, não havia um músico profissional em sua família. Sua mãe era uma pianista amadora e o apresentou ao instrumento. Aos 4 anos de idade, ele estava lendo as sonatas de Beethoven e fez seu primeiro concerto um ano depois.Quando Arrau completou 6 anos, fez um teste na frente de vários congressistas e do Presidente Pedro Montt, que ficou tão impressionado que começou a providenciar a educação futura de Arrau. Aos 8 anos, Arrau recebeu uma concessão de dez anos do governo chileno para estudar na Alemanha, viajando com sua mãe e irmã Lucrecia. Ele foi admitido no Conservatório Stern de Berlim, onde acabou se tornando aluno de Martin Krause, que estudara com Franz Liszt. Aos 11 anos, Arrau tocou o “Transcendental Etudes” de Liszt, uma das obras mais difíceis para piano, bem como as Variações Paganini de Brahms. As primeiras gravações de Arrau foram feitas em rolos de música para piano de jogadores eólios da Duo-Art. Krause morreu em seu quinto ano de ensino a Arrau, deixando o estudante de 15 anos arrasado pela perda de seu mentor; Arrau não continuou o estudo formal depois desse ponto.

Em 1935, Arrau rendeu-se à obra para teclado de Johann Sebastian Bach ao interpretá-la em 12 recitais. Em 1936, Arrau interpretou toda a obra pianística de Mozart em cinco recitais e seguiu com os ciclos completos de Schubert e Weber. Em 1938, pela primeira vez, foi a vez de Beehoven, vindo a apresentar toda a sua obra na Cidade do México. Arrau repetiu isso várias vezes em sua vida, inclusive em Nova York e Londres. Ele se tornou uma das principais autoridades de Beethoven no século 20.
Em 1937, Arrau casou-se com a mezzo-soprano alemã Ruth Schneider (1908–1989). Eles tiveram três filhos: Carmen (1938–2006), Mario (1940–1988) e Christopher (1959). Em 1941, a família Arrau emigrou da Alemanha para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Douglaston, Queens, Nova York, onde Arrau passou os anos restantes. Ele se tornou um cidadão norte-americano em 1979.

Arrau morreu em 9 de junho de 1991, aos 88 anos de idade, em Mürzzuschlag, na Áustria, devido a complicações de uma cirurgia de emergência realizada em 8 de junho para corrigir um bloqueio intestinal.  Seus restos mortais foram enterrados em sua cidade natal, Chillán, Chile.”

Com esta pequena biografia, livremente traduzida e adaptada da WIKIPEDIA, do grande pianista chileno Claudio Arrau dou por iniciada as minhas postagens dedicadas aos 250 anos do nascimento de Beethoven. Esta integral  das Sonatas para Piano que ora vos trago foi gravada em 1964.

Piano Sonata No. 1 In F Minor, Op. 2, No. 1
1.1. Allegro
2.2. Adagio
3.3. Menuetto (Allegretto)
4.4. Prestissimo
Piano Sonata No. 2 In A Major, Op. 2, No. 2
5.1. Allegro vivace
6.2. Largo appassionato
7.3. Scherzo (Allegretto)
8.4. Rondo (Grazioso)
Piano Sonata No. 3 In C Major, Op. 2, No. 3
9.1. Allegro con brio
10.2. Adagio
11.3. Scherzo (Allegro)
12.4. Allegro assai

CD 2

Piano Sonata No. 4 In E Flat Major, Op. 7
1.1. Allegro molto e con brio
2.2. Largo, con gran espressione
3.3. Allegro
4.4. Rondo (Poco allegretto e grazioso)
Piano Sonata No. 5 In C Minor, Op. 10, No. 1
5.1. Allegro molto e con brio
6.2. Adagio molto
7.3. Finale (Prestissimo)

CD 3

Piano Sonata No. 6 In F Major, Op. 10, No. 2
1.1. Allegro
2.2. Allegretto
3.3. Presto
Piano Sonata No. 7 in D Major, Op.10, No.3
4.1. Presto
5.2. Largo e mesto
6.3. Menuetto (Allegro)
7.4. Rondo (Allegro)
Piano Sonata No. 8 in C Minor, Op. 13 “Pathétique”
8.1. Grave – Allegro di molto e con brio9:04
9.2. Adagio cantabile
10.3. Rondo (Allegro)
Piano Sonata No. 9 In E Major, Op. 14, No. 1
11.1. Allegro
12.2. Allegretto
13.3. Rondo (Allegro comodo)

Claudio Arrau – Piano

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