Ô, tristeza… Chegamos ao fim desta viagem na bela sonoridade gerada na catedral de Puebla. A Coleção México Barroco – Puebla chega a seu encerramento retomando o classicismo, dedicando-se, pela segunda vez, como no volume 6, a Manuel Arenzana, compositor nascido e criado já no ambiente poblano e um dos autores transicionais que mais influência exerceu no México.
A obra de Arenzana é a ao mesmo tempo vibrante (característica por demais exacerbada na música dos países latinos, especialmente Itália, Espanha e Portugal) e elegante: alegre e limpa, precisa. é um prazer imenso de ouvi-la.
Ouça! Ouça ! Deleite-se!
Meu Deus! O que é este Te Deum do Arenzana!?
México Barroco / Puebla VIII
Manuel Arenzana (Puebla, México, c.1791-1821)
Maitines para la Virgen de Guadalupe
01. Invitatorio, Sancta Mater Dei genitrix
02. Responsorio primero, Vidi speciosam sicut columbam
03. Responsorio segundo, Quae est ista ascendit
04. Responsorio tercero, Quae est ista processit sicut sol
05. Responsorio cuarto, Signum magnum apparuit
06. Responsorio quinto, Quae est ista progreditur
07. Responsorio sexto, Elegi et sanctificavi locum istum
08. Responsorio séptimo, Felix namque
09. Responsorio octavo, Beatam me dicent omnes generationes
10. Te Deum laudamus
11. Te ergo quaesumus
Coro e Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
Hoje, PQP já deve estar em Londres para assistir à Oitava de Mahler… Talvez esta seja sua última postagem de novembro, mas calma, só ele estará em férias. Enquanto isso, ouçam este divertidíssimo CD onde Bach chega junto com sua filharada legal, mas sem mim, o bastardo. Katsaris é assim mesmo, um pianista divertido e bom.
Baita CD!
J. S. Bach e filhos: 5 Concertos para Piano
Johann Sebastian Bach
1. Concerto No. 4 for Harpsichord (Piano) and Strings in A Major, BWV 1055: I. Allegro
2. Concerto No. 4 for Harpsichord (Piano) and Strings in A Major, BWV 1055: II. Larghetto
3. Concerto No. 4 for Harpsichord (Piano) and Strings in A Major, BWV 1055: III. Allegro ma non tanto
Wilhelm Friedemann Bach
4. Concerto for Harpsichord (Piano), Strings and Basso continuo in E Minor, FK 43: I. Allegretto
5. Concerto for Harpsichord (Piano), Strings and Basso continuo in E Minor, FK 43: II. Adagio (Cadenza: Cyprien Katsaris)
6. Concerto for Harpsichord (Piano), Strings and Basso continuo in E Minor, FK 43: III. Allegro assai
Johann Christian Bach
7. Concerto for Harpsichord or Piano and Strings in C major, Op. 7/1: I. Allegretto
8. Concerto for Harpsichord or Piano and Strings in C major, Op. 7/1: II. Minuetto
9. Concerto for Harpsichord (Piano) and Strings in E Major, Wf.II.1: I. Allegro
Johann Christoph Friedrich Bach
10. Concerto for Harpsichord (Piano) and Strings in E Major, Wf.II.1: II. Adagio
11. Concerto for Harpsichord (Piano) and Strings in E Major, Wf.II.1: III. Allegro moderato
12. Concerto for Harpsichord (Piano) and Orchestra in C Minor, Wq 43/4: I. Allegro assai
Carl Philipp Emanuel Bach
13. Concerto for Harpsichord (Piano) and Orchestra in C Minor, Wq 43/4: II. Poco adagio
14. Concerto for Harpsichord (Piano) and Orchestra in C Minor, Wq 43/4: III. Tempo di minuetto
15. Concerto for Harpsichord (Piano) and Orchestra in C Minor, Wq 43/4: IV. Allegro assai
Cyprien Katsaris
Orchestre de Chambre du Festival d’Echternach
Yoon K. Lee
Uma prova de que o jazz sempre está se reinventando pode ser encontrado neste absurdo CD do genial McLaughlin. Cercado mais uma vez de um grupo de músicos excepcionais, o guitarrista britânico dá um show de competência técnica, virtuosismo. Como um amigo comentou dia destes, ao sair de um show deles em Curitiba, estes caras não são seres humanos normais. Eles já ultrapassaram este limite. São sobre-humanos.
Ouço este estilo de jazz já há uns quarenta anos, então sou suspeito para falar dele. McLaughlin faz parte daquele seleto time de músicos que ultrapassaram barreiras, quebraram paradigmas, se reinventaram, enfim, nunca temeram se expor.
É difícil dizer qual o melhor momento do CD. Talvez a primeira faixa, Raju, já dê uma amostra do que vem pela frente.
Para ser apreciado sem moderação. É para se ouvir duzentas vezes seguidas, sem medo de ser feliz.
01 – Raju
02 – Little Miss Valley
03 – Abbaji
04 – Echos From Then
05 – Senor C. S.
07 – Maharina
08 – Hijacked
09 – You Know You Know
John McLaughlin – Guitar
Etienne M´Bappe – Bass
Ranjit Barot – Drums
Gary Husband – Keyboards & Drums
Este é um belo CD de uma compositora desconhecida. Élisabeth Jacquet — que ganhou o “de la Guerre” pelo casamento — é uma rara compositora, cantora e cravista parisiense. E muito boa! Até o século XIX, a presença feminina na música erudita era quase nula. É óbvio que tal fato não se deve a uma incapacidade feminina e sim às condições sociais. Hoje, ainda temos poucas compositoras, mas o mundo já está maravilhosamente tomado de esplêndidas instrumentistas. Elas chegarão logo à composição, certamente. Mas vejamos o que ocorreu antes do século XX: sem pesquisar, usando apenas a memória, diria que, mesmo com a atmosfera repressiva, apareceram duas curiosidades e dois verdadeiros talentos que se desenvolveram sabe-se lá como.
As duas curiosidades, que só podemos suportar com muito boa vontade, seriam Clara Wieck Schumann no século XIX e Hildegard von Bingen, pasmem, no século XII. Muito mais talentosa foram Barbara Strozzi, do século XVII, e esta sua quase contemporânea Jacquet de la Guerre. Mas vejam quantos séculos e quão poucas mulheres!
O CD abaixo, da Alpha, vale a audição. A Betinha era foda. Confiram!
Élisabeth Jacquet de la Guerre (1665-1729): Le Sommeil d’Ulisse /Desrochers
— Suite in A minor (from Pieces de Clavecin, 1687): Prelude pour clavecin en la mineur
— Le Sommeil d’Ulisse, cantata for voice & continuo
— Suite in A minor (from Pieces de Clavecin, 1687): Chaconne pour clavecin en la mineur
— Sonata for violin & continuo No. 1 in D minor
— Samson, for soprano, flute, violin & continuo
Christine Payeux, Alice Pierot, Francois Nicolet, Marc Wolf, Freddy Eichelberger
Les Voix Humaines
Outra preciosidade que nos foi enviada por Camilo Di Giorgi! Não tem preço
É meio melancólico anunciar que esta linda coleção do México Barroco de Puebla está chegando aos finalmentes… Este é o penúltimo CD da série, que se encerra na sexta-feira.
Hoje, a coleção se volta novamente ao estrelado Juan Gutiérrez de Padilla (c.1590 – 1664), o compositor que abriu a série.
Como já vimos, Padilla era espanhol, malagenho. Em sua terra natal foi cantor da catedral ainda menino, depois organista e depois mestre de capela. Transferiu-se para Cádiz, onde também foi mestre de capela. Ficou pouco por lá, pois mudou-se para o México, quando foi contratado, em 1622, como mestre de capela auxiliar da Catedral de Puebla, por indicação do próprio mestre de então, Gaspar Fernández. Com a morte deste, em 1629, Padilla assumiu o cargo principal e o ocupou até o ano de sua morte, em 1664, deixando grade produção.
Ele compôs, entre credos, missas e villancicos, duas Maitines de Navidad. Uma em 1652 e outra no ano seguinte. A de 1653 é a obra que abre esta série e as primeiras maitines, do ano ano anterior são as peças contempladas hoje, de belo aspecto, delicadas e de fina elaboração.
Ouça! Ouça ! Deleite-se sem dó nem piedade!
Vai dizer que este villancico dos reis magos não é lindo ?
México Barroco / Puebla VII
Juan Gutiérrez de Padilla (Málaga, Espanha, c.1590 – Puebla, México, 1664)
Maitines de Navidad, 1652
01. Villancico I, En la gloria de un portalillo
02. Villancico II, Al portal nos venimos todos
03. Villancico III, Niño hermoso de Belén
04. Villancico IV, Sol hermoso que naces del alba
05. Villancico V, Ensaladilla, Al establo más dichoso
06. Villancico VI, Jácara, Afuera, afuera pastores
07. Villancico VII, Va a ver al rey Perote
08. Villancico VIII, Calenda, a prevenciones del cielo
09. Villancico IX, De los reyes, Los tres reyes
10. Himno, Christus natus est nobis
Coro e Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
Como este CD de Peyroux parece ter tocado profundamente o coração dos pequepianos, postamos outro da cantora norte-americana de voz tão parecida com a de Billie Holiday, interpretando suas canções. Peyroux nasceu no sul dos Estados Unidos. Seu pai era um eterno aspirante a ator que ouvia música a toda a hora, sua mãe era professora de francês. Peyroux diz que eram, na verdade, dois hippies e “educadores excêntricos”. Ela conta que a música era a forma de juntar a família num local “especial e escondido” da casa. Bare Bones é todo composto por originais, nada de entremear clássicos às próprias composições e às de seus músicos.
Madeleine Peyroux: Bare Bones
1 Instead 5:12
Percussion, Organ [Estey] – Larry Klein
Written-By – J. Coryell*, M. Peyroux*
2 Bare Bones 3:26
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, W. Becker*
3 Damn The Circumstances 4:36
Written-By – D. Batteau*, L. Klein*, M. Peyroux*
4 River Of Tears 5:20
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*
5 You Can’t Do Me 5:03
Backing Vocals – Luciana Souza, Rebecca Pidgeon
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, W. Becker*
6 Love And Treachery 4:19
Written-By – J. Henry*, L. Klein*, M. Peyroux*
7 Our Lady Of Pigalle 4:19
Trumpet, Fiddle [Nyckelharpa] – Carla Kihlstedt
Written-By – D. Batteau*, L. Klein*, M. Peyroux*
8 Homeless Happiness 3:58
Written-By – J. Coryell*, M. Peyroux*
9 To Love You All Over Again 3:58
Written-By – D. Batteau*, M. Peyroux*
10 I Must Be Saved 4:44
Written-By – M. Peyroux*
11 Somethin’ Grand 3:44
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, S. Wayland*
Mais dois cds do projeto Berlioz da Deutsche Grammophon, desta vez trazendo outra obra bem conhecida do francês, “Haroldo na Italia”, uma belíssima composição, sub-intitulada ‘Sinfonia em Quatro Partes com uma Viola Solo’. A descrição de seus movimentos é semelhante à da Sinfonia Fantástica:
Primeiro Movimento: Haroldo nas Montanhas – Cenas de Melancolia, de Felicidade e de Alegria (Harold aux Montagnes – Scènes de Mélancolie, de Bonheur et de Joie) Adagio; Allegro.
Segundo Movimento: Procissão dos Peregrinos Cantando a Prece Vespertina – (Marche des Pelèrins Chantant la Prière du Soir) Alegretto.
Terceiro Movimento: Serenata de um Montanhês dos Abruzzos a sua Amada – (Sérénade d’un Montagnard des Abruzzes à sa Maîtresse) Allegro Assai.
Quarto Movimento: Orgia de Salteadores. Lembranças das Cenas Precedentes -(Orgie de Brigands. Souvenirs des Scènes Précédentes) Allegro Frenetico; Adagio; Allegro; Tempo I.
A obra foi composta baseada em um poema do inglês Lord Byron, e encomendada por Paganini. porém este não ficou contente com o resultado, e a obra foi estreada por outro solista.
Esta gravação da Deutsche Grammophon ficou a cargo de Lorin Maazel, frente a Filarmônica de Berlim, e o solista é o próprio primeiro violista da orquestra, Wolfram Christ.
O CD também traz o Carnaval Romano, também com o Maazel e a Filarmônica de Berlim, e então temos outra sinfonia, descrita como uma Sinfonia Dramática com coro e solistas, baseado na obra imortal de Shakespeare.
Estou disponibilizando dois cds, para o “Romeo & Juliet” não ficar incompleto. Espero que apreciem.
01 – Harold en Italie op.16_ 1. Harold aux montagnes, Scènes de mélancolie, de bonheur et de joie
02 – Harold en Italie op.16_ 2. Marche de pélerins chantant la prière du soir
03 – Harold en Italie op.16_ 3. Sérénade d’un montagnard des Abruzzes à sa maîtresse
04 – Harold en Italie op.16_ 4. Orgie de brigands. Souvenirs des scènes précédentes
Wolfram Christ – Viola
Berliner Philharmoniker
Lorin Maazel – Conductor
05 – Le Carnaval romain op.9, Ouverture charactéristique
Berliner Philharmoniker
Lorin Maazel – Conductor
06 – Roméo et Juliet op.17_ I 1. Introduction_ Combats – Tumultes – Intervention du Prince, 2. Prologue
07 – Roméo et Juliet op.17_ I Récitatif choral ‘D’anciennes haines endormies’
08 – Roméo et Juliet op.17_ I Premiers transports que nul n’oublie!’
09 – Roméo et Juliet op.17_ I Récitatif et Scherzetto ‘Bientôt de Roméo la pâle rêverie’
Julia Hamari – Mezzo Soprano
Jean Dupoy – Tenor
Jose van Dam – Bass, Baritone
Boston Symphony Orchestra
Seiji Ozawa – Conductor
Eu adorei este CD, mas deixo um aviso aos desatentos: se você não gosta de música moderna, fuja! Larcher é um excelente compositor austríaco e este disco da ECM é uma joia encontrada numa de nossas navegações. O programa do CD é formado por três obras inéditas. Abrindo e fechando o disco, há dois substanciais quartetos de cordas: Ixxu e Cold Farmer. O Rosamunde dá um banho. My Illness Is the Medicine I Need marca a estreia fonográfica do espetacular soprano americano Andrea Lauren Brown, assim como do violinista Christoph Poppen. Podem baixar porque a coisa é do caralho, a não ser que você seja um passadista empedernido.
Thomas Larcher (1963): Ixxu
Ixxu
1. Flüchtig, nervös
2. Sehr schnell, präzise
3. Ruhig
My Illness Is the Medicine I Need
4. My illness is the medicine I need
5. I think I’ll stay here until I die, I’m tired of life. …
6. Eat and sleep. Eat and sleep. The monotony here kills you.
7. I like it when people ask me the time. It’s almost a conversation. …
8. I don’t know why I’m here. I’ve no idea. …
9. Once they give you an injection you instantly stop hearing voices.
Mumien
10. Tempo giusto
11. Schneller
12. Langsam
Cold Farmer
13. : Mit Groove
14. : Ruhige Halbe
15. : Sehr schnell
16. : Ganz langsam
Rosamunde Quartett
Andrea Lauren Brown: soprano
Christoph Poppen: violin
Thomas Demenga: violoncello
Thomas Larcher: piano
Eu gosto muito do blog holandês 33 toeren klassiek. Ele se dedica a divulgar apenas discos de música erudita em vinil. E, para completar, não divulga aquilo que foi passado para CD, mas sim as raridades mesmo, todas digitalizadas. Fala sério, é muito gáudio. O nível do blog é altíssimo e eles são finos como o PQP Bach, pois possuem também uma espécie de pqpshare. Isto é, para baixar seus discos, não se precisa sofrer com a superfetação de abas, telas e propagandas, propagandas, propagandas!
Este O Livro de Ouro do Bandolim é uma ultra raridade. Tem obras para bandolim solo, bandolim e piano, dois lieder de Mozart para o instrumento, alaúde e voz e ainda música moderna para bandolim de Norbert Sprongl. Por isso, fizemos questão de copiar o arquivo para vocês. Fala sério, é muito júbilo.
R. Calace, H. Gal, W. A. Mozart, N. Sprongl: Le Livre D`or De La Mandoline
Mais uma inestimável contribuição do internauta Camilo Di Giorgi!
O antepenúltimo volume desta coleção primorosa do México Barroco – Puebla chega ao classicismo, na verdade, a um dos primeiros compositores classicistas da Nova Espanha, Manuel Arenzana, que viria a influenciar gerações depois de si. Foi mestre de capela da Catedral de Puebla a partir de 1792 e, por isso, sua produção chega-nos neste álbum: na catedral se conservaram mais de cem composições suas, tanto sacras como profanas.
Arenzana ficou conhecido por sua música humorosa e elegante, aspectos que poderão ser ouvidos nos arquivos que lhes disponibilizamos.
E nossa equipe, sempre muito atenta aos anseios de nossos internautas/ouvintes, separou um petisco para que vocês morram de vontade de baixar. A obra é muito vibrante: já começa assim, com o Kyrie, ó:
Ouça! Ouça ! Deleite-se!
México Barroco / Puebla VI
Manuel Arenzana (Puebla, México, c.1762 – 1821)
Missa en Re ‘La Grande’ , Dixit Dominus, Salve Regina
01. Missa en Re “La Grande”, I. Kyrie
02. Missa en Re “La Grande”, II. Gloria
03. Missa en Re “La Grande”, III. Laudamus te
04. Missa en Re “La Grande”, IV. Domine Deus
05. Missa en Re “La Grande”, V. Qui tollis peccata mundi
06. Missa en Re “La Grande”, VI. Quoniam tu solus sanctus
07. Missa en Re “La Grande”, VII. Cum Sancto Spiritu. Missa en Re “La Grande”, I. Amen
08. Missa en Re “La Grande”, VIII. Credo
09. Missa en Re “La Grande”, IX. Et incarnatus est
10. Missa en Re “La Grande”, X. Et resurrexit
11. Missa en Re “La Grande”, XI. Sanctus
12. Missa en Re “La Grande”, XII. Agnus Dei
13. Salve Regina a 4 para grande orquesta
14. Responsorio a Dúo para Nuestra Sra. de las Nieves
15. Dixit Dominus a 4
Coro e Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
O som não é lá essas coisas mas a qualidade das obras e a interpretação com sotacão russo vale a audição. Como é bom ouvir um grande regente do mesmo país e da mesma cultura do autor da obra! E como eu gosto da Sinfonia Nº 5! Ela me deixa feliz desde o Andante, passando pelo Marcato até chegar ao Jocoso. Me dá vontade de sorrir a eté esqueço que o pré-sal vai me aquecer, sufocar e que ninguém vai nem quer sequer pensar em fontes renováveis. Também gosto da Sexta, mas esta não tem a alegria e a inventividade da que a precede.
Sergei Prokofiev (1891-1953): Sinfonia Nº 5, Op.100, e Sinfonia Nº 6, Op.111
Symphony No.5,Op.100
1. I. Andante
2. II. Allegro marcato
3. III. Adagio
4. IV. Allegro giocoso
Symphony No.6,Op.111
5. I. Allegro moderato
6. II. Largo
7. III. Vivace
Este francês é mesmo da pesada, uma de minhas preferências e não poderia ficar de fora deste pequeno Festival do Barroco Francês que ora promovo sem… bem, sem tê-lo planejado. Leclair estudou dança e violino em Turim. Em 1716 casou com Marie-Rose Casthanie, uma dançarina, que morreu em 1728. Em 1730, Leclair casou-se pela segunda vez. Sua nova esposa era a gravadora Louise Roussel, que preparou a impressão de todas as suas obras a partir do Opus 2.
Leclair foi ESFAQUEADO E MORTO em 1764. Apesar do homicídio permanecer um mistério, existe a possibilidade de que sua ex-mulher possa ter sido a instigadora, ainda que a mais forte suspeita recaia sobre o seu sobrinho, Guillaume-François Vial.
Jean-Marie Leclair (1697–1764): Triosonatas, Op. 4
Sonate I en ré mineur
Sonate II en si bémol majeur
Sonate III en ré mineur
Sonate IV en fa majeur
Sonate V en sol mineur
Sonate VI en la majeur
O quinto volume da série México Barroco de Puebla volta para o século XVII e trata da influência de Flandres na música religiosa da Espanha e suas colônias.
Como assim? Sim, a cultura flamenca influenciou sobremaneira as artes no século XVI e essa influência se arrastou pela centúria seguinte. No caso da Espanha e, por conseguinte, do território que hoje configura o México, tudo começa com Carlos I, o rei d’Espanha nascido em Gantes, atual Bélgica, filho de pai flamenco e mãe castelhana, que viria a governar a união dos reinos de Aragão, Leão e Castela, formando a Espanha. A transferência de membros da corte e de artistas que seguiram junto à família de Carlos quando estes deixaram Flandres para assumirem o trono de Castela transformou a vida cultural ibérica, com ecos nas terras conquistadas nas Américas.
A música hispânica, ainda que de uma polifonia muito bem elaborada, era até então ainda bastante sisuda, católica e até medievalesca, mas ganhou novos contornos com a chegada de artistas criados nas liberais terras flamencas, que já estavam em pleno renascimento. Daí que surgem e se popularizam as batalhas, espécie de padrão musical marcado pelo embate de dois coros ou grupos instrumentais que se alternam, como em pergunta e resposta.
Esses e novos elementos compositivos chegam rapidamente nos domínios hispânicos de além-mar. Não por acaso, a peça central deste álbum de hoje é a Missa da Batalha do compositor já nascido em terras mexicanas Fabiano Ximeno Pérez (ou Pérez Ximeno, sei lá: aparece das duas formas). Ximeno nasceu e morreu na capital da Nova Espanha e foi mestre de capela da Catedral da Cidade do México. Seu contato com Puebla se deu quando lhe foi solicitado vistoriar a construção do órgão da sede episcopal poblana. Naquela cidade, compôs duas missas e mais algumas peças sacras, material que se conservou nos arquivos da diocese e que são-lhes hoje apresentados aqui.
Entremeadas à missa de Ximeno, estão obras para orquestra e para órgão de outros autores contemporâneos a ele, como Tielman Susato, Antonio de Cabezón,Clèment Janequin, Mateu Fletxa, e Joan Cabanilles, como ocorre nos CDs anteriores, autores cujas peças estão arquivadas na Catedral de Puebla e devem ter sido executadas no mesmo período, compondo o ambiente musical da época. O todo é muito bom!
Ouça! Ouça! Deleite-se
O Sactus de Ximeno e sua polifonia crescente, belíssima:
México Barroco / Puebla V
Fabián Ximeno Pérez
Missa de la Batalla
Tielman Susato (Soest, Alemanha, c. 1510 – Suécia, depois de 1570)
01. Pavana La Bataille Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
02. Tiento de 4º tono, sobre “Malheur me bat” de Ockeheim Fabián Ximeno Pérez (Cidade do México, México, c.1595 – 1654)
03. Missa de la Batalla, I. Kyrie
04. Missa de la Batalla, II. Gloria Mateu Fletxa “el Vell” (Pardes, França, 1481 – Poblet, Espanha, 1553)
05. Ensalada “La Justa” Anonimo
06. Al revuelo de una garza Fabián Ximeno Pérez (Cidade do México, México, c.1595 – 1654)
07. Missa de la Batalla, III. Credo Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
08. Tiento de 5º tono Clèment Janequin (Châtellerault, França, 1485- Paris,França, 1558)
09. Batalla Anonimo
10. Entrada Fabián Ximeno Pérez (Cidade do México, México, c.1595 – 1654)
11. Missa de la Batalla, IV. Sanctus Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
12. Tiento del 1º tono Fabián Ximeno Pérez (Cidade do México, México, c.1595 – 1654)
13. Missa de la Batalla, V. Agnus Dei Francisco Guerrero (Sevilha, Espanha, 1528 – 1599)
14. Ave virgo sanctissima Juan Bautista José Cabanilles (b. Algemesí, Espanha, 1644 – Valencia, Espanha, 1712)
15. Battalla Imperial
Coro e Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
Eu chamaria essa coleção de “Retrato do Artista Enquanto Jovem”, no lugar de ‘Spetacular’, título este um tanto quanto exagerado no meu entender, já que são gravações do início da carreira da artista, antes de assinar contrato com a Deutsche Grammophon, mas tudo bem.
Mas enfim, a coleção serve para mostrar a evolução de Hilary Hahn enquanto artista. A carreira da violinista norte americana já está mais do que consolidada, e sua agenda sempre está cheia, se apresentando ao redor do mundo. São três cds, trazendo alguns dos principais concertos para violino, desde Beethoven até Barber, passando por Brahms, Mendelssohn, Stravinsky e Shostakovich.
Espero que apreciem. Conheço bem estas gravações, pois acompanho sua carreira já desde o início dos anos 2000, quando ela começou a se destacar nas salas de concerto.
Então vamos ao que viemos.
CD 1
01 Mendelssohn: Violin Concerto In E Minor, Op. 64 – 1. Allegro Molto Appassionato
02 Violin Concerto In E Minor, Op. 64 – 2. Andante
03 Violin Concerto In E Minor, Op. 64 – 3. Allegretto Non Troppo
Oslo Symphony Orchestra
Hugh Wolff – Conductor
04 Beethoven: Violin Concerto In D, Op. 61 – 1. Allegro Ma Non Troppo
05 Violin Concerto In D, Op. 61 – 2. Larghetto
06 Violin Concerto In D, Op. 61 – 3. Rondo: Allegro
Baltimore Symphony Orchestra
David Zinman – Conductor
CD 2
01 Brahms – Concerto in D Major for Violin and Orchestra, Op. 77: I. Allegro non troppo
02 Concerto in D Major for Violin and Orchestra, Op. 77: II. Adagio
03 Concerto in D Major for Violin and Orchestra, Op. 77: III. Allegro giocoso, ma non troppo vivace
04 Stravinsky – Concerto in D for Violin and Orchestra (1931): I. Toccata
05 Concerto in D for Violin and Orchestra (1931): II. Aria I
06 Concerto in D for Violin and Orchestra (1931): III. Aria II
07 Concerto in D for Violin and Orchestra (1931): IV. Capriccio
Academy of Saint-Martin in the Fields
Neville Marrimer – Conductor
CD 3
01 Shostakovich: Violin Concerto #1 In A Minor, Op. 77 – 1. Nocturne
02 Shostakovich: Violin Concerto #1 In A Minor, Op. 77 – 2. Scherzo
03 Shostakovich: Violin Concerto #1 In A Minor, Op. 77 – 3. Passacaglia
04 Shostakovich: Violin Concerto #1 In A Minor, Op. 77 – Cadenza
05 Shostakovich: Violin Concerto #1 In A Minor, Op. 77 – 4. Burlesque
Sumido ando e sumido manter-me-ei se o reproche que vier para esta publicação conseguir lamber os garrões daquele, monstruoso, que para ela prevejo.
Fazer o quê? O PQP Bach dispõe-se a polinizar beleza na blogosfera e, por conseguinte, tem também o dever de espalhar polens que, se certamente causarão anafilaxia nos puristas, poderão trazer flor e fruto a ouvidos mais embrutecidos.
Peço que deponham os tomates podres e as adagas envenenadas que pretendiam endereçar a André, Richard e Vassily e sigam meu arrazoado:
O miliardário homenzarrão Rieu, natural de Maastricht, estudou nos conservatórios de sua cidade natal e de Liège antes de formar-se com o “Premier Prix” no Conservatório Real de Bruxelas, onde Henri Vieuxtemps e Eugène Ysaÿe ensinaram violino. Não, não é fraco o bicho.
O loiríssimo Clayderman, nascido Phillipe Pagès, teve que abortar seus estudos no Conservatório de Paris (território que já foi de Franck, Fauré e Messiaen) para ganhar fama e fortuna a encher os elevadores e consultórios de dentista com clássicos como “Dolannes Melody” que, para muitos (eu e meus sisos inclusos), evocam o barulhinho tétrico da famigerada broca e o cheiro do esmalte e da dentina por ela queimados.
Isso sem nem entrar no mérito, claro, de seu magnífico visual.
Quanto a Vassily, bem, ele pegou a barca de Caronte e voltou para o Hades, onde, espera, os tomates, a chuva de adagas e o ranger de dentes não o alcançarão.
Antes de mandarem Cérbero, as Górgonas e todos o Titãs (ah, e Beethoven também!) em meu encalço, rogo-lhes que se dispam de seus preconceitos e deem às frondosas cabeleiras uma chance de fazê-los felizes.
LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)
AS SONATAS PARA VIOLINO E PIANO – ANDRÉ RIEU E RICHARD CLAYDERMAN
CD 1
1. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 12: No. 1 in D major. 1. Allegro con brio
2. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 12: No. 1 in D major. 2. Tema con variazioni: Andante con moto
3. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 12: No. 1 in D major. 3. Rondo: Allegro
4. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 12: No. 2 in A major. 1. Allegro vivace
5. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 12: No. 2 in A major. 3. Allegro piacevole
6. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 12: No. 3 in E flat major. 1. Allegro con spirito
7. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 12: No. 3 in E flat major. 2. Adagio con molt’espressione
8. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 12: No. 3 in E flat major. 3. Rondo: Allegro molto
9. Sonata for violin & piano No. 4 in A minor, Op. 23: 1. Presto
10. Sonata for violin & piano No. 4 in A minor, Op. 23: 3. Allegro molto
1. Sonata for violin & piano No. 5 in F major (‘Spring’), Op. 24: 1. Allegro
2. Sonata for violin & piano No. 5 in F major (‘Spring’), Op. 24: 2. Adagio molto espressivo
3. Sonata for violin & piano No. 5 in F major (‘Spring’), Op. 24: 3. Scherzo: Allegro molto
4. Sonata for violin & piano No. 5 in F major (‘Spring’), Op. 24: 4. Rondo: Allegro ma non troppo
5. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 6 in A major: 1. Allegro
6. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 6 in A major: 2. Adagio
7. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 6 in A major: 3. Allegretto con variazioni
8. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 7 in C minor: 1. Allegro con brio
9. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 7 in C minor: 2. Adagio cantabile
10. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 7 in C minor: 3. Scherzo: Allegro
11. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 7 in C minor: 4. Finale: Allegro
1. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 8 in G major: 1. Allegro assai
2. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 8 in G major: 2. Tempo di minuetto, ma molto moderato e grazioso
3. Sonatas (3) for violin & piano, Op. 30: No. 8 in G major: 3. Allegro vivace
4. Sonata for violin & piano No. 9 in A major (‘Kreutzer’), Op. 47: 1. Adagio sostenuto – Presto
5. Sonata for violin & piano No. 9 in A major (‘Kreutzer’), Op. 47: 2. Andante con variazioni
6. Sonata for violin & piano No. 9 in A major (‘Kreutzer’), Op. 47: Variation 1
7. Sonata for violin & piano No. 9 in A major (‘Kreutzer’), Op. 47: Variation 2
8. Sonata for violin & piano No. 9 in A major (‘Kreutzer’), Op. 47: Variation 3
9. Sonata for violin & piano No. 9 in A major (‘Kreutzer’), Op. 47: Variation 4
10. Sonata for violin & piano No. 9 in A major (‘Kreutzer’), Op. 47: Coda: Molto adagio
11. Sonata for violin & piano No. 9 in A major (‘Kreutzer’), Op. 47: 3. Finale: Presto
12. Sonata for violin & piano No. 10 in G major, Op. 96: 1. Allegro moderato
13. Sonata for violin & piano No. 10 in G major, Op. 96: 2. Adagio espressivo –
14. Sonata for violin & piano No. 10 in G major, Op. 96: 3. Scherzo: Allegro
15. Sonata for violin & piano No. 10 in G major, Op. 96: 4. Poco allegretto
Áudios espetaculosamente cedidos pelo internauta Camilo Di Giorgi!
José de San Juan foi qualificado por seus contemporâneos como um músico proeminente de seu século, mas foi praticamente esquecido nos séculos seguintes, de modo que hoje é nome raro em execuções e gravações.
Sabemos que nasceu em Sigüenza, pequena cidade espanhola, onde começou seus estudos de canto, mudando-se ainda moço, aos 23 anos, para Madri, onde foi maestro do coro de meninos da Capela Real. Três anos depois passou a ser mestre de capela das Clarissas descalças da capital espanhola, local em que exerceu a atividade a partir de 1711. Viria a falecer 36 anos depois, estima-se, pois cessam os registros de seu nome.
Talvez tenha viajado para o Novo Mundo e vivido no México por algum tempo, suspeição de alguns pesquisadores devido à grande quantidade de obras suas depositadas na Catedral de Puebla, motivo pelo qual esta missa se inclui na coleção.
A Missa a Oito com violinos, tropas e clarins de José de San Juan demonstra as modificações estilísticas na música das igrejas espanholas e mexicanas com a chegada dos Bourbons ao trono hispânico (você perceberá diferença bem grande do ambiente musical dos três primeiros CDs da série, pois, além de tudo, passamos dos séculos XVI e XVII para o XVIII). O fato de encontrar essas peças no acervo da Catedral de Puebla mostra como a colônia caminhava, ao menos no cenário musical, bastante alinhada com o que se fazia na metrópole. À missa de San Juan ainda se interpõem em vários trechos, nesta gravação, as Sonatas de Clarines, de autor desconhecido, dando mais corpo ao conjunto e mostrando a versatilidade do portentoso órgão da Catedral poblana. Ainda são inseridos dois inspiradíssimos Dixit Dominus de San Juan: que coisa linda de se ouvir!
É muito bonito! Ouça! Ouça ! Deleite-se!
Olha só que beleza o Glória deste álbum (faixas 03 a 11):
México Barroco / Puebla IV
José de San Juan
Missa a 8 com violines, tropas y clarines
Anonimo S. XVIII
01. Sonata de clarines José de San Juan (Sigüenza, Espanha, 1685 – Madri, Espanha, c.1747)
02. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, I. Kyrie
03. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, II. Gloria
04. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, III. Laudamus te
05. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, IV. Agimus te
06. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, V. Domine Deus Rex
07. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, VI. Domine Fili
08. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, VII. Domine Deus
09. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, VIII. Qui tollis peccata mundi
10. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, IX. Quoniam tu solus sanctus
11. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, X. Cum Sancto Spiritu Anonimo S. XVIII
12. Sonata de clarines José de San Juan (Sigüenza, Espanha, 1685 – Madri, Espanha, c.1747)
13. Dixit Dominus I, em Sol maior
14. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, XI. Credo
15. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, XII. Et incarnatus est
16. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, XIII. Crucifixus
17. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, XIV. Et resurrexit
18. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, XV. Et iterum venturus est
19. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, XVI. Et in Spiritum Sanctum Anonimo S. XVIII
20. Sonata de clarines José de San Juan (Sigüenza, Espanha, 1685 – Madri, Espanha, c.1747)
21. Missa a 8 com violines, tropas y clarines, XVII. Sanctus Anonimo S. XVIII
22. Sonata em Dó maior José de San Juan (Sigüenza, Espanha, 1685 – Madri, Espanha, c.1747)
23. Dixit Dominus II, em Sol maior
Irasema Terrazas,soprano
Gabriela Thierry, mezzo-soprano
Flavio Becerra, tenor
Emilio Carsi, baixo
Antonio Baciero, órgão
Coro e Conjunto de Cámara de la Ciudad de México
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
Após os excelentes álbuns Duo e Credo, ambos postados no PQP Bach, Hélène Grimaud nos chega com um disco onde aparece claramente a sua militância pelas causas ecológicas. Water é um trabalho incomum. Aqui, Grimaud executa peças de vários períodos — clássicas, românticas e contemporâneas — cuja temática é a água. Além do fascínio pela água, além das evocações tradicionais de rios, lagos, mares, flocos de neve, e gotas de chuva, o álbum também reflete uma perspectiva contemporânea sobre a água e a falta dela. As peças de diferentes compositores são amarradas através das Transitions, sons de água e de instrumentos musicais compostos, gravados e produzidos por Nitin Sawhney, um celebrado compositor de World Music. Ele também é DJ, produtor, multi-instrumentista, compositor orquestral e pioneiro cultural. Reafirmando sua posição como uma das artistas mais interessantes da música erudita, Grimaud combina a cultura com seu compromisso com os desafios ecológicos, ambientais e humanitários de nossos dias. Então, Water é um projeto com três níveis distintos de aspiração criativa: artístico, inventivo e ativista. Além disso é bom pacas de ouvir.
Albéniz / Berio / Debussy / Fauré / Janáček / Liszt / Ravel / Sawhney / Takemitsu: Water
1 Wasserklavier (No.3 From 6 Encores – Per Antonio Ballista) (Luciano Berio) 2:11
2 Water – Transition 1 (Nitin Sawhney) 1:18
3 Rain Tree Sketch II (In Memoriam Oliver Messiaen) (Toru Takemitsu) 5:25
4 Water – Transition 2 (Nitin Sawhney) 1:41
5 Barcarolle No.5 In F Sharp Minor (op.66) (fis-moll En Fa Diese Mineur Allegretto Moderato) (Gabriel Fauré) 6:39
6 Water – Transition 3 (Nitin Sawhney) 1:33
7 Jeux D’eau (Music Note=144) (Tres Doux) (Maurice Ravel) 5:10
8 Water – Transition 4 (Nitin Sawhney) 1:27
9 Almeria (No.2 From Iberia II Allegretto Moderato) (Isaac Albéniz) 10:06
10 Water – Transition 5 (Nitin Sawhney) 0:55
11 Les Jeux D’eaux A La Villa D’Este (No.4 From Annees De Pelerinage III S 163 Allegretto) (Franz Liszt) 7:38
12 Water – Transition 6 (Nitin Sawhney) 1:34
13 In The Mists: No.1 (Andante) (Leoš Janáček) 4:33
14 Water – Transition 7 (Nitin Sawhney) 1:16
15 La Cathedrale Engloutie (No.10 From Preludes I Profondement Calme) (Claude Debussy) 6:03
16 Water Reflections (Helene Grimaud’s Thoughts On The Permutations Of Water) 10:49
Até ter acesso a esse CD o belga Guillaume Lekeu me era totalmente desconhecido. Mas graças a Alina Ibragimova pude conhecer este jovem compositor, que morreu com apenas vinte e quatro anos de idade e compôs apenas quinze obras, sendo esta sonata a sua peça mais conhecida. Ligado ao grupo de Cesar Frank, vejo Lekeu como um romântico tardio e sua belíssima sonata é extremamente emotiva desde seus primeiros compassos.
Creio que estas sonatas de Ravel já tenham aparecido cá por estas plagas, e sua Tzigane, então, nem se fala. É bem conhecida.
Alina Ibragimova, a cada novo CD, vem se firmando como uma das grandes violinistas de sua geração. Tenho certeza que este seu CD, lançado já há alguns anos atrás, vai satisfazer a muita gente.
1. Lekeu Violin Sonata in G major – Movement 1 Tres modere
2. Lekeu Violin Sonata in G major – Movement 2 Tres lent
3. Lekeu Violin Sonata in G major – Movement 3 Tres anime
4. Ravel Violin Sonata No 1 in A major
5. Ravel Violin Sonata No 2 in G major – Movement 1 Allegretto
6. Ravel Violin Sonata No 2 in G major – Movement 2 Blues. Moderato
7. Ravel Violin Sonata No 2 in G major – Movement 3 Perpetuum mobile. Allegro
8. Ravel Tzigane ‘Rapsodie de concert’
9. Ravel Berceuse sur le nom de Gabriel Faure
Alina Ibragimova – Violin
Cédric Tiberghien – Piano
Hoje, o principal mestre que se apresenta neste terceiro volume da série México Barroco de Puebla é Fabián Pérez Ximeno (ou Ximeno Pérez: em cada lugar encontro esses sobrenomes numa ordem diferente), compositor já nascido na Nova Espanha, organista da Catedral da Cidade do México, onde logrou ser mestre de capela no começo do século XVII. Ximeno foi compositor de numerosas missas, três Magnificat, dois motetos de Quaresma, um Dixit Dominus e de vários villancicos, muito populares em seu tempo.
Seguindo a lógica dos CDs antecessores na série, a sua Missa sobre el ‘Beatus Vir de Fray Xacinto’ é intercalada à música de outros compositores de seu tempo, espanhóis ou radicados na na Espanha, como Antonio de Cabezón, Francisco Guerrero, Thomás de Santa María, Lluys Alberto de Gomez e Philippe Rogier, mais o italiano Julius de Modena. Essa intercalação de peças é propositalmente feita para demonstrar que a qualidade das obras compostas e executadas na América, ou seja, na colônia, não devia em nada ao que se fazia na Europa, na metrópole. Muito bem elaborada essa mescla, de rica sonoridade. Belo álbum!
Ouça! Ouça ! Deleite-se sem dó nem piedade!
Uma noção da beleza que vos aguarda,o Te Deum de Francisco Delgado (faixa 1):
México Barroco / Puebla III
Missa sobre el “Beatus Vir de Fray Xacinto”
Fabián Pérez Ximeno
Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
01. Himno Pange lingua de Urreda (glosado) Anônimo
02. Pange lingua Francisco Guerrero (Sevilha, Espanha, 1528 – 1599)
03. Canción a 5 FreiThomás de Santa María (Madri, Espanha, c.1510 – Valladolid, Espanha, 1570)
04. Fantasia Quarti toni / Missa a 11 de 4º tono Fabián Pérez Ximeno (Cidade do México, México, c.1595 – 1654)
05. Missa a 11 de 4º tono sobre el ‘Beatus Vir de Fray Xacinto’, I. Kyrie
06. Missa a 11 de 4º tono sobre el ‘Beatus Vir de Fray Xacinto’, II. Gloria
07. Missa a 11 de 4º tono sobre el ‘Beatus Vir de Fray Xacinto’, III. Multiplicati sunt qui tribulant me Lluys Alberto de Gomez (Munguia, Espanha,c.1520 – Soria, Espanha, 1558)
08. Tres IV glosado Fabián Pérez Ximeno (Cidade do México, México, c.1595 – 1654)
09. Missa a 11 de 4º tono sobre el ‘Beatus Vir de Fray Xacinto’, IV. Credo
10. Missa a 11 de 4º tono sobre el ‘Beatus Vir de Fray Xacinto’, V. Offertorium: Confitebor tibi Julius de Modena (Giulio Segniarabosco – Modena, Itália, 1498 – Roma, Itália, 1561)
11. Tiento XIX de cuarto tono Fabián Pérez Ximeno (Cidade do México, México, c.1595 – 1654)
12. Missa a 11 de 4º tono sobre el ‘Beatus Vir de Fray Xacinto’, VI. Sanctus Philippe Rogier (Arras, França, c.1561 – Madri, Espanha, 1596)
13. Elevatio Cancion a 6 Fabián Pérez Ximeno (Cidade do México, México, c.1595 – 1654)
14. Missa a 11 de 4º tono sobre el ‘Beatus Vir de Fray Xacinto’, VII. Agnus Dei Lluys Alberto de Gomez (Munguia, Espanha,c.1520 – Soria, Espanha, 1558)
15. Tres IV glosado
Rafael Cárdenas, órgão
Ruth Escher, soprano
Cécile Gendron, soprano
Angelicum de Puebla
Schola Cantorum de Mexico
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
Nos anos 80, quando a Rádio da UFRGS começou a divulgar a obra de Hans Werner Henze, eu passei a gostar de sua obra algo provocadora e surpreendente. Não sabia nada a respeito dele. Minha primeira pesquisa indicou uma coisa que jamais imaginaria. OK, era um compositor alemão residente na Itália, blá-blá-blá, mas era conhecido pelas opiniões políticas marxistas que influenciaram na sua obra. Também trocara a Alemanha pela Itália em 1953, em razão da intolerância em relação as suas posições políticas e a sua homossexualidade. Membro do PCI (Partido Comunista Italiano), Henze produziu composições em homenagem a Ho Chi Min e a Che Guevara — o Réquiem intitulado Das Floss der Medusa (A balsa da Medusa), cuja estreia foi vetada em Hamburgo, em 1968.
Henze compôs em vários estilos, tendo sido influenciado pela música atonal, Stravinsky, pela técnica dodecafônica, pelo estruturalismo e por alguns elementos da música popular, do rock e do jazz.
Num escrito de 1975, Henze define assim sua arte: “O teatro foi e é o meu território, tenho sempre que voltar a ele. Minha música anseia pelo gesto, a corporalidade e a plasticidade. Ela se entende como drama, algo que pertence intimamente à vida, e que não poderia existir na abstinência higiênica ou no particular, no doméstico”. Mas Henze escreveu de tudo um pouco. Uma das habilidades mais admiráveis do compositor era a de combinar técnicas e elementos musicais os mais díspares, da melodia lírica (e tonal) ao complexo sonoro eletroacústico, do leitmotiv wagneriano ao serialismo estrito e os dispositivos aleatórios.
Hans Werner Henze (1926 – 2012): Sinfonias Nos. 7 & 9 / Barcarola / Three Auden Songs
Disc 1:
1 Barcarola 21:30
Symphony No. 7:
2 I. Tanz – Lebhaft und beseelt 10:58
3 II. Ruhig bewegt 12:42
4 III. Unablässig in Bewegung 5:12
5 IV. Ruhig, verhalten 9:28
City of Birmingham Symphony Orchestra
Sir Simon Rattle
Disc 2
Symphony No. 9:
1 I. Die Flucht 5:28
2 II. Bei Den Toten 6:31
3 III. Bericht Der Verfolger 1:45
4 IV. Die Platane Spricht 7:33
5 V. Der Sturz 7:25
6 VI. Nachts Im Dom 17:07
7 VII. Die Rettung 7:47
Berliner Philharmoniker
Rundfunkchor Berlin
Ingo Metzmacher
Three Auden Songs:
8 I. In Memoriam L.K.A. 1950-1952 2:10
9 II. Rimbaud 2:46
10 III. Lay Your Sleeping Head, My Love 5:32
Vou escrever um ou dois parágrafos de puro chute. Minha linda e brilhante amiga Asli Berktay, que creio ter nascido em Istambul, poderá dar boas risadas do que vou escrever sobre a música — que desconheço inteiramente — de seu país. Mas é música, pô, e alguma coisa do que vou escrever deve fazer um pouco de sentido.
Evrim Demirel é um compositor e pianista turco. Acaba aqui a parte objetiva do texto. Vocês sabem o quanto é raro ouvir a música daquela região meio fora de um mapa musical que parece ir para o leste até a Hungria e subir bruscamente em direção ao Báltico, entrando na Rússia pela Polônia, Finlândia, Lituânia, Letônia, etc. A música de Demirel deve alguma coisa a Alfred Schnittke, ao menos na forma poli-estilística, porém, de resto, digo que este turco tem voz própria e padrões distintos. Apesar de alguns instrumentos típicos e do peculiar sotaque oriental — jamais tinha ouvido a música erudita turca –, às vezes Demirel adquire ares meio jazzistas, principalmente na forma com que trata os sopros. Mas ele também parece estar bem ciente de sua própria herança cultural na forma como concebe seus trabalhos.
Makamsiz é seu primeiro CD gravado e todas as cinco peças aqui apresentadas são registros ao vivo de excelentes grupos holandeses.
Pesquisa rápida entremeada de nossa obtusa curadoria: Four Folk Songs from Anatólia é baseado em canções tradicionais daquela região da Turquia (ufa, essa foi fácil). Zeybek parece ser uma de dança popular tocada por duas zurnas (instrumento de sopro) e um davul (percussão tocada dos dois lados por duas baquetas totalmente diferentes). Makamsiz desenvolve-se livremente sobre tema nenhum. É a melhor peça do CD. As recorrentes passagens em uníssono dão-lhe um sabor muito particular que deve ser turco… Saz Semaisi No 1 e Quotations fazem certamente referência ao passado — talvez século XIX. São de inspiração mais antiga, quem sabe otomana.
A música tem dessas coisas. A gente põe os fones nos ouvidos e caminha até o trabalho em outro mundo, tudo no espaço de uma hora. Gosta muito do que ouve, sente a intenção do compositor, mas fica sem o contexto. Chega ao trabalho, escreve rapidamente o post e quer terminar logo para não passar mais vergonha com sua ignorância.
Evrim Demirel (1977): Makamsiz
01- Four Folksongs From Anatolia (Atlas Ensemble)
02- Zeybek (Asko Ensemble)
03- Makamsiz (Ziggurat Ensemble)
04- Saz Semaisi No 1 (Schoenberg Ensemble)
05- Quotations (Doelen Ensemble)
Já declarei em outras situações que considero este um dos três melhores discos ao vivo já gravados na história da indústria fonográfica. O que estes três caras fazem aqui não é brincadeira. É um show de competência, virtuosismo e criatividade únicos.
Keith Emerson se suicidou há quinze dias, no dia 10 de março, com um tiro. Tinha setenta e um anos de idade. Há alguns anos atrás sofreu uma intervenção cirúrgica em sua mão direita, e aparentemente não conseguiu recuperar os movimentos desta mão e voltar a tocar como tocava. E isso para um músico, ainda mais um pianista de seu calibre, deve deprimir e muito.
Conheci Keith Emerson exatamente através deste CD que ora vos trago, um petardo que mostra todo o talento e versatilidade deste trio. São músicos de altíssimo nível, que exploraram ao máximo as possibilidades de seus instrumentos, vindo inclusive a inovar, criando e aperfeiçoando o que existia na época (lembro que esse disco foi gravado em 1974). O disco era um álbum triplo, e isso significou e muito. Até então, pouquíssimas bandas tinham se arriscado em algo tão longo, lembro de cabeça do “Yes Songs”, do Yes, lançado um ou dois anos antes. O nome do álbum é muito sugestivo, quando você é convidado a assistir a um show que nunca acaba. E para mim, nunca vai acabar. Foi um dos discos que mais me influenciou, faixas extensas como ‘Tarkus’, ou ‘Karn Evil 9’ me mostraram que a improvisação é a alma da música, e ‘Piano Improvisations’ foi a gota dágua que sacramentou essa minha idéia. Sumiram os rótulos, e ficou apenas a música, única e simplesmente. E no meio de seus solos, podiamos encontrar passagens de obras de Prokofiev, Stravinsky, e principalmente Aaron Copland, que me foi apresentando exatamente com a faixa que abre este álbum, o clássico “Hoedown”. Curioso que um trio inglês conseguiu extrair o que esta obra tinha de melhor, a interpretando em um órgão Hammond, em uma bateria e num contrabaixo.
Alguns anos depois eles foram convidados a tocar a música de abertura das Olimpíadas de Montreal, mas isso é conversa para outra postagem.
CD 1
01. Hoedown
02. Jerusalem
03. Toccata
04. Tarkus (a. Eruption, b. Stones Of Years, c. Iconoclast, d. Mass, e. Manticore, f. Battlefield (Including Epitaph), g. Aquatarkus)
05. Take a Pebble (a. Still… You Turn Me On, b. Lucky Man)
CD 2
01. Piano Improvisations (a. Fugue, b. Little Rock Getaway)
02. Take A Pebble (Conclusion)
03. Jeremy Bender – The Sheriff (Medley)
04. Karn Evil 9 (a. 1st Impression, b. 2st Impression, c. 3st Impression)
Keith Emerson – Keyboards
Greg Lake – Bass, Guitars & Vocal
Carl Palmer – Drums, Percussion
Segundo álbum da série México Barroco de Puebla. A série avança e novas descobertas vão surgindo. Esse volume, creio que para ambientar a música de Juan Gutiérrez de Padillha, coloca, intercaladas à Missa Flos Campi, peças de outros compositores contemporâneos a ele, atuantes na segunda metade do século XVI e inícios do XVII, como Jacob Clemen Non Papa, António de Cabezón, Alonso Lobo e Frei Tomás de SantaMaría.
Ainda estamos na virada do século XVI para o XVII aqui. A coleção chegará a produções do começo do século XIX. Não é exatamente cronológica, mas é muito interessante ver, quando chegarmos aos 8 CDs completinhos, como a música foi se alterando. É quase uma narrativa do ambiente musical sacro de Puebla. A nós, brasileiros, resta uma pontinha de inveja do completo sistema organizacional das cidades da Nova Espanha já no começo do século XVII e de toda a estrutura que possuíam. Aqui parece que as coisas só deslancharam da metade do século XVIII pra frente…
Catedral de Puebla
A estrutura de disposição das peças deste álbum é muito bem concatenada, com a alternância de obras vocais a instrumentais, inseridas entre as partes da missa,criando um todo que, embora composto de criações de vários autores, é coeso e faz muito sentido. Muito bom, mesmo.
Ouça! Ouça ! Deleite-se!
Aqui,a faixa 3 para dar uma amostra:
México Barroco
Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
01. Tiento XXV de sexto tono Juan Gutiérrez de Padilla (Málaga, Espanha, ca. 1590 – Puebla, México, 1664)
02. Gaudeamus omnes in Domino
03. Missa Ego flos campi: Kyrie
04. Missa Ego flos campi: Gloria Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
05. Fabordon y glosas del sexto tono: I. Ilano Jacobus Clemens Non Papa (Midelburg, Holanda, 1510 – Diksmuide, Bélgica, 1555)
06. Ego flos campi Francisco Soto de Langa (Langa, Itália, 1534 – Roma, Itália, 1619)
07. Tiento en 6 Alonso Lobo (Osuna, Espanha, c.1555 – Sevilha, Espanha, 1617)
08. Ego flos campi a 4 Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
09. Fabordon y glosas del sexto tono: II. Glosado en el tiple Juan Gutiérrez de Padilla (Málaga, Espanha, ca. 1590 – Puebla, México, 1664)
10. Missa Ego flos campi: Alleluia Assumpta est
11. Missa Ego flos campi: Credo Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
12. Fabordon y glosas del sexto tono: III. Glosado en las voces intermedias
13. Fabordon y glosas del sexto tono: IV. Glosado en el baxo Juan Gutiérrez de Padilla (Málaga, Espanha, ca. 1590 – Puebla, México, 1664)
14. Assumpta est Maria in caelum
15. Missa Ego flos campi: Sanctus Antonio de Cabezón (Burgos, Espanha, 1510 – Madri, Espanha, 1566)
16. Fabordon y glosas del sexto tono: V. Glosado sobre el Pange lingua de Urreda Juan Gutiérrez de Padilla (Málaga, Espanha, ca. 1590 – Puebla, México, 1664)
17. Missa Ego flos campi: Agnus Dei Anônimo
18. Fabordón glosado VI de sexto tono Juan Gutiérrez de Padilla (Málaga, Espanha, ca. 1590 – Puebla, México, 1664)
19. Missa Ego flos campi: Beatam me dicent omnes generationes Frei Tomás de Santa María (Madri, Espanha, c.1510 – Valladolid, Espanha, 1570)
20. Fantasia Primi Toni Juan Gutiérrez de Padilla (Málaga, Espanha, ca. 1590 – Puebla, México, 1664)
21. Salve Regina
Ruth Escher, soprano
Cecile Gendron, soprano
Gabriela Thierry, mezzo-soprano
Flavio Becerra, tenor
Vladimir Gomez, tenor
Alfredo Mendoza, tenor
Rafael Cardenas, órgão
Coro de Niños Cantores de la Escuela Nacional de Música de la UNAM
Angelicum De Puebla
Schola Cantorum Mexico
Benjamín Juárez Echenique, regente
México, 1997
A fotografia abaixo não faz justiça ao excelente Jenő Jandó. Mas vamos a um pouco de curadoria. O Cravo Bem Temperado (no original alemão: Das wohltemperierte Klavier) é uma coleção de música para teclado solo, composta por Johann Sebastian Bach. Ele inicialmente escreveu 24 prelúdios e fugas tendo por base os 24 tons (12 maiores mais 12 menores) em 1722, “para o proveito e uso dos jovens músicos desejosos de aprender e, especialmente, para o entretenimento daqueles já experientes com esse estudo”. Mais tarde, em 1744, Bach escreveu compilou um segundo livro com mais 24 de prelúdios e fugas (seguindo o mesmo esquema de composição tonal do primeiro). Desta vez, chamou-os de “Vinte e quatro Prelúdios e Fugas”. Atualmente, os dois volumes são conhecidos e citados como Livro I e Livro II do “O Cravo Bem Temperado”.
O primeiro livro foi compilado durante o período de Bach em Köthen; o segundo livro veio 22 anos depois, quando já em Leipzig. Ambos foram amplamente divulgados na forma manuscrita, mas cópias impressas não foram feitas senão em 1801. O estilo barroco de Bach caiu em desuso por parte do grande público e passou de moda por volta da data da sua morte (1750), dando lugar à música do início do período clássico (que não possuía nem a complexidade contrapontística, nem a variedade de tonalidades e harmonias aplicadas por Bach). Contudo, entre os compositores e músicos, nunca deixou de servir como uma obra paradigmática e de estudo obrigatório. No auge do estilo Clássico (cerca de 1770) O Cravo Bem Temperado foi estudado detalhadamente por compositores como Haydn e Mozart, influenciando, assim, as suas formas de composição, e, consequentemente, toda a história da música. Segundo Howard Goodall, “a publicação de O Cravo bem Temperado de Bach, em 1722, é um dos marcos da história da música europeia. Mesmo durante a vida de Bach, a sua influência foi rápida e dramática, mais tarde, tanto Mozart como Beethoven pagaram tributo ao brilhantismo e à importância da coleção”.
J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado, Livro II
Disc 1
1. No. 1 in C Major, BWV 870 00:04:10
2. No. 2 in C Minor, BWV 871 00:04:13
3. No. 3 in C – Sharp Major, BWV 872 00:03:46
4. No. 4 in C – Sharp Minor, BWV 873 00:06:25
5. No. 5 in D Major, BWV 874 00:07:52
6. No. 6 in D Minor, BWV 875 00:03:36
7. No. 7 in E – Flat Major, BWV 876 00:04:28
8. No. 8 in D – Sharp Minor, BWV 877 00:07:17
9. No. 9 in E Major, BWV 878 00:07:18
10. No. 10 in E Minor, BWV 879 00:07:23
11. No. 11 in F Major, BWV 880 00:04:43
12. No. 12 in F Minor, BWV 881 00:05:47
É de se lamentar que este oratório de Schumann tenha tão poucas gravações disponíveis. E esta inspirada leitura de Christoph Spering é com certeza uma das melhores já realizadas, apesar dos músicos envolvidos serem pouco conhecidos.
Eis a descrição da obra, de acordo com o texto do libreto. A falta de tempo me impede de traduzir para os senhores:
“In 1850 Robert Schumann was enthusiastically received by the Düsseldorf public as the successor to the municipal music director Ferdinand Hiller. It was expected that he would write and perform works of his own for choral and orchestral concerts, both in the sacred and secular areas. These expectations accommodated Schumann’s commitment to both oratorio and church music during this phase of his life. Important oratorio and ecclesiastic compositions such as Der Rose Pilgerfahrt, Op. 112 (1851), the Missa sacra, Op. 147 and the Requiem, Op. 148 (both 1852) were composed during these years. These works have today disappeared both from the areas of church music and music for the concert hall, although they were originally decidedly intended for these venues. Der Rose Pilgerfahrt, Op. 112 With Das Paradies und die Peri (Paradise and the Peri, 1843) and Der Rose Pilgerfahrt (1851), Schumann created two secular, fairytale-like oratorios which attained special significance in the context of his vocal-symphonic oeuvre. The composer himself put together the story line to Der Rose Pilgerfahrt from the following draft version: The elf “Rosa” requests from the elf queen to be sent to an earthly life. Insistent warnings cannot prevent her from gaining painful experiences in the world of human beings. As a miller’s daughter, however, she experiences the joys of human existence, culminating in love, marriage and motherhood. Following her death in the childbed, she enters heaven as an angel. After receiving this extensive poem, Schumann must have been utterly fascinated with it when he started the composition. The examining magistrate from Chemnitz, Heinrich Moritz Horn, sent him his poem on 27 March 1851, probably in hopes of a composition. Schumann replies to Horn only a month later (21 April 1851), however, with gratitude and questions concerning changes in the text for compositional reasons – by this time, most of the composition had probably long been completed. “The poem is certainly suitable for music, and a good number of melodies have already been going through my mind, but it would have to be much shortened and a great deal made much more dramatic. But this only has to do with the musical composition; far be it from me to take issue with it as a poem.” The poet complies with all of Schumann’s wishes regarding additions and new poetry, and presents the composer with many alterations up to the completely transformed end of the poem. To this, Schumann suggests: “How would it be if we had a choir of angels raised up after Rosa’s death: Rosa would not be transformed into a rose, but into an angel […]. The intensification: rose, girl, angel, seems to me poetic and, moreover, to hint at that teaching of higher transformations of beings to which we all, indeed, wish to adhere” (letter of Schumann to Horn of 9 June 1851). The original version was never thought for being performed in a concert hall but as a kind of chamber oratorio with piano accompaniment within the family circle. Completed on 11 May 1851, Der Rose Pilgerfahrt was given its first performance on 6 July 1851 by a Singkränzchen”(singing party) in the Schumanns’ Düsseldorf flat, at which “next to Frau Schumann, who played the piano accompaniment with a wonderfulpoetic feeling, […] Schumann [sat] in blissful dreams and conducted” (from a tenor’s report). Schumann did not have much enthusiasm for orchestrating the work, even though he completed this task within two weeks at the intensive urging of friends (7–27 November 1851; world premiere of the orchestral version on 5 February 1852 in Düsseldorf). The Schumann biographer Wilhelm von Wasielewski especially sees the value of the orchestration in the fact that it could “significantly increase the appeal of coloration […]“. The interpretation with historical instruments lends multiple support to this quality, above all in the possibility of instrumental timbres. Thus a “mood painting”, made up of colours indicating various frames of mind, was created out of this chamber oratorio, following an extremely sensitive quality of composing in its sequence of genre scenes (funeral song, elves’ and hunters’ chorus, prayer, wedding dance, choir of angels). The simplicity of the text is interpreted by highly skilful orchestral writing, revealing the most modern techniques in the areas of declamation, rhythm and metre, harmony and the orchestra itself.”
O CD ainda traz um Requiem, op 48, para mim totalmente desconhecido até o momento em que adquiri este CD.