‘Ele interpretado por elas…’
O foco da primeira postagem da série (?) ‘Ele, por elas…’ foi a Sonata ‘Waldstein’, um marco na produção de meio período do Ludovico, assim como a Sonata ‘Appassionata’. Eu gosto das interpretações temerárias, que vão na linha ‘fogo, foguinho…’, como a do Mikhail Pletnev (aqui), Maurizio Pollini (algum lugar no blog, eu aposto) e a própria Valentina Lisitsa (aqui).
A postagem de hoje é mais uma coisa de conjunto – a última vez que Beethoven comporia sonatas para piano, mais uma vez um grupo de três, mesmo que neste caso cada sonata tenha recebido um número de opus individual. Ouvir as três sonatas do Op. 2 (1795-6) e depois as sonatas deste disco, com op. 109 (1820), op. 110 (1821) e op. 111 (1822), revela uma jornada de uma vida artística genial. Experiência similar pode ser feita com os quartetos, comparando os seis quartetos do op. 18 e o grupo dos chamados Últimos Quartetos.
É verdade que a experiência e a impetuosidade podem ser ferramentas importantes para o intérprete, especialmente num conjunto de obras como estas. Não consigo deixar de comparar as interpretações do jovem Maurizio Pollini com as do maduro Willem Kempff. E vejam que Pollini as regravou no seu próprio período de maturidade. Bom, divago, como sempre… Vamos dar atenção à essa pianista espetacular, chamada Anne Queffélec. Com uma ótima discografia, ela gravou peças que demandam muita técnica, dando ênfase aos compositores franceses. Mais recentemente ela tem gravado obras de Scarlatti, Handel, Mozart.
O disco da postagem é relativamente recente, um disco maravilhoso dedicado a Beethoven, que reúne essas três sonatas que transcendem o estilo clássico ainda mais do que a Hammerklavier. O domínio da técnica, impecável, e a experiência desta pianista lhe dão a liberdade para nos brindar com sua sensível interpretação, trazendo a sua perspectiva da maturidade do genial compositor.
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Piano Sonata No. 30 in E Major, Op. 109
- Vivace ma non troppo, sempre legato – Adagio espressivo
- Prestissimo
- Gesangvoll, mit innigster Empfindung
Piano Sonata No. 31 in A-Flat Major, Op. 110
- Moderato cantabile molto espressivo
- Allegro molto
- Adagio ma non troppo – Arioso dolente
- Fuga. Allegro ma non troppo
Piano Sonata No. 32 in C Minor, Op. 111
- Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
- Arietta. Adagio molto semplice e cantabile
Anne Queffélec, piano
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 | 320 KBPS | 1 60 MB
To echoe Beethoven’s own words: “Music is the only incorporeal introduction to the world of knowledge (…) a higher revelation than all wisdom and philosophy… reaching beyond even the starry sky to the original source”. That is indeed where the epiphanies of the ultima verba uttered by the last three sonatas take us: on a journey of initiation that could not be undertaken in reverse. Let us listen to it…
“The rest is silence”
(Anne Queffélec)
… e o resto é silêncio! Aproveite!
René Denon

























IM-PER-DÍ-VEL !!!















O Éder dispensa apresentações. Já postamos vários quartetos com os caras e eles são espetaculares. Vamos às obras?
Nhé, não é um grande CD, longe disso, mas, pô, é da família! Vale pela sinfonia de mano mais velho W.F., que era mesmo muito bom, meio deprimido e salva o CD. Como sabemos, o mano J.C. tem o mérito de ter inventado o estilo de Mozart, é o perfeito Mozart-sem-talento e sua música chega a ser agradável se não prestarmos muita atenção a ela. O J.C.F. não merecia a atenção que papai lhe deu. Era tão sem inspiração quanto eu. A Accademia Bizantina é apenas OK e leva as obras até seus finais sem grandes surpresas. Se você baixar este CD, a família agradece sem entusiasmo. Ah, já que o iPod já foi quase todo postado, vou copiar para ele o Réquiem de Verdi para depois postar, OK? Mas ainda falta um Villa-Lobos, um Nono e uma coisinha de jazz.

IM-PER-DÍ-VEL !!!



O CD Victor Biglione e Marcos Ariel, Duo #1 é uma joia da música instrumental brasileira que merece ser celebrado. Lançado em 1994, captura um diálogo íntimo entre violão e piano em arranjos sofisticados. Victor Biglione (violão de 7 cordas) e Marcos Ariel (piano) são mestres em unir musicalidade e leveza, criando um som ao mesmo tempo acessível. Biglione traz harmonias ricas e baixos marcantes enquanto Ariel responde com linhas melódicas fluidas no piano e improvisos cheios de classe. Bom disco para fãs de Ralph Towner e Egberto Gismonti (universalidade acústica), de Tom Jobim (sofisticação harmônica) e Yamandu Costa (raiz e virtuosismo). Para tardes chuvosas, jantares elegantes ou quando a alma pede beleza sem pressa. O disco foi gravado quase ao vivo (poucos overdubs), capturando a cumplicidade rara do duo. Biglione e Ariel já colaboravam há anos em trilhas sonoras e shows – a sintonia é orgânica.

O Ballo delle Ingrate (Dança das Ingratas) é uma obra-prima de Claudio Monteverdi, composta em 1608 para as núpcias do duque Francesco Gonzaga com Margarida de Saboia, em Mantova. Pertence ao gênero do balletto dramático, uma forma que mistura canto, dança, teatro e música instrumental, típica das esplêndidas festas da corte no início do Barroco. Com libreto de Ottavio Rinuccini, a obra apresenta uma alegoria moralizante. Vênus e Cupido descem ao Inferno para confrontar Plutão, queixando-se de que as mulheres de Mântua se tornaram “ingratas” ao amor, rejeitando os ardores dos seus pretendentes. Plutão, então, liberta temporariamente as almas das “ingratas” (condenadas por sua frigidez em vida) para que dancem num balé solene e trágico, servindo de aviso às mulheres presentes na plateia sobre as consequências de rejeitar o amor. É algo altamente erótico…






IM-PER-DÍ-VEL !!!
Eu amo Hermeto. Certa vez, soube que ele se apresentaria em Pelotas (RS) e dei um jeito para que meu chefe me mandasse pra lá na data. Visitei algumas pessoas, fiz contatos, justifiquei minha ida e fui fazer o que precisava realmente fazer. Também jamais perdi um show dele na decadente Porto Alegre, hoje bolsonarista. Eu e Eles é um disco em que o músico transforma o mundo inteiro em parceiro de criação. Cada faixa soa como uma conversa diferente — ora com o jazz, ora com o forró, ora com a pura invenção que só Hermeto dominava. Aqui, ele desmonta fronteiras musicais com alegria e ousadia, misturando sopros, teclas, ruídos e silêncios em um laboratório sonoro que parece, ao mesmo tempo, festa e poesia. É um álbum que celebra a liberdade total: “eu” é Hermeto em sua imaginação sem limite, “eles” somos todos nós, tocados por essa música que brinca, provoca e reinventa o que achávamos que já conhecíamos.






