IM-PER-DÍ-VEL !!!
Hoje é o aniversário de PQP Bach. Não do blog, mas da pessoa. Então, neste 19 de agosto, resolvi postar só gravações extraordinárias.
A Britten Sinfonia utiliza instrumentos originais nesta sua gravação dos Concertos de Bach com Mahan Esfahani? Não. Essa é justamente uma das características mais interessantes desse projeto. A Britten Sinfonia toca em instrumentos modernos, não em instrumentos de época. O que torna a gravação singular é que Mahan Esfahani não tenta recriar um “Bach historicamente informado” apenas pela escolha dos instrumentos. Em vez disso, ele procura aplicar muitos princípios da interpretação historicamente informada — articulação, transparência das vozes, pouco vibrato, agilidade rítmica, equilíbrio camerístico — utilizando uma orquestra moderna. Na apresentação do disco, a própria Deutsche Grammophon destaca que Esfahani “dispensa os instrumentos de época em favor dos modernos.” A posição de Esfahani é bastante interessante. No texto do libreto, ele argumenta que o mais importante é a fidelidade ao texto musical e à imaginação de Bach, e não ao tipo de instrumento utilizado. A escolha dos instrumentos seria apenas um meio, não um fim. Por isso, o resultado soa diferente tanto das interpretações do passado remoto (como Karl Richter ou Neville Marriner) quanto das gravações de conjuntos especializados em instrumentos históricos, como a Akademie für Alte Musik Berlin ou o English Concert.
Há ainda um detalhe que você provavelmente quer saber: a Britten Sinfonia toca com apenas um músico para cada corda. Horrível a minha frase, né? Ficaria algo assim: 1 primeiro violino, 1 segundo violino, 1 viola, 1 violoncelo e 1 contrabaixo. Um por parte, o que confere enorme clareza contrapontística. Assim, embora os instrumentos sejam modernos, a sonoridade é leve, íntima e quase camerística, muito distante do lamentável Bach “sinfônico” das décadas de 1950 e 1960. Pessoalmente, acho essa uma das propostas mais curiosas surgidas nos últimos anos em Bach. Em vez de transformar a discussão em um confronto entre “instrumentos modernos” e “instrumentos originais”, Esfahani pergunta outra coisa: o que realmente faz uma interpretação soar bachiana? A resposta dele é que está menos na idade da madeira dos instrumentos do que na maneira de tocar, de ouvir e de construir o diálogo entre as vozes. É uma posição que certamente suscitará debates entre os defensores da interpretação historicamente informada, mas que resulta em uma leitura bastante convincente.
J. S. Bach (1685-1750): Integral dos Concertos para Teclado (Esfahani, Britten Sinfonia)
CD1
Keyboard Concerto No 1 in D minor BWV1052[23’12]
1 Allegro[7’51]
2 Adagio[7’08]
3 Allegro[8’13]
Keyboard Concerto No 2 in E major BWV1053[20’01]
4 [untitled][8’06]
5 Siciliano[5’12]
6 Allegro[6’43]
Keyboard Concerto No 3 in D major BWV1054[16’33]
7 [untitled][7’23]
8 Adagio e piano sempre[6’22]
9 Allegro[2’48]
Keyboard Concerto No 6 in F major BWV1057[16’53]
Michala Petri (recorder), Ian Wilson (recorder)
10 [untitled][7’27]
11 Andante[4’14]
12 Allegro assai[5’12]
CD2
Keyboard Concerto No 4 in A major BWV1055[14’33]
13 Allegro[4’14]
14 Larghetto[6’00]
15 Allegro ma non tanto[4’19]
Keyboard Concerto No 5 in F minor BWV1056[10’12]
16 Allegro[3’11]
17 Adagio[3’09]
18 Presto[3’52]
Triple Concerto in A minor BWV1044[22’21]
Jacqueline Shave (violin), Thomas Hancox (flute)
19 Allegro[8’52]
20 Adagio ma non tanto e dolce[6’31]
21 Tempo di alla breve[6’58]
Keyboard Concerto No 7 in G minor BWV1058[13’21]
22 [untitled][3’39]
23 Andante[5’52]
24 Allegro assai[3’50]
Keyboard Concerto No 8 in D minor BWV1059[10’20] – Mahan Esfahani (b1984)
Peter Facer (oboe)
25 Allegro[5’44]
26 Cembalo ad libitum[1’02]
27 Presto[3’34]
Mahan Esfahani (harpsichord)
Britten Sinfonia

PQP