Johann Sebastian Bach (1685-1750): Integral das Suítes para Violoncelo

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Integral das Suítes para Violoncelo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD foi um dos premiados pela revista Gramophone em 2019. Ouvi com grande atenção cada respiração de Emmanuelle Bertrand nesta gravação e lhes digo que esta é uma das melhores versões que ouvi destas peças, apesar de ela ser algo diferente do normal. Acontece que Bertrand vem da música moderna e cada nota parece ter valor diferente do normal — para mais e para menos. A violoncelista é a mesma deste maravilhoso CD O Violoncelo do Século XX, no qual ela toca e até canta, acompanhando-se ao violoncelo.

Grande artista, Bertrand é sempre interessante. A gente a ouve com enorme prazer. Fica a impressão de que ela está lembrando a música da memória em vez de lê-la da partitura. 

Acho que esta gravação pode figurar ao lado das melhores como as de Cocset (a melhor, ao lado de…), Pandolfo (a melhor, empatada com Cocset), Queyras e Bylsma. Minha opinião.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Integral das Suítes para Violoncelo

Cello Suite No. 1 BWV 1007
in G Major / Sol majeur / G-Dur
I. Prélude 2’28
II. Allemande 4’18
III. Courante 2’35
IV. Sarabande 3’04
V. Menuets 1 & 2 2’59
VI. Gigue 1’46

Cello Suite No. 2 BWV 1008
in D Minor / ré mineur / d-Moll
I. Prélude 3’27
II. Allemande 3’13
III. Courante 1’53
IV. Sarabande 5’02
V. Menuets 1 & 2 2’57
VI. Gigue 2’28

Cello Suite No. 3 BWV 1009
in C Major / Ut majeur / C-Dur
I. Prélude 3’28
II. Allemande 3’45
III. Courante 3’06
IV. Sarabande 4’05
V. Bourrées 1 & 2 3’21
VI. Gigue 3’20

Cello Suite No. 4 BWV 1010
in E-Flat Major / Mi bémol majeur / Es-Dur
I. Prélude 4’14
II. Allemande 3’49
III. Courante 3’27
IV. Sarabande 4’02
V. Bourrées 1 & 2 5’01
VI. Gigue 2’43

Cello Suite No. 5 BWV 1011
in C Minor / ut mineur / c-Moll
I. Prélude 5’30
II. Allemande 5’14
III. Courante 2’02
IV. Sarabande 3’52
V. Gavottes 1 & 2 4’46
VI. Gigue 2’25

Cello Suite No. 6 BWV 1012
in D Major / Ré majeur / D-Dur
I. Prélude 4’25
II. Allemande 7’30
III. Courante 3’39
IV. Sarabande 5’37
V. Gavottes 1 & 2 4’17
VI. Gigue

Emmanuelle Bertrand, violoncelo

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Emmanuelle Bertrand, grande versão das Suítes

PQP

Johann Sebastian Bach – Suítes nos. 2 e 5 para violoncelo solo – Mstislav Rostropovich (1960)

Lembram quando postei a gravação tcheca das Suítes de Bach com Rostropovich e mencionei que a crítica execrou a versão que ele lançou pela EMI nos anos 90?

Pois é: no encarte da execrada gravação dos anos 90, o próprio mestre execrou sua tentativa anterior com essas venerandas Suítes, feita nos anos 50 – que é a que trago agora para vocês. Nela, Slava limitou-se às Suítes nos. 2 e 5, ambas em tom menor, que ficaram curiosas com o “som Rostropovich”, tão peculiar a quem sentou à mesa com Shostakovich e Prokofiev para burilar suas obras para violoncelo, era professor nos dois mais conceituados conservatórios da União Soviética e ainda tinha tempo para ser um livre-pensador e crítico aberto ao regime, preparando o terreno para seu banimento daquele país em 1974.

Acho que vocês odiarão esta gravação, em que as Suítes estão entremeadas por dois curtos excertos à guisa de bis (digno de nota é o regente da orquestra de cordas inominada que o acompanha na “Ária”, que foi pai de Gennadi Rozhdestvensky). Fiquem à vontade, mas nunca percam de vista que este disco é raro e, até onde me consta, esta é a única fonte em que está disponível na rede – e o bom leitor-ouvinte, mesmo que os deteste, entenderá que o privilégio de escutá-lo talvez valha engavetar os resmungos que tiver guardados.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Suíte no.  2 para violoncelo solo, BWV 1008
01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I-II
06 – Gigue

Da Suíte Orquestral no. 3 em Ré maior, BWV 1068:
07 – Ária (arranjo para violoncelo e orquestra)
Orquestra de cordas sob regência de Nikolai Anosov 

Suíte no. 5 para violoncelo solo, BWV 1011
08 – Prélude
09 – Allemande
10 – Courante
11 – Sarabande
12 – Gavotte I-II
13 – Gigue

Toccata, Adagio e Fuga em Dó maior para órgão, BWV 564
14 – Adagio (arranjo para violoncelo e piano)
Vladimir Yampolsky, piano

Mstistlav Rostropovich, violoncelo

Gravado em Paris, França, em 1956

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

slava8Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para violoncelo solo – Mstislav Rostropovich (1955)

SU4044_2_xlSim, Rostropovich foi um dos maiores violoncelistas do século. Sim, sua gravação das Suítes para violoncelo de Bach lançada pela EMI foi detestada pela crítica. Sim, o grande Slava foi sempre reticente – e admite isso com muita franqueza no encarte do álbum – quanto a gravar essas obras, por considerar que, muito além de questões técnicas, sua “infinita riqueza” e “transcendência espiritual” não estavam ao seu alcance para tentar uma sua versão definitiva. E, sim, no mesmo encarte Slava execra sua própria gravação anterior, considerando-a imatura e insensata.

Esta versão que aqui postamos não é nem aquela detestada pela crítica em 1995, nem a execrada pelo próprio Rostropovich, mas sim uma outra, feita ao vivo durante o Festival Primavera de Praga de 1955 e lançada pelo sempre surpreendente selo Supraphon. Sou um fã de Slava e, ao contrário da maioria de meus concidadãos planetários, aprecio suas gravações dessas Suítes que ele tanto amava, e que respeitava ao ponto do temor. Reconheço que o som vigoroso e ultraexpressivo de seu violoncelo (um dos poucos, aliás, que me é inconfundível) dá a essas gravações, talvez, o que numa licença poética chamo de “excesso de músculo” que, muitas vezes, não lhes é adequado. O que esta gravação em Praga tem, e que falta às demais, é a espontaneidade dos registros ao vivo, em contraste franco com a estudada,  constrita gravação de 1995 e a gravação feita na União Soviética pelo selo Melodiya (e que serão oportunamente postadas aqui no PQP Bach).

Esta longa série com as Suítes para violoncelo solo não tem, claro, a intenção de agradar a todos. Entre as noventa e seis gravações que delas tenho, em vários instrumentos, certamente não há só pontos altos. Ao final da epopeia, espero que os leitores-ouvintes tenham escolhido seu quinhão preferido e que,  no processo, saibam dar ao grande Rostropovich uma nova oportunidade de agradá-los.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Seis Suítes para violoncelo solo, BWV 1007-1012

No. 1 em Sol maior, BWV 1007
01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

No. 2 em Ré menor, BWV 1008
07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

No. 3 em Dó maior, BWV 1009
13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

No. 4 em Mi bemol maior, BWV 1010]
19 – Prélude
20 – Allemande
21 – Courante
22 – Sarabande
23 – Bourrée I & II
24 – Gigue

No. 5 em Dó menor, BWV 1011
25 – Prélude
26 – Allemande
27 – Courante
28 – Sarabande
29 – Gavotte I & II
30 – Gigue

No.6 em Ré maior, BWV 1012
31– Prélude
32 – Allemande
33 – Courante
34 – Sarabande
35 – Gavotte I & II
36 – Gigue

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Mstislav Rostropovich, violoncelo
Gravação ao vivo no Festival Primavera de Praga em 1955

Um grande momento: Rostropovich em 1989, tocando ante o Muro de Berlim em demolição. Como corajoso defensor da liberdade de expressão na União Soviética, que o levou a ser banido de lá nos anos 70, essa figura extraordinária não se furtou a correr com seu precioso violoncelo para Berlim tão logo lhe chegaram as boas novas e tocar entre os berlinenses em festa. E o programa, como não poderia deixar de ser, foi Bach.
Um grande momento: Rostropovich em 1989, tocando ante o colapsante Muro de Berlim. Como corajoso defensor da liberdade de expressão na União Soviética, o que o levou a ser banido de lá nos anos 70, essa figura extraordinária não se furtou a correr com seu precioso violoncelo para Berlim tão logo lhe chegaram as boas novas e tocar entre os berlinenses em festa. O programa, como não poderia deixar de ser, foi inteirinho de Bach.

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para violoncelo solo – Anner Bylsma (1979)

FrontBelíssima versão das Suítes para violoncelo de J. S. Bach, esta do holandês Anner Bylsma, lançada pelo saudoso selo Seon em 1979 –  uma das primeiras feitas com técnica e violoncelo barrocos. Serena e equilibrada, sem abusar de contrastes dinâmicos, realça uma das mais distintas qualidades do gênio de Bach: sua capacidade de insinuar, engenhosamente, harmonias e contraponto ao escrever para um instrumento essencialmente melódico como o violoncelo. O mestre holandês, recente falecido, que além de excelente instrumentista era uma tremenda figura humana, gravaria em 1992 uma outra versão pela Sony, que algum dia também surgirá por aqui.

J. S. BACH – DIE CELLOSUITEN – ANNER BYLSMA

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Seis suítes para violoncelo solo, BWV 1007-1012

Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

Suíte no. 2 em Ré menor, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

Suíte no. 3 em Dó maior, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Suíte no. 4 em Mi bemol maior, BWV 1010

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

Suíte no. 5 em Dó menor, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

Suíte no. 6 em Ré maior, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Anner Bylsma, violoncelo

Vassily Genrikhovich

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 12, 103 & 146

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Cantata BVW 12 é de chorar de tão linda. O coro Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen é muito emocionante. É uma obra de juventude, é de 1714 e eu não tinha nascido ainda. JS ainda não conhecia minha mãe na época. A 146 é um daqueles roubos que Bach faz de si mesmo. Seu início é baseado num Concerto para Cravo dele mesmo. E mais de um movimento, tá?

As performances de Gardiner animam e atualizam a música de Bach em quase todos os momentos. O Coral Monteverdi arrasa e eu gostei especialmente da ária a cargo de Julian Clarkson, ‘Ich folge Christo nach’ (BWV 12), e a ‘Kein Arzt’, com William Towers (BWV 103). Um disco espetacular!

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 12, 103 & 146

For The Third Sunday After Easter (Jubilate)
Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen BWV 12
1-1 1. Sinfonia 2:19
1-2 2. Coro Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen 7:34
1-3 3. Recitativo: Alt Wir Müssen Durch Viel Trübsal 0:48
1-4 4. Aria: Alt Kreuz Und Krone Sind Verbunden 5:40
1-5 5. Aria: Bass Ich Folge Christo Nach 1:45
1-6 6. Aria Con Choral: Tenor Sei Getreu, Alle Pein 3:37
1-7 7. Choral Was Gott Tut, Das Ist Wohlgetan 0:53

Ihr Werdet Weinen Und Heulen BWV 103
1-8 1. Coro E Arioso: Bass Ihr Werdet Weinen Und Heulen 5:23
1-9 2. Recitativo: Tenor Wer Sollte Nicht In Klagen Untergehn 0:33
1-10 3. Aria: Alt Kein Arzt Ist Außer Dir Zu Finden 4:37
1-11 4. Recitativo: Alt Du Wirst Mich Nach Der Angst 0:34
1-12 5. Aria: Tenor Erholet Euch, Betrübte Sinnen 2:48
1-13 6. Choral Ich Hab Dich Einen Augenblick 1:11

Wir Müssen Durch Viel Trübsal In Das Reich Gottes Eingehen BWV 146
1-14 1. Sinfonia 7:32
1-15 2. Coro Wir Müssen Durch Viel Trübsal 7:45
1-16 3. Aria: Alt Ich Will Nach Dem Himmel Zu 8:59
1-17 4. Recitativo: Sopran Ach! Wer Doch Schon Im Himmel Wär! 1:31
1-18 5. Aria: Sopran Ich Säe Meine Zähren 5:12
1-19 6. Recitativo: Tenor Ich Bin Bereit 1:09
1-20 7. Aria (Duetto): Tenor, Bass Wie Will Ich Mich Freuen 5:24
1-21 8. Choral Denn Wer Selig Dahin Fähret 1:17

Alto Vocals – William Towers (tracks: 1-1 to 1-21)
Bass Vocals – Julian Clarkson (tracks: 1-1 to 1-21)
Choir – The Monteverdi Choir
Conductor – John Eliot Gardiner*
Orchestra – The English Baroque Soloists
Soprano Vocals – Brigitte Geller (tracks: 1-1 to 1-21)
Tenor Vocals – Mark Padmore (tracks: 1-1 to 1-21)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

 

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas vol. 11 – Koopman, Reubens, Markert, Prégardien, Mertens

“The cantatas in the eleventh volume of the complete recording of Bach’s cantatas all come from Johann Sebastian Bach’s second year as Thomaskantor in Leipzig. Most of them were composed in the summer and autumn of 1724, though cantatas BWV 41 and 127 were written in early 1725. While the cantatas of the first Leipzig cycle of 1723-24, full of colour from the formal, textual and musical points of view, cannot be said to constitute a unified whole, the second cycle, which began in June 1724, presents greater overall unity, at least up until Lent of the following year.”

COMPACT DISC 1
“Herr Jesu Christ, wahr’ Mensch und Got” BWV 127
Quinquagesima Sunday

01 Chorus: “Herr Jesu Christ, wahr’ Mensch und Gott”
02 Recitative (Tenor): “Wenn alles sich zur letzten Zeit entsetzet”
03 Aria (Soprano): “Die Seele ruht in Jesu Händen”
04 Recitative and Aria (Bass): “Wenn einstens die Posaunen schallen”
05 Chorale: “Ach Herr, vergib all unsre Schuld”

“Wo soll ich fliehen hin” BWV 5
19th Sunday after Trinity

06 Chorus: “Wo soll ich fliehen hin”
07 Recitative (Bass): “Der Sünden Wust hat mich nicht nur befleckt”
08 Aria (Tenor): “Ergieße dich reichlich”
09 Recitative with Chorale (Alto): “Mein treuer Heiland tröstet mich”
10 Aria (Bass): “Verstumme, Höllenheer”
11 Recitative (Soprano): “Ich bin ja nur das kleinste Teil der Welt”
12 Chorale: “Führ auch mein Herz und Sinn”

“Was frag ich nach der Welt” BWV 94
9th Sunday after Trinity

13 Chorus: “Was frag ich nach der Welt”
14 Aria (Bass): “Die Welt ist wie ein Rauch und Schatten”
15 Chorale and Recitative (Tenor): “Die Welt sucht Ehr und Ruhm”
16 Aria (Alto): “Betörte Welt, betörte Welt!”
17 Chorale and Recitative (Bass): “Die Welt bekümmert sich”
18 Aria (Tenor): “Die Welt kann ihre Lust und Freud”
19 Aria (Soprano): “Es halt es mit der blinden Welt”
20 Chorale: “Was frag ich nach der Welt!”

COMPACT DISC 2

“Jesu, nun sei gepreiset” BWV 41
New Year’s Day

01 Chorus: “Jesu, nun sei gepreiset”
02 Aria (Soprano): “Laß uns, o höchster Gott”
03 Recitative (Alto): “Ach! deine Hand, dein Segen muß allein”
04 Aria (Tenor): “Woferne du den edlen Frieden”
05 Recitative (Bass): “Doch weil der Feind bei Tag und Nacht”
06 Chorale: “Dein ist allein die Ehre”

“Christ unser Herr zum Jordan kam” BWV 7
Feast of St John the Baptist

07 Chorus: “Christ unser Herr zum Jordan kam”
08 Aria (Bass): “Merkt und hört, ihr Menschenkinder”
09 Recitative (Tenor): “Dies hat Gott klar”
10 Aria (Tenor): “Des Vaters Stimme ließ sich hören”
11 Recitative (Bass): “Als Jesus dort nach seinen Leiden”
12 Aria (Alto): “Menschen, glaubt doch dieser Gnade”
13 Chorale: “Das Aug allein das Wasser sieht” 1’19

“Wohl dem, der sich auf seinen Gott” BWV 139
23 th Sunday after Trinity

14 Chorus: “Wohl dem, der sich auf seinen Gott”
15 Aria (Tenor): “Gott ist mein Freund”
16 Recitative (Alto): “ Der Heiland sendet ja die Seinen”
17 Aria (Bass): “Das Unglück schlägt auf allen Seiten”
18 Recitative (Soprano): “Ja trag ich gleich den größten Feind in mir”
19 Chorale: “Dahero Trotz der Höllen Heer!”

COMPACT DISC 3

“Mache dich, mein Geist, bereit”
22th Sunday after Trinity

01 Chorus: “Mache dich, mein Geist, bereit”
02 Aria (Alto): “Ach, schläfrige Seele, wie?”
03 Recitative (Bass): “Gott, so für deine Seele wacht”
04 Aria (Soprano): “Bete aber auch dabei”
05 Recitative (Tenor): “Er sehnet sich nach unserm Schreien”
06 Chorale: “Drum so laßt uns immerdar”

“Herr Jesu Christ, du höchstes Gut” BWV 113
11th Sunday after Trinity

07 Chorus: “Herr Jesu Christ, du höchstes Gut”
08 Chorale (Alto): “Erbarm dich mein in solcher Last”
09 Aria (Bass): “Fürwahr, wenn mir das kommet ein”
10 Chorale and Recitative (Bass): “Jedoch dein heilsam Wort”
11 Aria (Tenor): “Jesus nimmt die Sünder an”
12 Recitative (Tenor): “Der Heiland nimmt die Sünder an”
13 Aria (Soprano, Alto): “Ach Herr mein Gott, vergib mirs doch”
14 Chorale: “Stärk mich mit deinem Freudengeist” 1’01

“Meine Seel erhebt den Herren” BWV 10
Feast of the Visitation

15 Chorus: “Meine Seel erhebt den Herren”
16 Aria (Soprano): “Herr, der du stark und mächtig bist”
17 Recitative (Tenor): “Des Höchsten Güt und Treu”
18 Aria (Bass): “Gewaltige stößt Gott vom Stuhl”
19 Duet (Alto, Tenor) and Chorale: “Er denket der Barmherzigkeit”
20 Recitative (Tenor): “Was Gott den Vätern alter Zeiten”
21 Chorale: “Lob und Preis sei Gott”

Sibylla Rubens soprano
Annette Markert alto
Christoph Prégardien tenor
Klaus Mertens bass
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

BAIXAR AQUI – DOWNLOAD  HERE

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – Gaspar Cassadó

MI0000976023Aluno de Pau Casals, o também catalão Gaspar Cassadó i Moreu (1897-1966) era tido como o outro grande violoncelista da primeira metade do século XX (título que teria cabido, com sobras, ao maravilhoso Emanuel Feuermann, se não tivesse morrido tão jovem). De estilo sóbrio e som nobre e pouco opulento, não muito afeito a rubatos, Cassadó deixou-nos uma leitura clássica das Suítes para violoncelo de J. S. Bach que, talvez, soará opaca para aqueles que se acostumaram a violoncelos barrocos, cordas de tripa e liberdades agógicas. Ainda que Cassadó já tivesse seus sessenta anos ao entrar no estúdio e apesar da estranheza da escolha de tocar a quarta suíte um tom acima (que talvez algum violoncelista entre nossos leitores-ouvintes possa tentar explicar, quem sabe por ficar mais ressonante nas cordas soltas do violoncelo, normalmente afinado Dó-Sol-Ré-Lá),  acho que sua gravação tem, especialmente nas Suítes em tom menor, um toque melancólico muito atraente.

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

SEIS SUÍTES PARA VIOLONCELO SOLO, BWV 1007-1012

CD 01

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

CD 02

SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010 (transposta para Fá maior)

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Gaspar Cassadó, violoncelo

Três vezes Cassadó
Três vezes Cassadó

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Invenções & Sinfonias – Tatiana Nikolayeva

Tenho um carinho muito especial pelo selo Olympia. Lembro de comprar CDs deles em uma livraria na Av. Paulista, quase esquina com a Rua da Consolação, creio que se chamava Livraria Belas Artes, lá nos idos dos inícios dos anos 90. Comprei algumas pérolas ali, de músicos dos quais nunca tinha ouvido falar até naquele momento, como Moura Lympani  e Tatiana Nikolayeva, e ali no meio ainda encontrava os medalhões Leonid Kogan, Emil Gilels e Sviatoslav Richter ou David Ostrakh. Esses nomes russos sempre me fascinaram. Esses Cds eram muito baratos, com o equivalente a R$ 50,00 saia dali com  vários cds. Eu os escolhia em um balaio de vime. Muita gente deve se lembrar deste endereço, pois essa Livraria estava sempre aberta, sábados, domingos, feriados, não importa, sempre era um ponto de parada para quem ia a uma sessão de cinema ou ali nos Cines Belas Artes, ou então em alguma outra sala ali na Av. Paulista.

Não creio que seja necessário apresentar Tatiana Nikolayeva, ela é figurinha carimbada aqui no PQPBach, e vai aparecer ainda mais nos próximos dias, graças ao incansável Vassily Grienrikovich, que está fazendo um trabalho hercúleo ao recuperar antigas postagens.

Mas Nikolayeva era uma artista extremamente versátil, e um de seus compositores favoritos foi nosso Papai Bach. Gravou tudo o que ele compôs para teclados.  A gravação que ora vos trago foi realizada em 1977, e apresenta uma das melhores interpretações que já ouvi destas Invenções e Sinfonias. Para quem não conhece, sugiro baixarem esse CD para melhor poderem apreciar o talento desta excepcional musicicista, que faleceu em 1993, aos 69 anos de idade. Os senhores poderão encontrar maiores informações sobre essa lenda do piano no site http://www.tatiana-nikolayeva.info/.

Espero que apreciem.

1 – 15 – Invenções BWV 772 a 786

16 – 30 – Sinfonias BWV 787 – 801

Tatiana Nikolaiyeva – Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Tatiana Nikolayeva (1924-1993)

 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – János Starker (1992)

61Viv3L09IL._SY355_O grande Slava Rostropovich, músico fenomenal e extraordinário ser humano, provavelmente me desculparia se eu lhe dissesse que o húngaro János Starker (1924-2013) foi, para mim, o maior violoncelista de seu tempo. Sua técnica assombrosa garantia interpretações enérgicas e impecáveis para um repertório imenso. Starker foi, afinal, o sujeito que tinha tenros quinze anos quando tocou a famigerada Sonata de Kodály para o compositor e ouviu dele que, se corrigisse alguns pequenos detalhes (de andamento – nada de mundanas dificuldades técnicas!), sua interpretação ser “a Bíblia”. A técnica, entretanto, era para Starker apenas um veículo para a expressividade, e não há disso prova mais cabal que as cinco versões que ele nos legou destas preciosas Suítes para violoncelo solo.

O que ora lhes apresento é a última dessas versões, registrada em 1992, mas lançada somente em 1997. Diferentemente das anteriores, nesta gravação Starker acata todas as repetições indicadas por Bach, e os andamentos são, em geral, mais lentos. Ainda que tenha, talvez, menos do que se convencionou chamar de “brilho”,  essa versão recheada de sabedoria, ponto culminante de quase oitenta anos de música, é uma de minhas gravações preferidas das Suítes, a impressão final de um mestre sobre as obras que tanto amava.

J. S. BACH – SUITES FOR SOLO CELLO – JÁNOS STARKER

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

SEIS SUÍTES PARA VIOLONCELO SOLO

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Bourrée I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18  – Gigue

 

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

CD 02

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courrante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Bourrée I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

János Starker, violoncelo

Não fosse a imperiosa necessidade de um arco, Starker tocaria essas suítes com uma mão nas costas.
Tocar como se nada houvesse de mais fácil: eis a Arte de János Starker (1924-2013)

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – As Suítes para Violoncelo Solo – Paul Tortelier (1961)

51duo20ziDL._SY355_Publicada originalmente em novembro de 2015, reativada em dezembro de 2019, atualizada em maio de 2022

Rostropovich pode ter tido mais fama – merecidíssima, aliás, pela assombrosa técnica e enorme musicalidade, pela importância como pedagogo e pedra fundamental de toda uma escola violoncelística, e, como não se bastasse isso tudo, também pelo ser humano formidável que foi -, mas, se vocês fizessem uma enquete entre o panteão do violoncelo do século XX, provavelmente constatariam que o mais querido entre os violoncelistas era o parisiense Paul Tortelier (1914-1990).

Este “violoncelista dos violoncelistas” foi, como Rostropovich, um grande pedagogo e ativista político, além de ávido ciclista e muito bom flautista – em seus encontros com amigos, o violoncelo normalmente calava-se para a flauta falar. Ao contrário do hiperativo, calvo e bonachão Slava, Tortelier era um sujeito de calma proverbial, vasta cabeleira e muito poucas palavras. Rostropovich gargalhava ao contar como eram comparados a Quixote e Panza, e dedicou várias páginas de sua biografia a uma apologia do amigo. Numa delas, conta que ele costumava, ao tocar para amigos as Suítes de J. S. Bach, cantarolar sobre alguns movimentos vocalises improvisados, ao estilo do que Gounod fizera ao transformar um prelúdio do “Cravo bem Temperado” em sua famosa “Ave Maria”, e que sua voz, incrivelmente, impressionava mais do que seu instrumento.

Ainda que Slava muito lamentasse que seu colega não tivesse registrado para a posteridade seu talento como cellista-canoro, nós outros não podemos lamentar: mesmo com a boca fechada, Tortelier deixou-nos essa belíssima gravação das Suítes, repleta do timbre nobre e fraseado elegante que o fizeram tão admirado por seus pares. Ah, e aumentem o volume, porque a EMI resolveu deixar tudo bem baixinho, talvez para que escutemos o mestre no silêncio que merece.

Nota de Vassily em 2022: o texto acima refere-se à gravação de 1961, a primeira das duas que o mestre faria em estúdio. Quando o publicamos originalmente, em 2015, ele fazia parte duma série com todas as gravações que tenho das suítes, e eventualmente chegaria à segunda gravação, feita em 1982, que é muito superior e aclamada como uma das melhores jamais feitas dessas preciosas obras. Para que os leitores-ouvintes também possam conhecê-la e compará-la à irmã mais velha, resolvi também deixá-la disponível.

ooOoo

BACH – LES 6 SUITES POUR VIOLONCELLE – PAUL TORTELIER

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

SEIS SUÍTES PARA VIOLONCELO SOLO, BWV 1007-1012

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courrante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE (gravação de 1961)
BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
(gravação de 1982)

Paul Tortelier, violoncelo

Paul Tortelier: um violoncelista dos violoncelistas (D. P.)

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – Casals

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – Casals

662603_1_fEstreei aqui no PQP Bach com um relato bastante palavroso do meu primeiro contato com estas obras que amei imediatamente – muito embora, como bem apontaram os leitores-ouvintes, a gravação que o acompanhou não fosse lá grande coisa.

Pretendo, aos poucos, redimir-me e postar por aqui todas as gravações que tenho dessas preciosas suítes. Sim: todas, todinhas, com todos os intérpretes e em todos os arranjos que colecionei ao longo dos anos – o que, na justa medida desse amor incomensurável, é um senhor montão de coisas.

Se hoje dispomos de uma carta tão variada de gravações, e se todo violoncelista que se preza inclui as Suítes de Bach em seu repertório, nós o devemos a um cidadão chamado Pau Carles Salvador Casals i Defilló, catalão de nascimento, que ficou conhecido mundo afora como Pablo Casals.

Casals teve uma longa (96 anos!) e prolífica vida. Depois de estudar piano, violino e flauta, seu primeiro contato com o que deveria ser um violoncelo foi ao assistir um músico itinerante tocando um cabo de vassoura com cordas (!!). Depois de muito insistir com o pai, este lhe construiu um instrumento que tinha uma cabaça como caixa de ressonância (!!!). Foi só aos onze anos que viu um violoncelo de verdade, adquiriu um instrumento de criança e começou a estudá-lo a sério.

Aos treze anos, num sebo próximo ao porto de Barcelona, fez a descoberta mais importante de sua vida: uma surrada partitura das Suítes para violoncelo de Johann Sebastian Bach, até então largamente esquecidas e, se tanto, relegadas a meras peças de estudo. Casals passou os treze anos seguintes a estudá-las meticulosamente antes de criar a coragem de tocá-las em público pela primeira vez. Contrariamente ao costume da época, que era o de incluir em recitais apenas movimentos isolados das obras instrumentais de Bach, Casals fez questão de executar as Suítes integralmente, com todas as repetições indicadas pelo compositor. Ciente de que uma execução inteiramente satisfatória de tais obras geniais escapava à capacidade humana, o grande músico catalão relutou em gravá-las, e só o fez, finalmente, em 1936, quando já tinha sessenta anos.

Além da exigente carreira de solista e pedagogo, Casals ainda teve tempo de ser um ativo camerista (especialmente com o Trio Thibaud-Cortot-Casals), um ardente republicano, ferrenho opositor à ditadura de Francisco Franco, e compositor do Hino das Nações Unidas (com letra – vejam só – de W. H. Auden).

Do exílio voluntário, que prometera encerrar somente após a destituição de Franco, organizou um festival anual de música na cidade catalã de Prades/Prada de Conflent, cujos proventos destinou a um hospital para refugiados catalães espanhóis do regime fascista de Franco [moltes gràcies, David!]. Morreu em 1973, dois anos antes de Franco, e foi sepultado em Porto Rico, terra natal de sua mãe, onde vivera seus últimos anos.

Durante sua vida, Casals foi incensado como um músico de estirpe incomparável, acima de qualquer crítica. De fato, parece difícil criticar um cidadão tão talentoso e engajado, de vida tão longa e rica. No entanto, caem de tacape em cima destas gravações, acusando-as de mal articuladas, apressadas e, mesmo, bizarras. Com os ouvidos repletos de versões modernas, ainda mais aquelas em violoncelo barroco que costumam ser as minhas preferidas, meu primeiro veredito também não foi muito favorável. Durante um bom tempo pensei que a gravação de Casals fosse respeitada tão só pela reverência que bem cabia ao grande homem, como nome fundamental não só do instrumento como também da história de performance dessas obras que são o pináculo de seu repertório.

Pretendia, pois, postar esta versão também por reverência, interesse histórico e, dado seu pioneirismo, por achá-la adequada à abertura desta série. Ao escutá-la novamente, enquanto preparo esta postagem, eu me surpreendi ao apreciá-la. Por mais que o som de Casals não seja opulento, e em que pese a tecnologia de quase oitenta anos atrás, achei que a “abordagem rapsódica” alegada pelos críticos carrega também, entre evidentes deslizes, os frutos de muita musicalidade.

Infelizmente, o som deste álbum da EMI não tem a qualidade daquele lançado pela Naxos anos depois e que ouvi na FM Cultura de Dogville (nos tempos, claro, em que a emissora se prestava a radiodifundir algo de Bach). Se algum dia eu conseguir o álbum da Naxos, substituirei os links.

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

SEIS SUÍTES PARA VIOLONCELO SOLO, BWV 1007-1012

CD 01

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

 

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

CD 02

SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Pau CASALS, violoncelo
Gravado em 1936

Gràcies per tot!
Gràcies per tot!

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas – Vol. 10 – Koopman, Mertens, ABO, etc.

COMPACT DISC 1
“Preise, Jerusalem, den Herrn” BWV 119

1 Chorus: “Preise, Jerusalem, den Herrn”
2 Recitative (Tenor): “Gesegnet Land!”
3 Aria (Tenor): “Wohl dir, du Volk der Linden”
4 Recitative (Bass): “So herrlich stehst du, liebe Stadt!”
5 Aria (Alto): “Die Obrigkeit ist Gottes Gabe”
6 Recitative (Soprano): “Nun! wir erkennen es und bringen dir”
7 Chorus: “Der Herr hat Guts an uns getan”
8 Recitative (Alto): “Zuletzt!”
9 Chorale: “Hilf deinem Volk, Herr Jesu Christ”

“Ein Herz, das seinen Jesum lebend weiß” BWV 134
Easter Tuesday

10 Recitative (Tenor, Alto): “Ein Herz, das seinen Jesum lebend weiß”
11 Aria (Tenor): “Auf, Gläubige, singet die lieblichen Lieder”
12 Recitative (Dialogue: Tenor, Alto): “Wohl dir, Gott hat an dich gedacht”
13 Aria (Duet: Alto, Tenor): “Wir danken und preisen dein brünstiges Lieben”
14 Recitative (Tenor, Alto): “Doch wirke selbst den Dank in unserm Munde”
15 Chorus: “Erschallet, ihr Himmel”

“Sie werden euch in den Bann tun” BWV 44
Sunday after Ascension

16 Duet (Tenor, Bass): “Sie werden euch in den Bann tun”
17 Chorus: “Es kömmt aber die Zeit”
18 Aria (Alto): “Christen müssen auf der Erden”
19 Chorale: “Ach Gott, wie manches Herzeleid”
20 Recitative (Bass): “Es sucht der Antichrist”
21 Aria (Soprano): “Es ist und bleibt der Christen Trost”
22 Chorale: “So sei nun, Seele”

“Herr, wie du willt, so schicks mit mir” BWV 73
3rd Sunday after Epiphany

23 Chorus and recitative (T, B, S): “Herr, wie du willt, so schicks mit mir”
24 Aria (Tenor): “Ach, senke doch den Geist der Freuden”
25 Recitative (Bass): “Ach, unser Wille bleibt verkehrt”
26 Aria (Bass): “Herr so du willt”
27 Chorale: “Das ist des Vaters Wille”

COMPACT DISC 2

“O Ewigkeit, du Donnerwort” BWV 20
1st Sunday after Trinity

01 Chorale: “O Ewigkeit, du Donnerwort”
02 Recitative (Tenor): “Kein Unglück ist in aller Welt zu finden”
03 Aria (Tenor): “Ewigkeit, du machst mir bange”
04 Recitative (Bass): “Gesetzt, es daurte der Verdammten Qual”
05 Aria (Bass): “Gott ist gerecht in seinen Werken”
06 Aria (Alto): “O Mensch, errette deine Seele”
07 Chorale: “Solang ein Gott im Himmel lebt”
08 Aria (Bass): “Wacht auf, wacht auf, verloren Schafe”
09 Recitative (Alto): “Verlaß, o Mensch! die Wollust dieser Welt”
10 Aria (Duet: Alto,Tenor): “O Menschenkind”
11 Chorale: “O Ewigkeit, du Donnerwort”

“Ach Gott, vom Himmel sieh darein” BWV 2
2nd Sunday after Trinity

12 Chorus: “Ach Gott, vom Himmel sieh darein”
13 Recitative (Tenor): “Sie lehren eitel falsche List”
15 Recitative (Bass): “Die Armen sind verstört”
16 Aria (Tenor): “Durchs Feuer wird das Silber rein”
17 Chorale: “Das wollst du, Gott, bewahren rein”

“Nimm von uns, Herr, du treuer Gott” BWV 101
10th Sunday after Trinity

18 Chorus: “Nimm von uns, Herr du treuer Gott”
19 Aria (Tenor): “Handle nicht nach deinen Rechten”
20 Recitative and chorale (Soprano): “Ach! Herr Gott, durch die Treuedein”
21 Aria (Bass): “Warum willst du so zornig sein?”
22 Recitative and chorale (Tenor): “Die Sünd hat uns verderbet sehr”
23 Aria (Duet: Soprano, Alto): “Gedenk an Jesu bittern Tod”
24 Chorale: “Leit uns mit deiner rechten Hand”

COMPACT DISC 3

“Schmücke dich, o liebe Seele” BWV 180
20th Sunday after Trinity

01 Chorus: “Schmücke dich, o liebe Seele”
02 Aria (Tenor): “Ermuntre dich: dein Heiland klopft”
03 Recitative (Soprano) and chorale: “Wie teuer sind des heilgen Mahles Gaben!”
04 Recitative (Alto): “Wein Herz fühlt in sich Furcht und Freude”
05 Aria (Soprano): “Lebens Sonne, Licht der Sinnen”
06 Recitative (Bass): “Herr, laß an mir dein treues Lieben”
07 Chorale: “Jesu, wahres Brot des Lebens”

“Herr Gott, dich loben alle wir” BWV 130
Michaelmas

08 Chorus: “Herr Gott, dich loben alle wir”
09 Recitative (Alto): “Ihr heller Glanz und hohe Weisheit zeigt”
10 Aria (Bass): “Der alte Drache brennt vor Neid”
11 Recitative (Duet: Soprano, Tenor): “Wohl aber uns”
12 Aria (Tenor): “Laß, o Fürst der Cherubinen”
13 Chorale: “Darum wir billig loben dich”

“Die Zeit, die Tag und Jahre macht” BWV 134a
Tribute to the princely house of Anhalt-Cöthen, New Year 1719

14 Recitative (Tenor, Alto): “Die Zeit, die Tag und Jahre macht”
15 Aria (Tenor): “Auf, Sterbliche, lasset ein Jauchzen ertönen”
16 Recitative (Tenor, Alto): “So bald, als dir die Sternen hold”
17 Aria (Duet: Tenor, Alto): “Es streiten, es prangen”
18 Recitative (Tenor, Alto): “Bedenke nur, beglücktes Land”
19 Aria (Alto): “Der Zeiten Herr hat viel vergnügte Stunden”
20 Recitative (Tenor, Alto): “Hilf, Höchster, hilf”
21 Aria (Tenor, Alto) and chorus: “Ergötzet auf Erden”

CAROLINE STAM soprano
MICHAEL CHANCE alto
PAUL AGNEW tenor
KLAUS MERTENS bass
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas – Vol. 9 – Koopman, Mertens, ABO, etc.

“The ninth volume of this complete recording of Bach’s cantatas continues the series of cantatas from the first Leipzig cycle. Cantata 173a is the sole exception: a secular cantata composed by Bach at Cöthen, it was reworked as a church cantata (BWV 173) for the first Leipzig cycle and is included in Volume 7 (CD 3). BWV 66 is also based on an original work from Bach’s Cöthen period.”

 

COMPACT DISC 1
19th Sunday after Trinity

01 Chorus: “Ich elender Mensch”
02 Recitative (Alte): “O Schmerz, o Elend”
03 Chorale: “Solls ja so sein”
04 Aria (Alto): “Ach lege das Sodom der sündlichen Glieder”
05 Recitative (Tenor): “Hier aber tut des Heilands Hand”
06 Aria (Tenor): “Vergibt mir Jesus meine Sünden”
07 Chorale: “Herr Jesu Christ, einiger Trost”

“Mein liebster Jesus ist verloren” BWV 154
1st Sunday after Epiphany

08 Aria (Tenor): “Mein liebster Jesus ist verloren”
09 Recitative (Tenor): “Wo treff ich meinen Jesum an”
10 Chorale: “Jesu, mein Hort und Erretter”
11 Aria (Alto): “Jesu, laß dich finden”
12 Arioso (Bass): “Wisset ihr nicht”
13 Recitative (Tenor): “Dies ist die Stimme meines Freundes”
14 Aria (Duet: Alto, Tenor): “Wohl mir, Jesus ist gefunden”
15 Chorale: “Meinen Jesum laß ich nicht”

“Warum betrübst du dich, mein Herz?” BWV 138
15th Sunday after Trinity

16 Chorus and Recitative (Alto): “Warum betrübst du dich, mein Herz?”
17 Recitative (Bass, Soprano, Alto) and Chorale: “Ich bin veracht”
18 Recitative (Tenor): “Ach süßer Trost!”
19 Aria (Bass): “Auf Gott steht meine Zuversicht”
20 Recitative (Alto): “Ei nun!”
21 Chorale: “Weil du mein Gott und Vater bist”

“Durchlauchtster Leopold” BWV 173a
For the birthday of Leopold of Anhalt-Köthen

22 Recitative (Soprano): “Durchlauchtster Leopold”
23 Aria (Soprano): “Güldner Sonnen frohe Stunden”
24 Aria (Bass): “Leopolds Vortrefflichkeiten”
25 Aria (Soprano, Bass): “Unter seinem Purpursaum”
26 Recitative (Soprano, Bass): “Durchlauchtigster, den Anhalt Vater nennt”
27 Aria (Soprano): “So schau dies holden Tages Licht”
28 Aria (Bass): “Dein Name gleich der Sonnen geh”
29 Chorus (duet: Soprano, Bass): “Nimm auch, großer Fürst”

COMPACT DISC 2

Wer da gläubet und getauft wird” BWV 37
Ascension – Himmelfahrt

01 Chorus: “Wer da gläubet und getauft wird”
02 Aria (Tenor): “Der Glaube ist das Pfand der Liebe”
03 Chorale (Soprano, Alto): “Herr Gott Vater, mein starker Held”
04 Recitative (Bass): “Ihr Sterblichen”
05 Aria (Bass): “Der Glaube schafft der Seele Flügel”
06 Chorale: “Den Glauben mir verleihe” 1’01

“Schau, lieber Gott wie meine Feind” BWV 153 13’03
Sunday after New Year

07 Chorale: “Schau, lieber Gott, wie meine Feind”
08 Recitative (Alto): “Mein liebster Gott”
09 Arioso (Bass): “Fürchte dich nicht, ich bin mit dir”
10 Recitative (Tenor): “Du sprichst zwar, lieber Gott”
11 Chorale: “Und ob gleich alle Teufel”
12 Aria (Tenor): “Stürmt nur, stürmt, ihr Trübsalswetter”
13 Recitative (Bass): “Getrost! mein Herz”
14 Aria (Alto): “Soll ich meinen Lebenslauf”
15 Chorale: “Drum will ich, weil ich lebe noch” l’20

“Wo gehest du hin?” BWV 166
4th Sunday after Easter

16 Aria (Bass): “Wo gehest du hin?”
17 Aria (Tenor): “Ich will an den Himmel denken”
18 Chorale (Soprano): “Ich bitte dich, Herr Jesu Christ”
19 Recitative (Bass): “Gleichwie die Regenwasser bald verfließen”
20 Aria (Alto): “Man nehme sich in acht”
21 Chorale: “Wer weiß, wie nahe mir mein Ende” 1’00

“Wahrlich, wahrlich, ich sage euch” BWV 86
Rogation Sunday

22 Arioso (Bass). “Wahrlich, wahrlich, ich sage euch”
23 Aria (Alto): “Ich will doch wohl Rosen brechen”
24 Chorale (Soprano): “Und was der ewig gütig Gott”
25 Recitative (Tenor): “Gott macht es nicht gleichwie die Welt”
26 Aria (Tenor): “Gott hilft gewiß”
27 Chorale: “Die Hoffnung wart der rechten Zeit” 0’56

“Wachet! betet! betet! wachet!” BWV 70
26th Sunday after Trinity

28 Chorus: “Wachet! betet! betet! wachet!”
29 Recitative (Bass): “Erschrecket, ihr verstockten Sünder!”
30 Aria (Alto): “Wenn kommt der Tag, an dem wir ziehen”
31 Recitative (Tenor): “Auch bei dem himmlischen Verlangen”
32 Aria (Soprano): “Laßt der Spötter Zungen schmähen”
33 Recitative (Tenor): “Jedoch bei dem unartigen Geschlechte”
34 Chorale: “Freu dich sehr, o meine Seele”
35 Aria (Tenor): “Hebt euer Haupt empor”
36 Recitative (Bass) and Chorale: “Ach, soll nicht dieser große Tag”
37 Aria (Bass): “Seligster Erquickungstag”
38 Chorale: “Nicht nach Welt, nach Himmel nicht” 0’45

COMPACT DISC 3 

“Erfreut euch, ihr Herzen” BWV 66
Easter Day 2

01 Chorus: “Erfreut euch, ihr Herzen”
02 Recitative (Bass): “Es bricht das Grab”
03 Aria (Bass): “Lasset dem Höchsten ein Danklied erschallen”
04 Recitative and Arioso (Alto, Tenor): “Bei Jesu Leben freudig sein”
05 Duetto (Alto, Tenor): “Ich furchte zwar des Grabes Finsternissen”
06 Chorale: “Alleluja!”

“Höchsterwünschtes Freudenfest” BWV 194
Dedication of the organ at Störmthal near Leipzig

07 Chorus: “Höchsterwünschtes Freudenfest”
08 Recitative (Bass): “Unendlich großer Gott”
09 Aria (Bass): “Was des Höchsten Glanz erfüllt”
10 Recitative (Soprano): “Wie könnte dir, du höchstes Angesicht”
11 Aria (Soprano): “Hilf Gott, daß es uns gelingt”
12 Chorale: “Heilger Geist ins Himmels Throne”
13 Recitative (Tenor): “Ihr Heiligen, erfreuet euch”
14 Aria (Tenor): “Des Höchsten Gegenwart allein”
15 Recitative (Bass, Soprano): “Kann wohl ein Mensch zu Gott im Himmel steigen?”
16 Aria (Soprano, Bass): “O wie wohl ist uns geschehn”
17 Recitative (Bass): ‘Wohlan demnach, du heilige Ge meine” 0’45
18 Chorale: “Sprich Ja zu meinen Taten”

SIBYLLA RUBENS CAROLINE STAM (BWV 138) LISA LARSSON (BWV 173a) soprano
BERNHARD LANDAUER alto
CHRISTOPH PRÉGARDIEN tenor
KLAUS MERTENS bass

THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

J.S. Bach (1685-1750): Orchestral Transcriptions by Leopold Stokowski (1882-1977)

J.S. Bach (1685-1750): Orchestral Transcriptions by Leopold Stokowski (1882-1977)

Olá pessoal voltei com mais este texto, que é o quinto, em que estamos homenageando a vida e obra do grande maestro Leopold Stokowski. Vamos voltar aos idos e turbulentos anos que compreendem 1912 até 1920. Leopold e sua esposa Olga passaram os verões de 1912, 1913 e 1914 em uma casa nos subúrbios de Munique, onde ele iniciou suas primeiras transcrições orquestrais de Bach. Músicos estavam por toda parte na Baviera durante os meses de verão naqueles anos. Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Ferdinand, herdeiro do trono austro-húngaro, foi assassinado, provocando a grande guerra duas semanas depois. Olga e Leopold tiveram uma fuga angustiante, levando apenas algum dinheiro e a partitura da Sinfonia nº 8 de Mahler na mala. Em 1914, Stokowski solicitou cidadania americana recebendo-a em 1915.

Stokowski com a Mary Louise Bok e Edward Bok antes de 1920

Um importante trunfo para o maestro durante a maior parte de seus anos na américa e em particular na Filadélfia não foi apenas os inúmeros admiradores fervorosos que ele atraiu por seu estilo, carisma e boa musicalidade, mas também por seus principais apoiadores. O maior mecenas foi Edward Bok fundamental no apoio financeiro para expandir a orquestra, dar tranquilidade ao maestro para ensaiar além da importante autonomia para escolher o repertório, realizar seus ensaios e seus programas.
Então, em 1917, ocorreria um evento que marcaria a carreira de Leopold Stokowski. Na quarta-feira, 24 de outubro de 1917, Stokowski e a Orquestra da Filadélfia fizeram suas primeiras gravações fonográficas. Eram as Danças Húngaras Brahms número 5 e 6, orquestradas por Albert Parlow. Estes foram os primeiros de mais de 450 lados de gravações acústicas em 78 RPM que Stokowski e a Orquestra fizeram para Victor. As gravações de Stokowski e da Orquestra da Filadélfia foram as primeiras gravações de Victor de uma orquestra sinfônica completa. To be continued…..A capa deste disco é o retrato mais estranho de Stokowski que eu já vi. Foi feito em 1934 por Dorothy Brett. Ela chamou de “Invocação”. Stokowski parece em êxtase como se estivesse participando de um encontro de terceiro grau ou algo parecido (mais apropriado para a capa da revista UFO), porém, contudo, no entanto, se você necessita de algum tipo de prova mostrando que Stokowski atingiu seu ápice sonoro através de algum tipo de poder oculto, este é o retrato certo. Confesso que gostei um “cadinho”, é estranho, mas charmoso.

Leopold Stokowski era um organista antes de ser um maestro e Bach era seu compositor favorito. Portanto, não é de surpreender que, ao longo de sua carreira como regente, Stokowski tenha escolhido transcrever muitas das composições de Bach para orquestra. Criando uma tendência que ficou muito popular: a de maestros transcreverem obras para grande orquestra, na maioria das vezes o pessoal do barroco soa como Tchaikovsky, desvirtuando totalmente do original. Virou modismo na época. Inicialmente, alguns críticos sentiram que Stokowski estava profanando a música de Bach. Mas, ao longo dos anos, as notáveis transcrições de Bach de Stokowski ganharam considerável respeito e vários outros maestros agora as executam. Mas ninguém fez essas transcrições com tanto conhecimento como Stokowski, as gravações deste ábum ilustram brilhantemente. Ouvindo essas peças, você reconhece que o maestro manjava muito das obras para órgão e com criatividade as reescreveu. Este foi o instrumento original de Stokowski quando ele migrou para os Estados Unidos. Naqueles primeiros anos ele frequentemente transcrevia música orquestral para o órgão. Quando veio fazer o contrário, Stokowski criou um som parecido com um órgão só que para orquestra.

Stokowski e a moçada da AAYO em 1941

O que é realmente surpreendente sobre este disco é que, em pouco tempo, Stokowski transformou este jovem conjunto em uma orquestra profissional a “All-American Youth Orchestra” (“Lado A” e Faixa 17 do “Lado B”). Ao longo dos anos, esse período na carreira de Stokowski foi lamentavelmente negligenciado. Stoki gravou a maioria dessas peças no início dos anos 1930, a Orquestra Juvenil oferece uma ou duas cargas adicionais de adrenalina … bem … o brio da juventude, obviamente respondendo com entusiasmo as indicações do maestro. Apesar de algumas sobrecargas nas passagens do fortíssimo e tutti, as gravações soam notavelmente boas. A conhecida “Toccata e Fuga em Re menor” pode ser ouvida com grau de comprometimento mefistofélico dos músicos. “Ein Feste Burg” soa realmente grandioso. A “Passacaglia e a Fuga”, que conclui o programa, também alcançam uma estatura colossal. Era uma cultura musical mais animada naqueles dias inebriantes da primeira metade do século XX. Assim como no post anterior das transcrições de Wagner o pessoal que curte mais a fidelidade das execuções com instrumentos de época podem não gostar, mas não podemos negar a propriedade e autenticidade das transcrições de Stokowski. As gravações estão divididas em “Lado A” com a sonoridade melhor e “Lado B” com o ruído da matriz as vezes atrapalhando muito. De quebra podemos comparar algumas transcrições de Bach que se tornaram febre entre os maestros e compositores na época. Nas faixas de 18 a 23 são gravações mais modernas e sem ruído, são as transcrições de John Barbirolli (1899-1970) faixas18 e 19, Lucien Caillet (1891-1985) faixa 20, Frederick Stock (1872-1942) faixa 21 e Ottorino Respighi (1879-1936) faixa 22.

Vamos colocar as cartas na mesa, sendo sincerão: este disco é principalmente para os aficionados na arte de Stokowski. Quem gosta do Bach “raiz” pode atirar várias pedras. Mas eu acredito que a música clássica teve relativa popularidade na primeira metade do século XX nos EUA por iniciativas como as que Stokowski fez, alterando o original para agradar as massas.

Lado A
J. S. BACH – Orchestral Transcriptions
All-American Youth Orchestra
Por Leopold Stokowski, gravações feitas entre 1931 – 1950

1 – Toccata and Fugue in D Minor
2 – Ein’ feste Burg
3 – Schmelli Song Book BWV 487: Mein Jesu
4 – Little Fugue in G Minor BWV 578
5 – Schmelli Song Book BWV 478: Komm susser Tod
6 – Orchestral Suite No. 3 BWV 1068: Air on the G String
7 – Violin Partita No. 3 BWV 1006: Preludio in E
8 – Cantata No. 156: Arioso
9 – The Well-Tempered Clavier: Prelude in E-Flat Minor
10 – Violin Sonata No. 3 BWV 1003: Andante Sostenuto
11 – Passacaglia and Fugue in C Minor BWV 582

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Lado B
J. S. BACH – Orchestral Transcriptions

Por Leopold Stokowski, gravações Victor 78rpm (faixas 1 a 17)
1 – Chaconne
The Philadelphia Orchestra
Recorded November 30, 1934

2 – Chorale Prelude, “Nun komm der Heiden Heilend”
The Philadelphia Orchestra
Recorded April 7, 1934

3 – Adagio from Toccata in C Minor
The Philadelphia Orchestra
Recorded October 28, 1933

4 – Siciliano (From C Minor Sonata for Violin and Cembalom)
The Philadelphia Orchestra
Recorded October 28, 1933

5 – Komm Süsser Tod (Come Sweet Death) (From “Geistliche Lieder”)
The Philadelphia Orchestra
Recorded October 28, 1933

6 – Sarabande (From Third English Suite for Piano)
The Philadelphia Orchestra
Recorded April 7, 1934

7 – Passacaglia and Fugue in C Minor
The Philadelphia Orchestra
Recorded November 16, 1936

8 – My Soul is Athirst (From Passion according to St. Matthew)
The Philadelphia Orchestra
Recorded November 28, 1936

9 – My Jesus in Gethsemane
The Philadelphia Orchestra
Recorded November 28, 1936

10 – Chorale from Easter Cantata (No. 4 “Christ lag im Todesbanden”)
The Philadelphia Orchestra
Recorded April 4, 1931

11 – Sarabande (from Partita No. 1, in B Minor)
The Philadelphia Orchestra
Recorded November 16, 1936

12 – Sonata in E-flat Major for Pedal Clavier; First Movement
(No. 1 of Six Sonatas composed for Wilhelm Friedemann Bach)
The Philadelphia Orchestra
Recorded in 1936

13 – PALESTRINA: Adoramus Te
The Philadelphia Orchestra
Recorded November 12, 1934

14 – Ich ruf’ zu Dir, Herr Jesu Christ (Chorale Prelude)
The Philadelphia Orchestra
Recorded in November 27, 1939

15 – Prelude and Fugue in E Minor (No. 3 of Acht kleine Praeludium und Fugen, for Organ)
The Philadelphia Orchestra
Recorded in December 12, 1937

16 – St. John Passion: No. 58, Es ist Vollbracht (All is Fullfilled)
The Philadelphia Orchestra
Recorded in October 22, 1934

17 – Passacaglia and Fugue in C Minor
The All-American Orchestra
Recorded July 4, 1941

Por JOHN BARBIROLLI, gravações Columbia 78rpm (faixas 18 e 19)
18 – Sheep May Safely Graze (From “The Birthday Cantata”)
New York Philhamonic
John Barbirolli, conductor
Recorded November 16, 1940

Por DIMITRI MITROPOULOS, gravações Columbia 78rpm (faixa 19)
19 – Fantasia and Fugue in G Minor (Peters Vol. II, No. 4)
Minneapolis Symphony Orchestra
Dimitri Mitropoulos, conductor
Recorded in 1942

Por LUCIEN CAILLET gravações Columbia 78rpm (faixa 20)
20 – Fugue in G Minor
Pittsburgh Symphony Orchestra
Fritz Reiner, conductor
Recorded in 1946

Por FREDERICK STOCK gravações Victor 78rpm (faixa 21)
21 – Prelude and Fugue in E-flat Major (St. Anne)
Chicago Symphony Orchestra
Frederick Stock, conductor
Recorded Dec. 22, 1941

Por HERMAN BOESSENROTH gravações Columbia 78rpm (faixa 22)
22 – Chorale-Prelude, “Wir glauben all’ an einen Gott” (Peters Vol. VII, No. 60)
Minneapolis Symphony Orchestra
Dimitri Mitropoulos, conductor

Por OTTORINO RESPIGHI gravações Victor 78rpm (faixa 23):
23 – Passacaglia and Fugue in C Minor
San Francisco Symphony Orchestra
Pierre Monteux, conductor
Recorded in 1949

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

A cara das transcrições

Ainda mais Cordas: o Chitarrone (Johann Sebastian Bach – Três Suítes para violoncelo solo tocadas no chitarrone – Juan Carlos Rivera)

61g4CAY4J2LMantendo firme nossa tradição de publicar a cada sexta-feira uma nova gravação das inestimáveis Suítes para violoncelo solo de Johann Sebastian Bach, e enquanto prometemos material para pelo menos mais oitenta sextas-feiras, trazemos ao PQP Bach um instrumento que, provavelmente, seja desconhecido para a maior parte de vocês: o chitarrone.

Ok, talvez seja desconhecido só pelo nome: o chitarrone é essencialmente o mesmo que uma tiorba/teorba. A principal diferença é que, assim como a tiorba é o alaúde baixo, o chitarrone é o baixo de uma guitarra italiana – aquela com a caixa de ressonância convexa, diferentemente da espanhola, que tem o fundo chato. Depois de um longo período como sinônimos (o frontispício de algumas obras indicava-as para “Chitarone, ò Tiorba che si dica”), com alguns estultos piorando ainda mais a confusão ao chamarem o chitarrone de “teorbo italiano”, o termo tiorba/teorba foi ganhando preferência e chitarrone/guitarrón/guitarrão acabou denominando instrumentos completamente diferentes.

O espanhol Juan Carlos Rivera toca o que, definitivamente, é um chitarrone, pois foi assim assinado por seu luthier, de timbre delicado como o do alaúde. Talvez lhe faltasse intensidade para uma suíte clamorosa como, por exemplo, a sexta em Ré maior, mas nestas três primeiras o resultado é muito bonito. Silenciem o recinto, ponham as crianças e o gato (a não ser que se aquietem!) para fora da sala, e caprichem no volume.

Johann Sebastian Bach – Suites BWV 1007, 1008, 1009 
Juan Carlos Rivera, Chitarrone

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Suíte no. 2 em Ré menor, BWV 1008

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I-II
06 – Gigue

Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I-II
12 – Gigue

Suíte no. 3 em Dó menor, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I-II
18 – Gigue

Juan Carlos Rivera, chitarrone

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Este no, ¡gracias!
Este no, ¡gracias!

 

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Trio Sonatas para Órgão a 2 Clav. & Pedal – BWV 525-530

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Trio Sonatas para Órgão a 2 Clav. & Pedal – BWV 525-530

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sabem que, no início do século XX, estas obras eram consideradas como, talvez, as melhores de todos os tempos? Pois é, depois, assim como o órgão (falo daquele instrumento das igrejas), estas obras foram sumindo do repertório e até dentre as maiores obras de Bach. Uma injustiça completa, porque são música de primeiríssima linha, melhores do que muitas peças mais consideradas.

E que estão aqui interpretadas fantasticamente pelo genial e compreensivo Benjamin Alard, que dá uma banho nas velhas gravações. Coitados dos meus vinis de Helmut Walcha, melhor jogá-los logo no lixo. (Alguém tem que trabalhar pela música e não por uma secundária História das Gravações, né?)

Originária da Itália, a trio sonata se impôs como uma das principais formas musicais do século XVIII. Formalizado por movimentos nitidamente contrastantes por Corelli, seduziu compositores que encontravam nele meios para desenvolver suas idéias temáticas e se libertar da estrutura do conjunto de danças em um novo espírito estético, o da música de câmara. Normalmente, a trio sonata era composta e executada por pelo menos três músicos — duas vozes e contínuo. Bach, no entanto, nunca fazia as coisas como os outros, e compôs uma série de seis sonatas para o órgão, — dois teclados e pedais — adaptando o estilo da música de câmara a este instrumento de igreja por excelência.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Trio Sonatas para Órgão a 2 Clav. & Pedal – BWV 525-530

Sonata 1, Mi Bémol Majeur, BWV 525 (11:57)
1 – 3:16
2 Adagio 4:42
3 Allegro 3:59

Sonata 2, Do Mineur, BWV 526 (13:09)
4 Vivace 4:18
5 Largo 3:54
6 Allegro 4:56

Sonata 3, Ré Mineur, BWV 527 (13:43)
7 Andante 5:32
8 Adagio E Dolce 3:41
9 Vivace 4:30

Sonata 4, Mi Mineur, BWV 528 (12:20)
10 Adagio – Vivace 3:18
11 Andante 6:06
12 Un Poco Allegro 2:56

Sonata 5, Do Majeur, BWV 529 (15:34)
13 Allegro 5:40
14 Largo 5:50
15 Allegro 4:04

Sonata 6, Sol Majeur, BWV 530 (12:50)
16 Vivace 4:28
17 Lento 4:19
18 Allegro

Organ – Benjamin Alard

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Benjamin Alard: deixa o homem trabalhar porque ele sabe o que faz

PQP

Ainda mais Cordas: o Cimbalom (Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Variações Goldberg em dulcimers – Szakály – Farkas)

151Achar um nome inambíguo em português para este instrumento é um pouquinho complicado. Seu nome húngaro (cimbalom) remete tanto ao italiano cembalo (“cravo”, coisa que ele não é) quanto ao grego “kymbalon” (“pratos” de percussão – não, tampouco). Há quem o chame de “cítara”, com a qual guarda semelhança superficial, mas esta se toca com plectros. Em inglês, ele é chamado de “Hungarian hammered dulcimer”, porque é um dulcimer (que, por sua vez, deriva do saltério através do santur persa) cujas cordas são percutidas com baquetas. Um cimbalom, pois, vem a ser um dulcimer de concerto, do tamanho de um piano pequeno, apoiado em quatro pés, com extensão maior e um pedal de abafamento. Independentemente do nome que lhe escolhamos, ele é essencial à música de várias regiões da Europa Central e fundamental à música folclórica húngara, de tal maneira que há uma cátedra de cimbalom na conceituada Academia de Música Ferenc Liszt em Budapest, onde se formaram e lecionam as duas musicistas que ouvirão nesta gravação.

Sim, o cabeludo sentado é Liszt
Sim, o cabeludo sentado é Liszt

Se tocar as Goldberg em qualquer instrumento é uma temeridade considerável, abrir mão do conforto das teclas e tocar esta obra-prima com baquetas parece-me insano. Claro que a gente não pode esperar um produto semelhante ao de uma gravação feita ao teclado, e que as variações mais rápidas escancaram as grandes dificuldades de articulação que o cimbalom traz ao executante. Ainda assim, nem que pelo inusitado, é um CD muito interessante.

Recomendo fortemente aos que forem a Budapest que garimpem o acervo da Hungaroton local, repleto de pérolas que, uma a uma, deixarei por aqui – e que esqueçam o sítio internacional, a não ser que dominem o diabólico magiar!

JOHANN SEBASTIAN BACH – GOLDBERG-VARIATIONEN ON TWO CIMBALOMS
ÁGNES SZÁKALY – RÓZSA FARKAS

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Ária com diversas Variações para cravo com dois manuais, BWV 988, “Variações Goldberg”

01 – Aria
02 – Variação no. 1 a 1 Clav.
03 – Variação no. 2 a 1 Clav.
04 – Variação no. 3 a 1 Clav. – Canone All’Unisuono
05 – Variação no. 4 a 1 Clav.
06 – Variação no. 5 a 1 ovvero 2 Clav.
07 – Variação no. 6 a 1 Clav. – Canone alla Seconda
08 – Variação no. 7 a 1 ovvero 2 Clav.
09 – Variação no. 8 a 2 Clav.
10 – Variação no. 9 a 1 Clav. – Canone alla Terza
11 – Variação no. 10 a 1 Clav. – Fughetta
12 – Variação no. 11 a 2 Clav.
13 – Variação no. 12 – Canone alla Quarta
14 – Variação no. 13 a 2 Clav.
15 – Variação no. 14 a 2 Clav.
16 – Variação no. 15 a 1 Clav. – Canone alla Quinta – Andante
17 – Variação no. 16 – Ouverture a 1 Clav.
18 – Variação no. 17 a 2 Clav.
19 – Variação no. 18 a 1 Clav. – Canone alla Sesta
20 – Variação no. 19 a 1 Clav.
21 – Variação no. 20 a 2 Clav.
22 – Variação no. 21 – Canone alla Settima
23 – Variação no. 22 a 1 Clav. – Alla Breve
24 – Variação no. 23 a 2 Clav.
25 – Variação no. 24 a 1 Clav. – Canone all’Ottava
26 – Variação no. 25 a 2 Clav.
27 – Variação no. 26 a 2 Clav.
28 – Variação no. 27 a  Clav. – Canone alla Nona
29 – Variação no. 28 a 2 Clav.
30 – Variação no. 29 a 1 ovvero 2 Clav.
31 – Variação no. 30 a 1 Clav. – Quodlibet
32 – Aria da capo

Ágnes Szákaly e Rózsa Farkas, cimbaloms

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Uma graciosa dulcimerista (ou cimbalomista) em ação
Uma graciosa dulcimerista (ou cimbalista) em ação

 

Vassily Genrikhovich

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach

“Six Concerts avec plusieurs instruments”

 

Como todas as atividades humanas, a vida de blogueiro, especialmente de blogueiro de música clássica, gera ansiedade e envolve riscos. Ah, mas se assim não fosse, que graça teria? Vocês não imaginam o que é escolher uma peça para a postagem, depois a gravação, o que dizer, o que não dizer na redação do texto? Cada uma destas etapas levanta enormes considerações, intranquilidades muitas. Será que a gravação já foi postada antes? Alguém já escreveu aquela frase que você só conseguiu alinhavar depois de muitas folhas de rascunho rabiscadas e várias xícaras de café? O que dirão da sua escolha, os venerandos pares, que ajudam a fazer singrar esta nossa nau musical? Provavelmente estarão tão atarefados com as suas próprias considerações e obrigações que não terão tempo de verificar as patuscadas dos outros. Mas vai que…

E vocês podem imaginar meus sobressaltos ao escolher obra tão icônica como este conjunto de concertos do nosso compositor mor. Mas, creiam, assim que ouvi o álbum pela primeira vez, decidi: vou postar! Este aqui é preciso dividir com nossos seguidores.

Bach, quando jovem…

Todos já devem saber da história, mas aqui vai a minha versão. Bach compilou este conjunto de seis (número mágico para as coleções de obras musicais) concertos e na primavera de 1721 os dedicou ao Margrave de Brandenburgo, com a clara intensão de conseguir uma posição na corte. Portanto, o conjunto foi compilado para exibir os seus talentos e sua inventividade. É incrível a variedade de instrumentos usados, a energia que cada uma destas peças demanda de seus intérpretes e contagia as plateias que tiverem a sorte de ouvi-los. A forte presença de instrumentos de sopros é uma clara preferência germânica. Como nos explica Karl Geiringer, nos concertos Nos 1, 3 e 6, a orquestra é composta de coros instrumentais uniformemente equilibrados que lançam os temas de uns para os outros em encantadora conversação, só ocasionalmente destacando um único instrumento saído do meio de todos eles. Estes concertos evocam as canzonas venezianas, com seus coros instrumentais contrastantes. Os outros três concertos, Nos. 2, 4 e 5, têm as cordas acompanhantes, os ripieni, defrontando-se com o concertino, consistindo de três ou quatro instrumentos solistas. São do tipo concerti grossi. Além disso, neste concertino há um instrumento protagonista e condutor, cuja parte é mais brilhante e tecnicamente mais exigente.

O cravo saiu do anonimato do baixo contínuo para revelar-se um maravilhoso instrumento solista no Concerto No. 5. No Concerto No. 2, uma flauta e um trompete roçam ombros ao lado do oboé e um violino como solistas. Fechando o cortejo, o Concerto No. 6 é só para cordas e um cravo. E cordas graves, duas violas, duas violas da gamba, acompanhadas de violoncelo, cravo e um ‘violone’.

Pois se o Margrave não contratou Bach, pior para ele. As partituras dos concertos acabaram tomando poeira nas prateleiras da biblioteca, foram vendidas por uma ninharia, mas chegaram até nós e perfazem uma das coleções de obras mais gravadas de que se tem notícia. Nem as ‘Quatro Estações’ são páreo para os ‘Brandenburgos’.

Rinaldo Alessandrini

Esta gravação, de que eu gostei tanto, não é unanimidade, mas foi bastante bem recebida pela crítica. Na minha opinião, conta a seu favor o fato de que cada ‘parte’ é tocada por apenas um instrumento, dando mais agilidade e transparência ao discurso musical. O tal andamento mais rápido, que é uma característica dos conjuntos italianos que adotam instrumentos e prática de época, é uma característica positiva para mim, mas pode causar franzir de testas e levantamento de sobrancelhas em outras fisionomias. Mas como diria o sábio e poeta, toda unanimidade é unânime.

Enfim, tenho certeza que esta gravação não o deixará indiferente e poderá ganhar espaço junto daquelas outras que você já considera como as suas preferidas. Pode até ser que ela já esteja lá…

De brinde, no primeiro disco há uma faixa com uma Sinfonia da Cantata 174, que é uma outra versão do Concerto No. 3, acrescentado de três oboés e duas trompas. No segundo disco, há uma faixa intitulada ‘Cadenza’ que é a versão original da cadência do Concerto No. 5.

Ao fazer a compilação dos concertos, Bach escreveu uma versão estendida da cadência, passando de 17 para 65 barras, que deu muito mais drama e virtuosismo ao concerto.

Concerto Italiano

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concertos de Brandenburgo

CD1

Concerto No. 1 em fá maior, BWV 1046

  1. […]
  2. Adagio
  3. Allegro
  4. Menuet

Concerto No. 2 em fá maior, BWV 1047

  1. […]
  2. Andante
  3. Allegro assai

Concerto No. 3 em sol maior, BWV 1048

  1. […]
  2. Adagio – Allegro

Cantata ‘Ich liebe den Höchsten von ganzen Gemüte’, BWV 174

  1. Sinfonia

CD2

Concerto No. 4 em sol maior, BWV 1049

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Presto

Concerto No. 5 em ré maior, BWV 1050

  1. Allegro
  2. Affettuoso
  3. Allegro
  4. Cadenza

Concerto No. 6 em si bemol maior, BWV 1051

  1. […]
  2. Adagio ma non tanto
  3. Allegro

Concerto Italiano

Rinaldo Alessandrino

Observação: os nomes dos específicos solistas em cada concerto podem ser encontrados em documentos tipo pdf anexados aos downloads.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 543 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 253 MB

Mais uma frase do erudito Karl Geiringer: ‘Até mesmo o estudioso de Bach, que espera a máxima variedade da obra do mestre, deve ficar surpreendido com a abundância de cenas cambiantes nessas joias musicais’.

Baixe a versão que mais seja adequada ao seu uso, flac ou mp3, e aproveite esta maravilha de música!

René Denon

PS: Se você entendeu a ideia da capa do disco, por favor, divida conosco…

 

J. S. Bach, Balbastre, F. Couperin, Daquin, Fischer, Händel, Rameau, D. Scarlatti: The Harmonious Blacksmith – Trevor Pinnock, cravo

J. S. Bach, Balbastre, F. Couperin, Daquin, Fischer, Händel, Rameau, D. Scarlatti: The Harmonious Blacksmith – Trevor Pinnock, cravo

Favourite Harpsichord Pieces

PERIGO!

Música altamente contagiante

Lidar com muito cuidado!

 

Este álbum deveria ser distribuído na saída das escolas, nas salas de espera de consultórios, nas filas para elevadores, nas travessias de barcas e ferryboats. Isto é pura propaganda!

Por favor, faça uma corrente, distribua esta postagem para mais dez pessoas e você alcançará a graça de ouvir música por muito, muito tempo!

Havia o cassette do álbum!

The Harmonious Blacksmith – Favourite Harpsichord Pieces são título e subtítulo do álbum. O Ferreiro Harmonioso é o nome da peça que inicia o disco e consiste de tema e cinco variações, o último movimento da Suite No. 5, em mi maior, HWV 430, que de tão bonito ganhou carreira solo. Outra peça favorita de quem quer que a ouça é Les baricades mistérieuses, de François Couperin. Com um nome assim misterioso e uma melodia que gruda na gente para toda a vida, é um hit das paradas de sucesso de música barroca desde que foi composta.

E o Concerto Italiano? Bach gostava tanto dos concertos de Vivaldi que fez um só para tocar para as pessoas que o iam visitar. Ele dizia: Ah, o roter Priester, ele é assim…. E aí, tocava o Concerto Italiano.

Foca na Música!

O som do disco? Bem, como eu diria? Ressonante! Um amigo me disse que este disco foi gravado em algum banheiro. Mas, quem liga para isto? Foca na música! A música é tão boa de se ouvir.

Tem as duas contrastantes sonatinhas de Scarlatti, com seu ares de Espanha. Tem a Le coucou (cuco!), do Daquin, e também La Suzanne, do Balbastre. E mais umas outras peças marcantes do repertório para cravo.

Trevor Pinnock estudou cravo no London’s Royal College of Music e lhe disseram que ele nunca ganharia a vida tocando instrumento tão arcano. Ele queimou a predição quase de saída, tornando-se o cravista da veneranda Academy of St. Martin-in-the-Fields. Em 1972 criou The English Concert, e começaram a se apresentar em festivais onde encontraram um big shot da Archiv Produktion. Tiveram que ralar com o cara por uns quatro anos antes do primeiro contrato de gravação. Depois, só sucesso. Pinnock continuou como regente do grupo por uns trinta anos.

Pelas entrevistas que andei lendo e pelas gravações que continuam a aparecer, podemos deduzir que Pinnock é um excelente músico e parece ótimo sujeito. Dividindo seu tempo como regente e solista, Pinnock continua bastante ativo. Sua segunda gravação das Partitas para Cravo de Bach é excelente, assim como um disco intitulado Journey, que reúne música para cravo cobrindo um longo período. Ele está a caminho de realizar um de seus grandes desejos, gravando os dois livros do Cravo Bem Temperado, antes de chegar aos 80 anos. Como ele diz, é uma questão de força de vontade: acordar cedo, praticar os Prelúdios e Fugas e depois brincar com o neto.

Georg Frideric Handel (1685 – 1759)

  1. Aria e variações “The Harmonious Blacksmith”

Johann Caspar Fischer (1656 – 1746)

  1. Passacaglia da Suíte “Urania”, para cravo, em ré menor

François Couperin (1668 – 1733)

  1. Les baricades mistérieuses

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

  1. Concerto Italiano, BWV 971

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

  1. Gavotte (com 6 Doubles), em lá menor

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata para cravo em mi maior, K. 380
  2. Sonata para cravo em mi maior, K. 381

Joseph-Hector Fiocco (1703 – 1741)

  1. Adagio em sol maior, Da Suíte No. 1, Op. 1

Louis-Claude Daquin (1694 – 1772)

  1. Le coucou

Claude-Béninge Balbastre (1724 – 1799)

  1. La Suzanne

Trevor Pinnock, cravo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 357 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 120 MB

Trevor, de bem com a vida!

Aproveite, baixe, desfrute e divulgue!

René Denon

A Quatro Mãos: Reimagine – Anderson & Roe Piano Duo

71nqPbHmeIL._SX355_Fred Astaire e Ginger Rogers transpostos da pista de dança para o teclado“.

Só este veredito acerca do trabalho do duo pianístico de Greg Anderson e Elizabeth Joy Roe já bastaria, cauteloso que sou acerca das sensibilidades da ala ultrarradical de nossos leitores-ouvintes, para colocar um sinal de .:interlúdio:. na frente do título. O duo Anderson & Roe, afinal, é jovem, bem-apessoado, bastante performático nos palcos, faz sucesso entre públicos que jamais sonhariam em escutar música para dois pianistas e, sacrilégio talvez maior ainda, usam amplamente a internet para granjearem sua fama.

Não coloquei qualquer ressalva .:interlúdica:., incluí os jovens em meio a gravações de Argerich, Barenboim e Lupu, e já ouço, por isso, os tomates zunindo em minha direção. Apresso-me em alcançar-lhes o contraponto: estes dois egressos da Juilliard School são excelentes pianistas, ótimos arranjadores e, de quebra, ainda têm um sensacional trabalho de duo. Vê-los tocando (e convido os leitores-ouvintes a explorarem a cybersfera para tanto) é se embasbacar com a precisão com que esses jovens dividem um teclado, entrecruzando as mãos de maneiras que não parecem fisiologicamente plausíveis, e a clareza que mantêm linhas melódicas que mesmo grandes pianistas deixam nubladas. Talvez falte um tanto de “peso” a este CD, que, à exceção da boa interpretação para a “Sagração da Primavera” de Stravinsky, é um bonito balaio de gatos composto tão só de transcrições e paráfrases de curtas obras alheias. O duo lançou posteriormente álbuns mais coesos, entre os quais um primoroso “The Art of Bach” que, depois que eu sair da base da pilha de pedras, eu postarei para vocês se os bramidos nas caixas de comentários não forem tão ferozes.

ANDERSON & ROE – REIMAGINE

01 – “Danse Macabre (remix)”, sobre “Dança Macabra, Poema Sinfônico Op. 40 de Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

02 – “The Swan”, sobre “O Cisne” de “O Carnaval dos Animais”de Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)

03 – “A New Account of the Blue Danube Waltzes”, baseado em “An die schönen blauen Donau”, Op. 314 de Johann STRAUSS, filho (1825-1899)

04 – “The Cat’s Fugue”, sobre o tema da Sonata em Sol menor, K. 40, “A Fuga do Gato”, de Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)

05 – Libertango, sobre obra de Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)

06 – “The Cuckoo in Sussex”, sobre “Le Coucou” de Louis-Claude DAQUIN (1694-1772)

07 – “Erbarme dich”, sobre ária da “Paixão segundo Mateus” de Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Igor Fyodorovich STRAVINSKY (1882-1971)

A Sagração da Primavera, para dois pianos
08 – Introduction to Part I
09 – The Augurs of Spring
10 – Ritual of Abduction
11 – Spring Rounds
12 – Ritual of the Two Rival Tribes
13 – Procession of the Oldest
14 – The Kiss of the Earth
15 – The Dancing Out of the Earth
16 – Introduction to Part II
17 – Mystic Circle of the Young Girls
18 – Glorification of the Chosen One
19 – Evocation of the Ancestors
20 – Ritual Actions of the Ancestors
21 – Sacrificial Dance

Charles-Camille SAINT-SAËNS (1835-1921)
22 – Danse Macabre, Op. 40 (arranjo de Anderson & Roe)

Greg Anderson e Elizabeth Joy Roe, pianos e arranjos

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

 

Eu disse que eles eram performáticos!
Eu disse que eles eram performáticos!

 

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Switched-on Bach – 2000 – Wendy Carlos (1992)

frontConsiderando o grande número de downloads (ou deveria chamá-los “descargas”, “baixadas” ou “descarregamentos”?) da série “Switched-on Boxed Set” que divulgamos na semana passada, para desespero ainda maior dos que detestam sintetizadores, e também para o de alguns fãs do Moog primitivo, trazemos este álbum lançado por Wendy Carlos em comemoração ao Jubileu de Prata de seu estrondoso sucesso “Switched-on Bach”, dando uma nova roupagem ao repertório do clássico álbum de 1968: sintetizadores modernos, som digital e, mais ainda, temperamento desigual.

Aprecio muito o efeito que as sutis diferenças de afinação trazem para as engenhosas “orquestrações” de Carlos – que, aliás, continuam basicamente as mesmas, incluindo a bonita escolha dos timbres de madeiras para a célebre Ária da Suíte no. 3.

A crítica execrou o álbum, e os fãs do “Switched-on Bach” original também chiaram. Claro que estes têm o direito de estranhar, pois as paletas acessíveis a Carlos, que eram de escolha bem limitada em 1968, tinham expandido consideravelmente, e os timbres peculiares à gravação original estavam radicalmente modificados. Como artista e pesquisadora incansável que ela é, e sempre demonstrou ser, vejo méritos, coragem e desprendimento em sua empreitada de reler seu álbum clássico e abordar Bach sem as limitações técnicas do passado, para, assim, tentar atingir algo mais próximo do seu ideal artístico.

Este álbum foi-nos gentilmente cedido por um fiel leitor-ouvinte que escolheu identificar-se como Papai Noel e, assim, deixar seu retumbante ho-ho-ho a nós outros. Salve, Noel!

SWITCHED-ON BACH 2000 – WENDY CARLOS

Wendy CARLOS (1939)

01 – Happy 25th, S-OB

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

02 – “Wir danken dir, Gott, wir danken dir”, Cantata BWV 29 – Sinfonia

03 – Suíte no. 3 em Ré maior para orquestra, BWV 1068 – Aria

04 – Invenção a duas vozes no. 8 em Fá maior, BWV 779

05 – Invenção a duas vozes no. 14 em Si bemol maior, BWV 784

06 – Invenção a duas vozes no. 4 em Ré menor, BWV 775

07 – “Herz und Mund und Tat und Leben”, Cantata BWV 147 – Coral: “Jesus bleibet meine Freunde”

O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Mi bemol maior, BWV 852
08 – Prelúdio
09 – Fuga

O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó menor, BWV 847
10 – Prelúdio
11 – Fuga

12 – “Wachet auf, ruft uns die Stimme”, Prelúdio-Coral BWV 645

Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048

13 – Allegro
14 – Cadenza: Andante
15 – Allegro

FAIXA-BÔNUS:
16 – Toccata e Fuga em Ré menor, BWV 565

Wendy Carlos, sintetizadores e arranjos

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A incansável e inesgotável Wendy Carlos, em foto de 2014.
A incansável, inesgotável Wendy, em foto de 2014.

Vassily Genrikhovich

Switched-on Boxed Set (4 de 4): Switched-on Brandenburgs (1979) – Wendy Carlos

51ZRMWXNYBLCinco anos depois de “Switched-on Bach II”, Wendy Carlos concluiu sua tetralogia bachiana e completou a série dos Concertos de Brandenburg, gravando os de números 1, 2 e 6. Somados àqueles já lançados nos álbuns anteriores (e incluindo uma nova cadenza, mais sóbria, para o Concerto no. 3), o resultado foi o duplo “Switched-on Brandenburgs” em que, mais uma vez, impressionam a realização impecável e a clareza com que soam as partes na “orquestração” de Carlos. No entanto, aos ouvintes contemporâneos, e em especial aos fãs do “Switched-on Bach” original, os timbres do Moog já não soam tão invulgares. O veredito da filha de um leitor-ouvinte foi “música de videogame, papai” – o que só atesta as doses suprafisiológicas de música sintetizada, tanto boa quanto terrível, a que o cidadão médio é exposto desde cedo, e cotidianamente.

SWITCHED-ON  BOXED SET – SWITCHED-ON BRANDENBURGS (1979)

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046
01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Allegro
04 – Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II

Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047
05 – Allegro
06 – Andante
07 – Allegro assai

Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051
08 – Allegro
09 – Adagio ma non tanto
10 – Allegro

Wendy Carlos, sintetizador

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

IMG_47191
Carlos, Carlos & Carlos

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Paixão Segundo São Mateus, BWV 244 – Herreweghe

Nossa, já se passaram onze anos desde que fiz essa postagem … como o tempo passa rápido … estou repostando com novos links a pedidos de nosso mentor, PQP Bach, e quando ele pede, temos de nos apressar. Agradeço ao querido Vassily Genrikhovich por ainda ter estes arquivos em seu acervo em boa qualidade de conversão. 

Talvez por hoje ser domingo, talvez por ser véspera de mais um feriadão santo, talvez pelo fato de que o mano PQP esteja desesperado atrás desta gravação, além de outros comentaristas, enfim, não sei, talvez mesmo pelo fato de eu estar me sentido bem hoje, e a partir de amanhã começa uma nova fase em minha vida (pela primeira vez na vida encararei a sala de aula enquanto professor), ou seja, acabaram-se os finais de semana sem nada para se fazer a não ser descansar, sei lá, só sei que preciso terminar este enorme parágrafo dizendo que aí está a Paixão Segundo Mateus, na versão de Phillipe Herreweghe, Andreas Schöll, do Ian Bostridge entre outros.

Seguindo meio que os moldes que o mano PQP utilizou para postar a Missa, estarei postando algumas versões dessa obra absolutamente impactante, é impossível ficar indiferente à ela. Desde o coral inicial, “Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen”, passando pela mais bela ária já composta para contralto, “Erbarme dich”, neste caso interpretada pelo contra-tenor Andreas Schöll, em minha opinião, esta é a obra mais importante de meu pai.

Herreweghe tem uma interpretação mais intimista, com coral e orquestra reduzidos, ao contrário das versões arrasa-quarteirão de Jochum (minha favorita), Klemperer, ou Karajan, que se utilizam de uma grande massa orquestral e vocal.

Neste site vocês irão encontrar comentários, críticas, a letra da obra, sua tradução para vários idiomas, inclusive para o português.

Enfim, não consigo imaginar uma forma melhor de se passar um domingo.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Matthäeus-passion BWV 244 – Herreweghe

CD 1
01 – Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen
02 – Da Jesus diese Rede vollendet hatte
03 – Herzliebster Jesu, was hast du verbrochen
04 – Da versammleten sich die Hohenpriester
05 – Du lieber Heiland du
06 – Buss und Reu
07 – Da ging hin der Zwölfen einer
08 – Blute nur, du liebes Herz
09 – Aber am ersten Tage der süssen Brot
10 – Ich bin’s, ich sollte büssen
11 – Er antwortete und sprach;
12 – Wiewohl mein Herz in Tränen schwimmt
13 – Ich will dir mein Herze schenken
14 – Und da sie den Lobgesang gesprochen hatten
15 – Erkenne mich, mein Hüter
16 – Petrus aber antwortete
17 – Ich will hier bei dir stehen
18 – Da kam Jesus mit ihnen zu einem Hofe
19 – O Schmerz! hier zittert das gequälte Herz
20 – Ich will bei meinem Jesu wachen
21 – Und ging hin ein wenig
22 – Der Heiland fällt vor seinem Vater nieder
23 – Gerne will ich mich bequemen
24 – Und er kam zu seinen Jüngern
25 – Was mein Gott will, das g’scheh’ allzeit
26 – Und er kam und fand sie aber schlafend
27 – So ist mein Jesus nun gefangen
28 – Und siehe, einer aus denen
29 – O Mensch, bewein’ dein Sünde groß

CD 2

01 – Ach! nun ist mein Jesus hin
02 – Die aber Jesum gegriffen hatten
03 – Mir hat die Welt trüglich gericht’t
04 – Und wiewold viel falsche Zeugen herzutraten
05 – Mein Jesus schweigt zu falschen Lügen stille
06 – Geduld, Geduld!
07 – Und der Hohepriester antwortete
08 – Wer hat dich so geschlagen
09 – Petrus aber saß draußen im Palast
10 – Erbarme dich
11 – Bin ich gleich von dir gewichen
12 – Des Morgens aber hielten alle Hohenpriester
13 – Gebt mir meinen Jesum wieder
14 – Sie hielten aber einen Rat
15 – Befiehl du deine Wege
16 – Auf das Fest aber hatte der Landpfleger
17 – Wie wunderbarlich ist doch diese Strafe
18 – Der Landpfleger sagte
19 – Er hat uns allen wohlgetan
20 – Aus Liebe will mein Heiland sterben
21 – Sie schrieen aber noch mehr
22 – Erbarm es Gott
23 – Können Tränen meiner Wangen

CD 3

01 – Da nahmen Kriegsknechte
02 – O Haupt voll Blut und Wunden
03 – Und da sie ihn verspottet hatten
04 – Ja! freilich will in uns das Fleisch und Blut
05 – Komm, süßes Kreuz
06 – Und da sie an die Stätte kamen
07 – Ach, Golgatha, unsel’ges Golgatha
08 – Sehet Jesus hat die Hand
09 – Und von der sechsten Stunde
10 – Wenn ich einmal soll scheiden
11 – Und siehe da, der Vorhang im Tempel zerriß
12 – Am Abend da es kühle war
13 – Mache dich, mein Herze, rein
14 – Und Joseph nahm den Leib
15 – Nun ist der Herr zu Ruh gebracht
16 – Wir setzen uns mit Tränen nieder

Tenor[Evangelist]: Ian Bostridge
Bass [Jesus]: Franz-Josef Selig
Soprano [arias, Pilatus’ wife]: Sibylla Rubens
Alto: Andreas Scholl
Tenor: Werner Güra
Bass: Dietrich Henschel
Bass [Pilatus]: Dietrich Henschel
Baritone [Judas & Priest 1]: Frits Vanhulle
Bass [Petrus & Priest 2]: Dominik Wörner
Alto [Witness]: Andreas Scholl
Tenor [Witness]: Werner Güra
Sopranos [Maids]: Elisabeth Hermans & Susan Hamilton

Chœur et Orchestre de Collegium Vocale Gent / Schola Cantorum Cantate Domino
Phillipe Herreweghe – Director

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Switched-on Boxed Set (3 de 4): Switched-on Bach II (1974) – Wendy Carlos

R-216552-1308173871.jpegCinco anos depois de “The Well-Tempered Synthesizer”, Wendy Carlos voltou à carga com um álbum que pretendeu batizar com outros nomes, mas que os capi da Columbia decidiram chamar de “Switched-on Bach II”, para tentar surfar nas ondas ainda fortes do  fenômeno “Switched-On Bach”, lançado seis anos antes. A fórmula é bastante semelhante à do original: excertos célebres e obras curtas de J. S. Bach, e um dos Concertos de Brandenburg para arrematar o disco. O desenvolvimento tecnológico do sintetizador Moog é muito evidente na gravação, que soa claramente mais “moderna” que “Switched-on Bach”, e de tal maneira que Carlos tentou, com bastante sucesso, emular os sons dos instrumentos originais no Concerto de Brandenburg no. 5. Apesar da interpretação ser muito transparente e bonita, tirando de letra inclusive a difícil cadenza para cravo do primeiro movimento, ainda prefiro os timbres frescos e bizarros das gravações anteriores, que aqui aparecem mais proeminentemente nas duas Invenções a duas vozes, nas miniaturas do Pequeno Livro de Anna Magdalena e na Fuga em Sol menor.

SWITCHED-ON BOXED SET: SWITCHED-ON BACH II

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

01 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Badinerie
02 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Menuet
03 – Suíte no. 2 em Si menor para orquestra, BWV 1067 – Bourrée
04 – Invenção a duas vozes no. 13 em Lá menor, BWV 784
05 – Invenção a duas vozes no. 12 em Si bemol maior, BWV 783
06 – “Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd”, Cantata BWV 208 – Ária: “Schafe können sicher weiden” (“Sheep may safely graze”)
07 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Musette em Ré maior, BWV Anh. 126
08 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Minueto em Sol maior
09 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Bist du bei mir, BWV 508
10 – O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach – Marcha em Ré maior, BWV Anh. 122
11 – Pequena Fuga para órgão em Sol menor, BWV 578
12 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
13 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Affettuoso
14 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro

Wendy Carlos, sintetizador Moog

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

wendy-carlos-630-80
“Moça, pra que serve aquele fiozinho?”

Vassily Genrikhovich

 

Switched-on Boxed Set (2 de 4): The Well-Tempered Synthesizer (1969) – Wendy Carlos

bach-portada 2O sucesso mastodôntico de “Switched-on Bach” trouxe não só os holofotes para a ademais mui discreta Wendy Carlos, como também a pressão dos executivos da Columbia para que produzisse (“cuspisse”, segundo ela própria) um novo álbum arrasa-quarteirões. A ideia dos tubarões fonográficos era, claro, um outro disco dedicado a Bach, mas a laboriosa e criativa Wendy tinha outros planos, que incorporavam os novos módulos desenvolvidos em colaboração com Robert Moog para o sintetizador – incluindo o recurso spectrum follower, que permitia incluir vocalizações, ouvidas na segunda seleção de Monteverdi e, posteriormente, nos trechos da Nona Sinfonia de Beethoven incluídos na trilha sonora de Carlos para “A Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick.

O resultado do trabalho de Moog, Wendy, e de sua produtora e co-intérprete Rachel Elkind foi “The Well-Tempered Synthesizer” (“O Sintetizador bem Temperado”), lançado em 1969, um ano depois de “Switched-on Bach”. Apesar de bem aceito por parte da crítica (pois os puristas, naturalmente, detestaram), as vendas não foram nem de longe semelhantes às do predecessor. Glenn Gould, que, como dissemos, virara tiete de Wendy, escreveu as notas que acompanharam o disco, em que taxativamente afirmava que “a realização de Carlos do Quarto Concerto de Brandenburgo, é, para colocá-lo com franqueza, a melhor interpretação de qualquer dos Brandenburgos – ao vivo, enlatada, ou intuída – que eu jamais ouvi”. Os pastiches também não paravam de brotar, lançando mão de todos os trocadilhos possíveis com “Switched-on”. Um deles foi lançado pela própria Columbia: “Switched-off Bach”, que incluía as mesmas seleções do célebre disco de 1968, executada com instrumentos convencionais.

Carlos levaria cinco anos para voltar a Bach, dedicando o ínterim a trabalhos autorais (“Sonic Seasonings”, somente com composições originais) e à realização da trilha sonora para “A Laranja Mecânica” de Kubrick, realizador cricri e perfeccionista de quem Wendy ainda musicaria “O Iluminado”, em 1980.

SWITCHED-ON  BOXED SET – THE WELL-TEMPERED SYNTHESIZER

Claudio Giovanni Antonio MONTEVERDI (1567-1643)
01 – Suíte da ópera “Orfeo”: toccata – ritornello I – coro I – ritornello II – coro II – ritornello II

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)
02 – Sonata em Sol maior, L. 209/K. 455
03 – Sonata em Ré maior, L. 164/K. 491

Georg Friedrich HÄNDEL (1685-1759)
Música Aquática, Suíte em Fá maior, HWV 348
04 – Bourrée
05 – Aria
06 – Allegro deciso

Giuseppe Domenico SCARLATTI
07 – Sonata em Mi maior, L. 430/K. 531
08 – Sonata em Ré maior, L. 465/K. 96

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049
09 – Allegro
10 – Andante
11 – Presto

Claudio Giovanni Antonio MONTEVERDI
12 – Vésperas (1610) – Domine ad adjuvandum

13 – Teste de alinhamento de estéreo

14 – Experimentos (em inglês, narração de Wendy Carlos)

Wendy Carlos, sintetizador Moog (em colaboração com Rachel Elkind)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A produtora Rachel Elkind e Wendy Carlos (na época, ainda, legalmente chamada Walter Carlos)
A produtora Rachel Elkind e Wendy Carlos (na época, ainda, legalmente chamada Walter)

Vassily Genrikhovich