PUBLICADO ORIGINALMENTE POR FDP BACH EM 25 DE OUTUBRO DE 2008, RESTAURADO POR VASSILY EM 22/3/2020 (ReRestaurado por RD em 11/11/2020)
Muito bem, para encerrar mais esta saga, eis os dois últimos cds da série de Sonatas de Beethoven gravadas pelo grande pianista russo Emil Gilels. Sei que várias outras versões foram postadas, mas sempre partimos do seguinte princípio: qualidade, ao invés de quantidade. E não quero crer que alguém não goste desta variedade saudável.
Tenho estado ocupado nos últimos tempos, sem poder me dedicar muito ao blog, mas sei que ele está em boas mãos. A variedade que está sendo oferecida me deixa feliz, assim como os comentários. E claro, os números… média de 2000 acessos diários.. isso sim é um sucesso… o mano pqp soube escolher muito bem os colaboradores, e cada vez mais me surpreendo com a qualidade das postagens, e os textos que as apresentam.
Enfim, agora temos 6 peso pesados do repertório pianístico, entre elas a sensível “Les Adieux”, op. 81a, e a poderosa “Hammerklavier”, de op. 106, todas conhecidas dos senhores, por isso nem preciso entrar em maiores detalhes.
Musical and wise Beethoven, Exceptional recording, são alguns dos adjetivos aplicados pelos clientes da amazon para estas gravações de Gilels. Aliás, o adjetivo inteligente é muito bem aplicado, pois a técnica de Gilels permite identificar a genialidade beethoviniana por trás de cada nota, ainda mais quando se trata destes últimos opus. Como salientou nossa querida Clara Schumann, antes de tudo, o que temos aqui é um pianista preocupado com a clareza de seu fraseado. E creio que ela saiba do que está falando, afinal de contas, já foi considerada uma das grandes pianistas de seu tempo, e seu marido era outro mestre do instrumento.
Em outra ocasião postarei a versão de Wilhelm Kempff, outro monstro neste repertório, para as devidas “comparações”, já que este é um dos objetivos do blog.
Pois então, conituemos com esta “overdose” pianística.
Ludwig van Beethoven – Sonatas Opp. 81a, 90, 109 & 110, Sonatas Opp. 101 & 106
CD 8 – Sonatas Opp. 81a, 90, 109 & 110 – Gilels
01 – Sonate No.26 Es-dur op.81a ‘Les Adieux’ – 1. Das Lebewohl Adagio – Allegro
02 – Sonate No.26 Es-dur op.81a ‘Les Adieux’ – 2. Abwesenheit Andante espressivo
03 – Sonate No.26 Es-dur op.81a ‘Les Adieux’ – 3. Das Wiedersehen Vivacissimamente
04 – Sonate No.27 e-moll op.90 – 1. Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung
05 – Sonate No.27 e-moll op.90 – 2. Nicht zu geschwind und sehr singbar vorzutragen
06 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 1. Vivace ma non troppo – Adagio espressivo
07 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 2. Prestissimo
08 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung
09 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 4. Variation I molto espressivo
10 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 5. Variation II Leggiermente
11 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 6. Variation III Allegro vivace
12 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 7. Variation IV Etwas langsamer als das Thema
13 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 8. Variation V Allegro, ma non troppo
14 – Sonate No.30 E-dur op.109 – 9. Variation VI Tempo I del tema
15 – Sonate No.31 As-dur op.110 – 1. Moderato cantabile molto espressivo
16 – Sonate No.31 As-dur op.110 – 2. Allegro molto
17 – Sonate No.31 As-dur op.110 – 3. Adagio ma non troppo – Fuga
CD 9 – Sonatas Opp. 101 & 106
01 – Sonata No.28 in A, Op.101 – 1. Allegretto ma non troppo
02 – Sonata No.28 in A, Op.101 – 2. Vivace alla Marcia
03 – Sonata No.28 in A, Op.101 – 3. Adagio ma non troppo, con affetto
04 – Sonata No.28 in A, Op.101 – 4. Allegro
05 – Sonata No.29 in B flat, Op.106 Hammerklavier – 1. Allegro
06 – Sonata No.29 in B flat, Op.106 Hammerklavier – 2. Scherzo. Assai vivace
07 – Sonata No.29 in B flat, Op.106 Hammerklavier – 3. Adagio sostenuto
08 – Sonata No.29 in B flat, Op.106 Hammerklavier – 4. Largo – Allegro risoluto
Emil Gilels – Piano
CD 8 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 320 | KBPS | 170 MB
CD 9 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 320 | KBPS | 61 MB

































O último volume da aventura fortepianística beethoveniana de PBS segue com o mesmo piano Graf usado no volume anterior e termina, bem, pelo fim. Talvez Beethoven, já completamente surdo, tivesse em sua visionária mente um som bastante distinto destes Grafs, Walters e Broadwoods que ouvimos. Se o som dos modernos pianos de concerto, com seus cepos de aço e mais de sete oitavas, agradaria o legendário turrão, nunca saberemos. Podemos supor que sim, pela insistência com que batia na tecla (desculpem o trocadilho) da ampliação da extensão e da robustez dos instrumentos. O fato é que esta finaleira de PBS é tão boa quanto o volume de abertura, e o som eventualmente tilintante dos agudos e os zumbidos dos baixos, somados aos, como os chama o patrão PQP, ruídos de marcenaria, trazem frescor e riqueza tímbrica para essa genial trinca de obras, que é e sempre será moderna.


Beethoven só compôs a (prometo ser comedido com adjetivos hiperbólicos) colossal sonata Op. 106 porque o fortepiano tinha sido aperfeiçoado também em feitio colossal, não só pela ampliação de sua extensão para seis oitavas e meia, quanto por fortalecimento em sua estrutura que, se ainda não reforçada por metal, como nos pianos modernos, era incomparavelmente mais robusta que a daqueles instrumentos em que o compositor fora iniciado ao teclado, décadas antes. Muito desses avanços devem-se a construtores como Conrad Graf, cujo ateliê em Viena forneceria instrumentos, entre tantos outros, para Liszt e Chopin, além do próprio Beethoven, que ganhou um fortepiano especial de Graf, com uma corda extra junto a cada tecla, chegando a quatro cordas por nota. A intenção era facilitar-lhe as coisas ante a surdez, mas esta já era tão profunda que Ludwig quase não mais se aproximava do teclado para compor. A única obra para piano que publicaria depois do presente seria o arranjo para quatro mãos da Grande Fuga (Op. 134). Depois de sua morte, o piano foi devolvido a Graf, e acabou na Beethoven-Haus de Bonn, onde, claro, é conhecido como o “piano de Beethoven” – o que não é mentira, mas também não é uma verdade vibrante.