Repertório raro e interessante. Martinu lembra muito Hindemith com sua música altamente contrapontística e bem humorada. Gostei muito, ainda mais depois de saber que ele foi expulso do Conservatório de Praga por sua “incorrigível negligência”. Ele foi violinista, mas os muitos amantes da viola que nos frequentam podem deliciar-se com seus Três Madrigais para Violino e Viola. Atenção também para as outras duas peças que colocamos aí em cima, no título. Baita disco!
Ah, e La Revue de Cuisine (Jornal de Cozinha, não?) é música felicíssima e GENIAL. Confira!
Bohuslav Martinu (1890-1959): Música de Câmara: La Revue de Cuisine + Noneto + um monte de Madrigais e outras peças (The Dartington Ensemble)
Five Madrigal Stanzas
1-1 Part 1
1-2 Part 2
1-3 Part 3
1-4 Part 4
1-5 Part 5
Four Madrigals
1-6 Part 1
1-7 Part 2
1-8 Part 3
1-9 Part 4
Three Madrigals
1-10 Part 1
1-11 Part 2
1-12 Part 3
Madrigal Sonata
1-13 Madrigal Sonata
Nonet (1959)
2-1 I Poco Allegro
2-2 II Andante
2-3 III Allegretto
Trio In F
2-4 I Poco Allegretto
2-5 II Adagio
2-6 Andante – Allegretto Scherzando
Sonatina For 2 Violins & Piano
2-7 Part 1
2-8 Part 2
2-9 Part 3
2-10 Part 4
La Revue De Cuisine (1927) 14:40
2-11 I Prologue: Allegretto (Marche) 3:57
2-12 II Tango (Lento) 4:10
2-13 III Charleston (Poco A Poco Allegro) 2:52
2-14 IV Finale: Tempo Di Marcia 3:29
Bassoon – Graham Sheen
Cello – Michael Evans*
Clarinet – David Campbell (6)
Double Bass – Nigel Amherst
Ensemble – The Dartington Ensemble
Flute – William Bennett (3)
Horn – Richard Watkins
Oboe – Robin Canter
Piano – John Bryden
Trumpet – Barry Collarbone
Viola – Patrick Ireland
Violin – Oliver Butterworth
Um belo álbum duplo com músicas de meu irmão mais velho. Excelente orquestra e solista idem. Era o filho predileto de papai. Era um gênio, mas muito indisciplinado. Para sua educação musical papai escreveu o Clavierbüchlein. Mas, já viram, deixava todos os empregos estáveis para tentar a vida boêmia de músico itinerante, chegando em muitas ocasiões a enfrentar dificuldades financeiras, quando era obrigado a vender bens pessoais e manuscritos paternos recebidos em herança para poder subsistir. O PUTO VENDEU PARTITURAS DE JOHANN SEBASTIAN BACH QUE JAMAIS FORAM REENCONTRADAS. ELE PERDEU MAIS DE 100 CANTATAS. Também dizem que foi um renomado alcoolista que sugou boa parte do álcool produzido em sua Turíngia natal. Mas era um grande músico, apreciado por sua capacidade de improvisar e deixou boa quantidade de música para teclado de excelente qualidade, cujas características antecipam a tensão e emocionalismo do Romantismo. Confiram aí e bebam à vontade.
Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Todos os Concertos para Cravo (Astronio, Harmonices Mundi)
CD1
1. Concerto in F Minor (c. 1767): I. Allegro di molto 6:33
2. Concerto in F Minor (c. 1767): II. Andante 8:23
3. Concerto in F Minor (c. 1767): III. Prestissimo 3:25
4. Concerto in F, F. 44 (1740-45): I. Allegro ma non troppo 9:56
5. Concerto in F, F. 44 (1740-45): II. Molto adagio 10:31
6. Concerto in F, F. 44 (1740-45): III. Presto 5:51
7. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): I. Allegretto 9:23
8. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): II. Adagio 9:15
9. Concerto in E Minor, F. 43 (c. 1767): III. Allegro assai 5:59
CD2
1. Concerto in D, F. 41 (1735-40): I. Allegro 6:18
2. Concerto in D, F. 41 (1735-40): II. Andante 5:14
3. Concerto in D, F. 41 (1735-40): III. Presto 4:36
4. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): I. – 5:17
5. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): II. Larghetto 4:07
6. Concerto in A Minor, F. 45 (1735-40): III. Allegro ma non molto 5:34
7. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): I. Allegro moderato 8:54
8. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): II. Andante 6:05
9. Concerto in F, F. 10 for 2 harpsichords (c. 1740): III. Presto 3:54
10. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): I. Un poco allegro 11:18
11. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): II. Cantabile 3:28
12. Concerto in E-Flat, F. 46 for 2 harpsichords (c. 1745): III. Vivace 8:09
Harmonices Mundi
Claudio Astronio, cravo e regência
O Quarteto Nº 14 é particularmente fascinante porque Shostakovich estava experimentando uma estrutura incomum de movimentos encadeados dentro de uma linguagem musical moderna. É um espécime muito curioso. E bonito. E aquele movimento final com o tema judeu… Lembrem que ele usou temas klezmer em outras obras também, como no Trio para Piano nº 2. Sabiam que isso era uma forma de protesto silencioso contra o anti-semitismo soviético? Já o Quarteto Nº 15 é outra história completamente diferente – seis adágios consecutivos! Isso é beeeem radical. É impressionante como Shostakovich conseguiu criar tanta variedade dentro de um único andamento. São obras de um gênio, digamos, crepuscular. Ele sofria de uma doença cardíaca, também de outra enfermidade degenerativa, havia sobrevivido aos expurgos stalinistas, à Segunda Guerra Mundial e a décadas de opressão soviética. Essas obras são uma meditação sobre a mortalidade, o sofrimento e a resignação.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 14 e 15 (Éder Quartet)
String Quartet No. 14 in F-Sharp Major, Op. 142
1 I. Allegretto 08:48
2 II. Adagio – 08:59
3 III. Allegretto 08:22
String Quartet No. 15 in E-Flat Minor, Op. 144
4 I. Elegy: Adagio – 12:50
5 II. Serenade: Adagio – 05:42
6 III. Intermezzo: Adagio – 01:29
7 IV. Nocturne: Adagio – 04:47
8 V. Funeral March: Adagio molto – 04:44
9 VI. Epilogue: Adagio – Adagio molto 06:14
O foco da primeira postagem da série (?) ‘Ele, por elas…’ foi a Sonata ‘Waldstein’, um marco na produção de meio período do Ludovico, assim como a Sonata ‘Appassionata’. Eu gosto das interpretações temerárias, que vão na linha ‘fogo, foguinho…’, como a do Mikhail Pletnev (aqui), Maurizio Pollini (algum lugar no blog, eu aposto) e a própria Valentina Lisitsa (aqui).
A postagem de hoje é mais uma coisa de conjunto – a última vez que Beethoven comporia sonatas para piano, mais uma vez um grupo de três, mesmo que neste caso cada sonata tenha recebido um número de opus individual. Ouvir as três sonatas do Op. 2 (1795-6) e depois as sonatas deste disco, com op. 109 (1820), op. 110 (1821) e op. 111 (1822), revela uma jornada de uma vida artística genial. Experiência similar pode ser feita com os quartetos, comparando os seis quartetos do op. 18 e o grupo dos chamados Últimos Quartetos.
É verdade que a experiência e a impetuosidade podem ser ferramentas importantes para o intérprete, especialmente num conjunto de obras como estas. Não consigo deixar de comparar as interpretações do jovem Maurizio Pollini com as do maduro Willem Kempff. E vejam que Pollini as regravou no seu próprio período de maturidade. Bom, divago, como sempre… Vamos dar atenção à essa pianista espetacular, chamada Anne Queffélec. Com uma ótima discografia, ela gravou peças que demandam muita técnica, dando ênfase aos compositores franceses. Mais recentemente ela tem gravado obras de Scarlatti, Handel, Mozart.
O disco da postagem é relativamente recente, um disco maravilhoso dedicado a Beethoven, que reúne essas três sonatas que transcendem o estilo clássico ainda mais do que a Hammerklavier. O domínio da técnica, impecável, e a experiência desta pianista lhe dão a liberdade para nos brindar com sua sensível interpretação, trazendo a sua perspectiva da maturidade do genial compositor.
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Piano Sonata No. 30 in E Major, Op. 109
Vivace ma non troppo, sempre legato – Adagio espressivo
To echoe Beethoven’s own words: “Music is the only incorporeal introduction to the world of knowledge (…) a higher revelation than all wisdom and philosophy… reaching beyond even the starry sky to the original source”. That is indeed where the epiphanies of the ultima verba uttered by the last three sonatas take us: on a journey of initiation that could not be undertaken in reverse. Let us listen to it…
“The rest is silence”
(Anne Queffélec)
Em minha humilde opinião, estas Sonatas são por demais explícitas em sua intensidade e força, um romantismo intenso, porém muito bem controlado aqui pelos intérpretes. Foram compostas em parcerias de Schumann com alguns de seus amigos instrumentistas como os violinistas Joseph Joachim e Ferdinand David, e do grande amigo do casal Schumann, Johannes Brahms, todos músicos que o incentivaram a compor estas peças, São obras já da maturidade do compositor, e mostram o total domínio da escrita musical por sua parte. Sugiro a leitura do livreto que acompanha o arquivo.
Não por acaso, este CD está na lista dos melhores discos de 2025 segundo a revista Gramophone. Ibragimova e Thiberghien nos brindam com uma interpretação segura, intensa, porém controlada, como comentei acima. A música de Schumann penetra fundo em nossa alma, suas angústias, desejos e medos estão ali presentes. Nos envolve, e por vezes nos inebria com tanta emoção. Espero que apreciem.
Violin Sonata No 1 in A minor Op 105
1 Mit leidenschaftlichem Ausdruck
2 Allegretto
3 Lebhaft
Violin Sonata No 2 in D minor Op 121
4 Ziemlich langsam – Lebhaft
5 Sehr lebhaft
6 Leise, einfach
7 Bewegt
Violin Sonata No 3 in A minor WoO27
8 Ziemlich langsam – [Lebhaft]
9 Intermezzo: Bewegt, doch nicht zu schnell
10 Scherzo: Lebhaft
11 Finale: Markiertes, ziemlich lebhaftes Tempo
Alina Ibragimova – Violin
Cédric Thiberghien – Piano
Dando prosseguimento às homenagens ao baterista Jack DeJohnette, temos aqui um álbum de belíssima capa, parte de uma série de gravações ao vivo de 1985 para marcar o renascimento do selo Blue Note, que havia sido extinto por uns anos… Lançado tanto em LP como CD (era a fase da transição), com essa bela capa mostrando de certa maneira o quanto é impressionante termos preservados – como em potes de remédio típicos da época em que a Blue Note foi fundada: 1939! – encontros de brilhantes músicos como McCoy Tyner (1938-2020), Jack DeJohnette (1942-2025) e outros menos famosos mas de muito extensa ficha corrida, como Jackie McLean (1931-2006) e Cecil McBee (nasc. 1935).
Jack DeJohnette mostra, nesse registro ao vivo cheio de espontaneidade, seus vários tipos de viradas rítmicas, batendo nos tambores com a força de um baterista de rock’n’roll.
One Night With Blue Note Preserved, Volume 2
1. Sweet And Lovely
2. Appointment in Ghana
3. Passion Dance
4. Blues on the Corner
5. Pontos Cantados
6. Broadside
Antes que o ano se encerre, vamos de mais uma homenagem a uma das baixas que tivemos neste ano em que também se foram os tão queridos Hermeto Pascoal, Jards Macalé e Lô Borges. Mas hoje me refiro ao baterista Jack DeJohnette, que ainda estava bastante ativo pouco antes de partir aos 83 anos de idade.
Como resume o site luso Jazz ponto PT, DeJohnette desempenhou um papel fundamental em praticamente todas as fases do jazz desde o início dos anos 1960. O mesmo site afirma – não fui conferir – que DeJohnette é o músico que mais gravou pela gravadora europeia ECM. “Refira-se, em especial, que a colaboração de DeJohnette com a ECM remonta aos primórdios da editora, atuando em duo com Keith Jarrett em Ruta and Daitya, gravado em 1971” (que postei meses atrás, aqui).
Os portugueses comentam, entre outros pontos altos de sua discografia, o Standards Trio, pelo qual meu colega FDP Bach já expressou mais de uma vez sua admiração incondicional (aqui e aqui). Os portugas disseram, sobre esse trio formado nos anos 1980 por Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette: “Todos os registos do grupo são excelentes, pelo que destacar um é sempre uma escolha pessoal. Aqui, a cumplicidade é total: tocam com depuração e liberdade, com um gesto simultaneamente leve e jubiloso. O diálogo é sempre novo e emocionalmente intenso.”
Eu trago hoje, porém, um álbum lançado em 2025, gravação de um show de 2009. Aqui, o selo não é ECM e não temos Keith Jarrett. Mas por coincidência o baixista é o mesmo do velho quarteto escandinavo de Jarret (ativo de 1974 a 79). Enfim, coincidência não tão rara nesse mundo do jazz onde os grupos vão se fazendo e refazendo: no caso de DeJohnette seu currículo inclui ainda bandas como a de Miles Davis na fase fusion, a do guitarrista John Abercrombie e o Special Edition, que era liderado pelo baterista e costumava contar com dois ou três saxofonistas que faziam arranjos de sopros junto com a bateria e os teclados. Aliás, uma curiosidade sobre DeJohnette é que ele também estudou piano e costumava tocar teclados acústicos e elétricos nos seus álbuns solo.
Mas aqui o pianista é o norueguês Vigleik Storaas, nascido em 1963, um nome da nova geração. OK, não tão nova assim, mas mais jovem que o falecido baterista e o baixista que – noto agora – deixou este mundo em 2024. Storaas toca um piano limpo, suave, sem momentos percussivos como às vezes faziam outros como K. Jarrett e M. Tyner. Talvez por não estarem tocando há anos na estrada juntos, os músicos às vezes soam mais contidos, mas os três conseguem seus momentos de brilho e os dois veteranos no baixo e na bateria mostram o que os anos lhe ensinaram.
Vocês conhecem aquela piada, né, em que um escorrega fala para o outro: os ânus passam depressa! Esse disco, gravado por Danielsson e DeJohnette quando ambos se aproximavam dos 70 anos, nos apresenta o melhor da maturidade: três instrumentistas seguros de si, com som polido, bem cuidado, elegante, resultado de décadas de apresentações e ensaios.
Storaas, Danielsson, DeJohnette: Live at Trondheim Jazzfestival
Alice in Wonderland (Sammy Fain)
Isotope (Joe Henderson)
Palle’s Headache (Palle Danielsson)
Eiderdown (Steve Swallow)
Lines (Vigleik Storaas)
Falling Grace (Steve Swallow)
Everybody’s Song But My Own (Kenny Wheeler)
Vigleik Storaas – piano
Palle Danielsson – bass
Jack DeJohnette – drums
Recorded 06/06/2009 at Trondheim, Norway / Released 2025
Meu jesuiscristinho, que gravação das Sonatas e Partitas de Bach que faz a francesa Amandine Beyer! Beyer é do time da música com instrumentos originais, mas há uma diferença fundamental sobre a imensa maioria. Ela toca com emoção, verve e ritmo, não é um metrônomo. Cada movimento foi pensado profunda e criativamente, de modo a experimentar novas fluências. E é um registro vibrato-free, quente e claro!!! Talvez esta seja a primeira gravação destas obras onde podemos bater o pezinho e balançar a cabeça. Basta pensar que tudo aqui deriva da música de dança. Chega de funerais! Arte impecável, execução perfeita e belo som.
Esta gravação é considerada uma das interpretações mais originais e impactantes das últimas décadas no universo da música barroca. É marcada por uma fluidez quase vocal. Como disse, ela prioriza a dança. Amandine também foi elogiada pela clareza polifônica (o “diálogo” entre vozes no violino solo é excepcionalmente claro). Ela desconstrói a grandiosidade monumental das Sonatas e Partitas, transformando-as em uma experiência íntima e humana. Não é uma versão “fácil” ou imediatamente cativante, mas que recompensa o ouvinte com camadas de significado e beleza singular. Amandine Beyer enfatiza a voz interior de Bach em vez do virtuosismo exterior. Sua gravação é um marco que dialoga com a história, sem ser museológica. Para muitos, tornou-se uma versão de referência do século XXI. Para quem busca uma interpretação que una intelecto, coração e autenticidade histórica, esta é uma bela escolha.
Como um bônus, ela inclui um trabalho solo fascinante, onde Pisendel homenageia Bach. E mais não digo porque amo Amandine, mas sou casado com outra violinista.
J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)
CD1 #01 – Partita, BWV 1002: I. Allemanda
CD1 #02 – Partita, BWV 1002: II. Double
CD1 #03 – Partita, BWV 1002: III. Corrente
CD1 #04 – Partita, BWV 1002: IV. Double, Presto
CD1 #05 – Partita, BWV 1002: V. Sarabande
CD1 #06 – Partita, BWV 1002: VI. Double
CD1 #07 – Partita, BWV 1002: VII. Tempo di borea
CD1 #08 – Partita, BWV 1002: VIII. Double
CD1 #09 – Sonata BWV 1003: I. Grave
CD1 #10 – Sonata BWV 1003: II. Fuga
CD1 #11 – Sonata BWV 1003: III. Andante
CD1 #12 – Sonata BWV 1003: IV. Allegro
CD1 #13 – Partita, BWV 1004: I. Allemanda
CD1 #14 – Partita, BWV 1004: II. Corrente
CD1 #15 – Partita, BWV 1004: III. Sarabanda
CD1 #16 – Partita, BWV 1004: IV. Giga
CD1 #17 – Partita, BWV 1004: V. Ciaccona
CD2 #01 – Sonata BWV 1005: I. Adagio
CD2 #02 – Sonata BWV 1005: II. Fuga
CD2 #03 – Sonata BWV 1005: III. Largo
CD2 #04 – Sonata BWV 1005: IV. Allegro assai
CD2 #05 – Sonata BWV 1001: I. Adagio
CD2 #06 – Sonata BWV 1001: II. Fuga, Allegro
CD2 #07 – Sonata BWV 1001: III. Siciliana
CD2 #08 – Sonata BWV 1001: IV. Presto
CD2 #09 – Partita, BWV 1006: I. Preludio
CD2 #10 – Partita, BWV 1006: II. Loure
CD2 #11 – Partita, BWV 1006: III. Gavotte en rondeaux
CD2 #12 – Partita, BWV 1006: IV. Menuet I – Menuet II
CD2 #13 – Partita, BWV 1006: V. Bourée
CD2 #14 – Partita, BWV 1006: VI. Gigue
Johann Georg Pisendel: Sonata a Violino Solo senza Basso
CD2 #15 – Sonata a violino solo senza basso: I.
CD2 #16 – Sonata a violino solo senza basso: II. Allegro
CD2 #17 – Sonata a violino solo senza basso: III. Giga
CD2 #18 – Sonata a violino solo senza basso: IV. Variatione
Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico
Salmo 126:2
Feliz Natal!
A Cantata Unser Mund sei voll Lachens teve sua estreia no Serviço Matinal (às 7 da manhã) da Igreja de São Tomás, em Leipzig, no Dia de Natal do ano 1725, há exatos 300 anos! Sua música foi adaptada da Suíte Orquestral No. 4. O festivo primeiro movimento saúda o recém-nascido e a parte rápida da abertura está cheia de bocas sorridentes.
Três anos antes Bach preparara a música para seu primeiro Natal como cantor da Igreja de São Tomás e para tanto compusera uma primeira versão do Magnificat. Dessa composição, ele também ‘emprestou’ um trechinho de música, adaptando o Virga Jesse floruit (de Jessé nasceu a vara, de Jessé nasceu a vara, da vara o Salvador…) para o coro Ehre sei Gott in der Höhe (Louvado seja Deus, nas alturas), o cara era mesmo fera!
Jos feliz com a afinação dos meninos sopranos do PQP Bach Choir
No disco desta natalícia postagem o Magnificat é a versão posterior preparada por Bach em 1733, com nova orquestração e apenas com os trechos cantados em latim. Na primeira versão, identificada por BWV 243a, Bach interpola os textos em latim por ‘interlúdios’, que foram suprimidos na nova versão. Como explica Jos van Veldehoven no livreto do disco: ‘Essas interpolações já eram conhecidas no século XVI. Compositores acrescentaram canções de Natal alemãs e latinas entre os versos do Magnificat, tornando o texto deste último inseparável do Natal’.
A peça adaptada para a cantata, o Virga Jesse floruit é o quarto destes interlúdios, que na cantata tornou-se o coral Ehre sei Gott in der Höhe. Nesta gravação do Magnificat, o regente, que é holandês, usa música de três compositores holandeses (Dirck Janszoon Sweelinck, Jan Baptist Verrijt e Johann Hermann Schein) e um parente de João Sebastião (Johann Michael Bach) para seguir a tradição e usar ‘interlúdios’ na apresentação do Magnificat.
Aproveito a postagem para desejar a todos um feliz Natal e que muito se deliciem ao som dos holandeses… tocando Bach.
Como é Natal, você ganha o presente: The Netherlands Bach Society’s recording of Bach Cantata 110 (“Unser Mund sei voll Lachens”) and the Magnificat, led by Jos van Veldhoven, is universally acclaimed for its vibrant, joyful, and pristine sound, featuring fresh-sounding, first-rate soloists and choir, demonstrating both majesty and intimacy, with critics praising its technical brilliance and authentic spirit, often highlighting the captivating instrumental work and welcome inclusion of 17th-century Dutch motets within the Magnificat.
Estamos em tempo de Natal, o que significa tender com abacaxi, farofa de uva passa, arroz com creme de milho, conversas pitorescas com parentes que fazem oração para pneus, Roberto Carlos de branco e azul na tv, caixinhas à mancheia, espumantes de gosto duvidoso y muchas otras cositas mas.
É, sobretudo, uma época de tradições, as grandes e pequenas. Eu, cá comigo, tenho uma pequenina: ouvir muitas cantatas e muito órgão. Pois aqui vai um precioso disquinho com um belíssimo repertório religioso-natalino-messiaenico. Vai muito bem com uma ou três fatias generosas de um ótimo panetone e um vinho do porto geladinho. Prefiro um tawny, mas pode ser o que você quiser. Como dizia o saudoso Mr. Catra, “deixa as pessoas”.
Aliás, acho que essa é a minha mensagem pra 2026: não sejamos chatos. Deixe as pessoas serem felizes. Quer botar gelo na cerveja? Bota. Quer colocar ketchup na pizza, cortar o macarrão, colocar o feijão por baixo do arroz, ouvir transcrições de sinfonias de Bruckner para gaita solo? Manda brasa! Cada um no seu quadrado, respeitando o quadrado do amiguinho, tá tudo certo.
Se cada um fizesse a sua parte nisso, evitando ser chato, a coisa melhoraria tanto…
Feliz Natal e que venha um ano bom, queridos leitores!
Marie-Claire Alain: a tranquilidade antes de ESMERILHAR os teclados
Olivier Messiaen (1908-1992)
Organ works
Apparition de l’Église éternelle (1932)
Le Banquet célest (1928) La Nativité du Seigneur (1935)
I. La Vierge et l’Enfant
II. Les Bergers
III. Desseins éternels
IV. Le Verbe
V. Les Enfants de Dieu
VI. Les Anges
VII. Jésus accepte la souffrance
VIII. Les Mages
IX. Dieu Parmi nous Le Livre du Saint-Sacrement (1984)
XVI. Prière après la Communion
Marie-Claire Alain at the organ of the Hofkirche, Lucerne (1-11) Naji Hakim at the Cavaillé-Coll organ, Église de la Sainte-Trinité, Paris (12)
Mais um excelente disco de música sacra vindo do ateu Herreweghe. Não se enganem, este não é o Oratório de Natal formado por 6 Cantatas, são outras Cantatas Também natalinas. O ponto alto é, sem dúvida, o Magnificat que fecha o CD duplo. É uma interpretação emocionante. Uma combinação matadora de solistas de primeira linha, canto coral incomparável e trabalho impecável da orquestra de instrumentos de época. O disco foi Editor`s Choice da revista Gramophone. Não é para menos.
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)
CD 1
1. Cantata No. 91, ‘Gelobet seist su, Jesu Christ,’ BWV 91 (BC A9): Choral
2. BWV 91 (BC A9): Recitativo: Der Glanz der höchsten Herrlichkeit
3. BWV 91 (BC A9): Aria: Gott, dem der Erden Kreis zu klein
4. BWV 91 (BC A9): Recitativo: O Christenheit!
5. BWV 91 (BC A9): Aria: Die Armut, so Gott auf sich nimmt
6. BWV 91 (BC A9): Choral: Das hat er alles uns getan
7. Cantata No. 121, ‘Christum wir sollen loben schon,’ BWV 121 (BC A13): Choral
8. BWV 121 (BC A13): Aria: O du von Gott erhöhte Kreatur
9. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Der Gnade unermeßlichs Wesen
10. BWV 121 (BC A13): Aria: Johannis freudenvolles Springen
11. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Doch wie erblickt es dich in deiner Krippen
12. BWV 121 (BC A13): Choral: Lob, Ehr und Dank sei dir gesagt
13. Cantata No. 133, ‘Ich freue mich in dir,’ BWV 133 (BC A16): Choral
14. BWV 133 (BC A16): Aria: Getrost! es faßt ein heileiger Leib
15. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Ein Adam mag sich voller Schrecken
16. BWV 133 (BC A16): Aria: Wie lieblich klingt es in den Ohren
17. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Wohlan! Des Todes Furcht und Schmerz
18. BWV 133 (BC A16): Choral: Wohlan, so will ich
CD 2
1. Cantata No. 63, ‘Christen, ätzet diesen Tag,’ BWV 63 (BC A8): Choral
2. BWV 63 (BC A8): Recitativo: O selger Tag! O ungermeines Heute
3. BWV 63 (BC A8): Aria: Gott, du hast es wohl gefüget
4. BWV 63 (BC A8): Recitativo: So kehret sich nun heut
5. BWV 63 (BC A8): Aria: Ruft und fleht den Himmel an
6. BWV 63 (BC A8): Recitativo: Verdoppelt euch demnach
7. BWV 63 (BC A8): Choral: Höchster, schau in Gnaden an
8. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Magnificat anima mea
9. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et exultavit spiritus meus
10. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Vom Himmel
11. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia respexit humilitatem
12. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Omnes generationes
13. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia fecit mihi magna
14. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Freut euch und jubiliert
15. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et misericordia
16. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Fecit potentiam
17. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria in excelsis Deo
18. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Deposuit potentes
19. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Esurientes implevit bonis
20. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Virga Jesse floruit
21. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Suscepit Israel
22. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Sicut locutus est
23. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria Patri
Dorothee Blotzky-Mields: soprano
Carolyn Sampson: soprano
Ingeborg Danz: alto
Mark Padmore: tenor
Peter Kooy: bass
Sebastian Noack: bass
Philippe Herreweghe (cond.)
Collegium Vocale Gent
Total playing time: 117:09
Recorded 2001-2002 | Released 2003
Recording:
December 2001, Salle Philharmonique de Liège, Belgium (CD1)
December 2002, Arsenal de Metz, France (CD2)
Esta gravação foi “Editor`s Choice” da Gramophone em 2011, “Gravação recomendada” pela ClassicFM e depois, em 2016, foi considerada a melhor gravação do Concerto de Mendelssohn, novamente pela Gramophone. Tá bom?
Aclamado como “o Jascha Heifetz dos nossos dias”, o violinista James Ehnes é considerado um dos artistas mais perfeitos e musicais da música erudita. Talvez seja o melhor violinista em atividade atualmente. Ele já se apresentou em mais de 30 países, atuando e gravando com as melhores orquestras e regentes. A extensa discografia de Ehnes inclui desde sonatas para violino de Bach a Road Movies, de John Adams. Desde que Vladimir Ashkenazy ganhou destaque no cenário mundial na Competição Chopin de 1955 em Varsóvia, ele construiu uma carreira extraordinária de pianista. A regência tomou a maior parte de suas atividades nas últimas duas décadas, e ele mantém um relacionamento de longa data com a Philharmonia Orchestra, da qual foi nomeado regente em 2000.
O Concerto para Violino, Op. 64, de Mendelssohn passou a ser visto como um degrau inescapável na carreira de todo violinista que almejasse o sucesso, multiplicando-se seus recitais e gravações. Hoje é considerado uma das principais composições de Mendelssohn e um dos mais importantes exemplos de seu gênero, continuando a desfrutar de grande popularidade.
Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto
Violin Concerto In E Minor Op.64 (26:37)
1 I Allegro Molto Appassionato 12:45
2 II Andante 8:16
3 III Allegretto Non Troppo – Allegro Molto Vivace 5:35
Octet In E Flat Op.20 (30:44)
4 I Allegro Moderato Ma Con Fuoco 13:49
5 II Andante 6:31
6 III Scherzo 4:29
7 IV Presto 5:53
Cello – Edward Arron (tracks: 4 to 7), Robert deMaine (tracks: 4 to 7)
Conductor – Vladimir Ashkenazy (tracks: 1 to 3)
Orchestra – Philharmonia Orchestra (tracks: 1 to 3)
Viola – Cynthia Phelps* (tracks: 4 to 7), Richard O’Neill (tracks: 4 to 7)
Violin – Andrew Wan (tracks: 4 to 7), Augustin Hadelich (tracks: 4 to 7), Erin Keefe (tracks: 4 to 7), James Ehnes
Escrevo estas mal traçadas ainda em novembro, mas com dezembro já quase virando a esquina. Contrariando todas as mais acuradas previsões climáticas, nem mesmo o INPE conseguiu prever essa, já há árvores cuneiformes com seus galhos cheios de neve nas mais diversas partes de Niterói. O clima de Jingle Bells está no ar…
Uma das coisas que eu mais gosto nesta época do ano é a motivação para ouvir velhas canções natalinas em suas diferentes formas, sempre com uma nota de saudosismo, mas também uma de esperança. Eu já andei postando alguns álbuns com essa temática, como você poderá desencavar aqui, aqui ou ainda aqui.
Para este ano, seguindo minha nova tendência de ouvir jazz e coisas afins, escolhi o álbum de um pianista estadunidense que se mudou de mala, bagagens e piano para a Europa, ficando o resto da vida na Dinamarca.
A talented bop-based pianist, Kenny Drew was somewhat underrated due to his decision to permanently move to Copenhagen in 1964. He recorded with Howard McGhee in 1949 and in the 1950s was featured on sessions with a who’s who of jazz, including Charlie Parker, Coleman Hawkins, Lester Young, Milt Jackson, Buddy DeFranco, Dinah Washington, and Buddy Rich. […] He also appeared as a sideman on classic Blue Note albums including John Coltrane Blue Train, Dexter Gordon Dexter Calling, Grant Green Sunday Mornin’, and Jackie McLean Bluesnik. […] Drew recorded many dates for SteepleChase in the 1970s and remained active up until his death.
Este é um maravilhoso CD duplo onde o pianista canadense Marc-André Hamelin brilha notavelmente. Hamelin é conhecido por sua habilidade demoníaca, mas eu o defendo com convicção — ele também tem muita sensibilidade e creio que eu, na minha idade e com minha vivência de ouvinte, saiba reconhecer um virtuose vazio quando ele dobra lá longe na esquina. Hamelin não é nada vazio, dá cara própria a cada uma das peças de Bolcom e estas são pra lá de boas!
Nas generosas notas do CD, o próprio compositor estadunidense apresenta o repertório, explicando como sua descoberta da música de Scott Joplin — que havia caído na obscuridade após a morte do compositor — levou-o a explorar o gênero no final dos anos 1960, justo em um momento em que a ópera Treemonisha ressurgia e o ragtime em geral, estava sendo revivido. Os elementos do ragtime tradicional de Joplin são evidentes nos rags de Bolcom – o DNA musical de síncope e swing que Hamelin captura perfeitamente – mas Bolcom se permite desviar para territórios mais incomuns, como, por exemplo, em Rag-Tango, que alterna a sensualidade do tango argentino, com suas harmonias picantes, e elementos de rags tradicionais. Eu desconhecia Bolcom e acho que este disco deve ser um bom ponto de partida. É uma audição maravilhosa, reveladora e, acima de tudo, muito agradável do início ao fim.
William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)
1-1 Eubie’s Luckey Day 5:00
1-2 Epithalamium 4:57
1-3 Tabby Cat Walk 5:41
1-4 Knockout ‘A Rag’ 3:57
1-5 Rat-Tango 8:43
The Garden Of Eden (18:38)
1-6 Old Adam 2:18
1-7 The Eternal Feminine 5:47
1-8 The Serpent’s Kiss 5:32
1-9 Through Eden’s Gates 4:57
1-10 California Porcupine Rag 3:27
1-11 The Gardenia 5:07
1-12 The Brooklyn Dodge 4:47
1-13 Contentment 7:38
Three Ghost Rags (15:34)
2-1 Gracefull Ghost Rag 4:35
2-2 The Poltergeist 3:31
2-3 Dream Shadows 7:26
2-4 Raggin’ Rudi 3:54
2-5 Epitaph For Louis Chauvin 5:07
2-6 Seabiscuits Rag 3:44
2-7 Estella ‘Rag Latino’ 5:12
2-8 Fields Of Flowers 5:47
2-9 Incineratorag 3:11
2-10 Knight Hubert 3:57
2-11 Lost Lady Rag 6:32
2-12 Glad Rag 3:40
2-13 Last Rag 4:58
2-14 Brass Knuckles
Written-By [Written In Collaboration With] – William Albright
3:25
Vai se aproximando o Natal, então deixo como contribuição duas obras corais compostas no século XVIII para a mui católica corte de Dresden. Eu considero este CD um tanto desigual, porque enquanto a Missa de Hasse (1751) é cheia de momentos expressivos emocionantes, o Requiem de Heinichen (1726) passou pelos meus ouvidos como passa barulho de trânsito: dois minutos depois eu não saberia descrever nada de interessante.
J.A. Hasse nasceu perto de Hamburgo e viveu uma vida longa e cheis de sucessos, principalmente na ópera e na música sacra. Muitos dos seus anos foram em Dresden e Viena, com períodos anteriores na Itália (década de 1720 em Nápoles e os últimos dez anos de vida em Veneza). Consta que ele aprendeu muito com o napolitano Alessandro Scarlatti. Representante da geração posterior à de J.S. Bach e Händel, Hasse já não é barroco, sendo um dos mais importantes compositores do período que hoje em dia é pouco lembrado, aquele entre 1750 e 1770. Eu, pessoalmente, diria que além dele também Antonio Soler e C.P.E. Bach são autores de música interessantíssima, mas é inegável que eles são menos tocados e menos estudados hoje do que Haydn e Mozart.
O regente alemão Hermann Max não chega a ser tão famoso quanto o belga Philippe Herreweghe ou o austríaco Nikolaus Harnoncourt, mas ele tem uma longa estrada com os grupos Rheinische Kantorei (Os Cantores do Reno) / Das Kleine Konzert (O Pequeno Concerto), que ele fundou em 1977. Pela gravadora Capriccio, Max e seus dois grupos gravaram muita coisa de Bach (Paixões, Cantatas) e de Telemann, incluindo um Oratório de Natal que FDP Bach postou ano passado (aqui).
1-16. Johann Adolf Hasse (1699-1783): Messe in d (Missa em ré menor)
17-36. Johann David Heinichen (1683-1729): Requiem em mi bemol maior
O Éder dispensa apresentações. Já postamos vários quartetos com os caras e eles são espetaculares. Vamos às obras?
Os Quartetos Nº 2 e 12 de Shostakovich parecem nascer em extremos opostos — mas ambos revelam o compositor em momentos de rara intensidade. O Quarteto Nº 2 (1944) é uma ferida aberta. Escrito em plena guerra, mistura um lirismo tenso com explosões de desespero. Seu grande arco narrativo — sim, narrativo: da simplicidade inicial ao final devastado — soa como se Shostakovich tentasse organizar o caos do mundo apenas para perceber que a dor sempre retorna mais profunda. Já o Quarteto Nº 12 (1968) abre outra porta: mais austero, mais introspectivo, com harmonias que parecem deslizar para regiões sombrias e abstratas. Aqui, Shostakovich escreve como quem conversa consigo mesmo — um diálogo carregado de verdade. Se o primeiro é um grito, o segundo é um murmúrio. Se um olha o mundo em chamas, o outro olha para dentro. Juntos, mostram duas faces do mesmo artista — sempre dividido entre coragem e medo, entre resistência e esgotamento, entre a necessidade de falar e o risco de ser ouvido (ou censurado).
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)
String Quartet No. 2 In A Major, Op. 68
1 Overture: Moderato Con Moto 8:18
2 Recitativo And Romance: Adagio 8:58
3 Valse: Allegro 5:43
4 Theme With Variations: Adagio – Moderato Con Moto 11:02
String Quartet No. 12 In D Flat Major, Op. 133
5 Moderato – Allegretto 6:37
6 Allegretto 19:43
Éder Quartet:
Cello – György Éder
Viola – Sándor Papp
Violin – György Selmeczi, Péter Szüts
Nhé, não é um grande CD, longe disso, mas, pô, é da família! Vale pela sinfonia de mano mais velho W.F., que era mesmo muito bom, meio deprimido e salva o CD. Como sabemos, o mano J.C. tem o mérito de ter inventado o estilo de Mozart, é o perfeito Mozart-sem-talento e sua música chega a ser agradável se não prestarmos muita atenção a ela. O J.C.F. não merecia a atenção que papai lhe deu. Era tão sem inspiração quanto eu. A Accademia Bizantina é apenas OK e leva as obras até seus finais sem grandes surpresas. Se você baixar este CD, a família agradece sem entusiasmo. Ah, já que o iPod já foi quase todo postado, vou copiar para ele o Réquiem de Verdi para depois postar, OK? Mas ainda falta um Villa-Lobos, um Nono e uma coisinha de jazz.
Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)
J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°1 in A-dur 1. Allegro
2. Rondò Grazioso
J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°2 in D-dur 3. Andante
4. Minueto
J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°3 in C-dur 5. Allegro
6. Rondò Grazioso
J. C. F. Bach – Symphonie in d-moll 7. Allegro
8. Andante Amoroso
9. Allegro Assai
W. F. Bach – Symphonie in F-dur 10. Vivace
11. Adagio
12. Allegro
13. Andante <—- Uma joia
14. Allegro
15. Minueto 1
16. Minueto 2
Grande CD duplo com os três quartetos do polonês Górecki. Eu prefiro os dois primeiros, mas jamais jogaria fora o terceiro. O Kronos Quartet encomendou as obras e as estreou. O que talvez jamais imaginasse é que, poucos anos depois, viria um Royal String Quartet, da Polônia — bem, o fato de serem poloneses não chega a ser surpreendente — e faria gravações bem melhores das obras. Bem, acontece, a gente bota as coisas no mundo e perde o controle sobre elas. A música de Górecki é algo extraordinário neste CD que recebi com o maior entusiasmo. Parabéns à Hyperion inglesa por nos trazer tais obras-primas. O Arioso do Quarteto Nº 2 é de chorar de tão lindo!
Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)
Disc: 1
1-1 Already It Is Dusk (String Quartet No 1) Op 62 (15:43)
Quasi Una Fantasia (String Quartet No 2) Op 64 (33:02)
1-2 Largo Sostenuto – Mesto 7:49
1-3 Deciso – Energico Marcatissimo Sempre 6:57
1-4 Arioso: Adagio Cantabile Ma Molto Espressivo E Molto Appassionato 8:00
1-5 Allegro Sempre Con Grande Passione E Molto Marcato 10:16
Disc: 2
… Songs Are Sung (String Quartet No 3) Op 67 (55:54)
2-1 Adagio – Molto Andante – Cantabile 11:11
2-2 Largo Cantabile 12:55
2-3 Allegro Sempre Ben Marcato 4:51
2-4 Deciso – Espressivo Ma Ben Tenuto 12:24
2-5 Largo – Tranquillo 14:31
Já que temos duas excelentes gravações dos quartetos de Bartók e também dos últimos de Beethoven, nada como dialogar com mano CDF postando os dois primeiros quartetos do polonês Górecki: o primeiro plenamente bartokiano, o segundo indiscutivelmente beethoveniano.
Não creio que as grandes influências recebidas por Górecki desconsiderar o polaco. Burrice seria pensar que um quarteto de cordas pode ser escrito sem a referência destes gigantes. O primeiro quarteto é eslavo até a raiz dos cabelos, com lentos corais e danças furiosas de sabor mais bartokiano do que shostakovichiano. O segundo quarteto, principalmente no Arioso: Adagio Cantabile faz referências aos últimos quartetos de Beethoven, com a utilização de um tema curto levado ao paroxismo. Neste “Quasi una Fantasia” também há muito do minimalismo. Um bom disco!
Sobre o Kronos… Bem, não vou repetir o que os mais antigos no blog já sabem: acho-os o máximo!
Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2
1. Already It Is Dusk String Quartet No. 1, Op. 62
2. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Largo Sostenuto – Mesto
3. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Deciso – Energico; Furioso, Tranquillo – Mesto
4. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Arioso: Adagio Cantabile
5. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Allegro – Sempre Con Grande Passion E Molto Marcato; Lento – Tranquillissimo
O CD Victor Biglione e Marcos Ariel, Duo #1 é uma joia da música instrumental brasileira que merece ser celebrado. Lançado em 1994, captura um diálogo íntimo entre violão e piano em arranjos sofisticados. Victor Biglione (violão de 7 cordas) e Marcos Ariel (piano) são mestres em unir musicalidade e leveza, criando um som ao mesmo tempo acessível. Biglione traz harmonias ricas e baixos marcantes enquanto Ariel responde com linhas melódicas fluidas no piano e improvisos cheios de classe. Bom disco para fãs de Ralph Towner e Egberto Gismonti (universalidade acústica), de Tom Jobim (sofisticação harmônica) e Yamandu Costa (raiz e virtuosismo). Para tardes chuvosas, jantares elegantes ou quando a alma pede beleza sem pressa. O disco foi gravado quase ao vivo (poucos overdubs), capturando a cumplicidade rara do duo. Biglione e Ariel já colaboravam há anos em trilhas sonoras e shows – a sintonia é orgânica.
.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1
1 Viola Enluarada
2 Bala Com Bala
3 Invitation
4 Lua Branca
5 Elegia Aos Pássaros II (Sanhaço)
6 Easy Living
7A Concerto De Aranjuez
7B Canto de Ossanha
8 Inútil Paisagem
9 São Jorge
10 Baleia Azul
11 Poema Brasileiro
12 Chuva Em Ipanema
As derradeiras sonatas de Beethoven, tocadas num humilde piano vertical por um músico artificialmente surdo: sob quaisquer outras mãos, essa empreitada poderia desandar numa micagem tosca, mas Marcin Masecki não é um músico qualquer. Ao abordar, aos trinta e poucos anos, a trinca de obras-primas que tantos grandes pianistas de concerto guardam nas casacas até se lhes crerem maduros o bastante, o versátil, vasto Masecki abriu mão do trato sacrossanto que seus colegas costumam dar a elas e as recriou num “pianino” de seis oitavas (“raramente afinado”, segundo ele), que emula os instrumentos em frangalhos que serviram o compositor em seus últimos anos de vida. E foi além: usando tampões nos ouvidos e fones redutores de ruído, tocou-as na surdez mais completa possível a alguém que escuta. Em vez de ícones intangíveis burilados à perfeição, ele parte da perspectiva da precariedade em que as sonatas foram escritas – no apartamento mais caótico de Viena, com seus pianos mais torturados, e por um homem arrasado, capaz de ouvir tão só seus pensamentos – e nos oferece uma leitura calorosa e reverente, imbuída da estética lo-fi que explodiria nos anos de pandemia, em que havia tantos artistas a gravarem imperfeitamente em suas casas quanto ouvidos dispostos a escutá-los mundo afora.
A quem estiver em busca duma gravação definitiva, sem manchas e gravada em mármore, fica a cordial sugestão de procurá-la alhures – e aos ouvidos aventureiros dispostos a guardar os tomates, desejo bom proveito do frescor com que Masecki nos conta que a Arte, felizmente, sempre será aberta.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano no. 30 em Mi maior, Op. 109 Composta em 1820 Publicada em 1821 Dedicada a Maximiliane Brentano
1 – Vivace ma non troppo – Adagio espressivo
2 – Prestissimo
3 – Gesangvoll, mit innigster Empfindung – Andante molto cantabile ed espressivo – Variazione I: Molto espressivo – Variazione II: Leggermente – Variazione III: Allegro vivace – Variazione IV: Un poco meno andante – Variazione V: Allegro ma non troppo – Variazione VI: Tempo I del tema
Sonata para piano no. 31 em Lá bemol maior, Op. 110 Composta em 1821 Publicada em 1822
4 – Moderato cantabile – Molto espressivo
5 – Allegro molto
6 – Adagio, ma non troppo – Arioso – Fuga: Allegro ma non troppo – L’istesso tempo di arioso – L’istesso tempo della Fuga poi a poi di nuovo vivente
Sonata para piano no. 32 em Dó menor, Op. 111 Composta em 1821-22
Publicada em 1823
Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustra
7 – Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
8 – Arietta – Adagio molto semplice e cantabile
O Ballo delle Ingrate (Dança das Ingratas) é uma obra-prima de Claudio Monteverdi, composta em 1608 para as núpcias do duque Francesco Gonzaga com Margarida de Saboia, em Mantova. Pertence ao gênero do balletto dramático, uma forma que mistura canto, dança, teatro e música instrumental, típica das esplêndidas festas da corte no início do Barroco. Com libreto de Ottavio Rinuccini, a obra apresenta uma alegoria moralizante. Vênus e Cupido descem ao Inferno para confrontar Plutão, queixando-se de que as mulheres de Mântua se tornaram “ingratas” ao amor, rejeitando os ardores dos seus pretendentes. Plutão, então, liberta temporariamente as almas das “ingratas” (condenadas por sua frigidez em vida) para que dancem num balé solene e trágico, servindo de aviso às mulheres presentes na plateia sobre as consequências de rejeitar o amor. É algo altamente erótico…
O Combattimento di Tancredi e Clorinda (1624) é uma obra revolucionária e um marco absoluto na história da música ocidental. Mais do que uma simples peça, é uma “ação dramático-musical” que redefine os limites da expressão e inaugura recursos que ecoariam por séculos. O libreto é do próprio Monteverdi e baseia-se num célebre episódio do poema épico Gerusalemme Liberata (1575), de Torquato Tasso. Durante as Cruzadas, o cavaleiro cristão Tancredi enfrenta um guerreiro muçulmano em combate noturno. Após feri-lo mortalmente, descobre, ao descer o elmo, que seu oponente é Clorinda, a mulher que ele secretamente ama. Clorinda, antes de morrer, pede o batismo, e Tancredi, dilacerado, lhe concede a água, que seria da pia batismal ou algo do gênero com seu próprio elmo.
Claudio Monteverdi foi um vanguardista, alguém efetivamente revolucionário. A gente ouve isso e acha muito antigo, só que tudo o que ele fazia era pela primeira vez. Ele não foi o inventor técnico da ópera, mas foi, sem dúvida, o pai fundador da ópera como a conhecemos — aquele que lhe deu profundidade dramática, força emocional e uma linguagem musical perene. Claudinho merece o nosso respeito.
Claudio Monteverdi (1567-1643): Ballo Delle Ingrate / Combattimento di Tancredi e Clorinda (Vartolo)
Ballo delle ingrate
1 Ballo delle ingrate 49:23
Vaccari, Patrizia (soprano)
Banditelli, Gloria (mezzo-soprano)
Abete, Antonio (bass)
Pederzoli, Maura (soprano)
Scabini, M. Ernesta (alto)
Goethem, Michel van (tenor)
Carmignani, Alessandro (tenor)
Abbondanza, Roberto (baritone)
San Petronio Cappella Musicale Orchestra (Orchestra)
Vartolo, Sergio (Conductor)
Combattimento di Tancredi e Clorinda
2 Combattimento di Tancredi e Clorinda 25:48
Abbondanza, Roberto (baritone)
Banditelli, Gloria (mezzo-soprano)
Carmignani, Alessandro (tenor)
San Petronio Cappella Musicale Orchestra (Orchestra)
Vartolo, Sergio (Conductor)
One of America’s piano greats meets one of Japan’s most traditional reedmen — in a setting that would prove to be a real highlight for both musicians at the time!
Esse disco é uma ‘postagem pronta’! Pensei em usar o subtítulo ‘Ocidente se encontra com Oriente’, no estilo ‘West meets East’, mas achei apelativo, sem contar que poderia levantar falsas expectativas. Sem contar que poderiam achar que estou falando de Istambul.
O disco reúne dois expoentes do jazz, em excelente forma, o pianista Teddy Wilson e o clarinetista Eiji Kitamura. É quase um detalhe geográfico que Teddy era estadunidense, Eiji é japonês e o disco foi gravado em Tokyo, no dia 5 de outubro de 1970. Nada surpreendente para o atual panorama globalizado, mas naqueles dias, a situação era outra. Os dois geniais músicos estavam acompanhados por Buffalo Bill Robinson na bateria, Masanaga Harada no baixo e Ichiro Masuda no vibrafone.
O programa é de clássicos do jazz como a magnífica ‘Stars fell on Alabama (last night)’, ‘On the sunny side of the street’, ‘Dream a little dream of me’, ‘Body and Soul’ e mais algumas, num total de 10 faixas para se deleitar.
Teddy Wilson foi um pianista magistral (um de seus álbuns ganhou o título ‘The Impeccable Mr. Wilson’). Há dois álbuns de Lester Young (outro mestre do swing jazz), nos quais o acompanhamento de piano é de Teddy Wilson em um e no outro Oscar Peterson. Vale a pena conferir.
Mas, o instrumento melódico deste disco é o clarinete de Eiji Kitamura, que desde sua primeira aparição no disco, no lado ensolarado da rua, vai te transportar para um clube de jazz em algum lugar como New Orleans, tal a pureza e beleza do som.
Há também o vibrafone de Ichiro Masuda que dá um colorido sonoro bem especial ao disco. O grupo parece ter tocado a metade da vida juntos (bem, a outra metade passaram fazendo outras coisas…), de tão integrados que são.
O disco todo respira uma certa inocência remetendo a um tempo mesmo anterior aos anos 1970, quando foi gravado. Teddy Wilson não mudou seu estilo ao longo de toda a sua carreira e, no caso dele, creio que podemos tomar como um elogio.
Kitamura devoted himself to clarinet playing while still an undergraduate at Keio University in Tokyo. He first came to prominence in the U.S. at the 20th Anniversary Jam Session of the Monterey Jazz Festival in 1977. His following in Japan was built previous to this on his regular television program.
He prefers to interpret traditional swing jazz rather than modern jazz and according to Allmusic is most strongly influenced by Benny Goodman and Woody Herman.
Teddy Wilson was one of the swing era’s finest pianists, a follower of Earl Hines’ distinctive “trumpetstyle” piano playing. Wilson forged his own unique approach from Hines’ influence, as well as from the styles of Art Tatum and Fats Waller. He was a truly orchestral pianist who engaged the complete range of his instrument, and he did it all in a slightly restrained, wholly dignified manner at the keyboard.
During his time with Benny Goodman, Wilson made some of his first recordings as a leader. These records featured such greats as Lester Young, Billie Holiday, Lena Horne, and Ella Fitzgerald. Wilson’s arrangements with Holiday in particular constitute some of the singer’s finest work, mostly due to Wilson’s ability to find the right sound to complement Holiday’s voice and singing style.
Uma joia! Belas Cantatas levadas com toda a delicadeza e musicalidade que merecem. Bem, este CD reúne duas cantatas comparativamente tardias de Bach: a dramática e intensa Ich hatte viel Bekümmernis, BWV 21 e a serena e luminosa Am Abend aber desselbigen Sabbats, BWV 42. Juntas, oferecem um contraste sutil entre o desalento existencial e a esperança pacificadora — uma espécie de arco emocional que demonstra a profundidade espiritual e artística de Bach. Herreweghe faz uma abordagem de velocidade contida, equilíbrio entre as vozes, orquestração de câmara e uma sonoridade que respeita a clareza. A interpretação da BWV 21 é especialmente tocante — a dor, a angústia, a súplica ganham corpo com seriedade, sem histrionismos, mas com grande poder expressivo. Na BWV 42, Herreweghe enfatiza a serenidade reflexiva, a doçura da esperança pós–Páscoa. A orquestração e os solistas trazem a paz prometida pelo texto, com suavidade e elegância. O som limpo, com bom uso da instrumentação e a interpretação vocal refinada evita excessos e privilegia a clareza do contraponto, o que torna o discurso de Bach acessível, humano e, por assim dizer, confiável. Este CD é não somente uma gravação de “cantatas quaisquer”, mas como uma pequena obra-prima de Bach sob a comando de Herreweghe.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 21 & 42 (Philippe Herreweghe, La Chapelle Royale and Collegium Vocale Gent)
Ich Hatte Viel Bekümmernis BWV 21
1 Sinfonia 2:54
2 Chorus: Ich Hatte Viel Bekümmernis 3:55
3 Aria (S): Seufzer, Tränen 4:16
4 Recitativo (T): Wie Hast Du Dich, Mein Gott 1:36
5 Aria (T): Bäche Von Gesalznen Zähren 6:24
6 Chorus: Was Betrübst Du Dich, Meine Seele 3:29
7 Recitativo (S, B): Ach Jesu, Meine Ruh 1:28
8 Aria. Duetto (S, B): Komm, Mein Jesu 3:55
9 Chorus: Sei Nun Wieder Zufrieden, Meine Seele 4:22
10 Aria (T): Erfreue Dich, Seele 2:57
11 Chorus: Das Lamm, Das Erwürget Ist 3:02
Am Abend Aber Desselbigen Sabbats BWV 42
12 Sinfonia 6:43
13 Recitativo (T): Am Abend Aber Desselbigen Sabbats 0:33
14 Aria (A): Wo Zwei Und Drei Versammlet Sind 10:12
15 Choral. Duetto (S, T): Verzage Nicht, O Häuflein Klein 2:19
16 Recitativo (B): Mann Kann Hiervon Ein Schön Exempel Sehen 0:46
17 Aria (B): Jesus Ist Ein Schild Der Seinen 3:23
18 Choral: Verleih Uns Frieden Gnädiglich 2:09
Alto Vocals – Gérard Lesne
Alto Vocals [Choir] – Betty Van Den Berghe, Martin Van Der Zeijst, Rik Jacobs, Steve Dugardin
Bass Vocals – Peter Harvey (tracks: 1 to 11), Peter Kooy* (tracks: 12 to 18)
Bass Vocals [Choir] – Frits Vanhulle, Jan Depuydt, Paul Van Den Berghe, Pieter Coene, Vincent Bouchot
Bassoon – Kate Van Orden (2)
Bassoon [Continuo] – Kate Van Orden (2)
Cello – Ageet Zweistra, Harmen Jan Schwitters*
Cello [Continuo] – Ageet Zweistra
Choir – Collegium Vocale
Conductor – Philippe Herreweghe
Double Bass – Jonathan Cable
Double Bass [Continuo] – Jonathan Cable
Ensemble – La Chapelle Royale
Oboe – Marcel Ponseele, Michel Henry (tracks: 12 to 18)
Positive Organ – Jan Willem Jansen
Positive Organ [Continuo] – Jan Willem Jansen
Soprano Vocals – Barbara Schlick
Soprano Vocals [Choir] – Anne Mopin, Annelies Coene, Brigitte Verkinderen, Caroline Pelon, Delphine Collot, Dominique Verkinderen, Gundula Anders
Tenor Vocals – Howard Crook
Tenor Vocals [Choir] – Joël Suhubiette, Philippe Van Isacker, Raphaël Boulay, Ulrik Loens
Timbales – Jean Chamboux (tracks: 1 to 11)
Trumpet – Jonathan Impett (tracks: 1 to 11), Léon Petré (tracks: 1 to 11), Stephen Keavy (tracks: 1 to 11)
Viola – Christine Angot (2), Galina Zinchenko
Violin – Adrian Chamorro, Martha Moore (2), Myriam Gevers, Nicolette Moonen, Peter Van Boxelaere, Roy Goodman, Ryo Terakado
Eu amo Hermeto. Certa vez, soube que ele se apresentaria em Pelotas (RS) e dei um jeito para que meu chefe me mandasse pra lá na data. Visitei algumas pessoas, fiz contatos, justifiquei minha ida e fui fazer o que precisava realmente fazer. Também jamais perdi um show dele na decadente Porto Alegre, hoje bolsonarista. Eu e Eles é um disco em que o músico transforma o mundo inteiro em parceiro de criação. Cada faixa soa como uma conversa diferente — ora com o jazz, ora com o forró, ora com a pura invenção que só Hermeto dominava. Aqui, ele desmonta fronteiras musicais com alegria e ousadia, misturando sopros, teclas, ruídos e silêncios em um laboratório sonoro que parece, ao mesmo tempo, festa e poesia. É um álbum que celebra a liberdade total: “eu” é Hermeto em sua imaginação sem limite, “eles” somos todos nós, tocados por essa música que brinca, provoca e reinventa o que achávamos que já conhecíamos.
.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles
Chorinho MEC 3:51
Viva Jackson Do Pandeiro 2:22
Caminho Do Sol 1:20
A Sua Benção Brasil 3:39
Fauna Universal 3:33
Vai Um Chimarrão, Tchê (para Borghettinho) 4:14
Miscelânia Vanguardiosa 5:09
Linguagens & Costumes 3:29
Mercosom 4:26
Boiada 3:57
Capelinha & Lembranças 5:36
Parquinho Do Passado, Presente E Futuro 3:01