G. F. Handel (1685-1759): Il Delirio Amoroso (Dessay / Haïm)

G. F. Handel (1685-1759): Il Delirio Amoroso (Dessay / Haïm)

A soprano Natalie Dessay e a cravista e regente Emmanuelle Haim unem-se neste belo programa de duas cantatas solo de Handel, além de uma importante ária de Aci, Galatea e Polifemo (a versão italiana, não a em inglês, composta dez anos depois). Estas duas musicistas francesas já tinham unido suas forças em duas magníficas gravação de 2004: L’Orfeo de Monteverdi e outro Handel delicioso: Arcadian Duets. A voz de Dessay fez dela uma famosa intérprete de Mozart e músicas do bel canto, mas ultimamente ela tem feito incursões por Strauss e Massenet. No entanto, ela parece especialmente adequada para Handel. Le Concert d’Astrée é uma excelente orquestra. A cantata de abertura, Il Delirio Amoroso, com texto do cardeal Pamphili, é o lamento de Clori sobre a morte de Tirsi e inclui solos de destaque para oboé, violino, violoncelo e flauta. Da mesma forma, a ária de Aci – a mais longa e indiscutivelmente a melhor faixa do disco – enfatiza o solo vocal através de um instrumental brilhante que, paradoxalmemente, serve para lembrar o narrador de sua solidão. Parecido com a cantata de abertura, mas mais conciso, Mi palpita il cor também lida com a angústia de amor perdido e, novamente, um solo de oboé faz dueto com Dessay em contraponto melódico. Um baita disco.

G. F. Handel (1685-1759): Il Delirio Amoroso (Dessay / Haïm)

1) Introduzione
2) Recitative: Da Quel Giorno Fatale
3) Aria (Allegro): Un Pensiero Voli In Ciel
4) Recitative: Ma Fermati Pensier
5) Aria: Per Te Lasciai La Luce
6) Recitative: Non Ti Bastava Ingrato
7) Aria: Lascia Omai Le Brune Vele
8. Recitative: Ma Siamo Giunti In Lete
9) Entrée
10) Minuet: Inquesto A Mene Piaggie Serene
11) Recitative: Si Disse Clori
12) Minuet
Aci, Galatea E Polifemo
13) Aria: Qui L’augel Da Pianta In Pianta Lieto Vola (Aci)
Mi palpita Il Cor
14) Adagio: Mi Palpita Il Cor
15) Allegro: Agitata É L’alma Mia
16) Recitativo: Tormento E Gelosia
17) Aria (Largo): Ho Tanti Affanni In Petto
18) Recitativo: Clori Dite Mi Lagno
19) Aria (Allegro): S’un Di M’adora La Mia Crudele

Natalie Dessay, soprano
Le Concert D’Astrée
Emmanuelle Haïm, direction

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Dessay e Haïm trabalhando para você.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Complete Sonatas for Piano & Violin – Midori Seiler, Jos van Immerseel

Estou renovando aqui uma postagem lá de 2018, nem tão antiga assim, mas mesmo assim, muita água já passou por baixo da ponte. Vale conferir, os dois intérpretes aqui são feras e referências em seus instrumentos. Além disso, é Beethoven, pôxa, com uma abordagem ‘diferente’. 

Por que nunca nos cansamos de postar cds com obras de Beethoven? Ora, porque se trata de Beethoven … mais do que isso se torna redundante falar ou explicar.
Achei esta coleção em um velho HD externo que estava guardado já há algum tempo, e me supreendi ao ouvi-lo, não que ouvir o pianista van Immerseel ainda me supreenda, mas a sonoridade dos instrumentos, não digo apenas do pianoforte, mas o som do violino de Midori Seiler é incrível. Soa por vezes rústico, nos oferecendo um Beethoven diferente daquele que estamos acostumados a ouvir, principalmente aquelas leituras mais românticas por assim dizer.
Amo estas obras, e não canso de ouvi-las, talvez nunca canse, e esta é daquelas gravações que se possível devem ser ouvidas com um bom fone de ouvido para podermos melhor captar os detalhes da obra.
Lembro de que se trata de interpretações com instrumentos de época, com dois especialistas na área, o piano de Immerseel foi construído em 1888 e o violino de Midori é um violino barroco construido com modelo de um instrumento do século XVIII, semelhante ao utilizado por Beethoven na composição destas obras.

CD 1

01. Violin Sonata No.5 in F major, op.24 ‘Spring’ – I. Allegro
02. Violin Sonata No.5 in F major, op.24 ‘Spring’ – II. Adagio molto espressivo
03. Violin Sonata No.5 in F major, op.24 ‘Spring’ – III.Scherzo. Allegro molto
04. Violin Sonata No.5 in F major, op.24 ‘Spring’ – IV. Rondo. Allegro ma non troppo
05. Violin Sonata No.1 in D major, op.12, no.1 – I. Allegro con brio
06. Violin Sonata No.1 in D major, op.12, no.1 – II. Tema con variazoni.
07. Violin Sonata No.1 in D major, op.12, no.1 – III. Rondo. Allegro
08. Violin Sonata No.2 in A major, op.12, no.2 – I. Allegro vivace
09. Violin Sonata No.2 in A major, op.12, no.2 – II. Andante più tosto allegretto
10. Violin Sonata No.2 in A major, op.12, no.2 – III. Allegro piacèvole
11. Violin Sonata No.3 in E flat major, op.12, no.3 – I. Allegro con spirito
12. Violin Sonata No.3 in E flat major, op.12, no.3 – II.Adagio con molta espressione
13. Violin Sonata No.3 in E flat major, op.12, no.3 – III. Rondo Allegro molto

CD 2

1 Sonata No. 6 in A, Op. 30 No. 1: I. Allegro
2 Sonata No. 6 in A, Op. 30 No. 1: II. Adagio molto espressivo
3 Sonata No. 6 in A, Op. 30 No. 1: III. Allegretto con variazioni
4 Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: I. Allegro con brio
5 Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: II. Adagio cantabile
6 Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: III. Scherzo. Allegro
7 Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: IV. Finale. Allegro
8 Sonata No. 10 in G, Op. 96: I. Allegro moderato
9 Sonata No. 10 in G, Op. 96: II. Adagio espressivo
10 Sonata No. 10 in G, Op. 96: III. Scherzo. Allegro
11 Sonata No. 10 in G, Op. 96: IV. Poco allegretto – Adagio espressivo – Allegro

CD 3

1 Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: I. Presto
2 Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: II. Andante scherzoso più allegretto
3 Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: III. Allegro molto
4 Sonata No. 8 in G, Op. 30 No. 3: I. Allegro assai
5 Sonata No. 8 in G, Op. 30 No. 3: II. Tempo di minuetto ma molto moderato e grazioso
6 Sonata No. 8 in G, Op. 30 No. 3: III. Allegro vivace
7 Sonata « Kreutzer » No. 9 in A, Op. 47: I. Adagio sostenuto – Presto
8 Sonata « Kreutzer » No. 9 in A, Op. 47: II. Andante con variazioni
9 Sonata « Kreutzer » No. 9 in A, Op. 47: III. Presto

Midori Seiler – Violin
Jos Van Immerseel – Pianoforte

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CDS 1 E 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE 

FDP
 

.: interlúdio :. Wilbur Harden & John Coltrane: Tanganyika Strut (1958) / John Coltrane: Kulu Sé Mama (1965)

Dois discos pouco conhecidos de John Coltrane, discos com nome um tanto complicado de se pronunciar, mas a música não é complicada. O de 1965 é da fase em que Coltrane queria expandir seu quarteto e trouxe músicos adicionais incluindo o saxofonista Pharoah Sanders, mas o conjunto da obra é menos vanguardista do que outros discos dos últimos anos de vida de John Coltrane. E o de 1958 é da época em que Coltrane tocava frequentemente com Miles Davis, mas aqui o trompetista que divide a liderança do grupo é outro, Wilbur Harden (1924 – 1969). Harden toca também o flugelhorn, com seu som mais agudo que o do trompete. Os arranjos aqui são bem convencionais mas os solos… acho que geniais e impressionantes não são palavras inadequadas.

Wilbur Harden & John Coltrane: Tanganyika Strut
1. Tanganyika Strut – 9:57
2. B.J. – 4:32
3. Anedac – 5:12
4. Once in a While – 9:28
Recorded on June 24 and May 13 1958.

John Coltrane: Kulu Sé Mama
1. Kulu Sé Mama (Juno Sé Mama) (18:50)
2. Vigil (9:51)
3. Welcome (5:24)

John Coltrane — tenor saxophone
McCoy Tyner — piano (tracks 1, 3)
Jimmy Garrison — double bass (tracks 1, 3)
Elvin Jones — drums
Frank Butler — drums, vocals (track 1)
Pharoah Sanders — tenor saxophone, percussion (track 1)
Donald Rafael Garrett — clarinet, double bass, percussion (track 1)
Juno Lewis — vocals, percussion, conch shell, hand drums (track 1)
Recorded:
United Western Recorders, Hollywood, California, October 14, 1965 (track 1)
Van Gelder Studio, New Jersey, June 10-16, 1965 (tracks 2, 3)

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BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Kulu Sé Mama

John Coltrane e Bob Thiele, produtor de álbuns como Ballads, A Love Supreme e Kulu Se Mama

Pleyel

Carmina Burana — Le Mystere de la Passion (Século XIII) (Ensemble Organum, Marcel Pérès)

Carmina Burana — Le Mystere de la Passion (Século XIII) (Ensemble Organum, Marcel Pérès)

IM-PRES-SIO-NAN-TE !!!

Impressionante mesmo que faz o Ensemble Organum de Marcel Pérès neste CD duplo. Há trechos sublimes e outros decididamente fantasmagóricos (ouvir a faixa 2-19 [39], por exemplo). Mas vamos a alguns detalhes.

Originário do mosteiro de Benediktbeuren, o manuscrito de Carmina Burana incluía muito pouca música religiosa. O Grande Mistério da Paixão é uma das raras peças realmente sacras. Composta durante o século XIII, enquadra-se admiravelmente na tradição dos dramas litúrgicos e apresenta uma teatralização dos personagens que prenuncia os grandes mistérios do século XV. Obra-prima de um certo classicismo medieval, essa paixão foi encenada em 1988 pelo Atelier Lyrique du Rhin, em colaboração com o Ensemble Organum. Em alguns momentos, parece canto gregoriano, depois há solos vocais de grande beleza e virtuosismo. Vale a pena conhecer. Os idiomas são variados. Uma loucura.

Este título foi lançado pela primeira vez em 1990.

Mas Carmina Burana? Pois é. Carmina Burana (em português: “Canções de Beuern”, sendo “Beuern” uma redução de Benediktbeuern, município situado na Baviera) é o título, em latim, de um manuscrito de 254 poemas e textos dramáticos, datados, em sua maioria, dos séculos XI e XII, sendo alguns do século XIII. As peças são, em geral, picantes, irreverentes e satíricas e escritas em latim medieval, embora algumas tenham sido escritas em médio-alto-alemão, com alguns traços de francês antigo ou provençal. Há também partes macarrônicas, numa mistura de latim vernáculo com alemão ou francês.

Carmina Burana – Le Mystere de la Passion

Procession Des Rameaux
1-1 Hymne Vexilla Regis 4:29
1-2 Antiphone Cum Appropinquaret Dominus Jerosolyman 4:41
1-3 Antiphone Cum Audisset Populus 4:22
1-4 Hymne Gloria Laus 3:08
Scène De Marie-Madeleine
1-5 Marie-Madeleine Mundi Delectatio 2:10
1-6 Intervention Du Marchand Michi Confer, Venditor 1:29
1-7 Première Intervention De L’Ange O Maria Magdalena 1:15
1-8 Intervention De L’Amant Wol Dan, Minnekliche Chint 0:36
1-9 Deuxième Intervention De L’Ange O Maria Magdalena 1:15
1-10 Courtisane Mundi Delectatio 2:01
1-11 Troisème Intervention De L’Ange O Maria Magdalena 1:31
1-12 Remords De Marie-Madeleine Heu, Vita Preterita 1:22
1-13 Quatrième Intervention De L’AngeDico Tibi 0:35
1-14 Renoncement De Marie-Madeleine Hinc, Ornatus Seculi 1:33
1-15 Chantres: Accessit Ad Pedes Iesu 3:51
1-16 Prière De Marie-Madeleine Iesus Troest Der Sele Min 1:05
1-17 Jésus: Absolution de Marie-Madeleine Fides Tua Salvum Te Fecit 1:44
1-18 Lamentation De Marie-Madeleine Sur Ses Péchés Awe, Awe 2:54
Scène De Lazare
1-19 Procession D’Enterrement: Antiphone Ego Sum Resurrectio Et Vita 3:27
1-20 Résurrection De Lazarre 2:34
1-21 Profession De Foi De Lazare: Repons: Si Ambulem In Medio Umbre Mortis 4:56
Trahison De Judas
1-22 Judas O Pontifices, O Viri Magni Consilii 1:31
Procession Avant La Messe
1-23 Repons Ingrediente Domino 3:26
Messe Des Rameaux
1-24 Introït Domine, Ne Longe Facias 6:29
1-25 Graduel Tenuisti Manum Dexteram Mean 7:34
Messe Des Rameaux
2-1 Trait Deus, Deus Meus 12:25
Passion De Notre Seigneur Jésus-Christ
2-2 Jésus Au Mont Des Oliviers 5:36
2-3 Arrestation De Jésus 5:15
2-4 Prière Des Saintes Femmes: Repons Angelis Suis 4:23
2-5 Reniement De Pierre Comprehendentes Autem Eum 2:17
Le Procès
2-6 Conseil Des Grands-Prêtres Collegerunt Pontifices 4:17
2-7 Repons Astiterunt Reges Terrae 2:41
2-8 Jésus Devant Pilate Et Hérode 1:09
2-9 Repons Astiterunt Reges 0:59
2-10 Jésus Devant Pilate 1:14
Flagellation De Jésus
2-11 Repons Omnes Amici Mei 2:33
2-12 Dernier Dialogue Entre Pilate Et Jésus 3:25
2-13 Repentir De Judas Penitet Me Graviter 1:26
2-14 Lamentation Des Femmes De Jérusalem Pendant Le Chemin De Croix 2:09
Le Golgotha
2-15 Crucifixion 2:02
2-16 Lamentation De Marie Awe, Awe 5:21
2-17 Flete Fideles 3:22
2-18 Marie Planctus Ante Nescia 5:29
2-19 Jean Et Dernières Paroles Du Christ 3:07
Déposition
2-20 Hymne Crux Fidelis 7:32

Ensemble Organum
Marcel Pérès

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O monastério de Benediktbeuern.

PQP

In Memoriam Arthur Moreira Lima – Coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – Parte 6 de 11: Volumes 4, 8, 21 e 26 (Beethoven/Mozart & Haydn/Mozart/Mozart II)

Para honrar a memória e celebrar o legado extraordinário de Arthur Moreira Lima, um dos maiores brasileiros de todos os tempos, publicaremos a integral da coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – seu testamento musical – de 16 de julho, seu 85° aniversário, até 30 de outubro de 2025, primeiro aniversário de seu falecimento. Esta é a sexta das onze partes de nossa eulogia ao gigante.


Partes:   I   |   II   |   III   |   IV   |   V   |   VI   |   VII   |   VIII   |   IX   |     |   XI

No minuto derradeiro do concerto [no. 3] de Rachmaninoff, durante a coda, em meio ao crescendo da orquestra rumo ao apoteótico final da peça, Arthur levantou os olhos do piano e se deixou levar. Admirou entorpecido aquela deslumbrante sala lotada, como quem sonha acordado. Atrás de si, era fitado por um gigantesco retrato de Tchaikovsky. Os dedos agiam por conta própria no teclado. Nesses segundos, ele teve a dimensão do momento, a exata sensação de que uma fase de sua vida terminava, num espetacular rito, diante dos melhores do planeta. Desceu a mão com força descomunal no último acorde, levantou-se quase saltando e foi aplaudido com furor. Quase vinte minutos. Soltou um grito primal, entre lágrimas, mandando a modéstia, e o resultado do concurso, às favas:

– P***a, consegui… Eu cheguei até aqui…, repetia, enquanto se curvava em agradecimentos.


Nesse trecho de “O Piano e a Estrada” (Casa Maior Editora, 2009 – fora de catálogo, mas facilmente disponível no grande brique da interné), Marcelo Mazuras descreve a epifania que abraçou Arthur Moreira Lima nos momentos derradeiros de sua gloriosa participação no Concurso Tchaikovsky de 1970, na Grande Sala do Conservatório de Moscou. Favorito do público (“Arthur – nosso“, lembram?), aclamado pelos pares (como o gigante Emil Gilels, que o chamou de “um artista maduro, com sua própria paleta de sons” num edital do Pravda para os 250 milhões de soviéticos), e veterano de mais vivências do que parecia caber em seus recém-feitos trinta anos, nosso herói punha assim um fim a seu período formativo para dar partida no resto de sua vida.

Com duas filhas pequenas, Beatriz e Martha (um nome que é prova cabal de que a disputa com La Argerich em 1965 não deixou qualquer ressentimento, só admiração), e sem a bolsa do Ministério da Cultura da União Soviética, poderia haver alguma preocupação com carnês a pagar. Arthur, todavia, parece ter dispensado o anticlimático ritual de passagem que aflige todos os formandos, aquela memorável noite em que se vai dormir estudante e se acorda desempregado. Afinal, as muitas láureas nos concursos, aqueles moedores implacáveis de tantos bons pianistas, garantiram chuvas de convites. Seu equipamento era o melhor possível: a reputação de virtuoso jovem e carismático; mãos que coriscavam um repertório de vinte e quatro concertos e tantos quantos programas de recitais solo; um som tão russo quanto o dos grandes mestres daquela Escola; e um passaporte brasileiro que permitia uma liberdade de movimentos muito maior que a de seus colegas soviéticos, sempre amarrados por autorizações de saída, vistos de entrada e arapongas de butuca.

A supernova do piano contemplou brevemente a possibilidade de voltar ao Brasil, mas os prantos e o tilintar do chumbo que de cá ouvia disseram-lhe que não, não era ainda hora de voltar. Disposto a afinal colocar em seus bornais algo além de rublos, e já com alguns anos de gravações e concertos programados em várias repúblicas da União Soviética, Arthur escolheu então sua nova morada: seria Viena, uma metrópole tão encharcada de Arte quanto Moscou, donde poderia com facilidade lançar incursões para os dois lados da férrea Cortina.

Deu muito certo, certo até demais: sua agenda abarrotada fez seu apartamento vienense receber quase mais pernoites de colegas ilustres, como o amigo Emil Gilels e a supracitada Martha Argerich, que dele próprio. Em alguns anos, talvez saudoso de algo do calor e da radiação ultravioleta de sua São Sebastião natal, o carioca zarparia para Barcelona, acompanhando a esposa, a diplomata e pianista Eliana. Mal conseguiu gastar os solados das chinelas catalãs, ocupadíssimo que estava com intensas turnês. Numa delas, num dia de clima especialmente miserável na brumenta Glasgow, rodeado por escoceses de sotaque tão espesso que não conseguia entender, enfim perguntou-se:

– O que eu tô fazendo aqui???

A grande ficha caíra. No final da Década de Sangue e Chumbo, o Brasil estava cada vez mais a chamar de volta sua tanta gente que partira em aviões e rabos de foguete. Nosso herói, enfim, atenderia seu chamado, não sem antes iniciar uma guinada de repertório e rumos que culminaria, anos mais tarde, na boleia dum caminhão-teatro, com o mais épico capítulo da história do Piano Brasileiro.


ARTHUR MOREIRA LIMA – MEU PIANO/TRÊS SÉCULOS DE MÚSICA PARA PIANO
Coleção publicada pela Editora Caras entre 1998-99, em 41 volumes
Idealizada por Arthur Moreira Lima
Direção artística de Arthur Moreira Lima e Rosana Martins Moreira Lima


Volume 4: BEETHOVEN – SONATAS FAMOSAS

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano no. 8 em Dó menor, Op. 13, “Patética”
1 – Grave – Allegro di molto e con brio
2 – Andante cantabile
3 – Rondo: Allegro

Sonata para piano no. 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 no. 2, “Luar”
4 – Adagio sostenuto
5 – Allegretto
6 – Presto agitato

Sonata para piano no. 23 em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”
7 – Allegro assai
8 – Andante con moto
9 – Allegro ma non troppo

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: St. Philip’s Church, Londres, Reino Unido, 1997
Engenheiro de som: Peter Nicholls
Idealização e direção musical: Arthur Moreira Lima
Idealização, direção musical, produção e edição: Rosana Martins Moreira Lima
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima

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Volume 8: MOZART & HAYDN

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Concerto para piano e orquestra n° 22 em Mi bemol maior, K. 482
1 – Allegro (cadenza: Arthur Moreira Lima)
2 – Andante
3 – Allegro (cadenza: Arthur Moreira Lima)

Franz Joseph HAYDN (1732-1809)

Concerto para piano e orquestra em Sol maior, Hob. XVIII:4
4 – Allegro moderato
5 – Adagio
6 – Rondo: Presto

Arthur Moreira Lima, piano
Orquestra de Câmara de Moscou
Rudolf Barshai, regência

Gravações: Estúdio no. 1 da Rádio de Moscou, União Soviética, 1971 (Mozart) e 1974 (Haydn)
Engenheiro de som: Igor Veprintsev
Produção: Larysa Abelyan
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1998.

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Volume 21: MOZART – SONATAS CÉLEBRES

Wolfgang Amadeus Mozart

Sonata para piano em Lá menor, K. 310
1 –  Allegro maestoso
2 -Andante cantabile con espressione
3 – Presto

Sonata para piano em Fá maior, K. 332
4 – Allegro
5 – Adagio
6 – Allegro assai

Sonata para piano em Ré maior, K. 576
7 – Allegro
8 – Adagio
9 – Allegretto

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: Rosslyn Hill Chapel, Hampstead, Londres, Reino Unido, 1999
Engenheiro de som: Peter Nicholls
Idealização e direção musical: Arthur Moreira Lima
Idealização, direção musical, produção e edição: Rosana Martins Moreira Lima
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima

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Volume 26: MOZART II

Wolfgang Amadeus MOZART

Concerto para piano e orquestra n° 23 em Lá maior, K. 488
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Allegro assai

Rondó em Ré maior para piano e orquestra, K. 382
4 – Allegretto grazioso

Arthur Moreira Lima, piano
Orquestra de Câmara de Moscou
Rudolf Barshai, regência

Gravações: Estúdio no. 1 da Rádio de Moscou, União Soviética, 1971
Engenheiro de som: Igor Veprintsev
Produção: Larysa Abelyan
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima

Sonata para piano em Lá menor, K. 331
5 – Andante grazioso – Tema con variazioni
6 – Menuetto
7 – Alla turca: Allegretto

Gravação: Rosslyn Hill Chapel, Hampstead, Londres, Reino Unido, 1999
Engenheiro de som: Peter Nicholls
Idealização e direção musical: Arthur Moreira Lima
Idealização, direção musical, produção e edição: Rosana Martins Moreira Lima
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima, na Cia. de Áudio, São Paulo, 1998.

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Dentro da insana agenda de Arthur como astro internacional nos anos 70, destaca-se sua relação muito especial com o Japão. A notória devoção japonesa ao Chopin polonês – que outro país do mundo tem uma Revista Chopin mensal? – converteu-se, naturalmente, em muito apetite pela arte do Chopin de Estácio, que voltaria ao país por doze anos consecutivos, legando-nos, entre outros, estes frutos colhidos do pomar do – quem mais? – Instituto Piano Brasileiro:



Um primoroso LP da Denon/Nippon Columbia (1976) com som imaculado e uma leitura das valsas de Chopin ainda melhor que sua outra, lançada na década seguinte.


Um dos recitais da maratona (doze concertos em vinte dias) da primeira visita de Arthur ao Japão, em 1976, que também rendeu o álbum acima.



Outro álbum primoroso da Denon/Nippon Columbia, totalmente dedicado a Chopin (1978)



Outro recital, de inda outra maratona japonesa, no mesmo 1984 em que Arthur fez sua gravação legendária do Rach 3.


Shopan wa suki desu ka?

 


“6ª parte da entrevista do pianista Arthur Moreira Lima a Alexandre Dias, em que ele falou sobre o disco de Chopin que gravou pela Marcus Pereira em 1976, sua ligação com o Japão nesta época, e o novo repertório que passou a explorar nesta época, ligando-se a músicos populares, incluindo músicos de choro, como Época de Ouro e Waldir Azevedo. Comentou sobre como foi sua volta ao Brasil, em meio a uma plena carreira internacional de sucesso, falou sobre outros LPs que gravou pela Marcus Pereira e Kuarup, e sobre sua admiração por Radamés Gnattali, com quem teve bastante contato, chegando a gravar e estrear obras suas. Por fim, falou sobre sua admiração por outro grande mestre, o Laércio de Freitas, que fez os arranjos de músicas de Piazzolla que Arthur depois gravou em disco.”

 

 

Em homenagem a Fluminense Moreira Lima, seguimos com o álbum de figurinhas dos campeões da Copa Rio de 1952. Na imagem, o  imberbe lateral-esquerdo João Ferreira, vulgo Bigode (1922-2003). Escalado para a infame tarefa de marcar Alcides Ghigghia no Maracanazo de 16 de julho de 1950, só não foi mais massacrado pela opinião pública que o arqueiro Barbosa após o tento da virada uruguaia. A conquista da Copa Rio, em 1952, foi sua redenção no mesmo gramado que antes o condenara – e, não, não encontrei qualquer imagem do moço com o adereço piloso homônimo.

Vassily

Beethoven (1770-1827): Grande Fuga e Quarteto Op. 132 (Narratio Quartet)

Beethoven (1770-1827): Grande Fuga e Quarteto Op. 132 (Narratio Quartet)

Um muito querido amigo montou este CD para mim com duas obras da caixa de 4 CDs ao lado. O disco ficou assim: inicia pela Grande Fuga e termina com o Op. 132, o meu quarteto preferido. Acho que o amigo sabia do meu amor pelo Op. 132 e por certas interpretações da Grande Fuga. Porém, quando o ouvi pela primeira vez, achei que era o Quarteto Op. 130, mais ligado à Grande Fuga, ou seja, não reconheci meu lindo quartetão. Também pudera, era outra música — os holandeses do Narratio Quartet usam instrumentos de época para se aproximarem da sonoridade histórica dos séculos XVIII-XIX. Então, eles tocam os quartetos de Beethoven com cordas de tripa e os arcos típicos do século XIX. Também aplicam práticas de interpretação historicamente informadas: comedidos vibrati, uso de deslizamento entre notas, tempos mais flexíveis e articulação que busca lembrar como se tocava na época de Beethoven. Até aí, tudo bem, só que sei lá. Tanto sei lá que meus ouvidos discordariam da hipotética frase “Narratio Quartet toca Beethoven como se estivéssemos em 1820”. Por exemplo, o último movimento do 132 é um Allegro Appassionato que me pareceu incompatível com a forma de narração adotada pelos meninos do quarteto (sim, escrevi “Tempos mais flexíveis” ali atrás, não sou tão trouxa). São muitas vírgulas e travessões num texto que deve fluir como uma dança, na minha opinião. O som é sempre lindo mas algumas escolhas parecem meio malucas. Não tenho nada contra, só que às vezes não dá certo. E às vezes dá, pois há momentos realmente lindos, como em alguns trechos do Fugão e do imenso movimento central do 132. Vale muito conferir.

Beethoven (1770-1827): Grande Fuga e Quarteto Op. 132 (Narratio Quartet)

1 Grande Fuga, Op.133

2 String Quartet Op. 132 in A Minor – I. Assai sostenuto. Tempo Allegro
3 II. Allegro ma non tanto
4 III. Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der lydischen Tonart
5 V. Alla marcia, assai vivac
6 V. Allegro appassionato

Narratio Quartet:
Johannes Leertouwer, violin (Antonius et Hieronymus Fr. Amati, Cremona 1619)
Franc Polman, violin (Pieter Rombouts, Amsterdam ca. 1690)
Viola de Hoog, cello (Giovanni Battista Guadagnini, Milan ca. 1750, on loan from NMF)
Dorothea Vogel, viola (Ludovico Rastelli, Genoa, ca. 1800)

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O nome da violoncelista é Viola. Essa escapou por pouco.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os 5 Concertos para Piano (Pletnev)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os 5 Concertos para Piano (Pletnev)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Apenas pelo fato de serem os cinco concertos para piano de Beethoven já seria imperdível. Só que devemos somar a isso o fato de estarmos frente uma gravação que é um belo petardo desferido pela Deutsche Grammophon em 2007 e que agora chega aos privilegiados ouvidos pequepianos. Pletnev, Gansch e a Orquestra Nacional russa realizam um prodígio que você deve ouvir. Pletnev é um pianista de pianistas, um cara efetivamente genial. Trata-se de um gênio renascentista — pianista, maestro, compositor e empreendedor cultural, foi ele quem fundou a Orquestra Nacional Russa em 1990 — a primeira orquestra independente do Estado pós-URSS. Sua técnica é assombrosa: seu piano combina delicadeza impressionista com potência romântica, sempre com gestos minimalistas, seja ao piano, seja regendo. Suas interpretações são sempre uma mistura de profundidade intelectual e emoção crua.

Os discos saíram assim: o primeiro com os concertos 1 e 3, o segundo com os 2 e 4 e o terceiro com o quinto. PQP pôs na ordem para vocês. Os três últimos são registros de gravações ao vivo em que havia — sim, sei, lugar-comum — eletricidade no ar.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827):
Os Concertos para Piano (completo)

Piano Concerto No.1 in C major, Op.15
1) 1. Allegro con brio [13:37]
2) 2. Largo [10:19]
3) 3. Rondo (Allegro scherzando) [8:49]

Piano Concerto No.2 in B flat major, Op.19
1) 1. Cadenza: Ludwig van Beethoven [13:45]
2) 2. Adagio [8:28]
3) 3. Rondo (Molto allegro) [6:11]

Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37
4) 1. Allegro con brio [15:55]
5) 2. Largo [8:58]
6) 3. Rondo (Allegro) [9:58]

Piano Concerto No.4 in G, Op.58
4) 1. Allegro moderato [19:29]
5) 2. Andante con moto [5:02]
6) 3. Rondo (Vivace) [10:31]

Piano Concerto No.5 in E flat major Op.73 -“Emperor”
1) 1. Allegro [20:03]
2) 2. Adagio un poco mosso [7:17]
3) 3. Rondo (Allegro) [10:26]

Mikhail Pletnev
Russian National Orchestra
Christian Gansch

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Mikhail Pletnev dando uma canja no Concertgebouw de Amsterdam

PQP

Anton Bruckner (1824-1896): As Três Missas (Jochum)

Anton Bruckner (1824-1896): As Três Missas (Jochum)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As três Missas estão entre as maiores composições de Bruckner e merecem o mesmo respeito de suas sinfonias. Na minha opinião, são as mais belas obras sacras do século XIX. Os textos da liturgia católica estão em latim e as contribuições corais e dos solistas desta gravação são impecáveis ​​no fraseado e beleza de tom. Jochum foi um monstro! Sobre Bruckner, o famoso e já citado Manual do Blefador nos ensina:

É costume dizer que Bruckner foi um homem muito simples — praticamente um menino natural, falam alguns. Se, depois de ouvir uma de suas sinfonias, você ainda achar que ele era simples, então você não é o tipo de pessoa que deveria estar lendo este livro. De fato, Bruckner era profundo como o oceano. Era também organista e organistas estão longe de ser homens simples. Outro erro comum a seu respeito é equipará-lo a Mahler. A única coisa que tinham em comum era o gosto pelas sinfonias longas. Enquanto Mahler queria realmente que as pessoas gostassem e desfrutassem de suas sinfonias, Bruckner não poderia ter se importado menos com isso. Em meio a toda a grana que rolava em Viena no meio musical em fins do século XIX, Bruckner silenciosamente gostava de escrever sinfonias e missas imensas e difíceis, e não poupava esforços para não parecer artista — usava cabelo curto e bigodinho. Só Elgar conseguia parecer menos músico.

(E segue, terminando assim…)

Desista, Bruckner simplesmente não compôs pequenas peças recomendáveis.

Anton Bruckner (1824-1896): As Três Missas (Jochum)

Mass No.1 in D minor for soloists, chorus and orchestra
1. Kyrie
2. Gloria
3. Credo
4. Sanctus
5. Benedictus
6. Agnus Dei

Mass No.2 in E minor
7. Kyrie
8. Gloria
9. Credo

CD2
Mass No.2 in E minor
1. Sanctus
2. Benedictus
3. Agnus Dei

Mass No.3 in F minor (Original version)
4. Kyrie
5. Gloria
6. Credo
7. Credo (cont.)
8. Sanctus
9. Benedictus
10. Agnus Dei

Edith Mathis
Marga Schiml
Wieslaw Ochman
Elmar Schloter
Karl Ridderbusch
Maria Stader
Claudia Hellmann
Ernst Haefliger
Kim Borg
Anton Nowakowski

Symphonieorchester und Chor des Bayerischen Rundfunks
Eugen Jochum

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Bruckner e sua cara de eletricista incompetente aposentado: vai nessa
Bruckner e sua cara de eletricista incompetente aposentado. Vai nessa…

PQP

John Baptist Cramer (1771-1858): Quinteto para piano, Op. 79 e Franz Schubert (1797-1828): Quinteto para piano, Op. 114 (D. 667) – A Truta

John Baptist Cramer (1771-1858): Quinteto para piano, Op. 79 e Franz Schubert (1797-1828): Quinteto para piano, Op. 114 (D. 667) – A Truta

Com instrumentos originais de época, este é um disco muito especial. Tem uma obra de um compositor desconhecido e a justamente célebre Truta de Schubert. Não conhecia a música de John Baptist Cramer. Este compositor nasceu na Alemanha, mas foi levado à Inglaterra quando ainda era criança. Começou a estudar piano muito jovem e conseguiu se estabelecer como um grande pianista. Dizem que chegou a ser respeitado por Beethoven. Foi o editor inglês do Concerto no. 5 para piano e orquestra – “Imperador” – do mesmo Beethoven. Estabeleceu uma amizade gratificante com o autor da Nona Sinfonia. Compôs obras respeitáveis — sonatas para piano, nove concertos para piano e música de câmara. Neste CD que ora posto, surge o Quinteto para Piano, Op. 79, de 1832, para essa formação (piano, violino, viola, violoncelo, contrabaixo) que foi utilizada pela 1ª vez por Johann Nepomuk Hummel, de quem o quinteto pegou emprestado o nome. A outra obra do CD — A PRINCIPAL — é o Quinteto para piano em Lá maior, Op. 114 de Schubert, também conhecido como “A Truta”, pela qual tenho uma grande paixão. Composta em 1819, circulou apenas em manuscritos durante a vida de Schubert e foi publicada um ano após sua morte. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

John Baptist Cramer (1771-1858) – Quinteto para piano in Si bemol maior, Op. 79 (1832)
01. Allegro moderato
02. Adagio cantabile
03. Rondo (allegro)

Franz Schubert (1797-1828) – Quinteto para piano em Lá maior, Op. 114 (D. 667) – A Truta (1819)
04. Allegro vivace
05. Andante
06. Scherzo
07. Theme with variations (andatino-allegretto)
08. Finale (allegro giusto)

Nepomuk Fortepiano Quintet
Jan Insinger, violoncelo
Elisabeth Smalt, viola
Riko Fukuda, pianoforte
Franc Polman, violino
Pieter Smithuijsen, contrabaixo

Recorded: 2007

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Vocês não esperavam um linguado, né?
Vocês não esperavam um linguado, né?

Carlinus / PQP / Pleyel

DESAFIO PQP Bach! –> Brahms (1833 – 1897): Concerto para Piano No. 1 em ré menor ֍

DESAFIO PQP Bach! –> Brahms (1833 – 1897): Concerto para Piano No. 1 em ré menor ֍

Eu acho o concerto em ré menor a maior obra que alguém já escreveu e as grandiosidades estão ali, mesmo antes que o piano toque uma só nota, no grande tutti… Ele não é Beethoven, não é Mozart, não é Wagner, mas eu prefiro o (concerto) em ré menor mais do que qualquer concerto dos ditos grandes compositores.

[Dito por Kovacevich, que não é o pianista da gravação, em uma entrevista por ocasião do relançamento de suas gravações para a Philips]

Desafio Revelado

Pianista: Peter Donohoe

Orquestra: The Philharmonia

Regente: Yevgeny Svetlanov

O Ernesto apontou logo cedo pela manhã o correto nome dos artistas, mas deixei mais um pouco a brincadeira no ar. Posteriormente, luisque também indicou o nome do pianista… Mas, apesar da rapidez das descobertos, pelas mensagens do Adilson e do Otavio Ferraz, valeu a pena esticar um pouco mais a brincadeira, uma vez que ela pode ter provocado o ato de ouvir um pouco mais atentamente essa linda gravação. Fico muito feliz com as mensagens, mostrando o interesse pela postagem…

Quanto as cocadas, estão ainda em suspenso, pois assim como foi apontado pelo Adilson, pode ter havido intervenção da IA no lance, que está desde então submetido ao VAR do PQP Bach. Aguardem…

A imagem mais comum de Brahms é de um senhor barbudo, velhusco, que pelo menos para mim, lança uma sombra de seriedade sobre a sua música. Essa impressão é reforçada pelo título de algumas de suas peças, como o Réquiem Alemão e Quatro Canções Sérias. Para fechar o cortejo, uma nota outonal, nostálgica, deixada pelas suas últimas peças para piano e pelas obras de câmara com clarinete – que eu adoro, vamos deixar isso bem claro…

A música desta postagem é um contraste com essa imagem – é música que pulsa com vida, cintilante – reflete um momento de juventude e vigor, que eu percebi bem nesse disco.

Pensei bem pouco (como quase sempre) e decidi apresentá-la na série Desafios do PQP Bach, que tem andado meio esquecida. Só para lembrar nossos assíduos 32 leitores e informar aos eventuais recém-chegados ao blog, o desafio consiste em adivinhar o nome dos artistas que gravaram o disco. Essa brincadeira surgiu da ideia de ouvir a música, a interpretação, sem pré-julgamentos, sem a influência dos nomes na capa do disco. Assim mesmo como naquelas situações nas quais ligamos um rádio e pegamos uma música em andamento e ficamos a dar tratos na bola. Só que aqui, já antecipamos a música, apenas os artistas ficam anônimos. Mas, como acreditamos na importância em dar os créditos aos artistas, após um tempo da postagem no ar ou assim que algum arguto nauta revelar a correta identidade dos misteriosos artistas, editamos a postagem para que a verdade seja apregoada.

Então é isso, vocês já sabem, quem acertar os nomes dos artistas que apresentam aqui o grande e maravilhoso Concerto No. 1 para Piano de Brahms ganhará tantos downloads grátis quantos quiser, a tradicional cocada do PQP Bach (ao vencedor, as cocadas!) e a glória do reconhecimento de todos os nossos visitantes!!

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Piano Concerto No. 1 in D minor, Op. 15

  1. Maestoso
  2. Adagio
  3. Rondo: Allegro non troppo

Pianista: a ser revelado

Orquestra: ….

Regente: em breve…

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MP3 | 320 KBPS | 110 MB

Descrição da abertura do concerto em um site de uma famosa orquestra, lembrando as palavras de Kovacevich, no início da postagem: Tímpanos estrondosos, cascatas de trinados duplos e uma tensão harmônica opressiva sublinham a sensação de uma paisagem sonora titânica, quase primitiva, desde o início. Apesar de toda a sua autoconsciência em relação à tradição, Brahms apresenta suas ideias com confiança inabalável. Após essa exposição orquestral, o pianista solo entra com um novo tema suavemente melancólico. Brahms justapõe o cataclismo do material de abertura com um lirismo suavemente reflexivo — os extremos que definem esse movimento gigantesco — e, assim, intensifica o drama inerente de tragédia e consolação do concerto.

Aproveite!

René Denon

Hannes está esperando o seu palpite…

Antonio Vivaldi (1678-1741): L’Arte della Trascrizione (Accademia Del Ricercare, Pietro Busca)

Antonio Vivaldi (1678-1741): L’Arte della Trascrizione (Accademia Del Ricercare, Pietro Busca)

Disco excelente e do qual encontrei referências mínimas na rede. Como “trascrizione” significa “transcrição”, deve tratar-se de transcrições que Vivaldi fez de outros compositores. Valem a pena, viu? São músicas barrocas de primeira linha, certamente de origem italiana, muito bem interpretadas pela obscura Accademia del Ricercare, dirigida pelo desconhecido Pietro Busca. São transcrições para uma ou duas flautas. Em minha última visita à Veneza, encontrei vários conservatórios com conjuntos próprios, produzindo e vendendo bons CDs. Tenho alguns, até. Gravadora Tactus? CD 042? Sei lá. Só sei que é um bom CD de música barroca italiana! A “Follia” final tem baixo contínuo de escola de samba. É muito bom. Não perguntem muita coisa. Quem puder esclarecer, esclareça!

Antonio Vivaldi (1678-1741): L’Arte della Trascrizione (Accademia Del Ricercare, Pietro Busca)

Sonata In Mi Minore Per Flauto In La, Flauto Di Voce E Basso Continuo Op. V N. 18 (= 6) RV. 72
1 Preludio. Largo 3:03
2 Allemanda. Allegro 2:23
3 Air Menut. Allegro 1:52

Sonata In Mi Bemolle Maggiore Per Due Flauti Contralto E Basso Continuo Op. I N. 10 RV. 78
4 Preludio. Adagio 1:30
5 Allemanda. Allegro 2:35
6 Gavotta. Presto 2:05

Sonata In Si Minore Per Flauto Di Voce E Basso Continuo Op. V N. 16 RV. 35
7 Preludio. Largo 3:08
8 Allemanda. Allegro 2:33
9 Corrente. Allegro 2:10

Sonata In Do Minore Per Due Flauti Contralto E Basso Continuo (MS Lund) RV. 74
10 Andante 4:05
11 Allegro 2:58
12 Andante 2:59
13 Allegro assai 1:51

Sonata In Do Maggiore Per Due Flauti Soprano E Basso Continuo Op. I N. 3 RV. 61
14 Adagio 1:22
15 Allemanda. Allegro-Adagio 2:47
16 Sarabanda. allegro 1:27

Sonata In Mi Minore Per Due Flauti Di Voce E Basso Continuo Op. I N. 2 RV. 67
17 Grave 1:45
18 Corrente. Allegro 2:01
19 Giga. Allegro 2:03
20 Gavotta. Allegro 1:00

Sonata In Si Bemolle Maggiore Per Flauto COntralto E Basso Continuo Dalle “VI Sonates Pour Violoncelle” N. 6 RV. 46
21 Largo 1:59
22 Allegro 2:24
23 Largo 2:30
24 Allegro 2:32

Sonata La “Follia”
25 “Follia” In Sol Minore Per Due Flauti Contralto E Basso Continuo Op. I N. 12 RV. 63 9:16

Baroque Guitar, Theorbo – Ugo Nastrucci
Cello – Linda Murgia
Conductor – Pietro Busca
Ensemble – Accademia Del Ricercare
Flute – Lorenzo Cavasanti, Manuel Staropoli
Harpsichord [Clavicembalo] – Claudia Ferrero

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PQP

Benjamin Britten (1913-1976): Serenata para Tenor, Trompa e Cordas / Les Illuminations / Guia de Orquestra para Jovens (Giulini, Maazel)

Benjamin Britten (1913-1976): Serenata para Tenor, Trompa e Cordas / Les Illuminations / Guia de Orquestra para Jovens (Giulini, Maazel)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD maravilhoso com duas grandes obras — a de abertura e a última. Considerando-se que são três, tá bom. Nada contra as iluminações, mas a favor do restante.

Britten tinha muito bom gosto literário e a Serenata para Tenor, Trompa e Cordas, Op. 31, de 1943, é uma de suas obras mais celebradas. Trata-se de um ciclo de canções para tenor solo, trompa solo e uma pequena orquestra de cordas. Tem um prólogo e um epílogo instrumental (tocados apenas pela trompa fora do palco, criando um efeito de distância e eco) que envolvem seis canções centrais. Estas usam poemas de diversos autores ingleses (como Blake, Keats, Tennyson) que tematizam a noite, seu mistério, sua beleza e seus terrores. O Guia da Orquestra para Jovens, Op. 34 (The Young Person’s Guide to the Orchestra), de Benjamin Britten, é uma das obras didáticas mais geniais já compostas. A peça foi encomendada para um documentário educativo de 1946, destinado a apresentar os instrumentos e as famílias (naipes) de uma orquestra sinfônica aos jovens. Para tanto, Britten apresenta um tema de Henry Purcell (retirado de sua música incidental para a peça de teatro Abdelazer). Variações: O tema é repetido em 13 variações, cada uma destacando um instrumento ou naipe específico (ex.: flautas, fagotes, violinos, trombones, trompa, etc.). No final, todos os instrumentos se unem em uma fuga espetacular e contrapontística, tocada inicialmente por cada instrumento na ordem de sua apresentação. Côdeloco. A gente ouve um mapa sonoro da orquestra. Britten não fez apenas um exercício técnico. Cada variação é uma miniatura musical cheia de caráter, humor e genialidade composicional que tornou-se um clássico absoluto, muito mais do que uma ferramenta para crianças. É uma peça de concerto popular pela sua energia, cor e virtuosismo.

Benjamin Britten (1913-1976): Serenata para Tenor, Trompa e Cordas / Les Illuminations / Guia de Orquestra para Jovens (Giulini, Maazel)

Serenade For Tenor Solo, Horn And Strings, Op. 31
Conductor – Carlo Maria Giulini
Horn – Dave Clevenger
Orchestra – Chicago Symphony Orchestra
Tenor Vocals – Robert Tear

1 Prologue. Andante 1:31
2 Pastoral. Lento 3:21
3 Nocturne. Maestoso 3:21
4 Elegy. Andante Appassionato 5:00
5 Dirge. Alla Marcia Grave 3:19
6 Hymn. Presto E Leggiero 2:05
7 Sonnet. Adagio 3:45
8 Epilogue. Andante 1:44

Les Illuminations
Conductor – Carlo Maria Giulini
Orchestra – Philharmonia Orchestra
Tenor Vocals – Robert Tear

9 Fanfare. Maestoso – Largamente 2:08
10 Villes. Allegro Energico 2:45
11 Phrase. Lento Ed Estatico 1:05
12 Antique. Allegretto, Un Poco Mosso 2:07
13 Royauté. Allegro Maestoso 1:39
14 Marine. Allegro Con Brio 1:05
15 Interlude. Moderato Ma Comodo 3:39
16 Being Beauteous. Lento Ma Comodo 3:45
17 Parade. Alla Marcia – Sempre Ritmico, Quasi Senza Espressione – Animato – Poco Largamente – A Tempo Vivace 2:41
18 Départ. Largo Mesto – Largamente 2:13

The Young Person’s Guide To The Orchestra, Op. 34
Conductor – Lorin Maazel
Orchestra – Orchestre National De France

19 Theme. Allegro Maestoso E Largamente 2:40
20 Variation A. Presto 0:31
21 Var. B. Lento 0:40
22 Var. C. Moderato 0:42
23 Var. D. Allegro Alla Marcia 1:01
24 Var. E. Brillante – Alla Polacca 0:31
25 Var. F. Meno Mosso 0:53
26 Var. G. No Tempo Marking 1:11
27 Var. H. Cominciando Lento Ma Poco A Poco Accelerando 1:04
28 Var. I. Maestoso 0:58
29 Var. J. L’Istesso Tempo 1:01
30 Var. K. Vivace 0:33
31 Var. L. Allegro pomposo 1:01
32 Var. M. Moderato 1:48
33 Fugue. Allegro Molto 2:44

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Britten fazendo sabe-se lá o que com amigos. Aquela amiga dele tem que cortar as unhas, credo.

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violino La Cetra Op. 9 (Huggett, Raglan Baroque Players)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violino La Cetra Op. 9 (Huggett, Raglan Baroque Players)

Já que meu irmão FDP Bach deu continuidade à minha “Onda Harnoncourt”, eu sigo sua última postagem repetindo o autor, Antonio Vivaldi.

Monica Huggett e os Raglan Baroque Players fazem uma La Cetra com graça e estilo. As linhas melódicas estão bem delineadas, as dinâmicas devidamente destacadas, a música está expressiva e coisa e tal. A gravação é de 1986 e é presença constante nos balaios de ofertas das lojas de CDs, o que significa que a gravação — mesmo sendo boa — tornou-se clássica em função do preço.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violino La Cetra Op. 9 (Huggett, Raglan Baroque Players)

Disque : 1
1. Concerto N 1, Rv 181a In C Major : Allegro
2. Concerto N 1, Rv 181a In C Major : Largo
3. Concerto N 1, Rv 181a In C Major : Allegro

4. Concerto N 2, Rv 345 In A Major : Allegro
5. Concerto N 2, Rv 345 In A Major : Largo
6. Concerto N 2, Rv 345 In A Major : Allegro Con Molto

7. Concerto N 3, Rv 334 In G Minor : Allegro Non Molto
8. Concerto N 3, Rv 334 In G Minor : Largo
9. Concerto N 3, Rv 334 In G Minor : Allegro Non Molto

10. Concerto N 4, Rv 263a In E Major : Allegro Non Molto
11. Concerto N 4, Rv 263a In E Major : Largo
12. Concerto N 4, Rv 263a In E Major : Allegro Non Molto

13. Concerto N 5, Rv 358 In A Minor : Adagio, Presto
14. Concerto N 5, Rv 358 In A Minor : Largo
15. Concerto N 5, Rv 358 In A Minor : Allegro

16. Concerto N 6, Rv 358 In A Major : Allegro
17. Concerto N 6, Rv 358 In A Major : Largo
18. Concerto N 6, Rv 358 In A Major : Allegro Non Molto

Disque : 2
1. Concerto N 7, Rv 359 In B Flat Major : Allegro
2. Concerto N 7, Rv 359 In B Flat Major : Largo
3. Concerto N 7, Rv 359 In B Flat Major : Allegro Non Molto

4. Concerto N 8, Rv 238 In D Minor : Allegro
5. Concerto N 8, Rv 238 In D Minor : Largo
6. Concerto N 8, Rv 238 In D Minor : Allegro

7. Concerto N 9 For Two Violins, Rv 530 In B Flat Major : Allegro
8. Concerto N 9 For Two Violins, Rv 530 In B Flat Major : Largo E Spiccato
9. Concerto N 9 For Two Violins, Rv 530 In B Flat Major : Allegro

10. Concerto N 10, Rv 300 In G Major : Allegro Molto
11. Concerto N 10, Rv 300 In G Major : Largo Cantabile
12. Concerto N 10, Rv 300 In G Major : Allegro

13. Concerto N 11, Rv 198a In C Minor : Allegro
14. Concerto N 11, Rv 198a In C Minor : Adagio
15. Concerto N 11, Rv 198a In C Minor : Allegro

16. Concerto N 12, Rv 391 In B Minor : Allegro Non Molto
17. Concerto N 12, Rv 391 In B Minor : Largo
18. Concerto N 12, Rv 391 In B Minor : Allegro

Monica Huggett, violin
Raglan Baroque Players
Nicholas Kraemer

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Monica Huggett
Monica Huggett: clássico da barganha mundial

PQP

George Gershwin – Rhapsody In Blue, An American in Paris, Cuban Overture – Lorin Maazel, The Cleveland Orchestra

Poucas obras me impactaram tanto quanto “Rhapsody In Blue“, Não lembro quando foi que ouvi essa obra pela primeira vez na versão orquestral, lembro da versão para dois pianos interpretada pelas irmãs Labeque, em disco que já postei há alguns anos, e que já devorava nos meus vinte anos.  Comprei este disco que ora vos trago há mais de trinta anos,  mas infelizmente me desfiz dele nos tempos de vacas magras, e gosto muito destas gravações, tenho um carinho muito especial por elas, tanto que depois de muito procurar, consegui adquiri-lo novamente em vinil há alguns meses. Gravada nos tempos de Lorin Maazel à frente da Orquestra de Cleveland, em meados dos anos 70, esse disco é tremendamente bem executado pela sempre excelente orquestra e o solista Ivan Davis também faz um belo trabalho, com uma técnica apurada e uma grande sensibilidade nos momentos mais românticos e sensíveis.

A grande surpresa do disco é a ótima “Abertura Cubana“, Maazel e a turma de Cleveland se sentem a vontade para explorar o ritmo latino presente na obra sem perderem o rebolado. “An American in Paris” é outro grande momento do álbum, fã confesso que sou fã dessa obra, me considero até suspeito em tecer maiores comentários. Assim como “Rhapsody In Blue”, foi a trilha sonora romântica de minha juventude.

Logo depois de gravar este disco, Maazel encarou outra obra prima de Gershwin, a ópera “Porgy and Bess”, mas isso é conversa para outra postagem.

Enfim, temos aqui um belíssimo disco, que vale cada minuto de sua audição. Sugiro fortemente que o baixem.

1 Cuban Overture

2 Rhapsody In Bue
Piano – Ivan Davis

3 An American In Paris

The Cleveland Orchestra
Conductor – Lorin Maazel

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 (RLPO, Vasily Petrenko)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10 (RLPO, Vasily Petrenko)

IM-PER-DÍ-VEL !!! Uma estupenda gravação da décima de Shosta.

Consultem este link que avalia as melhores gravações da décima e que chega à conclusão de que…

Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular.

Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stálin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo. Sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranquilo, contendo o maior enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado a capela pela trompa. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente.

PQP Bach adverte: não ouça o segundo movimento previamente irritado. Você e sua companhia poderão se machucar.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 10

1. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : I. Moderato 22:45
2. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : II. Allegro 4:05
3. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : III. Allegretto 12:11
4. Symphony No. 10 in E minor, Op. 93 : IV. Andante – Allegro 12:56

Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko

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Shosta lendo as novidades
Shosta lendo as novidades

PQP

Benjamin Britten (1913-1976): War Requiem (Brabbins)

Benjamin Britten (1913-1976): War Requiem (Brabbins)

Benjamin Britten foi autenticamente um grande compositor num país que ama a música, mas que estava agarrado no pincel desde Purcell e a presença de Handel. No entremeio, houve equívocos com Elgar e outros menos votados.

Britten era um compositor muito especial. De refinada cultura e bom gosto literário, Britten, coisa inédita, PREOCUPAVA-SE QUE SUAS ÓPERAS TIVESSEM BONS TEXTOS. E obtinha isto de seus colaboradores. Foi companheiro de toda vida do tenor Peter Pears, para quem escreveu suas maiores obras, como Serenade for Tenor, Horn and Strings, os Cânticos, às óperas Peter Grimes e Albert Herring (papéis título), The Beggar’s Opera (Macheath), Owen Wingrave (Sir Philip Wingrave), Billy Budd (Captain Vere), The Turn of the Screw (Quint), Death in Venice (Aschenbach) e as três Church Parables.

Em 1962, ao final da reconstrução da Catedral de Coventry, Britten foi encarregado de escrever a música para a consagração do novo templo, surgindo assim o War Requiem, que seria interpretado por Peter Pears (sempre ele), o alemão Dietrich Fischer-Dieskau e a russa Galina Vichnevskaia — cuja participação seria negada pela União Soviética. Esta gravação, com a presença de Galina, mulher de Rostropovich, já foi postada aqui no PQP, mas… vá saber onde enfiei! Era também a época em que Britten começara a visitar a URSS frequentemente, quer na qualidade de intérprete, quer na de regente. Nestes anos, escreveu muitas peças para violoncelo, onde se inclui a Sinfonia para Violoncelo e Orquestra e a Suíte para Violoncelo Solo. O motivo? Era amicíssimo de Rostropovich, a quem dedicou várias obras e gravou alguns discos. Também conhecia Shostakovich, a quem sempre visitava na URSS.

Benjamin Britten (1913-1976): War Requiem (Brabbins)

1. Requiem aeternam 9:23
2. Dies irae 27:47
3. Offertorium 9:51
4. Sanctus 11:04
5. Agnus Dei 3:09
6. Libera me 23:07

George McPhee; Thomas Randle; Lynda Russell; Michael Volle
Scottish Festival Chorus; St. Mary’s Episcopal Cathedral Choristers, Edinburgh
BBC Scottish Symphony Orchestra
Martyn Brabbins

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Britten: grandes música e nariz
Britten: grandes música e nariz

PQP

Morton Feldman (1926-1987): Piano and Orchestra; Flute and Orchestra; Oboe and Orchestra; Cello and Orchestra (Runkfunk-Sinfonieorchester Saarbrucken, Hans Zender)

É difícil definir a música do estadunidense Morton Feldman. Mas se temos intimidade com pintura abstrata ou o teatro de Beckett, esta tarefa fica mais simples. A música de Feldman é o espaço pintado com sons, só que sem ritmo, melodia ou mesmo qualquer forma. A estrutura de Feldman é a não-estrutura. O risco é a monotonia e, mesmo para ouvintes calejados, é apenas essa sensação que parece existir. A música de Feldman não oferece pontos para nos apoiarmos, o ouvinte segue os sons com os mesmos olhos de quem segue um quadro de Pollock.

Esse disco oferece quatro obras importantes, todas elas escritas na década de 1970, época que Feldman já começava a encontrar seu próprio estilo. Apesar dos títulos das obras, todas elas são anti-concertos, pois nenhum dos solistas é mais importante que a orquestra, e nem há diálogo entre eles. A construção é aquela que já disse no início, a orquestra e o solista se completam na criação de um espaço sonoro, sem início, fim ou desenvolvimento. No entanto, extremamente cativante, pois dá ao ouvinte uma sensação de vagar em terreno misterioso e belíssimo. Não se enganem com a primeira impressão (como já aconteceu comigo), Morton Feldman foi um compositor dos grandes.

Morton Feldman (1926-1987): Piano and Orchestra; Flute and Orchestra; Oboe and Orchestra; Cello and Orchestra (Runkfunk-Sinfonieorchester Saarbrucken, Hans Zender)

1-1 Flute And Orchestra (1977/78) 32:35
1-2 Cello And Orchestra (1972) 18:52
2-1 Oboe And Orchestra (1976) 21:20
2-2 Piano And Orchestra (1975) 26:47

Conductor – Hans Zender
Flute – Roswitha Staege (faixa: 1-1)
Oboe – Armin Aussem (faixa: 2-1)
Orchestra – Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrücken
Piano – Roger Woodward (faixa: 2-2)
Violoncello – Siegfried Palm (faixa: 1-2)

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Feldman passeando pelo Concertgebouw de Amsterdam

CDF

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

As duas obras deste CD estão disponíveis em outras gravações neste blog (a rigor, uma gravação de cada sinfonia), daí que não há o que acrescentar por hora: basta procurar os outros posts via tags. Vale a pena, em particular, conferir como ficou a segunda sinfonia de Guarnieri na versão original (com a Osesp) e na revisada (a deste post) – o segundo movimento tem o dobro da duração na primeira edição. Para mim, trata-se da mais bela — e mais bem feita — sinfonia jamais escrita no Brasil.

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

Alberto Nepomuceno – Sinfonia em Sol Menor
01 Allegro (com entusiasmo)
02 Andante Quasi Adagio
03 Presto
04 Con Fuoco

Camargo Guarnieri – Sinfonia n° 2 “Uirapuru” (dedicada a Heitor Villa-Lobos)
05 Energico
06 Terno
07 Festivo

Orquestra Sinfônica de Campinas, regida por Benito Juarez

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Beto Nepobaby

CVL

Frédéric Chopin (1810-1849): Mazurkas (Ashkenazy)

Frédéric Chopin (1810-1849): Mazurkas (Ashkenazy)

Obviamente, o nome Mazurka deve-se ao grande goleiro uruguaio Ladislao Mazurkiewicz (1945-2013) que jogou principalmente no Peñarol, mas também no Galo Mineiro. Seu apelido? Mazurka. Pois Mazurka jogou 3 Copas do Mundo (1966, 1970 e 1974) e é muito lembrado como o artista coadjuvante de um dos maiores lances da historia do futebol. Na Copa do Mundo de 1970 sofreu um drible sensacional de Pelé, que acabou chutando para fora. Em outro lance do mesmo jogo, cobrou mal um tiro de meta que o mesmo Pelé emendou de bate-pronto, mas o chopiniano arqueiro recuperou-se a tempo e fez boa defesa. Aliás, o extraordinário livro O Drible, de Sérgio Rodrigues, inicia com uma linda descrição do drible de Pelé. Bem, não sou tarado por Chopin, mas minha mãe era. Às vezes, em seus últimos anos, eu botava este disco, que era de meu pai, para tocar. Ela ficava satisfeita. Mas logo Chopin se enredava em meio aos nós das suas sinapses cada vez mais dementes do Alzheimer e ela levantava para fazer qualquer outra coisa. Mas num primeiro momento, de uns 10 minutos, ela parecia flutuar com Chopin. Quando ela faleceu, após o longo percurso da doença, minha irmã pediu uma música para tocar no crematório, mas que eu escolhesse bem! Peguei este, do qual já tinha notado a extraordinária qualidade. Talvez eu não tenha muita propensão à neurose e ao trauma, então consigo ouvir seus incríveis 143 minutos apesar de rever o caixão da Maria Luiza indo naquela esteira em direção ao vazio.

Frédéric Chopin (1810-1849): Mazurkas (Ashkenazy)

4 Mazurkas, Op.6
I: F Sharp Minor 3:14
II: C Sharp Minor 2:28
III: E Major 1:36
IV: E Flat Minor 0:58
5 Mazurkas, Op.7
I: B Flat Minor 1:47
II: A Minor 3:14
III: F Minor 2:19
IV: A Flat Major 1:06
V: C Major 0:45
4 Mazurkas, Op.17
I: B Flat Major 1:57
II: E Minor 1:57
III: A Flat Major 4:04
IV: A Minor 4:13
4 Mazurkas, Op.24
I: G Minor 2:48
II: C Major 2:03
III: A Flat Major 1:55
IV: B Flat Minor 4:31
4 Mazurkas, Op.30
I: C Minor 1:29
II: B Minor 1:06
III: D Flat Major 2:36
IV: C Sharp Minor 3:38
4 Mazurkas, Op.33
I: G Sharp Minor 1:25
II: D Major 2:03
III: C Major 1:28
IV: B Minor 4:34
4 Mazurkas, Op.41
I: C Sharp Minor 3:30
II: E Minor 2:20
III: B Major 1:07
IV: A Flat Major 1:58
3 Mazurkas, Op.50
I: G Major 1:49
II: A Flat Major 2:50
III: C Sharp Minor 4:57
3 Mazurkas, Op.56
I: B Major 3:53
II: C Major 1:32
III: C Minor 5:55
3 Mazurkas, Op.59
I: A Minor 4:29
II: A Flat Major 2:30
III: F Sharp Minor 3:13
3 Mazurkas, Op.63
I: B Major 1:59
II: F Minor 2:08
III: C Sharp Minor 2:24
4 Mazurkas, Op.67
I: G Major 1:02
II: G Minor 1:55
III: C Major 1:25
IV: A Minor 2:28
4 Mazurkas, Op.68
I: C Major 1:25
II: A Minor 3:09
III: F Major 1:14
IV: F Minor 2:17
Mazurka In A Minor (“À Émile Gaillard”, 1840) 3:05
Mazurka In A Minor (“Notre Temps”, 1840) 3:13
Mazurka In B Flat Major (1826) 1:09
Mazurka In G Minor (1826) 1:43
Mazurka In A Flat Major (1834) 1:16
Mazurka In C Major (1833) 2:20
Mazurka In B Flat Major (For Alexandra Wołowska, 1832) 1:01
Mazurka In D Major (1832) 1:14
Mazurka In D Major (?1820) 1:02
Mazurka In F Minor, Op.68 No.4 (Revised Version) 3:30

Vladimir Ashkenazy, piano

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É bom avisar.

PQP

Olivier Messiaen (1908-1992): Visons de l’amen / Claude Debussy: En blanc et noir (van Raat, Austbo)

Recentemente o nosso patriarca, guia e poço de conhecimento, ele mesmo, P.Q.P. Bach, o filho do homem, escreveu na caixa de comentários que gosta cada vez mais de Messiaen. E os pedidos dele, por aqui, são ordens. Então vamos de mais Messiaen, hoje com o pianista Håkon Austbø, um branquelo norueguês que, confesso, nunca vi um vídeo dele tocando e nem me lembro de ouvir falar em recitais dele, muito menos aqui no Brasil. Uma coisa, porém, é certa: as gravações dele das obras de Messiaen, sempre pela Naxos, são sempre de alto nível.

O piano de Messiaen deve muito às invenções de timbre de Debussy, assim como as suas harmonias e escalas também são em grande medida continuações da obra do francês que morreu quando Olivier Messiaen era um moleque de nove anos. Então faz sentido que as peças para dois pianos dos dois compositores apareçam juntas. Não que Messiaen seja simplesmente um imitador de Debussy. Um exemplo: os sinos que soam em vários momentos dessas Visões compostas e estreadas durante a 2ª Guerra Mundial… esses sinos, dizia eu, fazem os pianos soarem de modos às vezes brutais como um trovão vindo dos céus, lembrando às vezes os acordes de Rachmaninoff mais do que os de Debussy.

O nome de Ralph van Raat não me era familiar, mas ele também já gravou outros discos pela Naxos: obras de Frederic Rzewski, Charles Koechlin, Pierre Boulez, etc.

Claude Debussy (1862-1918):
En blanc et noir
Olivier Messiaen (1908-1992):
Visons de l’amen

Ralph van Raat, Hakon Austbo – pianos
Recording: 6-8 July, 2010, Haitinkzaal, Amsterdam, The Netherlands

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Alunos de P. Dukas em 1929 / Em pé: Paul Dukas, René Duclos, Georges Hugon, Maurice Duruflé / Sentados: Claude Arrieu, Olivier Messiaen.

Pleyel

Antonio Vivaldi (1678-1741): I Concerti di Dresda (Schreiber, Freiburg Baroque Orchestra)

Antonio Vivaldi (1678-1741): I Concerti di Dresda (Schreiber, Freiburg Baroque Orchestra)

Forte candidato a capa mais feia e nada a ver de todos os tempos, trata-se de um excelente disco da espetacular Orquestra Barroca de Freiburg, belíssima cidade que possui um time na segunda divisão alemã cuja camiseta é igual à do Flamengo do Rio. Após estas informações essenciais à fruição do CD, diria que este é um exemplar muito germanizado do grande compositor veneziano que, por ser COMUNISTA, era chamado de “Il Prete Rosso” ou O PADRE VERMELHO. Como os comunas comiam criancinhas, Vivaldi foi trabalhar num orfanato para meninas chamado Ospedale della Pietà. Era um padre menos safado que os atuais, que parecem preferir MENINOS. Sua música é maravilhosa, mas os publicitários, em vez de ouvi-la quietos, preferem estragá-la em propagandas. O Concerto da Primavera das Quatro Estações, por exemplo, é capaz de me provocar enjoo quando acompanhado de imagens ensolaradas de crianças correndo num parque, vendendo a liberdade que só determinada fralda ou supermercado dá.

Antonio Vivaldi (1678-1741): I Concerti di Dresda (Schreiber, Freiburg Baroque Orchestra)

1. Concerto In G Minor, R. 577: 1. Allegro Gottfried von der Goltz 3:49
2. Concerto In G Minor, R. 577: 2. Largo Non Molto Gottfried von der Goltz 2:17
3. Concerto In G Minor, R. 577: 3. Allegro Gottfried von der Goltz 3:34

4. Concerto In F Major, R. 569: 1. Anne-Katharina Schreiber 4:43
5. Concerto In F Major, R. 569: 2. Grave Anne-Katharina Schreiber 2:54
6. Concerto In F Major, R. 569: 3. Allegro Anne-Katharina Schreiber 4:48

7. Concerto In G Minor, R. 576: 1. Allegro Gottfried von der Goltz 4:48
8. Concerto In G Minor, R. 576: 2. Larghetto Gottfried von der Goltz 2:14
9. Concerto In G Minor, R. 576: 3. Allegro Gottfried von der Goltz 4:01

10. Concerto In C Major, R. 192: 1. Allegro Freiburg Baroque Orchestra 1:34
11. Concerto In C Major, R. 192: 2. Largo Freiburg Baroque Orchestra 0:45
12. Concerto In C Major, R. 192: 3. Allegro Freiburg Baroque Orchestra 0:57
13. Concerto In C Major, R. 192: 4. Allegro Freiburg Baroque Orchestra 2:01

14. Concerto In F Major, R. 574: 1. Allegro Gottfried von der Goltz 4:17
15. Concerto In F Major, R. 574: 2. Grave Gottfried von der Goltz 3:24
16. Concerto In F Major, R. 574: 3. Allegro Gottfried von der Goltz 3:30

Anne-Katharina Schreiber, violino
Gottfried von der Goltz, regência, violino
Freiburg Baroque Orchestra

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— Jamais ouvirei um vermelho — disse o Idiota Bolsonarista .

PQP

Robert Schumann – Sinfonias – Marek Janowski, Dresdner Philharmonie

Retorno a Schumann pouco mais de um ano depois de ter postado estas mesmas sinfonias, porém com a leitura de Heras-Casado dirigindo a poderosa Filarmônica de Munique. Naquela postagem comentei o quanto amo estas sinfonias, e quanto elas me fazem bem, me deixam de bem com a vida.

Um ano mais velho, agora já sexagenário, retorno a elas, tentando captar novas emoções e sentimentos, e de cara já digo que as emoções já estão mais a flor da pele, e que alguns sentimentos esquecidos com a loucura do dia a dia retornam com força quando ouço essa música tão poderosa. Marek Janowski é um maestro experiente, e neste registro que ora vos trago, dirigindo a Dresdner Philharmonie, sim, orquestra da mesma Dresden tão bem descrita e homenageada em postagem acima do mano PQPBach. Creio que por terem passado por tantas privações, dores e sofrimentos com o bombardeio na Segunda Guerra Mundial seus moradores e músicos se tornaram ainda mais sensíveis e emotivos, e com razão.

Nós passaremos por esse mundo, mas estas quatro obras primas do repertório sinfônico continuarão presentes e empolgando e emocionando novas gerações de ouvintes. A música de Schumann procura nos mostrar um mundo ideal, mas sabemos que as coisas não são assim tão simples. Então, por trás de camadas  harmônicas de beleza cativante, e por vezes estonteantes, somos envolvidos em processos e estruturas complexas  que nos mostram que nem tudo são flores. Espero que apreciem.

01. Symphony No. 1 in B-Flat Major, Op. 38 Spring I. Andante un poco maestoso – Allegro molto vivace – Animato
02. Symphony No. 1 in B-Flat Major, Op. 38 Spring II. Larghetto
03. Symphony No. 1 in B-Flat Major, Op. 38 Spring III. Scherzo. Molto vivace – Trio I & Trio II. Molto più vivace
04. Symphony No. 1 in B-Flat Major, Op. 38 Spring IV. Allegro animato e grazioso – Andante – Poco a poco accelerando
05. Symphony No. 2 in C Major, Op. 61 I. Sostenuto assai – Un poco più vivace – Allegro ma non troppo
06. Symphony No. 2 in C Major, Op. 61 II. Scherzo – Trio I – Trio 2 – Coda. Allegro vivace
07. Symphony No. 2 in C Major, Op. 61 III. Adagio espressivo
08. Symphony No. 2 in C Major, Op. 61 IV. Allegro molto vivace
09. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 I. Lebhaft (Vivace)
10. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 II. Scherzo. Sehr mäßig (Molto moderato)
11. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 III. Nicht schnell (Moderato)
12. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 IV. Feierlich (Maestoso)
13. Symphonie No. 3 in E-Flat Major, Op. 97 V. Lebhaft (Vivace)
14. Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 I. Ziemlich langsam (Lento assai) – Lebhaft (Vivace)
15. Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 II. Romanze. Ziemlich langsam (Lento assai)
16. Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 III. Scherzo – Trio. Lebhaft (Vivace)
17. Symphony No. 4 in D Minor, Op. 120 IV. Langsam (Lento) – Lebhaft (Vivace) – Schneller (Più animato) – Presto

Dresdner Philharmonie
Marek Janowski – Condutor

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.: interlúdio :. “Nigerian Marketplace” – Oscar Peterson Trio ֎

.: interlúdio :. “Nigerian Marketplace” – Oscar Peterson Trio ֎

Grande jazz, uma gravação soberba e nos deixamos levar por essa música mágica que faz bem para o coração e para a cabeça.     [Debernardi]

45:43 é pouco mais do que a duração de uma metade de um jogo de futebol. Se levarmos em conta a famosa cera dos ‘jogatores’ e os descontos com as consultas ao VAR, é bem menos do que meio jogo de futebol. Mas, esse disco com esse ‘Total Time’ é por demais precioso! Uma verdadeira joia, música para satisfazer e alegrar as mais diversas audiências. Eu tenho o CD desde os primórdios. Uma amiga recém-chegada de uma temporada de estudos na BigApple me emprestou alguns de seus CDs de jazz em troca de meus poucos de música clássica e eu me apaixonei. Assim, logo que tive alguma oportunidade, fui comprando minhas próprias cópias daqueles maravilhosos discos. Com o tempo, fui aprendendo mais sobre os músicos e sobre as histórias dos próprios discos. Esse aqui, “Nigerian Marketplace”, merece ter sua história mais divulgada, assim como ser ouvido por muitas pessoas.

Lá pelos anos 1970 Oscar Peterson era um pianista veterano e junto com um grupo de excelentes músicos, se juntou a Norman Granz no novo selo musical nomeado Pablo. O pessoal já havia trabalhado com ele, desde os dias da Verve. O disco desta postagem é fruto dessa colaboração e foi gravado ao vivo, no Montreux Jazz Festival, em 16 de julho de 1981. Veja o que Granz conta no livreto do álbum: Nos últimos dois anos, Oscar Peterson, entre aparições pessoais, vem compondo uma obra importante intitulada “ÁFRICA”. O que começou como uma canção em homenagem ao líder nacionalista negro sul-africano, Nelson Mandela, que estava preso, e sua esposa, Winnie, inevitavelmente se transformou em um épico de grande escala. Peterson chamou o primeiro tema, da suíte ainda inacabada, de “Nigerian Marketplace”. No verão passado, julho de 1981, ele se apresentou no Festival de Jazz de Montreux com Niels-Henning Ørsted Pederson no baixo e Terry Clarke na bateria e, como surpresa, incluiu esta composição em seu programa. O público ficou encantado com sua linha melódica assombrosa, e foi um sucesso estrondoso.

A propósito, Herbie Hancock se apresentou no programa da mesma noite, e acredito que o competitivo Peterson, inspirado pelo colega pianista que tanto o aprecia (e de quem ele gosta reciprocamente), fez uma apresentação magnífica. 

Ao lançar este álbum do concerto, convenci Peterson a permitir a inclusão de “Nigerian Marketplace”, não apenas como uma prévia da suíte completa, mas como uma apresentação única por si só.

  1. Nigerian Marketplace (O. Peterson)
  2. Au Privave (C. Parker)
  3. Medley: Misty (E. Garner) & Waltz For Debby (B. Evans)
  4. Nancy With The Laughing Face (J. VanHeusen, P. Silvers)
  5. Cakewalk (O. Peterson)
  6. You Look Good To Me (C. Wells, S. Lefco)

Oscar Peterson, piano

Niels-Henning Ørsted Pederson, baixo

Terry Clark, bateria

Produção: Norman Granz

Gravado ao vivo na Suiça, em 16 de julho de 1981

Veja mais informações sobre o disco aqui.

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MP3 | 320 KBPS | 173 MB

Norman Granz, grande figura…

Immaculate bass performance, possibly my favorite contrabass sound and playing out of any jazz recording, feels like this guy is effortlessly materializing bubbles of air out of his fingers just by waving his hand in the air.

Obviously peterson is amazing – who would have known ?! – and the drummer is very solid… but that bass man. This album used to be my favorite jazz album and though i don’t listen to it very often nowadays, i still enjoy the whole of its running time whenever i decide to revisit it. Definitely recommended.

Viram, recomendado!

Aproveitem!

René Denon

In Memoriam Arthur Moreira Lima – Coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – Parte 5 de 11: Volumes 6, 15, 17 & 33 (Chopin II, IV, V & IX)

 

Para honrar a memória e celebrar o legado extraordinário de Arthur Moreira Lima, um dos maiores brasileiros de todos os tempos, publicaremos a integral da coleção Meu Piano/Três Séculos de Música para Piano – seu testamento musical – de 16 de julho, seu 85° aniversário, até 30 de outubro de 2025, primeiro aniversário de seu falecimento. Esta é a quinta das onze partes de nossa eulogia ao gigante.


Partes:   I   |   II   |   III   |   IV   |   V   |   VI   |   VII   |   VIII   |   IX   |   X   |   XI

Nem como o general de pijama que sempre brincava que seria, se tivesse largado a Música e seguido feito um Dodge a partir do Colégio Militar, nem assim Arthur Moreira Lima teria colecionado tantas medalhas – o que se torna no mínimo curioso quando nos apercebemos do quão cético ele, de longe e com sobras o mais laureado pianista brasileiro, era quanto a capacidade da diminuta janela de um concurso mostrar com justiça os horizontes artísticos dos jovens aspirantes que, sob os tomates do júri, passam por sua esteira rolante…

… ou corredor-polonês.

O corredor-polonês de Arthur foi, por óbvio, o VII Concurso Internacional Chopin em Varsóvia, realizado em 1965 durante um inverno de trincar os dentes. Durante os dois anos em que se preparou, sob a supervisão de vários veteranos do concurso e do onipresente mestre Rudolf Kehrer, nosso herói estudou até dez horas por dia e submeteu-se a simulações das etapas da competição, tocando seu programa completo ante auditórios lotados de exigentes plateias moscovitas.  O carioca de Estácio chegou a Varsóvia, em suas próprias palavras, na ponta dos cascos, e já nos teria enchido de orgulho por tão só capitanear a delegação de concorrentes do mítico Conservatório de Moscou naquela competição amplamente dominada por pianistas da sovietosfera até a edição anterior, vencida por um socialista milanês de 18 anos que, nas palavras do jurado Arthur Rubinstein, tocava “mais que qualquer um de nós”.

Ecce puer

Arthur, que sempre estranhou o silêncio de seus compatriotas enquanto estudava em Moscou, foi surpreendido por um convite, a meros dois meses do embarque para Varsóvia, para representar o Brasil no Chopin’65. O jovem até então inscrito, um mineirinho de tenros vinte anos, desistira de participar, e só então se lembraram do mais tricolor dos moscovitas, a quem ofereceram uma ajuda de custo que sumiu no éter tão rapidamente quanto o próprio convite.

Levava jeito, o mineirim.

Especialista no extraordinário, o carismático brasileiro que tocava mais russamente que os próprios russos  tornou-se instantaneamente o favorito das plateias de Varsóvia, tão pouco afeitas a russos quanto prontas a acolher quem honrasse a arte de seu mais célebre gênio. Bem mais que um concurso para jovens músicos, o Concurso Chopin é sobretudo uma festa nacional polonesa, uma celebração de orgulho de uma nação que uma vez mais se reconstruía após agressão estrangeira, e era um cenário ideal para que o rapaz de mãos destemidas e pontiagudo e chopiniano perfil causasse sensação cada vez que pisava o palco.

Arthur toca, Frederico observa.

Arthur venceu com facilidade a primeira etapa, que selecionou 36 candidatos, e classificou-se em segunda posição na segunda, ao fim da qual restaram doze candidatos. A terceira etapa, que previa a execução da peça de confronto, obrigatória a todos os candidatos (o Noturno em Mi bemol maior, Op. 55 no. 2), e de uma Sonata a escolher, foi um triunfo. Enquanto todos os concorrentes preferiram a brilhante Sonata em Si menor, Arthur foi o único a tocar a doída Sonata em Si bemol menor. A Marcha Fúnebre e o Finale, com as frenéticas figurações em oitavas paralelas, causaram frenesi no público, cujos aplausos chamaram o Chopinzinho de volta ao palco quatorze vezes. Nosso homem em Varsóvia venceu a etapa, o prêmio especial do júri pela melhor interpretação de uma sonata, e qualquer resistência que ainda pudesse haver a ele na imprensa polonesa:

Interpretou [a Sonata] de maneira extremamente bela, dir-se-ia fantástica”
“Não foram ouvidos [no Concurso] concentração e silêncio iguais (…) ao decorrer de sua execução da Marcha Fúnebre da Sonata em Si bemol menor”
“Tocou o Noturno de maneira formidável, e a Sonata (…) ultrapassou todas as previsões”
“Incomparável (…) o som parecia sair acima do piano, sem toques ao teclado”
“Foi o herói principal de ontem”
“… em sua interpretação da ‘Sonata em Si bemol menor’ somos forçados a usar a palavra ‘genial'”

Chegou favoritíssimo entre os seis finalistas e, para a prova final com orquestra, também fez uma escolha muito pessoal: em lugar do Concerto em Mi menor, algo mais brilhante, tocado por nove entre dez finalistas do Concurso, preferiu o Concerto em Fá menor, camerístico e intimista, e seu favorito desde que o estudara sob sua mestra em Paris, Marguerite Long. Arthur não foi nada mal, mas cometeu alguns erros, e seu piano, engolido pela orquestra, não brilhou como nas etapas anteriores. Classificou-se em quinto na final e conquistou o segundo lugar geral. Entre 2100 pontos possíveis, ficou apenas meio ponto atrás da vencedora, uma argentina que era um verdadeiro huracán e, a despeito duma preparação tumultuada após maternidade, divórcio, disputas pela guarda da filha e alguns anos longe do piano, era uma máquina de acertar e, como muitos já sabiam, uma das maiores pianistas de todos os tempos.

“¿Qué mirás, bobo?”

Ficar com a prata e apenas meio ponto atrás duma figura tão genial em nada chateou Arthur. Ao final do corredor-polonês, viu-se catapultado, juntamente com a guapísima bonaerense, para a fama mundial. Qualquer ressaca que restasse após vinte e três dias de tanta tensão e concentração teria sido liquidificada pela turnê pós-concurso, em que, aliviado pelo dever cumprido, deu com imensa alegria dez recitais, todos abarrotados de poloneses ansiosos para ver e ouvir o brazylijski Szopen. O retrogosto deixado por aqueles quase dois meses em Varsóvia renderia numerosos retornos ao país para concertos e recitais, uma das mais estupendas gravação do Rach 3 em todos os tempos (que já publicamos aqui) e outras duas participações no Concurso Chopin. Na primeira delas, em 1975, deu um recital como pianista convidado – e façam um favor a si mesmos e escutem esse noturno, que nunca ouvi mais lindo em minha vida:

Na outra, em 2021, participou como jurado, substituindo Martha Argerich e Nelson Freire. Sua ex-concorrente, de quem se tornara amigo, estava no Rio para cuidar de Nelson no que infelizmente seriam as últimas semanas de vida do mestre brasileiro, e indicou Arthur para as cadeiras que deixaram no júri.

Jurado em ação

De sua participação sensacional na sétima edição do Concurso Chopin conheciam-se, por muito tempo, apenas as gravações publicadas na coleção da Caras em 1999, que encontrarão no final dessa postagem. Posteriormente, o Instituto Nacional Fryderyk Chopin de Varsóvia (NIFC) traria a conta-gotas algumas outras, incluindo o lançamento comercial da eletrizante prova final do duelo portenho-carioca, que lhes ofereço aqui. Os ouvidos do mundo precisaram aguardar sessenta anos para que a integral das provas de Arthur viesse à tona, numa parceria entre o NIFC e – sempre ele – o Instituto Piano Brasileiro, do inestimável Alexandre Dias:


O “Chopin Brasileiro” também brilharia no Concurso Internacional de Leeds em 1969. Muito mais descontraído que suas disputadas contrapartes no Leste Europeu (Arthur sempre se lembrava dum jurado que dizia aos concorrentes que tivessem calma, porque a vida era bem mais que tão só tocar piano), o Concurso adolescente recém chegava a sua terceira edição. Cheio de idiossincrasias, em especial pelo fato dos concertos na final não serem tocados na íntegra, acabou marcado por uma decisão controversa: em lugar dos três finalistas previstos no regulamento, a última etapa incluiu cinco participantes. Virada de mesa ou marmelada? Deixo para vocês decidirem. Apenas lhes digo que ela aconteceu por pressão dos patronos do Concurso para corrigir o que consideraram um erro crasso dos jurados, que eliminaram um jovem pianista romeno que era o favorito do público e, no final, sairia vencedor:

Nunca dissemos que a vida de Arthur foi fácil em concursos…

Nosso herói, que estava entre os três finalistas originais, escolheu tocar uma vez mais o fatídico Fá menor de Chopin, e classificou-se em terceiro lugar. Não conhecemos qualquer gravação das provas, mas parte do repertório do Concurso foi gravado pelos laureados em estúdio logo após a premiação, e veio à tona graças a – cornucópia de tesouros do (de quem mais?) Instituto Piano Brasileiro. Amo as interpretações de Arthur, mas são os Improvisos de Schubert sob o mago Lupu – seu amigo e colega no Conservatório de Moscou – que me assombram e me fazem quase assinar embaixo da virada de mesa. É ouvir para crer:


A glória final de Arthurzinho, o Concurseiro, dar-se-ia em território muito familiar: a Grande Sala do Conservatório Tchaikovsky de Moscou, onde ele – para usar um dos termos futebolísticos que lhe eram tão caros – “jogaria em casa” no Concurso com o nome de Pyotr Ilyich, que chegava à sua quarta edição em 1970. Com trinta anos e já no limite superior da idade para esse tipo de evento, ele participou da equipe do Conservatório, capitaneada por Vladimir Krainev, que acabaria por dividir o primeiro prêmio com o britânico John Lill. Não obstante, fez bonito num repertório que tocaria de olhos vendados, e conquistou o terceiro lugar. De sua participação conservaram-se gravações de duas etapas – incluindo a final, uma supermaratona pianística com o Concerto no. 1 de Tchaikovsky e o no. 3 de Rachmaninov tocados em sequência, e que nos foi trazida pelo – surpresa, surpresa – Instituto Piano Brasileiro:

IV Concurso Internacional Tchaikovsky – Primeira Etapa (e eu miacabo com a expressão de Rudolf Kehrer)

IV Concurso Internacional Tchaikovsky – Terceira etapa (final)


Ingresso para a primeira etapa do Concurso Internacional Chopin de 1965
Capa do livro de candidatos do Concurso Internacional Chopin de 1965


Biografia de Arthur Moreira Lima no livro de candidatos do Concurso Internacional Chopin de 1965, com o programa de sua participação.
Diploma de Arthur Moreira Lima como vencedor do Segundo Prêmio do Concurso Internacional Chopin de 1965. Essa imagem, bem como todas as outras que envolvem Arthur nessa postagem, foi fornecida pelo próprio artista ao Instituto Piano Brasileiro, que gentilmente autorizou sua divulgação.

ARTHUR MOREIRA LIMA – MEU PIANO/TRÊS SÉCULOS DE MÚSICA PARA PIANO
Coleção publicada pela Editora Caras entre 1998-99, em 41 volumes
Idealizada por Arthur Moreira Lima
Direção artística de Arthur Moreira Lima e Rosana Martins Moreira Lima


Volume 6: CHOPIN II

Fryderyk Francyszek CHOPIN (1810-1849)

Grande Valsa Brilhante para piano em Mi bemol maior, Op. 18
1 – Vivo

Grandes Valsas Brilhantes para piano, Op. 34
2 – No. 1 em Lá bemol maior
3 – No. 2 em Lá menor
4 – No. 3 em Fá maior

Grande Valsa para piano em Lá bemol maior, Op. 42
5 – Vivace

Três Valsas para piano, Op. 64
6 – No. 1 em Ré bemol maior
7 – No. 2 em Dó sustenido menor
8 – No. 3 em Lá bemol maior

Duas Valsas para piano, Op. 69
9 – No. 1 em Lá bemol maior
10 – No. 2 em Si menor

Três Valsas para piano, Op. 70
11 – No. 1 em Sol bemol maior
12 – No. 2 em Fá menor
13 – No. 3 em Ré bemol maior

Valsas para piano, Opus póstumo
14 – Em Mi menor, Op. Posth., B. 56
15 – Em Mi maior, B. 44
16 – Em Lá bemol maior, B. 21
17 – Em Mi bemol maior, B. 46
18 – Em Mi bemol maior, B. 133
19 – Em Lá menor, B. 150

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: American Academy Hall, Nova York, Estados Unidos, 1982
Produção e engenharia de som: Judith Sherman
Supervisão: Jay K. Hoffman
Piano: Steinway & Sons, Nova York
Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima (1998)

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Volume 15: CHOPIN IV

Fryderyk CHOPIN

Dos Três Noturnos para piano, Op. 9:
1 – No. 2 em Mi bemol maior
2 – No. 3 em Si maior

Dos Três Noturnos para piano, Op. 15:
3 – No. 2 em Fá sustenido maior

Dois Noturnos para piano, Op. 27
4 – No. 1 em Dó sustenido menor
5 – NO. 2 em Ré bemol maior

Dos Dois Noturnos para piano, Op. 48:
6 – No. 1 em Dó menor

Dois Noturnos para piano, Op. 55
7 – No. 1 em Fá menor
8 – No. 2 em Mi bemol maior

Dos Dois Noturnos para piano, Op. 62:
9 – No. 1 em Si maior

Noturno para piano em Dó sustenido menor, Op. Póstumo
10 – Lento con gran espressione

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: Rosslyn Hill Chapel, Hampstead, Londres, Reino Unido, 1998
Engenheiro de som: Peter Nicholls
Idealização e direção musical: Arthur Moreira Lima
Idealização, direção musical, produção e edição: Rosana Martins Moreira Lima
Piano: Steinway & Sons, Hamburgo
Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima

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Volume 17: CHOPIN V

Fryderyk CHOPIN

Duas Polonaises para piano, Op. 26
1 – No. 1 em Dó sustenido menor
2 – No. 2 em Mi bemol menor

Duas Polonaises para piano, Op. 40
3 – No. 1 em Lá maior, “Militar”
4 – No. 2 em Dó menor, “Fúnebre”

Polonaise para piano em Fá sustenido menor, Op. 44
5 – Moderato

Polonaise para piano em Lá bemol maior, Op. 53, “Heroica”
6 – Maestoso

Polonaise-Fantaisie para piano em Lá bemol maior, Op. 61
7 – Allegro maestoso

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: American Academy Hall, Nova York, Estados Unidos, 1983
Produção e engenharia de som: Judith Sherman
Supervisão: Jay K. Hoffman
Piano: Steinway & Sons, Nova York
Remasterização: Rosana Martins Moreira Lima (1998)

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Volume 33: CHOPIN IX

Fryderyk CHOPIN

Dos Doze Estudos para piano, Op. 10:
1 – No. 8 em Fá maior
2 – No. 12 em Dó menor, “Revolucionário”

DosDoze Estudos para piano, Op. 25:
3 – No. 5 em Mi menor
4 – No. 10 em Si menor

Sonata para piano no. 2 em Si bemol menor, Op. 35
5 – Grave – Doppio movimento
6 – Scherzo
7 – Marche funèbre: Lento
8 – Finale: Presto

Dos Vinte e quatro Prelúdios para piano, Op. 28:
9 – No. 21 em Si bemol maior
10 – No. 22 em Sol menor
11 – No. 23 em Fá maior

Scherzo para piano no. 2 em Si bemol menor, Op. 31
12 – Presto

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação ao vivo no VII Concurso Internacional Fryderyk Chopin, na Grande Sala da Filarmônica de Varsóvia, Polônia, entre fevereiro e março de 1965.
Remasterização: Carlos Freitas (1998)

Das Quatro Mazurcas para piano, Op. 17:
13 – No. 4 em Lá menor

Das Quatro Mazurcas para piano, Op. 30:
14 – No. 4 em Dó sustenido menor

Das Quatro Mazurcas para piano, Op. 68:
15 – No. 4 em Fá menor

Das Quatro Mazurcas para piano, Op. 41:
16 – No. 1 em Dó sustenido menor

Arthur Moreira Lima, piano

Gravação: Moscou, União Soviética, 1971
Remasterização: Carlos Freitas, 1999

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“5ª parte da entrevista do pianista Arthur Moreira Lima a Alexandre Dias, em que ele falou sobre como foi participar de grandes concursos de piano entre 1965 e 1970, e sobre sua histórica premiação no IV Concurso Tchaikovsky, em Moscou, Rússia, em que tocou na final o 1º Concerto de Tchaikovsky e o 3º Concerto de Rachmaninoff, sendo aclamado pelo público. Falou sobre o efeito que isto teve sua carreira, abrindo novas oportunidades para tocar na URSS e na Europa, e comentou algumas importantes gravações que realizou no início da década de 1970, incluindo o Concerto No.1 de Villa-Lobos. Além disso, mencionou alguns recitais de grandes pianistas a que assistiu na época, como por exemplo Rubinstein e Michelangeli, e falou um pouco sobre sua própria filosofia como intérprete. Comentou sobre sua mudança para Viena, Áustria, tendo tocado inclusive no Musikverein. Por fim, falou sobre a gravação antológica que realizou em 1975 de músicas de Ernesto Nazareth para a gravadora Marcus Pereira, mudando a história deste compositor, do piano brasileiro, e de sua própria carreira, devido aos novos caminhos que lhe foram abertos. Arthur comentou sobre como foi o processo de gravação em Londres, a escolha de repertório com a colaboração do pesquisador Mozart de Araújo e do próprio Marcus Pereira, e a repercussão que os discos causaram no Brasil.”

 

Em homenagem a Fluminense Moreira Lima, seguimos com o álbum de figurinhas dos campeões da Copa Rio de 1952. Na imagem, o meia Edson Caires de Souza, o Edson Pão Duro.

Vassily

Robert Schumann (1810-1856): Cenas Infantis, Papillons e Arabesque (Kempff, piano)

Wilhelm Kempff (1895-1991) foi um dos pianistas mais longevos e mais gravados do período após a 2ª Guerra: um dos poucos alemães sem passado de simpatia pelo partido nazista, foi o favorito da gravadora DG também por este motivo, mas é claro que havia outras razões… As suas sonoridades e andamentos mais suaves e tranquilos soavam, para muitos, como um alívio numa época em que grandes pianistas como V. Horowitz e S. Richter – além da então novata M. Argerich – gostavam de enfatizar os extremos de sangue, suor e lágrimas que impressionavam as plateias. Especialmente nas obras de Schumann, que, aliás, era um dos compositores favoritos desses três últimos pianistas que mencionei.

Kempff, então, era um pianista para paladares mais refinados, ele não enchia as suas sobremesas de açúcar, muito menos do hoje onipresente leite condensado. Isso pode ser bom ou ruim: muita gente ama e muita gente acha tediosa a sua integral de sonatas de Beethoven, mas talvez na primeira metade ele esteja mais no seu ambiente ideal (mais ou menos até a Sonata ao Luar ou a Pastoral, nº 14 e 15). O mesmo valeria para Schumann: as gravações que Kempff fez para a DG entre 1967 e 1974 têm sido relançadas em uma caixa de 4 CDs e eu diria que uma parte é excelente e outra é apenas mediana. A parte excelente é a que demanda do intérprete, justamente, menos paixões arrebatadoras. As Cenas Infantis são o destaque absoluto, com dedilhados de um grande mestre que conhece intimamente Robert Schumann, com quem já viveu muitas experiências. As outras obras dessa edição italiana são Papillons e Arabesque. Sem grandes dificuldades técnicas, são frequentemente tocadas por pianistas adolescentes porém, assim como os Noturnos de Chopin e o Arabesque de Debussy, permitem que um gigante como Kempff expresse várias coisas que, no final das contas, vão ser ignoradas pelos paladares menos refinados que só procuram grandes dificuldades técnicas e velocidades notáveis como em uma corrida de automóveis.

Robert Schumann (1810-1856):
1-13. 02. Kinderszenen (Cenas Infantis), Op. 15
14. Arabesque, Op. 18
15. Papillons (Borboletas), Op. 2
Wilhelm Kempff, piano
Recorded: Beethovensaal, Hannover, DE – 1967 (Papillons), 1971 (Kinderszenen), 1972 (Arabeske)
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Kempff ensaiando nos estúdios do PQP hall

Kempff também gravou Bach para a DG: duas suítes que muito agradaram ao colega René (aqui)

Pleyel