Alfred Schnittke (1934-1998): Symphony No. 1 (Russian State Symphony Orchestra, Rozhdestvensky)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Prepare os ouvidos. Esta é uma sinfonia que é uma verdadeira peça de teatro musical, um manifesto, um terremoto sonoro que implode o gênero sinfônico de dentro para fora. A gravação de Gennady Rozhdestvensky à frente da Orquestra Sinfônica do Estado Russo (originalmente Ministério da Cultura da URSS) é o registro definitivo desta obra-prima do caos, capturando sua energia revolucionária e seu humor ácido com uma autenticidade insuperável. Alfred Schnittke compôs sua Sinfonia nº 1 entre 1969 e 1972, em um momento de profunda crise criativa como jovem compositor soviético. A resposta que ele encontrou foi o “poliestilismo” — a justaposição deliberada de estilos, gêneros e épocas em uma única obra. O resultado é uma colagem alucinante que cita Beethoven, Tchaikovsky, Grieg, Chopin, canto gregoriano, ragtime, jazz e até mesmo marchas militares. Schnittke descreveu a obra como uma tentativa de reconstruir a forma clássica da sinfonia “a partir de fragmentos e sobras”. O crítico Richard Taruskin foi mais direto: chamou-a de “realismo socialista menos o socialismo”. A peça é um “anti-sinfonia” que pergunta como escrever uma sinfonia no século XX e, em seguida, mata o gênero antes de ressuscitá-lo… Esta gravação da Melodiya é a que captura a obra em seu estado mais puro e visceral. Rozhdestvensky, a quem a sinfonia é dedicada e que regeu sua estreia em 1974, conhece cada átomo da partitura como ninguém. Sua leitura é descrita pela crítica como “analítica”, “clara” e “minuciosa”. A orquestra – uma formação gigantesca com madeiras quadruplicatas, guitarras, vários saxofones e um grupo de solistas – executa a partitura com uma precisão que realça a loucura controlada da obra. O som da Melodiya captura detalhes fascinantes, como o solo de trompete jazzy no início, descrito como “brilhante e revigorante”. Esta sinfonia foi um marco na música russa. Sua estreia ocorreu em 1974 na cidade de Gorki (hoje Nizhny Novgorod). Em 1975 foi apresentada em Tallinn, mas sua estreia em Moscou só ocorreu em 1986, no início da glasnost. A obra foi apresentada nos Estados Unidos pela Orquestra Sinfônica de Boston, sob a regência do próprio Rozhdestvensky. Finalizando, este é uma audição obrigatória tanto para amigos quanto para detratores de Schnittke. Esta gravação de Rozhdestvensky é o documento histórico que a obra merece – uma cápsula do tempo que captura a energia, o humor e a ousadia de um compositor que ousou questionar tudo o que a música sinfônica representava. Não é uma escuta fácil, mas é uma experiência inesquecível.

Alfred Schnittke (1934-1998): Symphony No. 1 (Russian State Symphony Orchestra, Rozhdestvensky)

Symphony No. 1 (1:04:55)
1 Senza Tempo – Moderato – Allegro – Andante 18:59
2 Allegretto 11:42
3 Lento – 11:09
4 Lento 25:40

Piano, Soloist – Alexei Lubimov
Violin, Soloist – Tatyana Grindenko
Russian State Symphony Orchestra
Gennady Rozhdestvensky

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