Robert Schumann (1810-1856): Piano Quartet & Quintet (Faust, Schreiber, Tamestit, Queyras, Melnikov)

São obras-primas tão esplêndidas que é estranho que tenham sido escritas por Schumann… Ambas surgiram durante o “ano de música de câmara” de Schumann, em 1842, um período em que o compositor, afastando-se temporariamente do ciclo de canções e da música para piano solo, mergulhou no estudo aprofundado dos grandes mestres do contraponto, como Haydn, Mozart e, especialmente, Bach. O Quinteto para Piano, Op. 44, composto primeiro, é frequentemente considerado uma das obras mais brilhantes e vigorosas de todo o período romântico. Escrito para piano e quarteto de cordas, Schumann inovou ao tratar o piano não como um mero acompanhante, mas como um solista integrado ao diálogo camerístico, criando uma textura sinfônica de rara riqueza. A obra é marcada por um primeiro movimento impetuoso, uma Marcia funebre de lirismo pungente no movimento lento (Fanny e Alexander, de Bergman) , e um finale que inicialmente causa estranheza pela sua explosividade, mas que se revela magistral ao integrar temas anteriores em uma conclusão unificada e triunfante.

Já o Quarteto para Piano em Mi bemol Maior, Op. 47, composto logo em seguida, demonstra uma maturidade camerística ainda mais íntima e refinada. Se o quinteto tende à grandiosidade sinfônica, o quarteto — escrito para a formação mais reduzida de piano, violino, viola e violoncelo — explora texturas mais transparentes e um diálogo mais equilibrado entre os quatro instrumentos. A obra se destaca pela engenhosidade estrutural, como a inversão dos movimentos centrais (o Scherzo precede o movimento lento) e a utilização de uma fuga no finale, evidenciando o domínio contrapontístico de Schumann. O coração da obra reside no terceiro movimento, Andante cantabile (A Patriota, de Kluge) , onde o violoncelo introduz uma das melodias mais profundamente melancólicas já escritas pelo compositor, tema que se desenvolve em uma série de variações de intimidade comovente, contrastando com o brilho virtuosístico do quinteto e revelando um lado mais contemplativo e introspectivo de sua arte.

Robert Schumann (1810-1856): Piano Quartet & Quintet (Faust, Schreiber, Tamestit, Queyras, Melnikov)

Piano Quartet Op. 47 E-Flat Major / Mi Bémol Majeur / Es-Dur
1 I. Sostenuto Assai – Allegro Ma Non Troppo 8:40
2 II. Scherzo. Molto Vivace 3:33
3 III. Andante Cantabile 6:21
4 IV. Finale. Vivace 7:20

Piano Quintet Op. 44 E-Flat Major / Mi Bémol Majeur / Es-Dur
5 I. Allegro Brillante 8:52
6 II. In Modo D’Una Marcia. Un Poco Largamente 7:50
7 III. Scherzo. Molto Vivace 4:47
8 IV. Allegro Ma Non Troppo 7:08

Cello – Jean-Guihen Queyras
Fortepiano – Alexander Melnikov
Viola – Antoine Tamestit
Violin – Anne Katharina Schreiber (tracks: 5 to 8), Isabelle Faust

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Olha aí eles tocando o Quarteto na PQP Chamber Room de Wuppertal.

PQP

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