.: interlúdio :.

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Um dia emprestei para Blue Dog todos os meus CDs e vinis de Charlie Mingus. Ele é esperto, tem a religião da música e sabe que há coisas tão puras e perfeitas que não deveriam, na verdade, serem confundidas com religião. Só que, na época, eu não tinha esta maravilha chamada Mingus Oh Yeah. Imaginem que Trauriger Hund ficou sem! Isso eu não posso suportar.

Neste disco originalmente de 1962 as faixas só iam até a sétima. Aqui, Mingus está um pouco diferente do normal, pois além de compor as obras-primas de sempre e tocar seu contrabaixo, ele t5ambém é responsável pelos solos de piano e… pelos vocais. Eu duvido que outro disco de jazz – disco original, não antologias – tenha uma seqüência de músicas mais perfeita do que Devil Woman, Wham Bam Thank You Ma’am, Ecclusiastics, Oh Lord Don’t Let Them Drop That Atomic Bomb On Me e Eat That Chicken; com destaque para a inacreditável Ecclusiastics e a engraçadíssima Eat that chicken.

Um CD para ouvir várias vezes em seqüência e depois sair na rua, sabendo-se alguns centímetros mais alto.

P.Q.P. Bach.

P.S.- Vocês já devem ter notado que eu nunca coloco a capa dos CDs em minhas postagens, mas esta é tão legal, né?

Mingus Oh Yeah

1 Hog Callin’ Blues
2 Devil Woman
3 Wham Bam Thank You Ma’am
4 Ecclusiastics
5 Oh Lord Don’t Let Them Drop That Atomic Bomb On Me
6 Eat That Chicken
7 Passions Of A Man
8 “Old” Blues For Walt’s Torin
9 Peggy’s Blue Skylight
10 Invisible Lady

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INÉDITO! SENSACIONAL CONCURSO! GANHE PRÊMIOS COM P.Q.P. BACH!

Uma amiga utilizou uma obra retirada de nosso blog como trilha sonora para um filme que fez com seus alunos. Eles, os alunos, são como nós e têm necessidades especiais, só que as deles são mais aparentes. Foi um trabalho de fim de ano organizado por ela – uma excelente pedagoga – e ficou realmente muito bom. O casamento da música com a ação ficou melhor do que todos os casamentos que tenho observado. O gênero do filme de 6 minutos é o “terrir”.

Bem, mas o que interessa é que o primeiro dos “ouvintes” do PQP que descobrir qual é a obra que toca de cabo a rabo no filme, com compositor, nome da música e movimento, ganhará, INTEIRAMENTE GRÁTIS, o livro Tudo o que você precisa saber sobre Música para nunca passar vergonha, também conhecido como Manual do Blefador (Música), do inglês Peter Gammond. A edição virá assinada pelo autor deste blog… O que é apenas uma das qualidades que o excelente opúsculo cômico apresenta.

E não adianta esperar pelo créditos finais porque pedi para minha amiga retirar quaisquer referências a compositor e obra utilizada.

O primeiro comentarista que escrever o que é ouvido no filme será o vencedor. Os casos omissos, problemáticos e dúbios serão decididos por nossa comissão julgadora, a qual é formada apenas por mim, P.Q.P. Bach. Desde já, a comissão alerta que estará se lixando para as reclamações. A comissão, aliás, comunica que está indo ao cinema e só apontará o vencedor, se houver, quando de seu retorno.

BAIXE O FILME AQUI – BOA SORTE

Restaurado – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonies n 4, in B Flat Major, op. 60, nº 7 in A Major, op. 92

Serei breve, pois quero aproveitar o belo feriado ensolarado que está fazendo hoje. Típico dia de uma primavera atípica (nesta semana até caiu uma geada em uma conhecida cidade da serra).
Temos agora duas sinfonias, a de nº 4, e a de nº 7. A de nº 4 é quase um anúncio do que virá pela frente. Tem movimentos fortes e rápidos, e novamente Beethoven utiliza o recurso da escola clássica de começar o movimento com um adágio que irá se transformar em um Allegro vivace vibrante, cheio de energia. E a sinfonia é toda assim. Até pode ser considerada uma sinfonia menor, dentre outras do repertório, mas tem suas qualidades. E não são poucas.
A de nº 7, em Lá Maior, é uma de minhas favoritas. Postei logo no começo no blog a versão considerada por muitos imbatível, a de Carlos Kleiber. Inclusive cheguei a postar os links do Youtube para uma melhor apreciação daquela interpretação, fantástica em todos os sentidos. Harnoncourt tem uma outra abordagem, não tão intensa, eu diria, mas destaca elementos que na grande orquestra de Kleiber acabam sendo escondidos, devido ao grande número de instrumentistas. Acredito que Harnoncourt, com sua paixão pelas chamadas interpretações de época, optou por uma orquestra menor exatamente para ressaltar estes elementos.
O que sempre me chamou a atenção nesta sinfonia foi que Beethoven optou em não colocar um movimento mais lento, o mais próximo a que ele chega é o poco sustenuto inicial, que vai se transformar num vivace pulsante. A sinfonia inteira, portanto, é cheia de ritmo, força, energia. Faz bem ao espírito, e não nos dá tempo de uma pausa, um respiro. Nos enche de alto astral (desculpe a expressão tão anos 80).
Vamos à elas, portanto.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonies n 4, in B Flat Major, op. 60, nº 7 in A Major, op. 92

1 Symphonie N°4 – B Flat Major – Adagio – Allegro Vivace
2 Symphonie N°4 – B Flat Major – Adagio
3 Symphonie N°4 – B Flat Major – Allegro Vivace
4 Symphonie N°4 – B Flat Major – Allegro ma non troppo
5 Symphonie Nº7- A Major – Poco Sustenuto – Vivace
6 Symphonie Nº7- A Major – Allegretto
7 Symphonie Nº7- A Major – Presto
8 Symphonie Nº7- A Major – Allegro con brio

The Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt

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[restaurado por Vassily em 29/05/2020]

Anton Bruckner (1824-1896) – Integral das Sinfonias – Sinfonia Nro. 6

A sexta é uma sinfonia plácida, mas o desavisado que a ouve desconhecendo o restante das obras de Bruckner, vai achar que estou brincando. Prova de que o idioma bruckneriano existe e de que linguagem depende de contexto. Não a conheço como conheço as outras e ontem, ao ouvir a sinfonia, meu filho, que estava afastado de mim por algumas paredes e uns 20 metros, disse não ter entendido nada, pois a música desaparecia por longos períodos e depois retornava tonitruante. É como se eu estivese brincando como o amplificador. Só que eu estava lendo, tranqüilo, sem mexer no botão de volume. Bruckner é diferente mesmo. Porém, depois da quarta, quinta e de suas três últimas sinfonias é possível viver sem seus tutti?

Tal audição valeu-me a redescoberta de um belíssimo Adagio que me fez parar de ler e de um Scherzo talvez atípico, mas muito bom. (O Adagio rola neste momento no computador e é notável mesmo. Um pequeno tema apresentado dos 15 aos 25 segundos deste Adagio — e que retorna transformado depois — é muito semelhante ao de Somewhere, de West Side Story. “There’s a place for us…”)

O excelente desNorte — caro leitor, você deveria lê-lo sempre — descreve as circunstâncias da estréia da Sexta Sinfonia (o negrito é obra minha):

As origens rurais de Anton Bruckner (1824-1896) não faziam antever o compositor que dali sairia. Deu-se mesmo o caso dos vienenses terem, numa primeira fase, ignorado olimpicamente as suas obras, não pelo seu valor intrínseco, mas precisamente pela ruralidade do autor…

Depois, temos ainda o facto de Bruckner apenas muito tardiamente ter iniciado uma formação musical formal, já bem entrado na casa dos 30. Claro que os anos passados em S. Florian, entre 1845 e 1855 tinham-lhe permitido evoluir como compositor, só que com muito de autodidactismo. Situação que procurou modificar, com perseverança, ao prosseguir longos estudos musicais, nomeadamente com Simon Sechter (1788-1867), Otto Kitzler (1834-1915) e Ignaz Dorn (1830-1872). Foi um período, superior a 10 anos, que Bruckner passou em Linz, como organista da respectiva catedral, e em que os últimos 5 foram particularmente produtivos, com a composição, entre outras obras, de 3 Missas e da Sinfonia Nº1.

No Verão de 1868, Bruckner mudou-se para Viena, a última etapa da sua carreira como compositor e aquela onde escreveu a maior parte das sinfonias. Sem grande sucesso inicialmente, como já referi, bastando reparar nas razões dadas pela Orquestra Filarmónica de Viena para sucessivamente as rejeitar: a 1ª era “desvairada“, a 2ª por ser “absurda” e a 3ª como “inexecutável“…

Quando, nos finais de 1881, Bruckner terminou a Sinfonia Nº6, o ambiente já estava mais desanuviado pelo sucesso obtido com a 4ª Sinfonia, estreada em Fevereiro desse mesmo ano por Hans Richter (1843-1916). A estreia da 6ª, a 26 de Fevereiro de 1899, encontrou a reger a orquestra outro dos grandes sinfonistas de sempre, Gustav Mahler (1860-1911). É uma das poucas sinfonias, a par da 7ª, que não sofreu revisões posteriores, não havendo portanto lugar às habituais confusões entre as várias e disputadas versões…

P.Q.P. Bach.

Sinfonia Nro. 6 de Anton Bruckner

I. Maestoso 17:07
II. Adagio: Sehr feierlich 18:54
III. Scherzo: Nicht schnell – Trio: Langsam 09:00
IV. Finale: Bewegt, doch nicht zu schnell 14:44

New Zealand Symphony Orchestra
Georg Tintner, Conductor

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Restaurado – Ludwig van Beethoven (1770 – 1827 ) – Sinfonias nº 2 em D Maior, op. 36 e nº 5, in C Menor, op. 67

O tempo está curto hoje, portanto, vou ser breve. Mais duas sinfonias de Beethoven, nas mãos de Harnoncourt e da excelente The Chamber Orchestra of Europe. Vibrante, pungente, dinâmica, estas sinfonias marcam dois momentos importantes da vida de Beethoven. Mas não entrarei em maiores detalhes biográficos. Sugiro a leitura da excelente biografia, “Beethoven”, de Maynard Solomon. E é dali que tiro os seguintes comentários:
” Completada em 1802, durante um período turbulento na vida de Beethoven, a Segunda Sinfonia em ré maior, op. 36, já é obra de um mestre maduro que está liquidando contas – ou fazendo a paz – com a tradição sinfônica clássica antes de embarcar numa viagem musical sem precedentes. É uma obra que tem características retrospectivas e prospectivas: está firmemente enraizada nas últimas sinfonias de Mozart e Haydn, ao mesmo tempo que prenuncia os desenvolvimentos subseqüentes de Beethoven por seus contrastes dinâmicos, modulações inesperadas e movimento propulsivo, tudo controlado por um confiante e fluente classicismo.” Solomon, Maynard. Beethoven. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1987.

A 5ª Sinfonia, bem, que podemos falar dela que já não tenha sido falado ou comentado? Cito novamente Solomon, que soube sintetizar e enquadrá-la naquele momento:
“Após alguma resistência inicial à sua insólita concentração rítmica, economia de material temático, surpreendentes inovações – a pequena cadenza do oboé no primeiro movimento, a adição do piccolo e contrafagote aos instrumentos de sopro, os efeitors ‘espectrais’ dos contrabaixos no scherzo e trio, os trombones no finale, o retorno do scherzo no finale – a Quinta Sinfonia acabou sendo considerada a a sinfonia quintessencial de Beethoven, revelando novas camadas de significado a cada geração sucessiva. (…) e Berlioz assinalou argutamente que o efeito de transação do scherzo para o Allegro é tão espantoso que seria impossível suplantá-lo no que se segue. (…)críticos do século XX são propensos a ver a Quinta Sinfonia como ‘o exemplo consumado de lógica sinfônica’, como a expressão final da racionalidade clássica, recusando-se a ceder aos tremores violentos do Romantismo iminente.” SOLOMON, op. cit., p. 276-277).

Chega de falar e vamos ao que interessa.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827 ) – Sinfonias nº 2 em D Maior, op. 36 e nº 5, in C Menor, op. 67

1 Symphonie N°2 – Adagio Molto – Allegro com brio
2 Symphonie N°2 – Larghetto
3 Symphonie N°2 – Scherzo – allegro
4 Symphonie nº 2 – Allegro molto
5 Symphonie N°5 – Allegro com brio
6 Symphonie N°5 – Andante com moto
7 Symphonie Nº 5 – Allegro
8 Symphonie N°5 – Allegro

The Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt

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[restaurado por Vassily em 29/5/2020]

Béla Bartók (1881-1945) – O Mandarim Miraculoso / Dois Retratos / Concerto para Viola e Orquestra

Um pedido desses tem de ser logo atendido, né? O Mandarim Miraculoso, de um de meus compositores preferidos, uma grande música que tenho interpretada por um de “meus” regentes mais compreensivos e perfeitos…

A propósito, existe música inteligente e música burra?

– Não. Existe música cerebral e música emocional. Às vezes, alguns compositores conseguem juntar as duas coisas.

J.S. Bach, Beethoven, Bartók, Brahms e Mahler acertam quase sempre; os outros, mais raramente.

P.Q.P. Bach.

1. The Miraculous Mandarin op.19: Beginning
2. The Miraculous Mandarin op.19: The curtain rises
3. The Miraculous Mandarin op.19: First seduction game: the shabby old rake
4. The Miraculous Mandarin op.19: Second seduction game
5. The Miraculous Mandarin op.19: The shy youth appears at the door
6. The Miraculous Mandarin op.19: Third seduction game
7. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin enters-Encounter with the girl
8. The Miraculous Mandarin op.19: The girl’s dance
9. The Miraculous Mandarin op.19: She flees from him; he chases her wildly
10. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin stumbles, but catches the girl; they fight. The…
11. The Miraculous Mandarin op.19: Suddenly the Mandarin’s head Appears. The Tramps drag him out,…
12. The Miraculous Mandarin op.19: They drag the Mandarin to the centre of the room and hang him on a…
13. The Miraculous Mandarin op.19: The tramps take him down. He falls to the floor and at once leaps…
14. The Miraculous Mandarin op.19: His longing stilled, the Mandarin’s wounds begin to bleed; he…

Orquestra Sinfônica de Londres
Claudio Abbado

15. Two Portraits op.5: 1. One Ideal: Andante
16. Two Portraits op.5: 2. One Grotesque: Presto

Orquestra Sinfônica de Londres
Claudio Abbado

17. Viola Concerto Sz120: I. Moderato
18. Viola Concerto Sz120: II. Adagio religioso
19. Viola Concerto Sz120: III. Allegro vivace

Daniel Benyamini, Viola
Orquestra de Paris
Daniel Barenboim

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Astor Piazzolla (1921-1992) – En el Teatro Colón

Certamente, a maioria de nós não tem a mesma imagem do tango que os argentinos têm. Eu, por exemplo, comecei a ouvi Piazzolla nos anos 70 e fico surpreso de ainda ler, sempre associada a seu nome, a palavra revolução. Por exemplo, a página oficial de Astor Piazzolla na Internet, na parte de sua biografia, começa com letras garrafais: Astor Piazzolla: Cronología de una Revolución, ou seja, a luta com os tangueiros tradicionais ainda é importante e quando leio que os deuses de Piazzolla eram Stravinski, Bartók e o jazzista Stan Kenton e, mais, que ele estudou com Nadia Boulanger em Paris nos anos 50, começo a entender alguma coisa…

Piazzolla nasceu em Mar Del Plata e sua família mudou-se para Nova Iorque quando tinha 3 anos. Foi lá, aos 8 anos de idade, que ganhou de seu pai o primeiro bandoneón e que, em 1933, começou a ter aulas de piano com o húngaro Bela Wilda, discípulo de Rachmaninov e do qual Piazzolla diria mais tarde “Com ele, aprendi a amar Bach”. Pouco depois – imaginem! – conheceu Carlos Gardel que se fez amigo da familia e com quem, ainda menino, tomou parte em uma cena do filme El Dia em que me quieras como um pequeno vendedor de jornais. Desnecessário dizer que esta cena possui um poderoso valor emblemático na história do tango.

Após voltar a Buenos Aires e de ter participado de vários grupos de tango – compondo e tocando -, Piazzolla, em 1953, estreou Buenos Aires, seus Três Movimentos Sinfônicos. Quando a obra foi interpretada na Faculdade de Direito de Buenos Aires por Orquestra Sinfônica acompanhada de dois bandoneons, estourou o escândalo. O setor “culto” da platéia ficou indignado pela incorporação dos bandoneons à orquestra e os tradicionalistas o acusaram de não fazer mais tango e sim música erudita…

Se os eruditos foram rapidamente dobrados pela qualidade de sua música, o mesmo não se pode dizer dos tradicionalistas. (Depois somos nós os radicais…) Começou então uma revolução solitária contra os tangueiros ortodoxos que faziam-lhe críticas sistemáticas e impiedosas. Era quase um problema de estado. Os meios de comunicação e até alguns palcos negavam-se a receber Piazzolla. Ele não colaborava muito para a paz, mantendo sua postura e respondendo com ironias. Voltou então ao exterior onde foi recebido como autor de tangos e começa uma nova experiência, o tango-canção, com Amelita Baltar, sua mulher na época.

Na Argentina, a controvérsia sobre se sua música seria tango ou não seguiu seu curso, mas agora seu sucesso no exterior começa a gerar inveja entre a comunidade tangueira. Ele acena com a possibilidade de paz ao chamar sua música de “música contemporânea da cidade de Buenos Aires” mas continua provocando com sua vestimenta informal, com sua pose para tocar o bandoneon (tocava de pé, quando a tradição mandava segurar o fole sentado) e com suas respostas muito pouco reverentes.

Porém, em 1983, ano de gravação deste CD, ele já apresentava-se no mítico (e belíssimo) Teatro Colón com Orquestra Sinfônica a fim de receber o reconhecimento bonairense e argentino em vida. Assim, o talentosíssimo compositor e virtuose Piazzolla mostra aos de hoje que os artistas não estão aí para assentir ao determinado por outrem e ao políticamente correto. Artista é um ser que existe para incomodar, mudar e ser controverso. E viva Piazzolla!

Tenho predileção por gravações ao vivo – o mesmo vale para Blue Dog – e, mesmo amando as espetaculares gravações italianas de Piazzolla, apelo novamente para o concerto live, onde quem é bom mostra o rego sentado, reconhece o cego dormindo e sabe de longe a cabeça que tem piolho, se me fiz claro… Aqui, mesmo que pareça paradoxal (pois há uma orquestra, não?), temos um Piazzolla mais brusco que o habitual. Minha aprovação mais entusiasmada vai para a nervosa versão do Verano Porteño.

P.Q.P. Bach.

Astor Piazzolla en el Teatro Colón

1. Fuga y Misterio
2. Adios Nonino
3. Concierto para Bandoneon y Orquesta: 1st Movement – Allegro marcato
4. Concierto para Bandoneon y Orquesta: 2nd Movement – Moderato
5. Concierto para Bandoneon y Orquesta: 3rd Movement – Presto
6. Vardarito
7. Verano Porteño
8. Concierto de Nacar (para Nueve Tanguistas y Orquesta Filarmonica): 1st Movement – Presto
8. Concierto de Nacar (para Nueve Tanguistas y Orquesta Filarmonica): 2nd Movement – Lento, melancolico
8. Concierto de Nacar (para Nueve Tanguistas y Orquesta Filarmonica): 3rd Movement – Allegro marcato

Musicians:
Piazzolla (Astor) – bandoneon
Suarez Paz (Fernando) – violin
Baralis (Hugo) – violin
Ziegler (Pablo) – piano
Roizner (Enrique) – drums
Bragato (Jose) – violoncello
Console (Hector) – bass
Quarleri (Delmar) – viola
Lopez Ruiz (Oscar) – guitar
Calderon (Pedro Ignacio) – director of the Teatro Colon Philarmonic

Year of release: 1997
Studio or Live: Live
Year of performance: 1983

Description: Recorded live at Teatro Colon, Buenos Aires, on June 11, 1983. By this time Piazzolla was working with the quintet, however it appears that Piazzolla tried to recompose the Conjunto 9 (although not exactly) for this concert at Teatro Colon with the Philarmonic Orquestra.
Style: The Nonet and the ‘Italian’ Period (1972-1978); The ‘Classical’ Piazzolla (All periods)
Comments: This concert has also been released (not all the songs however) as “Concierto de Nacar” by Milan Records. Concerto for Bandoneon and Orquestra is listed as as Concerto for Bandoneon, Piano, Strings, and Percussion, which is equivalent but the piece is better known otherwise.

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Henry Purcell (1659-1695) – Ayres for the Theater

É aquele CD que tem tudo para ser bom, mas que não é tão bom assim… É médio. A música está dentro do espírito de Lully e Rameau, mas é muito inferior àquela composta por estes para o teatro.

P.Q.P. Bach.

1. Dioclesian: Overture
2. Dioclesian: Preludio
3. Dioclesian: Song Tune: ‘Let The Soldiers Rejoice’
4. Dioclesian: Trumpet Tune
5. Dioclesian: Country Dance
6. Dioclesian: Aire
7. Dioclesian: Hornpipe
8. Dioclesian: Aire
9. Dioclesian: Canaries
10. King Arthur: Overture
11. King Arthur: Aire
12. King Arthur: Aire
13. King Arthur: Song Tune: ‘Fairest Isle’
14. King Arthur: Hornpipe
15. King Arthur: Aire
16. King Arthur: Song Tune: ‘How Blest Are Shepherds’
17. King Arthur: Aire
18. King Arthur: Song Tune: ‘Round Thy Coast’
19. King Arthur: Song Tune: ‘Come, If You Dare’
20. King Arthur: Trumpet Tune
21. King Arthur: Trumpet Tune
22. King Arthur: Chacone
23. The Fairy Queen: Overture
24. The Fairy Queen: Hornpipe
25. The Fairy Queen: Aire
26. The Fairy Queen: Aire
27. The Fairy Queen: Rondeau
28. The Fairy Queen: Preludio
29. The Fairy Queen: Hornpipe
30. The Fairy Queen: Overture
31. The Fairy Queen: Song Tune: ‘If Love’s A Sweet Passion’
32. The Fairy Queen: Jigg
33. The Fairy Queen: Dance for Furies (Fairies)
34. The Fairy Queen: Aire 4 In 2 (Dance For The Followers Of Night)
35. The Fairy Queen: Song Tune: ‘Sing While We Trip It’
36. The Fairy Queen: Aire
37. The Fairy Queen: Aire
38. The Fairy Queen: Song Tune: ‘Thus Happy And Free’
39. The Fairy Queen: Chacone
40. The Fairy Queen: Aire
41. The Indian Queen: Overture
42. The Indian Queen: Trumpet Tune
43. The Indian Queen: Trumpet Tune
44. The Indian Queen: Aire
45. The Indian Queen: Hornpipe
46. The Indian Queen: Aire
47. The Indian Queen: Hornpipe
48. The Indian Queen: Aire
49. The Indian Queen: Song Tune: ‘We The Spirits Of The Air’
50. The Indian Queen: Rondeau

Tafelmusik
Jeanne Lamon

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Restaurado – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonie nº 6 in F major, op. 68, Symphonie nº 8, in F major, op. 93

Dentro de sua lista de favoritas, a Sinfonia Pastoral está entre as cinco obras favoritas de FDP. E de muita gente que conheço. Sua leveza é inspiradora, e sua beleza, reconfortante. Ou vice-versa. Não importa. O que importa é que sempre que a ouvimos, nos sentimos em júbilo, ela levanta nosso astral. Até mesmo sua simulação de tempestade nos reconforta, pois nos faz lembrar do velho clichê, que diz que depois da tempestade sempre vem a bonança. E que bonança…
Harnoncourt joga mais leve, mais solto do que Karajan. Confesso que me sinto constrangido, temeroso, ao ouvir o “Sturm” karajaniano, o Allegro do quarto movimento. Mas, sensível como poucos, Harnoncourt não me deixa sentir assim. Sua tempestade é mais “suave”, se podemos caracterizá-la assim.

Sempre achei que a Oitava Sinfonia estava em uma situação meio complicada… Simplesmente entre a força e genialidade da construção da Sétima, e a monstruosidade da Nona (claro que mostruosidade no sentido de enormidade, de genialidade). Ela funciona como um termômetro para medir nossas emoções, antes de entrar no turbilhão que em que mergulhamos ao ouvir aquela. Não sei se é impressão minha, mas creio que seja a menos executada, juntamente com a Quarta. À vejo enquanto introdução ao que virá. como se o gênio de Beethoven nos preparasse o espírito. Coisa de gênio. Lembro-me da velha edição da DG em vinil que eu possuía, na interpretação de Karajan e sua Filarmônica de Berlim, que a trazia como abertura para a Nona Sinfonia. Confesso que prestava pouca atenção à ela, já virava direto o LP para o Lado B, para ouvir a irmã mais famosa.

Enfim, vamos ao que interessa.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Symphonie nº 6 in F major, op. 68, Symphonie nº 8, in F major, op. 93

Sinfonia nº 6, in F Major, op. 68 – Sinfonia Pastorale

1 – Allegro ma no non troppo – “Erwachen heiterer Empfindungen bei der Ankunft auf den Lande”
2 – Andante molto moto – Szene am Bach
3 – Allegro – Lustiges Zusammensein der Landlate
4 – Allegro – Gewitter, Sturm
5 – Allegretto – Hirtengesang. Frohe und dankebare Gefühle nach dem Sturm.

Sinfonia nº 8 in F Major, op. 93

6 – Allegro vivace con brio
7 – Allegretto scherzando
8 – Tempo di Minueto
9 – Allegro vivace

The Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt – Director

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[restaurado por Vassily em 29/5/2020]

.: interlúdio :.

Eleanora nunca teve vocação para diva. Talvez a artista de vida mais difícil e conturbada da era de ouro do jazz, foi salva por um carisma inimitável e sua voz marcante e rasgada. Mais sobreviveu do que viveu, de tantos abusos e tanto abusar. Este Lady in Satin é um disco feito de suas cicatrizes. Gravado em três sessões, de 19 a 21 de janeiro de 1958, traz Billie Holiday aos 42 anos, com a voz já muito machucada. Foi uma de suas últimas gravações; morreria no ano seguinte, de cirrose, num quarto de hospital vigiado pela polícia. O disco é rejeitado por alguns críticos, que classificam o acompanhamento da orquestra de 40 integrantes de Ray Ellis de ‘burocrático’ e julgam a qualidade das gravações de Billie abaixo da média. Mas o motivo que o fez motivo de culto entre os fãs – como eu – é a crueza e a emoção com que Lady Day interpreta estas canções. Se o acompanhamento é, de fato, mais veículo para a voz de Billie, ora, tanto melhor; ouve-se cada nota de sua rouca e terna voz.

Em muitas faixas, a emoção da cantora transborda das faixas e atinge o ouvinte. “I’m a Fool to Want You”, que ela gravou em lágrimas, é uma delas. “But Beautiful” é uma preferida pessoal e vem numa gravação dedicada e marcante. Mais do que técnica, o que Billie parece propor é um registro de quanta sensibilidade sua voz pode carregar, e o que se tem é um álbum que fica bastante próximo de quem o ouve. A edição aqui apresentada é a de 1997, com takes alternativos e um ensaio bastante interessante, em que Billie reclama que não conhece direito a canção (“The End of a Love Affair”), para logo após seguir-se um take da orquestra executando a peça para ela – que ainda tenta seguir à capella no final da faixa. Detalhes que fazem desse disco a belíssima obra de uma mulher, antes de uma cantora.

LadyInSatinBillie Holiday – Lady in Satin (VBR)
com o acompanhamento da orquestra de Ray Ellis

Produzido por Irving Towsend para a Columbia

download aqui – 93mB
01 I’m a Fool to Want You – 3’23
02 For Heaven’s Sake – 3’26
03 You Don’t Know What Love Is – 3’48
04 I Get Along Without You Very Well – 2’59
05 For All We Know – 2’53
06 Violets for Your Furs – 3’24
07 You’ve Changed – 3’17
08 It’s Easy to Remember – 4’01
09 But Beautiful – 4’29
10 Glad to Be Unhappy – 4’07
11 I’ll Be Around – 3’23
12 The End of a Love Affair mono CL1157– 4’46
13 I’m a Fool to Want You take 3 CL1157 – 3’24
14 I’m a Fool to Want You take 2 – 3’23
15 The End of a Love Affair: The Audio Story – 9’49
16 The End of a Love Affair stereo – 4’46

Boa audição!
Blue Dog

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Quartetos Nros. 9, 6 e 7

Ontem à noite, arrastei meu amigo Milton Ribeiro para um concerto em que seriam apresentados dois quartetos de cordas: o Quarteto Americano Nº12 de Dvorák e o Quarteto Nº 9 de Shostakovich.

Milton me explicou que o “Quarteto Americano” era antes conhecido pelo nome de “Nigger Quartet”, mas como a palavra nigger (negro) tornou-se altamente pejorativa, o quarteto foi rebatizado. Curioso.

O quarteto da noite de ontem, formado por 4 jovens integrantes da OSPA, tocou fantasticamente bem, provando que a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre deveria incentivar a formação de pequenos grupos. São várias as razões: os músicos se exporiam mais, estudariam mais, tocariam mais e poderiam excursionar pelo interior a custo mais baixo – em vez de levar 100 pessoas para tocar os mesmos highlights pé no saco de sempre. O concerto foi nada menos que brilhante, mostrando-nos que há gente muito boa chafurdando sob os Túlios Belardis da vida.

Aproveito para postar aqui um dos quartetos de ontem, o de Shostakovich, acompanhado de outros dois muito bons. Retirei o oitavo porque já o postamos muitas vezes…

P.Q.P. Bach.

P.S.1- Não sei o nome de nenhum dos instrumentistas de ontem. Se alguém souber, favor deixar registrado nos comentários. Milton me avisa que o violista se chamaria Vladimir…

Update das 2h23 da madrugada: Emerson Kretschmer e Márcio Cecconello, violinos; Vladimir Romanov, viola; Rodrigo Andrade Silveira, violoncelo.

P.S.2- Não tenho como postar o “Quarteto Americano”, pois apenas o possuo em vinil com o Gabrieli String Quartet, em versão inferior a que ouvi ontem ao vivo.

P.S.3- Para ouvir o Quarteto Nro. 9 de Shosta, temos que reconfigurar o mp3 player para retirar aqueles três segundinhos que separam uma faixa de outra, pois os cinco movimentos são ininterruptos.

String Quartet No. 9 in E flat major, Op. 117
I. Moderato con moto 04:26
II. Adagio 03:58
III. Allegretto 03:54
IV. Adagio 03:36
V. Allegro 10:03

String Quartet No. 6 in G major, Op. 101
I. Allegretto 06:47
II. Moderato con moto 05:16
III. Lento 05:20
IV. Lento – Allegretto 07:46

String Quartet No. 7 in F sharp minor, Op. 108
I. Allegretto 03:38
II. Lento 03:24
III. Allegro 05:32

Eder Quartet

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La Casa del Diavolo – Vários compositores

Um CD divertido do extraordinário conjunto italiano Il Giardino Armonico. O grupo de Giovanni Antonini está afiadíssimo. E é coisa do demônio, que sempre é mais interessante do que anjinhos bonitinhos, etc. Se que querem comprovação, basta ler Doutor Fausto de Thomas Mann… Livro, aliás, que todos, mas todos mesmo, deveriam ler.

Notem o belo trabalho que Boccherini (faixa 20, a última) fez sobre a Dança das Fúrias (faixa 1). de Gluck. Vale a pena ouvir um logo após o outro. O concerto do mano Friede é igualmente maravilhoso, com um arrebatador Andante.

P.Q.P. Bach

La Casa del Diavolo – Il Giardino Armonico:

Christoph Willibald GLUCK (1714-1787)
Dance of the Spectres and the Furies, Allegro non troppo (1761) [4:07]
1. I. Allegro Non Troppo

Carl Philip Emanuel BACH (1714-1788)
Sinfonia Wq. 182/5 in B minor for strings and continuo [10:36]
2. I. Allegretto
3. II. Largo
4. III. Presto

Pietro Antonio LOCATELLI (1695-1764)
Concerto Grosso Op. 7/6 in E flat major “Il pianto d’Arianna” for violin, strings and continuo (1741) [17:35]
5. I. Andante, Allegro
6. II. Adagio
7. III. Andante, Allegro
8. IV. Largo
9. V. Largo Andante
10. VI. Grave
11. VII. Allegro
12. VIII. Largo

Wilhelm Friedemann BACH (1710-1784)
Concerto in F minor for harpsichord, strings and continuo [17:48]
13. I. Allegro Di Molto
14. II. Andante
15. III. Prestissimo

Luigi BOCCHERINI (1743-1805)
Sinfonia Op. 10/4 in D minor “La casa del diavolo” for two oboes, two horns, strings and continuo (1771) [19:18]
16. I. Andante Sostenuto
17. II. Allegro Assai
18. III. Andantino Con Moto
19. IV. Andante Sostenuto
20. V. Allegro Assai Con Moto

Il Giardino Armonico
Reg.: Giovanni Antonini
Enrico Onofri (violin)
Ottavio Dantone (harpsichord)

Recorded in March, August and October 2004, Pieve di Palazzo, Pignano, Cremona, Italy.

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.: interlúdio – Duofel :.

Manter um duo de violões por mais de duas décadas já é por si só um feito notável. Ainda mais com a integridade artística de Fernando Melo e Luiz Bueno, instrumentistas e compositores do Duofel, que desde seu primeiro encontro, em 1977, têm priorizado a qualidade musical e a investigação sonora. (da biografia no eJazz)

Colei a descrição porque é bastante apropriada. Não apenas a virtuose, os arranjos delicados e vigorosos, a musicalidade de diversas vertentes – também a inquietação, o caminho harmônico menos usado, as cromias exploratórias. São afilhados de Hermeto e por aí se pode saber por onde andam, andaram e andardão.

Este Atenciosamente, de 1999, foi lançado pela gravadora Trama – o que tornou mais acessível o trabalho do duo. São doze faixas, homenagens aos muitos músicos com quem trabalharam ao longo da carreira (no encarte, cada música ganha pequena história e dedicatória), em uma espécie de showcase do jazz contemporâneo brasileiro. Álbum fácil em algumas faixas (O Amigo da Chuva, Floresta dos Elfos – em homenagem à Tetê Espíndola, de quem foram músicos de apoio no começo dos 80), intrépido em outras (É pra Jards, Jazz à Vienne), ainda tem fôlego para ser poético (Azul da Cor da Manteiga) e abstrato (Fax para Uakti). Um disco cheio, de produção cristalina, perfeito para ocupar todos os espaços da casa quando precisamos renovar os ânimos.

Post ampliado + links revalidados out/2011. O disco ao vivo é excelente, e quer mais? Conta com Hermeto Paschoal entre as participações. Não coloquei indicação na tracklist de propósito; quando ele chega, o ouvinte sabe de imediato. Perdoem os links em duas partes.


Duofel – Atenciosamente /1999 [320]
download – mediafire parte1 parte2

01 Procissão
02 Subindo o Tapajós
03 Floresta dos Elfos
04 Azul da cor da manteiga
05 Fax para Uakti
06 Norwegian Wood
07 O amigo da chuva
08 É pra Jards
09 Boissucanga
10 Atenção: Lombada!
11 Jazz à Vienne
12 Garoando no Bixiga


Duofel – 20 /2000 [320]
download – mediafire parte1 parte2

01 Calypso nervoso
02 No caminho das Pedras
03 Pede, Moleque!
04 É pra Jards
05 Subindo o Tapajós
06 Lamento Noturno
07 Do outro Lado do Oceano
08 Diálogo
09 Fax para Uakti
10 Surfando no trem
11 Azul da cor da manteiga
12 Espelho das águas
13 Gismontada

Boa audição!
Blue Dog

Restaurado – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonias nº 1 e nº 3

FDP Bach começa então a postar a integral das sinfonias do gênio de Bonn, mas em uma gravação um pouco diferente daquelas á que estamos acostumados. Trata-se da aclamada série dirigida por Nikolaus Harnoncourt, à frente da Europe Chamber Orchestra, vencedora do Prêmio “Grammophone” de 1992. Escolhi esta dentre outras que possuo, devido á dois fatores: a qualidade da interpretação – já explicamos que somos fãs de Harnoncourt – e além disso, quase todos já possuem alguma outra versão destas sinfonias, principalmente as famosas versões de 1962 e de 1976 de Herbert von Karajan. Na verdade, talvez pelo fato de termos associado estas sinfonias à Karajan acabamos nos esquecendo de outras preciosidades, como a belíssima versão de Gardiner, ou até mesmo a correta leitura de Abbado, em um de seus últimos registros frente à Filarmônica de Berlim. Reproduzo abaixo o comentário da conceituada revista Gramophone à respeito desta gravação:

“Harnoncourt’s set of the Beethoven symphonies was timed to perfection on its release in 1991. Just when record-buyers were getting used to Beethoven on period instruments, Harnoncourt’s account managed to combine the shock of the new with an uncanny sense of familiarity. His readings manage remarkably to balance freedom with a sense of firm control; the impetus and urgency of the fast movements are particularly thrilling. This was considered one of the most consistently inspiring and exciting Beethoven sets to have appeared for many years. “

Enfim, vai ser esta a versão que estarei postando a partir de hoje.

A Sinfonia nº 1, em C Maior, ainda está presa aos moldes haydnianos, mas já conseguimos enxergar nela um compositor que procura se desvencilhar dos grilhões, procurando encontrar sua verdadeira identidade. O gênio desperta. Reparem que Harnoncourt em certos momentos dá claramente uma visão haydniana à obra.

A Sinfonia Nº3, bem, quem nunca se emocionou até quase chegar lágrimas com a “Marcia Funebre” do segundo movimento? Chamada “Eroica”, e em princípio dedicada á Napoleão Bonaparte, reza a lenda que Beethoven teria rasgado a página com a dedicatória da obra ao general francês ao saber que este havia se coroado imperador… mas com esta sinfonia se rompem definitavamente as ligações com Haydn e Mozart e se define aquilo que iremos conhecer de estilo Beethoven de compor sinfonias. Quebra-se a estrutura tradicional e ignoram-se os movimentos tradicionais (principalmente os por muitos considerados aborrecidos minuetos). Beethoven mostra aí um espírito livre, que não se importa com as críticas, (principalmente do já idoso Haydn, que considerou a obra longa demais, mas gênio que era, também a reconhece revolucionária).

Symphony No.1 in C, Op.21

1 – Adagio Molto – Allegro con brio
2 – Andante cantabile com molto
3 – Menuetto (allegro molto e vivace)
4 – Finale (Adagio-Allegro Molto e Vivace)

Symphony Nº 3, in E Flat, op. 55 “Eroica”

1 – Allegro con Brio
2 – Marcia Funebre (adagio assai)
3 – Scherzo (Allegro vivace)
4 – Finale (Allegro Molto)

Europe Chamber Orchestra
Nikolaus Harnoncourt – Direktor

BAIXE AQUI

[restaurado por Vassily em 29/5/2020]

.: interlúdio :.

P.Q.P. Bach retorna ao jazz por causa de Charlie Mingus.

Este CD é atual e mostra o trabalho de três grupos dedicados a manter a música altamente revolucionária e – por que não? – erudita de Mingus. Ouçam e depois falem comigo! O 14-man group The Mingus Big Band, que já apareceu em várias formações, divide o CD com a pouco convencional 10-man group Mingus Orchestra e com o mais conhecido septeto Mingus Dynasty. O CD inaugura o novo selo de propriedade da viúva do compositor, Sue Mingus.

A lista de instrumentistas é impressionante: trompetistas como Jack Walrath e Randy Brecker, saxofonistas como Craig Handy, trombonistas como Ku-umba Frank Lacy, e mais as extraordinárias novidades Orrin Evans (piano), Kenny Rampton (trompete) e Miguel Zenon (saxofonista).

Há muita coisa a ouvir. Minhas preferidas são Song With Orange, Orange Is The Color Of Her Dress e Wednesday Night Prayer Meeting. Notáveis também são Todo Modo, escrita para o cinema italiano, mais exatamente para a versão em filme da esplêndida novela homônima de Leonardo Sciascia, Tensions onde o baixista russo Boris Kozlov reencarna Mingus de forma arrepiante e Pedal Point Blues, em que o exuberante sax barítono Ronnie Cuber, repete o show que já apresentara em Song with Orange.

A Downbeat deu a este CD quatro em cinco estrelas, a Jazztimes deu cinco em cinco.

Ah, o nome do CD é I am Three.

1. Song With Orange 11:48 (Mingus Big Band)
2. MDM 5:16 (MBB)
3. Chill Of Death 3:48 (Mingus Orchestra)
4. Paris In Blue 3:49 (MBB)
5. Tensions 7:54 (MBB)
6. Orange Is The Color Of Her Dress 10:52 (MBB)
7. Cell Block F ‘Tis Nazi Usa 5:55 (Mingus Dynasty)
8. Todo Modo 12:36 (MO)
9. Wednesday Night Prayer Meeting 5:23 (MD)
10. Pedal Point Blues 9:04 (MBB)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (Parte 1) – 100 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (Parte 2) – 8 MB

Johann Christian Bach (1735-1782) – Sinfonias de Londres

Fim de semana ensolarado, sábado lindo. Perfeito para este refrescante CD de meu irmão, grande influência do estilo galante, levado à maiores conseqüências por Mozart. O som do Collegium Aureum – com Franzjosef Maier em sua melhor forma – é espantoso.

Vale a pena ouvir esta gravação do Bach de Londres.

P.Q.P. Bach.

1. Sinfonia E Flat Major Op. 18 No. 1 – Allegro Spiritoso
2. Sinfonia E Flat Major Op. 18 No. 1 – Andante
3. Sinfonia E Flat Major Op. 18 No. 1 – Allegro

4. Sinfonia D Major Op. 18 No. 4 – Allegro con Spirito
5. Sinfonia D Major Op. 18 No. 4 – Andante
6. Sinfonia D Major Op. 18 No. 4 – Rondo. Presto

7. Sinfonia D Major Op. 18 No. 6 – Allegro con spirito
8. Sinfonia D Major Op. 18 No. 6 – Andante
9. Sinfonia D Major Op. 18 No. 6 – Allegretto
10. Sinfonia D Major Op. 18 No. 6 – Allegro

11. Sinfonia G Minor Op. 6 No. 6 – Allegro
12. Sinfonia G Minor Op. 6 No. 6 – Andante piu tosto Adagio
13. Sinfonia G Minor Op. 6 No. 6 – Allegro Molto

Composer: Johann Christian Bach
Performer: Collegium Aureum

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Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) – Stabat Mater / Salve Regina (link revalidado)

Este tremendo registro do Stabat Mater de Pergolesi é a primeira contribuição de meu outro irmão renegado e deserdado: F.D.P. Bach. Ele acaba de unir-se a mim.

Gravação imperdível com Emma Kirby (soprano) e James Bowman (contra-tenor), sob a regência de Christopher Hogwood e a Academy of Ancient Music.

Pergolesi concluiu seu Stabat Mater no mosteiro franciscano de Pozuolli durante a fase aguda de sua enfermidade, possivelmente tuberculose. Os duetos são uma preciosidade. Vi o canal Film&Arts apresentar esta peça com o mesmo Hogwood, porém com solistas diferentes. Hogwood acerta em cheio. Foi paixão à primeira audição. A gravação que estou disponibilizando é mais especial ainda por ter a presença da Emma Kirkby, voz criada por Deus no oitavo dia para tê-la ao seu lado eternamente. Se meu pai a tivesse conhecido, talvez não perdesse tempo com Marias Bárbaras e Annas Magdalenas.

Stabat mater

Composed by Giovanni Battista Pergolesi
Performed by Academy of Ancient Music
with Emma Kirkby, James Bowman
Conducted by Christopher Hogwood

1. Stabat Mater: I. Stabat Mater – Emma Kirkby/James Bowman
2. Stabat Mater: II. Cujus animam gementem – Emma Kirkby
3. Stabat Mater: III. O Quam tristis et afflicta – Emma Kirkby/James Bowman
4. Stabat Mater: IV. Quae moerebat et dolebat – James Bowman
5. Stabat Mater: V. Quis est homo – Emma Kirkby/James Bowman
6. Stabat Mater: VI. Vidit suum dulcem Natum – Emma Kirkby
7. Stabat Mater: VII. Eja, mater – James Bowman
8. Stabat Mater: VIII. Fac ut ardeat cor meum – Emma Kirkby/James Bowman
9. Stabat Mater: IX. Sancta mater – Emma Kirkby/James Bowman
10. Stabat Mater: X. Fac ut portem – James Bowman
11. Stabat Mater: XI. Inflammatus et accencus – Emma Kirkby/James Bowman
12. Stabat Mater: XII. Quando corpus – Emma Kirkby/James Bowman

Salve regina in C minor
Composed by Giovanni Battista Pergolesi
Performed by Academy of Ancient Music
with Emma Kirkby
Conducted by Christopher Hogwood

13. Salve Regina: I. Salve Regina – Emma Kirkby
14. Salve Regina: II. Ad te clamamus – Emma Kirkby
15. Salve Regina: III. Eja ergo – Emma Kirkby
16. Salve Regina: IV. Et Jesum – Emma Kirkby
17. Salve Regina: V. O clemens – Emma Kirkby

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Béla Bartók (1881-1945) – Concerto para Violino Nº 2 e Rapsódias Nº 1 e 2

Hoje, gostaria de compartilhar com vocês um CD que comprei na semana passada e que – puxa! – vale indiscutivelmente a pena. Trata-se de mais uma abordagem de Pierre Boulez à obra de Béla Bartók, desta vez com o violinista Gil Shaham e a Orquestra Sinfônica de Chicago. Tudo de primeira linha. É uma novidade apenas para mim, já que é um lançamento de 1999 da DG. Acho que você deveria adquiri-lo também.

Como escreve Shaham no encarte do CD a música ali gravada “é poderosa e sensível, séria e bem humorada, revolucionária e clássica. Tudo ao ‘nth degree’ (não me arrisco a traduzir… enésima potência?). Apesar de Boulez, o grande trabalho é realmente de Shaham. Sua cadenza no primeiro movimento do Concerto é absolutamente arrebatadora. Posso esquecer inteiramente as outras gravações que tenho, todas por violinistas mulheres orientais. Nada contra elas, mas Shaham dá um tal baile na concorrência que é melhor esquecê-las para sempre.
O concerto de Bartók, mas também as duas rapsódias, são tão boas que nem vou me arriscar… Mas talvez vocês queiram ver e ouvir Shaham interpretar os primeiros dez minutos deste espetacular Concerto no YouTube – com outra orquestra e regente. Também no YouTube e na mesma tela referida, podemos encontrar a continuação do concerto.

Enjoy e aproveite! :))

P.Q.P. Bach

1. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Allegro Non Troppo
2. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Andante Tranquillo
3. Concerto Pour Violon N°2, Sz112 : Allegro Molto

4. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°1, Sz87 : Moderato
5. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°1, Sz87 : Allegretto Moderato

6. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°2, Sz90 : Moderato
7. Rhapsodie Pour Violon & Orchestre N°2, Sz90 : Allegro Moderato

Composé par Béla Bartók
Joué par Chicago Symphony Orchestra
avec Gil Shaham
Dirigé par Pierre Boulez

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Os mais baixados de agosto e julho

Como curiosidade e com a devida distância temporal, noticiamos o pódium de agosto:

J.S. Bach : 348 downloads
Chopin: 154
Vivaldi: 141

E o de julho:

Villa-Lobos: 408 downloads (o CD1 das Bachianas, postado em junho, está em 479…)
Villa-Lobos: 310
Concertos para flauta com Rampal: 181

É uma curiosa análise de quem vem aqui.

P.Q.P. Bach (que hoje não está com vontade de postar música)

Frases encontradas ao acaso (I)

Meus alunos relativistas se sentem valorizados por uma teoria niveladora que põe sua banda de rock favorita em pé de igualdade com Bach e Mozart; mas repare como uma hierarquia qualitativa lhes volta correndo quando, em nome da coerência, você sugere que sua banda de rock favorita também não pode ser melhor que os Backstreet Boys (…). As velhas dicotomias entre o que é elitista e o que é popular, entre alta e baixa cultura, podem estar mesmo corrompidas por privilégios injustificáveis, mas sem uma nova linguagem de mérito para as artes os pós-modernistas são forçados a viver numa paisagem achatada onde Barry Manilow e Beethoven são iguais.

Stephen T. Asma na revista americana The Chronicle of Higher Education

(Postado provocativamente por P.Q.P. Bach…)

Franz Joseph Haydn (1732-1809) Sinfonias nº 103 e nº 104

Concluindo o ciclo das sinfonias de Haydn (as que me propus postar), trago agora as duas últimas, de nº 103 e nº 104, sempre a cargo do excelente regente austríaco Nikolaus Harnoncourt, à frente da belíssima Orquestra do Concertgebouw, de Amsterdam.
Encerro este ciclo pedindo licença para me ausentar por algum tempo do blog, talvez uns dez ou quinze dias, devido a motivos pessoais e de trabalho. Quando voltar, terei preparado outra integral com o mesmo Harnoncourt, desta vez a das sinfonias de Beethoven, já prometida á algum tempo atrás. Aguardem, pois vai valer a pena a espera.

Franz Joseph Haydn (1732-1809) – Symphonies nº 103

1 Symphonie nº103 ES Dur – Adagio – Allegro com spirito
2 Symphonie nº103 ES Dur – Andante pió tosto Allegretto
3 Symphonie nº103 ES Dur – Menuet
4 Symphonie nº103 ES Dur – Finale – Allegro con spirito
5 Symphonie nº104 D Dur – Adagio – Allegro
6 Symphonie nº104 D Dur – Andante
7 Symphonie nº104 D Dur – Menueto – Allegro Trio
8 Symphonie nº104 D Dur – Finale Spirituoso

Concertgebouw Orchestra, Amsterdan
Nikolaus Harnoncourt – Conductor

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C.P.E. Bach (1714-1788) – Keyboards Concertos

Nosso irmão Carl fez muito sucesso em sua época. Sua maior especialidade era o cravo, instrumento que ajudou a consolidar,escrevendo para ele centenas de obras, entre sonatas e concertos.
A partir de hoje irei postar alguns destes concertos.
A interpretação estará a cargo do jovem húngaro Miklós Spányi (nasceu em 1962), que gravou a integral da obra de CPE para o selo BIS. Possuo alguns cds desta integral e estarei disponibilizando-os com o correr do tempo. Interpretação de altíssima qualidade, diga-se de passagem.

C.P.E. Bach (1714-1788) – Keyboards Concertos

1 – Bach, C.P.E. Wq 001 H 403 Concerto for Harpsichord in A minor [I] Allegro
2 – Bach, C.P.E. Wq 001 H 403 Concerto for Harpsichord in A minor [II] Andante
3 – Bach, C.P.E. Wq 001 H 403 Concerto for Harpsichord in A minor [III] Presto
4 – Bach, C.P.E. Wq 002 H 404 Concerto for Harpsichord in E flat major [I] Allegro non molto
5 – Bach, C.P.E. Wq 002 H 404 Concerto for Harpsichord in E flat major [II] Largo
6 – Bach, C.P.E. Wq 002 H 404 Concerto for Harpsichord in E flat major [III] Allegro assai
7 – Bach, C.P.E. Wq 003 H 405 Concerto for Harpsichord in G major [I] Allegro di molto
8 – Bach, C.P.E. Wq 003 H 405 Concerto for Harpsichord in G major [II] Adagio
9 – Bach, C.P.E. Wq 003 H 405 Concerto for Harpsichord in G major [III] Allegro

Miklós Spányi – harpsichord
Concerto Armonico
Péter Szutz – Conduktor

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Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784) – Sinfonias e Concerto para Cravo

Todos os sites que procurei e todas as críticas que li deram 5 estrelas a este esplêndido CD com a música orquestral de W.F. Bach, nosso irmão – meu e de F.D.P. Não é para menos. Para se apaixonar logo, sugiro começar pelos dois Adágios e Fugas, faixas 4-5 e 9-10. A Akademie für Alte Musik Berlin é um conjunto de indescrítivel perfeição e senso de estilo. Grande música!

P.Q.P. Bach.

W. F. Bach :
Symphonies Fk 64 et 67 ;
Concerto pour clavecin Fk 43 ;
Adagio et Fugue en ré mineur Fk 65 ;
Adagio et fugue en fa mineur

Raphael Alperman, clavecin (soliste Concerto)
Akademie für Alte Musik Berlin,
premier violon Stephan Mai

Harmonia Mundi HMC 901772 (65 min 54 s)

1.Sinfonie D-dur Fk 64 W.F.Bach – Allegro e maestoso
2.Sinfonie D-dur Fk 64 W.F.Bach – Andante
3.Sinfonie D-dur Fk 64 W.F.Bach – Vivace

4.Adagio d-moll Fk 65 W.F. Bach
5.Fuge d-moll Fk 65 W.F. Bach

6.Concerto für Cembalo, Streicher und Basso continuo e-moll Fk 43 W.F. Bach – Allegretto
7.Concerto für Cembalo, Streicher und Basso continuo e-moll Fk 43 W.F. Bach – Adagio
8.Concerto für Cembalo, Streicher und Basso continuo e-moll Fk 43 W.F. Bach – Allegro assai

9.Trio & Adagio f-moll W.F. Bach
10.Fuge f-moll W.F. Bach

11.Sinfonie F-dur Fk 67 W.F. Bach – Vivace
12.Sinfonie F-dur Fk 67 W.F. Bach – Andante
13.Sinfonie F-dur Fk 67 W.F. Bach – Allegro
14.Sinfonie F-dur Fk 67 W.F. Bach – Menuetto I & II

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