Nada posso fazer, este é mais um CD imperdível. Trata-se do próprio Khachaturian regendo a Filarmônica de Viena em duas de suas obras mais importantes, os balés Spartacus e Gayaneh. Não é uma música tímida, muito pelo contrário, a coisa é boa e barulhenta pacas. Este armênio é pouco divulgado, mas gosto muito do que conheço dele. A música vai do sereno ao agitado, da tradição ocidental ao exótico e é tão extraordinária que me dá uma estranha vontade de ver balé. Vejam só.
O único problema deste disco é suportar o Glazunov. Que bosta.
Aram Khachaturian (1903-1978): Spartacus & Gayaneh / Alexander Glazunov (1865-1936): The Seasons
1 Khachaturian: Spartacus – Adagio Of Spartacus And Phrygia 9:10
2 Khachaturian: Spartacus – Variation Of Aegina & Bacchanalia 3:19
3 Khachaturian: Spartacus – Scene & Dance With Crotalums 3:39
4 Khachaturian: Spartacus – Scene Of The Gaditanae Maidens & Victory Of Spartacus 6:55
Meu pai trabalhava numa fábrica e me ensinou desde pequeno que, na produção em escala industrial, tão importante quanto a qualidade é a padronização dos produtos. O gosto e a aparência de um refrigerante feito no Oiapoque no ano passado e de outro da mesma marca engarrafado ontem no Chuí devem ser idênticos. Vinhos, por outro lado, não são assim: é natural que um vinho de Santa Catarina seja diferente de um produzido no vale do São Francisco e de um terceiro da Serra Gaúcha, sem falar em safras diferentes, etc.
E o que isso tem a ver com o órgão? É que esse instrumento de tradição milenar, assim como os vinhos, vem resistindo às tentativas de padronização. Hoje muita gente reclama que as orquestras estão soando mais parecidas, os pianistas ao redor do mundo estão seguindo a mesma cartilha (será?), mas em relação aos órgãos, como podemos ouvir nessa série de órgãos holandeses, mesmo dentro de um país e do chamado “período barroco”, cada um é diferente. Assim como vinhos, há órgãos mais de acordo com o padrão, mais certinhos, e há outros com personalidade forte, inconfundíveis. Este órgão de Culemborg, na Holanda, me parece o mais peculiar dos quatro. São especialmente belos os registros que imitam instrumentos de sopro: flautas, oboés, trompetes… A fuga de Buxtehude, a Pastorella e o adagio de Bach, os corais de Reger usam muito esses sons de sopros. As obras de Bach também podem ser chamadas de únicas: ele escreveu dezenas de Prelúdios e Fugas, seis Triosonatas, mas só uma Pastorella, peça bucólica que provavelmente era tocada na época do Natal, com inspirações galantes italianas, e apenas uma obra para órgão com a forma da BWV 564, com um sublime movimento lento (adagio) no meio de dois rápidos (tocata e fuga), formato que lembra até os concertos à maneira de Vivaldi.
Dietrich Buxtehude (1673-1707):
01. Praeludium in D major, BuxWV 139
02. Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ, BuxWV 196
03. Fuga in C major, BuxWV 174 J.S. Bach (1685-1750):
04. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 1
05. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 2
06. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 3
07. Pastorella in F major, BWV 590 – Part 4
08. Toccata, Adagio und Fuge in C major, BWV 564 Max Reger (1873-1916):
09. Jesus, meine Zuversicht, Opus 67 No. 20
10. Jesus meine Freude, Opus 67 No. 21
11. Introduktion und Passacaglia in d minor Zoltan Kodaly (1882-1967):
12. Praeludium Piet Kee (1927-):
13. Erschienen ist der herrlich Tag
“Só com o renascimento de Bach teremos total liberdade” Max Reger
Reger é um compositor alemão pouco lembrado, talvez por ter nascido no mesmo país e século do último Beethoven, de Schumann, Brahms e Wagner, talvez por ter construído sua música ainda sobre as bases de Bach em plena virada do século XX.
A música de câmara e orquestral de Reger é pouco tocada, mas para o órgão ele é sem dúvida o grande alemão depois de Bach, seja em quantidade de obras (ocupam uns 15 CDs) seja pela qualidade de suas Suítes, Sonatas, Prelúdios e Fugas com contraponto aplicado à sonoridade orquestral do órgão do século XIX. Suas passacaglias e toccatas usam registros de órgão que não existiam na época de Bach.
Este é um típico disco da Naxos: órgão e organista pouco conhecidos mas de grande conexão com o repertório tocado, com som muito bem gravado. A primeira suíte, de 1895, foi dedicada à “sombra de J.S. Bach” e elogiada pelo idoso Johannes Brahms. A segunda, de 1905, é de mais fácil audição por ter mais movimentos, mais curtos, incluindo um romanze de belos timbres e duas fugas.
Organ Suite No. 1 in E Minor, Op. 16, “Den Manen J.S. Bachs”
1. I. Introduction and Fugue 00:14:14
2. II. Adagio assai 00:08:51
3. III. Intermezzo – Trio 00:12:28
4. IV. Passacaglia 00:11:48 Organ Suite No. 2 in G Minor, Op. 92
5. I. Prelude 00:03:24
6. II. Fugue 00:02:42
7. III. Intermezzo 00:04:55
8. IV. Basso ostinato 00:03:30
9. V. Romanze 00:05:58
10. VI. Toccata 00:03:10
11. VII. Fugue 00:03:52
Kirsten Sturm – Sandtner Organ (1979)
St. Martin’s Cathedral, Rottenburg am Nektar, Germany
Estes quartetos costumam ser companheiros de CDs e vinis. Quando aparece um, vem o outro grudado. Mas dá para entender. São dois dos melhores compositores franceses, ambos escreveram somente um quarteto de cordas, e apenas 10 anos anos os separam. O Claude Debussy é de 1893 e p de Maurice Ravel é de 1902-03). Ambos os quartetos são pilares do repertório moderno e mostram dois caminhos para renovar a tradição. Enquanto Debussy dissolve as fronteiras formais em sensação, Ravel as reinventa com cuidado. O de Debussy faz uma revolução silenciosa no gênero, rompendo com a tradição germânica (Beethoven, Brahms) e abrindo caminho para o modernismo francês. O de Ravel foi muito combatido, porém, para nossa sorte, Ravel recusou-se a reescrevê-lo, dizendo: “Não toquem numa nota; está perfeito como está.” Hoje, é um modelo de modelo de concisão e elegância no repertório camarístico. Excelente CD!
Debussy & Ravel: Quartetos de Cordas / Ravel: Introduction and Allegro (Kodály Quartet, Győngyőssy, Kovács, Maros)
Debussy, Claude
String Quartet in G Minor, Op. 10
1 I. Animé et tres decide 06:13
2 II. Assez vif et bien rythme 03:50
3 III. Andantino doucement expressif 07:57
4 IV. Tres modéré 07:07
Ravel, Maurice
String Quartet in F Major
5 I. Allegro moderato. Tres doux 07:57
6 II. Assez vif. Tres rythme 06:14
7 III. Tres lent 08:09
8 IV. Vif et agite 05:12
Introduction et Allegro
9 Introduction and Allegro for Harp, Flute, Clarinet and String Quartet 10:18
Um belo CD com um repertório mais raro de Prokofiev: obras que datam em sua maioria de quando o compositor tinha cerca de 30 anos e experimentava, aqui mais e ali menos, com uma linguagem mais dissonante do que a de certas obras mais maduras (Sonatas 6 a 8, Sinfonias 5 a 7). É como se o Prokofiev mais jovem estivesse flertando com as inovações de Debussy, Scriabin, Stravinsky e Schoenberg, sem perder a sua voz particular, enquanto o Prokofiev de mais de 40 anos retornaria a um tonalismo em comparação mais conservador, provavelmente por imposição das instituições soviéticas, mas aí essa reflexão já ultrapassa esse repertório. O que temos aqui são várias miniaturas: as vinte Visões Fugitivas, os cinco Sarcasmos, mais Gavotas avulsas; e ainda uma Sonata, a 5ª, composta em 1923 e revisada por Prokofiev 30 anos depois. Segundo o encarte do disco, as mudanças na sonata ocorreram pois “na sua forma original ela não mais o convencia. Nessa forma revisada, que ouvimos aqui, o modernismo marcante da sonata foi suavizado por pitadas mais classicistas, mas ainda ouvimos o ‘estilo refinado’ que o compositor considerava a marca dessa obra”.
Formado em Moscou e radicado na Alemanha desde 1978, o pianista E. Koroliov mostra aqui muita familiaridade com este repertório. A escolha de repertório – suponho aqui que seja do pianista – é notável, pois ficam evidentes as semelhanças da 5ª sonata, especialmente no seu movimento lento, com as delicadas miniaturas das Visões Fugitivas. Isso nos faz lembrar, afinal, que o jovem Prokofiev tinha em comum com Scriabin, Mendelssohn, Schubert, Schumann e Chopin o gosto pelas miniaturas para piano, obras nas quais as ideias chegam, se apresentam e depois vão embora como borboletas voando ou como flores murchando. Para usarmos uma metáfora mais ao gosto dos soviéticos, é como dizia Marx: tudo que era sólido se desmancha no ar. São peças sem desenvolvimentos dramáticos, sem acordes frenéticos, que podem ser (mal-)tocadas por pianistas iniciantes mas nas mãos de profissionais como Koroliov revelam nuances e mais nuances.
Serguei Prokofiev (1891-1953): Sarkasmen, op. 17
I Tempestoso
II Allegro Rubato
III Allegro Precipitato
IV Smanioso
V Precipitosissimo
Visions fugitives, op. 22
Sonata no. 5, op. 135 (revised version)
Allegro Tranquillo / Andantino / Un Poco Allegretto
Retrato de Prokofiev por Anna Ostroumova – Paris, 1926
P.S. Ao constatar esse lado menos lembrado do Prokofiev autor de miniaturas de beleza fugitiva, ouvi pela primeira vez as Melodias de 1925 para piano e violino, disponíveis aqui no blog com Kremer e Argerich. Vocês lembravam dessas?
Telemann foi o compositor mais conhecido de sua época. Viveu inacreditáveis — para a época — 86 anos, era respeitadíssimo e Bach dava a impressão de concordar com a primeira posição do moço dentre os compositores daquilo que hoje é chamado de Alemanha. Papai era um sujeito modesto, nunca aspirou a posição que lhe foi dada postumamente na história da música, nem se importou com outros protagonismos. Ele era amigo de Telemann, que se tornou padrinho de um de meus irmãos. Apesar do equívoco, Telemann era efetivamente um cara muito bom, principalmente quando lograva fazer as coisas com calma, o que não é o mais comum. Como estava sempre com encomendas e mais encomendas de poderosos, escrevia muito e produzia muita merda, mas não se enganem, era talentosíssimo. Esses dois discos são esplêndidos. Confiram! Podem até começar pelo lindo Concerto para Flauta que fica entre as faixas 16 e 19 do CD do MAK. O final é SENSACIONAL.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Dois discos espetaculares de Concertos, Suítes, Sinfonias (The Parley Of Instruments, MAK)
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Suite em A menor, Concerto em F maior, Concerto em C maior e Sinfonia em F maior
Suite em A menor [30:15]
01. Ouverture
02. Les Plaisirs
03. Air a I’talien
04. Menuet 1&2
05. Rejouissance
06. Passpied
07. Polonaise
Concerto em F maior [13:44]
08. Affettuoso
09. Allegro
10. Adagio
11. Menuet 1&2
Concerto em C maior [14:47]
12. Allegretto
13. Allegro
14. Andante
15. Tempo di Minuet
Sinfonia em F maior [6:57]
16. Alla breve
17. Andante
18. Vivace
1. Concerto in D major for Transverse Flute, Strings and Basso Cont – 1. Moderato 2:40
2. Concerto in D major for Transverse Flute, Strings and Basso Cont – 2. Allegro 3:20
3. Concerto in D major for Transverse Flute, Strings and Basso Cont – 3. Largo 3:07
4. Concerto in D major for Transverse Flute, Strings and Basso Cont – 4. Vivace 2:38
5. Concerto in B flat major for 3 Oboes, 3 Violins and Basso Conti. – 1. Allegro 2:24
6. Concerto in B flat major for 3 Oboes, 3 Violins and Basso Conti. – 2. Largo 2:33
7. Concerto in B flat major for 3 Oboes, 3 Violins and Basso Conti. – 3. Allegro 4:00
8. Concerto in D minor for 2 Chalumeaux, Strings and Basso Continuo – 1. Largo 4:13
9. Concerto in D minor for 2 Chalumeaux, Strings and Basso Continuo – 2. Allegro 3:00
10. Concerto in D minor for 2 Chalumeaux, Strings and Basso Continuo – 3. Adagio 2:25
11. Concerto in D minor for 2 Chalumeaux, Strings and Basso Continuo – 4. (Vivace) 1:37
12. Trumpet Concerto in D – 1. Adagio 1:45
13. Trumpet Concerto in D – 2. Allegro 1:48
14. Trumpet Concerto in D – 3. Grave 2:00
15. Trumpet Concerto in D – 4. Allegro 1:33
16. Concerto for Recorder, Flute, Strings and Continuo in E minor – 1. Largo 3:39
17. Concerto for Recorder, Flute, Strings and Continuo in E minor – 2. Allegro 3:45
18. Concerto for Recorder, Flute, Strings and Continuo in E minor – 3. Largo 3:28
19. Concerto for Recorder, Flute, Strings and Continuo in E minor – 4. Presto 2:25
20. Concerto in D major for Trumpet, Violine, Strings and Basso Cont – 1. Vivace 3:20
21. Concerto in D major for Trumpet, Violine, Strings and Basso Cont – 2. Adagio 4:22
22. Concerto in D major for Trumpet, Violine, Strings and Basso Cont – 3. Allegro 4:36
Um disco verdadeiramente espetacular. A Música Aquática de Telemann, mais a muito irreverente Suíte Alster são para ouvir e se divertir, ouvir e se divertir, ouvir e se divertir. Acho que, de todas as suítes orquestrais de Telemann, a Alster é minha preferida. O New London Consort é um excelente conjunto, fazendo inteira justiça a esta grande música.
“Hamburger Ebb und Fluth” (A Maré de Hamburgo), conhecida como “Wassermusik” (1723), é uma Suíte Orquestral (ouverture) composta para as celebrações do centenário do Collegium musicum e do Almirantado de Hamburgo em 1723. Telemann, então diretor musical da cidade, criou uma obra que retrata musicalmente a vida marítima do grande porto hanseático. Telemann era conhecido por seu humor e criatividade. Em “Wassermusik”, ele não apenas descreve o mar, mas também personagens mitológicos e humanos em interação com a água, criando um panorama sonoro quase teatral.
A “Suíte Alster” (Overture “Alster-Echo”) é uma das obras mais encantadoras e humorísticas de Telemann, perfeito exemplo de seu espírito inventivo e sua capacidade de “pintar” cenas com música. O Rio Alster, que corta Hamburgo, era (e ainda é) um local de lazer, passeios de barco e vida social. Telemann, sempre atento ao cotidiano da cidade, compôs esta suíte por volta de 1720-1730 como uma obra programática leve e cômica, retratando sons e cenários às margens do rio. A obra é construída em torno do efeito de eco, representando as colinas e margens do Alster respondendo aos sons. Telemann brinca com repetições inesperadas, frases truncadas e respostas “tolas” da orquestra. A suíte tem uma sequência de danças e peças com nomes que sugerem cenas específicas (alguns títulos em francês, outros em alemão). Em meio a danças cortesãs (como a sarabanda), surgem imitações de animais e sons triviais, criando um contraste deliberadamente cômico entre a corte e o campo.
Em suma, se a Wassermusik é uma epopeia marítima, a Alster é uma comédia pastoral em forma musical, perfeita para mostrar que o Barroco também sabia rir de si mesmo, e como! 🐸🎻
G. P. Telemann (1681-1767): Water Music / Alster Overture (New London Consort, Philip Pickett)
1. Wassermusik Overture in C, Ouverture
2. Wassermusik Overture in C, Sarabande
3. Wassermusik Overture in C, Bour e
4. Wassermusik Overture in C, Loure
5. Wassermusik Overture in C, Gavotte
6. Wassermusik Overture in C, Harlequinade
7. Wassermusik Overture in C, Der St rmende Aeolus
8. Wassermusik Overture in C, Menuet
9. Wassermusik Overture in C, Gigue
10. Wassermusik Overture in C, Canarie
11. Die Relinge Concerto in A, The Frogs
12. Die Relinge Concerto in A, The Frogs, Adagio
13. Die Relinge Concerto in A, The Frogs, Menuet
14. Alster Overture in F, Alster Overture
15. Alster Overture in F, Die canonierende Pallas
16. Alster Overture in F, Das Alster Echo
17. Alster Overture in F, Die Hamburgischen Glockenspiele
18. Alster Overture in F, Der Schwanen Gesang
19. Alster Overture in F, Der Alster Sch ffer Dorff Music
20. Alster Overture in F, Die concertirenden Fr sche (und) Kr hen
21. Alster Overture in F, Der ruhende Pan
22. Alster Overture in F, Der Sch ffen und Nymphen eilfertiger Abzug
Excelente CD dedicado à música de Telemann, um contemporâneo de Bach que, na época em que viviam, era muito mais popular e considerado maior. Claro que era mesmo um monstro, mas não era Bach, nem de longe. Ele compôs em todas as formas e estilos existentes em sua época. Sua música tem um caráter inconfundível, sendo clara, agradável e fluida. Gosto bastante. Telemann deixou mais de 3.000 obras, incluindo cantatas, oratórios, concertos e música de câmara, na qual era um craque. Ele aprendeu música quase sozinho, contra a vontade da família, que queria que fosse advogado. Família é uma merda, né?
G. P. Telemann (1681-1767): Telemann in Minor (Pratum Integrum Orchestra)
1. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Ouverture
2. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Les Plaisirs
3. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Loure
4. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Furies
5. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Rigaudon en Rondeau 1 / Rigaudon 2 / Rigaudon 3
6. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Menuet
7. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Les Matelots
8. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Gigue angloise
9. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Rondeau
10. Overture, suite for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in A minor, TWV 55:a3: Hornpipe
11. Sextet (Sonata), for 2 violins, alto viol, tenor viol, cello & continuo in F minor, TWV 44:32: Adagio
12. Sextet (Sonata), for 2 violins, alto viol, tenor viol, cello & continuo in F minor, TWV 44:32: Allegro
13. Sextet (Sonata), for 2 violins, alto viol, tenor viol, cello & continuo in F minor, TWV 44:32: Largo
14. Sextet (Sonata), for 2 violins, alto viol, tenor viol, cello & continuo in F minor, TWV 44:32: Presto
15. Concerto for flute, violin & strings in E minor ‘Concerto à Sei’, TWV 52:e3: Allegro
16. Concerto for flute, violin & strings in E minor ‘Concerto à Sei’, TWV 52:e3: Adagio
17. Concerto for flute, violin & strings in E minor ‘Concerto à Sei’, TWV 52:e3: Presto
18. Concerto for flute, violin & strings in E minor ‘Concerto à Sei’, TWV 52:e3: Adagio
19. Concerto for flute, violin & strings in E minor ‘Concerto à Sei’, TWV 52:e3: Allegro
20. Sextet (Sonata), for 2 violins, 2 viols, cello & continuo in B flat major, TWV 44:34: Adagio
21. Sextet (Sonata), for 2 violins, 2 viols, cello & continuo in B flat major, TWV 44:34: Allegro
22. Sextet (Sonata), for 2 violins, 2 viols, cello & continuo in B flat major, TWV 44:34: Adagio
23. Sextet (Sonata), for 2 violins, 2 viols, cello & continuo in B flat major, TWV 44:34: Allegro
24. Concerto for 2 flutes, violin, strings & continuo in E minor, TWV 53:e1: Larghetto
25. Concerto for 2 flutes, violin, strings & continuo in E minor, TWV 53:e1: Allegro
26. Concerto for 2 flutes, violin, strings & continuo in E minor, TWV 53:e1: Largo
27. Concerto for 2 flutes, violin, strings & continuo in E minor, TWV 53:e1: Presto
O que dizer deste surpreendente álbum duplo de Viktoria Mullova? Que ela é doida? Que ela é uma perfeita cigana? Que ela é uma das melhores violinistas de todos os tempos? Que ela não se importa de correr riscos?
Acho que todas as possibilidades acima estão corretas.
Mullova pegou um repertório belíssimo e pouco divulgado para estabelecer com clareza o estrago que a música cigana causou no século XX. Ou seja, dentro de um programa altamente eclético, ela reflete sobre a profunda influência cigana na música clássica e no jazz (SIM!) no século 20. Sob roupagem erudita ou jazzística, a música dos ciganos está em nossas vidas com seu acelerado e marcado pulso. O CD apresenta obras de Bartók e Kodály ao lado de coisas do mundo do jazz, incluindo John Lewis e Django Reinhardt além de faixas da banda Weather Report. A russa Mullova tem fortes ligações pessoais com o campo e os ciganos. Parte de sua família é ucraniana e, quando criança, ela passava temporadas numa pequena aldeia do interior do país, convivendo com camponeses. A música destes CDs nos permite vislumbrar um outro lado desta artista fascinante e de, pelamor, sangue quentíssimo.
(Maiores detalhes sobre as faixas estão no arquivo que vocês, creio, vão baixar).
The Peasant Girl, com Viktoria Mullova
1. For Nedim (For Nadia) 5:36
2. Django 6:44
3. Dark Eyes 6:53
4. Er Nemo Klantz , Bartók Duos 8:20
5. The Peasant 9:35
6. 7 Duos with Improvisations 10:51
7. Yura 4:44
1. Bi Lovengo 3:06
2. The Pursuit of the Woman with the Feathered Hat 5:58
3. Life 4:42
4. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: I. Allegro serioso 7:39
5. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: II. Adagio 8:11
6. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: III. Maestoso e largamente, ma non troppo 8:07
Você quer baixar um CD que ganhou um Grammy e foi indicado para outro? Ou você quer um que recebeu o Gran Prix du Disque? Talvez você queira dois que tenham a grife do Diapason d`Or? Ou você prefere um Gramophone Record of the Year?
No caso dos CDs abaixo, tanto faz se você gosta mais da Diapason ou da Gramophone ou se considera o Grammy muito comercial em relação ao Gran Prix du Disque, pois Pierre Boulez e a Orquestra de Cleveland interpretando Debussy ganhou todos esses prêmios.
Não sou um apaixonado por Debussy, longe disso, mas convenhamos que Boulez deixa tudo lindo, VIVO e palatável. É francês, é moderno, ele sabe como fazer. Fim.
Claude Debussy (1862-1918): Obras Orquestrais (Nocturnes, La Mer, Prélude A L’Après-Midi D’Un Faune, etc.) (Cleveland, Boulez)
Nocturnes
I. Nuages 6:15
II. Fêtes 6:31
III. Sirènes 9:40
Première Rhapsodie (Pour Orchestre Avec Clarinette Principale) 8:33
Jeux (Poème Dansé) 16:03
La Mer (Trois Esquisses Symphoniques)
I. De L’Aube À Midi Sur La Mer 8:45
II. Jeux De Vagues 7:06
III. Dialogue Du Vent Et De La Mer 7:41
Prélude À L’Après-midi D’un Faune
Très Modéré 8:52
Images Pour Orchestre
Images Pour Orchestre: N°1 Gigues
Modéré 7:22
Images Pour Orchestre: N°2 Iberia
I. Par Les Rues Et Par Les Chemins: Assez Animé 6:58
II. Les Parfums De La Nuit: Lent Et Rêveur 7:30
III. Le Matin D’un Jour De Fête: Dans Un Rythme De Marche Lointaine, Alerte Et Joyeuse 4:24
Images Pour Orchestre: N°3 Rondes De Printemps
Modérément Animé 7:44
Printemps (Suite Symphonique)
I. Très Modéré 10:18
II. Modéré 6:25
Performed by Cleveland Orchestra Chorus and Cleveland Orchestra,
Conducted by Pierre Boulez,
Franklin Cohen, Clarinete
Os CDs da gravadora brasileira Imagem eram espécimes muito curiosos. Qual é a relação entre o belíssimo Concerto para Piano de Khachaturian e uma das maiores obras já compostas, o Quinteto para Clarinete de Brahms? (Vocês sabiam que a autobiografia de Erico Verissimo, Solo de Clarineta, tem este nome em homenagem ao quinteto de Brahms? Pois é, vivendo e aprendendo…)
A Imagem talvez comprasse tapes de gravadoras obscuras a fim de distribuí-los no Brasil, mas fazia junções totalmente inusitadas, incluindo em um mesmo CD obras inteiramente diversas com os executantes mais variados. Uma loucura absoluta, não fosse a excelente qualidade das músicas e das interpretações. Grandes interpretações sempre! Sem dúvida, havia alguém lá na Imagem que sabia das coisas. Mas… O som é aquilo, né? São registros jurássicos muito bem escolhidos.
O Concerto para Piano de Aram Khachaturian é maravilhoso e mereceria maior destaque dentro do enorme – e batido – repertório pianístico. Cercado por dois movimentos de grande brilhantismo, temos um melodioso e original Andante con Anima ao qual você deveria dar sua atenção à altura dos 2min30 até 4min15. Aqui temos uma invenção fantasmagórica que leva a Armênia para bem perto da Transilvânia de Drácula — não da de Bartók!
Não vou escrever sobre o Quinteto de Brahms. Há livros a respeito. É uma das poucas músicas das quais podemos dizer que não possui nenhum momento inferior. São 35 minutos no Olimpo, em dia ensolarado, agradável, sem ventos, céu de brigadeiro, com vitória do Internacional e derrota do Grêmio, com vitória do Benfica e derrota do Porto. Um mundo lindo.
Aram Khachaturian (1903-1978): Concerto para Piano e Orquestra / Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Clarinete (Katin, Rignold, Fine Arts, Kell)
Concerto para Piano e Orquestra de Aram Kachaturian
1. Allegro Maestoso
2. Andante Con Anima
3. Allegro Brilhante
Peter Katin, Piano
The London Symphony Orchestra
Regência: Hugo Rignold
Quinteto em Si Menor, Op. 115, para Clarinete e Cordas de Johannes Brahms
4. Allegro
5. Adagio
6. Andantino
7. Con Moto
Seis Jardins Japoneses é uma coleção de impressões sobre os jardins que vi em Kyoto durante a minha estadia no Japão, no verão de 1993 e minhas reflexões sobre o ritmo naquela época.
Como o título indica, a peça é dividida em seis partes. Cada uma destas partes tem a aparência de um material específico rítmico, a partir da primeira parte simples, em que a instrumentação principal é introduzida, usando figuras polirrítmicos em ostinato ou complexas, com alternância de material rítmico e colorístico.
A seleção dos instrumentos tocados pelo percussionista é voluntariamente reduzido para dar espaço para a percepção das evoluções rítmicas. Além disso, as cores reduzidas são estendidas com a adição de uma parte eletrônica, em que ouvimos os sons da natureza, canto ritual, e instrumentos de percussão gravados no Colégio Kuntachi de Música. As seções já misturadas são acionados pelo percussionista durante a peça, a partir de um computador Macintosh.
Todo o trabalho para o processamento e mistura do material pré-gravado foi feito com um computador Macintosh no meu home studio. Algumas transformações são feitas com os filtros ressonantes no programa CANTO, e com o SVP Phaser Vocoder. Este trabalho foi feito com Jean-Baptiste Barrière. A mistura final foi feita com o programa Protools com o auxílio de Hanspeter Stubbe Teglbjaerg.
A peça é encomendada pela Academia Kunitachi de Música e dedicada a Shinti Ueno.
Kaija Saariaho (1952): Six Japanese Gardens / Trois Rivières Delta
Bernard Haitink foi um maestro excepcional, de envergadura ímpar, mas ao mesmo tempo discreto e bem menos festejado que seus pares da mesma geração, como Bernstein e Karajan. Isso o colocava numa posição privilegiada, a de optar por uma escolha distinta de repertório e leituras altamente pessoais, o mais das vezes avesso ao espalhafatoso e ao verborrágico. Como muitos dos meus colegas do PQP, que neste momento se unem para homenagear um mestre comum, Haitink marcou cada um de nós com gravações que consideramos non plus ultra do repertório sinfônico mais destacado. Apesar de suas afamadas preferências por Mahler, Bruckner e Shostakovich, que estabelecem consenso de excelência dentre tanto apreciadores diletantes como críticos especializados, alguns dos melhores momentos de Haitink foram, para mim, com mestres franceses modernos, em especial Debussy e Ravel. Este último em particular ocupa lugar privilegiado na discografia haitinkiana. Ainda na era do LP, sua versão de 1973 da Rapsódia Espanhola é arrebatadora; para mim a que melhor equilibra a verve rítmica com a clareza das ideias na brilhante orquestração de Ravel. Sutilezas na pontuação das dinâmicas e da exuberante instrumentação fazem deste um registro imperdível. Um Menuet Antique, de feições mais modestas, com Haitink ganha ares de uma nobreza insondável. E que Alborada!
Uma manhã luminosa que enfatiza bem seu caráter gracioso e eloquente. Estas gravações foram lançadas na década de 70 em LPs pela PHILIPS e nenhuma foi relançada em CD, até as séries de relançamentos (PHILIPS DUO) dos anos 90. Haitink inclusive gravou novamente essas obras para lançamento exclusivo em CD, mas o brilho destas primeiras incursões é, para mim, insuperável.
Claro, ao falar de obras orquestrais mais conhecidas de Ravel, como o Boléro e Daphnis et Chloé, não podemos deixar de mencionar que temos ótimas versões paralelas. Mas nestas pequenas jóias menos divulgadas (Valses Nobles, Ma Mère l’Oye), Haitink nos revela um mundo novo, de íntima beleza, em que Ravel desponta como um colorista exímio, de sutileza ímpar. La Valse é estonteante. A orquestra do Concertgebouw em plena forma torna a experiência ainda mais única.
Palavra final: Há muitos bons intérpretes de Ravel, e há Haitink.
Ravel: Orchestral Works Bernard Haitink, Royal Concertgebouw Orchestra
CD1
1.Boléro
2.Alborada del gracioso
3.Rhapsodie espagnole
4.La Valse
5.Pavane pour une infante défunte
6.Valses nobles et sentimentales
CD2
1.Menuet antique
2.Le tombeau de Couperin
3.Ma mère l’Oye
4.Daphins et Chloé: Suite No 2
Todo mundo chama Telemann de “prolífico”, muitas vezes com certo desprezo. Ele realmente escreveu muito, só que aqueles que fazem referência a sua enorme obra esquecem de dizer que há muitíssimas coisas boas nela! Telemann foi um grande cara, possuía uma inteligência extraordinária, uma imaginação aguçada e um senso de humor sem limites – e tudo isso se manifesta em sua obra. Para melhorar, ele viveu muito. Imaginem que viveu 86 anos numa época em que se morria muito jovem — tinha 4 anos quando Bach nasceu e morreu 3 anos antes do primeiro vagido beethoveniano. Neste CD, a Akamus traz-nos obras que não lembro ter ouvido antes.
Enquanto a suíte de abertura em ré maior apresenta muitos momentos animados, Les Nations e La Bizarre têm os temas mais ousados e programaticamente divertidos. Por exemplo, no terceiro movimento (“Les Turcs”) de Les Nations ouvimos uma brincadeira estridente, uma emocionante sucessão de mudanças de tempo, reviravoltas melódicas e contrastes dinâmicos. O quinto movimento (“Les Moscovites”) é igualmente impressionante, uma peça assombrosa construída em uma bela progressão de acordes de baixo. La Bizarre traz surpresas sutilmente entrelaçadas em cada movimento. Especialmente agradáveis aqui são os usos astutos de Telemann de ritardando no Courante, Branle, Sarabande, Minuet II e no final do Rossignole. Ah, têm sapos cantando em uníssono! Bem, não é bem um uníssono…
A peça central do CD é o concerto para violino recentemente descoberto que leva o subtítulo “Les Rainettes”. O tom abrupto do violino da solista Midori Seiler logo intervém. Seu instrumento pretende aludir (de acordo com as notas) a um sapo coaxando, embora, para nós, soe mais como uma sirene de ataque aéreo. Esta entrada auspiciosa inicia uma das exibições programáticas de estilo muito imaginativo — uma vez ouvido, este grande concerto não será esquecido tão cedo.
G. P. Telemann (1681-1767): La Bizarre / Suites (Akademie Für Alte Musik Berlin)
Suite In D Major, TWV 55 D:18
1 Ouverture 7:02
2 Menuet I Alternativement – Menuet II 2:47
3 Gavotte En Rondeau 1:28
4 Passacaille 3:19
5 Air 2:20
6 Les Postillons 1:49
7 Fanfare 2:07
Ouverture “Les Nations”, TWV 55:B5 In B Flat Major
8 Ouverture 6:16
9 Menuet I Alternativement – Menuet II 3:46
10 Les Turcs 2:13
11 Les Suisses 1:46
12 Les Moscoviets 1:34
13 Les Portugais 1:45
14 Les Boiteux (Die Hinkenden) 1:00
15 Les Coureurs (Die Läufer) 1:29
Concerto Pour Violon “Les Raineettes”, TWV 51:A2 In A Major
16 Ohne Satzbezeichung 5:30
17 Adagio 4:41
18 Menuet Alternativement 2:44
Ouverture “La Bizarre”, TWV 55:G2 In G Major
19 Ouverture 4:46
20 Courante 1:35
21 Gavotte En Rondeau 0:47
22 Branle 1:46
23 Sarabande 2:16
24 Fantasie 1:11
25 Menuet I – Menuet II 3:32
26 Rossignol 1:35
Bassoon – Christian Beuse
Cello – Antje Geusen, Jan Freiheit
Composed By – Georg Philipp Telemann
Double Bass – Walter Rumer
Harpsichord – Raphael Altermann*
Lute – Björn Colell
Oboe – Annette Spehr, Ekkehard Hering*, Xenia Löffler (tracks: 1 to 7)
Orchestra – Akademie Für Alte Musik Berlin
Timpani – Friedhelm May (tracks: 1 to 7)
Trumpet – François Petitlaurent* (tracks: 1 to 7), Ute Hartwich
Viola – Anja-Regine Graewel, Annette Geiger, Stephan Sieben (2)
Violin – Dörte Wetzel, Erik Dorset, Georg Kallweit, Kerstin Erben, Midori Seiler, Thomas Graewe, Uta Peters
Violin [1st] – Stephan Mai
Violin [Solo] – Midori Seiler (tracks: 16 to 18)
Pois é, o barroco é uma coisa interminável. Depois de quase sete anos de blog (faremos 20 anos neste 2026), ainda abro novas categorias e a coisa é de primeira linha. Sim, Nicola Matteis, um aparentemente napolitano que acabou em Londres e do qual pouco se sabe. Teve razoável popularidade em seu tempo, casou-se com uma viúva rica e acabou pobre. Acontece. Mas suas Ayres for the Violin são joias que os pequepianos devem conhecer. Amandine Beyer é uma super craque, uma notável violinista. PQP a ama de todos os modos. Se ele passar por ela na rua, ela nem vai ver de que lado ele veio. (Antes do Gli Incogniti, ela integrou a orquestra barroca francesa Café Zimmermann). Confiram!
Nicola Matteis (c.1670-c.1714): False Consonances of Melancholy – Ayres for the Violin (Amandine Beyer & Gli Incogniti)
FDP Bach teve uma semana complicada, apesar de curta, que se encerrou com seu desligamento da empresa em que trabalhava. Ou seja, sua cabeça estava envolvida em outras coisas, por esse motivo deixou o blog um pouco às moscas. Mas felizmente seu caro irmão PQP voltou de férias, e colocou ordem na casa. Volto com mais barroco, numa bela gravação de Trevor Pinnock e seu English Concert, com suas gravações com instrumentos de época. E o que é mais importante, tocando Telemann, compositor muito caro a este que vos escreve e ao seu irmão PQP, e também ao nosso leitor/ouvinte Pedro, que teceu grandes elogios à ele, quando da última postagem realizada deste compositor. Tratam-se de um Concerto com três trompetes solistas, além de duas Suítes. Portanto, mais barroco com quem entende do assunto.
Enjoy it.
George Philipp Telemann (1681-1767): Concerto in D Major, Overture – Suite in G Minor, TWV 55:g4, Overture Suite in D Major, TWV 55:D1 (The English Concert, Pinnock)
01 – Concerto in D major – Intrada – Grave
02 – Concerto in D major – Allegro
03 – Concerto in D major – Largo
04 – Concerto in D major – Vivace
Mark Bennett, Michael Harrison, Nicholas Thompson – trumpets
Paul Goodwin, Lorraine Wood – Oboes
05 – Overture-Suite in G minor – Ouverture
06 – Overture-Suite in G minor – Rondeau- Gayement
07 – Overture-Suite in G minor – Les Irresoluts
08 – Overture-Suite in G minor – Les Capricieuses
09 – Overture-Suite in G minor – Loure
10 – Overture-Suite in G minor – Gasconnade
11 – Overture-Suite in G minor – Menuet I , II
Paul Goodwin, Lorraine Wood, Sophias McKenna – Oboes
Alberto Grazzi – Fagott
12 – Overture-Suite in D major – Ouverture- Lentement – Vite – Lentement
13 – Overture-Suite in D major – Air- Tempo giusto
14 – Overture-Suite in D major – Air- Vivace
15 – Overture-Suite in D major – Air- Presto
16 – Overture-Suite in D major – Air- Allegro
17 – Overture-Suite in D major – Conclusion- Allegro – Adagio – Allegro
Paul Goodwin – Oboe
Mark Bennett – Trumpet
Alberto Grazzi – Fagott
Peter Hanson, Walter Reiter – Violin
Trevor Jones – Viola
Jane Coe – Cello
The English Concert (on authentic instruments)
Trevor Pinnock – Director, Harpsichord
Saber de onde saíram estas gravações juntadas a partir de mais de um CD? Tarefa impossível. Mas em verdade vos digo: são registros absolutamente entusiasmantes, sensacionais, estimulantes. O que faz Sergey Khachatryan, uma das preferências mais radicais deste que vos escreve, no Concerto de Sibelius? Putz, onde encontrar uma gravação melhor deste concerto? E para ser melhor ainda, é tudo AO VIVO. Olha, o Mendelssohn inicial e o Sibelius são para se ouvir de joelhos, mas, quando chega o Tchai, eu sento na varanda, pego o meu violão e começo a tocar, e o meu moreno que está sempre bem disposto, senta ao meu lado e começa a cantar. Ou seja, quando chega o Tchai, a gente desliga tudo e foge pra Marambaia.
Mendelssohn: As Hébridas, Op. 26 / Sibelius: Concerto para violino, Op. 47 / Tchaikovsky: Sinfonia #6, “Patética”
Felix Mendelssohn (1809-1847) – A Abertura “As Hébridas”, Op. 26
1. A Abertura “As Hébridas” em E menor, Op. 26
Jean Sibelius (1865 – 1957) – Concerto para violino, Op.47
2. Allegro moderato
3. Adagio di molto
4. Allegro, ma non tanto
Piotr Ilytch Tchaikovsky (1840-1893) – Sinfonia No. 6, Op. 74 – “Patética”
5. Adagio – Allegro non troppo
6. Allegro con grazia
7. Allegro molto vivace
8. Finale — Adagio lamentoso
Sergey Khachatryan, violin
New York Philharmonic
Kurt Masur, conductor
Faz pouco tempo que comecei a ouvir com mais atenção os quartetos de cordas de Schubert. Mas já faz muito tempo que ouço Schubert: as obras orquestrais sobretudo com Claudio Abbado, as para piano solo + trios + Truta com Jörg Demus, Nikita Magaloff, András Schiff, as canções com as maravilhosas vozes de Elly Ameling, Markus Schäfer, Arleen Auger…
Esses intérpretes foram formando em mim – como outros intérpretes formaram em outras pessoas – uma certa memória afetiva e uma certa intimidade com esse compositor que expressa os sentimentos mais variados ao mesmo tempo que mantém uma pose elegante, sem exageros românticos. O Schubert bem tocado, então, seria aquele fraseado que diz muito nas entrelinhas com uma pose levemente tímida de quem não quer gritar em voz alta os seus segredos. O que não significa que ele não os revele: o que ele evita é um tipo de lamento apelativo. Schubert certamente detestava os escritores – pois já existiam naquela época – que abusam de expressões que hoje chamamos de clickbait: “veja como ele perdeu tudo”, “esse relato da uma senhora cega vai te emocionar”, etc.
É o tipo oposto de expressão musical – com agitações ambíguas, angústias disfarçadas, felicidades que, como diz o poeta, sempre têm fim – que me pareceu executado de maneira tão bela pelo Belcea Quartet, mais do que pelos dois ou três outros grupos que ouvi tocando Schubert nos últimos meses. E a gravação é excelente, bem balanceada: em certos momentos os graves tomam a frente com profundidade, em outros tantos momentos os violinos fazem crescendo com toda força, como no início do inacabado Quarteto D. 703.
O inacabado, aliás, é uma das graças de Schubert. Assim como a sua penúltima sinfonia em que a incompletuda parece apenas torná-la mais perfeita, esse quarteto D. 703 foi o primeiro da sua fase madura e carrega uma amplitude de sentimentos em um só movimento que, aparentemente, ele não soube complementar com o que em inglês chamam de “filler”. Em bom português, não soube encher linguiça e deixou esse movimento isolado para, mais de três anos depois, voltar renovado ao formato e completar três quartetos inteiros (os de nº 13, 14 e 15, com o 13º aparecendo neste CD). Pouco antes de morrer, completaria ainda um quinteto de cordas.
Franz Schubert (1797-1828): String Quartet In A Minor ‘Rosamunde’ D.804
1 I Alegro Ma Non Troppo 14:30
2 II Andante 7:24
3 III Minuetto: Allegretto – Trio 7:37
4 IV Allegro Moderato 7:09 Quartettsatz In C Minor D.703
5 Allegro Assai 9:32 String Quartet In E Flat Major D.87
6 I Allegro Molto Moderato 10:16
7 II Sherzo: Prestissimo – Trio 1:57
8 III Adagio 6:21
9 IV Allegro 7:56
Violin – Corina Belcea, Laura Samuel
Viola – Krzysztof Chorzelski
Cello – Alasdair Tait
Recorded: 2002, Potton Hall, Suffolk, UK
Nos anos 2000 os integrantes do quarteto Belcea tinham certa semelhança com os atores de Friends, não sei se são os penteados, as roupas, os ângulos das fotos…
Tentar acompanhar os projetos musicais do pianista cubano Omar Sosa ou do trompetista italiano Paolo Fresu é algo quase atlético. Chamar qualquer um de prolífico é um eufemismo, mas, mais impressionante do que a quantidade de música que eles lançam é a qualidade de sua produção. Amo ambos. Ambos exploram uma fonte de criatividade que escapa à maioria dos artistas. Grande parte dos temas deste CD é bastante discreta, mas sempre de alto em conteúdo emocional. O uso de percussão e da eletrônica em alguns lugares — juntamente com a presença do violoncelista brasileiro Jaques Morelenbaum, dá ao projeto uma sensação de profundidade e variedade, mas essa união de duas almas musicais espiritualmente conectadas teria sido suficiente para fazer a mágica, se esta fosse simplesmente uma gravação nua de piano + trompete. Morelenbaum, Fresu e Sosa criam uma mistura celestial na pacífica faixa-título, que começa em um lugar sereno e chega a um espaço latino firme, enquanto equilibra humores sombrios e imponentes em “Crepuscolo”.
Paolo Fresu & Omar Sosa com Jaques Morelenbaum: Alma
1 S’Inguldu 5:35
2 Inverno Grigio 5:28
3 No Trance 3:36
4 Alma 5:49
5 Angustia 4:34
6 Crepuscolo 3:15
7 Moon On The Sky 5:59
8 Old D Blues 6:36
Medley
9 Niños 4:00
10 Nenia 5:23
11 Under African Skies 7:28
12 Rimanere Grande! 2:58
Cello – Jaques Morelenbaum
Composed By – Omar Sosa (faixas: 2 to 8, 9), Paolo Fresu (faixas: 1, 3, 9, 10, 12), Paul Simon (faixas: 11)
Piano [Acoustic], Sampler, Electric Piano [Fender Rhodes], Synthesizer [Microkorg], Percussion, Vocals, Effects [Multieffects], Producer – Omar Sosa
Trumpet, Flugelhorn, Percussion, Whistle, Effects [Multieffects], Producer – Paolo Fresu
Boa gravação. O Ghost foi composto em 1808, no mesmo período da Sinfonia No. 5 e da Sinfonia No. 6 colocando-o firmemente no período médio de Beethoven. Por que “Ghost” (Fantasma)? O apelido não foi dado pelo compositor, mas surgiu devido ao caráter único e sobrenatural do segundo movimento (Largo assai ed espressivo). O apelido está intimamente ligado a um projeto de ópera que Beethoven tinha em mente, baseado em “Macbeth”, de Shakespeare. Ele estava esboçando música para a cena em que as três bruxas aparecem para Macbeth. Essa música era sombria, misteriosa e cheia de um suspense fantasmagórico. Beethoven, insatisfeito e abandonando o projeto da ópera, reaproveitou o material musical e o clima dessa cena para compor o segundo movimento deste trio. O aluno, factótum e amigo Carl Czerny, foi quem confirmou essa conexão. Então, quando você ouve o segundo movimento, está essencialmente ouvindo a música que Beethoven imaginou para uma assembleia de bruxas sobrenaturais – daí a sensação de “fantasma”. Uhhhhh… O segundo Trio também é ótimo viram?
Beethoven (1770-1827): Trios para Piano , Op. 70, Nº 1 “Ghost” e 2 (Stuttgart Piano Trio)
Piano Trio No. 5 in D Major, Op. 70, No. 1, “Ghost”
1 I. Allegro vivace e con brio 10:31
2 II. Largo assai ed espressivo 09:05
3 III. Presto 08:31
Piano Trio No. 6 in E-Flat Major, Op. 70, No. 2
4 I. Poco sostenuto – Allegro ma non troppo 10:18
5 II. Allegretto 05:08
6 III. Allegretto ma non troppo 05:23
7 IV. Finale: Allegro 07:39
Desde a metade do ano passado, comecei a ouvir muitos quartetos de cordas, sei lá o motivo. Foram se seguindo: um de Mendelssohn, depois um de Schubert, depois um de Ginastera, aí voltei a Schubert, depois Shostakovich e Gubaidulina… O fato é que apreciei aquelas obras, novas para mim, de compositores que eu já conhecia há bem mais tempo.
E no meio desse momento com os quartetos eu peguei para ouvir um disco recém-lançado de um compositor checo que me era absolutamente desconhecido: Novák. Tendo vivido bastante, os seus anos mais produtivos foram já depois do falecimento de Dvořák e Brahms, e a sua música é uma espécie de transição entre os momentos mais típicos de um romantismo centro-europeu desses dois (penso p.ex. nas Danças Húngaras de Brahms) e uma linguagem mais moderna próxima de Strauss ou Debussy.
No Quarteto nº 1 (1899), a inspiração folclórica já é marcante mas a forma geral é mais previsível, já no 2º Quarteto (1905), com apenas dois movimentos, uma improvável Fuga, mais rígida, é seguida por uma Fantasia livre e cheia de altos e baixos de emoções e de andamentos. Estreado em Berlim e em Praga à época, o quarteto é um documento do tipo de romantismo tardio em que as emoções se encadeiam com liberdade e sem os clichês da linguagem um tanto previsível de outras obras para violino da mesma época. Isso porque Novák usa um vocabulário melódico – se podemos falar assim – típico das cidades pequenas e áreas rurais da Morávia (sul da República Checa) e Eslováquia.
Se os dois primeiros quartetos, da virada do século representavam, em certa medida, aspectos que reapareceriam em uma linguagem mais vanguardista na música de Bartók, o 3º concerto (1928) já é uma obra tardia, após um período em que o compositor se dedicou a óperas de teor nacionalista durante e após a 1ª Guerra Mundial. Embora os três quartetos já tivessem sido gravados antes separadamente, essa gravação do Stamic Quartet lançada em 2025 foi a primeira integral a reunir os três.
Vítězslav Novák (1870-1949):
String Quartet No. 1 in G major / Op. 22 (1899) . . . . . . . . 28:58
1 I. Allegro moderato
2 II. Scherzo. Allegro comodo
3 III. Andante mesto – Allegro ben ritmico
String Quartet No. 2 in D major / Op. 35 (1905) . . . . . . . 27:13
4 I. Fuga. Largo misterioso
5 II. Fantasia. Allegro passionato, ma non troppo, presto – Quasi scherzo.
Allegretto moderato, ben ritmico
String Quartet No. 3 in G major / Op. 66 (1938) . . . . . . . 25:15
6 I. Allegro risoluto
7 II. Lento doloroso
Maravilhoso, espantoso CD do Il Giardino Armonico. Talvez seja o melhor álbum já lançado desses com a finalidade de dar um apanhado na música de uma região em determinada época. A época é das melhores — o barroco italiano — e o Giardino nem usou as armas principais. Nada de Vivaldis, Corellis, Torellis, a fim de dar aquela incrementada nas vendas.
Toda a música desta gravação é maravilhosamente viva e vibrante. O violino é particularmente bom — é o gordinho careca da manta e do qual não lembro o nome. Ouçam como se não houvesse amanhã. Todo amante da música instrumental barroca deve experimentar este grande disco.
Viaggio Musicale: Italian Music of the 17th Century (com Il Giardino Armonico)
01. Monteverdi: Sinfonia aus Il ritorno d’Ulisse in Patria
02. T. Merula: Ciaccona
03. Improvisation
04. Dario Castello: Sonata IV
05. Giovanni Battista Spadi: “Anchor che co’l partire”
06. Improvisation
07. Dario Castello: Sonata X
08. Giovanni Battista Riccio: Sonata a 4
09. Improvisation
10. Biagio Marini: Sonata sopra “la Monica”
11. Marco Uccellini: Aria sopra “la Bergamasca”
12. Salomone Rossi: Sinfonia a 3
13. Giovanni Battista Fontana: Sonata XV
14. Alessandro Piccinini: Toccata
15. Marco Uccellini: Sonata XVIII
16. Salomone Rossi: Sinfonia in eco a 3
17. Francesco Rognoni: “Vestiva i colli”
18. Salomone Rossi: Gagliarda “Zambalina” a 4
19. Sinfonia grave a 5
20. T. Merula: Canzon “la Cattarina”
21. Marco Uccellini: Aria sopra “La scatola degli aghi”
22. Giovanni Paolo Cima: Sonata
23. T. Merula: “Ruggiero”
24. Salomone Rossi: Gagliarda “Norsina” a 5
Gosto de um modo muito particular das obras de Elgar. De sua produção, destacam-se As Variações Enigma, Pompa e Circunstância e seu excelente Concerto para Violoncelo. Mas o seu trabalho sinfônico também vale um entusiástico adendo. Antes da Primeira Grande Guerra, Elgar conheceu não pequena fama. Suas obras eram executadas nas salas de concerto da Europa e dos Estados Unidos. Sendo inglês à semelhança de Vaughan Williams, os trabalhos de Elgar dialogam de forma profunda com a natureza. Quiça seja reflexo de sua infância. Talvez ainda sejam as charnecas tão características da Bretanha como narra Ëmile Brontë em O Morro dos Ventos Uivantes ou O Retrato do artista quando jovem de Joyce. Neste registro que ora posto, surgem duas das três sinfonias que o compositor escreveu – As sinfonias de número 1 e 2. São trabalhos realmente significativos. A primeira, a Sinfonia No. 1, é do ano de 1908. O tema de introdução da sinfonia é de uma beleza invulgar. O mesmo tema se repete no final do quarto movimento. O trabalho é regularmente apresentado em programas de concertos na América do Norte e Europa. Já a Sinfonia No. 2 é do ano de 1911. Não deixe de ouvir esses dois tocantes trabalhos do compositor inglês. Boa apreciação!
Edward Elgar (1857-1934) – Symphony No.1 in A flat major, Op. 55, Pomp and Circumstance March No.5, for orchestra in C major, Op. 39/5 e Symphony No.2 in E flat major, Op. 63
DISCO 01
Symphony No.1 in A flat major, Op. 55
01. 1. Andante, nobilimente e semplice – Allegro
02. 2. Allegro molto
03. 3. Adagio
04. 4. Lento – Allegro
Pomp and Circumstance March No.5, for orchestra in C major, Op. 39/5
05. Pomp and Circumstance March No. 5, op. 39
DISCO 02
Symphony No.2 in E flat major, Op. 63
01. 1. Allegro vivace e nobilmente
02. 2. Larghetto
03. 3. Rondo (Presto)
04. 4. Moderato
Talvez o principal segredo de Manfred Eicher tenha sido o de viabilizar gravações àquele pessoal talentoso que fica atrás no palco. Eberhard Weber é um exemplo disso. Nascido em 1940, Weber fez seu disco de estréia em 1974, com este bom The Colours of Chloë. Músico de jazz e erudito, Weber era músico de apoio de Joe Pass, Stephane Grappelli, Baden Powell e outros quando fez sua proposta a Eicher. Sua vida mudou e ele pode até montar um grupo próprio de jazz, além de ter se tornado um contumaz baixista de outras grandes estrelas da gravadora como Pat Metheny, Gary Burton, Jan Garbarek e Ralph Towner, representantes mais importantes do som ECM. The Colours of Chloë não é nenhuma maravilha, mas acho curiosa e agradável de ouvir a tentativa de Weber de fazer um som jazzístico próximo àquele que faziam alguns grupos de rock em 1974, como Yes, Pink Floyd, Gentle Giant, etc. É estranho, mas, por alguma razão, é um CD irresistível para quem completou 17 anos no distante 1974. É uma música feita de climas e ostinatos, é também melancólica e muito mais organizada do que o bom jazz deve ser. Parece de vanguarda, mas é aquela coisa que, apesar de bonita, não possui rumo e pula de estilo em estilo. Bom, aí está.
Eberhard Weber – The Colours of Chloë
1. More Colours 6:41
2. The Colours Of Chloë 7:51
3. An Evening With Vincent Van Ritz 5:50
4. No Motion Picture 19:37
João Gilberto: Ao Vivo – Eu Sei Que Vou Te Amar não é apenas um grande álbum ao vivo. É mais uma das provas — todas definitivas — de que a arte de JG não era um produto de estúdio, mas um estado de ser, reproduzível e vivo diante de testemunhas. As 18 faixas são 18 capítulos de uma oração secular à melodia, ao ritmo interior e à beleza contida. Para o fã, é mais uma relíquia. Para o estudioso de música, é um tratado. Para qualquer ouvinte, é a sensação rara de estar na presença de um gênio, onde o silêncio entre as notas e a voz contam mais do que qualquer acorde. Este registro ganha um peso emocional adicional por ser um dos últimos testemunhos públicos de João antes de seu longo retiro da vida pública. Ouvir este disco é, portanto, ouvir o último grande concerto de uma era. É a bossa nova em sua fonte originária, não como uma moda, mas como uma filosofia musical acabada.
João Gilberto: Eu sei que vou te amar (ao vivo)
Eu Sei Que Vou Te Amar 3:43
Desafinado 4:07
Você Nao Sabe Amar 2:19
Fotografia 2:21
Rosa Morena 3:16
Lá Vem A Baiana 2:21
Pra Que Discutir Com Madame 2:53
Isto Aqui O Que É 3:03
Meditação 3:11
Da Cor Do Pecado 2:32
Guacyra 1:34
Se É Por Falta De Adeus 2:46
Chega De Saudade 3:18
A Valsa De Quem Não Tem Amor 1:49
Corcovado 2:28
Estate 2:12
O Amor Em Paz 2:50
Aos Pés Da Cruz 2:14