Franz Schubert (1797-1828): As Últimas Sonatas para Piano (Staier)

As três últimas Sonatas para Piano de Franz Schubert, incrivelmente compostas em setembro de 1828, poucas semanas antes de sua morte prematura, constituem um testamento sonoro de rara grandeza e introspecção. Longe de serem meras heranças beethovenianas, elas revelam um Schubert já plenamente visionário: a estrutura clássica é invadida por harmonias inquietantes e uma expressividade que oscila entre o desespero e a transcendência. A D. 958 ecoa a fúria dramática de Beethoven, mas com a melancolia tipicamente schubertiana. A D. 959 expande-se em um Andantino de dor quase expressionista, seguido de um Scherzo fantasmagórico. A D. 960 coroa essa trilogia. Abre com um tema de simplicidade celeste, só para submergir em regiões de silêncio perturbador e nostalgia cósmica. Juntas, formam uma viagem ao abismo e à redenção — não como confissão biográfica, mas como geografia da alma humana, onde a forma clássica se rompe para dar voz ao inefável. São, nas palavras de Alfred Brendel, “a despedida de um poeta que já habitava um mundo além do seu tempo”.

Esta interpretação é “ao pianoforte”. Ou seja, é historicamente informada. Eu, acostumado a ouvir estas Sonatas no piano moderno — Brendel e Pollini –, às vezes me surpreendo  pedindo uma sonoridade mais cheia e aumento o volume inutilmente. De qualquer forma, o trabalho do talentosíssimo Staier é primoroso, belíssimo, meticuloso.

Franz Schubert (1797-1828): As Últimas Sonatas para Piano (Staier)

Sonata In C Minor D 958
1-1 Allegro 11:08
1-2 Adagio 8:43
1-3 Menuetto: Allegro · Trio 2:58
1-4 Allegro 9:31

Sonata In A Major D 959
1-5 Allegro 16:19
1-6 Andantino 8:18
1-7 Scherzo: Allegro Vivace · Trio: Un Poco Più Lento 4:32
1-8 Rondo: Allegretto 12:44

Sonata In B Flat Majpr D 960
2-1 Molto Moderato 21:59
2-2 Andante Sostenuto 9:48
2-3 Scherzo: Allegro Vivace · Trio 4:18
2-4 Allegro Ma Non Troppo 8:48

Andreas Staier, piano

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PQP

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