Cláudio Santoro (1919-1989): Sinfonias nº 4 e nº 6, Choro concertante para sax, Fantasia para violino, Canto de amor e paz (O. de Goiás, N. Thomson)

O nosso colega Ranulfus, em postagem de 2010 (aqui), definiu Santoro como vários compositores em um: nos anos 40 adotou a técnica dodecafônica, cujos resultados na maior parte – confesso – ainda hoje me parecem duros de ouvir e não sei se um dia serão menos. Mas, comunista militante, a partir de 1948 opta pelos caminhos do “realismo socialista”, voltando porém aos caminhos experimentais nos anos 60 e 70. Foi nosso compositor de sinfonias mais prolífico, sendo a primeira de 1940 e a décima-quarta de 1989, seu último ano de vida.

Uma breve passagem pela sua biografia: nascido em Manaus, Santoro foi, em termos cronológicos, primeiro violinista e depois compositor. Em 1935 se muda para o Rio de Janeiro, então capital da República. No mesmo ano, toca seu primeiro recital como violinista, acompanhado pelo pianista Arnaldo Estrella. No ano seguinte, tocou o Concerto em Mi menor de Mendelssohn, também no Rio. Os sucessos como compositor se seguiriam nas décadas de 1940-50 e, em 1956, ele conduz sua 4ª Sinfonia em Moscou com grande sucesso, ovacionado por Aram Khachaturian e outros soviéticos. Em 1962, assume posto na recém-criada Universidade de Brasília mas em 1965, junto com colegas, se demite após a ditadura militar cometer arbitrariedades na Universidade. Voltaria à UNB apenas em 1978, após o fim do AI-5. Era, portanto, um artista que não tinha medo de se posicionar.

As obras apresentadas neste disco da Naxos são todas do período mais nacionalista dos anos 1950, ao menos em suas versões originais, pois a Fantasia para violino foi retocada em 1980. A cronologia das obras é a seguinte, e revela a preocupação com o tema da paz nos anos logo após a 2ª Guerra, com a novidade das bombas nucleares e o medo de uma grande explosão que podia vir a qualquer momento:

1950 – Canto de amor e paz, para orquestra de cordas
1951-53 – Choro, para saxofone tenor e orquestra
1954 – Sinfonia nº 4 – Sinfonia da Paz, para grande orquestra e coro misto
1958 – Sinfonia nº 6
1959-60/1980 – Fantasia para violino e orquestra

Era a época de Vargas, JK e bossa-nova, otimismo carioca bem diferente do clima militarizado e censurado da década seguinte. E os aspectos musicais tipicamente brasileiros recebem, aqui, variações mais complexas do que as elaboradas por compositores como R. Gnattali ou E. Nazareth (e o Ranulfus, pra citá-lo novamente, dizia que esse material temático elaborado de modo mais erudito e complexo não é melhor… nem pior!). Apesar do instrumento principal do Santoro ser o violino, a obra para saxofone solista é, junto das sinfonias, a que mais chamou minha atenção.

Cláudio Santoro (1919-1989):
1. Canto de Amor e Paz
2-4. Symphony No 4 ‘Sinfonia da Paz’: I. Allegro / II. Lento – Allegro – Lento / III. Allegro moderato e deciso
5. Choro Concertante for Tenor Saxophone and Orchestra
6-9. Symphony No 6: I. Allegro giocoso / II. Lento / III. Scherzo / IV. Allegro
10. Fantasia for Violin and Orchestra

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Santoro em 1956. Ele entendia muito de choro e de saxofone, tinha horror à ditadura de 64 e ficaria perplexo ao ver o povo de Brasília eleger Micheque Bolsonaro senadora

Pleyel

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