György Ligeti (1923-2006) – Special Edition 2006

Há pouco menos de um mês, PQP postou um box de 5 CDs de obras ligetianas aqui. Meu box tem somente três (e algumas repetidas) mas que também valem muito a pena – especialmente pelas obras de câmara do terceiro álbum e pelas interpretações dos quartetos de corda no segundo.

***

Ligeti: Requiem Aventures Nouvelles Aventures

1. Requiem
2. Aventures
3. Nouvelles Aventures

Michael Gielen (Conductor), Friedrich Cerha (Conductor), Andrzej Markowski (Conductor), Barbro Ericson (Performer), Liliana Poli (Performer)

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Ligeti: String Quartets Nos. 1 & 2

1. String Quartet No. 1 (‘Métamorphoses nocturnes’)
2. String Quartet No. 2: Allegro nervoso
3. String Quartet No. 2: Sostenuto, molto calmo
4. String Quartet No. 2: Come un meccanismo di precisione
5. String Quartet No. 2: Presto furioso, brutale, tumultuoso
6. String Quartet No. 2: Allegro con delicatezza

Arditti String Quartet

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György Ligeti: Continum; Zehn Stück für Bläserquintet; Artikulation

1. Continuum Fur Cembalo – Antoinette Vischer
2. Zehn Stucke Fur Blaserquintett – Blaserquintett Des Sudwestfunks, Baden-Baden
3. Artikulation, Elektronische Komposition – Gyorgy Ligeti/Gottfried Michael Koenig/Cornelius Cardew
4. Glissandi, Elektronische Komposition – Gyorgy Ligeti
5. Etuden: No. 1 Harmonies – Zsigmond Szathmary
6. Etuden: No. 2 Coulee – Zsigmond Szathmary
7. Volumina: 1. Fassung – Karl-Erik Welin

Helmut Muller (Performer), Hans Lemser (Performer), Gyorgy Ligeti (Composer), Southwest German Radio Wind Quintet (Performer), Baden-Baden Bläserquintett des Südwestfunks (Performer), Kraft-Thorwald Dilloo (Performer), Antoinette Vischer (Performer), Karl Arnold (Performer), Helmut Koch (Performer), Zsigmond Szathmáry (Performer), Karl-Erik Welin (Performer)

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CVL

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto para Órgão – Sinfonieta – Suite Francesa

Aí vai mais Poulenc…

Sei que muitos leitores-ouvintes gostam de Poulenc, mas essa postagem quero dedicar ao camarada CDF, já que o mesmo, certa vez, afirmou nos comentários de uma outra postagem, que adora o Concerto para Órgão.

A volta ao passado, é a principal característica das obras desse álbum. Aqui, Poulenc usa de toda sua criatividade e sensibilidade, produzindo peças baseadas em estilos antigos, mas sem deixar de ser original.

Baseado na Renascença Francesa, o Concerto para Órgão é uma obra que por seu estilo de improviso, lembra muito as tocatas e fantasias de Bach e Buxtehude. Dramática, leve, lírica, empolgante, são alguns dos diversos adjetivos que cabem nessa peça fabulosa.

Na Sinfonietta, Poulenc cria uma atmosfera leve e descontraída. Sua estrutura formal e colorido orquestral lembra muito as sinfonias de Haydn.

O álbum termina com a deliciosa Suite Française, composição leve e bem concatenada, também, inspirada nos modelos da Renascença Francesa.

Uma ótima audição!

.oOo.

Poulenc: Concerto para Órgão – Sinfonieta – Suite Francesa

Concerto for organ, strings & timpani in G minor, FP 93 (1938)
1.  Andante 3:22
2.  Allegro giocoso 2:05
3. Subito andanate moderato 7:40
4. Tempo allegro. Molto agitato 2:46
5. Très calme. Lent 2:38
6. Tempo de l’allegro initial 2:02
7. Tempo introduction. Largo 3:02

Sinfonietta, for chamber orchestra, FP 141 (1947)
8. No. 1, Allegro con fuoco 9:10
9. No. 2, Molto vivace 5:56
10. No. 3, Andante cantabile 6:57
11. No. 4, Final (Prestissimo et tres gai) 6:55

Suite française (d’après Claude Gervaise), for winds, percussion & harpsichord, FP 80 (1935)
12. No 1, Bransle de Bourgogne 1:22
13. No 2, Pavane 2:33
14. No 3, Petite marche militaire 1:05
15. No 4, Complainte 1:35
16. No 5, Bransle de Champagne 1:43
17. No 6, Sicilienne 2:10
18. No 7, Carillon 1:44

Andre Isoir, órgão Henri Didier (1899) da Catedral de Laon
Orchestre de Picardie, Edmon Colomer

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Marcelo Stravinsky

Camille Saint-Säens (1841-1904) – Sinfonia No. 3 em C menor, Op. 78 – Sinfonia com órgão, Pháeton, Op. 39, Danse Macabre, Op. 40 e Danse Bacchanele from Samson et Dalila, Act III

Eis que surge a Sinfonia No. 3 de Saint-Säens como prometi. Gosto bastante dela. É cheia de um  extraordinário colorido orquestral, o que a torna em um grande trabalho. O segundo movimento é uma reflexão belissíma. Aparecem ainda três outras peças significativas: Phaéton, Op. 39, Danse Macabre, Op. 40 e Danse Bacchanale. Na condução temos o grande Maazel. Bom deleite!

Camille Saint-Säens (1841-1904) – Sinfonia No. 3 em C menor, Op. 78 – Sinfonia com órgão, Pháeton, Op. 39, Danse Macabre, Op. 40 e Danse Bacchanele from Samson et Dalila, Act III

Sinfonia No. 3 em C menor, Op. 78 – Sinfonia com órgão
1. Adagio [9:52]
2. Poco Adagio [11:11]
3. Allegro moderato [7:29]
4. Maestoso [8:17]

Pháeton, Op. 39 [8:19]
5. Pháeton, Op. 39

Danse Macabre, Op. 40 [6:24]
6. Danse Macabre, Op. 40

Danse Bacchanele from Samson et Dalila, Act III [7:16]
7. Danse Bacchanele from Samson et Dalila, Act III

Total: 58’58

Pittsburgh Symphony Orchestra
Lorin Maazel, regente
Anthony Newman, órgão

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Carlinus

Enquanto isso, nas internas do PQP

Avicenna, em nosso googlegroups:

A campanha “Queremos gravar o seu LP” está dando um resultado muito bom. Alguns ouvintes já me enviaram links de CDs que possuiam. Outros tem enviado a lista do que possuem para eu escolher o que é interessante, etc.

1. recebí mais de 10 LPs, absolutamente virgens, pelo Sedex, ouro puro, ouro puro. Somente obras de Henrique Oswald e Nepomuceno! LPs dos anos 60 e 70.

2. neste sábado me encontrei às 12:00 na Capela de Sta. Luzia, no centro de S. Paulo, com um nosso ouvinte. Ele me presenteou com 10 LPs, absolutamente virgens também, somente de música sacra colonial brasileira. Levei um CD que já tinha postado de presente para ele. Era um senhor de uns 50 anos. Quando percebí a raridade que ele me presenteava (e ao PQP Bach também), perguntei como ele tinha aqueles LPs. Ele, que era baxinho e magrinho, se agigantava conforme respondia minha pergunta:

— O senhor escreveu que quem não tivesse LP que fosse a um sebo. Pois eu tenho conhecimento em sebos e conseguí estes para o senhor.

— Eu não tenho palavras para lhe agradecer, respondí.

— O senhor não precisa agradecer. O seu agradecimento será quando o senhor postar estes LPs para os outros.

Emoção, emoção.

3. acabei de receber um email com o levantamento de um ouvinte de Belo Horizonte: 27 LPs de música sacra colonial brasileira!!! E mais 207 LPs de música brasileira de concerto do século 18, 19 e 20, fora uma cacetada de CDs que ele está retirando da garagem para contar … Vou de carro para BH para pegar tudo isso!

PQP

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) – Prelúdios e árias das Bachianas Brasileiras

Nota: esta postagem, assim como todas as demais com obras de Heitor Villa-Lobos, não contém links para arquivos de áudio, pelos motivos expostos AQUI

 

Esse CD é uma mera compilação de movimentos retirados da integral das Bachianas Brasileiras com Karabtchevsky à frente da OSB. Infelizmente merece o inédito DE-CEP-CIO-NAN-TE, menos pela orquestra do que pelo maestro (exceto na ária da Bachianas n° 6, onde não há dedo dele… Vá lá, a Modinha da primeira Bachianas também saiu razoável).

***

Villa-Lobos : Arias & Preludios, Das Bachianas Brasileiras

1. Cantilena – BB 5
2. Modinha ( Prélude) – BB 1
3. O canto da nossa terra ( Aria) – BB 2
4. Modinha ( Aria) – BB 3
5. Cantiga ( Aria) – BB 4
6. Aria – BB 6
7. Ponteio (Prélude) – BB 7
8. Modinha ( Aria) – BB 8
9. Preludio & Fuga – BB 9

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CVL

Carmina – Na trilha do novo mundo

Já que postei o Syntagma e o Anima, aqui vai um superdisco do Carmina, o melhor álbum dos três em escolha de repertório. O texto a seguir foi retirado do Submarino:


Quando os navegadores ibéricos apontaram as proas de suas naus para o desconhecido, em fins do séc. XV, traziam consigo não apenas as ferramentas materiais com que iriam construir o Novo Mundo. Traziam também um vasto repertório de cantigas, romances, villancicos, folias, fandangos, moaxajas, zéjeles e outras formas musicais, muitas delas nutridas na riqueza multicultural vivida pela Península entre 711 e 1492, quando da dominação árabe. Nos oito séculos anteriores ao Descobrimento – ou melhor, à Conquista – das Américas, as terras de al-Andalus viveram uma fase de esplendor cultural e grande tolerância religiosa: hispanos, árabes, judeus, orientais e africanos ali conviviam em plena harmonia, num dos mais elevados momentos da história da civilização. Nesse ambiente, desde os tempos do lendário Ziryab (séc. IX), música e poesia eram artes privilegiadas e cultivadas por califas e reis. Foi exatamente a música gestada nesse grande caldeirão ibérico que desembarcou no Novo Mundo com Colombo e Cabral. Este CD do Grupo Carmina deve ser saudado não só por sua grande qualidade musical, mas também por nos dar a oportunidade de conhecer parte da proto-história da música do Brasil. Dividido em jornadas como um auto medieval, ele narra uma epopéia de sonho, despedida, viagem, medo, celebração e, por fim, Encontro – o momento surpreendente, capaz de nos revelar como uma das Cantigas de Santa Maria (de D. Alfonso X, o Sábio, séc. XIII) sobrevive até hoje num canto de reisado brasileiro. Confira!

***

Carmina – Na trilha do novo mundo

1. Ondas do Mar de Vigo Ondas do Mar de Vigo
2. Estampie Estampie
3. História Baetica História Baetica
4. La Mañana de S. Juan La Mañana de S. Juan
5. Como La Rosa em La Guerta Como La Rosa em La Guerta
6. Cuando el Rey Nimrod Cuando el Rey Nimrod
7. Meus Olhos Van Per lo Mare Meus Olhos Van Per lo Mare
8. Pavana Pavana
9. Ay, Santa Marya Ay, Santa Marya
10. Ay Luna que Reluzes Ay Luna que Reluzes
11. Ya Cantan los Gallos Ya Cantan los Gallos
12. Recercada Segunda Recercada Segunda
13. Ay, Triste que Vengo Ay, Triste que Vengo
14. Já Não Podeis Ser Contentes Já Não Podeis Ser Contentes
15. La Spagna La Spagna
16. Hoy Comamos Y Bevamos Hoy Comamos Y Bevamos
17. Ondas do Mar de Vigo/Rainha Encantada Ondas do Mar de Vigo/Rainha Encantada
18. Bendito do Menino Jesus/Canção de Cego Bendito do Menino Jesus/Canção de Cego
19. Bendito Bendito
20. Sereia do Mar Sereia do Mar
21. Chula Ponteada Chula Ponteada
22. Cantiga de Santa Maria/Abrição de Portas Cantiga de Santa Maria/Abrição de Portas
23. Ondas do Mar de Vigo Ondas do Mar de Vigo
24. Partite Sopra la Aria Della Folia da Espagna Partite Sopra la Aria Della Folia da Espagna

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CVL

Johannes Brahms (1833-1897) – Sinfonia No. 1 in C minor, Op. 68 (CD1 de 3)

Estiver a olhar as postagens das sinfonias de Brahms aqui do blog e pude constatar que não existe nenhuma integral com as referidas obras. Temos todas as sinfonias do compositor alemão com postagens avulsas – Bernstein, Kleiber, Jochum e outros (se não estou equivocado). Após ouvir as sinfonias de Johannes regidas por Rattle, achei oportuno postá-las.  Brahms é um dos meus compositores favoritos, sem qualquer titubeio. Tenho 6 compositores que não abro mão deles – Beethoven, Mozart, Bach, Mahler, Shostakovich e o meu querido Brahms. Brahms é um mundo de horizontes e cores. Suas obras são cordas grossas que se amarram no torno do ser da alma da gente. E como gosto de de suas Sinfonias. As quatro são verdadeiras enciclopédias de arte e beleza. Elas possuem suas particularidades. Mas a que mais gosto é de número 1. Enquanto digito estas palavras, estou a ouvi-la (terceiro movimento). Já estou ouvindo pela terceira vez no dia de hoje. Esta versão com Rattle é  convincente. Ainda não conhecia. Devo ter para mais de 20 versões dessa sinfonia no. 1 e não me canso de ouvi-la e admirá-la. Resolvir iniciar hoje essa integral com as Sinfonias de Brahms, conduzidas por Simon Rattle, por causa do outono que sempre me inspira. É a melhor das estações. A mais poética das estações. E como acho que poesia e Brahms são sinônimos, acredito que essa integral das sinfonias de Brahms vem em boa hora. Havia separado duas outras integrais. Uma com Celibidache e outra com o Abbado, mas essa com o Rattle é especial, por isso vai ela mesma. Uma boa apreciação!

Johannes Brahms (1833-1897)Sinfonia No. 1 in C minor, Op. 68

01. Un poco sostenuto-allegro-meno allegro
02. Andante sostenuto
03. Un poco allegretto e grazioso
04. Finale

Berliner Philharmoniker
Simon Rattle, regente

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Carlinus

Pyotr Ilyitch Tchaikovsky (1840-1893) – Serenade for Strings in C major Op. 48, Nutcracker Ballet Suite, Op. 71a, selection, Francesca da Rimini, symphonic fantasy after Dante, Op. 32, Symphony No. 5 in E minor, Op. 64, Pas de deux, from Sleeping Beauty Ballet e Capricio Italien, Op. 45 (CDs 1 e 2 de 10)

Após a última postagem do PQP eu fiquei meio aturdido. Fiquei a pensar se postava esse box com 10 CDs trazendo obras regidas por Mravinsky. Como acredito que Mravinsky foi o maior regente do século XX, vai  aqui uma postagem mais que passional. Como esta é a primeira postagem, seguem alguns dados biográficos extraídos da wikipédia.

Yevgeny Aleksandrovich Mravinsky (ou Evgeny) (em russo: Евгений Александрович Мравинский, Evgenij Aleksandrovič Mravinskij, 4 de Junho de 1903 – 19 de Janeiro de 1988) foi um regente russo, considerado um dos grandes regentes do século XX. Yevgeny Mravinsky nasceu em São Petersburgo. Seu pai faleceu em 1918 e, no mesmo ano, ele começou a trabalhar como estagiário no Teatro Mariinsky. Antes de entrar no Conservatório de Leningrado, ele estudou biologia na universidade em Leningrado. Sua primeira regência em público aconteceu em 1929. Mravinsky tinha inicialmente um repertório de músicas para balé, conduzindo o Balé Kirov (Teatro Maryinsky) e o Ópera Bolshoi (em Moscou). Em setembro de 1938, venceu a Competição dos Condutores da União em Moscou; em outubro do mesmo ano, Mravinsky tornou-se o regente diretor da Leningrad Philharmonic Orchestra, cargo que ocuparia até 1988.  Essa parceira de 50 anos entre Mravinsky e a Leningrad PO só é superado por Willem Mengelberg com a Concertgebouw Orchestra, Ernest Ansermet com a Orchestre de la Suisse Romande e Eugene Ormandy com a Philadelphia Orchestra. Sob comando de Mravinsky, a Leningrad PO ganhou reputação internacional, particularmente com a música russa como as de Tchaikovsky e Shostakovich. Durante a Segunda Guerra Mundial, Mravinsky e a orquestra foram evacuados para a Sibéria. Entre as interpretações lendárias de Mravinsky estão seis sinfonias de Dmitri Shostakovich: a Sinfonia n.º 5, Sinfonia n.º 6, Sinfonia n.º 8, Sinfonia n.º 9, Sinfonia n.º 10 e Sinfonia n.º 12. Mravinsky fez gravações de estúdio, entre o período de 1938 a 1961. Suas gravações após 1961 foram feitas em concertos ao vivo. A sua última gravação aconteceu em abril de 1984, interpretando a Sinfonia n.º 12 de Dmitri Shostakovich. A-PRO-VEI-TE!

Disco 1

Pyotr Ilyitch Tchaikovsky (1840-1893) – Serenade for Strings in C major Op. 48, Nutcracker Ballet Suite, Op. 71a, selection, Francesca da Rimini, symphonic fantasy after Dante, Op. 32, Symphony No. 5 in E minor, Op. 64, Pas de deux, from Sleeping Beauty Ballet e Capricio Italien, Op. 45

Serenade for Strings in C major Op. 48
01. Pezzo in forma di SOnatina
02. Walzer
03. Elegia
04. Finale

Nutcracker Ballet Suite, Op. 71a, selection
05. Dance of the Mirlitons
06. Chinese Dance
07. Arabian Dance

Francesca da Rimini, symphonic fantasy after Dante, Op. 32
08. Francesca da Rimini

Disco 2

Symphony No. 5 in E minor, Op. 64
01. Andante-allegro con anima
02. Andante cantabile, con alcuna licenza
03. Valse, allegro moderato
04. Finale, andante maestoso-allegro vivace-molto vivace-moderato assai

Pas de deux, from Sleeping Beauty Ballet
06. Pas de deux, from Sleeping Beauty Ballet

Capricio Italien, Op. 45
07. Capricio Italiano

Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky, regente

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Carlinus

Richard Wagner (1813-1883) – Orchestral Favourites

Este post é para atender pedidos de alguns wagnerianos chorosos que me interpelaram outro dia.  Embora  não sucumbamos com tanta facilidade a preces, os wagnerianos acabaram tendo o pedido realizado. Afirmo de início: não gosto de Wagner. Isso mesmo! Não gosto do compositor alemão. Devo apresentar as minhas razões: Wagner me cansa. O aspecto “grandioso”, “pomposo”, de sua música me enche de  impaciência. Sua música é tão “densa” e “eloquente”, que nos mata por asfixia. Emprego aqui uma paráfrase de Brahms, quando se referia a Burckner, um wagneriano pleno. Johannes costumava dizer que “as sinfonias de Bruckner eram grandes serpentes”. O mesmo se pode dizer das obras do mestre de Bruckner. Ou seja, aproximam-se de nós e, após ter nos dominado, vai nos apertando, nos comprimindo, espremendo, até que não resistamos – embora eu goste das sinfonias de Bruckner. Encho-me de azia existencial todas as vezes que escuto Wagner. Mas respeito a importância do alemão. Não quero apenas detratá-lo. Sua contribuição para a música é positiva – Bruckner, Mahler, Richard Strauss (corrijam-me se estiver errado). Como para ouvir Wagner é necessário um bom regente, escolhi Solti. Boa apreciação!

Richard Wagner (1813-1883) – Orchestral Favourites

Disco 1

01. Rienzi – Overture
02. Der fliegende Hollander – Overture
03. Tristan und Isolde – Prelude, Act I
04. Tannhauser – Overture
05. Tannhauser – Bacchanale

Disco 2

1. Lohengrin – Prelude to Act I
2. Siegfried Idyll
3. Die Meistersinger von Nürnberg – Act 1 – Prelude & Hymn
4. Parsifal – Prelude
5. Götterdämmerung / Dritter Aufzug – Siegfried’s Funeral March

Wiener Philharmoniker
Sir Georg Solti, regente

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Carlinus

.: interlúdio – klezmer jazz :.

“John Zorn once remarked to that in the ’60s, “we didn’t want to hear Jewish music at our Bar Mitzvahs, we wanted to hear Hendrix.” Funny how a few decades and some intermarriage with post-bop jazz can change all that. However, if back then some very hip parents convinced the best free jazzers to do a Bar Mitzvah party set, the result could very likely have been something akin to this album.” leia mais

Se o leitor imagina este Blue Dog como um cusco impertinente, meio baqueado, que frequentemente sai explorando onde o nariz aponta e não se furta a cheirar o que lhe passa pelo nariz — acertou. E tem horas em que paro e olho pros lados e penso “mas como é que eu vim parar aqui?”

Penso por um instante, só. Porque não é importante.

O Klez-Edge é o projeto mais recente de Burton Greene, pianista de Chicago que gravou para a ESP nos anos 60, e radicou-se na Europa desde os 70 (começou por Paris, hoje na Holanda). Sua trajetória sempre teve o free jazz como base, mas, também um explorador, vem estudando suas relações com os mais diversos estilos — como a raga, o folclore dos Bálcãs e o klezmer, a música tradicional judaica. Lançado pela Tzadik, o selo de John Zorn, na série Radical Jewish Culture, Ancestors, Mindreles, NaGila Monsters apresenta uma soma simples: post-bop e improviso mais klezmer. Diferente de seu projeto anterior, o Klezmokum, tem um homem como vocalista: e prepare-se para ouvir o polonês Marek Balata fazer o scat como você jamais imaginou ouvir — não sem rir.

Que foi a minha primeira reação: rir! Não parecia sério. Senão, acompanhe: a abertura, uma canção folclórica romena chamada “Mindrele”, inicia com frases de tuba — reconhecidamente o mais engraçado dos instrumentos musicais. A primeira seção traz um clarinete choroso, piano acompanhando a tuba e o vocalista improvisando sílabas em tenor; usando a voz como instrumento e dentro do contexto do jazz (ou seja, solando). E com que fôlego! Porque os músicos são refinados e as harmonias, agradáveis, vão conduzindo a audição, logo a risada desaparece e deixa só um sorriso. Passada a estranheza, se percebe como o que se ouve é levado a sério — ou tão sério quanto uma fanfarra judaica uptempo pode ser. “Odessa on the Hudson” é ainda mais cativante, com o pulmão infinito de Balata dobrando notas junto a Greene a desaguar num refrão melódico em tons menores. Apesar do destaque todo ao vocalista e seu trabalho de “libertar” o klezmer, mantem-se o jazz: solos e solos de jazz modal, num grupo sem baixo — que é substituído, com mais textura, pela tuba.

O resultado é nada menos que hipnótico. Descobri o disco há pouco mais de uma semana e venho o escutando três vezes por dia desde então. Esteja avisado. E a não ser que seja judeu, espere o momento em que você estará com vontade de bater palmas durante a música, e se perguntará “…mas o que É que eu estou ouvindo mesmo?!?”

***

Embora o Klez-Edge seja, na minha opinião, bastante superior ao do Klezmokum, este post traz também dois discos desta banda. Que difere-se basicamente por ser bem mais contida nos improvisos, mais tradicional, e traz uma vocalista “típica”, cantando em iídiche. No entanto, o trabalho de Greene aparece mais; há momentos belíssimos de seu piano (gosto especialmente dos andamentos complexos de “Di Nakht”).

(Os discos do Klezmokum, pouco distribuídos, podem (e devem) ser comprados no site oficial. Ignore as capas horríveis.)


Klez-Edge – Ancestors, Mindreles, NaGila Monsters/2008 (320)
download – mediafire /115MB
Burton Greene: piano; Perry Robinson: clarinet; Marek Balata: vocals; Larry Fishkind: tuba; Roberto Haliffi: drums.
01 Mindrele 02 Odessa on the Hudson 03 Ancestral Folk Song 04 Funk Tashlikh 05 Prelude in D Minor for Andrzej 06 Oy Joy 07 Bagdad 08 Moldavian Blues 09 Have Another NaGila Monster


Klezmokum – ReJewvenation/1998 (320)
download – mediafire /160MB
Burton Greene: piano; Larry Fishkind: tuba; Roberto Haliffi: drums; Perry Robinson: clarinet; Patricia Beysens: voice, flugelhorn; Hans Mekel: clarinet, sax.
01 Atesh Tanz 02 Russian Sher N° 5 – Sherele 03 Ydid Nefesh 04 Doina in G Major 05 Shir Hashomer 06 El Rey por Muncha Madruga 07 Hora Mare 08 Shoror 09 Adonai Melech – Hodu L’adonai 10 Los Kaminos de Sirkidji 11 Desert Dance 12 Nevala


Klezmokum – Le Dor Va Dor/2000 (256)
download – mediafire /130MB
Mesma formação, mais Sofie van Lier: voice
01 Jews and Gypsies Suite: a) Tants, tants, tants b) Tsigaynerlid 02 Kineret 03 Di Nakht 04 Fun Tashikh 05 Dremlen Feygl 06 Yiddish Tango 07 A Nigun Variations 08 El Male Rachamim 09 Sa’dawi Variations

Shalom!
Blue Dog

Frédéric Chopin (1810-1849) – Estudos (CD 5 de 13)

Apesar do tempo que já faz desde que postei o último CD de Chopin, eu não esqueci do que havia iniciado. Surgem agora os maravilhosos Estudos do compositor. Boa apreciação!

Frédéric Chopin (1810-1849) – Estudos

01 – 12 Etudes, Op.10 No.1 in C
02 – 12 Etudes, Op.10 No.2 in A minor (Chromatique)
03 – 12 Etudes, Op.10 No.3 in E (Tristesse)
04 – 12 Etudes, Op.10 No.4 in C sharp minor
05 – 12 Etudes, Op.10 No.5 in G flat (Black Keys)
06 – 12 Etudes, Op.10 No.6 in E flat minor
07 – 12 Etudes, Op.10 No.7 in C
08 – 12 Etudes, Op.10 No.8 in F
09 – 12 Etudes, Op.10 No.9 in F minor
10 – 12 Etudes, Op.10 No.10 in A flat
11 – 12 Etudes, Op.10 No.11 in E flat
12 – 12 Etudes, Op.10 No.12 in C minor (Revolutionary)
13 – 12 Etudes, Op.25 No.1 in A flat (Harp Study)
14 – 12 Etudes, Op.25 No.2 in F minor
15 – 12 Etudes, Op.25 No.3 in F
16 – 12 Etudes, Op.25 No.4 in A minor
17 – 12 Etudes, Op.25 No.5 in E minor
18 – 12 Etudes, Op.25 No.6 in G sharp minor
19 – 12 Etudes, Op.25 No.7 in C sharp minor
20 – 12 Etudes, Op.25 No.8 in D flat
21 – 12 Etudes, Op.25 No.9 in G flat (Butterfly Wings)
22 – 12 Etudes, Op.25 No.10 in B minor
23 – 12 Etudes, Op.25 No.11 in A minor (Winter Wind)
24 – 12 Etudes, Op.25 No.12 in C minor

Vladimir Ashkenazy, piano

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Carlinus

Elisabeth Chojnacka – Energy

Bem, se você conhece obras contemporâneas para cravo, saiba que é muito provável que elas tenham por trás o dedo, digo, os dedos da virtuosa polonesa residente na França Elisabeth Chojnacka (pronuncia-se Roinatsca), que inexplicavelmente ainda não tinha aparecido aqui no blog.

O presente CD é um dentre vários que mostram as possibilidades que a instrumentista abriu através do estímulo a compositores contemporâneos do mundo inteiro. Seja fazendo o cravo dialogar com instrumentos “étnicos”, seja com meios acusmáticos, seja com as manifestações de vanguarda, ouvir Chojnacka sempre é uma instigante aventura. E caso não se goste de alguma dessas aventuras, pode-se embarcar em outra e se maravilhar com a nova tentativa. Taí uma instrumentista que verdadeiramente passa longe do previsível.

***

Elisabeth Chojnacka – Energy

1. Umbhiyozo waze afrika, for harpsichord & african percussion: Movement 1
2. Umbhiyozo waze afrika, for harpsichord & african percussion: Movement 2
3. Umbhiyozo waze afrika, for harpsichord & african percussion: Movement 3
4. Umbhiyozo waze afrika, for harpsichord & african percussion: Movement 4
5. Càbala del caballo, for harpsichord & flamenco guitar
6. Tango fusion (new version) for harpsichord & bandonéon
7. Espressivo, for harpsichord & tape
8. Music of dreams, for harpsichord, chang & tape
9. Shingalana, for harpsichord & tape
10. Mirage, for shô & harpsichord
11. Phrygian Tucket, for harpsichord & tape

(Para informações sobre os intérpretes, clique no link da Amazon)

BAIXE AQUI – PARTE 1
BAIXE AQUI – PARTE 2

CVL

Brazilian Landscapes

Nota: esta postagem, assim como todas as demais com obras de Heitor Villa-Lobos, não contém links para arquivos de áudio, pelos motivos expostos AQUI

 

Este post aqui deve-se por completo à Maria Cristina Câmara, fã de Amaral Vieira e que preparou todo o conteúdo da pasta zipada que vocês agora podem baixar (eu tenho o disco, mas não tenho tempo de dedicar tanto esmero à preparação dos arquivos). Trata-se de uma das melhores gravações de música de câmara brasileira realizada nas últimas décadas no exterior – e por isso uma chance sem igual de ouvir o brilhante Quinteto Fronteiras, de Amaral Vieira, bem como os trios do Villa e de Guarnieri.

***

Brazilian Landscapes

Villa-Lobos (1887-1959)

1 – Trio para violino, viola e violoncelo – Allegro
2 – Trio para violino, viola e violoncelo – Andante
3 – Trio para violino, viola e violoncelo – Scherzo: Vivace
4 – Trio para violino, viola e violoncelo – Allegro preciso e agitado

Camargo Guarnieri (1907-1993)

5. Trio para violino, viola e violoncelo – Enérgico e ritmado
6 – Trio para violino, viola e violoncelo – Sorumbático
7 – Trio para violino, viola e violoncelo – Com alegria

Amaral Vieira (1952)

8 – Quinteto para piano e cordas opus 297 “Fronteiras” – Molto lento, espressivo
9 – Quinteto para piano e cordas opus 297 “Fronteiras” – Molto lento
10 – Quinteto para piano e cordas opus 297 “Fronteiras” – Allegro festivo

ENSEMBLE CAPRICCIO:
Chouhei Min, violino – Korei Konkol, viola – Mina Fisher, violoncelo

Artistas convidados:
Max Barros, piano – William Schrickel, contrabaixo

BAIXE AQUI

CVL

[Restaurado] Johannes Brahms (1833 – 1897) – Variações sobre um tema de Joseph Haydn, Op. 56b – Versão para dois pianos, Sergei Rachmaninov (1873-1943) – Danças Sinfônicas, Op. 45 – Versão para dois pianos, Franz Schubert (1797-1828) – Rondo em A maior, D. 951 – Grande Rondeau – Para piano a quatro mãos e Maurice Ravel (1875-1937) – La Valse – Versão para dois pianos

Um CD de rara e delicada beleza. A parceria Nelson Freire – Martha Argerich já é conhecida pelos frutos que têm produzido. Neste registro suave, excelente, extraordinário para aqueles momentos em que a alma quer sossegar e o corpo pede bolachas com chá, este CD torna-se pertinente.  O fato é que após tê-lo ouvido ontem, no final da tarde, próximo do ocaso, percebi que a noite surgiu diferente. Não deixe de ouvir e apreciar a seleção e a transcrição feita para o piano de peças de Brahms, Rachmaninov, Schubert e Ravel por dois músicos que alcançaram a plenitude naquilo que fazem. Boa apreciação!

Johannes Brahms (1833 – 1897) –
Variações sobre um tema de Joseph Haydn, Op. 56b – Versão para dois pianos

01. Chorale St. Antoni. Andante
02. Var I. Antoni Andante
03. Var II. Vivace
04. Var III. Con moto
05. Var IV. Andante
06. Var V. Poco presto
07. Var VI. Vivace
08. Var VII. Grazioso
09. Var VIII. Poco presto
10. Finale. Andante

Sergei Rachmaninov (1873-1943) –
Danças Sinfônicas, Op. 45 – Versão para dois pianos

11. I Non Allegro
12. II Andante con moto
13. III Lento assai – Allegro vivace

Franz Schubert (1797-1828) –
Rondo em A maior, D. 951 – Grande Rondeau – Para piano a quatro mãos

14. Rondo in A major D 951 ‘Grand Rondeau’

Maurice Ravel (1875-1937) –
La Valse – Versão para dois pianos

15. La Valse

* Gravado ao vivo no Salzburg Festival

Martha Argerich, piano
Nelson Freire, piano

BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE

Carlinus

[restaurado por Vassily em 5/6/2021, em homenagem aos oitenta anos da Rainha!]

André Campra (1660-1744) e François Couperin (1668-1733) por Les Arts Florissants

Nunca mais houve uma postagem de obras do barroco francês, então lá vai um belo CD duplo. Particularmente, prefiro outra versão do Réquiem de Campra, lançada pela Naxos, que é muito mais fervorosa, mas os intérpretes aqui não fazem feio – trata-se de um dos grupos mais conceituados de música barroca francesa.

Já disse isso uma vez, mas repito: não compreendo como a indústria fonográfica internacional joga confetes nos representantes-mor do barroco alemão, italiano e inglês (Bach, Vivaldi e Haendel) e negligencia o barroco francês (quem de vocês cita Lully, Rameau ou Charpentier de bate pronto como os famosos citados dos países vizinhos*?). Acho isso uma distorção histórica que espero que seja corrigida ao longo do tempo.

* Só falta alguém escrever dizendo que a Inglaterra é separada da França pelo Canal da Mancha.

***

Campra – Grands Motets / Les Arts Florissants, Christie

1. Notus in Judea Deus (1729): Notus in Judea Deus (Recit de basse-taille)
2. Notus in Judea Deus (1729): Ibi confregit (Choeur)
3. Notus in Judea Deus (1729): Illuminans tu mirabiliter (Choeur)
4. Notus in Judea Deus (1729): Dormierunt somnum suum ( Recit de dessus)
5. Notus in Judea Deus (1729): Ab increpatione ( Recit de basse-taille & duo de basses-taille)
6. Notus in Judea Deus (1729): De coelo auditum (Choeur)
7. Notus in Judea Deus (1729): Cum exurgeret (Recit de haute-contre)
8. Notus in Judea Deus (1729): Vovete et reddite (Recit de taille)
9. Notus in Judea Deus (1729): Terribili et ei qui aufert (Choeur)
10. De profundis: Symphonie
11. De profundis: De profundis clamavi (Recit de basse-taille)
12. De profundis: Si iniquitates (Recit de haute-contre)
13. De profundis: Quia apus te (Choeur)
14. De profundis: A custodia (Recit de dessus)
15. De profundis: Qui apus te (Trio haute-contre/taille/basse-taille)
16. De profundis: Et ipse rediment (Dialogue haute-contre/taille/basse-taille)
17. De profundis: Requiem (Choeur)
18. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Exaudiat te Dominus (Recit de taille)
19. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Mittat tibi auxilium ( Choeur)
20. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Memor sit omnis sacrificii tui (Dialogue haute-conte/basse-taille)
21. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Lµtabimur in salutari tuo (Choeur & basse-taille)
22. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Impleat Dominus (Duo haute-contre/taille)
23. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Hii in curribus (Duo de basses-tailles)
24. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Ipsi obligate sunt (Choeur)
25. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Domine salvum fac Regem (Trio haute-contre/taille/basse-taille)
26. Exaudiat te Dominus (psaume 19): Et exaudi nos (Choeur)
27. Requiem: Requiem (Choeur)

William Christie (Conductor), Les Arts Florissants (Orchestra), Jael Azzaretti (Performer), Paul Agnew (Performer), Arnaud Marzorati (Performer), Nicolas Rivenq (Performer), Andrew Foster-Williams (Performer), Marie-Ange Petit Hanna Bayodi (Performer), Anne-Marie Lasla Bertrand Cuiller (Performer)

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Salve Regina by Campra . Couprin (Petits motets) / Agnew, Lasla, Les Arts Florissants, Christie

(Disc 2)

1. Salve Regina
2. Audite omnes et expanescite
3. Respice in me
4. Salve Regina
5. Usquequo Domine
6. Insere Domine
7. Quid retribuam tibi Domine
8. Quemadmodum desiderat cervus
9. Florente prata

William Christie (Conductor), Les Arts Florissants (Orchestra), Ruth Unger (Orchestra), Paul Agnew (Performer), Anne-Marie Lasla (Performer), Catherine Girard (Performer), Maia Silberstein (Performer), Charles Zebley (Performer)

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CVL

PS.: Não estranhem os dois links da Amazon: constatei que o CD duplo que comprei é uma reedição daqueles álbuns lançados isoladamente antes.

Anima – Espelho

Aproveitando o recente lançamento de Donzela Guerreira, posto aqui o CD anterior do aclamado e competentíssimo grupo Anima, Espelho. Pra quem gosta de música antiga é nota dez, mas é preciso se acostumar com um diapasão (afinação) diferente do habitual hoje em dia. Leia mais sobre a discografia do Anima aqui.

***

Anima – Espelho

1. Santidade – Mundado
2. Bendito
3. Stella Splendens In Monte
4. Dos Estrellas Le Siguen
5. A Chantar
6. Caleidoscópio
7. Engenho novo
8. Jongo
9. Sereia
10. Beira mar
11. Lamento
12. Casinha Pequenina
13. Chominciamento Di Gioia – Aboio
14. Rosa das Rosas
15. Rorate Caeli Desuper
16. Na Hora das Horas
17. Viva Janeiro
18. Beira mar

Ricardo Matsuda – Viola Caipira, Viola de Cabaça
Dalga Larrondo – Percussão
Luiz Fiaminghi – Rabeca
Patrícia Gatti – Cravo
Isa Taube – Voz

BAIXE AQUI – PARTE 1
BAIXE AQUI – PARTE 2

(Só mais essa vez: junte ambas as partes com o programa HJSplit – opção Join)

CVL

Camille Saint-Säens (1841-1904) – Piano Concertos 1 – 5

Salomão diz no livro de Eclesiastes que há dias para tudo debaixo do céu: Dia para estar alegre e dia para estar triste; dia para chover e dia para fazer sol; dia para se aproximar e dia para se afastar; e assim por diante. Hoje, diferente de outros dias, estou numa morbidez de amargar. Trata-se de uma langor, uma letargia, uma moleza que me priva de interesses. Passei por aqui apenas para postar esse CD muito bom com os cinco concertos para piano e orquestra de Camille Saint-Säens. Apesar de ter motivos para fazer uma arrazoado considerável desses concertos “enxutos”, tecnicamente impecáveis, no que tange à estrutura, deixarei de fazê-lo. Não deixe de ouvir as peças desse francês lisztiano. Uma boa apreciação!

Camille Saint-Säens (1841-1904) – Piano Concertos 1 – 5

CD1

Piano Concerto No.1 in D, Op.17
01. Andante – Allegro assai
02. Andante sostenuto quasi adagio
03. Allegro con fuoco

Piano Concerto No.2 in G minor, Op.22
04. Andante sostenuto
05. Allegro scherzando
06. Presto

Piano Concerto No.3 in E flat major, Op.29
07. Moderato assai – piu mosso (Allegro maestoso)

CD2

Piano Concerto No.3 in E flat major, Op.29
01. Andante
02. Allegro non troppo

Piano Concerto No.4 in C minor, Op.44
03. Allegro moderato – Andante
04. Allegro vivace – Andante – Allegro

Piano Concerto No.5 in F, Op.103 “Egyptian”
05. Allegro animato
06. Andante
07. Molto allegro

London Philharmonic Orquestra
Charles Dutoit, regente
Pascal Rogé, piano

BAIXAR AQUI CD1
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Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – 33 Variações em Sol maior sobre uma valsa de Anton Diabelli, Op. 120 e Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Partita No. 4 em Ré maior, BWV 828

Como hoje me encontro bastante “virtuoso”, tomei a resolução de postar este extraordinário CD. Fazia já alguns dias que estava separado. Mas, hoje à noite, depois da chuva torrencial que caiu aqui em Brasília, ele virá à tona. Beethoven e Bach interpretados por Kovacevich. Fatal. Absoluto. Há duas ótimas gravações aqui no blog – Pollini e Anderszewski. Não faz mal que emplaquemos mais esta. Fato interessante é que as 33 Variações sobre um tema de Anton Diabelli foram escritas por Beethoven entre os anos de 1819 e 1823. Acredito que Diabelli tenha se tornado mais conhecido por conta dessa  ação de Beethoven.  Se Beethoven não tivesse escrito esta obra com o nome de Diabelli, ignoraríamos completamente a existência dessa criatura. Beethoven utilizou-se de uma valsa do citado compositor e compôs uma das peças supremas para piano da história da música ocidental. Foi escrita de forma lenta, gradual. Beethoven já se encontrava surdo. Como disse certa vez Hans von Bülow: “As 33 Variações sobre um tema de Diabelli constituem um microcosmo da arte de Beethoven”. Ou seja, é como se suas sinfonias, quartetos de cordas, sonatas, trios e etc estivessem ali condensados. Fantástico. Aparece ainda, neste magnificente CD, a Partita No. 4 de Bach. Ou seja, é para ouvir e ficar sisudo – em silêncio – de queirxo caído. Boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – 33 Variações em Sol maior sobre uma valsa de Anton Diabelli, Op. 120

01 – Tema- Vivace
02 – I AlIa marcia maestoso
03 – II Poco allegro
04 – III L’istesso tempo
05 – IV Un poco più vivace
06 – V Allegro vivace
07 – VI Allegro ma non troppo e serioso
08 – VII Un poco più allegro
09 – VIII Poco vivace
10 – IX Allegro pesante e risoluto
11 – X Presto
12 – XI Allegretto
13 – XII Un poco più moto
14 – XIII Vivace
15 – XIV Grave e maestoso
16 – XV Presto scherzando
17 – XVI Allegro
18 – XVII Allegro
19 – XVIII Poco moderato
20 – XIX Presto
21 – XX Andante
22 – XXI Allegro con brio – Meno allegro
23 – XXII Allegro molto
24 – XXIII Allegro assai
25 – XXIV Fughetta- Andante
26 – XXV Allegro
27 – XXVI Piacevole
28 – XXVII Vivace
29 – XXVIII Allegro
30 – XXIX Adagio ma non troppo
31 – XXX Andante, sempre cantabile
32 – 32 XXXI Largo, molto espressivo
33 – XXXII Fuga- Allegro
34 – XXXIII Tempo di menuetto moderato

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Partita No. 4 em Ré maior, BWV 828

35 – I Ouverture
36 – II Allemande
37 – III Courante
38 – IV Aria
39 – V Sarabande
40 – VI Menuet
41 – VII Gigue

Stephen Kovacevich, piano

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Carlinus

.: interlúdio: Mariano Otero :.

…E o oscar vai para: Mariano Otero!

(Eu poderia continuar a relação de Otero a Campanella, mas paro; embora seja antigo fã do cinema deste argentino, me parece que seu conterrâneo atinge maior profundidade em sua obra.)

Às apresentações: Otero é um jovem, perspicaz e ambicioso compositor e contrabaixista de jazz. E para bom leitor eu já disse até demais. Descobri por acaso que ganhou um prêmio do Clarín — “La Figura del Jazz Argentino 2009” — e fiquei, basicamente, perplexo ao ouvir seus discos. Porque trazem algo raro e que procuro: jazz contemporâneo feito com jeitão cinquentista. Não é gostar de mofo: é ver o legado seguindo adiante; é o respeito formando novos músicos; é reinventar o reinventado, a síntese do jazz. E com QUE qualidade surge este portenho.

Mariano Otero, com todas as suas funções (onde se inclui (competentíssimo) arranjador e produtor de trilha sonora), evidentemente vai evocar Mingus, e sobre isso só peço que vejam o nome da primeira faixa do disco logo abaixo (e assistam ao vídeo). Mas não se trata de seguir estilo; há, em diversos e muito presente, mas não apenas. Em Três há também um pouco de fusion; Desarreglos, em homenagem ao mítico guitarrista argentino Walter Malosetti, há muitas doses de swing e blues. Otero iniciou carreira com Malosetti (há parcos 10 anos) e seguiu em boas companhias, que incluem Rodrigo Dominguez como sax solo em seus grupos. Aliás, falando em sopros, estes dominam grande parte do espectro sonoro, e com grande eficácia. Otero formou uma big band — hoje um noneto — e algumas passagens levam direto à Miles no período Sketches of Spain. E diferente do que se pode imaginar apressadamente, tudo que não faz é jazz latino. É possível reconhecer alguns grooves mais próximos, mas, de fato e direito, Mariano Otero toca é bop. Vai variar andamentos, como manda a cartilha de boas práticas, mas não deixará o caminho.

A excelência e universalidade de seu jazz renderam um contrato de três discos com a Sony; Desarreglos é o primeiro deles. Mais que ouvinte, passei a torcedor de Otero: que seu talento conquistem o mundo afora. E ele venha logo tocar no Brasil.


Tres /2006 (128)
download [mediafire] 65MB
01 Mingusiana
02 Flor
03 Nudos
04 Las dos Marías (Flow)
05 Hollanda
06 Hacia Un Lugar
07 Hentrane

Desarreglos /2009 (320)
download (mediafire) 146MB *link atualizado
01 El Maestro
02 Ale Blues
03 Mini
04 Grama
05 Walter’s Rithm
06 Avellaneda
07 Madrid
08 Pappo’s Blues
09 Espiritu
10 Blues for Pepi
11 Adios Lala
12 Clifford

Boa audição!
Blue Dog

Philip Glass (1937-) – As Horas (The Hours) – trilha sonora

O disco abaixo é bastante delicioso. É um registro instigante com Philip Glass. Na verdade, trata-se da trilha sonora do filme “As Horas” (2002) do diretor Stephen Daldry. A película em si é um belo poema de cunho existencial baseado no livro homônimo de Michael Cunninghan. Cunninghan, por sua vez, teve por motivo temático, o livro “Mrs. Dalloway” da escritora inglesa Virgínia Woolf . Já vi ao filme “As Horas” algumas vezes. Cada vez que o vejo, fico com aquela impressão de silêncio e embasbacamento. O filme conta a história de três mulheres separadas pelo tempo. Elas estão conectadas pelo livro Mrs. Dalloway. Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e ideias de suicídio. Em 1951 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com AIDS e morrendo. Em suma: a ficção do livro é humanizado pelo drama existencial de cada um dos personagens. As três personagens vivem ao seu modo a angústia, o medo e o desalento das horas que passam a trazer revelações sobre o nada. A vida não é aquilo que se planejou, pois os momentos imparciais que passam trazem aquilo que não pode ser controlado. A música de Glass se encaixa com perfeição neste mosaico com três peças – a massa que liga os elementos do quebra-cabeças é o livro. A trilha sonora possui um tema básico, contínuo, que “caminha” à semelhança de rio. A música evoca a vida e a vida não é nada mais nada menos do que suceções de horas. É um filme muito bonito que deve ser visto e que possui uma trilha sonora muito bem elaborada pela competência de Philip Glass. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Philip Glass (1937-) – As Horas (The Hours) – trilha sonora

01. The Poet Acts
02. Morning Passages
03. Something She Has To Do
04. “For Your Own Benefit”
05. Vanessa And The Changelings
06. “I’n Going To Make a Cake”
07. An Unwelcome Friend
08. Dead Things
09. The Kiss
10. “Why Does Someone Have To Die?”
11. Tearing Herself Away
12. Escape!
13. Choosing Life
14. The Hours

Philip Glass, compositor

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Carlinus

Frédéric Chopin (1810-1849) – Chopin Gold

Pra fechar bonito as postagens de peso de Carlinus, PQP e moi neste feriadão.

Atolem o pé e façam o maior número de downloads possível. Se houver mais de 500 dentro de uma semana, libero o Nelson Freire tocando os Noturnos.

(Eu disse que não gosto de Chopin, mas com esses intérpretes todos aí, eu reconsidero meus escrúpulos.)

***

Chopin Gold

Disc 1

1. Polonaise No.6 In A Flat, Op.53 -”Heroic” Maurizio Pollini
2. 24 Préludes, Op.28 – 15. In D Flat Major (”Raindrop”) Martha Argerich
3. Waltz No.6 In D Flat, Op.64 No.1 -”Minute” – Molto Vivace Maria João Pires
4. Waltz No.7 In C Sharp Minor, Op.64 No.2 Alice Sara Ott
5. 12 Etudes, Op.10 – Paderewski Edition – No.3 In E Major Nelson Freire
6. 12 Etudes, Op.10 – No. 12 In C Minor ”Revolutionary” Vladimir Ashkenazy
7. 24 Préludes, Op.28 – 4. In E Minor Rafal Blechacz
8. 24 Préludes, Op.28 – 7. In A Major Rafal Blechacz
9. Berceuse In D Flat, Op.57 – Andante Hélène Grimaud
10. Polonaise No.3 In A, Op.40 No.1 – ”Military” – Allegro Con Brio Emil Gilels
11. Impromptu No.4 In C Sharp Minor, Op.66 ”Fantaisie-Impromptu” Maria João Pires
12. Nocturne No.2 In E Flat, Op.9 No.2 Daniel Barenboim
13. Ballade No.1 In G Minor, Op.23 Maurizio Pollini
14. Scherzo No.2 In B Flat Minor, Op.31 – Presto – Sostenuto Arturo Benedetti Michelangeli
15. Waltz No.1 In E Flat, Op.18 -”Grande Valse Brillante” Zoltán Kocsis
16. 12 Etudes, Op.25 – No. 11 In A Minor ”Winter Wind” Vladimir Ashkenazy

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Disc 2

1. Nocturne No.8 In D Flat, Op.27 No.2 Lang Lang
2. 12 Etudes, Op.10 – Paderewski Edition – No.4 In C Sharp Minor Nelson Freire
3. 24 Préludes, Op.28 – 3. In G Major Martha Argerich
4. 24 Préludes, Op.28 – 6. In B Minor Martha Argerich
5. Mazurka No.13 In A Minor Op.17 No.4 Vladimir Horowitz
6. Scherzo No.3 In C Sharp Minor, Op.39 Ivo Pogorelich
7. Piano Sonata No.2 In B Flat Minor, Op.35 – 3. Marche Funèbre (Lento) Hélène Grimaud
8. 24 Préludes, Op.28 – 11. In B Major Friedrich Gulda
9. 24 Préludes, Op.28 – 20. In C Minor Friedrich Gulda
10. Three Ecossaises Op.Post 72, No.3 – 1, 2 + 3 Mikhail Pletnev
11. 12 Etudes, Op.25 – No. 9 In G Flat, ”Butterfly Wings” Vladimir Ashkenazy
12. Nocturne No.10 In A Flat, Op.32 No.2 Maria João Pires
13. Impromptu No.1 In A Flat, Op.29 Mikhail Pletnev
14. Barcarolle In F Sharp, Op.60 Maurizio Pollini
15. Mazurka No.19 In B Minor, Op.30 No.2 – Allegretto Arturo Benedetti Michelangeli
16. Ballade No.3 In A Flat, Op.47 Sviatoslav Richter

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CVL

Richard Strauss (1864-1949) – Vida de Herói (Ein Heldenleben) e Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia No. 6 em Lá menor – "Trágica"

Achei por bem postar o ensaio abaixo sobre Mahler e Richard Strauss – DAQUI. É bastante elucidativo. O CD abaixo, com regência de Barbirolli, é para ouvir e cair de joelhos em preces apaixonadas. É algo que aturde. Vida de Herói de Strauss é uma beleza de profundidade e rigor orquestral a nos provocar os sentidos. FDP havia postado no início do ano passado uma versão da obra de Strauss que parece aqui com Jarvi. Julgo que essa versão com o Barbirolli seja fatal. Tenho uma outra versão com o Carlos Kleiber, gravada ao vivo que qualquer dia surgirá aqui no PQP Bach. Boa apreciação!

PROFETAS DA MODERNIDADE

GUSTAV MAHLER e RICHARD STRAUSS precederam as vanguardas do início do século pontuando os limites da música tonal. Este ensaio exclusivo revela a extrema coerência de suas opções estéticas e revela as faces de heróis psíquicos.

FILIPE W. SALLES


Richard Strauss e Gustav Mahler foram duas personalidades muito próximas. Ambos eram excelentes orquestradores, regentes e produtores de concertos. Foram amigos, eram conterrâneos e pareciam buscar, através de suas músicas, a mesma coisa: o auto-conhecimento. Diferenças, apenas quanto ao estilo e à forma: Strauss optou pelo poema sinfônico e pela ópera; Mahler pela sinfonia e pela canção. Talvez não exista música mais pessoal e intimista que a de Mahler, com a possível exceção de Richard Strauss. O contrário também serve. Os traços que constituem ambos os estilos, épico em Strauss e melodramático em Mahler, são marcados pela presença de um protagonista, explícito em Strauss e implícito em Mahler. Este protagonista, a quem nos dois casos serve a denominação de “herói”, é claramente apresentado na obra de Strauss, sendo ele motivo dos temas e títulos de seus principais poemas sinfônicos, “Don Juan”, “Macbeth”, “Morte e Transfiguração”, “Till Eulenspiegel”, “Don Quixote”, e até mesmo no “Assim Falou Zarathustra”. No caso de Mahler, as referências são menos diretas.

O herói é uma personificação arquetípica (e no caso de Strauss, muitas vezes literária), podendo figurar como “extensão” do ego. Extremamente explícito em Strauss, é levado às últimas conseqüências na “Vida de Herói” e na “Sinfonia Doméstica”. Nos dois casos temos um Strauss experiente e maduro pondo toda a energia de seus anseies num forno – e servindo-os no prato da grande orquestra.

Mahler, talvez até inconscientemente, envereda por caminhos semelhantes no que diz respeito ao uso da grande orquestra romântica, mas de uma forma incontestavelmente mais problemática. Não se contenta em apresentar o problema com uma solução já prevista (como é o caso da música de programa): ele fornece o problema e procura resolvê-lo no próprio processo criador. Por esse motivo, suas sinfonias são colossos modernos, titãs adormecidos que escondem tesouros do inconsciente. Sua mais curta sinfonia tem entre 50 e 54 minutos. Sua mais longa chega a 100 minutos. Se Strauss foi objetivo o suficiente para ir direto ao poema sinfônico descrever suas emoções, Mahler seguiu o caminho oposto, subjetivando a forma – até então “absoluta”- da sinfonia. Mahler nunca explicitou “sinfonia descritiva” ou “absoluta”. “A sinfonia”, segundo Mahler, “deve abranger tudo”.

Sua Primeira Sinfonia, a “Titã”, tem, inegavelmente, um Programa mais ou menos definido, assim como a Segunda e a Terceira, Mas podemos ouvir a “Titã” sem nenhum conhecimento de seu programa. O efeito será o mesmo. Talvez isso não funcione na imensa Terceira, mas trata-se de um caso à parte. Da mesma forma, a “absoluta” Quinta Sinfonia, que dispensa qualquer argumento extra-musical, tem a mais típica estrutura descritiva de Mahler: “Tragédia-Consolação-Triunfo”, presentes de forma clara também na Primeira, Segunda, Terceira, e Sétimas sinfonias. Richard Strauss estabelece parâmetros diametralmente opostos. Em quase todos os seus poemas sinfônicos, o herói começa em plena atividade, a desenvolve de acordo com o argumento, e finalmente morre, numa metáfora da antecipação do inevitável. “Don Juan”, seu primeiro poema sinfônico, já inicia seus acordes num frenético “Triunfo”, onde o desenrolar orquestral gira em torno deste ideal, indo cair na tragédia de forma brusca e incontestável. A estrutura para Strauss seria “Triunfo-Degustação-Tragédia”. Tragédia que, vinda de Strauss, não é idêntica à de Mahler. A tragédia de Mahler está ligada à angústia, ao sofrimento, e aos aspectos Psicológicos que determinam estes estados – fruto de conflitos pessoais e, por este motivo, distantes de uma realidade cotidiana. A tragédia de Strauss tem mais um espírito de realidade, de fatos concretos e consumados. “Till Eulenspiegel” ilustra com maestria esta metáfora, onde a morte de Till nada mais é do que uma conseqüência lógica do contexto na história. Não chega a ser uma “tragédia” propriamente, mas uma conformação com a realidade. “Morte e Transfiguração” vai pelos mesmos caminhos, sendo a morte do protagonista justamente o triunfo da obra, o objetivo final da própria vida.

Mahler está longe de encarar a morte de forma tão otimista, embora procure sempre estabelecer aspectos místicos, como uma, espécie de compensação pelo seu inconformismo – caso, por exemplo, da Segunda Sinfonia, a da Ressurreição. O principal fator que determina esta diferença de enfoque na obra de Mahler e Richard Strauss talvez seja a escolha do herói. É fato que ambos se projetam em suas peças, algo como autobiografias musicais. Mas enquanto Strauss procura resolver-se externamente, enfrentando cara-a-cara a realidade, Mahler trava uma luta constante consigo próprio, subvertendo a realidade através da reação emocional que lhe espelha o mundo. São visões bastante antagônicas: é como se Strauss observasse o mundo e respondesse a ele exatamente como o vê e interpreta, ao passo que Mahler observa, sente, relaciona, interpreta e reage, dando a suas sinfonias uma duração que freqüentemente ultrapassa os 70 minutos de execução. Talvez por isso Strauss tenha dado preferência no poema sinfônico, forma muito mais livre que a sinfonia e de caráter mais sucinto. O mais curto poema sinfônico de Strauss, “Till Eulenspiegel”, tem algo em torno de 15 minutos, e o mais longo, “Vida de Herói”, 45.

Há extrema coerência, em ambos, na escolha de suas formas de expressão. Um poema sinfônico como os de Strauss certamente não comporta tanta informação como as sinfonias de Mahler – e estas nunca conseguiriam ser claras e objetivas como os poemas de Strauss sem cair numa extrema redundância. Ambos contornam facilmente estas possíveis aberrações estéticas numa simples escolha inteligente do meio correto de utilizar a música.
A estrutura de narração de Mahler (tragédia, consolação, triunfo), é visivelmente modificada, sutil ou abruptamente, na Quarta, Sexta, Oitava e Nona sinfonias. Destas, apenas a Sexta e a Oitava são abruptas, a Sexta é inteiramente trágica e angustiante, ao passo que a Oitava é triunfal e otimista do começo ao fim. A Quarta é um meio termo, uma sinfonia que parece não tomar muito partido desta relação, pois está montada sobre um afresco extremamente original de melodias brilhantemente orquestradas, cuja intenção é justamente espelhar uma espécie de ingenuidade infantil. A Nona é indefinível. Pertence a um universo abstrato, místico, transcendente. Um universo de um compositor que esgotou as possibilidades estruturais padronizadas pelo próprio estilo e busca, através dele, vislumbrar outras dimensões. Processo semelhante ao que ocorre no “Das Lied von der Erde”, ciclo de canções sobre poemas chineses onde a estrutura também é subvertida, sendo a última parte um canto de despedida que Mahler interpretou como o de sua própria vida.

Tudo aquilo que é problemático para Mahler parece ser bastante natural para Richard Strauss. Strauss sempre tratou a psicologia do inconsciente através do argumento de suas obras, e não propriamente do material musical. Fez uma música puramente objetiva, de clareza incomparável, que hesita em se estender nos devaneios contrastantes típicos de Mahler. “Also Sprach Zarathustra” talvez seja o melhor exemplo da relação Strauss/Mahler, porque ambos esboçaram gigantescos afrescos sinfônicos sobre o texto de Nietzsche em épocas muito próximas. A intenção de Strauss era clara: não queria transformar filosofia em música, mas tentar exprimir a idéia do conflito homem-natureza e sua evolução até o nascimento do super-homem nietzschiano (“Übermensch”). Mahler já transcende a descrição sonora de um ideal para um problema puramente existencial, não descrevendo-o musicalmente, mas sim traduzindo suas sensações interpretadas e relacionadas em todo o seu esdrúxulo inconsciente. Assim, a Terceira Sinfonia de Mahler, que se utiliza em seu 4o movimento de um trecho para contralto do Zarathustra, possui todo um contexto maior, relacionado também às lembranças da infância (As marchas, as canções do Wunderhorn), à associação com a morte e o amor, sugerindo uma interpretação muito mais pessoal do texto de Nietzsche do que a de Strauss. Strauss pensava de uma forma mais sintética, pois o próprio argumento de seus poemas já traduzia determinada opinião.

Talvez por toda esta série de diferenças, a obra de Strauss é freqüentemente considerada mais superficial. Erro beócio: a obra de Strauss simplesmente narra uma situação psicológica ou uma ação através de uma projeção do ego num herói, ao passo que em Mahler o herói é a própria música. A narração de Strauss é em terceira pessoa, e a de Mahler é em primeira. Uma simples diferença de perspectiva. A música de Mahler é intimista, a de Strauss é pictórica, e dá mais amplitude a diferentes interpretações relacionadas ao mundo das imagens e das palavras. Mahler é mais hermético. Incontestavelmente, Richard Strauss foi um mestre da orquestração que sabia colocar números extraordinariamente grandes de instrumentos e tratá-los com uma naturalidade camerística, ao passo que Mahler custou um pouco a desprender-se da grandiloqüência wagneriana dos efeitos de massa (típicos da Segunda e Terceira sinfonias) até atingir um refinamento que já era nítido no “Don Juan” de Strauss. O caso Mahler/Strauss é particularmente interessante porque ambos tiveram a oportunidade de acompanhar o crescimento um do outro, bebendo em fontes muito próximas (Beethoven, Wagner, Bruckner), mas sem perder suas particularidades.

Mahler morreu em 1911 e Strauss em 1949, mas seu último “poema sinfônico”, (ainda que chamado de sinfonia), a “Sinfonia Alpina”, é de 1914, sendo portanto a produção de poemas tonais (e não de óperas) que vai de encontro à comparação com a obra de Mahler. Estes dois mestres absolutos da forma e da orquestração foram os últimos patamares da música puramente tonal, que logo em seguida seria totalmente desestruturada por Schoenberg e Stravinsky. Talvez seja chegada a hora de reavaliar a importância de Mahler e Strauss, pois foram eles os últimos mestres antes da escola dodecafônica, onde a música erudita perdeu grande parte de seu público, que voltou às origens de Bach e Mozart. Afinal, além da questão tecnológica e social (e claro, considerando o mundo hoje consumido pela comunicação), poucas diferenças existem entre o fim-de-século deles e o nosso. Seria superestimar a arte de ambos considerá-los profetas da modernidade?

Disco 1

Richard Strauss (1864-1949) – Vida de Herói (Ein Heldenleben)

01. Ein Heldenleben – Das Held
02. Ein Heldenleben – Des Helden Widersacher
03. Ein Heldenleben – Des Helden Gefährtin
04. Ein Heldenleben – Thema der Siegesgewissheit
05. Ein Heldenleben – Des Helden Walstatt
06. Ein Heldenleben – Des Helden Walstatt_ Kriegsfanfaren
07. Ein Heldenleben – Des Helden Friedenswerke
08. Ein Heldenleben – Des Helden Weltflucht und Vollendung
09. Ein Heldenleben – Entsagung

London Symphony Orchestra
Sir John Barbirolli

Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia No. 6 em Lá menor – “Trágica”

10. I. Allegro Energico, Ma Non Troppo; H

Disco 2

01. II. Andante moderato
02. III. Scherzo. Wuchtig
03. IV. Finale. Allegro moderato – Allegro energico

New Philharmonic Orchestra
Sir John Barbirolli

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Carlinus