Sergei Rachmaninov (1873 – 1943): Transcrições para Piano – Marek Kozák ֎

Transcrever obras orquestrais para piano pode ser uma tarefa ingrata, mas Rachmaninov recria com sucesso o som orquestral no teclado: Ainda não tive tempo de escrever para agradecer a Rachmaninov pelo arranjo feito.
[Glazunov]

Para esta postagem escolhi um disco com obras de um compositor e pianista – amado por tantos e desdenhado por alguns – Sergei Rachmaninov.

Como pianista ele foi maioral e a grana que ganhou com suas apresentações lhe permitiu viver em Beverly Hills, ter casa de veraneio na Suíça e satisfazer algumas de suas paixões, como ter carros, caríssimos naqueles dias, assim como hoje…

O disco traz as transcrições de diversas peças feitas para piano solo, pois que ele também fez transcrições para piano a quatro mãos, como uma das sinfonias de Glazunov. Rachmaninov segue a tradição estabelecida por outros compositores pianistas, como Franz Liszt e, posteriormente, Ferruccio Busoni. Ele aprendeu a técnica de fazer arranjos para piano ainda como estudante no Conservatório de Moscou, onde se matriculou aos doze anos de idade. Um dos desafios propostos pela transcrição, tanto para o trans(gressor)critor quanto para o intérprete, é recriar ao piano o som do conjunto original. No caso de uma canção, por exemplo, o piano já está lá e o teclado deve ‘cantar’ também.

Iniciando o discos temos três movimentos da Partita para violino solo BWV 1006, de Bach. Sobre essa minissuíte, o interessante artigo da página Interlude [aqui] diz: Não houve problemas com o reconhecimento do nome quando Rachmaninoff arranjou três movimentos da terceira partitura para violino de Johann Sebastian Bach para piano solo em 1933. Um comentarista escreveu: “Com algumas exceções, Rachmaninoff foi geralmente bastante fiel à música original em suas transcrições. Neste trabalho com Bach, no entanto, ele adicionou partes contrapontísticas e harmonias porque o original foi escrito para violino solo.” Rachmaninoff repensou completamente os três movimentos “para teclado com uma completude quase desconcertante… É muito característico do estilo conciso da escrita para teclado posterior de Rachmaninoff, e lamenta-se que ele não tenha feito paráfrases de outros movimentos da Partita.” Rachmaninoff apresentou a primeira execução dos três movimentos no início de sua temporada de 1933/34 em Harrisburg, Pensilvânia, e eles foram publicados naquele mesmo ano. Nem todos ficaram satisfeitos, e Rachmaninoff foi alvo de críticas por parte de “diversos puritanos e pseudo-intelectuais, especialmente porque a moda de confinar a música barroca para teclado ao cravo estava se intensificando na época”.

Como não sorrir ao ouvir a transcrição da canção Wohin, de Schubert, e Lilacs, do próprio Rchmaninov. Ele certamente tinha afinidade com essas peças. O Schezo, de Sonho de Uma Noite de Verão, de Mendelssohn, é também espetacular.

De olho em lindos encores, Rachmaninov transcreveu duas peças do violinista Fritz Kreisler, outro showman daqueles dias. Liebesleid e Liebesfreud são os nomes contrastantes… A propósito, Kreisler e Rachmaninov deram concertos juntos. Conta-se que em um recital da dupla em Nova Iorque, em um certo ponto, Fritz perdeu-se na partitura. Em pânico, sussurrou para Rachmaninoff: “Onde estamos?”. A resposta veio prontamente: “Carnegie Hall”.

Quem diria que por trás daquela cara melancólica haveria assim, bom humor?

Não faltam lolipops ao disco, como não poderia deixar de ser, e são todos ótimos: Hopák, de Mussorgsky, o Voo do Besouro, de Rimsky-Korsakov, uma Canção de Ninar, de Tchaikovsky. O Minueto, da Suíte L’arlésienne, de Bizet, foi uma de suas primeiras transcrições, feita logo após o sucesso de seu Concerto para Piano No. 2.

O disco é muito recente, foi gravado em 2025 e o selo Supraphon tem uma produção ótima. O arquivo traz o pdf do libreto com lindas fotos feitas na Villa Senar, casa que Rachmaninov tinha na Suíça. Marek Kozák, o pianista, é uma das figuras jovens mais notáveis ​​da cena musical checa. Finalista do Concurso Internacional de Piano Ferruccio Busoni de 2019 em Bolzano, vencedor do Concurso Europeu de Piano em Bremen em 2018 e em 2021 ganhou o prestigioso Concurso Géza Anda, Zurique.

Marek Kozák

Johann Sebastian Bach (arranjo de Rachmaninov)

Partita No. 3 in E Major, BWV 1006:

  1. Preludio
  2. Gavotte
  3. Gigue

Franz Schubert (arranjo de Rachmaninov)

  1. Die schöne Müllerin, Op. 25: Wohin?

Felix Mendelssohn (arranjo de Rachmaninov)

  1. A Midsummer Night’s Dream, Op. 61: Scherzo

Modest Mussorgsky (arranjo de Rachmaninov)

  1. Sorochyntski Fair: Hopak

Georges Bizet (arranjo de Rachmaninov)

  1. L’arlésienne Suite No. 1, Op. 23bis: Minuet

Fritz Kreisler (arranjo de Rachmaninov)

  1. Liebesfreud

Franz Behr (arranjo de Rachmaninov)

  1. Lachtäubchen, Op. 303: Polka de W. R

Sergei Rachmaninov

  1. Twelve Romances, Op. 21:5: Lilacs

Peter Ilich Tchaikovsky (arranjo de Rachmaninov)

  1. Six Romances, Op. 16: Lullaby

Fritz Kreisler (arranjo de Rachmaninov)

  1. Liebesleid

Nikolai Rimsky-Korsakov (arranjo de Rachmaninov)

  1. The Tale of Tsar Saltan: Flight of the Bumblebee

Sergei Rachmaninov

  1. Six Romances, Op. 38:4: Daisies

Franz Liszt (cadência de Rachmaninov)

  1. Hungarian Rhapsody No. 2 in C-Sharp Minor

Marek Kozák, piano

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MP3 | 320 KBPS | 146 MB

The new album by pianist Marek Kozák featuring all transcriptions by Sergei Rachmaninoff has received a superb review together with the Editor’s Choice in the May issue of Gramophone magazine

Aproveite!

René Denon

Sergei levando o pessoal do PQP Bach para dar um rolê…

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