Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Todos os Concertos para Cravo (Astronio, Harmonices Mundi)

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Todos os Concertos para Cravo (Astronio, Harmonices Mundi)

Um belo álbum duplo com músicas de meu irmão mais velho. Excelente orquestra e solista idem. Era o filho predileto de papai. Era um gênio, mas muito indisciplinado. Para sua educação musical papai escreveu o Clavierbüchlein. Mas, já viram, deixava todos os empregos estáveis para tentar a vida boêmia de músico itinerante, chegando em muitas ocasiões a enfrentar dificuldades financeiras, quando era obrigado a vender bens pessoais e manuscritos paternos recebidos em herança para poder subsistir. O PUTO VENDEU PARTITURAS DE JOHANN SEBASTIAN BACH QUE JAMAIS FORAM REENCONTRADAS. ELE PERDEU MAIS DE 100 CANTATAS. Também dizem que foi um renomado alcoolista que sugou boa parte do álcool produzido em sua Turíngia natal. Mas era um grande músico, apreciado por sua capacidade de improvisar e deixou boa quantidade de música para teclado de excelente qualidade, cujas características antecipam a tensão e emocionalismo do Romantismo. Confiram aí e bebam à vontade.

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Todos os Concertos para Cravo (Astronio, Harmonices Mundi)

CD1
1. Concerto in F Minor (c. 1767): I. Allegro di molto 6:33
2. Concerto in F Minor (c. 1767): II. Andante 8:23
3. Concerto in F Minor (c. 1767): III. Prestissimo 3:25

4. Concerto in F, F. 44 (1740-45): I. Allegro ma non troppo 9:56
5. Concerto in F, F. 44 (1740-45): II. Molto adagio 10:31
6. Concerto in F, F. 44 (1740-45): III. Presto 5:51

7. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): I. Allegretto 9:23
8. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): II. Adagio 9:15
9. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): III. Allegro assai 5:59


CD2
1. Concerto in D, F. 41 (1735-40): I. Allegro 6:18
2. Concerto in D, F. 41 (1735-40): II. Andante 5:14
3. Concerto in D, F. 41 (1735-40): III. Presto 4:36

4. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): I. – 5:17
5. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): II. Larghetto 4:07
6. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): III. Allegro ma non molto 5:34

7. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): I. Allegro moderato 8:54
8. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): II. Andante 6:05
9. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): III. Presto 3:54

10. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): I. Un poco allegro 11:18
11. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): II. Cantabile 3:28
12. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): III. Vivace 8:09

Harmonices Mundi
Claudio Astronio, cravo e regência

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Amarra os tênis, Astronio!
Amarra os tênis, Astronio!

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

O Quarteto Nº 14 é particularmente fascinante porque Shostakovich estava experimentando uma estrutura incomum de movimentos encadeados dentro de uma linguagem musical moderna. É um espécime muito curioso. E bonito. E aquele movimento final com o tema judeu… Lembrem que ele usou temas klezmer em outras obras também, como no Trio para Piano nº 2. Sabiam que isso era uma forma de protesto silencioso contra o anti-semitismo soviético? Já o Quarteto Nº 15 é outra história completamente diferente – seis adágios consecutivos! Isso é beeeem radical. É impressionante como Shostakovich conseguiu criar tanta variedade dentro de um único andamento. São obras de um gênio, digamos, crepuscular. Ele sofria de uma doença cardíaca, também de outra enfermidade degenerativa, havia sobrevivido aos expurgos stalinistas, à Segunda Guerra Mundial e a décadas de opressão soviética. Essas obras são uma meditação sobre a mortalidade, o sofrimento e a resignação.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)

String Quartet No. 14 in F-Sharp Major, Op. 142
1 I. Allegretto 08:48
2 II. Adagio – 08:59
3 III. Allegretto 08:22

String Quartet No. 15 in E-Flat Minor, Op. 144
4 I. Elegy: Adagio – 12:50
5 II. Serenade: Adagio – 05:42
6 III. Intermezzo: Adagio – 01:29
7 IV. Nocturne: Adagio – 04:47
8 V. Funeral March: Adagio molto – 04:44
9 VI. Epilogue: Adagio – Adagio molto 06:14

Éder Quartet

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O final da vida de Shostakovich foi fucking foda.

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J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel  (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)
Version 1.0.0

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Meu jesuiscristinho, que gravação das Sonatas e Partitas de Bach que faz a francesa Amandine Beyer! Beyer é do time da música com instrumentos originais, mas há uma diferença fundamental sobre a imensa maioria. Ela toca com emoção, verve e ritmo, não é um metrônomo. Cada movimento foi pensado profunda e criativamente, de modo a experimentar novas fluências. E é um registro vibrato-free, quente e claro!!! Talvez esta seja a primeira gravação destas obras onde podemos bater o pezinho e balançar a cabeça. Basta pensar que tudo aqui deriva da música de dança. Chega de funerais! Arte impecável, execução perfeita e belo som.

Esta gravação é considerada uma das interpretações mais originais e impactantes das últimas décadas no universo da música barroca. É marcada por uma fluidez quase vocal. Como disse, ela prioriza a dança. Amandine também foi elogiada pela clareza polifônica (o “diálogo” entre vozes no violino solo é excepcionalmente claro). Ela desconstrói a grandiosidade monumental das Sonatas e Partitas, transformando-as em uma experiência íntima e humana. Não é uma versão “fácil” ou imediatamente cativante, mas que recompensa o ouvinte com camadas de significado e beleza singular. Amandine Beyer enfatiza a voz interior de Bach em vez do virtuosismo exterior. Sua gravação é um marco que dialoga com a história, sem ser museológica. Para muitos, tornou-se uma versão de referência do século XXI. Para quem busca uma interpretação que una intelecto, coração e autenticidade histórica, esta é uma bela escolha.

Como um bônus, ela inclui um trabalho solo fascinante, onde Pisendel homenageia Bach. E mais não digo porque amo Amandine, mas sou casado com outra violinista.

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)

CD1 #01 – Partita, BWV 1002: I. Allemanda
CD1 #02 – Partita, BWV 1002: II. Double
CD1 #03 – Partita, BWV 1002: III. Corrente
CD1 #04 – Partita, BWV 1002: IV. Double, Presto
CD1 #05 – Partita, BWV 1002: V. Sarabande
CD1 #06 – Partita, BWV 1002: VI. Double
CD1 #07 – Partita, BWV 1002: VII. Tempo di borea
CD1 #08 – Partita, BWV 1002: VIII. Double

CD1 #09 – Sonata BWV 1003: I. Grave
CD1 #10 – Sonata BWV 1003: II. Fuga
CD1 #11 – Sonata BWV 1003: III. Andante
CD1 #12 – Sonata BWV 1003: IV. Allegro

CD1 #13 – Partita, BWV 1004: I. Allemanda
CD1 #14 – Partita, BWV 1004: II. Corrente
CD1 #15 – Partita, BWV 1004: III. Sarabanda
CD1 #16 – Partita, BWV 1004: IV. Giga
CD1 #17 – Partita, BWV 1004: V. Ciaccona

CD2 #01 – Sonata BWV 1005: I. Adagio
CD2 #02 – Sonata BWV 1005: II. Fuga
CD2 #03 – Sonata BWV 1005: III. Largo
CD2 #04 – Sonata BWV 1005: IV. Allegro assai

CD2 #05 – Sonata BWV 1001: I. Adagio
CD2 #06 – Sonata BWV 1001: II. Fuga, Allegro
CD2 #07 – Sonata BWV 1001: III. Siciliana
CD2 #08 – Sonata BWV 1001: IV. Presto

CD2 #09 – Partita, BWV 1006: I. Preludio
CD2 #10 – Partita, BWV 1006: II. Loure
CD2 #11 – Partita, BWV 1006: III. Gavotte en rondeaux
CD2 #12 – Partita, BWV 1006: IV. Menuet I – Menuet II
CD2 #13 – Partita, BWV 1006: V. Bourée
CD2 #14 – Partita, BWV 1006: VI. Gigue

Johann Georg Pisendel: Sonata a Violino Solo senza Basso
CD2 #15 – Sonata a violino solo senza basso: I.
CD2 #16 – Sonata a violino solo senza basso: II. Allegro
CD2 #17 – Sonata a violino solo senza basso: III. Giga
CD2 #18 – Sonata a violino solo senza basso: IV. Variatione

Amandine Beyer, violino

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csacac
Pode rir à vontade, Amandine.

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J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um excelente disco de música sacra vindo do ateu Herreweghe. Não se enganem, este não é o Oratório de Natal formado por 6 Cantatas, são outras Cantatas Também natalinas. O ponto alto é, sem dúvida, o Magnificat que fecha o CD duplo. É uma interpretação emocionante. Uma combinação matadora de solistas de primeira linha, canto coral incomparável e trabalho impecável da orquestra de instrumentos de época. O disco foi Editor`s Choice da revista Gramophone. Não é para menos.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

CD 1
1. Cantata No. 91, ‘Gelobet seist su, Jesu Christ,’ BWV 91 (BC A9): Choral
2. BWV 91 (BC A9): Recitativo: Der Glanz der höchsten Herrlichkeit
3. BWV 91 (BC A9): Aria: Gott, dem der Erden Kreis zu klein
4. BWV 91 (BC A9): Recitativo: O Christenheit!
5. BWV 91 (BC A9): Aria: Die Armut, so Gott auf sich nimmt
6. BWV 91 (BC A9): Choral: Das hat er alles uns getan

7. Cantata No. 121, ‘Christum wir sollen loben schon,’ BWV 121 (BC A13): Choral
8. BWV 121 (BC A13): Aria: O du von Gott erhöhte Kreatur
9. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Der Gnade unermeßlichs Wesen
10. BWV 121 (BC A13): Aria: Johannis freudenvolles Springen
11. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Doch wie erblickt es dich in deiner Krippen
12. BWV 121 (BC A13): Choral: Lob, Ehr und Dank sei dir gesagt

13. Cantata No. 133, ‘Ich freue mich in dir,’ BWV 133 (BC A16): Choral
14. BWV 133 (BC A16): Aria: Getrost! es faßt ein heileiger Leib
15. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Ein Adam mag sich voller Schrecken
16. BWV 133 (BC A16): Aria: Wie lieblich klingt es in den Ohren
17. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Wohlan! Des Todes Furcht und Schmerz
18. BWV 133 (BC A16): Choral: Wohlan, so will ich

CD 2
1. Cantata No. 63, ‘Christen, ätzet diesen Tag,’ BWV 63 (BC A8): Choral
2. BWV 63 (BC A8): Recitativo: O selger Tag! O ungermeines Heute
3. BWV 63 (BC A8): Aria: Gott, du hast es wohl gefüget
4. BWV 63 (BC A8): Recitativo: So kehret sich nun heut
5. BWV 63 (BC A8): Aria: Ruft und fleht den Himmel an
6. BWV 63 (BC A8): Recitativo: Verdoppelt euch demnach
7. BWV 63 (BC A8): Choral: Höchster, schau in Gnaden an

8. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Magnificat anima mea
9. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et exultavit spiritus meus
10. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Vom Himmel
11. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia respexit humilitatem
12. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Omnes generationes
13. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia fecit mihi magna
14. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Freut euch und jubiliert
15. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et misericordia
16. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Fecit potentiam
17. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria in excelsis Deo
18. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Deposuit potentes
19. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Esurientes implevit bonis
20. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Virga Jesse floruit
21. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Suscepit Israel
22. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Sicut locutus est
23. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria Patri

Dorothee Blotzky-Mields: soprano
Carolyn Sampson: soprano
Ingeborg Danz: alto
Mark Padmore: tenor
Peter Kooy: bass
Sebastian Noack: bass

Philippe Herreweghe (cond.)
Collegium Vocale Gent

Total playing time: 117:09
Recorded 2001-2002 | Released 2003

Recording:
December 2001, Salle Philharmonique de Liège, Belgium (CD1)
December 2002, Arsenal de Metz, France (CD2)

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Não, Philippe, a Cantata do Café a gente posta outro dia, tá?
Não, Philippe, a Cantata do Café a gente posta outro dia, tá?

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Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta gravação foi “Editor`s Choice” da Gramophone em 2011, “Gravação recomendada” pela ClassicFM e depois, em 2016, foi considerada a melhor gravação do Concerto de Mendelssohn, novamente pela Gramophone. Tá bom?

Aclamado como “o Jascha Heifetz dos nossos dias”, o violinista James Ehnes é considerado um dos artistas mais perfeitos e musicais da música erudita. Talvez seja o melhor violinista em atividade atualmente. Ele já se apresentou em mais de 30 países, atuando e gravando com as melhores orquestras e regentes. A extensa discografia de Ehnes inclui desde sonatas para violino de Bach a Road Movies, de John Adams. Desde que Vladimir Ashkenazy ganhou destaque no cenário mundial na Competição Chopin de 1955 em Varsóvia, ele construiu uma carreira extraordinária de pianista. A regência tomou a maior parte de suas atividades nas últimas duas décadas, e ele mantém um relacionamento de longa data com a Philharmonia Orchestra, da qual foi nomeado regente em 2000.

O Concerto para Violino, Op. 64, de Mendelssohn passou a ser visto como um degrau inescapável na carreira de todo violinista que almejasse o sucesso, multiplicando-se seus recitais e gravações. Hoje é considerado uma das principais composições de Mendelssohn e um dos mais importantes exemplos de seu gênero, continuando a desfrutar de grande popularidade.

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Violin Concerto In E Minor Op.64 (26:37)
1 I Allegro Molto Appassionato 12:45
2 II Andante 8:16
3 III Allegretto Non Troppo – Allegro Molto Vivace 5:35

Octet In E Flat Op.20 (30:44)
4 I Allegro Moderato Ma Con Fuoco 13:49
5 II Andante 6:31
6 III Scherzo 4:29
7 IV Presto 5:53

Cello – Edward Arron (tracks: 4 to 7), Robert deMaine (tracks: 4 to 7)
Conductor – Vladimir Ashkenazy (tracks: 1 to 3)
Orchestra – Philharmonia Orchestra (tracks: 1 to 3)
Viola – Cynthia Phelps* (tracks: 4 to 7), Richard O’Neill (tracks: 4 to 7)
Violin – Andrew Wan (tracks: 4 to 7), Augustin Hadelich (tracks: 4 to 7), Erin Keefe (tracks: 4 to 7), James Ehnes

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Ehnes, genial.

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William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um maravilhoso CD duplo onde o pianista canadense Marc-André Hamelin brilha notavelmente. Hamelin é conhecido por sua habilidade demoníaca, mas eu o defendo com convicção — ele também tem muita sensibilidade e creio que eu, na minha idade e com minha vivência de ouvinte, saiba reconhecer um virtuose vazio quando ele dobra lá longe na esquina. Hamelin não é nada vazio, dá cara própria a cada uma das peças de Bolcom e estas são pra lá de boas!

Nas generosas notas do CD, o próprio compositor estadunidense apresenta o repertório, explicando como sua descoberta da música de Scott Joplin — que havia caído na obscuridade após a morte do compositor — levou-o a explorar o gênero no final dos anos 1960, justo em um momento em que a ópera Treemonisha ressurgia e o ragtime em geral, estava sendo revivido. Os elementos do ragtime tradicional de Joplin são evidentes nos rags de Bolcom – o DNA musical de síncope e swing que Hamelin captura perfeitamente – mas Bolcom se permite desviar para territórios mais incomuns, como, por exemplo, em Rag-Tango, que alterna a sensualidade do tango argentino, com suas harmonias picantes, e elementos de rags tradicionais. Eu desconhecia Bolcom e acho que este disco deve ser um bom ponto de partida. É uma audição maravilhosa, reveladora e, acima de tudo, muito agradável do início ao fim.

William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

1-1 Eubie’s Luckey Day 5:00
1-2 Epithalamium 4:57
1-3 Tabby Cat Walk 5:41
1-4 Knockout ‘A Rag’ 3:57
1-5 Rat-Tango 8:43
The Garden Of Eden (18:38)
1-6 Old Adam 2:18
1-7 The Eternal Feminine 5:47
1-8 The Serpent’s Kiss 5:32
1-9 Through Eden’s Gates 4:57
1-10 California Porcupine Rag 3:27
1-11 The Gardenia 5:07
1-12 The Brooklyn Dodge 4:47
1-13 Contentment 7:38
Three Ghost Rags (15:34)
2-1 Gracefull Ghost Rag 4:35
2-2 The Poltergeist 3:31
2-3 Dream Shadows 7:26
2-4 Raggin’ Rudi 3:54
2-5 Epitaph For Louis Chauvin 5:07
2-6 Seabiscuits Rag 3:44
2-7 Estella ‘Rag Latino’ 5:12
2-8 Fields Of Flowers 5:47
2-9 Incineratorag 3:11
2-10 Knight Hubert 3:57
2-11 Lost Lady Rag 6:32
2-12 Glad Rag 3:40
2-13 Last Rag 4:58
2-14 Brass Knuckles
Written-By [Written In Collaboration With] – William Albright
3:25

Piano [M Steinert & Sons] – Marc-André Hamelin

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William Bolcom dando aula de ragtime

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

O Éder dispensa apresentações. Já postamos vários quartetos com os caras e eles são espetaculares. Vamos às obras?

Os Quartetos Nº 2 e 12 de Shostakovich parecem nascer em extremos opostos — mas ambos revelam o compositor em momentos de rara intensidade. O Quarteto Nº 2 (1944) é uma ferida aberta. Escrito em plena guerra, mistura um lirismo tenso com explosões de desespero. Seu grande arco narrativo — sim, narrativo: da simplicidade inicial ao final devastado — soa como se Shostakovich tentasse organizar o caos do mundo apenas para perceber que a dor sempre retorna mais profunda. Já o Quarteto Nº 12 (1968) abre outra porta: mais austero, mais introspectivo, com harmonias que parecem deslizar para regiões sombrias e abstratas. Aqui, Shostakovich escreve como quem conversa consigo mesmo — um diálogo carregado de verdade. Se o primeiro é um grito, o segundo é um murmúrio. Se um olha o mundo em chamas, o outro olha para dentro. Juntos, mostram duas faces do mesmo artista — sempre dividido entre coragem e medo, entre resistência e esgotamento, entre a necessidade de falar e o risco de ser ouvido (ou censurado).

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

String Quartet No. 2 In A Major, Op. 68
1 Overture: Moderato Con Moto 8:18
2 Recitativo And Romance: Adagio 8:58
3 Valse: Allegro 5:43
4 Theme With Variations: Adagio – Moderato Con Moto 11:02

String Quartet No. 12 In D Flat Major, Op. 133
5 Moderato – Allegretto 6:37
6 Allegretto 19:43

Éder Quartet:
Cello – György Éder
Viola – Sándor Papp
Violin – György Selmeczi, Péter Szüts

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Porque às vezes só resta abraçar o sofá.

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Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

Nhé, não é um grande CD, longe disso, mas, pô, é da família! Vale pela sinfonia de mano mais velho W.F., que era mesmo muito bom, meio deprimido e salva o CD. Como sabemos, o mano J.C. tem o mérito de ter inventado o estilo de Mozart, é o perfeito Mozart-sem-talento e sua música chega a ser agradável se não prestarmos muita atenção a ela. O J.C.F. não merecia a atenção que papai lhe deu. Era tão sem inspiração quanto eu. A Accademia Bizantina é apenas OK e leva as obras até seus finais sem grandes surpresas. Se você baixar este CD, a família agradece sem entusiasmo. Ah, já que o iPod já foi quase todo postado, vou copiar para ele o Réquiem de Verdi para depois postar, OK? Mas ainda falta um Villa-Lobos, um Nono e uma coisinha de jazz.

Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°1 in A-dur
1. Allegro
2. Rondò Grazioso

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°2 in D-dur
3. Andante
4. Minueto

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°3 in C-dur
5. Allegro
6. Rondò Grazioso

J. C. F. Bach – Symphonie in d-moll
7. Allegro
8. Andante Amoroso
9. Allegro Assai

W. F. Bach – Symphonie in F-dur
10. Vivace
11. Adagio
12. Allegro
13. Andante <—- Uma joia
14. Allegro
15. Minueto 1
16. Minueto 2

Accademia Bizantina
Carlo Chiarappa

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O macharedo da Família Bach

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Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Grande CD duplo com os três quartetos do polonês Górecki. Eu prefiro os dois primeiros, mas jamais jogaria fora o terceiro. O Kronos Quartet encomendou as obras e as estreou. O que talvez jamais imaginasse é que, poucos anos depois, viria um Royal String Quartet, da Polônia — bem, o fato de serem poloneses não chega a ser surpreendente — e faria gravações bem melhores das obras. Bem, acontece, a gente bota as coisas no mundo e perde o controle sobre elas. A música de Górecki é algo extraordinário neste CD que recebi com o maior entusiasmo. Parabéns à Hyperion inglesa por nos trazer tais obras-primas. O Arioso do Quarteto Nº 2 é de chorar de tão lindo!

Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

Disc: 1
1-1 Already It Is Dusk (String Quartet No 1) Op 62 (15:43)

Quasi Una Fantasia (String Quartet No 2) Op 64 (33:02)
1-2 Largo Sostenuto – Mesto 7:49
1-3 Deciso – Energico Marcatissimo Sempre 6:57
1-4 Arioso: Adagio Cantabile Ma Molto Espressivo E Molto Appassionato 8:00
1-5 Allegro Sempre Con Grande Passione E Molto Marcato 10:16

Disc: 2
… Songs Are Sung (String Quartet No 3) Op 67 (55:54)

2-1 Adagio – Molto Andante – Cantabile 11:11
2-2 Largo Cantabile 12:55
2-3 Allegro Sempre Ben Marcato 4:51
2-4 Deciso – Espressivo Ma Ben Tenuto 12:24
2-5 Largo – Tranquillo 14:31

Royal String Quartet

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Górecki feliz, pelo visto
Górecki feliz, pelo visto

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Henryk Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2 (Kronos)

Henryk Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2 (Kronos)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Já que temos duas excelentes gravações dos quartetos de Bartók e também dos últimos de Beethoven, nada como dialogar com mano CDF postando os dois primeiros quartetos do polonês Górecki: o primeiro plenamente bartokiano, o segundo indiscutivelmente beethoveniano.

Não creio que as grandes influências recebidas por Górecki desconsiderar o polaco. Burrice seria pensar que um quarteto de cordas pode ser escrito sem a referência destes gigantes. O primeiro quarteto é eslavo até a raiz dos cabelos, com lentos corais e danças furiosas de sabor mais bartokiano do que shostakovichiano. O segundo quarteto, principalmente no Arioso: Adagio Cantabile faz referências aos últimos quartetos de Beethoven, com a utilização de um tema curto levado ao paroxismo. Neste “Quasi una Fantasia” também há muito do minimalismo. Um bom disco!

Sobre o Kronos… Bem, não vou repetir o que os mais antigos no blog já sabem: acho-os o máximo!

Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2

1. Already It Is Dusk String Quartet No. 1, Op. 62

2. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Largo Sostenuto – Mesto
3. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Deciso – Energico; Furioso, Tranquillo – Mesto
4. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Arioso: Adagio Cantabile
5. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Allegro – Sempre Con Grande Passion E Molto Marcato; Lento – Tranquillissimo

Kronos Quartet

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.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

O CD Victor Biglione e Marcos Ariel, Duo #1 é uma joia da música instrumental brasileira que merece ser celebrado. Lançado em 1994, captura um diálogo íntimo entre violão e piano em arranjos sofisticados. Victor Biglione (violão de 7 cordas) e Marcos Ariel (piano) são mestres em unir musicalidade e leveza, criando um som ao mesmo tempo acessível. Biglione traz harmonias ricas e baixos marcantes enquanto Ariel responde com linhas melódicas fluidas no piano e improvisos cheios de classe. Bom disco para fãs de Ralph Towner e Egberto Gismonti (universalidade acústica), de Tom Jobim (sofisticação harmônica) e Yamandu Costa (raiz e virtuosismo). Para tardes chuvosas, jantares elegantes ou quando a alma pede beleza sem pressa. O disco foi gravado quase ao vivo (poucos overdubs), capturando a cumplicidade rara do duo. Biglione e Ariel já colaboravam há anos em trilhas sonoras e shows – a sintonia é orgânica.

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

1 Viola Enluarada
2 Bala Com Bala
3 Invitation
4 Lua Branca
5 Elegia Aos Pássaros II (Sanhaço)
6 Easy Living
7A Concerto De Aranjuez
7B Canto de Ossanha
8 Inútil Paisagem
9 São Jorge
10 Baleia Azul
11 Poema Brasileiro
12 Chuva Em Ipanema

Victor Biglione, violão
Marcos Ariel, piano

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Jovem, saiba que todos nós envelhecemos.

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Claudio Monteverdi (1567-1643): Ballo delle ingrate / Combattimento di Tancredi e Clorinda (Vartolo)

Claudio Monteverdi (1567-1643): Ballo delle ingrate / Combattimento di Tancredi e Clorinda (Vartolo)

O Ballo delle Ingrate (Dança das Ingratas) é uma obra-prima de Claudio Monteverdi, composta em 1608 para as núpcias do duque Francesco Gonzaga com Margarida de Saboia, em Mantova. Pertence ao gênero do balletto dramático, uma forma que mistura canto, dança, teatro e música instrumental, típica das esplêndidas festas da corte no início do Barroco. Com libreto de Ottavio Rinuccini, a obra apresenta uma alegoria moralizante. Vênus e Cupido descem ao Inferno para confrontar Plutão, queixando-se de que as mulheres de Mântua se tornaram “ingratas” ao amor, rejeitando os ardores dos seus pretendentes. Plutão, então, liberta temporariamente as almas das “ingratas” (condenadas por sua frigidez em vida) para que dancem num balé solene e trágico, servindo de aviso às mulheres presentes na plateia sobre as consequências de rejeitar o amor. É algo altamente erótico…

O Combattimento di Tancredi e Clorinda (1624) é uma obra revolucionária e um marco absoluto na história da música ocidental. Mais do que uma simples peça, é uma “ação dramático-musical” que redefine os limites da expressão e inaugura recursos que ecoariam por séculos. O libreto é do próprio Monteverdi e baseia-se num célebre episódio do poema épico Gerusalemme Liberata (1575), de Torquato Tasso. Durante as Cruzadas, o cavaleiro cristão Tancredi enfrenta um guerreiro muçulmano em combate noturno. Após feri-lo mortalmente, descobre, ao descer o elmo, que seu oponente é Clorinda, a mulher que ele secretamente ama. Clorinda, antes de morrer, pede o batismo, e Tancredi, dilacerado, lhe concede a água, que seria da pia batismal ou algo do gênero com seu próprio elmo.

Claudio Monteverdi foi um vanguardista, alguém efetivamente revolucionário. A gente ouve isso e acha muito antigo, só que tudo o que ele fazia era pela primeira vez. Ele não foi o inventor técnico da ópera, mas foi, sem dúvida, o pai fundador da ópera como a conhecemos — aquele que lhe deu profundidade dramática, força emocional e uma linguagem musical perene. Claudinho merece o nosso respeito.

Claudio Monteverdi (1567-1643): Ballo Delle Ingrate / Combattimento di Tancredi e Clorinda (Vartolo)

Ballo delle ingrate
1 Ballo delle ingrate 49:23
Vaccari, Patrizia (soprano)
Banditelli, Gloria (mezzo-soprano)
Abete, Antonio (bass)
Pederzoli, Maura (soprano)
Scabini, M. Ernesta (alto)
Goethem, Michel van (tenor)
Carmignani, Alessandro (tenor)
Abbondanza, Roberto (baritone)
San Petronio Cappella Musicale Orchestra (Orchestra)
Vartolo, Sergio (Conductor)

Combattimento di Tancredi e Clorinda
2 Combattimento di Tancredi e Clorinda 25:48
Abbondanza, Roberto (baritone)
Banditelli, Gloria (mezzo-soprano)
Carmignani, Alessandro (tenor)
San Petronio Cappella Musicale Orchestra (Orchestra)
Vartolo, Sergio (Conductor)

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Nada de frigidez, senhoras!

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Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 21 & 42 (Philippe Herreweghe, La Chapelle Royale and Collegium Vocale Gent)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 21 & 42 (Philippe Herreweghe, La Chapelle Royale and Collegium Vocale Gent)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma joia! Belas Cantatas levadas com toda a delicadeza e musicalidade que merecem. Bem, este CD reúne duas cantatas comparativamente tardias de Bach: a dramática e intensa Ich hatte viel Bekümmernis, BWV 21 e a serena e luminosa Am Abend aber desselbigen Sabbats, BWV 42. Juntas, oferecem um contraste sutil entre o desalento existencial e a esperança pacificadora — uma espécie de arco emocional que demonstra a profundidade espiritual e artística de Bach. Herreweghe faz uma abordagem de velocidade contida, equilíbrio entre as vozes, orquestração de câmara e uma sonoridade que respeita a clareza. A interpretação da BWV 21 é especialmente tocante — a dor, a angústia, a súplica ganham corpo com seriedade, sem histrionismos, mas com grande poder expressivo. Na BWV 42, Herreweghe enfatiza a serenidade reflexiva, a doçura da esperança pós–Páscoa. A orquestração e os solistas trazem a paz prometida pelo texto, com suavidade e elegância. O som limpo, com bom uso da instrumentação e a interpretação vocal refinada evita excessos e privilegia a clareza do contraponto, o que torna o discurso de Bach acessível,  humano e, por assim dizer, confiável. Este CD é não somente uma gravação de “cantatas quaisquer”, mas como uma pequena obra-prima de Bach sob a comando de Herreweghe.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 21 & 42 (Philippe Herreweghe, La Chapelle Royale and Collegium Vocale Gent)

Ich Hatte Viel Bekümmernis BWV 21
1 Sinfonia 2:54
2 Chorus: Ich Hatte Viel Bekümmernis 3:55
3 Aria (S): Seufzer, Tränen 4:16
4 Recitativo (T): Wie Hast Du Dich, Mein Gott 1:36
5 Aria (T): Bäche Von Gesalznen Zähren 6:24
6 Chorus: Was Betrübst Du Dich, Meine Seele 3:29
7 Recitativo (S, B): Ach Jesu, Meine Ruh 1:28
8 Aria. Duetto (S, B): Komm, Mein Jesu 3:55
9 Chorus: Sei Nun Wieder Zufrieden, Meine Seele 4:22
10 Aria (T): Erfreue Dich, Seele 2:57
11 Chorus: Das Lamm, Das Erwürget Ist 3:02

Am Abend Aber Desselbigen Sabbats BWV 42
12 Sinfonia 6:43
13 Recitativo (T): Am Abend Aber Desselbigen Sabbats 0:33
14 Aria (A): Wo Zwei Und Drei Versammlet Sind 10:12
15 Choral. Duetto (S, T): Verzage Nicht, O Häuflein Klein 2:19
16 Recitativo (B): Mann Kann Hiervon Ein Schön Exempel Sehen 0:46
17 Aria (B): Jesus Ist Ein Schild Der Seinen 3:23
18 Choral: Verleih Uns Frieden Gnädiglich 2:09

Alto Vocals – Gérard Lesne
Alto Vocals [Choir] – Betty Van Den Berghe, Martin Van Der Zeijst, Rik Jacobs, Steve Dugardin
Bass Vocals – Peter Harvey (tracks: 1 to 11), Peter Kooy* (tracks: 12 to 18)
Bass Vocals [Choir] – Frits Vanhulle, Jan Depuydt, Paul Van Den Berghe, Pieter Coene, Vincent Bouchot
Bassoon – Kate Van Orden (2)
Bassoon [Continuo] – Kate Van Orden (2)
Cello – Ageet Zweistra, Harmen Jan Schwitters*
Cello [Continuo] – Ageet Zweistra
Choir – Collegium Vocale
Conductor – Philippe Herreweghe
Double Bass – Jonathan Cable
Double Bass [Continuo] – Jonathan Cable
Ensemble – La Chapelle Royale
Oboe – Marcel Ponseele, Michel Henry (tracks: 12 to 18)
Positive Organ – Jan Willem Jansen
Positive Organ [Continuo] – Jan Willem Jansen
Soprano Vocals – Barbara Schlick
Soprano Vocals [Choir] – Anne Mopin, Annelies Coene, Brigitte Verkinderen, Caroline Pelon, Delphine Collot, Dominique Verkinderen, Gundula Anders
Tenor Vocals – Howard Crook
Tenor Vocals [Choir] – Joël Suhubiette, Philippe Van Isacker, Raphaël Boulay, Ulrik Loens
Timbales – Jean Chamboux (tracks: 1 to 11)
Trumpet – Jonathan Impett (tracks: 1 to 11), Léon Petré (tracks: 1 to 11), Stephen Keavy (tracks: 1 to 11)
Viola – Christine Angot (2), Galina Zinchenko
Violin – Adrian Chamorro, Martha Moore (2), Myriam Gevers, Nicolette Moonen, Peter Van Boxelaere, Roy Goodman, Ryo Terakado

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.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

Eu amo Hermeto. Certa vez, soube que ele se apresentaria em Pelotas (RS) e dei um jeito para que meu chefe me mandasse pra lá na data. Visitei algumas pessoas, fiz contatos, justifiquei minha ida e fui fazer o que precisava realmente fazer. Também jamais perdi um show dele na decadente Porto Alegre, hoje bolsonarista. Eu e Eles é um disco em que o músico transforma o mundo inteiro em parceiro de criação. Cada faixa soa como uma conversa diferente — ora com o jazz, ora com o forró, ora com a pura invenção que só Hermeto dominava. Aqui, ele desmonta fronteiras musicais com alegria e ousadia, misturando sopros, teclas, ruídos e silêncios em um laboratório sonoro que parece, ao mesmo tempo, festa e poesia. É um álbum que celebra a liberdade total: “eu” é Hermeto em sua imaginação sem limite, “eles” somos todos nós, tocados por essa música que brinca, provoca e reinventa o que achávamos que já conhecíamos.

.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

Chorinho MEC 3:51
Viva Jackson Do Pandeiro 2:22
Caminho Do Sol 1:20
A Sua Benção Brasil 3:39
Fauna Universal 3:33
Vai Um Chimarrão, Tchê (para Borghettinho) 4:14
Miscelânia Vanguardiosa 5:09
Linguagens & Costumes 3:29
Mercosom 4:26
Boiada 3:57
Capelinha & Lembranças 5:36
Parquinho Do Passado, Presente E Futuro 3:01

All instruments played by Hermeto Pascoal.

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Antonio Vivaldi (1678-1741): Sinfonias dos Dramas para Música (Sardelli)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Sinfonias dos Dramas para Música (Sardelli)

Este é um disco bem mexido e alegre de Vivaldi. Os temas talvez fossem larga e merecidamente utilizados em cenas teatrais abertas. Mas este é outro Vivaldi, um praticamente sem movimentos lentos, só com coisas francamente felizes, às vezes marciais. Sardelli respeita fielmente os andamentos e as instruções do compositor e isto é muito bem-vindo e desejável. Para alcançar seus bons resultados, Sardelli encontra um suporte orquestral altamente competente no Modo Antiquo, que se funde com ele em um brilhante exercício de compreensão, proporcionando um som pleno, colorido e retumbante. Sim, outro Vivaldi está sendo servido. Provem-no, senhores.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Sinfonias dos Dramas para Música (Sardelli)

La Fida ninfa, opera in 3 acts, RV 714
1 Allegro molto – Presto 01:16

Arsilda, regina di Ponto, opera in 3 acts, RV 700
2 Allegro 01:47
3 Andante – Allegro 03:24

Giustino, opera in 3 acts, RV717
4 [Allegro] 02:33
5 [Andante] – Allegro 03:36

Bajazet (Il Tamerlano), pasticcio opera (“tragedia per musica”) in 3 acts, RV703
6 Allegro 02:20
7 Andante molto – Allegro 04:05

L’ Olimpiade, opera in 3 acts, RV 725
8 Allegro 02:12
9 Andante – Allegro 03:37

La Senna festeggiante, serenata à tre for chorus & continuo, RV 693
10 Allegro 02:22
11 Andante molto – Allegro molto 04:15
12 Adagio – Presto – [Adagio] 02:40
13 Allegro molto 01:05

Griselda, opera in 3 acts, RV 718
14 Allegro 01:57
15 Andante – Allegro 04:06

Teuzzone, pasticcio opera in 3 acts, RV 736
16 Allegro 01:52
17 Andante – Allegro 03:38

Ottone in Villa, opera in 3 acts, RV 729
18 Allegro 02:45
19 Larghetto – [Allegro] 01:55

Farnace, opera in 3 acts, RV 711
20 [Allegro] 01:53
21 Andante – [Presto] 03:12

L’ Incoronazione di Dario, opera, RV 719
22 Allegro 02:21
23 [Andante] – Presto 02:48

Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D
24 Allegro 01:43
25 [Andante] – Allegro 03:10

Dorilla in Tempe (I), opera (“melodramma erioco-pastorale”) in 3 acts, RV 709
26 3. Allegro 00:35

Modo Antiquo
Federico Maria Sardelli

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Grande Sardell!!!i

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.: interlúdio .: Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

.: interlúdio .: Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

Difícil de comentar. O CD “Charles Mingus’s Finest Hour” é uma compilação da série Finest Hour da gravadora Verve Records, que selecionaria o que há de “mais essencial” na carreira de artistas lendários. Neste caso, não chegou nem perto de uma boa amostragem. Há coisas maravilhosas e outras que francamente… Não servem nem como uma porta de entrada para conhecer Mingus: é uma mistureca de registros antigos e mais novos. A presença de obras-primas junto a gravações bem comuns baixam o nível de tudo. OK, pode ser ótimo para entender a força musical de Mingus como baixista, compositor e líder de banda, pela larga temporalidade variada das peças selecionadas. Enfim, é uma compilação de diferentes fases de Mingus — que não demonstra a enorme força de seu lirismo, fúria e complexidade.

Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

1 Charles Mingus– Jump Monk
Written-By – Charles Mingus
2:49
2 Lionel Hampton and his Orchestra– Mingus Fingers
Written-By – Charles Mingus
3:06
3 Charles Mingus– Theme For Lester Young (aka Goodbye Pork Pie Hat)
Written-By – Charles Mingus
5:50
4 Charlie Parker and his Orchestra– If I Love Again
Written-By – Ben Oakland, Jack Murray*
2:25
5 Charles Mingus– Bemoanable Baby
Written-By – Charles Mingus
4:23
6 Charles Mingus– Weird Nightmare
Written-By – Charles Mingus
3:37
7 Charles Mingus– Zoo-Baba-Da-Oo-Ee
Written-By – Charles Mingus
2:35
8 Mingus*– Old Portrait
Written-By – Charles Mingus
3:45
9 Charles Mingus– Prayer For Passive Resistance
Written-By – Charles Mingus
3:50
10 Charles Mingus– Consider Me
Written-By – Charles Mingus
3:19
11 Charles Mingus– Freedom
Written-By – Charles Mingus
5:10
12 Quincy Jones and his Orchestra– A Sleepin’ Bee
Written-By – Harold Arlen, Truman Capote
4:39
13 Charles Mingus– Group Dancers
Written-By – Charles Mingus
7:20
14 Charles Mingus– Better Get Hit In Yo’ Soul
Written-By – Charles Mingus
6:28

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Stefano Landi (1587-1639): Homo fugit velut umbra… (L’Arpeggiata)

Um belo disco de música antiga, modernizada pelo excelente L`Arpeggiata. Às vezes, parece música popular bem mais recente. É tudo muito lindo. Vamos falar sério: a improvisação sempre foi uma parte significativa da música dos séculos XVI e XVII. Então, por que nossa época deveria preocupar-se em fazer interpretações exatinhas e matemáticas? Curtam,  é um baita CD.

O poema da primeira faixa é este:

O come t’inganni
Se pensi che gli anni
non hann’da finire,
bisogna morire.

E’ un sogno la vita
Che par si gradita,
è breve il gioire
bisogna morire.
Non val medicina
Non giova la China,
non si può guarire,
bisogna morire.

Non vaglion sberate,
minarie, bravate
che caglia l’ardire,
bisogna morire.
Dottrina che giova,
parola non trova
che plachi l’ardire,
bisogna morire.

Non si trova modo
di scioglier’sto nodo,
non val il fuggire,
bisogna morire.
Commun’è il statuto,
non vale l’astuto
‘sto colpo schermire,
bisogna morire.

Si more cantando,
si more sonando
la Cetra, o Sampogna,
morire bisogna.
Si more danzando,
bevendo, mangiando;
con quella carogna
morire bisogna.

La Morte crudele
a tutti è infedele,
ogn’uno svergogna,
morire bisogna.
E’ pur ò pazzia
o gran frenesia,
par dirsi menzogna,
morire bisogna.

I Giovani, i Putti
e gl’Huomini tutti
s’hann’a incenerire,
bisogna morire.
I sani, gl’infermi,
i bravi, gl’inermi,
tutt’hann’a finire
bisogna morire.

E quando che meno
ti pensi, nel seno
ti vien’a finire,
bisogna morire.
Se tu non vi pensi
Hai persi li sensi,
sei morto e puoi dire:
bisogna morire.

E sua tradução pelo Google:

Oh, como você se engana!
Se pensa que os anos
nunca acabam,
você deve morrer.

A vida é um sonho
Que parece tão agradável,
A alegria é breve,
você deve morrer.

Nenhum remédio
da China serve para nada,
você não pode se curar,
você deve morrer.

Nenhum tiro,
palavras ameaçadoras, bravatas
que azedam sua coragem,
você deve morrer.

Doutrina não serve para nada,
palavras não encontram
que acalmem sua coragem,
você deve morrer.

Não há como
desatar este nó,
é inútil fugir,
você deve morrer.

O estatuto é o mesmo,
este golpe astuto
de defesa não serve para nada,
você deve morrer.

Morre-se cantando,
morre-se tocando
cítara ou sampogna,
morre-se.

Morre-se dançando,
bebendo, comendo;
Com essa carniça,
morre-se.

A Morte Cruel
é infiel a todos,
desgraça a todos,
um deve morrer.

É loucura
ou grande frenesi,
fingir que se conta uma mentira,
um deve morrer.

Jovens, crianças
e todos os homens
devem ser incinerados,
um deve morrer.

Os saudáveis, os doentes,
os corajosos, os indefesos,
todos devem acabar,
um deve morrer.

E quando você menos
pensa nisso, chega ao fim em seu coração,
um deve morrer.

Se você não pensa nisso,
você perdeu a consciência,
você está morto e pode dizer:
um deve morrer.

Stefano Landi (1587-1639): Homo fugit velut umbra… (L’Arpeggiata)

1. Passacalli della vita (‘Homo fugit velut umbra’)
2. Augelin
3. Sinfonia à 3
4. Invan lusinghi
5. Altri amor fugga
6. Canzona detta La Pozza, for lute, theorbo & harp
7. T’amai gran tempo
8. A che più l’arco tendere
9. Alla guerra d’amor
10. Balletto delle Virtù
11. Canta la cicaleta
12. Dirindin
13. Quando Rinaldo
14. Quest’Acqua
15. Amarillide, deh vieni

Christina Pluhar
Johannette Zomer
Stephan Van Dyck
Alain Buet
Marco Beasley
L`Arpeggiata

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Esta parece ser a única imagem disponível de Landi
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Tickmayer / Franck / Kancheli: Hymns And Prayers (Kremer)

Tickmayer / Franck / Kancheli: Hymns And Prayers (Kremer)

IM-PER-DÍ-VEL !!! (em razão do Kancheli)

Juntar o sérvio Tickmayer, o belga Franck e o georgiano Kancheli é fácil, o problema é aguentar Franck no meio deles. OK, o segundo movimento de seu Quinteto para Piano é bonito, mas o resto é complicado.

Tickmayer começou a escrever seus Eight Hymns em dezembro de 1986, ao saber da morte de seu cineasta favorito, Andrei Tarkovsky e tocou a obra em formato solo em seus concertos por vários anos. Ele o revisou em 2003, depois de trabalhar com os músicos da Kremerata — “os mensageiros ideais”, devido às suas origens no Leste Europeu — nesse luto musical. Tickmayer é eclético, estudou com Kurtág desde meados dos anos 90 e também colaborou com músicos de rock, como Chris Cutler, Fred Frith e Peter Kowald.

Gidon Kremer e Giya Kancheli têm uma longa associação que já resultou em várias gravações, incluindo o soberbo Music of Mourning in Memory of Luigi Nono (gravado em 1998) e Time… and Again (1999) e ainda na peça V & V (2000) do álbum In l’istesso tempo. Silent Prayer foi composta por ocasião do 80º aniversário de Mstislav Rostropovich e do 60º aniversário de Gidon Kremer em 2007. É dedicada a estes dois grandes músicos, ambos amigos próximos de Kancheli. Depois que Rostropovich morreu, o compositor intitulou a obra recém-terminada como Silent Prayer (Oração Silenciosa). A estreia mundial teve lugar a 7 de Outubro de 2007 no Festival de Violoncelo de Kronberg, que foi dedicado à memória do Rostrô, interpretado por Gidon Kremer e a Kremerata Baltica. Esse georgianos…. QUE MÚSICA, MEUS AMIGOS! É como uma névoa de lentidão infinita. Kremer cria linhas finas flutuando das alturas, como se fosse um guia para uma paisagem etérea. Kancheli foi um gênio, não se enganem, trata-se de um notável compositor, do porte de Pärt.

E dentro deste luto todo, aparece o muy coqueto Franck. Os amantes do belga podem achar esta obra um monumento, mas eu acho uma grande chateação romântica.

Tickmayer / Frank / Kancheli: Hymns And Prayers

Stevan Kovacs Tickmayer (1963)– Eight Hymns In Memoriam of Andrei Tarkovsky
Composed By – Stevan Kovacs Tickmayer
Conductor – Roman Kofman
Ensemble – Kremerata Baltica
Piano – Khatia Buniatishvili
Vibraphone – Andrei Pushkarev
(11:47)
1.1 – Calmo
1.2 – Tranquillo
1.3 – Pesante
1.4 – Sereno
1.5 – Molto Tranquillo
1.6 – Pregando
1.7 – Dolce
1.8 – Molto Semplice

César Franck (1822-1890) — Piano Quintet In f Minor
Composed By – César Franck
Piano – Khatia Buniatishvili
Viola – Maxim Rysanov
Violin – Marija Nemanytė*
Violoncello – Giedrė Dirvanauskaitė*
(36:20)
2 – Molto Moderato Quasi Lento. Allegro 15:55
3 – Lento, Con Molto Sentimento 10:45
4 – Allegro Non Troppo, Ma Con Fuoco 8:40

5 Giya Kancheli (1935-2019) — Silent Prayer
Composed By – Giya Kancheli
Ensemble – Kremerata Baltica
Vibraphone – Andrei Pushkarev
Violin – Gidon Kremer
Violoncello – Giedrė Dirvanauskaitė*
Voice [Voice On Tape] – Sofia Altunashvili
(26:40)

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A cara de Kancheli quando soube da companhia. Franck? Pelamor…

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Shostakovich Edition (CDs 25, 26 e 27 de 27)

Shostakovich Edition (CDs 25, 26 e 27 de 27)

IM-PER-DÍ-VEL !!! SÉRIE IM-PER-DÍ-VEL !!! E MAIS UMA SÉRIE FINALIZADA !!!

CD 25

Os quartetos de números 9, 10 e 11 são semelhantes em estrutura e espírito. São os três muito bons e têm em comum o fato de manter por todo o tempo a alternância entre movimentos rápidos e lentos, sendo tais contrastes ampliados pelo fato de o nono e o décimo primeiro serem compostos por movimentos executados sem interrupções. O décimo ainda separa os primeiros movimentos, porém o Alegretto final surge de dentro de um o Adágio. A postura de fazer com que surjam movimentos antagônicos um de dentro do outro é uma particularidade que torna estes quartetos ainda mais interessantes, sendo que o décimo primeiro é um quarteto de 17 minutos com sete movimentos; isto é, Shostakovich brinca com a apresentação de temas que fazem surgir de si outros muito diversos em estilo, como se o compositor estivesse sofrendo de uma incontrolável superfetação (*). É, no mínimo, desafiador ao ouvinte. Melodicamente, são muito ricos, e exploram com insistência incomum os ostinatos, os quais são sempre belíssimos e curiosos. Merecem inteiramente o lugar que modernamente obtiveram no repertório dos quartetos de cordas. É curioso como é fácil confundi-los. Estou ouvindo-os enquanto escrevo e noto quando o CD passa de um para outro, pois têm personalidades muito próprias, mas nunca sei se o que estou ouvindo é o nono ou o décimo. Pode ser uma limitação minha! Já no décimo primeiro, o paroxismo da criação de melodias chega a tal ponto, seus ostinatos são tão alucinados, que é mais fácil reconhecê-lo.

Aliás, o décimo primeiro apresenta aqueles finais tranquilos que constituíram-se uma das assinaturas do Shostakovich final. Esqueçam o gran finale. Sem fazer grande pesquisa, sei que eles podem ser encontrados na 13ª, 14ª e 15ª sinfonias, neste quarteto e no sensacional Concerto para Violoncelo que será comentado a seguir.

(*) Palavra pouco utilizada, não? Significa a concepção que ocorre quando, no mesmo útero, já há um feto em desenvolvimento.

String Quartet No. 5 in B flat major Op. 92 (1952)
1. Allegro non troppo  10:44
2. Andante  10:41
3. Moderato  10:25

String Quartet No. 11 in F minor Op. 122 (1966)
4. Introduction (andantino)  2:15
5. Scherzo (allegretto)  2:57
6. Recitativo (adagio)  1:18
7. Etude (allegro)  1:19
8. Humoresque (allegro)  1:08
9. Elegy (adagio)  4:15
10. Conclusion (moderato)  3:41

String Quartet No. 12 in D flat major Op. 133 (1968)
11. Moderato  6:41
12. Allegretto  20:29

Total:  76:15

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van den Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

CD 26

Talvez apenas aficionados possam gostar do esquisito Quarteto Nº 6. Ele tem quatro movimentos, dos quais três são decepcionantes ou descuidados. O intrigante nesta música é o extraordinário terceiro movimento Lento, uma passacaglia barroca que é anunciada solitariamente pelo violoncelo. É de se pensar na insistência que alguns grandes compositores, em seus anos maduros, adotam formas bachianas. Os últimos quartetos e sonatas para piano de Beethoven incluem fugas, Brahms compôs motetos no final de sua vida e Shostakovich não se livrou desta tendência de voltar ao passado comum de todos. Enfim, este quarteto vale por seu terceiro movimento e, com certa boa vontade, pelo Lento – Allegretto final.

String Quartet No. 4 in D major Op. 83 (1949)
1. Allegretto  4:27
2. Andantino  6:35
3. Allegretto  4:07
4. Allegretto  10:28

String Quartet No. 6 in G major Op. 101 (1956)
5. Allegretto  6:42
6. Moderato con motto  4:56
7. Lento  5:57
8. Lento-allegretto  7:44

String Quartet No. 10 in A flat major Op. 118 (1964)
9. Andante  4:32
10. Allegretto furioso  4:16
11. Adagio  6:13
12. Allegretto  9:08

Total:  75:18

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van den Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

CD 27

Quarteto de Cordas Nº 14, Op. 142 (1972-73)

Este é quase um quarteto para violoncelo solo e trio de cordas, tal é a proeminência dada àquele instrumento. É um quarteto inspiradíssimo, escrito em três movimentos (Allegretto – Adagio – Allegretto), e que tem seu centro dramático num dilacerante adagio de 9 minutos. Não consigo imaginar uma audição deste quarteto sem a audição em sequência do Nº 15. Eles, que costumam aparecer juntos, seja em vinil ou em CD, formam, em minha imaginação, uma obra só.

Quarteto de Cordas Nº 15, Op. 144 (1974)

Este trabalho, assim como a sonata a seguir, são tidas como obras-primas e seriam os dois principais “réquiens privados” de Shostakovich. Concordo com esta opinião.

O que dizer de um obra escrita em seis movimentos, em que quatro deles são adagio e os outros dois deles são adagio molto, sendo que, destes dois últimos, um é uma marcha funeral e outro um epílogo…? Ora, no mínimo que é lenta. Porém, como estamos falando do Shostakovich final, estamos falando de uma obra que tem como fundo a morte. Há três movimentos realmente notáveis nesta música: a Serenata: Adagio, a Marcha Fúnebre – Adagio Molto e o musicalmente espetacular Epílogo – Adagio Molto. O Epílogo recebeu vários arranjos sinfônicos e costuma aparecer – separadamente ou não do resto do quarteto – em gravações orquestrais.

String Quartet No.1 in C major Op. 49 (1935)
1. Modearto  3:57
2. Moderato  4:43
3. Allegro molto  2:12
4. Allegro  3:03

String Quartet No.14 in f sharp major Op.142 (1973)
5. Allegretto  8:22
6. Adagio  10:57
7. Allegretto  8:44

String Quartet No.15 in E flat minor Op. 144 (1974)
8. Elegy (adagio)  12:23
9. Serenade (adagio)  5:15
10. Intermezzo (adagio)  1:49
11. Nocturne (adagio)  4:54
12. Funeral March (adagio molto)  4:38
13. Epilogue (adagio)  6:40

Total:  78:00

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van de Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

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Shostakovich felicita seu filho Maxim após a apresentação do “Concertino” para dois pianos, op. 94, na Sala Maly da Filarmônica de Leningrado, em 15 de janeiro de 1955.

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Dvořák: Quarteto Americano / Borodin: Quarteto Nº 2 / Shostakovich: Quarteto Nº 8 (Janáček Quartet, Borodin Quartet)

Dvořák: Quarteto Americano / Borodin: Quarteto Nº 2 / Shostakovich: Quarteto Nº 8 (Janáček Quartet, Borodin Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Quarteto Americano é uma ótima composição. Gosto dele. Mas o destaque deste CD chama-se Alexandr Borodin e seu esplêndido Quarteto Nº 2. Aqui, o compositor acertou em cheio, escrevendo música sublime de ponta a ponta. Idem para o Shosta que fecha o disco. o nº 8 é o mais famoso de seus quartetos e é muito do caraglio. Repertório de primeira, boas interpretações, você vai querer mais o quê? Uma cerveja artesanal, um chocolatinho, um harém feminino ou masculino (não temos problemas com gênero), o rebaixamento do Grêmio, a prisão dos Bolsonaro, mais Tarcísio, Zema, Castro, Ciro, Nikolas, o quê?

Dvořák: Quarteto Americano / Borodin: Quarteto Nº 2 / Shostakovich: Quarteto Nº 8 (Janáček Quartet, Borodin Quartet)

Dvořák | String Quartet op.96 »American«
1. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 1. Allegro ma non troppo
2. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 2. Lento
3. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 3. Molto vivace
4. String Quartet No. 12 in F major (‘American’), B. 179 (Op. 96): 4. Finale: Vivace ma non troppo

Borodin | String Quartet No.2
5. String Quartet No. 2 in D major: 1. Allegro moderato
6. String Quartet No. 2 in D major: 2. Scherzo: Allegro
7. String Quartet No. 2 in D major: 3. Notturno: Andante
8. String Quartet No. 2 in D major: 4. Finale: Andante – Vivace

Shostakovich | String Quartet No.8 op.110
9. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 1. Largo
10. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 2. Allegro molto
11. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 3. Allegretto
12. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 4. Largo
13. String Quartet No. 8 in C minor, Op. 110: 5. Largo

Janáček Quartet (Dvořák)
Borodin Quartet (Borodin, Shosta)

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Alexandr Borodin

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.: interlúdio :. Madredeus: O Paraíso

.: interlúdio :. Madredeus: O Paraíso

Para um brasileiro, é complicado caracterizar o Madredeus. O grupo está posicionado entre o erudito e o popular, mas jamais na posição e breguice que tantas vezes assola o prog rock. Aliás, está muito longe do prog rock porque é 100% acústico, explora canções relativamente curtas e é tudo tranquilo e sem bateria. New age? De jeito nenhum. Para mim, está quase dentro do fado, mas também com um pé fora. É folclórico? Sim, sem dúvida. O nome do grupo assusta um ateu como eu, mas há razões para o nome; as canções parecem antigas, mas são inovadoras; as letras são antiquadas; a cantora (fantástica) é quase uma cantora lírica, das que hoje cantam música barroca. Adorei ouvir este CD quando de seu lançamento e, ao voltar a ouvi-lo, noto que ele não perdeu seu encanto. O grupo formado em 1985 acabou em 2010 e é famoso no mundo inteiro. Seus fundadores foram Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica), Rodrigo Leão (teclados), Francisco Ribeiro (violoncelo) falecido em Setembro de 2010, Gabriel Gomes (acordeão) e Teresa Salgueiro (voz). Magalhães e Leão formaram o grupo em 1985, Ribeiro e Gomes juntaram-se a eles em 1986. Na sua busca por uma vocalista, descobriram Teresa Salgueiro numa casa noturna de Lisboa, quando cantava alguns fados numa reunião informal de amigos. Teresa foi convidada para uma audição e aí surgia o grupo, o qual ainda não tinha um nome. A proposta inicial era a de uma oficina criativa, à qual todos os músicos levariam suas ideias e comporiam em conjunto os temas e arranjos. Em 1987, o local de trabalho do grupo, o Teatro Ibérico (antiga igreja do Convento das Xabregas, num bairro de Lisboa chamado Madredeus) serviu de estúdio de gravação para mais de quinze temas reunidos à época em um LP duplo, depois convertido para o formato de CD. Chamaram-no de Os Dias da MadreDeus e daí viria o nome do grupo. O caráter inovador do álbum fez com que os Madredeus se tornasse um fenômeno instantâneo de popularidade em Portugal na época. Wim Wenders, impressionado com a música do grupo, tinha-os convidado para musicarem um filme sobre Lisboa, chamado Lisbon Story (no Brasil, O Céu de Lisboa), do qual o grupo participou também como personagens. A trilha sonora deu ao grupo ainda maior projeção internacional. Este CD, O Paraíso (1997) é mais ou menos desta época e traz canções lindas como Haja o que houver, Não muito distante e outras. Vale muito a pena ouvir.

Madredeus: O Paraíso

1 Haja O Que Houver 4:30
2 Os Dias São À Noite 4:31
3 A Tempestade 5:14
4 A Andorinha Da Primavera 3:04
5 Claridade 5:25
6 A Praia Do Mar 3:25
7 O Fim Da Estrada 3:53
8 Agora (Canção Aos Novos) 9:23
9 À Margem 4:43
10 Carta Para Ti 3:49
11 Coisas Pequenas 5:25
12 Não Muito Distante 4:10
13 O Sonho 5:07
14 O Paraíso 6:49

Acoustic Bass – Fernando Júdice
Classical Guitar – José Peixoto, Pedro Ayres Magalhães
Lyrics By, Music By – Pedro Ayres Magalhães (faixas: 1, 2, 8, 9, 11 to 14)
Synthesizer – Carlos Maria Trindade
Vocals – Teresa Salgueiro

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A cantora Teresa Salgueiro

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Max Bruch (1838-1920): Oito Peças / Vincent d`Indy (1851-1931): Trio para Clarinete, Violoncelo e Piano (Amici Ensemble)

Max Bruch (1838-1920): Oito Peças / Vincent d`Indy (1851-1931): Trio para Clarinete, Violoncelo e Piano (Amici Ensemble)

Um tranquilo e bom CD. Tudo bonito, poético e no lugar. As 8 Peças para Piano, Clarinete (Violino) e Violoncelo, Op. 83, de Max Bruch (1838–1920), são uma joia pouco explorada do repertório de música de câmara do Romantismo alemão. Embora Bruch seja mais lembrado por seu ardente Concerto para Violino nº 1 ou Kol Nidrei, essas miniaturas revelam seu talento para melodias elegantes. Compostas em 1910, quando Bruch já era um compositor idoso (72 anos) e já ofuscado por Brahms e Wagner. Refletem um romantismo tardio, com influências de Schumann e Mendelssohn, mas mantendo a linguagem harmônica conservadora de Bruch. Diferente de suas obras orquestrais dramáticas, essas peças são íntimas, líricas e nostálgicas. O Trio para Clarinete, Violoncelo e Piano, Op. 29, de Vincent d’Indy é uma obra-prima da música de câmara francesa fin de siècle escrita em 1887. Nela, já surge aquela sensibilidade impressionista que começaria a emergir na França. A obra homenageia Johannes Brahms (que também escreveu um trio para a mesma formação), mas com harmonias mais fluidas e cores tipicamente francesas.

Max Bruch (1838-1920): Oito Peças / Vincent D`Indy (1851-1931): Trio para Clarinete, Violoncelo e Piano (Amici Ensemble)

Bruch, Max
8 Pieces, Op. 83
1 I. Andante 03:49
2 II. Allegro con moto 02:35
3 III. Andante con moto 06:41
4 IV. Allegro agitato 03:48
5 V. Rumanische Melodie: Andante 05:12
6 VI. Nachtgesang (Nocturne): Andante con moto 06:10
7 VII. Allegro vivace, ma non troppo 03:22
8 VIII. Moderato 04:34

Indy, Vincent d’
Clarinet Trio, Op. 29
9 I. Overture: Modéré 14:11
10 II. Divertissement: Vif et anime 06:00
11 III. Chant Elegiaque: Lent 06:00
12 IV. Finale: Anime 09:43

Amici Ensemble

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Max Bruch pensando em como se livrar de toda a famiglia Bolsonaro

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Shostakovich Edition (CDs 4, 5 e 6 de 27)

Shostakovich Edition (CDs 4, 5 e 6 de 27)

IM-PER-DÍ-VEL!!!

CD 4

Sinfonia Nº 7, Op. 60, Leningrado (1941)

De história riquíssima, a Sinfonia Nº 7 – dedicada à resistência da cidade de Leningrado cercada pelos nazistas – deve sua celebridade a uma transmissão de rádio feita para a cidade devastada e sitiada. Ela auxiliou as autoridades soviéticas a elevar o moral em Leningrado e no país. Várias outras performances foram programadas com intenções patrióticas na União Soviética e na Europa. Não é melhor sinfonia de Shostakovich, nem perto. A notável Sinfonia Nº 11, tão superior à sétima, é tão mais eficiente como musica programática de conteúdo histórico, que torna falso qualquer grande elogio à Sétima. De qualquer maneira, é esplêndido o primeiro movimento que descreve a marcha nazista. Também é importante salientar o equívoco do grande público que vê resistência e patriotismo numa obra sobre a devastação e a morte. Mas, como diria Lênin, o que fazer?

Symphony No. 7 In C Major Op. 60 “Leningrad”
CD4-1 War, Allegretto 26:20
CD4-2 Memories, Moderato (Poco Allegretto) 10:24
CD4-3 My Native Field, Adagio 18:16
CD4-4 Victory, Allegro Non Troppo 16:34

CD 5

Sinfonia Nº 8, Op. 65 (1943)

Esta enormidade musical é também muito admirada, mas é música que, apesar de não ser nada má, perderá para suas irmãs gêmeas compostas depois, dentro do mesmo espírito. Gosto muito da beleza austera do quarto movimento em 12 variações – uma passacaglia – e também dos dois primeiros, com destaque para o divertido diálogo entre o piccolo, o clarinete e o fagote do scherzo. O terceiro movimento, de efeito fácil e heróico, é divertido, mas tem aquela melodia entoada pelo trompete que… Sei lá, acho estranho uma sinfonia com dois Scherzi.

Symphony No. 8 In C Minor Op. 65
CD5-1 Adagio 27:27
CD5-2 Allegretto 6:42
CD5-3 Allegro Non Troppo 6:28
CD5-4 Largo 9:38
CD5-5 Allegretto 13:45

CD 6

Sinfonia Nº 9, Op. 70 (1945)

Desde Schubert, com sua Sinfonia Nº 9 “A Grande”, passando pela Nona de Beethoven e pelas nonas de Bruckner e Mahler, que espera-se muito das sinfonias Nº 9. Há até uma maldição que fala que o compositor morre após a nona, o que, casualmente ou não, ocorreu com todos os citados menos Shostakovitch. Esta sinfonia – por ser a “Nona” – foi muito aguardada e, bem, digamos que não seria Shostakovitch se ele não tivesse feito algo inesperado.

Leonard Bernstein ria desta partitura, cujas muitas citações formam um todo no mínimo sarcástico. O compositor declarou que faria uma música que expressaria “a luta contra a barbárie e grandeza dos combatentes soviéticos”, mas os severos críticos soviéticos, adeptos do realismo socialista, foram mais exatos e apontaram que a obra seria debochada, irônica e de influência stravinskiana. Bingo! Na verdade é uma das composições mais agradáveis que conheço. O material temático pode ser bizarro e bem humorado (primeiro e terceiro movimentos), mas é também terno e melancólico (segundo e largo introdutório do quarto), terminando por explodir numa engraçadíssima coda. Barshai dá um andamento bastante lento e original à coda. Stálin assistiria e assistiu à estreia de uma Nona grandiosa…

Apesar dos cinco movimentos, é uma sinfonia curta, muito parecida em espírito com a primeira sinfonia “Clássica” de Prokofiev e com a Sinfonia “Renana” de Schumann, também em cinco movimentos.

Sinfonia Nº 10, Op. 93 (1953)

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stalin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, é absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo, e sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. (Chego a pensar que, se este movimento fosse apresentado aos jogadores de Parreira, antes do jogo contra a França, trucidaríamos Zidane com ou sem cabeçadas e Roberto Carlos lembraria de qualquer coisa, menos de suas meias…) Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranqüilo, contendo o maior enigma musical do mestre: a orquestra pára, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado a capela pela trompa. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

Symphony No. 9 In E Flat Major Op. 70
CD6-1 Allegro 5:16
CD6-2 Moderato 5:42
CD6-3 Presto 2:54
CD6-4 Largo 3:00
CD6-5 Allegretto 6:51

Symphony No. 10 In E Minor Op. 93
CD6-6 Moderato 23:14
CD6-7 Allegro 4:31
CD6-8 Allegretto 12:08
CD6-9 Andante 12:19

Arranged By – Rudolf Barshai (tracks: 12-1 to 13-13)
Bass Vocals – Sergei Aleksashkin (tracks: 10-1 to 10-5), Vladimir Vaneev (tracks: 10-1, 10-3, 10-6 to 10-9, 10-11)
Cello – Alexander Ivashkin (tracks: 19-1 to 19-7), Godfried Hoogeveen (tracks: 20-1 to 20-5), Nathaniel Rosen (tracks: 20-6 to 20-9), Peter Devos (tracks: 23-1 to 27-13), Timora Rosler (tracks: 22-1 to 22-8)
Choir – The Choral Academy Moscow* (tracks: 10-1 to 10-5), Rundfunkchor* (tracks: 1-1 to 1-6)
Conductor – Yevgeny Mravinsky* (tracks: 18-1 to 18-3), Gennadi Rozhdestvensky (tracks: 18-4 to 18-5), Paavo Berglund (tracks: 17-1 to 17-10), Rudolf Barshai (tracks: 1-1 to 13-13), Theodore Kuchar (tracks: 14-1 to 16-20), Valery Polyansky (tracks: 19-1 to 19-7)
Orchestra – Bournemouth Symphony Orchestra (tracks: 17-1 to 17-10), Leningrad Philharmonic Orchestra (tracks: 18-1 to 18-3), Moscow Philharmonic Orchestra (tracks: 18-4 to 18-5), National Symphony Orchestra Of Ukraine (tracks: 14-1 to 16-20), Orchestra Sinfonica Di Milano Giuseppe Verdi (tracks: 12-1 to 13-13), Moscow Symphony Orchestra* (tracks: 19-1 to 19-7), WDR Sinfonieorchester* (tracks: 1-1 to 11-4)
Piano – Colin Stone (tracks: 22-5 to 22-8), Cristina Ortiz (tracks: 17-1 to 17-10), Edward Auer (tracks: 20-1 to 2-09), Klára Würtz (tracks: 22-1 to 11-4), Ronald Brautigam (tracks: 21-1 to 21-6)
Soprano Vocals – Alla Simoni (tracks: 10-2 to 10-6, 10-10)
Viola – Marc Sonnaert (tracks: 23-1 to 27-13), Marcus Thompson (3) (tracks: 20-1 to 20-5)
Violin – Christiaan Bor (tracks: 20-1 to 2-09), David Oistrakh* (tracks: 18-1 to 18-5), Dirk Van De Velde (2) (tracks: 23-1 to 27-13), Dirk Van Den Hauwe (tracks: 23-1 to 27-13), Paul Rosenthal (tracks: 20-1 to 20-5)
Violin, Viola – Isabelle van Keulen (tracks: 21-1 to 21-6)

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Shostakovich
Shostakovich

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) / Alfred Schnittke (1934-1998): Quintetos para Piano (Vermeer Quartet, Boris Berman)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) / Alfred Schnittke (1934-1998): Quintetos para Piano (Vermeer Quartet, Boris Berman)

Shostakovich e Schnittke são dois compositores russos do século XX que são frequentemente comparados e apresentados juntos, pois ambos documentaram de forma poderosa a turbulência e a luta do período soviético. Embora tenham estilos diferentes, a influência de Shostakovich é clara na obra de Schnittke, que foi um estudioso e admirador de seu trabalho e chegou a compor em memória dele, como em seu “Praeludium in memoriam Dmitri Shostakovich”. Schnittke via Shostakovich como uma figura central do século XX, comparando sua capacidade de absorver influências ao seu próprio trabalho, assim como a Stravinsky. Schnittke também compôs peças para homenagear Shostakovich, demonstrando admiração e um senso de “genealogia artística”. O Quinteto para Piano em Sol menor, Op. 57, de Dmitri Shostakovich, é uma das obras de câmara mais importantes do século XX. Composta em 1940, ela revela o compositor no ápice de sua maturidade criativa, equilibrando emotividade, estrutura clássica e ironia sutil. Shostakovich escreveu o quinteto após o trauma do Grande Expurgo de Stalin (1936–1938), mas antes da Segunda Guerra Mundial. Foi uma encomenda do Quarteto Beethoven (um dos maiores grupos instrumentais da URSS), e o próprio Shostakovich o estreou ao piano. Diferente de suas obras “polêmicas” (como a ópera Lady Macbeth), aqui ele adota um estilo mais acessível, sem abrir mão de sua voz. O quinteto equilibra como poucas obras o clássico e o moderno. A escrita é clara, transparente, quase mozartiana em certos momentos; mas por baixo dessa superfície vive a tensão emocional típica de Shostakovich. Ele parece dizer: “Posso sorrir, mas meu sorriso conhece a sombra.” Porque consegue ser profundamente humana: alterna rigor e lirismo, inteligência e emoção, luz e sombra. É música que acolhe, mas também inquieta. Música que não grita, mas que permanece. É, talvez, o momento em que 0 compositor mais se aproxima da ideia de consolação — sem ilusões, mas com coragem. Se o Quinteto de Shostakovich é um drama humano sob o regime soviético, o de Alfred Schnittke (1934-1998) é como entrar em um universo paralelo onde Bach, Schoenberg e um circo grotesco se encontram em um beco escuro. Prepare-se para uma viagem sonora alucinante. Sério! Composto em 1972-1976, o Quinteto para Piano e Cordas de Schnittke é um manifesto de seu estilo “poliestilístico” – uma colagem de referências que vai do barroco ao serialismo, passando por tangos distorcidos e citações sombrias. Schnittke escreveu a obra após um ataque cardíaco (aos 40 anos!), o que explica sua atmosfera de morte. O Quinteto de Schnittke rompe com toda a tradição sem perder a referência a ela (um paradoxo típico de Schnittke). Não é uma obra para relaxar. É para ser vivida – como um terremoto que rearruma sua percepção de música. Se Shostakovich é o desespero com dignidade, Schnittke é o desespero com alucinações.

Dmitri Shostakovich (1906-1975) / Alfred Schnittke (1934-1998): Quintetos para Piano (Vermeer Quartet, Boris Berman)

Shostakovich, Dmitry
Piano Quintet in G Minor, Op. 57
1 Prelude 04:21
2 Fugue 09:14
3 Scherzo 03:22
4 Intermezzo 06:48
5 Finale 07:16

Schnittke, Alfred
Piano Quintet
6 Moderato 05:41
7 In Tempo di Valse 05:05
8 Andante 05:55
9 Lento 04:35
10 Moderato pastorale 04:08

Vermeer Quartet
Boris Berman

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Chega de fotos de Shostakovich! Este é Alfred Schnittke.

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Edward Elgar (1857-1934): Variações Sobre Um Tema Original, “Enigma” / Pompa e Circunstância: Marchas Militares 1 e 4 / In The South (Alassio) (Sinopoli, Philharmonia Orchestra)

Edward Elgar (1857-1934): Variações Sobre Um Tema Original, “Enigma” / Pompa e Circunstância: Marchas Militares 1 e 4 / In The South (Alassio) (Sinopoli, Philharmonia Orchestra)

Sinopoli foi um gênio. Porém, com apenas 54 anos de idade, sofreu um ataque cardíaco fulminante enquanto regia a ópera “Aida”, de Giuseppe Verdi, na Deutsche Oper Berlin. Ele desfaleceu no pódio, durante uma apresentação da ópera. Sinopoli era conhecido por sua intensidade e dedicação extrema. Além de seu renome como maestro, Sinopoli também foi um respeitado compositor e psiquiatra, uma figura verdadeiramente renascentista cuja carreira foi interrompida de maneira abrupta e prematura. Um verdadeiro erudito, no sentido mais clássico da palavra.

Mais do que uma série de variações, Enigma é uma “galeria de retratos musicais”. Elgar compôs cada seção inspirado na personalidade de seus amigos mais próximos, criando um enigma duplo: a obra esconde uma melodia tema que nunca é ouvida, mas que serve como base para toda a composição. É uma obra de afeto e inteligência, onde a orquestra pinta com nuances únicas a ternura, a leveza e a nobreza de cada amigo do compositor. Uma peça cativante que é, no fundo, um abraço musical transformado em partitura. Se há um som que define a “grandiosidade britânica” e a de Sílvio Santos, é o da Marcha nº 1 de Pompa e Circunstância. Sua melodia central, “Terra da Esperança e Glória”, tornou-se quase um segundo hino nacional. É impossível não sentir uma onda de solenidade e orgulho ao ouvi-la. Já a Marcha nº 4 oferece um contraste fascinante: mantém a dignidade imperial, mas com um caráter mais íntimo e reflexivo, antes de culminar numa conclusão igualmente triunfante. Achei um saco a tal de “In the South”.

Edward Elgar (1857-1934): Variações Sobre Um Tema Original, “Enigma” / Pompa E Circunstância: Marchas Militares 1 E 4 / In The South (Alassio) (Sinopoli, Philharmonia Orchestra)

Variations On An Original Theme (“Enigma”), Op. 36
1 Enigma: Andante 1:33
2 (C.A.E.) L’Istesso Tempo 1:58
3 (H.D. S.-P.): Allegro 0:52
4 (R.B.T.): Allegretto 1:46
5 (W.M.B.): Allegro Di Molto 0:31
6 (R.P.A.): Moderato 2:28
7 (Ysobel): Andantino 1:26
8 (Troyte): Presto 1:00
9 (W.N.): Allegretto 2:25
10 (Nimrod): Adagio 3:58
11 Intermezzo (Dorabella): Allegretto 2:31
12 (G.R.S.): Allegro Di Molto 0:58
13 (B.G.N.): Andante 3:18
14 Romanza (***): Moderato 3:22
15 Finale (E.D.U.): Allegro – Presto 6:15

Pomp And Circumstance: Military Marche, Op. 39
16 No. 1 In D Major 6:33
17 No. 4 In G Major 5:22

In the South (Alassio), Op. 50
18 Concert Overture 23:13

Directed By – Giuseppe Sinopoli
Orchestra – Philharmonia Orchestra

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Elgar: será que ele proporcionava sexo oral à sua parceira(o) com este bigode?

PQP