No final da década de 90 tive a oportunidade de conhecer um grande amigo, que chamarei aqui de Victor, uma grande figura, e com o qual mantenho contato até hoje, apesar da distância. Trabalhamos juntos como bolsistas dentro de uma Universidade Pública. Ele já era formado em Ciências Sociais, mas como tinha grande conhecimento na área de informática, trabalhava em projetos de pesquisa com alguns professores, e eu ainda fazia, aos trancos e barrancos, minha graduação em História. Tivemos então a oportunidade de trabalharmos no mesmo andar. E como não poderia deixar de ser diferente, nossos gostos semelhantes em matéria de música nos aproximaram ainda mais. Após o expediente de trabalho, nos dias em que eu não tinha aula, ia na sala de trabalho dele ouvir Jazz. Eram os primórdios do MP3, e nos aproveitávamos da estrutura de rede da Universidade para baixarmos zetabites de música. O acervo que ele já havia formado naqueles dois anos como bolsista já passava dos mil cds. Foi ele quem me apresentou músicos como Allan Holdsworth, Victor Wooten, Denis Chambers, entre dezenas de outros, ou seja, sua grande paixão era mesmo o Fusion.
Enfim, para não me alongar muito, um belo dia ele botou para tocar um CD do Herbie Hancock, intitulado “Quartett”. ‘Que catzo é isso, meu caro?’, perguntei, assim que começaram os primeiros acordes. Então ele me passou o CD, e fiquei olhando estupefato aquela capa. Pensei comigo mesmo naquele momento: “provavelmente este é o melhor disco de Jazz que já ouvi na minha vida”. No dia seguinte, levei o ‘V.S.O.P’ para compararmos. O mesmo trio, Hancock, Williams, Carter, que durante os anos sessenta haviam feito parte da melhor banda que Miles Davis já havia formado. Acrescente a eles o genial trompetista Freddie Hubbard e a lenda do sax Wayne Shorter, então os senhores terão o “V.S.O.P.”. Só isso.
Claro, existe o ‘Kind of Blue’, do próprio Miles Davis, e o “Ah Hum” do Mingus entre outros na parada dos melhores CDs da história do Jazz, mas não temo em colocar na lista esse assombro de criatividade, versatilidade e virtuosismo que são tanto o “V.S.O.P.” quanto o “Quartett”, e este, para nosso deleite maior, ainda traz o jovem Winton Marsalis botando para quebrar e arrasando tudo o que vem pela frente.
Estes dois CDs já apareceram aqui no PQPBach em outra ocasião, mas resolvi reuni-los em uma única postagem para celebrar este dia em que estou preparando esta postagem, dia 17 de novembro, quando a lenda do piano chamada Herbie Hancock estará mais uma vez se apresentando no Brasil. Parabéns para os sortudos que poderão assistir a este Show. Infelizmente não poderei ir. Já estou me lamentando há dias, mas a vida tem destas coisas.
V.S.O.P.
One of a Kind
Third Plane
Jessica
Lawra
Darts
Dolores
Little Waltz
Bydlike
Herbie Hancock – Piano
Freedie Hubbard – Trumpet
Tony Williams – Drums
Ron Carter – Bass
Wayne Shorter – Saxophones
15/11/2018, 23h59, fim do dia em que nosso blog PQP Bach completou 12 anos.
Sem contar essa, hoje tivemos treze (13) esplêndidas postagens. Confiram abaixo.
Vão se divertindo, ouvindo tudo. Voltamos dia 19.
Há exatos doze anos atrás eu e PQP Bach participávamos de uma ‘comunidade’ no antigo Orkut sobre música clássica. Ali discutíamos sobre o tema e disponibilizávamos CDs. Muita gente boa participava, gente com notável conhecimento sobre o assunto e ótimos acervos discográficos. Os tempos eram outros, a qualidade da Internet era sofrível. Eram os tempos do Rapidshare, servidor de armazenamento de arquivos suíço, que pagávamos em Euro. Se não me engano, a velocidade de internet que eu tinha em casa era de no máximo 1 Mb/s, então imaginem os senhores o trabalho que eu tinha para conseguir baixar arquivos e para encaminhá-los para o servidor.
Um belo dia PQPBach entrou em contato comigo perguntando se eu teria interesse de participar de um blog especializado em música clássica, jazz e blues. Imediatamente aceitei, nem imaginando que estaria comentando sobre esta época da minha vida doze anos depois.
Muita água passou por debaixo da ponte desde então. Estava desempregado na época, um ou outro emprego sofrível, depois fiz concurso público e em um primeiro momento dei aula para o ensino fundamental e em outro momento assumi como servidor público, função que exerço até hoje e onde provavelmente irei me aposentar.
As primeiras postagens pareciam meio ingênuas, pois não sabíamos qual o formato e estilo de texto a adotar, a ideia era postarmos aquilo que estávamos ouvindo naquele momento, mas logo extrapolamos e começamos com os grandes projetos, começando com nosso Mestre Avicenna trazendo seu magnífico acervo de Musica Colonial Brasileira, nos apresentando um incrível material praticamente inédito. Lembro que o primeiro grande projeto era relativo ao maior dos compositores brasileiros, cujo nome não posso nem citar, e logo fomos impedidos de continuar, pois ficamos sujeitos a sofrer medidas judiciais por parte de seus familiares.
Muitos vieram aqui postar. O projeto iniciou com o próprio PQP Bach, eu, FDP Bach, mais Clara Schumann, que logo abandonou o barco, alegando motivos pessoais. Creio que logo vieram Avicenna, CDF, CVL, Ranulfus, Carlinus, Clara Schumann, Bisnaga, Wellbach, Ammiratore, Pleyel, Vassily Genrikhovich, Luke, Gabriel, Strava, Bluedog, etc.
Enfim, passados doze anos, ainda continuamos na batalha para disponibilizar boa música para os senhores. Já pedi para sair várias vezes, mas isso aqui é como um vício. Um vício bom, claro. Se pudesse, me dedicaria exclusivamente ao PQP Bach, mas tenho de pagar minhas contas…
Dito isso, vamos em frente.
FDP
The Fab Four: Bach, Beethoven, Mozart e Haydn comemorando os 12 anos do PQP Bach
A indumentária da versão de Nijínsky: vestuário pesado e pés para dentro
Estava quente em Paris na noite de dia 29 de maio de 1913. Durante o dia, os termômetros chegaram aos 30 graus, temperatura anormal para a primavera parisiense. Ao final da tarde, uma multidão acotovelava-se na frente do Théâtre des Champs-Élysées, onde o Balé Russo de Serguei Diághilev faria uma apresentação de gala. O público era heterogêneo, conforme descreveu Jean Cocteau:
Uma plateia da alta sociedade, elegante, de vestidos decotados, pérolas, penas na cabeça, plumas de avestruz, ternos escuros, cartolas […] ao lado, os intelectuais estetas faziam de tudo para demonstrar seu ódio a estes “elegantes”, que sentariam nos camarotes […] havia ali mil nuances de esnobismo, superesnobismo e contraesnobismo.
Todos sabiam que o empresário Diághilev gostava de escândalos. Afinal, eram lucrativos. Em comunicado à imprensa, ele dissera que preparara um novo frisson que, sem dúvida, inspiraria acalorados debates. Falava sério. O programa daquela noite começava com o inofensivo As Sílfides, drama com melodias de Chopin arranjadas para orquestra por Stravinsky. Era um antigo número do Balé Russo. Após os aplausos, as luzes se apagaram e um fagote começou a emitir notas agudas, entoando uma melodia que depois foi abraçada e continuada por outros instrumentos de sopro. E, quando entrou a segunda parte, a música enlouqueceu totalmente, ao menos para os ouvidos da plateia de 100 anos atrás.
Igor Stravinsky (1882-1971) em 1946 | Foto: Arnold Newman
O ritmo. Havia uma pulsação constante, mas os acentos eram inteiramente aleatórios, imprevisíveis, dentro e fora do compasso. Quando se deve bater o pezinho?
um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito
um dois três quatro cinco seis sete oito
Quando ouviu aquilo pela primeira vez, até Diághilev ficou assustado. “Vai continuar assim por muito tempo?”, ele perguntou ao autor da obra, Igor Stravinsky. “Até o fim, meu caro”. A coreografia de Nijínsky trocava o gestual clássico e os dançarinos nas pontas do pés por mulheres dançando com os pés para dentro e outras esquisitices. Vendo hoje, parece mais uma brincadeira. Os dançarinos tremem, sacodem-se, sapateiam, dão saltos e giram pelo palco como numa dança de roda primitiva, eslava. Por trás, uma paisagem com colinas e árvores de cores brilhantes que, com a dança e a música, tornam-se pagãs.
O vídeo a seguir é de uma apresentação da Sagração da Primavera no Teatro Marinsky de São Petersburgo, com a coreografia de Nijinsky remontada por Millicent Hodson e a regência de Valery Gergiev:
Na época, os mais ricos e conservadores acomodavam-se nos camarotes. Mas não que demonstrassem alguma finesse. Quando o ritmo acelerou, começaram a vir de lá urros de desaprovação. Em resposta, os raivosos intelectuais da plateia berravam mandando-os calar a boca; afinal apenas desejavam silêncio para fruir o balé. Era a uma representação da luta de classes: “Calem a boca, suas putas do seizième!”, gritavam em provocação às damas da alta sociedade do décimo sexto arrondissement. Se havia um sacrifício no palco, havia uma guerra na plateia. A escritora Gertrude Stein esteve lá: “Após a curta introdução, não se podia mais ouvir o som da música. Minha atenção estava fixada em um homem que, no camarote ao lado, ameaçava outro com sua bengala. Por fim, usando a bengala, acabou esmagando a cartola do que discordava”.
O filme Coco Chanel & Igor Stravinsky (2010), de Jan Kounen, mostra um pouco da confusão da estreia da Sagração da Primavera:
Depois desta estreia, o espetáculo foi repetido e logo os ouvintes parisienses descobriram que a linguagem da Sagração não estava tão distante de sua sensibilidade: tratava-se de canções folclóricas de melodias simples com acordes nada incomuns mas usados de forma diferente, ritmo mutante e irresistível. Logo, as vaias foram substituídas por aplausos e, nas apresentações seguintes, Stravinsky e Nijinsky voltaram ao palco três ou quatro vezes para receberem ovações. No ano seguinte, foi marcada uma apresentação em concerto. Os jornais falaram em “aplausos efusivos” e “adoração febril”. Era a vitória de uma postura anti-romântica. Leonard Bernstein fala em início do modernismo. Outros, estão provavelmente corretos ao citar que a Sagração fugira finalmente da semântica germânica e dera espaço para o surgimento dos nacionalismos musicais, os quais tiveram seus rebentos em todo o mundo, incluindo a música de Villa-Lobos no Brasil.
Nijinsky dançando L’après-midi d’un faune
O enredo da Sagração não era nada convencional: numa Rússia primitiva, uma virgem é escolhida e deve dançar até morrer num ritual de sacrifício à primavera que se inicia. A invenção foi do próprio Stravinsky. Nenhum povo pagão, com exceção dos astecas, exigia o sacrifício de jovens. Ou seja, aquilo nunca ocorrera na Rússia. Para o palco, Diághilev queria uma atuação ousada. No ano anterior, Nijinsky já havia causado grande escândalo em Paris com a coreografia de L’après-midi d’un faune, baseado na obra de Debussy. Ou seja: o empresário sabia bem o que estava fazendo. Diághilev já tinha contratado Stravinsky para fazer a música de outros dois balés: O Pássaro de Fogo (1910) e Petrushka (1911). O trabalho seguinte seria uma certa Primavera Sagrada. Vendo-se agora (primeiro vídeo, acima), a coreografia mais parece um provocativo e quase infantil simulacro de dança, inteiramente diferente das dramáticas montagens posteriores, como a de Pina Bausch (último vídeo, abaixo).
Romântico, o regente da estreia, Pierre Monteux, disse nunca ter gostado da Sagração da Primavera
Stravinsky terminou a composição em março de 1913. Pierre Monteux, que depois se tornaria uma grande estrela da música erudita, detestara a música, mas foi o regente que conduziu a orquestra na estreia da obra. Aliás, a citada estreia em concerto também foi sob sua direção, prova de que os conceitos podem mudar rapidamente. Ou não. Anos depois, ele confessou que nunca tinha gostado daquela música, mas que foi convencido por Diághilev a regê-la. “É uma obra-prima, Monteux! Ela vai revolucionar a música e o fará famoso, pois é você quem vai conduzi-la”, dizia o homem que desconfiava dos ritmos da Sagração. Os músicos da orquestra não pensavam diferente do regente: achavam que aquilo era uma loucura absoluta. O fagotista do solo inicial estava especialmente contrariado pelo tratamento “ridículo” que a partitura lhe impunha.
Stravinsky em 1913, ano da estreia da obra
No ocidente, a Sagração tornou-se imediatamente obra fundamental e exemplar. As plateias mais afeitas ao moderno ficaram encantadas não somente com sua fúria, mas com a precisão e clareza. Aqueles que desejavam sepultar de vez o romantismo elogiavam o predomínio dos metais e madeiras e a redução da presença das cordas. Principalmente dos violinos, os tradicionais cantores de melodias ardentes. Porém, na Rússia revolucionária, a Sagração foi considerada um modismo barulhento e a fama de Stravinsky no exterior – comparada à hostilidade russa – foi decisiva no rompimento de laços do compositor com a terra natal.
A comprovação da universalidade da Sagração não veio somente dos compositores e amantes da música erudita: os músicos de jazz gostaram demais daquele compositor que falava numa língua parecida com a deles. Para dar um exemplo curioso, Charlie “Bird” Parker incorporou a primeiras notas da Sagração à Salt peanuts e, certa vez, enquanto se apresentava, avistou Stravinsky numa das mesas do Birdland de Nova Iorque. Imediatamente, incluiu um tema do Pássaro de Fogo em seu solo sobre um tema de sua autoria, Koko, o que acabou fazendo com que o compositor cuspisse seu uísque de volta no copo, tão grande o susto.
Os jazzistas entenderam rapidamente o trabalho de Stravinsky na Sagração
Passados 100 anos, a Sagração é ouvida como uma peculiar e clássica peça do repertório. Ela pode ser ouvida e vista em concertos — a Ospa vai tocá-la em outubro — e em balés no mundo inteiro. Talvez a mais extraordinária versão em balé seja a célebre coreografia criada pela alemã Pina Bausch, cujo vídeo completo disponibilizamos abaixo:
Considerando que a Sagração da Primavera combina com modernidade, vamos atravessar o ritmo e, para finalizar, inserir três frases informais de uma brasileiríssima opinião deixada no Facebook pelo melômano Isaías Malta que, na última quarta-feira, dia dos 100 anos da estreia, dialogava conosco sobre a obra:
Música que despedaça o nosso senso de ritmo, aliás, sacoleja um ritmo próprio, primal, que é a anarquização do ritmo. Diz-se que Schoenberg dissolveu a melodia e Stravinsky desconstruiu o ritmo. Se tudo isso é verdade, também é verdade que Tom Jobim, juntando os cacos, adoçou o que foi quebrado e gingou o despedaçado.
Igor Stravinsky, por Picasso
Salonen Conducts Stravinsky
The Rite of Spring:
1 Part I, The Adoration of the Earth – Introduction 3:23
2 Part I, The Adoration of the Earth – The Auguries of Spring 2:47
3 Part I, The Adoration of the Earth – Game of Abduction 1:15
4 Part I, The Adoration of the Earth – Spring Round Dances 3:47
5 Part I, The Adoration of the Earth – Games of the Rival Tribes 1:40
6 Part I, The Adoration of the Earth – Procession of the Oldest-and-Wisest 0:36
7 Part I, The Adoration of the Earth – The Oldest-and-Wisest 0:16
8 Part I, The Adoration of the Earth – Dance of the Earth 1:10
9 Part II, The Sacrifice – Introduction 4:14
10 Part II, The Sacrifice – Mystical Circles of the Young Girls 2:58
11 Part II, The Sacrifice – Glorification of the Chosen One 1:29
12 Part II, The Sacrifice – Evocation of the Ancestors 0:40
13 Part II, The Sacrifice – Ritual Action of the Ancestors 3:28
14 Part II, The Sacrifice – Sacrificial Dance – The Chosen Victim 4:20
Symphony in Three Movements:
15 I. 9:11
16 II. Andante 5:38
17 Interlude 0:22
18 III. Con moto 5:48
A Sinfonia No. 4 em dó menor de Shostakovich foi feita em 1936, momento auge dos Grandes Expurgos ocorridos de 1934 a 1939, durante os chamados Processos de Moscou. Depois da consolidação do poder nazista em 1933, a Alemanha começara o desenvolvimento de sua indústria de guerra, preparando-se para a futura guerra contra a União Soviética, sua maior inimiga. Diante desse perigo externo, ainda havia o “perigo interno”, o crescimento da oposição de esquerda ao stalinismo por parte dos bolchevique-leninistas (trotskistas) na União Soviética. Muito da agitação dos opositores de esquerda ao stalinismo dessa época vêm do fôlego proporcionado pela Revolução Espanhola que se inicia em 1936, e também pela continuidade da Revolução Chinesa no sucesso da Longa Marcha, além do próprio perigo do nazismo que crescia. Diante disso, Stálin foi obrigado a tomar duas medidas: prender, executar e perseguir todos os perigos em potencial dentro e fora da União Soviética, inclusive executando todos os dirigentes do Partido Comunista e boa parte de seus militantes (executando também militantes revolucionários anarquistas e bolchevique-leninistas na Espanha), e, por outro lado, buscar um acordo com a Alemanha na fé de que a diplomacia impediria o ataque iminente (que foi firmado em 1939 no Pacto de Ribbentrop-Molotov).
No meio dessa conturbada conjuntura, Shostakovich, bebendo ainda dos ventos criativos da década anterior, estudava Mahler, e lançara sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk, baseada na novela homônima de Leskov, fazendo imenso sucesso no mundo inteiro.
E foi através do jornal Pravda que Shostakovich, no meio de toda essa turbulência, ficou sabendo que sua ópera Lady Macbeth era atacada como “barulho ao invés de música”. Sua quarta sinfonia buscava dar um fôlego criativo para fora dos limites das duas sinfonias anteriores que se detinham sob a estética do realismo socialista. Além disso, a quarta sinfonia é quase uma apresentação do resultado de seus estudos sobre Mahler. Shosta termina a obra, mas impede a estreia que estaria marcada para dezembro de 1936.
ESCUTANDO A 4ª SINFONIA
Essa obra não se assemelha às sinfonias de Mahler apenas por todo o cromatismo tonal, mas também pelo tamanho da orquestra: 125 músicos. A duração também: por volta de 60 minutos.
Primeiro Movimento (Allegretto poco moderato – Presto)
o tema A se desenvolve por um longo tempo, numa tensão tão infinita que até Mahler ficaria espantado; ao fim, no que parece que será o clímax do início do movimento, temos uma quebra pela percussão, que inicia aos poucos, juntos a um solo de viola um novo tema, um tema B, até que é substituído pelo fagote que canta o tema A junto ao ritmo percussivo dos pizzicatos. Acaba inconclusivo, agudo e grave ao mesmo tempo, como se uma contradição imanente à música apenas se retirasse de cena, para cedo ou tarde, retornar…
Segundo Movimento (Moderato con moto)
Shostakovich aqui demonstra sua capacidade de fazer nascer de uma grande tensão algo libertador, como se a própria tensão estivesse prenhe de sua resolução. Apesar do começo com um tema dançante e lamentoso, já ao meio do movimento, após aparecimento aqui e ali de motivos do tema A do primeiro movimento, a futura resolução no terceiro movimento surge grandiosa, mas rapidamente desaparece; quase como se fosse um ensaio geral do que estaria por vir.
Após variações nas cordas, as flautas surgem repetindo o tema A deste movimento, que é interrompido brevemente pelas cordas, mas o tema retorna, variando, em meio aos metais que surgem com o tema B deste movimento. A harmonia vez ou outra beira outros tons, assim como fazia Mahler. Novamente, entre variações do tema A, o tema B surge nos metais, enquanto nas flautas se mantêm o tema A. É quase como uma briga entre metais e madeiras que sofre uma dura intervenção nas cordas do ritmo compassado do motivo do tema que finalizará a sinfonia no terceiro movimento. Os tímpanos também intervém, e tudo volta à “normalidade”. Isso ocorre ao final dos três minutos. Em seguida, o tema A retorna nas cordas em sua forma original, como uma dança lamentosa. Varia por um longo tempo nos violinos e violas, repete-se nos cellos, e se interrompem. As flautas entram em cena com o tema, variando-o a beira da dissonância, criando uma harmonia quase que “alienígena”, que vai ficando extremamente tensa até que os metais surjam novamente com o tema B, ao que acompanham as flautas. As cordas fazem o “baixo-contínuo”, e toda orquestra agora está engolfada por este tema. Um fagote solista faz a transição para o final do movimento, que termina com uma percussão que beira os dois temas sem se definir.
Terceiro Movimento (Largo – Allegro)
O terceiro movimento inicia com uma melodia grave surgindo nas madeiras e outro mais agudo surge no oboé e se repete nas flautas. Essa melodia, uma marcha fúnebre, tem uma gravidade semelhante à que tem o terceiro movimento da 1ª Sinfonia de Mahler, parecendo um tema folclórico. Os contrabaixos repetem-se no fundo como um coração batendo, enquanto as cordas leve e lentamente repetem o motivo deste movimento final; os sopros respondem; metais reclamam um tom grave e uma percussão delicada toca levemente. Lá, nos fundos, algum metal repete lentamente o motivo deste tema final. A delicada percussão do xilofone (ou vibrafone?) se mantém até o fim da sinfonia, com o grave dos contrabaixos constante, batendo como um coração, provavelmente inspirado no final da Patética de Tchaikovsky, encerrando a sinfonia num sombrio desfecho.
O INTÉRPRETE
A interpretação de Rattle é tipicamente inglesa: bem definida e comportada, dando ênfase nas danças, tornando as fanfarras dos metais quase em “valsas”. Falta algo da visceralidade misturada com a rigidez teuto-eslava dos russos, como se pode ouvir na interpretação de Kondrashin. O ponto forte de Rattle é a melodiosidade: sua rigorosidade inglesa ajuda a manter as melodias principais da sinfonia bem definidas, tornando-as empolgantes. Além disso, como todo bom inglês, sabe lidar bem com os metais.
FUNERAL RUSSO
A prova de que os ingleses são bons com os metais está na obra seguinte, o “Funeral Russo”, de Britten. Apesar de ser sua única obra com este arranjo, ele se sai muito bem. Pega a famosa canção “Tu caíste, como vítima, na luta!”, e a transforma numa quase-fanfarra de metais e percussão.
Essa canção, muito conhecida na Rússia, foi escrita em 1878. Foi cantada principalmente na Revolução de 1905, após o massacre do Domingo Sangrento realizado pelo Czar, e foi novamente recuperada em 1917, na marcha de março feita em Petrogrado em homenagem às vítimas da Revolução de Fevereiro. Graças às revoluções de 1917, ela se tornou mundialmente famosa, sendo cantada mesmo durante os protestos no ano de 1968 pela Europa. O próprio Shostakovich coloca essa canção no terceiro movimento (o Adagio) de sua 11ª Sinfonia. Foi muito utilizada também em filmes, como no “Encouraçado Potemkin” de Eisenstein, e também no filme soviético de 1935 “A Juventude de Maxim”.
Vejam esta bela cena do filme com a letra da música em português:
É interessante o que Britten faz com a obra: intercala a canção com uma fanfarra militar, quase que burlesca, que não tem muito a ver com a Rússia, nem com a canção. Mas tem muito a ver com Mahler e com o próprio Shostakovich (ambos utilizavam marchas militares de forma séria e também como paródia em suas sinfonias), e também com o momento em que Britten escrevia a obra, 1936: ascensão do fascismo na Alemanha e na Itália, Revolução na Espanha e na China, Processos de Moscou na URSS, etc.
Em síntese, ambas as obras conseguem sintetizar o espírito da primeira parte do século XX: fúria, terror, suspense, pesar, esperança. São obras sublimes, e o álbum é muito inteligente ao juntar as duas.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Symphony No. 4 in C minor op. 43; Benjamin Britten (1913-1976): Russian Funeral
Dmitri Shostakovich (1906-1975):
Symphony No. 4 in C minor opus 43
01 I. Allegretto poco moderato-Presto-(Tempo I)
02 II. Moderato con moto
03 III. Largo-Allegro
Benjamin Britten (1913-1976):
Russian Funeral
04 Russian Funeral (for brass and percussion) – Andante alla marcia – Un pochissimo animando – Tempo primo piu maestoso
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle, conductor
Nem tentarei explicar por que sumi por tanto tempo, pois, se começar, talvez eu suma antes mesmo de terminar.
Ensaiei, sim, vários retornos, mas estes não aconteceram pelas mais variadas faltas – de tempo, de élan e, por fim, do cacoete de chegar em casa, escrever e postar.
Muitos foram, também, os gentis convites para retornar. Nenhum deles, no entanto, surtiu efeito. Minha barriguda inércia não se impressionava muito com a sutileza. Sugeri a nosso patrão PQP, enfim, que me intimasse a voltar, e ele o fez, por repetidas vezes – até que o apelo do aniversário de doze anos deste fecundo blogue me fez livrar dessa nhaca inerte e voltar à ativa.
Depois de tanto tempo afastado dessa arena pequepiana, certamente me falta muito daquilo que acabei de chamar de cacoete, e que os boleiros conhecem por “ritmo de jogo”. Nos meus áureos tempos, bastava um espirro em frente ao teclado e já me saía um textículo todo marotinho. Agora, anos depois, me é como se meus dez dedos fossem oitenta, e muito hesitantes, e estranhassem completamente o teclado, o WordPress e aquele mesmo afã em que eram tão hábeis, o de rechear más linguiças temperadas com boa música.
Acho que acabei de rechear uma linguicinha, que já lhes poderei servir – só falta a música, que dispensa apresentações. Não lhes falarei de Wagner, nem da radicalidade de “Tristan und Isolde”, e de todos que a consideram uma das obras mais cruciais e influentes da Música Ocidental; não falarei daquele famoso acorde do terceiro compasso do Prelúdio, descrito sucintamente como uma quarta, sexta e nona aumentadas, e mais elaboradamente como um potente corrosivo da música tonal e propulsor de muito do que haveria na música do século XX. Tampouco tecerei loas à grandeza das vozes de Kirsten Flagstad e Ludwig Suthaus; não lhes contarei que eles já não estavam no auge, e que precisaram mesmo que a diva Elisabeth Schwarzkopf ajudasse Flagstad em alguns agudos no segundo ato; não comentarei que essa alegada decadência nunca me importou, pois a imensa sabedoria acumulada em carreiras wagnerianas tão distintas torna o duo imbatível, veramente incomparável; deixarei passar o detalhe de que o jovem Dietrich Fischer-Dieskau traz um toque de Lied a seu Kurwenal; não dependerão de mim, também, para se aperceberem da estranheza da escolha da Philarmonia Orchestra para uma obra de repertório que, para lhes dizer o mínimo, está em território estranho; e enfim, e não, mas não MESMO, ouvirão de mim que esta é uma das maiores gravações de todos os tempos, e talvez a melhor expressão da arte daquele gênio idiossincrático da regência, o lendário Wilhelm Furtwängler.
Nah, longe de mim isso tudo: prefiro parar por aqui, antes que canse outra vez, que pegue renovado nojo dessa vida de blogueiro e escolha sumir novamente no Éter para só voltar quando me apresentarem alguma gravação melhor do que esta que ora lhes apresento de “Tristan und Isolde”.
ooOoo
Wilhelm RICHARD WAGNER (1813-1883)
TRISTAN UND ISOLDE, ópera romântica em três atos com libreto do compositor
DISCO 01
01. Vorspiel
02. Westwärts schweift der Blick
03. Brangäne, du? Sag – wo sind wir?
04. O weh! Ach! Ach, des Übels, das ich geahnt!
05. Frisch weht der Wind der Heimat zu
06. Mir erkoren, mir verloren
07. Hab acht, Tristan! Botschaft von Isolde
08. Darf ich die Antwort sagen?
09. Weh, ach wehe! Dies zu dulden!
10. Wie lachend sie mir Lieder singen
11. Von seinem Lager blickt’ er her
12. O Wunder! Wo hatt’ ich die Augen?
13. Da Friede, Sühn’ und Freundschaft
14. O Süße, Traute! Teure! Holde! Goldne Herrin!
15. Ungeminnt den hehrsten Mann
16. Kennst du der Mutter Künste nicht?
17. Auf! Auf! Ihr Frauen!
18. Herrn Tristan bringe meinen Gruß
19. Nun leb wohl, Brangäne!
20. Langsam Listen
21. Begehrt, Herrin, was ihr wünscht
22. Da, du so sittsam, mein Herr Tristan
23. Nun will ich des Eides walten
01. War Morold dir so wert
02. Ho! He! Ha! He! Am Obermast die Segel ein!
03. Du hörst den Ruf?
04. Auf das Tau! Anker los!
05. Tristan!… Isolde!
06. Was träumte mir von Tristans Ehre?
07. Schnell, den Königsschmuck!
08. Vorspiel
09. Hörst du sie noch?
10. Der deiner harrt – o hör mein Warnen!
11. O laß die warnende Zünde
12. Und mußte der Minne tückischer Trank
13. Isolde! Geliebte!… Tristan! Geliebter!
14. Das Licht! Das Licht!
15. Der Tag! Der Tag
16. In deiner Hand den süßen Tod
17. O nun waren wir Nacht-Gweihter!
18. O sink hernieder, Nacht der Liebe
19. Einsam wachend in der Nacht
20. Lausch, Geliebter!
21. Unsre Liebe? Tristans Liebe?
01. Doch unsre Liebe
02. So stürben wir, um ungetrennt
03. Habet acht! Habet acht!
04. O ew’ge Nacht, süße Nacht!
05. Rette dich, Tristan!
06. Tatest du’s wirklich?
07. Wozu die Dienste ohne Zahl
08. Dies wunderhehre Weib
09. Nun, da durch solchen Besitz mein Herz
10. O König, das kann ich dir nicht sagen
11. Wohin nun Tristan scheidet, willst du, Isold’, ihm folgen?
12. Als für ein fremdes Land
13. Verräter! Ha! Zur Rache, König!
14. Hirtenreigen auf einer Schalmei
15. Kurwenal! He! Sag, Kurwenal!
16. Öd’ und leer das Meer!… / Hirtenreigen auf einer Schalmei / Die alte Weise
17. Wo du bist? In Frieden, sicher und frei!
18. Dünkt dich das? Ich weiß es anders
19. Scene 1. Isolde noch im Reich der Sonne!
01. Noch losch das Licht nicht aus
02. Mein Kurwenal, du trauter Freund!
03. Hirtenreigen auf einer Schalmei / Noch ist kein Schiff zu sehn!
04. Nein! Ach nein! So heißt sie nicht!
05. Der Trank! Der Trank! Der furchtbare Trank!
06. Mein Herren! Tristan! Schrecklicher Zauber!
07. Das Schiff? Siehst du’s noch nicht?
08. Wie sie selig, hehr und milde
09. Hirtenreigen auf einer Schalmei / O Wonne! Freude! Ha! Das Schiff!
10. O diese Sonne! Ha, dieser Tag!
11. Ich bin’s, ich bin’s, süßester Freund!
12. Die Wunde? Wo? Laß sie mich heilen!
13. Kurwenal! Hör! Ein zweites Schiff
14. Sie wacht! Sie lebt! Isolde!
15. Mild und leise wir er lächelt
16. Heller schallend, mich umwallend
12 anos falando sobre música desse nível num país desse nível?! É como jogar comida ao mar, esperando absolutamente nada. Até que pequenas vozes de lugares distantes se fazem ouvir: “Obrigado, irmão. Bach te abençoe”. Quando começamos, conseguíamos ouvir apenas o mastigar de nossa comida diária, hoje caravelas de refugiados atracam no nosso porto, sedentos e famintos. Somos colossos do céu, mas caridosos com os pequenos ouvintes. Lembro que o primeiro a descer foi meu irmão mais velho PQP Bach que, meio entediado do paraíso que vivia, resolveu abrir essa parada dos milagres. Até que um dia ele me convidou para participar também dessa celebração no meio dos gentios. E assim aconteceu com meus outros irmãos, seduzidos pelo bem maior de propagar a palavra d´Ele e de outros deuses ciumentos.
Para celebrar esse aniversário, achei um momento na minha agenda celeste para descer aqui na paragem há muito tempo não visitada por mim. Trago comida da melhor qualidade. Vamos ver aqui no meu saquinho…
Hilary Hahn plays Bach
Quando Deus, o maior de todos os voyeurs, colocou o homem no mundo, rapidamente percebeu como seria aborrecido de espiar. Porém resolveu o problema caprichando numa espécie que não é necessariamente humana, pois há algo de divino na mulher. Ouça esse disco da Hilary Hahn interpretando as famosas peças para violino solo do nosso pai e confesse, essa senhora não é deste planeta. Eu conheço essas obras há mais de 200 anos, mas esta gravação aqui prova o contrário… AGORA sim que essas peças encontraram sua intérprete perfeita. Quando essa criatura morrer, estarei no lugar de São Pedro para recebê-la de braços abertos.
Hilary Hahn plays Bach 1. Preludio 2. Loure 3. Gavotte En Rondeau 4. Menuet I 5. Menuet II 6. Bourrée 7. Gigue 8. Allemande 9. Courante 10. Sarabande 11. Gigue 12. Giaconna 13. Adagio 14. Fuga 15. Largo 16. Allegro Assai
Brahms deve ser o compositor mais melancólico que conheço. Nunca estive com ele por essas bandas. Esse deus alemão detesta bajulação. Ele continua sempre isolado, apesar do seu apreço por cabarés e moçoilas. É capaz dele ficar do meu lado esperando a Hilary chegar. Essa gravação que vos trago contém o que há de mais sofrido no mundo da música. Acho que foi Carpeaux que disse que é necessário ter idade para sentir o peso dessa música. Volodos entrega a dose correta dessa melancolia.
Volodos Plays Brahms 1 – Capriccio in F-Sharp Minor, Op. 76, No. 1 2 – Capriccio in B Minor, Op. 76, No. 2 3 – Intermezzo in A-Flat Major, Op. 76, No. 3 4 – Intermezzo in B-Flat Major, Op. 76 No. 4 5 – Drei Intermezzi, Op. 117: Drei Intermezzi, Op. 117: I. Andante moderato 6 – Drei Intermezzi, Op. 117: Drei Intermezzi, Op. 117: II. Andante non troppo e con molto espressione 7 – Drei Intermezzi, Op. 117: Drei Intermezzi, Op. 117: III. Andante con moto 8 – Sechs Klavierstücke, Op. 118: Sechs Klavierstücke, Op. 118: I. Intermezzo in A Minor 9 – Sechs Klavierstücke, Op. 118: II. Intermezzo in A Major 10 – Sechs Klavierstücke, Op. 118: Sechs Klavierstücke, Op. 118: III. Ballade in G Minor 11 – Sechs Klavierstücke, Op. 118: Sechs Klavierstücke, Op. 118: IV. Intermezzo in F Minor 12 – Sechs Klavierstücke, Op. 118: V. Romanze in F Major 13 – Sechs Klavierstücke, Op. 118: Sechs Klavierstücke, Op. 118: VI. Intermezzo in E-Flat Minor
Philippe Jaroussky – Green – Melodies Françaises on Verlaine’s poems
Phillippe Jaroussky é o verdadeiro Orfeu. Sua voz quebra o tempo, até os demônios aqui param para ouvi-lo. Seu som meio masculino, meio feminino, eleva todas as canções desse disco a um patamar que deixariam o nosso miserável poeta Verlaine feliz… Esse é um disco para se ouvir com pouca luz, cigarro (pena que eu não fumo), uma taça de vinho, imaginando uma Paris que nunca mais existirá.
Green – Melodies francaises de Verlaine (respectivos compositores entre parêntesis, de acordo com a nobre contribuição do Monge Ranulfus. Valeu, Monge!) Disc: 1 1. Colloque sentimental (Ferré) 2. 5 Melodies, Op 58 dites ‘Venise’: I Mandoline (Fauré) 3. Prison (Severac) 4. 10 Melodies, Op 83: I Clair de lune (Szulk) 5. Fetes galantes, FL 86, Book I: I En sourdine (Debussy) 6. Fetes galantes, FL 86, Book I: II Fantoches (Debussy) 7. Fetes galantes, FL 86, Book I: III Clair de lune (Debussy) 8. 5 Melodies dites “Venise”, Op 58: V C’est l’extase (Fauré) 9. Ecoutez la chanson bien douce (Chausson) 10. 5 Melodies dites ‘Venise’, Op 58: III Green (Fauré) 11. O triste, triste etait mon ame (Bordes) 12. Le vent dans la plaine (Saint-Saëns) 13. 5 Melodies dites “Venise”, Op 58: II En sourdine (Fauré) 14. Fisch-Ton-Kan, D. 23: “Qui je suis, qui je suis” [Fisch-Ton-Kan] ( Chabrier) 15. 7 Chansons grises: IV. En sourdine (Hahn) 16. 2 Melodies, Op 83: I Prison (Fauré) 17. Mandoline, L. 43b (Published Version) (Debussy) 18. Apaisement (Chausson) 19. Un grand sommeil noir (Honegger) 20. 4 Melodies, Op 51: III Spleen (Fauré) 21. Revons, c’est l’heure (Massanet) 22. Un grand sommeil noir (Varèse) 23. Ecoutez la chanson bien douce (Ferré)
Disc: 2 1. 2 Melodies, Op 46: II Clair de lune (Fauré) 2. 7 Chansons grises: I. Chanson d’automne (Hahn) 3. Green (Caplet) 4. Ariettes oubliees, FL 63: II Il pleure dans mon coeur (Debussy) 5. L’heure exquise (Poldowski) 6. Colombine (Poldowski) 7. Chanson d’automne (Trenet) 8. Mandoline (Poldowski) 9. 3 Melodies, Op 4: II Il pleure dans mon coeur (Schmitt) 10. 20 Melodies, Book I: XVI D’une prison (Hahn) 11. Fisch-Ton-Kan, D. 23: “J’engraisse” [Poussah] (Chabrier) 12. 4 Melodies, Op 22: IV Il pleure dans mon coeur (Koechlin) 13. La Bonne Chanson, Op. 61: III. La lune blanche luit dans les bois (Fauré) 14. Promenade sentimentale (Bordes) 15. Ariettes oubliees, FL 63: V Aquarelles, 1: Green (Debussy) 16. Colloque sentimental (Canteloube) 17. Fetes galantes, FL 114, Book II: I Les Ingenus (Debussy) 18. Fetes galantes, FL 114, Book II: II Le Faune (Debussy 19. Fetes galantes, FL 114, Book II: III Colloque Sentimental (Debussy 20. Colombine (Brassens)
Eu gosto de todos os sons que perturbam as pessoas. Gosto de tirá-las da zona de conforto porque esse mundo está muito ruim em muitos aspectos. Elas precisam acordar para ver como está ruim, então talvez elas façam algo pra mudar.
~ Sun Ra ~
Sun Ra (1914-1993) foi um dos primeiros líderes de jazz a utilizar dois baixos, empregar o baixo elétrico e teclados eletrônicos, usar polirritmos, explorar música modal e improvisações de forma livre em solo e em grupo.
Além disso Sun Ra foi precursor de diversos fatores importantes no renascimento cultural/político da população negra americana na década de 1960: ressaltou as origens africanas do jazz, afirmava o orgulho da história negra e as dimensões espirituais e místicas da música.
Dimensões espirituais estas também presentes na música de vários outros organistas da música clássica (Bach, Messiaen) ou do jazz (Ray Charles, Billy Preston).
A música de Sun Ra é jazz, mas não cabe em nenhum subgênero. Estava à frente de seu tempo, usando teclados elétricos dez anos antes de Miles Davis, por outro lado Sun Ra liderou por décadas uma big band, coisa rara no jazz pós-anos 40. A Myth Science Arkestra, depois Solar Arkestra, depois Astro-Infinity Arkestra, depois Outer Space Arkestra reuniu dezenas de grandes músicos negros, incluindo o saxofonista John Gilmore, que deu aulas pra John Coltrane.
Em 1971, Sun Ra lançou seu primeiro disco incluindo uma mulher, a cantora June Tyson. Ela canta em “Somebody Else’s World” e na deliciosa balada jazz-funk “Walking on the Moon”, obviamente escrita após o desembarque na lua em julho de 1969. Them folk’s been walkin’ on the moon. If you wake up now, it won’t be too soon. Tudo isso com a Arkestra liderada por Ra e seu órgão Farfisa.
O álbum termina com cinco breves experimentos no sintetizador Mini Moog, recém-lançado na época. My Brother the Wind, Vol. II parece um disco esquizofrênico: tem algumas das canções mais acessíveis e dançantes em toda a louca discografia de Sun Ra, mas os experimentos cósmicos no Moog são “música difícil” que perturba ouvidos frágeis e acorda quem estava distraído, aliás essa era precisamente a ideia.
1. Otherness Blue
2. Somebody Else’s World (a.k.a. Somebody Else’s Idea)
3. Pleasant Twilight
4. Walking on the Moon
5. Somewhere Else
6. Contrast
7. The Wind Speaks
8. Sun Thoughts
9. Journey to the Stars
10. World of the Myth “I”
11. The Design – Cosmos II
Por mais que a gente receba elogios pelas nossas postagens e por mais que nos sintamos realizados por este trabalho, nada é perfeito! Se um dia você atingiu a perfeição, pode desconfiar. A perfeição, meu amigo, é um ponto lá no infinito.
Pois é, nada é perfeito. Nem o nosso blog PQPBach. Falta uma mulher no nosso time! Só tem homens, sim, inteligentes, cultos, alto astral, bem resolvidos mas … só homens. Falta delicadeza, sutileza. Nosso blog anda imperfeito demais!
Meu sogro comentava que o homem vem do macaco. Percebemos sua aproximação pela som forte de sua fala, pelo chiado da sua respiração, pelo barulho dos seus pés raspando no chão. A mulher, não, afirmava ele, ela vem da borboleta … só percebemos que ela chegou quando notamos o colorido silencioso de suas asas e a delicadeza do seu pousar ao nosso lado. É o que falta para almejarmos a perfeição do nosso blog.
Mas não é que não estamos tentando, e muito, mas só aparece barbudo. Então, estamos soltando um grito de socorro clamando por uma ajuda. Estamos convidando mulheres que gostem de música de concerto, blues e jazz a nos acompanhar nesta jornada, tornando nossa vida e a do nosso blog mais colorida! Só precisa possuir música para postar e saber comentá-la, além de ter familiaridade com computador. O resto, a gente orienta. Combinado? Beleza!! Então mande um email com o que você quer fazer para [email protected]. Vem pro blog, você também!!
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Preparei um CD especial para hoje, pois comemoramos 12 anos de existência, e sem uma mulher no nosso time. Women:The Best Jazz Vocals. Somente música de primeira, interpretada por mulheres notáveis. Para você ouvir, meu amigo, sob a penumbra de um abajur amarelado, enquanto coloca um pouco mais de vinho tinto na taça de sua cúmplice, companheira, esposa, amiga, confidente, amante, brindando o tanto que vocês já caminharam juntos ao longo do tempo, que não é perfeito e nem infinito.
Ah! E se quiser dançar com ela, vá em frente. Vocês merecem …
Women: The Best Jazz Vocals 01. I’ve Got You Under My Skin – Diana Krall 02. Every Time We Say Goodbye – Silje Nergaard 03. Something Cool – Ruth Cameron 04. Angel Eyes – Dee Dee Bridgewater 05. Brother, Can You Spare A Dime – Abbey Lincoln 06. I’ve Grown Accustomed To His Face – Cassandra Wilson 07. Why Should I Care – Diana Krall 08. I Got Lost In His Arms – Shirley Horn 09. One For My Baby – Ruth Cameron 10. Bewitched, Bothered And Bewildered – Silje Nergaard 11. What Are You Doing The Rest Of Your Life – Laura Fygi 12. The Man I Love – Diane Schuur 13. Baby Ain’t I Good To You – Helen Merrill 14. Misty – Sarah Vaughan 15. Someone To Watch Over Me – Ella Fitzgerald 16. Mad About The Boy – Dinah Washington 17. Stormy Weather – Billie Holiday 18. Don’t Explain – Nina Simone 19. Dream Of Life – Carmen McRae 20. Where Are You Running? – Teri Thornton 21. September Song – Ella Fitzgerald 22. Smoke Gets In Your Eyes – Sarah Vaughan 23. Come Rain Or Come Shine – Billie Holiday 24. Cry Me A River – Dinah Washington 25. They Can’t Take That Away From Me – Peggy Lee 26. That Old Feeling – Dorothy Dandridge 27. Tenderly – Anita O’Day 28. Once Upon A Summertime – Blossom Dearie 29. I Didn’t Know About You – Patti Page
Juliette Binoche, uma singela homenagem ao PQP, fundador do blog e nosso ‘pai-de-todos’.
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Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.
. When you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.
Grande blog PQP Bach… Vida longa ao melhor blog de música do Brasil !!!! Parabéns por mais um ano ! Vou postar nesta data de aniversário a ópera Sansão e Dalila do mestre Saint-Saëns (9 de outubro, 1835 – 16 dezembro, 1921). No início da segunda metade do século XIX a França foi tomada de uma moda de oratórios bíblicos; o governo francês, então, resolveu promover um concurso de obras do gênero. Saint-Saëns resolveu encarar este desafio. E inspirado em Haendel, a quem admirava muitíssimo, planejou compor um oratório baseado na história de Sansão que está encontrada no livro dos Juízes, no antigo testamento da Bíblia. A história que inicialmente Saint pesquisou e estudou foram os versos que Voltaire havia escrito em 1732 para que o compositor Rameau musicasse, fato que não aconteceu. Camille não gostou do texto, queria algo novo, não tão fiel às escrituras. Convidou o marido de uma de suas primas, um talentoso poeta chamado Ferdinand Lemaire à escrever um oratório sobre o tema, mas ele sugeriu a Saint que fosse sim uma “grand opera”. Em 1865 Lemaire entregou o libreto como o conhecemos hoje. Camille entre uma viagem e outra concluiu partes do que hoje é o segundo ato e chamou alguns convidados para uma audição particular da nova obra. Entre eles as duas árias mais famosas da ópera, cantadas por Dalila, “Amour, viens aider na faiblesse” e “Mon coeur s’ouvre a ta voix” (faixa7 CD do Carreiras). Porém a receptividade da plateia foi fria e o compositor deu uma leve “brochada” e pôs de lado a ideia. Numa das suas inúmeras viagens, em 1869, Camille encontrou seu amigo Franz Liszt e este o convenceu a retomar o trabalho e se comprometeu a encená-la no teatro da corte de Weimar do qual ele era o diretor. Saint-Saëns voltou ao trabalho, alternando momentos de entusiasmo e indiferença, o fato é que a ópera só ficou pronta em 1876. Em agosto de 1877 organizou uma representação da ópera completa na casa de um amigo na cidade de Croissy, a obra foi recebida friamente pois a moda dos temas bíblicos tinha passado completamente. Como diz o ditado “quem tem amigo não morre pagão” Liszt cumpriu a promessa e em 2 de dezembro de 1877 a ópera estreou em Weimar, com o libreto traduzido para o alemão. Foi um grande sucesso, porém a imprensa francesa, na época completamente germanófoba por causa da guerra Franco-Prussiana, ignorou completamente o sucesso. A ópera só foi estrear na França em 1890 graças aos esforços de uma aluno de Camille, Gabriel Fauré. Levou ainda dois anos para ser ouvida na Ópera de Paris, transformando-se num absoluto sucesso, até 1976 contabilizavam-se 965 apresentações de Sansão e Dalila só no teatro Palais Garnier. No Metropolitan de NY a ópera estreou na temporada de 1915/1916 com Margaret Matzenauer como Delila, Enrico Caruso como Sansão e Pasquale Amato como o Sumo Sacerdote. Desde então, o Met encenou produções da ópera pelo menos uma vez a cada década, dando mais de 200 apresentações do trabalho.
Plácido Domingo atuou como Samson na produção de San Francisco Opera de 1981 que ora disponibilizo na íntegra, gravação ao vivo. Já o CD com a Agnes e o Carreras é um highlight de dez faixas com os melhores momentos. Gosto mais da versão do Plácio Domingo.
“É a história de um homem que foi forte o suficiente para derrotar os inimigos de Israel, os filisteus, mas não o suficiente para resistir à malícia de uma mulher, ô mulherada poderosa… o Sansão ai do lado está só o pó! ”
Resumo:
Primeiro ato: Gaza, 1150 a.C. Em uma praça em Gaza, um grupo de hebreus implora a Jeová por alívio de sua escravidão aos filisteus; Sansão, seu líder, os repreende por sua falta de fé. Quando o comandante dos filisteus, Abimelech, denuncia os hebreus e seu deus, Sansão o mata e leva os hebreus embora. O Sumo Sacerdote de Dagon vem do templo filisteu e amaldiçoa a força prodigiosa de Sansão, partindo com o esquife do homem morto. Um hebreu antigo elogia o retorno de Sansão. As paredes externas do templo desaparecem para revelar a ex-amante de Sansão, a filistéia Dalila, que o convida a ir naquela noite a sua casa vizinha. Ela e suas donzelas dançam sedutoramente para Sansão, que se torna surdo às severas profecias do hebreu antigo.
Segundo ato: No vale de Sorek, Dalila chama seus deuses para ajudá-la a enredar e desarmar Samson, prometendo ao Sumo Sacerdote encontrar uma maneira de tornar o herói impotente. Sansão aparece, apaixonado apesar de si mesmo; quando Dalila o tem em seu poder, ela finge descrença em sua constância e exige que ele mostre seu amor confiando nela o segredo de sua força, chorando quando ele se recusa. Sansão ouve trovões como um aviso de Deus, mas não pode resistir a seguir Dalila para dentro. Pouco tempo depois, tendo finalmente aprendido que o segredo da força de Sansão é seu cabelo comprido, ela chama soldados ocultos filisteu, que correm para capturar e cegam Sansão.
Terceiro ato: Em uma masmorra em Gaza, o cego Sansão empurra um moinho em círculo, orando por seu povo, que sofrerá por seu pecado. Ele ouve suas vozes castigando-o. Durante um bacanal no Templo de Dagon, Dalila e o Sumo Sacerdote provocam Sansão. Quando eles o forçam a se ajoelhar diante de Dagon, ele pede a um menino que o leve aos dois pilares principais do templo. Sansão ora a Jeová para restaurar sua força e, com grande esforço, ele puxa os pilares e o templo, esmagando a si mesmo e seus inimigos.
A história “passo a passo” com fotos do encarte original do CD e DVD estão junto no arquivo de download com as faixas, o resumo da ópera foi extraído do livro “Outras Óperas Famosas”, Milton Cross (Mestre de Cerimônias do Metropolitan Opera). Editora Tecnoprint Ltda., 1983.
Parabéns ao blog e acima de tudo um ótimo divertimento!
Samson et Dalila, José Carreras, Agnes Baltsa
01 Dieu! Dieu d-Israel!
02 Arretez, O Mes Freres
03 Maudite A Jamais Soit La Race
04 Printemps Qui Commence
05 Samson, Recherchant Ma Presence –
06 En Ces Lieux, Malgre Moi, M-ont R
07 Mon Coeur S-ouvre A Ta Voix
08 Vois Ma Misere, Helas!
09 Bacchanale
10 Seigneur, Inspire-Moi, Ne M-aband
Dalila – Agnes Baltsa
Samson – José Carreras
High Priest of Dagon – JonathanSummers
Abimelech – Simon Estes
An old Israelite – Paata Burchuladze
Chor & Symphonie – Orchester das Bayrischen Rundfunks
Regente – Sir Colin Davis
Gravação – München, fevereiro 1989
Sansão e Dalila (conversão de DVD para mp3) – Plácido Domingo e Shirley Verrett
Act 1 – Chapter 2 até Chapter 13
Comentário Julius Rudel – Chapter 14
Act 2 – Chapter 15 até Chapter 23
Comnetário Julius Rudel – Chapter 24
Act 3 – Chapter 25 até Chapter 31
Comentário final – Chapter 32
Samson – Placido Domingo
Dalilah – Shirley Verrett
High Priest – Wolfgang Brendel
Abimelech – Arnold Voketatis
An old Hebrew – Kevin Langan
San Francisco Opera
San Francisco Opera Chorus
Regente – Julius Rudel
Gravação ao vivo, San Francisco Opera, 1981
Johann Nepomuk Hummel Piano Quintet in E flat major
The Schubert Ensemble of London
Era o ano de 2008. Àquela altura, não havia nem Facebook nem Whatsapp como os conhecemos hoje. O Orkut mandava no pedaço. O Youtube começava o seu domínio na área dos vídeos. Sabia-se que havia um potencial na rede mundial de computadores. E naquele momento projetava-se uma dependência com a informatização da vida. Foi o início do compartilhamento massivo de informações. Músicas e imagens passaram a ser consumidas por tudo mundo que tivesse uma boa banda larga.
Foi em um contexto como esse que eu encontrei o PQPBach. Certo dia, eu estava “garimpando” preciosidades, entre elas a Sinfonia No. 11, de Shostakovich, “O ano de 1905”, um dos trabalhos de que mais gosto. Ao digitar as informações no Google, fui remetido para a página do PQPBach – e quão grande foi a minha surpresa. Eu havia, simplesmente, achado um rio caudaloso de possibilidades. Estavam ali as gravações que eu desejava.
À época, se não me falha a memória, o PQP Bach era tripulado pelo PQP, FDP, CDF, CVL, Clara Schumann, Avicenna, Marcelo Stravinsky e Bluedog. Mais tarde, outros nomes foram agregados. Baixei tudo o que eu encontrei por lá. E o mais interessante eram os comentários, as famosas apresentações – ora sérias ora descontraídas – uma das marcas do blog. Há um nível de respeito que admiro bastante entre os integrantes do blog. Penso que seja isso importante para a manutenção da página. Encontrei-me com alguns deles. Aprendi bastante com as conversas. Os caras que compõem o PQPBach são sujeitos bastante cultos. Sabem o que estão falando. Amam a música! E não existe outra razão para manter o espaço por doze anos. Longa vida ao PQP Bach!
Fui convidado para fazer uma postagem em homenagem ao aniversário do espaço. Fiquei bastante lisonjeado! Fiz contribuições módicas e humildes entre 2009 e 2010. Pensei na postagem que realizaria. Veio-me a ideia de postar Shostakovich para combinar com o primeiro encontro que tive no espaço. Bruckner também chegou a ser considerado. Finalmente, decidi-me por Schubert e Hummel – principalmente por causa do primeiro. Vamos de A Truta, uma das obras de câmara mais bonitas e inquietantes – pelo nível de alegria – da história. A obra foi escrita em 1819, quando Schubert gozava juvenis 22 anos. É evidente a atmosfera festiva e positiva da obra. A melodia envolvente de “A Truta” foi extraída de uma das suas 600 canções. A obra atesta a criatividade e a genialidade de Schubert, um dos compositores mais extraordinários da história. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!
Franz Schubert (1797-1828) Piano Quintet in A major ‘Trout’, D667 01. Allegro vivace 02. Andante 03. Scherzo: Presto 04. Thema: Andantino – Variations 1 05. Finale: Allegro giusto
Johann Nepomuk Hummel (1778-1837) Piano Quintet in E flat major, Op.87 06. Allegro e risoluto assai 07. Minuet and Trio: Allegro con fuoco 08. Largo 09. Finale: Allegro agitato
The Schubert Ensemble of London Jacqueline Shave violin Roger Tapping viola Jane Salmon cello Peter Buckoke double bass William Howard piano
Se, no cair da noite, algo em você pedir um clima litúrgico, experimente Franck.
Se pedir intelectualidade vibrante, desenvolvimentos de idéias ousados levando a orgasmos mentais, experimente Franck.
Se pedir contemplação serena, experimente Franck.
E se estiver num estado de sensualidade mais corpórea… mesmo isso eu digo que é possível encontrar em Franck – embora admita que sintonizá-lo nesse canal já não é bem assim pra qualquer um.
É domingo e não quero torrar ninguém falando de como Franck gera obras inteiras de motivos de duas notas, das construções em arco ou espelho tipo 12321, da quase obsessão com o número 3 (3 temas, 3 partes divididas em três, 3 na cam… – ops, aí eu já não tava lá pra ver). Digo apenas: aqui você tem 3 x 2 CDs, desfrute!
As peças famosas estão sempre no segundo CD de cada par. Tudo em ordem cronológica, dá pra ver como através de diversas tentativas menores um compositor prepara os músculos para um tour de force.
No caso de Franck isso parece se dar, justamente, em três grandes ondas. No topo da última reuniu em si o potencial de ruptura de um Wagner com o potencial de renovação-do-herdado de um Brahms. Inventou o uso do órgão como orquestra, e elevou a aplicação do intrumento até um nível onde, estendendo os olhos até o horizonte, a única outra coisa que se avista é Bach.
E no entanto mais de metade da obra, em volume, consiste de pequenas peças pra tocar nos ofícios ordinários de pequenas igrejas, concebidas para caber naquela sanfona com fole de pedal que se chama harmônio. Treinado pelo pai para a carreira de pianista-prodígio, fugiu dos teatros e palcos para ir criar belezas inconspícuas em espaços de devoção obscuros.
Não se negue que em algumas dessas peças o cheiro de igreja chega a ser incômodo – mas muitas outras são arranjos de noëls – cantos populares de Natal – que parecem conversar diretamente com as miniaturas para jovens pianistas de Tchaikovski, tão divinamente gravadas por Rimma Bobritskaia neste post do PQP aqui.
Pra terminar: já disse em outro post que, no meu ouvir, Hans-Eberhard Ross não declama as frases de Franck com a clareza desejável. Mas isso não quer dizer que o interesse desta edição seja só histórico, “aqui tem a obra inteira, embora esteja ruim de ouvir”. De jeito nenhum! No mínimo os timbres do instrumento são os mais incríveis que já vi brotar de um órgão: flautas mais azuis que céu do Sul em dia de geada, baixos abismais pra DJ nenhum botar defeito…
Para cada volume (par de CDs) tem ainda um livrim com quase 30 páginas, em ingrêis e alemão. Diverti-vos!
CD 1.1
01 Piece en mi bemol, 1846
02 Piece pour Grand Orgue, 1854
03 Andantino Gm, 1856
04 Fantaisie en C, version I, 1856
05-09 Cinq pieces pour Harmonium transcrites pour Grand Orgue par Louis Vierne
10 Offertoire, Allegretto moderato en A, ~1858
11 Fantaisie en C, version II, 1863
12 Quasi Marcia op. 22 pour Harmonium, ~1865
CD 1.2
Six Pieces pour Grand Orgue, 1859-1863
01 Fantaisie op16
02 Grande Piece Symphonique op17
03 Prelude, Fugue et Variations op18
04 Pastorale op19
05 Priere op20
06 Final op21
CD 2.1
01-39 Pieces pour harmonium ou orgue a pedales (L’Organiste II)
CD 2.2
01-05 Pieces pour harmonium ou orgue a pedales (L’Organiste II)
06 Fantaisie C major, version III, 1868
07 Entree pour Harmonium, 1875
08 Fantaisie en A (3 pieces pour Grand Orgue, 1878)
09 Cantabile (3 pieces pour Grand Orgue, 1878)
10 Piece heroique (3 pieces pour Grand Orgue, 1878)
11 Petit Offertoire pour Harmonium, ~1880
12 Andante quasi lento pour Harmonium, ~1880
CD 3.1 Pieces pour Orgue ou Harmonium, 1990
(7 sobre cada nota, em maior ou menor; projeto inconcluso, faltando 3 grupos: A, Bb, B)
01-08 Sept Pieces en C et Cm (+ Amen = 8 faixas)
09-16 Sept Pieces en Db et C#m
17-24 Sept Pieces ‘Pour le temps de Noel’ en D et Dm
25-32 Sept Pieces en Eb et Ebm
33-40 Sept Pieces en Em et E
41-48 Sept Pieces en F et Fm
CD 3.2
Pieces pour Orgue ou Harmonium, 1990 (continuação de 3_1)
01-08 Sept Pieces en F# et Gbm
09-16 Sept Pieces ‘Pour le temps de Noel’ en G et Gm
17-23 Sept Pieces en Ab et G#m
24 Choral I en E, 1890
25 Choral II en Bm, 1890
26 Choral III en Am, 1890
Não-erudita, como assim? Convenhamos: Paulinho da Viola é mais erudito que muito compositor que convencionou-se chamar com esse rótulo! Suas músicas possuem uma elegância tal que não me permite ter pudor em afirmar que ele aproxima de caras refinadíssimos como Debussy. E não neguemos: há a mesma classe em suas elaboradas letras.
^ Caricatura feita por André Xavier
Paulinho da viola consegue expressar sentimentos profundos sem nenhum risco de cair na pieguice. É elegante, austero, econômico, sutil, completo…
Você perceberá isso nas composições instrumentais do mestre que vos apresentamos hoje, interpretadas pelo exímio violonista João Pedro Borges, com o próprio Paulinho da Viola no acompanhamento (cavaquinho e segundo violão) e seu pai, César Faria, também no acompanhamento: um encontro com amigos, com a família, com sua formação, com suas influências. Um presentão!
Um disco pra ter na cabeceira, se é que assim podemos colocar.
Ah, esse é o primeiro disco de um álbum duplo: a segunda bolacha está na postagem de cima. Pena que foram só dois LPs. com essa qualidade, poderiam ser tantos mais…
Ouça! Ouça! Ouça! Deleite-se imensamente!
Brasil Instrumental 1
A Obra para violão de Paulinho da Viola
01. Valsachorando
02. Relembrando Pernambuco
03. Tango Triste
04. Romanceando
05. Itanhangá
06. Salvador
07. Abraçando Chico Soares
08. Valsa da Vida
09. Evocativo
10. Lila
João Pedro Borges, violão
Paulinho da viola, 2º violão, cavaquinho
César Faria, 2º violão
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OUTRO BAITA DISCO !!! (com três exclamações de novo)
Postado originalmente em 31 de janeiro de 2013. Só oficializando que este Disco é parte do Acervo P.Q.P.Bach de Música Clássica Brasileira…
Esse disco é simplesmente uma delícia! É o segundo volume do Brasil Instrumental. Bom, e isso não é para menos, pois temos aí quatro dos nomes dos mais lendários em seus respectivos instrumentos: Paulo Moura (1932-2010) faz o papel principal, levando de forma lindamente descontraída as melodias e os improvisos destes choros. Raphael Rabello (1969-1995), que nos deixou órfãos ainda tão jovem e é considerado um dos maiores violonistas do século XX, marca o tempo, dá a ginga com a perfeição que lhe é característica. Jaques Molerembaum (1954), além de ser compositor de peças muito belas e trilhas sonoras (Central do Brasil é um dos filmes que sonorizou), brilha no violoncelo com belas melodias. Zé da Velha (1942), um dos ícones nacionais do trombone, mostra toda a sagacidade e a descontração que esse instrumento pode exprimir.
Só músicas boas, só gente fera! Uma constelação de grandes estrelas. Repare especialmente na última faixa, a dificílima Espinha de Bacalhau: a descontração e a improvisação leve e despretensiosa de Paulo Moura, que toca sozinho a faixa, são tão latentes que fazem parecer que a agravação não foi feita em estúdio, mas que fizeram um registro do mestre quando ele estava com seu sax sentado na mureta do quintal de casa, só ele e o sax…
Show! Ouça! Ouça! Ouça! Deleite-se imensamente!
Brasil Instrumental 2
Brasil, Sax, Violão, Cello & Trombone
Carioca
01. Sandoval em Bonsucesso
José Maria de Abreu, Luis Peixoto
02. Isso é o Brasil
Chiquinha Gonzaga
03. Corta-Jaca
Vinicius de Moraes, Antonio Carlos Jobim
04. Modinha
Toninho Horta, Ronaldo Bastos
05. Bons Amigos
Ratinho
06. Saxofone por que Choras?
Pixinguinha
07. Lamento
João de Barro, Louro
08. Urubu Malandro
Paulo Moura
09. Tarde de Chuva
Alcyr Pires Vermelho, Nazareno de Brito
10. Bronzes e Cristais
Severino Araújo
11. Espinha de Bacalhau
Paulo Moura, saxofone
Rafael Rabello, violão
Jaques Molerenbaum, violoncelo
Zé da Velha, trombone
Rio de Janeiro, setembro de 1985
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Pensei muito antes de escolher o que postar nesta data tão especial, aí o próprio PQP Bach sugeriu Haydn, alegando que tínhamos postado pouca coisa do velho mestre de sua Obra de Câmara. Ai sugeri a gravação dos trios com o Beaux Arts Trio e imediatamente ele gritou, ‘Isso!’… um compositor que todos adoram interpretado por um dos principais conjuntos de câmara do Século XX e que também é adorado por todos.
Essa coleção da integral dos Trios de Haydn com o Beaux Arts Trio deveria ser considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. A perfeição da execução, a escolha dos tempos, facilmente identificamos a sobriedade da execução em alguns momentos, em outros a alegria incontida, e obviamente, o prazer de fazer o que se gosta… bem, não estou fazendo outra coisa senão descrevendo a música de Joseph Haydn.
Como a ocasião é especial estou trazendo os nove cds de uma só vez, aproveitando que não tenho mais os problemas de velocidade de internet alegados acima. Espero que apreciem, pois esta postagem, além de me dar um trabalho danado, ainda me danificou um HD externo. Mas são coisas da vida e da informática.
Então, Parabéns e Longa Vida ao PQPBach !!!
F. J. Haydn (1732-1809): Integral dos Trio para Piano
CD 1
01. Piano Trio Hob. XV.37 in F – 1. Adagio
02. Piano Trio Hob. XV.37 in F – 2. Allegro molto
03. Piano Trio Hob. XV.37 in F – 3. Menuet
04. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 1. Allegro moderato
05. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 2. Menuet
06. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 3. Andante con variazioni
07. Piano Trio Hob. XIV.6-XVI.6 in G – 1. Allegro
08. Piano Trio Hob. XIV.6-XVI.6 in G – 2. Adagio
09. Piano Trio Hob. XIV.6-XVI.6 in G – 3. Menuetto
10. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 1. Allegro
11. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 2. Andante
12. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 3. Allegro
13. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 4. Menuetto
14. Piano Trio Hob. XV.39 in F – 5. Scherzo
15. Piano Trio Hob. XV.1 in G minor – 1. Moderato
16. Piano Trio Hob. XV.1 in G minor – 2. Menuet
17. Piano Trio Hob. XV.1 in G minor – 3. Presto
01. Piano Trio Hob. XV.40 in F – 1. Moderato
02. Piano Trio Hob. XV.40 in F – 2. Menuet
03. Piano Trio Hob. XV.40 in F – 3. Finale. Allegro molto
04. Piano Trio Hob. XV.41 in G – 1. Allegro
05. Piano Trio Hob. XV.41 in G – 2. Menuet
06. Piano Trio Hob. XV.41 in G – 3. Adagio
07. Piano Trio Hob. XV.41 in G – 4. Finale. Presto
08. Piano Trio Hob. XV.35 in A – 1. Capriccio. Allegretto
09. Piano Trio Hob. XV.35 in A – 2. Menuet
10. Piano Trio Hob. XV.35 in A – 3. Finale. Allegro
11. Piano Trio Hob. XV.34 in E – 1. Allegro moderato
12. Piano Trio Hob. XV.34 in E – 2. Menuet
13. Piano Trio Hob. XV.34 in E – 3. Finale. Presto
14. Piano Trio Hob. XV.36 in E flat – 1. Allegro moderato
15. Piano Trio Hob. XV.36 in E flat – 2. Polones
16. Piano Trio Hob. XV.36 in E flat – 3. Finale. Allegro molto
17. Piano Trio Hob. XV.38 in B flat – 1. Allegro moderato
18. Piano Trio Hob. XV.38 in B flat – 2. Menuet
19. Piano Trio Hob. XV.38 in B flat – 3. Finale. Presto
01. Piano Trio Hob. XV.f1 in F minor – 1. Allegro moderato
02. Piano Trio Hob. XV.f1 in F minor – 2. Menuet
03. Piano Trio Hob. XV.f1 in F minor – 3. Finale. Allegro
04. Piano Trio Hob. deest in D – 1. Allegro molto – 2. Andante
05. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 1. Adagio – 2. Presto
06. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 3. Menuet
07. Piano Trio Hob. XV.C1 in C – 4. Finale
08. Piano Trio Hob. XV.2 in F – 1. Allegro moderato
09. Piano Trio Hob. XV.2 in F – 2. Menuetto. Allegretto
10. Piano Trio Hob. XV.2 in F – 3. Finale. Adagio con variazioni
11. Piano Trio Hob. XV.5 in G – 1. Adagio non tanto
12. Piano Trio Hob. XV.5 in G – 2. Allegro
13. Piano Trio Hob. XV.5 in G – 3. Allegro
14. Piano Trio Hob. XV.6 in F – 1. Vivace
15. Piano Trio Hob. XV.6 in F – 2. Tempo di menuetto
01. Piano Trio Hob. XV.7 in D – 1. Andante con variazoni
02. Piano Trio Hob. XV.7 in D – 2. Andante
03. Piano Trio Hob. XV.7 in D – 3. Allegro assai
04. Piano Trio Hob. XV.8 in B flat – 1. Allegro moderato
05. Piano Trio Hob. XV.8 in B flat – 2. Tempo di menuetto
06. Piano Trio Hob. XV.9 in A – 1. Adagio
07. Piano Trio Hob. XV.9 in A – 2. Vivace
08. Piano Trio Hob. XV.10 in E flat – 1. Allegro moderato
09. Piano Trio Hob. XV.10 in E flat – 2. Presto
10. Piano Trio Hob. XV.11 in E flat – 1. Allegro moderato
11. Piano Trio Hob. XV.11 in E flat – 2. Tempo di menuetto
01. Piano Trio Hob. XV.12 in E minor – 1. Allegro moderato
02. Piano Trio Hob. XV.12 in E minor – 2. Andante
03. Piano Trio Hob. XV.12 in E minor – 3. Rondo. Presto
04. Piano Trio Hob. XV.13 in C minor – 1. Andante
05. Piano Trio Hob. XV.13 in C minor – 2. Allegro spiritoso
06. Piano Trio Hob. XV.14 in A flat – 1. Allegro moderato
07. Piano Trio Hob. XV.14 in A flat – 2. Adagio
08. Piano Trio Hob. XV.14 in A flat – 3. Rondo. Vivace
09. Piano Trio Hob. XV.16 in D – 1. Allegro
10. Piano Trio Hob. XV.16 in D – 2. Andantino pi¨´ tosto allegretto
11. Piano Trio Hob. XV.16 in D – 3. Vivace assai
01 – Hob XV_15 in G – Allegro
02 – Hob XV_15 in G – Andante
03 – Hob XV_15 in G – Finale allegro moderato
04 – Hob XV_17 in F – Allegro
05 – Hob XV_17 in F – Finale di menuetto
06 – Hob XV_32 in G – Andante
07 – Hob XV_32 in G – Allegro
08 – Hob XV_18 in A – Allegro moderato
09 – Hob XV_18 in A – Andante
10 – Hob XV_18 in A – Allegro
11 – Hob XV_19 in G minor – Andante presto
12 – Hob XV_19 in G minor – Adagio ma no troppo
13 – Hob XV_19 in G minor – Presto
01 – Trio in B flat, H. XV No. 20 – 1. Allegro
02 – Trio in B flat, H. XV No. 20 – 2. Andante cantabile
03 – Trio in B flat, H. XV No. 20 – 3. Finale (Allegro)
04 – Trio in C, H. XV No. 21 – 1. Adagio pastorale – Vivace assai
05 – Trio in C, H. XV No. 21 – 2. Molto andante
06 – Trio in C, H. XV No. 21 – 3. Finale (Presto)
07 – Trio in E flat, H. XV No. 22 – 1. Allegro moderato
08 – Trio in E flat, H. XV No. 22 – 2. Poco adagio
09 – Trio in E flat, H. XV No. 22 – 3. Finale (Allegro)
10 – Trio in D minor, H. XV No. 23 – 1. Molto andante
11 – Trio in D minor, H. XV No. 23 – 2. Adagio ma non troppo
12 – Trio in D minor, H. XV No. 23 – 3. Finale (Vivace)
01 – Hob XV_24 in D – Allegro
02 – Hob XV_24 in D – Andante
03 – Hob XV_24 in D – Allegro ma dolce
04 – Hob XV_25 in G – Andante
05 – Hob XV_25 in G – Poco adagio cantabile
06 – Hob XV_25 in G – Rondo all’Ongarese presto
07 – Hob XV_26 in F sharp minor – Allegro
08 – Hob XV_26 in F sharp minor – Adagio cantabile
09 – Hob XV_26 in F sharp minor – Tempo di menuetto
10 – Hob XV_31 in E flat – Andante cantabile
11 – Hob XV_31 in E flat – Allegro
01 – Hob XV_30 in E flat – Allegro moderato
02 – Hob XV_30 in E flat – Andante com moto
03 – Hob XV_30 in E flat – Presto
04 – Hob XV_27 in C – Allegro
05 – Hob XV_27 in C – Andante
06 – Hob XV_27 in C – Finale presto
07 – Hob XV_28 in E – Allegro moderato
08 – Hob XV_28 in E – Allegretto
09 – Hob XV_28 in E – Finale allegro
10 – Hob XV_29 in E flat – Poco allegretto
11 – Hob XV_29 in E flat – Andantino ed innicentemente
12 – Hob XV_29 in E flat – Finale allemande presto assai
Fazemos esta postagem a pedidos de um amigo do Blog, o jornalista e Assessor de Comunicação, Carlos Eduardo Amaral. O texto abaixo é do release de lançamento deste CD do Projeto Mucambo que estou postando hoje, no dia em que o PQPBach completa 12 Anos.
“No último dia 20 de setembro, às 19h30, 10 compositores nascidos ou radicados em Pernambuco tiveram obras estreadas no concerto de lançamento do projeto “MUCAMBO: música contemporânea para quarteto de cordas”, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do RioMar Shopping. A primeira edição do MUCAMBO – que pretende ser um movimento permanente, com novas peças encomendadas a cada ano – conta com a participação de um quarteto de cordas formado por Paula Bujes e Susan Hagar (violinos), Savio Santoro (viola) e Pedro Huff (violoncelo), todos professores do Departamento de Música da Universidade Federal de Pernambuco.
Segundo o coordenador geral do projeto, Victor Luiz, a proposta do MUCAMBO é apresentar uma fotografia da geração contemporânea de compositores pernambucanos e daqueles que aqui também firmaram morada, além de incentivar maior presença de mulheres no campo da composição erudita. “MUCAMBO é resistência: da morada quilombola, da casa de barro do homem do Sertão às palafitas do homem do mangue, é construção inacabada, contínua e mútua que rodeia a cidade grande; por isso escolhemos o ‘mucambo’ como símbolo do nosso projeto”, detalha Victor, um dos idealizadores do projeto, ao lado de Manassés Bispo.
Manassés, produtor executivo e diretor musical do projeto, acrescenta que o MUCAMBO desenvolve dois movimentos de expansão simultâneos: aproximar-se do público em geral, daí a diretriz dada aos compositores para que incluíssem elementos reconhecíveis de matiz regional, e internacionalizar-se (o site do projeto é bilíngue, português-inglês). “A partir do momento em que a gente refletiu sobre o MUCAMBO como um movimento permanente, a gente quer estimular o consumo da música de concerto pelas pessoas, de oferecer uma música que não seja ininteligível”, completa.
As 10 peças do CD são:
Alvorada, de Ivanubis
Duas paisagens para quarteto de cordas, de Paulo Lima
Para festejar a entrada de um novo ano o monge Ranulfus foi buscar vinhos de anos velhíssimos: a Idade Média.
Talvez o que mais o tenha inspirado a fazê-lo seja o nome do grupo: Chominciamento de Gioia – onde a primeira palavra (se não falha agora o tino linguístico do referido monge) com toda probabilidade é derivada no verbo italiano cominciare (começar), apenas que numa grafia incomum, dando ao conjunto o sentido de “puxar festa”, de provocação ou incitamento à alegria (gioia), ou até mesmo de “alegre começo”. Para que coisa melhor, então, numa entrada de ano?
Ainda mais falando de vinhos, videiras e vinhas!
Verdade que em muitas das peças o vinho entra domado por fortes sentidos religiosos – especialmente naquelas cantadas em (tinha que ser!) galaico-português.
Ainda assim, o monge espera que possa ser um bom divertimento a pelo menos uma boa parcela dos nossos leitores – ainda mais que os textos todos estão incluídos no arquivo. Isso ajuda até mesmo a seguir a versão orffiana (mais conhecida) da canção satírica In Taberna, da coletânea medieval de canções conhecida como Carmina Burana, que encerra o CD.
Mas agora vam’bora, cada um atrás da sua taça, que o ano não tarda!!
IN VINEA MEA: vinhos & vinhas na Idade Média com o Ensemble Chominciamento de Gioia
01 Bacche bene venies – Carmina Burana nº 200 – séc.13
02 Deficiente vino – Ms I-Pa 2788, Perugia – séc.14
03 Como Deus fez vynno 0 Cantigas de Santa Maria nº 23 – séc.13
04 Bon vin doit – Roman de Fauvel – séc.14
05 Alte clamat Epicurus – Carmina Burana nº 211
06 L’autre lèr cuidèl aver druda – Chãnson trobadorica, NN – séc.12
07 Ben pod’as cousas – Cantigas de Santa Maria nº 73 – séc.13
08 Sacerdos in aeternum – Ms I-Pa 2799, Perugia – séc.14
09 Procurans odium – Carmina Burana nº 12 – séc.13
10 Vinum bonum – Ms. Egerton – séc.13
11 Ges de disnar – Bertrand de Born – séc.12
12 Dixit pater familias – Ms I-Pa 2785, Perugia – séc.14
13 Poder a Santa Maria – Cantigas de Santa Maria nº 161 – séc.13
14 Felix vitis – Ms I-Pa 2785, Perugia – séc.14
15 A que Deus – Cantigas de Santa Maria nº 351 – séc.13
16 O Divina Virgo flore – Laudario di Cortona – séc.13
17 On parole / A Paris / Frese nouvella – Ms. Montpelier – séc.13
18 In taberna – Carmina Burana nº 196 – séc.13
PS: por muito tempo este CD pareceu inencontrável na Amazon – até que em 06/04/2016 o(a) leitor(a) que se identifica como Sedmagis nos enviou o link – que agora, finalmente, foi incorporado à imagem no alto do post, e de quebra matou a charada da inencontrabilidade: em 2010 recebi o arquivo com um erro de latim no título, que é IN VINEA, não IN VINA. Sem sermos especialistas em línguas mortas, acabamos engolindo essa mosca por mais de cinco anos. Valeu, Sedmagis!!
Johannes Vermeer: O Copo de Vinho (1658-1660). Gemalde Galerie Berlin.
Mais um grande lançamento da dupla Faust / Melnikov, que nos brindam com o primeiro volume de suas gravações das Sonatas para Violino e Piano de Mozart. Quando Faust lançou ano passado sua leitura dos Concertos para Violino de Mozart comentei aqui mesmo no PQPBach que provavelmente seria um CD que ganharia vários prêmios, inclusive o de Gravação do Ano, da revista Grammophone. E acertei na minha previsão.
Agora, com mais um Mozart no currículo, não temo arriscar em prever que virá algum prêmio pela frente, com certeza. Essa dupla já toca junto há bastante tempo, se conhecem muito bem, e isso se reflete neste CD. Estou curioso e ansioso pelos próximos volumes. Segue em anexo o booklet de apresentação do CD. A Harmonia Mundi, como sempre, mantendo o altíssimo padrão de qualidade que a caracteriza.
1 Violin Sonata in D Major, K. 306- I. Allegro con spirito
2 Violin Sonata in D Major, K. 306- II. Andante cantabile
3 Violin Sonata in D Major, K. 306- III. Allegretto
4 Violin Sonata in E Minor, K. 304- I. Allegro
5 Violin Sonata in E Minor, K. 304- II. Tempo di minuetto
6 Violin Sonata in A Major, K. 526- I. Molto allegro
7 Violin Sonata in A Major, K. 526- II. Andante
8 Violin Sonata in A Major, K. 526- III. Presto
Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov – Fortepiano
Budapest Orfeo Orchestra Purcell Choir dir. György Vashegyi
Naïs é uma ópera de Jean-Philippe Rameau, apresentada pela primeira vez em 22 de abril de 1749 na Ópera de Paris. Toma a forma de um pastorale héroïque em três atos e um prólogo. O libretista foi Louis de Cahusac, na quarta colaboração entre ele e Rameau. A obra traz o subtítulo Opéra pour La Paix, que se refere ao fato de que Rameau compôs a ópera por ocasião do Tratado de Aix-la-Chapelle, no final da Guerra da Sucessão Austríaca. Seu título original era Le triomphe de la paix, mas a crítica dos termos do tratado levou a uma mudança no título.
A história diz respeito ao deus Netuno, que é apaixonado pela ninfa Naïs e se disfarça de mortal para tentar conquistá-la. Isso acontece nos Jogos Isthmicos de Corinto, coincidentemente um festival dedicado a Netuno. Os rivais do deus pelas afeições de Naïs são o chefe dos coríntios Télénus e o líder dos pastores istímios, Astérion. O pai de Naïs, o adivinho cego, Tiresias adverte Télémus e Asterion para serem cautelosos com o deus do mar, e eles interpretam isso como significando que eles deveriam sacrificar seu rival. Eles estão prestes a atacar o Netuno disfarçado quando ele os afoga chamando grandes ondas. Netuno revela sua identidade para Naïs e a leva para seu palácio subaquático, onde ele a transforma em uma deusa.
As 95 faixas e seus respectivos nomes podem ser encontradas AQUI.
Purcell Choir, Orfeo Orchestra
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Naïs– 2017 Opéra pour La Paix Budapest Orfeo Orchestra Purcell Choir dir. György Vashegyi
Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.
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Em janeiro de 2017, eu e minha mulher assistimos a um belo concerto de música de percussão na Royal Academy of Music em Londres. É muito legal ver um grupo de percussão no palco. Eles se mexem muito, mudam de instrumentos, são obrigados a fazerem o diabo. Este álbum duplo não é tão interessante quanto aquele concerto cheio de obras de Steve Reich, mas é muito bom. Eu gosto das radicais alterações da sonoridade e das surpresas que ocorrem a cada faixa. As obras de Manoury, Ohana (com citações a Sonata para Dois Pianos e Percussão de Bartók), Kabelac e Xenakis — nossa!, viajei muito ouvindo esse Xenakis, é sensacional — são muito boas. De resto, os batedores de panela venceram e o futuro está fechado para a arte.
Taïra / Manoury / Mâche / Dufourt / Varese / Ohana / Kabelac / Xenakis: Música para Percussão
1.01 –Yoshihisa Taïra Hiérophonie V 17:16
1.02 –Philippe Manoury Premier Quatuor 1:22
1.03 –Philippe Manoury Duo De Marimbas 6:28
1.04 –Philippe Manoury Sextuor De Sixens 3:23
1.05 –Philippe Manoury Solo De Vibraphone 8:04
1.06 –Philippe Manoury Deuxième Quatuor 2:31
1.07 –Philippe Manoury Sextuor De Sixens 6:43
1.08 –François-Bernard Mâche Khnoum 16:31
1.09 –Hugues Dufourt Sombre Journée 10:51
2.01 –Edgar Varese* Ionisation
Transcription By – Georges Van Gucht
6:18
Aqui temos dois importantes representantes da música francesa do final do século XIX e início do século XX. Fauré, especificamente, é mais conhecido pelo seu Réquiem, com certeza uma das páginas mais belas da história música, tanto pela pureza, quanto pela simplicidade daquilo que ouvimos. No Réquiem de Fauré, percebemos um senso de equilíbrio, de elegância, clareza, recato poético, o que torna a obra absolutamente arrebatável. Sua música possui uma fragrância inconfundível. César Franck também foi o criador de um estilo bem singular no qual os atributos mais densos podem ser verificados em sua Sinfonia em D menor. Ou seja, nestes dois belos e tristes quartetos de cordas aqui apresentados, temos a oportunidade de descobrirmos um pouco mais do mundo artístico desses dois importantes compositores. Boa apreciação!
César Franck (1822-1890) – String Quartet in D major
01. Poco lento – Allegro
02. Scherzo:Vivace
03. Larghetto
04. Allegro molto
Gabriel Fauré (1845-1925) – String Quartet in E minor
05. Allegro moderato
06. Andante
07. Allegro
Esta é mais uma daquelas postagens escritas com pressa, tive alguns problemas com o MEGA neste final de semana, ainda não está 100%, pretendo resolver isso no feriadão.
Mendelssohn está em muito boas mãos aqui, tratam-se de obras escritas para Violoncelo e Piano, incluindo ai suas sonatas, pouco gravadas, na verdade. Infelizmente, eu diria, pois se tratam de belas obras. E nas mãos destes dois músicos, ficam ainda mais belas.
Ronald Brautigam já é conhecido cá pelas bandas do PQPBach, é dos principais pianistas da atualidade. Sua integral das obras de Beethoven foram muito bem recebidas na época de sua postagem. O violoncelista Chistian Poltéra é novo por aqui, mas quando se trata de uma gravação do selo sueco BIS podemos ter certeza de sua qualidade.
Espero que apreciem.
1 – 9 – 01. Variations concertantes, Op.17 – Tema
10. Sonata No.1, Op.45 – I. Allegro vivace
11. Sonata No.1, Op.45 – II. Andante
12. Sonata No.1, Op.45 – III. Allegro assai
13. Romance sans paroles, Op.109
14. Assai tranquillo (Albumblatt)
15. Sonata No.2, Op.58 – I. Allegro assai vivace
16. Sonata No.2, Op.58 – II. Allegretto scherzando
17. Sonata No.2, Op.58 – III. Adagio
18. Sonata No.2, Op.58 – IV. Molto Allegro e vivace
Les Musiciens du Louvre
Chorus of Les Musiciens du Louvre
dir. Marc Minkowski
Magdalena Kožená Véronique Gens
Dardanus é uma ópera de Jean-Philippe Rameau com um libreto em francês de Charles-Antoine Leclerc de La Bruère. Toma a forma de uma tragédia musical num prólogo e cinco atos. Dardanus estreou na Opéra de Paris em 19 de novembro de 1739 com relativo sucesso, principalmente devido à dramática fraqueza do libreto. Isso fez com que Rameau e La Bruère retrabalhassem a ópera, reescrevendo completamente os últimos três atos, para um renascimento em 1744. Apenas quando Dardanus foi novamente apresentado em 1760, foi aclamado como uma das maiores obras de Rameau.
A história original é vagamente baseada na de Dárdano, filho de Zeus e Electra, e ancestral dos troianos. No entanto, na ópera, Dardanus está em guerra com o rei Teucer, que prometeu casar sua filha Iphise com o rei Anténor. Dardanus e Iphise encontram-se através da intervenção do mágico Isménor e se apaixonam. Dardanus ataca um monstro que assola o reino de Teucer, salvando a vida de Anténor que está tentando, sem sucesso, matá-lo. Teucer e Dardanus fazem a paz, este último se casando com Iphise.
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Não encontrei a data nem o local desta gravação – só sei que, depois de ouvi-la, reouvi-la e reouvi-la, não tenho como não compartilhar!
Sei, Friedrich Gulda é daqueles pianistas que (à parte seu envolvimento com jazz e sabe-se lá mais o que) não está muito preocupado se seu toque está de acordo com esta ou aquela concepção teórica de como a música deve ser: está interessado em fazer música de acordo com o que seu corpo & coração sentem que seja música – não por isso descuidando da capacitação técnica para realizá-lo. Nem todos gostam disso, eu sei… mas da minha parte, o resultado aqui, é, confesso, o Bach que eu gostaria de tocar (caso não tivesse fugido do trabalhoso caminho que é o da formação pianística).
Os primeiros minutos do recital me surpreenderam soando bastante como Glenn Gould (o que não é necessariamente uma crítica!), mas basta chegar à primeira Sarabande para perceber que estamos ouvindo um pianista que, longe de se ater a uma mesma abordagem programada para toda a vida, se reserva a liberdade de usar uma abordagem diferente para cada peça a que dirige seu coração. Não que essas abordagens sejam arbitrárias: aqui pela primeira vez ouvi algo de inglês nas Suítes Inglesas (especialmente nas Bourrés da 2ª Suíte [faixa 6] e as Gavottes da 3ª [faixa 17]).
Enfim: digo sempre que não gosto de instrumentistas que tocam, e sim dos que dizem a música com seus instrumentos. Pois no Bach de Gulda não encontro nem uma única frase meramente tocada: até a frase aparentemente mais secundária de uma voz de apoio, tudo é dito; cada frase se sustenta como um discurso em si.
Então vamos a esse discursos – depois desta última observação: o Prelúdio e Fuga do próprio Gulda, apresentado como bis, já foi postado aqui há algum tempo em versão de estúdio.
GULDA PLAYS BACH
01 Apresentação
J. S. BACH (1685-1750)
SUÍTE INGLESA nº 2 em la menor – BWV 807
02 I Prelude
03 II Allemande
04 III Courante
05 IV Sarabande
06 V Bourrée I e II
07 VI Gigue
CONCERTO ITALIANO em fa maior – BWV 971
08 I [Allegro]
09 II Andante
10 III Presto
TOCCATA em do menor – BWV 911
11 I Toccata
12 II Fuga
SUÍTE INGLESA nº 3 em sol menor – BWV 808
13 I Prelude
14 II Allemande
15 III Courante
16 IV Sarabande
17 V Gavotte I e II
18 VI Gigue
CAPRICCIO em si bemol maior
“SOPRA LA LONTANANZA DEL SUO FRATELLO DILETTISSIMO” – BWV 992
19 I Arioso (adagio)
20 II —
21 III Adagiosissimo
21 IV —
22 V Aria de Postiglione (allegro poco)
23 VI Fuga all’imitazione di posta
F. GULDA (1930-2000)
PRELÚDIO E FUGA
24 I Preludio
25 II Fuga
Que repertório, senhores! Os dois Trios para Piano de Shostakovich são maravilhosos, sendo um totalmente diferente do outro. O Quinteto para Piano nem se fala, é obra constante em recitais no mundo inteiro. A Sonata para Violino e Piano é dificílima e árida, mas se entrega belamente quando a ouvimos pela terceira vez… A Sonata para Violoncelo e Piano é muito boa e o que dizer da última obra de Shosta, a Sonata para Viola e Piano, seu tristíssimo canto de morte, escrito numa cama de hospital?
O DSCH-Shostakovich Ensemble não tem este nome por acaso. São impecáveis especialistas em Shosta com perfeito senso de estilo. A gente ouve e tem certeza de que aquilo está como o autor desejaria. Um CD duplo obrigatório!
O DSCH-Shostakovich Ensemble foi criado pelo pianista Filipe Pinto-Ribeiro em 2006, ano do centenário do nascimento do compositor. Trata-se de um projeto português, sediado em Lisboa. O grupo tem formação variável, sendo uma plataforma de encontro e interação de músicos de excelência, mestres nos seus instrumentos.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral da Música para Piano e Cordas
1 Piano Trio No. 1, Op. 8 “Poème”
DSCH-Shostakovich Ensemble
Piano Quintet, Op. 57
2 I. Prelude. Lento – Poco più mosso – Lento 4:01
3 II. Fugue. Adagio 8:49
4 III. Scherzo. Allegretto 3:21
5 IV. Intermezzo. Lento 5:47
6 V. Finale. Allegretto 7:12
Sonata for Violin and Piano, Op. 134
7 I. Andante 9:48
8 II. Allegretto 6:40
9 III. Largo 12:27
10 Moderato for Cello and Piano 3:03
Sonata for Cello and Piano, Op. 40
1 I. Allegro non troppo 11:24
2 II. Allegro 3:08
3 III. Largo 7:58
4 IV. Allegro 4:10
Piano Trio No. 2, Op. 67
5 I. Andante – Moderato – Poco più mosso 7:16
6 II. Allegro non troppo 3:00
7 III. Largo 5:04
8 IV. Allegretto – Adagio 9:56
Sonata for Viola and Piano, Op. 147
9 I. Moderato 9:02
10 II. Allegretto 7:02
11 III. Adagio 10:38
DSCH-Shostakovich Ensemble
Filipe Pinto-Ribeiro
Corey Cerovsek
Cerys Jones
Adrian Brendel
Isabel Charisius
Muita gente boa diz que a música moderna é pura paródia de formas mais antigas. Acho isso absurdo, mas a afirmativa cabe para este sensacional disco com obras do argentino — que viveu grande parte de sua vida na Alemanha — Mauricio Kagel. Rrrrrrr…: 8 Stücke für Orgel (Rrrrrr… 8 peças para Órgão) são obras de um Bach enlouquecido, uma recriação da forma antiga utilizada pelo mestre. É claro que é preciso imaginação para fazê-lo bem feito, o que Kagel tem de sobra. Aliás, tem também um dos mais caros parentes da imaginação, o humor. Humor que aparece claramente em 10 Marchas para perder uma batalha, para banda militar (sopros e percussão). Eu dei muita risada ouvindo as duas obras, que não chegam a ser cômicas, mas engraçadas e estimulantes para a imaginação de quem as ouve.
Mauricio Kagel (1931-2008): Rrrrrrr… (8 Orgelstücke) & 10 Märsche um den Sieg zu verfehlen
1. Râga
2. Rauschpfeife
3. Repercussa
4. Ragtime
5. Rondeña
6. Ripieno
7. Rosalie
8. Rossignol Enrhumés
9-18. 10 Märsche Um Den Sieg Zu Verfehlen
Performer [Military Band] – Adam Bauer, Hans Gelhaar, James Townsey, Manos Tsangaris, Martin Schulz, Michael Riessler, Paul Peukker, Wolfgang Sorge
Conductor – Mauricio Kagel
Organ – Gerd Zacher (tracks: 1 to 8)