Depois do Bolero, aí está a versão que Larry Coryell fez pra obra de Stravinsky. Eu particularmente, achei sensacional, um respeito muito grande com a obra original.
Agora convenhamos, transcrever para violão uma obra de um nível de orquestração tão complexo quanto a Sagração da Primavera não é para qualquer um. E não pensem que Coryell parou por aqui com suas transcrições. Logo trarei a “Petrouschka” e novamente “As Quatro Estações”. Ah, estava esquecendo da “Sherazade” de Korsákov.
Ganhei esta gravação há uns vinte e poucos anos atrás, ainda no tempo das fitas cassetes, e lembro que a fita arrebentou de tanto que a ouvi. Dei um jeitinho, a prendi com durex, e ela continuou a tocar por mais algum tempo, até eu ter acesso ao CD.
01 Part I. The Adoration of The Earth
02 Part II. The Sacrifice
Finalmente a Deutsche Grammophon faz uma homenagem a um de seus principais maestros, Karl Böhm, e o faz com uma caixa de 23 cds com as últimas gravações que o maestro realizou em vida, diante de três orquestras, a saber, Sinfônica de Londres, de Viena e a de Dresden. Com o tempo trarei alguns cds dessa coleção.
Começo com algumas aberturas de Beethoven, e Böhm conhecia muito bem esse repertório, e também essa orquestra. Portanto, é difícil alguma coisa dar errada por aqui.
Espero que apreciem.
1. Music To Goethe’s Tragedy “Egmont” Op.84
2. Overture “Coriolan”, Op.62
3. The Creatures of Prometheus, Op.43
Assim como Ravel, Bartók tem uma notável obra sinfônica, mas não compôs “Sinfonias”. O mais próximo que chegou disso foi no belíssimo Concerto para Orquestra e, antes, nas 4 Peças Orquestrais. Os cinco movimentos do Concerto para Orquestra formam uma obra-prima da literatura musical do século XX. Escrito no exílio norte-americano em 1943, foi revisado em 1945 com Bartók já tomado pela leucemia. Mas não pensem numa música triste ou “de morte”. É antes uma composição de fé na humanidade ao final da Segunda Guerra que devastou sua Hungria. Sua estrutura lembra a dos Concerti Grossi barrocos, concertos onde não apareciam ainda um único e grande solista, mas sim vários deles dialogando. A linguagem é moderna e o resultado sensacional.
Bartók escreveu: “O título deste trabalho tem por objetivo de tratar os instrumentos individuais ou grupos de instrumentos de uma forma concertante ou solista. O tratamento “virtuose” aparece, por exemplo, nas seções em fugato do desenvolvimento do primeiro movimento (instrumentos de sopro) ou nas passagens do “perpetuum–móbile” que aparece como o principal tema no último movimento (cordas), e, principalmente, no segundo movimento. Quanto à estrutura, o primeiro e o quinto movimentos são escritos na “forma sonata” de uma maneira mais ou menos regular e o desenvolvimento do primeiro movimento contém seções em fugato para os metais, a exposição no final é um pouco prolongada, e seu desenvolvimento é uma fuga construída no último tema da exposição. Formas menos tradicionais são encontradas no segundo e terceiro movimentos. A parte principal do segundo movimento consiste em um encadeamento de pequenas seções independentes, tocados por instrumentos de sopro introduzido em pares (fagotes, oboés, clarinetes, flautas, trompetes com sordina) . Tematicamente, as cinco seções não têm nada em comum e pode ser simbolizado pelas letras A, B, C, D, E. O trio é um pequeno coral para metais e tambor seguindo as cinco seções, retomadas em uma instrumentação mais elaborada. A estrutura encadeia o segundo e o terceiro movimentos. Três temas são ouvidos sucessivamente, o que constitui o núcleo do movimento que é enquadrado por uma textura nebulosa de motivos mais rudimentares. O material temático deste movimento é derivado da “Introdução” do primeiro movimento. A forma do quarto movimento Intermezzo interrotto pode ser pensado baseado nas letras A, B, A – interrupção – B, A”.
Béla Bartók (1881-1945): Concerto for Orchestra / Orchestral Pieces, Op. 12
Então vamos encerrar mais uma caíxa.
Para quem não sabe, o instrumento chamado Recorder nada mais é que a nossa flauta doce, aquela mesma que iniciou muita gente na música, nos tempos de colégio. Minhas primeiras noções de música foram em um colégio de freiras, com uma freira que era excelente musicista, mas sua metodologia de ensino deixava a desejar. Mesmo assim, aprendi ali a identificar as notas, a soprar naquelas pequeninas flautas Yamaha. Aliás, ainda tenho a minha, desmontada, desafinada, mas guardada em algum recanto da minha eterna bagunça.
Mas voltando ao CD, o flautista Phillip Beckett é um craque com este instrumento, e dá um show com sua performance. A genialidade de Händel explorou todas as sutilezas, nuances e detalhes deste instrumento tão peculiar.
1 – Recorder Sonata in G major, HWV 358
2 – Recorder Sonata in C major, Op.17, HWV 365
3 – Recorder Sonata in D minor, Op.19a, HWV 367a
4 – Recorder Sonata in B flat major, HWV 377
5 – Recorder Sonata in G minor, Op.12, HWV 360
6 – Recorder Sonata in F major, Op.111, HWV 369
7 – Recorder Sonata in A minor, Op.14, HWV 362
8 – Trio Sonata in F major for 2 Recorders and bc, HWV 405
Estou trazendo mais dois volumes da coleção de música de câmara de Händel para concluir a série de Trio Sonatas. A formação básica continua a mesma, ou seja, dois violinos e baixo contínuo, este último podendo ser o cravo ou o violoncelo, ou ambos. O timaço de músicos liderado por John Holloway continua fazendo seu impecável trabalho.
CD 4
1 – Trio Sonata in A major for 2 Violins and bc (Op – 51) HWV396
2 – Trio Sonata in D major for 2 Violins and bc (Op – 52) HWV397
3 – Trio Sonata in E minor for 2 Violins and bc (Op – 53) HWV398
4 – Trio Sonata in G major for 2 Violins and bc (Op – 54) HWV399
5 – Trio Sonata in G minor for 2 Violins and bc (Op – 55) HWV400
6 – Trio Sonata in F major for 2 Violins and bc (Op – 56) HWV401
7 – Trio Sonata in B flat major for 2 Violins and bc (Op – 57) HWV402
CD 5
1 – Sinfonia in B flat major, HWV338
2 – Trio Sonata in F major for 2 Violins and bc, HWV392
3 – Trio Sonata in C minor for 2 Violins and bc (Op – 21a), HWV386a
4 – Trio Sonata in G minor for 2 Violins and bc, HWV393
5 – Trio Sonata in C major for 2 Violins and bc, HWV403
6 – Trio Sonata in E major for 2 Violins and bc, HWV394
John Holloway – Violin
Micaela Comberti – Violin
Alison Bury – Violin
Susan Sheppard – Cello
Robert Wooley – Harpsichord
Lucy Carolan – Harpsichord
Quando coloquei este CD no mp3 do carro, não demorou muito para o Prestes protestar:
— Ó, filho de Bach, esse troço é um lixo.
— Mas é Miles Davis.
— Não interessa, é um LIXO!
Logo depois, o Igor começou a teorizar, dizendo que poucos criadores e artistas sobreviveram ilesos ao mau gosto dos anos 80. Ambos têm razão. O Igor referiu-se à forma como a época imiscuiu-se na obra dos mais diversos criadores musicais com resultados quase sempre muitíssimo danosos e malcheirosos do ponto de vista artístico. Prestes disse que o álbum vermelho do conservador (do ponto de vista musical) Chico Buarque, lançado em 1984, possui coisas estranhas como aqueles sons — schuuupp, fiiiissst… — que acompanham a criançada se alimentando de luz. É verdade, não tinha me dado conta. Eu não sei o que houve naquela época. O disco, com suas baterias eletrônicas e seus tecladinhos com sons de estrelas tomaram conta do panorama de tal maneira que o melhor foi cobrir a cabeça com o travesseiro das músicas de qualquer outra época. Igor citou os Ramones como exemplo de dignidade e resistência ao ridículo. Miles Davis? Sim o grande Miles foi vitimado, soçobrando lamentavelmente.
(Neste momento, já em casa, minha filha revolta-se contra a versão a la Paul Mauriat ou André Rieu para Time after time (sim, de Cyndi Lauper) que está na faixa 7 do segundo CD.
— Pai, por que tu tens que ouvir essa droga?
Ah, se ela tivesse ouvido Human Nature… Eu estaria morto).
Bem, aqui temos dois CDs. O primeiro é o Tutu original. A única coisa que presta no disquinho é Tutu e Full Nelson, cujo nome correto deveria ser Full Prince, pois o anão de Minneapolis faz exatamente aquilo ali, só que muito melhor. O segundo CD é uma tentativa desesperada dos relançadores atuais de salvar a situação. É um álbum remasterizado de um concerto de Miles no Festival de Nice de 1986, nunca lançado antes. O CD é bom, as improvisações estão ali, mas não funciona. Era 1986 e há coisas de brochar qualquer vivente.
Tutu (uma homenagem a Desmond Tutu) foi lançado em dezembro daquele ano e, na verdade, deu nova feição à carreira de Miles. Para variar, a merda ganhou dois prêmios Grammy e recolocou o genial trompetista como uma grande estrela internacional. Nada mais imerecido. Como dizia minha mãe, que não costumava ouvir nunca porcarias, é MÚSICA PERECÍVEL. (Obrigado, Maria Luiza).
Quase todas as composições do disco são do baixista e produtor Marcus Miller. Aliás, como comentaram o Igor e o Prestes, foi uma tremenda sacanagem do cara. Ao lado de todo aquele mau gosto, de toda aquela distorção Bee Gees, há um baixo seguro e digno. Só. É Marcus Miller, que parece ter feito a bosta com a segunda intenção ser o único sobrevivente. Olha só: o trompete de Miles no Tutu original está sempre com surdina, as baterias são eletrônicas, os teclados abrem portais imaginários com fadinhas dentro. O único som humano é o do baixo e de um lá que outro sax. O resto está abaixo no nível do rio Mississipi, sob a água.
Mas foi um tremendo sucesso de público.
Eu acho engraçada a forma como é dividida a carreira do indiscutivelmente genial Miles Davis:
1 Juventude – de 1926 a 1944
2 Bebop e Birth of the Cool – de 1944 a 1955
3 Primeiro Grande Quinteto e Sexteto – de 1955 a 1958
4 Gravações com Gil Evans – de 1957 a 1963
5 Kind of Blue – de 1959 a 1964
6 Segundo Grande Quinteto – de 1964 a 1968
7 Elétrico Miles – de 1968 a 1975 8 Década Final – de 1981 a 1991 <– Ou seja, o grande equívoco, a MERDA que nem recebeu um título distinto da temporalidade que a caracterizasse.
9 Morte – 1991
Miles Davis — Tutu Remastered Album — Deluxe Edition (2011)
1. Tutu
2. Tomaas
3. Portia
4. Splatch
5. Backyard Ritual
6. Perfect Way
7. Don’t Lose Your Mind
8. Full Nelson
CD 2 Live At Nice Fest 1986
1. Opening Medley
2. New Blues
3. Maze
4. Human Nature
5. Portia
6. Splatch
7. Time After Time
8. Carnival
Miles Davis – trumpet
Marcus Miller – bass guitars, guitar, synthesizers, drum machine programming, bass clarinet, soprano sax, other instruments.
Jason Miles – synthesizer programming
Paulinho da Costa – percussion on “Tutu”, “Portia”, “Splatch”, Backyard Ritual”
Adam Holzman – synthesizer solo on “Splatch”
Steve Reid – additional percussion on “Splatch”
George Duke – all except percussion, bass guitar, and trumpet on “Backyard Ritual”
Omar Hakim – drums and percussion on “Tomaas”
Bernard Wright – additional synthesizers on “Tomaas” and “Don’t Lose Your Mind”
Michał Urbaniak – electric violin on “Don’t Lose Your Mind”
Jabali Billy Hart – drums, bongos
No filme abaixo, o violinista porto-alegrense Lavard Skou Larsen — amigo pessoal de PQP Bach — tira um sarro dos vibratos da insuportável e incompreensível violinista polonesa Anna Karkowska, espécie de Florence Foster Jenkins do instrumento. Lavard Skou Larsen é professor de violino na Universidade Mozarteum, em Salzburg, e da cadeira de prática de orquestra. Desde 1991, é fundador, maestro e diretor artístico da excelente Salzburg Chamber Soloists, de grande sucesso no mundo inteiro. Grava regularmente para os selos Naxos, Denon, CPO, Marco Polo, Stradivarius e Coviello Classics e, em 2004, assumiu o cargo de maestro titular da Deutsche Kammerakademie Neuss am Rhein (Alemanha).
No final do filme, vale a pena ouvir a versão vibrato (sic) da Noite Transfigurada, de Arnold Schoenberg…
Até agora, tinha pouca coisa desse impressionante pianista franco-cipriota (?) chamado Cyprien Katsaris. Sabia que ele gravou a integral das sinfonias de Beethoven em sua versão de Liszt para Piano, entre outras gravações elogiadas. Mas não conhecia o seu Chopin.
Não consegui ainda ter uma opinião formada, pois só tive acesso a esse material há pouco tempo atrás. Mas eu facilmente classificaria Katsaris, ao menos nas duas primeiras sonatas, como um Tsunami. A calmaria, e de repente, a agitação culminando com gigantes ondas, inundando tudo, não deixando pedra sobre pedra. Deixem um pouco de lado a emotividade a flor da pele da nossa querida e delicadíssima Khatia Buniatshivilli. Com Katsaris as emoções são mais fortes, diria até mesmo mais explícitas.
Na Terceira Sonata parece que ele se acalma um pouco, com um terceiro movimento, um Largo, quase perfeito.
Então, para os fãs de Chopin, e de que também gostam de fortes emoções, Cyprien Katsaris é o intérprete perfeito.
01 Chopin Piano Sonata No. 1 – I. Allegro maestoso
02 II. Menuetto
03 III. Larghetto
04 IV. Finale- Presto
05 Chopin Piano Sonata No. 2 – I. Grave – Doppio movimento
06 II. Scherzo
07 III. Marche funebre
08 IV. Finale- Presto
09 Chopin Piano Sonata No. 3 – I. Maestoso
10 II. Scherzo
11 III. Largo
12 IV. Finale- Presto, non tanto
Já há algum tempo que eu estava organizando esta postagem do compositor tcheco Bohuslav Martinu. Somente agora tomei a atitude de fazê-lo. Fiquei com dúvida sobre qual versão postar. Tenho uma outra gravação dessas mesmas sinfonias com Neeme Järvi. O fato é que escolhi esta gravação com Vaclav Neumann de modo instintual. Achei necessário que ela aparecesse primeiro. Explicação? Nenhuma. Apenas o fato de talvez eu ter ouvido primeiro a gravação com o Neumann, patrício de Martinu, morto no ano de 1995. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!
Bohuslav Martinu (1890-1959): Sinfonias completas de 1 a 5 e Fantasia Sinfônica (Sinfonia Nº 6)
DISCO 1
Symphony No. 1, H. 289 37min22
01. Moderato
02. Allegro.Poco moderato. Allegro come prima
03. Largo
04. Allegro non troppo
Symphony No. 2, H. 295 23min40
05. Allegro moderato
06. Andante moderato
07. Poco allegro
08. Allegro
DISCO 2
Symphony No. 3, H. 299 28min36
01. Allegro poco moderato
02. Largo
03. Allegro
Symphony No. 4, H. 305 33min29
04. Poco moderato. Poco allegro 00:07:00
05. Allegro vivo. Moderato (Trio). Allegro vivo 00:08:59
06. Largo 00:10:03
07. Poco allegro 00:07:11
Ué, o FDPBach tá ficando louco? Postando o mesmo cd duas vezes seguidas …
Não, meus queridos, aqui é outra coisa. Deixe-me explicar: Coryell lançou sua primeira “versão” do “Bolero” de Ravel em LP em 1981, que foi o disco que postei ontem.
Dois anos depois ele voltou a encarar o desafio, mas desta vez, deixou que a improvisação corresse solta, não que ele não tenha improvisado no LP, mas aqui o próprio nome da faixa dá a dica: “Improvisations on ‘Bolero'” . E foi essa a “versão” que tive o privilégio de assistir ao vivo, em 1994.
Aqui a coisa é mais solta. Munido novamente de um violão com cordas de aço, ele descontrói a peça clássica de Ravel, dá um nó, bate no liquidificador, enfim, tudo o que um grande improvisador pode e deve fazer. Em Floripa, ouvi alguns comentários vindos de poltronas atrás de mim que diziam que aquilo que ele estava tocando não era o “Bolero”. Claro que são pessoas que não tinham muita familiaridade com a proposta do músico, nem tinham o costume de ouvir Jazz.
01 – Improvisation on ‘Bolero’
02 – Nothing Is Forever
03 – Something for Wolfgang Amadeus
04 – Prelude from ‘Tombeau de Couperin’
05 – Elegancia del Sol
06 – Fancy Frogs
07 – 6 Watch Hill Road
08 – Blues in Madrid
09 – Motel Time
10 – At the Airport
11 – Brazilia
12 – A Piece for Larry
13 – La Pluie
14 – Waltz No. 6
15 – Patty’s Song
E já que estamos falando de adaptações, variações, músicos tocando fora de sua praia, resolvi trazer essa impressionante leitura do tradicional Bolero de Ravel por um dos maiores mestres da guitarra no jazz, Larry Coryell. De quebra, ele ainda encara “Noches En Los Jardines De Espana”.Um espanto esse cara.
Fazem vinte e um anos, se não estou enganado, quando tive a oportunidade de vê-lo tocando ao vivo em Floripa. Uma tradicional rádio da cidade promoveu sua vinda, e tivemos uma amostra do MÚSICO que Larry Coryell é, assim mesmo escrito, em letras maiúsculas. Tocou com músicos brasileiros, baianos, na época ele andava muito pelo Brasil, mas na maior parte do tempo, esteve sentado em um banquinho, tendo seu violão com cordas de aço como companhia. Também tocou uma das mais belas versões de “Roun´ Midnight” que já tive a oportunidade de ouvir. Quem esteve presente naquela noite jamais esquecerá.
Na verdade, Coryell gravou alguns discos tocando adaptações de peças clássicas, como “Petrouchka”, de Stravinsky e “Sherazade” do Rimsky-Korsákov, e até mesmo “As Quatro Estações”, que já postei por aqui, mas devido a problemas de ordem técnica, o link se perdeu.
O único defeito desse disco que ora vos trago é sua curta duração, pouco mais de meia hora. Mas lhes garanto que serão trinta e poucos minutos de puro virtuosismo e amor ao instrumento.
Deliciem-se.
01 Bolero
02 Noches En Los Jardines De Espana
03 Zapateado, Op.23 No.2
Mais uma gravação das Goldberg para a minha coleção, dessa vez com um dos ídolos do blog, o cara que apresentou Bach para muita gente, ainda nos anos cinquenta, sessenta e setenta. Enfim, Karl Richter foi um dos grandes nomes quando se fala em interpretação da obra de Johann Sebastian Bach. Podemos até não concordar com algumas leituras, mas ninguém é doido a ponto de negar a importância dele na divulgação da obra de Papai Bach.
Estas Variações Goldberg que ora vos trago podem parecer pesadas para alguns ouvidos mais acostumados com outras gravações, entre tantas existentes no mercado. Gustav Leonhardt, que foi um dos maiores intérpretes de Bach de todos os tempos, e mais recentemente Pierre Häntai são os meus favoritos, sem esquecer de Ralph Kirpatrick, que me apresentou estas obras, em um belíssimo LP da Arkiv, e que ouvi primeiramente ainda na minha infância. Glenn Gould causou alvoroço quando gravou essas variações lá em 1955, mas no piano. Ao cravo, os três nomes citados acima são os meus favoritos.
Então, mortais, deleitem-se com Karl Richter tocando as Variações Goldberg.
01. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Aria
02. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 1 a 1 Clav.
03. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 2 a 1 Clav.
04. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 3 Canane all’Unisono a 1 Clav.
05. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 4 a 1 Clav.
06. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 5 a 1 ovvero 2 Clav.
07. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 6 Canone alla Seconda a 1 Clav.
08. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 7 a 1 ovvero 2 Clav. Al temp…
09. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 8 a 2 Clav.
10. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 9 Canone alla Terza a 1 Clav.
11. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 10 Fugetta a 1 Clav.
12. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 11 a 2 Clav.
13. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 12 Canone alla Quarta (a 1 C…
14. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 13 a 2 Clav.
15. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 14 a 2 Clav.
16. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 15 Canone alla Quinta in mot…
17. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 16 Ouverture a 1 Clav. Andante
18. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 17 a 2 Clav.
19. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 18 Canone alla Sesta a 1 Clav.
20. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 19 a 1 Clav.
21. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 20 a 2 Clav.
22. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 21 Canone alla Settima (a 1…
23. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 22 a 1 Clav. Alla breve
24. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 23 a 2 Clav.
25. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 24 Canone all’Ottava a 1 Clav.
26. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 25 a 2 Clav. Adagio
27. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 26 a 2 Clav.
28. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 27 Canone alla Nona a 2 Clav.
29. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 28 a 2 Clav.
30. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 29 a 1 ovvero 2 Clav.
31. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Variatio 30 Quodlibet a 1 Clav.
32. J.S. Bach Goldberg Variations BWV 988 – Aria da Capo
Um dos grandes momentos da discografia de Claudio Abbado foi a gravação da integral das sinfonias de Mendelssohn frente à Sinfônica de Londres. A cumplicidade entre a orquestra e o maestro era muito grande, e essas leituras que ele realizou das sinfonias e aberturas do grande compositor de Leipzig mostram isso claramente nesta gravação que ora vos trago, que tem a Sinfonia n°3, conhecida como “Escocesa” além de algumas aberturas.
Já comentei anteriormente como gosto destas sinfonias de Mendelssohn. São alegres, espirituosas, me deixam de bem com a vida. Este fantástico compositor viveu pouco mas nos legou uma quantidade de obras de altíssimo nível.
Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847): Symphony N°3 / The Fair Melusina / Trumpet Overture / Ruy Blas
1 Sym No 3 in A minor Op 56 ‘Scottish’ – 1 Andante con moto_ Allegro un poco agitato
2 Sym No 3 in A minor Op 56 ‘Scottish’ – 2 Vivace non troppo
3 Sym No 3 in A minor Op 56 ‘Scottish’ – 3 Adagio
4 Sym No 3 in A minor Op 56 ‘Scottish’ – 4 Allegro vivacissimo_ Allegro maestoso assai
5 The Fair Melusina Overture Op 32
6 Trumpet Overture – Op 101
7 Ruy Blas – Op 95
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado – Conductor
Uma importante gravação do passado. Ultra-romântico, o violinista de lentes grossas Wolfgang Schneiderhan carregava em cores pouco utilizadas em nossos dias. O cara foi spalla da Orquestra Filarmônica de Viena e mantinha, paralelamente, uma carreira solo.. Esqueçamos seu passado no Partido Nazista. Afinal, entrou na coisa aos 15 anos, em 1940. Engraçado como, em outra gravação, Ferenc Fricsay deixou Schneiderhan mais calmo do que ele aparece aqui, fazendo berrar seu violino com a utilização de uma força descomunal. Devia ter calosidades nas mãos. Mas o resultado é bom, mas só depois que paramos de rir de certos exageros.
Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino (completas)
1 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.1 in G, Op.78 – 1. Vivace ma non troppo 10:39
2 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.1 in G, Op.78 – 2. Adagio 7:47
3 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.1 in G, Op.78 – 3. Allegro molto moderato 7:55
4 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.2 in A, Op.100 – 1. Allegro amabile 8:01
5 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.2 in A, Op.100 – 2. Andante tranquillo – Vivace – Andante – Vivace di più – Andante vivace 5:46
6 Brahms: Sonata for Violin and Piano No.2 in A, Op.100 – 3. Allegretto grazioso (Quasi andante) 5:06
7 Brahms: Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor, Op.108 – 1. Allegro 7:28
8 Brahms: Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor, Op.108 – 2. Adagio 4:50
9 Brahms: Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor, Op.108 – 3. Un poco presto e con sentimento 2:37
10 Brahms: Sonata for Violin and Piano No 3 in D minor, Op.108 – 4. Presto agitato 5:40
11 Brahms: Scherzo in C minor for violin & piano (from the FAE-Sonata) 5:28
Para não me alongar demais, esse CD com a gravação dos concertos para piano de Chopin com o Rubinstein me acompanha há mais de 30 anos, e pretendo que me acompanhe até o final de meus dias. Trata-se de um daqueles cds que com certeza iria me acompanhar se eu fosse para uma ilha deserta.
Vão surgir,e já surgiram outros grandes pianistas que gravaram estes concertos, ou que vão gravar, em gravações memoráveis, mas, assim como o Segundo de Brahms com o Kovacevich, para mim essas são as gravações definitivas destas obras primas. Rubinsten nasceu com um dom absoluto, capaz de transformar notas musicais em poesia, e assim como um bom vinho, quanto mais velho ficava, melhor tocava. Conhecia estas obras de cor, e com sua postura impecável, seu fraseado elegante e sempre com olhos fechados, sentia cada nota, cada silëncio. Um fenômeno da natureza. E tenho dito.
Um gravação decepcionante do grande Dudamel. Um Brahms frouxo e bastante sem graça este realizado pela orquestra norte-americana do venezuelano. Ficou tudo muito parecido com o time do Inter, que ronda a área adversária sem penetrar. Deixemos estas lentidões para quem sabe, alguém tipo Celibidache ou Ademir da Guia. Na boa, não me caiu bem esta versão.
Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia Nº 4
1 Brahms: Symphony No.4 In E Minor, Op.98 – 1. Allegro non troppo 14:02
2 Brahms: Symphony No.4 In E Minor, Op.98 – 2. Andante moderato 12:15
3 Brahms: Symphony No.4 In E Minor, Op.98 – 3. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I 6:22
4 Brahms: Symphony No.4 In E Minor, Op.98 – 4. Allegro energico e passionato – Più allegro 11:46
Já ouvi estas duas obras em mais de uma dúzia de versões, mas estas aqui do Robert King estão entre as melhores. São absolutamente espetaculares. Nem vou falar muito, apenas recomendar a leitura do booklet que anexei ao arquivo compactado, que lhes darão todas as informações necessárias.
Enquanto subo o arquivo para o pqpshare vou aumentar o volume e ir ali fora apreciar o nascer da lua sob os morros que cercam minha casa. Um espetáculo dessa natureza tem direito a uma trilha sonora a altura.
01 – Musick For The Royal Fireworks – 1. Ouverture
02 – Musick For The Royal Fireworks – 2. Bourrée
03 – Musick For The Royal Fireworks – 3. La Paix
04 – Musick For The Royal Fireworks – 4. La Réjouissance
05 – Musick For The Royal Fireworks – 5. Menuet I & II
06 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 1. Ouverture
07 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 2. Adagio & Staccato
08 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 3. Allegro; Andante; Allegro
09 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 4. Menuet
10 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 5. Air
11 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 6. Menuet
12 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 7. Bourrée
13 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 8. Hornpipe
14 – Water Music, Suite In F, HWV348 – 9. Andante
15 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 01. Ouverture
16 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 02. Alla Hornpipe
17 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 03. Menuet
18 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 04. Rigaudon
19 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 05. Lentement
20 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 06. Bourrée
21 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 07. Menuet I
22 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 08. Menuet II
23 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 09. Country Dance I & II
24 – Water Music, Suite In D-G, HWV349-50 – 10. Trumpet Menuet
Em mais uma ação surpreendentemente ágil de nosso SAC, eis o CD com obras de Antonio Salieri cujos links tinham sido perdidos no naufrágio do Megaupload. A verve de Claudio Scimone e seus Solisti Veneti valoriza as obras desse bom compositor. Paul Badura-Skoda, como esperado, brilha ao pianoforte e mostra que merece outras aparições aqui no PQP Bach. Lembro, aliás, duma aparição sua com a Orquestra Sinfônica de Dogville, nos idos anos 80: uma ave-do-paraíso solando com javalis.
Ah, o tal Francesco Salieri que compõs a Tempesta del Mare que completa o álbum foi o irmão mais velho de Antonio e, também, seu primeiro professor.
Vassily
POSTAGEM ORIGINAL DE CARLINUS EM 30/8/2010
Salieri foi um importante músico à sua época. Cabe ainda ao compositor a honra de ter sido professor de Liszt, de Schubert e Beethoven. Reinou absoluto em seus dias. Suas peças tomaram os salões da Europa. Foram reverenciadas, apreciadas. Era o compositor oficial da Corte do príncipe José II da Áustria. Hoje, não se dá o mesmo crédito a Salieri como se dá a Mozart ou a Haydn, por exemplo. Em torno do compositor gravitam as mais questionáveis fábulas. Após o filme Amadeus (1984), que ganhou 7 oscares, há a retratação de um Salieri invejoso do génio de Mozart e medíocre musicalmente. Tal imagem é resultante da liberdade ficcional dos realizadores do filme, não correspondendo à figura histórica do compositor. Potocas à parte, o fato é que ainda não conhecia as obras deste delicioso CD. Aparece ainda o desconhecido Francesco Salieri. Boa apreciação!
Antonio Salieri (1750-1825) – Concerto para pianoforte e Orquestra in B flat major, Concerto para flauta, oboé e orquestra em C maior
Concerto for Fortepiano and Orchestra, B-flat major
1. Allegro moderato
2. Adagio
3. Tempo di Minuetto
Concerto for Flute, Oboe, and Orchestra, C major
4. Allegro spirituoso
5. Largo
6. Allegretto
Francesco Salieri (1741-?) – Sinfonia “Tempesta di Mare” em B flat maior
Sinfonia “La Tempesta di Mare”, B-flat major
7. Allegro
8. Andante
9. Allegro assai
I Solisti Veneti & Claudio Scimone, Director
Paul Badura-Skoda, pianoforte
Clementine Hoogendoorn, flute
Pietro Borgonovo, oboe
A natureza tem sido generosa conosco nestes últimos dias cá pras bandas do sul do país, e está nos proporcionando um veranico de julho, com dias belíssimos, surpreendentemente quentes, e noites iluminadas por uma Lua Cheia magnífica. Ontem, inclusive tivemos a famosa Lua Azul, ou Blue Moon.
Então, em homenagem a estes belos dias, nada como belíssimas obras para servirem de trilha sonora para a nossa desgastante rotina. Portanto, dou prosseguimento ao Festival Händel, voltando hoje à obra de câmara do genial compositor, que nunca me decepciona. E a prova disso está nestas obras que estão gravadas neste terceiro CD, desta preciosíssima caixa, que traz as Trio Sonatas, op. 2, e novamente o destaque fica por conta deste excepcional músico que é John Holloway.
Deleitem-se, mortais.
1 Trio Sonata in B minor for Flute, Violin and bc (Op – 21) HWV386b
2 Trio Sonata in G minor for 2 Violins and bc (Op – 22) HWV387
3 Trio Sonata in B flat major for 2 Violins and bc (Op – 23) HWV388
4 Trio Sonata in F major for Recorder, Violin and bc (Op – 24) HWV389
5 Trio Sonata in G minor for 2 Violins and bc (Op – 25) HWV390
6 Trio Sonata in G minor for 2 Violins and bc (Op – 26) HWV391
John Holloway – Violin
Micaela Comberti – Violin
Stephen Preston – Flute
Philip Pickett – Recorder
Susan Sheppard – Cello
Robert Wolley – Harpsichord
John Toll – Harpsichord
Um enorme talento aliado a uma sensualidade à flor da pele, assim eu poderia descrever a georgiana Khatia Buniatishvili. Já nos seus vinte e oito anos de idade, ela continua desfilando talento pelos palcos e nos cds, quando se entrega de corpo e alma à música. Sua descrição da música de Chopin meio que traduz o que pretendo dizer:
“Chopin´s music is like a breath of a young soul, with no time to be indifferent to love”.
Detalhe: este é apenas o segundo CD da moça, lançado em 2002. Mas mesmo tão jovem, se entrega como gente grande à profundidade da música de Chopin. Extrava-se não apenas uma sensualidade inerente á idade, mas principalmente, uma sensibilidade única, e isso é um dom, não apenas técnica e talento, que transmite à sua interpretação uma maturidade única para alguém tão jovem.
Lembro que todos os grandes músicos sempre retornaram a estas obras para, depois de anos de estrada, de prática e principalmente de maturidade, reforçarem o que tem efetivamente a expressar a respeito, acrescentando todos estes anos de maturidade à sua técnica e sensibilidade.
Khatia Buniatischvili tinha vinte e cinco anos de idade quando gravou este CD, e já se expressava como alguém com anos de estrada, de experiência, de maturidade. Imagina o que vai fazer quando estiver mais adentrada em anos, como dizia minha mãe, e encarar essas obras primas chopinianas.
O CD é impecável, mas meu destaque fica com a minha amada Balada nº 4, cujo antigo LP de Arthur Rubinstein riscou de tanto que ouvi na minha adolescência e início de vida adulta.
Sem mais, vamos ao que viemos.
01 – Waltz in C sharp minor Op.64 No.2 Tempo giusto
02 – Sonata No.2 in B flat minor Op.35 I. Grave-Doppio movimento
03 – Sonata No.2 in B flat minor Op.35 II. Scherzo
04 – Sonata No.2 in B flat minor Op.35 III. Marche funebre. Lento
05 – Sonata No.2 in B flat minor Op.35 IV. Finale. Presto
06 – Ballade No.4 in F minor Op.52 Andante con moto
07 – Piano Concerto No.2 in F minor Op.21 I. Maestoso
08 – Piano Concerto No.2 in F minor Op.21 II. Larghetto
09 – Piano Concerto No.2 in F minor Op.21 III. Allegro vivace
10- Mazurka in A minor Op.17 No.4 Lento ma non troppo
Khatia Buniatishvili – Piano
Orchestre de Paris
Paavo Järvi – Conductor
Então vamos acabar essa coleção, trazendo os dois últimos cds, com as duas últimas sinfonias compostas por esse incrível compositor.
A sinfonia nº14 foi composta para uma orquestra de câmara, que consiste apenas de cordas e percussão, e vozes solistas, aqui com uma soprano, Yevgenia Tselovalnik, e um incrível baixo, Yevgeni Nesterenko. O adagio inicial, baseado em um poema de Lorca, é uma loucura. Enfim, cada movimento da sinfonia é baseada em um poema, devidamente descritos abaixo, na relação das faixas. A Sinfonia nº 15, ao contrário da anterior, pede uma orquestra completa, foi a última que Shostakovich compôs, em 1971, e sua estréia ocorreu em 1971, sob a direção de Maxim Shostakovich, filho do compositor. A gravação que ora vos trago, continua sobe a batuta competentíssima de Kirill Kondrashin.
Ah, de bônus os senhores terão apenas o Segundo Concerto para Violino, com ninguém mais ninguém menos que David Oistrakh. É mole, ou tá bom assim?
01. Symphony No. 15 in A major, Op. 141 I. Allegretto
02. Symphony No. 15 in A major, Op. 141 II. Adagio
03. Symphony No. 15 in A major, Op. 141 III. Allegretto
04. Symphony No. 15 in A major, Op. 141 IV. Adagio – Allegretto
05. Concerto for Violin and Orchestra No. 2 in C-sharp minor, Op. 129 I. Moderato
06. Concerto for Violin and Orchestra No. 2 in C-sharp minor, Op. 129 II. Adagio
07. Concerto for Violin and Orchestra No. 2 in C-sharp minor, Op. 129 III. Adagio – Allegro
Esse não é o Jazz Contemporaries que Freddie Hubbard montou em 1957 com James Spaulding e Larry Ridley. É o grupo cujo único rastro é esse raríssimo disco, uma gravação ao vivo no Village Vanguard em 13/02/1972, lançado pela lendária Strata-East. Rip de vinil, fora de catálogo (como a maioria das edições da Strata).
E, por pura falta de informações disponíveis, isso é tudo* que eu tenho a dizer sobre a postagem de hoje.
Ah! Embora os discos da Strata-East tenham forte relação com o soul jazz (spiritual, afro etc), esse é um caso de “aumenta que isso aí é post-bop”. Aproveite a oportunidade de ouvir Watkins e seu french horn — e Coleman tem tanto fôlego que não só derrubaria a casa dos porquinhos como os sopraria a 3km de distância. O lado B é absolutamente fantástico. Não sei porque permitem que esse disco permaneça esquecido.
Jazz Contemporaries – Reasons In Tonality (1972)
Lado A: Reasons In Tonality 24:00
Composed By – Julius Watkins
Lado B: 3-M.B. 22:45
Composed By – Keno Duke
Bass – Larry Ridley
Drums – Keno Duke
French Horn – Julius Watkins
Piano – Harold Mabern
Saxophone [Tenor] – Clifford Jordan, George Coleman
REVALIDADO POR VASSILY em 31/7/2015 e, novamente, em 6/6/2020
Apesar das intrigas dos infieis, nossopachorrento SAC (Serviço de Atendimento ao Chororô) não é nem a casa de tolerância, nem o balde de estrume que alguns dizem ser, não.
Provo: anteontem um pessoal pediu para revalidar os links dessa baita gravação dos Caprichos de Paganini com Shlomo Mintz e – voilà – eis que eles ressurgem aqui sob a guarda do ultraconfiável servidor PQPShare – não, não há servidor confiável.
Faço minhas as palavras do camarada FDP: a gravação é um banquete pantagruélico de dificuldades de arrepiar os cabelos. O israelense Mintz – apesar de já ter as madeixas ruivas naturalmente arrepiadas – tira de letra, sem arrepios adicionais, as velhaquices propostas por Paganini. Os contemporâneos acreditavam que o legendário violinista e compositor, distinto tanto pelo virtuosismo quanto pelo que chamaram de “fealdade fascinante”, estudara violino com o Cramulhão. Mintz logra uma proeza inatingível a uma boa parte dos intérpretes, com ou sem a mãozinha do Canhoto: fazer estas peças horrendamente difíceis soarem como música, que chega até – como no célebre Capricho no.24 – a ser muito boa.
A impressão que realmente se tem é de que as possibilidades técnicas do instrumento estejam todas exploradas, tocadas e exauridas – ainda que nessa obra, estranhamente, o cadavérico genovês não tenha lançado mão dos célebres harmônicos duplos (efeitos semelhantes a silvos, muito agudos e de difícil execução) de que tanto abusou em seus concertos.
Vassily Genrikhovich
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POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH, EM 7/5/2013
O cara tem de ter um pé na insanidade para encarar a gravação destes 24 caprichos de Paganini, porque o negócio não é brincadeira não. Não conheço o linguajar técnico do violino, mas acho que todas as possibilidades do instrumento foram exploradas nestas pequenas peças para violino solo. Reconheço que ainda prefiro seus concertos para violino de Paganini e que esse excesso de técnica e virtuosismo me cansa por vezes, mas não seria louco a ponto de dizer que Shlomo Mintz não dá um show de interpretação e de virtuosismo neste CD e que não tem uma técnica apuradíssima. O ruivinho mata a pau… Divirtam-se…
01. Capriccio 1 – Andante en mi major
02. Capriccio 2 – Moderato en si minor
03. Capriccio 3 – Sostenuto – Presto – Sostenuto en mi minor
04. Capriccio 4 – Maestoso en do minor
05. Capriccio 5 – Agitato en la minor
06. Capriccio 6 – Lento en sol minor/
07. Capriccio 7 – Posato en la minor
08. Capriccio 8 – Maestoso en mi bemol major
09. Capriccio 9 – Allegretto en mi minor
10. Capriccio 10 – Vivace en sol minor
11. Capriccio 11 – Andante – Presto – Tempo I en do major
12. Capriccio 12 – Allegro en la bemol major
13. Capriccio 13 – Allegro en si bemol major
14. Capriccio 14 – Moderato en mi bemol major
15. Capriccio 15 – Posato en mi minor
16. Capriccio 16 – Presto en sol minor
17. Capriccio 17 – Sostenuto – Andante en mi bemol major
18. Capriccio 18 – Corrente – Allegro en do major
19. Capriccio 19 – Lento – Allegro assai en mi bemol major
20. Capriccio 20 – Allegretto en re major
21. Capriccio 21 – Amoroso – Presto en la major
22. Capriccio 22 – Marcato en fa major
23. Capriccio 23 – Posato en mi bemol major
24. Capriccio 24 – Tema, Quasi Presto – Variazioni – Finale en la minor
Um disco de música sacra desta que é uma das maiores estrelas do canto lírico atual. Ela canta maravilhosamente peças que, na verdade, tira de letra. É uma utilidade, pois raramente um duo de voz e órgão é gravado, ainda mais neste nível. Aqui, ela passa por Franz Schubert, Johann Sebastian Bach, Hugo Wolf, Maurice Ravel, Bizet, Verdi, Purcell… e outros compositores dos quais a gente nem sabia de momentos carolas. Sabiam que ela vai gravar todas as canções de Schubert em uma série de recitais no Wigmore Hall? Ah, pois é, as pessoas têm de se informar. Vai gravar, sim..
Prayer: Música para Voz e Órgão com Magdalena Kozena e Christian Schmitt
Franz Schubert (1797-1828)
1. Totengräbers Heimweh, D 842 05:42
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
2. Komm, süßer Tod, komm, sel’ge Ruh!, BWV 478 03:16
Hugo Wolf (1860-1903)
3. Karwoche 03:54
Maurice Ravel (1875-1937)
4. Kaddisch 04:34
Georges Bizet (1838-1875)
5. Agnus Dei 03:08
Franz Schubert (1797-1828)
6. Ellens Gesang III (Hymne an die Jungfrau), D 839 05:44
Hugo Wolf (1860-1903)
7. Mühvoll komm ich und beladen 04:42
Henry Purcell (1659–1695)
8. Tell Me, Some Pitying Angel (The Blessed Virgin’s… 07:15
Antonin Dvorak (1841-1904)
9. Ave Maria, Op.19b 03:01
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
10. So gibst du nun, mein Jesu, gute Nacht!, BWV 501 02:10
Franz Schubert (1797-1828)
11. Himmelsfunken, D 651 02:54
Hugo Wolf (1860-1903)
12. Zum neuen Jahr 01:43
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
13. Die güldne Sonne, BWV 451 01:13
Franz Schubert (1797-1828)
14. Vom Mitleiden Mariä, D 632 03:46
Hugo Wolf (1860-1903)
15. Schlafendes Jesukind 03:11
Franz Schubert (1797-1828)
16. Litanei auf das Fest Allerseelen, D 343 04:41
Giuseppe Verdi (1813–1901)
17. Ave Maria 05:03
Hugo Wolf (1860-1903)
18. Gebet 02:02
Franz Schubert (1797-1828)
19. Der Leidende, D 432 01:52
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
20. Mein Jesu, was für Seelenweh, BWV 487 02:32
Maurice Duruflé
21. Notre Père, Op.14 01:25
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
22. Kommt, Seelen, dieser Tag, BWV 479 01:06
Petr Eben (1929-2007)
23. Die Hochzeit zu Kana 06:54
Leos Janacek (1854-1928)
24. Glagolitic Mass – 7. Varhany Solo 02:53
Magdalena Kozena, mezzo-soprano
Christian Schmitt, órgão
Eu, PQP Bach, estava em férias e voltei hoje. Sou uma humilde pessoa que não ganha muito, mas que guarda algum. Então, estive em Londres, Roma e Praga, onde — adivinhem? — assisti um monte de concertos. O Rudolfinum de Praga à beira do Moldávia… A Saint-Martin-in-the-fields… O Queen Elisabeth Hall… O Royal Festival Hall… O Barbican Hall… O festival The Rest is Noise, baseado na obra de Alex Ross no Southbank Center…
Então, ainda sob a influência destes 20 maravilhosos dias, deixo para vocês um CD espetacular e cheio de prêmios Diapason d`Or, Choc, etc.
O Quarteto Schumann interpreta dois Quartetos para Piano, um melhor do que o outro. É música da melhor qualidade e a interpretação é sensacional.
Ernest Chausson (1855-1899) / Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano
Ernest Chausson (1855-1899)
Piano Quartet in A major Op.30
1. Piano Quartet in A major Op.30 : Animé 11:55
2. Piano Quartet in A major Op.30: Très calme 10:07
3. Piano Quartet in A major Op.30: Simple et sans hâte 4:05
4. Piano Quartet in A major Op.30: Animé 12:19
Gabriel Fauré (1845-1924)
Piano Quartet no.1 in C minor Op.15
5. Piano Quartet N°1 in C minor Op.15 : Allegro molto moderato 9:57
6. Piano Quartet N°1 in C minor Op.15 : Scherzo (Allegro vivo) 5:40
7. Piano Quartet N°1 in C minor Op.15 : Adagio 7:18
8. Piano Quartet N°1 in C minor Op.15 : Allegro molto 8:11