.: interlúdio :. John Coltrane & Frank Wess: Wheelin’ & Dealin’ (1957)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Certa vez, num bar, após um concerto daqueles gloriosos, estávamos num grupo de umas 15 pessoas, entre os músicos que se apresentaram e outras pessoas, todas bastante qualificadas do ponto de vista de formação, digamos assim. Uma delas, uma escritora chilena, pontificou:

Para identificarmos um mau caráter, basta observar como ele trata as crianças. Se ele as despreza ou humilha, não é incontestável, mas o cara tem boas possibilidades de ser um deles.

Até hoje, pude comprovar a lei. Parece ser verdadeira, ao menos na amostragem disponível a mim. Mas houve uma resposta paralela de um excepcional violoncelista uruguaio, infelizmente já falecido:

Concordo contigo, e adendo outra lei. Um cara pode não gostar de música erudita ou de jazz: OK. Um cara pode não gostar de eruditos, mas gostar de jazz: OK, até porque um dia ele chegará a nós de alguma forma. Um cara pode gostar de ambos: OK. Mas se o cara gostar de eruditos e não gostar de jazz, ele será ou racista ou da direita troglodita. Cuidem bem, não há erro.

Tinha esquecido desta declaração, mas lembrei dela ontem, quando ouvi três pessoas mal disfarçando seu racismo numa loja de CDs eruditos. Se denunciados, mesmo informalmente e de brincadeira, negariam. Mas, nossa, que nojo, que nojo. Será que o uruguaio tinha razão?

John Coltrane & Frank Wess: Wheelin’ & Dealin’ (1957)

01. Things Ain’t What They Used To Be
02. Wheelin’ (Take 2)
03. Wheelin’ (Take 1)
04. Robbins Nest
05. Dealin’ (Take 2)
06. Dealin’ (Take 1)

John Coltrane (tenor saxophone)
Frank Wess (tenor saxophone, flute)
Paul Quinichette (tenor saxophones)
Mal Waldron (piano)
Doug Watkins (bass)
Art Taylor (drums)

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Coltrane gênio!
Coltrane gênio!

PQP

7 comments / Add your comment below

  1. Sem duvida esse uruguaio tinha feeling, por isso era bom musico e bom observador. Quanto ao cd eh realmente magnifico; Coltrane, Monk e Wes Montgomery sao meus artistas preferidos, e estou entre os que amam Jazz e Erudito (preferivelmente o Barroco).

  2. Eu gosto de música erudita, não gosto de jazz e não sou racista e nem da “direita troglodita” (seja lá o que isso significa). Por isso não entendi a relação de gosto musical com preconceito racial. Na verdade o único preconceito que vi até agora foi do ignorante que além de estabelecer esse nexo absurdo ainda cometeu generalização.

    Em suma, quem se mostrou preconceituoso foi ele.

    1. Lendo minha mensagem com mais calma, queria me desculpar pelo “ignorante” que proferi ao me referi a esse uruguaio.

      É que as palavras dele realmente me ofenderam.

  3. Acrescentaria, após anos de observação e constatações outros modos de reconhecer um mau-caráter. Veja como trata os animais e de lambuja o modo como trata seu lixo.
    O disco é como se dizia há tempos; e digamos ainda; BÁRBARO! Sem xenofobias com os Godos, Celtas e outros. Coisas da língua.

  4. John Coltrane – monstro sagrado…Hutzilopochtli! Grandiosa música
    leite e mel para nossas almas.
    obrigado PQP. Quanto aos preconceitos, estou tentando adquirir o livro
    de Theodore Dalrymple denominado ´´Em defesa do Preconceito´´.
    Será que eu acho?
    abraços

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