Talvez desse para fazer uma parede com as capas das reedições da DG para esta gravação clássica. Mutter, em seus dias jovens, foi uma pupila de Karajan e esta capa a mostra bochechuda e não a elegante e magérrima senhora de hoje. Coerente.
A imagem é um documento histórico por si só. Aos 13 anos, quando Karajan a descobriu, ela era apenas uma menina prodígio da pequena Rheinfelden. O maestro, que já tinha péssimas experiências com jovens talentos, tornou-se seu mentor e patrocinador. Foi ele quem a incluiu no cast da Deutsche Grammophon e com quem ela fez as suas primeiras gravações, incluindo os concertos de Mozart, Beethoven, Mendelssohn, Bruch, Tchaikovsky e Brahms. Dizem que Karajan a considerava “o maior talento desde Menuhin”. O que se ouve nesta gravação de 1980 (a de estúdio, a de “referência”) é, por isso, um documento duplamente fascinante. Por um lado, a segurança e o talento brutal de uma adolescente que já tocava com elevada expressividade e convicção. Por outro, a mão experiente de um velho maestro. O que se ouve é o equilíbrio perfeito entre a jovem solista e os filarmônicos de Berlim. É um encontro geracional que ficou para a história.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 (Mutter, BP, Karajan)
Concerto For Violin And Orchestra In D Major Op. 61 (48:20)
1 1. Allegro Ma Non Troppo 26:34
2 2. Larghetto 11:24
3 3. Rondo. Allegro 10:22
Cadenza – Fritz Kreisler
Conductor – Herbert von Karajan
Orchestra – Berliner Philharmoniker
Violin – Anne-Sophie Mutter

PQP