DESAFIO PQP! –> Mozart (1756 – 1791): Sinfonias Nos. 40 & 41

Mozart

Sinfonias Nos. 40 & 41

Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks

Herbert Blomstedt

Desafio Resolvido!

 

Ele não ficaria de fora desta festa…Óperas e Concertos para Piano foram as formas musicais nas quais Mozart fez as suas contribuições mais inovadoras e significativas. Mas, escreveu também inúmeras sinfonias. A primeira delas foi em 1764 durante uma estada em Londres. Papai Leopold caiu doente e Wolferl tinha que ficar longe do piano. Pois o garoto de oito anos compôs a sua primeira sinfonia.

O termo sinfonia abrangia vários tipos de composições e a forma estava sendo ainda estabelecida. O modelo italiano com três movimentos – rápido-lento-rápido, enquanto que a forma que se tornou mais usada, com quatro movimentos, já tinha seus representantes. O modelo de três movimentos vinha do uso de ‘abrir’ um espetáculo, como uma ópera, com um concerto em três movimentos, uma ‘Abertura’. A prática acabou ganhando vida própria.

Famoso intérprete de Mozart

O grande compositor de sinfonias dos dias de Mozart era Haydn, mas é bom observar que em 1791, ano em que Mozart morreu, Haydn estava de partida para Londres, a convite do grande empresário Johann Peter Salomon, e as suas lindas Sinfonias Londrinas ainda estavam por ser compostas.

Entre as sinfonias de Mozart, vale destacar a de No. 25, em sol menor, assim como a Sinfonia No. 40 desta postagem. São as únicas sinfonias compostas por Mozart em tonalidade menor. Isso certamente dá a estas peças algo que as torna muito especiais. Eram chamadas ‘menor’ e ‘maior’ em sol menor, para distinguir uma da outra.

Aposta certa do selo amarelo

A Sinfonia No. 29 é também muito especial, em quatro movimentos e vale conferir. As Sinfonias Nos. 31 e 32 são do tipo ‘Italianas’, em três movimentos. A de No 31 tem o apelido ‘Paris’ e foi escrita para agradar o público desta cidade, onde Mozart buscava uma posição. A Sinfonia No. 32 foi composta na sequência…

As seis últimas sinfonias de Mozart têm maiores proporções e são nos típicos quatro movimentos. Foram compostas entre os anos de 1782 até 1788. Em 1782 Mozart compôs a Sinfonia No. 35, sob encomenda da família Haffner, de Salzburgo, que também recebera a Serenata ‘Haffner’. Em 1783 foi composta em apenas quatro dias a Sinfonia (linda) No. 36, para um concerto na cidade de Linz. Daí o apelido ‘Sinfonia Linz’. Em 1786 foi a vez da cidade de Praga ganhar a sua sinfonia, que conhecemos como a Sinfonia No. 38.

Opção mais leve…

Mozart sempre muito pragmático, produzia suas obras com objetivos específicos, seja para um concerto ou sob encomenda. Em 1788 ele compôs suas três últimas grandes sinfonias, as de Nos. 39, 40 e 41, todas obras primas. Mas não está claro o propósito destas composições e não há evidências que foram executadas durante a vida do compositor, a menos da Sinfonia No. 40. A evidência desta possibilidade é a existência de duas versões para esta sinfonia, uma com clarinetes e outra sem clarinetes na orquestração.

 

HIP

As sinfonias de Mozart, assim como as obras deste período eram apresentadas até os anos 1960 e 1970 com roupagem mais romantizada, pelas grandes orquestras. No entanto, gravações famosas até hoje feitas com orquestras mais reduzidas, de câmera, também eram comuns. Ou seja, ao lado das gravações das Filarmônicas de Berlim, Viena, de Londres, regidas por Karajan, Jochum, Böhm, podia-se ouvir as gravações de Marriner com a Academy Saint Martin-in-the-Fields, de Jeffrey Tate ou Daniel Barenboim com a Orquestra de Câmera Inglesa. Então vieram as orquestras com instrumentos de época. Hogwood, Gardiner, Norrington. Eu gosto especialmente das gravações de Trevor Pinnock.

HIP II

Há para todos os gostos e bolsos, com as gravações de orçamento mais reduzido. As gravações na Naxos com a Capella Istropolitana regida por Barry Wordsworth são memoráveis.

Pois assim, chegamos ao Segundo Desafio do PQP-Bach: o álbum desta postagem reúne as duas últimas sinfonias compostas por Mozart numa gravação que eu achei ótima. Mas qual orquestra? Qual regente? Fica a questão.

Lembrando, a motivação deste tipo de postagem é fazer-nos refletir sobre o quanto influencia nossa apreciação musical o conhecimento dos nomes dos intérpretes. No caso de cantores, é mais fácil identificar o nome do artista. No caso de música instrumental, em particular os pianistas, também se pode tentar identificar um certo ‘sotaque’ ou algo que denuncie o artista. Mas no caso da orquestra e regente? Seria possível antecipar algo? Veremos!!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Sinfonia No. 40 em sol menor, K. 550

  1. Molto allegro
  2. Andante
  3. Allegretto – Trio
  4. Allegro assai

Sinfonia No. 41 em dó maior, K. 551 – ‘Jupiter’

  1. Allegro vivace
  2. Andante cantabile
  3. Menuetto: Allegretto – Trio
  4. Molto alegro

Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks

Herbert Blomstedt

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 337 MB

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MP3 | 320 KBPS | 165 MB

Gosto muito desta gravação e da capa…

Em breve a postagem será reeditada com os devidos créditos atribuídos aos músicos. Fica, por enquanto, a oportunidade para nossos devotados seguidores darem alguns tratos à bola… Aquele que acertar o desafio terá seu nome inscrito no Hall of Fame do PQP-Bach e receberá uma linha direta de centenas de free downloads dos nossos generosos arquivos.

Aproveite!

René Denon

18 comments / Add your comment below

  1. Caro René,

    Amo tais obras, em minha desimportante opinião são sinfonias tão boas quanto as do Beethoven ou Brahms. Ao escutá-las penso na ideia de Günther Anders — ou de Norbert Elias, não me lembro ao certo — segundo a qual foi comum, no imaginário intelectual concernente a Mozart, a caricatura de anjo infantil e ingênuo, com isso se ignorando o caráter sublime e até grandioso de várias de suas obras. De fato, tem até aquele poema do Manuel Bandeira nessa linha…
    Bem interessante a iniciativa desse desafio, embora eu não disponha de recursos analíticos para palpitar. Digo apenas que, nesse repertório, prefiro os registros que abarcam certo senso cortante de altivez e o escopo das obras, o que, sinto, ocorre no da postagem; especialmente no primeiro movimento da Sinfonia n. 41, verdadeiramente dionisíaco!, e, claro, no final. De toda forma, o reprodutor de som daqui, automaticamente, incluiu uma capa, não sei se esta se refere ao regente de fato da gravação.

    Obrigado por tudo, René, por tantos registros e o tratamento sempre tão solícito e gentil dispensado aos leitores. Realmente o blog fez falta. O álbum foi uma boa companhia durante o ínterim sem blog, ínterim este finalizado agora para a maioria, perpétuo a alguns poucos.

    1. Olá, Otavio Ferraz!
      Como é bom poder responder novamente às mensagens, especialmente uma tão bem alinhavada como esta tua…
      Eu lembrava do poema, mas busquei na net para lê-lo novamente. Gosto especialmente das linhas
      ‘A Virgem beijou-o na testa.
      E desde então Wolfgang Amadeus Mozart foi o mais moço dos anjos.’
      O desafio é para lembrar que música transcende até os artistas…
      Uma grande brincadeira, mas pode nos fazer refletir sobre como ouvimos música e como isso nos afeta.
      Eu penso ter ‘apagado’ os vestígios dos intérpretes dos arquivos, mas como disse, em breve suas identidades serão reveladas, como já o fiz no caso do desafio anterior.
      No entanto, talvez, o reprodutor de som possa identificar de alguma maneira e automaticamente associar os arquivos a algum nome ou imagem… Veremos, depois você me conta.
      Abração!!
      René

    1. Olá, Bruno!
      Boa tentativa!
      Karl Böhm foi famoso por suas gravações das obras de Mozart.
      Temos aqui um Mozart com grande orquestra, sim, mas não é a Filarmônica de Viena.
      Em breve o segredo será revelado!
      Abração!
      René

      1. Olá, Raif!
        Eu ilustrei a postagem com capas de gravações que mencionei no texto e isso pode ter levá-lo a crer que a solução estaria entre elas. Na verdade, eu imaginei o contrário, que como as havia mencionado, as pessoas iriam já deixá-las de lado. De qualquer forma, a proposta do ‘desafio’ é mais fazer-nos pensar em o quanto o conhecimento do artista afeta nossa apreciação musical do que realmente reconhecer a gravação, mesmo por que isto é bem difícil (desafio). Além de, é claro, um bocado de brincadeira e diversão. Isto, espero que você tenha atingido…
        Obrigado por participar!
        Espero que se arrisque novamente no próximo desafio que está vindo aí…
        Abração!
        René

  2. Ueba! 😀
    Imaginei, pelas características de sua curadoria, que não se tratasse duma estrela, apesar de obviamente um excelente regente. Como você sempre explora novos horizontes musicais, imaginei que os intérpretes fossem do tipo que melômanos intransigentes em suas convicções preteririam em prol de grandes nomes. Ouvi a no. 40 e reconheci imediatamente o “sotaque” alemão da orquestra. Foi com o Andante, no entanto, que reconheci o maravilhoso e comedido pulso que Blomstedt dá ao andamento, permitindo sua habitual atenção ao detalhe.
    Já no aguardo do próximo desafio! Um abraço!

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