.: interlúdio :. Duetos ∞ Chico Buarque e Amigos ֎

.: interlúdio :. Duetos ∞ Chico Buarque e Amigos ֎

Bacalhaus, no mar, em Portugal, fazem
Façamos, vamos amar…

Eu ouvi este disco pela primeira vez há poucos dias e fiquei simplesmente mesmerizado. Ouço no caminho para o trabalho, na hora do descanso, enquanto ando pela casa procurando coisas para fazer.

E agora o disco provocou uma onda de buscas por outras coisas com ele relacionadas. Estou ouvindo os dois ótimos LPs de Miúcha e Tom Jobim. Esses eu conhecia.

A primeira canção do disco, uma verdadeira ‘âncora’ que nos prende a ele, é uma tradução (feita por Carlos Rennó) de uma canção de Cole Porter. A original eu conhecia, mas não lembrava onde estava. Imediatamente essa canção me fez lembrar das gravações em dueto reunindo Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. É claro que na nossa versão Louis usa saias…

Algumas outras faixas do disco eu conhecia de outros projetos ou mesmo de ouvir no rádio.

Na minha busca da canção de Cole Porter a encontrei nas gravações Ella & Louis, mas aí ela é interpretada apenas pelo Satchmo, Ella deve ter ido tomar um cafezinho nessa. Na coleção de songbooks, no disco de Cole Porter, Ella Fitzgerald canta o Let’s Do It (Let’s Fall in Love). Mas o dueto Chico Buarque e Elza Soares é um primor. O contraste das duas vozes apimenta a brincadeira. Veja como ela canta o verso ‘Gatinhas com seus gatões fazem, tantos gritos de ais’. Inesquecível!

Nas 14 canções do disco, em cada uma delas Chico está acompanhado de um parceiro ou uma parceira diferente. Só Tom Jobim aparece em duas, mas em uma dela a Miúcha também canta. E como são diversas e diferentes essas parcerias, assim como os estilos musicais. Chama a atenção como Chico se adapta cantando assim com um ou assado com outra, dependendo dos diferentes estilos.

Os sotaques dos ‘estrangeiros’ dão um charme a mais ao disco, como na malandrice da deliciosa Rosa, cantada com Sergio Endrigo. No início da canção ouvimos ‘Arrasa o meu projeto de vida’ e, logo mais, ‘Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?’.

‘A Mulher do Aníbal’, de Jackson do Pandeiro, cantada em parceria com Zeca Pagodinho é outra espetacular, assim como ‘Desalento’, em compadrice com Mestre Marçal, de entregar os pontos. Carcará, com João do Vale, é afiada como bico de gavião, uma verdadeira força da natureza.

E o Jonny Alf, Seu João Alfredo, brincando com Seu Chopin? Miles de maravilhes.

Os hermanos, Pablo Milanés e Ana Belén, contribuem com duas canções inesquecíveis – basta ouvir uma vez só e verá que será eternamente Yolanda. Em ‘Piano na Mangueira’, Dionne Warwick mostra que poderia ser assim uma prima de alguma dama do samba – Dona Ivone Lara, talvez? Como é lindo ouvi-la cantar em português.

‘Dinheiro em Penca’ e ‘Não Sonho Mais’, esta última com Elba Ramalho, são dois ‘tours de force’, para fechar o disco com vontade de ouvir de novo.

É provável que todos vocês conheçam já o disco, mas se você é como eu e ainda não havia ouvido falar dele, corra e baixe rapidinho. Esse é ‘papa-fina’!

  1. “Façamos” (de Cole Porter; versão de Carlos Rennó; com Elza Soares)
  2. “Desalento” (de Chico Buarque e Vinicius de Moraes; com Mestre Marçal)
  3. “Sem você” (de Tom Jobim e Vinicius de Moraes; com Tom Jobim)
  4. “Mar y Luna” (de Chico Buarque e adaptação de San José; com Ana Belén)
  5. “Dueto” (de Chico Buarque, com Nara Leão)
  6. “A mulher do Aníbal” (de Genival Macedo e Nestor de Paulo; com Zeca Pagodinho)
  7. “A Rosa” (de Chico Buarque; com Sergio Endrigo)
  8. “Até pensei” (de Chico Buarque; com Nana Caymmi)
  9. “Seu Chopin, desculpe” (de Johnny Alf, com Johnny Alf)
  10. “Yolanda” (de Pablo Milanés, com Pablo Milanés)
  11. “Carcará” (de João do Vale e José Cândido; com João do Vale)
  12. “Piano na Mangueira” (de Tom Jobim e Chico Buarque; com Dionne Warwick)
  13. “Dinheiro em penca” (de Tom Jobim e Cacaso; com Miúcha e Tom Jobim)
  14. “Não sonho mais” (de Chico Buarque; com Elba Ramalho)

Com Chico Buarque

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MP3 | 320 KBPS | 138 MB

Chico e Vinicius França (creio) recebendo o zap da equipe do PQP Bach dizendo que a postagem estava quase pronta…

Disco coletânea reunindo gravações de diversos artistas, em dueto com Chico Buarque. Projeto e produção executiva: Vinicius França. Coordenação de produção: Adriana Ramos e Hugo Pereira Nunes. Assistente de produção: Paula Mello.

Formidável!

René Denon

Claude Debussy (1862-1918): Prelúdios e outras peças, com Nelson Freire #DEBUSSY160

Claude Debussy (1862-1918): Prelúdios e outras peças, com Nelson Freire #DEBUSSY160

Vi que algumas pessoas pediram este CD, mesmo sujeitas a levar um esporro como resposta. Recebi o disco recentemente e ele estava lacrado até agora – nem quis saber de escutá-lo enquanto o copiava via Windows Media Player porque tinha/tenho/terei realmente mais o que fazer. Muito menos gosto de postar CDs quando estes são recém-lançados porque acho isso o cúmulo do pão-durismo por parte do ouvinte/admirador, mas decidi ser caridoso. Espero que tenha valido a pena meu esforço e que o número de downloads exploda.
CVL (2009)

Lucia Branco, a principal professora de piano de Nelson Freire em sua infância, foi quem lhe apresentou Debussy, e ela lhe alertava sobre o risco de tocar lento demais. Mais tarde, Debussy criaria uma grande proximidade com Guiomar Novaes, grande intérprete de Debussy – aliás o compositor ouviu e elogiou a jovem pianista recém-chegada em Paris. Guiomar também tinha uma relação com a música de Debussy em que os andamentos não pendiam para o lento: às vezes o colorido das escalas de tons inteiros pode estimular uma abordagem mais relaxada e calma, mas ao mesmo tempo é preciso manter o fluxo das coisas andando, ao menos na abordagem de Debussy por Freire e por esses dois pianistas que ele amava apaixonadamente: Guiomar Novaes e Walter Gieseking.

Nelson Freire não era o tipo de músico que grava integrais. (Disse ele para o IPB: “não gosto de fazer sempre a mesma coisa, me aborrece… Por isso acho também que recital de piano deve ser uma coisa variada, se não é muito entediante chegar lá e ouvir o mesmo estilo o tempo todo.”) O livro I de Prelúdios de Debussy, os Noturnos e Prelúdios de Chopin, a Prole do Bebê de Villa-Lobos  estão entre os poucos ciclos que ele abordou por inteiro. Ele tinha um vínculo profundo com essas obras, que o acompanharam por décadas, muitas vezes como bis nos recitais, assim como Poissons d’or, das Imagens. Neste álbum gravado por Nelson aos 63 anos, ele também toca o ciclo de inspiração infantil Children’s Corner, que o René postou recentemente na orquestração de André Caplet, amigo e colaborador de Debussy.
Pleyel (2022, 160 anos de Debussy, repostado em 2025)

Claude Achille Debussy (1862-1918), Música para Piano

1. Préludes – Book 1 – 1. Danseuses de Delphes (Lent et grave)
2. Préludes – Book 1 – 2. Voiles (Modéré)
3. Préludes – Book 1 – 3. Le vent dans la plaine (Animé)
4. Préludes – Book 1 – 4. Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir (Modéré)
5. Préludes – Book 1 – 5. Les collines d’Anacapri (Très modéré)
6. Préludes – Book 1 – 6. Des pas sur la neige (Triste et lent)
7. Préludes – Book 1 – 7. Ce qu’a vu le vent d’ouest (Animé et tumultueux)
8. Préludes – Book 1 – 8. La fille aux cheveux de lin (Très calme et doucement expressif)
9. Préludes – Book 1 – 9. La sérénade interrompue (Modérément animé)
10. Préludes – Book 1 – 10. La cathédrale engloutie (Profondément calme)
11. Préludes – Book 1 – 11. La danse de Puck (Capricieux et léger)
12. Préludes – Book 1 – 12. Minstrels (Modéré)
13. D’un cahier d’esquisses
14. Children’s Corner – 1. Doctor Gradus Ad Parnassum
15. Children’s Corner – 2. Jimbo’s Lullaby
16. Children’s Corner – 3. Serenade for the Doll
17. Children’s Corner – 4. The Snow is Dancing
18. Children’s Corner – 5. The Little Shepherd
19. Children’s Corner – 6. Golliwogg’s Cakewalk
20. Suite Bergamasque – 3. Clair de Lune

Nelson Freire, piano
Recording: Hamburg, June 11-15 2008

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Debussy é muito feio, vamos de Freire então.
Mais uma foto de mar ilustrando postagem de Debussy

CVL (2009) e Pleyel (2022)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Dois Violinos

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Dois Violinos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma parceria entre Amandine Beyer e Giuliano Carmignola não tem como dar errado, apesar das diferenças. São dois grandes solistas. O Bach de Beyer é esplêndido e é dela a gravação das Sonatas e Partitas para Violino Solo que mais gosto de ouvir. O Bach de Carmignola é esquisito, é quase Vivaldi, não gosto muito. Mas já o ouviram tocando Vivaldi? É sensacional. Aqui, eles se unem para interpretar alguns Concertos para Dois Violinos do Prete Rosso, acompanhados por Gli Incogniti, conjunto de música barroca dirigido por Beyer. O resultado é soberbo, maravilhoso. As meninas do Ospedale della Pietà ficariam boquiabertas se ouvissem. E você, seu tarado, se pensa que aquelas jovens abandonadas formavam um harém, leiam o que escreveu Jean-Jacques Rousseau em uma passagem por Veneza:

As Vésperas (…) são tocadas por trás de uma galeria gradeada, somente por meninas, das quais a mais velha não terá mais de vinte anos. Não posso conceber nada mais voluptuoso, nada mais emocionante que esta música. O que me afligia era estas meninas exiladas, de quem apenas sua música se permitia atravessar as grades que ocultavam os anjos adoráveis que julgava serem. Calei-me. Um dia comentei o fato em casa de Messer le Bond. ‘Se estais tão curioso’, disse-me ele, ‘para ver estas mocinhas, posso facilmente satisfazer-vos a vontade. Sou um dos administradores da casa, e vos convido a lanchar com elas’. Quando me dirigia com ele à sala que abrigava aquelas desejadas beldades, senti tamanha agitação de amor como jamais experimentara. Messer le Bond foi me apresentando uma após outra daquelas afamadas cantoras, cujas vozes e nomes me eram já todos conhecidos. ‘Vem, Sophie’… ela era horrenda. ‘Vem, Cattina’ …. era cega de um olho. ‘Vem, Bettina’… a varíola a havia desfigurado. Mal haveria uma ou outra sem qualquer defeito considerável. Duas ou três eram toleráveis; só o que faziam era cantar no coro. Fiquei desolado. Durante o encontro, quando brincamos, elas se alegraram. A feiúra não exclui o charme, e encontrei charme em algumas delas. Finalmente minha maneira de as considerar mudou tanto que quase me enamorei daquelas meninas disformes.”

É, a vida real é complicada… Mas o pessoal do Gli Incogniti é bem bonitinho!

Beyer e Gli Incogniti
Beyer e Gli Incogniti

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Dois Violinos

Concerto per due Violini in Do Maggiore, RV 507
1 Allegro 5:16
2 Largo 3:01
3 Allegro 4:18

Concerto per due Violini in Sib Maggiore, RV 529
4 Allegro 3:57
5 Adagio 3:33
6 Allegro 3:20

Concerto per due Violini in Do Minore, RV 510
7 Allegro 3:05
8 Largo 1:45
9 Allegro 2:22

Concerto per due Violini in Do Maggiore, RV 505
10 Allegro 3:45
11 Andante 2:38
12 Allegro non molto e cantabile 3:44

Concerto a 4 in Re Minore, RV 127
13 Allegro 1:30
14 Largo 2:03
15 Allegro 1:34

Concerto per due Violini in Sib Maggiore, RV 527
16 Allegro 3:51
17 Largo 2:41
18 Allegro molto 2:46

Concerto per due Violini in Re Maggiore, RV 513
19 Allegro molto 5:38
20 Andante 3:43
21 Allegro 5:27

Amandine Beyer & Giuliano Carmignola
Gli Incogniti

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Let`s dance with Beyer and Carmignola!
Let`s dance with Beyer and Carmignola!

PQP (Repostado por Pleyel em 2025)

Johannes Brahms (1833 – 1897): Música de Câmara com Clarinete – Laura Ruiz Ferreres e Christoph Berner (piano) – Danjulo Ishizaka (violoncelo) – Mandelring Quartet ֎

Johannes Brahms (1833 – 1897): Música de Câmara com Clarinete – Laura Ruiz Ferreres e Christoph Berner (piano) – Danjulo Ishizaka (violoncelo) – Mandelring Quartet ֎

Após compor o Quinteto para Cordas nº 2 em Sol maior, Brahms sinalizou sua intenção de encerrar o expediente. Mas então, em março de 1891, ele ouviu Mühlfeld tocar o Concerto para Clarinete nº 1 de Weber e o Quinteto para Clarinete de Mozart, e sua decisão evaporou.

“Ninguém consegue tocar clarinete com mais beleza do que o Sr. Mühlfeld”, escreveu Brahms a Clara Schumann. “Os clarinetistas de Viena e de muitos outros lugares são bastante bons em orquestra, mas, quando tocam uma peça solo, não proporcionam algum prazer verdadeiro.”

Lá por 1890 Hannes havia deixado a barba crescer e decidido pendurar a pena e as pautas, vestindo então o pijama de compositor. Ele só fazia passear e tomar chá com os amigos e amigas. Num desses passeios até Meiningen ele ouviu um clarinetista interpretar obras de Mozart e Weber e ficou encantado com essas interpretações. O cara chamava-se Richard Bernhard Herrmann Mühlfeld e eles tornaram-se amigos. Ao contrário do genioso e rabugento Johannes, Richard era boa praça e convenceu Brahms a compor música com clarinete. Assim, no verão de 1891, Brahms, Mühlfeld e o Quarteto Joachim (de outro famoso amigo de Hannes) estrearam o Trio para clarinete, violoncelo e piano, assim como o Quinteto para Clarinete.

Richard Mühlfeld

Alguns anos depois, depois de uma série de belíssimas peças curtas para piano, mais uma vez Brahms dedicou seus talentos ao clarinete. Em 1894, passando uns dias em Ischl, compôs as duas sonatas para piano e clarinete, que foram estreadas em caráter privado pelos dois amigos no Palácio de Berchtesgarden. Depois, novamente as tocaram para Clara Schumann, em uma passagem pela casa da famosa pianista. Veja como eram essas visitas, numa descrição feita por uma das suas filhas: A filha Eugenie ficou impressionada como “a casa parecia ter se enchido de vida assim que Brahms pôs os pés nela”. Ele os entreteve com piadas e histórias sobre uma operação que Billroth lhe descrevera, ou contando-lhes sobre as novas peças de Dvořák, ou como Joachim, que dormia como uma pedra quando estavam em turnê juntos, era um péssimo jogador de cartas. Além disso, eles tocaram as sonatas para clarinete com Mühlfeld, Clara virando as páginas, sorrindo.

E eu, que tenho passado por um período imerso em música com clarinete, dei com esse álbum com essas peças compostas por Brahms, obras de câmara com clarinete. Tanto ouvi que ando por aí a assobiar os trechos mesmo sem me dar por isso.

Laurafeliz por aparecer no PQP Bach…

A clarinetista Laura Ruiz Ferreres está perfeita nesse álbum, fazendo jus aos apelidos que Brahms deu ao seu amigo Mühlfeld: Fräulein Klarinette, Meine Prima donna e O Rouxinol da Orquestra. Desde 2010 ela é professora de clarinete da muito respeitada Hochschule für Musik und Darstellenden Kunst em Frankfurt. Sua maneira de tocar o clarinete é imaculada e extraordinariamente expressiva. Nas obras para clarinete de Brahms há uma enorme variedade de dinâmicas e ela as superou sem qualquer imperfeição. Seus pianíssimos são particularmente estonteantes.

Johannes Brahms (1833 – 1897)

 Clarinet Trio in A minor, Op. 114
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Andante grazioso
  4. Allegro
Clarinet Sonata No. 1 in F minor, Op. 120 No. 1
  1. Allegro appassionato
  2. Andante un poco adagio
  3. Allegretto grazioso
  4. Vivace
Clarinet Sonata No. 2 in E flat major, Op. 120 No. 2
  1. Allegro amabile
  2. Allegro, molto appassionato
  3. Andante con moto – Allegro
Clarinet Quintet in B minor, Op. 115
  1. Allegro
  2. Adagio – Più lento
  3. Andantino – Presto non assai, ma con sentimento
  4. Con moto

Laura Ruiz Ferreres, clarinete

Christoph Berner, piano

Danjulo Ishizaka, violoncelo

Mandelring Quartet

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MP3 | 320 KBPS | 229 MB

Hannes e amigos…

It is well-known that Brahms was so impressed by the playing of clarinetist Richard Mühlfeld, the principal clarinetist of the vaunted Meiningen Court Orchestra, that he more or less came out of retirement and wrote four late works (Opp. 114, 115, and Op. 120, Nos. 1 and 2) for him and even appeared as pianist with him playing those that included piano. It is for good reason that these late works are among the most treasured by Brahmsians, partly because of the mellow sound of the clarinet, and partly because of the serene, wise and autumnal nature of the works. They are not probably the most popular works among the general public. But they are jewels of the first rank. And on these two hybrid-SACDs they are given spectacularly musical performances.

This recording of the complete chamber music works for clarinet by Johannes Brahms is presented with first-rate interpreters: Laura Ruiz Ferreres, one of the most gifted clarinettists of her generation, and pianist Christoph Berner.

Internationally renowned cellist Danjulo Ishizaka and the Mandelring Quartet complete the superb line-up of instrumentalists for this recording.

Aproveite!

René Denon

O Senhor Clarinete!

.: interlúdio :. Joe Henderson in Japan (1971) / James Carter Organ Trio – Live From Newport Jazz (2019)

Dois álbuns gravados ao vivo e liderados por saxofonistas estadunidenses. Dois saxofonistas que alternam entre os sons mais brutais, vanguardistas e sons mais amigáveis, embora jamais passando perto da vulgaridade saxofonística que infelizmente também é comum nos EUA.

Ambos os líderes tocaram em uma variedade de formatos e estilos: Joe Henderson junto com pesos-pesados do jazz como Alice Coltrane, Herbie Hancock e McCoy Tyner. James Carter, além de tocar com famosos como o mesmo Hancock, liderou grupos de vários formatos, gravou um Concerto para Saxofone do compositor Roberto Sierra e, mais recentemente, tem se apresentado na formação de trio com órgão hammond e bateria. Neste álbum o repertório todo se baseia em temas do violonista cigano e belga Django Reinhardt, mas nem sempre as melodias de Django são tão perceptíveis assim no meio da reinvenção constante.


Joe Henderson – In Japan
1. ‘Round Midnight (T. Monk, C. Williams)
2. Out ‘N In (J. Henderson)
3. Blue Bossa (K. Dorham)
4. Junk Blues (J. Henderson)

Bass – Kunimitsu Inaba
Drums – Motohiko Hino
Electric Piano – Hideo Ichikawa
Photography By – Katsuji Abe
Tenor Saxophone – Joe Henderson
Recorded in Tokyo, 4 aug. 1971
Remix, Edited By – Rudy Van Gelder

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James Carter Organ Trio – Live from Newport Jazz
1. Le Manoir de mes Reves
2. Melodie au Crepuscule
3. Anouman
4. La Valse des Niglos
5. Pour Que Ma Vie Demeure
6. Fleche d’Or
All composed by Jean “Django” Reinhardt
Tenor, Alto and Soprano Saxophone – James Carter
Organ [Hammond B-3] – Gerard Gibbs
Drums – Alex White
Recorded live at Newport Jazz Festival, Newport, RI, USA, 5 aug. 2018

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Joe Henderson e Pharoah Sanders em 1970

Pleyel

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Trio de cordas, Sexteto e obras para violoncelo e viola (Prazak Quartet e convidados)

Krzysztof Penderecki alcançou renome internacional relativamente jovem com suas obras que exploravam complexas orquestrações de cordas (Hiroshima, 1961) e com coral (São Lucas, 1966; Utrenja, 1971). Depois disso, fez muitas outras coisas boas para coro e para orquestra. Sua obra de câmara, contudo, é menos famosa: não me lembro de jamais ter ouvido ou ver referência aos seus quatro quartetos de cordas (1960, 1968, 1988, 2008), por exemplo.

Mas esse disco traz obras de câmara bastante interessantes e que ilustram uma declaração do compositor em 1993, um tanto exausto com certas obras anteriores de intricada escrita para várias partes: “Hoje (…) vejo meu ideal artístico in claritas.
Me volto para a música de câmara acreditando que mais coisas podem ser ditas suavemente, condensadas no tom de três ou quatro instrumentos, uma escapada para a privacidade musical.”

O Trio para cordas (1991) é realmente uma obra-prima, o Sexteto (2000) me interessou um pouco menos, mas o que me conquistou totalmente neste álbum são as duas peças para violoncelo solo, dedicadas a M. Rostropovich: Per Slava (1986) e Divertimento (1994).

O time de músicos presente aqui mostra intimidade com a música do fim do século XX: o violoncelista Michal Kaňka, o violista Josef Kluson e os outros convidados tocam tudo com muito sentimento, longe daquela concepção da música contemporânea como hiper-cerebral e analítica.

Krzysztof Penderecki (1933-2020):
1-2. Trio de cordas (1990-1991)
3. Cadenza, para viola (1984)
4. Per Slava, para violoncelo (1986)
5-7. Divertimento, para violoncelo (1994)
8-9. Sexteto, para piano, violino, viola, violoncelo, clarinete e trompa (2000)

Músicos do Pražák Quartet e convidados
Gravado em Dijon, 2002 (sexteto) e Praga, 2004 (outras faixas)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – mp3 320kbps

Sou fã do violoncelista tcheco Michal Kaňka

Pleyel

JS Bach (1685 – 1750): Motetos BWV 225 – 230 – Pygmalion & Raphaël Pichon ֎

JS Bach (1685 – 1750): Motetos BWV 225 – 230 – Pygmalion & Raphaël Pichon ֎

De volta para o futuro…

Imagine que você foi acometido de uma amnésia musical, teve todas as lembranças de discos e audições de intérpretes preferidos varridas de sua memória. Suponha também que tudo o que você dispõe para reconstruir (ou construir, uma vez que não ficaram lembranças) seu gosto musical, suas preferências por repertório e intérpretes, são discos recentes, recém lançados ou lançados a não mais do que dois anos… Só as novidades!

Lembram? Pois então, em outra postagem nesta linha – De volta para o futuro – visitamos outra coleção de obras de Bach que consegue alcançar níveis altíssimos, mesmo para os padrões do padroeiro do blog: a coleção dos motetos.

Essas obras maravilhosas são o ápice de um gênero que já era arcaico nos dias de Bach e vinha sendo praticada inclusive por membros de sua família de gerações anteriores.

Mesmo que eu não houvesse ouvido interpretações dessas obras que eu adoro, se ouvisse apenas essa gravação dos motetos de Bach, garanto-vos, apaixonar-me-ia completamente por eles. O disco é espetacular. Há essencialmente duas maneiras de interpretar essas obras – a capela ou coro acompanhado por um grupo de instrumentos do tipo baixo contínuo. Nesta gravação adota-se a segunda opção, com um grupo é de seis instrumentos, incluindo alaúde e teorba.

Além dos seis motetos (atribuídos) a Bach, esta gravação inclui outras quatro peças de compositores bem anteriores a Bach, intercaladas entre os motetos. Dessa forma, os intérpretes seguem uma tradição dos dias de Bach, que intercalava com peças antigas, conhecidas das congregações, as peças mais recentemente compostas. Veja que os motetos têm suas letras em alemão e as outras peças são em latim.

Raphaël Pichon

Os motetos de Bach são bastante diferentes uns dos outros, assim como os Concertos de Brandemburgo. O disco começa e termina com dois dos mais festivos. Lobet den Herrn, alle Heiden começa exortando-nos a louvar o Senhor e Singet dem Herrn ein neus Lied é exatamente o que Bach fez, cantou muitas novas canções para o Senhor. Entre essas duas lindas peças, outros três motetos relativamente curtos: o contrito Komm, Jesu, Komm; aquele que trata do Espírito elevando nossas faltas (Der Geist hilft unser Schwachheit auf); o que eu acho especialmente reconfortante, Fürchte dich nicht, ich bin bei dir – Não tenhas medo, eu estou com você. Além destes três, temos o moteto que afirma: Jesu, meine Freude, o mais longo e possivelmente o mais conhecido.

O coro e orquestra Pygmalion com seu regente Raphaël Pichon já andou aqui pelo blog gravações que poderiam ser consideradas da mesma série: De volta para o futuro! Veja a seguir, se você não percebeu ou se já esqueceu…

Bach (1685 – 1750): Matthäus Passion – Ensemble Pygmalion & Raphaël Pichon ֎

J. S. Bach (1685-1750): Missae Breves, BWV 234 & 235 (Pygmalion)

Neste lançamento, a abertura do disco, a primeira faixa, Lobet den Herrn, alle Heiden, inicia com um tuti: cantores e instrumentistas abrem os trabalhos num acorde felicíssimo. Esse primeiro moteto tem uma parte central mais lenta e termina em grandes aleluias…

A peça que segue é de Vincenzo Bertolusi, uma cantilena em latim, que estabelece o tom do próximo moteto de Bach, o Komm, Jesu, Komm, com as diferentes vozes se alternando, cheio de pausas e mudanças de andamento. E depois o moteto do Espírito, Der Geist hilft unser Schwachheit auf. A obra de Bertolusi é intitulada Osculetur me osculo oris sui (Ele me beijou com o beijo da boca), que certamente vem do Cântico dos Cânticos.

Esses dois lindos motetos são seguidos de uma obra de Hieronimus Praetorius, um canticum sacrum, que os cantores devem ter adorado cantar, pois termina em outra linda série de aleluias, ressoando de uma voz para a outra.

Então temos o moteto que eu particularmente gosto, o Não tenhas medo, seguido de uma peça de Jacobus Gallus, em latim, dizendo: Veja como morrem os justus, ao qual seguirá o enorme Jesu, meine Freude. A propósito, quatro dos motetos foram escritos especialmente para funerais.

Depois do motetão, uma peça da ensolarada Itália, de Veneza, composta por Giovanni Gabrieli, Jubilate Deo, que nos prepara para a última peça do disco, Cante ao Senhor um canto novo! Um programa musical sem defeitos. Mas, se você é mais purista, pode facilmente arranjar para ouvir os seis motetos de Bach sem as outras peças. De qualquer forma, achei o disco altamente viciante.

Essas peças são religiosas, mas mesmo que você não seja assim, tão carola, ou desconfie mais do que crê, não hesite em ouvir o disco, pois a música é boa, ótima mesmo, e o coro vai te colocar para dançar em diversas partes.

 Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

 Lobet den Herrn, alle Heiden, BWV 230
  1. Lobet den Herrn, alle Heiden

Vincenzo Bertolusi (1550 – 1608)

 Promptuarium musicum, Pars Tertia
  1. Osculetur me osculo oris sui

Johann Sebastian Bach

 Komm, Jesu, komm, BWV 229
  1. Komm, Jesu, komm
 Der Geist hilft unser Schwachheit auf, BWV 226
  1. Der Geist hilft unser Schwachheit auf

Hieronimus Praetorius (1560 – 1629)

 Cantiones sacrae de praecipuis festis totius anni
  1. Tulerunt Dominum meum

Johann Sebastian Bach

 Fürchte dich nicht, ich bin bei dir, BWV 228
  1. Fürchte dich nicht, ich bin bei dir

Jacobus Gallus (1550 – 1591)

 Opus musicum
  1. Ecce quomodo moritur justus

Johann Sebastian Bach

Jesu, meine Freude, BWV 227
  1. Jesu, meine Freude
  2. Unter deinen Schirmen
  3. Denn das Gesetz des Geistes
  4. Trotz dem alten Drachen
  5. Ihr aber seid nicht fleischlich
  6. Weg mit allen Schätzen
  7. So aber Christus in euch ist
  8. Gute Nacht, o Wesen
  9. So nun der Geist
  10. Weicht, ihr Trauergeister

Giovanni Gabrieli (1554/57 – 1612)

Symphoniae sacrae I
  1. Jubilate Deo

Johann Sebastian Bach

Singet dem Herrn ein neues Lied, BWV 225
  1. Singet dem Herrn ein neues Lied
  2. Wie sich sein Vater erbarmet
  3. Lobet den Herrn in seinen Taten

Pygmalion

Raphaël Pichon

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MP3 | 320 KBPS | 190 MB

J.S. Bach’s six authenticated motets are perfectly crafted, audacious, and mesmerizingly inventive, fully conveying the emotional and theological import of their text. They also demand extraordinary virtuosity from the singers, a requirement fully met in this new recording.

The recording is first-rate, clear with just enough room ambiance to warm the choral sound and with a well-balanced continuo group. Pichon’s thoughtful introductory notes clearly show his love of this music

A revista inglesa BBC Music Magazine disse: Pichon favours brisk tempos and draws lively and crisply articulated singing from his vocal ensemble. Textures are luminous and transparent, though just occasionally I found phrases a shade too clipped. But these are performances that are fullblooded and generously endowed with illustrative vocal gestures which enhance the text. Indeed, the attention afforded the texts is one of the great virtues of this singing.

Além disso, deu apenas quatro em cinco estrelas para o lançamento. Eu acho que é bairrismo ou mesmo dor-de-cotovelo.

Aproveite!

René Denon

JS Bach (1685 – 1750): Concertos para piano e orquestra BWV 1052 • 1053 • 1054 • 1056 – Amsterdam Sinfonietta & Beatrice Rana ֎

JS Bach (1685 – 1750): Concertos para piano e orquestra BWV 1052 • 1053 • 1054 • 1056 – Amsterdam Sinfonietta & Beatrice Rana ֎

De volta para o futuro…

Imagine que você foi acometido de uma amnésia musical, teve todas as suas lembranças de discos e audições de intérpretes preferidos varridas de sua memória. Suponha também que tudo o que você dispõe para reconstruir (ou construir, uma vez que não ficaram lembranças) seu gosto musical e suas preferências por repertório e intérpretes são discos recentes, recém lançados ou lançados a não mais do que dois anos… Só as novidades!

É claro, é um hipotético exercício, pois que estaremos sempre contaminados pelas nossas lembranças e preferências já estabelecidas, mas gostei de pensar nisso.

O que me levou a considerar essa não tão original ideia foi uma sequência de discos recém lançados, lindos, excelentes, cativantes, viciantes em alguns casos. Estou a ponto de dizer que voltaria a gostar das mesmas músicas que já adoro, a despeito de todas as gravações e lembranças que acumulei nessas muitas décadas de audições. Assim, decidi fazer uma série de postagens desses tais discos ‘novos’ que tem me dado tanto prazer ultimamente e espero que você possa, ao ouvi-los, desfrutar de suas maravilhas e entender em parte essa minha teoria. Ou seja, seria possível em relativo pouco tempo construir uma discoteca que molde um gosto musical parecido com o seu já estabelecido, apenas com ‘novidades’? Ou então, deixe isso tudo para lá e simplesmente desfrute do que realmente importa: a música.

O primeiro desses discos recentes que tenho ouvido e ouvido de novo é esta coleção de magníficos concertos para teclado de João Sebastião Ribeiro, interpretados pela excelente e espantosamente espetacular Beatrice Rana, acompanhada pela Amsterdam Sinfonietta.

O som, assim como tudo mais no disco, é ótimo! Parece que estamos lá, pertinho deles, desfrutando dessa maravilhosa interação entre a solista e a orquestra, refletindo o enorme prazer de produzir música tão boa. Independentemente da longa linha de excelentes intérpretes dessa música, esse disco me faz cair no encanto e me apaixonar por essas obras de novo… E você, o que me diz?

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Keyboard Concerto No. 1 in D minor, BWV1052
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro
Keyboard Concerto No. 2 in E major, BWV1053
  1. I —
  2. Siciliano
  3. Allegro
Keyboard Concerto No. 3 in D major, BWV1054
  1. Adagio e piano sempre
  2. Allegro
Keyboard Concerto No. 5 in F minor, BWV1056
  1. Largo
  2. Presto

Beatrice Rana (piano)

Amsterdam Sinfonietta

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MP3 | 320 KBPS | 108 MB

 

Beatrice achando o sofá do PQP Bach launge um ‘luxo’…

Exploring the myriad possibilities of Bach on the piano, Beatrice Rana engages in intimate and illuminating dialogue with the Amsterdam Sinfonietta in four of the composer’s keyboard concertos. For the New York Times, Rana’s distinction as an interpreter of Bach lies in “preternatural sensitivity, sophistication and control, along with a touch of magic.” She describes the composer as “an important figure in my life … My piano studies began when I was very young and Bach was there from the very start.” […] For Beatrice Rana, part of the genius of Bach’s music lies in the way it “transcends its era and the musical technologies of its time and still feels modern to listeners today.

Explorando as inúmeras possibilidades de Bach no piano, Beatrice Rana se envolve em um diálogo íntimo e esclarecedor com a Amsterdam Sinfonietta em quatro dos concertos para teclado do compositor. Para o New York Times, a distinção de Rana como intérprete de Bach está na “sensibilidade sobrenatural, sofisticação e controle, junto com um toque de magia”. Ela descreve o compositor como “uma figura importante na minha vida… Meus estudos de piano começaram quando eu era muito jovem e Bach estava lá desde o início”. […] Para Beatrice Rana, parte da genialidade da música de Bach está na maneira como ela “transcende sua era e as tecnologias musicais de seu tempo e ainda parece moderna para os ouvintes de hoje”.

https://www.youtube.com/watch?v=9A2YSn_duR4

Beatrice Rana performs the first movement of Bach’s energetic Keyboard Concerto No. 1 in D Minor, BWV 1052. This iconic concerto […] displays, in her own words, “Bach’s unmistakeable personal fingerprint”. Performed with the Amsterdam Sinfonietta, this recording showcases musical intimacy and interaction.

Beatrice Rana executa o primeiro movimento do energético Concerto para Teclado nº 1 em Ré Menor, BWV 1052, de Bach. Este concerto icônico […] exibe, em suas próprias palavras, “a inconfundível impressão digital pessoal de Bach”. Executada com a Amsterdam Sinfonietta, esta gravação mostra intimidade e interação musical.

Aproveite!

René Denon

Se você gostou desta postagem, talvez queira visitar essa aqui:

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Variações Goldberg (Beatrice Rana)

O pessoal do Dept. de Artes do PQP Bach Ed. Co., sempre solicito, mas nem sempre preciso, mandou essa ilustração para a postagem, sei lá por que…

J. S. Bach (1685-1750) / W. F. Bach (1710-1784): Concertos para 2 Cravos (Hantaï / Häkkinen)

J. S. Bach (1685-1750) / W. F. Bach (1710-1784): Concertos para 2 Cravos (Hantaï / Häkkinen)

IM-PER-DÍVEL !!!

Aapo Häkkinen toca junto com ninguém menos que Pierre Hantaï, seu ex-professor, estes Concertos para 2 Cravos de (dos) Bach. Temos 3 Concertos de Papai Bach acompanhado de uma obra raramente tocada, mas muito interessante, de Wilhelm Friedmann Bach. Este último é o concerto para dois cravos (sem orquestra). Duas reconstruções de concertos para cravos do círculo íntimo de Bach são tocadas. O som gravado privilegia os teclados sobre as cordas, com microfones fixados diretamente no corpo de cada cravo. Os cravos soam ricos e ressonantes. Estas são performances admiravelmente livres e fluidas. Ambos os solistas têm um senso aguçado para o rubato e os fraseados eficazes, mas na maioria dos casos isso é tão sutil que você precisa realmente ouvir para descobrir como é feito. As cordas são igualmente vibrantes, com excelente conjunto e belo timbre rico para sustentar os solistas. À primeira audição, o disco pode parecer austero. A escala da instrumentação, embora historicamente justificada, parece muito pequena, um sentimento que é exacerbado pelos microfones muito próximos e pelo som relativamente seco. Mas o nível de musicalidade é excelente e, embora a clareza da textura seja o objetivo principal, o interesse musical nunca esmorece. O CD foi multipremiado. Merecido!

J. S. Bach (1685-1750) / W. F. Bach (1710-1784): Concertos para 2 Cravos (Hantaï / Häkkinen)

Concerto In C Minor, BWV 1060
Composed By – J.S.Bach*
1 Allegro 5:03
2 Largo 4:38
3 Allegro 3:26

Concerto In C Major, BWV 1061
Composed By – J.S.Bach*
4 Allegro 7:02
5 Adagio 4:23
6 Vivace 5:43

Concerto In C Minor, BWV 1062
Composed By – J.S.Bach*
7 Allegro 3:52
8 Andante 5:40
9 Allegro Assai 4:41

Concerto In F Major, Fk 10, For 2 Harpsichords
Composed By – Wilhelm Friedemann Bach
10 Allegro Moderato 8:51
11 Andante 4:43
12 Presto 4:10

Harpsichord – Aapo Häkkinen, Pierre Hantaï
Orchestra – Helsinki Baroque Orchestra

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PQP

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Symphonie nº 101, “Die Uhr”, Symphonie nº 102 (Harnoncourt, Concertgebouw)

Quase concluindo as postagens das últimas sinfonias de Haydn, eis a magnífica Sinfonia de º 101, conhecida como “O Relógio”. Magnífica em diversos aspectos, sua orquestração é riquíssima, e Haydn explora todos os recursos disponíveis da orquestra que tem em mãos. O segundo movimento, um andante, é brilhante em sua concepção, ao tentar reproduzir o andamento e o tique-taque de um relógio. Acompanha a também brilhante sinfonia de nº102.

Harnoncourt, em sua tradicional competência, dá um brilho extra à obra. Sendo descendente dos Habsburgs, talvez tenha se sentido na pele de seus antepassados, que dominaram a Europa durante séculos, e que também financiaram a carreira do próprio Haydn.

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Symphonie nº 101, “Die Uhr”, Symphonie nº 102 (Harnoncourt, Concertgebouw)

1 – Symphonie nº 101 D Dur “Die Uhr” – Adagio – Presto
2 – Symphonie nº 101 D Dur “Die Uhr” – Andante
3 – Symphonie nº 101 D Dur “Die Uhr” – Menuetto – Allegretto – Trio
4 – Symphonie nº 101 D Dur Die “Uhr” – Finale_Vivace

5 – Symphonie nº 102 B Dur – Largo – Vivace
6 – Symphonie nº 102 B Dur – Adagio
7 – Symphonie nº 102 B Dur – Menuetto – Aleretto – Trio
8 – Symphonie nº 102 B Dur – Finale – Presto

Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
Nikolaus Harnoncourt – Dirigent

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Franz Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias 90 e 93 (Brüggen, Orch of the 18th Century)

Bruggen
FDP volta às sinfonias de Haydn. Desta vez, são as sinfonias de nº 90 e de nº93. A interpretação desta vez está a cargo de Franz Brüggen e sua Orchestra of the 18th Century, também especializada em interpretações com instrumentos originais. Enjoy it.

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias 90 e 93 (Brüggen, Orch of the 18th Century)

Symphony nº 90 in C

1 – Adagio – Allegro Assai
2 – Andante
3 – Menuet
4 – Finale (Allegro assai)

Symphony nº 93 in D

1 – Adagio – Allegro assai
2 – Largo cantabile
3 – Menuetto (Allegro)
4 – Finale (Presto ma non troppo)

Orchestre of the 18th Century
Frans Brüggen

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FDP

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias nº 98 e nº 99 (Harnoncourt, Concertgebouw)


Os três colaboradores deste blog já declararam inúmeras vezes sua admiração pelo regente austríaco Nikolaus Harnouncourt (Johann Nicolaus Graf de la Fontaine und d’Harnoncourt-Unverzagt, esse é seu nome completo), por considerá-lo um dos melhores da atualidade. Além de ser extremamente versátil, seja regendo Bach (suas gravações das cantatas são referência), Haydn ou Beethoven, ele sempre consegue a mesma qualidade de interpretação.

Pois bem, teremos a partir desta postagem uma overdose de Harnoncourt. As sinfonias que ainda faltam serem postadas de Haydn estarão sob sua direção, e mais a frente teremos uma outra integral bem famosa, que também estará sob sua direção. Quem viver, verá.

Comecemos, então pelas sinfonias de Haydn, nº98 e de nº99. Harnoncourt estará aqui regendo a Royal Concertgebow Orchestra, com a qual gravou diversas das sinfonias de Haydn, incluindo este ciclo das Sinfonias de Londres.

Uma curiosidade: ele descende de nobres, pois sua mãe era simplesmente neta do Arquiduque Johann de Habsburg. Chique, não acham?

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Sinfonias nº 98 e nº 99 (Harnoncourt, Concertgebouw)

1 – Symphonie nº 98 in B Dur – Adagio – Allegro
2 – Symphonie nº 98 in B Dur – Adagio Cantabile
3 – Symphonie nº 98 in B Dur – Menuetto – Trio
4 – Symphonie nº 98 in B Dur – Finale – Presto

5 – Symphonie n 99 in Es Dur – Adagio – Vivace Assai
6 – Symphonie n 99 in Es Dur – Adagio
7 – Symphonie n 99 in Es Dur – Menuetto – Alleretto – Trio
8 – Symphonie n 99 in Es Dur – Finale – Vivace

Royal Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt – Direktor

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FDP

Radamés Gnattali (1906-1988): Obras completas para piano, violino e violoncelo (Trio Puelli)

Acusado durante grande parte de sua vida de ser um compositor erudito superficial, carregando vícios de sua militância artística na música popular, é hoje reverenciado justamente por essa capacidade de transitar entre esses dois mundos com a naturalidade só possível dvido ao seu profundo conhecimento das duas escritas. (do encarte do disco, por Irineu Franco Perpétuo)

Em 1950, quando Gnattali havia composto apenas metade do repertório deste álbum aqui, um professor da Escola Nacional de Música (aquela perto dos Arcos da Lapa) escrevia que, apesar da harmonia exótica e inventiva, “a música de Radamés Gnattali soa aos nossos ouvidos despida de toda agressividade, saborosa, macia, se assim nos podemos exprimir. É este o segredo dos verdadeiros mestres e o fruto de uma técnica aprofundada e autêntica: [suas obras,] dominadas pelo tino sutil do verdadeiro talento criador, fazem passar despercebidas todas as ousadias” (Luiz Heitor: Música e músicos do Brasil).

Radamés Gnattali (1906-1988):
1- Trio nº1, 1933: Movido
2- Trio nº1, 1933: Calmo
3- Trio nº1, 1933: Mesmo Tempo
4- Trio nº2, 1967: Allegro Moderato
5- Trio nº2, 1967: Tristonho
6- Trio nº2, 1967: Lento-Ritmado
7- Trio nº3, 1984: Allegro Moderato
8- Trio nº3, 1984: Seresta
9- Trio nº3, 1984: Alegre
10- Trio Miniatura, 1940: Alegre
11- Trio Miniatura, 1940: Lento
12- Trio Miniatura, 1940: Vivo
13- Lenda nº2, 1937

Trio Puelli:
Karin Fernandes – piano
Ana de Oliveira – violino
Adriana Holtz – violoncelo

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Radamés & Pixinguinha

Pleyel

Johann Adolf Hasse (1699-1783): Sonatas of the Galant Time (Umbach & Consorten)

Johann Adolf Hasse (1699-1783): Sonatas of the Galant Time (Umbach & Consorten)

Eu desconhecia Hasse. Portanto, foi totalmente inesperado ouvir este baita CD cheio de sonoridades surpreendentes. Fortemente indicado para quem gosta de música barroca!

(Desculpem as poucas frases. É falta de tempo mesmo.)

Johann Adolf Hasse (1699-1783): Sonatas of the Galant Time (Umbach & Consorten)

1. Sonata In G Major (1-4)
2. Sonata In D Major (5-8)
3. Sonata In G Major Op.i, Iv (9-12)
4. Sonata In E Minor Op.5 (13-16)
5. Sonata In G Major Op.5, Iii (17-19)
6. Sonata In A Major Op.5, Ii (20-22)
7. Sonata In D Major Op.i, Vi (23-26)
8. L’amero, Saro Costante

Umbach & Consorten
Elke Martha Umbach, flute
Daniel Rothert, flute
Christian Zinke, viola da gamba
Axel Weidenfeld, gallichon, theorbo
Klaus Westermann, harpsichord, fortepiano

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PQP

.: interlúdio :. Keith Jarrett – 80 anos – The Survivors’ Suite (1977)

.: interlúdio :. Keith Jarrett – 80 anos – The Survivors’ Suite (1977)

Disco gravado em estúdio pelo quarteto americano, na época em que Jarrett tinha também um quarteto com músicos escandinavos. Aqui, mais do que em outros lugares, Keith Jarrett mostra seu ecletismo nas duas faixas que ocupam os lados inteiros do álbum (prática comum nos anos 1970 como o Jack Johnson de Miles Davis, o Köln Concert do próprio Jarrett, LPs do Pink Floyd, Rush, etc), no lado A o piano só entra depois dos oito minutos e no lado B, lá pelos 3 min. Então o que temos, em grande parte do tempo, é Jarrett tocando percussão ou sax soprano, instrumento que ele abandonaria quando mais velho. Muitas ocasiões para o resto da banda brilhar: o sax tenor de Dewey Redman e o baixo de Charlie Haden com sonoridades mais estranhas e atonais (ambos tocaram longos anos com Ornette Coleman antes de Jarrett “roubá-los”) e a bateria/percussão de Paul Motian explorando mais os ritmos hipnóticos e pouco sincopados. Lá para o meio de cada lado, temos também solos de piano característicos de Keith Jarrett, mas a variedade de estilos e de sonoridades garante que a cada 3 ou 4 minutos tudo mude.

Ecletismo é frequentemente um xingamento que pode significar mais ou menos uma falta de compromisso com um ou outro estilo, também falta de originalidade pois, afinal, quem atira para vários lados acaba às vezes soando como outras pessoas, pecado mal visto em nossos tempos tão obcecados por copyright e propriedade privada até das ideias. Por outro lado, a postura eclética frente ao mundo tem defensores de peso: nunca esqueço aquelas palavras de Guimarães Rosa no Grande Sertão. “Bebo água de todo rio… Uma só, para mim é pouca, talvez não me chegue.”

Além dessa crítica implícita à fixidez e à previsibilidade dos que só rezam com um único livro, o que Keith Jarrett faz aqui e em outros momentos de sua carreira é mostrar sua atenção e compromisso em cada momento. Não se tem a sensação de que aqui ele está tocando com o quarteto americano só para cumprir o contrato, o que temos é um grupo de músicos sedentos por novidades e com capacidade e treino suficiente para jogar em várias posições sem fazer feio em nenhuma.

Vamos por outro tipo de metáfora… Eu não vi o Pelé jogar mas vi o Romário. O que este último fazia, se a gente colocar por escrito, pode parecer banal: ficava na banheira, pegava a bola, driblava um, dois no máximo e chutava pro gol. Na prática, ele fazia isso de um jeito único e genial. Keith Jarret às vezes é como Romário, fazendo certas melodias e acordes óbvios soarem cativantes de um jeito inesperado. Mas, ao jogar em várias posições, está mais para Pelé ou, se quiserem, Messi.

A partir de 1987 ele começou a gravar obras de compositores do século XVIII, de início sobretudo J.S. Bach. Isso ganhou dimensões maiores nos anos 90: Variações Goldberg no cravo, Concertos de Mozart e o meu preferido dentre esses seus passeios pelos clássicos pré-românticos: as sonatas de C.P.E. Bach ao piano, gravadas em 1994 e lançadas só em 2023 (aqui).

E nos anos 1980 ele abriu mais uma frente de combate, gravando compositores do século XX como Dmitri Shostakovich, Alan Hovhaness e Arvo Pärt. Importante lembrar que Pärt era bem menos famoso na época do que é hoje.

Ao mesmo tempo, Jarrett continuou fazendo recitais de piano solo improvisado… aliás, se ele fosse do tipo que se especializa em uma coisa só, poderia ficar fazendo turnês comemorativas do Köln Concert (1975) que, com milhões de cópias vendidas, é não apenas o grande sucesso comercial de Jarrett mas também o disco de piano solo mais vendido de todos os tempos. O diretor de um documentário sobre o álbum diz que Jarrett não quis dar entrevistas sobre o álbum gravado em Köln (Colônia, na Alemanha):

“Deve ser irritante para um grande músico ser frequentemente questionado sobre aquele concerto específico de décadas atrás” diz (aqui) Vincent Duceau, diretor de Lost in Köln, que compara ainda com um grande pintor que só recebe perguntas sobre um detalhe de um único quadro.

O fato é: Jarrett continuou fazendo concertos solo e lançando discos que registram alguns deles. O meu favorito é La Scala, de 1995, totalmente diferente de Köln e com momentos de graves profundos que talvez tenham certa influência do Concerto de Hovhaness que ele tinha gravado anos antes.

Keith Jarrett – The Survivors’ Suite
1. Beginning [Lado A do LP]
2. Conclusion [Lado B do LP]
American Quartet:
Keith Jarrett – piano, sax soprano, flauta doce baixo, celeste, percussão
Dewey Redman – sax tenor, percussão
Charlie Haden – contrabaixo
Paul Motian – bateria, percussão
Gravado em Ludwigsburg, Alemanha, abril de 1976

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Nós te amamos, Keith Jarrett

Pleyel

.:interlúdio:. Keith Jarrett — 80 anos HOJE: The Köln Concert

.:interlúdio:. Keith Jarrett — 80 anos HOJE: The Köln Concert

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Com inteira justiça, o pianista, cravista e organista Keith Jarrett é conhecidíssimo e famosíssimo. Este The Köln Concert é um de seus grandes momentos — talvez o maior deles. Jarrett começou sua carreira no jazz com Art Blakey e Miles Davis. Depois foi contratado como grande estrela da ECM, criou dois quartetos, um americano e outro escandinavo, gravou montes de concertos solo, criou um trio com Gary Peacock e Jack DeJohnette, fez esplêndidas duplas com meio mundo, virou pianista e cravista erudito, gravou O Cravo Bem Temperado, os 24 Prelúdios e Fugas de Shostakovich e também Mozart, Barber, Handel, Pärt, etc., sempre com notáveis resultados artísticos. Creio ter intuído a futura carreira erudita do moço quando ouvi um solo dilacerante de Nude Ants (1979) e vaticinei que ele queria mesmo era tocar Bach. Bem, sei lá se ele já estava tocando clássicos em 79. Bom, mas o que interessa é que The Köln Concert é um trabalho fundamental, principalmente o solo inicial de 26 minutos que contém uma súmula do que é capaz Mr. Jarrett.

Detalhando, The Köln Concert é uma gravação de um concerto ao vivo com improvisações para solo de piano executadas por Keith Jarrett na Ópera de Colônia no dia 24 de janeiro de 1975. O álbum em vinil duplo foi lançado em 1975 pela ECM e tornou-se o álbum solo mais vendido da história do jazz e o álbum de piano mais vendido, com mais de 3,5 milhões cópias comercializadas. Não pouca coisa e é justo que assim tenha sido.

O show foi organizado por Vera Brandes, de 17 anos, então a mais jovem promotora de shows da Alemanha. A pedido de Jarrett, Brandes selecionou um piano de cauda Bösendorfer 290 Imperial. No entanto, houve uma confusão por parte da equipe da Ópera e, em vez disso, eles pegaram outro Bösendorfer nos bastidores — um muito menor — e, presumindo que este fosse o solicitado, colocaram-no no palco. O erro foi descoberto tarde demais para que o Bösendorfer correto fosse colocado no local do show a tempo do concerto da noite. O piano que eles trouxeram era destinado apenas para ensaios e estava em más condições e exigia várias horas de afinação e ajuste para torná-lo tocável. O instrumento era pequeno e pouco agudo nos registros superiores e fraco nos registros graves. Os pedais também não funcionavam bem. Consequentemente, Jarrett frequentemente usou ostinatos e figuras rítmicas da mão esquerda durante sua apresentação para dar o efeito de notas de baixo mais fortes e concentrou sua execução na parte central do teclado. O produtor da ECM Records, Manfred Eicher, disse mais tarde: “Provavelmente Jarrett tocou do jeito que tocou porque não era um bom piano. Como ele não conseguia se apaixonar por seu som, ele encontrou outra maneira de tirar o máximo proveito isto.”

Jarrett chegou à Ópera no final da tarde, cansado após uma longa viagem exaustiva desde Zurique, na Suíça, onde havia se apresentado alguns dias antes. Ele não dormia bem havia várias noites, sentia dores nas costas e precisava de um aparelho ortodôntico. Depois de experimentar o piano e saber que o instrumento substituto não estava disponível, Jarrett quase se recusou a tocar e Brandes teve que convencê-lo a tocar, pois o show estava programado para começar em apenas algumas horas. Além disso, Brandes tinha reservado uma mesa em um restaurante italiano local para Jarrett jantar, mas uma confusão da equipe causou um atraso na refeição que estava sendo servida e ele só conseguiu beber alguns goles de água antes de ir para o concerto. Parecia que tudo ia dar errado e, no final das contas, Jarrett decidiu tocar principalmente porque o equipamento de gravação já estava configurado.

O concerto começou às 23h30. O horário tardio era o único que a administração colocara à disposição da jovem Brandes para um concerto de jazz — o primeiro na Ópera de Köln. O show lotou, com mais de 1.400 pessoas pagaram 4 marcos por cada ingresso. E vocês sabem o que é aquilo que ele faz com a mão esquerda logo no começo da música? Aqueles 4 toques meio solenes? Pois é, ele inicia imitando as badaladas do sino que abre a cortina da Oper Haus em Köln, que são inspiradas no toque dos sinos da Catedral de Colônia. Digo a vocês que, apesar dos obstáculos, a atuação de Jarrett foi… Bem, ouçam: É OBRIGATÓRIO.

Jarrett trouxe calma e lirismo à improvisação livre. Nada neste programa foi preparado antes que ele se sentasse para tocar. Todos os gestos e harmonias intrincadas, as linhas melódicas, os gritos e suspiros do homem, tudo é espontâneo. Embora tenha sido um concerto contínuo, a peça foi dividida em quatro seções porque teve que ser dividida para formar os quatro lados um LP duplo.

Pois bem, a partir do momento em que Jarrett dá seus acordes iniciais e começa a meditar sobre as harmonias, construindo figuras melódicas, combinações de glissandos e temas em ostinato, a música mudou. Para alguns ouvintes, mudou para sempre naquele momento. O som íntimo de Jarrett envolveu os ouvintes em sua busca por beleza e significado.

A genialidade de Keith Jarrett é demonstrada não apenas por seu claro domínio da tradição do jazz, mas também em como ele se desvia dela. A gravação de The Köln Concert demonstra a indefinição de fronteiras de gênero usando temas hipnóticos e improvisações sem fim, criando uma experiência quase religiosa para o ouvinte. Apesar de receber críticas desfavoráveis de alguns fãs de jazz mais conservadores, este álbum é certamente um testemunho do notável senso de improvisação, composição e espontaneidade de Jarrett.

Ainda me lembro do meu primeiro encontro com The Köln Concert. Eu tinha uns 20 anos e estava vasculhando as caixas de jazz e eruditos da extinta King`s Discos aqui em Porto Alegre. O Júlio, lendário atendente da loja, colocou um disco para tocar. Quando as notas de abertura começaram a serem ouvidas, pude sentir imediatamente a mudança no ambiente da loja. Os clientes ergueram os olhos e gradualmente concentraram sua atenção na música que saía dos alto-falantes. Então, algo inesperado aconteceu. Um cliente foi até o Júlio para perguntar o que era aquilo. E adquiriu o vinil duplo. Logo um segundo cliente fez o mesmo. O terceiro fui eu. Imaginem meu desespero se acabasse!

Eu ouvia muito jazz, mas o verdadeiro mistério era o motivo pelo qual os outros clientes, que estavam olhando discos de rock e pop, estavam comprando Jarrett. Uma coisa ficou logo muito clara: aquilo não soava como qualquer outra coisa no mundo da música dos meados dos anos 70. Mesmo quando comparado aos álbuns de jazz, o novo som de Jarrett era diferente. Nos anos 70, o jazz estava fazendo coisas pouco acústicas. Chick Corea e Herbie Hancock, por exemplo, estavam com os dois pés no piano elétrico e as bandas fusion pululavam.

The Köln Concert era o oposto. Jarrett não apenas tocava um piano de cauda (cada vez mais conhecido como piano acústico, naquela conjuntura, para diferenciá-lo dos teclados elétricos), mas também com um grau de sensibilidade e nuance que você não encontraria em outro lugar na música comercial. Ele até arrisca certo sentimentalismo, uma franqueza emocional que muitos artistas de jazz teriam se envergonhado de imitar — especialmente em meados dos anos 70, quando a ironia estava em ascensão como atitude cultural.

No entanto, nos meses seguintes, assisti com espanto ao The Köln Concert entrar na cultura mainstream, alcançando um público que eu poderia ter considerado imune ao apelo de um piano.

E Jarrett fez isso violando quase todas as regras da música comercial. As faixas do The Köln Concert eram longas improvisações de fluxo livre gravadas ao vivo em um recital na Alemanha. Elas careciam de estrutura. Pior ainda, eles eram longas demais para serem tocadas nas rádios. A abertura tinha 26 minutos de duração, e as próximas duas faixas tinham 15 e 18 minutos de duração. Apenas o bis de 7 minutos seguiu algo semelhante a uma forma de música divulgável, mas mesmo isso parecia um mundo à parte dos singles de sucesso do dia. Como tornou-se um tremendo sucesso?

Você pode pensar que os amantes do jazz aceitariam facilmente a música. Mas mesmo eles ficaram céticos. The Köln Concert evitava as síncopes e os sotaques familiares que permeavam os outros álbuns de jazz. Muita gente dizia que o disco não soava muito a jazz.

No entanto, de alguma forma Jarrett contornou tudo isso e conseguiu se tornar um sucesso através do método mais antigo de todos, o boca a boca, o contato pessoal com amigos que possuíam o disco. As vendas enormes nem sempre são recebidas com entusiasmo na comunidade do jazz e uma reação foi inevitável. A franqueza emocional da música e seu melodismo descarado deixaram o álbum especialmente exposto à crítica daqueles que sentiam que a forma de arte do jazz exigia algo mais abrasivo. Quando a horrorosa New Age floresceu alguns anos depois, houve inúmeros imitadores de menor talento imitando (e diluindo) a visão estética das improvisações de Köln e talvez até o próprio Jarrett se perguntasse “o que fiz?”.

Eu entendo as críticas dos jazzistas conservadores, mas não concordo com elas. Jarrett fez algo novo (e honesto) naquela noite. Ele criou um trabalho visionário que ainda chama a atenção dos ouvintes de primeira viagem hoje — da mesma forma do que naquele dia em meados dos anos 70, quando o ouvi pela primeira vez em uma loja de discos. A música se manteve, era na verdade muito melhor do que muitos dos projetos carregados de pose e que pareciam muito mais progressivos na época.

Claro, a maioria do público que descobriu Keith Jarrett com The Köln Concert nunca abraçou o resto de sua obra. Eu teria ficado encantado em ver Facing You ou o Concerto de Bremen ou os álbuns dos quartetos de Jarrett do período — e os de outros artistas de jazz merecedores — também encontrarem o grande público. Dessa perspectiva, a promessa de Köln nunca foi cumprida. Mas não podemos culpar Jarrett por isto. E ele certamente também não pode ser culpado por seus imitadores banais, ou repreendido por suas vendas. De sua parte, ele não almejava um disco de sucesso e, ao contrário de muitos de seus contemporâneos na cena do jazz, nunca fez a menor tentativa de impor uma tendência ou mesmo abraçar as fórmulas aceitas de discos comerciais. Além disso, nunca tentou recriar o ambiente especial daquela apresentação. Ele viu aquele dia como um evento único. Simplesmente confiou em sua música, em seu talento, e corajosamente se lançou. E, afinal, não é disso que trata o jazz?

Keith Jarret – The Köln Concert

1. Köln, January 24, 1975, Part I 26:01
2. Köln, January 24, 1975, Part IIA 14:54
3. Köln, January 24, 1975, Part IIB 18:14
4. Köln, January 24, 1975, Part IIC 6:56

Keith Jarrett, piano

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Keith Jarrett durante The Köln Concert

PQP

.: interludio .: Keith Jarrett – Yesterdays – Gary Peacock, Jack DeJohnette

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Interessante o nome desse CD, “Yesterdays”, assim mesmo, no plural. Acho que coloquialmente alguém fala de repente em ‘ontens’, no sentido de que nossa vida passada na verdade foram outras vidas, outras realidades, outras alternativas, outros rumos oferecidos, que optamos em não seguir.

E é neste sentido que resolvi escrever este texto em homenagem aos 80 anos de um de meus maiores ídolos, o imenso Keith Jarrett, que de certa forma me ajudou a escolher meus caminhos, me orientou a fazer minhas escolhas. Somos o que escolhemos ser, tivemos alternativas se abrindo à nossa frente, e se estou neste quarto de um pequeno apartamento em uma cidade do interior do país, muito se deve a este gigante dos teclados, que me inspirou na juventude a ser o ‘fora do padrão’, por assim dizer,  e explico. Em nossos vinte e poucos anos de vida não sabemos de nada, procuramos nosso rumo. Alguns se inspiram em seus pais (muitos de meus amigos filhos de médicos e advogados se tornaram médicos e advogados), outros procuram trilhar outros caminhos, procurar outras possibilidades, em todos os sentidos, inclusive quando se trata de nossas sensibilidades e gostos musicais. Ouço fulano pois todos os meus amigos ouvem, não ouço rock pois não sei o que estão cantando, enfim, foi ignorando estes comentários que fui aos poucos tomando um  rumo, que me levou a este imenso mundo do Jazz e da música clássica. Um dia me caiu em mãos o “Nude Ants”, e o resto é história. Ouvi, reouvi, analisei, suspirei, gritei, assim como este pianista que geme, chora, suspira, grita em seus solos. Poucos músicos se envolvem e se entregam tanto quando estão tocando. E então entendi que aquele ali era o meu destino.

Citando uma velha canção do Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. E foi ouvindo Keith Jarrett e seus fiéis escudeiros, Peacock e DeJohnette, ou mesmo Jarrett em seus discos solos, que entendi o significado desta frase tão forte e intensa.

Mestre Keith Jarrett está completando 80 anos. E que venham mais 80 … sua contribuição para o bem da humanidade está aí, registrado em suas gravações, em seus discos, CDs, plataformas de streaming, e a minha velha edição do “Nude Ants” está guardada ali entre os meus LPs, há mais de quarenta anos. E ali vai ficar, pois sempre volto a ele. É um porto seguro para os momentos de maior angústia e tensão.

01-Strollin’
02-You Took Advantage Of Me
03-Yesterdays
04-Shaw’nuff
05-You’ve Changed
06-Scrapple from the Apple
07-A Sleepin’ Bee
08-Smoke Gets in Your Eyes
09-Stella by Starlight

Keith Jarrett – Piano
Gary Peacock – Double Bass
Jack DeJohnette – Drums

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Shostakovich: 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87 – Keith Jarrett

41Bb7A8f5DLPOSTADO POR PQP BACH EM 17/1/2012, REVALIDADO POR VASSILY EM 2015 e 2025

Concordo com o patrão PQP: esta é a melhor gravação disponível da obra-prima pianística do século XX. Apesar de Tatiana Nikolayeva ter sido a inspiradora, consultora e intérprete da première da obra de Shostakovich, a verve e a clareza de Jarrett soam-me como o padrão-ouro.

Questão de opinião, claro, até porque o páreo é duro e nele não precisamos de vencedores.

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 17/1/2012

Pois, meus filhos, vou lhes dizer uma coisa. Penso que Keith Jarrett realizou a melhor gravação dos 24 Prelúdios e Fugas de Shostakovich. O blog oferece ou ofereceu versões de Konstantin Scherbakov, Tatiana Nikolayeva e Vladimir Ashkenazy. A única que se segura ao lado da de Jarrett é a de Nikolayeva, esqueça as outras. Como nos outros posts dedicados a esta obra já colocamos longas análises a respeito, utiizo desta vez uma pequena e bela apresentação encontrada aqui.

Esta coleção é certamente a obra mais importante da produção pianística de Shostakovich. As peças foram compostas logo depois de sua visita a Leipzig por ocasião das solenidades do segundo centenário da morte de J. S. Bach, e, como tais, representam sua homenagem ao autor do Cravo bem-temperado. O que originalmente fora pensado como uma simples série de exercícios polifônicos acabou por tornar-se uma obra em grande escala, plenamente desenvolvida, na qual os gêneros pianísticos mais díspares são admiravelmente integrados em um painel coerente. A diversidade de estilos e técnicas aproxima-se às vezes do pastiche, mas a coleção é notável como ponto de consolidação das anteriores vertentes composicionais do autor, e a música, por certo, é Shostakovich em sua melhor forma, com aquela peculiar mistura de verve e pathos da qual deriva sua perene fascinação.

Shostakovich: 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87
Keith Jarrett, piano

Disco 1

1. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 1 In C Major
2. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 2 In A Minor
3. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 3 In G Major
4. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 4 In E Minor
5. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 5 In D Major
6. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 6 In B Minor
7. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 7 In A Major
8. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 8 In F Sharp Minor
9. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 9 In E Major
10. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 10 In C Sharp Minor
11. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 11 In B Major
12. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No. 12 In G Sharp Minor

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Disco 2

1. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.13 In F Sharp Major
2. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.14 In E Flat Minor
3. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.15 In D Flat Major
4. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.16 In B Flat Minor
5. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.17 In A Flat Major
6. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.18 In F Minor
7. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.19 In E Flat Major
8. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.20 In C Minor
9. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.21 In B Flat Major
10. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.22 In G Minor
11. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.23 In F Major
12. Preludes And Fugues Op. 87: Prelude And Fugue No.24 In D Minor

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PQP

[Links revalidados por Vassily em homenagem aos 80 anos do MESTRE Keith]

Não podemos dizer que Jarrett tenha uma postura convencional quando toca

.: interlúdio :. Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette: Standards, Vol. 1 e 2

.: interlúdio :. Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette: Standards, Vol. 1 e 2

Então vocês pensavam que iam ficar livres de fazer downloads? Nada disso! Recebemos o golpe do MegaUpload, perdemos muitos links de uma só vez e seguimos. Já sei que receberemos muitos pedidos de revalidações de links, essas coisas. Bem, digo com todo o respeito, fodam-se. Se você não comprou aquele HD externo e guardou tudo, só lamento. Por sorte, as minhas postagens permanecem pelo fato de eu usar sempre o detestado, bom e velho Rapidshare. Pura sorte, pois não creio que a Suíça seja menos subserviente aos EUA do que a Nova Zelândia. Ah, já leram isso?

Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette. Não preciso apresentar ninguém. O CD começa com uma faixa chamada Meaning of the Blues… Olha, numa boa, I Felt in Love Too Easily.

Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette: Standards, Vol. 1 e 2

CD 1

1. Meaning of the Blues
2. All the Things You Are
3. It Never Entered My Mind
4. The Masquerade Is Over
5. God Bless the Child

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CD 2

1. So Tender
2. Moon and Sand
3. In Love in Vain
4. Never Let Me Go
5. If I Should Lose You
6. I Fall in Love Too Easily

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Keith Jarrett, piano
Gary Peacock, baixo
Jack DeJohnette, bateria

Jarrett regendo com as sobrancelhas.

Jarrett regendo com as sobrancelhas.PQP

.: interlúdio :. Keith Jarrett Quartet: Belonging

.: interlúdio :. Keith Jarrett Quartet: Belonging

Do começo ao fim, somos brindados com uma mistura de humores neste primeiro trabalho de Keith Jarrett e seu quarteto escandinavo. Astuto e consistente, Belonging traz cada músico em ótima forma. Todos têm seu momento de destaque. O trabalho de Jarrett é, claro, soberbo do começo ao fim, mas é a energia subjacente à sua execução que realmente parece impulsionar as coisas. O álbum é ziguezagueante, indo habilmente do abandono de balançar a cabeça para a escuridão pesada. As baladas constituem as passagens mais longas de Belonging. Na maior parte, sax e piano são unificados, como se estivessem caminhando em ambos os lados da mesma rua, embora às vezes pareçam olhar em direções opostas, como se estivessem envolvidos em um longo debate, inseguros se a reconciliação pode ser alcançada no meio de tanta conversa.

.: interlúdio :. Keith Jarrett Quartet: Belonging

A1 Spiral Dance 4:08
A2 Blossom 12:18
A3 ‘Long As You Know You’re Living Yours 6:11
B1 Belonging 2:12
B2 The Windup 8:26
B3 Solstice 13:15

Bass – Palle Danielsson
Drums – Jon Christensen
Piano, Composed By – Keith Jarrett
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – Jan Garbarek

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O Quarteto Nórdico ou Escandinavo

PQP

G. F. Handel (1685-1759): Suites for Keyboard (Keith Jarrett)

G. F. Handel (1685-1759): Suites for Keyboard (Keith Jarrett)
Version 1.0.0

Mais uma excelente gravação de Keith Jarrett no terreno da música erudita. Diferentemente do que fez com Bach, aqui Keith utiliza o piano em vez do cravo. Sem problemas. A gravação de Jarrett destas sete suites de Handel é deliciosa. Sempre a serviço do compositor, ele é consistentemente lírico, nunca é apressado ou agitado, sempre tem algo quente e rico a dizer. Cada suíte tem personalidade própria e Jarrett trata de impregná-las com profundidade e humanidade diversas. Estão notáveis o prelúdio da Suite 1, No. 1 (HWV 426), a pureza da allemande que a segue assim como a melancolia da courante. E o que dizer do adágio de abertura da Suite 1, No. 2 (HWV 427) e da peculiar beleza que Jarrett dá ao prelúdio-fuga da Suite 1, No. 8 (HWV 433)?

Baixa logo, meu.

G. F. Handel (1685-1759): Suites for Keyboard (Keith Jarrett)

1. Suite in G minor, HWV 452 – 1. Allemande 2:47
2. Suite in G minor, HWV 452 – 2. Courante 3:00
3. Suite in G minor, HWV 452 – 3. Sarabande 2:15
4. Suite in G minor, HWV 452 – 4. Gigue 1:21

5. Suite No.15 in D minor for Harpsichord, HWV 447 – 1. Allemande 2:06
6. Suite No.15 in D minor for Harpsichord, HWV 447 – 2. Courante 2:31
7. Suite No.15 in D minor for Harpsichord, HWV 447 – 3. Sarabande 1:51
8. Suite No.15 in D minor for Harpsichord, HWV 447 – 4. Gigue 1:05

9. Harpsichord Suite Set II No.7 in B flat major, HWV 440 – 1. Allemande 2:00
10. Harpsichord Suite Set II No.7 in B flat major, HWV 440 – 2. Courante 2:05
11. Harpsichord Suite Set II No.7 in B flat major, HWV 440 – 3. Sarabande 2:38
12. Harpsichord Suite Set II No.7 in B flat major, HWV 440 – 4. Gigue 1:22

13. Harpsichord Suite Set I No.8 in F minor, HWV 433 – 1. Prélude – Fuga 5:03
14. Harpsichord Suite Set I No.8 in F minor, HWV 433 – 2. Allemande 2:54
15. Harpsichord Suite Set I No.8 in F minor, HWV 433 – 3. Courante 2:39
16. Harpsichord Suite Set I No.8 in F minor, HWV 433 – 4. Gigue 2:09

17. Harpsichord Suite Set I No.2 in F major, HWV 427 – 1. Adagio 2:45
18. Harpsichord Suite Set I No.2 in F major, HWV 427 – 2. Allegro 2:48
19. Harpsichord Suite Set I No.2 in F major, HWV 427 – 3. Adagio 1:46
20. Harpsichord Suite Set I No.2 in F major, HWV 427 – 4. Allegro 2:00

21. Harpsichord Suite Set I No.4 in E minor, HWV 429 – 1. Fuga 3:37
22. Harpsichord Suite Set I No.4 in E minor, HWV 429 – 2. Allemande 2:07
23. Harpsichord Suite Set I No.4 in E minor, HWV 429 – 3. Courante 2:53
24. Harpsichord Suite Set I No.4 in E minor, HWV 429 – 4. Sarabande 3:23
25. Harpsichord Suite Set I No.4 in E minor, HWV 429 – 5. Gigue 1:52

26. Harpsichord Suite Set I No.1 in A major, HWV 426 – 1. Prelude 2:31
27. Harpsichord Suite Set I No.1 in A major, HWV 426 – 2. Allemande 3:29
28. Harpsichord Suite Set I No.1 in A major, HWV 426 – 3. Courante 3:13
29. Harpsichord Suite Set I No.1 in A major, HWV 426 – 4. Gigue 3:15

Keith Jarrett, piano

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PQP

.:interlúdio:. Keith Jarrett: La Scala

.:interlúdio:. Keith Jarrett: La Scala

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Apresento este belíssimo CD de Keith Jarrett. Trata-se de um concerto solo gravado teatro La Scala em 1995 que difere um pouco de outros que Jarrett gravou antes e depois. Há uma Parte I de 45 minutos de uma improvisação lenta e triste, belíssima. FDP me disse que é apaixonado por este trabalho. A Parte II é mais moderninha e também excelente. A surpresa fica para uma interpretação de Over the Rainbow ao final. Ficou bonito.

Keith Jarrett – La Scala

1. La Scala – Part I
2. La Scala – Part II
3. Over the Rainbow (Arlen, Harburg)

Keith Jarrett, piano

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Bora pra lá, gente!
Bora pra lá, gente!

PQP

.: interlúdio :. Keith Jarrett: No End (2013)

.: interlúdio :. Keith Jarrett: No End (2013)

Certamente, este No End concorre ao prêmio de CD de Jazz Mais Chato de Todos os Tempos ou, pelo menos, ao de Disco Mais Chato de Jarrett. Nele, em gravação de estúdio realizada em 1986, Keith Jarrett toca tudo — guitarra, baixo, percussão, tablas, o diabo — , até piano em alguns poucos momentos. O resultado é algo sem graça e indirecional: não sabe bem de onde ele saiu nem onde quer chegar com suas improvisações quase sem temas, só de climinhas pseudo-exóticos. Há momentos legais em meio à maior diluição, mas a coisa simplesmente não para em pé. Ouçam e me digam o que acharam.

Keith Jarrett — No End (2013)

Disc: 1
1. I
2. II
3. III
4. IV
5. V
6. VI
7. VII
8. VIII
9. IX
10. X

Disc: 2
1. XI
2. XII
3. XIII
4. XIV
5. XV
6. XVI
7. XVII
8. XVIII
9. XIX
10. XX

Keith Jarrett: electric guitars, fender bass, drums, tablas, percussion, voice, recorder, piano.

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Desculpe, Jarrett, mas este CD é muito ruim.
Desculpe, Jarrett, mas este CD é muito ruim.

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Johannes Brahms (1833-1897): Lieder & Duette (Kaufmann, Schmiege, Sulzen)

Johannes Brahms (1833-1897): Lieder & Duette (Kaufmann, Schmiege, Sulzen)
Version 1.0.0

Um CD agradabilíssimo e diferente. Sempre relacionamos Brahms à densidade e ao rigor formal, porém aqui não há nada disso. É uma música de sarau, não tão simplesinha assim e boa de se ouvir nas noites em que estamos trabalhando em casa ou conversando com poucos amigos. Saibam que as faixas 1, 26 e algumas outras pararão a conversa ou interromperão nosso trabalho para que digamos ou pensemos: que coisa linda isso!

As cantoras Julie Kaufmann e Marilyn Schmiege possuem perfeito senso de estilo e adaptam-se a cada canção dando a ela personalidade própria. Um maravilhoso CD da Orfeu que merece ser comprado por sua música e pelo excelente encarte com todas as letras. A relação de duetos e lieder é interminável e isto não é uma reclamação, imagine!

Johannes Brahms (1833-1897): Lieder & Duette (Kaufmann, Schmiege, Sulzen)

1. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
2. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
3. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
4. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
5. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
6. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
7. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
8. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
9. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
10. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
11. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
12. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
13. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
14. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
15. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
16. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
17. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
18. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
19. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
20. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
21. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
22. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
23. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
24. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
25. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
26. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 5 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
27. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
28. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
29. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
30. Duette aus: Balladen und Romanzen op. 75 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
31. Duette aus: Balladen und Romanzen op. 75 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege

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Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Sonatas para Piano, Op. 81, 106 e 20 (Hough)

Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Sonatas para Piano, Op. 81, 106 e 20 (Hough)
Version 1.0.0

Imaginem um mundo ainda pior do que o nosso, um mundo onde Haydn (1732), Mozart (1756) e Beethoven (1770) tivessem sucumbido à alta mortalidade infantil de suas épocas. Bem, neste caso, Hummel seria muito famoso. OK, você, que é inteligente, dirá que se o trio fundamental acima não tivesse produzido nada, o Hummel que ouvimos seria outro, pois ele foi formado por Haydn e Mozart e foi contemporâneo de Beethoven. Concordo e peço que não levem tão a sério minha ficção. O que desejo dizer é que Hummel é um sub-Beethoven que não merece o pouco caso que nossa época dá a ele. Tudo porque ele é MUITO BOM. Estas sonatas para piano gravadas por Stephen Hough para a sensacional Hyperion deveriam fazer parte do repertório usual de pianistas que tocam obras do período clássico. Peço a vocês que confiram. Se as sonatas de Hummel não superam as de Mozart e Beethoven, deixam longe as de Haydn e as de quase todos os compositores do período. Ah, não acreditam? Então ouçam. BAITA CD.

Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Sonatas para Piano, Op. 81, 106 e 20 (Hough)

Piano Sonata in F sharp minor, Op 81
1. Allegro
2. Largo Con Molt’espressione
3. Vivace

Piano Sonata in D major, Op 106
4. Allegro Moderato, Ma Risoluto
5. Un Scherzo All’antico: Allegro, Ma Non Troppo
6. Larghetto A Capriccio
7. Allegro Vivace

Piano Sonata in F minor, Op 20
8. Allegro Moderato
9. Adagio Maestoso
10. Presto

Stephen Hough

Stephen Hough é um tremendo pianista que, dentre outros, especializou-se em Hummel

, piano

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