Uma bela aquisição para sua coleção de obras de Bach. Trata-se de interpretações sensíveis e virtuosísticas para este diálogo entre a viola da gamba e o cravo, uma conversa musical do mais alto conteúdo. O resultado é de elegância ímpar. Uma delícia total ouvir este CD e, de cada vez, descobrir novas sutilezas e revelações sob as estruturas magníficas criadas por Bach. A colocação de duas árias cujos temas são apresentados pela viola da gamba — uma da São Mateus e outra da São João — ,separando as três sonatas, também foi uma grande ideia.
Um feliz 31 de agosto para todos!
J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Viola da Gamba e Cravo
1. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 1 in G major, BWV 1027: Adagio
2. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 1 in G major, BWV 1027: Allegro, ma non tanto
3. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 1 in G major, BWV 1027: Andante
4. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 1 in G major, BWV 1027: Allegro moderato
5. Preludio, improvisation for viola da gamba
6. St. Matthew Passion (Matthäuspassion), for soloists, double chorus & double orchestra, BWV 244 (BC D3b): Komm, süßes Kreuz
7. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 2 in D major, BWV 1028: Adagio
8. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 2 in D major, BWV 1028: Allegro
9. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 2 in D major, BWV 1028: Andante
10. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 2 in D major, BWV 1028: Allegro
11. St. John Passion (Johannespassion), BWV 245 (BC D2): Es ist vollbracht
12. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 3 in G minor, BWV 1029: Vivace
13. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 3 in G minor, BWV 1029: Adagio
14. Sonata for viola da gamba & keyboard No. 3 in G minor, BWV 1029: Allegro
Paolo Pandolfo, viola da gamba
Markus Hünninger, cravo
De 1928, o Concerto para Clarinete de Nielsen foi dedicado ao clarinetista dinamarquês Aage Oxenvad. Dizem que este Oxenvad era um doido varrido, mas não temos nada a ver com isso. O compositor tinha prometido escrever um concerto para cada membro do quinteto de sopros do qual Oxenvad fazia parte. Em 1922, Nielsen compusera seu espetacular Quinteto, Op. 43, para o mesmo grupo. O concerto é uma obra importante na literatura do instrumento do século XX. É a última obra de grande porte da vida de Nieelsen, que morreu em 1931. Ele estava sofrendo uma série de ataques cardíacos que acabaram por vitimá-lo em 1931. O Concerto foi escrito em um movimento sem pausas, mas nem sempre uma coisa é o que parece. Nielsen fez uma divisão em suas cartas. Haveria um primeiro movimento Allegretto un poco, Allegro non tropo, Più Allegro e Tempo I, um segundo movimento Poco Adagio, um terceiro Allegro non tropo, Poco più mosso e um quarto Allegro Vivace, Poco adagio e Allegro. O CD é completado por outras obras orquestrais. Gostei muito da pastoral Pan & Syrinx. Ah, o belga Walter Boeykens é um baita instrumentista e não nega fogo neste CD da Harmonia Mundi.
Nielsen: Clarinet Concerto & Works for Clarinet & Orchestra.
1 Clarinet Concerto, Op. 57 25:15
2 Pan & Syrinx. Pastorale, Op. 49 8:18
3 Amor & Digteren. Love and the Poet, overture, Op. 54 4:47
4 Little Suite for strings, Op. 1: I. Präludium. Andante con moto 3:30
5 Little Suite for strings, Op. 1: II. Intermezzo. Allegro moderato 5:24
6 Little Suite for strings, Op. 1: III. Finale. Andante con moto 6:57
Já faz algum tempo que o ouvinte-leitor Sidney Leal me mandou esses arquivos. São ótimos. Marcello é um problema — a pouca música que conheço de sua autoria é efetivamente bastante boa, mas é raro ouvi-lo. Amanhã, devo publicar mais alguns Concertos e Cantatas do cara. Para variar, o Collegium Musicum 90 e Simon Standage dão um banho neste repertório. Grande disco.
Ah, dia desses, se não me engano, o Rafael Cello desejava enviar algumas versões das Suítes para Violoncelo de Bach. Pode usar o e-mail pqpbachPONTOopsARROBAgmailPONTOcom.
1. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 1 in D major: I. Allegro assai 2:08
2. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 1 in D major: II. Larghetto 2:52
3. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 1 in D major: III. Vivace 2:59
4. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 2 in E major: I. Allegro assai 1:34
5. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 2 in E major: II. Moderato 3:15
6. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 2 in E major: III. Spiritoso, ma non presto 2:11
7. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 3 in B minor: I. Andante larghetto 4:53
8. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 3 in B minor: II. Adagio 1:36
9. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 3 in B minor: III. Presto 3:27
10. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 4 in E minor: I. Moderato 3:05
11. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 4 in E minor: II. Largo appoggiato 3:14
12. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 4 in E minor: III. Allegro 1:55
13. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 5 in B flat major: I. Moderato 3:04
14. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 5 in B flat major: II. Larghetto staccato 1:57
15. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 5 in B flat major: III. Presto, ma non molto 2:00
16. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 6 in G major: I. Allegro 2:30
17. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 6 in G major: II. Larghetto 3:11
18. La cetra di Eterio Stinfalico: Concerto No. 6 in G major: III. Vivace 2:22
19. Violin Concerto in B flat major: I. Andante 3:14
20. Violin Concerto in B flat major: II. Larghetto 2:29
21. Violin Concerto in B flat major: III. Spiritoso 1:42
Finalmente liberada para postagem, temos o prazer e a honra de apresentar um pouco da música de câmara do compositor brasileiro, mineiro, ilustre leitor-ouvinte e colaborador aqui do Blog, Harry Crowl.
Originalidade, impressionismo, acordes dissonantes, tensão e mistério, lirismo e dramaticidade, numa atmosfera por vezes selvagem, são algumas das características marcantes das peças incluídas nesse álbum.
O compositor
Nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais em 06/10/1958, Harry Lamott Crowl Jr, estudou violino, viola e composição na sua cidade natal e nos EUA (Wesport School of Music and Juilliard School). Foi bolsista do Conselho Britânico em Dartington , em 1993, e radicou-se em Curitiba desde 1994. Sua obra abrange todos os gêneros instrumentais e vocais, e vem sendo apresentada e transmitida regularmente em todo o Brasil e em várias partes do mundo, especificamente na Europa por importantes grupos musicais. Atua como compositor e musicólogo e é professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. É diretor artístico da Orquestra Brasileira de Música Contemporânea (SBMC), Seção Brasileira da ISCM (International Society Of Contemporary Music), através da qual representou o Brasil nos festivais “Dias Mundiais da Música”, da Eslovênia, em 2003 e, da Suiça, em 2004. Atua também como produtor e apresentador de programas dedicados à música erudita na Rádio Educativa do Paraná e, na Rádio MEC, no Rio. Em outubro de 2004, recebeu em Curitiba, a Medalha da Ordem do Mérito Cultural do “Barão do Serro Azul” por serviços prestados à música.
O álbum
Lançado em 2005, o CD “Espaços Imaginários” traz as obras “Espaços Imaginários” (2001), “Imagens Rupestres” (1996) e, O Quarteto de Cordas Nº 1 “Na Perfurada Luz, Em Plano Austero”, (1992/93), gravadas respectivamente no Canadá, Áustria e Eslováquia.
O trio Espaços Imaginários, para violino, violoncelo e piano é de 2001, e teve sua estreia em novembro do mesmo ano, pelo trio canadense Fibonacci, de Montreal. Trata-se de uma obra poderosa e rica em contrastes, tensionando as texturas possibilitadas pela formação sempre em seu limite extremo.
Extremos de virtuosismo são exigidos pelo primeiro trio de Harry Crowl, Imagens Rupestres, de 1996/97, para flautas, violoncelo e piano, encomendado pelo George Crumb Trio, de Linz (Áustria), e estreado por este mesmo grupo no Castelo Zell an der Pram, no norte austríaco, em maio de 1997. O trio traz algumas características-chave da produção de Crowl, tais como a linguagem dramática, a originalidade na abordagem da formação e a rejeição da linearidade.
Na Perfurada Luz, em Plano Austero, título do primeiro quarteto de cordas de Harry Crowl, foi tirado do poema “Montanhas de Ouro Preto”, que Murilo Mendes publicou em 1945. Escrito entre 1992 e 1993, o quarteto reflete a pesquisa de seu autor sobre compositores brasileiros do período colonial, pois se baseia na combinação das notas de uma série derivada do nome do autor mineiro Francisco Gomes da Rocha (1754-1808), dentro da notação alemã, o que nos dá F(fá)ranCIS(dó sustenido)co G(sol)omE(mi)S(mi bemol) da RoC(dó)H(si)A(lá).
Os vários movimentos do quarteto são executados sem interrupção, mantendo nível elevado de tensão, com apenas dois momentos de relaxamento, parte central e no final. Resultado de estudos sobre a sonoridade produzida pelos quatro instrumentos, a peça utiliza todos os recursos possíveis da formação, desde a polifonia ao uníssono, passando por efeitos de harmônicos artificiais associados a golpes de ardo “col legno”, ou “sul ponticelli” e “tremoli”. A estreia mundial da peça aconteceu no Summartónar, nas Ilhas Faroe, em 27 de julho de 1996, com o Moyzes String Quartet, de Bratislava (Eslováquia).
Fonte: Encarte do CD
Uma ótima audição!
Harry Crowl: Espaços Imaginários
01. Espaços Imaginários (2001) para violino, violoncelo e piano (19:45)
Trio Fibonacci
Julie Anne Derome, violino
Gabriel Prynn, violoncelo
André Ristic, piano
02. Imagens Rupestres (1996) para flautas, violoncelo e piano (24:19)
The George Crumb Trio
Norbert Girlinger, flautas (+flautim, flauta baixa, flauta octobaixa)
Andréas Pözlberger, violoncelo
Sven Brich, piano
03. Quarteto de Cordas Nº 1, “Na Perfurada Luz, Em Plano Austero” (1992/93) (25:49)
Moyzes Quartet
Stanislav Mucha, violino I
Ferenc Török, violino II
Alexander Lakatos, viola
Jan Slavík, violoncelo
Postagem irrecusável, realizada a pedido de uma querida amiga que ainda não conheço pessoalmente.
Esta nova gravação de “Thaïs” preenche uma importante lacuna no catálogo da ópera gravada. Thais nunca teve a popularidade de “Manon” ou “Werther”, mas é boa música que apenas recentemente recebeu uma gravação decente. Foi registrada duas vezes ao longo dos últimos trinta anos (a RCA em 1974, com Anna Moffo, José Carreras e Bacquier Gabriel e em 1976 pela EMI com Beverly Sills, Nicolai Gedda, e Sherrill Milnes), mas nenhuma destas gravações era satisfatórias, até porque os sopranos do papel-título (Moffo e Sills, respectivamente) já tinham passado por melhores dias. Isto certamente não ocorre com Renée Fleming, cuja voz linda é ideal para o papel da cortesã que virou freira… Fleming soa maravilhosamente jovem e profundamente envolvida no drama. Fleming é acompanhada pelo imenso Thomas Hampson, cujo Athanael supera facilmente os intérpretes anteriores. “O Seigneur, je remets mon tes mains entre ame” é um dos destaques desta gravação. Claramente, é o trabalho Hampson a espinha dorsal de toda a produção. Giuseppe Sabbatini está excelente como Nicias, um grande avanço em relação a Nicolai Gedda na EMI, mas ainda não completamente no nível de Jose Carreras no set da RCA que não está mais disponível. A realização de Yves Abel é convincente. Para aqueles que esperaram anos para uma gravação realmente boa desta ópera de Massenet, essa gravação é a resposta a suas preces.
Thaïs, Lyric Comedy in 3 Acts
Tracklist Disc 1:
01. Thaïs: Voici le pain
02. Thaïs: Le voici! Le voici!
03. Thaïs: Hélas! enfant encore
04. Thaïs: Nous nous mêlons jamais, mon fils
05. Thaïs: Vision … Honte! Horreur!
06. Thaïs: Toi, qui mis la pitié dans nos âmes
07. Thaïs: Mon fils, nous nous mêlons jamais
08. Thaïs: Prélude (Deuxième Tableau)
09. Thaïs: Va, mendiant chercher ailleirs ta vie!
10. Thaïs: Voilà donc la terrible cité
11. Thaïs: Ah! Ah! Ah!… Athanaël, c’est toi!
12. Thaïs: Ah! Ah! Ah!… Je vais donc te revoir
13. Thaïs: Garde-toi bien! Voici ta terrible ennemie!
14. Thaïs: C’est Thaïs, l’idole fragile
15. Thaïs: Quel est cet étranger
16. Thaïs: Qui te fait si sévère
17. Thaïs: Non! Non! je hais vos fausses ivresses
18. Thaïs: Ah! je suis seule, seule enfin!
19. Thaïs: Dis-moi que je suis belle
20. Thaïs: Etranger, te voilà comme tu l’avais dit
21. Thaïs: Eh bien, fais-moi connaître tou cet amour
22. Thaïs: Je suis Athanaël, moine d’Antinoé
23. Thaïs: Je n’ai pas plus choisi mon sort que ma nature
24. Thaïs: Méditation religieuse – Symphonie
Tracklist Disc 2:
01. Thaïs: Père, Dieu m’a parlé par ta voix
02. Thaïs: Non loin d’ici, vers l’occident
03. Thaïs: Considère, ô mon père
04. Thaïs: Suivez-moi tous, amis!
05. Thaïs: Divertissement: 1. Allegro vivo
06. Thaïs: Divertissement: 2. Mélopée orientale
07. Thaïs: Divertissement: 3. Allegro brillante
08. Thaïs: Divertissement: 4. Allegretto con spirito
09. Thaïs: Divertissement: 5. Mouvement de valse
10. Thaïs: Voilà l’incomparable!… Divertissement: 6 La Charmeuse
11. Thaïs: Divertissement: 7. Finale
12. Thaïs: Eh! C’est lui!… Athanaël
13. Thaïs: Il dit vrai!
14. Thaïs: L’ardent soleil m’écrase
15. Thaïs: Ah! des gouttes de sang coulent de ses pieds
16. Thaïs: O messager de Dieu, si bon dans ta rudesse
17. Thaïs: Baigne d’eau mes mains et mes lèvres
18. Thaïs: La paix du Seigneur soit avec toi
19. Thaïs: Mon oeuvre est accomplie!
20. Thaïs: Que le ciel est pesant!
21. Thaïs: C’est lui qui vient!
22. Thaïs: Qui te fait si sévère
23. Thaïs: Thaïs va mourir!
24. Thaïs: Seigneur, ayez pitié de moi
25. Thaïs: Sois le bienvenu dans nos tabernacles
26. Thaïs: C’est toi, mon père
Composed by Jules Massenet
Performed by Bordeaux Aquitaine National Orchestra
Conducted by Yves Abel
Thomas Hampson
Renée Fleming
Giuseppe Sabbatini
Elisabeth Vidal
Isabelle Cals
Enkelejda Shkosa
Renaud Capuçon
Stefano Palatchi
Johann Sebastian Mastropiero é sem dúvida um dos compositores que motivam maiores polêmicas entre os musicólogos. Por exemplo, diversos autores divergem em sua data de nascimento. Seria um 7 de fevereiro, mas se não concordam nem quanto ao século, o que dirá do ano? Do mesmo modo, há vários países que disputam sua nacionalidade. Tampouco se conhece a data de sua morte. Nem se esta verdadeiramente ocorreu.
Há também controvérsias sobre seu nome, pois ele também foi conhecido por Peter Illich, Wolfgang Amadeus, etc. A grande dispersão de dados biográficos sobre o mestre e as grandes lacunas existentes acerca de determinados períodos de sua vida, fazem com que seja muito difícil escrever uma biografia minimamente completa.
Há 40 anos, o grupo argentino Les Luthiers dedica-se quase que com exclusividade à obra de Mastropiero. P.Q.P. Bach, aproveitando esta fase de lagos adormecidos pelo balé, traz para o blog o esplêndido balé El Lago Encantado, do qual é ouvida a música — FANTÁSTICA — além DA NARRAÇÃO DOS ACONTECIMENTOS DO PALCO. Coisa de louco!
https://youtu.be/ODvjmV8SolM
Este é a segunda postagem de Mastropiero. Muita atenção.
Para quem não conhece o Les Luthiers, vejam aqui como não sabemos nada sobre nossos vizinhos. Os caras são pouco famosos…
Mais detalhes aqui, aqui ou com a Condessa Shortshot.
Assim como Ravel, Bartók tem uma notável obra sinfônica, mas não compôs “Sinfonias”. O mais próximo que chegou disso foi no belíssimo Concerto para Orquestra e, antes, nas 4 Peças Orquestrais. Os cinco movimentos do Concerto para Orquestra formam uma obra-prima da literatura musical do século XX. Escrito no exílio norte-americano em 1943, foi revisado em 1945 com Bartók já tomado pela leucemia. Mas não pensem numa música triste ou “de morte”. É antes uma composição de fé na humanidade ao final da Segunda Guerra que devastou sua Hungria. Sua estrutura lembra a dos Concerti Grossi barrocos, concertos onde não apareciam ainda um único e grande solista, mas sim vários deles dialogando. A linguagem é moderna e o resultado sensacional.
Bartók escreveu: “O título deste trabalho tem por objetivo de tratar os instrumentos individuais ou grupos de instrumentos de uma forma concertante ou solista. O tratamento “virtuose” aparece, por exemplo, nas seções em fugato do desenvolvimento do primeiro movimento (instrumentos de sopro) ou nas passagens do “perpetuum–móbile” que aparece como o principal tema no último movimento (cordas), e, principalmente, no segundo movimento. Quanto à estrutura, o primeiro e o quinto movimentos são escritos na “forma sonata” de uma maneira mais ou menos regular e o desenvolvimento do primeiro movimento contém seções em fugato para os metais, a exposição no final é um pouco prolongada, e seu desenvolvimento é uma fuga construída no último tema da exposição. Formas menos tradicionais são encontradas no segundo e terceiro movimentos. A parte principal do segundo movimento consiste em um encadeamento de pequenas seções independentes, tocados por instrumentos de sopro introduzido em pares (fagotes, oboés, clarinetes, flautas, trompetes com sordina) . Tematicamente, as cinco seções não têm nada em comum e pode ser simbolizado pelas letras A, B, C, D, E. O trio é um pequeno coral para metais e tambor seguindo as cinco seções, retomadas em uma instrumentação mais elaborada. A estrutura encadeia o segundo e o terceiro movimentos. Três temas são ouvidos sucessivamente, o que constitui o núcleo do movimento que é enquadrado por uma textura nebulosa de motivos mais rudimentares. O material temático deste movimento é derivado da “Introdução” do primeiro movimento. A forma do quarto movimento Intermezzo interrotto pode ser pensado baseado nas letras A, B, A – interrupção – B, A”.
Béla Bartók (1881-1945): Concerto for Orchestra / Orchestral Pieces, Op. 12
Quando coloquei este CD no mp3 do carro, não demorou muito para o Prestes protestar:
— Ó, filho de Bach, esse troço é um lixo.
— Mas é Miles Davis.
— Não interessa, é um LIXO!
Logo depois, o Igor começou a teorizar, dizendo que poucos criadores e artistas sobreviveram ilesos ao mau gosto dos anos 80. Ambos têm razão. O Igor referiu-se à forma como a época imiscuiu-se na obra dos mais diversos criadores musicais com resultados quase sempre muitíssimo danosos e malcheirosos do ponto de vista artístico. Prestes disse que o álbum vermelho do conservador (do ponto de vista musical) Chico Buarque, lançado em 1984, possui coisas estranhas como aqueles sons — schuuupp, fiiiissst… — que acompanham a criançada se alimentando de luz. É verdade, não tinha me dado conta. Eu não sei o que houve naquela época. O disco, com suas baterias eletrônicas e seus tecladinhos com sons de estrelas tomaram conta do panorama de tal maneira que o melhor foi cobrir a cabeça com o travesseiro das músicas de qualquer outra época. Igor citou os Ramones como exemplo de dignidade e resistência ao ridículo. Miles Davis? Sim o grande Miles foi vitimado, soçobrando lamentavelmente.
(Neste momento, já em casa, minha filha revolta-se contra a versão a la Paul Mauriat ou André Rieu para Time after time (sim, de Cyndi Lauper) que está na faixa 7 do segundo CD.
— Pai, por que tu tens que ouvir essa droga?
Ah, se ela tivesse ouvido Human Nature… Eu estaria morto).
Bem, aqui temos dois CDs. O primeiro é o Tutu original. A única coisa que presta no disquinho é Tutu e Full Nelson, cujo nome correto deveria ser Full Prince, pois o anão de Minneapolis faz exatamente aquilo ali, só que muito melhor. O segundo CD é uma tentativa desesperada dos relançadores atuais de salvar a situação. É um álbum remasterizado de um concerto de Miles no Festival de Nice de 1986, nunca lançado antes. O CD é bom, as improvisações estão ali, mas não funciona. Era 1986 e há coisas de brochar qualquer vivente.
Tutu (uma homenagem a Desmond Tutu) foi lançado em dezembro daquele ano e, na verdade, deu nova feição à carreira de Miles. Para variar, a merda ganhou dois prêmios Grammy e recolocou o genial trompetista como uma grande estrela internacional. Nada mais imerecido. Como dizia minha mãe, que não costumava ouvir nunca porcarias, é MÚSICA PERECÍVEL. (Obrigado, Maria Luiza).
Quase todas as composições do disco são do baixista e produtor Marcus Miller. Aliás, como comentaram o Igor e o Prestes, foi uma tremenda sacanagem do cara. Ao lado de todo aquele mau gosto, de toda aquela distorção Bee Gees, há um baixo seguro e digno. Só. É Marcus Miller, que parece ter feito a bosta com a segunda intenção ser o único sobrevivente. Olha só: o trompete de Miles no Tutu original está sempre com surdina, as baterias são eletrônicas, os teclados abrem portais imaginários com fadinhas dentro. O único som humano é o do baixo e de um lá que outro sax. O resto está abaixo no nível do rio Mississipi, sob a água.
Mas foi um tremendo sucesso de público.
Eu acho engraçada a forma como é dividida a carreira do indiscutivelmente genial Miles Davis:
1 Juventude – de 1926 a 1944
2 Bebop e Birth of the Cool – de 1944 a 1955
3 Primeiro Grande Quinteto e Sexteto – de 1955 a 1958
4 Gravações com Gil Evans – de 1957 a 1963
5 Kind of Blue – de 1959 a 1964
6 Segundo Grande Quinteto – de 1964 a 1968
7 Elétrico Miles – de 1968 a 1975 8 Década Final – de 1981 a 1991 <– Ou seja, o grande equívoco, a MERDA que nem recebeu um título distinto da temporalidade que a caracterizasse.
9 Morte – 1991
Miles Davis — Tutu Remastered Album — Deluxe Edition (2011)
1. Tutu
2. Tomaas
3. Portia
4. Splatch
5. Backyard Ritual
6. Perfect Way
7. Don’t Lose Your Mind
8. Full Nelson
CD 2 Live At Nice Fest 1986
1. Opening Medley
2. New Blues
3. Maze
4. Human Nature
5. Portia
6. Splatch
7. Time After Time
8. Carnival
Miles Davis – trumpet
Marcus Miller – bass guitars, guitar, synthesizers, drum machine programming, bass clarinet, soprano sax, other instruments.
Jason Miles – synthesizer programming
Paulinho da Costa – percussion on “Tutu”, “Portia”, “Splatch”, Backyard Ritual”
Adam Holzman – synthesizer solo on “Splatch”
Steve Reid – additional percussion on “Splatch”
George Duke – all except percussion, bass guitar, and trumpet on “Backyard Ritual”
Omar Hakim – drums and percussion on “Tomaas”
Bernard Wright – additional synthesizers on “Tomaas” and “Don’t Lose Your Mind”
Michał Urbaniak – electric violin on “Don’t Lose Your Mind”
Jabali Billy Hart – drums, bongos
No filme abaixo, o violinista porto-alegrense Lavard Skou Larsen — amigo pessoal de PQP Bach — tira um sarro dos vibratos da insuportável e incompreensível violinista polonesa Anna Karkowska, espécie de Florence Foster Jenkins do instrumento. Lavard Skou Larsen é professor de violino na Universidade Mozarteum, em Salzburg, e da cadeira de prática de orquestra. Desde 1991, é fundador, maestro e diretor artístico da excelente Salzburg Chamber Soloists, de grande sucesso no mundo inteiro. Grava regularmente para os selos Naxos, Denon, CPO, Marco Polo, Stradivarius e Coviello Classics e, em 2004, assumiu o cargo de maestro titular da Deutsche Kammerakademie Neuss am Rhein (Alemanha).
No final do filme, vale a pena ouvir a versão vibrato (sic) da Noite Transfigurada, de Arnold Schoenberg…
Já há algum tempo que eu estava organizando esta postagem do compositor tcheco Bohuslav Martinu. Somente agora tomei a atitude de fazê-lo. Fiquei com dúvida sobre qual versão postar. Tenho uma outra gravação dessas mesmas sinfonias com Neeme Järvi. O fato é que escolhi esta gravação com Vaclav Neumann de modo instintual. Achei necessário que ela aparecesse primeiro. Explicação? Nenhuma. Apenas o fato de talvez eu ter ouvido primeiro a gravação com o Neumann, patrício de Martinu, morto no ano de 1995. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!
Bohuslav Martinu (1890-1959): Sinfonias completas de 1 a 5 e Fantasia Sinfônica (Sinfonia Nº 6)
DISCO 1
Symphony No. 1, H. 289 37min22
01. Moderato
02. Allegro.Poco moderato. Allegro come prima
03. Largo
04. Allegro non troppo
Symphony No. 2, H. 295 23min40
05. Allegro moderato
06. Andante moderato
07. Poco allegro
08. Allegro
DISCO 2
Symphony No. 3, H. 299 28min36
01. Allegro poco moderato
02. Largo
03. Allegro
Symphony No. 4, H. 305 33min29
04. Poco moderato. Poco allegro 00:07:00
05. Allegro vivo. Moderato (Trio). Allegro vivo 00:08:59
06. Largo 00:10:03
07. Poco allegro 00:07:11
Um dos grandes momentos da discografia de Claudio Abbado foi a gravação da integral das sinfonias de Mendelssohn frente à Sinfônica de Londres. A cumplicidade entre a orquestra e o maestro era muito grande, e essas leituras que ele realizou das sinfonias e aberturas do grande compositor de Leipzig mostram isso claramente nesta gravação que ora vos trago, que tem a Sinfonia n°3, conhecida como “Escocesa” além de algumas aberturas.
Já comentei anteriormente como gosto destas sinfonias de Mendelssohn. São alegres, espirituosas, me deixam de bem com a vida. Este fantástico compositor viveu pouco mas nos legou uma quantidade de obras de altíssimo nível.
Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847): Symphony N°3 / The Fair Melusina / Trumpet Overture / Ruy Blas
1 Sym No 3 in A minor Op 56 ‘Scottish’ – 1 Andante con moto_ Allegro un poco agitato
2 Sym No 3 in A minor Op 56 ‘Scottish’ – 2 Vivace non troppo
3 Sym No 3 in A minor Op 56 ‘Scottish’ – 3 Adagio
4 Sym No 3 in A minor Op 56 ‘Scottish’ – 4 Allegro vivacissimo_ Allegro maestoso assai
5 The Fair Melusina Overture Op 32
6 Trumpet Overture – Op 101
7 Ruy Blas – Op 95
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado – Conductor
Uma importante gravação do passado. Ultra-romântico, o violinista de lentes grossas Wolfgang Schneiderhan carregava em cores pouco utilizadas em nossos dias. O cara foi spalla da Orquestra Filarmônica de Viena e mantinha, paralelamente, uma carreira solo.. Esqueçamos seu passado no Partido Nazista. Afinal, entrou na coisa aos 15 anos, em 1940. Engraçado como, em outra gravação, Ferenc Fricsay deixou Schneiderhan mais calmo do que ele aparece aqui, fazendo berrar seu violino com a utilização de uma força descomunal. Devia ter calosidades nas mãos. Mas o resultado é bom, mas só depois que paramos de rir de certos exageros.
Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino (completas)
1 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.1 in G, Op.78 – 1. Vivace ma non troppo 10:39
2 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.1 in G, Op.78 – 2. Adagio 7:47
3 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.1 in G, Op.78 – 3. Allegro molto moderato 7:55
4 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.2 in A, Op.100 – 1. Allegro amabile 8:01
5 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.2 in A, Op.100 – 2. Andante tranquillo – Vivace – Andante – Vivace di più – Andante vivace 5:46
6 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.2 in A, Op.100 – 3. Allegretto grazioso (Quasi andante) 5:06
7 Brahms: Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor, Op.108 – 1. Allegro 7:28
8 Brahms: Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor, Op.108 – 2. Adagio 4:50
9 Brahms: Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor, Op.108 – 3. Un poco presto e con sentimento 2:37
10 Brahms: Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor, Op.108 – 4. Presto agitato 5:40
11 Brahms: Scherzo in C minor for violin & piano (from the FAE-Sonata) 5:28
Um gravação decepcionante do grande Dudamel. Um Brahms frouxo e bastante sem graça este realizado pela orquestra norte-americana do venezuelano. Ficou tudo muito parecido com o time do Inter, que ronda a área adversária sem penetrar. Deixemos estas lentidões para quem sabe, alguém tipo Celibidache ou Ademir da Guia. Na boa, não me caiu bem esta versão.
Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia Nº 4
1 Brahms: Symphony No.4 In E Minor, Op.98 – 1. Allegro non troppo 14:02
2 Brahms: Symphony No.4 In E Minor, Op.98 – 2. Andante moderato 12:15
3 Brahms: Symphony No.4 In E Minor, Op.98 – 3. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I 6:22
4 Brahms: Symphony No.4 In E Minor, Op.98 – 4. Allegro energico e passionato – Più allegro 11:46
Esse não é o Jazz Contemporaries que Freddie Hubbard montou em 1957 com James Spaulding e Larry Ridley. É o grupo cujo único rastro é esse raríssimo disco, uma gravação ao vivo no Village Vanguard em 13/02/1972, lançado pela lendária Strata-East. Rip de vinil, fora de catálogo (como a maioria das edições da Strata).
E, por pura falta de informações disponíveis, isso é tudo* que eu tenho a dizer sobre a postagem de hoje.
Ah! Embora os discos da Strata-East tenham forte relação com o soul jazz (spiritual, afro etc), esse é um caso de “aumenta que isso aí é post-bop”. Aproveite a oportunidade de ouvir Watkins e seu french horn — e Coleman tem tanto fôlego que não só derrubaria a casa dos porquinhos como os sopraria a 3km de distância. O lado B é absolutamente fantástico. Não sei porque permitem que esse disco permaneça esquecido.
Jazz Contemporaries – Reasons In Tonality (1972)
Lado A: Reasons In Tonality 24:00
Composed By – Julius Watkins
Lado B: 3-M.B. 22:45
Composed By – Keno Duke
Bass – Larry Ridley
Drums – Keno Duke
French Horn – Julius Watkins
Piano – Harold Mabern
Saxophone [Tenor] – Clifford Jordan, George Coleman
Um disco de música sacra desta que é uma das maiores estrelas do canto lírico atual. Ela canta maravilhosamente peças que, na verdade, tira de letra. É uma utilidade, pois raramente um duo de voz e órgão é gravado, ainda mais neste nível. Aqui, ela passa por Franz Schubert, Johann Sebastian Bach, Hugo Wolf, Maurice Ravel, Bizet, Verdi, Purcell… e outros compositores dos quais a gente nem sabia de momentos carolas. Sabiam que ela vai gravar todas as canções de Schubert em uma série de recitais no Wigmore Hall? Ah, pois é, as pessoas têm de se informar. Vai gravar, sim..
Prayer: Música para Voz e Órgão com Magdalena Kozena e Christian Schmitt
Franz Schubert (1797-1828)
1. Totengräbers Heimweh, D 842 05:42
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
2. Komm, süßer Tod, komm, sel’ge Ruh!, BWV 478 03:16
Hugo Wolf (1860-1903)
3. Karwoche 03:54
Maurice Ravel (1875-1937)
4. Kaddisch 04:34
Georges Bizet (1838-1875)
5. Agnus Dei 03:08
Franz Schubert (1797-1828)
6. Ellens Gesang III (Hymne an die Jungfrau), D 839 05:44
Hugo Wolf (1860-1903)
7. Mühvoll komm ich und beladen 04:42
Henry Purcell (1659–1695)
8. Tell Me, Some Pitying Angel (The Blessed Virgin’s… 07:15
Antonin Dvorak (1841-1904)
9. Ave Maria, Op.19b 03:01
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
10. So gibst du nun, mein Jesu, gute Nacht!, BWV 501 02:10
Franz Schubert (1797-1828)
11. Himmelsfunken, D 651 02:54
Hugo Wolf (1860-1903)
12. Zum neuen Jahr 01:43
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
13. Die güldne Sonne, BWV 451 01:13
Franz Schubert (1797-1828)
14. Vom Mitleiden Mariä, D 632 03:46
Hugo Wolf (1860-1903)
15. Schlafendes Jesukind 03:11
Franz Schubert (1797-1828)
16. Litanei auf das Fest Allerseelen, D 343 04:41
Giuseppe Verdi (1813–1901)
17. Ave Maria 05:03
Hugo Wolf (1860-1903)
18. Gebet 02:02
Franz Schubert (1797-1828)
19. Der Leidende, D 432 01:52
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
20. Mein Jesu, was für Seelenweh, BWV 487 02:32
Maurice Duruflé
21. Notre Père, Op.14 01:25
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
22. Kommt, Seelen, dieser Tag, BWV 479 01:06
Petr Eben (1929-2007)
23. Die Hochzeit zu Kana 06:54
Leos Janacek (1854-1928)
24. Glagolitic Mass – 7. Varhany Solo 02:53
Magdalena Kozena, mezzo-soprano
Christian Schmitt, órgão
Eu, PQP Bach, estava em férias e voltei hoje. Sou uma humilde pessoa que não ganha muito, mas que guarda algum. Então, estive em Londres, Roma e Praga, onde — adivinhem? — assisti um monte de concertos. O Rudolfinum de Praga à beira do Moldávia… A Saint-Martin-in-the-fields… O Queen Elisabeth Hall… O Royal Festival Hall… O Barbican Hall… O festival The Rest is Noise, baseado na obra de Alex Ross no Southbank Center…
Então, ainda sob a influência destes 20 maravilhosos dias, deixo para vocês um CD espetacular e cheio de prêmios Diapason d`Or, Choc, etc.
O Quarteto Schumann interpreta dois Quartetos para Piano, um melhor do que o outro. É música da melhor qualidade e a interpretação é sensacional.
Ernest Chausson (1855-1899) / Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano
Ernest Chausson (1855-1899)
Piano Quartet in A major Op.30
1. Piano Quartet in A major Op.30 : Animé 11:55
2. Piano Quartet in A major Op.30: Très calme 10:07
3. Piano Quartet in A major Op.30: Simple et sans hâte 4:05
4. Piano Quartet in A major Op.30: Animé 12:19
Gabriel Fauré (1845-1924)
Piano Quartet no.1 in C minor Op.15
5. Piano Quartet N°1 in C minor Op.15 : Allegro molto moderato 9:57
6. Piano Quartet N°1 in C minor Op.15 : Scherzo (Allegro vivo) 5:40
7. Piano Quartet N°1 in C minor Op.15 : Adagio 7:18
8. Piano Quartet N°1 in C minor Op.15 : Allegro molto 8:11
Poucas vezes ouvi um CD original e AO VIVO de Charlie Mingus com tamanha qualidade de som. É espantosa a gravação do som daquele Festival de Antibes de 1960. Não é uma gravação de rádio como tantas. Sua qualidade é notável. Este ESPETACULAR CONCERTO, gravado em Paris na década de 60, apresenta Charlie Mingus e Eric Dolphy junto com o baterista e melhor amigo Dannie Richmond, o saxofonista Booker Ervin e o trompetista Ted Curson. Charles Mingus toca o solo de piano em “Better Git Hit In Your Soul” e há uma aparição — em “I’ll Remember April” — do pai do bebop, na época residente em Paris, Bud Powell.
Enormes composições e interpretações de artistas em seu auge. Ervin é sensacional, mas quando Dolphy entra, ele nos fala com outro sotaque e numa língua familiaríssima à da nossa sempre efêmera felicidade.
Que GRANDE CD!!!
Charles Mingus & Eric Dolphy – Immortal Concerts (1960)
1. Better Git Hit In Your Soul
2. Wednesday Night Prayer Meeting
3. Prayer For Passive Resistance
4. I’ll Remember April
5. What Love?
6. Folk Forms No. 1
Para tirar o gosto do Maazel de ontem, um álbum indiscutível: Canções de Mahler com regência de Pierre Boulez, a Filarmônica de Viena e os cantores Thomas Quasthoff, Violeta Urmana e Anne Sofie von Otter. Meio besta ficar comentando. Mesmo assim, alguns detalhes: são três ciclos de completos Mahler, interpretados por três cantores e um só regente e orquestra. É inacreditavelmente belo. Ouça ou ouça.
Gustav Mahler – Mahler Lieder
Lieder eines fahrenden Gesellen
1) Wenn mein Schatz Hochzeit macht [4:12]
2) Ging heut’ morgen übers Feld [3:53]
3) Ich hab’ ein glühend Messer [3:09]
4) Die zwei blauen Augen von meinem Schatz [5:37]
Thomas Quasthoff
Wiener Philharmoniker
Pierre Boulez
Rückert-Lieder
5) Blicke mir nicht in die Lieder [1:18]
6) Ich atmet’ einen linden Duft [2:37]
7) Liebst du um Schönheit [2:45]
8. Ich bin der Welt abhanden gekommen [7:02]
9) Um Mitternacht [5:54]
Violeta Urmana
Wiener Philharmoniker
Pierre Boulez
Kindertotenlieder
10) Nun will die Sonn’ so hell aufgeh’n [5:44]
11) Nun seh’ ich wohl, warum so dunkle Flammen [4:51]
12) Wenn dein Mütterlein [4:57]
13) Oft denk’ ich, sie sind nur ausgegangen [3:01]
14) In diesem Wetter [6:08]
Anne Sofie von Otter
Wiener Philharmoniker
Pierre Boulez
Qual foi o melhor compositor de Portugal? Não tenho ideia, pois pouco sei sobre os compositores portugueses. Mas parece ser comum por lá a afirmação que o maior sinfonista foi Joly Braga Santos. Nascido em Lisboa em 1924, Joly teve duas fases na sua vida: a primeira foi regionalista, misturada com influências inúmeras (Sibelius, Vaughan Williams, etc.), e uma segunda fase mais modernista. A sua obra foi resgatada no início do século pela gravadora Marco Polo. Todas suas sinfonias foram finalmente gravadas.
Em poucas palavras, adorei o que ouvi. Sua sinfonia Nº 4 (1950), dedicada à juventude musical portuguesa, tem a clássica estrutura com quatro movimentos, mas os movimentos estão bem mais interligados, como se fosse uma super-rapsódia. A obra é do final da fase regionalista, mas não é uma peça de louvor folclórico. Há muito mais aqui. A sinfonia não é original, mas é brilhante. O quarto movimento empolga do começo ao fim, uma das peças mais bem orquestradas que ouvi.
A obra que abre o disco são as variações sinfônicas sobre uma canção do Alentejo (1949) que é absolutamente encantadora.
1 Symphonic Variations on a popular song from the Alentejo 14:54
2 Symphony No. 4: Lento 13:48
3 Symphony No. 4: Andante 12:19
4 Symphony No. 4: Allegro tranquillo 11:03
5 Symphony No. 4: Lento 16:05
National Symphony Orchestra of Ireland
Alvaro Cassuto
Brahms era muito jovem quando escreveu seu Op. 5. Tinha 20 anos. Imagino que esta notável obra tenha sido mostrada ao casal Clara e Robert Schumann, os quais o chamaram de gênio logo no primeiro encontro. Schumann foi o maior divulgador do jovem Brahms, um compositor que parece já ter nascido maduro, como prova esta obra de arquitetura clássica e espírito romântico. Grimaud também era jovem quando gravou a Sonata. Tinha 23 anos. Ora, alguns precisam de amadurecimento maior, outro não. Grimaud precisou. Hoje, ainda jovem aos 45 anos, a pianista francesa poderia enfrentar muito melhor o Op. 3 do que quando o fez, há mais de 20 anos. Mas vale a audição.
Ah, para esta Sonata, indico Radu Lupu.
Johannes Brahms (1833-1897): Sonata para Piano Nº 3, Op. 5 / 6 Peças para piano, Op. 118
1 Sonata For Piano No. 3 in F Minor, Op. 5: I. Allegro maestoso 9:40
2 Sonata For Piano No. 3 in F Minor, Op. 5: II. Andante espressivo 10:56
3 Sonata For Piano No. 3 in F Minor, Op. 5: III. Scherzo: Allegro energico 4:42
4 Sonata For Piano No. 3 in F Minor, Op. 5: IV. Intermezzo: Andante molto 3:32
5 Sonata For Piano No. 3 in F Minor, Op. 5: V. Finale: Allegro moderato ma rubato 7:22
6 6 Klavierstucke, Op. 118 – I. Intermezzo in A Minor 1:56
7 6 Klavierstucke, Op. 118 – II. Intermezzo in A Major 5:57
8 6 Klavierstucke, Op. 118 – III. Ballade in G Minor 3:27
9 6 Klavierstucke, Op. 118 – IV. Intermezzo in F Minor 2:32
10 6 Klavierstucke, Op. 118 – V. Romanze in F Major 3:58
11 6 Klavierstucke, Op. 118 – VI. Intermezzo in E-Flat Minor 5:01
Este é o sensacional registro da participação de Carla Bley no Umbria Jazz Festival de 1996. Levei alguns dias para conseguir chegar à faixa 2 do CD tal é o entusiasmo que me causa a aula de arranjo que Carla nos demonstra nos 24 minutos do esplêndido blues de abertura: Setting Calvin’s Waltz. O título do CD é uma piada. Sabendo que sua apresentação seria na Igreja de San Francesco Al Prato em Perugia, Bley usou e abusou de sonoridades e timbres pouco usuais que soaram espetacularmente. Também pegou emprestado os gospels Exaltation / Religious Experience / Major de Carl Ruggles. O restante são composições — incluindo Setting Calvin’s Waltz — de Bley. Goes to Church está longe de ser um álbum religioso, é apenas um álbum que se utiliza da especial sonoridade de uma igreja, algo que talvez só pudesse ser fruído adequadamente em Perugia, entre os dias 19 e 21 de julho de 1996.
Carla Bley Big Band Goes to Church
1. Setting Calvin’s Waltz 23:52
2. Exaltation / Religious Experience / Major 9:33
3. One Way 8:29
4. Beads 8:27
5. Permanent Wave 10:07
6. Who Will Rescue You? 7:52
Carla Bley Big Band (17 músicos):
Lew Soloff (trumpet); Guy Barker (trumpet); Claude Deppa (trumpet); Steve Waterman (trumpet); Gary Valente (trombone); Pete Beachill (trombone); Chris Dean (trombone); Richard Henry (bass trombone); Roger Jannotta (soprano and alto saxophones, flute); Wolfgang Puschnig (alto saxophone); Andy Sheppard (tenor saxophone); Jerry Underwood (tenor saxophone); Julian Argüelles (baritone saxophone); Karen Mantler (organ, harmonica); Carla Bley (piano); Steve Swallow (bass); Dennis Mackrel (drums)
Pois é, posso dizer algo que parece louco? Esta gravação de Chang e Pappano vence o clássico registro de Rostropovich e Ozawa. Antes que você comece a espernear me chamando de insensato, não custa dar uma espreitadinha no CD deste post, um verdadeiro milagre. Com isso, não digo que Chang seja uma violoncelista nem um ser humano maior do que o lendário russo, apenas digo que ela, anos depois, venceu-o num terreno inusitado, onde Rostrô é Rei: o da esplêndida Sinfonia Concertante de Prokofiev. É uma pena, gente, mas a fila anda e nossas certezas vão embora como lágrimas na chuva.
Han-na Chang com seu violoncelo
Serguei Prokofiev (1891-1953): Sinfonia Concertante, Op. 125 / Sonata para Violoncelo e Piano, Op. 119
Sinfonia concertante, Op.125
1. I. Andante 10:07
2. II. Allegro giusto 16:46
3. III. Andante con moto 10:08
Cello Sonata, Op.119
4. I. Andante grave – Moderato animato – Andante grave, come prima – Allegro animato 11:40
5. II. Moderato – Andante dolce – Moderato primo 4:48
6. III. Allegro, ma non troppo – Andantino – Allegro, ma non troppo 8:09
Han-Na Chang, violoncelo
London Symphony Orchestra
Antonio Pappano, regência e piano
Este disco é uma grande realização artística. Vocês não podem imaginar o que canta esta turma do Anthony Rooley. Especialmente Emma Kirkby dá um show nessas canções do nosso inventor da ópera. Creio que os pequenos madrigais de Monteverdi jamais receberam tratamento tão luxuoso, tão sensível. Porém, para o gosto estragado de PQP Bach, dez minutos dos madrigais de Monteverdi servem para que ele caia irremediavelmente nos braços de Morfeu. Então, ele ouviu o CD em várias sessões curtas. E sempre dormiu embalado e apaixonado por vozes celestiais.
Claudio Monteverdi (1567-1643): Madrigais — Livros 4 e 5
CD 1
1. Book 4, SV 75-93: 1. Ah dolente partita!
2. Book 4, SV 75-93: 2. Cor mio, mentre vi miro
3. Book 4, SV 75-93: 3. Cor mio, non mori?
4. Book 4, SV 75-93: 4. Sfogava con le stelle
5. Book 4, SV 75-93: 5. Volgea l’anima mia
6. Book 4, SV 75-93: 6. Anima mia perdona. Prima parte
7. Book 4, SV 75-93: 7. Che se tu se’il cor mio. Seconda parte
8. Book 4, SV 75-93: 8. Luci serene e chiare
9. Book 4, SV 75-93: 9. La piaga c’ho nel core
10. Book 4, SV 75-93: 10. Voi pur da me partite
11. Book 4, SV 75-93: 11. A un giro sol de’ begl’occhi
12. Book 4, SV 75-93: 12. Ohimè, se tanto amate
13. Book 4, SV 75-93: 13. “Io mi son giovinetta”
14. Book 4, SV 75-93: 14. Quel augellin che canta
15. Book 4, SV 75-93: 15. Non più guerra pietate
16. Book 4, SV 75-93: 16. Sì ch’io vorrei morire
17. Book 4, SV 75-93: 17. Anima dolorosa
18. Book 4, SV 75-93: 18. Anima del cor mio
19. Book 4, SV 75-93: 19. Longe da te cor mio
20. Book 4, SV 75-93: 20. Piagn’ e sospira
21. Con che soavità, labbra odorate (from Book 7), SV 139
22. Mentre vaga Angioletta ogn’anima gentil cantando alletta (from Book 8), SV 157
23. Tempro la cetra (from Book 7), SV 117
CD 2
24. Book 5, SV 94-106: 1. Cruda Amarilli
25. Book 5, SV 94-106: 2. O Mirtillo, Mirtill’, anima mia
26. Book 5, SV 94-106: 3. Era l’anima mia
27. Book 5, SV 94-106: 4. Ecco, Silvio
28. Book 5, SV 94-106: 5. Ma se con la pietà
29. Book 5, SV 94-106: 6. Dorinda, ah! dirò
30. Book 5, SV 94-106: 7. Ecco, piegando
31. Book 5, SV 94-106: 8. Ferir quel petto
32. Book 5, SV 94-106: 9. Ch’io t’ami
33. Book 5, SV 94-106: 10. Deh! Bella e cara
34. Book 5, SV 94-106: 11. Ma tu, più che mai dura
35. Book 5, SV 94-106: 12. Che dar più vi poss’io
36. Book 5, SV 94-106: 13. M’è più dolce il penar
37. Book 5, SV 94-106: 14. Ahi, come a un vago sol
38. Book 5, SV 94-106: 15. Troppo ben può
39. Book 5, SV 94-106: 16. Amor, se giusto sei
40. Book 5, SV 94-106: 17. “T’amo mia vita!”
41. Book 5, SV 94-106: 18. E così a poc’ a poco
42. Book 5, SV 94-106: 19. Questi vaghi concenti
43. Ogni amante è guerrier (from Book 8), SV 151
Emma Kirkby, Poppy Holden, Evelyn Tubb (sopranos)
Cathy Cass, Mary Nichols (altos)
Joseph Cornwell, Paul Elliott, Andrew Lawrence-King (tenors)
Richard Wistreich, John Milne, David Thomas (basses)
Este é um grande candidato a melhor CD da obra pianística de Satie. Com boa seleção de obras, fraseado perfeito — na medida certa, entre a melancolia, a fragilidade e a ironia típicas do compositor –, Pascal Rogé da um show nesta gravação clássica dos anos 80. As Gymnopedies e Gnossiennes de Rogé são ainda as melhores interpretações disponíveis. Ele tem o espírito de Erik Satie. O mesmo vale para os 4 Prelúdios Flácidos e para os Embriões Dissecados. São 62 minutos perfeitos, você não se arrependerá de conhecê-los.
Erik Satie (1866-1925): 3 Gymnopedies e outras peças para piano