Kovacevich encerra sua travessia com uma leitura elétrica das três últimas, visionárias sonatas. Quando parece que não lhe vai mais sobrar energia depois da fuga do final da Op. 110, ele começa a Op. 111 com toda pilha, cantarolando com o mesmo vigor com que toca – percebam que ele fica ultra-alegre cada vez que ataca os baixos -, e quem o acompanhou até aqui sabe o que esperar das variações que coroam toda série: brilho e expressividade, incluindo um proto-jazz especialmente pirotécnico.
O que vocês talvez não saibam é que a Warner, aquela marota distribuidora que tragou Philips e EMI e com elas o próprio Kovacevich, colocou bizarramente esta sonata sozinha no nono disco, fazendo-a – o que é ainda mais bizarro – seguir-se com as duas séries de bagatelas Opp. 119 e 126. Como nós adoramos Beethoven e sabemos o poder do Op. 111, transplantamos as “ninharias” para o disco anterior, deixando-as na mesma jaula da feroz Hammerklavier. Afinal de contas, nós lemos Thomas Mann, seu “Doutor Fausto” e, por termos aprendido a famosa lição do professor Kretzschmar, sabemos a única coisa que se pode seguir a seu segundo movimento…
“Um terceiro movimento? Um reinício depois desse adeus? Impossível! Acontecera que a sonata no segundo, no imenso segundo movimento, havia alcançado seu fim, um fim sem nenhum retorno. E, ao referir-se ‘à sonata’, não pensava apenas nessa, em dó menor, e sim na Sonata em si, na forma, no gênero artístico tradicional: ela mesma tinha sido levada ao seu término, cumprira seu destino, além do qual não existia caminho, anulara-se e dissolvera-se, despedira-se; o aceno de adeus, dado pelo motivo de ré-sol-sol, melodicamente consolado pelo dó sustenido, era despedida também nesse sentido, despedida grande como a peça, despedida da Sonata.”
… o silêncio, tão só.
ooOoo
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano em Mi maior, Op. 109 Composta em 1820 Publicada em 1821 Dedicada a Maximiliane Brentano
1 – Vivace ma non troppo – Adagio espressivo
2 – Prestissimo
3 – Andante – molto cantabile ed espressivo
4 – Var. I – Molto espressivo
5 – Var. II – Leggermente
6 – Var. III – Allegro vivace
7 – Var. IV – Un poco meno andante
8 – Var. V – Allegro ma non troppo
9 – Var. VI – Tempo I del tema
Sonata para piano em Lá bemol maior, Op. 110 Composta em 1821 Publicada em 1822
10 – Moderato cantabile – Molto espressivo
11 – Allegro molto
12 – Adagio ma non troppo
13 – Adagio, ma non troppo – Arioso
14 – Fuga – Allegro ma non troppo
15 – L’istesso tempo di arioso
16 – L’istesso tempo della Fuga poi a poi di nuovo vivente
Sonata para piano em Dó menor, Op. 111 Composta em 1821-22
Publicada em 1823
Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustra
17 – Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
18 – Arietta – Adagio molto semplice e cantabile
Retrato de família: Marthinha (com cara de quem preferia estar com seus gatos) e Stephen com sua filha, Stéphanie. A moça à direita, praticamente uma releitura asiática de Martha, é sua filha, a violista Lyda Chen-Argerich.
Um excelente repertório numa interpretação que está fora de moda, mas que foi de alto nível em sua época. Também não sei porque Grieg ficou fora da capa — ou se esta é realmente a capa do CD. Sua Suíte Holberg é belíssima e não merece este descaso…
Sobre a Serenata para Cordas de Tchai: ele pretendia que o primeiro movimento fosse uma imitação do estilo de Mozart, e foi baseado na forma da sonatina clássica, com uma introdução lenta. A agitada introdução do Andante é marcada como “sempre marcatissimo”. A introdução é reafirmada no final do movimento, e depois reaparece, transformada, no quarto movimento, unindo toda a obra. Na segunda página da partitura, Tchaikovski escreveu: “Quanto maior o número de músicos na orquestra de cordas, mais isso estará de acordo com os desejos do autor.” O segundo movimento, Valse, tornou-se uma peça popular por si só.
Souvenir deFlorence, também de Tchai, é originalmente um sexteto, mas não chega aos pés da Serenata.
Já a Suíte Holberg, de Grieg, é demais! A Suíte Holberg, op. 40, mais propriamente “Da época de Holberg”, com o subtítulo “Suite in olden style” é uma suíte de cinco movimentos baseados nas formas de dança do século XVIII, escritos por Edvard Grieg em 1884 para celebrar o 200º aniversário do nascimento do dramaturgo humanista Ludvig Holberg. Ela foi originalmente composta para piano, mas um ano depois foi adaptada pelo próprio Grieg para orquestra de cordas. A suíte consiste em uma introdução e um conjunto de danças. É um ensaio inicial do neoclassicismo, uma tentativa de ecoar tanto quanto se sabia no tempo de Grieg da música da época de Holberg. Embora não seja tão famosa quanto a música incidental de Grieg de Peer Gynt, muita gente boa consideram ambas como obras como de igual mérito.
Tchaikovsky (1840-1893) / Grieg (1843-1907): Cordas e mais cordas (Serenata, Souvenir, Holberg)
Tchaikovsky (1840-1893): Serenade for strings in C major, Op.48
01. I. Pezzo in forma di sonatina_ Andante non troppo — Allegro moderato
02. II. Walzer_ Moderato, tempo di valse
03. III. Elégie_ Larghetto elegiaco
04. IV. Finale (Tema russo)_ Andante — Allegro con spirito
Tchaikovsky (1840-1893): Souvenir de Florence, Op.70
05. I. Allegro con spirito
06. II. Adagio cantabile e con moto
07. III. Allegro moderato
08. IV. Allegro vivace
Edvard Grieg (1843-1907): Holberg Suite, Op.40
09. I. Praeludium_ Allegro vivace
10. II. Sarabande_ Andante
11. III. Gavotte_ Allegretto — Musette_ Poco più mosso
12. IV. Air_ Andante religioso
13. V. Rigaudon_ Allegro con brio
Academy of St. Martin in the Fields
Sir Neville Marriner
Vou começar o mês de maio trazendo Bach para os senhores. Deixemos Beethoven um pouco de lado, e vamos nos deliciar com este CD absolutamente estonteante da violista armênia Kim Kashkashian.
Este CD foi lançado em outubro de 2018, e o baixei praticamente na mesma época, e ficou guardado em um HD externo, aguardando ser ouvido, porém com o passar do tempo, acabei esquecendo dele. Estive nos dois últimos meses envolvido na recuperação desse HD externo, que apresentava problemas na leitura. Felizmente consegui recuperar praticamente 90% de seu conteúdo.
Kim Kashkashian não é nenhuma novata, ao contrário, sua discografia fala por si só. Sempre envolvida com o repertório mais atual, ela é contratada já há décadas do selo ECM, e seus CDs sempre são muito bem produzidos e gravados, característica dessa gravadora.
Aproveitem que hoje é feriado para degustar esse show de virtuosismo e técnica dessa que é uma das maiores violistas de todos os tempos. Dependendo dos comentários, trago outro CD imperdível dela.
Por algum motivo, a forma com que o CD foi gravado não foi na sequência natural das obras. Não sei a razão, mas é apenas um pequeno detalhe que de forma alguma atrapalha o conjunto da obra.
1. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
2. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
3. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 3. Courante
4. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
5. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 5. Menuet I-II
6. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
7. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
8. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
9. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 3. Courante
10. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
11. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 5. Menuet I-II
12. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
13. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
14. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
15. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 3. Courante
16. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
17. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 5. Gavotte I-II
18. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
19. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
20. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
21. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 3. Courante
22. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
23. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 5. Bourrée I-II
24. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
25. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
26. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
27. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 3. Courante
28. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
29. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 5. Bourrée I-II
30. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
31. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
32. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
33. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 3. Courante
34. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
35. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 5. Gavotte I-II
36. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
Embora recomende a qualquer pessoa que me inquira acerca da qualidade desta ou daquela integral de Beethoven a técnica certeira do patrão PQP Bach – ouvir a Waldstein e dela tirar a medida do restante -, eu próprio não resisto e começo minha audição sempre pela descabelante Hammerklavier. Admito que haja mesmo algo de Schadenfreude a me impelir ao costume, e que desfrutar de três quartos de hora testemunhando os melhores pianistas do mundo a sangrarem as unhas, as juntas e as ventas para parir esta criatura horrendamente complicada seja um petisco sádico a nutrir a inveja medíocre do tocadordepiano que sempre fui e serei, incapaz de tocar a colossal ultrassonata mesmo que dispusesse de dois telencéfalos e cinquenta e cinco dedos. Quando o pianista a termina vivo e a criatura tem boa forma no redentor si bemol final, eu então recolho minha inveja e passo ao restante da integral.
Aw,yea
Informo-lhes, pois, que depois de dar à luz sua Hammerklavier, Stephen Kovacevich passa muito bem. Sua leitura parece dar-se sem esforço, sublinhando certos padrões rítmicos e melódicos que nunca tinha percebido (reflexo, talvez, do meu apetite por Schadenfreude). O Adagio sostenuto, cerne da obra, tem aqui uma qualidade mais terrena do que a diafaneidade usual e parece desembocar naturalmente na introdução da imensa fuga “com algumas licenças” que a encerra. O disco terminava originalmente com a sonata Op. 110, mas eu achei por bem, e por motivos que exporei na postagem seguinte, subverter a ordem proposta pela Warner e colocar as bagatelas aqui, como diminutos poslúdios para a feroz mastodonta.
Julguem-me.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Grande Sonata para piano em Si bemol maior, Op. 106, “Hammerklavier” Composta entre 1817-18
Publicada em 1819
Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustria
Onze novas bagatelas para piano, Op. 119 Compostas entre 1820-1822 Nos. 7-11 publicadas no tratado de piano de F. Starke em 1821 Coleção completa publicada em 1823
05 – Allegretto
06 – Andante con moto
07 – A l’Allemande
08 – Andante cantabile
09 – Risoluto
10 – Andante — Allegretto
11 – Allegro, ma non troppo
12 – Moderato cantabile
13 – Vivace moderato
14 – Allegramente
15 – Andante, ma non troppo
Seis bagatelas para piano, Op. 126
Compostas em 1824
Publicadas em 1825
16 – Andante con moto, cantabile e compiacevole
17 – Allegro
18 – Andante, cantabile e grazioso
19 – Presto
20 – Quasi allegretto
21 – Presto – Andante amabile e con moto
Hoje faz um dia espetacular, daqueles de não se esquecer. O céu que eu vejo daqui é azul de cinema e apesar de fazer calor, a sensação de estar aqui, no meio desta tarde, é deliciosa. Uma tarde como esta merece música agradável, bonita, leve de coração e com sons luminosos. Assim, vamos com este lindo disco que estou ouvindo, repleto dos dois trios com clarinete que Beethoven compôs. O grande Ludovico que continua a ser homenageado aqui e também sabia agradar as a suas diferentes audiências, mandando sobre elas alguns lindos sopros de alegria.
Nas circunstâncias que vivemos, perguntas como ‘O que realmente é essencial para você?’ ganham uma profundidade e uma dimensão tamanha que em raríssimas outras vezes teremos oportunidade de medir e avaliar tão clara e verdadeiramente. Assim, um pouco de leveza é bem-vinda.
O Trio para piano, clarinete (ou violino) e violoncelo em si bemol maior, Op. 11 é de 1798 e ganhou o apelido ‘Gassenhauer Trio’. O nome explica a popularidade da obra. Há um movimento com nove variações sobre um tema do dramma giocoso ‘L’amor marinaro ossia il corsaro’, de Joseph Weigl. A ‘Pria ch’io l’impegno’ é uma daquelas melodias que gruda na nossa mente. Daí o ‘Gassenhauer’, que é uma melodia ou canção tão popular que se pode ouvir pela rua (Gasse).
A outra obra do álbum é o Septeto Op. 20 travestido de Trio para piano, clarinete e violoncelo. Arranjos de obras populares para diferentes combinações (em geral com menos instrumentos) era comum e permitia maior circulação da obra. Esses arranjos nem sempre eram feitos pelo próprio compositor, mas aqui foi o próprio Beethoven que fez o arranjo e até o publicou com distinto número de opus.
Paul, Claudio e Eric ensaiando as variações sobre ‘Pria ch’io l’impegno’
Os intérpretes deste álbum são excelentes músicos e estão especialmente à vontade interpretando música de câmera. O disco faz parte de uma série chamada ‘Salon de musique’, lançada pelo selo Alpha, com gravações de artistas que participaram do Festival do Salon de Provence. O pianista Eric le Sage, que deverá aparecer por aqui mais vezes, juntou-se ao clarinetista Paul Meyer e ao violoncelista Cláudio Bohórquez para produzirem esse lindo álbum.
Antes de seguirmos para os finalmentes, uma das coisas que eu gosto de fazer, de vez em quando, é ouvir música acompanhando com a partitura. Eu garanto que, para fazer isto, você não precisa saber ler música. Coloque a música para tocar, abra a partitura e siga o ‘gráfico’. É impressionante como isto pode ser divertido.
Como em tudo na vida, começar com exemplos mais simples é a melhor maneira. Deixaremos as sinfonias de Mahler para depois.
Coloquei a partitura (em pdf) de cada um dos trios nos arquivos, flac pu mp3, segundo sua preferência, e você poderá fazer uma experiência.
Se você abrir os tais pdfs, verá cinco pautas nas quais a música estará disposta. Olhando de cima para baixo, as duas primeiras estarão com as notas a serem tocadas pelo violino ou pelo clarinete, já que um ou outro instrumento pode ser usado. No nosso caso, então, considere a partir da segunda pauta. Logo a baixo virá a pauta do violoncelo. Claro, estará indicado lá, no início de tudo, só estou falando… Abaixo disto há duas pautas, que contêm as notas a serem tocadas pelo piano. O exibido instrumento precisa de duas pautas… Algumas peças (de Debussy, por exemplo, usam até três…). Além disso, as notas do piano parecem maiores, acho que os pianistas são meio ceguetas.
Mas aqui vai a minha sugestão: tente acompanhar, inicialmente, a melodia do clarinete. Isso o ajudará a não se perder, se você ainda não tem muita experiência neste tipo de coisa. E não se envergonhe de eventualmente usar o controle remoto para recomeçar a música, em caso de se perder completamente. Ah, uma última dica: os movimentos lentos são mais fáceis.
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Trio para piano, clarinete e violoncelo em si bemol maior, Op. 11 – ‘Gassenhauer’
Allegro con brio
Adagio
Tema con variazioni
Trio para piano, clarinete e violoncelo em mi bemol maior, Op. 38 (Arr. do Septeto Op. 20)
Depois me contem, se a sugestão de perseguir a música na partitura foi boa, se você já fazia isto e se gostou do disco. Ande, use o link ‘LEAVE A COMMENT’ que está lá no início, bem abaixo do cabeçalho.
Anne Sofie von Otter é uma das principais mezzo-soprano da atualidade, conhecida por sua versatilidade em papéis de óperas, suas interessantes opções de recitais e sua disposição em assumir riscos vocais. Seu pai era um diplomata sueco cuja carreira levou a família a Bonn, Londres, e de volta a Estocolmo enquanto Anne Sofie estava crescendo. Como resultado, ela ganhou fluência em idiomas. Estudou música na Guildhall School of Music and Drama, em Londres. Sua principal professora de voz era Vera Rozsa, enquanto Erik Werba e Geoffrey Parsons a treinavam na interpretação de lieder.
Ela ganhou um contrato com a Basle Opera em 1983 e permaneceu na empresa até 1985, estreando como Alcina no Orlando Paladino de Franz Joseph Haydn. Ela também assumiu vários papéis masculinos escritos para mezzo-sopranos femininos, incluindo Cherubino no casamento de Mozart com Figaro, Hänsel no Hänsel und Gretel de Humperdinck e Orpheus no Orfée et Eurydice de Gluck. Em 1984, estreou no Festival de Aix-en-Provence como Ramiro em La Finta Giardiniera, de Mozart. Outras interpretações incluem Otaviano em Rosenkavalier de Strauss, o Compositor em Ariadne auf Naxos de Strauss e o papel-título de Tancredi de Rossini, entre outros.
Uma mulher alta e escultural, ela sente-se em casa em inúmeras séries de óperas do século XVIII, nas quais vozes altas costumavam interpretar os heróis. Ela cantou em Covent Garden, La Scala, Berlim, Munique, Roma e outras grandes casas de ópera.
Outra razão para a alta proporção de óperas da era barroca e clássica em seu repertório é uma importante relação de trabalho com o maestro John Eliot Gardiner, maestro britânico que começou como especialista em barroco. Ela fez o primeiro teste para ele em 1985, mas não conseguiu impressionar. Foi apenas com uma chance subseqüente para ele ouvi-la que ele começou a trabalhar com ela. Ela se juntou a ele em gravações da Nona Sinfonia de Beethoven; Clemenza di Tito de Mozart, Idomeneo e Requiem; Favola d’Orfeo de Monteverdi e L’Incoronazione di Poppea; Agripina e Jefté, de Handel; Orfée et Eurydice, de Gluck; e Oratório de Natal de Bach e St. Matthew Passion. Ele também conduziu a gravação de Seven Deadly Sins, de Weill, por von Otter, e selecionou músicas de teatro. Gravações significativas desde 2000 incluem Terezin / Theresienstadt, música do campo de concentração, e Boldemann, Gefors, Hillborg, canções orquestrais suecas contemporâneas.
Seu outro grande parceiro artístico é o pianista sueco Bengt Forsberg, seu parceiro de recital. Como Forsberg é um dos principais estudiosos no campo da literatura musical, von Otter conta com ele para sugerir músicas e organizar os programas de seus recitais. Com ele, ela se especializou em lieder desde os períodos do início e do final do período romântico, incluindo gravações bem recebidas de músicas de Schubert, Schumann, Brahms, Zemlinsky, Korngold e Mahler, além dos compositores românticos nórdicos, Alfvén, Rangstrom, Stenhammer e Sibelius.
Ela aprecia cantar músicas nas tonalidades especificadas originalmente pelos compositores. Quando ela veio gravar Seven Deadly Sins de Kurt Weill, ela usou a versão original para soprano alto, uma gama que ela possui, em vez da versão mezzo-soprano tradicional que foi feita para Lotte Lenya no final da carreira do cantor. Von Otter também gravou Seven Early Songs de Alban Berg, também música que é uma tensão para muitos sopranos. Além disso, ela não é avessa a esticar a voz para obter um efeito dramático. “Eu acredito em efeitos de choque”, ela disse uma vez em uma entrevista. No entanto, após os 40 anos de idade, ela teve algumas experiências particularmente ruins como resultado dessas duas tendências e, ela admite, magoou a voz. Como resultado, ela decidiu ser “sensata” e transpor para baixo. (extraído da internet)
Jacques Offenbach, nascido Jakob Eberst (Colônia, 1819 – Paris 1880) 1. Les Contes d’Hoffmann – Act – 1. Entr’acte (Barcarolle) Anne Sofie von Otter, Stéphanie d’Oustrac & Les Musiciens du Louvre, Marc Minkowski & Chorus Of Les Musiciens Du Louvre
Franz Schubert (Austria, 1797 – 1828) 2. “Ellens Gesang III”, D839 Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg
Gioachino Antonio Rossini (Pésaro, Italy, 1792-Passy, Paris, 1868) 3. La Cenerentola, Act 2 “Nacqui all’affanno e al pianto” Anne Sofie von Otter, Orchestra Of The Frankfurt Opera, James Levine
Edvard Grieg (Noruega, 1843 – 1907) 4. Haugtussa – Song Cycle, Op.67, Killingdans Anne Sofie von Otter & Bengt Forsberg (piano)
Franz Schubert (Austria, 1797 – 1828) 5. Im Abendrot, D.799 Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg
Kurt Weill (1900 – 1950) One Touch of Venus 6. I’m A Stranger Here Myself Anne Sofie von Otter, NDR-Sinfonieorchester, John Eliot Gardiner
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) St. Matthew Passion, BWV 244 – Part Two 7. No.47 Aria (Alto): “Erbarme dich, mein Gott” Anne Sofie von Otter, Fredrik From, Baroque Concerto Copenhagen, Lars Ulrik Mortensen
Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840 – 1893) Eugene Onegin, Op.24, TH. – Act 1 8. Scene and Aria. “Kak ya lyublyu pod zvuki pesen etikh” – “Uzh kak po mostu, mostochku” Mirella Freni, Anne Sofie von Otter, Staatskapelle Dresden, James Levine
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) Requiem in D Minor, K. 626, compl. by Franz Xaver Süssmayer 9. 6. Benedictus Anne Sofie von Otter, Barbara Bonney, Hans Peter Blochwitz, Willard White, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
Edvard Grieg (1843 – 1907) Haugtussa – Song Cycle, Op.67 10. Ved gjaetle – bekken Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) La clemenza di Tito, K. 621, Act 1 11. “Parto, ma tu ben mio” 12. “Oh Dei, che smania è questa” Anne Sofie von Otter, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
Kurt Weill (1900 – 1950) One Touch of Venus 13. Speak Low Anne Sofie von Otter, NDR-Sinfonieorchester, John Eliot Gardiner
George Frideric Handel (1685 – 1759) Il pianto di Maria: “Giunta l’ora fatal” HWV 234 14. Cavatina: “Se d’un Dio fui fatta Madre” Anne Sofie von Otter, Musica Antiqua Köln, Reinhard Goebel
Gustav Mahler (1860 – 1911) Rückert-Lieder, Op. 44 15. 2. Liebst du um Schönheit Anne Sofie von Otter, NDR-Sinfonieorchester, John Eliot Gardiner 16. Serenade (from: “Don Juan”) Anne Sofie von Otter, Ralf Gothoni
George Frideric Handel (1685 – 1759) Ariodante, HWV 33, Act 2 17. “Tu preparati a morire” Anne Sofie von Otter, Les Musiciens du Louvre, Marc Minkowski
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) Idomeneo, re di Creta, K.366, Act 1 18. “Il padre adorato” Anne Sofie von Otter, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) Mass in B Minor, BWV 232 Kyrie: No.1 Kyrie eleison 19. Agnus Dei Widerstehe doch der Sünde, Cantata BWV 54 20. 1. “Widerstehe doch der Sünde” Anne Sofie von Otter, Baroque Concerto Copenhagen, Lars Ulrik Mortensen
Edvard Grieg (1843 – 1907) Haugtussa – Song Cycle, Op.67 21. Elsk Kurt Weill (1900 – 1950) 22. Berlin im Licht – Song Franz Schubert (1797 – 1828) 23. Der Wanderer an den Mond, D.870, op.80, no.1 Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg
Christoph Willibald von Gluck (1714 – 1787) Paride ed Elena, Wq 39, Act 1 24. “O del mio dolce ardor” Anne Sofie von Otter, Paul Goodwin, The English Concert, Trevor Pinnock
George Frideric Handel (1685 – 1759) Hercules, HWV 60, Act 2 25. Aria: “When beauty sorrow’s liv’ry wears” Anne Sofie von Otter, Les Musiciens du Louvre, Marc Minkowski
Edvard Grieg (1843 – 1907) Haugtussa – Song Cycle, Op.67 26. Det syng 27. Med en Vandilje, Op.25, No.4 Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg
Claudio Monteverdi (1567 – 1643) L’incoronazione di Poppea, SV 308, Act 2 28. Adagiati, Poppea – Oblivion soave (Arnalta) Anne Sofie von Otter, Jakob Lindberg, Jory Vinikour
Johannes Brahms (1833 – 1897) Fünf Lieder, Op.47 29. 3. Sonntag “So hab ich doch” Franz Schubert (1797 – 1828) 30. Im Walde D 708 Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg
Palhinha: ouça: 14. Cavatina: “Se d’un Dio fui fatta Madre”
Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.
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Quanto mais visionárias vão-se tornando as sonatas, mais canoro fica Kovacevich. Nah, nada que se compare a Glenn Gould, o paladino do sing-along pianístico, mas deve realmente haver algo na Les Adieux que atice seu uirapuru laríngeo. Sua leitura, bocca chiusa à parte, é excelente para essa trinca de obras da transição para o derradeiro período criativo do mestre. Aprecio demais sua abordagem muito expressiva de toda Op. 81a, com um finale muito assertivo, e o quanto ele espreme de sumo da tão concisa Op. 90, cujo segundo movimento, sob suas mãos, tornou-se um dos mais singbar que conheço. A chave dourada fica com a Op. 101, uma de minhas – já que tirei o dia para abusar dos estrangeirismos – top 3 nesta série de Kovacevich. Sua maestria ao lidar com a tensão criada pelos vários clímaxes dessa peça magistral, que com pianistas menos competentes se torna desconexa, prepara admiravelmente o ouvinte para o maravilhoso movimento final, aquela inesquecível apoteose do contraponto.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 81a, “Les Adieux” Composta entre 1809-10 Publicada em 1811 Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustria
1 – Das Lebewohl (Les Adieux): Adagio – Allegro
2 – Abwesenheit (L’Absence): Andante espressivo (In gehender Bewegung, doch mit viel Ausdruck)
3 – Das Wiedersehen (Le Retour): Vivacissimamente (Im lebhaftesten Zeitmaße)
Sonata para piano em Mi menor, Op. 90 Composta em 1814 Publicada em 1815 Dedicada ao príncipe Moritz von Lichnowsky
4 – Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck
5 – Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen
Sonata para piano em Lá maior, Op. 101 Composta em 1816 Publicada em 1817 Dedicada à baronesa Dorothea Ertmann
6 – Etwas lebhaft, und mit der innigsten Empfindung. Allegretto, ma non troppo
7 – Lebhaft, marschmäßig. Vivace alla marcia
8 – Langsam und sehnsuchtsvoll. Adagio, ma non troppo, con affetto
9 – Geschwind, doch nicht zu sehr, und mit Entschlossenheit. Allegro
Em uma das minhas vidas passadas ensinei em uma universidade americana e tive como colega e vizinho de escritório um inglês – Lewis! Ele chegava com seu sobretudo de agente secreto, com um sorriso em apenas meia boca e mandava: Good morning, René! Era essencialmente tudo o que ele oferecia em termos de conversação, mas de alguma maneira, sabia que podia contar com ele. Gostaria de imaginar que em algum lugar da Inglaterra, dia destes, Lewis chegará em casa, servirá a large sip of Scotch e tocará algum CD do tipo deste que vos trago.
String Orchestras são verdadeiras instituições inglesas e os compositores britânicos do início do século XX deixaram um repertório muito bonito para essa combinação.
Wyastone Leys, Monmouth
Este CD foi gravado, masterizado e manufaturado no Reino Unido, diz com orgulho na contracapa do CD o selo – Nimbus Records Limited. Tudo isto foi feito em um castelo: Waystone Leys, Monmouth. Mas na contracapa há também a informação de que a sua gravação foi feita no Great Hall da University of Birmingham.
Mas estes detalhes todos são para deixar claro que estamos diante de um repertório absolutamente British e excelente.
George Butterworth morreu em combate na Primeira Guerra, com apenas 31 anos. Estudou em Eton e Oxford e ajudou Cecil Sharp e Vaugham Williams em suas pesquisas em música folclórica. Neste disco temos quatro peças suas. A primeira teve material derivado de um ciclo de canções, A Shropshire Lad, principalmente da primeira canção, Loveliest of Trees. Pelos nomes você pode esperar uma música que representa mais as paisagens do interior da Inglaterra, com suas raízes folclóricas. O mesmo acontece nas outras três peças, em particular na última, The Banks of Green Willow.
Em seguida temos a Lady Radnor’s Suite, de Hubert Parry. O nome da peça se deve ao fato de Parry tê-la escrito para uma orquestra de câmera que era regida por Helen, a Condessa de Radnor, esposa do quinto Earl of Longford Castle, de Salisbury.
A última peça é de um (talvez) mais conhecido compositor, Frank Bridge, que foi professor de Benjamim Britten. Esta peça, a Suite for Strings, está em nível de comparação com Introduction and Allegro, de Elgar, e Fantasia on a Theme by Thomas Tallis, de Vaugham Williams.
Enfim, um lindo disco com música de excelente qualidade. E não é só para inglês ver!
Ah, se você estiver lendo isto, Lewis, gostaria de agradecer pela companhia nos corredores da universidade, em busca de another cup of coffee. Eu quase posso ouvi-lo dizendo: Don’t mention it!
Faltariam adjetivos para exaltar todos os músicos envolvidos nesta gravação. Sviatoslav Richter e Evgeny Mravinsky são músicos já apareceram por aqui, e seu nível de genialidade e de talento já foi mais do que demonstrado e discutido. E a Orquestra Filarmônica de Leningrado, nestes tempos de Mravinsky, era considerada uma das melhores orquestras do mundo.
Estes registros são lá da década de 50, já completaram seis décadas desde sua realização, mas felizmente a tecnologia nos permite o acesso elas. Temos aqui um Richter já devidamente reconhecido como gênio, e Mravinsky e sua Filarmônica de Leningrado também já tinham plantado suas raízes. O que temos aqui então é papa finíssima, como diria um amigo, aqueles discos para serem degustados devidamente, apreciando um bom vinho, ainda mais que estamos chegando no inverno, ao menos cá pelas bandas do sul, onde as manhãs já estão ficando um tanto quanto geladas.
Só para quem não frequenta o PQPBach há muito tempo, nem conhece o naipe destes músicos, ou então não acompanha esse mundo tão exclusivo quanto o da música clássica, só preciso dizer que nunca houve gravação das últimas três sinfonias de Tchaikovsky que se igualasse ao registro de Mravinsky. O CD da Deutsche Grammophon com estas obras é um dos mais vendidos de todos os tempos, está em catálogo há sessenta anos. E aqui Mravinsky e sua orquestra são acompanhados por outro gigante, um dos maiores pianistas de todos os tempos, Sviatoslav Richter.
Para aproveitar esse período de isolamento social e apreciarem uma bela trilha sonora, sugiro sentarem-se em sua melhor poltrona, abrirem um bom vinho e se deliciem.
Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) – Piano Concerto nº1, Symphony nº 6 ‘Patetique’ – Sviatoslav Richter, Yevgeny Mravisnky, Leningrad Symphony Orchestra
01. Piano Concerto No.1, Op.23 – I. Allegro non troppo e molto maestoso
02. Piano Concerto No.1, Op.23 – II. Andantino semplice
03. Piano Concerto No.1, Op.23 – III. Finale. Allegro con fuoco
Como faço desde que conheci o patrão PQP – e sim, eu repito cada vez que posto as sonatas de Beethoven – sempre que quero ter uma ideia sobre como um pianista se sairá numa integral, vou direto na “Waldstein”. Não tem erro: como bem atesta PQP, quem se sai bem na “Waldstein” – com suas imensas dificuldades técnicas e outras tantas, e ainda maiores, interpretativas – tem tudo para se sair bem nas demais.
Kovacevich, claro, sai-se muito bem. Estranhei um pouco a pedalização do Allegro con brio, acostumado que estou às escalas mais staccato, mas depois entendi que tudo é preparação para o portento do rondó final, absolutamente eletrizante. O próprio pianista parece concordar, de tanto que cantarola junto – embora pouco se escute de suas manias canoras na tonitruante Appassionata, e olhem que ele canta alto. Espremida entre as duas gigantes, a singela sonata Op. 52 recebe um pouco mais de gravidade que a que lhe dão de costume. No final, ouve-se a pequenina e genial Op. 78 com todo o garbo que ela merece, obra-prima que é – e até para a Op. 79, coitadinha, a sonatina que vem para encerrar essa função toda, sobra uma energia que simplesmente a faz parecer suspensa e inconclusa em seu abrupto final.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano em Dó maior, Op. 53, “Waldstein” Composta entre 1803-4 Publicada em 1805 Dedicada ao conde Ferdinand von Waldstein
01 – Allegro con brio
02 – Introduzione: Adagio molto
03 – Rondo: Allegretto moderato
Sonata para piano em Fá maior, Op. 54 Composta em 1802 Publicada em 1804
04 – In tempo d’un menuetto
05 – Allegretto
Sonata para piano em Fá menor, Op. 57, “Appassionata” Composta entre 1804-5 Publicada em 1807 Dedicada ao conde Franz von Brunsvik
06 – Allegro assai
07 – Andante con moto
08 – Allegro ma non troppo
Sonata para piano em Fá sustenido maior, Op. 78 Composta em 1809 Publicada em 1810 Dedicada a Therese von Brunsvik
09 – Adagio cantabile
10 – Allegro vivace
Sonata para piano em Sol maior, Op. 79 Composta em 1809 Publicada em 1810
Uma das coisas mais legais a respeito de John Adams é que, apesar de todos os elogios e honras acumuladas, ele mantém um ânimo leve e bem humorado. Isso se reflete nos títulos irreverentes de suas composições: “Gnarly Buttons”, “Son of Chamber Symphony”, “Roll Over Beethoven”, “American Berserk”, “Short Ride in a Fast Machine”, dentre outros. Então, quando foi anunciado que Adams escreveria uma peça para a pianista Yuja Wang e a Filarmônica de Los Angeles em uma estreia mundial no Walt Disney Concert Hall já dava para prever. Seria a composição uma sucessora tardia de “Eros Piano”, de “Century Rolls” ou seria seu Concerto para Piano No. 3? Nada disso: a peça se chama “Must the Devil Have All the Good Tunes?” (“O diabo deve ter todas as boas músicas?”). Como em um concerto convencional para piano, Devil se divide em três partes rápido-lento-rápido, mas as semelhanças param aí. Num ambiente ágil e muito percussivo, Adams nos agarra desde o início, com Wang tocando acordes pesados que lembram instantaneamente o tema estrondoso de “Peter Gunn” (Henry Mancini). O piano fica constantemente ocupado ao longo dos mais de 25 minutos, e mesmo no lento movimento contemplativo, acariciado pelas cordas sustentadas típicas de Adams, há uma tensão subjacente e um desejo impaciente de ligar novamente os motores. Eles acabam fazendo um ritmo pontilhado que sugere rock ‘n’ roll. Um baixo elétrico fornece sustentação sutil. Bem, Devil é sensacional e só poderia ter vindo da parte de um compositor com um olho na cultura popular. Como bis, a esplêndida pianista Wang toca o lindo, breve e murmurado “China Gates”, lá do início da carreira de Adams (1977), mostrando quão longe ele foi desde aqueles dias minimalistas. Gustavo Dudamel conduz a turma com verve adequada. Tudo perfeito.
Grande John Adams!
John Adams (1947): Must the Devil Have All the Good Tunes? / China Gates (Wang/Dudamel)
Must the Devil Have All the Good Tunes?
1 I. Gritty, Funky, But in strict Tempo; Twitchy, Bot-Like 11:31
2 II. Much Slower; Gently, Relaxed 7:07
3 III. Piú mosso: Obsession / Swing 7:41
Yuja Wang
Los Angeles Philharmonic
Gustavo Dudamel
Link renovado de uma postagem lá de 2013. Com certeza este é um dos melhores cds que já foram postados aqui no PQPBach. Ouçam e tirem suas conclusões. Dream Team é esse aqui, com o perdão do outro Dream Team citado abaixo.
Não exagero quando digo que este é um dos melhores cds de meu acervo, e de que esta é a melhor gravação que foi realizada destes concertos. Nem a gravação de Karajan com Oistrakh, Rostropovich e Richter a supera, para o concerto triplo. Szell com Oistrakh e Rostropovich talvez venha a se equivaler a Starker, Schnaiderhan e Fricsay. Em outras palavras, uma batalha de gigantes, em que felizmente não há necessidade de vencedores, ou melhor, o vencedor, neste caso, somos nós, reles mortais, que temos a oportunidade de ouvir isso, mais de cinquenta anos depois de sua gravação.
Talvez enquanto músicos, Géza Anda, Wolfgang Schnaiderhan, Janos Starker e Pierre Fournier não tenham alcançado a mesma estatura dos três gigantes anteriormente citados, mas o que os une, o alfaiate que os liga com um fio de ouro sem dúvida é Ferenc Fricsay, o genial maestro húngaro, precocemente falecido com meros 49 anos de idade, um ano a mais do que tenho hoje, e que realizou excelentes gravações como esse tesouro que vos trago.
Nem preciso dizer que é IM-PER-DÍ-VEL !!! e obrigatório em seus acervos.
01 – Concerto for piano, violin, cello & orchestra in C major (‘Triple Concerto’) – 1. Allegro
02 – 2. Largo, attaca
03 – 3. Rondo Alla Pollaca
Géza Anda – Piano
Wolfgang Schnaiderhan – Violin
Pierre Fournier – Cello
04 – Concerto for violin, cello & orchestra in A minor (‘Double’), Op. 102 – 1. Allegro
05 – 2. Andante
06 – 3. Vivace non troppo
Wolfgang Schnaiderhan – Violin
Janos Starker – Cello
Radio-Symphonie-Orchester Berlin
Ferenc Fricsay – Conductor
A integral de Kovacevich mostra, entre tantas qualidades suas, a habilidade de adaptar-se à ampla gama de demandas estilísticas e timbrísticas dessas obras compostas ao longo de quase trinta anos de imensas transformações para o compositor, para a Música e para o mundo. No Op. 31, que considero as primeiras obras-primas consumadas de Beethoven para o teclado, Kovacevich combina a agilidade e sutileza de toque com que coloriu as primeiras sonatas com a admirável atenção ao detalhe, sem perder a concepção do todo, que ficará cada vez mais em evidência enquanto a série progride. As três sonatas, tão diferentes entre si, e cada qual revolucionária na elaboração do material temático e na maneira com que espreme aos limites a sonata-forma, são lidas como um conjunto, e não como um punhado de peças características, como seus apelidos apócrifos insistem sugerir. Assim, sua “Tempestade”, com seus meio-pianos e meio-fortes murmurados, é lindamente coesa e une-se com harmonia à uma “Caça” mais serena que impetuosa. Sem dúvidas, é uma de minhas leituras preferidas para algumas das mais cruciais obras do renano genial.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Três sonatas para piano, Op. 31 Compostas em 1802 Publicadas em 1803
No. 1 em Sol maior
1 – Allegro vivace
2 – Adagio grazioso
3 – Rondo – Allegretto – Adagio – Presto
No. 2 em Ré menor, “Tempestade”
4 – Largo – Allegro
5- Adagio
6 – Allegretto
No. 3 em Mi bemol maior
7 – Allegro
8 – Scherzo – Allegretto vivace
9 – Menuetto – Moderato e grazioso
10 – Presto con fuoco
Duas sonatas para piano, Op. 49 Publicadas em 1805
No. 1 em Sol menor Composta em 1797
11 – Andante
12 – Rondo: Allegro
No. 2 em Sol maior Composta entre 1795-1796
13 – Allegro ma non troppo
14 – Tempo di Menuetto
Um disco elegante e nobre de um compositor que foi soterrado por contemporâneos melhores. Mas trata-se de um bom compositor e o trabalho do pianista Leslie Howard é notável aqui.
O russo Anton Grigorevich Rubinstein, nasceu em Vikhvatinets (atual Moldávia) e fazia uma música bonita e sossegada — com algumas exceções onde a tensão está presente –, que certamente agradará quem ouve música como calmante. Ele foi professor de Tchaikovsky em São Petersburgo e crítico do movimento nacionalista. Ele escreveu sobre si mesmo:
Os russos me chamam de alemão, os alemães me chamam de russo, os judeus me chamam de cristão, os cristãos me chamam de judeu. Os pianistas me chamam de compositor, os compositores me chamam de pianista. Os classicistas imaginam em mim um futurista, e os futuristas me chamam de reacionário. Minha conclusão é que não sou nem peixe nem ave — mas um indivíduo lamentável.
Não exagera, Anton.
Depois da morte de Rubinstein, seus trabalhos começaram a ser ignorados, embora o seu concerto para piano perdurasse na Europa até a primeira guerra mundial. Fora do nacionalismo, e talvez faltando um pouquinho de individualidade, a música de Rubinstein era simplesmente incapaz de competir com os clássicos estabelecidos como bons ou com o novo estilo russo de Stravinsky e de Prokofiev. Rubinstein tinha-se identificado consistentemente com as tradições mais conservadoras na música europeia de seu tempo. Teve pouco tempo para a música de Richard Wagner e outros radicais musicais. Mendelssohn foi um ídolo durante toda sua vida. Ele executava frequentemente sua música em seus recitais. Sua música solo para piano contém muitos ecos de Mendelssohn, de Chopin e de Robert Schumann.
Recentemente, seu trabalho voltou a ser tocado um pouco mais freqüentemente na Rússia e no exterior, e teve críticas positivas.
Anton Rubinstein (1829-1894): Solo Piano Music
Deux Mélodies Op 3[8’03]
1 No 1 in F major: Melody in F[4’20]
2 No 2 in B major: Andante[3’43]
Deux morceaux Op 30[10’39]
3 No 1 in F minor: Première Barcarolle. Moderato[5’36]
4 No 2 in D minor: Allegro appassionato[5’03]
Trois Barcarolles[15’26]
5 Deuxième Barcarolle in A minor, Op 45bis: Moderato assai[6’32]
6 Troisième Barcarolle in G minor, Op 50 No 3bis: Moderato con moto[3’43]
7 Quatrième Barcarolle in G major: Allegretto con moto[5’11]
Fantaisie in E minor Op 77[44’43]
8 Adagio – Allegro con fuoco[13’50]
9 Moderato assai[7’08]
10 Allegro molto – Moderato – Allegro molto – Poco meno mosso – Presto[7’07]
11 Molto lento – Vivace assai – Tempo rubato – Quasi presto[16’38]
Trois Caprices Op 21[13’35]
12 F sharp major: Allegretto scherzando[2’34]
13 D minor: Andante – Allegro[5’53]
14 E flat major: Allegro risoluto – Andante – Tempo I[5’08]
Trois Sérénades Op 22[19’39]
15 F major: Moderato assai[4’34]
16 G minor: Moderato assai[6’21]
17 E flat major: Allegretto con moto[8’44]
Thème et variations Op 88[42’01]
18 Theme in G major: Lento – Allegro moderato[2’13]
19 Variation 1 in G major: Allegro[1’29]
20 Variation 2 in E minor: Andante con moto[3’13]
21 Variation 3 in C major: Moderato con moto[2’14]
22 Variation 4 in C minor: Moderato[3’25]
23 Variation 5 in G major: Moderato[3’12]
24 Variation 6 in G minor: Allegro non troppo[1’37]
25 Variation 7 in E flat major: Moderato assai[2’32]
26 Variation 8 in E flat minor: Moderato assai[4’45]
27 Variation 9 in B major: Moderato[4’20]
28 Variation 10 in B minor: Moderato[2’20]
29 Variation 11 in D major: Allegro[1’57]
30 Variation 12 in G major: Allegro moderato[8’44]
Kenneth Gilbert, morto em abril de 2020, foi um dos cravistas mais importantes do século XX. Provavelmente está entre os intérpretes favoritos de PQP e FDP para a música do pai deles… Então o que explica a ausência de discos dele entre os mais de 600 discos do Pai de Todos já postados por aqui? A maioria dos CDs de Bach por Gilbert foi gravada nos anos 1980 e 90, foram muito ouvidos, apreciados, respeitados… mas (aqui já é divagação minha!) talvez por serem todos tão bem gravados em instrumentos belíssimos, tão bem tocados, sem defeitos mas também sem grandes surpresas, não voltam todo dia à memória.
Além de ter realizado gravações de referência de F. Couperin (obras completas em 10 CDs) e de Bach, ele também foi professor de muita gente famosa, como Scott Ross, que fez sucesso com sua barba cheia e jaquetas de couro, e Jos van Immerseel, pioneiro no uso de pianos de época e também maestro… Talvez a figura não tão midiática e fotogênica de Kenneth Gilbert tenha contribuído para o seu relativo esquecimento.
E a música? As gravações de Gilbert, como vocês já viram com as Suítes de Haendel, são de um bom gosto impecável. Alguns poderão desejar uns ornamentos mais excêntricos, uns andamentos diferentões, pausas dramáticas para reflexão e tal. Não é o caso aqui: é tudo estritamente fiel às partituras. O cravista se apaga para jogar os holofotes sobre o compositor.
No caso do CD de hoje, são obras de juventude de J.S.Bach, provavelmente compostas entre 1703 e 1717, embora seja difícil dizer as datas exatas. Elas mostram o quanto Bach admirava a música italiana feita poucos anos antes, especialmente a de Vivaldi. Uma curiosidade: após a Aria variata alla maniera italiana, Bach ficaria mais de 30 anos sem compor obras para cravo no formato de Tema e Variações. Esse jejum (no qual ele compôs variações para órgão, mas não para o cravo) seria quebrado, é claro, em 1741 com as Variações Goldberg.
Escrito quando seu irmão Johann Jacob Bach deixou a família para se tornar oboísta na corte de Carlos XII da Suécia, o Capriccio sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo (Capricho para a partida de seu amado irmão) é o único exemplo de música instrumental programática de J.S. Bach. O título de cada movimento evoca acontecimentos e sensações, de início com os amigos tentando dissuadi-lo da viagem e, no final, com a imitação da corneta que ele tocará na corte do rei. Não só essas descrições poéticas dos movimentos, traduzidas em português logo abaixo, como também o andamento do movimento central, Adagiosissimo (palavra que Bach nunca mais usaria), são muito mais típicos do romantismo de um Schumann do que do mestre supremo da música protestante que Johann Sebastian se tornaria.
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Capriccio BWV 992 · Präludium & Fuge BWV 894 · Aria BWV 989 · Toccaten BWV 910 · 911 · 912 1-2. Prelude and fugue in A minor, BWV 894
3-6. Toccata in G minor, BWV 915
7-10. Toccata in C minor, BWV 911
11-15. Toccata in F sharp minor, BWV 910
16-26. Aria variata alla maniera italiana, in A minor, BWV 989
27-32.Capriccio sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo, in B flat major, BWV 992
I. Arioso : Adagio (É uma brincadeira de seus amigos para dissuadi-lo de partir)
II. [sem andamento registrado] (Ilustração de vários perigos que podem lhe acontecer no país estrangeiro)
III. Adagiosissimo (Um lamento de todos os seus amigos)
IV. [sem andamento registrado] (Aqui, os amigos se despedem, vendo que ele não mudará de ideia)
V. Aria di postiglione. Allegro poco, (Ária imitando uma corneta)
VI. Fuga all’imitazione della cornetta di postiglione, (Fuga imitando uma corneta)
Kenneth Gilbert – harpsichord/cravo/clavecin by Jean Couchet (Antwerp, 1671), restored and enlarged by Blanchet (Paris, 1759) and Taskin (Paris, 1778). Two manuals. Pitch: A = 415 Hz.
Recording: Chartres, Musée de Cloître Notre Dame, Salle Italienne, 2/1992.
Cover illustration: detail of the harpsichord
É muito incomum escutarmos este notável quarteto de sonatas, compostas e publicadas ao longo de meros dois anos, todo num só disco. E, ainda que não se possa dizer que as Opp. 26-28 formem um ciclo, elas são sem qualquer dúvida o melhor exemplo do “estado da arte” de Beethoven naquela virada de século, um compêndio de seus muitos recursos e capacidade criativa, pelo menos naquele que sempre foi lhe foi o mais natural e experimental dos meios: o teclado do piano.
Admito que prefiro escutar essas obras com um pouquinho mais de, chamemo-lo assim, colorido timbrístico – especialmente as variações de abertura da Op. 26 ou os movimentos rápidos das sonatas-quase-fantasias. Ainda assim, a abordagem surpreendemente austera de Kovacevich empresta equilíbrio e uniformidade ao conjunto. Nunca senti a Op. 26 e a Op. 27 no. 1 tão próximas, mesmo que tenham sido publicadas em sequência: apesar de terem estruturas muito diferentes, pela primeira vez escutei ecos da Marcha Fúnebre da primeira em vários episódios da segunda. A Op. 27 no. 2 abre com um Adagio sostenuto sem açúcares, como se improvisado fosse, o que é fundamental para que o Allegretto e o Presto que se seguem tenham tanto grande efeito. Por fim, a Pastoral, que habitualmente surge como um posfácio bucólico a alguma sonata impetuosa como o finale da Luar, soa aqui despojada, quase austera, mas jamais frígida – e nunca ouvi antes, com tanta clareza, os bordões nos baixos que lhe deram o nome. Quando o disco terminou, ficou-me uma sensação de que não poderia haver variedade e contraste maiores entre seus tantos movimentos e que o “Estado da Arte” do Beethoven de trinta anos não poderia ter sido melhor apresentado – a preparação perfeita, penso eu, para as liberdades formais que ele tomaria a partir da magnífica trinca do Op. 31, que ouviremos amanhã.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano em Lá bemol maior, Op. 26, “Marcha fúnebre” Composta entre 1800-1801 Publicada em 1801 Dedicada ao príncipe Karl von Lichnowsky
1 – Andante con variazioni
2 – Variazione I
3 – Variazione II
4 – Variazione III
5 – Variazione IV
6 – Variazione V
7 – Scherzo, allegro molto
8 – Maestoso andante, marcia funebre sulla morte d’un eroe
9 – Allegro
Duas sonatas para piano, Op. 27
Compostas em 1801 Publicadas separadamente em 1802
Sonata “quasi una fantasia” no. 1 em Mi bemol maior Dedicada à princesa Josephine von Liechtenstein
10 – Andante – Allegro – Andante – attacca:
11 – Allegro molto e vivace – attacca:
12 – Adagio con espressione – attacca:
13 – Allegro vivace
Sonata “quasi una fantasia” no. 2 em Dó sustenido menor, “Ao Luar” Dedicada à condessa Giulietta Guicciardi
Retorno a estas sinfonias, depois de alguns anos afastado delas. Não são obras de fácil digestão, há de se compreender o contexto em que foram compostas. Cada uma delas tem uma história para contar. Sim, eu sei, o nosso querido PQPBach já se encarregou de contar estas histórias em suas várias postagens dedicadas a essas obras.
Não sei, esse período de afastamento, de isolamento social, como está sendo chamado, já esta me deixando confuso. De manhã cedo preciso conferir no celular em que dia da semana estamos. Estou afastado da rotina do trabalho, só que ainda não criei uma rotina para essa permanência prolongada em casa. A música tem sido minha grande companheira nestes últimos dez dias, assim como tem sido durante toda a minha vida. Não me trai nunca.
Vi dia destes na TV uma apresentação recente de Valery Gergiev, frente à Filarmônica de Munique, orquestra da qual ele é o atual titular. O cabelo está cada vez mais escasso, poucos fios cobrem a calvície. Mas o talento continua o mesmo, com os anos de experiência se acumulando. Comentei com um colega do PQPBach que ele tem um gestual totalmente diferente de um maestro tradicional. A impressão que nos passa é de sua total confiança nos músicos da orquestra, então, nem precisa fazer muito esforço para reger. Claro que as coisas não são assim, a confiança existe e é recíproca, ele é o líder e todos sabem disso. mesmo parecendo tanto quanto negligente, quando observamos sua barba de alguns dias, seus cabelos ou o que sobrou deles, todo desgrenhado … enfim, não aparenta ser o grande artista que é. Mas como dizia a canção, as aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam.
Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Symphony nº 4 in C Minor, op. 43 – Valery Gergiev, Kirov Orchestra
01. I a. Allegro poco moderato
02. I b. Presto
03. II. Moderato con moto
04. III a. Largo
05. III b. Allegro
6. III c. (Allegro)
Kirov Orchestra, Mariinsky Theater, St Petersburg
Valery Gergiev – Conductor
Charles Peter Wuorinen (9 de junho de 1938 – 11 de março de 2020) foi um compositor de música clássica contemporânea. Era também pianista e maestro. Compôs quase 300 peças, incluindo obras para orquestra, óperas como Brokeback Mountain e Haroun e o Mar de Histórias, música de câmara, além de trabalhos instrumentais e vocais solo. Salman Rushdie e Annie Proulx colaboraram com ele. O trabalho de Wuorinen foi descrito como serialista , mas ele depreciou esse termo como sem sentido. Ele recebeu o prêmio Pulitzer de Music for Time’s Encomium, sua única peça puramente eletrônica . Wuorinen também foi professor acadêmico em várias instituições, incluindo a Columbia University e a Manhattan School of Music.
Eu gostei bastante deste disco no qual a música de Wuorinen me foi apresentada. Ouvi tudo duas vezes por puro prazer, me diverti e tals.
Charles Wuorinen (1938): Scherzo / String Quartet No. 1 / Viola Variations / Piano Quintet No. 2
As quatro sonatas desse volume, compostas ao longo de dois anos, ilustram muito bem a evolução de Beethoven no sentido duma linguagem altamente pessoal. Adoro a maneira com que Kovacevich, cujo estilo já foi chamado de “muscular”, torna a “Patética” uma sonata clássica que ela é na essência, sem contrastes excessivos ou ruminações no primeiro movimento. Nada disso faria sentido se ele pegasse pesado com a glicose no Adagio cantabile, mas não é isso o que acontece: ele soa tão fresco como se estivesse a ser improvisado, o que torna a clareza do rondó final, normalmente tão túrbido sob outras mãos, a única continuação possível. As duas curtas sonatas do Op. 14 recebem o mesmo tratamento de clara limpidez, e a pouco conhecida Sonata Op. 22, talvez a última delas em estilo clássico, acaba por se tornar a peça crucial do disco: equilibrada sem ser monótona, com o fabuloso controle dinâmico de Kovacevich fazendo-nos perguntar por que o lindo Adagio con molta espressione não é mais ouvido por nós outros, que tanto dizemos gostar de Beethoven.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano em Dó menor, Op. 13, “Patética” Composta em 1798 Publicada em 1799 Dedicada ao príncipe Karl von Lichnowsky
1 – Grave – Allegro di molto e con brio
2 – Adagio cantabile
3 – Rondo: Allegro
Duas sonatas para piano, Op. 14 Compostas em 1798-1799 Publicadas em 1799 Dedicadas à baronesa Josefa von Braun
No. 1 em Mi maior
5 – Allegro
6 – Allegretto – Trio
7 – Rondo. Allegro comodo
No. 2 em Sol maior
8 – Allegro
9 – Andante
10 – Scherzo. Allegro assai
Grande Sonata para piano em Si bemol maior, Op. 22 Composta em 1800 Publicada em 1802 Dedicada ao conde Johann Georg von Browne
11 – Allegro con brio
12 – Adagio con molta espressione
13 – Menuetto
14 – Rondo: Allegretto
Sadly, even exceptionally good things must come to an end: La Risonanza has reached the seventh and final instalment in its endeavour to research, perform and record all of Handel’s youthful cantate con strumenti composed in Italy.
Gramophone
Agora sim chegamos ao final das postagens das Cantatas Italianas do genial Händel. E com a joia da coroa, a maravilhosa Apollo & Dafne, talvez a mais conhecida e interpretada destas obras.
Händel foi um compositor prolífico, e, ao contrário de seu contemporâneo Bach, ingressou em praticamente todas as áreas, desde obras para instrumento solo, até os grandes oratórios, passando por trios, concertos, óperas, etc. Já cansei de dizer o quanto admiro esse compositor, e quanto mais o ouço mais ainda o admiro. A beleza de suas árias comove até o mais duro coração. Adicione à essa beleza a voz de Roberta Invernizzi, cuja textura deixa-nos muitas vezes sem fala. Nada é forçado, ela flui com tanta facilidade que muitas vezes dá-nos a impressão de estarmos ouvindo um anjo cantando, apesar de eu particularmente nunca ter visto ou ouvido um anjo, e creio que também nenhum dos senhores. E o que mais me impressiona com relação à estas obras é a precocidade do autor quando as compôs. Händel tinha pouco mais de 20 anos nessa época e sua produção já era espantosa.
Como sempre, sugiro a leitura do libreto que acompanha o arquivo. Ele dá o contexto em que as obras foram compostas e explica em detalhes como foi o processo de criação.
G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. VII – Apollo e Dafne (HWV 122), Agrippina condotta a morire (HWV 110), Cuopre talvolta il cielo (HWV 98)
01 – Apollo e Dafne (HWV 122) – La terra è liberata
02 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Pende il ben dell’universo
03 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Ch’il superbetto Amore
04 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Spezza l’arco e getta
05 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Felicissima quest’alma
06 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Che voce! Che beltà
07 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Ardi, adori e preghi
08 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Che crudel!
09 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Una guerra ho dentro il seno
10 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Placati al fin
11 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Come rosa in su la spina
12 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Ah, ch’un dio non dovrebbe
13 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Come in ciel benigna stella
14 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Odi la mia ragion
15 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Deh, lascia addolcire
16 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Sempre t’adorerò
17 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Mie piante correte
18 – Apollo e Dafne (HWV 122) – Cara pianta co’ miei pianti
19 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Dunque sarà pur vero
20 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Orrida, oscura
21 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Ma pria che d’empia morte
22 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Renda il cenere il tiranno
23 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Sì, sì, del gran tiranno
24 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Come, o Dio!
25 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Se infelice al mondo
26 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Prema l’ingrato figlio
27 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Su, lacerate il seno
28 – Agrippina condotta a morire (HWV 110) – Ecco a morte
29 – Cuopre talvolta il cielo (HWV 98) – Cuopre talvolta il cielo
30 – Cuopre talvolta il cielo (HWV 98) – Tuona, balena
31 – Cuopre talvolta il cielo (HWV 98) – Così fiera procella
32 – Cuopre talvolta il cielo (HWV 98) – Per pietà de’ miei martiri
Roberta Invernizzi – Soprano
Thomas E. Bauer – Bass
Furio Zanasi – Bass
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & Direction
Repostagem lá de 2011, em uma época em que os os recursos tecnológicos eram escassos, e a qualidade da internet era sofrível. Mas mesmo assim, eu e PQPBach, não lembro quem mais fazia parte do grupo na época, talvez o Bisnaga, um jovem arquiteto com muitas idéias na cabeça e um tremendo conhecedor de Maria Callas, o Monge Ranulfus, nosso eterno Avicenna, com certeza … o Gabriel Clarinete, na época calouro em uma Faculdade de Música, hoje em dia maestro, e claro, eram os últimos dias do Mestre Carlinus entre nós, que saiu para seguir em carreira solo, enfim, lutávamos com o que tinhamos. Então fiz esta postagem de um compositor com quem até então não tinha muita familiaridade, Shostakovich. Inclusive ganhei do próprio PQP Bach logo em seguida a biografia do compositor, que li com atenção.
Enfim, novos links. O tempo passa, o tempo voa … e o velho Shosta continua atualíssimo.
Minha relação com a música de Shostakovich é meio confusa. Não entendo muito de sua obra, mas talvez a culpa não seja dele, e sim de certos comentários que ouvi no correr dos anos chamando-o de estalinista, etc. De alguma forma, criou-se uma barreira, e deixei a ideologia sobrepor-se à qualidade da obra, e nestes 46 anos de vida só ouvi com atenção duas obras suas: esta sensacional Quinta Sinfonia, cuja gravação de Haitink me acompanhou durante muitos anos e sua 13ª sinfonia, na versão do Kondrashin. As outras, meio que as deixei de lado. Após muitos anos, graças às indicações o do maior conhecedor da obra do russo que conheço, sim ele mesmo, nosso estimado PQPBach, cuja generosidade premiou-me com uma biografia do compositor, e à grande admiração que tenho pelo gigante David Oistrakh, o maior violinista do século XX em minha modesta opinião, cujas gravações dos concertos para violino são uma das maiores realizações da indústria fonográfica, me deixaram impressionado, enfim, graças á estes dois, comecei a dar ao velho Shosta a atenção que merecia. Haitink, Jansons e Kondrashin, tenho ouvido estas três integrais das sinfonias com toda a atenção devida, e vim a descobrir um mundo totalmente novo.
Dia desses vi um excelente documentário sobre o Gergiev. Tenho alguns cds dele, inclusive já postei alguns, e com certeza, ele é o grande regente russo deste início de século XXI, e o maior intérprete do universo russo da atualidade. O documentário falava sobre o período em que ele foi diretor da Filarmônica de Roterdam, e tinha diversos depoimentos dos músicos da orquestra, elogiando-o muito.
A aparência desleixada, os cabelos já escassos, mas ainda revoltos, a barba por fazer, enfim, tudo isso são elementos que fazem parte da personalidade de Valery Gergiev, mas não dizem respeito à sua qualidade artística. Volto a repetir o que se fala sobre ele na imprensa especializada: no repertório russo ele é imbatível. E estas gravações de sinfonias de Shostakovich são uma prova disso. Tenho certeza que os senhores vão concordar.
Dimitri Shostakovich (1906-1975) Sinfonias n° 5 e 9
01. Symphony No. 5 – I. Moderato
02. Symphony No. 5 – II. Allegretto
03. Symphony No. 5 – III. Largo
04. Symphony No. 5 – IV. Allegro non troppo
05. Symphony No. 9 – I. Allegro
06. Symphony No. 9 – II. Moderato
07. Symphony No. 9 – III. Presto
08. Symphony No. 9 – IV. Largo
09. Symphony No. 9 – V. Allegretto – Allegro
Uma Grande Sonata com muito grandor, sem pretensiosas pompas, e numa abordagem ao teclado notavelmente diferente daquela que ouvimos no primeiro disco da série, sublinhando com clareza a intenção de Beethoven de dar as costas aos modelos haydnianos e declarar com seu Op. 7 que seus horizontes pianísticos eram muito diferentes; e uma leitura extraordinária das sonatas do Op. 10, em que o gravitas, normalmente concentrado na terceira delas, e em particular em seu belíssimo Largo e mesto, está distribuído de maneira equânime ao longo da trinca, mostrando-as mais próximas de suas congêneres publicadas em 1802 (Opp. 26-28) do que da Patética, que viria a seguir:
Esse Kovacevich faz coisas, hein?
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Grande Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 7 Composta entre 1797-8 Publicada em 1798 Dedicada à condessa Babette von Keglevics
1 – Allegro molto e con brio
2 – Largo, con gran espressione
3 – Allegro
4 – Rondo: Poco allegretto e grazioso
Três Sonatas para piano, Op. 10 Compostas entre 1796-1798 Publicadas em 1798 Dedicadas à condessa Anne Margarete von Browne
No. 1 em Dó menor
5 – Allegro molto e con brio
6 – Adagio molto
7 – Finale. Prestissimo
No. 2 em Fá maior
8 – Allegro
9 – Allegretto
10 – Presto
No. 3 em Ré maior
11 – Presto
12 – Largo e mesto
13 – Menuetto. Allegro
14 – Rondo. Allegro
Digamos que você queira, assim, ouvir aquela peça de música de câmera que acabou de compor – um ensolarado quinteto de cordas. Afinal, tudo vai indo muito bem, encomendas de obras chegando, convites e mais convites para tocar nas reuniões da nobreza da cidade, com todos mostrando-se afáveis e mesmo bajuladores.
Ora, tudo o que você precisa fazer é reunir os principais membros dos naipes de cordas da orquestra da cidade e apresentar-lhes as partes, fresquinhas das penas dos copistas.
Os gastos serão, no máximo, algumas velas para manter a luz quando o sol se pôr, algumas (muitas) garrafas daquele bom vinho renano – algumas frutas e uma boa tábua de frios. Quem sabe, no final de tudo, alguma boa companhia noite adentro…
Essa imaginada possibilidade pode muito bem ter ocorrido com Beethoven quando terminou seu quinteto lá pelos idos de 1801. Foi a única peça com essa formação – dois violinos, duas violas e violoncelo – por ele assim concebida e reflete o momento favorável pelo qual passava.
O outro quinteto que completa o disco é uma transcrição para esta formação do trio com piano, Op. 1, No. 3, feita em 1817. Este já era um período de maiores atribulações e isto pode ter sido a motivação para a adaptação. Afinal, ele precisava mais alguns florins para continuar pondo pão na mesa.
Veja o que a Gramophone falou deste disco: These players from Cologne’s broadcasting orchestra do both works proud, capturing the warm, middly sound world of op. 29’s openinig movement and the scampering virtuosity of both finales.
O pessoal do WDR SO 5 indo encontrar a turma do PQP Bach para uma ‘promenade’ nas margens do Reno, batendo um papinho sobre as peças de câmera do grande Ludovico…
Aproveite este lindo disco com peças menos conhecidas de nosso homenageado!
Em mais um curto intervalo de nossa travessia da obra integral de Beethoven, ofereceremos – e acho que surpreenderemos ninguém mais com a prática – um interlúdio com sonatas de Beethoven.
Como sempre, em se tratando de um blogue carregado de ótimas gravações dessas sonatas, tratamos rapidamente de nos justificar: esta é uma das melhores integrais que conheço, e por um grandioso intérprete que, se não é um completo estranho a nós outros, tampouco é um habitué aqui do PQP Bach.
Este excelente pianista californiano, que já foi anteriormente conhecido como Stephen Bishop e Stephen Bishop-Kovacevich, antes de se contentar tão só com seu sobrenome croata, já apareceu por aqui, em gravação da Philips, tocando Beethoven numa postagem em que o querido René Denon fez a incrível promoção de dez cocadas por uma charada. As gravações que ora lhes apresento foram feitas pela EMI entre 1991 e 2003 e lançadas pela Warner, que a fagocitou junto com a Philips. O disco inicial da série, com as três sonatas dedicadas a Haydn, é notória pelos andamentos rapidíssimos e, o mais impressionante, com límpida clareza nas vozes. Deem à primeira sonata algumas chances, para se aclimatarem com a velocidade, e depois me contem o que acharam.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Três Sonatas para piano, Op. 2 Compostas entre 1793-1795 Publicadas em 1796 Dedicadas a Joseph Haydn
No. 1 em Fá menor
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Menuetto and Trio (Allegretto)
4 – Prestissimo
No. 2 em Lá maior
5 – Allegro vivace
6 – Largo appassionato
7 – Scherzo: Allegretto
8 – Rondo: Grazioso
No. 3 em Dó maior
9 – Allegro con brio
10 – Adagio
11 – Scherzo: Allegro
12 – Allegro assai
Adoro quando a gente acha mais boas gravações do que fotos espetaculosas de um artista na internet. Sim, decotuda Khatia: é com você que estou falando.
Os trabalhos neste CD representam um aspecto desconhecido do trabalho de Telemann. Eles datam do início de sua carreira, quando ele estava experimentando as diferentes influências musicais e estilísticas que conhecia. Foi durante seu tempo como Kapellmeister em Eisenach que ele iniciou sua incrível produção de sonatas e concertos para diversos grupos de instrumentos. Ele achou inicialmente o estilo italiano moderno muito superficial e foi o estilo francês que mais o atraiu, tanto que ele disse que seus concertos acabavam “com cheiro de França”. (Cá entre nós, tudo me pareceu bem barroco tardio alemão, quase já clássico, louco para desistir de vez do baixo contínuo. Sim, Telemann não tinha o talento de Bach, mas era mais moderninho). Depois, sua opinião sobre a música italiana melhorou, principalmente quando viu o que seu amigo, violinista e compositor J.G Pisendel tinha trazido de Veneza. Acontece que Pisendel conhecera Vivaldi.
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Early Concertos & Sonatas
1 Concerto in D Major, TWV 53:3, à Tromba, Violino Concertato, 3 Violini, 2 Viole, Violoncello Obbligato e Basso: I. Vivace 3:46
2 Concerto in D Major, TWV 53:3, à Tromba, Violino Concertato, 3 Violini, 2 Viole, Violoncello Obbligato e Basso: II. Adagio 4:42
3 Concerto in D Major, TWV 53:3, à Tromba, Violino Concertato, 3 Violini, 2 Viole, Violoncello Obbligato e Basso: III. Allegro 5:43
4 Concerto in D Minor, TWV 43:2, à 4, per 2 Violini, Viola e Cembalo: I. Largo 2:08
5 Concerto in D Minor, TWV 43:2, à 4, per 2 Violini, Viola e Cembalo: II. Allegro 2:23
6 Concerto in D Minor, TWV 43:2, à 4, per 2 Violini, Viola e Cembalo: III. Andante 1:46
7 Concerto in D Minor, TWV 43:2, à 4, per 2 Violini, Viola e Cembalo: IV. Presto 3:12
8 Concerto in D Major, TWV 43:4, a Viola da Braccio Concertata, 2 Violini, Viole e Cembalo: I. Largo 3:07
9 Concerto in D Major, TWV 43:4, a Viola da Braccio Concertata, 2 Violini, Viole e Cembalo: II. Allegro 2:37
10 Concerto in D Major, TWV 43:4, a Viola da Braccio Concertata, 2 Violini, Viole e Cembalo: III. Andante 3:27
11 Concerto in D Major, TWV 43:4, a Viola da Braccio Concertata, 2 Violini, Viole e Cembalo: IV. Presto 3:32
12 Sonata in E Minor, TWV 44:5, a 2 Violini, 2 Viole e Continuo: I. Adagio 2:24
13 Sonata in E Minor, TWV 44:5, a 2 Violini, 2 Viole e Continuo: II. Allegro 2:23
14 Sonata in E Minor, TWV 44:5, a 2 Violini, 2 Viole e Continuo: III. Grave 1:56
15 Sonata in E Minor, TWV 44:5, a 2 Violini, 2 Viole e Continuo: IV. Allegro 1:45
16 Concerto in D Major, TWV 51:8, a Corno da Caccia, Violini, 2 Viole e Cembalo: I. Vivace 1:59
17 Concerto in D Major, TWV 51:8, a Corno da Caccia, Violini, 2 Viole e Cembalo: II. Largo 3:01
18 Concerto in D Major, TWV 51:8, a Corno da Caccia, Violini, 2 Viole e Cembalo: III. Allegro 3:51
19 Concerto in D Major, TWV 43:4, à 4, per 2 Violini, Viola e Cembalo: I. Largo 1:54
20 Concerto in D Major, TWV 43:4, à 4, per 2 Violini, Viola e Cembalo: II. Allegro 2:05
21 Concerto in D Major, TWV 43: 4, à 4, per 2 Violini, Viola e Cembalo: III. Adagio 1:12
22 Concerto in D Major, TWV 43:4, à 4, per 2 Violini, Viola e Cembalo: IV. Presto 2:15