Mozart
Concertos para Piano Nos. 9 e 24
Quarteto com Piano K. 478
Rudolf Firkušný
Este é um daqueles discos que poderia muito bem ser encontrados na gôndola de queima de estoques da loja. Até os sebos – lojas de CDs usados – têm um espaço destes onde reúnem de tudo – CDs promocionais, CDs de banca e aqueles selos quase desconhecidos. Tudo oferecido a preço de ocasião. Eu sempre gostei de garimpar nestes locais em busca de algum esquecido tesouro, especialmente em alguma preguiçosa tarde chuvosa, no meio de uma ronda por tais lojas. O CD em questão é bem típico. Selo quase desconhecido: Intercord. Capa genérica com uma pintura abstrata que mais se parece com um borrão e letras com tipos bem ordinários. Um olhar mais atento, no entanto, começa a revelar uma possível compra: concertos para piano de Mozart. Dois concertões! A orquestra de uma Rádio Alemã é garantia de competência, que se eleva com a revelação do nome do maestro: Ernest Bour. Especialista em música moderna, mas também excelente nos clássicos. O empurrão que faltava em direção à carteira vem do nome do solista, o espetacular pianista tcheco, Rudolf Firkušný. Grande especialista em música de Janáček e Martinů, mas ótimo pianista em geral, como vocês poderão atestar por este disco.

Os dois concertos do disco são os maiores e mais intensos (se podemos dizer assim) de seus respectivos períodos. O Concerto em mi bemol maior, K. 271, é de 1777 e foi composto em Salzburgo, motivado pela visita de uma pianista virtuose francesa, Mademoiselle Jeunehomme. O concerto é muito bonito, em especial o andantino. No disco, este concerto vem em segundo.
O outro é o Concerto em dó menor, K. 491, de 1786, mesma época da composição do Figaro assim como de outros concertos. Este é possivelmente o concerto para piano no qual Mozart chegou mais próximo do romantismo. É um grande concerto e usa uma orquestra completa e foi muito admirado por Beethoven.
Para completar o pacote ‘Mozart – Firkušný’, estou colocando como bônus o Quarteto com Piano em sol maior, K. 478, no qual Firkušný colabora com membros do Quarteto Panocha, que na época eram muito mais jovens do que ele. Eles se conheceram durante uma turnê do quarteto, quando eles tocaram em uma festa oferecida por uma personalidade, em Nova York. Firkušný estava na festa e eles se tornaram amigos. Só bem depois eles tiveram oportunidade de realmente tocarem juntos. A amizade entre o idoso pianista e os jovens músicos cresceu, assim como o projeto de gravar os dois quartetos de Mozart. A gravação da peça que está no arquivo ocorreu em setembro de 1992, mas os planos para a gravação do outro quarteto, no entanto, foram interrompidos pela morte de Firkušný, o que foi uma grande pena. Mas esta gravação revela como música pode unir gerações e aproximar pessoas de idades das mais diversas e fica como uma homenagem a este grande pianista.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Concerto para Piano em dó menor, K. 491
- Allegro
- Larghetto
- Allegro
Concerto para Piano em mi bemol maior, K. 271
- Allegro
- Andantino
- Presto
Rudolf Firkušný, piano
SWF Sinfonie-Orchester Baden-Baden
Ernest Bour
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FLAC | 238 MB
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MP3 | 320 KBPS | 138 MB
(In Honorem Rudolf Firkušný)
Quarteto com Piano em sol maior, K. 478
- Allegro
- Andante
- Rondo (Allegro)
Rudolf Firkušný, piano
Panocha Quartet (membros):
Jiří Panocha, violino
Miroslav Sehnoutka, viola
Jaroslav Kulhan, violoncelo
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FLAC |97 MB
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MP3 | 320 KBPS | 56 MB

Veja parte de um testemunho de uma aluna Firkušný que poderá ser lido na íntegra aqui.
‘I had the great honor to study with Firkusny at Juilliard for five years, and in person he was as modest and affable as he was unruffled and commandingly communicative on stage. The sweet scent of his cherry tobacco pipe and kindliness of his smile greeted me upon entry to Room 557 for my lessons. They’re etched in my memory as are his endless patience and aristocratic demeanor during my lessons’. (SARA DAVIS BUECHNER)
Aproveite!
René Denon

























Ao longo de seus quarenta e cinco anos de carreira, Beethoven tomou emprestados dezenas de temas a seus colegas compositores. No começo, ele o fazia simplesmente porque a forma do tema com variações era muito popular entre os compositores-pianistas, e era praxe lucrativa compor sobre árias e canções em voga. Ao estabelecer-se como o melhor pianista de Viena, ele acostumou-se a usar temas alheios – às vezes já conhecidos, outras vezes ditados pelo público ou mesmo por rivais – para exibir seu talento como improvisador, pelo qual foi por um bom tempo até mais famoso do que como compositor. Por fim, e principalmente nas Variações “Diabelli”, ele mostrava a sua incomparável capacidade de transformar o mais frugal dos temas ao decompô-lo, parodiá-lo e reinventá-lo, enquanto exibia seu enciclopédico conhecimento das capacidades do teclado.








Lançada pela primeira vez após sua gravação em 1987, esta versão dos quartetos de piano de Mozart apresenta o fortepianista Malcolm Bilson e três escudeiros em leituras deliciosamente leves e arejadas das partituras que, no entanto, atendem a qualquer requisito que um mozarteano hardcore possa desejar. A forma de tocar do quarteto – Timothy Mason, Malcolm Bilson, Jan Schlapp e Elizabeth Wilcock – é extraordinária. Tenho cerca de meia dúzia de gravações desses quartetos e raramente ouvi uma em que todos os quatro instrumentos sejam tão claramente identificados e articulados ao longo do processo de gravação, especialmente quando combinados com tal talento artístico. A abordagem do quarteto é amigável, moderada e nada sentimental. Tudo com o fortepianista Bilson — que é ao mesmo tempo um conhecido intérprete e palestrante sobre técnicas de época — um pouco destacado. Não vejo acho nada de questionável nisso, já que Bilson é um músico maravilhoso e os membros do quarteto são igualmente excelentes, Coletivamente, eles capturam todas as nuances das partituras de Mozart.

IM-PER-DÍ-VEL !!!



















































