MAHLER
Sinfonia No. 7
Runfunk Sinfonieorchester Saarbrücken & Hans Zender
NDR Elbphilharmonie & Alan Gilbert
De onde vem a inspiração para resolver um problema ou para vislumbrar o início de uma obra de arte? O processo criativo é misterioso, mas há que ter dedicação, imersão no tema ou assunto, até que a mente se disponha a prover os resultados, devido a um toque do destino ou da inspiração de alguma musa…

Quem não conhece a história da gravura na parede do quarto emprestado ao Tim Maia de onde saiu o Azul da Cor do Mar? Uma outra boa história de iluminação envolve Henri Poincaré, um importante matemático do final do século 19 e início do século 20. Suas contribuições para a Matemática e outras ciências são enormes e tem influência até os dias de hoje. Além disso, Poincaré se distinguia de outros cientistas por contribuir de maneira significativa para a divulgação da ciência, escrevendo livros que eram acessíveis às pessoas comuns tratando de temas complexos de forma compreensível. Poincaré havia lidado com um problema à exaustão, mas não havia feito qualquer progresso. Decidiu então fazer uma expedição geológica, para espairecer. Pois ao entrar no ônibus foi tocada pela inspiração (alguma musa matemática, decerto, passava por ali…) e teve um surto de criatividade. “No momento em que coloquei o pé no degrau, uma ideia me ocorreu, sem que nenhum de meus pensamentos anteriores tivessem me preparado para ela…”

Lembrei-me dessas anedotas lendo o livreto de uma das gravações da postagem, que conta um pouco o processo criativo de Mahler, que levava uma vida dupla – parte do ano era o famoso regente em Viena, parte do ano era um compositor de obras inovadoras e impressionantes, mas que ainda aguardavam deu devido ‘tempo’. A composição das Sinfonias No. 6 e No. 7 foram, de certa forma simultâneas. Dois movimentos da Sétima, chamados por Mahler de Nachtmusik, foram compostos antes da Sexta. Quando chegou a hora da Sétima, como se diz por aí, deu branco. Ele escreveu para sua Alma assim: No verão anterior esperava terminar a Sétima, para a qual já tinha dois movimentos. Estava morrendo de tédio, como você se lembra, e resolvi dar uma escapada para os Dolomitas. Lá não encontrei qualquer inspiração e desisti de compor, acreditando que o verão não renderia qualquer coisa. Quando entrei no barco para a travessia de volta, sobre o lago, e nas primeiras batidas dos remos na água um tema me ocorreu (ou mesmo o ritmo…) para a introdução do primeiro movimento. Quatro semanas depois os outros movimentos estavam fechados, selados, assinados e enviados. A inspiração é um mistério…
Eu tenho ouvido bastante esses discos da postagem. Eles têm em comum o fato de terem sido gravados por orquestras de rádios alemãs regidas pelos seus respectivos diretores. A gravação regida por Zender é de 1982, um registro que estava nos arquivos da rádio e foi lançada em 1997 numa edição comemorativa na ocasião do aniversário de sessenta anos do maestro. A outra gravação é um lançamento recente e mostra a maravilhosa acústica da casa nova da orquestra. Eu espero que você encontre nos discos o mesmo prazer que eles me deram…
Gustav Mahler (1860 – 1911)
Sinfonia No 7 em mi menor »Lied Der Nacht«
- Langsam (Adagio) – Allegro con fuoco
- Nachtmusik I. Allegro moderato
- Schattenhaft
- Nachtmusik II. Andante amoroso
- Finale
Runfunk Sinfonieorchester Saarbrücken
Hans Zender
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 | 320 KBPS | 195 MB

NDR Elbphilharmonie
Alan Gilbert
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 | 320 KBPS | 197 MB


Sobre a Sétima Sinfonia de Mahler: Comparada com outras sinfonias de Mahler, a Sétima tem uma existência mais apagada na cena internacional de concertos. Pode ser devido ao seu final muito positivo, que se apega resolutamente à tonalidade radiante de dó maior, o que pode incomodar alguns fãs da música do compositor. Pode-se permitir a Mahler essa explosão de êxtase, na melhor das hipóteses, como tendo um significado subjacente. “É o meu melhor trabalho, com um caráter ensolarado em sua maior parte”, disse o compositor uma vez sobre sua sétima.
Mas, por outro lado, a Sétima parece ter sido composta de dentro para fora, com o terceiro dos cinco movimentos desempenhando um papel central. E este scherzo traz a instrução de desempenho significativa »Schattenhaft« (Sombrio). Da mesma forma, as duas peças de »Nachtmusik«, como Mahler chamou o segundo e o quarto movimentos, revelam inegavelmente o conflito interno tão típico da obra do compositor. Portanto, nem tudo que reluz é ouro. [Tradução feita pelo Chat PQP Bach de um texto da página da NDR Elbphilharmonie]
Sobre a gravação de Zender: De alguma forma, você sabe quando um maestro tem a medida de uma obra de Mahler. Há um sentimento de confiança em seu desempenho, um sentimento que ele e seus músicos penetraram no cerne da obra, que é profundamente satisfatório. Você pode discordar de certas conclusões a que o maestro chegou, ou não, mas sente que ele cobriu tudo o que pretendia e o efeito disso é palpável. Você não teve que se preocupar com nada. Não houve passagens em que o maestro esteja apenas marcando o tempo, algo que acontece com mais frequência do que você imagina. Este é o sentimento que tenho com esta excelente performance da Sétima Sinfonia de Mahler, com a qual muitos ouvintes e intérpretes têm problemas, e que a torna uma versão notável. Vem de 1982 e dos arquivos da Saarbrücken Radio do pouco conhecido compositor e maestro alemão Hans Zender. […] Uma performance soberba cheia de coisas fascinantes. Uma performance que é excelentemente tocada e gravada e merece ser considerada ao lado das melhores versões, como as de Bernstein, Horenstein, Gielen, Scherchen e Abbado. A Sétima de Mahler por Zender é muito boa e eu a recomendo com entusiasmo. [Tony Duggan]
Aproveite!
René Denon





Esta é uma gravação de 1963 quando Bernstein ainda não tinha desenvolvido o “seu próprio Mahler”. É uma versão vendida bem baratinho pela Sony, meio que com vergonha daquilo de Lenny fez depois na DG. Foi tão, mas tão barato que comprei mesmo sabendo da decepção. Claro, é de alto nível, mas vários maestros fizeram depois versões muito superiores. Abbado, por exemplo. O excelente filme Tar fala muito nesta música que foi composta entre 1901 e 1902, principalmente durante os meses de verão na casa de férias de Mahler em Maiernigg. Entre suas características mais distintivas estão o solo de trompete que abre a obra com um motivo rítmico semelhante à abertura da Sinfonia nº 5 de Ludwig van Beethoven, os solos de trompa no terceiro movimento e o Adagietto tão frequentemente executado. A sinfonia é geralmente considerada a sinfonia mais convencional do compositor, mas mesmo assim ela tem várias peculiaridades. Ela “quase” tem uma estrutura de quatro movimentos, já que os dois primeiros podem ser facilmente vistos como um só. A sinfonia também termina com um rondó, no estilo clássico. Algumas surpresas são a marcha fúnebre que abre a peça e o Adagietto para harpa e cordas que contrasta com a orquestração complexa dos outros movimentos.










IM-PER-DÍ-VEL !!!
Meus amigos, Mahler escreveu uma redução de A Canção da Terra (Das Lied von der Erde) para piano e voz… Quem conhece a obra sabe que não pode ter ficado grande coisa, claro, mas estas reduções eram uma prática comum numa época em que havia frequentes saraus musicais. Por incrível que pareça, Shostakovich também fazia versões para piano de suas sinfonias. Pois bem, Arnold Schoenberg adorava Das Lied von der Erde e resolveu fazer um arranjo para pequeno grupo que estivesse mais próximo da grandiosidade do original. São 15 instrumentos, dentre os quais um piano — principalmente para “simular” os tutti — e duas vozes.



Esse disco é bem novinho, do final de 2023, e foi lançado em vinil e em CD. Quem conseguiu-o para mim foi CdeBL. Lembro ele que foi muito gentil e que falou comigo por e-mail ou messenger. Depois, eu dei muitas risadas ouvindo o disco, Lembro que foi para isso mesmo que me mandaram os arquivos, para rir. Agradeço ao mensageiro. Pobre Gustav Mahler, deve estar como um zumbi no túmulo com este arranjo que distorce completamente sua 5ª Sinfonia… A cena tecnojazz alemã é ampla e provavelmente encontrará algum louco para levar isto à serio. Eu levei a sério apenas como comédia. A Jazzrausch Bigband está repleta de músicos que tocam muito bem, mas nem tudo pode ser feito com qualquer coisa. O resultado é uma constrangedora paródia. Quando a coisa vira jazz, se torna até palatável, mas quando é Mahler me causa frouxos de riso. Muitos outros artistas abordaram a música clássica para criar obras de jazz com verdadeiro talento. Mas aqui, com esses ritmos disco para cinquentões… Eu tenho 66 e meu mundo é puro rock n`roll, pô! OK, estou brincando. Mas o problema mesmo é a falta de criatividade nos arranjos. Quantas vezes aquela bateria precisa nos metralhar num crescendo, meu deus?














IM-PER-DÍ-VEL !!!


















































![Hiroshima, ano 77 [Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano no. 1, Op. 15 – Argerich / Dai Fujikura (1977): Concerto para piano no. 4, “Akiko’s Piano” – Hagiwara]](https://pqpbach.ars.blog.br/wp-content/uploads/2022/08/Screenshot_20220806-142154_Chrome-960x643.jpg)



















