Sempre tive receio de discos com Dowland, Byrd e seus contemporâneos. Mas sou obrigado a retirar quaisquer restrições a este CD de Andreas Scholl e Concerto di Viole. Em primeiro lugar porque Scholl é espetacular, inigualável; seu cantar de contratenor realmente pertence a outro mundo. Em segundo lugar pelo extraordinário repertório escolhido. Disco perfeito para iniciar o domingo em beleza e paz.
Obs.: o CD original possui 21 faixas de canções escolhidas. Mas só obtive as 11 primeiras. Se alguém encontrar o CD completo em mp3, favor deixar o link nos comentários. Mesmo assim, vale a pena ouvir as 11 primeiras faixas deste tremendo trabalho.
John Dowland and his contemporaries: Crystal Tears
1. John Dowland: Go crystal tears 6:29
2. John Ward: Fantasia No. 4 3:30
3. John Dowland: Now, O now, I needs must part 4:32
4. John Dowland: Go nightly cares 4:02
5. John Ward: Fantasia No. 3 2:55
6. John Dowland: Sorrow, come! 3:59
7. John Dowland: Semper Dowland, semper dolens 3:31
8. John Dowland: The Lady Rich her galliard 2:04
9. Robert Johnson: Have you seen the bright lily grow? 2:51
10. William Byrd: Though Amaryllis dance in green 3:43
11. John Bennet: Venus’ birds whose mournful tunes 3:35
As Missas que fecham a coleção de Gardiner são esplêndidas. a Missa de Teresa e a Missa em Tempo de Guerra são obras-primas. Se a segunda é reflexiva, a primeira é cheia de melodias arrebatadoras e inesquecíveis, tanto que este que vos escreve não ouvia a Teresa há vinte anos e começou a cantá-la como se a tivesse ouvido ontem. Aqui, novamente, não se nota muita distinção entre religioso e profano. As Missas de Haydn são carregadas de elementos profanos e nelas se sente a sombra do sinfonista, que se revela no contraste entre os solistas e o coro e no estilo concertante. São sinfonias corais. Belíssimas sinfonias corais.
Disc 3:
Mass for soloists, chorus, organ & orchestra in B flat major (“Theresienmesse”), H. 22/12
1. Kyrie – Kyrie 5:03
2. Gloria – Gloria 2:35
3. Gratias – Gratias 6:56
4. Quoniam – Quoniam 2:51
5. Credo – Credo 1:51
6. Et incarnatus – Et incarnatus 3:44
7. Et resurrexit – Et resurrexit 4:03
8. Sanctus – Sanctus 2:16
9. Benedictus – Benedictus 6:17
10. Agnus Dei – Agnus Dei 2:30
11. Dona nobis pacem – Dona nobis pacem 3:58
Missa in Tempore belli, for soloists, chorus, organ & orchestra in C major (“Paukenmesse”), H. 22/9
12. Kyrie – Kyrie 4:45
13. Gloria: Gloria in excelsis Deo – Gloria: Gloria in excelsis Deo 2:40
14. Gloria: Qui tollis peccata mundi – Gloria: Qui tollis peccata mundi 4:39
15. Gloria: Quoniam tu solus sanctus – Gloria: Quoniam tu solus sanctus 2:23
16. Credo: Credo in unum Deum – Credo: Credo in unum Deum 1:10
17. Credo: Et incarnatus est – Credo: Et incarnatus est 3:57
18. Credo: Et resurrexit tertia die – Credo: Et resurrexit tertia die 4:16
19. Sanctus – Sanctus 2:21
20. Benedictus – Benedictus 5:47
21. Agnus Dei – Agnus Dei 2:58
22. Dona Nobis – Dona Nobis 2:53
Monteverdi Choir
English Baroque Soloists
John Eliot Gardiner
A Missa Nelson ou Missa in Angustiis é o destaque deste segundo CD. Como estamos atrasados, pediremos auxílio ao grande maestro Emanuel Martinez.
Quando Josef Haydn assumiu pela segunda vez o posto de mestre-capela do castelo Esterhazy, em Viena, ele tinha por incumbência compor a cada ano uma missa para festejar o dia onomástico da princesa Maria Josefa Emernegilda . A “Missa Nelson”, composta em 1798 por um Haydn aos 66 anos de idade e dono de uma muito fértil inspiração musical, é a terceira de uma série de seis grandes missas assim compostas.
A designação “Nelson” é com certeza um dado posterior à composição, como ocorre aliás com muitas outras obras suas, sobretudo com as sinfônias , denominadas a partir de um fato significativo das circunstâncias da estréia (ex. sinfonia da despedida) ou a partir de um elemento temático saliente (ex sinfonia do relógio).
“Missa in angustiis” (missa nos tempos de aflição) é seu primeiro nome, pois ela estava sendo composta em tempos muito difíceis, quando as ameaças das guerras napeleônicas afligiam a todos. E é num contexto napoleônico que seuge o nome Nelson, o almirante britânico que me 1 de agosto de 1798, exatamente quando Haydn compunha sua “Missa in angustiis”, abateu a frota de Napoleão na batalha de Abicur no Nilo. Dois anos mais tarde, num visita do mesmo almirante Nelson ao castelo do príncipe Estechazy onde Haydn era o mestre da música fez-se ouvir a “Missa in angustiis”. Esta poderia ter sido uma razão suficiente para que a missa passasse a se chamar “Missa de Nelson”.
A Orquestração usada por Haydn nesta obra destoa da riqueza orquestral diferenciada de suas últimas sinfonias. É que o compositor dispunha na ocasião apenas de uma orquestra reduzida, pois o príncipe Estehazy tinha demitido na época os instrumentistas de sopro, sobretudo as madeiras. Assim o coro e os solistas tem como acompanhamento a orquestra de cordas e a fanfarra às vezes militar, às vezes festiva dos trompetes e tímpanos.
Disc 2:
Mass for soloists, chorus, organ & orchestra in D minor (“Missa in Angustiis”, “Lord Nelson”, “Missa Nelson”), H. 22/11
1. Kyrie – Kyrie 4:39
2. Gloria: Gloria in excelsis Deo – Gloria: Gloria in excelsis Deo 3:30
3. Gloria: Qui tollis – Gloria: Qui tollis 4:27
4. Gloria: Quoniam – Gloria: Quoniam 2:45
5. Credo: Credo in unum Deum – Credo: Credo in unum Deum 1:41
6. Credo: Et incarnatus est – Credo: Et incarnatus est 4:05
7. Credo: Et resurrexit – Credo: Et resurrexit 3:36
8. Sanctus – Sanctus 2:26
9. Benedictus – Benedictus 6:12
10. Agnus Dei: Agnus Dei qui tollis – Agnus Dei: Agnus Dei qui tollis 2:48
11. Agnus Dei: Dona nobis pacem – Agnus Dei: Dona nobis pacem 2:29
Mass for soloists, chorus, organ & orchestra in B flat major (“Schöpfungsmesse”), H. 22/13
12. Kyrie – Kyrie 6:29
13. Gloria – Gloria 7:11
14. Quoniam – Quoniam 0:37
15. In gloria Dei patris – In gloria Dei patris 2:37
16. Credo – Credo 1:57
17. Et incarnatus est – Et incarnatus est 2:47
18. Et resurrexit – Et resurrexit 2:35
19. Et vitam venturi saeculi – Et vitam venturi saeculi 1:21
20. Sanctus – Sanctus 3:13
21. Benedictus – Benedictus 5:35
22. Agnus Dei – Agnus Dei 3:10
23. Dona nobis – Dona nobis 3:25
Monteverdi Choir
English Baroque Soloists
John Eliot Gardiner
As Missas de Haydn são um capítulo à parte da História da Música. São belíssimas e criticadíssimas. Em primeiro lugar, seriam alegres, felizes demais para o serviço religioso. Em segundo lugar, cada uma delas teria (e tem!) tal unidade que seriam inúteis para a igreja — onde normalmente as Missas são interrompidas pelas preces. Mas, gente, são tão lindas que as salas de concerto as abraçaram como se fossem filhas queridas que tivessem sofrido sequestros por parte de um comando de padres.
A Harmoniemesse que abre esta coleção é exuberante e feliz e a Heiligmesse não fica muito atrás. Agora, uma alerta: não se engane, estas 6 Missas compostas no final da década de 1790 para o patrão Esterházy são as melhores obras vocais de Haydn. Deixe as insinceras A Criação e As Estações de lado. Aqui está o verdadeiro tesouro. Gardiner não me deixa mentir.
Disc 1:
Mass for soloists, chorus, organ & orchestra in B flat major (“Harmoniemesse”. “Missa para Banda de Sopros”), H. 22/14
1. Kyrie – Kyrie 8:03
2. Gloria – Gloria 2:04
3. Gratias – Gratias 5:46
4. Quoniam – Quoniam 3:10
5. Credo – Credo 2:43
6. Et incarnatus – Et incarnatus 3:44
7. Et resurrexit – Et resurrexit 2:38
8. Et vivam venturi saeculi – Et vivam venturi saeculi 1:38
9. Sanctus – Sanctus 3:05
10. Benedictus – Benedictus 3:55
11. Agnus Dei – Agnus Dei 2:54
12. Dona nobis – Dona nobis 2:53
Missa Sancti Bernardi von Offida, for soloists, chorus, organ & orchestra in B flat major (“Heiligmesse”), H. 22/10
13. Kyrie – Kyrie 4:22
14. Gloria in excelsis Deo – Gloria in excelsis Deo 2:03
15. Gratias agimus tibi – Gratias agimus tibi 3:39
16. Quoniam tu solus Sanctus – Quoniam tu solus Sanctus 2:35
17. Credo in unum Deum – Credo in unum Deum 1:16
18. Et incarnatus est – Et incarnatus est 3:55
19. Et resurrexit – Et resurrexit 3:46
20. Sanctus – Sanctus 1:43
21. Benedictus – Benedictus 4:56
22. Agnus Dei – Agnus Dei 3:11
23. Dona nobis pacem – Dona nobis pacem 2:41
Monteverdi Choir
English Baroque Soloists
John Eliot Gardiner
Eis a segunda parte da postagem iniciada uma semana atrás, com 4 CDs de Debussy por Jean Martinon: agora são quatro de Ravel, e desta vez Martinon rege não a Orchestre de l’ORTF, mas a Orchestre de Paris.
Não quero falar muito, mas também não quero perder a oportunidade de dizer que não acredito na lenda de que Ravel era altamente criativo no início da carreira e teria decaído gradualmente, possivelmente devido aos graves problemas de saúde que o acompanharam em boa parte da vida, terminando por afetar seriamente o sistema nervoso central.
Acredito que Ravel seja, sim, um compositor desigual – mas qual não é, alguns em maior medida (como, entre nós, Caetano Veloso e Milton Nascimento), alguns em medida menor (como Chico Buarque)? Pois minha impressão é que Ravel é igualmente desigual em todas as épocas de sua vida.
Vejamos: aos 33 anos Ravel compôs algumas de suas peças que considero mais inspiradas – talvez até mesmo sua obra prima: os cinco movimentos originais de Ma Mère l’Oye (faixas destacadas em negrito no CD 5), baseados em contos de fadas e escritos inicialmente para piano a quatro mãos, como presente para duas não pouco privilegiadas garotinhas. Mais tarde o compositor os orquestrou, atingindo neles alguns de seus mais belos efeitos de instrumentação – mas ao mesmo tempo, tendo em vista um ballet, escreveu e enxertou mais seis movimentos que me parecem incomparavelmente inferiores – puro enchimento, ainda que cintilante. Exemplo da perda de inspiração que teria vindo com os anos? Ora, os seis movimentos complementares foram compostos meros três anos depois dos cinco originais – e vinte anos mais adiante encontramos Ravel produzindo os dois concertos para piano, que é preciso ser muito metido a besta para avaliar como obras de um compositor que perdeu sua inspiração e habilidades… (Ainda a propósito de Ma Mère l’Oye: muitos regentes optam por apresentar e gravar apenas os cinco movimentos originais. Assim, confesso que para meu uso pedi licença à sombra de Martinon e criei uma pasta separada só com eles).
Pra terminar o papo, duas curiosidades sobre solistas desta gravação: o solista de violino em Tzigane (última faixa da coletânea) é ninguém menos que Itzhak Perlman, então com 28-29 anos – e, mais surpreendente, quem faz o solo de corne inglês no segundo movimento do Concerto em Sol é Jean-Claude Malgoire – que a essa altura já dirigia o extraordinário conjunto renascentista e barroco que é La Grande Écurie et la Chambre du Roy.
CD 5
01. Bolero (ballet) (Marcel Galiègue, trombone)
02. Une Barque Sur L’Ocean (Miroirs: No.3) MA MERE L’OYE (ballet)
03. Prelude
04. Premier Tableau: Danse Du Rouet et Scene
05. Deuxieme Tableau: Pavane De La Belle Au Bois Dormant
06. Interlude
07. Troisieme Tableau: Les Entretiens De La Belle Et De La Bete
08. Interlude
09. Quatrieme Tableau: Petit Poucet
10. Interlude
11. Cinquieme Tableau: Laideronnette, Imperatrice Des Pagodes
12. Interlude
13. Sixieme Tableau: Le Jardin Feerique . . .
14. Alborada Del Gracioso (Miroirs: No.4) (Andre Sennedat, fagote) RAPSODIE ESPAGNOLE
15. I: Prelude A La Nuit
16. II: Malaguena
17. III: Habanera
18. IV: Feria
CD 6
01. Sheherazade: ouverture de féerie
02. La Valse (poème choregraphique) LE TOMBEAU DE COUPERIN
03. I: Prelude
04. II: Forlane
05. III: Menuet
06. IV: Rigaudon
07. Menuet Antique
08. Pavane Pour Une Infante Defunte – Michel Garcin-Marrou, trompa VALSES NOBLES ET SENTIMENTALES
09. 1. Moderé
10. 2. Assez Lent
11. 3. Moderé
12. 4. Assez Animé
13. 5. Presque Lent
14. 6. Assez Vif
15. 7. Moins Vif
16. 8. Epilogue: Lent
CD 7
DAPHNIS ET CHLOE (symphonie choréorgraphique)
Avec les Choeurs du Theatre National de L’Opera
01. Première partie: Introduction
02. Danse Religieuse
03. Scene
04. Danse Generale
05. Scene
06. Danse Grotesque de Dorcon
07. Danse Legere et Gracieuse de Daphnis
08. Scene
09. Nocturne
10. Danse Lente et Mysterieuse des Nymphes
11. Interlude
12. Deuxième partie: Introduction
13. Danses Guerrieres et Diverses
14. Danse Suppliante de Chloe
15. Troisième partie: Introduction
16. Lever du Jour
17. Pantomime
18. Danse Generale – Bacchanale
CD 8 CONCERTO POUR LA MAIN GAUCHE (Aldo Ciccolini, piano)
01. Lento
02. Piu Lento
03. Allegro CONCERTO EN SOL MAJEUR
(Aldo Ciccolini, piano; Jean-Claude Malgoire, solo cor anglais)
04. I: Allegramente
05. II: Adagio Assai
06. III: Presto TZIGANE – rapsodie de concert pour violon et orchestre
(Itzhak Perlman, violon)
07. Lento, Quasi Cadenza – Moderato
Jean Martinon regendo a Orchestre de Paris (1973-74)
Na tarde de 18 de Junho de 1964, Eric Dolphy caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros, que não sabiam que ele era diabético, pensaram que ele (como acontecia a muitos jazzistas) havia tido uma overdose, deixaram-no, então, num leito até que passasse o efeito das “drogas”. E Dolphy morreu após tal coma diabético. Aos 36 anos. Bastava-lhe uma injeção.
Sua música foi absolutamente extraordinária. Saxofonista de grande peso, primeiro claronista importante como solista no jazz, excelente flautista. Em todos esses instrumentos era um impecável improvisador. Seu estilo caracterizava-se por uma anárquica torrente de ideias, Fato que faz com alguns o coloquem erradamente no free jazz, erro imperdoável para quem faz blues tão melodiosos. Este Outward Bound é uma obra-prima absoluta. Confiram Dolphy, mas também a espetacular banda que o acompanha.
Eric Dolphy Quintet: Outward Bound
1. G.W.
2. On Green Dolphin Street
3. Les
4. 245
5. Glad To Be Unhappy
6. Miss Toni
7. G.W. (Alternate Take 1)
8. 245 (Alternate Take 1)
9. April Fool
O Quinteto:
Eric Dolphy: alto saxophone, bass clarinet, flute;
Freddie Hubbard: trumpet;
Jaki Byard: piano;
George Tucker: bass;
Roy Haynes: drums.
Nos últimos dias, além de estar tentando recuperar os atrasos na academia estive aproveitando a 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que estava saturada de coisas boas. E é justamente sobre o cinema que é feita a postagem de hoje.
Não sei quanto a vocês, mas pra mim uma boa trilha sonora pode fazer que o filme valha muito mais a pena do que se fosse uma mera história contada sem nenhuma música. Quando eu estava nos meus 15 anos, pra mim a principal função da música era servir de trilha sonora para minha vida. Hoje eu já não penso assim, mas penso que no mundo do cinema a música deve exercer uma função semelhante, mas não tão subalterna, a música deve de preferência fazer o espectador sentir o mundo que ele observa no filme, e nos fazer sentir a alegria, a tristeza ou a saudade daquilo que vemos na tela.
Apesar de haver tido uma diminuição do interesse público pelas salas de ópera e de concerto no último século, existe um grande interesse público pelo cinema, e é ai que muitos compositores conseguem ganhar a vida, substituindo assim a antiga função que tinham nos séculos passados de musicar as histórias contadas nos teatros. Ou melhor, transformando, já que a função é análoga. E mais ou menos o contrário também acontece. Muitas orquestras profissionais das últimas décadas se estagnaram em um repertório dos períodos barroco, clássico e romântico e mal absorveram as transformações da música no século XX, que não só eram esteticamente menos populares como também possuíam arranjos para sua execução muitas vezes pouco convencionais. Agora no século XXI esse conservadorismo continua, embora com menos força, tanto é que não só os compositores de música erudita estão trabalhando muito com trilhas sonoras, como também algumas orquestras profissionais renomadas estão começando a abrir mais espaço para a apresentação em suas salas de concerto para obras que originalmente foram compostas para o cinema.
Esse álbum que posto aqui foi composto por Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, os caras por trás dos capacetes da dupla Daft Punk, para o filme Tron: O Legado, na sua tradução no Brasil. Este filme é uma sequência para o filme de 1982 com o mesmo título. Thomas Bangalter já havia composto para um filme, Guy-Manuel não, mas essa é a primeira vez que a dupla compõe como Daft Punk para um filme. O filme por si só acredito não ser o tipo de filme que os leitores deste blog mais apreciem, mas a trilha sonora consegue criar um ambiente para o filme que, a meu ver, o torna espetacular. E independentemente de ver o filme, ou não, acredito que para aqueles que curtem o mínimo de música eletroacústica (ou não têm medo de experimentá-la), vale a pena ouvir um pouco dessa “mescla de temas de música orquestral clássica com eletrônica minimalista”, como diz Joseph Kosinski sobre a ideia por trás da produção dessa trilha sonora.
O interessante é que eles não compuseram a música como estamos acostumados de nossos compositores favoritos da música erudita, ou seja, com um piano e um score, mas com um sintetizador e um PC. Eu conheço só mais um compositor que faz isso e obtém um resultado tão bom (ou até melhor) quanto o dessa dupla, mas essa história meus caros, é uma outra história e deve ser contada em um outro momento.
Daft Punk: Tron Legacy Soundtrack
1. Overture
2. The Grid
3. The Son of Flynn
4. Recognizer
5. Armory
6. Arena
7. Rinzler
8. The Game Has Changed
9. Outlands
10. Adagio for TRON
11. Nocturne
12. End of Line
13. Derezzed
14. Fall
15. Solar Sailer
16. Rectifier
17. Disc Wars
18. C.L.U.
19. Arrival
20. Flynn Lives
21. TRON Legacy (End Titles)
22. Finale
Bônus:
Encom Part I
Encom Part II
Round One
Castor
Reflections
Father and Son
Outlands Part II
Sea of Simulation
Sunrise Prelude
Joseph Trapanese, arranjos e orquestração
London Orchestra
Gavin Greenaway, regente
Na wikipedia diz que Guy-Manuel (a direita da primeira foto) possui descendência portuguesa, e que seu verdadeiro nome seria Guillaume Emmanuel Paul de Homem-Christo, ou seja, mais difícil e estranho do que já é a adaptação.
Este álbum foi um marco para mim. Já andava um pouco cansado do tom escuro, áspero, da música contemporânea, o que me levava a colocar todo tipo de compositor de vanguarda no mesmo balaio, e igualmente decepcionado com a sensação de que compositores que buscavam abandonar ou suavizar o experimentalismo com uma linguagem mais comunicativa acabavam fazendo concessões desnecessárias e diluindo a força da música, como se comunicabilidade só fosse possível com um passo para trás. Neste momento me deparei com este álbum de música romena, da qual já havia ouvido falar algo bem por cima, mas que conhecia mal (basicamente Enescu e Doina Rotaru, uma compositora que, aliás, pretendo postar aqui mais tarde). De repente me deparo com o apaixonante lirismo da Sinfonia nº3 de Ştefan Niculescu, um lirismo extremo — não aquele lirismo extremamente contido num Mi-Parti do Lutoslawski, por exemplo, mas um lirismo escancarado e desavergonhado — e nada convencional, que parecia reposicionar várias técnicas contemporâneas que associava a escuridão numa expressão totalmente outra. Era, como no caso Matisse, como se o preto deixasse de significar coisas sombrias para ser só mais uma cor. Buscando mais informações sobre Niculescu, descobri a variedade expressiva de suas obras e mesmo comentários como o de Ligeti, que dizia ser Niculescu um dos grandes mestres de nosso tempo. Pena que comentários assim não possam garantir divulgação!
Embora um pouco menos (dada a epifania causada pela sinfonia de Niculescu), os outros dois compositores presentes neste álbum, Myriam Marbé e Anatol Vieru, também me chamaram a atenção e me instigaram a correr atrás de mais música romena, pesquisa que acabou sendo de mais e mais descobertas.
Finalmente, note-se que as três obras foram dedicadas ao grande saxofonista romeno Daniel Kientzy, raro nome a tocar (bem) a família toda de saxofones e que aqui sola em todas as peças. Além dessas três, muitos outros compositores (sobretudo romenos) a ele dedicaram obras, com um resultado empolgante para o repertório de sax (que aos poucos espero postar aqui).
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Daniel Kientzy – The Romanian Saxophone: Obras de Niculescu, Marbé e Vieru
Ştefan Niculescu (1927-2008)
01 Concertante Symphony nº3 “Cantos”, para saxofone e orquestra
Daniel Kientzy, saxofone
Romanian Radio Symphony Orchestra
Iosif Conta, regente
Myriam Marbé (1931-1997)
02 Concerto for Daniel Kientzy and Saxophones
Daniel Kientzy, saxofone
Ploiesti Philharmonic Orchestra
Horia Andreescu, regente
Anatol Vieru (1926-1998)
03 Narration II, para saxofone e orquestra
Daniel Kientzy, saxofone
Timisoara Philharmonic Orchestra
Remus Georgescu
Estou trabalhando muito para disponibilizar uma série dedicada à música dos nossos dias. Compositores relativamente jovens (50 anos, o limite) serão trazidos aqui para que possamos ter um panorama bem geral da música contemporânea. Mas não se enganem, não são compositores de beira de esquina tentando um lugar ao sol. Falo daqueles que já são relativamente reverenciados pela imprensa especializada, mas que são completamente desconhecidos nesse nosso país de bananas. Enfim, em breve veremos eles por aqui…
Hoje trago um disco que é muito importante para mim, e motivado também pelo desafio de um dos nossos ouvintes. Um disco com canções de Brahms, Sibelius e Stenhammar. Não vou escrever uma linha, pois é completamente desnecessário.
Gravação em 320 Kbps.
Faixas:
Brahms
1. Funf Lieder, Op.105: Like Melodies it Moves
2. Funf Lieder, Op.105: Ever Lighter Grows my Slumber
3. Funf Lieder, Op.105: Lament
4. Funf Lieder, Op.105: In The Churchyard
5. Funf Lieder, Op.105: Betrayal
Sibelius
6. The Dream, Op.13 No.5
7. Until the Evening, Op.17 No.6
8. Splinters on the Water, Op.17 No.7
9. Black Roses, Op.36 No.1
10. Rushes, Whisper! Op.36 No.4
11. Diamond on the March Snow, Op.36 No.6
12. The First Kiss, Op.37 No.1
13. Was it a Dream? Op.37 No.4
Stenhammar
14. Prince Aladdin of the Lamp, Op.26 No.10
15. Adagio, Op.20 No.5
16. Starry Eye, Op.20 No.1
17. Florez och Blanzeflor, Op.3
Brahms
18. Four Serious Songs, Op.121: Prediger Salomo, Cap.3; For it Goes with Men as with Beasts
19. Four Serious Songs, Op.121: Prediger Salomo, Cap.3; So I Returned, & Considered All
20. Four Serious Songs, Op.121: Jesus Sirach, Cap.41; O Death, How Bitter Thou art
21. Four Serious Songs, Op.121: S. Pauli and die Corinther I, Cap.13; Though I Speak with the Tongues…
Estava caminhando num sábado pela manhã em Edimburgo quando vi um bazar de livros e discos usados. Escavuquei um bocado atrás de algum CD que me atraísse, mas trouxe somente este de Malcolm Arnold (cuja etiqueta indicando as três libras que paguei está lá até hoje) porque não tinha nada dele ainda. Acabei descobrindo o Ferde Grofé da Grã-Bretanha. Um bom Grofé que escreveu muitas músicas para filmes.
Sir Malcolm Arnold (1921-2006) – Dances
1. English Dances, Set 1, Op. 27: No. 1. Andantino
2. English Dances, Set 1, Op. 27: No. 2. Vivace
3. English Dances, Set 1, Op. 27: No. 3. Mesto
4. English Dances, Set 1, Op. 27: No. 4. Allegro risoluto
5. English Dances, Set 2, Op. 33: No. 1. Allegro non troppo
6. English Dances, Set 2, Op. 33: No. 2. Con brio
7. English Dances, Set 2, Op. 33: No. 3. Grazioso
8. English Dances, Set 2, Op. 33: No. 4. Giubiloso
9. 4 Scottish Dances, Op. 59: No. 1. Pesante
10. 4 Scottish Dances, Op. 59: No. 2. Vivace
11. 4 Scottish Dances, Op. 59: No. 3. Allegretto
12. 4 Scottish Dances, Op. 59: No. 4. Con brio
13. 4 Cornish Dances, Op. 91: No. 1. Vivace
14. 4 Cornish Dances, Op. 91: No. 2. Andantino
15. 4 Cornish Dances, Op. 91: No. 3. Con moto e sempre senza parodia
16. 4 Cornish Dances, Op. 91: No. 4. Allegro ma non troppo
17. 4 Irish Dances, Op. 126: No. 1. Allegro con energico
18. 4 Irish Dances, Op. 126: No. 2. Commodo
19. 4 Irish Dances, Op. 126: No. 3. Piacevole
20. 4 Irish Dances, Op. 126: No. 4. Vivace
21. 4 Welsh Dances, Op. 138: No. 1. Allegro
22. 4 Welsh Dances, Op. 138: No. 2. Poco lento
23. 4 Welsh Dances, Op. 138: No. 3. Vivace
24. 4 Welsh Dances, Op. 138: No. 4. Andante con moto
Sinfônica de Queensland (Austrália), regida por Andrew Penny
Clica antes aqui, malandro! Depois clica ali embaixo no melhor disco de 2014 na categoria Baroque Instrumental da revista Gramophone. Ah, pois é, né?
Eu tenho um álbum triplo (CDs) com as Württemberg Sonatas. Ouvi só uma vez, achei-as chatas. Então, quando abordei este CD, fui com cuidado… Quanta diferença! Gravação de estreia do maravilhoso cravista Mahan Esfahani, aqui temos seis destas sonatas escritas entre 1742 e 43 e publicadas em 1744. Esfahani é imaginativo, tem concepção e compreensão maduras de meu irmão CPE. Perfeitos modelos de Sturm und Drang, Carl Philipp Emanuel Bach faz aqui a declaração mais combativa da nova linguagem musical que iria soterrar o barroco. Mas só dá para concluir isso ouvindo ESTE registro imbatível.
C.P.E.Bach (1714-1788): Wurttemberg Sonatas
01] Sonata in Am, H30 – 1 Moderato
02] Sonata in Am, H30 – 2 Andante
03] Sonata in Am, H30 – 3 Allegro assai
04] Sonata in Ab, H31 – 1 Un poco allegro
05] Sonata in Ab, H31 – 2 Adagio
06] Sonata in Ab, H31 – 3 Allegro
07] Sonata in Em, H33 – 1 Allegro
08] Sonata in Em, H33 – 2 Adagio
09] Sonata in Em, H33 – 3 Vivace
10] Sonata in Bb, H32 – 1 Un poco allegro
11] Sonata in Bb, H32 – 2 Andante
12] Sonata in Bb, H32 – 3 Allegro
13] Sonata in Eb, H34 – 1 Allegro
14] Sonata in Eb, H34 – 2 Adagio
15] Sonata in Eb, H34 – 3 Allegro assai
16] Sonata in Bm, H36 – 1 Moderato
17] Sonata in Bm, H36 – 2 Adagio non molto
18] Sonata in Bm, H36 – 3 Allegro
Sigamos com o nosso empreendimento chopiniano. Há pessoas esperando por postagens com a música do franco-polaco e como prometir que retomaria a homenagem iniciada pelo FDP e pelo Strava, avante! O próprio Strava já informou que continuará a postar. Hoje, eu apresento um outro pianista de relevância quando o que está em jogo é a interpretação de peças de Chopin – Mikhaylovna Bella Davidovich. A pianista nasceu em Baku, Azerbaijão, quando o seu país era ainda uma República Satélite da União Soviética. Começou a estudar piano aos seis anos de idade. É descendente de uma família de músicos. Mudou-se para Moscou quando possuía apenas 11 anos para estudar música. Aos dezoito, ingressou no Conservatório de Moscou. Durante 28 temporadas seguidas foi a solista da Orquestra Filarmônica de Leningrado. Em 1978, mudou-se para os Estados Unidos e se naturalizou neste país. Era o período da fuga dos artistas e intelectuais soviéticos. Com a Glasnost e Perestroika, Davidovich se tornou a primeira dos músicos emigrados e naturalizados em outros países a ser convidada a tocar em solo soviético. Os dois CDs aqui postados traz gravações de um nível de beleza incomum. A gravação é muito boa e vale ser conferida. A beleza vaga, saliente, recatada, com necessidade de ser desvelada em seus segredos silenciosos, deseja ser abraçada. Isso se dá a cada dedilhar de Bella Davidovich quando toca ao piano. Uma boa apreciação!
01. Ballade No.1 in G minor Op. 23
02. Ballade No.2 in F major Op. 38
03. Ballade No.3 in A flat minor Op.47
04. Ballade No.3 in F minor Op.52
05. Impromptu in A flat major Op. 29
06. Impromptu in F sharp major Op. 36
07. Impromptu in G flat major Op. 51
08. Fantasie-Impromptu in C sharp minor Op. 66
Disco 2
01. Prelude Op. 28 No.1 in C major, agitato
02. Prelude Op. 28 No.2 in A minor, lento
03. Prelude Op. 28 No.3 in G major, vivace
04. Prelude Op. 28 No.4 in E minor, largo
05. Prelude Op. 28 No.5 in D major, allegro molto
06. Prelude Op. 28 No.6 in B minor, lento assai
07. Prelude Op. 28 No.7 in A major, andantino
08. Prelude Op. 28 No.8 in F sharp minor, molto agitato
09. Prelude Op. 28 No.9 in E major, largo
10. Prelude Op. 28 No.10 in C sharp minor, allegro molto
11. Prelude Op. 28 No.11 in B major, vivace
12. Prelude Op. 28 No.12 in G shapr minor, presto
13. Prelude Op. 28 No.13 in F sharp major, lento
14. Prelude Op. 28 No.14 in E flat minor, allegro
15. Prelude Op. 28 No.15 in D flat major, sostenuto
16. Prelude Op. 28 No.16 in B flat mminor, presto con fuoco
17. Prelude Op. 28 No.17 in A flat major, allegretto
18. Prelude Op. 28 No.18 in F minor, allegro molto
19. Prelude Op. 28 No.19 in E flat major, vivace
20. Prelude Op. 28 No.20 in C minor, largo
21. Prelude Op. 28 No.21 in B flat major, cantabile
22. Prelude Op. 28 No.22 in G minor, molto agitato
23. Prelude Op. 28 No.23 in F major, moderato
24. Prelude Op. 28 No.24 in D minor, allegro appassionato
25. Krakowiak in F major Op. 14*
*London Symphony Orchestra
Sir Neville Marriner, regente
Não há nada de muito especial nestas sinfonias. O poliestilismo de Schnittke começa a morrer. Sim, isso mesmo.
Não lembro se foi Tom Service ou Alex Ross quem disse que o estilo de Schnittke, preso num beco sem saída, acaba por se perder em algo opaco e sem vida nos seus últimos suspiros. O que encontra como última salvação é uma mistura de minimalismo com música sacra (seria um protótipo de “santo minimalismo” como ao que chega Arvo Pärt?).
A sexta sinfonia aqui parece bastante monótona. São usados recursos muito comuns da música de Schnittke e que já não impressionam. A oitava é semelhante; passa boa parte num marasmo que nos serve muito bem para a meditação, e vez ou outra parece beirar a tonalidade tipicamente romântica, mas nunca adentrando ela de fato. É bastante minimalista, mas sem o elemento sacro.
É bom ouvir esse disco com muita atenção, o grave é explorado bastante e muitos trechos são quase inaudíveis, o que numa audição distraída pode ficar despercebido.
Schnittke: The Ten Symphonies
CD 5
Alfred Schnittke (1934-1998):
Symphony No. 6
01 I. Allegro moderato
02 II. Presto
03 III. Adagio
04 IV. Allegro Vivace
BBC National Orchestra of Wales
Tadaaki Otaka, conductor
Symphony No. 8
05 I. Moderato
06 II. Allegro moderato
07 III. Lento
08 IV. Allegro moderato
09 V. Lento
Charles Mingus foi um notável compositor erudito que gostava de jazz. Talvez esta frase arranhe de leve o que foi este grande gênio. Eu poderia escrever muitas páginas sobre Mingus — na minha opinião o melhor compositor e band leader do gênero –, mas este não é o melhor espaço. Aqui a coisa é descompromissada e rápida. The Black Saint And The Sinner Lady, assim como Mingus Ah Um, são frequentemente ranqueados como dois dos melhores álbuns de todos os tempos. Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus também é esplêndido, mas aparece menos no Olimpo do que outros trabalhos do mestre.
Quando criança, Mingus queria ser violoncelista, mas sua fraca educação musical fazia com ele lesse lentamente as partituras e isto o retirou da orquestra infantil de Nogales, Arizona. No colégio, tentou a sorte no contrabaixo e deu certo. Tornou-se um dos maiores no instrumento. Adolescente, escrevia música erudita e, antes dos vinte anos já reconhecido como um espécie de prodígio do baixo. Às vezes, tocava em bandas de jazz e, aos 21 anos, já participava de bandas lideradas por seu grande ídolo Duke Ellington e por Louis Armstrong. Acabou por escolher este caminho.
Mingus possuía uma personalidade contraditória e agressiva — não são poucas as histórias que se contam de Mingus agredindo fisicamente outros músicos. Brigou com quase todos — despediu inúmeros –, mas nunca se desfez de seu genial baterista Danny Richmond, a única pessoa que acompanhava à perfeição as complexidades rítmicas que ele amava criar. Apesar dos problemas ou em razão deles, Mingus e sua banda sempre tocavam magistralmente. O compositor sentia com intensidade o drama do preconceito racial, usando diversas vezes a música como veículo de protesto (Freedom, Fables of Faubus). Era vanguardista, tradicional, lírico, feroz e muito, mas muito musical.
The Black Saint and the Sinner Lady é experimental ao mais alto grau. É som de rua, visceral e intenso, mas é também de absurda sofisticação, humor e imaginação. Trata-se de uma peça orquestral contínua de 39 minutos. Tudo muito exato e… improvisado. Mingus disse que cedeu, permitindo aos músicos alterarem bastante The Black Saint, adequando trechos a seus respectivos estilos, mas que seu perfeccionismo de autor se contorcia num canto. O resultado é uma obra-prima absoluta deste ser humano que tinha como avós dois descendentes de escravos, uma inglesa branca e um chinês. Ao menos esta era uma versão das lendas o que ele, muito mentiroso, contava a respeito de si mesmo.
Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus foi gravado menos de um semestre depois. Mais tradicional, também é um disco fantástico. É Mingus — ou seja, tudo é notavelmente bem escrito. Estranhamente, ele retomou posteriormente a temas deste disco. II B.S. recebeu novo arranjo, tornando-se Haitian Fight Song no disco The Clown. Theme for Lester Young virou Goodbye Pork Pie Hat no Mingus Ah Um. E Mood Indigo, de Duke Ellington, demonstra pela enésima vez o amor e respeito que Mingus tinha por um de seus mestres.
Em 2012, estes dois discos foram juntados em apenas um CD. Bem, meu caro, se há algo imperdível no mundo…
The Black Saint And The Sinner Lady (1963)
01 – Track A – Solo Dancer
02 – Track B – Duet Solo Dancers
03 – Track C – Group Dancers
04 – Mode D – Trio And Group Dancers, Mode E – Single Solos And Group Dance, Mode F – Group And Solo Dance
Total: 39min25
Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus (1964)
05 – II B.S.
06 – I X Love
07 – Celia
08 – Mood Indigo
09 – Better Get Hit In Yo’ Soul
10 – Theme For Lester Young
11 – Hora Decubitus
Total: 40min30
Músicos: The Black Saint And The Sinner Lady: Charles Mingus – bass, piano, leader Jerome Richardson – soprano, baritone saxophones, flute Charlie Mariano – alto saxophone Dick Hafer – tenor saxophone, flute Rolf Ericson – trumpet Richard Williams – trumpet Quentin Jackson – trombone Don Butterfield – tuba, contrabass trombone Jaki Byard – piano Jay Berliner – acoustic guitar Dannie Richmond – drums
Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus: Charles Mingus – bass, piano Jay Berliner – guitar Don Butterfield – trombone, tuba Jaki Byard – piano Eric Dolphy – flute, alto saxophone Rolf Ericson – trumpet Booker Ervin – tenor saxophone Dick Hafer – clarinet, flute, oboe, tenor saxophone Quentin Jackson – trombone Charlie Mariano – alto saxophone Walter Perkins – drums Eddie Preston – trumpet Jerome Richardson – flute, baritone saxophone, soprano saxophone Dannie Richmond – drums Richard Gene Williams – trumpet Britt Woodman – trombone
Fiquei muito entusiasmado com este CD cujo spalla e solista é o extraordinário violinista brasileiro Luís Otávio Santos. Para quem não o conhece — e vocês não estão nesse caso, claro — Santos desenvolve intensa carreira na Europa como líder e solista de notáveis grupos de música antiga, tais como La Petite Bande (Bélgica), Ricercar Consort (Bélgica e grupo deste disco) e Le Concert Français (França).
Aqui, com o Ricercar Consort, como já disse, Santos está na Missa BWV 234, algumas peças para órgão que separam as obras maiores e a fantástica Cantata BWV 198, Trauerode. Ah, a Trauerode (ou Trauer-ode)… A Trauerode foi uma encomenda privada para marcar a morte de Christine Ebehardine, esposa de Augusto, eleitor da Saxônia e rei da Polônia, em um evento secular em Leipzig, dois meses após sua morte, em 17 de outubro de 1727. É uma tremenda música e a interpretação do Ricercar Consort e agregados é esplêndida!
J.S. Bach (1685-1750): Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne — Trauerode BWV 198 / Missa BWV 234
Missa à 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont BWV 234
1 Missa À 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont, BWV 234: Kyrie 2:43
2 Missa À 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont, BWV 234: Christe 1:44
3 Missa À 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont, BWV 234: Kyrie 1:24
4 Missa À 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont, BWV 234: Gloria 5:28
5 Missa À 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont, BWV 234: Domine Deus 5:51
6 Missa À 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont, BWV 234: Qui Tollis 6:15
7 Missa À 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont, BWV 234: Quoniam 3:41
8 Missa À 4 Voci. 2 Travers. 2 Violini, Viola e Cont, BWV 234: Cum Sancto Spirito 3:06
9 Praeludium In Organo Pleno, Pedal, BWV 544 6:51
Tombeau de S.M. la Reine de Pologne — Trauerode BWV 198 (1st part)
10 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Chorus : Lass, Fürstin, Lass Noch Einen Strahl 5:28
11 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Recit : Dein Sachsen, Dein Bestürztes Meissen 1:17
12 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Aria : Verstummt, Verstummt, Ihr Holden Saiten! 3:19
13 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Recit : Der Glocken Bebendes Getön 0:58
14 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Aria : Wie Starb Die Heldin So Vergnügt! 6:56
15 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Recit : Ihr Leben Liess Die Kunst Zu Sterben 1:01
16 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Chorus : An Dir, Du Fürbild Grosser Frauen 1:58
17 Herzlich Tut Mich Verlangen À 2 Claviers Et Pédale, BWV 727 2:33
Tombeau de S.M. la Reine de Pologne — Trauerode BWV 198 (2nd part)
18 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Pars 2da Nach Gehaltener TrauerRede: Aria : Der Ewigkeit Saphirnes Haus 3:56
19 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Pars 2da Nach Gehaltener TrauerRede: Recit : Was Wunder Ist’s ? Du Bist Es Wert 2:31
20 Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne, BWV 198: Pars 2da Nach Gehaltener TrauerRede: Chorus Ultimus Post 2am Partem : Doch Köningin Du Stirbest Nicht! 5:01
21 Fuga In Organo Pleno, Pedal, BWV 544 6:05
Katharine Fuge, soprano & Carlos Mena, alto
Jan Kobow, ténor & Stephan McLeod, basse
Francis Jacob, orgue
Ricercar Consort
Philippe Pierlot
Dentre músicas culturalmente divergentes da nossa eu gosto principalmente da música árabe. Mas neste caso Jordi Savall e o Hespèrion XXI não fazem uma reprodução daquilo que poderíamos chamar de música árabe de fato, mas sim de música influenciada e com características dessa, além de outras músicas de outros povos do mediterrâneo, oriente médio, Pérsia entre os séculos XIII e XVII.
É interessante notar que esse álbum tente reproduzir aquilo que devia ser algo como a música popular ou folclórica das localidades citadas, nem por isso deve ser pensada como uma música menos complexa. E sempre lembrando, a música reproduzida por especialistas em música antiga como é o Hespèrion XXI não deve ser pensada como exatamente aquela que era feita naquela época, mas sim uma aproximação do que se acredita que fosse a música da época.
Hespèrion XXI: Orient – Occident (1200-1700)
01 Makam Rast “Murass’a” Usul Düyek
02 Ductia (Cantigas 248-353)
03 A La Una Yo Naci
04 Alba (Castelló de la Plana)
05 Danse De L’âme, for oud & bendir
06 Istampitta: La Manfredina
07 Laïli Djân (Afghanistan Perse), for traditional ensemble
08 Istampitta: In Pro
09 Danza Del Viento
10 Istampitta: Saltarello I
11 Chahamezrab (Perse), for santur & tamburello
12 Danza De Las Espadas
13 Makam Nikriz Üsul Berevsân
14 Istampitta: Saltarello II
15 Ya Nabat Elrichan – Magam Lami
16 Rotundellus (Cantiga 105)
17 Makam Rast Semâ’i
18 Istampitta: Lamento Di Tristano
19 Molâ Mâmad Dján
20 Saltarello (Cantigas 77-119)
21 Makam ‘Uzäl Sakil “Turna”
Sim, resolvi partir para a ignorância. Todas as sinfonias de Brahms e mais as aberturas, “raposódias” e outros que tais com a Filarmônica de Berlim sob a batuta do saudoso Claudio Abbado. Se alguém tinha dúvidas sobre a genialidade de Abbado, este quarteto de CDs as pulveriza e o coloca no Olimpo dos regentes juntamente com poucos outros. Ah, não pensem que vou ficar postando sempre os CDs de quatro em quatro. Não se acostumem, OK?
Johannes Brahms (1833-1897): As 4 Sinfonias, Aberturas, Lieder, Variações sobre um Tema de Haydn (Abbado)
Disc: 1
1. Academic Festival Overture, Op 80 – Allegro – L’istesso tempo, un poco maestoso – Animato – Maestoso
2. Song of the Fates, Op 89 – Gesang der Parzen, Op.89 – Rundfunkchor Berlin, Dietrich Knothe
Sinfonia Nº 1
3. 1. Un poco sostenuto – Allegro – Meno allegro
4. 2. Andante sostenuto
5. 3. Un poco allegretto e grazioso
6. 4. Adagio – Piu andante – Allegro non troppo, ma con brio – Piu allegro
1. Alto Rhapsody – “Aber abseits wer ist’s?” Adagio-Poco Andante-Adagio – Marjana Lipovsek, Ernst Senff Chor
Sinfonia Nº 2
2. 1. Allegro non troppo
3. 2. Adagio non troppo – L’istesso tempo, ma grazioso
4. 3. Allegretto grazioso ( Quasi andantino) – Presto ma non assai
5. 4. Allegro con spirito
2. Nänie von Friedrich Schiller, für Chor und Orchester, Op.82 – Rundfunkchor Berlin, Dietrich Knothe
Sinfonia Nº 4
3. 1. Allegro non troppo
4. 2. Andante moderato
5. 3. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
6. 4. Allegro energico e passionato – Più allegro
Tá bom, vamos ver o que sai em 5 minutos: se os Razumovsky apontavam para a concentração e seriedade dos últimos quartetos — que, por sua vez, apontariam para “o futuro”, como Beethoven afirmava -, o Op. 74, “Harp”, é relaxado e tranquilo, um Op. 18 melhorado que deixaria Mozart e Haydn mordendo-se de inveja!
Os três Razumovsky são notáveis e o destaque do Nº 2 é o notável, belíssimo, irresistível segundo movimento, ao qual Beethoven acrescentou a seguinte advertência na partitura: Si tratta questo pezzo con molto de sentimento, ou seja, em tradução honesta, “Esta peça deve ser abordada com muito sentimento”. O Kodály, com mão leve e strong feeling, o faz muito bem. Há drama aqui. Gosto muito.
Já o Harp é um quarteto fofinho, todo bonitinho e que nos deixa felizes. Felizes mesmo! Por que Harp? Ora, ouça os pizzicatti do primeiro movimento e não me encha o saco. Viram só? Nem deu cinco minutos! Boa noite.
Ludwig van Beethoven: String Quartets Op. 59, No. 2, ‘Razumovsky’ and Op. 74, ‘Harp’
String Quartet No. 8 in E minor, Op. 59, No. 2, “Razumovsky”
I. Allegro 10:08
II. Molto adagio 12:35
III. Allegretto 07:31
IV. Finale: Presto 05:38
String Quartet No. 10 in E flat major, Op. 74, “Harp”
I. Poco adagio – Allegro 09:28
II. Adagio ma non troppo 09:46
III. Presto – 05:22
IV. Allegretto con variazioni 06:46
Existe o maior cantor de Jazz de todos os tempos? claro que existe! só que pode mudar a cada encontro regado a whisky, vinho, cerveja ou cachaça; em torno de um toca discos, em boas e divertidas companhias ou a sós. Até mesmo de um disco para outro, tal eleição pode mudar, conforme o grau de emoção e de substância etílica. Mas, no presente momento, erguendo um décimo brinde, proclamo: Johnny Hartman! Magnífico Johnny Hartman, artista soberbo, de longa carreira e profundíssima voz. Quem se encantou com o maravilhoso filme As Pontes de Madison se lembrará que parte do feeling deste filme se deve indubitavelmente ao incrível repertório no qual se inclui Hartman; lembrando que nem só de Magnum 45 vive Mister Eastwood, mas também adora Jazz; lembrando também de que o ótimo filme Bird, sobre o grande Charlie Parker, é produto de sua afeição a este gênero musical – entre outras produções. Johnny Hartman (1923-1983) era um esplêndido barítono. Pena que não gravou um Schubert pra nós, mas por que deveria? Possuía a voz de Midas, tudo o que cantava virava ouro; até mesmo ‘Feelings’ do nosso Morris Albert – o paulista Maurício Alberto Kaisermann (1951). Johnny nasceu em Louisiana mas foi criado em Chicago. Começou a tocar piano e a cantar aos oito anos. Cantou em orquestras do exército durante a Segunda Guerra Mundial e despontou na carreira em 1946, através do pianista Earl Hines e de Dizzy Gillespie, atuando junto a diversas orquestras. Este presente disco foi a sua estreia no mundo fonográfico, em 1955. Aqui Hartman se encontra acompanhado por um trompetista pouco comentado, porém brilhante, que inspirou muitos em seu tempo, a exemplo de Miles Davis: Howard McGhee. Miles, em sua autobiografia, relembra como McGhee ministrou-lhe um carão. Miles lhe disse que recusara grana de uma namorada – o que segundo McGhee seria um sacrilégio.
Na foto acima, podemos ver Miles extasiado, aprendendo alguns truques com o amigo mais velho. Howard McGhee (1918-1987) foi um dos primeiros trompetistas do estilo jazzístico Bebop, junto ao ponta de lança Dizzy Gillespie e Fats Navarro. Atuou em diversas orquestras da época, especialmente com o grande Count Basie. Na década de 70 Howard também atuava como professor de música: trompete, improvisação e teoria, em sala de aula e também em seu apartamento no centro de Manhattan. Seu estilo expressivo e sinuoso, todavia, incomparavelmente mais contido que o de Dizzy, se ressalta nas inserções que desfere entre as frases de Hartman. Este é um feliz encontro que seria em 1963 ensombrecido por outro mais famoso, com o saxofonista John Coltrane – disco que em breve também teremos por aqui. Mais tarde, em 1995, Hartman gravaria outro soberbo álbum em homenagem ao saxofonista (For Trane). Além das 12 faixas oficiais do presente disco temos ainda mais seis faixas de takes alternativos, sempre gratificantes. Não farei comentários sobre faixas específicas, pois que o disco é todo extraordinário; o que me inspira, no momento, a apontar Hartman como o maior cantor do Jazz – até que venham uma próxima dose e outro disco na vitrola. Dedico esta postagem ao nosso patriarca Mister Avicenna.
Johnny Hartman – Songs from the heart
What is there to say
Ain’t Misbehavin
I fall in love too easily
We’ll be together again
Down in the depths
They didn’t believe me
Im glad there is you
When your love has gone
I’ll remember April
I see your face before me
September song
Moonlight in Vermont
Down in the depths (alt.)
They didn’t believe me (alt.)
Im glad there is you (alt.)
I’ll remember April (alt.)
I see your face before me (alt.)
September song (alt.)
Johnny Hartman – Vocals
Howard McGhee – trumpet
Ralph Sharon – Piano
Jay Cave – Bass
Christy Febbo – drums
E aqui começam as obras-primas de nossa integral. É através dos quartetos que notamos mais claramente a evolução beethoveniana. O quarteto Razumovsky Op. 59 Nro. 1 é esplêndido e se, para nossa alegria, fica anos-luz à frente do Op. 18, fica também, para nosso maior gáudio, muito aquém dos últimos quartetos, certamente um dos ápices da humanidade. Não, não há exagero.
Todos os três quartetos do Op. 59 “Razumovsky” são notáveis. Com os três quartetos deste opus, Beethoven marcaria definitivamente a cisão entre a música de câmara para amadores, anunciando um tipo de música camarística, reservado apenas aos profissionais. Eles são apelidados de “Quartetos Razumovsky” porque foram encomendados pelo conde Andreas Kyrilovich Razumovsky, embaixador russo em Viena desde 1792. Ele era um colecionador de arte, excelente violinista amador e suficientemente corajoso para pedir a Beethoven aulas de teoria musical e composição. Não foi admitido como aluno, mas, como segundo violino do Quarteto Schuppanzigh, participou da estréia em janeiro de 1809.
Há pessoas que elogiam o Allegro inicial, mas minhas preferências vão para os dois últimos movimentos, Adagio molto e mesto e o Tema Russo.
O quarteto Op. 95 não é um mero complemento deste CD. É protagonista. Trata-se de um furioso e sincero auto-retrato de Beethoven no momento em que ruíram seus planos amorosos de casar com Thérèse Malfatti. Alguns o comparam ao Quinteto K. 516 de Mozart ou ao terceiro quarteto de Bela Bartók – todos escritos em momentos de profundo desespero. Seu tema inicial é firme, afirmativo e irritado, dando o tom de um quarteto que nem sempre permanecerá neste humor, mas que é um belo exemplo do quanto Beethoven considerava o quarteto de cordas a formação mais adequada para expressar suas “Vozes Íntimas”.
Um grande e relevante CD.
Quartet in F, Op. 59 “Razumovsky” No. 1
1 Allegro
2 Allegretto vivace e sempre scherzando
3 Adagio molto e mesto
4 Thème russe: Allegro
Quartet in F Minor, Op. 95 “Quartetto Serioso”
5 Allegro con brio
6 Allegretto ma non troppo
7 Allegro assai vivace ma serioso
8 Larghetto espressivo; Allegretto agitato – Allegro
Uma dica: Não levem as inserções de Schnittke no romantismo durante suas sinfonias de forma irônica, nem suas citações, explosões e aleatoriedades. Tudo é isso é feito de forma séria e convicta, e torna tudo mais gostoso.
Vocês ouvirão hoje o quarto álbum dessa série, que possui a quarta e a quinta sinfonias. A quinta sinfonia é ao mesmo tempo o Concerto Grosso de número 4.
“Concerto grosso (italiano para ‘concerto grande’; plural : “concerti grossi“) é uma forma musical em que um grupo de solistas (“concertino”) — geralmente dois violinos e um violoncelo — dialoga com o resto da orquestra (“ripieno”), por vezes fundindo-se com este resultando no “tutti”.“
Agora para entender o que Schnittke entende por um concerto grosso, imaginem que os solistas (que aqui são variados, não só violinos ou violoncelos) são na verdade “estilos solistas”. Vou tentar esclarecer: imagine que todo o concerto seja executado no poliestilismo caótico de Schnittke, e que na entrada dos solos, eles não continuam esse caos mas apresentam ou solam um único estilo, por exemplo, um solo romântico que faz citação. Um exemplo claro vocês ouvirão no final do segundo movimento da obra.
Se quiserem ouvir outro concerto grosso de Schnittke, recomendo também o terceiro.
Schnittke: The Ten Symphonies
CD 4
Alfred Schnittke (1934-1998):
Symphony No. 4
01 I. Andante Poco Pesante
02 II. Cadenza
03 III. Moderato
04 IV. Molto Pesante. Moderato.
05 V. Vivo
06 VI. Moderato. Andante Poco Pesante.
07 VII. Coro
Academy Chamber Choir Of Uppsala
Stefan Parkman, chorus master
Mikael Bellini, countertenor
Stefan Parkman, tenor
Stockholm Sinfonietta
Okko Kamu, conductor
Lucia Negro, piano
Symphony No. 5 / Concerto Grosso No. 4
08. I. Allegro
09. II. Allegretto
10. III. Lento. Allegro
11 IV. Lento
Gothenburg Symphony Orchestra
Neeme Järvi, conductor
A música para órgão é cada vez menos tocada. É óbvio: considerando-se as grandes proporções do instrumento e o fato de poucas salas de concerto ostentarem um desses monstros, tornam-se cada vez mais raros os concertos. Se a coisa vai melhor na Europa, nosso continente vai de mal a pior.
Por outro lado, uma das partes mais importantes do repertório bachiano foi escrita justamente para o órgão. Bach passava boa parte de suas horas noturnas improvisando (e compondo) ao instrumento. A liberdade que ele tinha nesta área pode ser espreitada ouvindo-se a PassacagliaBWV 582 e o Prelúdio e Fuga BWV 552, presentes nesta coletânea, para não falar na Tocata e Fuga em Ré MenorBWV 565. O homem era um maluco ao órgão. Peter Hurford — que gravou toda a obra de Bach para órgão em 17 CDs — faz uma arrebatadora seleção do melhor nestes dois CDs da Decca.
Se fosse você, não daria as costas para a riquíssima música para órgão. De Bach e de outros compositores. Já ouviram a música de Messiaen e Franck para o instrumento? Na foto, Peter Hurford em casa.
J. S. Bach (1685-1750): Great Organ Works
CD1:
1. J.S. Bach: Toccata and Fugue in D minor, BWV 565 9:17
2. J.S. Bach: Herzlich tut mich verlangen, BWV 727 2:19
3. J.S. Bach: Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 645 (‘Sleepers, awake’) 5:11
4. J.S. Bach: Prelude (Fantasy) and Fugue in G minor, BWV 542 – “Great” 12:00
5. J.S. Bach: Liebster Jesu, wir sind hier, BWV 730 1:54
6. J.S. Bach: Passacaglia in C minor, BWV 582 12:53
7. J.S. Bach: Prelude and Fugue in E flat, BWV 552 15:48
8. J.S. Bach: Nun komm, der Heiden Heiland, BWV 659 5:00
9. J.S. Bach: Prelude (Fantasy) and Fugue in C minor, BWV 537 8:24
CD2:
1. J.S. Bach: Toccata, Adagio and Fugue in C, BWV 564 15:45
2. J.S. Bach: “In dulci jubilo”, BWV 729 2:36
3. J.S. Bach: Prelude and Fugue in A minor, BWV 543 10:30
4. J.S. Bach: Fantasia in G, BWV 572 7:50
5. J.S. Bach: Prelude and Fugue in D major, BWV 532 11:30
6. J.S. Bach: Nun freut euch, liebe Christen g’mein, BWV 734 2:00
7. J.S. Bach: Wo soll ich fliehen hin, BWV 694 3:02
8. J.S. Bach: Fantasia in C minor, BWV 562 5:59
9. J.S. Bach: Toccata and Fugue in D minor, BWV 538 “Dorian” 13:49
Uma curiosidade esta excelente coletânea de 4 CDs. Pode ser difícil de acreditar que o mesmo compositor que escreveu obras monumentais como a Quinta, a Sétima e a Nona Sinfonias, as Sonatas Hammerklavier e Waldstein e os últimos quartetos de cordas também escreveu essas musiquinhas arejadas como o Dueto para duas flautas WoO 26 e o notável Septeto Op.20 apresentados nesta coleção. Na verdade, esse tipo de música leve e galante foi escrita no início da carreira de Beethoven em Bonn e em seus primeiros anos de Viena (1794-1800), onde ele se estabeleceu como compositor. A exceção foi o maduro Octeto Op. 103, composto para um jantar… Uma encomenda, é óbvio. Depois de compor este gênero de peças, ele se focou em composições mais substanciais. A influência de Mozart é evidente nestas obras, algumas com momentos decididamente bizarros.
Coletânea ideal para estudantes de instrumentos de sopro.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Chamber Music for Winds — Integral da Música de Câmara para Sopros
Disc: 1
1. Septet for strings & woodwinds in E flat major, Op. 20: Adagio
2. Septet for strings & woodwinds in E flat major, Op. 20: Allegro con brio
3. Septet for strings & woodwinds in E flat major, Op. 20: Adagio cantabile
4. Septet for strings & woodwinds in E flat major, Op. 20: Tempo di Menuetto
5. Septet for strings & woodwinds in E flat major, Op. 20: Scherzo. Allegro molto e vivace
6. Septet for strings & woodwinds in E flat major, Op. 20: Andante con moto alla marcia — Presto
7. Duo for 2 flutes (or flute & violin) in G major, WoO 26: Allegro con brio
8. Duo for 2 flutes (or flute & violin) in G major, WoO 26: Minuetto quasi Allegretto
9. Duo for clarinet & bassoon in C major, WoO 27/1: Allegro commodo
10. Duo for clarinet & bassoon in C major, WoO 27/1: Larghetto sostenuto
11. Duo for clarinet & bassoon in C major, WoO 27/1: Rondo, Allegretto
Disc: 2
1. Fidelio, overture, Op. 72c: Overture
2. Fidelio, opera, Op. 72: Mir ist so wunderbar
3. Fidelio, opera, Op. 72: March
4. Fidelio, opera, Op. 72: Hat man nicht auch Gold beineben
5. Fidelio, opera, Op. 72: Prisoner’s Chorus, O welche Lust, in freier Luft
6. Fidelio, opera, Op. 72: O namenlose Freude
7. Variations for 2 oboes & English horn in C major on Mozart’s ‘La ci darem,’ WoO 28
8. Duo for clarinet & bassoon in F major, WoO 27/2: Allegro affettuoso
9. Duo for clarinet & bassoon in F major, WoO 27/2: Aria, Larghetto
10. Duo for clarinet & bassoon in F major, WoO 27/2: Rondo, Allegretto moderato
Disc: 3
1. Octet for winds in E flat major, Op. 103
2. Octet for winds in E flat major, Op. 103
3. Octet for winds in E flat major, Op. 103
4. Octet for winds in E flat major, Op. 103
5. Octet for winds in E flat major, Op. 103
6. Trio for 2 oboes & English horn in C major, Op. 87: Allegro
7. Trio for 2 oboes & English horn in C major, Op. 87: Adagio cantabile
8. Trio for 2 oboes & English horn in C major, Op. 87: Menuetto, Allegro molto, Scherzo
9. Trio for 2 oboes & English horn in C major, Op. 87: Finale, Presto
10. Rondo for wind octet in E flat major (‘Rondino’), WoO 25
Disc: 4
1. Sextet for 2 clarinets, 2 horns & 2 bassoons in E flat major, Op. 71: Adagio – Allegro
2. Sextet for 2 clarinets, 2 horns & 2 bassoons in E flat major, Op. 71: Adagio
3. Sextet for 2 clarinets, 2 horns & 2 bassoons in E flat major, Op. 71: Menuetto, Quasi Allegretto
4. Sextet for 2 clarinets, 2 horns & 2 bassoons in E flat major, Op. 71: Rondo, Allegro
5. March for wind ensemble in B flat major, WoO 29
6. Duo for clarinet & bassoon in B flat major, WoO 27/3: Allegro sostenuto
7. Duo for clarinet & bassoon in B flat major, WoO 27/3: Aria con Variazioni, Andantino con moto
8. Quintet for oboe, 3 horns & bassoon in E flat major, Hess 19: first movement fragment
9. Quintet for oboe, 3 horns & bassoon in E flat major, Hess 19: slow movement
10. Quintet for oboe, 3 horns & bassoon in E flat major, Hess 19: minuet fragment
Hoje, cinco discos fantásticos para comemorar o aniversário pessoal de PQP Bach, nascido em 19 de agosto de 1727.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
A maior de todas as Waldstein? Ah, certamente! O estilo cerebral, articulado, controlado e furioso e rápido e sanguíneo de Pollini quase me fez bater o carro, pois o terceiro movimento da Wald fez com que aparecessem algumas lágrimas furtivas em meus olhos cansados, tal é a delicadeza e compreensão polliniana naquele trecho. Como fez um dos comentaristas da Amazon, fui ouvir depois Alfred Brendel. Nossa, foi um massacre da Azzurra! Ninguém, nada, nunca, nenhum fato ou argumento (nem Saer) poderá convencer-nos — a mim e Lais — de que Pollini é cerebral, frio, técnico, matemático e desalmado. O que ele faz é alojar-se em nosso ventrículo esquerdo e nos falar dali — como alguns de vocês sabem, o ventrículo esquerdo é o local onde o coração bate mais forte –, enquanto outros ficam dando voltinhas inúteis, às vezes errando de veia e perdendo-se, como diria Chico Buarque.
A Fundação para a Divulgação e Inevitável Imortalização do Guia Genial dos Pianistas Maurizio Pollini perdoa desde já àqueles comentaristas que virão com Schnabel, Kempff, Gilels e outros rapazes vivos e mortos que lutam pelo segundo lugar. Eu não concordo com Nelson Piquet, que declarou que o segundo lugar é o primeiro dos últimos; acho o segundo lugar muito digno! Eu não concordo com Machado de Assis (ou Quincas Borba) quando ele diz “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”
Um brinde a todos segundos lugares, pois eles são nossas referências mais queridas!!!
IM-PER-DÍ-VEL!!!
Beethoven: Sonatas Nos. 13, 14, 17, 21 para Piano
Piano Sonata No. 13 in E Flat Major Op. 27 by Ludwig van Beethoven
1. Andante – Allegro – Tempo I – attacca: 5:00
2. Allegro molto e vivace – attaca: 1:54
3. Adagio con espressione – attacca: 2:54
4. Allegro vivace 5:19
Piano Sonata No. 14 in C sharp minor Op. 27 “Moonlight” by Ludwig van Beethoven
5. Adagio sostenuto – attaca: 6:22
6. Allegretto – attaca: 2:16
7. Presto agitato 7:11
Piano Sonata No. 17 in D minor Op. 31 No. 2 “Tempest” by Ludwig van Beethoven
8. Largo – Allegro 8:39
9. Adagio 7:52
10. Allegretto 6:04
Piano Sonata No. 21 in C op. 53 “Waldstein” by Ludwig van Beethoven
11. Allegro con brio 9:59
12. Introduzione. Adagio molto – attaca: 3:54
13. Rondo. Allegretto moderato – Prestissimo 9:50