Charles Gounod (1818-1893): Faust – Placido Domingo, Mirella Freni, Nicolai Ghiaurov, Georges Prêtre

Esta magnífica versão da ópera de Gounod baseada em Goethe me cativou desde o começo. Solistas, orquestra, coro e maestro estão em perfeita sintonia. Nicolai Ghiaurov está impecável no papel de Mefistófeles, assim como o então jovem Placido Domingo como Fausto  e a veterana Mirella Freni no papel de Margarete, sem esquecermos a magnífica condução de Georges Prêtre, um dos principais condutores de ópera do século XX.

Fausto é uma ópera em cinco (ou às vezes quatro) atos do compositor francês Charles Gounod (libreto francês de Jules Barbier e Michel Carré) que estreou em Paris em 19 de março de 1859. O trabalho baseia-se na peça em duas partes de Johann Wolfgang von Goethe. a lenda alemã de um homem que vende sua alma ao diabo em troca de conhecimento e poder. A ópera de Gounod não tenta igualar a amplitude temática ou a sofisticação filosófica da obra-prima de Goethe, concentrando-se no encontro romântico de Fausto com Marguerite e nos resultados trágicos de sua ligação. O Fausto de Gounod foi um sucesso e estabeleceu a reputação internacional do compositor.

Estou disponibilizando um link com o libreto da ópera, com o texto original em francês e sua tradução para o inglês, mas na internet os senhores encontram outras opções.

Ao ouvir o coro que abre o terceiro CD, ‘Déposons les armes!’ lembrei-me imediatamente de um programa de rádio que ouvia quando era adolescente, pois era exatamente esse Coro que abria e fechava a programação de música clássica daquela rádio. Não perguntam qual rádio, pois não lembro.

Personagens
Doutor Faust, um filósofo (tenor)
Méphistophélès, o diabo (baixo)
Marguerite, uma jovem mulher (soprano)
Valentin, irmão de Marguerite, soldado (barítono)
Siébel, um estudante de Faust, apaixonado por Marguerite (mezzo-soprano)
Wagner, um estudante (barítono)
Marthe Schwerlein, vizinha de Marguerite (mezzo-soprano)
Meninas, trabalhadores, estudantes, soldados, aldeões, demónios invisíveis, rainhas e cortesãs da antiguidade, vozes celestes.

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LIBRETO DA ÓPERA  COM TRADUÇÃO EM INGLÊS

 

XJL158467 Poster advertising ‘Faust’, opera by Charles Gounod (1818-93) 1875, engraved by T. Laval (litho) by French School, (19th century); Bibliotheque de l’Opera Garnier, Paris, France; (add.info.: opera in five acts written 1859; based on the story written by Goethe;); French, out of copyright

Johan Svendsen (1840-1911): The Two Symphonies / Two Swedish Folk Tunes For Strings

Johan Svendsen (1840-1911): The Two Symphonies / Two Swedish Folk Tunes For Strings

As sinfonias de Svendsen são atléticas e animadas, mesmo nos movimentos lentos. Suas orquestrações são esplêndidas, mas falta-lhe a mágica dos compositores efetivamente grandes. A organização é a convencional de quatro movimentos, com dois allegri no início e no final, um segundo movimento andante e um intermezzo ou scherzo no terceiro. É agradável, culto e nada profundo. Bom para festas. Svendsen nasceu na Noruega, mas passou a maior parte de sua vida na Dinamarca. Escreveu majoritariamente obras para orquestra. Durante a vida, foi amigo de vários compositores, sendo que os principais deles são Grieg, Liszt e Wagner.

Johan Svendsen (1840-1911): The Two Symphonies / Two Swedish Folk Tunes For Strings

Symphony No.1 In D Major, Op. 4 (34:48)
1 Molto Allegro 9:10
2 Andante 11:06
3 Allegro Scherzando 5:23
4 Finale: Maestoso 8:42

Symphony No.2 In B Flat Major, Op. 15 (30:08)
5 Allegro 9:01
6 Andante Sostenuto 5:59
7 Intermezzo: Allegro Giusto 5:16
8 Finale: Andante – Allegro Con Fuoco 9:26

Two Swedish Folk Tunes, For String Orchestra (5:29)
9 Allt Under Himmelens Fäste 2:53
10 Du Gamla, Du Friska, Du Fjellhöga Nord (Swedish National Anthem) 2:30

Göteborgs Symfoniker (The Gothenburg Symphony Orchestra)
Conductor – Neeme Järvi

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Svendsen: eta homem decidido!

PQP

Domenico Scarlatti (1685-1757): 18 Sonatas – Alexandre Tharaud, piano

Domenico Scarlatti (1685-1757): 18 Sonatas – Alexandre Tharaud, piano

Scarlatti – 18 Sonatas

Como o personagem do livro de Virginia Woolf, Domenico Scarlatti viveu duas vidas em uma, mas não fez mudança de sexo.

Nascido no mesmo ano em que nasceram Johann Sebastian Bach e George Frideric Handel, mostrou talento fenomenal para música desde cedo. Seu pai, Alessandro Scarlatti, era músico famoso e muito bem estabelecido em Nápoles. Exerceu grande influência sobre a carreira do filho. Após a sua morte, em 1725, Domenico começou uma outra vida, pelo menos para a música, e produziu a obra pela qual agora é justamente famoso. Se a sua vida tivesse terminado na primeira etapa, ele teria sido um mestre menor. O que lhe garante o destaque na História da Música são as perto de 550 sonatas para cravo que produziu em sua segunda vida.

Scarlatti, por Velasco, em trajes de Cavaleiro da Ordem de Santiago

Produzidas como exercícios, nelas ele explorou e desenvolveu a técnica do teclado imensamente, mas produziu também verdadeiras pérolas que estão no repertório dos maiores (e menores) pianistas. Nestas peças exuberantes notamos ritmos de danças, muita alegria e elementos da música folclórica da Espanha. Scarlatti, com respeito a técnica do teclado, foi tão inovador quanto seriam, muitos anos depois, Liszt e Chopin. Saltos e arpejos extensíssimos, notas de passagens duplas, cruzamentos de mãos e rápidas repetições de notas. Chopin tinha grande admiração pelas peças de Scarlatti. Vladimir Horowitz sempre teve as suas sonatas em seu repertório e muito fez para o seu reconhecimento. Suas gravações ainda hoje são referências.

Scarlatti conviveu com os nobres e os grandes artistas de seu tempo. Em Roma frequentava os encontros musicais promovidos pelo Cardeal Pietro Ottoboni, que em uma destas ocasiões foi o juiz de um duelo entre os jovens Scarlatti e Handel. Considerados empatados no cravo, o enorme saxão levou a melhor no órgão. A disputa não impediu que os dois extraordinários músicos fossem amigos por toda a vida. Neste círculo de convivência conheceu o Embaixador de Portugal, o Marques de Fontes. Esta conexão o levou posteriormente, após um período em Londres, à Lisboa, onde o rei D. João V o tornou professor de música da Princesa Maria Bárbara de Bragança. A princesa casou-se em 1729 com o Príncipe Fernando de Astúrias, de Espanha, e assim Scarlatti mudou-se para Madri. Scarlatti e sua música tornaram-se espanhóis. A princesa tornou-se rainha e o protegeu por toda a vida.

Maria Barbara quando era a Princesa de Astúrias

Neste disco temos o pianista francês, Alexandre Tharaud, que nos explica a escolha do repertório. As Sonatas K. 239, K. 420 e K. 141 trazem o elemento folclórico da Música Espanhola e o Flamenco. Nas Sonatas K. 72, K. 29, K. 514 e K. 3 destaca-se o estilo virtuosístico. As Danças da Corte estão presentes nas Sonatas K. 430 e K. 64, enquanto as Sonatas K. 208, K. 32 e K. 132 lembram árias de óperas. As Sonatas K. 380, K. 9 e K. 481 são figurinhas carimbadas, aparecem em quase todos os álbuns de música de Scarlatti e Tharaud as estudava desde a adolescência.

Apesar de suas sonatas terem sido compostas para cravo, elas adaptam-se maravilhosamente ao piano. Eu tenho grande predileção pelas gravações de Horowitz, Perahia, Pogorelich, Pletnev e Subdin. Mesmo o despretensioso disco da pianista eslovena Dubravka Tomšič merece atenção. Mas o artista da vez, Alexandre Tharaud, é de primeira grandeza e o disco, com selo Virgin Classics, é muito bem produzido por Cécile Lenoir.

Minha Sonata preferida é a dolente K. 208. Cuidado, ela derreterá seu coração!

A aula da princesa, pintada por Gaspare Traversi

Domenico Scarlatti (1685 – 1757)

  1. Sonata K. 239 em fá maior – Allegro
  2. Sonata K. 208 em lá maior – Adagio è cantabile
  3. Sonata K. 72 em dó maior – Allegro
  4. Sonata K. 8 em sol menor – Allegro
  5. Sonata K. 29 em ré maior – Presto
  6. Sonata K. 132 em dó maior – Cantabile
  7. Sonata K. 430 em ré maior – Non presto mà a tempo di ballo
  8. Sonata K. 420 em dó maior – Allegro
  9. Sonata K 481 em fá menor – Andante è cantabile
  10. Sonata K. 514 em dó amior – Allegro
  11. Sonata K. 64 em ré menor – Gavota: Allegro
  12. Sonata K. 32 em menor – Aria
  13. Sonata K. 141 em ré menor – Allegro
  14. Sonata K. 472 em si bemol maior – Andante
  15. Sonata K. 3 em lá menor – Presto
  16. Sonata K. 380 em mi maior – Andante commodo
  17. Sonata K. 431 em sol maior – Allegro
  18. Sonata K. 9 em ré menor – Allegro

Alexandre Tharaud, piano

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Alexandre agradecendo aos leitores do blog!

A música de Scarlatti é perfeita para ser ouvida numa manhã ensolarada de domingo, garantia-me um querido amigo matemático inglês, já há muitos anos. Agora eu o entendo, perfeitamente!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Motetos, BWV 225 – 230 & BWV Anh. 159 – The Hilliard Ensemble

J. S. Bach (1685-1750): Motetos, BWV 225 – 230 & BWV Anh. 159 – The Hilliard Ensemble
Não precisa limpar os óculos, a ECM gosta destas capas assim, modernosas…

Motetos, um mar de ondulantes harmonias!

 

Este disco é um forte candidato a meu Disco-do-Ano, mesmo que não tenha sido lançado este ano. Se levarmos em conta a rapidez com que os discos atualmente veem e vão, um disco de 2007 (gravado em 2003) é uma velharia. Mas eu uso outras medidas, outros calendários. Estava de olho nele há tempo e finalmente os nossos caminhos se cruzaram.

O que torna um disco significativo para você, antes mesmo que ouça ainda que seja um pedacinho dele?

É claro que a combinação compositor-repertório atrai logo a atenção. Neste caso, Bach-Motetos, temos uma combinação vencedora. Logo em seguida, e aí quase deterministicamente, intérprete(s). Neste quesito, o disco oferece uma opção interessantíssima, levando os níveis de curiosidade à estratosfera. Mas, antecipo, a combinação autor-repertório-intérpretes, neste caso, não é óbvia, mas absolutamente intrigante. O Hilliard Ensemble é bem conhecido por suas interpretações de música anterior ao período barroco e teve que ser expandido, acrescentando os dois sopranos, um contra tenor e um baixo para realizar o disco. As vozes dos sopranos tornam o som dos Hilliard diferente, mas adequado para o repertório.

No conjunto da música sacra de Bach – Cantatas, Magnificat, Missas, Paixões, Oratórios e mesmo outras peças menores, os Motetos têm uma posição singular.

Veja a definição – moteto é uma composição vocal em estilo polifônico (muitas vozes) sobre um texto bíblico ou prosa similar, para ser usado em um serviço religioso. A palavra moteto tem origem latina, assim como mote (lema, tema, assunto), mot (palavra, em francês), motejo (zombaria). Bon mot – um chiste.

Mesmo nos dias de Bach, esta forma musical era arcaica. Apesar disso, os motetos foram as suas peças vocais que continuaram a ser interpretadas após a sua morte até o renascimento do interesse do público em geral por sua obra, nos fins do Século XIX.

Singet dem Herren…

Em abril de 1789, Mozart fez uma parada em Leipzig durante uma viagem a Berlim. Mozart teria feito improvisações no órgão da Igreja de São Tomás e ficou surpreso ao ouvir o Moteto Singet dem Herren ein neus Lied, cantado pelo Coro de Meninos da Igreja. Ele teria dito: “Finalmente algo do qual se possa aprender”. Pediu que as partituras das diferentes vozes fossem dispostas em cadeiras em torno dele, para que pudesse estudar a música. Ele levou consigo uma cópia da peça. Esta cópia se encontra em uma instituição em Viena e tem uma anotação feita por ele: “Uma orquestra completa deve ser acrescentada”.

Essa observação nos leva às diferentes maneiras de interpretar os Motetos. As suas partituras constam apenas de vozes – soprano, contralto, tenor e baixo. Apenas em um deles tem indicação de acompanhamento de baixo contínuo (Lobet den Herrn, alle Heiden). Alguns são em oito vozes (duplo coro), outros em quatro (ou cinco) vozes. Mas, tradicionalmente, usa-se instrumentos (colla parte) para reforçar as vozes. Outra grande diferença está no número de cantores para cada parte (cada voz). Os grandes coros das interpretações de Karl Richter, Fritz Werner, Wolfgang Gönnenwein cederam vez aos coros com poucos cantores em cada voz, seguindo a tendência das interpretações que observam os instrumentos e técnicas usadas na época das composições. Entre essas distinguem-se as gravações de Gardiner (duas), Herreweghe, Ton Koopmann e Sigiswald Kuijken.

A gravação que postamos aqui vai ainda mais longe. Seguindo a teoria de Joshua Rifkin, temos uma gravação com um cantor apenas para cada voz e nada de instrumentos acompanhando. Apenas no Moteto Lobet den Herrn, alle Heiden temos um acompanhamento de órgão tocando o contínuo da partitura. Temos, portanto, uma versão minimalista das peças, mas nada pequena.

Independentemente do tipo de interpretação ao qual você está apegado, se é que você tem alguma, ouça o disco. Essa formação, aliada à expertise e dedicação do grupo permite que observemos essa maravilhosa música de uma forma nova e essencialmente natural, quase primeva. Vozes humanas recriando um universo sonoro sofisticadíssimo. O escritor E.T.A. Hoffmann comparou os motetos a oito vozes às “ousadas e maravilhosas estruturas da Catedral de Strasbourg…” Recriar catedrais à oito vozes é o desafio a que se propõem os cantores deste disco. Em minha opinião, eles o superam galhardamente.

Vista da Catedral de Strasbourg

Os Motetos Singet dem Herrn ein neues Lied; Der Geist hilft unser Schwachheit auf; Fürchte dich nicht, ich bin bei dir; Komm, Jesu, komm e Ich lasse dich nicht, du segnest mich denn, são a oito vozes (duplo coro). Os dois outros Motetos são a quatro ou cinco (dois sopranos) vozes.

No início de carreira, Richard Wagner foi regente em Dresden. Ele regeu um concerto no dia 22 de janeiro de 1848. No programa, a Sinfonia “Praga”, de Mozart,  o Moteto Singet dem Herrn ein neues Lied, uma cena de Medea, de Cherubini e a Sinfonia Eroica, de Beethoven. Posteriormente, em um ensaio intitulado “A Música do Futuro”, escreveu loas ao moteto, “pelo valor lírico de sua melodia rítmica … ressurgindo em um mar de ondulantes harmonias”. Poético e sensível Richard.

Rosácea, Catedral de Strasbourg

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

Motetos BWV 225 – 230 e BWV Anh. 159

  1. Singet dem Herrn ein neues Lied, BWV 225
  2. Der Geist hilft unser Schwachheit auf, BWV 226
  3. Jesu, meine Freude, BWV 227
  4. Fürchte dich nicht, ich bin bei dir, BWV 228
  5. Komm, Jesu, komm, BWV 229
  6. Lobet den Herrn, alle Heiden, BWV 230
  7. Ich lasse dich nicht, du segnest mich denn, BWV Anh. 159

The Hilliard Ensemble

Joanne Lunn, soprano

Rebecca Outram, soprano

David James, contra tenor

David Gould, contra tenor

Rogers Covey-Crump, tenor, órgão

Steven Harrold, tenor

Gordon Jones, barítono

Robert Macdonald, baixo

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Aproveite, nem sempre temos anjos cantando um mar de ondulantes harmonias!

René Denon

Erik Satie (1866-1925): Peças arranjadas para flauta e violão – Sketches of Satie

Erik Satie (1866-1925): Peças arranjadas para flauta e violão – Sketches of Satie

Eu, como um grande entusiasta da obra de Satie, quero compartilhar essa pequena joia musical.

“Sketches of Satie” é uma coletânea de composições originais para piano de Erik Satie, rearranjadas e tocadas pelos irmãos Steve (violão) e John Hackett (flauta). As peças foram tão bem transcritas para flauta e violão que é difícil acreditar, principalmente para os leigos, que não tenham sido originalmente compostas para estes instrumentos.

Os fãs do grupo Genesis, não serão surpreendidos pelo virtuosismo de Steve Hackett, ex-guitarrista da banda britânica. A revelação aqui é seu irmão John, que toca de forma tão natural e fluente, que demonstra uma inspiração quase divina.

A performance dos irmãos apresenta uma assombrosa e hipnótica, beleza exótica. Steve Hackett mostra aqui, porque é um dos melhores e mais versáteis violonistas (guitarristas) do mundo, cedendo os holofotes para seu irmão, ele exibe sem constrangimentos, uma admirável e irrestrita modéstia.

Uma ótima audição!

.oOo.

— Sketches of Satie —

1. Gnossienne No. 3 (2:24)
2. Gnossienne No. 2 (1:56)
3. Gnossienne No. 1 (3:18)
4. Gymnopédie No. 3 (2:36)
5. Gymnopédie No. 2 (2:52)
6. Gymnopédie No. 1 (3:55)
7. Pièces Froides No. 1 Airs À Faire Fuir I (2:46)
8. Pièces Froides No. 1 Airs À Faire Fuir II (1:36)
9. Pièces Froides No. 2 (2:05)
10. Avant Dernières Pensées (Idylle à Debussy) (0:57)
11. Avant Dernières Pensées (Aubade à Paul Dukas) (1:11)
12. Avant Dernières Pensées (Méditation à Albert Roussel) (0:54)
13. Gnossienne No. 4 (2:41)
14. Gnossienne No. 5 (3:20)
15. Gnossienne No. 6 (1:41)
16. Nocturnes No. 1 (3:31)
17. Nocturnes No. 2 (2:14)
18. Nocturnes No. 3 (3:36)
19. Nocturnes No. 4 (2:49)
20. Nocturnes No. 5 (2:27)

Steve Hackett (guitar)
John Hackett (flute)

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Os irmãos Hackett

Marcelo Stravinsky

Why Not Here: Music for Two Lyra Viols

Why Not Here: Music for Two Lyra Viols

Este disco já foi chamado de Music for Two Lyra Viols, mas mudou de nome em sua reedição, ganhando o título de uma das peças. Uma “lyra viol” não é um instrumento especial, refere-se a um modo específico de tocar a viola da gamba, como um instrumento capaz de harmonia +  melodia, em vez de apenas melodia ou usado em um contexto puramente baixo. Esse conjunto de peças reflete a característica comum que Perl e Heumann empregam em suas aparições em concertos na Europa. O desconhecido Thomas Ford é um dos principais expoentes ingleses da lyra viol durante os períodos do final do Renascimento e do Barroco. O propósito declarado de Music for Two Lyra Viols é “celebrar e superar a melancolia, alterando a química de seu cérebro para colocar música em vez de outras drogas “. Sim, as duas são meio viajandonas. Perl contribui com uma nota de álbum altamente pessoal, que vagueia por temas distantes da música, mas que é uma novidade, pois o blá-blá-blá usual sobre os compositores  já encheu o saco. Um bom e melancólico CD, vindo de uma dupla e grupo hiper especializado neste gênero de repertório.

Why Not Here: Music for Two Lyra Viols

Thomas Ford
01. A Paven, M. Maynes choice
02. The Galiard
03. Forget me not
04. The Baggepipes, Sir Charles Howards delight
05. Why not here, M. Crosse his choice
06. Cate of Bardie, The Queenes Jig

John Jenkins
07. Fantasia

John Danyel
08. Passymeasures
09. A Fancy

Alfonso Ferrabosco II
10. Almaine
11. Galliard
12. Coranto

Anthony Holborne
13. Goe from my window

Richard Alison
14. Goe from my window

Thomas Ford
15. A Paven, Sir Richard Westons delight
16. The Galiard
17. An Almaine, M. Westovers farewell
18. Whipit and Tripit, M. Southcotes Jig

Alfonso Ferrabosco
19. The Spanish Paven

William Lawes
20. Paven
21. Aire

Performers:
Hille Perl – Viola da Gamba
Friederike Heumann – Viola da Gamba, Treble Viol
Lee Santana – Renaissance Lute, Cittern
Michael Freimuth – Renaissance Lute

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Hille Perl dando um recital no Galpão Sinfônico do PQP Bach

PQP

Flausino Vale (1894-1954): Prelúdios

Flausino Vale (1894-1954): Prelúdios

Já que falei semana passada de Dworecki e sua contribuição à viola no Brasil, ocorreu-me de falar do maior dos violinistas e compositores para violino brasileiros (e que, vale abrir os parênteses, não se trata de um imigrante europeu): o mineiro Flausino Vale, chamado (com absoluta e inconteste razão) de “O Paganini brasileiro” por Villa-Lobos e que já foi executado por ninguém menos que Jascha Heifetz.

Por recomendação do Avicenna, acessei uma coleção da Funarte no Um que tenha (de onde tirei o arquivo que vocês irão baixar) e deparei com este CD em que Flausino é executado por seu maior admirador vivo: o violinista polonês naturalizado brasileiro Jerzy Milewski, que vez ou outra vejo passeando pela praia do Leme.

A maioria dos 21 prelúdios é de uma dificuldade paganiniana, pois parecem ter sido escritos para dois ou três violinos em um só, com a grande diferença – no plano da criação composicional – de se valer de cenas corriqueiras como fonte de inspiração (vejam os títulos nas faixas) e de incitar no ouvinte imagens de tal forma como Paganini nunca pensou lograr, tamanho o domínio da timbrística do violino que o mineiro possuía (quem não conseguir ouvir uma porteira em A porteira da fazenda ou identificar uma marcha fúnebre em Resquiescat in pace possivelmente tem agnosia irreversível).

Enfim, Flausino Vale é mais uma joia rara esquecida nessa bosta de país.

***

Flausino Vale (os prelúdios foram gravados fora da ordem original)

Devaneio
Sonhando
Tico-Tico
A Porteira da Fazenda
Viola Destemida
Folguedo Campestre
Implorando
A Mocinha e o Papudo
Asas Inquietas
Interrogando o Destino
Batuque
Requiescat In Pace
Mocidade Eterna
Acalanto
Rondó Doméstico
Tirana Riograndense
Repente
Brado Íntimo
Viva São João
Pai João
Casamento na Roça

Jerzy Milewski, violino

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Flausino: popular e erudito

CVL

Delalande, Couperin, Lully: Messe du Roi Soleil – Ensemble Marguerite Louise, dir. Gaétan Jarry

Messe du Roi Soleil

Michel Richard Delalande (France, 1657-1726)
François Couperin (França, 1668 – 1733)
Jean-Baptiste Lully (Italy, 1632-France, 1687)

Ensemble Marguerite Louise
dir. Gaétan Jarry

2019

 

A Missa do Rei Sol foi sem dúvida um dos rituais privilegiados para a construção da glória do soberano, tanto pelo seu esplendor quanto pelo aspecto cerimonial que paralisa o tempo, solidificando a imagem eterna do poder real. Os maiores compositores do reino distinguiram-se fazendo do serviço sagrado um verdadeiro concerto celestial. O sino tocou, os pífanos e os tambores anunciaram a chegada do rei na galeria, o órgão explodiu os Grands Motets de Lully e Delalande, encantados sob as abóbadas douradas, os delicados e íntimos Petits Motets de Couperin aparecem com graça nas alcovas da Capela Real…

O Rei Sol ouviu vários tipos de missa em sua capela, a mais famosa a “missa baixa solene” que consistia em um grand motet, um petit motet e um Domine salvum fac regem, todos cantados enquanto o padre falava calmamente a liturgia. Em outras ocasiões, ele ouviu música de órgão e canto e aqui nós temos um pouco de tudo, às vezes um pouquinho. Assim, o efeito geral é bastante insatisfatório, embora as obras principais – configurações de salmo de Delalande e Lully – sejam peças esplêndidas, dignamente cantadas. De fato, os solos e duetos de soprano são alguns dos melhores que eu já ouvi há muito tempo. No entanto, o veredicto geral tem que ser “poderia fazer melhor”. (ex-internet)

François-André Danican Philidor (França, 1726 – 1795
01. Marche pour fifres et tambours
Jean-Adam Guilain (Alemanha, c. 1680 – after 1739)
02. Suite du troisième ton: Plein Jeu
Michel Richard Delalande (France, 1657-1726)
03. Exaltabo te Domine, S.66: I. Exaltabo te Domine
04. Exaltabo te Domine, S.66: II. Psallite Domino,
05. Exaltabo te Domine, S.66: III. Ad vesperum demorabitur
06. Exaltabo te Domine, S.66: IV. Ego autem dixi
07. Exaltabo te Domine, S.66: V. Avertisti faciem tuam
08. Exaltabo te Domine, S.66: VI. Ad te clamabo
09. Exaltabo te Domine, S.66: VII. Quae utilitas
10. Exaltabo te Domine, S.66: VIII. Audivit Dominus
François Couperin (França, 1668 – 1733)
11. Messe des couvents: Dialogue sur les grands jeux
12. Venite exultemus Domino
13. Messe des couvents: Tierce en taille
Anonyme
14. Communion de la Messe pour Saint Louis: Introibo in domum tuam Domine
Jean-Baptiste Lully (Italy, 1632-France, 1687)
15. Exaudiat te Dominus: I. Exaudiat
16. Exaudiat te Dominus: II. Tribuat tibi secundum
17. Exaudiat te Dominus: III. Impleat Dominus
18. Exaudiat te Dominus: IV. Exaudiet ilum de Coelo Sancto Suo
19. Exaudiat te Dominus: V. Ipsi obligati sunt
20. Exaudiat te Dominus: VI. Domine salvum fac Regem
21. Exaudiat te Dominus: VII. Gloria Patri e Filio

Messe du Roi Soleil
Delalande, Couperin, Lully
Ensemble Marguerite Louise – 2019
dir. Gaétan Jarry

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XLD RIP | FLAC | 277 MB

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MP3 | 320 KBPS | 121 MB

powered by iTunes 12.8.2 | 54 min

Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. II – Le Cantate Per Il Marchese Ruspoli

G.  F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. II – Le Cantate Per Il Marchese Ruspoli

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ao restaurar este link, eu, PQP Bach, retirei o primeiro parágrafo escrito pelo  FDP Bach. O motivo é que ele se referia a uma viagem minha que, bem, tenho saudades daquilo, mas só valeu para aquela data. O que permanece é a alta qualidade desta coleção de Cantatas Italianas do grande Handel. Com a palavra, FDP.

Mais um baita CD desta impecável coleção, um primor de qualidade de gravação aliado a um tremendo bom gosto. O destaque? Difícil de escolher, o cd inteiro é magnífico, com duas excelentes cantoras e um conjunto orquestral excelente. Recomendo a leitura do booklet em anexo, que dá um histórico da vida de Handel recém chegado à Itália, além de descrever as obras aqui gravadas.

G. F. Handel – Italian Cantatas, Vol. II – Le Cantate Per Il Marchese Ruspoli

01 – Armida Abbandonata HWV105 – I Dietro l’orme fugaci
02 – Armida Abbandonata HWV105 – II Ah! Crudele, e pur ten vai
03 – Armida Abbandonata HWV105 – III Per te mi struggo
04 – Armida Abbandonata HWV105 – IV O voi, dell’inconstante
05 – Armida Abbandonata HWV105 – V Venti fermate si
06 – Armida Abbandonata HWV105 – VI Ma che parlo, che dico –
07 – Armida Abbandonata HWV105 – VII In tanti affanni
08 – Diana Cacciatrice HWV79 – I La Marche
09 – Diana Cacciatrice HWV79 – II Alla caccia
10 – Diana Cacciatrice HWV79 – III Foriera la tromba
11 – Diana Cacciatrice HWV79 – IV Alla caccia
12 – Diana Cacciatrice HWV79 – V Tacete ola tacete
13 – Diana Cacciatrice HWV79 – VI Di questa selva
14 – Diana Cacciatrice HWV79 – VII Alla caccia
15 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- I Sonata
16 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- II Tu fedel – Tu costante –
17 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- III Cento belle ami Fileno
18 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- IV L’occhio nero
19 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- V Se Licori
20 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- VI Ma se non hai piu d’un sol cuore
21 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- VII Se non ti piace amarmi
22 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- VIII Ma il tuo genio incostante
23 – Tu Fedel – Tu Costante HWV171- IX Si crudel, ti lascero
24 – Notte Placida e Cheta HWV142 – I Notte palcida e cheta
25 – Notte Placida e Cheta HWV142 – II Zeffiretti, deh!
26 – Notte Placida e Cheta HWV142 – III Momento fortunato
27 – Notte Placida e Cheta HWV142 – IV Per un istante
28 – Notte Placida e Cheta HWV142 – V Ma gia sento che spande
29 – Notte Placida e Cheta HWV142 – VI Luci belle
30 – Notte Placida e Cheta HWV142 – VII O delizie d’amor
31 – Notte Placida e Cheta HWV142 – VIII Che non si da
32 – Un’Alma Innamorata HWV173 – I Un’alma innamorata
33 – Un’Alma Innamorata HWV173 – II Quel povero core
34 – Un’Alma Innamorata HWV173 – III E pur bench’egli
35 – Un’Alma Innamorata HWV173 – IV Io godo, rido e spero
36 – Un’Alma Innamorata HWV173 – V In quanto a me
37 – Un’Alma Innamorata HWV173 – VI Ben impari come s’ama

Emanuela Galli – Soprano
Roberta Invernizzi – Soprano
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & Direction

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La Risonanza non magnetica

FDP / PQP

Philip Glass (1937): Violin Concerto / Alfred Schnittke (1934-1998): Concerto Grosso

Philip Glass (1937): Violin Concerto / Alfred Schnittke (1934-1998): Concerto Grosso

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não vejo nenhuma semelhança entre o minimalismo de Glass e o poliestilismo de Schnittke, mas vá entender os critérios mercadológicos da DG. O fato é que o Concerto Grosso do russo humilha o Concerto de Glass, que até é bom, só que não é mole conviver com um companheiro doidamente ótimo. Para tanto, basta ouvir o movimento Lento de Schnittke, uma maravilha.

Gente, poliestilismo é o uso de múltiplos estilos e/ou técnicas de composição musical. É caracterizado pela capacidade de absorver diferentes tradições e expressar-se particularmente através de uma mistura de estilos altamente individual e refinada, capaz de unir passado, presente e futuro, o local e o universal. Alfred Schnittke foi o seu pioneiro, e com isso trouxe um novo caminho, de traço muito original para a contemporaneidade.

Schnittke foi o compositor mais importante a surgir na Rússia desde Dmitri Shostakovich. A sua música, nos seus primeiros anos, demonstra uma forte influência de Shosta. Desenvolveu fundamentais trabalhos como a sua épica Sinfonia nº 1 (1969-1972) e o seu lindíssimo Concerto Grosso nº 1 (1977), aquele do tando no final. Nos anos 1980, sua música começou a ser reconhecida fora de seu país. Escreveu então a esplêndida Suíte Gógol, o Quarteto de Cordas n°2 (1980), n°3 (1983) e também um Trio para Cordas (1985), o ballet Peer Gynt (1985-1987), as sinfonias n°3 (1981), n°4 (1984) e n°5 (1988), além do Concerto para viola (1985) e do Concerto para Violoncelo (1985-1986).

Em 1985, sofreu seu primeiro AVC. À medida que sua saúde se deteriorava, o compositor foi abandonando a extroversão do seu poliestilismo, adotando um estilo mais introspectivo e sombrio. Seu fim foi muito triste.

Glass (1937): Violin Concerto / Schnittke (1934-1998): Concerto Grosso

Philip Glass (1937 – )
Concerto For Violin And Orchestra

1. = 104 – = 120 6:40
2. = ca. 108 8:46
3. = ca. 150 – Coda: Poco meno = 104 9:30
Gidon Kremer, Wiener Philharmoniker, Christoph von Dohnányi

Alfred Schnittke (1934 – 1998)
Concerto Grosso No.5

4. 1. Allegretto 7:56
5. 2. Without tempo indication 5:18
6. 3. Allegro vivace 6:02
7. 4. Lento 8:28
Gidon Kremer, Wiener Philharmoniker, Christoph von Dohnányi, Rainer Keuschnig

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Alfred Schnittke e sua esposa Irina, que era pianista

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos de Cordas, Op. 18, 4; Op. 135; Op. 95 – Pavel Haas Quartet

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos de Cordas, Op. 18, 4; Op. 135; Op. 95 – Pavel Haas Quartet

Quarteto de Cordas em dó menor, Op. 18, 4

Quarteto de Cordas em fá maior, Op. 135

Quarteto de Cordas em fá nenor, Op. 95 – Quarteto Serioso

A Integral das Sonatas para Piano ou dos Quartetos de Cordas de Beethoven tornou-se por demais comum neste nosso mundo de excessos. Há uma infinidade de opções de gravações das sonatas e meia infinidade de gravações dos quartetos. Ficamos assim assoberbados com essas possibilidades e até esquecemos que essas obras foram produzidas vagarosamente, ao longo de toda a vida criativa do genioso e genial Ludovico.

Trinta e duas sonatas e dezesseis quartetos, mais uma enorme fuga, formam realmente um conjunto imponente. Onde começar? O que ouvir primeiro?

Começaremos deixando as sonatas para outra ocasião e vamos nos concentrar nos quartetos.

Assim como no caso das sonatas, a composição dos quartetos ocupou Beethoven ao longo de toda a sua carreira de compositor, que é dividida (apenas por razões práticas) em três períodos: Primeiros Anos (1792-1802); Período Heroico (iniciando em 1803, com a Sinfonia Eroica); Fase Final (iniciando em 1814, com a Hammerklavier).

Neste disco temos uma ótima introdução aos Quartetos de Cordas. Portanto, é um excelente convite para quem gostaria de explorar mais este repertório, mas se sente um pouco assoberbado pelo volume da obra. Ah, mas também é uma maravilha para quem já navega bem nestas águas, pois o disco é supimpa!

O disco reúne várias características que eu prezo bastante. É um disco (de certa forma) despretensioso. Gravado pela BBC Music foi vendido nas bancas com o Volume 17, No. 9, da revista. O Quarteto Paavel Haas, que interpreta as obras, é famoso e detentor de inúmeros prêmios, mas em 2007 estava vivendo seus primeiros sucessos. Assim, suas performances neste disco tem um frescor, um sabor de descoberta e uma certa impetuosidade e audácia que geralmente caracterizam as interpretações de jovens e talentosos artistas. Fundado em 2002, o PHQ ganhou em 2007 o título Rising Stars, da European Concert Hall Organization, e de 2007 a 2010 foi o quarteto da BBC New Generation Artists. Além disso, este é o único disco com quartetos de Beethoven na discografia deles ?.

Veja também por que o repertório do disco é interessante.

No seu período inicial, Beethoven produziu seis quartetos, todos publicados como o Opus 18. Isso de publicar em grupos de seis (ou três) peças era típico da época e foi mudando ao longo da vida de Beethoven.

Deste primeiro conjunto temos o Quarteto em dó menor, Op. 18, No. 4. É uma peça bem representativa deste Primeiro Período. Segue os moldes tradicionais vigentes, mas revela vários traços da personalidade do autor: impetuosidade, autoconfiança, bom humor, e tem uma boa pitada de inovação. Estas características são deixadas bem evidentes pelo PHQ. Impetuosidade descreve o primeiro movimento. O segundo, um Scherzo, revela autoconfiança. Não deixe de notar o rascante sotaque do violoncelo. O Menuetto no terceiro movimento é cheio de urgência e o quarteto é arrematado com um Allegretto que revela alguma serenidade e bastante decisão. Os movimentos dos quartetos são descritos (quase que sempre) pelos títulos em italiano e lê-los já é uma fonte de prazer.

O segundo quarteto do disco é a última obra completa que Beethoven compôs. Após este quarteto ele compôs apenas o movimento final (mais curto) do quarteto Op. 130, que usou para substituir o original, que foi publicado separadamente como a Grosse Fuge, Op. 133. Este é o mais compacto dos últimos quartetos e ainda segue o padrão de quatro distintos movimentos. No primeiro movimento você notará certos padrões, como o questionamento e resposta, tensão e distensão, que tornam as peças desse compositor tão atraentes. No segundo movimento, Vivace, note os contrastes sonoros obtidos com as diferentes maneiras de usar os arcos que tocam os instrumentos. A palavra contemplação resume o terceiro e lindo movimento Lento assai, cantante e tranquilo. Este movimento rivaliza-se em beleza com o Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der Lydischen Tonart. Molto adagio – Andante, o terceiro movimento do Quarteto No. 15, em lá menor, Op. 132 (fica aqui uma dica).

O quarto e último movimento tem uma inscrição que o precede: Der schwer gefasste Entschluss. Muss es sein? Es muss sein! (A difícil decisão: Tem que ser? Tem que ser!) Esta frase está associada ao sentimento de inevitabilidade. O destino: o que tem que ser, será! (Veja o conhecido livro do Kundera, A Insustentável Leveza do Ser.) O movimento tem toda essa coisa de pergunta e afirmação, tensão e resolução, completando assim, a obra.

Para completar o disco, o último dos quartetos considerados do Período Heroico. O Quarteto No. 11, em fá menor, Op. 95, tem o título Quarteto Serioso, devido ao terceiro movimento, Allegro assai vivace ma serioso. Este também é um quarteto compacto, que novamente inicia com muita impetuosidade, típica desta fase do compositor. O quarteto foi composto na mesma época que a Abertura Egmont. Beethoven afirmou em uma carta a Georg Smart que “o Quarteto [Op. 95] foi escrito para um restrito ciclo de connoisseurs e nunca deve ser tocado em público”. A afirmação deve ser considerada em contexto. Na composição deste quarteto Beethoven experimentou várias novas técnicas: desenvolvimentos mais curtos, uso mais acentuado de silêncio e outras coisas mais técnicas. Nada que você não possa lidar… Não deixe de perceber os momentos finais do disco, uma coda para arrematar lindamente um belíssimo e singelo disco.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Quarteto de Cordas em dó menor, Op. 18, 4

  1. Allegro ma non tanto
  2. Scherzo: Andante scherzoso quasi allegretto
  3. Menuetto: Allegro
  4. Allegretto

Quarteto de Cordas em fá maior, Op. 135

  1. Allegretto
  2. Vivace
  3. Lento assai, cantante e tranquillo
  4. Der schwer gefasste Entschluss: Grave, ma non troppo tratto – ůAllegro

Quarteto de Cordas em fá menor, Op. 95 – Quarteto Serioso

  1. Allegro com brio
  2. Allegretto ma non troppo
  3. Allegro assai vivace ma serioso
  4. Larghetto espressivo – Allegretto agitato – Allegro

Pavel Haas Quartet

Veronika Jarůškova, violino

Eva Karová, violino (Op. 18, 4 e Op. 135)

Maria Fuxová, violino (Op. 95)

Pavel Nikl, viola

Peter Jarůšek, violoncelo

Gravado no Warehouse, Londres, em 2008

Produção: Lindsay Kemp

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 263 MB

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MP3 | 320 KBPS | 157 MB

Aproveite, baixe o disco, ouça uma vez, duas. Verá que há um universo entre quatro instrumentos de cordas!

René Denon

Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) – Ofício Fúnebre a Oito Vozes + Missa de Réquiem (1809) – Coro da OSESP

Pe. José Maurício Nunes Garcia
1767-1830, Rio de Janeiro, RJ

Coro da OSESP
dir. Carlos Alberto Figueiredo
Alessandro Santoro, órgão
Marialbi Trisolio, violoncelo

Ofício Fúnebre a Oito Vozes
Missa de Réquiem 1809
Abertura em Ré

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP, lançou o CD acima em 2017, para comemorar o 250º aniversário do nascimento do Padre José Maurício.

A gravação foi realizada somente com o Coro da OSESP sob a direção do maestro Carlos Alberto Figueiredo, autoridade em música sacra colonial brasileira, e apresenta a pouco conhecida Missa de Réquiem na versão 1809, pela primeira vez. A versão conhecida é a de 1816.

Uma novidade é o Selo Digital OSESP que “oferece música clássica para ouvir e baixar gratuitamente”, segundo o próprio site da OSESP, AQUI.

José Maurício 250
01. Abertura em Ré
02. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório I. – Credo Quod Redemptor Meus Vivit
03. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório II. – Qui Lazarum Resuscitasti
04. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório III. – Domine Quando Veneris
05. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório IV. – Memento Mei Deus
06. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório V. – Hei Mihi Domine
07. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório VI. – Ne Recorderis Peccata Mea
08. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório VII. – Peccantem Me Quotidie
09. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório VIII. – Domine Secundum Actum Meum
10. Ofício Fúnebre a Oito Vozes – Responsório IX. – Libera Me Domine
11. Missa de Réquiem (1809) – I. Introit and Kyrie
12. Missa de Réquiem (1809) – II. Gradual
13. Missa de Réquiem (1809) – III. Offertory
14. Missa de Réquiem (1809) – VI. Sanctus
15. Missa de Réquiem (1809) – V. Agnus Dei
16. Missa de Réquiem (1809) – VI. Communion

José Maurício 250
Pe. José Maurício Nunes Garcia
Coro da OSESP
dir. Carlos Alberto Figueiredo
Alessandro Santoro, órgão
Marialbi Trisolio, violoncelo

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MP3 | 256 KBPS | 126 MB

powered by iTunes 12.8.2 | 1 h 09 min

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violino – Krysia Osostowicz & Susan Tomes

Gabriel Fauré (1845-1924): Sonatas para Violino – Krysia Osostowicz & Susan Tomes
Place du Théâtre français (1898), por Camille Pissarro (1830-1903)

Sonata para violino No. 1 em lá maior, Op. 13

Sonata para violino No. 2 em mi menor, op. 108

A combinação de um instrumento melódico e um instrumento com teclado (piano, pianoforte ou cravo, dependendo da época) é muito apreciada pelos compositores e há uma enormidade de obras-primas com este formato.

Eu tenho uma especial predileção pelas sonatas para violino e piano produzidas por compositores franceses (e adjacências). Essas peças geralmente combinam graça, sutileza, elegância e sofisticação. Este disco traz duas delas: as sonatas de Gabriel Fauré.

Fauré viveu um período de tremendas mudanças, tanto na música quanto nas coisas do mundo. Quando iniciou sua vida de compositor, na década de sessenta do Século XIX, Chopin, Liszt e Wagner eram compositores de vanguarda. Quando morreu, seis anos depois de Debussy, o mundo havia passado pela Primeira Grande Guerra, Schoenberg era a vanguarda na música e até a Sagração da Primavera havia sido estreada.

Gabriel Urbain Fauré, 1907

Fauré foi membro fundador da Société Nationale de Musique, junto com Saint-Saëns (de quem fora aluno), Bizet, Chabrier, Franck e Massenet. A primeira das duas sonata para violino de Fauré teve sua estreia em um dos concertos da Société, que estimulou enormemente a produção de música de câmera francesa.

Compor era apenas uma das muitas atividades musicais de Fauré, que foi organista, professor e diretor do Conservatório de Paris. Em 1905, Maurice Ravel, que era aluno de Fauré, foi eliminado prematuramente de concorrer ao Prix de Roma (uma importante competição que garantia ao vencedor uma estada de um ano estudando em Roma) pela sexta vez. Essa controvérsia acabou com a demissão do antigo diretor do Conservatório e a indicação de Fauré em seu lugar. Ele mudou radicalmente a administração e o currículo do Conservatório. Instituiu bancas com membros externos e independentes para decidir as novas admissões, exames e competições. Isso acabou com antigos privilégios e favorecimentos que eram dados aos alunos particulares dos professores.

Krysia Osostowicz

A primeira sonata foi entusiasticamente recebida em janeiro de 1877 num concerto da Société National de Musique e ganhou uma ótima resenha no Journal de Musique, escrita por Saint-Saëns. A sonata chama a atenção pela sua verve e frescor, revelando a juventude do compositor.

A segunda sonata foi a primeira de uma série de obras-primas camerísticas compostas por Fauré. A sonata tem uma linguagem harmônica mais complexa do que a primeira e transparece as atribulações pelas quais o compositor passava. Fauré, como Beethoven, viveu na surdez seus últimos anos. Além disso, durante a composição da sonata, entre 1916 e 1917, seu filho estava em serviço militar.

Susan Tomes

Mas nada de preocupações, o disco é excelente, as intérpretes, Krysia Osostowicz, violino, e Susan Tomes, piano, são excelentes. Ambas são membros do Quarteto Domus e experts em música de câmera. A produção do disco, aos cuidados de Andrew Keener, é excelente. O selo Hyperion empacota tudo e arremata a encomenda com mais uma de suas capas maravilhosas.

Gabriel Fauré (1845 – 1924)

Sonata para violino No. 1, em lá maior, Op. 13
  1. Allegro molto
  2. Andante
  3. Allegro vivo
  4. Allegro quasi presto
Sonata para violino No. 2, em mi menor, Op. 108
  1. Allegro non troppo
  2. Andante
  3. Allegro non troppo

Krysia Osostowski, violino

Susan Tomes, piano

Produção: Andrew Keener

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FLAC | 225 MB

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MP3 | 320 KBPS | 114 MB

Aproveite para apreciar a juventude da primeira e a maturidade da segunda sonata!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Piano Concertos – Arrau, Haitink, Concertgebouw Orchestra

Feliz com a repercussão de uma postagem que fiz recentemente, onde Claudio Arrau toca as Valsas de Chopin, resolvi trazer uma outra ótima gravação dele, desta vez os Concertos para Piano de Beethoven, com o acompanhamento da Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam, brilhantemente dirigida por Bernard Haitink.

Dia destes estávamos conversando no grupo de Whattsap do PQPBach sobre nossas gravações favoritas destes concertos. Várias gravações foram lembradas, desde as históricas, que alguns colegas chamam de jurássicas, como as de Arthur Schnabel, ou as mais recentes, como de Paul Lewis, todas com suas respectivas características. Lembrei que minhas favoritas eram as de Stephen Kovacevich, aquela gravada lá no início dos anos 70, com Colin Davis, Arthur Rubinstein, Leon Fleischer / George Szell, entre os ditos jurássicos, entre outras. Não lembro de terem mencionado este registro de Claudio Arrau, talvez desconhecido para alguns colegas.

E é para estes colegas, e claro, para os senhores, que  as estou trazendo. Recentemente foi lançada uma caixa com a integral das gravações de Arrau pelo saudoso selo Philips, e é dali que as estou buscando.

CD 1
Beethoven: Piano Concertos Nos. 1 & 2
Piano Concerto No. 1 in C Major, Op. 15
1.1. Allegro con brio
2.2. Largo
3.3. Rondo (Allegro scherzando)

Piano Concerto No. 2 in B-Flat Major, Op. 19
4.1. Allegro con brio
5.2. Adagio
6.3. Rondo (Molto allegro)

Claudio Arrau – Piano
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink – Conductor

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CD 2
Piano Concerto No. 3 in C Minor, Op. 37
1.1. Allegro con brio
2.2. Largo
3.3. Rondo (Allegro)
Piano Concerto No. 4 in G Major, Op. 58
4.1. Allegro moderato
5.2. Andante con moto
6.3. Rondo (Vivace)

Claudio Arrau – Piano
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink – Conductor

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CD 3
Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73 “Emperor”
1.1. Allegro
2.2. Adagio un poco mosso
3.3. Rondo (Allegro)

Claudio Arrau – Piano
Royal Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink – Conductor

Triple Concerto in C Major, Op. 56
4.1. Allegro
5.2. Largo – attacc
6.3. Rondo alla Polacca

Claudio Arrau
Henryk Szeryng
János Starker
New Philharmonia Orchestra
Eliahu Inbal

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Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704) – Histoires sacrées – Ensemble Correspondances, dir. Sébastien Daucé.

Marc-Antoine Charpentier
France, 1643-1704

Histoires sacrées

Ensemble Correspondances
dir. Sébastien Daucé

2019

 

Marc-Antoine Charpentier é o único compositor da época de Luís XIV a se distinguir tão notavelmente no gênero da “história sagrada”: escreveu mais de trinta obras desse tipo, todas compostas depois de sua residência na Itália.

Sébastien Daucé e o Ensemble Correspondances extraíram cuidadosamente desse excepcional material um número de preciosidades que refletem tanto sua experiência em Roma (provavelmente estudando com Carissimi, o mestre do oratório) quanto as preocupações humanistas de um período inteiro.

Como uma ópera em miniatura, cada peça relata um destino exemplar, incluindo várias mulheres de extraordinária força de vontade (Judith, Cecilia, Maria Madalena) e uma profunda amizade posta à prova (Mors Saülis e Jonathæ).(ex-internet)

Histoires sacrées
Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704)
Ensemble Correspondances – 2019
dir. Sébastien Daucé

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XLD RIP | FLAC | 796 MB

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MP3 | 320 KBPS | 398 MB

powered by iTunes 12.8.2 | 2 h 48 min

Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

Stephen Hough’s Spanish Album – Peças de A. Soler, E. Granados, I. Albeniz, F. Mompou, F. Longas, C. Debussy, M. Ravel, F. X. Scharwenka, W. Niemann e S. Hough

Stephen Hough’s Spanish Album – Peças de A. Soler, E. Granados, I. Albeniz, F. Mompou, F. Longas, C. Debussy, M. Ravel, F. X. Scharwenka, W. Niemann e S. Hough

Peças para Piano 

Vários Compositores

 

Uma alusão à música espanhola nos traz à memória uma variedade de ritmos e estilos que vão do violão clássico, passando pelo flamenco, zarzuela e outros. Esses ritmos e estilos inspiraram compositores de Espanha e de outros países também.

Como não pensar no Capricho Espanhol, de Rimsky-Korsakov, na ópera Carmen, de Bizet ou no balé El amor brujo, de Manuel de Falla?

A música tem esse poder de evocar lembranças em todos os nossos sentidos: sons, cores, temperatura e sabores – tudo junto e misturado.

O disco desta postagem nos transporta para um mundo de paixões e misticismo. Você identificará em cada faixa algum aspecto da cultura espanhola e ficará surpreso ao perceber que nem todas as peças foram compostas por espanhóis.

O disco merece ser ouvido muitas vezes. Primeiro por sua simples beleza e sensualidade. Depois você perceberá a altíssima qualidade técnica do pianista Stephen Hough, um dos melhores em atividade.

A maneira como o disco foi concebido, desfilando compositores espanhóis, fraceses e de outras nacionalidades, mas também guardando alguma ordem cronológica mostra o cuidado da produção.

Real Alcazar, Sevilha

A sonata do padre Antonio Soler nos lança imediatamente no clima de ritmos empolgantes, de clara evocação espanhola. Soler aprendeu muita coisa com o Domenico Scarlatti!

A sequência também apresenta peças mais poéticas, onde ritmos mais dolentes revelam o caráter apaixonado da cultura espanhola.

Os compositores franceses agregam muita sofisticação e refinamento ao disco.

Stephen Hough

As últimas faixas exibem o aspecto virtuosístico do pianista que compôs a última delas. É a técnica colocada ao serviço da música (e do nosso prazer), não o contrário.

O selo Hyperion é mais uma garantia de qualidade na produção sonora, nas notas do livreto e na escolha da (magnífica) capa. Veja o que disse a Classic CD sobre o álbum: “This is a terrific disc. A master pianist reminds us that the piano can delight, surprise and enchant!”

Stephen Hough’s Spanish Album

  1. Antonio Soler (1729-1783) – Sonata em fá sustenido maior
  2. Enrique Granados (1867-1916) – Valses poéticos
  3. Isaac Albéniz (1860-1909) – Evocación, do livro I, de Iberia
  4. Isaac Albéniz – Triana, do livro II, de Iberia
  5. Frederico Mompou (1893-1987) – Pájaro triste, de Impressiones íntimas
  6. Frederico Mompou – La barca, de Impressiones íntimas
  7. Frederico Mompou – Secreto, de Impressiones íntimas
  8. Frederico Mompou – Gitano, de Impressiones íntimas
  9. Federico Longas (1893-1968) – Aragón
  10. Claude Debussy (1862-1918) – La soirée dans Grenade, de Estampes
  11. Claude Debussy – La sérenade interrompue, dos Préludes, livro I
  12. Claude Debussy – La Puerta del Vino, dos Préludes, livro II
  13. Maurice Ravel (1875-1937) – Pièce em forme de Habanera, arranjo de Maurice Dumesnil (1886-1974)
  14. Isaac Albéniz – Tango, arranjo de Leopold Godowsky (1870-1938)
  15. Franz Xaver Scharwenka (1850-1924) – Spanisches Ständchen, Op. 63, 1
  16. Walter Niemann (1876-1953) – Evening in Seville, Op. 55, 2
  17. Stephen Hough (b 1961) – On Falla (2005)

Stephen Hough, piano

Produção: Andrew Keener

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FLAC | 181 MB

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MP3 | 320 KBPS | 164 MB

Stephen Hough esperando a van do PQP para levá-lo ao Castelo do PQP para um fim de semana com a turma…

Se você não ficar fascinado, adicto e dependente deste disco, então eu não sei de mais nada. Este merece nosso Selo RD de (Ótima) Qualidade!

Anda, vai, baixa logo, mas cuidado, material altamente contagiante!

René Denon

Jean-Baptiste Lully – Phaéton – Les Talens Lyriques, Christophe Rousset

Ao postar este CD duplo do ‘Phaéton” de Jean-Baptiste Lully estou entrando no território de nosso querido Avicenna, mestre de Avis, um grande admirador e conhecedor da ópera barroca. Digo isso pois esse é um território inexplorado por mim, mas como dizem, sempre tem uma primeira vez para tudo, né?

Christophe Rousset e seu conjunto “Les Talens Lyriques ” tem feito um trabalho espetacular apresentando Lully para o grande público, que até então não o conhecia. Trata-se de trabalho minucioso, de pesquisador mesmo. Um grande talento tanto como musicólogo, quanto maestro e também como cravista.

Esta gravação do Phaéton é uma beleza única. Solistas, orquestra e coro estão em perfeita sintonia, e sentimos em sua interpretação uma alegria e compreensão de trabalho bem feito.

Além da magnífica interpretação, devo também destacar o minucioso trabalho de edição do booklet, que estou disponibilizando junto aos arquivos de áudio. Ali os senhores terão acesso a todas as informações sobre a obra, com direito a libreto.

Como não poderia deixar de comentar, trata-se de um CD que com certeza leva o selo de IM-PER-DÍ-VEL !!! Vale cada minuto de sua audição ..

Abaixo segue uma pequena sinopse.

Prólogo
A deusa Astraea, que há muito tempo foi forçada a fugir da Terra por causa da maldade do homem, desenvolveu afeição pela humanidade; ela deseja um retorno à Idade de Ouro. Prometendo uma nova era de paz e prazer, Saturno a convida a voltar com ele para a Terra.

Ato I
Líbia, filha de Merops, rei do Egito, se retirou para um lugar solitário. Theona, filha do deus do mar Proteus, chega. Líbia teme que seu pai não permita que ela se case com o homem que ela ama; ela valoriza seu amor por Epaphus mais do que seu destino como futura rainha do Egito. Ela inveja a serenidade do amor de Theona por Phaéton. Assim como Theona está prestes a contar à Líbia suas próprias ansiedades, Phaéton aparece e Líbia se retira. Phaéton, que está procurando por sua mãe, nem percebe Theona. Ela admoesta-lo por sua frieza e lembra-o de seu amor e de como costumava ser. A rainha Clymene, mãe de Phaéton, chega e Theona sai. Phaéton fala para sua mãe sobre seus medos de que Líbia seja casada com Epafhus, tornando o último rei do Egito, e Phaéton o assunto. Clymene assegura-lhe que ele, Phaéton, será escolhido pelo rei Merops para se casar com sua filha, desde que ele desista de Theona. Phaéton assegura a ela que sua ascensão ao poder é mais importante para ele do que o amor. Essa atitude agrada Clymene, mas ela está preocupada, tendo ouvido falar de maus presságios. Ela decide questionar o deus do mar Proteus, que tem poderes proféticos. Proteus, emergindo do mar, vai para uma gruta para descansar. Ele compara uma tempestade no mar com os tormentos do amor; ambos, ele sente, devem ser evitados. Ele adormece. Clymene pede a seu irmão, Triton, para ajudá-la a obter preciosas revelações sobre Phaéton de Proteus, que não está disposto a revelar o futuro. Tritão, acompanhado por uma trupe de deuses do mar, acorda Proteus e convida-o a se divertir com eles. Proteus recusa o convite. Tritão pede a Proteus para fazer as revelações que Clymene deseja ouvir. Proteus evita responder mudando sucessivamente em um leão, uma árvore, um monstro marinho, uma fonte e uma chama. Finalmente, depois de retornar à sua forma original, ele concorda em cumprir. Ele avisa a rainha que sua ambição vai levar à morte do filho. O pai de Phaéton tentará salvá-lo, mas no final o filho dela será punido pelo céu.

Ato II
Clymene tenta em vão desencorajar a ambição de seu filho de governar o Egito, encorajando-o a renovar seu interesse em Theona, mas Phaéton não terá nada a ver com seu antigo amor. Theona, sozinha e em desespero, censura Phaéton por suas promessas vazias. Líbia chega. Ela e Theona lamentam seus sofrimentos causados ​​pelo amor. Epaphus chega e Theona se retira. Epaphus está desanimado. O rei Merops anunciou que Phaéton vai se casar com Líbia. Os dois amantes têm que admitir que o amor deles agora se tornou ilícito. O rei Merops proclama sua abdicação em favor de seu futuro genro, Phaéton. As festividades começam em comemoração do próximo casamento.

Ato III
Phaéton diz a Theona sobre seus planos de se casar com Líbia. Será um casamento de conveniência, por razões políticas, diz ele, porque ele não ama a princesa. Em desespero, Theona exige vingança dos deuses. Phaéton pede a seus seguidores que consolem Theona. Ele deve ir e prestar homenagem à deusa Isis, como exigências do costume. Epaphus, filho de Isis, já enfurecido com a negação de seu casamento com a Líbia, fica ainda mais irritado com a presença de Phaéton no templo de sua mãe; ele lança dúvidas sobre a nobre linhagem de Phaéton, como filho do deus Sol. Phaéton, picado por isso, promete fornecer provas irrefutáveis. O rei e a rainha do Egito, Merops e Clymene, e o futuro casal real, Phaetón e Líbia, vão em procissão ao templo de Isis para pagar um suntuoso tributo à deusa. Epaphus interrompe a cerimônia e proclama sua indignação. As portas do templo se fecham e, quando se abrem novamente, o interior nada mais é do que um terrível abismo, soltando chamas, das quais surgem Fúrias e Fantasmas, enchendo os presentes de terror e dispersando-os. Phaéton insiste em ficar, então Clymene continua com ele. Ela atesta que o pai de seu filho é de fato o deus do sol. Os ventos descem de uma nuvem para transportar Phaéton ao palácio do sol.

Ato IV
As Estações e as Horas prestam homenagem ao Sol, que está encantado com o fato de seu filho estar prestes a visitá-lo. A chegada de Phaéton é celebrada com canto e dança. O Sol pergunta a Phaetón o motivo de sua tristeza. Phaéton diz a ele que sua divina linhagem foi questionada e implora a seu pai que prove sua legitimidade. O Sol jura pelo Estige que ele o ajudará a fazê-lo, por qualquer meio que ele desejar. Phaéton pede para dirigir a carruagem de seu pai em seu curso diário. Incapaz de convencê-lo do perigo inevitável e obrigado a cumprir sua promessa, o Sol concorda.

Ato V
Ao amanhecer, Phaéton aparece no céu na carruagem do sol. Clymene se alegra. Epaphus, indignado com a demonstração de bravata de Phaéton, implora a seus pais, Júpiter e Ísis, que acabem com sua humilhação e vinguem-no. Líbia encontra Epaphus e conta a ele sobre seu desespero. Ele lhe dá esperança de que haverá uma mudança de sorte. Merops, Clymene e as pessoas aclamam Phaetón, seu novo deus do sol. Theona conclama-os a cessar suas canções de alegria e, em vez disso, a cantarem os lamentos, lembrando-os da profecia de seu pai sobre o desastre iminente. Phaetón perde o controle da carruagem do sol, que começa a ameaçar a Terra com uma destruição impetuosa. A deusa da Terra pede que Júpiter intervenha. Os egípcios agora temem uma terrível catástrofe. Júpiter aparece e ataca a carruagem com um raio. Phaéton cai para a morte

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Mozart (1756-1791) / C.P.E. Bach (1714-1788) / Lebrun (1752-1790): Concertos para Oboé

Mozart (1756-1791) / C.P.E. Bach (1714-1788) / Lebrun (1752-1790): Concertos para Oboé

Um bom disco da época áurea da Archiv. Trevor Pinnock é um gênio da regência clássico-barroca e Paul Goodwin um mestre do oboé. O CD funciona maravilhosamente. Quase todo mundo vai achar o Concerto de Mozart superior aos outros, mas eu sou mano CPE e não abro. E não é por defender a família, é por convicção mesmo: este concerto de CPE é superior a seu análogo mozartiano, só isso. Vários dos concertos para outros instrumentos escritos por CPE são arranjos de outros antes escritos para teclado. Eu acho que já ouvi este concerto tocado por cravo (Hogwood), mas deixo esta pesquisa para os briosos jovens que leem este blog. Boa pesquisa!

Ah, o Lebrun? Meu deus, quem é Lebrun?

Mozart (1756-1791) / C.P.E. Bach (1714-1788) / Lebrun (1752-1790): Concertos para Oboé

Mozart: Concerto For Oboe And Orchestra In C Major, KV 314 (285 d)
1 Allegro Aperto 7:18
2 Adagio Non Troppo 7:16
3 Rondo: Allegretto 5:34

CPE Bach: Concerto Für Oboe And Orchestra In E Flat Major H 468 (Wq. 165)
4 Allegro 7:07
5 Adagio Ma Non Troppo 9:02
6 Allegro Ma Non Troppo 5:50

Lebrun: Concerto No. 1 For Oboe And Orchestra In D Minor
7 Allegro 8:11
8 Grazioso 5:52
9 Allegro 5:26

Bassoon – Alastair Mitchell, Alberto Grazzi
Cello – Helen Verney, Jane Coe, Timothy Kraemer
Directed By – Trevor Pinnock
Double Bass – Amanda McNamara
Flute – Neil McLaren (2), Rachel Brown (2)
Harpsichord – Trevor Pinnock
Horn – Andrew Clark (3), Christian Rutherford, Robert Montgomery (5)
Oboe – Lorraine Wood, Paul Goodwin (Solos), Sophia McKenna
Orchestra – English Concert
Timpani – Robert Howes
Trumpet – David Staff, Michael Harrison (4)
Viola – Rupert Bawden, Susan Bicknell, Trevor Jones (4)
Violin – Alison Cracknell, Diane Moore, Fiona Huggett, Graham Cracknell, James Ellis (3), Julia Bishop, Maurice Whitaker, Micaela Comberti, Miles Golding, Pauline Nobes, Walter Reiter
Violin, Concertmaster – Simon Standage

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Retrato do Mano Quando Velho (tela de Franz Conrad Löhr)

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Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas 1 & 2 e Partita 1 para Violino Solo, BWV 1001-1006

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas 1 & 2 e Partita 1 para Violino Solo, BWV 1001-1006

21 anos após gravar uma integral das Sonatas e Partitas Solo de Bach, Hilary Hahn faz uma necessária e muito mais madura regravação. A performance é obviamente muito boa, apesar de eu sempre preferir os historicamente informados. Então, há três outras mulheres que estão à frente dela, na minha opinião: Amandine Beyer, Rachel Podger e Lucy van Dael. Ao mesmo tempo, digo que Hahn pode frequentar o pódio das gravações fora dos instrumentos originais. É que toda a sua concepção tende ao romantismo e aí…

Bem, as 6 Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006, são um conjunto de obras compostas por Bach para violino solo, sendo três sonatas da chiesa, em quatro movimentos, e três partitas, ou suítes de danças. O conjunto foi completado por volta de 1720, e cópias manuscritas serviram como um modelo para outros compositores, mas só foi impresso em 1802 por Nicolaus Simrock, em Bonn. Após a publicação, a coleção foi amplamente IGNORADA até que o célebre violinista Josef Joachim começou a tocar essas obras. Hoje as Sonatas e Partitas são uma parte essencial do repertório para violino, e são frequentemente executadas e gravadas. Elas estabeleceram com firmeza as capacidades do violino como um instrumento desacompanhado, solo.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas 1 & 2 e Partita 1 para violino solo

1. Sonata for Violin Solo No. 1, BWV 1001: 1. Adagio 04:47
2. Sonata for Violin Solo No. 1, BWV 1001: 2. Fuga (Allegro) 05:26
3. Sonata for Violin Solo No. 1, BWV 1001: 3. Siciliana 03:31
4. Sonata for Violin Solo No. 1, BWV 1001: 4. Presto 03:22

5. Partita for Violin Solo No. 1, BWV 1002: 1. Allemande 07:30
6. Partita for Violin Solo No. 1, BWV 1002: 2. Double 04:12
7. Partita for Violin Solo No. 1, BWV 1002: 3. Courante 03:42
8. Partita for Violin Solo No. 1, BWV 1002: 4. Double (Presto) 03:31
9. Partita for Violin Solo No. 1, BWV 1002: 5. Sarabande 04:02
10. Partita for Violin Solo No. 1, BWV 1002: 6. Double 03:35
11. Partita for Violin Solo No. 1, BWV 1002: 7. Tempo di Bourreé 03:27
12. Partita for Violin Solo No. 1, BWV 1002: 8. Double 03:15

13. Sonata for Violin Solo No. 2, BWV 1003: 1. Grave 04:51
14. Sonata for Violin Solo No. 2, BWV 1003: 2. Fuga 08:07
15. Sonata for Violin Solo No. 2, BWV 1003: 3. Andante 06:33
16. Sonata for Violin Solo No. 2, BWV 1003: 4. Allegro 05:50

Hilary Hahn, violino

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ArrHahn, aHahnsou.

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Terry Riley (1935): The Cusp of Magic

Terry Riley (1935): The Cusp of Magic

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Terry Riley está ao lado de Reich e Adams como os maiores compositores norte-americanos contemporâneos. Ele também é minimalista, mas seus padrões de repetição são bem diferentes. Para seu 70º aniversário, o Quarteto Kronos encomendou-lhe uma peça e ele decidiu incluir nela o instrumentista Wu Man que toca pipa (instrumento de cordas chinês, pesquise aí) e canta, além de tocar  tambor, chocalho, vários brinquedos e sintetizador. É a peça mais eclética que Riley escreveu para o Kronos. Ele supera a si mesmo incluindo world music, estilos ocidentais e instrumentos excêntricos. O título The Cusp of Magic refere-se ao solstício de verão. Cada um dos seus seis movimentos tem um programa associado ao fenômeno, e os movimentos externos são evocações de rituais religiosos da América do Norte. As paisagens sonoras são, sim, alucinógenas, sobrepondo-se e evoluindo caleidoscopicamente. Os movimentos são musicalmente muito diferenciados, ainda que repletos de justaposições e confrontos sonoros. Apesar de seu extremo ecletismo, a peça tem integralidade e propósitos que nunca parecem aleatórios. O ouvinte está claramente nas mãos de um compositor que está no controle da situação. A linguagem harmônica de Riley é em grande parte tonal e, para o ouvinte atento à sua estética, a música é poderosa, evocativa, assustadora e simplesmente adorável. Não é preciso dizer que o Kronos Quartet e Wu Man se jogam de todo coração na música de Riley, tocando (e cantando) com verdadeira paixão. O som da Nonesuch é limpo, com grande senso de presença.

Terry Riley (1935): The Cusp of Magic

1 The Cusp Of Magic 10:04

2 Buddha’s Bedroom 10:33
Vocals – Wu Man

3 The Nursery 5:10
Vocals – Wu Man

4 Royal Wedding 6:14

5 Emily And Alice 4:09
Vocals – Elisabeth Commanday

6 Prayer Circle 6:41

Cello, Toy – Jeffrey Zeigler
Ensemble – Kronos Quartet
Pipa, Toy, Vocals – Wu Man
Vocals – Elisabeth Commanday
Viola, Toy – Hank Dutt
Violin, Bass Drum, Rattle [Peyote], Toy – David Harrington
Violin, Toy – John Sherba

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Não, não é um padre ortodoxo nem um sábio chinês, é Terry Riley

PQP

Antonin Dvorák – Violin Concerto, Romance in F for Violin & Orchestra, Op. 11, Mazurek for Violin & Orchestra Op. 49, Four Romantic Pieces for Violin and Piano, Op. 75 – Jan Mrácek, NCSO, James Judd

“Dvorák era um especialista em cordas. Por quase dez anos ele tocou viola na orquestra do Teatro Provisório de Praga e era conhecido como um dos mais confiáveis ​​músicos de cordas da cidade, na medida em que ele participou da estreia privada do primeiro quarteto de cordas de Smetana em 1878. Ele também era um violinista que, como ele conta em uma entrevista com o The Sunday Times, tinha tocado o instrumento quando era menino. Se ele raramente tocou violino mais tarde, veio a deixar um punhado de obras para o instrumento, incluindo o concerto para violino. De acordo com um aluno de composição, Dvorák preferia seu concerto de violino ao grande concerto para violoncelo em Si menor. Embora a posteridade tenha favorecido o concerto para violoncelo, o concerto para violino, com seu virtuosismo apaixonado e lirismo abundante, sempre atraiu. Dvorák escreveu o trabalho no verão de 1879, quando sua reputação estava rapidamente adquirindo grade dimensão internacional. Além disso, graças a intervenção de Brahms, que encontrou para ele uma editora de Berlim e apresentações para influentes partidários musicais fora da Boêmia. Um dos mais importantes foi o amigo íntimo de Brahms, o violinista Joseph Joachim. Dvorák visitou Joachim em Berlim em julho de 1879 para discutir seu novo concerto; qualquer que seja o assunto de sua conversa, o concerto acabou sendo dedicado a Joaquim. Este não foi, no entanto, o fim da história. Enquanto elogiava Dvorák, sua compreensão do violino, Joachim sugeriu numerosas mudanças que o compositor, um ávido revisor de suas próprias obras, empreendeu meticulosamente. Mesmo essas alterações não foram suficientes para Robert Keller, um conselheiro de Dvorák, editor, que queria que ele mudasse o final do primeiro movimento em vez de deixá-lo levar diretamente para o movimento lento. Dvorák sabiamente rejeitou o conselho e manteve a passagem, uma das mais belas do concerto, ligando os dois primeiros movimentos. O concerto foi publicado em 1883 e estreou no mesmo ano pelo virtuoso tcheco František Ondr.”

Jan Mrácek é um jovem violinista tcheco, muito, mas muito talentoso, como os senhores poderão provar nesta sua impressionante interpretação do Concerto para Violino de Dvorák. Aliás, todos os envolvidos aqui são tchecos: compositor, orquestra, pianista… com exceção do maestro britânico James Judd, que conduz com muita competência a Orquestra Sinfônica Nacional Tcheca. O selo Onyx nos brinda com mais uma envolvente, brilhante e emocionante gravação. O talento e virtuosismo de Mracék está presente em todos os momentos, encarando com naturalidade todas as dificuldades inerentes às obras executadas.
Vale a pena a audição, para conhecermos um nome que com certeza ainda irá nos brindar com muitas outras gravações tão exuberantes quanto esta.

01. Violin concerto in a minor op. 53- I. Allegro ma non troppo – Quasi moderato
02. Violin concerto in a minor op. 53- II. Adagio ma non troppo
03. Violin concerto in a minor op. 53- III. Finale. Allegro giocoso, ma non troppo
04. Romance in F for Violin & Orchestra, Op. 11, B.38
05. Mazurek for Violin & Orchestra Op. 49, B.90
06. Four Romantic Pieces for Violin and Piano, Op. 75- I. Allegro moderato
07. Four Romantic Pieces for Violin and Piano, Op. 75- II. Allegro maestoso
08. Four Romantic Pieces for Violin and Piano, Op. 75- III. Allegro appassionato
09. Four Romantic Pieces for Violin and Piano, Op. 75- IV. Larghetto

Jan Mrácek – Violin
Luckás Klansky – Piano
Czech National Symphony Orchestra
James Ludd – Conductor

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Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Les Cyclopes (Pièces de Clavecin)

Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Les Cyclopes (Pièces de Clavecin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Pinnock é um tremendo músico. E Rameau é sempre muito inspirado, maravilhosamente desigual. É como um pintor que consegue criar quadros impressionistas, expressionistas, fotorrealistas e alguns outros istas. E o virtuosismo de Pinnock — que sempre amou o compositor francês — responde bem a cada Rameau. É estranho que um compositor tão feliz e esparramado tenha sido um homem tímido. Pouco se sabe sobre sua vida, especialmente de seus primeiros quarenta anos, antes de se fixar em Paris. O que se sabe é que aprendeu música com seu pai mesmo antes de ser alfabetizado. Recebeu educação no colégio jesuíta de Godrans, mas não era bom aluno e atrapalhava as aulas cantando. Só o que lhe interessava era a música. Ouçam as faixas 1 com seus magníficos baixos, as variações da faixa 10, a inacreditável revoada de pássaros da 15… E a galinha da 20? Nossa, Rameau é sensacional!

Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Les Cyclopes (Pièces de Clavecin)

Pièces De Clavecin (1724)
1 Les Cyclopes 3:24
2 L’Entretien Des Muses 6:27
3 Les Tourbillons 2:14

Nouvelles Suites De Pièces de Clavecin ( ca. 1728) (32:26)
4 Suite In A Minor – Allemande 7:11
5 Suite In A Minor – Courante 3:35
6 Suite In A Minor – Sarabande 3:49
7 Suite In A Minor – Les Trois Mains 4:46
8 Suite In A Minor – Fanfarinette 2:05
9 Suite In A Minor – La Triomphante 1:44
10 Suite In A Minor – Gavotte Avec Les Doubles de la Gavotte 9:29

Pièces De Clavecin (21:49)
11 Suite In E Minor – Allemande 4:16
12 Suite In E Minor – Courante 1:32
13 Suite In E Minor – Gigue En Roundeau I 1:33
14 Suite In E Minor – Gigue En Rondeau II 2:27
15 Suite In E Minor – Le Rappel Des Oiseaux 2:43
16 Suite In E Minor – Rigaudon I – Rigaudon II Et Double 2:39
17 Suite In E Minor – Musette En Rondeau 2:35
18 Suite In E Minor – Tambourin 1:16
19 Suite In E Minor – La Villageoise 2:48

Nouvelles Suites De Pièces De Clavecin
20 La Poule 4:56
21 L’Enharmonique 4:15
22 L’Egiptienne 3:23

Trevor Pinnock, cravo

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Se eu tocasse como ele, também estaria dando gargalhadas.

PQP

Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908) – Sheherazade, Symphonic Suite, op. 35 – Karajan, Berliner Philharmoniker

NOVO LINK COM ARQUIVO CORRIGIDO !!!

Um arrasa-quarteirão essa gravação da magnífica obra de Rimski-Korsákov, ‘Sheherazade’.  Contando com o talento do então líder dos violinos da própria Filarmônica de Berlim, Michel Schwalbé, Karajan nos traz uma leitura altamente expressiva, explorando com maestria as nuances exóticas da obra. Tem uma orquestra quase perfeita em suas mãos, que não teme se  expor. Foi este disco que me apresentou esta obra tão ímpar, tão impactante e tão emotiva. ainda lá pela década de 1970, quando tocava nas principais rádios especializadas em música clássica no Brasil. o locutor da rádio fazia questão de ressaltar os nome de Karajan, e Schwalbé, que eu considerava único. O violino de Schwalbé nos traz uma brilhante coleção de cores, tons e ritmos, muitas vezes temos vontade de sair dançando, graças à riqueza e beleza de suas melodias e harmonias.

Um grande registro, sem dúvida alguma. Espero que apreciem. Trata-se de um CD de curta duração, meros 35 minutos, mas vale cada minuto de sua audição.

01 Shéhérazade, op. 35- 1. Largo e maestoso – Allegro non troppo
02 Shéhérazade, op. 35- 2. Lento – Andantino – Allegro molto – Vivace scherzando
03 Shéhérazade, op. 35- 3. Andantino quasi allegretto. The Young Prince and the Young Princess
04 Shéhérazade, op. 35- 4. Allegro molto e frenetico – Vivo – Allegro non troppo e maestoso

Michel Schwalbé – Solo Violin
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan – Conductor

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J. S. Bach (1685-1750): Partita & Sonatas (Anner Bylsma, Violoncello Piccolo)

J. S. Bach (1685-1750): Partita & Sonatas (Anner Bylsma, Violoncello Piccolo)

Partita em mi maior, BWV 1006

Sonata em sol menor, BWV 1013

Sonata em lá menor, BWV 1003

Anner Bylsma, Violoncello Piccolo

Na primeira vez que este CD cruzou meu caminho, eu não estava preparado para ele. Quando tive uma segunda chance, o dito cujo surgindo de dentro de uma caixa de CDs usados, em um empoeirado sebo, não hesitei e o arrematei na hora.

Música de Johann Sebastian Bach embalada em um excelente selo (deutsche harmonia mundi) com um intérprete famoso – Anner Bylsma – tudo conjurando para que eu sacasse da carteira. Mesmo assim, havia algo estranho no ar, uma duvidazinha restante. Assim como em uma postagem recente aqui no PQP, onde uma violinista famosa toca (ao violino) as Suites para Violoncelo Solo, temos música originalmente escrita para outros instrumentos, aqui interpretada em um violoncelo. Na verdade, um piccolo violoncelo.

Tudo isto demanda atenção e algumas explicações. Vamos a elas. Primeiro, a música. Temos a Partita em lá menor, BWV 1006, e a Sonata em lá menor, BWV 1003, ambas escritas para violino solo. Além delas, a Sonata em lá menor, BWV 1013, originalmente em lá menor, escrita para flauta solo.

Primeira página do Prelúdio da Partita BWV 1006

Você pode estar se perguntando: qual é a diferença entre uma Partita e uma Sonata? Lembre-se, Bach escreveu diversas Sonatas e Partitas e também Suítes para instrumentos vários. Para saber a diferença, damos a palavra aos especialistas. Uma Sonata é [uma composição] tradicionalmente na forma de quatro movimentos e uma Partita (ou Suíte) é um grupo de danças, às vezes precedido de um Prelúdio.

Isto dito, reina a confusão. Em alguns discos, a peça originalmente para flauta é chamada de Partita, aqui é chamada de Sonata. E aí?

Devemos lembrar que no período barroco as formas ainda não estavam bem estabelecidas e uma sonata ou uma sinfonia deste período não tem a mesma formalidade que tomaria no vindouro período clássico. E esse rigor seria devidamente quebrado pelos compositores que viriam ainda depois.

Portanto, por agora, fica assim: movimentos com nomes de danças, como Gavota, Allemande, Sarabanda ou Giga, então é Partita ou Suíte; se os nomes são formais, tais como Allegro, Grave, Largo, Allegretto, então é uma Sonata. Mas há muito mais nesse interessantíssimo tema e você pode aprofundar-se um pouquinho mais aqui ou aqui.

Anner Bylsma

A próxima pergunta é: como um violinista resolve tocar as Suítes para Violoncelo (no seu violino)? No passado, violistas e violonistas se aventuraram nestas águas. Assim como o nosso violoncelista desta postagem, se aventurando em música escrita para instrumentos com registro bem mais alto. O desafio que isto apresenta certamente é uma coisa (a grama do vizinho sempre parece mais verdinha), mas acho que o principal apelo deve vir da música. O próprio Anner Bylsma nos fala um pouco sobre esse disco. Em uma entrevista com Bruce Duffie, que você pode ler aqui, ele explica que o violoncelo piccolo é um instrumento feito para crianças e tem a mesma afinação que um violino. “I couldn’t keep myself from doing the A Minor Sonata for Violin Solo and the E Major Partita”. Perguntado sobre a dificuldade de sobrepor todos os dedos para tocar as peças, ele explica: Sim. O violoncelo piccolo tem mais espaço do que o violino, e soa muito bem porque tem um tom que se mantem, continua soando um pouco mais do que um violino. Isso permite apresentar o contraponto maravilhosamente.

Então é isso, o homem já explicou, a música dança na Partita, é mais solene e dolente nas Sonatas e faz você esquecer qual instrumento está sendo tocado. Assim, como em todo bom disco, depois de um tempo, o que realmente importa é a música. E a se a música é de Bach, então é música que transcende…

Capa de outra edição do disco

Partita em mi maior, BWV 1006

  1. Preludio
  2. Loure
  3. Gavotte en Rondeau
  4. Menuett 1 & 2
  5. Bourrée
  6. Gigue

Sonata em sol menor (original: em lá menor), BWV 1013

  1. Allemande
  2. Corrente
  3. Sarabande
  4. Bourrée anlaise

Sonata em lá menor, BWV 1003

  1. Grave
  2. Fuga
  3. Andante
  4. Allegro

Anner Bylsma, Violoncello Piccolo

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FLAC | 262 MB

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MP3 | 320 KBPS | 142 MB

Aproveite esta piccola música do grande Bach, pelas mãos do Anner Bylsma!

René Denon

Joseph Haydn – The London Symphonies – Cds 3 e 4 de 4 – Eugen Jochum, London Philharmonic Orchestra

Hoje vou trazer os dois últimos CDs desta ótima série das Sinfonias de Londres de Haydn, com o veterano Eugen Jochum, gravação realizada lá nos idos de 1973.  As Sinfonias de Haydn são bem conhecidas aqui no PQPBach, sempre que possível trazemos gravações diferentes destas obras. Como são muitas (catalogadas são 104), fica quase impossível trazer uma integral delas, e confesso que já fiquei tentando para realizar esta façanha, mas desisti.
São muitos os maestros que realizaram ótimas gravações destas obras, eu destacaria o incansável Antal Doráti, que gravou todas, com um grupo de músicos muito especial que conseguiu juntar, e que intitulou como Philharmonia Hungarica, Sir Colin Davis, Klemperer, Karajan, Bernstein, Hogwood, são os que me vem a cabeça neste momento, mas são inúmeros. Algumas destas gravações já apareceram por aqui, só não sei se os links estão ativos. Lembro que uma de minhas primeiras postagens eram exatamente as Sinfonias Londres, mas escolhi diversos maestros, como Harnoncourt, Kujiken, entre outros. A postagem teve ótima aceitação, como não poderia deixar de ser. Trazendo Harnoncourt e Kujiken trouxe uma abordagem diferente, fugindo dos maestros mais tradicionais, como Karajan e o proprio Jochum.
Mas vamos concluir esta série. Assim que possível, trago outras possibilidades e abordagens.

CD 3

01. Symphony No. 96 in D major ‘The Miracle’ I. Adagio-Allegro
02. Symphony No. 96 in D major ‘The Miracle’ II. Andante
03. Symphony No. 96 in D major ‘The Miracle’ III. Menuetto. Allegretto
04. Symphony No. 96 in D major ‘The Miracle’ IV. Finale. Vivace (assai)
05. Symphony No. 97 in C major I. Adagio-Vivace
06. Symphony No. 97 in C major II. Adagio ma non troppo
07. Symphony No. 97 in C major III. Menuetto. Allegretto
08. Symphony No. 97 in C major IV. Finale. Presto assai
09. Symphony No. 98 in B flat major I. Adagio-Allegro
10. Symphony No. 98 in B flat major II. Adagio cantabile
11. Symphony No. 98 in B flat major III. Menuet. Allegro
12. Symphony No. 98 in B flat major IV. Finale. Presto

CD 4

01. Symphony in G, Hob I100 ‘Military’ I. Adagio — Allegro
02. Symphony in G, Hob I100 ‘Military’ II. Allegretto
03. Symphony in G, Hob I100 ‘Military’ III. Menuet Moderato — Trio — Menuet
04. Symphony in G, Hob I100 ‘Military’ IV. Finale Presto
05. Symphony in D, Hob I101 ‘The Clock’ I. Adagio — Presto
06. Symphony in D, Hob I101 ‘The Clock’ II. Andante
07. Symphony in D, Hob I101 ‘The Clock’ III. Menuet Allegretto — Trio — Menuet
08. Symphony in D, Hob I101 ‘The Clock’ IV. Finale Vivace
09. Symphony in B, Hob I102 I. Largo — Vivace
10. Symphony in B, Hob I102 II. Adagio
11. Symphony in B, Hob I102 III. Menuet Allegro — Trio — Menuet
12. Symphony in B, Hob I102 IV. Finale Presto

London Philharmonic Orchestra
Eugen Jochum – Conductor

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