W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para Piano Nº 23 e para Violino Nº 3 (Reznikovskaya, Gantvarg)

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para Piano Nº 23 e para Violino Nº 3 (Reznikovskaya, Gantvarg)

Post publicado originalmente em 1º de janeiro de 2012

Um bom modo de começar o ano. Sem exageros e já fazendo a desintoxicação pós-festa. Uns russos que tocam muito bem fazem um repertório bastante conhecido dos pequepianos. Um disco consistente para que deve ser baixado e ouvido tranquilamente neste começo de 2012, ano em que o Internacional vencerá mais uma Copa Libertadores da América. Peço sinceras desculpas aos gremistas e corintianos. Sei que o mundo vai acabar este ano e, como parece que o mundo acaba cedo em dezembro, espero não ter que enfrentar o Barcelona. Menos um problema.

Ah, não esqueçam que, se o mundo acabar, o Michel Teló acaba junto.

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para Piano Nº 23 e para Violino Nº 3

Piano Concerto No.23 in A major, K 488
I.Allegro
II.Adagio
III.Allegro assai

Violin Concerto No.3 in G major, K 216
I.Allegro
II.Adagio
III.Rondo

Veronika Reznikovskaya, piano
Mikhail Gantvarg, violin
Solist of St.Petersburg Chamber Ensemble
Artistic director Mikhail Gantvarg
Recorded by Petersburg Recording Studio, 1994

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wolfgang-amadeus-mozart

PQP

.: interlúdio :. Hamilton de Holanda: 01 byte 10 cordas

.: interlúdio :. Hamilton de Holanda: 01 byte 10 cordas

Um absurdo de bom este Hamilton de Holanda. Tudo é bom neste CD ao vivo. As interpretações, as composições — das 8 faixas, 4 são de Hamilton — e, vocês sabem, quando é Milton é bom. Hamilton tem uma longa discografia seja suas próprias composições ou homenagens a alguns de seus ídolos. Ele lançou suas gravações em sua própria gravadora independente, Brasilianos, ou em parceiros mundiais como Universal, ECM, MPS, Adventure Music. Ele entende que a indústria musical precisa de definições de categorias para a música que toca, como por exemplo Jazz, Brazilian Jazz, Brazilian Popular Music; mas para ele a inspiração transcende os rótulos, é algo que cresce livremente sem a necessidade de ser definido. Gosta de se explicar como um explorador musical em busca de beleza e espontaneidade. Dividiu o palco ou gravou com Wynton Marsalis, Chick Corea, The Dave Mathews Band, Paulinho da Costa, Chucho Valdes, Egberto Gismonti, Ivan Lins, Milton Nascimento, Joshua Redman, Hermeto Pascoal, Gilberto Gil, Richard Galliano, John Paul Jones, Bela Fleck, Stefano Bollani entre muitos outros.

.: interlúdio :. Hamilton de Holanda: 01 byte 10 cordas

1 . No Rancho Fundo — Ary Barroso , Lamartine Babo
2 . Ainda Me Recordo — Pixinguinha , Benedito Lacerda
3 . O Sonho — Hamilton de Holanda
4 . 01 Byte 10 Cordas — Hamilton de Holanda
5 . Pedra Sabão — Hamilton de Holanda
6 . Flor Da Vida — Hamilton de Holanda
7 . Disparada — Théo de Barros , Geraldo Vandré
8 . Adiós Nonino — Astor Piazzolla

Hamilton de Holanda, bandolim solo (gravado ao vivo no Rio Design Leblon, Rio de Janeiro (RJ), nos dias 16/12/2004 e 13/01/2005).

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Hamilton de Holanda, gênio

PQP

.: interlúdio :. Pogréssio: All your gardening needs encontra Adoniran Barbosa

Não sei de onde saiu este CD. Não sei de quem ganhei. Não conheço o All your gardening needs, não sei é uma pessoa ou um grupo. É algo super pirata, bastante bom e divertido, que veio num CD vagabundo da MultiLaser. Mas o conteúdo não é nada vagabundo. (Vagabundo é Bolsonaro). São trabalhos bastante ousados sobre canções e falas de Adoniran Barbosa (1910-1982). Um Adoniran elétrico, computadorizado, um pogréssio, enfim. Creio que eu não precise dizer quem foi Adoniran. O brasileiro que veio aqui e desconhece este gênio está convidado a sair deste blog. Imediatamente! O brasileiro que não conhece “Trem das Onze”, “Tiro Ao Álvaro”, “Saudosa Maloca”, “Prova de Carinho” e “Samba do Arnesto” não merece o ar que respira.

Pogréssio: All your gardening needs encontra Adoniran Barbosa

1. Milonga de pampa a sampa
2. Ponte aérea 2099
3. Animado baile jovem no conjunto habitacional Vila Ibiza
4. Por aí
5. `ceridade
6. Apara o casamento
7. Vagabundos / Roubando bolinhas
8. Alfred Hitchcock`s Av. Paulista
9. Carnaval é disco
10. As Chaves

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PQP

Rachmaninoff (1873-1943): Preludes Op. 23, Cinq morceaux Op. 3 (Idil Biret)

folderEm 1894, o oficial de artilharia do exército francês Alfred Dreyfus foi levado a julgamento e condenado a prisão perpétua em um tribunal marcial a portas fechadas, acusado de alta traição num processo baseado em documentos falsos e provas forjadas. Depois, novos documentos apontam o verdadeiro culpado. Em um novo julgamento em 1899, contra todas as evidências, outro tribunal referenda a condenação anterior. Indignado, o escritor Émile Zola publica uma carta aberta ao presidente da República, provocando comoção popular. A carta – J’accuse! (Eu acuso!) – se tornou um clássico. Zola recebeu muitos apoios, mas também ameaças antisemitas e xenófobas (seu pai era italiano) e foi processado por difamação pelo Estado francês, se exilando por 11 meses.

Dreyfus foi solto por indulto presidencial e anos mais tarde, já em 1906, foi declarado inocente.*

O romancista Marcel Proust foi um dos melhores cronistas do caso Dreyfus:

“Aconteceu com o dreyfusismo (defensores da liberdade de Dreyfus) o mesmo que com o casamento de Saint-Loup com a filha de Odette, casamento que chocou muitos. Hoje, ao vermos todas as pessoas conhecidas frequentando a casa dos Saint-Loups, aprovamos tudo como se sua esposa fosse uma nobre viúva. O dreyfusismo é hoje integrado a uma série de coisas respeitáveis e habituais. Quanto a se perguntar o que ele valia em si próprio, ninguém pensava nisso, nem para inocentá-lo agora nem para condená-lo antigamente.” (O Tempo Redescoberto)

Em seu romance sobre a passagem do tempo, ele mostra que os gostos e os humores mudam com os anos, que o culpado de hoje é o herói de amanhã e que é um erro delimitar a sociedade em classes estanques:

“De certa maneira as manifestações sociais (muito inferiores aos movimentos artísticos, às crises políticas, à evolução que leva o gosto do público em direção ao teatro de ideias, depois à pintura impressionista, depois à música alemã e complexa, depois à música russa e simples, ou em direção às ideias sociais, às ideias de justiça, à reação religiosa, ao ataque patriótico) são o reflexo distante, rachado, incerto, nebuloso, mutável, desses movimentos. De forma que as pessoas não podem ser descritas em uma imobilidade estática.”
(Sodoma e Gomorra)

Da mesma forma, as estreias da 1ª Sinfonia e do 1º Concerto para Piano de Rachmaninoff foram completos fiascos, que levaram o compositor à depressão e à perda da sua autoestima. Alguns anos depois, em 1901, o 2º Concerto para Piano teve grande sucesso e sua autoestima voltou. Pouco depois vieram os 10 Prelúdios opus 23.

O som de sinos – típico das igrejas russas – era uma obsessão de Rachmaninoff, desde seu Prelúdio em dó # menor op.3, reaparecendo em quase todas suas obras para piano e até em The Bells (1913) para coro e orquestra.

Os críticos xingaram a música de Rach com os adjetivos mais feios da época: romântica demais, acessível, superficial, barata. Era música russa e simples, desse tipo que Proust menciona mais acima. Stravinsky o desprezava.

No entanto, o tempo passa e muitos dos vanguardistas da época hoje viraram nota de rodapé, quase não são ouvidos nas salas de concerto, enquanto a música de Rach ainda é tocada e tem seu público.

Em 1915 Rachmaninoff programou um recital de piano em homenagem a Scriabin (1872-1915), seu compatriota e colega de Conservatório. Os críticos, pra variar, detestaram: o pianista Rach não entendia o estilo de Scriabin e “Enquanto a música de Scriabin flutuava nas nuvens, Rach trouxe-a para a terra”. Essa oposição descreve bem os dois russos: o místico, leve Scriabin e o pesado e depressivo Rach.

Eu pessoalmente gosto da música de Rach para piano e tenho horror a sua escrita orquestral: aquelas cordas exageradamente emotivas dos concertos, aquelas sinfonias previsíveis… Mas há quem goste e, como diria Proust, as modas e os gostos mudam. Nunca diga nunca.

Sergei Rachmaminoff:
10 Preludes op. 23
1) F♯ minor (Largo)
2) B♭ major (Maestoso)
3) D minor (Tempo di minuetto)
4) D major (Andante cantabile)
5) G minor (Alla marcia)
6) E♭ major (Andante)
7) C minor (Allegro)
8) A♭ major (Allegro vivace)
9) E♭ minor (Presto)
10) G♭ major (Largo)

5 Morceaux de Fantaisie op. 3
11) Elegie in E♭ minor
12) Prelude in C♯ minor
13) Melody in E major
14) Polichinelle in F♯ minor
15) Serenade in B♭ minor

Idil Biret, piano

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Idil Biret tem mais de 3 milhões de CD's vendidos. A maioria provavelmente de Chopin e Rachmaninoff
Idil Biret tem mais de 3 milhões de CD’s vendidos. A maioria provavelmente de Chopin e Rachmaninoff

Pleyel e o piano russo, parte 1
*Qualquer semelhança com o Brasil é mera coincidência. Ou não. [postagem original de 2018, época do Vampirão na presidência…]

W. A. Mozart (1756-1791): Grande Missa em Dó Menor K. 427 (Cotrubas, Kiri Te Kanawa, New Philharmonia, Leppard)

W. A. Mozart (1756-1791): Grande Missa em Dó Menor K. 427 (Cotrubas, Kiri Te Kanawa, New Philharmonia, Leppard)

Nada como terminar a semana com uma grande obra-prima numa clássica interpretação que já recebeu três capas diferentes da EMI. Quem não se arrepiar no Kyrie inicial ou não gosta de música ou acabou de deixar de gostar. CD obrigatório, com Leppard em perfeita forma e Kiri nem se fala. Esta nasceu para cantar Mozart. A orquestra é enorme, mas Leppard (1927-2019) era um sujeito que sabia dosar as coisas. Ele não economiza nos tutti, mas aqui eles têm função. A Grande Missa K. 427 é tida como uma de suas maiores obras de Mozart. Ele a compôs em Viena em 1782 e 1783, após seu casamento, quando se mudou de Salzburgo para Viena. É uma missa solene composta para dois solistas soprano , um tenor e um baixo, coro duplo e grande orquestra. Permaneceu inacabada, faltando grandes partes do Credo e do Agnus Dei.

W. A. Mozart (1756-1791): Grande Missa em Dó Menor K. 427 (Cotrubas, Kiri Te Kanawa, New Philharmonia, Leppard)

1 I. Kyrie 8:05
2 II. Gloria: Gloria In Excelsis 2:52
3 II. Gloria: Laudamus Te 4:53
4 II. Gloria: Gratias Agimus Tibi 1:30
5 II. Gloria: Domine Deus 2:52
6 II. Gloria: Qui Tollis Peccata Mundi 6:27
7 II. Gloria: Quoniam Tu Solus Sanctus 4:18
8 II. Gloria: Jesu Christe 0:46
9 II. Gloria: Cum Sancto Spiritu 4:09
10 III. Credo: Credo In Unum Deum 3:59
11 III. Credo: Et Incarnatus Est 8:25
12 IV. Sanctus: Sanctus 2:03
13 IV. Sanctus: Osana 2:16
14 V. Benedictus 6:30

Ilena Cotrubas
Kiri te Kanawa
Werner Krenn
Hans Sotin
John Aldis Choir
New Philharmonia Orchestra
Raymond Leppard

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Leppard abrindo o barrigão pra vocês.

PQP Bach

Franz Schubert (1797-1828): Pequenos ciclos para voz e piano (M. Schäfer, Z. Meniker)

Como eu já falei aqui e aqui, para os meus ouvidos o som mais intimista dos instrumentos de época combina com o espírito romântico de Schubert… esse tipo de romantismo contido, sem exageros nem de alegria nem de melancolia.

Neste álbum gravado nos Países Baixos em 2018, os intérpretes escolheram gravar alguns dos pequenos ciclos de canções publicados por Schubert, por isso mesmo com números de Opus (enquanto os números “D” foram atribuídos depois por pesquisadores). São muito comuns as gravações de canções avulsas, e não há nada de errado nisso, pois no século XIX também era comum cantarem obras avulsas e não necessariamente o ciclo inteiro. Mas aqui Markus e Zvi buscaram apresentar os ciclos na ordem que foi decidida por Schubert em conjunto com os editores de suas partituras. O encarte do álbum explica:

That these have remained for a long time totally unknown can be explained by the decisions and choices made by nineteenth-century music publishers. In the Old Schubert Edition, publication of the Lieder was based on their chronological order, whilst in the complete Peters edition the order was determined by the popularity of the works. The smaller song cycles arranged by Schubert himself were thus broken up completely. Only in the Neue Schubert-Ausgabe, edited by Walther Dürr, were the songs published according to the opus numbers.

The view held by Markus Schäfer and Zvi Meniker about these cycles is that “they were not planned on purpose, like Die schöne Müllerin or Winterreise, but were mostly songs that he wrote at different times and then found connections between them. He always composed according to his mood, without planning in advance. Not like Mozart, who worked on commission or with the prospect of a performance, or like Beethoven with an eye on publishing, but simply by inspiration. Schubert got the spark, and then he wrote. Therefore, every song, no matter how short, is a gem. Hence the many unpublished songs; and he often grouped the songs together quite a long time after their composition, just for publication. There is a clear development in each cycle, each one has a direction, a beginning and an end. Each cycle has a theme, even if it’s a bit hidden sometimes.” That said, there are a number of opera which were conceived as cycles from the outset, for example the Drei Gesänge des Harfners (Op. 12), with texts drawn from Goethe’s novel Wilhelm Meisters Lehrjahre. This is also the case of the Refrainlieder (Op. 95), which were probably composed in June 1828 and were published on August 13 in the same year.

A good number of these smaller song cycles were developed by Schubert around a particular subject. For example, the Op. 5 set consists of five songs to poems by Goethe whose central theme is love. Whilst this opus was put together in 1821 for the publishers Cappi and Diabelli, the Lieder which make it up were composed in 1815 and 1816.

Franz Schubert (1797-1828):
1-5. Fünf Lieder op. 5 (1821), sobre poemas de Johann Wolfgang von Goethe
6-8. Drei Lieder op. 12 (1822), Drei Gesänge des Harfners aus “Wilhelm Meister”, sobre poemas de Johann Wolfgang von Goethe
9-12. Vier Lieder op. 59 (1826), sobre poemas de August von Platen e Friedrich Rückert
13-15. Drei Lieder op. 65 (1826), sobre poemas de Johann Mayrhofer e Friedrich von Schlegel
16-18. Drei Lieder op. 80 (1827), sobre poemas de Johann Gabriel Seidl
19-22. Vier Refrain-Lieder op. 95 (1828), sobre poemas de Johann Gabriel Seidl

MARKUS SCHÄFER tenor
ZVI MENIKER fortepiano after Conrad Graf, Vienna 1819, by Paul McNulty, Divisov 2012

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Retrato de Schubert por Anton Depauly (circa 1827)

Pleyel

Franz-Joseph Haydn (1732-1809) – Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor, Te Deum In C Major – Hob.Xxiiic:2

Uma obra prima haydniana nas mãos de Trevor Pinnock e seu English Concert & Choir. Esplêndida versão, com corais magníficos, para se ajoelhar e ficar em adoração, mesmo sendo ateu. Meu irmão PQP já se declarou fã ardoroso destas missas, então irei postar uma série delas, para seu deleite. Para uma análise mais apurada da obra, sugiro este link.

Franz-Joseph Haydn (1732-1809) -Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor, Te Deum In C Major – Hob.Xxiiic:2

1. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Kyrie
2. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Gloria: Gloria In Excelsis Deo
3. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Gloria: Qui Tollis
4. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Gloria: Quoniam
5. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Credo: Credo In Unum Deum
6. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Credo: Et Incarnatus Est
7. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Credo: Et Resurrexit
8. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Sanctus
9. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Benedictus
10. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Agnus Dei: Agnus Dei Qui Tollis
11. Missa In Angustiis “Nelson Mass”, Hob. Xxii:11 In D Minor – Agnus Dei: Dona Nobis Pacem
12. Te Deum In C Major – Hob.Xxiiic:2 – “Te Deum Laudamus” Allegro
13. Te Deum In C Major – Hob.Xxiiic:2 – “Te Ergo Quaesumus” Adagio
14. Te Deum In C Major – Hob.Xxiiic:2 – “Aeterna Fac Cum Sanctis Tuis -…Allegro Moderato “Aet

Felicity Lott · Carolyn Watkinson
Maldwyn Davies
David Wilson-Johnson
The English Concert and Choir
Trevor Pinnock

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O genial Haydn em 1792

Post original por FDPBach em 2008 / Repostagem por Pleyel em 2025

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violino Nº 1 e 2 (Skride, Nelsons)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violino Nº 1 e 2 (Skride, Nelsons)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

E não é que os dois letões se entendem? Sem medo de serem invadidos pela Rússia, Skride e Nelsons fazem um Shostakovich absolutamente  entusiasmante! Sem exageros ou firulas desnecessárias, a dupla mostra-se perfeita junto à ótima BSO. Em uma demonstração de virtuosismo e musicalidade, os dois letões se unem para uma performance eletrizante do Primeiro Concerto para Violino de Shostakovich. Ambos os concertos são executados com ousadia e podemos imaginar um Nelsons curvado pulando e dançando no pódio enquanto a solista e a orquestra unificados seguem suas deixas. A química entre é inegável. A orquestra e o solista funcionam como uma unidade coesa, sem que um sobrepuje o outro. Skride foi capaz de trazer esplendidamente a Passacaglia para o grandioso final de Shostakovich. O final da peça — diabolicamente sincopado e rápido — torna esta peça especialmente difícil de executar. Mais uma vez, Skride e Nelsons lidaram com este desafio sem esforço. No final da peça, eu já estava na ponta da cadeira implorando que a coisa jamais terminasse. Quanto ao Segundo Concerto, nunca gostei muito dele.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violino Nº 1 e 2 (Skride, Nelsons)

Violin Concerto No.1 in A minor, Op.99 (formerly Op.77)
01 I. Nocturne. Moderato 14:46
02 II. Scherzo. Allegro 06:59
03 III. Passacaglia. Andante 16:04
04 IV. Burlesque. Allegro con brio – Presto 05:19

Violin Concerto No.2 Op.129
05 I. Moderato 15:54
06 II. Adagio 12:16
07 III. Adagio – Allegro 09:33

Baiba Skride
Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Os Maiores Concertos para Piano (mesmo?) (Gulda, Abbado, VP)

W. A. Mozart (1756-1791): Os Maiores Concertos para Piano (mesmo?) (Gulda, Abbado, VP)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Friedrich Gulda disse numa entrevista que queria morrer no dia do aniversário de seu compositor predileto, Mozart. Conseguiu o feito; e aparentemente sem provocá-lo! Morreu em 27 de janeiro de 2000. Mas este não é o maior milagre de Gulda. O pianista não era nada ortodoxo e demonstrava um enorme desprezo pelas autoridades da Academia de Viena e outras. Uma vez foi-lhe oferecido o prêmio “Beethoven Ring”, pelas suas interpretações do compositor, mas o prêmio foi recusado por Gulda. Além disso, ele gravou um disco de jazz com Chick Corea, escreveu um Prelúdio e Fuga em ritmo de jazz que foi interpretado por Emerson, Lake & Palmer, compôs Variações sobre Light My Fire, de The Doors. Também gravou standards do jazz no álbum As You Like It.

Mas nem só de estrepolias é feito o austríaco. Ele foi profe de Martha Argerich e Claudio Abbado e é com seu pupilo que realizou estas gravações seminais dos maiores concertos de Mozart. Eu concordo com a escolha. Quem não gostar dela que reclame nos comentários. Será inútil mas pode ser divertido. Talvez eu me irrite se começarem a citar concertos mais jovens. Aliás, já estou ficando meio puto. Vão se fuder.

W. A. Mozart (1756-1791): Os Maiores Concertos para Piano (mesmo?) (Gulda, Abbado, VP)

1. Concerto No.20 In D Minor, K 466 / Allegro
2. Concerto No.20 In D Minor, K 466 / Romance
3. Concerto No.20 In D Minor, K 466 / Rondo

4. Concerto No.21 In C Major, K.467 / Allegro
5. Concerto No.21 In C Major, K.467 / Andante
6. Concerto No.21 In C Major, K.467 / Allegro Vivace

7. Concerto No.25 In C Flat Major, K.503 / Allegro Maestoso
8. Concerto No.25 In C Flat Major, K.503 / Andante
9. Concerto No.25 In C Flat Major, K.503 / Allegretto

10. Concerto No.27 In B Flat Major, K.595 / Allegro
11. Concerto No.27 In B Flat Major, K.595 / Larghetto
12. Concerto No.27 In B Flat Major, K.595 / Allegro

Friedrich Gulda, Piano
Vienna Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado, Conductor

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Gulda e Abbado, dupla perfeita para a serena ousadia mozartiana
Gulda e Abbado, dupla perfeita para a serena ousadia mozartiana

PQP

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Beyond The Limits: Complete String Symphonies (Gli Incogniti, Amandine Beyer)

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Beyond The Limits: Complete String Symphonies (Gli Incogniti, Amandine Beyer)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Beyond the Limits (Além dos Limites) é o título deste álbum e qualquer um que imagine CPE Bach como um trabalhador diligente na corte de Frederico, o Grande, vai levar um susto quando descobrir estas suas Sinfonias (de Hamburgo) para cordas. Este é o CPE desimpedido, seguindo o exemplo de seu igualmente inventivo padrinho Telemann. As seis sinfonias, encomendadas em 1773 pelo infatigável Gottfried van Swieten (o da Criação de Haydn) são mini-obras-primas extravagantemente originais, perfeitamente calculadas para emocionar um patrono que era simultaneamente especialista e entusiasta. Há muito de alegria nessas performances de instrumentos de época por Gli Incogniti sob sua diretora-fundadora Amandine Beyer. Os andamentos são rápidos, às vezes sensacionais, e Beyer aproveita ao máximo os contrastes dinâmicos de CPE. O conjunto é ressonante e encorpado – soando como se fosse maior do que os 14 músicos listados – e não há escassez de virtuosismo. Van Swieten supostamente instruiu Bach a escrever desconsiderando as dificuldades que os músicos possam enfrentar e o Gli Incogniti justifica essa confiança – mesmo que o contínuo do cravo seja às vezes quase inaudível sob os tuttis torrenciais e agressivos do grupo. Os movimentos lentos são bem feitos e poéticos. Beyer vai além das seis sinfonias de van Swieten para incluir uma obra anterior, o Wq177. Esta nova gravação de Amandine Beyer pode muito bem se tornar minha favorita deste repertório, embora eu ainda tenha em alta estima pela leitura de Pinnock. Beyer é conhecida por sua execução enérgica, e esta música se encaixa nela como uma luva. Os contrastes de tempo são perfeitamente realizados, e os músicos não têm medo de explorar ao máximo. O que é especialmente importante é que uma versão que faz justiça à imprevisibilidade dessas sinfonias, e aqui Beyer e seus colegas têm sucesso com louvor.

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Beyond The Limits: Complete String Symphonies (Gli Incogniti, Amandine Beyer)

Symphony No. 1 In G Major H.657
1 I. Allegro Di Molto 3:14
2 II. Poco Adagio 3:16
3 III. Presto 3:43

Symphony No.6 In E Major H.662
4 I. Allegro Di Molto 2:08
5 II. Poco Andante 2:50
6 III. Allegro Spirituoso 3:36

Symphony No.5 In B Minor H.661
7 I. Allegretto 3:55
8 II. Larghetto 2:28
9 III. Presto 3:32

Symphony No.4 In A Major H.660
10 I. Allegro Ma Non Troppo 4:14
11 II. Largo Ed Innocentemente 3:07
12 III. Allegro Assai 4:07

Symphony No.3 In C Major H.659
13 I. Allegro Assai 2:23
14 II. Adagio 2:45
15 III. Allegretto 4:53

Sinfonia Wq. 177 (H652)
16 I. Allegro Assai 3:49
17 Ii. Andante Moderato 3:06
18 III. Allegro 3:24

Symphony No.2 In Bb Major H.658
19 I. Allegro Di Molto 3:07
20 II. Poco Adagio 2:56
21 III. Presto 4:29

Conductor – Amandine Beyer
Ensemble – Gli Incogniti

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Amandine adorou o jantar oferecido a ela pela PQP Bach Corp no Restaurante Mazah! de Erebango. (RS)

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano Nº 1 e 2 (Wang, Nelsons)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano Nº 1 e 2 (Wang, Nelsons)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Yuja Wang é uma daquelas raras pianistas — aí incluídos os pianistos — que unem vasto repertório, consistência e pernas. Esqueçamos as pernas, mas jamais da elegância da moça nesta gravação. Sua interpretação de Shostakovich é como se ela não tivesse feito outra coisa na vida senão estudá-lo, o que sabemos não ser verdade. O Concerto Nº 1 aparece enormemente sofisticado em suas mãos e nas de Andris Nelsons, este sim um especialista no russo. No passado, os russos reclamavam muito das interpretações recebidas por seus compositores. Eles achavam que os ocidentais sujavam a sofisticação — que eles efetivamente têm — achando que seus compositores deles eram mais “primitivos” do que os nossos. Isto tem mudado, talvez por medo de uma invasão por parte de Gergiev e Putin. Se bem que o acorde dela (aquele acordão, vocês sabem) no último movimento do Primeiro Concerto é digno de um Oreshnik. Bem, a tremenda alegria e os jogos propostos no Nº 2 estão belamente realizados. Explico: o Nº 2 foi dedicado e estreado pelo filho de Shosta, Maxim, e contém muitas alusões ao rebento. Por exemplo, no centro do movimento final há um exercício para pianistas que Maxim devia praticar em casa.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano Nº 1 e 2 (Wang, Nelsons)

Piano Concerto No.1 for piano, trumpet & strings, Op.35
01 I. Allegro moderato 06:04
02 II. Lento 08:33
03 III. Moderato 01:53
04 IV. Allegro con brio 06:53

Piano Concerto No.2 in F, Op.102
05 I. Allegro 07:03
06 II. Andante 06:07
07 III. Allegro 05:22

Yuja Wang, piano
Thomas Rolfs, trompete
Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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Wang, Nelsons e a BSO em ação

PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para Violino Nº 5, K. 219 / Sonata para Violino e Piano, K. 378 / Quinteto para Cordas, K. 516 (Heifetz e amigos)

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para Violino Nº 5, K. 219 / Sonata para Violino e Piano, K.  378 / Quinteto para Cordas, K. 516 (Heifetz e amigos)

Sim, um Heifetz, mas não chega a ser uma coisa de louco. Eu não roubaria nem mataria por estas gravações do grande violinista. Gravação jurássica pisando a linha do suportável, não obstante o inigualável talento de Jascha Heifetz. Para quem chegou anteontem de Marte, o lituano Heifetz (1901-1987) foi um dos maiores virtuosos da história do violino, famoso por suas interpretações de Paganini, Beethoven, Brahms, Tchaikovsky, Saint-Saëns, Sibelius e de todos os que passaram por suas mãos. É considerado por muitos o melhor violinista do século XX. Descobri que esta gravação do Concerto de Mozart é dos anos 40 e, bem, era difícil de recuperá-la com um som decente.

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para Violino Nº 5, K. 219 / Sonata para Violino e Piano, K. 378 / Quinteto para Cordas, K. 516 (Heifetz e amigos)

Concerto No. 5 K.219, “Turkish” In A
Allegro Aperto 9:31
Adagio 9:58
Rondeau. Tempo Di Menuetto 6:43

Sonata, K.378 In B Flat
Allegro Moderato 8:14
Andantino Sostenuto E Cantabile 4:27
Rondo Allegro 3:59

Quintet, K.516 In G Minor
Allegro 8:57
Menuetto 4:23
Adagio Ma Non TRoppo 8:16
Adagio: Allegro 8:24

Orchestra – Chamber Orchestra* (tracks: 1–3)
Piano – Brooks Smith (2) (tracks: 4–6)
Viola – Virginia Majewski, William Primrose (tracks: 7–10)
Violin – Jascha Heifetz
Violin [II] – Israel Baker (tracks: 7–10)
Violoncello – Gregor Piatigorsky (tracks: 7–10)

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PQP

Alfonso X (El Sabio), Arbeau, Cabezon, Desprez, Encina, Fletxa, Isaac, Janequin, Morales, Narvaez, Parabosco, Willaert: A vida musical à época de Carlos V (Savall)

Alfonso X (El Sabio), Arbeau, Cabezon, Desprez, Encina, Fletxa, Isaac, Janequin, Morales, Narvaez, Parabosco, Willaert: A vida musical à época de Carlos V (Savall)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando desta postagem original, estávamos completando 6 aninhos. Hoje já temos 18…

Um disco estupendo para os admiradores da música da Renascença. Savall em grande forma. ‘Carlos V’ não busca meramente reconstruir um evento em particular, mas uma vida inteira, a do Imperador Carlos V. Uma ampla gama de peças é apresentada como tendo uma conexão, de uma forma ou de outra, com Carlos V, que teve inúmeras obras dedicadas a ele e que é conhecido por ter aprendido música quando criança. Era um conhecedor de música. Uma figura interessante. Aqueles familiarizados com as gravações de Hesperion XXI sabem o que esperar: “orquestração” colorida, incluindo percussão, e acompanhamento de viola para a música sacra, que geralmente funciona muito bem. As vozes de La Capella Reial de Catalunya sempre valem a pena ouvir.

Alfonso X (El Sabio), Arbeau, Cabezon, Desprez, Encina, Flecha, Isaac, Janequin, Morales, Narvaez, Parabosco, Willaert: A vida musical à época de Carlos V (Savall)

1. Fortuna Desperata: Nasci, Pati, Mori (Isaac) 4:19
2. Dit Le Bourguygnon (Instrumental) (Anónimo (Petrucci)) 1:16
3. Quand Je Bois Du Vin Clairet (Tourdion) (Anónimo) 4:51
4. Amor Con Fortuna (Villancico) (Del Enzina) 2:08
5. Vive Le Roy (Instrumental) (Des Prés) 1:27
6. Todos Los Bienes Del Mundo (Villancico) (Del Enzina) 4:18
7. La Spagna, A 5 (Instrumental) (Des Prés) 3:10
8. Harto De Tanta Porfía (Villancico) (Anónimo (Canc. Palacio)) 7:18
9. Pavana “La Battaglia” (Instrumental) (Janequin / Susato) 2:07
10. Belle Qui Tiens Ma Vie (Chanson) (Arbeau) 3:16
11. Diferencias Sobre “Belle Qui Tiens Ma Vie” (De Cabezón) 3:30
12. Vecchie Letrose (Villanesca Alla Napolitana) (Willaert) 2:33
13. Fanfarria (Anónimo) 1:08
14. Sanctus De La Missa “Mille Regretz”, A 6 (De Morales) 6:10
15. Da Pacem Domine (Ricercare XIV) (Parobosco) 5:01
16. Jubilate Deo Omnis Terra (Motete), A 6 (De Morales) 6:26
17. Mille Regretz (Chanson) (De Prés) 2:17
18. Todos Los Buenos Soldados (La Guera) (Flecha) 1:47
19. Agnus Dei De La Missa “Mille Regretz”, A 6 (De Morales) 7:03
20. Mille Regrets: Canción Del Emperador” (Josquin / De Navráez) 3:02
21. Circumdederunt Me Gemitus Mortis (Motete) (De Morales) 3:09

La Capella Reial de Catalunya
Jordi Savall

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Hoje temos 18 anos…

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): O Cravo bem temperado, Livros I e II, BWV 846-893 (Gould, piano)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): O Cravo bem temperado, Livros I e II, BWV 846-893 (Gould, piano)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Minha geração e a anterior foram muito marcadas pelo pianista Glenn Gould (1932-1982). Eu, nascido em 1957, já nos anos 70 queria ouvir as coisas em instrumentos originais –, mas era impossível não considerar a qualidade e as manias de um gênio como Gould. Ele acentuava Bach de um modo diferente, mais inteligente, e sua passagem de 50 anos pelo mundo foi um vendaval. Ele abandonou as apresentações ao vivo em 1964, dedicando-se, desde então, somente às gravações em estúdio, com um estilo de tocar muito peculiar, às vezes excêntrico, mas jamais contornável. Foi discutidíssimo e criava polêmica onde ia ou chegava através de suas interpretações. Era canhoto — o que talvez explique a perfeição implacável de seu ritmo — e tinha uma habilidade talvez só comparável às de Martha Argerich e de Yuja Wang. Mas, contrariamente às citadas, tudo em Gould é conceitual, ele sempre traz novidades, por vezes muito brilhantes e que influenciaram muita gente. Também pode ser irritante. Muitas de suas gravações são tão idiossincráticas que são difíceis de ouvir, a não ser que você seja uma pessoa como eu, que gosta de observar fascinado até onde alguém pode ir. Ele ultrapassava quaisquer limites. Sua gravação das sonatas para piano de Mozart é um exemplo. Ele as gravou por obrigação contratual, mas sua antipatia por Mozart é evidente. Algumas delas ele toca muito suavemente, criando um romantismo que não é de Mozart e que dá vontade de rir, outras ele mutila acelerando tudo como uma caixinha de música alucinada. Tudo muito perfeito, mas feito de maneira voluntariamente ruim. Era sim um gênio atrevido. Mas quando é bom, ele é muito, muito bom. Gould pode ser surpreendente, poético e muito inpirador. Ouça sua gravação do Prelúdio em Dó Sustenido Maior, BWV 872 do Livro II do Cravo Bem Temperado (E sim, é Glenn que você pode ouvir cantando ao fundo!). É isso que torna Glenn Gould um enigma, um contraste inteiro. E muito digno de ser explorado. Como esta gravação estava há muito tempo sem links funcionando e, pior, dividida em dois posts, aqui vai uma revalidação com cara de curadoria, pois sem Gould não dá para ficar.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): O Cravo bem temperado, Livros I e II, BWV 846-893 (Gould, piano)

Disc 1
Vol. I: Preludes & Fugues, BWV 846-861 (Beginning/Anfang/Début)
No. 1 (C Major/C-Dur/Ut Majeur) BWV 846
1-1 (untitled) 2:21
1-2 (untitled) 1:54
No. 2 (C Minor/C-Moll/Ut Mineur) BWV 847
1-3 (untitled) 2:08
1-4 (untitled) 1:34
No. 3 (C-Sharp Major/Cis-Dur/Ut Dièse Majeur) BWV 848
1-5 (untitled) 1:05
1-6 (untitled) 2:01
No. 4 (C-Sharp Minor/Cis-Moll/Ut Dièse Mineur) BWV 849
1-7 (untitled) 2:41
1-8 (untitled) 3:05
No. 5 (D Major/D-Dur/Ré Majeur) BWV 850
1-9 (untitled) 1:06
1-10 (untitled) 1:39
No. 6 (D Minor/D-Moll/Ré Mineur) BWV 851
1-11 (untitled) 1:19
1-12 (untitled) 1:41
No. 7 (E-Flat Major/Es-Dur/Mi Bémol Majeur) BWV 852
1-13 (untitled) 4:14
1-14 (untitled) 1:42
No. 8 (E-Flat Minor/Es-Moll/Mi Bémol Mineur) BWV 853
1-15 (untitled) 3:39
1-16 (untitled) 5:12
No. 9 (E Major/E-Dur/Mi Majeur) BWV 854
1-17 (untitled) 1:34
1-18 (untitled) 1:01
No. 10 (E Minor/E-Moll/Mi Mineur) BWV 855
1-19 (untitled) 2:50
1-20 (untitled) 0:58
No. 11 (F Major/F-Dur/Fa Majeur) BWV 856
1-21 (untitled) 0:58
1-22 (untitled) 1:16
No. 12 (F Minor/F-Moll/Fa Mineur) BWV 857
1-23 (untitled) 4:55
1-24 (untitled) 3:23
No. 13 (F -Sharp Major/Fis-Dur/Fa Dièse Majeur) BWV 859
1-25 (untitled) 2:16
1-26 (untitled) 2:16
No. 14 (F-Sharp Minor/Fis-Moll/Fa Dièse Mineur) BWV 858
1-27 (untitled) 1:01
1-28 (untitled) 3:49
No. 15 (G Major/G-Dur/Sol Majeur) BWV 860
1-29 (untitled) 0:43
1-30 (untitled) 2:20
No. 16 (G Minor/G-Moll/Sol Mineur) BWV 861
1-31 (untitled) 2:28
1-32 (untitled) 2:16

Disc 2
Vol. I: Preludes & Fugues, BWV 862-869 (Conclusion/Schluss/Fin)
No. 17 (A-Flat Major/As-Dur/La Bémol Majeur) BWV 862
2-1 (untitled) 1:23
2-2 (untitled) 1:29
No. 18 (G-Sharp Minor/Gis-Moll/Sol Dièse Mineur) BWV 863
2-3 (untitled) 1:22
2-4 (untitled) 1:47
No. 19 (A Major/A-Dur/La Majeur) BWV 864
2-5 (untitled) 1:00
2-6 (untitled) 2:23
No. 20 (A Minor/A-Moll/La Mineur) BWV 865
2-7 (untitled) 1:11
2-8 (untitled) 3:24
No. 21 (B-Flat Major/B-Dur/Si Bémol Majeur) BWV 866
2-9 (untitled) 1:10
2-10 (untitled) 1:23
No. 22 (B-Flat Minor/B-Moll/Si Bémol Mineur) BWV 867
2-11 (untitled) 3:56
2-12 (untitled) 5:08
No. 23 (B Major/H-Dur/Si Majeur) BWV 868
2-13 (untitled) 0:59
2-14 (untitled) 1:34
No. 24 (B Minor/H-Moll/Si Mineur) BWV 869
2-15 (untitled) 2:14
2-16 (untitled) 3:46

Vol. II: Preludes & Fugues, BWV 870-877 (Beginning/Anfang/Début)
No. 1 (C Major/C-Dur/Ut Majeur) BWV 870
2-17 (untitled) 2:59
2-18 (untitled) 1:48
No. 2 (C Minor/C-Moll/Ut Mineur) BWV 871
2-19 (untitled) 1:26
2-20 (untitled) 1:25
No. 3 (C-Sharp Major/Cis-Dur/Ut Dièse Majeur) BWV 872
2-21 (untitled) 1:41
2-22 (untitled) 3:30
No. 4 (C-Sharp Minor/Cis-Moll/Ut Dièse Mineur) BWV 873
2-23 (untitled) 3:10
2-24 (untitled) 1:53
No. 5 D Major/D-Dur/Ré Majeur) BWV 874
2-25 (untitled) 4:12
2-26 (untitled) 2:43
No. 6 (D Minor/D-Moll/Ré Mineur) BWV 875
2-27 (untitled) 1:54
2-28 (untitled) 1:44
No. 7 (E-Flat Major/Es-Dur/Mi Bémol Majeur) BWV 876
2-29 (untitled) 1:27
2-30 (untitled) 1:38
No. 8 (E-Flat Minor/Es-Moll/MiBémol Mineur) BWV 877
2-31 (untitled) 2:20
2-32 (untitled) 2:17

Disc 3
Vol. II: Preludes & Fugues, BWV 878-893 (Conclusion/Schluss/Fin)
No. 9 (E Major/E-Dur/Mi Majeur) BWV 878
3-1 (untitled) 2:17
3-2 (untitled) 1:47
No. 10 (E Minor/E-Moll/Mi Mineur) BWV 879
3-3 (untitled) 2:03
3-4 (untitled) 2:44
No. 11 (F Major/F-Dur/Fa Majeur) BWV 880
3-5 (untitled) 2:09
3-6 (untitled) 1:30
No. 12 (F Minor/F-Moll/Fa Mineur) BWV 881
3-7 (untitled) 1:46
3-8 (untitled) 1:29
No. 13 (F-Sharp Major/Fis-Dur/Fa Dièse Majeur) BWV 882
3-9 (untitled) 2:13
3-10 (untitled) 1:45
No. 14 (F-Sharp Minor/Fis-Moll/Fa Dièse Mineur) BWV 883
3-11 (untitled) 3:23
3-12 (untitled) 2:46
No. 15 (G Major/G-Dur/Sol Majeur) BWV 884
3-13 (untitled) 1:09
3-14 (untitled) 0:52
No. 16 (G Minor/G-Moll/Sol Mineur) BWV 885
3-15 (untitled) 3:09
3-16 (untitled) 2:23
No. 17 (A-Flat Major/As-Dur/La Bémol Majeur) BWV 886
3-17 (untitled) 3:00
3-18 (untitled) 1:53
No. 18 (G-Sharp Minor/Gis-Moll/Sol Dièse Mineur) BWV 887
3-19 (untitled) 1:44
3-20 (untitled) 4:24
No. 19 (A Major/A-Dur/La Majeur) BWV 888
3-21 (untitled) 1:22
3-22 (untitled) 1:02
No. 20 (A Minor/A-Moll/La Mineur) BWV 889
3-23 (untitled) 2:15
3-24 (untitled) 1:28
No. 21 (B-Flat Major/B-Dur/Si Bémol Majeur) BWV 890
3-25 (untitled) 2:25
3-26 (untitled) 1:45
No. 22 (B-Flat Minor/B-Dur/Si Bémol Mineur) BWV 891
3-27 (untitled) 1:37
3-28 (untitled) 3:16
No. 23 (B Major/H-Dur/Si Majeur) BWV 892
3-29 (untitled) 1:40
3-30 (untitled) 1:59
No. 24 (B Minor/H-Moll/Si Mineur) BWV 893
3-31 (untitled) 1:39
3-32 (untitled) 1:28

Glenn Gould, piano

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Glenn Gould à vontade: o banco bem baixo, a cara enfiada no piano, cantando junto e feliz.

PQP

Música Antiga com Jordi Savall e o Hesperion XX: Folias & Canarios

Música Antiga com Jordi Savall e o Hesperion XX: Folias & Canarios

Existe a Música Antiga, o Barroco e há Savall. A abordagem do gambista, violoncelista e regente Jordi Savall à música pré-barroca é tão talentosa e interessada, que parece de um gênero diferente. É um grande mestre que, de forma inesperada e paradoxal, “renova” a música antiga, revelando como ela pode ser, quando interpretada com sensibilidade e senso de estilo. Para completar, Savall promove diálogos interculturais em seus discos e, sem palavras, faz-nos pensar.

Música Antiga com Jordi Savall e o Hesperion XX: Folias & Canarios

1 Folias (Pavana Con Su Glosa) Composed By – Antonio de Cabezón 2:03
2 Fantasia Composed By – Alonso Mudarra 2:45
3 Tiento De Falsas Composed By – Joan Cabanilles* 4:02
4 Jàcaras Composed By – Gaspar Sanz 2:15
5 Canarios Composed By – Gaspar Sanz 2:01
6 Paduana Del Re Composed By – Anonyme* 2:18
7 Saltarello Composed By – Anonyme* 1:10
8 Arpegiatta Composed By – Girolamo Kapsberger* 1:43
9 Gallarda Composed By – Giacomo De Gorzanis* 1:35
10 Canarios Composed By – Girolamo Kapsberger* 2:07
11 Si Ay Perdut Mon Saber Composed By – Jordi Savall, Ponç d’Ortafà* 3:59
12 La Mariagneta Composed By – Anon*, Jordi Savall 1:48
13 Con Que La Lavaré Composed By – Anonyme* 2:19
14 El Pare I La Mare Composed By – Anonyme*, Jordi Savall 3:39
15 Paradetas Composed By – Andrew Lawrence King*, Lucas Ruiz De Ribadayaz* 3:19
16 Clarines Y Trompetas Composed By – Gaspar Sanz 5:29
17 Fantasia Composed By – Joan Cabanilles* 2:33
18 Toccata & Chiaccona Composed By – Alessandro Piccinini 3:44
19 Todo El Mundo En General Composed By – Francisco Correa De Arauxo 3:57
20 Canarios Composed By – Anonyme*, Jordi Savall 2:19

Hespèrion XX
Jordi Savall

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O PQP Bach adverte: hoje, a Hesperion XX atualizou-se e já é Hesperion XXI
O PQP Bach adverte: hoje, a Hesperion XX atualizou-se e já é Hesperion XXI

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Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo (Ophélie Gaillard, Pulcinella Orchestra)

Fechando o mês das mulheres, um disco de Vivaldi com uma orquestra francesa de sonoridade suave e bela, regida por Ophélie Gaillard – que também é a solista dos concertos. Além de concertos variados (para um ou dois violoncelos como solistas, mas também um com dois violinos solando), temos duas árias de óperas de Vivaldi com cello obbligato, nas quais a voz humana e a do instrumento dialogam, prática também comum em algumas árias de Bach.

Em 2024, Ophélie esteve nas notícias de crimes, após um furto em sua casa em uma pequena cidade no leste da França, não muito longe de Genebra (Suíça), onde ela dá aulas. Na noite de 24 de setembro, sua residência em Saint-Julien-en-Genevois se encontrava sem gente e foi invadida por bandidos que levarem equipamentos eletrônicos, um violoncelo – fabricado em 1737 pelo luthier veneziano Francesco Goffriller – e dois arcos de violoncelo. Após dois meses de angústia, Ophélie Gaillard recebeu um telefonema da polícia anunciando que foi encontrado o instrumento: muito provavelmente os ladrões não conseguiram comprador para um instrumento absolutamente único, que os especialistas facilmente identificariam.

No encarte do álbum, escrito em 2020, portanto antes do furto, Ophélie escreveu: já fazem quase quinze anos que divido minha vida com um violoncelo veneziano de voz de baixo profundo e agudos cantantes. Desde então, busquei saber mais sobre sua história, saber quais mãos amorosas haviam escolhido essa madeira excepcional, mas pouco foi possível descobrir de seus segredos, exceto que foi conservado por longos anos em um atelier em Udine, perto de Veneza.

Antonio Vivaldi (1678-1741): I Colori dell’Ombra
CD 1
Cello Concerto In G Minor, Rv. 416
“Sovvente Il Sole” (from Andromeda Liberata, Rv Anh. 117) – Mezzo-soprano: Lucile Richardot
Concerto For 2 Cellos In G Minor, Rv. 531
Concerto For Cello And Bassoon In E Minor, Rv. 409
Concerto For Violoncello Piccolo In G Major, Rv. 414
Sinfonia For Strings And Basso Continuo In C Major, Rv. 112

CD 2
Concerto For 2 Violins And 2 Cellos In D Major, Rv. 575
Cello Concerto In B Flat Major “per Teresa”, Rv. 788 (Larghetto) – Reconstructed By Olivier Fourés
Concerto For Violoncello Piccolo In B Minor, Rv. 424
“Di Verde Ulivo” (from Tito Manlio, Rv. 738) – Contralto: Delphine Galou
Cello Concerto In D Minor, Rv. 405
Cello Concerto In A Minor, Rv. 419 (Allegro)

Cello, Music Director – Ophélie Gaillard
Cello [Second Solo] – Atsushi Sakaï
Pulcinella Orchestra
Recorded: Église luthérienne Saint Pierre (Paris), 2019

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Pleyel

Edvard Grieg (1843-1907): Excertos de Peer Gynt (Hendricks, Salonen, Oslo Philh.)

Edvard Grieg (1843-1907): Excertos de Peer Gynt (Hendricks, Salonen, Oslo Philh.)

Para manter o clima escandinavo, minha próxima contribuição é de uma gravação estupenda do “Peer Gynt”, de Grieg, nas competentes mãos de Esa-Pekka Sallonen, regendo a Orquestra Filarmônica de Oslo, com seu respectivo coral e com a maravilhosa voz de Barbara Hendricks. Essa gravação se destaca exatamente pelas partes cantadas, que poucos conhecem. Geralmente o que é gravado são as duas suítes, se deixando de lado estas preciosidades vocais. Comprei este CD há muitos anos atrás, e nunca mais tive oportunidade de encontrá-lo em outro local. É uma gravação fora dos catálogos da Sony. Em minha opinião, as partes que se destacam, escolha difícil diante da beleza desta obra, são as conhecidas “Canção de Solveig”, interpretada por Hendricks, e o coral na conhecida passagem “In the Hall of Mountain King”. De qualquer forma, é uma gravação maravilhosa. Espero que seja devidamente apreciada, pois é um registro um tanto quanto raro.

Edvard Grieg (1843-1907) : Excertos de Peer Gynt (Hendricks, Salonen, Oslo Philh.)

1 Act one – Prelude : In the wedding garden
2 Act one – The bridal procession passes
3 Act one – Halling
4 Act one – Springar
5 Act two – Prelude : The abduction of the bride – Ingrid’s lament
6 Act two – In the hall of the mountain King
7 Act two – Dance of the mountain King’s daughter
8 Act three – Prelude : Deep in the coniferous forest
9 Act three – Solveig’s song
10 Act three – Ase’s death
11 Act four – Prelude : Morning mood
12 Act four – Arabian dance
13 Act four – Anitra’s dance
14 Act four – Solveig’s song
15 Act five – Prelude : Peer Gynt’s journey home
16 Act five – Solveig’s song in the hut
17 Act five – Whitsun hymn
18 Act five – Solveig’s lullaby

Barbara Hendricks
Oslo Philharmonic Chorus
Oslo Philharmonic Orchestra
Esa-Pekka Salonen
Data de gravação: mai 1989

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Aposto que você não sabe que eu sou tio-avô de Glenn Gould

FDP

.:interlúdio:. Eliane Elias Sings Jobim

A cantora paulista Eliane Elias se mudou jovem para os Estados Unidos. É mais um daqueles casos de músicos brasileiros que fazem muito sucesso no exterior mas são desconhecidos no Brasil. Dona de uma discografia imensa, ganhadora de inúmeros prêmios, incluindo dois Grammy Latinos, ela atua como uma embaixadora brasileira da boa música.

Já tocou com muitos músicos de jazz renomados, nem vou listá-los pois a lista é enorme. Teve uma filha com o trompetista norte americano Randy Brecker, a também cantora e compositora Amanda Brecker. Cunhada de um de meus saxofonistas favoritos, Michael Brecker, participou de um dos grandes grupos de Jazz dos anos 80 e 90, o Steps Ahead, banda que ainda pretendo trazer aqui no PQPBach.

Vou trazer para os senhores dois discos dela dedicados a Tom Jobim em sequência, um de 1998, ‘Eliane Elias Sings Jobim” e em outro momento “Eliane Elias Plays Jobim”, também gravado pelo prestigioso selo de Jazz Blue Note. Nos dois discos o que ouvimos é música brasileira de primeira qualidade, interpretada por músicos de altíssimo nível.

Nesta primeira postagem temos “Eliane Elias Sings Jobim” gravado pelo selo Blue Note. Nele ouviremos diversos clássicos da Bossa Nova, com produção do grande Oscar Castro Neves, onde a voz tímida, sem muita força, às vezes quase sussurrada de Eliane, contrasta por vezes com a impetuosidade de um piano virtuoso, porém discreto. Exceção é “Esquecendo Você”, onde um belíssimo solo de piano se destaca. Em “Falando de Amor” ela tem apenas o acompanhamento do violão de Castro Neves, um dos melhores momentos do disco, com certeza. Em “Garota de Ipanema”  “Ela é Carioca” e “A Felicidade” o sax de Michael Brecker se destaca, porém sem muitos vôos virtuosísticos do músico. O acompanhamento do Contrabaixo de seu companheiro Marc Johnson e a Bateria de Paulo Braga completam a lista dos músicos. Neste disco eu diria que a voz se sobressai ao piano, os solos são muito discretos e pontuais. Temos aqui com certeza um belíssimo disco de Bossa Nova.

Espero que apreciem.

1 Garota De Ipanema
2 Samba De Uma Nota Só
3 Só Danco Samba
4 Ela E Carioca
5 Anos Dourados
6 Desafinado
7 Falando De Amor
8 Samba Do Aviao
9 A Felicidade
10 Por Toda A Minha Vida
11 How Insensitive
12 Esquecendo Voce
13 Pois E
14 Amor Em Paz
15 Modinha
16 Caminhos Cruzados

Eliane Elias – Piano e Voz
Marc Johnson – Contrabaixo
Oscar Castro-Neves – Violão
Paulo Braga – Bateria
Michael Brecker – Sax Tenor
Café – Percussão

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FDP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 3, Eroica / Sinfonia Nº 8 (Fricsay)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 3, Eroica / Sinfonia Nº 8 (Fricsay)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um portento. Uma coisa de louco estas gravações de Fricsay (1914-1963) com a Filarmônica de Berlim. Se não estou errado é uma gravação de 1958. Aqui não estamos falando de curiosidades, mas de uma orquestra fenomenal regida pelo maior dos regentes, ou quase isso. Esta Sinfonia contém a dedicatória rasgada mais célebre de todos os tempos: a que Beethoven dedicou a Napoleão, pensando-o um libertador, rasgando-a — ou melhor, apagando-a no papel COM UMA FACA — quando percebeu a que sonhos de grandeza vinha o pigmeu corso. É impossível ouvi-la sem a paixão da dedicatória, antes e depois. A Marcha Fúnebre… Quem quer viver na “Marcia Funebre” todas as dores da perda, só há a gravação de Ferenc Fricsay. E aqui está ela. Não há melhor gravação da Eroica. E nem vou falar da Oitava.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 3, Eroica / Sinfonia Nº 8 (Fricsay)

Sinfonia Nº 3, Op 55
1) Allegro con brio
2) Marcia funebre. Adagio assai
3) Scherzo. Allegro vivace
4) Finale. Allegro molto

Sinfonia Nº 8, Op. 93
5) Allegro vivace e con brio
6) Allegretto scherzando
7) Tempo di Minuetto
8) Allegro vivace

Berliner Philharmoniker
Ferenc Fricsay

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Nossa, quanta delicadeza ao apagar...
Nossa, quanta delicadeza ao apagar…

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 8 (Pierre Boulez)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 8 (Pierre Boulez)

Hoje é o dia dos 100 anos de Pierre Boulez (ver post abaixo). Talvez já tenha escrito aqui que estou ouvindo todos os meus CDs fora de ordem. Todos. São muitos. O de hoje era casualmente com Pierre Boulez regendo a 8ª Sinfonia de Mahler. Além de compositor, Boulez foi um grande maestro.

Esta Sinfonia de Mahler é impressionante? Sim. É grandiosa em todos os sentidos? Sim. É para chorar ouvindo o coral de abertura Veni, Creator Spuritus? Sem dúvida. É das principais obras de Mahler? Imagina se não! É uma sinfonia? Olha, acho que é uma Cantata, não uma sinfonia. E PQP gosta dela? Não. Eu a acho grande e estranha como um dinossauro. Mas a gravação é boa e quem ama a oitava vai babar de gozo ouvindo isto. Tenho certeza, pois o nível aqui é alto.

Após gravar uma gélida segunda Sinfonia, Boulez veio com uma grande surpresa. A Parte 1 é supercarregada de excitação, e a engenharia de DG torna as sonoridades orquestrais e corais estupendas — o impacto visceral das forças gigantescas de Mahler surge como nunca. Eu me pergunto como um homem de 80 anos consegue reunir e fazer funcionar o número de artistas envolvidos na Oitava, mas, como sempre, Boulez domina tudo, mostrando-se um mestre da textura e dos detalhes orquestrais. A Berlin Staatskapelle é ótima e toca com convicção, e o coro está entre os melhores que já ouvi nesta obra. (As forças corais necessárias são imensas). Claro, a Oitava não é um Mahler de primeira linha do começo ao fim, e Boulez serve a partitura com cuidado, pensando no significado expressivo de cada episódio. Talvez tenhamos passado do ponto em que as performances da Oitava soam como uma luta. Conjuntos ao redor do mundo superaram suas dificuldades e a Sinfonia parece um pouco mais domada. Boulez se move através das passagens mais finas da Parte II com sensibilidade excepcional. Confiram.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 8 (Pierre Boulez)
Part One: Hymnus “Veni creator spiritus”
1) Veni, creator spiritus [1:24]
2) “Imple superna gratia” [3:21]
3) “Infirma nostri corporis” [2:31]
4) Tempo I. (Allegro, etwas hastig) [1:27]
5) “Infirma nostri corporis” [3:18]
6) “Accende lumen sensibus” [4:54]
7 “Veni, Creator…Da gaudiorum praemia” [3:47]
8. “Gloria sit Patri Domino” [3:03]
Part Two: Final scene from Goethe’s “Faust”
1) Poco adagio [7:16]
2) Più mosso (Allegro moderato) [4:20]
3) “Waldung, sie schwankt heran” [5:09]
4) “Ewiger Wonnebrand” [1:43]
5) “Wie Felsenabgrund mir zu Füßen” [5:04]
6) “Gerettet ist das edle Glied” – “Hände verschlinget” [1:08]
7) “Jene Rosen, aus den Händen” [2:03]
8. “Uns bleibt ein Erdenrest” [2:02]
9) “Ich spür’ soeben” – “Freudig empfangen wir” [1:19]
10) “Höchste Herrscherin der Welt” [4:28]
11) “Dir, der Unberührbaren” – “Du schwebst zu Höhen” [3:33]
12) “Bei der Liebe” – “Bei dem Bronn” – Bei dem hochgeweihten Orte” [5:26]
13) “Neige, neige, du Ohnegleiche” [1:04]
14) “Er überwächst uns schon” – “Vom edlen Geisterchor umgeben” [3:31]
15) “Komm! hebe dich zu höhern Sphären” – “Blicket auf zum Retterblick” [7:21]
16) “Alles Vergängliche” [6:05]

Robinson / Wall / Queiroz / DeYoung / Schröder / Botha / Müller-Brachmann / Holl
Chor der Deutschen Staatsoper Berlin
Rundfunkchor Berlin
Aurelius Sängerknaben Calw
Staatskapelle Berlin
Pierre Boulez

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Boulez sorrindo, mas dizem que seu mau humor é legendário
Boulez sorrindo, mas seu mau humor é legendário

PQP

Cem anos de Pierre Boulez (1925-2016)! Le Visage nuptial, Le Soleil des eaux e Figures, Doubles, Prismes (BBC, Bryn-Julson, Laurence, Boulez)

Cem anos de Pierre Boulez (1925-2016)! Le Visage nuptial, Le Soleil des eaux e Figures, Doubles, Prismes (BBC, Bryn-Julson, Laurence, Boulez)

Há exatos cem anos nascia em Montbrison, no Loire, Pierre Boulez. Sem nenhum exagero, uma das figuras mais importantes da música clássica da segunda metade do século XX. Regente, compositor, professor e escritor, Boulez esteve desde cedo profundamente ligado às vanguardas aos novos rumos da música de seu tempo, em especial com o serialismo (e o serialismo integral, de que foi farol). Foi por obra dele que nasceu um dos mais importantes grupos dedicados à música contemporânea do planeta, o Ensemble intercontemporain, em 1976, ativo até hoje.

Há quem prefira seu trabalho como compositor — algumas das obras mais radicais e especulativas do século saíram de sua pena, como Le marteau sans maître e Pli selon pli —, e há os que gostam mais de seu amplo legado como regente, com gravações de referência de compositores como Mahler, Debussy, Bartók e Stravinsky. Eu, que não sou besta, sou profundo admirador de ambos, até porque são trabalhos que se confundem e se completam — sua atividade como compositor teve grande impacto sobre a sua regência, e vice-versa.

Luigi Nono, Pierre Boulez e Karlheinz Stockhausen nos cursos de verão de Darmstadt, 1956

Para celebrar a data, um disquinho precioso com três obras de Boulez que não figuram entre as suas mais tocadas nas salas de concerto de hoje. Duas são obras de juventude baseadas nos poemas de René Char: as cantatas Le Visage Nuptial (1947, aqui em sua terceira e profundamente alterada versão, de 1989) e Le Soleil des eaux (1948, aqui em sua quarta e definitiva versão, de 1965). Completa o álbum Figures, Doubles, Prismes (em sua segunda versão, de 1968), sua primeira obra puramente orquestral, desenvolvida a partir de sua obra anterior Doubles (1958).

Figures referem-se a elementos simples, nitidamente caracterizados por dinâmica, violência, suavidade, lentidão e assim por diante. Esses elementos podem ser puramente harmônicos, ou mais orientados para o ritmo, ou puramente melódicos. Eles não são temas da maneira convencional, mas ‘estados’ de ser musical. Doubles tem dois significados: o primeiro é o da palavra do século XVIII doppelgänger, que significa um duplo humano. Assim, no processo de desenvolvimento, cada figura pode ter seu duplo, que está relacionado apenas a ela e a nenhum outro. Os Prismes ocorrem quando as figuras ou seus duplos se refratam um através do outro. E, nesse caso, uma figura se torna o prisma e a outra é refratada através dela. Por meio desse processo, obtém-se o máximo de complexidade, e o efeito será comparável ao de um caleidoscópio.” (Boulez, em suas notas de programa sobre a obra para um concerto da Sinfônica de Cleveland, em 1966)

Além desse disco, vão aparecer por aqui neste ano os outros treze que formam a caixinha que reúne as gravações completas que Boulez fez para a gravadora francesa Erato.

Viva Boulez! A música ficou muito mais rica com a sua passagem por este planetinha azul.

O mestre do serialismo era puro carisma

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Pierre Boulez (1925-2016)
Le Visage nuptial (3a versão, 1989), para soprano, mezzo-soprano, coro e orquestra
1 – Conduite
2 – Gravité (L’emmuré)
3 – Le visage nuptial
4 – Evadné
5 – Post-Scriptum

Le Soleil des eaux (4a versão, 1965), para soprano, coro misto e orquestra
6 – Complainte du lézard amoureux
7 – La Sorgue (Chanson pour Yvonne)

8 – Figures, Doubles, Prismes (2a versão, 1968), para orquestra

Phyllis Bryn-Julson, soprano
Elizabeth Laurence, contralto
BBC Singers
BBC Symphony Orchestra
Pierre Boulez, regência

Boulez durante a composição de “Répons”, no comecinho dos anos 80

Karlheinz

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nº 4, 5 & 6 (Mäkelä / Oslo Philharmonic)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nº 4, 5 & 6 (Mäkelä / Oslo Philharmonic)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esqueci o nome da praga, mas houve um comentarista aqui no PQP, que odiava o grande Bernard Haitink de cabo a rabo. Era inacreditável, tanto mais que Haitink foi aquele tipo correto, gentil, tranquilo, inteligente… E até era bem musical! Chego à conclusão que tínhamos um bolsomínion nos visitando, porque era um ódio gratuito a quem nunca mordeu ninguém. Numa de nossas discussões, citamos o finlandês Klaus Mäkelä, que também foi espinafrado pelo cara logo após ser escolhido como regente titular do Concertgebouw de Amsterdam. Pelo jeito os músicos do Concertgebouw não acertam uma! Depois da frieza de Haitink e do Gatti assediador — foi inocentado –, chamaram mais um farsante pra comandá-los…

Imaginem que Mäkelä ocupa o cargo de Maestro Chefe da Filarmônica de Oslo desde 2020 e Diretor Musical da Orquestra de Paris desde setembro de 2021. Ele assumirá o título de Maestro Chefe da Royal Concertgebouw Orchestra em setembro de 2027 e na mesma temporada começa como Diretor Musical da Orquestra Sinfônica de Chicago. Todos idiotas: noruegueses, franceses, holandeses e estadunidenses. Mais de 400 músicos de algumas das maiores orquestras do mundo totalmente equivocados. Votaram nele. Estou impressionado até hoje. Ainda bem que faz tempo que a figura hostil sumiu.

Pois meus amigos, este trio de Sinfonias de Shostakovich receberam um belo tratamento por parte de Mäkelä — hoje com apenas 29 anos, esta gravação é de agosto de 2024, quando KM tinha 28 — e os filarmônicos de Oslo. Que orquestra e que maestro! Que gravação maravilhosa! Vai ouvir logo, vai, vai!

D. Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nº 4, 5 & 6 (Mäkelä / Oslo Philharmonic)

Symphony No. 4 In C Minor Op. 43
1-1 I. Moderato Poco Moderato – 16:11
1-2 Presto 12:35
1-3 II. Moderato Con Moto 9:03
1-4 III. Largo – 6:51
1-5 Allegro 22:20

Symphony No. 5 In D Minor Op. 47
2-1 I. Moderato – Allegro Non Troppo – Poco Sostenuto – Largamente – Più Mosso – Moderato 15:56
2-2 II. Moderato – Largamente – Poco Più Mosso 5:20
2-3 III. Largo 13:57
2-4 IV. Allegro Non Troppo – Allegro – Più Mosso 11:36

Symphony No. 6 In B Minor Op. 54
2-5 I. Largo 18:53
2-6 II. Allegro 5:43
2-7 III. Presto 6:45

Conductor – Klaus Mäkelä
Orchestra – Oslo Philharmonic

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PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Complete Chamber Music (CD 3 de 11) Sonatas para Violino e Piano Nº 1, 2 & 3 (Grumiaux, Sebok)

Johannes Brahms (1833-1897): Complete Chamber Music (CD 3 de 11) Sonatas para Violino e Piano Nº 1, 2 & 3 (Grumiaux, Sebok)

Pois bem, eis então terceiro cd da Obra Integral de Câmara de Johannes Brahms. Demorou, mas veio. Nesse cd, temos as sonatas para violino e piano. E que podemos comentar sobre elas, além de dizer que são maravilhosas, de uma profundidade que atinge nossas almas, mas sem sobressaltos, e sim muita emotividade, paixão e energia, sem porém resvalar em superficialidades?

Tenho 4 versões destas obras: Shlomo Mintz, Anne-Shophie Mutter, Viktoria Mullova, e esta aqui, com Arthur Grumiaux e Gyorgy Sebok. Quatro versões totalmente diferentes umas das outras, mas todas conseguindo capturar a essência das obras. Um andamento de um pode diferir do andamento do outro, mas todas elas são fiéis ao espírito brahmsiano. Excelentes músicos. Daria um pouco mais de destaque para a versão da então jovem Anne Sophie Mutter, acompanhada pelo excelente Alexis Weissenberg. Se alguém quiser, posso postá-la aqui.

Mas darei a preferência à dupla Grumiaux/Sebok por ter sido a escolhida para integrar a série da Philips da obra integral de Câmera de Brahms.

Sugiro que, ao ouvirem estas obras, se preparem espiritualmente. Esqueçam os problemas e as preocupações, sentem em seu melhor sofá, relaxem, e aproveitem. Isso é Brahms em sua mais pura essência.

Johannes Brahms (1833-1897) – Complete Chamber Music (CD 3 de 11) Sonatas para Violino e Piano Nº 1, 2 & 3 (Grumiaux, Sebok)

Sonata No. 1 in G major, Op. 78
I. Vivace ma non troppo
II. Adagio
III. Allegro molto moderato

Sonata No. 2 in A major, Op. 100
I. Allegro amabile
II. Andante tranquillo – Vivace – Andante – Vivace di piu –
III. Allegretto grazioso. Quasi andante

Sonata No. 3 in D minor, Op.108
I. Allegro
II. Adagio
III. Un poco presto e con sentimento
IV. Presto agitato

Arthur Grumiaux – violino
Gyorgy Sebok – piano

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O violinista belga Arthur Grumiaux aguarda para ser chamado a fim de falar com PQP Bach,.

FDP

J. S. Bach (1685-1750): Toccatas para cravo completas, BWV 910-916 (Blandine Rannou)

J. S. Bach (1685-1750): Toccatas para cravo completas, BWV 910-916 (Blandine Rannou)
Version 1.0.0

Excelente CD da Zig-Zag Territoires. Destaque para a capa e os cadernos internos, verdadeiras obras de arte desta pequena gravadora francesa. Em registro de 2005, a para mim desconhecida Blandine Rannou dá um show num repertório de difícil abordagem, pois as Toccatas ora parecem improvisações, ora peças de tio Bux, ora movimentos das Suites Francesas. É coisa muito séria e já vi gente graúda se atrapalhando com elas. Têm momentos de profunda indireção e depois arremetem. Mas Mlle. Rannou entendeu-as perfeitamente com elas e nos dá um belo recital. Num repertório onde Glenn Gould sempre será referência, a francesa acrescenta — além do cravo — temperos bem diversos dos apresentados pelo grande canadense.

J. S. Bach (1685-1750) – Toccatas para cravo completas, BWV 910-916 (Blandine Rannou)

1 Toccata for keyboard in F sharp minor, BWV 910
2 Toccata for keyboard in G minor, BWV 915
3 Toccata for keyboard in D major, BWV 912
4 Toccata for keyboard in E minor, BWV 914
5 Toccata for keyboard in C minor, BWV 911
6 Toccata for keyboard in D minor, BWV 913
7 Toccata for keyboard in G major, BWV 916

Blandine Rannou, cravo

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Blandine Rannou

PQP

Zoltán Kodály (1882-1967): Háry János (Suíte) & Concerto para Orquestra (Ferencsik)

Zoltán Kodály (1882-1967): Háry János (Suíte) & Concerto para Orquestra (Ferencsik)

A divertida suíte Háry János ganha uma versão muito boa por parte dos húngaros deste CD. Háry János é uma curiosa “ópera folclórica húngara”. Trata-se de uma obra falada com canções, à maneira de um Singspiel, em quatro atos com música de Zoltán Kodály e libreto de Béla Paulini e Zsolt Harsányi, baseada num épico cômico de János Garay. Estreou na Royal Opera House de Budapeste em 1926. O título completo da peça é Háry János: suas aventuras de Nagyabony ao Castelo de Viena. A história diz respeito a um veterano hussardo do exército austríaco da primeira metade do  século XIX que se senta numa estalagem de aldeia, regalando os ouvintes com contos fantásticos de heroísmo. Suas supostas façanhas incluem conquistar o coração da Imperatriz Maria Luísa, esposa de Napoleão, e depois derrotar sozinho Napoleão e seus exércitos. Apesar de tudo, no final ele desiste de toda a sua riqueza para retornar à cidade de sua amada. Esta é uma suíte orquestral extraída da ópera, claro. O Concerto para Orquetra de Kodály foi composto entre 1939 e 1940, por encomenda da Orquestra Sinfônica de Chicago, para comemorar o seu quinquagésimo aniversário. Foi estreada em 6 de fevereiro de 1941, pela mesma orquestra, sob a regência de Frederick Stock. O título pode remeter o ouvinte conhecedor à assombrosa obra homônima de Bartók, composta em 1943. Nem a ideia nem o título, porém, são novos, e a obra de Kodály, junto com a de Hindemith (que data de 1925), são anteriores à dele. Há que se explicar que este Concerto não usa do conceito que o senso comum atribui ao concerto, como peça musical que coloca em relevo um único instrumento solista. Ao contrário, ele reelabora  um procedimento muito comum no período Barroco, em que mais de um solista despontava do corpo orquestral. Ele tentar combinar uma arquitetura que lembra a do primeiro Concerto de Brandenburgo de Bach à música tradicional magiar.

Zoltán Kodály (1882-1967): Háry János (Suíte) & Concerto para Orquestra (Ferencsik)

Háry János – Suite (1927)
1 I- Introduction 3:30
2 II- The Viennese Musical Clock 2:06
3 III- Song 4:58
4 IV- Napoleon’s Battle 4:00
5 V- Intermezzo 4:38
6 VI- The Entry Of The Imperial Court 2:59

Concerto for Orchestra (1939)
7 I- Allegro Risoluto 3:38
8 II- Largo 7:54
9 III- Tempo Primo 4:45
10 IV- Largo 2:46
11 V- Tempo Primo 0:56

Cello – Tamás Koó (faixas: 7 to 11)
Conductor – János Ferencsik
Orchestra – Hungarian State Orchestra (faixas: 7 to 11), Budapest Philharmonic Orchestra* (faixas: 1 to 6)
Viola – Anna Mauthner (faixas: 7 to 11)
Violin – Zoltán Dőry (faixas: 7 to 11)

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Kodály sempre foi um sujeito bonitão. Aqui, ele já tinha 78 anos.

PQP