Robert Schumann (1810-1856): Carnaval op. 9, Etudes symphoniques op. 13, Kreisleriana op. 16 (Géza Anda, piano)

Nessas gravações da década de 1950, Géza Anda mostra grande afinidade com as alterações bruscas de humor nesses três ciclos de Schumann.
Os Estudos Sinfônicos (Études symphoniques, Sinfonischen Etüden) seguem a forma “Tema e Variações”, bem conhecida dos ouvintes de J.S. Bach e Beethoven. Em uma edição revisada no fim de sua vida, Schumann mudou o nome da obra para Estudos em forma de variações, mas este segundo nome não pegou. A obra contém algumas das passagens mais difíceis da pena do compositor alemão, e faz parte do repertório de outros pianistas especialistas em Schumann, como Novaes (aqui), Richter e Arrau, mas para mim os grandes destaques do álbum são os outros dois ciclos.
No Carnaval, Schumann também faz variações sobre quatro notas: Lá Mi bemol, Dó e Si, o que na notação alemã corresponde a A S C H – letras que aparecem no seu sobrenome, assim como na palavra alemã para carnaval, entre outros possíveis criptogramas. O fato é que cada movimento vai se apresentando com um caráter muito próprio, de modo que rapidamente o aspecto mais intelectual das variações é esquecido e a apreciação musical, digamos, torna-se mais romântica e menos racional.
Na Kreisleriana, assim como no Carnaval, os movimentos vão se alternando de forma mais imprevisível do que nos Estudos. Os temas que reaparecem são fluidos e vagos como memórias do passado, nunca rígidos e idênticos à sua aparição anterior. Schumann, aqui, se situa entre a forma miniatura (usada, por exemplo, nos Noturnos e Mazurkas de Chopin, Impromptus de Schubert e Bagatelas de Beethoven) e as formas mais amplas, porque cada momento tem sua lógica interna de miniatura e, ao mesmo tempo, a publicação do ciclo como um conjunto dá aos pianistas uma certa obrigação de tocar tudo junto, o que (antes da era dos LPs e CDs) nunca tinha sido o caso com os Noturnos e Mazurkas e Chopin, publicados separados ao longo de décadas. O dicionário Grove de 1980 fala o seguinte sobre as formas cíclicas: o termo “cíclico” descreve as obras em que ocorrem ligações temáticas entre diferentes movimentos. Exemplos podem ser encontrados em obras instrumentais do século 17, e em diversas obras sacras, como a Missa em Si Menor de Bach. Mas os exemplos são raros no século 18. Beethoven e Berlioz estabeleceram as fundações sobre as quais Mendelssohn, Schumann, Liszt e Franck elevariam princípios cíclicos a grande importância, estabelecendo uma coesão em obras com múltiplos movimentos.

Robert Schumann (1810-1856):
1-21. Carnaval, op. 9
22-36. Etudes symphoniques, op. 13
37-46. Kreisleriana, op. 16
Géza Anda, piano
Recorded in Abbey Road, London, 1953 & 1955

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Pleyel

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