F. Mompou (1893-1987): Canciones y danzas / A. Ginastera (1916-1983): Doce preludios americanos (Reyes, piano)

Belíssimo disco do pianista cubano, por um selo francês, tocando peças de um catalão e de um argentino. Entre outras semelhanças, ambos os compositores passarem parte de sua vida no exílio (Mompou em Paris, Ginastera em Genebra) quando seus países de origem eram governados por ditaduras militares. O libreto do CD diz o seguinte:

Mompou compôs suas doze Canções e Danças entre 1918 e 1962 (para sermos mais exatos, ele escreveu uma 13ª, para violão, em 1960, e uma 14ª, para piano, em 1980). De todas suas composições – pouco numerosas e essencialmente dedicadas ao piano e à voz – as Canções e Danças são as únicas a se inspirarem em melodias populares catalãs. Mas, para além da homenagem a sua terra e da evocação de suas cores e perfumes, Mompou evita todo artifício, todo kitsch de cartão postal ou efeito pitoresco.

Formalmente, Mompou teve uma ideia brilhante ao associar a cada canção, com andamento mais lento, uma dança de ritmo mais acelerado, sempre buscando formar uma dupla coerente. Uma certa nostalgia aparece nessas obras e, como a maioria delas foi escrita quando Mompou residia em Paris, entre as duas Guerras Mundiais, não é abdurda a comparação com as Mazurkas que Chopin escreveu, também em Paris, pensando na sua Polônia natal. Não seria, aliás, o único ponto em comum entre os dois músicos, que se interessaram igualmente pelo estudo dos mistérios da escrita pianística e da disposição dos acordes na partitura, ao ponto que o pianista Ferdinand Motte-Lacroix (1882-1955) não hesitou em chamar Federico Mompou de “Frédéric II”.

Apesar da distância temporal entre a 1ª e a 12ª peça, o ciclo apresenta uma homogeneidade notável: desde suas primeiras obras, Mompou soube encontrar seu estilo. Ele inventou um sistema harmônico pessoal, nem verdadeiramente consonante, nem brutalmente dissonante, temperando a escrita mais tradicional com algumas notas aberrantes, estrangeiras aos acordes usuais, e com uma atenção particular às ressonâncias.

Por seu lado, Ginastera compôs seus Prelúdios americanos em 1944: nessas peças, também doze, encontra-se uma síntese de toda sua arte. Apesar das divergências de estilo (Ginastera parece mais pitoresco, barulhento e rude, Mompou mais sonhador e mais suave), diversas ligações existem entre as duas faces deste programa.
(traduzido do texto do encarte: Jérôme Bartianelli, 2017)

A partir daqui eu continuo a comparação de Mompou com Chopin. Com exceção dos dois Concertos do polonês, as obras de ambos são feitas para serem tocadas em salas na escala de dez, vinte, trinta pessoas. Não é música grandiosa como boa parte da música de concerto europeia dos séculos XIX e XX. Na Paris dos anos 1830 e 1840, Chopin vivia cercado de adoradores de Beethoven, como por exemplo o compositor Berlioz e o escritor Balzac, para citar apenas dois fãs de carteirinha do alemão então recém-falecido. O pintor Delacroix, em carta a um amigo em 1842, relatava um momento na casa da escritora George Sand e comparava Balzac “que não veio, e não lamento. Ele é um falador barulhento” e Chopin: “de quem gosto muito e que é um homem de rara distinção.”

Note-se, então, que Chopin colocava-se na minoria quando tinha como grandes mestres do passado Mozart e Bach. Naquela época, toda a Europa descobria com espanto a grandeza de Beethoven, as cidades construíam grandes salas de concerto e as orquestras sinfônicas iam aumentando os naipes de cordas e sopros… nada disso com a admiração do introspectivo Chopin. Essa rara distinção, citada por Delacroix, lembra um pouco o gosto musical de Federico Mompou: sonoridades e acordes cuidadosamente escolhidos, jamais banais, mas ao mesmo tempo menos vanguardistas do que a dodecafonia dos discípulos de Schoenberg nos anos 1940 a 1960 ou os experimentos eletroacústicos nos anos 1960 a 70.

1 – 6. Federico Mompou:
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 1. Quasi moderato – Allegro non troppo
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 2 Lento – Molt amable
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 5 Lento litúrgico – Senza rigore. Ritmado
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 6 Cantabile epressivo – Ritmado
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 8. Moderato cantabile con sentimento – Danza
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 10. Larghetto molto cantabile – Amabile

7 – 18. Alberto Ginastera:
Doce americanos preludios, Op. 12
I. Para los accentos. Vivace
II. Triste. Lento
III. Danza criolla. Rustico
IV. Vidala. Adagio
V. En el primer modo pentáfono menor. Andante
VI. Homenaje a Roberto Garcia Morillo. Presto
VII. Para las octavas. Allegro molto
VIII. Homenaje a Juan José Castro. Tempo di Tango
IX. Homenaje a Aaron Copland. Prestissimo
X. Pastoral. Lento
XI. Homenaje a Heitor Villa-Lobos. Vivace
XII. En el primer modo pentáfono mayor. Lento

19 – 24. Federico Mompou:
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 3. Modéré – Sardana
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 4. Moderato – Viv
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 7. Lento – Danza
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 9. Cantabile espressivo – Allegro
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 11. Lent et majestueux. Allegro moderato – Grazioso
Cançó i Dansa (Canción y Danza) No. 12. Molto cantabile – Danza

25-26: Gabriel Urgell Reyes:
Piezas Familiares
II. Aqui contigo (Très intime et expressif)
III. Más de ti

Gabriel Urgell Reyes, piano
Recorded: 2014, 2016

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Federico Mompou

Pleyel

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