Eu fui um adolescente que ouvia a música erudita de meu pai TODAS AS NOITES e rock durante o dia. Eu e minha irmã gostávamos de rock. Ela amava os Beatles e eu os Beatles e todo o resto. Imaginem, em 1969, eu tinha 12 anos. Peguei vários discos hoje clássicos quando de seus lançamentos. Tenho-os em vinil, perfeitamente conservados. Comprei-os, digamos, na primeira edição. Então, discos como Machine Head, In Rock, Burn, Fireball e Who do we think we are, do Deep Purple, são meus íntimos. Quase não os ouço mais, mas eles estão na minha discoteca. O que temos aqui? Ora, um baita disco de crossover conduzido por Constantine Krimets e arranjado por Stephen Reeve e Martin Riley. Foi gravado em estúdio em 1992. Não há bateria nem guitarra — não há, de fato, nenhum instrumento de rock, apenas uma orquestra sinfônica. Todas as faixas foram cuidadosamente rearranjadas, e umas soam mais fieis que outras aos originais. Child in Time é particularmente bem sucedida, The Mule e Pictures of Home idem, muito graças às belas melodias. Gostei também de Highway Star… Não pude evitar. Krimets disse que quase toda a orquestra conhecia a fundo os temas, de tanto ouvi-los em casa.
Se compararmos estes arranjos com o que ouvimos nos crossover das orquestras brasileiras, nossa, isso aqui é Stockhausen de tão complexo. Mas penso que este disco apenas possa interessar aos nostálgicos que conhecem cada original. Em resumo, um crossover é uma curiosidade boba. E kitsch.
The Moscow Symphony Orchestra – The Music of Deep Purple
01. Smoke On The Water
02. Space Trucking
03. Child In Time
04. Black Night
05. Lazy
06. The Mule
07. Pictures Of Home
08. Strange Kind Of Woman
09. Burn
10. Highway Star
11. Fireball
12. Coda And Reprise
(Postagem do Ranulfus em 2016, revalidada por Pleyel em 2025 in memoriam ao nosso amigo Ranulfus e também aos 45 anos de morte de Vinicius de Moraes)
Dia desses, garimpeiros que encontraram no blog uma postagem antiga do colega Bluedog reabriram a conversa sobre a extraordinária música instrumental que tomou forma no Brasil na década de 1960 – o que nos motivou a revalidar aqui aquela postagem, do Quarteto Novo.
E a audição do Quarteto Novo me remeteu inevitavelmente a este outro disco, que eu já vinha planejando digitalizar e postar: ele contém um terço do que foi apresentado no histórico show de 25 de maio de 1964 no antigo Teatro Paramount em São Paulo (hoje Teatro Renault), inaugurando o nome “O Fino da Bossa”, que de 1965 a 67 seria aplicado ao programa comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues, transmitido ao vivo desse mesmo teatro pela TV Record.
Como (quase) todo mundo sabe, a bossa nova emergiu entre 1957 e 59 (ao mesmo tempo que o rock’n’roll nos EUA, e este que vos escreve naquele faroeste que era então o Paraná) de todo o caldo de cultura dos anos 50, sobretudo por obra de um bruxo chamado João Gilberto, e foi imediatamente amplificada por uma juventude universitária antenada no que rolava “lá fora” mas suficientemente inteligente pra perceber a imensa riqueza e valor da herança cultural brasileira, e ater-se a ela como fundamento da sua criação, por multi-informada que fosse.
O famoso show no Carnegie Hall (NY, 21.11.1962) ficou como marco da explosão internacional da bossa, que se tornou um dos estilos mais ouvidos no mundo pelo resto da década. Complexados que somos, só depois disso a bossa ganhou um grande teatro no Brasil – ainda por meio de uma juventude universitária suficientemente abastada para abrir suas portas de cristal (Faculdade de Direito do Largo São Francisco – quem sabe um pouco sobre São Paulo entende).
O show aconteceu mês e meio depois do golpe de 64. O sucesso estrondoso fez a bossa ganhar espaço privilegiado na tevê pelos anos seguintes, virando trincheira de resistência nacionalista e de esquerda ao mesmo tempo em que tensionava sua base carioca-boa-vida com o influxo nordestino (vide faixa 8) – com surpreendente penetração e ressonância popular até nos interiores distantes (acreditem: eu vi), mesmo com a promoção paralela da Jovem Guarda como estratégia de despolitização da juventude – até que foi varrida da tevê por obra do golpe-dentro-do-golpe (1969), altura em que já tinha se transformado no campo multiforme e complexo que ganhou o rótulo MPB.
Foi no meio disso tudo que ainda floresceu uma espantosa safra de instrumentistas e arranjadores, como os que ouvimos no Quarteto Novo e ouviremos neste disco aqui, dominado por um sujeito chamado Oscar Castro Neves.
Pra mim essa riqueza é descoberta recente: em 1964 eu tinha só 7 anos; passei a adolescência pensando que bossa era música fútil de sala de espera – o que realmente chegou a ser na sua diluição internacional. Até hoje tendo a ver a bossa pura como uma espécie de piso Haydn-Mozart a partir dos qual se ergueria uma ousadia beethoveniana, no caso a da santíssima trindade Caetano-Chico-Mílton e outros deuses em torno… E talvez tenha sido justamente o encontro com os 10 minutos de timbres e texturas que este Oscar Castro Neves arranca com seu noneto de Berimbau, de Baden e Vinícius (faixa 9), o que me fez finalmente entender a declaração solene do próprio Caetano: “o Brasil ainda precisa merecer a Bossa Nova”.
Só que, estranhamente, pouco depois grande parte desses instrumentistas e arranjadores – como o Airto Moreira do Quarteto Novo, Eumir Deodato, Sérgio Mendes, o próprio Oscar Castro Neves – foram parar na Califórnia, onde vieram a fazer parte do clube dos arranjadores mais bem pagos dos EUA – mas aí sua produção musical logo deixou de ser convincente para ouvidos brasileiros. Suas tentativas de referência ao Brasil foram ficando constrangedoramente inautênticas.
O que no meu ver pode colocar em questão a tese do colega Bluedog naquela outra postagem: a de que o “jazz nordestino” poderia ter ganho o mundo: em certa medida ele até ganhou, mas… de repente pareço ouvir uma ressonância irônica e lúgubre da frase dos evangelhos: de que adianta ao homem ganhar o mundo e perder sua alma?
Enfim: o disco que vocês vão ouvir tem meninas que cantavam com charme mas com vozes pequenas e pouco seguras – como muitas que surgiram na última década, me fazendo pensar se isso pode ser característico de momentos de transição estilística… Tem Paulinho Nogueira mostrando impecavelmente que a geração bossa não necessariamente rejeitava a tradição… Tem Jorge Ben(jor) ainda lutando pra cantar com o R de língua, não carioca, que era exigido pelo rádio (!) até começo dos anos 60 (herança do estado Novo?). E tem Rosinha de Valença extraindo tamanha ginga e intensidade de seu violão, que eu tendo a considerar a faixa 5 o ponto alto do disco – mais ainda que os já mencionados dez minutos do Oscar.
E por falar no Oscar (Castro Neves), por mais que tenha procurado, não consegui encontrar os nomes dos integrantes do seu noneto. Será que algum dos leitores pode ajudar a matar a charada?
O FINO DA BOSSA
LP de 1964, contendo cerca de 1/3 da gravação ao vivo do show
“O Fino da Bossa”, promovido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto (da faculdade de direito da USP) no Teatro Paramount de São Paulo, na noite de 25 de maio de 1964.
01 Onde Está Você? (Luvercy Fiorini / Oscar Castro Neves)
Alaíde Costa, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 03’51
03 Pot-pourri: – Gosto Que Me Enrosco (Sinhô = José Barbosa da Silva) – Agora É Cinza (Bide = Alcebíades Maia Barcellos /
Marçal = Armando Vieira Marçal) – Duas Contas (Garoto = Aníbal Augusto Sardinha) – Bossa Na Praia (Geraldo Cunha / Pery Ribeiro)
Paulinho Nogueira, violão – 04’07
04 Tem Dó (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
Ana Lúcia, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 02’57
05 Consolação (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
Rosinha de Valença, violão; Oscar Castro Neves Noneto? – 06’26
06 Chove Chuva (Jorge Ben / Benjor)
Jorge Ben (Benjor) – 03’39
07 Desafinado (Newton Mendonça / Tom Jobim)
Wanda Sá, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 03’38
08 Maria Moita (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
Nara Leão – 01’59
09 Berimbau (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
Oscar Castro Neves Noneto – 10’18
Lançamento original em vinil: 1964.
Digitalizado em 2016 por Ranulfus & Daniel the Prophet
a partir do relançamento de 1989 em vinil,
comemorativo de 30 anos de Bossa Nova
Riley foi um dos pioneiros do que hoje chamamos minimalismo, mas também sempre esteve próximo do jazz e do improviso, de forma que é difícil saber se o álbum de hoje é um .:interlúdio:. ou não. E isso é só um detalhe, o que importa mesmo é a música, né?
Após ganhar uma certa notoriedade nos anos 1960, Terry Riley fez muitos shows solo tocando teclados em efeitos de overdubs e loops semelhantes aos do álbum A Rainbow in Curved Air (1968). Em alguns casos, com participações especiais notáveis, como a do trompetista Don Cherry (aqui). Gravado em estúdio em 1978, Shri Camel é um álbum que mostra os caminhos pelos quais os improvisos de Riley costumavam passear. Há momentos mais lentos, outros com sons pululando por todos os lados e, em todos os casos, as paisagens sonoras são profundamente originais e seriam copiadas por gente menos talentosa nos anos seguintes.
Terry Riley (nasc. 1935): Shri Camel
listing
1. Anthem of the Trinity – 9:25
2. Celestial Valley – 11:32
3. Across the Lake of the Ancient World – 7:26
4. Desert of Ice – 15:13
Riley – “modified Yamaha YC-45D combo organ tuned in just intonation and augmented with studio digital delay”
“A beautiful performance with a bright musicality was born.”
eBravo digital magazine
Miura testando um exemplar da coleção de arcos do acervo do PQP Bach
Caso eu fosse músico profissional ou mesmo razoável amador, pianista ou violinista, teria a Sonata para violino e piano de César Franck em meu repertório. É uma dessas obras que nos cativa desde a primeira audição. E para completar o programa do disco, outra sonata espetacular, a Primeira Sonata de Brahms. Johannes atuou muito, desde a sua juventude, como pianista acompanhante, especialmente de violinistas, e sabia de tudo sobre o ofício – o repertório, os truques, as técnicas. Mas isso miles de compositores sabiam, além disso, ele tinha o dom, era Brahms e terrivelmente auto-crítico.
Nobu é uma simpatia…
Aqui temos um disco lançado recentemente pela Deutsche Grammophon, que contratou o virtuose pianista Nobu Tsujii e também adquiriu os direitos sobre suas antigas gravações e esse disco é um desses casos. A gravação foi feita no Teldex Studio, Berlim, por volta de 2017, pela Avex Classics. Nestes dias a dupla de jovens músicos, Miura e Tsujii andavam pelas cidades do Japão dando recitais. Você vai encontrar vários vídeos deles tocando trechos de sonatas no YouTube.
Eu só conheci o disco agora, ponto positivo para o relançamento, afinal de contas, nada como ouvir linda música executada tão primorosamente como é o caso aqui.
César FRANCK (1822-1890)
Sonata para Violino em lá maior (1886)
Allegretto ben moderato
Allegro
Recitativo-Fantasia. Ben moderato – Molto lento
Allegretto poco mosso
Johannes BRAHMS (1833-97)
Sonata para Violino No. 1 em sol maior, Op. 78 (1878-79)
Vivace ma non troppo
Adagio
Allegro molto moderato
Fumiaki Miura, violin
Nobuyuki Tsujii, piano
Gravação. 2017-18, Teldex Studio, Berlin
AVEX CLASSICS AVCL25991 [56:02]
Trechos de uma crítica que pode ser lida integralmente aqui: Despite the stiff competition […], this newcomer can hold its head high. In the opening movement, Miura and Tsujii contour the ebb and flow of the narrative, confidently negotiating the harmonic shifts and tempo variants. The second movement is turbulent and impressively virtuosic. I’m particular taken by the heartfelt anguish of the Recitativo, and the sheer joy and elation with which they approach the finale.
The inclusion of the Brahms Violin Sonata No. 1 is apposite, as beguiling lyricism likewise permeates the score. Miura’s warm, burnished tone is ideal for this music. The opening movement’s gentle, bucolic charm is eloquently conveyed. The Adagio, which follows, is played with unfeigned sincerity and radiant fragility, and there’s nobility of gesture in the passionate moments of the ‘Regenlied’ finale.
Fumiaki Miura plays a 1704 Stradivarius loaned by the Munetsugu Foundation.
Apesar da forte concorrência […], este novo lançamento pode orgulhar-se dos resultados. No movimento de abertura, Miura e Tsujii contornam o fluxo e refluxo da narrativa, entretrocando com confiança as mudanças harmônicas e as variações de andamento. O segundo movimento é turbulento e impressionantemente virtuoso. Fiquei particularmente impressionado com a angústia profunda do Recitativo e com a pura alegria e euforia com que abordam o final.
A inclusão da Sonata para Violino nº 1 de Brahms é oportuna, visto que um lirismo sedutor também permeia a partitura. O timbre quente e polido de Miura é ideal para esta música. O charme suave e bucólico do movimento de abertura é transmitido com eloquência. O Adagio, que se segue, é tocado com sinceridade genuína e fragilidade radiante, e há nobreza de gestos nos momentos apaixonados do final de “Regenlied”.
Fumiaki Miura toca um Stradivarius de 1704 emprestado pela Fundação Munetsugu.
Aproveite!
René Denon
O prestativo Departamento de Artes do PQP Bach Corp. Enviou essa ilustração do Miura tocando um violino
Esse disco é muito bom, e seu destaque é a Sonata para Clarinete e Piano, certo? A Sonata para Clarinete e Piano de Francis Poulenc, escrita em 1962, é uma das últimas obras do compositor e um dos pilares do repertório de câmara para clarinete. Foi composta em memória de Arthur Honegger, colega de Poulenc no grupo Les Six. Estava destinada a ser estreada por Benny Goodman (sim, o lendário clarinetista de jazz) com Poulenc ao piano, mas o compositor morreu antes da estreia. A primeira apresentação foi feita por Goodman e Leonard Bernstein. É mole? Poulenc combina clareza, humor, lirismo e melancolia. Sua escrita para clarinete aproveita a expressividade do instrumento, seu calor, sua agilidade e seu senso de humor. Apesar de ser uma homenagem, né? fúnebre, a sonata nunca se afunda em tragédia. Ela é elegante na dor, contida, como um suspiro que prefere o pudor.
Francis Poulenc (1899-1963): Complete Chamber Music Vol. 2 (Tharaud e outros)
Sonata For Violin And Piano (18:26)
1 Allegro Con Fuoco 6:34
2 Intermezzo: Très Lent Et Calme 5:45
3 Presto Tragico 6:01
4 Bagatelle In D Minor For Violin And Piano 2:17
Sonata For Clarinet In B Flat And Piano (13:24)
5 Allegro Tristamente: Allegretto – Très Calme – Tempo Allegretto 5:14
6 Romanza: Très Calme 4:55
7 Allegro Con Fuoco: Très Animé 3:11
Sonata For Piano And Cello (21:51)
8 Allegro – Tempo Di Marcia: Sans Traîner 5:41
9 Cavatine: Très Calme 6:21
10 Ballabile: Très Animé Et Gai 3:18
11 Finale: Largo, Très Librement – Presto Subito 6:22
Cello – Françoise Groben (tracks: 8 to 11)
Clarinet – Ronald Van Spaendonck (tracks: 5 to 7)
Piano – Alexandre Tharaud
Violin – Graf Mourja* (tracks: 1 to 4)
Conheci algumas das gravações de Mahler pelas postagens de PQP Bach alguns anos atrás e, ao perceber que faltavam três sinfonias para termos aqui o ciclo completo, resolvi preencher esta lacuna em nosso acervo. São gravações de peso realizadas nos anos 1990 pelo maestro com sua orquestra de nome recém alterado após o fim da União Soviética.
As orquestras russas regidas por Svetlanov, Rozhdestvensky e Mravinsky na segunda metade do século XX tinham frequentemente uma sonoridade bem característica com intensidade emocional sem cair para o romantismo cafona, além do som de certos instrumentos sutilmente diferentes de seus equivalentes ocidentais, me parece que principalmente os metais.
Esse tipo de intensidade emocional é importante nas sinfonias de Mahler, marcadas pelos contrastes. Mahler alterna entre momentos monumentais com grande orquestra típica do fim do século XIX seguidos por momentos suaves e íntimos. Talvez devido aos seus longos anos de experiência como maestro (portanto, como alguém que sabia o que “funcionava” com o público, no mesmo sentido em que um humorista com anos de teatro sabe as piadas que mais “funcionam”), ele brinca com as quebras de expectativas, ao contrário da música de Bruckner em que esperamos grandiosidade e temos exatamente o que esperamos. É bom lembrar também que Mahler conheceu Bruckner em Viena e tinha grande respeito por ele, então esse diferença, mesmo que radical e profunda, não significa desprezo.
Mais um detalhe sobre a interpretação dos russos: no 3º movimento, uma reconstrução lenta e triste da canção infantil “Frère Jacques” (ou “Bruder Jacob”), alguns maestros e orquestras levam o negócio mais na brincadeira e com andamentos mais rápidos, mas Svetlanov aqui leva mais a sério, embora com trechos contrastantes de tranquilidade.
Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 1 (1889)
1. Langsam, schleppend (Slowly, dragging)
2. Kräftig bewegt, doch nicht zu schnell (Moving strongly, but not too quickly)
3. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen (Solemnly and measured, without dragging)
4. Stürmisch bewegt – Energisch (Stormily agitated – Energetic)
Russian State Symphony Orchestra
Evgeny Svetlanov, conductor
Recording: Moscow, Large Hall of the Conservatory, 1992
Postagem de 2022, links consertados. Foi com surpresa que constatei que neste blog, ativo desde 2006, jamais tinha sido postado o ciclo para piano Goyescas, composto pelo catalão Enrique Granados entre 1909 e 1911, com um post-scriptum (El Pelele) de 1914. Granados evoca a atmosfera das pinturas do também espanhol Francisco Goya (1746-1828). Para dar um jeito nisso, trago hoje não uma, mas duas gravações antológicas dessa obra, por dois respeitados pianistas da geração dos nossos pais e avós, para vocês fazerem suas comparações.
Goya: El amor y la muerte (1797)
A gravação de Nikita Magaloff (1912-1992), que ficou um tempo esquecida e foi relançada há poucos anos pela Decca, é um tesouro apesar do som que mostra sua idade. Assim como comentamos recentemente sobre o Ernesto Nazareth gravado por Proença e Moreira Lima, grandes intérpretes de Chopin, aqui também temos um chopinista de primeira linha se aventurando por esse repertório espanhol. O resultado é um Granados com um romantismo bem mais elegante, dançando de sapato social em um salão à luz de velas, com ritmos muito originais mas sem perder a pose, como quem diz: eu só transgrido e inovo porque me adequo. Não é só a minha impressão, mas também a dos americanos do Record Guide em 1955: ‘The Goyescas are an exhibition of fine manners, and it is as such that Nikita Magaloff plays them. His dexterity, the clarity of his decorations, the subtle variety of his rhythms, are a delight to listen to.’
E com uma concepção geral totalmente diferente, temos a gravação de Alicia de Larrocha (1923-2009), a terceira, pois ela já tinha gravado duas vezes esse ciclo, nas décadas de 1950 e 70. Se Magaloff trazia um Granados, digamos, de terno e gravata, Alicia traz outras cores, vestidos coloridos e flores no cabelo, podemos dizer que é uma interpretação mais solta, dançante, com os pés no chão de terra como algumas das cenas ao ar livre pintadas por Goya.
Enrique Granados (1867-1916), interpretado por Nikita Magaloff
1-6. Goyescas (Los Majos Enamorados) (1909-1911)
I. Los Requiebros, II. Coloquio en la reja, III. El Fandango de candil, IV. Quejas ó la maja y el ruiseñor, V. El amor y la muerte: Balada, VI. Epílogo: Serenata del espectro
7. El pelele: Escena Goyesca (1914)
Nikita Magaloff, piano
Recording: Victoria Hall, Geneva, Switzerland, November 1952 (Goyescas: Book I, El pelele), October-November 1954 (Goyescas: Book II)
Enrique Granados (1867-1916), interpretado por Alicia de Larrocha
1. Allegro de concierto (1904)
2. Danza lenta (1915)
3-8. Goyescas (Los Majos Enamorados) (1909-1911)
I. Los Requiebros, II. Coloquio en la reja, III. El Fandango de candil, IV. Quejas ó la maja y el ruiseñor, V. El amor y la muerte: Balada, VI. Epílogo: Serenata del espectro
9. El pelele: Escena Goyesca (1914)
Alicia de Larrocha, piano
Recording: New York City, USA, December 4-6, 1989; April 11, 1990.
Pois é, mais um desta série que irá longe. Não sou um apaixonado pelas curtas Invenções em duas e três partes para teclado, mas a Fantasia que abre o CD e a Fantasia e Fuga Cromática que o fecha são absolutamente matadoras, de absurda beleza. Vocês podem pensar que somos doidos varridos, mas eu e minha mulher dançamos a Fantasia BWV 906 aqui na sala de casa. Nada nos impedia e não havia ninguém nos filmando para depois colocar no YouTube… Então, tudo bem! Vocês podem tentar, afinal o domingo é um bom dia para loucuras.
J. S. Bach (1685-1750):
Fantasia in C minor; Two-Part Inventions; Three-Part Inventions;
Chromatic Fantasia & Fugue
1. Fantasia In C Minor, BWV906
2. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 1 In C Major
3. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 2 In C Minor
4. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 3 In D Major
5. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 4 In D Minor
6. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 5 In E Flat Major
7. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 6 In E Major
8. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 7 In E Minor
9. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 8 In F Major
10. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 9 In F Minor
11. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 10 In G Major
12. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 11 In G Minor
13. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 12 In A Major
14. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 13 In A Minor
15. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 14 In B Flat Major
16. Fifteen Two-Part Inventions, BWV772-786: Invention 15 In B Minor
17. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 1 In C Major
18. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 2 In C Minor
19. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 3 In D Major
20. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 4 In D Minor
21. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 5 In E Flat Major
22. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 6 In E Major
23. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 7 In E Minor
24. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 8 In F Major
25. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 9 In F Minor
26. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 10 In G Major
27. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 11 In G Minor
28. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 12 In A Major
29. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 13 In A Minor
30. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 14 In B Flat Major
31. Fifteen Three-Part Sinfonias (Inventions), BWV787-801: Sinfonia 15 In B Minor
32. Chromatic Fantasia And Fugue In D Minor, BWV903: Fantasia
33. Chromatic Fantasia And Fugue In D Minor, BWV903: Fugue
Eu, PQP Bach, perdi os links de minhas postagens desde agosto de 2016. Claro que esta versão já foi postada, mas é boa que vamos de novo. A Sinfonia Nº 5, Op. 47, de Dmitri Shostakovich, é uma das obras mais emblemáticas do século XX — ao mesmo tempo uma obra-prima musical e um documento histórico codificado. Composta em 1937, durante o auge do terror stalinista, a obra foi oficialmente anunciada como “a resposta criativa de um artista a críticas justas” — uma referência às severas críticas que o compositor havia sofrido por parte do regime, especialmente após sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk ter sido condenada como “formalista” no jornal Pravda. Mas a Sinfonia nº 5 é tudo menos submissa. A Quinta é como uma máscara — por fora, conformidade e heroísmo soviético, por dentro, crítica sutil, melancolia e coragem.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 5, Op. 47 (Concertgebouw, Haitink)
I Moderato 17:59
II Allegretto 5:23
III Largo 15:36
IV Allegro Non Troppo 10:32
“For me, listening is the most important thing: to listen to each other, to listen to what people say, to listen to music.”
C. Abbado
Petrouchka
Claudio Abbado teve papel importante no cenário da música clássica ao divulgar e ampliar os repertórios das orquestras com as quais trabalhou interpretando com esmero e altíssimo nível técnico e artístico obras do século XX. Ele ganhou posições de destaque na década de 1960 e, à partir de 1967, assinou contrato de gravações com o selo amarelo, na época (e de certa forma até agora) sinônimo de ótima música e excelentes produções.
O álbum dessa postagem reúne gravações que Abbado fez regendo a London Symphony Orchestra de obras de Stravinsky, que nasceu no século XIX, mas viveu seu apogeu como compositor no século XX.
Claudio Abbado teve uma estreita relação com a LSO, da qual foi o regente principal de 1979 até 1987. Estas gravações foram lançadas em diversas ocasiões, no formato de CD, como na série Abbado-Edition, em comemoração dos 25 anos da relação Abbado-DG. Na forma como os arquivos estão reunidos aparecem na série 2CD, cuja linda capa coloquei na abertura da postagem, spin-off da série Philips Duo, que reuniam gravações afins em dois CDs, vendidos à ‘medium-price’ e também numa enorme coleção de 46 CDs, reunindo as gravações do regente com a London Symphony Orchestra. Nesta coleção esses são os disco 38 e 39.
Temos no pacote a gravação da Sagração da Primavera, uma suíte de Concerto d’O Pássaro de Fogo, Jogos de Cartas, isso no primeira parte do pacote. Na segunda, quatro cenas de Petrouchka, na versão original de 1911, e Pulcinella. Minha motivação principal para a postagem é exatamente essa gravação de Pulcinella, peça que eu gosto muitíssimo. Aqui temos a gravação com as partes cantadas – os cantores são excelentes. A mezzo-soprano Teresa Berganza, com quem Abbaddo e a LSO gravaram o Barbeiro de Sevilha, de Rossini, o tenor Ryland Davies e o baixo John Shirley-Quirk.
A edição dessas peças na forma 2CD (com a capa no alto da postagem) foi escolhida como uma entre as Top 20 Recordings da obra de Stravinsky pela Gramophone: Claudio Abbado succeeds in conveying the kaleidoscopic brilliance of Stravinsky’s [Petrushka] score and secures from the LSO playing of real dramatic intensity. Phrases are shaped with far more care and rhythms articulated with greater vitality than on Dorati’s record, and throughout the score there is a powerful sense of dramatic atmosphere. (Robert Layton, November 1981)
Aproveite!
René Denon
Foto do libreto da edição com 46 CDs. Claudio estava bem feliz com a LSO
Hoje é Dia de Aniversário de nosso poeta maior. Não é data redonda, são os 118 anos do nascimento do homem que morreu aos 85 por não suportar ver a única filha morta. (O primeiro filho durou-lhe apenas meia hora). Da mesma maneira de Machado, Rosa, Tom e Chico, é meu brasileiro preferido. Como fala muito da difícil convivência familiar, como é um cara que vai do cotidiano ao metafísico, é quase impossível de não se identificar com alguma faceta do poeta, tão rico. Sempre com brilhantismo, Drummond foi lírico, social, filosófico e humorista. Levou uma existência aparentemente modesta e avessa aos holofotes, tanto que nunca quis o fardão da Academia Brasileira de Letras. A fama de Drummond não veio somente da venda de livros, mas porque foi sempre destacado pelos intelectuais e por movimentos como a tropicália e a bossa nova. Nunca foi censurado porque os governos não achavam que o povo iria entendê-lo. Foi moderno e escreveu sonetos, foi irreverente e clássico, escreveu lindamente poesia e prosa. Sua enorme obra é dividida em 5 fases — modernista, política, filosófica, memorialista e, sim, erótica. Esta última fase não está presente neste esplêndido álbum duplo de 1978, pois ela veio depois.
Neste álbum duplo de vinil, aqui transposto para mp3, ouve-se o próprio Drummond lendo 38 de seus principais poemas. A voz do homem de 76 anos é rouca e fraca, três vezes ele tosse ou limpa a garganta durante a leitura… E daí, minha gente? E daí que temos o próprio autor a nos prodigalizar momentos únicos de audição de poemas GENIAIS. O que me emociona, além dos poemas, é a profunda musicalidade do velho Drummond — no texto e na leitura. Este post tem muita música, pequepianos. É um Sarau da melhor qualidade! Repito, é IM-PER-DÍ-VEL !!!
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987): Antologia Poética
1 Infância
2 No Meio Do Caminho
3 Confidência De Itabirano
4 Quadrilha
5 Os Ombros Suportam O Mundo
6 Mãos Dadas
7 Mundo Grande
8 José
9 Viagem Na Família
10 Procura Da Poesia
11 O Mito
12 O Lutador
13 Memória
14 Morte Do Leiteiro
15 Confissão
16 Consolo Na Praia
17 Oficina Irritada
18 Fazenda
19 Caso Do Vestido
20 Estrambote Melancólico
21 O Enterrado Vivo
22 Destruição
23 Intimação
24 Alta Cirurgia
25 Para Sempre
26 Canto Do Rio Em Sol
27 Boitempo
28 Cantiguinha
29 Os Pacifistas
30 Cultura Francesa
31 Falta Um Disco
32 Amor E Seu Tempo
33 Obrigado
34 Lira Romantiquinha
35 O Homem, As Viagens
36 Essas Coisas
37 Parolagem Da Vida
38 Declaração De Amor
A música de câmara de Francis Poulenc é uma joia do repertório modernista, combinando elegância francesa, humor irreverente e profundidade emocional. Poulenc, membro do grupo Les Six (*), tinha um estilo único que misturava leveza neoclássica com toques de ironia e lirismo tocante. Sua música de câmara é acessível, mas nunca superficial. Se você gosta de Debussy ou Stravinsky, vai encontrar em Poulenc um meio-termo delicioso. Poulenc explora contrastes, consegue passar da graça à melancolia em poucas notas, vai do music-hall parisiense ao canto gregoriano. Eu adoro! E o Sexteto é uma obra-prima!
(*) O Grupo Les Six (“Os Seis”) foi um coletivo de compositores franceses que se uniu na década de 1920, influenciado por Erik Satie e Jean Cocteau, em oposição ao romantismo pesado e ao impressionismo excessivo. Eles buscavam uma música mais leve, clara e, por vezes, irreverente, incorporando elementos do jazz, do music-hall e do neoclassicismo. Eram eles: Poulenc, Honegger, Milhaud, Tailleferre, Auric e Durey.
Francis Poulenc (1899-1963): Complete Chamber Music Vol. 1 (Tharaud e outros)
Sextet for piano, flute, oboe, clarinet, basson and horn, FP 100
1 I. Allegro vivace: Tres vite et emporte 07:46
2 II. Divertissement: Andantino 04:15
3 III. Finale: Prestissimo 05:30
Oboe Sonata, FP 185
4 I. Élégie: Paisiblement 05:05
5 II. Scherzo: Très animé 04:01
6 III. Déploration: Très calme 04:43
Trio for Oboe, Bassoon and Piano
7 I. Presto: Lent-presto 05:28
8 II. Andante: Andante con moto 03:49
9 III. Rondo: Tres vif 03:21
A colaboração de nossos leitores / ouvintes para a manutenção e inspiração deste blog tem sido significativa. Nosso colega que assina como “exigente” gentilmente subiu para o badongo e nos cedeu o link da Manfred Symphony, de Tchaikovsky, versão do próprio Mariss Jansons, e que nos permite concluir o ciclo das sinfonias do mestre russo com esse excepcional regente. Explico para o “exigente” que re-upei a mesma para o rapidshare para podermos ter um melhor controle do número de nossos downloads. Mas fica aqui o agradecimento pela gentileza.
Piotr Illich Tchaikovsky (1840-1893) – Sinfonia Manfred, op. 58
1. Manfred Symphony: I. Lento lugubre
2. Manfred Symphony: II. Vivace con spirito
3. Manfred Symphony: III. Andante con moto
4. Manfred Symphony: IV. Allegro con fuoco
Oslo Philarmonic Ochestra
Mariss Jansons – Director
Tio Bux nunca nos mandou um presente que fosse, acho até que tinha morrido quando nasci, mas papai falava muito dele. Contava as viagens que fizera a Lübeck a fim de aprender sobre o órgão. Para nós, crianças, tio Bux era um homem grande e poderoso, maior do que papai. Hoje sabemos que papai era maior, mas a admiração que ele tinha por Bux era algo notável. Papai contava que o tio quisera repassar-lhe a filha, mas que ela era um jaburu assustador. Naquela época, os empregos eram herdados e Bux tentara fazer de papai seu herdeiro no cargo de organista ao mesmo tempo que salvava a filha encalhada. Seria um bom acordo. Para o tio, talvez para a moça. Ainda bem que papai fugiu e ficou com a prima Maria Bárbara e depois com a Anna Magdalena, ambas bonitinhas, jovens e parideiras. Eu, como vocês sabem, nasci de uma escapadela, mas não escapei das narrativas sobre o imenso organista que tinha sido tio Bux.
E aqui vocês têm a obra completa para órgão de Buxtehude. Sem a filha.
Dietrich Buxtehude (1637-1707): Obras Completas para órgão (Walter Kraft, 6CD)
CD 1
01. Te Deum laudamus, BuxWV 218 – Praeludium 01:50
02. Te Deum laudamus, BuxWV 218 – Te Deum laudamus 03:00
03. Te Deum laudamus, BuxWV 218 – Te Martyratum candidatus 01:15
04. Te Deum laudamus, BuxWV 218 – Tu devicto mortis arcuelo 02:56
05. Te Deum laudamus, BuxWV 218 – Pleni sunt coeli et terra 05:28
06. Canzon in C major, BuxWV166 05:52
07. Canzonetta in C major, BuxWV167 01:19
08. Toccata in F major, BuxWV156 08:20
09. Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ, BuxWV196 03:08
10. Herr Jesu Christ, ich weiss gut wohl, BuxWV 193 03:55
11. Wir danken dir, Herr Jesu Christ, BuxWV 224 01:42
12. Toccata in F major, BuxWV 157 – Toccata 02:07
13. Toccata in F major, BuxWV 157 – Fugue 02:57
14. Prelude, Fugue and Ciacona in C major, BuxWV 137 – Prelude 01:42
15. Prelude, Fugue and Ciacona in C major, BuxWV 137 – Fugue 02:13
16. Prelude, Fugue and Ciacona in C major, BuxWV 137 – Ciacona 01:41
17. Ach, Herr, mein armen Sunder, BuxWV 178 03:19
18. Christ unser Herr zum Jordan kam, BuxWV 180 04:08
19. Prelude and Fugue in E minor, BuxWV 142 – Prelude 01:11
20. Prelude and Fugue in E minor, BuxWV 142 – Fugue 08:01
CD 2
01. Prelude in E minor, BuxWV 143 – Prelude 01:31
02. Prelude in E minor, BuxWV 143 – Fugue 02:59
03. Prelude in E minor, BuxWV 143 – Adagio 01:11
04. Prelude and Fugue in G minor, BuxWV 149 – Prelude 01:22
05. Prelude and Fugue in G minor, BuxWV 149 – Fugue 02:32
06. Prelude and Fugue in G minor, BuxWV 149 – Allegro 04:50
07. Prelude and Fugue in F major, BuxWV 145 – Prelude 01:55
08. Prelude and Fugue in F major, BuxWV 145 – Fugue 04:11
09. Fugue in B flat major, BuxWV 176 05:01
10. Prelude and Fugue in G minor, BuxWV 148 – Prelude 00:48
11. Prelude and Fugue in G minor, BuxWV 148 – Allegro 00:40
12. Prelude and Fugue in G minor, BuxWV 148 – Fugue 06:13
13. Prelude and Fugue in D major, BuxWV 139 – Prelude 01:09
14. Prelude and Fugue in D major, BuxWV 139 – Fugue 01:33
15. Prelude and Fugue in D major, BuxWV 139 – Adagio 03:05
16. Prelude and Fugue in G minor, BuxWV 150 – Prelude 01:00
17. Prelude and Fugue in G minor, BuxWV 150 – Fugue 07:11
18. Fugue in C major 03:49
19. Prelude and Fugue in A minor, BuxWV 153 – Prelude 01:24
20. Prelude and Fugue in A minor, BuxWV 153 – Fugue 05:27
21. Prelude and Fugue in C major, BuxWV 136 – Prelude 00:58
22. Prelude and Fugue in C major, BuxWV 136 – Fugue 03:04
23. Prelude and Fugue in C major, BuxWV 136 – Allegro 02:42
24. Prelude and Fugue in E major, BuxWV 141 – Prelude 00:52
25. Prelude and Fugue in E major, BuxWV 141 – Fugue 03:29
26. Prelude and Fugue in E major, BuxWV 141 – Presto 01:29
27. Prelude and Fugue in E major, BuxWV 141 – Adagio 01:42
CD 3
01. Prelude and Fugue in D minor, BuxWV 140 – Prelude 01:22
02. Prelude and Fugue in D minor, BuxWV 140 – Fugue 02:24
03. Prelude and Fugue in D minor, BuxWV 140 – Allegro 02:55
04. Der tag, der ist so freudenreich, BuxWV 182 04:29
05. Toccata in G major, BuxWV 164 03:23
06. Durch Adams Fall ist ganz verderbt, BuxWV 183 03:49
07. Prelude and Fugue in F sharp minor, BuxWV 146 01:41
08. Prelude and Fugue in F sharp minor, BuxWV 146 01:30
09. Prelude and Fugue in F sharp minor, BuxWV 146 01:28
10. Prelude and Fugue in F sharp minor, BuxWV 146 – Con discretione 03:24
11. Prelude and Fugue in the Phrygian Mode [a], BuxWV 152 – Prelude 01:16
12. Prelude and Fugue in the Phrygian Mode [a], BuxWV 152 – Fugue 03:56
13. Erhalt uns Herr bei deinem Wort 03:06
14. Es ist das Heil uns kommen her, BuxWV 186 02:46
15. Ein feste Burg ist unser Gott, BuxWV 184 03:51
16. Erhalt uns Herr bei deinem Wort, BuxWV 185 02:03
17. Praeambulum [Prelude and Fugue] in A minor, BuxWV 158 – Praeambulum 01:07
18. Praeambulum [Prelude and Fugue] in A minor, BuxWV 158 – Fugue 04:46
19. Prelude and Fugue in F major, BuxWV 144 – Prelude 01:09
20. Prelude and Fugue in F major, BuxWV 144 – Fugue 02:38
21. Nun komm, der Heiden Heiland, BuxWV 211 01:39
22. Prelude [Prelude and Fugue] in G minor, BuxWV 163 00:39
23. Praeambulum [Prelude and Fugue] in A minor, BuxWV 158 – Fughetta 01:54
24. Prelude [Prelude and Fugue] in G minor, BuxWV 163 – Fugue 1 04:00
25. Prelude [Prelude and Fugue] in G minor, BuxWV 163 – Fugue 2 01:52
26. In dulci jubilo 02:03
27. Prelude and Fugue in A major – Prelude 02:51
28. Prelude and Fugue in A major – Fugue 02:20
29. Prelude and Fugue in A major – Adagio 02:00
CD 4
01. Ciacona in C minor, BuxWV 159 07:35
02. Lobt Gott, ihr Christen, allzugleich, BuxWV 202 01:25
03. Canzonetta [Canzona] in G major, BuxWV 171 03:00
04. Canzonetta in G minor, BuxWV 173 01:50
05. Gelobet seist du, Jesu Christ, BuxWV 189 02:15
06. Ciacona in E minor, BuxWV 160 06:01
07. Ich dank dir, lieber Herre, BuxWV 194 04:47
08. Canzonetta in D minor, BuxWV 168 05:00
09. Nun freut euch lieben Christen g’mein, BuxWV 210 14:29
10. Canzona in G major, BuxWV 170 04:33
11. Danket dem Herrn, BuxWV 181 03:28
12. Ich dank dir schondurch deinen Sohn, BuxWV 195 05:53
13. Kommt her zu mir, spricht Gottes Sohn, BuxWV 201 03:04
14. Magnificat prmi toni, BuxWV 203 08:08
CD 5
01. Gelobet seist du, Jesu Christ, BuxWV 188 10:04
02. Prelude and Fugue in G major, BuxWV162 06:13
03. Wie schon leuchtet der Morgenstern, BuxWV 223 08:52
04. Nun lob mein Seel den Herren, BuxWV 214/215 – I. 03:33
05. Nun lob mein Seel den Herren, BuxWV 214/215 – II. 02:24
06. Nun lob mein Seel den Herren, BuxWV 214/215 – III. 02:22
07. Nun lob mein Seel den Herren, BuxWV 214/215 – IV. 02:38
08. Vater unser im Himmelreich – I. 02:17
09. Vater unser im Himmelreich – II. 04:32
10. Vater unser im Himmelreich – III. 01:53
11. Nun lob mein Seel den Herren, BuxWV 213 – I. 02:27
12. Nun lob mein Seel den Herren, BuxWV 213 – II. 02:24
13. Nun lob mein Seel den Herren, BuxWV 213 – III. 02:36
14. Prelude (fragment) in B flat major, BuxWV 154 01:12
15. Von Gott will ich nicht lassen, BuxWV 220 02:16
16. Von Gott will ich nicht lassen, BuxWV 221 02:31
17. Jesus Christus, unser Heiland, BuxWV 198 01:53
18. Nun lob mein Seel den Herren, BuxWV 212 04:20
19. Nun bitten wir der heil’gen Geist, BuxWV 209 02:55
20. Gott der Vater wohn bei uns, BuxWV 190 03:57
21. Fugue in G major, BuxWV 175 04:09
CD 6
01. Canzonetta in E minor, BuxWV 169 03:30
02. Magnificat primi toni, BuxWV 204 02:38
03. Vater unser in Himmelreich, BuxWV 219 02:55
04. Nun bitten wir den heilgen Geist, BuxWV 208 02:41
05. Magnificat noni toni, BuxWV 204 – Magnificat 01:58
06. Magnificat noni toni, BuxWV 204 – Versus 01:03
07. Magnificat noni toni, BuxWV 204 – Versus 5 alla duodecima 01:53
08. Auf meinen lieben Gott – Praeludium 00:57
09. Auf meinen lieben Gott – Double 01:02
10. Auf meinen lieben Gott – Sarabande 00:53
11. Auf meinen lieben Gott – Courante 00:54
12. Auf meinen lieben Gott – Gigue 00:49
13. Komm, heiliger Geist, Herre Gott, BuxWV 199 04:01
14. Herr Christ, der einig Gottes Sohn, BuxWV 192 03:00
15. Mensch, willst du leben seliglich, BuxWV 206 02:35
16. Puer natus in Bethlehem, BuxWV 217 01:18
17. War Gott nicht mit uns diese Zeit, BuxWV 222 02:44
18. Es spricht der Unweisen Mund wohl, BuxWV 187 02:53
19. Herr Christ, der einig Gottes Sohn, BuxWV 191 03:41
20. Komm, heiliger Geist, Herre Gott, BuxWV 200 03:50
21. Passacaglia in D minor, BuxWV 161 06:12
22. Toccata in G major, BuxWV 165 06:03
23. Ach Gott und Herr, BuxWV 177 02:19
24. Toccata in D minor, BuxWV 155 07:16
Este CD recebeu todos os prêmios possíveis de se ganhar em 1994. Mereceu, é sensacional, esplêndido, até hoje imbatível, creio. Rostropovich estendeu a mão para o menino Vengerov, na época com 20 anos, para que ele subisse nos ombros de gigantes como Kogan e Oistrakh e conseguisse superá-los. Aqui, Rostrô atua como regente. Não há nada mais ou menos nesta gravação — solista, orquestra e regente estão impecáveis. Se o destaque é o tenso Concerto de Shostakovich, Prokofiev não lhe fica atrás. Creio que Rostrô deve ter orientado Vengerov a fazer a mais dilacerante das cadenzas na Passacaglia de Shosta, uma especialidade de Oistrakh. Nela o violino acaba abandonado pela orquestra, realizando um belíssimo e longo solo que dá entrada ao movimento final. Este CD é um dos que devem ser levados para a ilha deserta ou, no mínimo, deve ser guardado no nosso ventrículo esquerdo, que é onde o coração bate mais forte.
Prokofiev: Concerto para Violino Nº 1 / Shostakovich: Concerto para Violino Nº 1 (Vengerov / Rostropovich)
1. Prokofiev: Violin Concerto No. 1 In D Major, Op. 19: Andantino
2. Prokofiev: Violin Concerto No. 1 In D Major, Op. 19: Scherzo: Vivacissimo
3. Prokofiev: Violin Concerto No. 1 In D Major, Op. 19: Moderato
4. Shostakovich: Violin Concerto No.1 In A Minor: Nocturne: Moderato
5. Shostakovich: Violin Concerto No.1 in A minor: Scherzo: Allegro
6. Shostakovich: Violin Concerto No.1 in A minor: Passacaglia: Andante
7. Shostakovich: Violin Concerto No.1 in A minor: Burlesque: Allegro con brio
Performed by London Symphony Orchestra
with Maxim Vengerov, violin
Conducted by Mstislav Rostropovich
FDP Bach resolveu postar estas duas sinfonias juntas por dois motivos principais: um deles, mais óbvio, por serem suas duas últimas, e também para adiantar as suas postagens. Tudo bem, esse motivo não é tão nobre assim..
Enfim, duas obras primas do repertório sinfônico, dois monumentos da história da música ocidental. Deixo os detalhes referentes às suas causas, motivações, inspirações e demais detalhes que levaram à composição à cargo do booklet que acompanha a caixa, onde cada sinfonia é analisada em profundidade, dentro de seu contexto histórico-biográfico específico.
Mariss Jansons e sua Oslo Philarmonic Orchestra foram uma grata surpresa para mim. A afinidade entre o regente e a orquestra, sua noção de equilíbrio, e principalmente sua sensibilidade musical, na qual deixa transparecer elementos que não apareciam em outras gravações, como as de Karajan, tudo isso me fez ouvir Tchaikovsky sob outro ângulo, e a esse fato lhes sou grato. Antes que perguntem, não, não tenho as famosas gravações de Mvransky, sei que são referência mas nunca tive oportunidade nem acesso à elas. A torrente de paixões, o fluxo ininterrupto de emoções, como numa montanha russa, a que somos jogados quando ouvimos essas sinfonias, em Jansons tornam-se mais patentes, porém não tão violentas. Por exemplo, o segundo movimento da 6ª sinfonia, um “allegro com grazia”, nos dá vontade de sairmos dançando, num embalar lento e contínuo. Lembra os balés mais famosos do compositor.
Tchaikovsky dessa forma se consolida como um de meus compositores favoritos, apesar de seus excessos, e confesso que o que me atrai neles são exatamente esses excessos. Sua alma atormentada, seus conflitos internos, sua homossexualidade sempre oculta, tudo isso o levou a compor obras tão admiráveis que, apesar das críticas severas da época, se tornaram eternas, e até hoje, em pleno século XXI, nos emocionam…
Piotr Illich Tchaikowsky (1840-1893) – Symphony nº 5, n E minor, op. 64, e Symphony nº 6, in B Minor, op. 74, “Pathetique”
CD 4 – Symphony nº 5, n E minor, op. 64
1 -I. Andante – Allegro con anima
02 II. Andante cantabile, con alcuna licenza
03 III. Allegro moderato
04 IV. Andante maestoso – Allegro vivace
É um CD que conta com a presença de Leonard Bernstein à frente da Filarmônica de Nova Iorque; é um CD que tem Casadeus e Francescatti; ou seja, não é qualquer coisa. Mas é inferior, penso, a outra gravação que recém postamos e que tem em comum a Sinfonia do Órgão, de Saint-Säens. Não obstante, as pessoas costumam babar por este registro. Vai ver que o problema sou eu. A Sinfonia do Órgão é fantástica e… Vocês sabem de que filme ela foi trilha sonora? Isso, acertaram! Ela aparece no final de Babe, O Porquinho Atrapalhado, excelente filme infantil do tempo que meus filhos eram pequenos e eu os levava ao cinema!!!
Camille Saint-Säens (1835-1921): Sinfonia Nº 3, do Órgão / Concerto Nº 4 para piano e Orquestra / Introdução e Rondó Caprichoso para violino e orquestra (Casadeus, Francescatti, Bernstein)
Sinfonia No. 3 “do Órgão” em Dó menor, Op. 78
01. I. Adagio
02. II. Allegro moderato
03. III. Poco Adagio
04. IV. Allegro moderato
05. V. Presto
06. VI. Maestoso
07. VII. Allegro
Concerto Nº 4 para piano e orquestra em Dó menor, Op. 44
08. I. Allegro moderato – Andante
09. II. Allegro vivace – Andante – Allegro
Introdução e Rondó Caprichoso para violino e orquestra em Lá menor, Op. 28
10. Introdução e Rondó Caprichoso para violino e orquestra em Lá menor, Op. 28
Robert Casadeus, piano
Zino Francescatti, violino
New York Philharmonic
Leonard Bernstein, regente
Eis que passado o período natalino, FDP Bach volta à sua exploração da alma russa. Desta vez, trago mais uma sinfonia de Tchaikovsky, a de nº 4, possivelmente a primeira obra que ouvi desse compositor, quando ainda era criança.
A interpretação sempre está a cargo de Mariss Jansons, à frente da Orquestra Filarmônica de Oslo. que optou por uma versão mais equilibrada.
Tchaikovsky compôs essa sinfonia com uma dedicatória à sua mecenas, Nadezhda von Meck. Maiores informações e uma análise mais apurada da sinfonia pode ser encontrada aqui.
Mas vamos ao que interessa.
Piotr Ilych Tchaikovsky (1840-1893) – Sinfonia nº 4, in F minor, op. 36, Capriccio Italien, op. 45
01 I – Andante sostenuto – Moderato con anima
02 II – Andantino in modo di canzona
03 III – Scherzo- Pizzicato ostinato
04 IV – Finale- Allegro con fuoco
Oslo Philarmonic Orchestra
Mariss Jansons – Director
Podem trazer Bernstein, Maazel e quem mais vocês acharem adequado, não adianta. Esta gravação meio descontrolada e ao vivo é a melhor versão que ouvi da Sinfonia do Órgão de Saint-Saëns. Tudo começa pela verdadeiramente festiva Toccata de Barber. Ela é assim assim, tá? Mas é festiva, tem solos interessantes de órgão com timpanos, aquela coisa. O CD melhora de forma espetacular com Poulenc — EU AMO POULENC, OK?, só que hoje ele não é o protagonista –, apesar de que o filé é a Sinfonia de nosso amigo SS. SS viveu muito (1835-1921), gostava de viajar e deu até concertos no Rio de Janeiro e em São Paulo em 1899. Tem obra imensa — muitas coisas legais, outras nem tanto — , mas sua principal composição, a citada sinfonia, é complicada de tocar. Uma sinfônica, um órgão, piano, é muita coisa. Mas quando se consegue tocar é uma puta celebração. Como nesta gravação ao vivo, a plateia urra enlouquecida no final. URRA. É como um gol, um golaço de Eschenbach, Latry e da orquestra de Filadélfia.
Saint-Saëns: Sinfonia Nº 3, do Órgão / Poulenc: Concerto para Órgão / Barber: Toccata Festiva (Latry, Eschenbach)
Samuel Barber
1. Toccata festiva, Op. 36 15:49
Francis Poulenc
2. Organ Concerto in G minor: I. Andante – 3:35
3. Organ Concerto in G minor: II. Allegro giocoso – 2:04
4. Organ Concerto in G minor: III. Subito andante moderato – 8:24
5. Organ Concerto in G minor: IV. Tempo allegro, molto agitato – 2:36
6. Organ Concerto in G minor: V. Tres calme: Lent – 3:08
7. Organ Concerto in G minor: VI. Tempo de l’allegro initial – 1:47
8. Organ Concerto in G minor: VII. Tempo introduction: Largo 3:39
Camille Saint-Saëns
9. Symphony No. 3 in C minor, Op. 78, “Organ”: I. Adagio – Allegro moderato – 10:38
10. Symphony No. 3 in C minor, Op. 78, “Organ”: I. Poco adagio 11:32
11. Symphony No. 3 in C minor, Op. 78, “Organ”: II. Allegro moderato – Presto – Allegro moderato 6:55
12. Symphony No. 3 in C minor, Op. 78, “Organ”: II. Maestoso – Allegro – Piu allegro – Molto allegro – Pesante 8:56
Olivier Latry, órgão
Philadelphia Orchestra
Christoph Eschenbach
FDP Bach volta às sinfonias de Tchaikovsky. Desta vez, segue a Sinfonia nº3, bela, melancólica, em outros momentos pungente, mas angustiante, é um retrato de um artista angustiado, atormentado, melancólico, eternamente em luta contra seus demônios interiores, mas que ao mesmo tempo produziu uma obra belíssima, com melodias inesquecíveis. A regência de Jansons como sempre é segura e vibrante.
P.S. Uma correção: na postagem anterior informei que Jansons era lituano. Me equivoquei, e graças à um leitor atento nosso, fui corrigido: Na verdade ele nasceu em Riga, na Letônia, portanto é letão.
1- Symphony No. 3 In D Major Op. 29: I – Moderato assai (Tempo di marcia funebre) – Allegro brillante – P.I. Tchaikovsky
2. Symphony No. 3 In D Major Op. 29: II – Alla tedesca: Allegro moderato e semplice
3. Symphony No. 3 In D Major Op. 29: III – Andante elegiaco
4. Symphony No. 3 In D Major Op. 29: IV – Scherzo: Allegro vivo
5. Symphony No. 3 In D Major Op. 29: V – Finale: Allegro con fuoco – Tempo di polacca
Oslo Philarmonic Orchestra
Mariss Jansons – Director
Saint-Saëns nunca me apaixonou demais. OK, a Sinfonia do Órgão é espetacular, este Concerto para Violoncelo também, mas… não dá para falar mal do altamente erudito e grande viajante tiozão que CS-S. Imaginem que ele tinha impulsos súbitos de viajar e viajava para os lugares mais malucos de um dia para outro e isso numa época em que fazê-lo era complicado. Ele conheceu o Sri Lanka, a Indochina, o Egito e lugares tão exóticos e bisonhos quanto Rio de Janeiro e São Paulo! E isso em 1899! Pior, vocês não acreditar, mas ele foi aos Estados Unidos! Morreu em Argel numa dessas viagens.
Grande Saint-Saëns! Excelente CD!
Camille Saint-Saëns (1835-1921): Complete Works for Cello & Orchestra (Bollon, Moser)
1. Cello Concerto No. 1 in A minor, Op. 33
2. Cello Concerto No. 2 in D minor, Op. 119: Allegro moderato e maestoso – Andante sostenuto
3. Cello Concerto No. 2 in D minor, Op. 119: Allegro non troppo – Cadenza – Molto allegro
4. Suite for cello & orchestra, Op. 16bis: Prélude
5. Suite for cello & orchestra, Op. 16bis: Sérénade
6. Suite for cello & orchestra, Op. 16bis: Scherzo
7. Suite for cello & orchestra, Op. 16bis: Romance
8. Suite for cello & orchestra, Op. 16bis: Finale
9. Romance for horn (or cello) & orchestra (or piano) in F major, Op. 36
10. Allegro appassionato, for cello & piano (or orchestra) in B minor, Op. 43
11. The Swan (from ‘Carnival of the Animals’), original (for 2 pianos & ensemble) and arrangements
Johannes Moser, violoncelo
SWR Stuttgart Radio Symphony Orchestra
Fabrice Bollon
Mais um CD com os Quartetos de Shostakovich com o Éder. O Quarteto Nº 1, Op. 49, de 1938 tem um tom surpreendentemente leve e neoclássico. Foi composto quando Shosta tinha 32 anos. Ele traz movimentos curtos, melodias líricas, livre da angústia das obras posteriores. O Quarteto Nº 8, Op. 110, de 1960 é o mais famoso da série. Foi composto em 3 dias durante uma crise de depressão suicida, em Dresden. É autobiográfico. Shosta usa as iniciais D-S-C-H como tema recorrente — sua “assinatura musical”. É pura tragédia pura, com movimentos repletos de citações de suas sinfonias (como a Nº 5) e do canto judaico “Vítimas do Fascismo”. Sim, parte dos judeus mudaram e hoje são agentes do que há de pior… O Quarteto Nº 9, Op. 117 (1964) teve sua primeira versão em 1961. O estilo aqui é abstrato e experimental, com dissonâncias e um final ambíguo. Rapidamente: Nº 1, juventude e clareza; Nº 8, obra-prima da dor, densa e pessoal; Nº 9: reinvenção pós-trauma, enigmático.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 8, 1 e 9 (Éder Quartet)
String Quartet No. 8 in C Minor, Op. 110
1 I. Largo 04:41
2 II. Allegro molto 02:42
3 III. Allegretto 04:08
4 IV. Largo 05:05
5 V. Largo 03:42
String Quartet No. 1 in C Major, Op. 49
6 I. Moderato 04:16
7 II. Moderato 04:37
8 III. Allegro molto 02:25
9 IV. Allegro 03:24
String Quartet No. 9 in E-Flat Major, Op. 117
10 I. Moderato con moto 04:26
11 II. Adagio 03:58
12 III. Allegretto 03:54
13 IV. Adagio 03:36
14 V. Allegro 10:03
Começo a postar as sinfonias de Tchaikovsky, inúmeras vezes solicitadas aqui no blog. Optei por essa versão do jovem Mariss Jansons (lituano, nascido em 1943) devido aos comentários elogiosos lidos em alguns sites especializados. E creio que ninguém irá se decepcionar com a escolha. Quando gravou essa integral, Jansons tinha pouco mais de 40 anos, e já era diretor da Filarmônica de Oslo, após ter estudado no conceituado Conservatório de Leningrado (atual St. Petersburg)e após ter sido assistente de ninguém mais, ninguém menos do que Herr Karajan na Filarmônica de Berlim. Currículo invejável. Mas temos aqui as duas primeiras sinfonias de Tchaikowsky. Obras de juventude, porém que já mostram o espírito e a alma russas devidamente impregnadas, e que também já mostram um compositor preparado para voos maiores. A elas, pois…
Symphony nº 1, in G minor, op. 13, “Winter Daydreams”
1 – Allegro tranquilo
2 – Adagio cantabile ma non tanto
3 – Scherzo. Allegro scherzando giocoso
4 – Finale. Andante lugubre – Allegro maestoso
Symphony nº 2, in C Minor, op. 17, “Little Russian”
5 – Andante sostenuto – Allegro vivo
6 – Andantino marziale, quasi moderato
7 – Scherzo and Trio – Allegro molto vivace
8 – Finale. Moderato assai – Allegro vivo
Não sei se Pinnock e seu The English Concert gravaram o Messias antes deste disco de 1986, apenas sei que, há 30 anos atrás, eles já estavam preparados para fazerem aquele que é, na minha opinião, o melhor registro do famoso oratório de Händel. Pois esta turma tem (ou tinha) Händel no DNA. Essas aberturas, ouvidas juntas, guardam algo de pomposo, talvez de repetitivo, mas a sonoridade da orquestra de Pinnock estava finamente preparada para mais. Como amo a música barroca, me lambuzei e me satisfiz mesmo aqui. Um belo disco.
Georg Friedrich Händel (1685-1759): Aberturas
Alceste; HWV 45 Act 1: Grand Entrée
1 Maestoso 2:46 Agrippina;
HWV 6 Sinfonia:
2 Without Tempo Indication – Allegro – Adagio 4:04 Il Pastor Fido; HWV 8a
3 Without Tempo Indication – Lentement 4:12
4 Largo 3:53
5 Allegro 2:12
6 (Menuet) 2:00
7 Adagio 8:20
8 (Allegro) 3:24 Saul; HWV 53
Act 1: Sinfonia
9 Allegro 4:05
10 Larghetto – Adagio 2:42
11 Allegro 2:38
12 Andante Larghetto 2:40 Act 2: Sinfonia “Wedding Symphony”
13 Largo _ Allegro 4:44 Teseo; HWV 9
Ouverture
14 Largo – Without Tempo Indication 5:19 Samson; HWV 57
15 Andante – Adagio 3:53
16 Allegro 1:42
17 Menuetto 2:17
Não chega a ser um CD para ser recebido com fanfarras, mas é legal. É Rossini, o que já lhe garante alguma simpatia. A orquestra de Budapeste é muito boa, Fischer é excelente, porém eu não sou o cara correto para avaliar essas coisas operísticas ou mesmo obras de um cara que gosta tanto de melodias, etc. Ouçam vocês e me contem, tá? Eu me diverti, achei agradável, mas não sei se é bom… E esta é a terceira e última oração adversativa deste post. Por exemplo, a tal Sinfonia para Cordas é uma joia, viram? Tchau.
Gioachino Rossini (1792-1868): Instrumental Music (Fischer, Budapest Festival Orchestra)
1 Overture to La scala di seta (The Silken Ladder) 6:06
2 Serenata for 2 violins, viola, cello, flute, oboe & English horn in E flat major, QR vi/31 7:42
3 Sonata a quattro (String Symphony) No. 1 in G major Moderato 8:08
4 Andantino 4:14
5 Allegro 2:51
6 Rendez-vous de chasse, for 4 hunting horns & orchestra in D major, QR ix/45 3:27
7 Variazioni a più istrumenti obbligati in F major, for 2 violins, viola, cello & clarinet, QR ix/1 10:29
8 Andante, Theme and Variations, for flute, clarinet, horn & bassoon in F major, QR vi/18 9:35
9 Overture to Semiramide 12:20