O que dizer deste surpreendente álbum duplo de Viktoria Mullova? Que ela é doida? Que ela é uma perfeita cigana? Que ela é uma das melhores violinistas de todos os tempos? Que ela não se importa de correr riscos?
Acho que todas as possibilidades acima estão corretas.
Mullova pegou um repertório belíssimo e pouco divulgado para estabelecer com clareza o estrago que a música cigana causou no século XX. Ou seja, dentro de um programa altamente eclético, ela reflete sobre a profunda influência cigana na música clássica e no jazz (SIM!) no século 20. Sob roupagem erudita ou jazzística, a música dos ciganos está em nossas vidas com seu acelerado e marcado pulso. O CD apresenta obras de Bartók e Kodály ao lado de coisas do mundo do jazz, incluindo John Lewis e Django Reinhardt além de faixas da banda Weather Report. A russa Mullova tem fortes ligações pessoais com o campo e os ciganos. Parte de sua família é ucraniana e, quando criança, ela passava temporadas numa pequena aldeia do interior do país, convivendo com camponeses. A música destes CDs nos permite vislumbrar um outro lado desta artista fascinante e de, pelamor, sangue quentíssimo.
(Maiores detalhes sobre as faixas estão no arquivo que vocês, creio, vão baixar).
The Peasant Girl, com Viktoria Mullova
1. For Nedim (For Nadia) 5:36
2. Django 6:44
3. Dark Eyes 6:53
4. Er Nemo Klantz , Bartók Duos 8:20
5. The Peasant 9:35
6. 7 Duos with Improvisations 10:51
7. Yura 4:44
1. Bi Lovengo 3:06
2. The Pursuit of the Woman with the Feathered Hat 5:58
3. Life 4:42
4. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: I. Allegro serioso 7:39
5. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: II. Adagio 8:11
6. Kodaly: Duo for Violin and Cello, Op. 7: III. Maestoso e largamente, ma non troppo 8:07
Para honrar a memória e celebrar o legado extraordinário de Arthur Moreira Lima, um dos maiores brasileiros de todos os tempos, publicaremos a integral da coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – seu testamento musical – de 16 de julho, seu 85° aniversário, até 30 de outubro de 2025, primeiro aniversário de seu falecimento. Esta é a nona das onze partes de nossa eulogia ao gigante.
Arthurzinho das massas estava em todas nos anos 80.
O embrião de tal onipresença foi sua participação no Circuito Universitário, iniciativa que desde o começo da década anterior levava grandes nomes da MPB para campi, teatros, ginásios e quaisquer outros espaços em que eles coubessem. Sempre destemido, Arthur foi o primeiro músico de concerto a embarcar numa turnê do Circuito – e, convenhamos, o único capaz de aceitar um convite desses. Partiu de São Paulo, onde então morava, e prosseguiu de Kombi para Campinas e outras dez cidades do interior do estado. A experiência foi-lhe como um Caminho de Damasco: habitué de tantas paragens mundo afora, conhecedor de cada parada ao longo da Trans-Siberiana, Arthur enfim começava a descobrir seu país e a acolhida que as massas nos ginásios davam àquele pianista de raríssima figura, com cabeleira roqueira, calças de brim e a inseparável jaqueta de couro de alce.
Ó lá ela, a guerreira.
Não que tenha deixado a casaca de lado, como atesta, entre outros, o projeto Bach-Chopin que realizou com João Carlos Martins. Tampouco deixou de ter preocupações fonográficas: farto da miríade de percalços para que seus discos fossem distribuídos pelas gravadoras e decidido decerto a cultivar mais uma úlcera, fundou o selo L’Art, tendo como sócio Lauro Henrique Alves Pinto, um dos “Filhos da Pauta”. Inda assim, preferia os mocassins e os pés na estrada. Xodó das multidões, para as quais era quase sinônimo de piano brasileiro, desfrutava uma liberdade incomum de escolher onde, como e com quem aparecer: mais que arroz de festa, o rei do rolê aleatório.
Até no gibi.
Se não, vejamos: depois de quase tocar com Elomar no formigueiro humano de Serra Pelada – com direito a transporte em avião da FAB, piano incluso -, acabou na não menor muvuca do Festival de Águas Claras, o “Woodstock” brasileiro, onde dividiu palco com Luiz Gonzaga (“esse cabra é tão bom que toca até Luiz Gonzaga”, foi o veredito do próprio) numa noite encerrada por João Gilberto. Às línguas de trapo que o acusavam de buscar as massas por estar em decadência técnica, respondia dando um tempo às turbas para, numa visita à Polônia, tocar (e gravar) Rachmaninoff desse jeito:
Sossegou? Claro que não: deixou São Paulo e mudou-se para o Rio, o qual voltou a chamar de morada depois de vinte anos. Foi fagocitado quase que de imediato pela boemia e requisitado em cada cantina, restaurante ou boteco onde, entre biritas, se cultivasse a boa prosa. Na confraria conhecida como “Clube do Rio”, aproximou-se de Millôr Fernandes, que prontamente reconheceu o potencial da avis rara e lhe escreveu um show, que também dirigiu – e assim, não mais que de repente, nascia “De Repente”.
Alternando textos de Millôr com bitacos de Arthur e grande música dos dois lados do muro da infâmia entre o dito “erudito” do assim chamado “popular”, o show foi um triunfo. Não demoraria para que o showman chegasse às telinhas, a convite de Adolpho Bloch, fundador da Rede Manchete. Conhecera-o em Moscou, nos seus tempos de Conservatório, mas estreitaram o convívio no Rio, frequentando o mesmo barbeiro, praticando o idioma russo e divertindo-se a falar, sem que ninguém mais compreendesse, bandalheiras impublicáveis. Conquistado por aquele tipo maravilhoso que parecia pronto para TV, Bloch ofereceu-lhe carta branca para criar um programa semanal. Arthur pediu alto e levou: recebeu duas orquestras, dirigidas por Paulo Moura, que também lhe fazia os arranjos, e a crème de la crème da música brasileira no rol de convidados. Nascia Um Toque de Classe, carregado daqueles momentos que, ao imaginá-los na TV aberta, fazem-me questionar em que sentido, enfim, roda a fita da civilização:
Arthur, que nunca foi muito afeito ao canto, ficou especialmente impressionado com a voz de Ney Matogrosso, que buscava novos rumos para sua carreira depois do frisson que causou com suas performances no extinto conjunto Secos & Molhados:
Ney, inacreditavelmente, ainda não se convencera de que era cantor. Arthur sugeriu que deixasse de lado a maquiagem e figurinos estrambólicos que até então tinham marcado sua carreira e que, de cara lavada, apostasse em sua rara voz. Não demorou até que o belíssimo contralto de Ney, tratado como afinado instrumento, estivesse a dividir o palco com outros quatro virtuoses.
Assim, na luxuosa companhia de Arthur, Paulo Moura (saxofone), Chacal (percussão) e Raphael Rabello (violão de sete cordas), Ney inaugurou uma nova fase em sua carreira com o show O Pescador de Pérolas. De lambujem, aproximou-se de Rabello, há já muitos anos um dos maiores violonistas do mundo, com quem mais adiante gravaria À Flor da Pele, que, em minha desimportante opinião, é um dos álbuns mais sensacionais que Pindorama deu ao mundo. O Pescador de Pérolas também virou disco, ainda que se lamente que o som do piano de Arthur, aparentemente, tenha sido captado do fundo duma lata de azeite:
Lambuzado de mel pelas massas e com saudades, talvez, de ferroadas, Arthur resolveu atirar-se no vespeiro: instigado por seu guru Darcy Ribeiro, aceitou a nomeação para alguns cargos públicos no Governo do Rio. Sob sua direção, o Theatro Municipal e a Sala Cecília Meireles receberam em seus palcos muita gente que seus habitués não deixariam nem entrar pela porta dos fundos, como a Velha Guarda da Portela. Divertindo-se com o previsível reproche de quem via violados seus espaços exclusivos e sacrossantos. Arthur ligou aquele famoso botão e prosseguiu: tocou em favelas (uma imagem de “Rocinha in Concert”está no cabeçalho dessa postagem) e chamou a Orquestra de Câmara de Moscou para tocar com ele em teatros, ao ar livre e em presídios. Quem o chamava de decadente – nem sempre por méritos artísticos – acabava por ter que deglutir cenas como as do Projeto Aquarius, em que o suposto ex-pianista e a Sinfônica Brasileira tocavam para Fla-Flus de gente:
Sim, 200 mil
Para refrescar-se das saraivadas de tomates, o Rei do Rolê Aleatório foi harmonizar seu piano com uma das vozes mais distintas do Brasil, o barítono de Nelson Gonçalves. Com alguns milhares de canções no repertório, escolher o que iria para o álbum foi por si só uma empreitada. O mais difícil, com sobras, era a incompatibilidade de relógios biológicos: Nelson acordava na hora em que Arthur ia dormir. Ainda assim, com cantor no fuso horário de Bagdá e pianista no de Honolulu, a parceria deu liga e rendeu um dos melhores álbuns de suas imensas discografias, O Boêmio e o Pianista:
Miacabo com Arthur e sua cara de “acordei agora”
Durante a extensa turnê com Nelson por mais de trinta cidades brasileiras, Arthur encantou-se com a tranquilidade e o clima ameno de Florianópolis e resolveu, enfim, lançar nela sua âncora. Trouxe seus pianos para perto do mar e até deve ter contemplado a ideia de sossegar. O sucesso da coleção “Meu Piano”, que vendeu um milhão de CDs a preços módicos em bancas de revistas, mostrou-lhe que o público não queria seu sossego. Pelo contrário: ainda havia muito mais gente a conquistar, nos vastos horizontes brasileiros, a ser buscada em seus últimos recantos, mesmo nas grotas que nunca tinham visto um piano. Assim, o rei das harmonizações improváveis juntou um Steinway com uma caçamba de Scania e partiu, como orgulhoso Camelô da Música (o termo é dele), para a mais épica jornada jamais empreendida por um artista brasileiro.
ARTHUR MOREIRA LIMA – MEU PIANO/TRÊS SÉCULOS DE MÚSICA PARA PIANO Coleção publicada pela Editora Caras entre 1998-99, em 41 volumes Idealizada por Arthur Moreira Lima Direção artística de Arthur Moreira Lima e Rosana Martins Moreira Lima
Volume 24: CLÁSSICOS FAVORITOS V
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Do Pequeno Caderno para Anna Magdalena Bach:
Christian PETZOLD (1677–1733) 1 – No. 2: Minueto em Sol maior, BWV Anh. 114
Johann Sebastian BACH
2 – No. 20: Minueto em Ré menor, BWV Anh. 132
Anton DIABELLI (1781-1858)
Das Sonatinas para piano, Op. 168: 3 – Moderato cantabile
4 – Andantino
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Das Duas Sonatinas para piano, WoO Anh. 5 5 – Sonatina em Sol maior
Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856)
Do Álbum para Jovens, Op. 68 6 – O Camponês Alegre
7 – O Cavaleiro Selvagem
8 – Siciliana
9 – Um Pequeno Romance
10 – São Nicolau
Béla Viktor János BARTÓK (1881-1945)
Seis DançasPopulares Romenas, Sz. 56 11 – Do Bastão
12 -Do Lenço
13 – Sem Sair Do Lugar
14 – Da Trompa
15 – Polka Romena
16 – Finale: Presto
Heitor VILLA-LOBOS (1887-1959)
Do Guia Prático para Piano, Primeiro Álbum: ,17 – Acordei de Madrugada
18 -A Maré Encheu
19 – A Roseira
20 -Manquinha
21 – Na Corda Da Viola
[as obras de Villa-Lobos não estão disponíveis pelos motivos aqui listados]
Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
Das Doze Peças para piano, Op. 40: 22 – No. 2: Chanson triste
Enrique GRANADOS Campiña (1867-1916)
Das Doze Danças Espanholas: 23 – No. 5, “Andaluza”
Gravação: St. Philip’s Church, Londres, Reino Unido, 1998-99 Engenharia de som: Peter Nicholls Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Produção, edição e masterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1999.
Antônio CARLOS GOMES (1836-1896) Transcrição de Nicolò Celega (1846-1906)
Da ópera Il Guarany: 1 – Protofonia
Carl Maria Friedrich Ernst von WEBER (1786-1826)
2 – Convite à Dança, Op. 65
Franz Peter SCHUBERT (1979-1828)
Dos Quatro Improvisos para piano, D. 899: 3 – No. 4 em Lá bemol maior
Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN Bartholdy (1809-1847)
4 – Rondo Capriccioso, Op. 14
Johannes BRAHMS (1833-1897)
Das Valsas para piano, Op. 39: 5 – No. 1 em Si maior
6 – No. 2 em Mi maior
7 – No. 3 em Sol sustenido menor
8 – No. 6 em Dó sustenido maior
9 – No. 15 em Lá bemol maior
George GERSHWIN (1898-1937)
10 – Rhapsody in Blue
Gravação: St. Philip’s Church, Londres, Reino Unido, 1999 Engenharia de som: Peter Nicholls Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Produção, edição e masterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1999.
Volume 38: CLÁSSICOS FAVORITOS IX – TRANSCRIÇÕES CÉLEBRES
Ferenc LISZT (1811-1886)
Dos Doze Lieder de Franz Schubert, S. 558: 1 – No. 9: Ständchen
2 – Miserere du Trovatore de Giuseppe Verdi, S. 433
Do Wagner-Liszt Album:
3 – Isoldes Liebestod
4 – Liebeslied, S. 566 (baseada em Widmung, Op. 25 no. 1 de Robert Schumann)
De Années de Pèlerinage – Deuxième Année: Italie, S. 161:
5 – No. 5: Sonetto 104 del Petrarca
Johannes BRAHMS Transcrição de Percy Grainger (1882-1961)
Das Cinco Canções, Op. 49: 6 – No. 4: Wiegenlied
Aleksandr Porfirevich BORODIN (1833-1887) Transcrição de Felix Blumenfeld (1863-1931)
De Príncipe Igor, ópera em quatro atos: 7 – Dança Polovetsiana no. 17
George GERSHWIN Transcrição de Percy Grainger
8 – The Man I Love
Oscar Lorenzo FERNÁNDEZ (1897-1948) Transcrição de João de Souza Lima (1898-1982)
Da Suíte Reisado do Pastoreio: 9 – No. 3: Batuque
Arthur Moreira Lima, piano
Gravação: All Saints Church, Tooting, Londres, Reino Unido, 1999 Engenharia de som: Peter Nicholls Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Produção, edição e masterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1999
Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946) Transcrição do compositor
Do balé El Sombrero de Tres Picos: 12 – Danza del Molinero
Gabriel Urbain FAURÉ (1845-1924) Transcrição de Percy Grainger
Das Três Melodias, Op. 7:
13 – No. 1: Après un Rêve
Ludomir RÓŻYCKI (1883-1953) Transcrição de Grigory Ginzburg (1904-1961)
14 – Valsa da Opereta Casanova
Antônio CARLOS GOMES
15 – Quem Sabe?
Arthur Moreira Lima, piano
Gravação: All Saints Church, Tooting, e Rosslyn Hill Chapel, Londres, Reino Unido, 1999 Engenharia de som: Peter Nicholls Piano: Steinway & Sons, Hamburgo Produção, edição e masterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1999
“9ª parte da entrevista do pianista Arthur Moreira Lima a Alexandre Dias, em que ele abordou os seguintes tópicos, sobre sua carreira na década de 1990: concertos que tocou no morro da Mangueira e na Rocinha; período em que foi diretor da Sala Cecília Meireles; período em que foi subsecretário de cultura do estado do RJ, encarregado do interior; sua colaboração com o cantor Nelson Gonçalves; o recital que realizou juntamente com Ana Botafogo; seu disco dedicado ao compositor Brasílio Itiberê; a grande coleção de 41 CDs “Meu piano”, lançada pela Caras em 1998; a caixa de 6 CDs “MPB – Piano collection”, dedicada a Dorival Caymmi, Chico Buarque, Tom Jobim, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Roberto Carlos; disco dedicado a Astor Piazzolla, com arranjos de Laércio de Freitas”
Em homenagem a Fluminense Moreira Lima, seguimos com o álbum de figurinhas dos campeões da Copa Rio de 1952. Eis o ponta-esquerda Joaquim Albino, o Quincas (1931-2000).
Entre 1899 e 1903, Béla Bartók estudou na Real Academia de Música de Budapeste. Mas o principal aprendizado foi de 1908 a 1914 quando se dedicou a estudar e coletar melodias folclóricas húngaras, romenas e de vários outros povos da Europa do leste. A outra grande influência de Bartók, especialmente para sua música orquestral, foi Claude Debussy: menos no que se refere à busca por sonoridades únicas (mas também um pouco nisso) e sobretudo pela quebra que Debussy faz na narratividade musical da música romântica. O tipo de desenrolar não linear de cenas como no Fauno, em La Mer e nos Noturnos, que buscam evitar os desenvolvimentos grandiosos rumos aos céus tão típicos da música austro-germânica (Beethoven, Wagner, Bruckner, Mahler, Strauss). Isso tudo foi absorvido tanto por Bartók como por Stravinsky, lembrando aliás que estes dois nasceram a um ano de distância. Então há diversos momentos no Mandarim de Bartók em que as viradas e paradinhas orquestrais nos fazem crer que estamos ouvindo algo de Debussy ou de Stravinsky.
Nesta gravação, com o compositor Bruno Maderna regendo a orquestra de Mônaco, não temos tutti orquestrais tão impactantes quanto os de Boulez/Chicago (aqui), Rattle/Birmingham (aqui) ou Salonen/Los Angeles (aqui), o destaque aqui fica com os vários momentos solos dos sopros: oboé, fagote… Além das percussões e outros detalhes da composição do jovem Bartók que, aliás, gerou um pequeno escândalo na época pela temátca escandalosa que envolvia prostituição e crimes.
Na Sonata para Dois Pianos e Percussão, o estilo é mais fortemente característico de Bartók. Composta em 1937 e estreada em 38 pelo compositor e sua esposa como pianistas – portanto, doze anos após a estreia do Mandarim que foi composto entre 1918 e 24 -, ela tem elementos já desenvolvidos em obras como Out of doors (1926, aqui) e os Concertos para Piano nº 1 e 2 (1926 e 1931, aqui), como os momentos percussivos dos pianos e o uso de clusters (várias notas próximas tocadas ao mesmo tempo). A pianista Geneviève Joy era uma especialista na música do século XX: basta dizer que ela estreou a belíssima sonata para piano de Henri Dutilleux.
Béla Bartók (1881-1945):
1. O Mandarim Miraculoso
2-4. Sonata para dois pianos e percussão
5. Suíte de Danças (Maderna, Monte Carlo / Joy, Robin, Casadesus, Drouet)
Orchestre National de l’Opéra de Monte-Carlo, Bruno Maderna (faixas 1, 5)
Pianos: Geneviève Joy, Jacqueline Robin (faixas 3-5)
Percussão: Jean-Claude Casadesus, Jean-Pierre Drouet (faixas 3-5)
Sim, esse disco tem que ir para o pódio. A Sonata para Piano, a Sonatina e principalmente a Sonata para Dois Pianos e Percussão são peças que não podem ser deixadas de lado. E a interpretação a cargo ou chefiada por Tiberghien, se tornará certamente referência. A Sonata para Dois Pianos e Percussão recebeu, desde a estreia, em 1938, críticas entusiasmadas. Bartók e sua esposa também tocaram as partes do piano para a estreia americana que aconteceu em Nova York em 1940. Desde então, tornou-se uma das obras mais reverenciadas de Bartók. A partitura requer quatro artistas: dois pianistas e dois percussionistas, os quais que tocam sete instrumentos. Bartók deu instruções altamente detalhadas para os percussionistas, estipulando, por exemplo, qual parte de um prato suspenso deve ser atingido por que determinado tipo de baqueta. Deve ter dado certo pois… Que música, meus senhores!
PS: Links reativados para toda essa coleção de Bartók por Tiberghien. Os outros discos estão aqui e aqui.
Piano Sonata Sz80[14’12]
1 Allegro moderato[4’53]
2 Sostenuto e pesante[5’30]
3 Allegro molto[3’49]
Three Hungarian Folksongs from the Csík District Sz35a[3’47]
4 Rubato[1’42]
5 L’istesso tempo[1’14]
6 Poco vivo[0’51]
Sonatina Sz55[4’24]
7 Movement 1, Bagpipers: Molto moderato[1’37]
8 Movement 2, Bear Dance: Moderato[0’42]
9 Movement 3, Finale: Allegro vivace[2’05]
Three Rondos on Slovak folk tunes Sz84[9’09]
10 Andante – Allegro molto[3’03]
11 Vivacissimo[2’55]
12 Allegro molto[3’11]
Études Sz72 Op 18[8’40]
13 Allegro molto[2’29]
14 Andante sostenuto[3’41]
15 Rubato[2’30]
Sonata for two pianos and percussion Sz110[25’24] with François-Frédéric Guy (piano), Colin Currie (percussion), Sam Walton (percussion)
16 Assai lento – Allegro molto[12’32]
17 Lento, ma non troppo[6’23]
18 Allegro non troppo[6’29]
Um sensacional álbum triplo que reúne gravações dos anos 90 de música moderna por Anne-Sophie Mutter e diversas orquestras. Tudo é um primor, a começar pelo Concerto neoclássico de Stravinsky. Aliás, cada um dos CDs inicia com uma obra-prima. Há o já citado Concerto de Strava, o belíssimo e insuperável Concerto Nº 2 para Violino e Orquestra de Bartók e o não menos de Berg. Este último tem a triste alcunha de “À Memória de um Anjo”. É que Berg recebeu a notícia da morte de Manon Gropius, filha do arquiteto Walter Gropius e de Alma Mahler. Manon faleceu aos 18 anos, vítima de poliomielite. Naquele momento, Berg estava finalizando o Concerto. Ele então transformou-se num tributo à memória da adolescente e também em um réquiem para si mesmo, que morreria logo depois de compô-lo. O restante tem menos história, mas não é de jogar fora, imagina! Destaque para obras de Lutoslawski, Moret e Rihm, compostas especialmente “Para Anne-Sophie Mutter”. Te mete com ela, rapaz! (Bem, adoraria que ela se metesse comigo).
Anne-Sophie Mutter Modern: Works by Stravinsky / Lutoslawski / Bartók / Moret / Berg / Rihm
Disc 1
Concerto en ré
Composed By – Igor Stravinsky
Conductor – Paul Sacher
Orchestra – Philharmonia Orchestra
1 1. Toccata 5:51
2 2. Aria I 4:09
3 3. Aria II 5:13
4 4. Capriccio 5:49
Partita (“For Anne Sophie Mutter”)
Composed By – Witold Lutoslawski
Piano – Phillip Moll
5 1. Allegro giusto 4:14
6 2. Ad libitum 1:12
7 3. Largo 6:22
8 4. Ad libitum 0:47
9 5. Presto 3:51
Chain 2 (“For Paul Sacher”)
Composed By – Witold Lutoslawski
Conductor – Witold Lutoslawski
Orchestra – BBC Symphony Orchestra
10 1. Ad libitum 3:48
11 2. A battuta 4:58
12 3. Ad libitum 4:58
13 4. A battuta – Ad libitum – A battuta 4:27
Disc 2
Violinkonzert Nr. 2
Composed By – Béla Bartók
Conductor – Seiji Ozawa
Orchestra – Boston Symphony Orchestra
1 1. Allegro non troppo 16:16
2 2. Andante tranquilo – Allegro scherzando – Tempo I 9:58
3 3. Allegro molto 12:13
En rêve (“pour Anne Sophie Mutter”)
Composed By – Norbert Moret
Conductor – Seiji Ozawa
Orchestra – Boston Symphony Orchestra
4 1. Lumière vaporeuse. Mystérieux et envoŭtant 7:13
5 2. Dialogue avec l’Etoile 5:44
6 3. Azur fascinant (Sérénade tessinoise). Exubérant, un air de fête
Disc 3
Violinkonzert (“To the memory of an angel”)
Composed By – Alban Berg
Conductor – James Levine
Orchestra – The Chicago Symphony Orchestra
1 I. Andante – Allegretto 11:31
2 II. Allegro – Adagio 16:12
“Gesungene Zeit” (“Time Chant”) – Dedicated To Anne-Sophie Mutter
Composed By – Wolfgang Rihm
Conductor – James Levine
Orchestra – The Chicago Symphony Orchestra
3 [Anfang / beginning / début / inizio] 14:27
4 [Takt / bar / mesure / battuta 179] 9:56
Assim como a obra de Beethoven, a de Bartók também tem suas fases, ainda que talvez não tão nitidamente demarcadas.
Entre 1899 e 1903 ele estudou na Real Academia de Música de Budapeste. Estudou piano com um aluno de Liszt e composição com um compositor e organista alemão, primo de Max Reger. Mas o grande período de aprendizado talvez tenha sido de 1908 a 1914 quando, junto com Kodaly, ele se dedicou a estudar e coletar melodias folclóricas húngaras, romenas e de vários outros povos da Europa do leste. Uma inovação tecnológica foi essencial: Bartók gravava essas melodias in loco, ao invés de usar papel e caneta, única tecnologia disponível para os compositores do século XIX.
E como muitos gênios, ele precisou negar em bloco o passado, no caso, ele dizia que o grande compositor das rapsódias húngaras usava temas vagamente ciganos e italianizados, de forma que pouca coisa das Rapsódias Húngaras seria realmente húngara: “Devo frisar que as rapsódias – especialmente as húngaras – são criações perfeitas no gênero. O material que Liszt nelas utiliza não poderia ser tratado com maior arte e beleza. Que o material em si não seja dos mais ricos é outro problema” (Bartók em artigo de 1936). Bartók também não poupou o mais famoso compositor polonês: “As Mazurkas de Chopin são prova de que ele não conhecia a autência música folclórica polonesa”. Entendo nessas citações um certo ar sarcástico do mochileiro que rodou por tantos cantos e não consegue mais admirar aqueles compositores estabelecidos que ficaram na ponte Paris-Viena tomando bons vinhos em salões burgueses.
Com a 1ª Guerra Mundial, as viagens ficaram mais difíceis e Bartók, que tinha o piano como seu 1º instrumento, compôs muita música em movimentos curtos, baseados em música folclórica, como as Quinze Canções Populares Húngaras, Sz. 71 (1914-18) ou os Três Rondós sobre temas eslovacos, Sz. 84 (1916-1927).
São obras desse período – década de 1910 e começo da de 20 – que András Schiff escolheu gravar neste álbum. A partir da década de 1926, Bartók integraria os temas populares em movimentos mais longos, com mais dissonâncias e clusters como na Sonata para Piano (1926) e nos Concertos para Piano e Orquestra nº 1 (1926) e 2 (1931).
Béla Bartók (1881-1945) – Obras para piano
1. Dance Suite, Hungarian Peasant Songs, Sz.77 16:46
2. Roumanian Folk Dances Sz.56 4:44
3. Three Rondos On Folk Tunes Sz. 84 7:45
4. 15 Hungarian Peasant Songs Sz.71 12:43
P.S. Postagem reativada e também reativei o link para as Danças Romenas (Sz. 56), as mesmas que Schiff gravou aqui, mas na versão para violino e piano.
Mais um outono para a Rainha, e desta feita ela nos presenteia com gravações novas – tão novas, claro, quanto podem ser as de alguém tão avessa aos estúdios e afeita a dividir a ribalta com jovens colegas e os parceiros de sempre. Estas que ora lhes apresento foram feitas algumas semanas depois do seu octagésimo aniversário, em junho de 2021, no festival que Martha vem consolidando em Hamburgo e no qual desfruta do privilégio de selecionar a pinça o tradicional petit comité que tem garantido muito de sua longeva alegria em pisar palcos.
No que tange a Sua Majestade, o melhor que ela nos oferece nesses volumes são a leitura da sonata Op. 30 no. 3 de Beethoven, com Renaud Capuçon – seu mais frequente e afiado parceiro ao arco, nos últimos anos -, um ebuliente Segundo Concerto de Ludwig, e o belíssimo Trio de Mendelssohn, ao lado de Mischa Maisky e da über-diva Anne-Sophie Mutter. A família Margulis – Jura, Alissa e Natalia – traz um azeitadíssimo Trio “Fantasma” e um mui tocante “Canto dos Pássaros”, joia folclórica catalã posta em pauta por Pau Casals. O variado cardápio também inclui as “Canções e Danças da Morte” de Mussorgsky, com o ótimo baixo Michael Volle, e uma Sonata para dois pianos e percussão de Bartók para a qual a Rainha, que tanto a tocou com nosso Nelson Freire, convidou seu outro Nelson favorito, o compatriota Goerner. O melhor retrogosto, entretanto, não foi o que veio de dedos hermanos, e sim das diminutas mãos de Maria João em Schubert – que maravilhosos, os dois improvisos! – e da última apresentação pública de Nicholas Angelich, um brahmsiano que sempre honrou o grande hamburguense e fez da Segunda Sonata para viola e piano seu canto de cisne.
ooOoo
Uma breve nota: a partir de hoje, mudarei a maneira de compartilhar música com os leitores-ouvintes. Cansei de ver a pedra rolar tantas vezes morro abaixo. Não farei mais comentários. Que venham os tomates.
Disco 1
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sete Variações para violoncelo e piano sobre “Bei Männern, welche Liebe fühlen”, da ópera “Die Zauberflöte” de Wolfgang Amadeus Mozart, WoO 46 1 – Thema. Andante
2 – Variation I
3 – Variation II
4 – Variation III
5 – Variation IV
6 – Variation V: Si prenda il tempo un poco più vivace
7 – Variation VI. Adagio
8 – Variation VII. Allegro ma non troppo
Mischa Maisky, violoncelo
Martha Argerich, piano
Das Três Sonatas para violino e piano, Op. 30:
Sonata no. 3 em Sol maior 9 – Allegro assai
10 – Tempo di Minuetto, ma molto moderato e grazioso
11 – Allegro vivace
Renaud Capuçon, violino
Martha Argerich, piano
Dos Dois Trios para piano, violino e violoncelo, Op. 70:
No. 1 em Ré maior, “Fantasma” 12 – Allegro vivace e con brio
13 – Largo assai ed espressivo
14 – Presto
Alissa Margulis, violino Natalia Margulis, violoncelo Jura Margulis, piano
Disco 2
Ludwig van BEETHOVEN
Concerto para piano e orquestra no. 2 em Si bemol maior, Op. 19
1 – Allegro con brio
2 – Adagio
3 – Rondo. Molto allegro
Martha Argerich, piano
Symphoniker Hamburg
Sylvain Cambreling, regência
Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN-Bartholdy (1809-1847)
Trio para piano, violino e violoncelo no. 1 em Ré menor, Op. 49
4 – Molto allegro agitato
5 – Andante con moto tranquillo
6 – Scherzo: Leggiero e vivace
7 – Finale: Allegro assai appassionato
Anne-Sophie Mutter, violino
Mischa Maisky, violoncelo
Martha Argerich, piano
Johannes BRAHMS (1833-1897)
Das Duas Sonatas para clarinete e piano, Op. 120 (transcritas para viola e piano pelo compositor):
Sonata no. 2 em Mi bemol maior 8 – Allegro amabile
9 – Allegro appassionato
10 – Andante con moto – Allegro – Più tranquillo
Gérard Caussé, viola
Nicholas Angelich, piano
Disco 3
Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)
Dos Improvisos para piano, D. 935 (Op. Posth. 142): No. 2 em Lá bemol maior
1 – Allegretto
No. 3 em Si bemol maior, “Rosamunde” 2 – Andante
Sonata para piano em Lá maior, D. 664
3 – Allegro moderato
4 – Andante
5 – Allegro
Maria João Pires, piano
Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)
Sonata para piano a quatro mãos em Dó maior, K. 521
6 – Allegro
7 – Andante
8 – Allegretto
Martha Argerich e Maria João Pires, piano
Disco 4
Pau CASALS i Defilló (1876-1973)
1 – El Cant dels Ocells, para violino, violoncelo e piano
Alissa Margulis, violino
Natalia Margulis, violoncelo
Jura Margulis, piano
Manuel de FALLA y Matheu (1876-1946)
Suite Popular Espanhola, para violino e piano
2 – El Paño Moruno
3 – Nana
4 – Canción
5 – Polo
6 – Asturiana
7 – Jota
Quinteto em Fá menor para dois violinos, viola, violoncelo e piano
8 – Molto moderato quasi lento – Allegro
9 – Lento, con molto sentimento
10 – Allegro non troppo ma con fuoco
Akiko Suwanai e Tedi Papavrami, violinos Lyda Chen, viola Alexander Kniazev, violoncelo Evgeni Bozhanov, piano
Disco 5
Astor Pantaleón PIAZZOLLA (1921-1992)
1 – Le Grand Tango
Gidon Kremer, violino Georgijs Osokins, piano
Leonard BERNSTEIN (1918-1990)
Danças Sinfônicas de West Side Story, para dois pianos
2 – Prologue
3 – Somewhere
4 – Scherzo
5 – Mambo
6 – Cha-cha
7 – Meeting Scen
8 – Cool Fugue
9 – Rumble Track
10 – Finale
Faço aqui a minha primeira postagem e começarei inclemente. Simplesmente, derrubando a porta. O primeiro post é em homenagem ao PQP que muito aprecia Bartók e, sobretudo, Yevgeny Mravinsky. Nas duas últimas semanas, eu escutei, com certa prioridade, peças de Bela Bartók. É como é bom descobri-lo. Bartók é instigante. A princípio amedronta. Com certa gradação e paciência, por fim, conseguimos chegar àquele momento em que ele se torna necessário. Essa é a lógica para aqueles que querem se aventurar no seu mundo. Hoje à tarde ao ouvir este CD, que me falta adjetivos para caracterizá-lo, eu fui imediatamente forçado, coagido, a postá-lo. Reúne um time extraordinário — Debussy, Bartók e Stravinsky e sedimentando, conectando tudo isso, Yevgeny Mravinsky. A “Música para cordas, percussão e celesta” de Bartók é uma das coisas mais fabulosas e assustadoras que já ouvir na minha vida. Não há como não se render ao gênio de Bartók. Mravinsky conduz com a autoridade, ao meu modo de ver, de maior regente do século XX este indescritível CD. Há CDs que direcionamos uma atenção demasiada e esse é um que se encaixa nesse quesito. Não hesite em ouvir. Boa contemplação espantada!
Claude Debussy (1862-1918): Prélude à l’après-midi d’un Faune / Béla Bartók (1881-1945): Música para Cordas, Percussão e Celesta / Igor Stravinsky (1882-1971): Agon (Mravinsky)
Claude Debussy (1862-1918) – Prelude a l’ ‘Apres-midi d’un faune’
01. Prelude a l’ ‘Apres-midi d’un faun’
Béla Bartok (1881-1945) – Music for string instruments, percussion and celesta, Sz. 106
02. I. Andante tranquillo
03. II. Allegro
04. III. Adagio
05. IV. Allegro molto
Igor Stravinsky (1882-1971) – Agon, ballet for twelve dancers
06. Pas de Quatre
07. Double Pas de Quatre (8 female dancers)
08. Triple Pas de Quatre (8 female dancers and 4 male dancers)
09. Prelude
10. Saraband-step (male dance solo)
11. Gaillliarde (2 female dancers)
12. Coda (1 male and 2 female dancers)
13. Interlude
14. Bransle simple (2 male dancers)
15. Bransle Gay (1 female dancer)
16. Bransle Double (2 male and 1female dancers)
17. Interlude
18. Pas de deux (male dancer and female dancer)
19. Coda
20. Four duos (male and female dancers)
21. Four trios (male and 2 female dancers)
22. Coda (all the dancers)
Recorded live at concerts in Great Hall of Moscow Philharmonics, February, 1965 (1-5), in Great Hall of Leningrad Philharmonics, October 30th, 1968, (6-22)
Um excelente CD realizado por especialistas no gênero. O violinista Levon Ambartsumian e o pianista Anatoly Sheludyakov se unem aqui para apresentar obras de dois dos maiores compositores da Europa oriental. A fase neoclássica de Igor Stravinsky, que se estendeu aproximadamente de 1920 a 1954, é marcada por um retorno deliberado às formas e estilos da música clássica e barroca, embora reinterpretados sob uma perspectiva modernista. Durante esse período, Stravinsky buscou inspiração em compositores como Bach, Mozart e Haydn, com uma abordagem que combinava estruturas tradicionais com sua linguagem harmônica e rítmica. Tanto a Suite italienne quanto o Divertimento são arranjos de partituras de balé, cada obra por sua vez uma transformação alquímica dos estilos barroco e romântico dentro do idioma distinto de Stravinsky. O enigmático, mas expressivo Duo Concertant foi a única obra original de Stravinsky nessa forma. A Rapsódia Nº 1, é a primeira de duas obras virtuosas para violino e piano, escritas por Béla Bartók em 1928 e posteriormente arranjadas em 1929 para violino e orquestra, bem como para violoncelo e piano. É dedicada ao violinista virtuoso húngaro Joseph Szigeti. A mesmíssima história ocorreu com a Rapsódia Nº 2, que é dedicada ao violinista Zoltán Székely.
Stravinsky: Suite italienne, Duo concertant, & Divertimento / Bartók: Rhapsodies Nos. 1 & 2 (Ambartsumian, Sheludyakov)
Stravinsky: Suite italienne
I. Introduzione. Allegro moderato 2:21
II. Serenata. Larghetto 2:57
III. Tarantella. Vivace 2:12
IV. Gavotte con 2 variazioni 4:10
V. Minuetto 1:39
VI. Finale 2:11
Stravinsky: Duo concertant
I. Cantilene 4:00
II. Eglogue I 2:18
III. Eglogue II 3:29
IV. Gigue 3:53
V. Dithyrambe 2:56
Stravinsky: Divertimento
I. Ouverture 6:12
II. Danses suisses. Tempo giusto 4:12
III. Scherzo 2:52
IV. Pas de deux 6:37
Bartók: Rhapsody for Violin & Piano No. 1, BB 94a, Sz. 86
I. Lassú. Moderato 4:37
II. Friss. Allegretto moderato 5:32
Bartók: Rhapsody for Violin & Orchestra No. 2, BB 96b, Sz. 90
I. Lassú. Moderato 4:20
II. Friss. Allegro moderato 6:55
A capa parece de comédia norte-americana. Um homem entre duas loiras. Seria melhor que ficassem juntos para sempre; afinal, tocam bem. Mas não sei se a cara deles revela alguma possível permissividade. Esqueçam. Este é um CD EXCELENTE que vale pelos Contrastes de Bartók e pelo sensacional Trio de Khachaturian. A redução da História do Soldado é boa, mas a versão original goleia. Contrastes — que é dedicada originalmente a Benny Goodman — é tão pouco tocada e Bartók é um compositor tão perfeito que a gente fica feliz de poder ouvir e reouvir a peça. O Trio de Khachaturian é maravilhosamente bem escrito, uma obra-prima mesmo. Cada um toca uma coisa diferente e sempre dá certo. E o Ensemble Incanto encanta… (peço desculpas pelo trocadalho do carilho). Falando sério, o conjunto é excelente, tem senso de estilo e apenas valoriza este excelente repertório.
Milhaud / Bartók / Stravinsky / Khachaturian: Trios para Clarinete, Violino e Piano
Darius Milhaud (1892-1974) – Suite
01. Ouverture – Vif et gai
02. Divertissement – Animé
03. Jeu – Vif
04. Introduction et Final
Igor Stravinsky (1882-1971) – L’Histoire du Soldat, Suite
08. Marche du Soldat
09. Le violon du Soldat
10. Petit concert
11. Tango – Valse – Rag
12. Danse du Diable
Muitas músicas me emocionam, mas estas Sonatas de Bartók me atingem especialmente. Elas me falam de muita tristeza, de um mundo como o nosso e o dele, ou seja, uma total desgraça. Penso que a dupla Bieler e Tichman enfatize os aspectos líricos das obras, mas ainda deixam-nas com muitos espinhos e ferocidade. Não é o CD ideal para fornecer uma entrada a novos ouvintes da obra de Bartók. São obras-primas de tremendo impacto e dificuldade. Jamais vou esquecer de uma vez em que as duas Sonatas foram apresentadas em Porto Alegre em excelente interpretação de Marcello Guerchfeld e Cristina Capparelli. Ao final, olhei para o lado e tinha dois chorando. Pois é, eles entenderam. As duas sonatas datam do início dos anos 20, quando o estilo de Bartók estava no seu auge de sua complexidade. Elas não são fáceis de ouvir, mas como os esforços e a concentração são recompensados! Certamente estão entre as maiores sonatas para violino já escritas. Ambas as obras são altamente dissonantes, poderosas e até agressivas, mas, além disso, são bem diversas em caráter. A primeira está em uma forma tradicional de três movimentos, com um primeiro movimento feroz e cintilante, um segundo movimento lírico e um terceiro bárbaro. A segunda é bem compacta e densa, com duas seções distintas, a primeira lenta e a segunda mais rápida.
Pois é, senhores, volto com os quartetos de Bartók. Sei que todos aqui conhecem bem esses quartetos e falar deles é como falar dos seis últimos quartetos de Beethoven, ou seja, não preciso falar nada. São obras clássicas que devem estar na discoteca de todos. Por isso o principal motivo de trazê-los aqui é apenas pela gravação histórica e raríssima do Julliard String Quartet. Existem três gravações da integral feita pelo grupo, a clássica gravação de 1950 (se não me engano, a primeira integral dos quartetos) e que continua sendo a preferida pra muita gente, a desastrosa gravação dos anos 80 (os caras precisavam de vitamina) e essa de 1963 que trago pra vocês.
Não sou daqueles ouvintes que perde muito tempo discutindo qual a melhor gravação. E no caso dos quartetos de Bartók, você está muito bem servido se tiver a integral com os Emerson (colocada logo no início do blog pelo PQPBach), ou com o excelente Tokyo String Quartet, como também a quase insuperável gravação com Takács (aliás, vi, ao vivo, esses caras tocando o quarteto n.2 e não tem nada melhor que aquilo). No entanto, ainda imaginando que o caso Bartók já tava fechado, dei de cara com uma gravação que muitos diziam estar perdida. É a primeira impressão feita em cd pela Sony da quase mitológica gravação dos Julliard nos anos 60. Comprei na hora (a capa aqui está diferente do meu disco, mas é esse aí).
Não foi surpresa perceber que tinha adquirido o melhor registro dos quartetos de Bartók. Rude, sombrio e preciso. Ouçam o quarteto n.4 (o último movimento avassalador) pra entenderem o que falo. E o n.3 é um exemplo de precisão. O pouco valorizado quarteto n.6 aqui ganha sua melhor defesa, é sombrio e magistral até não poder mais.
Enfim, senhores, este post foi uma homenagem a esta rara (espero que não mais) e fascinante gravação dessas obras clássicas.
Béla Bartók (1881-1945) – Os 6 Quartetos de Cordas (Juilliard)
Disco 1
1. String Quartet No.1, Sz. 40 (Op.7) – Lento
2. Allegretto
3. Introduzione. Allegro – Allegro vivace
4. String Quartet No.2, Sz. 67 (Op.17) – Moderato
5. Allegro molto capriccioso
6. Lento
7. String Quartet No.3, Sz. 85 – Moderato
8. Allegro
9. Ricapitulazione della prima parte. Moderato
10. Coda.Allegro molto
Disco 2
1. String Quartet No.4, Sz. 91 – Allegro
2. Prestissimo, con sordino
3. Non troppo lento
4. Allegretto pizzicato
5. Allegro molto
6. String Quartet No.5, Sz. 102 – Allegro
7. Adagio molto
8. Scherzo. Alla bulgarese
9. Andante
10. Finale
11. String Quartet No.6, Sz. 114 – 1. Mesto – Vivace
12. Mesto – Marcia
13. Mesto – Burletta (Moderato)
14. Mesto
O grande Dr. Cravinhos nos envia este CD de Músicas para Crianças do genial Béla Bartók. Ficamos muito gratos. Não é todo dia que recebemos um presente desses. E ele ainda nos manda texto sobre a música, etc. Como acredito que quase todo mundo aqui lê inglês, copio aqui o texto que foi enviado a nós:
Bartók for Children, written in 1908 & 1909 and originally including 85 pieces based on Hungarian & Slovakian folk tunes, was first published in four volumes. Some of the pieces were revised by the composer in the 1930’s and he made a complete revision of the whole work in 1943, writing thirteen new pieces and reducing to total number to 79, to be published postumously in 1947 in two volumes although Bartók had been able to correct the proposed new edition in 1944. The pieces are described as little pieces for beginners, without stretches of an octave. They are a direct reflection of Bartók’s interest in folk music. The melodies, in various modes, are never forced into the traditional strait-jacket of academic harmony but set off by simple accompaniments that preserve their original character. For Children, as with Mikrokosmos and his forty-four Violin Duets, they offer a much wider view of music than was once and perhaps is still usual in teaching material confined entirely to the major and minor scales and harmonies of common practice.
Quando me perguntam de quais compositores eu mais gosto, sempre respondo:
– Gosto de uns duzentos.
Porém, um dia, sonhei que me amarraram numa árvore e um implacável algoz me açoitou até que eu dissesse o nome de meus três preferidos.
– Bach, Brahms e Bartók. Mas prefiro morrer a ficar sem os últimos quartetos e sonatas de Beethoven…
E o chicote voltou a explodir sobre minhas costas.
– Diga um que não comece pela letra “B”, seu imbecil!
– Um quarto?
– O quarto você já disse, animal. Ou não ouvi o nome de Beethoven? — e mais uma terrível chicotada. Pobre de mim.
– Está bem. Escolho Shostakovich ou Mahler.
Meu algoz deu a volta na árvore, olhou bem dentro de meus olhos e questionou asperamente:
– Por que não disseste Mozart? E por que haveria dois socialistas na tua lista?
– Não sei. Talvez porque Mozart em excesso me cause enjôo.
– Enjoo???
Neste momento meu algoz caiu desfalecido, vítima de um mal súbito, e eu acordei. Ele era um homem sensível.
Meu sonho serve para que nossos quatorze leitores saibam o respeito que este bastardo bachiano guarda pelo húngaro Bartók e o motivo de sua pressa nessa repostagem. (Pois o antigo link foi para o espaço.)
Não lembro de gravação melhor do que esta para o Concerto para Orquestra. É uma coisa de louco, maravilhosa mesmo.
Béla Bartók (1881-1945): Cantata Profana / Concerto para Orquestra (Réti, Faragó, Ferencsik)
1. Cantata Profana, BB 100, “A kilenc csodaszarvas” (The 9 Enchanted Stags) (19min35)
Jozsef Reti, tenor
Andras Farago, baritone
Janos Ferencsik, conductor
Coro: Budapest Chorus
Budapest Symphony Orchestra
Concerto para Orquestra, BB 123
2. I. Introduzione (9min53)
3. II. Giuoco delle coppie (6min33)
4. III. Elegia (7min02)
5. IV. Intermezzo interrotto (3min49)
6. V. Finale (9min36)
Janos Ferencsik, Conductor
Hungarian State Orchestra
O ballet-pantomima O Mandarim Miraculoso narra uma curiosa história. Sons precipitados e tumultuados de rua apresentam três vagabundos que coagindo uma jovem mulher a fazer o papel de prostituta a fim de atrair homens a seu quarto para que eles pudessem roubá-los. (O chamado sedutor é soado três vezes pelo clarinete.) Primeiro, a jovem atrai a atenção de um senhor de idade. Mas seu interesse por ela é subitamente interrompido quando os três cúmplices o escorraçam porque ele não tem dinheiro. O chamado sedutor soa de novo, desta vez alcançando um jovem tímido. A jovem se sente atraída por ele e os dois dançam. Mas quando descobrem que ele também tem pouco dinheiro, é igualmente posto para fora.
O terceiro chamado traz à cena o macabro Mandarim. Os olhos traem-lhe os desejos. A jovem começa a dançar para ele- uma valsa que lentamente começa a se delinear – excitando-o ainda mais. No clímax da dança ela se lança a seus joelhos. Apaixonadamente, ele a abraça. A jovem, aterrorizada, foge dele quando um forte toque de trombone anuncia frenética perseguição em ostinado. O Mandarim a persegue e, quando alcança a mulher, os três delinquentes saltam de seu esconderijo e tentam asfixiá-lo sob uma pilha de almofadas. Mas o mandarim consegue se reerguer e com os olhos fixos ainda mais apaixonadamente sobre a jovem. Os homens o atravessam com uma espada enferrujada, mas o Mandarim não sangra. Enforcam-no num candelabra mas ele não morre. Finalmente, sua cabeça é decepada e a jovem, chorando toma-o nos braços. Só então começam a ferir as feridas do Mandarim e ele consegue morrer.
O Concerto para Orquestra não tem programa e faz parte da triste história da emigração de Bartók para os EUA. Não vou falar da luta contra a pobreza nem da falta de saúde. Vamos tentar falar da parte boa: apesar dos temores quanto ao futuro, da leucemia que acabaria por matá-lo e de suas preocupações com a humanidade, ele contava com amigos influentes. Benny Goodman encomendara Contrastes e, com outros amigos, aconselhara Koussevitsky a encomendar o Concerto para Orquestra. A encomenda tinha que ser feita com discrição para evitar qualquer sugestão de caridade que feriria o orgulho de Bartók. Mesmo assim, Koussevitsky teve dificuldade em persuadir o compositor enfermo a aceitar um adiantamento. O húngaro, um socialista cujo molde perdeu-se, não tinha mesmo o traquejo social de Stravinsky, cujo indiscutível talento como compositor aliava-se notável desejo de tornar-se um socialite, coisa que conseguiu ao final da vida. Anyway…
O Concerto para Orquestra não demonstra grande tristeza. É uma obra onde a orquestra literalmente ri no quarto movimento e há a brincadeira do segundo movimento com os instrumentos entrando em duplas – Gioco delle copie. Se o terceiro movimento é uma “Canção da Morte”, o quarto é alegre e o quinto é uma belíssima afirmação de vida.
A gravação de Simon Rattle com a CBSO é uma comprovação de que ele só foi para Berlim por cargo, salário e visibilidade. Não o critico por isso, mas vejam como era fantástica sua orquestra em Birmingham!
Béla Bartók (1881-1945): O Mandarim Miraculoso e Concerto para Orquestra (Rattle)
O Mandarim Miraculoso
1 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): The Beginning, the Curtain Rises 3:11
2 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): First Seduction Game 3:44
3 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): Second Seduction Game 3:16
4 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): Third Seduction Game, the Mandarin Enters 4:14
5 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): Dance of the Girl 4:18
6 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): The Chase, the Tramps Leap Out 4:26
7 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): Suddenly the Mandarin’s Head Appears, They Drag the Mandarin to the Centre of the Floor 6:25
8 The Miraculous Mandarin, Op 19 (Sz 73): The Mandarin Falls to the Floor 2:11
Concerto para Orquestra
9 Concerto for Orchestra (Sz 116): Introduzione (Andante non troppo – Allegro vivace) 10:15
10 Concerto for Orchestra (Sz 116): Giuoco delle coppie (Allegretto scherzando) 6:38
11 Concerto for Orchestra (Sz 116): Elegia (Andante non troppo) 7:23
12 Concerto for Orchestra (Sz 116): Intermezzo interrotto (Allegretto) 4:27
13 Concerto for Orchestra (Sz 116): Finale (Pesante – Presto) 9:52
City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle
O que você faz naquele momento de grande atribulação? Como lidar com os dias nos quais seu coração se enche de dúvidas e angústias? Como beber daquele amargo copo? Hoje, eu danço…
Esse disco do pianista italiano Alessio Bax, radicado em Nova Iorque, oferece música que foi inspirada em danças. Dançar é uma das manifestações artísticas mais primitivas e definitivamente afeta a todos, mesmo aos mais desajeitados. Eu parafraseio o adágio antigo dizendo: quem dança, seus males espantam!
O disco começa com Suíte Inglesa No. 2 de Bach, que é uma sequência de danças: allemanda, courante, sarabanda, bourrées e gigue, precedidas por um dançante prelúdio. Um salto no tempo e no estilo nos leva à outra suíte de danças, agora composta por Bartók. O contraste não poderia ser mais forte. A modernidade da suíte de Bartók se deve muito à inspiração folclórica, de natureza mais primitiva do que as danças cortesãs de Bach.
Em seguida o mistério e a sensualidade das danças espanholas estão presentes em peças mais curtas, mas absolutamente características. Manuel de Falla e Isaac Albeniz são os culpados desses pequenos pecados em forma de música para dançar.
Valsas não poderiam faltar e Liszt, assim como o elegantíssimo Ravel proveem essa demanda. E para fechar o recital, duas pequenas e virtuosísticas peças: uma transcrição para piano de uma gavota de Bach, feita por Rachmaninov, e uma dança húngara, de Brahms, num arranjo de outro grande virtuose do piano, György Cziffra.
Você não precisa sair rodopiando ao ouvir o disco, mas se você nem batucar os dedos ou mexer com os pés, precisa rápida terapia de dança…
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
English Suite No. 2 in A minor, BWV807
Prélude
Allemande
Courante
Sarabande
Bourrée I – VI. Bourrée II
Gigue
Belá Bartók (1881-1945)
Tanz-Suite, Sz. 77, BB 86b (Version for Piano)
Moderato
Allegro molto
Allegro vivace
Molto tranquillo
Comodo
Finale. Allegro
Manuel de Falla (1876-1946)
El sombrero de tres picos: Danza del molinero (Farruca)
[Version for Piano, with introduction transcribed by Alessio Bax]
Danza
Isaac Albéniz (1860–1909)
Tango (No. 2 from Espana, Op. 165)
Danza
Manuel de Falla
El amor brujo: Danza ritual del fuego, para ahuyentar los malos espíritus
Danza
Franz Liszt (1811-1886)
Valses oubliées, S. 215: No. 1
Valse
Maurice Ravel (1875–1937)
La Valse
Valse
Johann Sebastian Bach
Violin Partita No. 3 in E Major, BWV 1006 [Arr. Rachmaninov]
Gavotte en rondeau
Johannes Brahms (1833–1897)
Hungarian Dance No. 6 in D flat major [Arr. György Cziffra]
His ninth solo album on Signum Records, Alessio Bax combines exceptional lyricism and insight with consummate technique and is without a doubt “among the most remarkable young pianists now before the public” (Gramophone). Here he presents an album of works for dancing, including tangos and waltzes spanning three centuries. — [Página da gravadora]
How does Bax achieve such a powerful crescendo at the Bartók Dance Suite’s outset without the least banging …As for Falla’s Ritual Fire Dance, you rarely hear the music soar from the ground up, where booming bass lines ignite genuine right-hand fireworks: a wonderful performance. — [Gramophone Magazine, October 2024]
FDP Bach resolveu voltar ao século XX em suas próximas postagens. Teremos Bártok, Prokofiev, Stravinsky e talvez Strauss no pacote. Vamos começar com Bela Bártok. FDP tem um carinho especial para com esta coleção da integral das obras para piano e orquestra do genial pianista, compositor e pesquisador húngaro. Não sabe o por quê… Zoltan Kocsys é um intérprete que captura muito bem o espírito da obra, talvez pelo fato de também ser húngaro, e a direção de Ivan Fischer é sempre correta e segura. Enfim, uma gravação de excelência.
Béla Bartók (1881-1945): The Works for Piano & Orchestra (Kocsis, Fischer)
Piano Concerto No. 1
1-1 Allegro Moderato 8:40
1-2 Andante 6:47
1-3 Allegro Molto 6:37
Music For Strings, Percussion, And Celesta
1-4 Andante Tranquillo 7:22
1-5 Allegro 7:30
1-6 Adagio 7:24
1-7 Allegro Molto 7:01
Piano Concerto No. 2
2-1 Allegro 9:17
2-2 Adagio – Piu Adagio – Presto 12:51
2-3 Allegro Molto 6:00
Rhapsody For Piano And Orchestra, Op. 1
2-4 Adagio Molto 13:56
2-5 Poco Allegretto 9:55
Scherzo For Piano And Orchestra
3-4 Introduzione (Adagio Ma Non Troppo) 6:51
3-5 Allegro Vivace – Scherzo (Allegro) 9:46
3-6 Trio (Andante) 5:09
3-7 Scherzo Da Capo (Allegro Vivace) 8:15
Conductor – Ivan Fischer
Orchestra – Budapest Festival Orchestra
Piano – Zoltán Kocsis
Disquinho precioso com duas PEDRADAS absolutas do repertório orquestral: o balé-pantomima “O Mandarim Miraculoso”, Op. 19, composto entre 1918 e 1924, e o estupendo “Concerto Para Orquestra”, de 1943, ambas da pena do húngaro Bela Bartók (1881-1945). Gravado entre 1991 e 93, mostra uma Sinfônica de Saint Louis na ponta dos cascos, em pura sintonia com o regente Leonard Slatkin, que se encontrava à frente do grupo desde 1979 (ficaria até 96).
“O ballet-pantomima O Mandarim Miraculoso narra uma curiosa história. Sons precipitados e tumultuados de rua apresentam três vagabundos que coagindo uma jovem mulher a fazer o papel de prostituta a fim de atrair homens a seu quarto para que eles pudessem roubá-los. (O chamado sedutor é soado três vezes pelo clarinete.) Primeiro, a jovem atrai a atenção de um senhor de idade. Mas seu interesse por ela é subitamente interrompido quando os três cúmplices o escorraçam porque ele não tem dinheiro. O chamado sedutor soa de novo, desta vez alcançando um jovem tímido. A jovem se sente atraída por ele e os dois dançam. Mas quando descobrem que ele também tem pouco dinheiro, é igualmente posto para fora.
O terceiro chamado traz à cena o macabro Mandarim. Os olhos traem-lhe os desejos. A jovem começa a dançar para ele- uma valsa que lentamente começa a se delinear – excitando-o ainda mais. No clímax da dança ela se lança a seus joelhos. Apaixonadamente, ele a abraça. A jovem, aterrorizada, foge dele quando um forte toque de trombone anuncia frenética perseguição em ostinato. O Mandarim a persegue e, quando alcança a mulher, os três delinqüentes saltam de seu esconderijo e tentam asfixiá-lo sob uma pilha de almofadas. Mas o mandarim consegue se reerguer e com os olhos fixos ainda mais apaixonadamente sobre a jovem. Os homens o atravessam com uma espada enferrujada, mas o Mandarim não sangra. Enforcam-no num candelabro mas ele não morre. Finalmente, sua cabeça é decepada e a jovem, chorando toma-o nos braços. Só então começam a ferir as feridas do Mandarim e ele consegue morrer.”
Estreia italiana do balé “O Mandarim Miraculoso”. La Scala, Milão, 1942
Um detalhe curioso e simpático desse disco é que ele reúne os dois finais compostos por Bartók para o “Concerto para Orquestra”: o original, de 1943, e o revisto, de fevereiro de 1945, pouco antes da morte do compositor. É este segundo final que geralmente é tocado mundo afora e que vem em primeiro lugar no disco.
Uma curiosidade sobre a Saint Louis Symphony Orchestra: o diretor artístico entre 1963 e 1968 foi ninguém mais, ninguém menos que o cearense Eleazar de Carvalho (1912-1996), tendo regido pela primeira vez na história da SLSO obras fundamentais como “A Sagração da Primavera”, de Stravinsky, e a “Missa Solemnis”, de Beethoven”.
“O Mandarim Maravilhoso”, op. 19
1. The Miraculous Mandarin op.19: Beginning
2. The Miraculous Mandarin op.19: The curtain rises
3. The Miraculous Mandarin op.19: First seduction game: the shabby old rake
4. The Miraculous Mandarin op.19: Second seduction game
5. The Miraculous Mandarin op.19: The shy youth appears at the door
6. The Miraculous Mandarin op.19: Third seduction game
7. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin enters-Encounter with the girl
8. The Miraculous Mandarin op.19: The girl’s dance
9. The Miraculous Mandarin op.19: She flees from him; he chases her wildly
10. The Miraculous Mandarin op.19: The Mandarin stumbles, but catches the girl; they fight. The…
11. The Miraculous Mandarin op.19: Suddenly the Mandarin’s head Appears. The Tramps drag him out,…
12. The Miraculous Mandarin op.19: They drag the Mandarin to the centre of the room and hang him on a…
13. The Miraculous Mandarin op.19: The tramps take him down. He falls to the floor and at once leaps…
14. The Miraculous Mandarin op.19: His longing stilled, the Manadrin’s wounds begin to bleed; he…
“Concerto para Orquestra”
15. Introduzione: Andante non troppo; Allegro vivace
16. Giuoco delle coppie: Allegretto scherzando
17. Elegia: Andante non troppo
18. Intermezzo interrotto: Allegretto
19. Finale: Presto (até o compasso 573)
20. Finale: final alternativo
21. Finale: final original
Membros do Coro da Sinfônica de Saint Louis (em O Mandarim Maravilhoso)
Thomas Peck, diretor do coro
Saint Louis Symphony Orchestra
Leonard Slatkin, regente
Talvez, quem sabe?, este seja um dos melhores CDs que já postei aqui. Na minha opinião é, sem dúvida. Como dois parênteses, dois extraordinários Concertos para Piano de Prokofiev cercam o Concerto Nº 3 do maior compositor do século XX (provocação gratuita do bem, mesmo que expresse minha opinião real, àqueles que votam em Stravinsky, outro gênio indiscutível). Ao piano, Marthita em sua melhor forma. Na última vez em que veio à Porto Alegre, pedi-lhe dois autógrafos, um num antigo vinil onde interpretava peças para dois pianos junto com Nelson Freire — ela olhou para a capa e gritou “Nossa, eu um dia fui jovem, eu era um pouco mais bonita do que a bruxa de hoje, não?”, ao que assenti com entusiasmo… — e este que posto hoje — “Nossa, neste aqui eu tocava muito bem!”, e caiu na gargalhada, completando: “Gravamos tudo rapidamente. Foi perfeito. Gastamos mais tempo conversando e tirando as fotos em preto e branco para o CD”.
Tinha razão, foi tudo perfeito. O que Martha Argerich faz nestes três concertos em termos de virtuosismo e temperatura emocional é efetivamente espantoso, apenas repetível sob outra forma, tão pessoal é sua abordagem.
Não é um CD normal este que você vai baixar hoje.
Prokofiev (1891-1953): Concertos para piano Nº 1 & 3 / Bartók (1881-1945): Concerto para piano Nº 3 (Argerich / Dutoit)
Prokofiev – Piano Concerto No. 1 in D flat Op. 10 1. First movement: Allegro brioso 6:57
2. Second movement: Andante assai 4:34
3. Third movement: Allegro scherzando 4:31
Bartók – Concerto for Piano and Orchestra No. 3 Sz119 4. First movement: Allegretto 7:22
5. Second movement: Adagio religioso -[poco più mosso] – tempo I 10:45
6. Third movement: Allegro vivace – [presto] 6:50
Prokofiev – Piano Concerto No. 3 in C Op. 26 7. First movement: Andante – Allegro 9:43
8. Second movement: Tema (Andatino) and Variations 9:39
9. Third movement: Allegro ma non troppo – meno mosso – Allegro 9:51
Martha Argerich, piano
Orchestre Symphonique De Montréal
Charles Dutoit
Dias atrás, ocorreu uma pequena discussão neste blog. Não quis participar, porque já tinha discutido o assunto em outras oportunidades e as pessoas se tornam muito agressivas, sabe-se lá por quê. O tema era violinistas. Então vieram os passadistas que não leram Virginia Woolf (ou, OK, que não concordam com ela) e desfilaram uma série de nomes de pessoas mortas. Eu sempre defendi a tese de que os instrumentistas modernos são, em sua maioria, superiores aos do passado. Basta ouvir com atenção. O resto, meus amigos, vai por conta do afeto. Uma vez, em minha casa, criei grande confusão ao mostrar gravações de pianistas e violinistas de ontem e hoje. Entre outros grandes artistas, a confusão foi gerada por Viktoria Mullova, uma violinista que “só não é absolutamente fabulosa pelo fato de estar viva” (V.W.). Quase imbatíveis, ela, Gil Shaham, Shlomo Mintz, o russo aquele (Vengerov, acho) e outros violinistas cujos corações ainda batem, ganhavam a preferência de quase todos. E estávamos quase só entre músicos… Dávamos risadas e as pessoas diziam que “não, não pode ser”. Os únicos que efetivamente acompanhavam os modernos eram Heifetz, Oistrakh e Szeryng. Imaginem que Milstein foi chamado de amador por três vezes. Não sou apocalíptico e acho que os modernos fazem melhor por estarem sobre os ombros dos gigantes do passado. Quando o gigante Gould concebeu suas interpretações, não foi auxiliado por Gould. Já Hewitt foi. Deste modo, não é inteiramente estranho que faça tão bem quanto ou até melhor. Bem, esqueçam, este foi só um exemplo e talvez não o mais feliz deles.
Beijos.
P.S.– Ah, há Mullova neste CD. Muita Mullova!
Igor Stravinsky (1882-1971): Concerto para Violino e Orq. / Bela Bartók (1881-1945): Concerto No. 2 para Violino e Orq. (Mullova / Salonen)
Igor Stravinsky (1882-1971) – Violin Concerto in D major
01. No. 1, Toccata
02. No. 2, Aria I
03. No. 3, Aria II
Bela Bartók (1881-1945) – Violin Concerto No. 2 in B minor, Sz. 112, BB 117
04. I. Allegro con troppo
05. II. Andante tranquillo
06. III. Allegro molto
Viktoria Mullova, violino
Los Angeles Philharmonic New Music Group
Esa-Pekka Salonen, regente
Por várias vezes já declarei aqui no PQPBach minha admiração por esta excepcional violinista chamada Amandine Beyer. Até pouco tempo só ouvira discos seus tocando mais especificamente o repertório barroco, mas aqui neste disco que ora vos trago ela mergulha fundo no século XX e XXI, desde nosso adorado Bártok, com suas “Danças Populares Romenas”, o até então por mim desconhecidos Jeron D´Hoe e Ion Scarlatescu, e também mergulha com corpo e alma na magnífica “Sonata em Lá Maior”, de César Franck e Tchaikovsky com sua Valse Scherzo. Um repertório bem eclético, com certeza, que serve antes de tudo para mostrar toda a versatilidade e talento de Amandine Beyer.
Sobre Jeroen D´Hoe encontrei as seguintes informações em um site:
“Jeroen D’hoe (1968) is a prolific composer, pianist and musicologist, who engages in various dialogues with other musical styles and other art disciplines, usually commissioned by orchestras, ensembles, festivals and museums. He received a DMA (Doctor of Musical Arts) and Master of Music in composition with John Corigliano from The Juilliard School (New York), in addition to Masters in composition (Piet Swerts) and piano (Johan Lybeert and Alan Weiss) at LUCA School of Arts, Campus Lemmens (Leuven) and a Master in Musicology (KU Leuven). Jeroen D’hoe won the National Composition Competition of Queen Elisabeth (2003), the SABAM Prize for Composition (2003) with Toccata-Scherzo, and the Composition Competition of the Province of Flemish Brabant (2002) with Festival Anthem. He received the “Golden Poppy” Award (SABAM) for his oeuvre in the classical composition category (2008).
Sobre Ion Scarlatescu encontrei informações em romeno na Wikipedia, que diz que ele foi um pedagogo e professor no Conservatório de Música de Bucareste, e viveu entre 1872 e 1922. Sua “Bagatelle em Si Bemol Menor”, obra que Beyer gravou neste disco, é sua obra mais conhecida.
Enfim, um belíssimo CD, creio que os senhores irão gostar muito. A incursão de Beyer no repertório contemporâneo e romântico foi uma grande surpresa para mim. E apenas demonstrou o que já sabia: que grande violinista que ela é !!!
Béla Bartók (1881-1945)
01. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ I. Bot tánc _ Jocul cu bâtă
02. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ II. Brâul
03. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ III. Topogó _ Pe loc
04. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ IV. Bucsumí tánc _ Buciumeana
05. Rumanische Volkstanze, Sz.56_ V. Román polka _ Poarga Românească – Aprózó _ Mărunțel
Jeroen D’hoe (1968)
06. Dances for Violin and Piano_ I. Commencement dance
07. Dances for Violin and Piano_ II. Round
08. Dances for Violin and Piano_ III. Tango
09. Dances for Violin and Piano_ IV. Jig
10. Dances for Violin and Piano_ V. Chaconne
11. Dances for Violin and Piano_ VI. Ballet mécanique with spagnoletta
César Franck (1822-1890)
12. Sonate pour violon et piano in A Major, FWV 8_ I. Allegretto ben moderato
13. Sonate pour violon et piano in A Major, FWV 8_ II. Allegro
14. Sonate pour violon et piano in A Major, FWV 8_ III. Recitativo Fantasia (ben moderato)
15. Sonate pour violon et piano in A Major, FWV 8_ IV. Allegretto poco mosso
As 2 obras deste disco são contemporâneas. Hindemith compôs a Sinfonia em 1934 e Bartók compôs a sua obra em 1936.
Hindemith planejava compor uma ópera com enredo baseado na vida de Matthias Grünewald, o pintor do Retábulo de Isenheim, quando William Furtwängler lhe pediu uma peça para apresentar em uma turnê que faria com a Berliner Philharmoniker. Ele resolveu compor estes movimentos sinfônicos, que foram posteriormente usados na ópera.
Paul Sacher
A peça de Bartók foi comissionada por Paul Sacher para a celebração do aniversário de dez anos de sua orquestra, a Basler Kammerorchester. Paul Sacher dedicou-se à música de seu século de muitas maneiras diferentes: como intérprete, como patrono de novas composições e como membro e patrocinador de muitos comitês e instituições. A Música para Cordas, Percussão e Celesta foi composta no mesmo período em que Bartók compôs o Quarto e o Quinto Quartetos de Cordas. A partitura dessa peça é precedida pela cuidadosa disposição dos instrumentos em relação ao regente.
Este disco me deixou intrigado, pois sempre imaginava Herbert von Karajan regendo as peças de maior apelo aos ouvintes. As sinfonias de Tchaikovsky e outros famosos compositores, assim como os concertos, sempre com jovens intérpretes. No entanto, este é apenas um dos muitos aspectos deste regente que desperta tão forte opiniões nas pessoas. Havia também o seu interesse pela música de seu próprio tempo, assim como pelas novas tecnologias. Karajan gravou essa peça de Bartók três vezes. Sua primeira gravação, feita em 1949, foi simplesmente a segunda gravação da peça. A gravação que temos aqui foi feita em novembro de 1960 e já se beneficiou da nova tecnologia de gravações – estéreo. A produção foi feita pelo lendário e controverso Walter Legge. Há ainda outra gravação dessa obra de Bartók por Karajan e a Berliner Philharmoniker, provavelmente mais conhecida, por ser para o selo Deutsche Grammophon, feita em 1973.
Quanto a obra de Hindemith, não sei quantas gravações Karajan fez, mas certamente ela fazia parte de seu repertório de novidades, como as sinfonias de Arthur Honegger e as peças dos seres do outro planeta, Schoenberg, Berg e Webern. Há uma gravação feita ao vivo de um concerto com a Wiener Symphoniker em 18 de fevereiro de 1957, na Grosser Saal des Wiener Musikvereins, cujo programa foi a Sinfonia de Hindemith e a Sétima de Beethoven.
As duas obras do disco, apesar da proximidade temporal, não poderiam ser mais diferentes. Um texto que descreve a obra de Bartók começa assim; ‘Qual é a fonte dessa música diabólica? As divagações cromáticas sugerem Wagner e o seu Tristão, que preludia Schönberg. Mas existem outros antecedentes, e estes incluem Strauss, Stravinsky, Debussy, Ravel e, crucialmente, a música folclórica da Hungria natal de Bartók e dos seus arredores’. Diabólica… bem, trechos da obra foram usados em filmes como Being John Malkovich e Shining. Aqui você encontrará mais informações sobre essa peça.
A obra de Hindemith não é uma sinfonia no sentido estrito, uma vez que sua composição derivou de material que seria usado na ópera, mas é bem próxima do que se esperava de uma sinfonia. Veja como inicia a descrição da peça em uma análise acadêmica: “É irônico que a Sinfonia “Mathis der Maler” tenha sido considerada anti-alemã pelos nazistas. Do ponto de vista estilístico, como uma obra tonal que revive a tradição sinfônica alemã, com um foco nacionalista e uso de melodias folclóricas, deveria ter sido uma obra modelo de um compositor do Terceiro Reich. No entanto, sua paleta sonora melódica e pós-romântica a coloca na categoria de outras obras europeias da década de 1930 por compositores como Stravinsky, Bartók, Schoenberg e Shostakovich que reagiram em sua música contra o totalitarismo.”
O primeiro movimento da sinfonia, por exemplo, foi inspirado no painel “O Concerto Angélico” (Engelkonsert) de Mathis Grünewald, que retrata três anjos tocando e cantando para o recém-nascido Cristo e sua mãe. A pintura serviu de inspiração para o primeiro movimento da Sinfonia, também funcionando como prelúdio para a ópera. Aqui, Hindemith optou por citar uma melodia folclórica de oito compassos, Es sungen drei Engel ein süssen Gesang (Três Anjos Cantaram uma Canção Doce). O Sepultamento, segundo movimento da Sinfonia, foi inspirado na parte de baixo do Tríptico.
A pintura mais impressionante, na minha opinião é a que trata das tentações de Santo Antônio.
Béla Bartók (1881-1945)
Música para Cordas, Percussão e Celesta, Sz. 106
Andante tranquilo
Allegro
Adagio
Allegro molto
Paul Hindemith (1895-1963)
Sinfonia “Mathis der Maler”
Engelskonzert (Concerto Angélico)
Grablegung (Sepultamento)
Versuchung des heiligen Antonius (As Tentações de Santo Antônio)
Numa entrevista de Herbert para Herbert, que você poderá ver na íntegra aqui:
Herbert Pendergast – ‘Você acha que a música de compositores como Boulez e Webern será facilmente compreendida pelo público musical da próxima geração?’
Herbert von Karajan – ‘Tenho certeza de que a próxima geração não terá problemas em compreender a maior parte da música de hoje.Pense no Concerto para Orquestra de Bartók.Há vinte anos era considerado inacessível;hoje é um clássico.Pense na Música para Cordas, Percussão e Celesta.Quando o tocamos hoje, soa como um concerto grosso de Handel.Com o declínio da inspiração melódica na música, as técnicas seriais de hoje são uma disciplina auto-imposta necessária para o compositor…’
Paul resolveu pousar para fotos com os instrumentos do acervo do PQP Bach, durante a preparação da postagem… Béla caiu na gargalhada…
Admiradores do canto coral, o post de hoje é para vocês. Nada mais, nada menos que uma caixa com 6 cds trazendo o crème de la crème do trabalho que o regente Eric Ericson desenvolveu ao longo de décadas à frente de dois coros na capital sueca: o Coro da Rádio de Estocolmo (hoje Coro da Rádio Sueca) e o Coro de Câmara de Estocolmo, fundado por ele.
Correndo o risco de soar exagerado, essa caixinha é o tipo de coisa que eu botaria na sonda Voyager para que os habitantes extraterrestres do cosmos soubessem que, apesar de ter dado um tanto errado como espécie, a humanidade teve seus momentos de extrema beleza, de uma verdade essencial. Um troço assim como aquele gol do Maradona contra os ingleses em 86, a Annunziata de Antonello da Messina ou o filé à francesa do Degrau.
Não sei bem explicar o porquê, tem alguma coisa na música coral que me pega fundo na alma. Talvez seja algo verdadeiramente animal, instintivo – nos sentimos tocados quando ouvimos nossos semelhantes emitindo sons em conjunto. As Paixões de Bach, a Nona de Beethoven, o Réquiem de Mozart, para ficar só em algumas das mais consagradas páginas do repertório de concerto, todas têm aquele(s) momento(s) em que o coro descortina sua avalanche sonora e a gente se agarra na cadeira, como que soterrado por tamanha beleza, tamanho feito humano. A voz humana tem esse poder, mexe com a gente, sei lá, em nível celular…
Pois esta caixinha de seis discos faz um voo panorâmico amplo, percorrendo mais de cinco séculos de música coral europeia: de Thomas Tallis (1505?-1585) a Krzystof Penderecki (1933-2020). Os seis discos são divididos em dois trios: os três primeiros levam o nome de Cinco Séculos de Música Coral Europeia e trazem obras de: Badings, Bartók, Brahms, Britten, Byrd, Castiglioni, Debussy, Dowland, Edlund, Gastoldi, Gesualdo, Ligeti, Martin, Monteverdi, Morley, Petrassi, Pizzetti, Poulenc, Ravel, Reger, Rossini, Schönberg, R. Strauss e Tallis. Os três restantes, por sua vez, são agrupados como Música Coral Virtuosa e o repertório consiste em Jolivet, Martin, Messiaen, Monteverdi, Dallapiccola, Penderecki, Pizzeti, Poulenc, Reger, R. Strauss e Werle.
Eric Ericson e György Ligeti
O texto de Michael Struck-Schloen sobre o repertório que integra o encarte é bem bom e vale a extensa transcrição, em livre tradução deste blogueiro:
“Cinco séculos de música coral europeia (cds 1 – 3) A seleção estritamente pessoal de Ericson do vasto repertório de música coral europeia dos séculos XVI a XX para a lendária produção de 1978 da Electrola pode surpreender, a princípio, pelas muitas lacunas que contém. Não há nada da audaciosamente complexa música coral do Barroco Protestante, de Schütz a Bach, nem obras do início do período Romântico, quando grandes mestres como Schubert e Mendelssohn contribuíram para a era dourada da tradição coral burguesa. As obras desses discos não foram selecionadas tendo em mente uma completude enciclopédica, mas por sua flexibilidade e brilhantismo, por sua mistura de cores e suas características tonais gerais.
A riqueza e o desenvolvimento da tradição coral europeia são melhor iluminadas quando agrupamos as obras de acordo com sua procedência ao invés de seu período de composição. A música coral europeia foi profundamente influenciada desde o início pelo som e expressão específicos do idioma utilizado; e, no século XIX, as harmonias e ritmos típicos da música tradicional folclórica também começaram a desempenhar um papel importante. As Quatro Canções Folclóricas Eslovacas (1917) e as Canções Folclóricas Húngaras (1930), de Béla Bartók, demonstram bem essa tendência rumo a uma identificação nacional, bem como os primeiros coros Manhã e Noite, de György Ligeti, escritos em 1955, um ano antes de ele escapar do regime comunista de sua Hungria natal.
Os quatro exemplos de música sacra a capella alemã incluídos aqui merecem o título dado por Brahms de Quatro Canções Séries já somente pela escolha do texto. Em uma de inflação tanto da intensidade expressiva como dos recursos musicais utilizados – como demonstrado por Paz na Terra (1907) de Schönberg e o Moteto Alemão (1913) de Richard Strauss para quatro solistas e coral de 16 vozes –, havia também um claro renascimento no interesse por antigos ideais composicionais e estilísticos. Assim, a esparsa ttécnica coral praticada por Schütz e seus contemporâneos foi a principal fonte de inspiração para os Motetos, op. 110 de Max Reger, trabalhando com textos biblicos (1909), ou para Fest- e Gedenksprüche com que um Brahms de 56 anos de idade reconheceu a liberdade que a sua Hamburgo natal o concedeu.
A mais importante revolução na história da música vocal entre a Renascença e Schönberg foi a introdução na Itália, por volta de 1600, do canto solo dramático. Esse novo estilo, que atendia pelo despretensioso nome de “monodia”, pavimentou o caminho para o gênero inteiramente novo da ópera, e também diminuiu gradativamente a importância do coral de múltiplas vozes ao norte dos Alpes. Dessa forma, os madrigais de Gesualdo e Monteverdi, com suas harmonias distintas, são na verdade música solo em conjunto, fazendo deles terreno fértil para grupos vocais ágeis e esguios como o Coro de Câmara de Estocolmo. Enquanto as extravagantes Péchés de ma vieillesse de Rossini foram escritas para quarteto e octeto vocais, o quarteto desacompanhado teve que esperar até o século XX para ser redescoberto como um meio expressivo em si mesmo. Ildebrando Pizzeti faz uma referência deliberada ao contraponto renascentista em suas duas canções Sappho, de 1964, enquanto seu conterrâneo Goffredo Petrassi explora uma ampla gama de técnicas corais modernas, de glissandi ilustrativos ao caos dissonante, em seus corais Nonsense (publicados em 1952) baseados em versos de Edward Lear.
Em uma época em que uma carga expansiva e sobrecarregada de som era a ordem do dia no trabalho coral alemão, compositores franceses ofereceram narrativas caprichosas e a poesia colorida da natureza. As Trois Chansons (1915) de Maurice Ravel, com textos dele mesmo, são uma mistura cativante de atrevida sabedoria popular e engenhosa simplicidade, enquanto Debussy incorpora antigos textos franceses em uma linearidade arcaica em suas Trois Chansons de Charles d´Orléans (1904). As Chansons bretonnes do compositor holandês Henk Badings são brilhantes estudos vocais no idioma francês, enquanto os coros Ariel do grande compositor suíço Frank Martin são importantes estudos preliminares para sua ópera A Tempestade. Não bastassem esses belos trabalhos, é a cantata para 12 vozes A Figura Humana (1943), de Francis Poulenc, a obra-prima do grupo francês: oito complexos movimentos corais a partir de textos do poeta comunista francês Paul Eluards que são o grito pessoal de protesto do compositor contra a ocupação nazista na França.
A Itália não foi o único reduto da música vocal no limiar do Barroco: a Inglaterra também manteve um alto nível em seus diversos esplendorosos corais de catedrais e na exclusiva Capela Real em Londres. O grande Thomas Tallis e seu pupilo William Byrd foram ambos membros da Capela Real, e Tallis serviu sob nada menos que quatro monarcas: Henrique VIII, Eduardo VI, Maria I e Elizabeth I. Enquanto a fama de Tallis reside em sua música coral de ingenuidade contrapuntística e grande destreza técnica, Byrd e seu pupilo Thomas Morley possuíam um alcance mais amplo, escrevendo refinadas séries de madrigais em estilo italiano. Esses, ao lado das canções usualmente melancólicas de John Dowland (“Semper Dowland, semper dolens“), representam o florescer supremo da música vocal elizabetana. Após a música vocal inglesa atingir seu pico barroco com as obras de Henry Purcell, o “sceptrd` Isle” teve que esperar até o século XX com o compositor Benjamin Britten para renovar a bela tradição coral do país com peças como seu Hino para Santa Cecília (1942).
As obras do pós-guerra incluídas nessa seleção não se prestam a serem rotuladas em nenhum escaninho nacional. Elegi, do compositor e professor sueco Lars Edlund, a intrincada Lux aeterna (1966) para 16 vozes de György Ligeti e Gyro de Niccolò Castiglione representam a vanguarda internacional no período posterior à Segunda Guerra Mundial, em que estilos individuais contavam mais que escolas locais.
Música coral virtuosa (cds 4 – 6) Música coral virtuosa: o título da lendária produção da Electrola lançada em 1978 não foi escolhido apenas para ressaltar a perfeição técnica de tirar o fôlego do Coro da Rádio de Estocolmo e de seu irmão, o Coro de Câmara de Estocolmo. O termo “virtuoso” também se aplica ao repertório gravado: as peças corais italianas do cd 4 são ampla evidência dos tesouros aguardando descoberta por alguém com ouvidos tão sensíveis como Eric Ericson.
A abertura aqui fica por conta de Claudio Monteverdi, cuja Sestina, de 1614, sobre a morte de uma soprano da corte de Mantua ergue o sarrafo no que se refere ao estilo vocal italiano e à riqueza harmônica. Como muitos compositores italianos do século XX, de Gian Francesco Malipiero a Luca Lombardi, Luigi Dallapiccola sentiu-se em dívida para com o novo e expressivo estilo vocal introduzido por Monteverdi. Os dois primeiros corais de seus Sei cori di Michelangelo il Giovane (1933-36) apresentam, em sagaz antítese, os coros das esposas infelizes (malmaritate) e o dos maridos infelizes (malammogliati). Mais heterogêneos em estilo são os três coros que Ildebrando Pizzetti dedicaram ao Papa Pio DII em 1943, para marcar seu 25º jubileu como sumo pontífice. O noturno no poema Cade la sera de D´Annunzio se desdobra em largos arcos que preenchem o espaço tonal, enquanto os textos bíblicos inspiram Pizzetti a um estilo mais arcaico e austero.
Lars Johan Werle, que chefiou por muitos anos o departamento de música de câmara da Rádio Sueca, apresentou um cartão de visitas em nome da música coral sueca contemporânea – que somente desenvolveu uma tradição autônoma sob a influência de Ericson e seus corais – com seus Prelúdios Náuticos de 1970. O compositor adorna a combinação do tratamento experimental das vozes com idéias precisas sobre articulação e a transformação do texto em música com expressões marítimas. Em contraste com este virtuoso estudo, Krzystof Penderecki escreveu seu Stabat Mater em 1962, no antigo estilo de música sacra funeral. O gênio altamente individual com que Penderecki procede da abertura com sinos em uníssono, atravessando uma intrincada polifonia tecida por três corais de 16 vozes, até o casto, luminoso acorde em puro ré maior do Gloria lhe renderam o status de um dos principais compositores jovens da Polônia na estreia de sua Paixão de São Lucas, em 1966, da qual o Stabat Mater faz parte.
Um dos focos das atividades dos dois corais, ao lado da música italiana de Gabrieli a Dallapiccola, sempre foi o repertório alemão a capella do Romantismo tardio, cujos antípodas característicos foram Max Reger e Richard Srauss. Enquanto Reger trabalhou para promover uma renovação da música litúrgica protestante no espírito de Bach, como fica evidente em seus Acht Gesänge (“Oito hinos”) de 1914, Strauss enxergava no coral de múltiplas vozes um equivalente vocal do grandioso entrelaçamento de seu estilo instrumental. Essa tendência da música coral de Strauss está documentada nessas duas peças, separadas por quase quatro décadas: sua adaptação para o poema Der Abend (“A noite”, de 1897), de Friedrich Schiller, e a caprichosamente ocasional Die Göttin im Putzzimmer (“A deusa no quarto de limpeza”), de 1935, com seus ecos da bucólica ópera Daphne, de Strauss.
Nessa jornada de descoberta ao longo da música coral europeia do século XX, é sobre as obras-primas francesas de Poulanc e Jolivet, e particularmente de Messiaen e Martin, que os dois corais de Estocolmo lançaram uma nova luz. O espectro expressivo dos ciclos apresentados aqui é inegavelmente impressionante. Enquanto em 1936 – muito após o Grupo dos Seis ter rompido – Poulenc voltou mais uma vez à poesia de Apollinaire e Eluard em suas Sept chansons, André Jolivet combinou textos sacros egípcios, indianos, chineses, hebreus e gregos em seu Epithalame, escrito em 1953 para celebrar seu vigésimo aniversário de casamento de uma forma mística. Naquele mesmo 1936, Olivier Messiaen, então com 28 anos, juntou-se a Jolivet e Daniel Lesur para criar o grupo Jeune France (“França jovem”), mas logo partiria novamente em seu idiossincrático caminho, alternando entre catolicismo, técnicas avant-garde e uma filosofia totalizante da natureza. Em termos de conteúdo, os Cinq Rechants de Messiaen, ligados entre si por refrões (rechants), representam um homólogo vocal de sua Sinfonia Turangalîla, que parte da história de Tristão e Isolda para criar uma mitologia de amor, natureza e morte. Frank Martin, nascido em Genebra, por sua vez, considerou sua Missa (1922-6) como algo “que diz respeito apenas a mim e Deus”. É música de pureza espiritual e arcaica, cuja estreia Martin autorizou apenas quarenta anos depois de sua composição.”
Ericson em ação
Obs.: para não deixar esse post ainda mais comprido, a lista completa de movimentos, intérpretes e afins está fotografada, dentro do arquivo de download.
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Five centuries of European choral music
Disco 1 Johannes Brahms (1833-1897) Fest. und Gedenksprüche, op. 109
Max Reger (1873-1916) O Tod, wie bitter bist du, op 110/3
Arnold Schönberg (1874-1951) Friede auf Erden, op. 13
Richard Strauss (1864-1949) Deutsche Motette, op. 62
Lars Edlund (1922-2013) Elegi
Béla Bartók (1881-1945) Vier slowakische Volkslieder
Disco 2 Béla Bartók (1881-1945) Ungarische Volkslieder
György Ligeti (1923-2006) Morgen Nacht Lux aeterna
Celebramos mais um aniversário da Rainha, e ela não dá sinais de arrefecer o radiador. Vá lá, volta e meia a assombrosa octogenária nos dá um susto, só para daí voltar com tudo – cancelando um concerto ou outro, naturalmente, como sói acontecer desde que Martha é Martha – e nos fazer sonhar com mais uma década todinha (a nona de sua vida, e a oitava como pianista) com ela a forrar nossos tímpanos de deleite.
Já é meu bem surrado costume cantar-lhe parabéns pelo cumple e celebrar a data gaiatamente, compartilhando presentes gravados pela própria aniversariante. Marthinha segue tão ativa fazendo música quanto afastada dos estúdios, de modo que todos os novos registros de sua arte, como há já algumas décadas, provêm somente de apresentações ao vivo. Entre as adições à discografia marthinhiana lançadas desde o 5 de junho passado – as quais passo a lhes oferecer a seguir -, apenas uma foi gravada, conforme a promessa do título desta postagem, na nona década de vida da Rainha. Trata-se de um recital em duo com o violinista Renaud Capuçon, gravado no ano passado, em que ela nos serve algumas de suas especialidades: além de uma das sonatas de Schumann, que a mantém entre os poucos grandes intérpretes a prestigiá-las em
seu repertório, ela demonstra seguir afiada como sempre na realização das eletrizantes partes pianísticas da “Kreutzer” e da sonata de Franck.
Robert Alexander SCHUMANN (1810-1856) Sonata para violino e piano no. 1 em Lá menor, Op. 105
1 – Mit leidenschaftlichem Ausdruck
2 – Allegretto
3 – Lebhaft
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827) Sonata para violino e piano no. 9 em Lá maior, Op. 47, “Kreutzer”
4 – Adagio sostenuto – Presto
5 – Andante con variazioni
6 – Finale. Presto
César-Auguste-Jean-Guillaume-Hubert FRANCK (1822-1890) Sonata em Lá maior para violino e piano
7 – Allegretto ben moderato
8 – Allegro
9 – Recitativo – Fantasia. Ben moderato
10 – Allegretto poco mosso
Renaud Capuçon, violino
Gravado ao vivo no Grand Théâtre de Provence em Aix-en Provence (França) em 22 de abril de 2022.
Este é um CD de 2007. Então, aqui o extraordinário Quarteto Ébène ainda tinha sua primeira formação, com Pierre Colombet, 1º violino; Gabriel Le Magadure, 2º violino; Mathieu Herzog, viola e Raphaël Merlin, violoncelo. O quarteto, que já era fantástico, só se tornou melhor com o ingresso da violista Marie Chilemme no lugar de Herzog em 2017. Falar sobre o repertório é ocioso, basta você visitar este link que você terá a obra completa de Bartók e mais uns 130 CDs dele. Ah, e quando apresentamos a obra completa, descrevemos dedicadamente cada um dos quartetos em várias versões. Vai lá! Sobre a interpretação, só posso dizer que o Ébène compreende muito bem o húngaro. Suas interpretações são excelentes!
Béla Bartók (1881-1945): Quartetos de Cordas Nº 1, 2 e 3 (Quatuor Ébène)
Quatuor à Cordes No 1 Opus 7 Sz. 40
1 Lento
2 Allegretto
3 Introduzione: Allegro – Allegro Vivace
Quatuor à Cordes No 2 Opus 17 Sz. 67
4 Moderato
5 Allegro Molto Cappriccioso
6 Lento
Quatuor à Cordes No 3 Opus 3 Sz. 85
7 Prima Parte: Moderato
8 Seconda Parte: Allego
9 Ricapitulazione Della Prima Parte: Moderato
10 Coda: Allegro Molto