Sem dúvida, Carl Philipp Emanuel foi meu irmão mais talentoso. Era assim: eu, PQP, era o mais bonito e burro — e também tinha um pau maior que os dos outros — ; WF era o predileto; JC era um grande filho da puta e CPE era o que mais tinha herdado de nosso pai em termos de capacidade musical. Sério, é só consultar por aí. E ele demonstra sua categoria neste sensacional CD com suas sinfonias para cordas. O Presto da Sinfonia Wq 182 No.5 foi meu toque de celular por anos. É uma bela ideia, viram? Podem adotar, não me importo!
Grande música com Pinnock e o English Concert afiadíssimos!
Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): The Symphonies for Strings
1. Sinfonia in G, Wq 182 No.1 – 1. Allegro di molto 3:42
2. Sinfonia in G, Wq 182 No.1 – 2. Poco adagio 4:03
3. Sinfonia in G, Wq 182 No.1 – 3. Presto 3:50
4. Sinfonia in B flat, Wq 182 No.2 – 1. Allegro di molto 3:20
5. Sinfonia in B flat, Wq 182 No.2 – 2. Poco adagio 3:37
6. Sinfonia in B flat, Wq 182 No.2 – 3. Presto 5:05
7. Sinfonia in C, Wq 182 No.3 – 1. Allegro assai 2:43
8. Sinfonia in C, Wq 182 No.3 – 2. Adagio 3:17
9. Sinfonia in C, Wq 182 No.3 – 3. Allegretto 3:36
10. Sinfonia in A, Wq 182 No.4 – 1. Allegro ma non troppo 4:24
11. Sinfonia in A, Wq 182 No.4 – 2. Largo ma inocentemente 3:28
12. Sinfonia in A, Wq 182 No.4 – 3. Allegro assai 4:01
13. Sinfonia in B minor Wq 182 No.5 – 1. Allegretto 4:17
14. Sinfonia in B minor Wq 182 No.5 – 2. Larghetto 2:37
15. Sinfonia in B minor Wq 182 No.5 – 3. Presto 3:49
16. Sinfonia in E major Wq 182 No.6 – 1. Allegro di molto 2:26
17. Sinfonia in E major Wq 182 No.6 – 2. Poco andante 3:08
18. Sinfonia in E major Wq 182 No.6 – 3. Allegro spiritoso 3:12
Concluindo mais uma série, antes tarde que nunca, mais Mendelssohn para os senhores, nas mãos muito competentes do maestro Thomas Fey, que dirige a Sinfonica de Heildelberg. Produção nota dez, que mantém o padrão de qualidade da gravadora Hänssler, como não poderia deixar de ser.
Destaque para as Sinfonias de nº 2, um primor de composição com um coral fantástico e solistas idem. Volto a repetir, seria interessante os senhores compararem estas gravações com a versão de Sawalisch, que postei dia destes.
Lamentavelmente, há alguns anos, Thomas Fey sofreu uma queda em sua casa, que causou um grave dano cerebral, o que o afastou dos palcos, e consequentemente, dos estúdios.
CD 5
1. Symphony No. 3 in A Minor, Op. 56, MWV N18 Scottish I. Allegro un poco agitato – Andante come prima
2. Symphony No. 3 in A Minor, Op. 56, MWV N18 Scottish II. Vivace non troppo
3. Symphony No. 3 in A Minor, Op. 56, MWV N18 Scottish III. Adagio
4. Symphony No. 3 in A Minor, Op. 56, MWV N18 Scottish IVa. Allegro vivacissimo –
5. Symphony No. 3 in A Minor, Op. 56, MWV N18 Scottish IVb. Allegro maestoso assai
6. String Symphony No. 11 in F Major, MWV N11 I. Adagio – Allegro molto
7. String Symphony No. 11 in F Major, MWV N11 II. Scherzo. Comodo (Schweizerlied)
8. String Symphony No. 11 in F Major, MWV N11 III. Adagio
9. String Symphony No. 11 in F Major, MWV N11 IV. Menuetto. Allegro moderato
10. String Symphony No. 11 in F Major, MWV N11 V. Allegro molto
CD 6
1. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang Ia. Sinfonia. Maestoso con moto – Allegro
2. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang Ib. Allegretto un poco agitato
3. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang Ic. Adagio religioso
4. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang IIa. Alles was Odem hat
5. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang IIb. Lobe den Herrn meine Seele
6. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang IIIa. Recitative. Saget es, die ihr erlöst seid
7. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang IIIb. Er zählet unsre Tränen
8. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang IV. Sagt es, die ihr erlöset seid
9. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang V. Ich harrete des Herrn
10. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang VI. Stricke des Todes hatten uns umfangen
11. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang VII. Die Nacht ist vergangen
12. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang VIII. Chorale. Nun danket alle Gott
13. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang IX. Drum sing’ ich mit meinem Liede
14. Symphony No. 2 in B-Flat Major, Op. 52, MWV A18 Lobgesang X. Ihr Völker, bringet her dem Herrn
Eleonore Malguerre – Soprano
Ulrika Strömstedt – Mezzo – Soprano
Markus Schäfer – Tenor
Heidelberger Sinfoniker
Deutscher Kammerchor
Thomas Fey – Conductor
Josef Mysliveček (1737-1781), natural de Praga, produziu música copiosamente durante sua carreira, boa parte da qual passou na Itália a compor óperas. Foi bastante amigo de Leopold e Wolfgang Mozart, que o menciona dezenas de vezes em sua correspondência. O jovem gênio foi provavelmente influenciado por Mysliveček, dado o número de arranjos e anotações de trechos de suas obras encontrados nos alfarrábios de Amadeus, juntamente com comentários preocupados (ou, talvez, invejosos) acerca do que chamava de “devassidão” do músico mais velho. Apesar de ter feito fortuna, o boêmio, ahn, “boêmio” morreu só e desfigurado, provavelmente pelos efeitos tardios da sífilis.
Quase todas as gravações da obra de Mysliveček incluem excertos de suas vinte e tantas óperas, a maioria delas em italiano, mas entre uma ejaculação e outra o sujeito conseguiu compor cerca de oitocentas obras. Há várias sinfonias, muito bem escritas, e os primeiros quintetos de cordas com duas violas da história. As sonatas para duo de violoncelos, que apresentamos aqui, são italianizadas, bastante agradáveis, ao menos para mim, dão uma boa ideia de como soariam obras do jovem Mozart para violoncelo, se o prodígio se tivesse importado, uma vez que fosse, em escrever qualquer obra solo para o instrumento.
MYSLIVEČEK – SEIS SONATAS PARA DOIS VIOLONCELOS E BAIXO
Josef MYSLIVEČEK (1737-1781)
Seis Sonatas para dois violoncelos e baixo contínuo
Sonata no. 1 em Lá maior
01 – Andante
02 – Allegro
03 – Presto
Sonata no. 2 em Ré maior
04 – Allegretto
05 – Andante
06 – Presto assai
Sonata no. 3 em Sol maior
07 – Allegro
08 – Andante
09 – Presto
Sonata no. 4 em Fá maior
10 – Allegretto
11 – Andante
12 – Allegro
Sonata no. 5 em Dó maior
13 – Andante
14 – Allegro
15 – Presto
Sonata no. 6 em Si maior
16 – Andante
17 – Allegro
18 – Tempo di menuetto
Jan Širc e Radomír Širc, violoncelos Václav Hoskovec, contrabaixo Robert Hugo, cravo
Dando continuidade à Semana Chopin, trago esta gravação elogiadíssima da Deutsche Grammophon. Com o perdão da expressão, este é um CD do cacete. A portuguesa Maria João Pires está beirando a perfeição com sua emocionante interpretação da Sonata n°3, uma das melhores que já tive a oportunidade de ouvir.Como diria o mano PQP, é para se ouvir de joelhos. A escolha do repertório não foi aleatória. Pires escolheu peças compostas nos últimos cinco anos de vida do compositor, e são uma perfeita síntese da incrível capacidade de Chopin de compreender a alma humana. Ou seja, tratam-se de obras maduras, interpretadas por uma intérprete no apogeu de sua maturidade artística.
Abaixo, a continuação da biografia do genial Chopin, tirado do site http://www.chopin.pl/biography_chopin.en.html :
From 1823 to 1826, Fryderyk attended the Warsaw Lyceum where his father was one of the professors. He spent his summer holidays in estates belonging to the parents of his school friends in various parts of the country. For example, he twice visited Szafarnia in the Kujawy region where he revealed a particular interest in folk music and country traditions. The young composer listened to and noted down the texts of folk songs, took part in peasant weddings and harvest festivities, danced, and played a folk instrument resembling a double bass with the village musicians; all of which he described in his letters. Chopin became well acquainted with the folk music of the Polish plains in its authentic form, with its distinct tonality, richness of rhythms and dance vigour. When composing his first mazurkas in 1825, as well as the later ones, he resorted to this source of inspiration which he kept in mind until the very end of his life.
In the autumn of 1826, Chopin began studying the theory of music, figured bass and composition at the Warsaw School of Music, which was both part of the Conservatory and, at the same time, connected with Warsaw University. Its head was the composer Jozef Elsner (b. 1769 in Silesia). Chopin, however, did not attend the piano class. Aware of the exceptional nature of Chopin’s talent, Elsner allowed him, in accordance with his personality and temperament, to concentrate on piano music but was unbending as regards theoretical subjects, in particular counterpoint. Chopin, endowed by nature with magnificent melodic invention, ease of free improvisation and an inclination towards brilliant effects and perfect harmony, gained in Elsner’s school a solid grounding, discipline, and precision of construction, as well as an understanding of the meaning and logic of each note. This was the period of the first extended works such as the Sonata in C minor, Variations, op. 2 on a theme from Don Juan by Mozart, the Rondo à la Krakowiak, op. 14, the Fantaisie, op. 13 on Polish Airs (the three last ones written for piano and orchestra) and the Trio in G minor, op. 8 for piano, violin and cello. Chopin ended his education at the Higher School in 1829, and after the third year of his studies Elsner wrote in a report: “Chopin, Fryderyk, third year student, amazing talent, musical genius”.
After completing his studies, Chopin planned a longer stay abroad to become acquainted with the musical life of Europe and to win fame. Up to then, he had never left Poland, with the exception of two brief stays in Prussia. In 1826, he had spent a holiday in Bad Reinertz (modern day Duszniki-Zdroj) in Lower Silesia, and two years later he had accompanied his father’s friend, Professor Feliks Jarocki, on his journey to Berlin to attend a congress of naturalists. Here, quite unknown to the Prussian public, he concentrated on observing the local musical scene. Now he pursued bolder plans. In July 1829 he made a short excursion to Vienna in the company of his acquaintances. Wilhelm Würfel, who had been staying there for three years, introduced him to the musical milieu, and enabled Chopin to give two performances in the Kärtnertortheater, where, accompanied by an orchestra, he played Variations, op. 2 on a Mozart theme and the Rondo à la Krakowiak, op. 14 , as well as performing improvisations. He enjoyed tremendous success with the public, and although the critics censured his performance for its small volume of sound, they acclaimed him as a genius of the piano and praised his compositions. Consequently, the Viennese publisher Tobias Haslinger printed the Variations on a theme from Mozart (1830). This was the first publication of a Chopin composition abroad, for up to then, his works had only been published in Warsaw.
Problemas com minha conexão com a internet tem me deixado deveras aborrecido. Foram quatro as tentativas para subir este arquivo para o Megaupload.
CD 1
01.01 – Sonata n 3 Sim, Op 58 (1)
01.02 – Sonata n 3 Sim, Op 58 (2)
01.03 – Sonata n 3 Sim, Op 58 (3)
01.04 – Sonata n 3 Sim, Op 58 (4)
01.05 – Nocturnos Op 62 (1)
01.06 – Nocturnos Op 62 (2)
01.07 – Mazurkas Op 59 (1)
01.08 – Mazurkas Op 59 (2)
01.09 – Mazurkas Op 59 (3)
CD 2
02.01 – Polonaise-Fantaisie in A flat major. op.61
02.02 – Mazurkas op. 63
02.03 – Mazurkas op. 63
02.04 – Mazurkas op. 63
02.05 – 3 Valses op. 64
02.06 – 3 Valses op. 64
02.07 – 3 Valses op. 64
02.08 – Mazurkas op. 67 no. 2 & no. 4
02.09 – Mazurkas op. 67 no. 2 & no. 4
02.10 – Sonata for violoncello and Piano in G minor. op. 65
02.11 – Sonata for violoncello and Piano in G minor. op. 65
02.12 – Sonata for violoncello and Piano in G minor. op. 65
02.13 – Sonata for violoncello and Piano in G minor. op. 65
02.14 – Mazurka op. 68 no.4
Mais Mendelssohn, sim, senhores. Estou aqui cobrindo uma falta de minha parte, pois esqueci de concluir esta excepcional série. Me obriguei a continuar pois não gosto de deixar as coisas pela metade.
Então mais dois volumes, com as magníficas Sinfonias para Cordas, obras de juventude do compositor, mas que, apesar da idade, mostram um compositor maduro, totalmente ciente de seu talento. Interessante ouvir esta gravação para poderem comparar com a versão de Sawalisch que postei recentemente.
CD 3
1. String Symphony No. 1 in C Major, MWV N1 I. Allegro
2. String Symphony No. 1 in C Major, MWV N1 II. Andante
3. String Symphony No. 1 in C Major, MWV N1 III. Allegro
4. String Symphony No. 2 in D Major, MWV N2 I. Allegro
5. String Symphony No. 2 in D Major, MWV N2 II. Andante
6. String Symphony No. 2 in D Major, MWV N2 III. Allegro
7. String Symphony No. 3 in E Minor, MWV N3 I. Allegro di molto
8. String Symphony No. 3 in E Minor, MWV N3 II. Andante
9. String Symphony No. 3 in E Minor, MWV N3_III. Allegro
10. String Symphony No. 4 in C Minor, MWV N4 I. Grave – Allegro
11. String Symphony No. 4 in C Minor, MWV N4 II. Andante
12. String Symphony No. 4 in C Minor, MWV N4 III. Allegro vivace
13. String Symphony No. 9 in C Major, MWV N9 I. Grave – Allegro
14. String Symphony No. 9 in C Major, MWV N9 II. Andante
15. String Symphony No. 9 in C Major, MWV N9 III. Scherzo
16. String Symphony No. 9 in C Major, MWV N9 IV. Allegro vivace
CD 4
1. Symphony No. 5 in D Major, Op. 107, MWV N15 Reformation I. Andante – Allegro con fuoco
2. Symphony No. 5 in D Major, Op. 107, MWV N15 Reformation II. Allegro vivace
3. Symphony No. 5 in D Major, Op. 107, MWV N15 Reformation III. Andante
4. Symphony No. 5 in D Major, Op. 107, MWV N15 Reformation IV. Andante con moto – Allegro vivace
5. String Symphony No. 5 in B-Flat Major, MWV N5 I. Allegro vivace
6. String Symphony No. 5 in B-Flat Major, MWV N5 II. Andante
7. String Symphony No. 5 in B-Flat Major, MWV N5 III. Presto
8. String Symphony No. 6 in E-Flat Major, MWV N6 I. Allegr
o9. String Symphony No. 6 in E-Flat Major, MWV N6 II. Menuetto
10. String Symphony No. 6 in E-Flat Major, MWV N6 III. Prestissimo
11. String Symphony No. 10 in B Minor, MWV N10
Tão logo iniciamos esta série sobre os instrumentos de cordas, já fomos questionados sobre quando a harpa faria sua aparição. Chegou, então, sua hora, com essas sonatas do boêmio Jan Křtitel Krumpholc – ou, como queiram, “Johann Baptist Krumpholz” em alemão, ou, ainda, “Jean-Baptiste Krumpholtz” no idioma da França, onde viveu e se afogou, jogando-se ao Sena após uma crise grave daquilo a que, lá no meu pago austral, damos o nome de “dor de guampa”.
Seja lá como o chamemos, Krumpholc/z/tz (a pronúncia é a mesma) foi um dos primeiros virtuoses da harpa a constituir carreira internacional com recitais solo, colaborou estreitamente com luthiers e fabricantes para aprimorar o instrumento, ampliou seu repertório e fundou, com seus tratados e intensa atividade como professor, as importantes escolas francesa e boêmia de harpistas.
Hana Müllerová é muito boa, e a gravação certamente satisfará os fanáticos por esse mais formoso entre os instrumentos. As Sonatas Op. 13 são agradáveis, embora nelas Herr Krump não pareça muito disposto a aventurar-se além de clichês batidíssimos do rococó – e o fato dessas sonatas terem sido compostas para “harpa OU pianoforte”, conforme o frontispício, tampouco ajuda. A coisa melhora bastante nas Sonatas Op. 14, que decididamente não podem ser executadas ao piano, pelos efeitos inerentes aos novos pedais da harpa, em cujo desenvolvimento o infeliz Krumpholc teve participação decisiva.
KRUMPHOLZ – SIX SONATES POUR LA HARPE OP. 13 & 14
Jan Křtitel KRUMPHOLC [Jean-Baptiste Krumpholtz] (1742-1790)
Quatro Sonatas para harpa, Op.13
No. 1 em Si bemol maior:
01 – Allegretto
02 – Romance
03 – Rondo. Allegretto.
No. 2 em Mi bemol maior:
04 – Allegro vivace
05 – Andante
06 – Rondo. Allegro
No. 3 em Dó maior
07 – Allegretto
08 – Andante
09 – Scherzo. Allegretto
No. 4 em Sol maior:
10 – Presto
11 – Andante
12 – Prestissimo
Duas Sonatas para harpa, Op. 14
No. 1 em Mi bemol maior:
13 – Largo – Allegro molto/attacca
14 – Poco adagio/attacca
15 – Allegro molto agitato/attacca
16 – Recitatif. Moderato. Allegro
No. 2 em Dó menor:
17 – Adagio avec expression
18 – Allegro molto
19 – Rondeau. Allegro
Ontem, ao procurar por Mendelssohn no micro, encontrei este concerto assim dando sopa, avulso. Gosto demais desta gravação ao vivo onde Michelangeli dá um banho de interpretação no belíssimo terceiro concerto. Esta gravação do terceiro concerto é tão arrebatadora que agora desejaria ouvi-lo. Não adianta, cada vez que ouço uma gravação ao vivo como esta, mais me convenço de que a música vive mais no palco do que em estúdios. Se Bakhtin demonstrou que a ideia tinha natureza dialógica — pois seu habitat seria a expressão e o confronto com outras idéias –, digo que o habitat da música é a interação com os ouvintes. Ali, ganha sentido e magia, como aliás Emma Kirkby confirmou nesta entrevista.
Imperdível!
Beethoven: Concerto para Piano Nº 3
1. Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37 – 1. Allegro con brio – Cadenza 17:24
2. Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37 – 2. Largo 11:15
3. Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37 – 3. Rondo (Allegro) 9:35
Arturo Benedetti Michelangeli, piano
Vienna Symphony Orchestra (Sinfônica de Viena)
Carlo Maria Giulini
Esse com certeza é um belo CD para iniciarmos o ano. Três peças que representam bem o Romantismo, belamente interpretadas por dois dos principais músicos da atualidade, Renaud Capuçon & Khatia Buniatishvili. Muitos podem argumentar, poxa, já existem tantas gravações destas Sonatas de Cesar Franck, há a necessidade de mais uma? Bem, fica a seu critério conhecer o que a nova geração tem a apresentar sobre uma obra tão conhecida.
A química entre os dois músicos existe, isso é inegável. Khátia é uma pianista muito expressiva, sem dúvidas, exala sensualidade em suas apresentações, e sabe como transferir essa expressividade para o piano. Ouçam a Sonata de Grieg, um dos melhores momentos do CD. Renaud Capuçon é o garoto de ouro da veterana Martha Argerich, com que já realizou diversas apresentações, inclusive desta mesma Sonata de Franck. Obviamente Khatia Buniatishvili não é nenhuma Martha Argerich, mas dá conta do recado com sobra.
A dupla encerra o CD com as belíssimas peças românticas de Dvorák. Um belíssimo CD, sem dúvidas.
César Franck – Sonata for Violin and Piano in A major
[1] I Allegretto ben moderato
[2] II Allegro
[3] III Recitativo-Fantasia. Ben moderato – Molto lento – a tempo moderato
[4] IV Allegretto poco mosso 6:04
Edvard Grieg – Sonata for Violin and Piano no. 3 Op. 45 in C minor
[5] I Allegro molto ed appassionato
[6] II Allegretto espressivo alla Romanza
[7] III Allegro animato 7:52
Antonín Dvořák – Romantic Pieces Op. 75 (B 150)
[8] I Allegro moderato
[9] II Allegro maestoso
[10] III Allegro appassionato
[11] IV Larghetto
Continuamos nossa minissérie sobre a família das cordas abordando aqueles primos afastados, meio esquecidos, de quem quase nunca se ouve falar e dos quais, apesar de nos parecerem esquisitos, sempre tem quem goste.
A viola d’amore já tinha quase saído de voga quando Vivaldi escreveu estes concertos que hoje são o cerne de seu repertório. Suas seis a sete cordas tocadas com o arco, e outras tantas ressonando por simpatia sob elas, garantem-lhe um timbre rico e algo, digamos, anasalado, que foi gradualmente preterido em favor daquele mais brilhante do violino.
Em primeiro plano, as sete cordas principais da viola d’amore, que são tocadas com o arco. Sob elas, as sete cordas que ressoam por simpatia.
A violinista Rachel Barton Pine, uma apaixonada pela viola d’amore, esperou muito tempo para finalmente por suas mãos num desses instrumentos, como conta nessa entrevista (em inglês). Depois de muito estudo, e de breves experimentos com o repertório, que incluíram alguns bis de viola d’amore em recitais dedicados ao violino, ela resolveu estrear com a gravação que ora lhes apresento, lançada no mês passado. A discografia desses concertos de Vivaldi, que já contava com ótimas versões de Fabio Biondi e Catherine Mackintosh, enriqueceu sobremaneira com este CD, particularmente pelo adorável, elegante uso que Pine faz do rubato.
VIVALDI – THE COMPLETE VIOLA D’AMORE CONCERTOS RACHEL BARTON PINE – ARS ANTIQUA
Antonio Lucio VIVALDI (1678-1741)
Concerto em Ré maior para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 392
01 – Allegro
02 – Largo
03 – Allegro
Concerto em Ré menor para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 393
04 – Allegro
05 – Largo
06 – Allegro
Concerto em Fá maior para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 97
07 – Largo – Allegro
08 – Largo
09 – Allegro
Concerto em Ré menor para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 394
10 – Allegro
11 – Largo
12 – Allegro
Concerto em Ré menor para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 395 13 – Allegro
14 – Andante
15 – Allegro
Concerto em Lá maior para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 396
16 – Allegro
17 – Andante
18 – Allegro
Concerto em Lá menor para viola d’amore, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 397
19 – Vivace
20 – Largo
21 – Allegro
Concerto em Ré menor para viola d’amore, alaúde, orquestra de cordas e baixo-contínuo, RV 540* 22 – Allegro
23 – Largo
24 – Allegro
Rachel Barton Pine, viola d’amore
*Hopkinson Smith, alaúde
Ars Antiqua
Um trabalho de Freddie Mercury (1946-1991) jamais seria totalmente ruim. Tudo o que ele produziu sempre teve alto capricho e acabamento. E suas qualidades vocais e afinação são um milagre. Mas neste Barcelona (1988), sua ego trip com Montserrat Caballé (1933-2018) não vai muito além de duas ou três boas faixas, como Barcelona, How can I go on e Overture Piccante. Se o Queen já era operístico, aqui Mercury aparece livre da influência roqueira de May, Deacon e Taylor. Uma pena, porque as coisas pioram bastante quando ele decididamente se coloca no crossover. A presença de Caballé é perfeita, só que o ego de Mercury tira-lhe espaço. O disco não é um fiasco e aprecio bastante de sua perfeição técnica e a atuação de todo mundo, apesar da música ser só mais ou menos.
Freddie Mercury, Montserrat Caballé: Barcelona
1 Barcelona 5:38
2 La Japonaise 4:49
3 The Fallen Priest 5:45
4 Ensueño 4:20
5 The Golden Boy 6:04
6 Guide Me Home 2:41
7 How Can I Go On 3:59
8 Overture Piccante 6:40
Cello – Deborah Ann Johnston
Horns – Barry Castle
Percussion – Frank Ricotti
Violin – Homi Kanga, Laurie Lewis
Backing Vocals – Carol Woods, Debbie Bishop, Lance Ellington, Madeline Bell, Mark Williamson, Miriam Stockley, Peter Straker
Lyrics By – Tim Rice
Bass – John Deacon
Estes CDs me foram repassados gentilmente por nosso colaborador Rene Denon, quando lhe perguntei qual era o seu maestro favorito em se tratando de Mendelssohn. Ele nem pestanejou quando respondeu Wolfgang Sawalisch. Fiquei curioso então em conhecer estas gravações. Conhecia este maestro regendo principalmente Schubert e Brahms, e foi com grande satisfação e prazer que os ouvi atentamente. Lembro sempre do então jovem Claudio Abbado frente a Sinfônica de Londres quando falamos em Mendelssohn, integral que já trouxemos algumas vezes aqui no PQPBach.
Mendelssohn foi um fenômeno, um novo Mozart, e assim como esse, nos deixou muito cedo, meros 38 anos de idade, mas sua contribuição foi fundamental na história da música ocidental, com certeza foi um dos pilares do Romantismo. E estas suas sinfonias com certeza estão inscritas na categoria de obras primas daquele período tão importante da História da Cultura Ocidental. Sei que os senhores irão apreciar.
Cd 1
01. Symphonie Nr.1 c-Moll, Op.11 I. Allegro di molto
02. Symphonie Nr.1 c-Moll, Op.11 II. Andante
03. Symphonie Nr.1 c-Moll, Op.11 III. Menuetto, allegro molto
04. Symphonie Nr.1 c-Moll, Op.11 IV. Allegro con fuoco
05. Symphonie Nr.3 a-Moll, Op.56“Schottische” I. Andante con moto–Allegro un poco
06. Symphonie Nr.3 a-Moll, Op.56“Schottische” II. Vivace non troppo
07. Symphonie Nr.3 a-Moll, Op.56“Schottische” III. Adagio
08. Symphonie Nr.3 a-Moll, Op.56“Schottische” IV. Allegro vivacissimo
The New Philharmonia Orchestra
Wolfgang Sawallisch – Conductor
CD 2
01. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Sinfonia. Maestoso con moto – Allegr
02. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Alles was Odem hat lobe den Herrn
03. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Saget es, die ihr erlost seid – Er z
04. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Saget es, die ihr erlost seid
05. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Ich harrte des Hern
06. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Stricke des Todes hatten uns umfangen
07. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Die Nacht ist vergangen
08. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Nun danket alle Gott
09. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Drum sin ich mit meinem Liede
10. Symphonie Nr. 2 B-dur op. 52 ‘Lobgesang’ Ihr Volker! bringet her dem Herrn
Rotraud Hansmann – Soprano
Helen Donath – Soprano
Waldemar Kment – Tenor
The New Philharmonia Chorus & Orchestra
Wolfgang Sawalisch – Conductor
CD 3
01. Symphonie Nr. 4 A-dur op. 90 ‘Italienische’ 1. Allegro vivace
02. Symphonie Nr. 4 A-dur op. 90 ‘Italienische’ 2. Andante con moto
03. Symphonie Nr. 4 A-dur op. 90 ‘Italienische’ 3. Con moto moderato
04. Symphonie Nr. 4 A-dur op. 90 ‘Italienische’ 4. Saltarello. Presto
05. Symphonie Nr. 5 D-dur op. 107 ‘Reformation’ 1. Andante – Allegro con fuoco
06. Symphonie Nr. 5 D-dur op. 107 ‘Reformation’ 2. Allegro vivace
07. Symphonie Nr. 5 D-dur op. 107 ‘Reformation’ 3. Andante
08. Symphonie Nr. 5 D-dur op. 107 ‘Reformation’ 4. Choral ‘Ein’ feste Burg ist un
The New Philharmonia Orchestra
Wolfgang Sawallisch – Conductor
Se fôssemos puristas, não poderíamos incluir esta gravação numa série de música antiga da Boêmia. Afinal, Pavel Vejvanovský era morávio da gema: nasceu no mesmo vilarejo de Hukvaldy onde, mais de dois séculos depois, Leoš Janáček encontraria a luz; passou boa parte da vida em Olomouc (para cujo príncipe-bispo trabalhou no auge da carreira) e morreu em (tente pronunciar isso sem deglutir a própria língua) Kroměříž – todos eles logradouros da Morávia. No entanto, se os próprios boêmios da Supraphon resolveram incluir Vejvanovský na série Musica Antiqua Bohemica, quem sou eu, com meu pobre nome sem diacríticos, para contestá-los?
Vejvanovský foi um trompetista virtuoso que sabia escrever brilhantemente para seu instrumento, sem saber lá dotar de muita espessura ou profundidade suas obras. A oportunidade de escutar solistas tão bons quanto Miroslav Kejmar e Zdeněk Šedivý – distintos ocupantes, cada um a seu tempo, do posto de primeiro trompete da Filarmônica Tcheca – garante uma experiência agradável, ainda mais após a overdose de cordas com que entupimos os martelos, as bigornas e os estribos de nossos leitores-ouvintes nas últimas semanas. Quem não for lá tão fã de metais quererá, provavelmente, passar esse naco em nosso rodízio.
PAVEL JOSEF VEJVANOVSKÝ – SONATAS
Pavel Josef VEJVANOVSKÝ (1633/39-1693)
01 – Serenada, MAB 49/27
02 – Sonata venatoria em Ré maior, MAB 36
03 – Sonata secunda a 6, MAB 47/7b
04 – Sonata vespertina a 8, MAB 47/1
05 – Sonata a 4, MAB 36
06 – Sonata a 5, MAB 49/27
07 – Serenada em Dó maior, MAB 36
Miroslav Kejmar e Zdeněk Šedivý, trompetes Orquestra de Câmara de Praga (ou, para quem gosta de diacríticos e encontros consonantais: Pražský komorní orchestr) Libor Pešek, regência
Uma excelente gravação para este esplêndido repertório. Talvez a Sinfonia Nº 1 de Brahms seja a que eu mais goste dentre todas. Sim, dentre todas as centenas de sinfonias que já ouvi. E é um registro de respeito! O inglês Edward Gardner demonstra a força e a extrema competência do naipe de cordas da orquestra de Bergen. É um conjunto excepcional como um todo. Maestro titular da Filarmônica de Bergen desde outubro de 2015, Edward Gardner liderou a orquestra em várias turnês internacionais, incluindo performances em Berlim, Munique e Amsterdam e no BBC Proms e no Festival Internacional de Edimburgo. Gardner foi recentemente nomeado titular Orquestra Filarmônica de Londres, com seu mandato iniciando em setembro de 2021. O cara é ótimo e vocês podem comprovar ouvindo o CD. Um bom 2020 para todos nós!
Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonias Nº 1 e 3
Brahms: Symphony No. 1 in C minor, Op. 68 45:38
I. Un poco sostenuto – Allegro 16:01
II. Andante sostenuto 8:43
III. Un poco allegretto e grazioso 4:53
IV. Adagio – Allegro non troppo 16:01
Brahms: Symphony No. 3 in F major, Op. 90 35:43
I. Allegro con brio 12:45
II. Andante 8:28
III. Poco allegretto 5:56
IV. Allegro 8:34
Esta deve ser a terceira ou quarta vez que estou repostando estes CDs que considero imprescindíveis em qualquer CDteca. Karl Böhm foi um dos maiores especialistas em Mozart do Século XX, e mesmo hoje, com tantos CDs sendo lançados com registros historicamente informados, ainda considero estes CDs “IM-PER-DÍ-VEIS”.
Este foi o disco que me apresentou estas duas sinfonias, quando eu era apenas um pré adolescente morando no interior do Paraná. Claro que minha vida nunca mais foi a mesma. Foi um choque. A suavidade da interpretação magistral de Karl Böhm contrastava com a sisudez do senhor de óculos quadrados que aparecia na capa do LP, assustador por vezes. Os primeiros compassos da Sinfonia n° 40 me comoveram desde a primeira audição e não preciso dizer que aquele LP se tornou um de meus favoritos. Ouvi tanto que o risquei, afinal meu velho 3×1 não era lá grandes coisas, mas era o que meus pais conseguiram comprar. E o usei exaustivamente até pedir arrego. Mas o LP com o selo amarelo estava sempre lá, rodando, enchendo o espaço com a beleza da música mozartiana. Creio que ainda o tenha.
Karl Böhm já havia gravado uma integral das sinfonias de Mozart, porém com a Berliner Philharmoniker, gravações estas consideradas definitivas. Só muito mais tarde tive acesso a elas e também me encantei. Mas esta última gravação de Böhm, realizada poucos anos antes de sua morte, ainda é a minha favorita. E Karl Böhm, difinitivamente, foi um dos maiores intérpretes da obra de Mozart. E a Filarmônica de Viena é minha orquestra favorita para este repertório.
Espero que os senhores gostem. Eu simplesmente adoro…
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 38, 39, 40 e 41- Karl Böhm, WPO
Symphony nº 38 in D Major, “Prague” K. 504
01. 1 Adagio Allegro
02. 2 Andante
03. 3 Finale Presto
Symphony nº 39 in E Flat major K. 543
04. 1 Adagio Allegro
05. 2 Andante con moto
06. 3 Menuetto Allegretto Trio
07. 4 Finale Allegro
Symphony Nº 40 in G minor
1 Molto allegro
2 Andante
3 Menuetto – Allegretto – Trio
4 Allegro assai
Symphony No 41 in C major ‘Jupiter’
5 1 Allegro vivace
6 2 Andante cantabile
7 3 Menuetto – Allegretto – Trio
8 4 Molto allegro
Senhoras e senhores: é com imensa satisfação, dir-se ia prazer quase libidinoso (quase) que iniciamos nosso ANO BEETHOVEN, no qual celebraremos o ducentésimo quinquagésimo aniversário de nosso preclaro Lud Van, a apresentar-lhes a OBRA COMPLETA DE BEETHOVEN PARA BANDOLIM – tão imensa, verão os senhores, que não ocupa sequer um terço de um CD.
É interessante matutar o que deve ter levado um renano de sangue belga radicado em Viena a escrever algo para um instrumento mediterrâneo como o bandolim – algum amador talentoso e/ou rico, talvez, ou mais provavelmente um rabo de saia por quem, para variar, nutria sentimentos inconfessos que lhe alargavam as úlceras e o catapultavam para as tabernas mais pulguentas da capital austríaca. Já as obras que completam o álbum, que incluem algumas das numerosas “Árias Nacionais” arranjadas por Beethoven para duos e trios no final de sua vida, essas tiveram a vil inspiração do ouro: pagavam contas como ninguém, quanto mais em tempos de Guerras Napoleônicas, nas quais os patronos do “Espanhol Louco” se viam em maus lençóis e tinham que escolher entre cortar da própria carne e racionar o caviar, ou suspender as remessas de dinheiro para o apartamento mais caótico de Viena.
Nada há aqui de muito importante, embora eu ache muito simpáticas as diminutas peças para bandolim e piano. Entendam esta postagem, por favor, como uma caixa de bombons – aquelas que têm cada vez menos guloseimas interessantes, e cada dia mais renegados como o Smash e o Milkybar – que lhes ofereço para que possa ter tempo de tomar um cafezinho.
A propósito: podem me passar o Sensação?
BEETHOVEN – RARITIES
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
01 – Adágio em Mi bemol maior para bandolim e piano, WoO 43/2
02 – Sonatina em Dó maior para bandolim e piano, WoO 44/1
03 – Sonatina em Dó menor, WoO 43/1
Andante e variações para bandolim e piano, WoO 44/2
04 – Andante
05 – Variazioni I-VI
Lájos Mayer, bandolim Imre Rohmann, piano
Seis Árias Nacionais com variações para violino e piano, Op. 105
06 – Ária escocesa – Andantino quasi allegretto
07 – Ária escocesa – Allegretto scherzoso
08 – Ária austríaca – Andantino
09 – Ária escocesa – Andante espressivo assai
10 – Ária escocesa – Allegretto spiritoso
11 – Ária escocesa – Allegretto più tosto vivace
12 – Seis Danças Alemãs para violino e piano, WoO 42
Um bonito e tranquilo disco — com momentos lindos e outros nem tanto, mas que jamais chegam a ser maus — adequado para as horas de reflexão ou quando se quer algo culto, de nível, que não incomode muito. Weiss foi um dos compositores mais importantes e mais prolíficos da música alaúde da história e um dos alaudistas mais conhecidos em sua época. Ele escreveu cerca de 600 peças para alaúde, a maioria delas agrupadas em ‘sonatas’ (para não confundir com a sonata clássica posterior, baseada na forma da sonata) ou suítes, que consistem principalmente em peças de dança barroca. Como as deste disco. Weiss também escreveu originalmente um extenso repertório de música de câmara, duetos alaúde e concertos, mas apenas as partes solo sobreviveram. Setenta suítes, no entanto, são conhecidas em sua totalidade; a maioria dura cerca de 20 a 25 minutos. A música de Weiss é caracterizada pela compreensão única das capacidades de seu instrumento, seus pontos fortes e fracos. Weiss também era procurado como professor. Seus muitos alunos aristocráticos incluíam o jovem Frederico, o Grande, e suas irmãs Wilhelmena (mais tarde Margravine de Bayreutlt) e Anna Amalia, princesa da Prússia.
Silvius Leopold Weiss (1687-1750): Música para Alaúde
Agora sim, encerro os trabalhos de 2019 em grande estilo. Uma magnífica orquestra, um excepcional regente e um repertório, bem, esse repertório dispensa apresentações. Separem os móveis da sala, façam os pares e saiam valsando para saudar o novo ano. Não temam serem felizes. Precisamos de alegria e esperança neste ano que se inicia.
Karl Böhm regendo a Filarmônica de Viena, podermos assisti-los ao vivo, isso sim seria um sonho de consumo, impossível de ser realizado, infelizmente, afinal o grande maestro austríaco já nos deixou há bastante tempo. Mas esta excepcional Orquestra está lá, firme e forte, mesmo depois de 177 após sua fundação. Lhes garanto que se eu for o sortudo a ganhar os 300 milhões da Mega Sena da virada farei o possível para vê-los tocando.
Meus queridos e pacientes leitores – ouvintes deste longevo blog, já se vão treze anos desde que iniciamos este projeto utópico de levar-lhes música de alta qualidade. Passamos por diversos momentos críticos, e com certeza outros virão, não podemos garantir se ainda estaremos no ar, o mundo dá muitas voltas, mas garanto que faremos o possível estaremos continuarmos lhes proporcionando o prazer da boa música.
Como comentei acima, podem separar os móveis da sala, façam seus pares e podem sair valsando, para saudar o novo ano.
FELIZ 2020 !!!
Johann Strauss II (1825-1899)
01. An der schönen, blauen Donau, Op 314
02. Tritsch-Tratsch Polka, Op 214
03. Kaiserwalzer, Op 437
04. Unter Donner und Blitz Polka, Op 324
05. Rosen aus dem Süden, Op 388
Johann Strauss II & Josef Strauss (1827-1870)
06. Pizzicato Polka
Johann Strauss II
07. Annen-Polka, Op 117
08. Perpetuum mobile, Op 257
ORIGINALMENTE PUBLICADO EM 31/12/2015, LINK REVALIDADO EM 31/12/2019 COM OS MESMÍSSIMOS PLANOS DE FOLGA PARA O ANO VINDOURO
Já imagino a claque tomateira rugindo:
– Pô, Vassily: VALSAS DE STRAUSS?
– Daqui a pouco tu tá postando André Rieu!
– Tá achando que o PQP Bach é lugar pra pai de debutante achar valsinha de quinze anos?
– Que chavãozinho, hein, postar concertinho de ano novo no Ano Novo?
– Você já ouviu música de verdade, Sr. Vassily Genrikhovich???
Ao que replico:
– Mas peraí, gurizada: já viram QUEM ESTÁ REGENDO???
Respeito, senhores: trata-se de Carlos Kleiber, figura enigmática e polêmica, mas – e isso ninguém discute – um dos maiores regentes do século XX. Crescentemente avesso a apresentações e gravações (o que, pressupomos, é bastante inconveniente para um regente), já estava bastante afastado dos palcos quando retornou (porque ele já o tinha feito em 1989) à Grande Sala do Musikverein (Associação de Música) de Viena para conduzir a Filarmônica daquela cidade no tradicional Concerto de Ano Novo de 1992. O ensaio meticuloso e o tremendo comando de Carlos sobre a orquestra garantem que estas peças bastante batidas, mas muito atraentes, soem como se as ouvíssemos pela primeira vez na vida – uma das características do “Estilo Kleiber”.
Sobre o final do ano, sou realmente meio cabreiro acerca das grandes mudanças que todos esperam para os trezentos e sessenta e poucos próximos dias do calendário. Não deixo aqui meus votos, portanto, mas antecipo uma resolução (mais que isso: uma autoimposição!) de Ano Novo: terei que reduzir a frequência de minhas postagens e resenhá-las, se tanto, mais sucintamente. Não que não tenha apreciado demais a oportunidade de postar quase diariamente desde meu ingresso na ademais fabulosa equipe do PQP Bach e de interagir com os poucos de vocês que se dispuseram, além de acessar o que lhes disponibilizo, a deixar-me um “joinha”, um resmungo ou algum pedido. Se desfrutaram de meus esforços um naquinho que seja do que eu desfrutei ao empenhá-los, imagino então que se divertiram.
1992 NEW YEAR’S CONCERT of the 150th Jubilee Year of the WIENER PHILARMONIKER – CARLOS KLEIBER
Carl Otto Ehrenfried NICOLAI (1810-1849)
01 – Die Lustigen Weiber Von Windsor: Abertura
Johann STRAUSS II (1825-1899)
02 – Stadt und Land, Polka Mazur, Op. 322
Josef STRAUSS (1827-1870)
03 – Dorfschwalben aus Österreich, Valsa Op. 164
Johann STRAUSS II
04 – Vergnügungzug, Polca Rápida Op. 281
05 – Der Zigeunerbaron: Abertura
06 – Tausend und Eine Nacht, Valsa Op. 346
07 – Neue Pizzicato-Polka, Op. 449
08 – Persischer Marsch, Op. 289
09 – Tritsch-Tratsch-Polka, Op. 214
Josef STRAUSS
10 – Sphärenklänge, Valsa Op. 235
Johann STRAUSS II
11 – Unter Donner und Blitz, Polca Rápida Op. 324
12 – An der Schöner Blauen Donau, Valsa Op. 314
Johann Baptist STRAUSS (1804-1849)
13 – Radetzky-Marsch, Op. 228
Que baita, tremendo CD! Que cantora é Nuria Rial e que maravilhosa é a Austrian Baroque Company! As Neun deutsche Arien (Nove árias alemãs) foram escritas entre 1724 e 1727. São lindas árias aparentemente simples para uma voz solo, um instrumento melódico que o acompanha e um baixo contínuo. Até os títulos das árias revelam que Händel — famoso como criador de óperas e oratórios suntuosos — está disposto ao intimismo e ao espírito do pietismo primitivo. Do poeta hamburguês Barthold Heinrich Brockes, ele pega textos calmos e sensíveis que não eram nem do italiano do início da carreira nem do inglês que usaria no futuro. Eles foram são retirados da coleção de poesia de Brockes, Prazeres terrenos em Deus, que apareceu em 1721. Seu humor terno, frugal e despretensioso permitiu a Handel expressar na música íntima o mesmo domínio que demonstrou nas paixões palpitantes ou emoções virtuosísticas de outros trabalhos. Tanto a letra quanto o cenário de Händel são característicos da mudança do barroco, no sentido mais restrito, para a Era do Iluminismo: o homem descobre o traço de Deus na beleza independente da natureza e agradece a ele, Criador, com louvores, às vezes alegres, às vezes íntimos. As Nove árias alemãs incomuns permaneceriam isoladas no trabalho de Handel mesmo depois de 1727, pois logo o compositor voltou a formas mais tonitruantes. Mas fica clara uma coisa: que compositor foi Händel!
Já a redução da Música para os Reais Fogos de Artifício, apesar de estar muito abaixo das árias, é uma gracinha.
G. F. Händel (1685-1759): Süße Stille, sanfte Quelle
Neun deutsche Arien
1 Künft’Ger Zeiten, Eitler Kummer, HWV 202 7:02
2 Das Zitternde Glänzen Der Spielenden Wellen, HWV 203 5:24
3 Süsser Blumen Ambraflocken, HWV 204 7:45
4 Süße Stille, Sanfte Quelle, HWV 205 4:53
5 Singe, Seele, Gott Zum Preise, HWV 206 4:44
6 Meine Seele Hört Im Sehen, HWV 207 6:09
7 Die Ihr Aus Dunklen Grüften, HWV 208 4:39
8 In Den Angenehmen Büschen, HWV 209 3:21
9 Flammende Rose, Zierde Der Erden, HWV 210 6:04
Music For The Royal Fireworks, HWV 351
Arranged By [Chamber Version] – Michael Oman
10 Ouverture 7:17
11 Bourée 1:06
12 La Paix 3:55
13 La Réjouissance 2:24
14 Menuet 0:51
15 Bourée 0:55
Bassoon – Wolfgang Heiler
Cello – Balázs Máté
Conductor, Recorder – Michael Oman
Guitar, Lute – Daniel Oman
Guitar, Theorbo – Thomas C. Boysen*
Harpsichord, Organ – Jeremy Joseph (3)
Oboe – Paolo Grazzi
Organ – Martina Schobersberger
Soprano Vocals – Nuria Rial (tracks: 1 to 9)
Violin – Riccardo Minasi
Gostei dessa estratégia de postagens em série, pois ajuda este colecionador compulsivo a orientar-se em meio à sua Babilônia de gravações e deixa alguns de vocês (calculo que uns três ou quatro) na expectativa sobre o que mais virá.
Ao longo dessa semana, postaremos obras de compositores tchecos, alguns muito pouco conhecidos. Aliás, antes que perguntem: “tcheco” deriva de “Čech”, que quer dizer “boêmio” – o natural da Boêmia, uma das três regiões históricas que formam a atual República Tcheca, correspondendo aproximadamente às terras do antigo Reino da Boêmia que, desde sempre, foi centrado em Praga (as outras regiões são a Morávia, centrada em Brno, e a parte tcheca da Silésia, centrada em Ostrava).
Um dos incontáveis prazeres de se viver em Praga (o que fiz por sete meses, em tempos imemoriais) é desfrutar da grande música feita por excelentes músicos, e na maioria das vezes em joias arquitetônicas de extraordinária acústica. De quebra, ainda se encontram gravações baratíssimas (menos que um lanche lá naquele palácio da gordura trans e dos arcos dourados), em CD e vinil, do ótimo selo Supraphon, cujo catálogo parece um poço sem fundo donde não para de se encontrar coisa boa.
Uma das séries do Supraphon, “Musica Antiqua Bohemica” (da qual já postamos, na semana passada, a gravação com as sonatas para harpa solo de Krumpholz), aborda justamente tesouros pouco tocados, ou recém redescobertos, da música daquela região. É impressionante a quantidade de bons compositores cujas obras volumosas jazem nas bibliotecas da Boêmia. Os músicos daquela época não se enxergavam como gênios que compunham para eras vindouras, mas sim como artífices que trabalhavam para cumprirem seus deveres laborais. Dessa feita, eles compunham obras para alguma ocasião ou intérprete e, uma vez executadas, elas perdiam sua razão de ser e acabavam, muitas vezes vendidas pelo preço de papel velho, nalguma estante poenta.
Jan Křtitel Vaňhal, também conhecido como Johann Baptist Wanhal – a versão alemã, com menos diacríticos e muito mais amistosa de seu nome – já estreou no PQP numa postagem de nosso patrão. O que trago hoje para vocês é uma gotícula no verdadeiro manancial que é a sua obra: sonatas escritas para a viola com acompanhamento de cravo e piano. A essas cinco sonatas juntar-se-ão pelo menos outras oito, redescobertas e reconstruídas por uma querida violista e musicóloga de Brno que pretende fazer sua primeira gravação tocando-as ela mesma, com acompanhamento deste que vos fala.
Já pensaram? Uma estreia mundial, aqui neste eudaimônico blogue? Se o improvável encontro for gravado, e se talvez eu beber MUITO – quiçá uns Keep Coolers a mais no Ano Novo -, prometo postar a gravação aqui no PQP!
VAŇHAL – SONATAS FOR VIOLA AND HARPSICHORD (PIANO)
Jan Křtitel VAŇHAL (1739-1813)
Quatro Sonatas para viola e cravo, com baixo ad libitum, Op. 5
Sonata no. 4 em Dó maior
01 – Allegro moderato
02 – Adagio
03 – Finale con variazioni
Sonata no. 2 em Ré maior
04 – Allegretto moderato
05 – Arieta
06 – Finale. Andante
Sonata no. 3 em Fá maior
07 – Allegreto moderato
08 – Adagio
09 – Allegreto
Sonata no. 1 em Dó maior
10 – Allegro moderato
11 – Minuetto
12 – Rondo. Allegro.
Karel Špelina, viola Josef Hála, cravo Ladislav Pospíšil, violoncelo
Sonata em Mi bemol maior para viola e piano
13 – Allegro vivace
14 – Poco adagio
15 – Rondo. Allegretto.
Um excelente disco do tempo em que Alison Balsom ainda não era a grande estrela que é hoje – com total merecimento. Até meados do século XVII, o trompete era essencialmente um instrumento cerimonial, tocado por soldados e atendentes da corte. Era normalmente utilizado em bandas de trompetes e bateria, nas quais fanfarras e músicas populares eram tocadas. No entanto, compositores alemães como Michael Praetorius e Heinrich Schütz começaram a experimentar o uso de trompetes em concertos por volta de 1620, e logo após 1650 os compositores começaram a escrever muitas peças para uma ou duas trombetas com órgão e com cordas e continuo. Este é o repertório que é explorado neste disco. Pensa-se normalmente que as primeiras sonatas da trompete foram escritas em Bolonha. E, com efeito, as primeiras sonatas de trompete impressas foram publicadas em 1665 por Maurizio Cazzati, maestro di capella em San Petronio, em Bolonha. No entanto, existem sonatas para trompete em manuscritos nas bibliotecas do norte da Europa que são mais antigas. Um exemplo disso é a sonata do compositor e cantor romano Alessandro Melani. Ela pode ser encontrada em manuscritos de Uppsala, na Suécia, provavelmente copiada nas décadas de 1680 ou 90, embora uma versão mais curta para uma única trombeta em um manuscrito de Oxford possa remontar à metade do século.
Music for Trumpets and Strings from the Italian Baroque
Sonata a 6 in D major[5’43] Ferdinando Lazzari (1678-1754)
1 Presto e spicco[1’58]
2 Grave[0’35]
3 Canzona[0’59]
4 Grave[0’31]
5 Presto[1’40]
6 Sonata a 4 in G minor ‘La sampiera'[3’36]Maurizio Cazzati (1620-1677)
Sonata a 5 in D major Op 3 No 10[5’29] Andrea Grossi (1680-1690)
7 Vivace[1’11]
8 Adagio[2’06]
9 Grave[0’59]
10 Presto[1’13]
Sonata a 5 in D major[4’08] Giuseppe Maria Jacchini (c1663-1727)
11 Grave – Allegro[1’08]
12 Grave[0’38]
13 Allegro[1’06]
14 Grave – Allegro[1’16]
15 Sonata in A minor ‘La sassatelli’ Op 5 No 10[3’06]Giovanni Vitali (1632-1692)
Sonata a 5 in C major[10’19] Alessandro Melani (1639-1703)
16 Adagio – Allegro[2’01]
17 Allegro[3’14]
18 Canzona – Grave[2’42]
19 Vivace[2’22]
20 Sonata in E minor Op 10 No 17[5’15]Giovanni Legrenzi (1626-1690)
Il barcheggio[6’01] Alessandro Stradella (1639-1682)
21 Sinfonia in D major Movement 1: [Allegro][0’56]
22 Sinfonia in D major Movement 2: Andante[2’13]
23 Sinfonia in D major Movement 3: Allegro ma non troppo[1’16]
24 Sinfonia in D major Movement 4: Allegro[1’36]
Sonata a 5 in D major G7[5’23] Giuseppe Torelli (1658-1709)
25 Grave – Allegro[1’02]
26 Adagio[1’26]
27 Allegro[1’11]
28 Grave – Allegro[1’44]
Sonata a 4 No 1 in F minor[5’46] Alessandro Scarlatti (1660-1725)
29 Grave[0’51]
30 Allegro[1’38]
31 Larghetto[2’09]
32 Allemanda[1’08]
Concerto in C major RV537[6’41] Antonio Vivaldi (1678-1741)
33 Vivace[2’52]
34 Largo[0’33]
35 Allegro[3’16]
Crispian Steele-Perkins (trumpet)
Alison Balsom (trumpet)
The Parley of Instruments
André Danican Philidor, o velho [em francês: l’aîné] foi um membro da família de músicos franceses Philidor, conhecido também como André Danican Philidor le père depois de 1709. Ele era um bibliotecário musical, instrumentista e compositor. É conhecido principalmente como organizador e o principal copista do que hoje é conhecido como partituras manuscritas da Coleção Philidor de barroco francês. Philidor l’aîné foi nomeado para um cargo anteriormente ocupado por seu tio, Michel Danican, nos fuzileiros navais de Cromornes et Trompettes em 1659. Ele tocou oboé nos mosqueteiros reais de 1667 a 1677. Aparece em libretos dos balés e óperas de Lully como instrumentista de sopros e percussão. Ele tocava 33 instrumentos (!!!), incluindo oboés, flautas, flautas doces, fagotes e todo tipo de percussão. Compôs peças ocasionais ao longo de sua carreira e começou a escrever para o palco (óperas-ballets) após a morte de Lully, em 1687.
André Danican Philidor L’Aisné (c1652-1730): Recueil De Plusieurs Airs
Musiques De L’Enfance Du Dauphin
1 Pavane Pour La Petite Guaire, Fait Pour Les Cornetz En 1601 (MS Philidor Pag. XXVI) 2:19
2 Gaillarde, En Suitte (MS Philidor Pag. XXVII) 1:46
3 Muzette “Ma Mignone” 1:31
4 Pavane Fait Au Mariage De Mr. Vandosme En 1609 (MS Philidor Pag. XVI) 2:38
5 Branle En Faubourdon (Fait En 1540) (MS Philidor Pag. XXXI) 0:36
6 Gaillarde En Suitte (MS Philidor Pag. XXXII) 0:34
Musiques Pour Le Sacre Du Roy Faites Le 17 Octobre 1610
7 Pavanne Pour Les Hautbois Fait Au Sacre Du Roy (MS Philidor Pag. XVIII) 1:33
8 2e Air En Suitte (MS Philidor Pag. XIX) 0:42
9 3e Air En Suitte (MS Philidor Pag. XX) 0:57
Musiques Pour Le Mariage Du Roy Louis XIII Faites En 1615
10 Pavanne Du Mariage De Louis XIII, 1615 (MS Philidor Pag. 120) 3:29
11 Bourée D’Avignonez (MS Philidor Pag. XXII) 1:59
12 Ballet A Cheval Pour Le Grand Carousel, Fait A La Place Royale Pour Le Mariage De Louis XIII, Joué Par Les Grands Hautbois, 1615 (MS Philidor Pag. 106) 0:59
13 2e Air En Suitte (MS Philidor Pag. 108) 0:36
14 3e Air En Suitte (MS Philidor Pag. 108) 0:17
15 4e Air En Suitte (MS Philidor Pag. 109) 0:53
Concert Donné A Louis XIII En 1627 Par Les 24 Viollons Et Les 12 Grands Hautbois
16 Les Ombres (MS Philidor Pag. 1) 3:13
17 2e. Air Pour Les Mesmes (MS Philidor Pag. 2) 1:34
18 Charivaris Pour Les Hautbois (MS Philidor Pag. 4) 0:50
19 Gavotte En Suite (MS Philidor Pag. 6) 0:41
20 Les Suisses, Air Pour Les Viollons (MS Philidor Pag. 9) 2:25
21 Les Suissesses (MS Philidor Pag. 11) 1:58
22 Les Gascons (MS Philidor Pag. 13) 2:36
23 Entrée De Mr. De Liancourt (MS Philidor Pag. 14) 1:51
24 Les Ballets De La Faiste (MS Philidor Pag. 15) 2:18
25 Les Nimphes De La Grenouillere (MS Philidor Pag. 17) 2:47
26 Les Bergers (MS Philidor Pag. 20) 2:32
27 Les Ameriquains (MS Philidor Pag. 22) 3:00
Les Musiques Royales De 1634 À 1650
28 Fanfare (Improv.) 0:39
29 Intrada – Gavotte – Sarabande, Vers 1648 (Cassel) 2:31
30 Charivaris Pour Les Hautbois, 1648 (Mr. Dumanoir) (MS Philidor Pag. 26) 1:18
31 Courante De La Reine D’Anglaterre, 1634 (MS Philidor Pag. 117) 2:23
32 Gavotte, Vers 1648 (Cassel) 1:06
33 Fantaisie “Les Pleurs D’Orphée”, 1648 (L. Rossi) (Cassel) 3:40
34 Libertas (MS Philidor Pag. 113) 1:55
35 Sarabandes & Tambourin (Cassel) 2:13
36 “A L’Impero D’Amore” (Sarabande Italienne) (MS Philidor Pag. 116)
Conductor [Direction] – Jordi Savall Ensemble [Ensemble Des 24 Violons 1615-1650], Concertmaster [Concertino] – Manfredo Kraemer (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36) Ensemble [Ensemble Des 24 Violons 1615-1650], Double Bass [Basses De Violon] – Bruno Cocset (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Claire Giardelli (tracks: 29, 32), Laura Folch (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Tamas Varga* (tracks: 29, 32) Ensemble [Ensemble Des 24 Violons 1615-1650], Viola [Hautes-contre De Violon] – Angelo Bartoletti (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Giovanni de Rosa (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Judit Földes (tracks: 29, 32), Martin Barrera* (tracks: 29, 32), Natan Paruzel (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36) Ensemble [Ensemble Des 24 Violons 1615-1650], Viola da Gamba [Violes De Gambe] – Eunice Brandao (tracks: 33, 36), Sergi Casademunt (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Sophie Watillon (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36) Ensemble [Ensemble Des 24 Violons 1615-1650], Violin [Violons] – David Plantier (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Davide Amodio (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Isabel Serrano (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Lydia Cevidalli (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Mauro Lopes* (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Pablo Valetti (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Santi Aubert (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36), Sílvia Mondino* (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36) Ensemble [Ensemble Des 24 Violons 1615-1650], Violone – Richard Myron (tracks: 29,32), Xavier Puertas (tracks: 10, 16, 17, 20 to 27, 29, 31 to 36) Ensemble [Ensemble Des Cornets Et Grands Hautbois 1601-1632], Bassoon [Bassons] – Barbara Sela* (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Claude Wassmer (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Jean-Noël Catrice (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Josep Borràs (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19) Ensemble [Ensemble Des Cornets Et Grands Hautbois 1601-1632], Concert Flute [Flûte Traversière] – Marc Hantaï (tracks: 5, 6) Ensemble [Ensemble Des Cornets Et Grands Hautbois 1601-1632], Cornet – Jean-Pierre Canihac (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Marie Garnier* (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19) Ensemble [Ensemble Des Cornets Et Grands Hautbois 1601-1632], Musette – Jean-Christoph Maillard* (tracks: 3) Ensemble [Ensemble Des Cornets Et Grands Hautbois 1601-1632], Oboe [Hautbois] – Alfredo Bernardini, Béatrice Delpierre, Marcel Ponseele (tracks: 3, 5, 6) Ensemble [Ensemble Des Cornets Et Grands Hautbois 1601-1632], Sackbut [Sacqueboutes] – Daniel Lassalle (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Elies Hernándis (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Harry Ries (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Nicolas Vallade (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Stephan Legée* (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19) Ensemble [Ensemble Des Cornets Et Grands Hautbois 1601-1632], Trumpet [Trompettes] – Guy Ferber (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19), Roland Callmar (tracks: 1 to 9, 11 to 15, 18, 19) Ensemble [Ensemble Des Grands Hautbois 1634-1650], Bassoon [Bassons] – Claude Wassmer (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35), Josep Borràs (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35) Ensemble [Ensemble Des Grands Hautbois 1634-1650], Flute [Flûtes Traversières] – Charles Zebley (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35), Marc Hantaï (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35) Ensemble [Ensemble Des Grands Hautbois 1634-1650], Oboe [Hautbois] – Alessandro Pique (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35), Ann Vanlancher* (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35), Marcel Ponseele (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35), Paolo Grazzi (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35), Taka Kitazato (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35) Ensemble [Ensemble Des Grands Hautbois 1634-1650], Trumpet [Trompettes] – Jean-Marc Imbert* (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35), Stephen Keavy (tracks: 28 to 30, 32, 34, 35) Ensemble [Les Basses Continues Et Percussions 1601-1650], Guitar, Theorbo [Théorbe] – Rolf Lislevand (tracks: 3, 5, 6, 29, 35), Xavier Díaz* Ensemble [Les Basses Continues Et Percussions 1601-1650], Harpsichord [Clavecin], Organ [Organo Di Legno] – Carlos García Bernal*, Luca Guglielmi, Michael Behringer Ensemble [Les Basses Continues Et Percussions 1601-1650], Percussion – Marc Clos (tracks: 1, 2, 4, 7 to 9, 10 to 15), Michèle Claude (tracks: 28, 29, 35), Pedro Estevan Ensemble [Les Basses Continues Et Percussions 1601-1650], Theorbo [Théorbes] – Eduardo Egüez, Mathias Spaeter* Ensemble, Orchestra – Le Concert Des Nations
O Rach 3, como é mais conhecido, é um dos mais difíceis concertos para Piano já compostos. Que o diga o pianista australiano David Helfgott, menino prodígio, que encarou o desafio de tocá-lo em um concurso, porém, devido a um esgotamento mental devido às horas de ensaio, e a esquizofrênia ainda não diagnosticada, e e também à pressão do pai, que queria que fosse tudo perfeito, veio a sofrer um colapso mental no dia da sua apresentação. Está tudo retratado no belíssimo filme intitulado ‘Shine, Brilhante”, com o ótimo ator australiano Geoffrey Rush. Quem ainda não viu, não sabe o que perdeu.
Wladimir Horowitz foi um dos maiores pianistas do século XX, e este Concerto fazia parte de seu repertório. Tenho dois registros dele, o primeiro lá dos anos 50, 1951, para ser mais exato, onde ele é acompanhado por Fritz Reiner. Já em idade avançada, 75 anos, veio a gravar novamente, nas comemorações de seu Jubileu, com o grande Eugène Ormandy. São com certeza dois registros históricos, estou trazendo para os senhores poderem fazer as devidas comparações. Divirtam-se. São dois momentos únicos, vale a pena conhecer.
Sergey Rachmaninov (1873-1943) – Piano Concerto No. 3, In D Minor, Op. 30 (Gravação de 1951)
01. Allegro ma non tanto
02. Intermezzo Adagio
03. Finale. Alla breve
Wladimir Horowitz – Piano
RCA Victor Symphony Orchestra
Fritz Reiner – Conductor
Pensaram que tínhamos esgotado a família dos arcos? Nah: nós nos lembramos do esquecido arpeggione, que gozou de breve voga no começo do século XIX, quando um visionário fabricante de violões teve a ideia, que certamente considerou brilhante, de construir um violão que se tocava com um arco.
Sim, ideia medonha.
E não fosse um Schubert a lhe dedicar uma ótima sonata (que hoje faz parte do repertório de violistas e violoncelistas), hoje ninguém sequer se lembraria da criação de Herr Johann Georg Stauffer.
Ei-la
Não pensem, entretanto, que esse ostracismo do arpeggione foi imerecido: o som do instrumento é acanhado, o que dificultava tanto seu uso em grandes salas de concerto quanto seus duos com outros instrumentos. Além disso, os trastos – exatamente iguais aos dos violões – e a pouca tensão nas cordas acarretavam problemas de articulação, que são notórios nas poucas gravações disponíveis no mercado, e mesmo nas mãos de especialistas. Um deles é Nicolas Deletaille, que já deu o ar de sua graça aqui a tocar a Sonata “Arpeggione” de Schubert com acompanhamento do incansável Paul Badura-Skoda e, depois de trocar seu arpeggione por um violoncelo, juntar-se a um quarteto de cordas no maravilhoso Quinteto D. 956 do mesmo compositor.
O outro é Gerhart Darmstadt, que estrela este álbum que, logicamente, serve a “Arpegionne” como prato principal, junto com um punhado de outras peças originais para o instrumento e de uma pitada de outras transcrições – algumas delas feitas por um certo Vincenz Schuster, que foi amigo de Schubert e carrega a distinção de ter sido o único, er, ARPEGGIONISTA profissional de toda a história do planeta. O acompanhamento – a cargo de um pianoforte de som bem menos robusto que um piano moderno e de uma guitarra romântica com cordas de tripa – tem o mérito de não sufocar o algo fanhoso protagonista.
DER ARPEGGIONE – GERHARDT DARMSTADT
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
01 – Sonatina (Adagio) em Dó menor, WoO 43a
02 – Árias Nacionais, Op. 107 – no. 7: Ária russa em Lá menor
Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)
03 – Quatro Canções do “Wilhelm Meister” de J. W. von Goethe, D. 877 – no. 4: Lied der Mignon em Lá menor
Franz Peter SCHUBERT
Sonata para arpeggione e pianoforte em Lá menor, D. 821
04 – Allegro moderato
05 – Adagio
06 – Allegretto
Louis (Ludwig) SPOHR (1784-1859)
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra
07 – Tempo di Polacca em Lá maior, da ópera “Faust”
Bernhard Heinrich ROMBERG (1767-1841)
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra
08 – Adagio em Mi maior
Folclore UCRANIANO
transcrição de Vincenz Schuster (1800-?) para arpeggione e guitarra
09 – Schöne Minka – Moderato em Lá menor
Johann Friedrich Franz BURGMÜLLER (1806-1874)
10 – Noturno em Lá menor para arpeggione e guitarra
Gerhart Darmstadt, arpeggione
Egino Klepper, pianoforte
Björn Colell, guitarra romântica
Esse CD traz excelentes interpretações dos Concertos para Piano de Shostakovich. A jovem pianista russa Anna Vinnitskaya dá um show, acompanhada pela extraordinária Kremerata Baltica. Em outras palavras, trata-se de um baita CD.
Este é o CD de estreia de Vinnitskaya na Alpha. O repertório foi escolhido pela pianista, a qual revela duas facetas da música do compositor justapondo o Concerto N° 1 para Piano Op. 35, uma composição insolente com um caleidoscópio de atmosferas e registros estilísticos (romantismo russo, jazz americano, neoclassicismo) que surpreende constantemente o ouvinte e o mais tradicional N° 2, escrito para o filho Maxim e que irradia o alegria da juventude.
Sem mais,
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Piano – Anna Vinnitskaya, Kremerata Baltica
01 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 I. Allegretto
02 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 II. Lento
03 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 III. Moderato
04 Piano Concerto No. 1 in C Minor, Op. 35 IV. Allegro con brio
05 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 I. Allegro
06 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 II. Andante
07 Piano Concerto No. 2 in F Major, Op. 102 III. Allegro