Richard Strauss (1864-1949): Four Last Songs / Death And Transfiguration (Lucia Popp, Klaus Tennstedt, London Philharmonic Orchestra)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Desde que a ouvi pela primeira vez, Lucia Popp (1939-1993) tornou-se um de meus sopranos preferidos. Sim, sei, Jessye Norman também foi extraordinária nas Quatro Últimas Canções de Richard Strauss, porém esta gravação de 1982, com a eslovaca Popp e tendo Klaus Tennstedt à frente da Orquestra Filarmônica de Londres, é um dos momentos mais sublimes da discografia do século XX. Ela une a obra-prima final de Strauss, as Quatro Últimas Canções, ao poema sinfônico juvenil Morte e Transfiguração, criando um diálogo comovente entre o fim e o começo da jornada criativa do compositor. O ponto central deste disco é, sem dúvida, a performance transcendente de Lucia Popp. Sua voz é descrita como “prateada”, uma pureza etérea que, ao contrário do “brilho dourado” de uma Jessye Norman, não busca impor-se através de grandiosidade, mas sim de uma beleza contida e de um colorido inefável. Popp canta estas canções de despedida sem peso, com uma leveza angelical que parece já pertencer a outro mundo, tornando a sua interpretação excepcionalmente tocante e, paradoxalmente, afirmativa da vida. A sua abordagem é menos a de uma grande diva operática e mais a de uma mensageira, transmitindo a serenidade e a aceitação dos poemas de Hermann Hesse e Joseph von Eichendorff. A crítica destaca a sua capacidade de manter a pureza tonal e a fluidez mesmo nos andamentos lentos e expansivos escolhidos por Tennstedt, um feito que sublinha a sua técnica impecável e inteligência musical. Klaus Tennstedt, conhecido por suas interpretações de Mahler, revela aqui um lado mais contemplativo. Seus andamentos são deliberadamente amplos, emprestando às canções um fôlego e uma sensação de inevitabilidade que as transformam em uma profunda meditação orquestral. A escolha de Tennstedt como parceiro musical é fundamental, pois ele cria um ambiente sonoro que envolve a voz de Popp sem jamais ofuscá-la. A orquestra não é um mero acompanhamento, mas um diálogo constante, especialmente no quarto movimento, Im Abendrot, onde a citação do tema da “transfiguração” de Strauss surge como um eco do passado, magnificamente integrado por de Tennstedt.

Lucia Popp faleceu muito cedo, aos 54 anos, deixando uma carreira que ainda prometia muito.

Richard Strauss (1864-1949): Four Last Songs / Death And Transfiguration (Lucia Popp, Klaus Tennstedt, London Philharmonic Orchestra)

Four Last Songs
1 Frühling
Text By – Hesse*
3:47

2 September
Text By – Hesse*
5:17

3 Beim Schlafengehen
Text By – Hesse*
6:47

4 Im Abendrot
Text By – Eichendorff*
8:24

5 Death And Transfiguration = Tod Und Verklärung, Op. 24 25:46

Soprano – Lucia Popp
Conductor – Klaus Tennstedt
Orchestra – London Philharmonic Orchestra

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Popp: só dá pra empatar com ela, acho eu.

PQP

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