Este é um álbum quádruplo com um interessante cantinho do repertório bachiano. Há as Cantatas acima e as Missas Breves. A qualidade do registro de Herreweghe faz sonhar. O homem é muuuuuito bom! Excelentes cantatas, compreensiva regência, grandes cantores, orquestra perfeita.
Uma vez, disse que tinha toda obra de Bach em CDs. Alguém me desafiou a apresentar as Missas Luteranas. Respondi que as tinha. Quiseram que eu as mostrasse, pois seriam raríssimas (descobri depois que são efetivamente pouco gravadas). Então, aqui estão elas.
Na semana passada, declarei ser ateu — não vejo gravidade alguma em ser destituído de sentimentos religiosos, é uma vantagem que possuo… –, e me disseram que era por isso que tínhamos tão pouca música sacra. Deve ser uma piada, pois amo a música sacra e a temos até em demasia por aqui. Foram palavras de quem não conhece o blog.
Apenas para situar, as partes cantadas da missa católica tradicional dividiam-se em duas categorias: o Ordinário, que consistia no Kyrie, Glória, Credo, Sanctus com Benedictus e Agnus Dei, cantadas o ano inteiro (com exceção do Glória por ocasião da Quaresma e do Advento); e o Próprio, que continha o Intróito, o Gradual, o Aleluia, o Ofertório e a Comunhão – partes que, como o nome sugere, mudavam em função das comemorações que variavam de acordo com a conveniência e com o calendário litúrgico.
Quando Martinho Lutero afixou suas 95 objeções ao Catolicismo Romano na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, acelerando o processo de Reforma da Igreja institucional, um de seus objetivos era tornar os ofícios religiosos acessíveis ao público.
Na verdade, ele não tinha grande coisa contra a música católica latina, mas propunha uma liturgia na língua da congregação, para que os fiéis participassem e o canto não ficasse restrito ao coro, num latim rebuscado onde apenas uma meia dúzia de privilegiados, donos de cadeiras cativas nas igrejas, conseguiam entender.
Desse modo, nos serviços luteranos do período barroco continuaram a ser usadas partes do Ordinário latino da Missa, em arranjos polifônicos.
O Kyrie, por exemplo, era tocado no primeiro domingo do Advento, enquanto o Glória era executado no Natal e o Sanctus nos dias mais solenes, enfim. Surgia, pois, uma espécie de “missa breve”, que, embora não tivesse despertado muito a atenção dos compositores luteranos, foi musicada quatro vezes por Johann Sebastian Bach.
Tais Missas Brevis (BWV 233 – 236) provavelmente originaram-se depois de 1735, ficando conhecidas como as missas protestantes (ou luteranas) de Bach. É lícito duvidar, porém, que as mesmas se destinassem a Leipzig. É muito mais provável que o seu destinatário fosse o conde Franz Anton von Sporcl, de Lissa, Boêmia. Tal senhor tinha o interesse em que as crenças protestante e católica se reaproximassem. Como a obra de Bach representa uma tentativa notável de fundir elementos litúrgicos das duas religiões, a versão não é de todo desprezível.
Ao contrário de outras grandes obras sacras de Bach – como a Missa em si menor, as paixões, as cantatas, ou o Oratório de Natal -, as Missas Brevis não têm despertado tanto o interesse dos pesquisadores e praticamente não são executadas. A Missa Brevis em Fá Maior, como as demais, também se divide em movimentos para coro e árias para solistas com acompanhamento orquestral, segundo o modelo das Cantatas de Igreja. Esta semelhança formal das missas com as cantatas pode ser explicada pelo fato de Bach não ter adequado algumas partes dessas missas. Tais trechos vieram de antigos coros ou árias de cantatas já compostas por ele anos antes.
A despeito das diferenças, as quatro missas possuem várias características em comum e os modelos originais da maioria dos movimentos estão preservados nas Cantatas compostas por volta de 1723/26, quando Bach residia em Leipzig.
Assim, todas as Missas Brevis começam com um coro sobre o texto do Kyrie, seguido do Gloria em que coros no início e no final emolduram árias. A Missa em Fá Maior é a que contém o menor número de paródias de movimentos de cantatas de igreja, ao passo que as em sol menor e sol maior consistem exclusivamente em tais adaptações.
Particularmente interessante na Missa em Fá Maior é o Kyrie. Nesta missa, o baixo vocal introduz como cantus firmus o Kyrie Eleison, Christe Eleison da Litânia (nome de outra peça de Bach) e, simultaneamente, a orquestra entoa a música do hino protestante Christe du Lamm Gottes, exemplo claro da intenção do compositor em mesclar elementos das liturgias católica e protestante.
J. S. Bach (1685-1750) – Cantatas BWV 131, 73, 105, 39, 93, 107, Missas Breves (Herreweghe)
CD 1
1. BWV 131 – Aus Der Tiefen Rufe Ich, Herr, Zu Dir –
2. BWV 131 – So Du Willst, Herr, Sunde Zurechnen –
3. BWV 131 – Ich Harre Des Herrn –
4. BWV 131 – Meine Seele Wartet Auf Den Herrn –
5. BWV 131 – Israel, Hoffe Auf Den Herrn –
6. BWV 73 – Herr, Wie Du Willt, So Schick’s Mit Mir –
7. BWV 73 – Ach, Senke Doch Den Geist Der Freuden –
8. BWV 73 – Ach, Unser Wille Bleibt Verkehrt –
9. BWV 73 – Herr, So Du Willst –
10. BWV 73 – Das Ist Der Vaters –
11. BWV 105 – Herr, Gehe Nicht Ins Gericht Mit Deinem Knecht –
12. BWV 105 – Mein Gott, Verwirf Mich Nicht Alt –
13. BWV 105 – Wie Zittern Und Wanken –
14. BWV 105 – Wohl Aber Dem, Der Seinen Burgen –
15. BWV 105 – Kann Ich Nur Jesum Mir Zum Freunde Machen –
16. BWV 105 – Nun, Ich Weiss, Du Wirst Mir Stillen –
CD 2
1. BWV 39 – Brich Dem Hungrigen Dein Brot –
2. BWV 39 – Der Reiche Gott Wirft Seinem Uberfluss –
3. BWV 39 – Seinem Schopfer Noch Auf Erden –
4. BWV 39 – Wohlzutun Und Mitzuteilen –
5. BWV 39 – Hochster, Was Ich Habe –
6. BWV 39 – Wie Soll Ich Dir, O Herr –
7. BWV 39 – Selig Sind, Die Aus –
8. BWV 93 – Wer Nur Den Lieben Gott Lasst Walten –
9. BWV 93 – Was Helfen Uns Die Schweren Sorgen? –
10. BWV 93 – Man Halte Nur Ein Wenig Stille –
11. BWV 93 – Er Kennt Die Rechen Freudenstunden –
12. BWV 93 – Denk Nicht In Deiner Drangsalshitze –
13. BWV 93 – Ich Will Auf Den Herren Schaun –
14. BWV 93 – Sing, Bet Und Geh Auf Gottes Wegen –
15. BWV 107 – Was Willst Du Dich Betruben –
16. BWV 107 – Denn Gott Verlasset Keinen –
17. BWV 107 – Auf Ihm Magst Du Es Wagen –
18. BWV 107 – Wenn Auch Gleich Aus Der Hollen –
19. BWV 107 – Er Richt’s Zu Seinen Ehren –
20. BWV 107 – Drum Ich Mich Ihm Ergebe –
21. BWV 107 – Herr, Gib, Dass Ich In Dein’ Ehre –
CD 3
1. Messe, Bwv233 : Kyrie
2. Messe, Bwv233 : Gloria : Gloria In Excelsis Deo
3. Messe, Bwv233 : Gloria : Domine Deus
4. Messe, Bwv233 : Gloria : Qui Tollis Peccata Mundi
5. Messe, Bwv233 : Gloria : Quoniam Tu Solus Sanctus
6. Messe, Bwv233 : Gloria : Cum Sancto Spiritu
7. Messe, Bwv236 : Kyrie
8. Messe, Bwv236 : Gloria : Gloria In Excelsis Deo
9. Messe, Bwv236 : Gloria : Gratias Agimus Tibi
10. Messe, Bwv236 : Gloria : Domine Deus
11. Messe, Bwv236 : Gloria : Quoniam Tu Solus Sanctus
12. Messe, Bwv236 : Gloria : Cum Sancto Spiritu
CD 4
1. Messe, Bwv235 : Kyrie
2. Messe, Bwv235 : Gloria : Gloria In Excelsis Deo
3. Messe, Bwv235 : Gloria : Gratias Agimus Tibi
4. Messe, Bwv235 : Gloria : Domine Fili Unigenite
5. Messe, Bwv235 : Gloria : Qui Tollis Peccata Mundi
6. Messe, Bwv235 : Gloria : Cum Sancto Spiritu
7. Messe, Bwv234 : Kyrie
8. Messe, Bwv234 : Gloria : Gloria In Excelsis Deo
9. Messe, Bwv234 : Gloria : Domine Deus, Rex Coelestis
10. Messe, Bwv234 : Gloria : Qui Tollis Peccata Mundi
11. Messe, Bwv234 : Gloria : Quoniam Tu Solus Sanctus
12. Messe, Bwv234 : Gloria : Cum Sancto Spiritu
13. Sanctus, Bwv238 : Sanctus
Agnes Mellon (Soprano),
Barbara Schlick (Soprano),
Gerard Lesne (Contratenor)
Christoph Pregardien (Tenor),
Howard Crook (Tenor)
Peter Kooy (Baixo),
Philippe Herreweghe
Collegium Vocale Ghent (Coral e Orquestra)

PQP













IM-PER-DÍ-VEL !!!
IM-PER-DÍ-VEL !!!

IM-PER-DÍ-VEL !!!



















Sou um traidor. Avisei para o grupo do PQP Bach que não publicaria nada relativo ao Natal, só que a caixinha deste álbum triplo cruzou na minha frente e eu me perguntei: por que não, né? É uma boa gravação, mas que não se compara com 






Este CD de 1985 é um discreto clássico da discografia bachiana. As Invenções e Sinfonias de Bach fazem parte da formação de todo tecladista. Valiosa instrução técnica e soberba originalidade são alguns de seus atributos. Escrita para seu filho mais velho, Wilhelm Friedmann (nascido em 1710), a diversidade temática e a ampla gama de ideias musicais são infinitas, um verdadeiro oceano. Esta versão de Kenneth Gilbert é linda. Bach intitulou a coleção:
Tem uma história curiosa esta obra que está entre as mais importantes de meu pai, Johann Sebastian Bach. Porém, antes dela, um detalhe pessoal: tenho sete gravações da Oferenda Musical. Fico um pouco desconcertado pelo fato de que as três melhores estejam em discos de vinil. Não ouvi ninguém executar melhor esta obra do que Hermann Scherchen em 1964 ou Karl Münchinger em 1976 ou o Musica Antiqua de Köln nos anos 70 ou 80. Não obstante, a gravação que apresento aqui para vocês é bastante boa. Vamos às muitas curiosidades da obra. O texto abaixo foi retirado da Wikipedia. Fiz alguns cortes e pequenas correções.
Certa vez, há algumas décadas, uma namorada, vendo que eu também era tarado por Bach, resolveu me dar todas as Cantatas pelo Helmuth Rilling. Gostei, ainda mais que não existiam as integrais de hoje (a do pugilista Gardiner, a de Suzuki, a de Koopman, a coleção da Netherlands Bach Society, a da Bachstiftung… Ah, a de Harnoncourt-Leonhardt me parecia meio anêmica — aliás, até hoje parece anêmica a este amante do historicamente informado) e que Rilling dava de dez na coleção parcial de Richter. E, ainda hoje, muitas vezes pego na estante um CD aleatório da coleção para ouvir. Bem, nesta manhã peguei um e me apaixonei por este que é o volume 53 da série. Já tinha me apaixonado por outros, mas este é bom também. Destaque para a presença do tenor catarinense Aldo Baldin na gravação. Prova de que havia vida inteligente em SC antes de todos se tornarem bolsonaristas.

Este CD da ótima violonista Sharon Isbin já tem mais de dez anos, doze para ser mais exato. Mas é de uma qualidade única. Até pouco tempo atrás eram poucas as mulheres solistas deste instrumento tão peculiar e masculino que é o violão. Felizmente, nos dias de hoje esse número cresceu.
IM-PER-DÍ-VEL !!!




IM-PER-DÍ-VEL !!!
![J. S. Bach (1685 – 1750): Original & Transcrição – Peças para Teclado (Robert Hill – [Hänssler Edition Bachakademie]) ֎](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2023/08/maxresdefault-960x540.jpg)








IM-PER-DÍ-VEL !!!





