Encerramos a série d’A Família das Cordas e voltamos à nossa programação normal?
Nah-nah: temos que postar alguma coisa do violoncello piccolo, que não será estranho àqueles que escutaram o bonito O Tenor Perdido, álbum duplo de Dimos Goudaroulis e Nicolau de Figueiredo.
Quem entre vós outros se dá o trabalho, entre os cliques frenéticos nos links de download, de prestar um pouquinho de atenção nos textos que escrevemos,vai lembrar que já contamos algo da história desse instrumento na postagem d’O Tenor Perdido. Como supomos, no entanto, que vocês sejam poucos, tamanho o disparate entre o número de downloads e o de comentários que recebemos, vou repetir. Aliás, eu não: deixo o próprio Goudaroulis repetir (até porque o Estadão não me deixa colar aqui seu interessante texto).
O ótimo Anner Bylsma lança mão deste tenor de bonito timbre e irrisório repertório para tocar transcrições de obras de Johann Sebastian Bach para flauta e violino solo. Bylsma usaria o mesmo instrumento para fazer, junto com o cravista Bob van Asperen, uma maravilhosa gravação das Sonatas BWV 1027 a 1029, originalmente para a viola da gamba, que algum dia será polinizada por este muito acessado, mas pouco comentado blogue.
ANNER BYLSMA – VIOLONCELLO PICCOLO – JOHANN SEBASTIAN BACH
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Partita no. 3 em Mi maior para violino solo, BWV 1006
Algumas pessoas que conhecem Bylsma só pelo nome acham que ele seja uma mulher. O rapaz que me vendeu este CD também achava o mesmo e, imaginando uma neerlandesa pernuda, ficou um pouco chateado com a revelação. Bylsma, pelo jeito, também ficou bicudo.
Folheando o álbum de família das cordas, chegamos à nobre viola.
Antes que os violinistas venham com piadas e mais piadas, mando chumbo grosso para calar preemptivamente qualquer bullying: uma gravação das sonatas e partitas para violino solo de Johann Sebastian Bach, transcritas e executadas pelo violista Scott Slapin.
Se em sua versão original essas obras fizeram até o grande Sarasate tocar como um estudante em pânico no seu exame, na viola – maior e com cordas mais robustas – elas parecem inexequíveis.
Pareciam: o trabalho de Slapin é notável, e de tal maneira que alguns movimentos, especialmente os adágios e fugas das sonatas, chegam a soar mais idiomáticos na viola. Não há lentificação significativa dos andamentos, que são amplamente respeitados. As sonatas e partitas chegam mesmo a caber separadas em discos, ao contrário da praxe que, por questões de tempo, as coloca intercaladas. Sobraram energia e espaço, vejam só, até para tocar uma transcrição da partita para flauta solo – que disposição, ahn?
JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)
THE SONATAS AND PARTITAS FOR SOLO VIOLIN and THE UNACCOMPANIED PARTITA FOR FLUTE Transcribed and played on viola by Scott Slapin
DISCO 1 – THE SONATAS
SONATA NO. 1, BWV 1001
01 – Adagio
02 – Fugue
03 – Siciliano
04 – Presto
SONATA NO. 2, BWV 1003
05 – Grave
06 – Fugue
07 – Andante
08 – Allegro
SONATA NO. 3, BWV 1005
09 – Adagio
10 – Fugue
11 – Largo
12 – Allegro assai
Acrescentar obras novas de Beethoven a um acervo como o do PQP Bach é dureza, ainda mais quando se tem como colegas uns celerados com discografias nababescas como nosso patrão e o ilustre FDP Bach. No entanto, acho – ACHO – que esta ainda não apareceu por aqui: o arranjo para piano e orquestra, feito pelo próprio compositor, de seu célebre Concerto para violino.
Como era habitual a Beethoven, gênio tão ruminativo quanto pessoa proverbialmente desorganizada, a versão original do Concerto foi concluída em cima da hora para a estreia, muito pouco ensaiada, e o solista – um certo Franz Clement – teve que ler boa parte do solo à primeira vista. A relação do público na première, claro, foi uma geleira, e a obra foi esquecida durante muitas décadas, até ser ressuscitada pelo jovem Joseph Joachim em meados do século XIX. Numa tentativa de resgatá-la do ostracismo, Beethoven arranjou-a como um Concerto para piano, quase rasgando suas costuras ao tentar torná-la mais idiomática ao teclado. Fê-lo, aparentemente, com muito entusiasmo, a julgar pela curiosíssima, hiperativa cadenza que escreveu para o Allegro non troppo, que conta com uma nada sutil participação dos tímpanos – os mesmos que abrem, em discreto pulsar, o primeiro movimento.
O finlandês Mustonen é um bom pianista e muito aventureiro na exploração do repertório. Para acompanhar a curiosa reinvenção de Beethoven, escolheu um dos concertos de Bach, para o qual dá uma interpretação correta, tanto ao teclado quanto na regência.
BEETHOVEN – PIANO CONCERTO (VIOLIN CONCERTO ARR. BEETHOVEN) BACH – CONCERTO BWV 1054 OLLI MUSTONEN
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto em Ré maior para piano e orquestra, Op. 61a (transcrição do Concerto para violino, Op. 61, feita pelo próprio compositor)
01 – Allegro non troppo
02 – Larghetto
03 – Rondo: Allegro
Olli Mustonen, piano Deutscher Kammerphilarmonie Jukka-Pekka Saraste, regência
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Concerto em Ré maior para piano, orquestra de cordas e contínuo, BWV 1054
04 – [sem indicação de andamento]
05 – Adagio e piano sempre
06 – Allegro
Olli Mustonen, piano e regência Deutscher Kammerphilarmonie
Hoje é o dia do aniversário de Drummond, então vamos a uma postagem fora do normal. Na minha opinião, Pierre Hantaï e Andreas Staier são os maiores intérpretes das Variações Goldberg. E aqui vai um texto que escrevi ha alguns anos sobre esta obra:
Eu nunca tive insônia. Talvez, em razão de alguma dor ou febre, não tenha dormido repousadamente apenas uns cinco dias em minha vida. Não é exagero. Quando me deprimo, durmo mais ainda e acordar é ruim, péssimo. O sono é meu refúgio natural. Mas há pessoas que reclamam (muito) da insônia. Saul Bellow escreveu que ela o teria deixado culto, mas que preferiria ser inculto e ter dormido todas as noites — discordo do grande Bellow, acho que ele deveria ter ficado sempre acordado, escrevendo, vivendo e escrevendo para nós. Também poucos viram Marlene Dietrich na posição horizontal, adormecida. Kafka era outro, qualquer barulho impedia seu descanso, devia pensar no pai e passava suas noites acordado, amanhecendo daquele jeito após sonhos agitados… Groucho Marx, imaginem, era insone, assim como Alexandre Dumas e Mark Twain. Marilyn Monroe sofria muito e Van Gogh acabou daquele jeito não só por ser daltônico, característica que apenas gerainteligência e genitália avantajadas.
O Conde Keyserling sofria de insônia e desejava tornar suas noites mais agradáveis. Ele encomendou a Bach, Johann Sebastian Bach, algumas peças que o divertissem durante a noite. Como sempre, Bach fez seu melhor. Pensando que o Conde se apaziguaria com uma obra tranquila e de base harmônica invariável, escreveu uma longa peça formada de uma ária inicial, seguida de trinta variações e finalizada pela repetição da ária. Quod erat demonstrandum. A recuperação do Conde foi espantosa, tanto que ele chamava a obra de “minhas variações” e, depois de pagar o combinado a Bach, deu-lhe um presente adicional: um cálice de ouro contendo mais cem luíses, também de ouro. Era algo que só receberia um príncipe candidato à mão de uma filha encalhada.
A história da criação das variações foi tirada da biografia de Bach escrita por Johann Nikolaus Forkel:
(Quanto a essas variações), devemos agradecer ao pedido do ex-embaixador russo na corte eleitoral da Saxônia, o conde Hermann Karl von Keyserling, que frequentemente passava por Leipzig e que trouxe consigo o cravista Goldberg para receber orientações musicais de Bach. O conde tinha frequentes acometimentos de doenças e ficava noites sem dormir. Em tais ocasiões, Goldberg, que vivia em sua casa, tinha que passar a noite na antecâmara para tocar para ele durante sua insônia… Tudo porque certa vez, o conde mencionou, na presença de Bach, que ele gostaria de ter algumas obras para teclado para Goldberg executar, que deveriam ser de caráter “suave e algo vigoroso” de modo que ele pudesse ser um pouco consolado por elas em suas noites sem dormir. Bach imaginou que a melhor maneira de atender a esse desejo seria por meio de variações, cuja escrita ele considerava, até àquela data, uma tarefa ingrata devido ao fundamento harmônico repetidamente semelhante. Mesmo assim, ele produziu um único trabalho desta espécie. Daí em diante, o conde sempre as chamava de “as suas” variações. Ele nunca se cansou delas e, por um longo período, noites sem dormir significavam: ‘Caro Goldberg toque minhas variações. para mim’. Provavelmente Bach nunca foi tão bem recompensado por um trabalho quanto foi neste. O conde o presenteou com um cálice de ouro com 100 luíses de ouro. Não obstante, mesmo que o presente tivesse sido mil vezes maior, seu valor artístico nunca teria sido pago.
O Conde tinha a seu serviço um menino de quinze anos chamado Johann Gottlieb Goldberg. Goldberg era o melhor aluno de Bach. Foi descrito como “um rapaz esquisito, melancólico e obstinado” que, ao tocar, “escolhia de propósito as peças mais difíceis”. Perfeito! Play it again, Johann Gottlieb. Goldberg era enorme e suas mãos tinham grande abertura. O menino era uma lenda como intérprete e o esperto Conde logo o contratou para acompanhá-lo não somente em sua residência em Dresden como em suas viagens a São Petersburgo, Varsóvia e Postdam. (Esqueci de dizer que o Conde Keyserling era diplomata). Bach, sabendo o intérprete que teria, não facilitou em nada. As Variações Goldberg, apesar de nada agitadas, são, para gáudio do homenageado, dificílimas. Nelas, as dificuldades técnicas e a erudição estão curiosamente associadas ao lúdico, mas podemos inverter de várias formas a frase. Dará no mesmo.
O nome da obra — Variações Goldberg, BWV 988 — é estranho, pois pela primeira vez o homenageado não é quem encomendou a obra, mas seu primeiro intérprete.
O princípio de quase toda obra de variações consiste em apresentar um tema e variá-lo. (Lembram que Elgar fez uma obra de variações sem apresentar o tema, chamando-a de Variações Enigma?). Assim, o ouvinte tem a impressão de estar ouvindo sempre algo que lhe é familiar e, ao mesmo tempo, novo. A escolha de Bach por esta forma mostrou-se adequada às pretensões do Conde. E a realização não poderia ser melhor, é uma das maiores obras disponibilizadas pela e para a humanidade pelo mais equipado dos seres humanos que habitou este planeta, J. S. Bach. O jogo criado pelo compositor irradia livre imaginação e enorme tranquilidade. A Teoria Geral das Belas-Artes, espécie de Bíblia artística goethiana de 1794, diz o seguinte sobre as Goldberg: “em cada variação, o elemento conhecido está associado, quase sem exceção, a um canto belo e fluido”. E está correto. Só esqueceu de dizer que tudo isso tinha propósito terapêutico.
As Variações Goldberg eram tidas no passado como um exercício técnico árido e aborrecido. Mas já faz quase um século que o conteúdo e a abrangência emocional da obra foi reconhecido e se tornou a peça favorita de muitos ouvintes de música erudita. As Variações são largamente executadas e gravadas.
É muito provável que o enfermo Conde concordasse com a Theorie para descrever seu prazer de ouvir aquela música, mas diria mais. Seus efeitos fizeram que Goldberg a tocasse centenas de vezes para ele. O cálice repleto de ouro significava gratidão pela diversão emocional e intelectual. Dormimos por estarmos calmos e felizes, talvez.
Não posso distribuir cálices de ouro por aí, mas talvez devesse dar alguma coisa a Andreas Staier e Pierre Hantaï, os maiores intérpretes da obra. (Por favor, neste momento não me venham com Gould; afinal, o som do cravo é fundamental e só aceito fazer a final contra o grande Gustav Leonhardt. Gould ficou lá pelas quartas-de-final).
J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 (Staier)
1 Aria 4:06
2 Variatio 1. A 1 Clav. 1:58
3 Variatio 2. A 1 Clav. 1:42
4 Variatio 3. Canone All’Unisuono. A 1 Clav. 2:32
5 Variatio 4. A 1 Clav. 0:59
6 Variatio 5. A 1 O Vero 2 Clav. 1:32
7 Variatio 6. Canone Alla Seconda. A 1 Clav. 1:10
8 Variatio 7. A 1 O Vero 2 Clav. Al Tempo di Giga 1:48
9 Variatio 8. A 2 Clav. 2:16
10 Variatio 9. Canone Alla Terza. A 1 Clav. 2:35
11 Variatio 10. Fugetta. A 1 Clav. 1:34
12 Variatio 11. A 2 Clav. 2:16
13 Variatio 12. Canone Alla Quarta. A 1 Clav. 2:27
14 Variatio 13. A 2 Clav. 4:19
15 Variatio 14. A 2 Clav. 2:27
16 Variatio 15. Canone Alla Quinta. A 1 Clav. Andante 4:37
17 Variatio 16. Ouverture. A 1 Clav. 2:43
18 Variatio 17. A 2 Clav. 1:42
19 Variatio 18. Canone Alla Sexta. A 1 Clav. 1:31
20 Variatio 19. A 1 Clav. 1:12
21 Variatio 20. A 2 Clav. 2:28
22 Variatio 21. Canone Alla Settima. A 1 Clav. 2:57
23 Variatio 22. A 1 Clav. Alla Breve 1:31
24 Variatio 23. A 2 Clav. 2:17
25 Variatio 24. Canone All’ Ottava. A 1 Clav. 2:32
26 Variatio 25. A 2 Clav. Adagio 8:05
27 Variatio 26. A 2 Clav. 2:02
28 Variatio 27. Canone Alla Nona. A 2 Clav. 1:42
29 Variatio 28. A 2 Clav. 2:16
30 Variatio 29. A 1 O Vero 2 Clav. 2:24
31 Variatio 30. Quodlibet. A 1 Clav. 2:13
32 Aria Da Capo E Fine 4:38
Avital dispensa apresentações, pois já passou por aqui com um belo álbum dedicado a Vivaldi e excelente repercussão (pelo menos em termos de downloads, pois, se fôssemos julgar somente pelos comentários, conforme há muito resmungamos, pensaríamos ter somente aquele fiel punhado de leitores-ouvintes). Como o compositor também as dispensa, pois é o Alfa e o Ômega de toda a Música, passo direto à gravação. Ah, e já que Sebastian não escreveu uma nota sequer para o bandolim, coube ao ótimo Avital também o afã de habilmente transcrevê-las. Talvez a Kammerakademie Potsdam esteja alguns degraus abaixo da orquestra veneziana que o acompanhou no álbum de Vivaldi, mas o risonho virtuoso israelense é tão bom que a gente não reclama.
Divirtam-se!
BACH – AVI AVITAL
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
transcrições para bandolim de Avi Avital (1978)
Concerto para cravo, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 1 em Ré menor, BWV 1052
01 – Allegro
02 – Adagio
03 – Allegro
Concerto para cravo, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 5 em Fá menor, BWV 1056
04 – Sem indicação de andamento
05 – Largo
06 – PrestoConcerto para violino, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 1 em Lá menor, BWV 104107 – Sem indicação de movimento
08 – Andante
09 – Allegro assai
Avi Avital, bandolim Kammerakademie Potsdam Ophira Zakai, teorba Shalev Ad-El, cravo e regência
Sonata para flauta e baixo contínuo no. 5 em Mi menor, BWV 1034
10 – Adagio ma non troppo
11 – Allegro
12 – Andante
13 – Allegro
Avi Avital, bandolim Shalev Ad-El, cravo Ophira Zakai, teorba Ira Givol, violoncelo
Temos trocentas gravações dessas Suítes para violoncelo em nossos porões, mas já que chegou a hora do contrabaixo em nossa minissérie, ei-las então executadas no grandalhão.
Não é qualquer um que se dispõe a tal empreitada, e Edgar Meyer, realmente, não é qualquer um. Sua técnica impecável e tremenda musicalidade resultaram numa gravação melíflua das Suítes, que soa mais delicada que muitas feitas no violoncelo (sim, Mstislav: estou olhando pra ti!)
Para esta gravação, Meyer escolheu as suítes primeira (em Sol maior), segunda (em Ré menor) e quinta (em Dó menor). A preferência pelas suítes mais meditativas e em tons menores parece justificar-se num instrumento maior e com cordas menos responsivas – e a singela Sarabande da Suíte no. 5, que Rostropovich considerava o non plus ultra da obra de Bach, soa como uma revelação. Não obstante, Meyer – que certamente confia em seu arco – intercalou-as com a radiante Suíte no. 1, que passa tocando quase sem transposição, no registro agudo de seu instrumento e sem quaisquer dificuldades aparentes, para volta e meia chamar o baixo profundo dos registros graves, daqueles que fazem até vibrar os sisos de quem os tem.
Se Meyer gravou as demais suítes, eu desconheço. Tomara que sim.
BACH – UNACCOMPANIED CELLO SUITES Performed on Double Bass – Edgar Meyer
Pensaram que eu tinha desistido, né? Pois é, estes projetos malucos demandam tempo, algo que não disponho atualmente. Assim que dá, volto a eles.
O sexto volume de nossa gravação completa das cantatas de Bach inaugura a longa série de cantatas sagradas escritas durante os anos do compositor em Leipzig. Com uma única exceção, as cantatas incluídas no presente comunicado pertencem ao primeiro ciclo anual e data de 1723/24. As Cantatas 75 e 76, com as quais o Thomaskantor recentemente instalado assumiu seu novo compromisso em abril de 1723. Elas datam, respectivamente, do final de maio e início de junho de 1723. O último dos trabalhos a serem incluídos aqui é Cantata 69, uma versão revisada do BWV 69a. Data do final da vida de seu compositor. Durante seus vinte e sete anos como Cantor e diretor de música, Bach deu sua música sacra para a Igreja de Thomaskirche e St. Nicholas de Leipzig. Inevitavelmente, uma imagem melhor só surge quando ampliamos nosso campo de visão e captamos todas as 180 cantatas sagradas que sobreviveram a seus anos em Leipzig.
O texto acima foi retirado e livremente traduzido por este que vos escreve. O booklet, para variar, segue em anexo, muito completo e descritivo, para melhor apreciação das obras.
Espero que apreciem o trabalho.
COMPACT DISC 1
“Die Himmel erzählen die Ehre Gottes” BWV 76
For the 2nd Sunday after Trinity
Erster Teil 1 Chorus: “Die Himmel erzählen die Ehre Gottes”
2 Recitative (Tenor): “So laßt sich Gott nicht unbezeuget!”
3 Aria (Soprano): “Hört, ihr Völker, Gottes Stimme”
4 Recitative (Bass): “Wer aber hört”
5 Aria (Bass): “Fahr hin, abgöttische Zunft”
6 Recitative (Alto): “Du hast uns, Herr, von allen Straßen zu dir geruft”
7 Chorale: “Es woll uns Gott genädig sein”
Zweiter Teil
8 Sinfonia Recitativo accompagnato (Bass): “Gott segne noch die treue Schar”
10 Aria (Tenor): “Hasse nur, hasse mich recht”
11 Recitative (Alto): “Ich fühle schon im Geist”
12 Aria (Alto): “Liebt, ihr Christen, in der Tat”
13 Recitative (Tenor): “So soll die Christenheit die Liebe Gottes preisen”
14 Chorale: “Es danke, Gott, und lobe dich”
“Die Elenden sollen essen” BWV 75
For the 1st Sunday after Trinity
Erster Teil
15 Chorus: “Die Elenden sollen essen”
16 Recitativo accompagnato (Bass): “Was hilft des Purpurs Majestät”
17 Aria (Tenor): “Mein Jesus soll mein alles sein”
18 Recitative (Tenor): “Gott stürzet und erhöhet in Zeit und Ewigkeit!”
19 Aria (Soprano): “Ich nehme mein Leiden mit Freuden auf mich”
20 Recitative (Soprano): “Indes schenkt Gott ein gut Gewissen”
21 Chorale: “Was Gott tut, das ist wohlgetan”
Zweiter Teil
22 Sinfonia
23 Recitative (Alto): “Nur eines kränkt ein christliches Gemute”
24 Aria (Alto): “Jesus macht mich geistlich reich”
25 Recitative (Bass): “Wer nur in Jesu bleibt”
26 Aria (Bass): “Mein Herze glaubt und liebt”
27 Recitative (Tenor): “O Armut, der kein Reichtum gleicht!”
28 Chorale: “Was Gott tut, das ist wohlgetan”
COMPACT DISC 2
“Singet dem Herrn ein neues Lied” BWV 190
For the Feast of the Circumcision
1 Chorus: “Singet dem Herrn ein neues Lied”
2 Chorale & recitative (Alto, Tenor, Bass): “Herr Gott, dich loben wir!”
3 Aria (Alto): “Lobe, Zion, deinen Gott”
4 Recitative (Bass): “Es wünsche sich die Welt”
5 Aria (Duet Tenor, Bass): “Jesus soll mein alles sein”
6 Recitative (Tenor): “Nun, Jesus gebe, daß mit dem neuen Jahr”
7 Chorale: “Laß uns das Jahr vollbringen”
“Siehe zu, daß deine Gottesfurcht nicht Heuchelei sei” BWV 179
For the 11th Sunday after Trinity
8 Chorus: “Siehe zu, daß deine Gottesfurcht nicht Heuchelei sei”
9 Recitative (Tenor): “Das heutge Christentum”
10 Aria (Tenor): “Falscher Heuchler Ebenbild”
11 Recitative (Bass): “Wer so von innen wie von außen ist”
12 Aria (Soprano): “Liebster Gott, erbarme dich”
13 Chorale: “Ich armer Mensch, ich armer Sünder”
“Wer mich liebet, der wird mein Wort halten” BWV 59
For Whit Sunday
14 Duet (Soprano, Bass): “Wer mich liebet, der wird mein Wort halten”
15 Recitative (Soprano): “O, was sind das vor Ehren”
16 Chorale: “Komm, Heiliger Geist, Herre Gott”
17 Aria (Bass): “Die Welt mit allen Königreichen”
18 Chorale: “Gott, heiiger Geist”
“Lobe den Herrn, meine Seele” BWV 69
For the Leipzig town council inauguration
19 Chorus: “Lobe den Herrn, meine Seele”
20 Recitative (Soprano): “Wie groß ist Gottes Güte doch!”
21 Aria (Alto): “Meine Seele, auf! erzähle”
22 Recitative (Tenor): “Der Herr hat große Ding an uns getan”
23 Aria (Bass): “Mein Erlöser und Erhalter”
24 Chorale: “Es danke, Gott, und lobe dich”
COMPACT DISC 3
“Nun ist das Heil und die Kraft” BWV 50
For the feast of St Michael
1 Chorus: “Nun ist das Heil und die Kraft”
“Ärgre dich, o Seele, nicht” BWV 186
For the 7th Sunday after Trinity
Erster Teil
2 Chorus: “Ärgre dich, o Seele, nicht”
3 Recitative (Bass): “Die Knechtsgestalt, die Not, der Mangel”
4 Aria (Bass): “Bist du, der mir helfen soll”
5 Recitative (Tenor): “Ach, daß ein Christ so sehr vor seinen Körper sorgt”
6 Aria (Tenor): “Mein Heiland läßt sich merken”
7 Chorale: “Ob sichs anließ, als wollt er nicht”
Zweiter Teil
8 Recitative (Bass): “Es ist die Welt die große Wüstenei”
9 Aria (Soprano): “Die Armen will der Herr umarmen”
10 Recitative (Alto): “Nun mag die Welt mit ihrer Lust vergehen”
11 Aria (Duet Soprano, Alto): “Laß, Seele, kein Leiden von Jesu dich scheiden”
12 Chorale: “Die Hoffnung wart’ der rechten Zeit”
“Du Hirte Israel, höre” BWV 104
For the second Sunday after Easter
13 Chorus: “Du Hirte Israel, höre!”
14 Recitative (Tenor): “Der höchste Hirte sorgt vor mich”
15 Aria (Tenor): “Verbirgt mein Hirte sich zu lange”
16 Recitative (Bass): “Ja, dieses Wort ist meiner Seele Speise”
17 Aria (Bass): “Beglückte Herde, Jesu Schafe”
18 Chorale: “Der Herr ist mein getreuer Hirt”
“Lobe den Herrn, meine Seele” BWV 69a
For the 12th Sunday after Trinity
19 Chorus: “Lobe den Herrn, meine Seele”
20 Recitative (Soprano): “Ach, daß ich tausend Zungen hätte”
21 Aria (Tenor): “Meine Seele, auf, erzähle”
22 Recitative (Alto): “Gedenk ich nur zurück”
23 Aria (Bass): “Mein Erlöser und Erhalter” (see no. 69)
24 Chorale: “Was Gott tut, das ist wohlgetan”
“Nun ist das Heil und die Kraft” BWV 50
For the feast of St Michael
25 Chorus: “Nun ist das Heil und die Kraft”
RUTH ZIESAK soprano
ELISABETH VON MAGNUS alto P
PAUL AGNEW tenor
KLAUS MERTENS bass
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN
Um excelente disco, magnificamente interpretado por Gardiner e sua turma de usual suspects. As cantatas constituem importante parte da produção de Bach, mas apenas nas últimas décadas sua importância vem sendo reconhecida. Esquecidas quase por completo no século XIX, até meados do século XX somente um pequeno número delas havia sido estudado em detalhe, situação que vem mudando diante do rápido crescimento dos estudos bachianos. A maior parte delas é sacra, compostas em Weimar e principalmente Leipzig, mas ele cultivou o gênero ao longo de quase toda a sua carreira. Muitas foram perdidas por descuido do filho Wilhelm; de acordo com o obituário de Carl Philipp ele compôs cinco ciclos completos para o ano eclesiástico, fora as cantatas profanas, o que representaria mais de 350 obras, mas ainda sobrevivem 194 composições neste gênero (sacro), somando um total de mais de 1.200 movimentos individuais. As de sua fase inicial são compostas segundo o modelo alemão do século XVII, sem recitativos ou árias da capo, elementos de origem operística italiana que só aparecem em suas obras maduras. Mais tarde se consolidou um formato italianizado, com uma abertura mais elaborada com coro, seguida de uma alternância de cinco ou seis árias da capo e recitativos para voz solo, encerrando com uma harmonização coral simples homofônica a quatro vozes, quando a congregação possivelmente se unia ao coro, mas mesmo aqui são encontradas muitas outras soluções técnicas e formais, incluindo fugas, cânones, variações sobre um ostinato, formas concertantes, influência da abertura francesa e do antigo moteto, além de se valerem de uma ampla gama de forças instrumentais. Nas palavras de Buelow,
“Nada é mais difícil de definir ou explicar que o estilo vocal de Bach. É claro, contudo, que o cerne de seu estilo reside no seu compromisso de ilustrar expressivamente os textos, as palavras individuais desses textos, e os afetos que veiculam. Suas linhas vocais raramente são apenas líricas, e não guardam a menor semelhança com o estilo cantabile dos italianos. Quase sempre são altamente dramáticas e amiúde cheias de complexos motivos rítmicos, com um desenho anguloso de saltos amplos. Passagens melismáticas, algumas de enorme extensão, ocorrem às vezes para emprestar mais ênfase retórica ou para simbolizar determinada palavra, mas noutras ocasiões são parte integral do desenvolvimento melódico”.
As cantatas sacras são peças de ocasião, e por regra eram ouvidas apenas uma única vez. Obras muito elaboradas artisticamente, o que o ouvinte não conseguia entender em termos estéticos, como disse Chafe, era compensado por seu conhecimento de uma rede de intenções que ligavam a experiência religiosa de cada um ao seu contexto cultural e religioso maior. A principal dentre essas intenções era apresentar o caráter dinâmico da experiência religiosa num programa didático sequencial de afetos e formas com que o ouvinte comum pudesse se identificar, criando uma ponte entre as Escrituras e a fé, à luz, naturalmente, da tradição hermenêutica fundada por Lutero. Para conseguir esse objetivo, além do conteúdo explícito dos textos, Bach recorria a um rico repertório de elementos puramente musicais para ilustrar e enfatizar o texto, elementos que por sua vez estavam associados a uma série de convenções simbólicas e alegóricas então de domínio público, um procedimento típico do Barroco em geral, no caso aplicado aos propósitos do Protestantismo.
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 16, 98 & 139
“Was Gott Tut, Das Ist Wohlgetan” (BWV 98), Cantata For The 21st Sunday After Trinity
1 1. Chorus: Was Gott Tut, Das Ist Wohlgetan 3:56
2 2. Recitative (Tenor): Ach Gott! Wann Wirst Du Mich Einmal 0:53
3 3. Aria (Soprano): Hört, Ihr Augen, Auf Zu Weinen 3:18
4 4. Recitative (Countertenor): Gott Hat Ein Herz 0:55
5 5. Aria (Bass): Meinen Jesum Lass Ich Nicht 3:51
“Wohl Dem, Der Sich Auf Seinen Gott” (BWV 139), Cantata For The 23rd Sunday After Trinity
6 1. Chorus: Wohl Dem, Der Sich Auf Seinen Gott 4:58
7 2. Aria (Tenor): Gott Ist Mein Freund; Was Hilft Das Toben 5:03
8 3. Recitative (Countertenor): Der Heiland Sendet Ja Die Seinen 0:35
9 4. Aria (Bass): Das Unglück Schlägt Auf Allen Seiten 4:37
10 5. Recitative (Soprano): Ja, Trag Ich Gleich Den Grössten Feind In Mir 0:40
11 6. Chorale: Dahero Trotz Der Höllen Heer 0:47
“Herr Gott, Dich Loben Wir” (BWV 16), Cantata For New Year’s Day (Feast Of The Circumcision)
12 1. Chorus: Herr Gott, Dich Loben Wir 1:37
13 2. Recitative (Bass): So Stimmen Wir Bei Dieser Frohen Zeit 1:08
14 3. Aria (Chorus, Bass): Lasst Uns Jauchzen, Lasst Uns Freuen / Krönt Und Segnet Seine Hand 3:30
15 4. Recitative (Countertenor): Ach, Treuer Hort, Beschütz Auch Fernerhin Dein Wertes Wort 1:17
16 5. Aria (Tenor): Geliebter Jesu, Nur Du Allein 7:24
17 6. Chorale: All Solch Dein Güt Wir Preisen 1:01
Alto Vocals [Choir] – Angus Davidson (2), Charles Humphries, Richard Wyn Roberts*
Bass Vocals [Choir] – Julian Clarkson, Robert Macdonald, Simon Oberst
Bass Vocals [Soloist] – Gotthold Schwarz
Bassoon – Alastair Mitchell
Cello – Catherine Rimer, Ruth Alford
Choir – The Monteverdi Choir
Conductor – John Eliot Gardiner
Cornett – Michael Harrison (4)
Countertenor Vocals [Soloist] – Derek Lee Ragin
Double Bass – Judith Evans
Harpsichord – Gary Cooper (2)
Horn [Corno Da Caccia] – Mark Bennett (2)
Oboe – James Eastaway, Michael Niesemann
Oboe [Da Caccia] – Katharina Arfken
Orchestra – The English Baroque Soloists
Organ – Alastair Ross
Soprano Vocals [Choir] – Constanze Backes, Donna Deam, Nicola Jenkin, Suzanne Flowers
Soprano Vocals [Soloist] – Katharine Fuge
Tenor Vocals [Choir] – Gerard O’Beirne, Paul Tindall, Simon Davies (3)
Tenor Vocals [Soloist] – Julian Podger
Viola – Lisa Cochrane, Rosemary Nalden
Violin [1st] – Anne Schumann, Peter Lissauer, Sarah Bealby-Wright
Violin [2nd] – Adrian Butterfield, Henrietta Wayne, Kati Debretzeni
Violin, Concertmistress – Maya Homburger
“Oh, céus!”, dirão vocês, “depois de nos entupir de Glenn Gould, o cara vem trazer os sacrossantos CONCERTOS DE BRANDENBURG numa REDUÇÃO para PIANO a QUATRO MÃOS”?
Sim, pessoal – mas deponham as pedras, por favor: eu me explico!
Houve um tempo em que não havia PQP Bach, nem música online, tampouco internet, que se dirá então de gravações digitais: esse era o tempo de Max Reger (1873-1916), e nele só havia gravações muito precárias e caríssimas. Uma das poucas alternativas que restavam aos melômanos que desejassem escutar em sua casa a música orquestral de grandes mestres era manter em suas salas um piano e comprar arranjos de obras orquestrais para serem tocadas nele. Reger, que já tinha feito transcrições pianísticas brilhantes de obras de J. S. Bach para o órgão, tivera sucesso também transcrevendo as Suítes para orquestra do grande mestre para piano a quatro mãos. Quando o editor pediu-lhe para transcrever os Concertos de Brandenburg, sua primeira resposta foi um rotundo “não” que, depois de muita hesitação, virou um “talvez” que nunca o convenceu completamente. Sua correspondência dá conta com muitos detalhes das dificuldades que encontrou na abordagem dessas mais perfeitas entre todas as obras, e em particular de como achava difícil fazer uma “redução” de partituras em que cada nota parecia essencial. O maior desafio, naturalmente, foi o Concerto no. 5, que contém uma parte muito elaborada e difícil para o cravo. A solução que Reger encontrou foi preservar tanto quanto possível as partes do concertino (grupo de solistas) e podar o que fosse necessário do ripieno (o restante do conjunto instrumental). Quando as transcrições foram publicadas, seu autor foi ferozmente desgraçado pelos críticos, e seus gritos de ódio ecoam até hoje, mais de um século depois.
Escutando esta interpretação do duo Trenkner-Speidel, não consigo deixar de aplaudir (diriam nossos vizinhos platinos) los huevos e a habilidade do transcritor. A perda de colorido, claro, é inevitável e inerente à transcrição. No entanto, a competência de Reger traz oportunidades de apreciar o incomparável gênio contrapontístico de Bach duma perspectiva inteiramente diferente. Antes de catarem pedras no chão e se juntarem à claque dos críticos, ouçam-nas e tirem suas próprias conclusões.
JOHANN SEBASTIAN BACH – BRANDENBURGISCHE KONZERTE BWV 1046-51 Für Pianoforte zu 4 Händen bearbeitet von Max Reger
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
arranjo de Max REGER (1873-1916)
Concertos de Brandenburg, BWV 1046-1051, em redução para piano a quatro mãos
Esta versão das Suítes para Violoncelo Solo de Bach, por Roel Dieltiens, não chega ao nível altíssimo das gravações de Cocset, Pandolfo ou Bylsma, mas é muito boa e consistente. As Suítes foram provavelmente compostas durante o período de 1717-1723, quando Bach serviu como Kapellmeister em Köthen. Devido às dificuldades técnicas das obras, elas foram pouco conhecidas e raramente executadas até serem revividas e gravadas por Pablo Casals no início do século 20. Hoje são consideradas dentre as maiores realizações de Bach. Diferentemente das sonatas para violino solo de Bach, nenhum manuscrito autógrafo sobreviveu. Os estudiosos acreditam que Bach pretendia que as obras fossem consideradas um ciclo e não uma série arbitrária de peças. Comparadas às outras coleções de suítes de Bach, as suítes para violoncelo são as mais rigorosas na ordem de seus movimentos. Além disso, para obter uma arquitetura simétrica, Bach inseriu movimentos intermezzi aos pares entre as sarabandas e as gigas.
J. S. Bach (1685-1750): Suítes para Violoncelo Solo
Suite Nº 2 In D-Minor (BWV 1008)
1-1 Prélude 2:28
1-2 Allemande 3:16
1-3 Courante 1:50
1-4 Sarabande 4:55
1-5 Menuet I 1:41
1-6 Menuet II 1:17
1-7 Menuet I 0:40
1-8 Gigue 2:36
Suite Nº 3 In C-Major (BWV 1009)
1-9 Prélude 2:32
1-10 Allemande 3:54
1-11 Courante 3:50
1-12 Sarabande 4:13
1-13 Bourrée I 1:41
1-14 Bourrée II 1:44
1-15 Bourrée I 0:52
1-16 Gigue 3:33
Suite Nº 6 In D-Major (BWV 1012)
1-17 Prélude 4:23
1-18 Allemande 6:51
1-19 Courante 3:34
1-20 Sarabande 4:34
1-21 Gavotte I 1:44
1-22 Gavotte II 1:43
1-23 Gavotte I 0:56
1-24 Gigue 4:05
Suite Nº 4 In E Flat Major (BWV 1010)
2-1 Prélude 4:19
2-2 Allemande 4:39
2-3 Courante 3:39
2-4 Sarabande 4:12
2-5 Bourrée I 2:34
2-6 Bourrée II 0:42
2-7 Bourrée I 1:19
2-8 Gigue 2:36
Suite Nº 1 In G-Major (BWV 1007)
2-9 Prélude 1:53
2-10 Allemande 5:01
2-11 Courante 2:38
2-12 Sarabande 2:47
2-13 Menuet I 1:24
2-14 Menuet II 1:24
2-15 Menuet I 0:45
2-16 Gigue 1:47
Suite Nº 5 In C Minor (BWV 1011)
2-17 Prélude 5:18
2-18 Allemande 6:27
2-19 Courante 2:20
2-20 Sarabande 4:25
2-21 Gavotte I 2:32
2-22 Gavotte II 1:29
2-23 Gavotte I 1:19
2-24 Gigue 2:37
Antes de começar, talvez seja preciso explicar que esse John Williams aqui não é aquele compositor de filmes de Holywood, autor de trilhas sonoras de filmes como ‘Indiana Jones’. Esse aqui é australiano, e é um dos maiores violonistas de todos os tempos. Sua histórica gravação do ‘Concierto de Aranjuez’ com o mítico maestro Eugene Ormandy foi a minha introdução à música clássica, lá quando eu tinha meus cinco ou seis anos de idade, e continua sendo minha gravação favorita desse concerto, coincidentemente realizada no ano de meu nascimento, em 1965.
Mas John Williams gravou muito mais depois disso, talvez mais de cem discos, dos mais variados compositores, incluindo aquele nosso maior compositor, cujo nome não podemos nem mencionar aqui no PQPBach.
Estou trazendo para os senhores hoje um conjunto de quatro CDs, todos dedicados a Bach. Suítes, prelúdios, fugas, transcrições para violão do segundo concerto para violino, além das suítes francesas, inglesas, entre outras peças. Em todas elas, o talento e virtuosismo de Williams nos proporciona momentos de absoluto deleite. É realmente para se ouvir de joelhos, e agradecer que temos a oportunidade de ouvir isso. Uma overdose de Bach …
Espero que apreciem.
CD 1
1.01.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) I. Passaggio-Presto
1.02.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) II. Allemande
1.03.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) III. Courante
1.04.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) IV. Sarabande
1.05.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) V. Bourrée
1.06.Lute Suite in E Minor, BWV 996 (Arr. J. Williams for Guitar) VI. Gigue
1.07. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 I. Prelude
1.08. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 II. Fugue
1.09. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 III. Allegro
1.10. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 I. Preludio
1.11. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 II. Fuga
1.12. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 III. Sarabande
1.13. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 IV. Gigue
1.14. Lute Suite No. 2 in C Minor, BWV 997 V. Double
CD 2
2.01. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) I. Prelude-Presto
2.02. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) II. Allemande
2.03. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) III. Courante
2.04. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) IV. Sarabande
2.05. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) V. Gavottes I & II
2.06. Lute Suite in G Minor, BWV 995 (Arr. J. Williams for Guitar) VI. Gigue
2.07. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a I. Prélude
2.08. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a II. Loure
2.09. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a III. Gavotte en Rondeau
2.10. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a IV. Menuetts I & II
2.11. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a V. Bourrée
2.12. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1006a VI. Gigue
2.13. Prelude in C Minor, BWV 999 (Arr. J. Williams for Guitar)
2.14. Fugue in G Minor, BWV 1000 (Arr. J. Williams for Guitar)
CD 3
3.01. Violin Concerto in E Major, BWV 1042 (Arranged by John Williams for Guitar and Orchestra) I. Allegro
3.02. Violin Concerto in E Major, BWV 1042 (Arranged by John Williams for Guitar and Orchestra) II. Adagio
3.03. Violin Concerto in E Major, BWV 1042 (Arranged by John Williams for Guitar and Orchestra) III. Allegro assai
3.04. Violin Sonata No. 2 in A Minor, BWV 1003 III. Andante (Arranged by John Williams for Guitar)
3.05. Violin Partita No. 2 in D Minor, BWV 1004 V. Chaconne (Transcribed for Guitar by John Williams)
3.06. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 I. Prelude
3.07. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 II. Loure
3.08. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 III. Gavotte
3.09. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 IV & V Menuetts I and II
3.10. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 VI. Bourrée
3.11. Lute Suite No. 4 in E Major, BWV 1004 VII. Gigue
3.12. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 I. Prélude (Transcribed for Guitar by John Williams)
3.13. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 Bourrée I & II (Transcribed for Guitar by John Williams)
3.14. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 I. Präludium
3.15. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 II. Fuge
3.16. Prelude, Fugue and Allegro in E-Flat Major, BWV 998 III. Allegro
CD 4
4.01. Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 140 I. Chorale (Transcribed for Guitar and Organ)
4.02. Fugue in G Major, BWV 577 Gigue (Transcribed for Guitar and Organ)
4.03. Violin Sonata No. 4 in C Minor, BWV 1017 III. Adagio (Transcribed for Guitar and Organ)
4.04. Trio Sonata No. 6 in G Major, BWV 530 (Transcribed for Guitar and Organ) I. Vivace
4.05. Trio Sonata No. 6 in G Major, BWV 530 (Transcribed for Guitar and Organ) II. Lento
4.06. Trio Sonata No. 6 in G Major, BWV 530 (Transcribed for Guitar and Organ) III. Allegro
4.07. Italian Concerto in F Major, BWV 971 I.-(Transcribed for Guitar and Organ)
4.08. Pastorale in F Major, BWV 590 III. Adagio (Transcribed for Guitar and Organ)
4.09. Trio in G Major, BWV 10274a (Transcribed for Guitar and Organ)
4.10. French Suite No. 6 in E Major, BWV 817 I. Allemande (Transcribed for Guitar and Organ)
4.11. English Suite No. 2 in A Minor, BWV 807 VI. Bourrée II (Transcribed for Guitar and Organ)
4.12. English Suite No. 3 in G Minor, BWV 808 Gavotte I & II (Transcribed for Guitar and Organ by John Williams)
4.13. French Suite No. 5 in G Major, BWV 816 VII. Gigue (Transcribed for Guitar and Organ by John Williams)
John Williams – Violão
Academy of St. Martin in the Fields
Rachel Barton Pine é uma violinista norte americana, nascida em Chicago, e uma das grandes intérpretes de Bach da atualidade. Este CD é uma prova do que vos falo. Foi lançado no final do ano passado, e recebeu muitos elogios. Por um daqueles esquecimentos inexplicáveis, ainda não havia sido postado. Pelo menos não até hoje.
Disc 1 (40:59)
1. Sonata for Violin & Keyboard No. 1 in B Minor, BWV 1014: I. Adagio (04:10)
2. Sonata for Violin & Keyboard No. 1 in B Minor, BWV 1014: II. Allegro (02:46)
3. Sonata for Violin & Keyboard No. 1 in B Minor, BWV 1014: III. Andante (02:59)
4. Sonata for Violin & Keyboard No. 1 in B Minor, BWV 1014: IV. Allegro (03:08)
5. Sonata for Violin & Keyboard No. 2 in A Major, BWV 1015: I. Dolce (02:58)
6. Sonata for Violin & Keyboard No. 2 in A Major, BWV 1015: II. Allegro (02:58)
7. Sonata for Violin & Keyboard No. 2 in A Major, BWV 1015: III. Andante un poco (02:57)
8. Sonata for Violin & Keyboard No. 2 in A Major, BWV 1015: IV. Presto (04:04)
9. Sonata for Violin & Keyboard No. 3 in E Major, BWV 1016: I. (Adagio) (04:07)
10. Sonata for Violin & Keyboard No. 3 in E Major, BWV 1016: II. (Allegro) (02:39)
11. Sonata for Violin & Keyboard No. 3 in E Major, BWV 1016: III. Adagio ma non tanto (04:38)
12. Sonata for Violin & Keyboard No. 3 in E Major, BWV 1016: IV. Allegro (03:35)
Disc 2 (58:25)
1. Sonata for Violin & Keyboard No. 4 in C Minor, BWV 1017: I. SiciliaNo. Largo (04:37)
2. Sonata for Violin & Keyboard No. 4 in C Minor, BWV 1017: II. Allegro (04:18)
3. Sonata for Violin & Keyboard No. 4 in C Minor, BWV 1017: III. Adagio (03:22)
4. Sonata for Violin & Keyboard No. 4 in C Minor, BWV 1017: IV. Allegro (04:20)
5. Sonata for Violin & Keyboard No. 5 in F Minor, BWV 1018: I. Largo (07:41)
6. Sonata for Violin & Keyboard No. 5 in F Minor, BWV 1018: II. Allegro (04:10)
7. Sonata for Violin & Keyboard No. 5 in F Minor, BWV 1018: III. Adagio (04:20)
8. Sonata for Violin & Keyboard No. 5 in F Minor, BWV 1018: IV. Vivace (02:33)
9. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: I. Allegro (03:07)
10.Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: II. Largo (01:31)
11. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: III. Allegro (Cembalo solo) (04:07)
12. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: IV. Adagio (02:46)
13. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019: V. Allegro (03:11)
14. Sonata for Violin & Keyboard No. 6 in G Major, BWV 1019a: I. Cantabile, ma un poco adagio (08:22)
Rachel Barton Pine – Violin
Jory Vinikour – Harpsichord
Lembram daquela série interminável de discos da Philips — lançados nos anos 70 e 80 — que eram seleções malucas de clássicos e que tinham gatinhos na capa? Ali, o Aleluia de Händel podia vir antes de um trecho de Rhapsody in Blue, o qual era seguido pela Abertura 1812 e pela chamada Ária na Corda Sol (mentira, corda sol coisa nenhuma) de Bach, por exemplo. Salada semelhante é servida por Khatia Buniatishvili neste CD. Mas o importante é faturar enquanto a beleza não abandona a pianista. Ela tem alguns anos de sucesso ainda. Como habitualmente, neste disco ela é muita emoção e languidez — principalmente a última –, acompanhada de um talento que não precisaria ter registros gravados. Temos tanta gente melhor! Depois deste disco altamente suspeito, ela sucumbe aqui. Só a aparência não basta. Afinal, ouvimos o CD. Vocês sabem que eu amo as belas musicistas, mas tudo tem limite.
1 Johann Sebastian Bach: Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd, BWV 208: IX. Schafe können sicher weiden (Arr. for Piano)
2 Pyotr Ilyich Tchaikovsky: The Seasons, Op. 37b: X. October (Autumn Song)
3 Felix Mendelssohn-Bartholdy: Lied ohne Worte in F-Sharp Minor, Op. 67/2
4 Claude Debussy: Suite Bergamasque, L. 75: III. Clair de lune
5 Giya Kancheli: Tune from the Film by Lana Gogoberidze: When Almonds Blossomed
6 György Ligeti: Musica ricercata No. 7 in B-Flat Major
7 Johannes Brahms: Intermezzo in B-Flat Minor, Op. 117/2
8 Franz Liszt: Wiegenlied, S. 198
9 Antonín Dvorák: Slavonic Dance for Four Hands in E Minor, Op. 72/2: Dumka (Allegretto grazioso)
10 Maurice Ravel: Pavane pour une infante défunte in G Major, M. 19
11 Frédéric Chopin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 25/7
12 Alexander Scriabin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 2/1
13 Domenico Scarlatti: Sonata in E Major, K. 380
14 Edvard Grieg: Lyric Piece in E Minor, Op. 57/6: Homesickness
15 Traditional: Vagiorko mai / Don’t You Love Me?
16 Wilhelm Kempff: Suite in B-Flat Major, HWV 434: IV. Menuet
17 Arvo Pärt: Für Alina in B Minor
O link acima leva para uma caixa com bem mais do que os Concertos de Brandenburg. A edição em que baseei esta postagem está aparentemente esgotada.
PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 28/7/2015
“Seis Concertos Com diversos Instrumentos Dedicados À Sua Alteza Real Senhor Christian Ludwig Margrave de Brandenburg & c. & c. & c., por Seu mui humilde & mui obediente Servo Johann Sebastian Bach Mestre de Capela de Sua Alteza Real O príncipe reinante d’Anhalt-Cöthen
Meu Senhor
Como tive, há poucos anos, a felicidade de me fazer escutar junto à Vossa Alteza Real, em virtude de suas ordens, e como eu então percebi que Vossa Alteza teve algum deleite com os pequenos talentos que o Firmamento me concedeu para a Música; e, quando a me retirar da presença de Vossa Alteza Real, Ela houve por bem me fazer a honra de me mandar o envio a Vossa Alteza de algumas peças de minha composição; eu, de acordo com as mais graciosas ordens de Vossa Alteza, tomei a liberdade de cumprir meus humílimos deveres para com Vossa Alteza Real com os presentes Concertos, que arranjei a diversos Instrumentos; rogando mui humildemente que não julgue sua imperfeição ao rigor do gosto fino e delicado que todos sabem que Vossa Alteza tem pelas obras musicais, mas de ter sobretudo em Benigna consideração o profundo respeito, e a mais humilde obediência que eu tento demonstrar a Vossa Alteza (…)
Senhor De Vossa Alteza Real O mais humilde e mais obediente servo Johann Sebastian Bach. Cöthen, 24 mar 1721”
O Margrave, aparentemente, se lixou para a oferta de Bach, que, mesmo com toda a rasgação de seda, não conseguiu trabalhar em sua corte. As partituras dos Concertos empoeiraram nas estantes de Sua Alteza Real, de onde sairiam vendidas como papel velho por alguns poucos centavos.
Mas isso não importa.
Não fossem os “pequenos talentos” concedidos pelo Firmamento ao “mui humilde servo” Johann Sebastian Bach, o mundo provavelmente não se lixaria para o nome do tal Christian Ludwig.
Os nobres perecem.
BACH VIVE.
JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)
OS CONCERTOS DE BRANDENBURG, BWV 1046-1051
THE ENGLISH CONCERT TREVOR PINNOCK, regência
CD 1
01 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – [sem indicação de tempo]
02 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Adagio
03 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Allegro
04 – Concerto de Brandenburg no. 1 em Fá maior, BWV 1046 – Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II
05 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – [sem indicação de tempo]
06 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – Andante
07 – Concerto de Brandenburg no. 2 em Fá maior, BWV 1047 – Allegro assai
08 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – [sem indicação de tempo]
09 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Adagio
10 – Concerto de Brandenburg no. 3 em Sol maior, BWV 1048 – Allegro
01 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Allegro
02 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Andante
03 – Concerto de Brandenburg no. 4 em Sol maior, BWV 1049 – Presto
04 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
05 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Affettuoso
06 – Concerto de Brandenburg no. 5 em Ré maior, BWV 1050 – Allegro
07 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – [sem indicação de tempo]
08 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – Adagio ma non tanto
09 – Concerto de Brandenburg no. 6 em Si bemol maior, BWV 1051 – Allegro
O fac-símile da dedicatória dos Concertos de Brandenburg, i.e., a rasgação de seda que traduzi livremente mais acima
Homenagem a Johann Sebastian Bach, o maior gênio criador que já habitou este planeta, postada originalmente em 28/7/2015 – ducentésimo sexagésimo quinto aniversário de seu falecimento.
Pois a história de Grigoriy Sedukh e seus violinos miúdos não parou em sua gravação que apresentamos ontem: esses instrumentos são apenas três duma série de oito, concebidos e confeccionados pela luthier Carleen Hutchins para reproduzir, em diferentes tamanhos, as qualidades sônicas do violino.
A luthier buscava criar um conjunto de instrumentos, ao estilo dos consorts de violas do século XVII, que tivessem características sonoras homogêneas, baseadas no violino. Seu trabalho, que envolveu colaboração com físicos, resultou num octeto de instrumentos que vão do sopranino ao contrabaixo, mas que são, essencialmente, violinos.
Um desses instrumentos, o violino contralto, foi usado por Yo Yo Ma para tocar o Concerto para viola de Bartók, com recepção mista. Alguns saudaram o som como “revelador”, mas muita gente estranhou. A riqueza de timbre da viola se perde em prol de mais brilho e projeção, que é… bem, justamente aquilo que a gente não espera de uma viola.
Não obstante, várias instituições dedicam-se à divulgação do legado de Hutchins, alguns com devoção quase religiosa a sua figura, e comissionando novas composições para o peculiar conjunto instrumental.
Sério: olhem o T A M A N H O do violino contrabaixo!!!
Nesse álbum, gravado no que parece ser um congresso da The New Violin Family Association, várias peças de exibição são tocadas nos diversos instrumentos do octeto. A qualidade um tanto precária da gravação deixa para a nossa imaginação muito do tão apregoado brilho desses novos instrumentos, mas ouvir a Fantasia de Vaughan Williams tocada por eles, numa massa sonora mais homogênea que uma orquestra de cordas moderna, faz pensar que o sonho de Hutchins pode ter virado realidade.
Desde a primeira vez em que escutei os Concertos de Brandenburg de Bach, chamou-me a atenção aquele violininho serelepe e pungente a buscar espaço com valentia em meio aos tantos sopros do Concerto no. 1:
Nunca mais ouvi falar do tal violino piccolo, de tamanho a um violino 3/4 para jovens, com algumas diferenças de construção e que soa uma terça acima dos violinos convencionais, até encontrar alguns vídeos do ucraniano Grigoriy Sedukh tocando o que chamava de piccolo em peças convencionais do repertório violinístico.
Sem ler muito as letras miúdas, comprei seu CD (lançado pelo pitorescamente batizado selo “The Catgut Acoustic Society Co.”) para só depois descobrir – mais surpreso, talvez, que decepcionado – aquela história do gato comprado por lebre.
Pois aqui Sedukh não toca exatamente o instrumento de que Bach lançara mão, mas sim num chamado “violino sopranino”, que soa uma oitava acima do violino convencional e que tem, guardadas as proporções, as mesmas proporções deste. A gravação inclui somente uma faixa com um instrumento semelhante ao piccolo barroco, o “Adagio” de Grazioli, executado num violino dito “soprano” (uma quarta acima do convencional, mais ou menos como o piccolo), além de uma peça num “mezzo” (afinado exatamente como o convencional).
O repertório é um balaio de gatos que, obviamente, não tem razão outra de ser que não a de exibir as qualidades dos instrumentos e do intérprete. Eu acho estranho abrir uma gravação com a Polonaise de Bach, que é uma obra que parece já começar no meio, mas depois as coisas melhoram bastante. Sedukh é bom violinista e, neste pequeníssimo nicho musical, mostra-nos um bom cartão de visitas.
GRIGORYI SEDUKH – VIOLIN SOLOIST
Johann Sebastian BACH (1685-1750) Suíte Orquestral no. 2 em Si menor, BWV 1067
01 – Polonaise
02 – Badinerie
Giovanni Battista GRAZIOLI (1756-1820) 03 – Adagio*
Niccoló PAGANINI(1782-1840) 04 – Sonatina no. 1 para violino e violão
05 – Sonatina no. 3 para violino e violão
Joseph Joachim RAFF (1822-1882)
06 – Cavatina, Op. 85 no. 3
Piotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893) 07 – O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Entrée et Adagio
08 – Álbum para a Infância, Op. 39 – no. 22: Canção da Cotovia
09 – O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Adagio †
10 – O Lago dos Cisnes, Op. 20 – Dança Russa
Se dependesse de mim, cretino gambista subamador, vocês teriam gamba aqui todos os dias.
Como isso acarretaria meu desterro deste pago bloguístico que tanto prezo, eu tento me coordenar. Hoje, entretanto, tenho um bom pretexto: estou a falar dos membros em desuso da Família das Cordas e, ei, a viola da gamba anda, infelizmente, menos em voga do que mereceria.
A situação, claro, já foi pior. É uma lástima, sem dúvidas, que o lindo timbre e som ricamente ressonante da gamba tenham sido preteridos em prol do também belo, mas bem mais robusto violoncelo com cordas de metal, espigão, e outros aditivos mais apropriados a amplas salas de concerto. Por outro lado, é impossível reclamar da qualidade dos gambistas em atividade. Já lhes apresentamos anteriormente o Midas catalão Jordi Savall e o mago italiano Paolo Pandolfo. Hoje, trazemos para vocês Hildegard Perl – Hille, para os íntimos.
Se essas peças todas de Bach serão familiares à maior parte das senhoras e dos senhores, asseguro-lhes que sua roupagem é bastante diferente. A Suíte BWV 1011, transposta para Ré menor, ganha muita riqueza, especialmente nos fugatos do prelúdio. O novo arranjo da Sonata/Suíte BWV 1025, originalmente para violino e cravo e baseada em uma obra para alaúde de Sylvius Leopold Weiss, soa muito mais convincente aqui como trio-sonata, com o alaúde a tocar a parte original de Weiss, e a viola da gamba. Por fim, a Sonata BWV 1029, a única das obras de álbum concebida para a gamba, ganha uma roupagem concertística que a deixa ainda mais parecida com o terceiro Concerto de Brandenburg.
PER LA VIOLA DA GAMBA – HILLE PERL
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Suíte no. 5 para violoncelo solo em Dó menor, BWV 1011 (transcrita para viola da gamba por Hille Perl, transposta para Ré menor)
Sonata (Suíte) em Lá maior para violino e cravo, BWV 1025 (baseada numa Suíte para alaúde de Sylvius Leopold Weiss e transcrita por Hille Perl para alaúde, viola da gamba e contínuo)
Sonata para viola da gamba e cravo no. 3 em Sol menor, BWV 1029 (arranjo de Hille Perl para violino, viola da gamba e contínuo)
13 – Vivace
14 – Adagio
15 – Allegro
Hille Perl, viola da gamba baixo Lee Santana, alaúde Andrew Lawrence-King, harpa cruzada* Veronika Skuplik, violino Barbara Messmer, viola da gamba baixo
* o termo “harpa cruzada” foi o melhor que encontrei para descrever a harpa sem pedais (em inglês, “double harp”). Se houver tradução melhor, peço a gentileza de me fazerem saber.
Pois bem: podem atirá-los, mas não sem antes esquecerem a capa bem tosquinha do CD, desvestirem todas as lembranças que podem ter do ukulele no Feitiço Havaiano a que assistiram nas matinês (para os mais velhos) ou na Sessão da Tarde (para os nem tanto) e deixarem de lado o ranço que possam ter para com seu primo, o cavaquinho: quem assim o fizer, e depuser os tomates, irá se surpreender com a excelência desse disco.
John King (1953-
2009), que teve excelente formação como violonista clássico, dedicou sua vida a granjear reputação para o miúdo ukulele nas salas de concerto. Encomendou instrumentos a excelentes luthiers (um dos quais atende o monstro Julian Bream) e, emprestando ao diminuto braço e às delicadas cordas sua ótima técnica violonística, deixou-nos gravações que deixariam Johann Sebastian totalmente pimpão.
Aqui, King adota a técnica chamada “Campanella” (italiano para “sineta”), que leva cada nota a ser tocada numa corda diferente, resultando num som bastante límpido e ressonante, muito reminiscente daquele de uma harpa. Escutem as transcrições dos excertos de suítes, sonatas e partitas para violino e violoncelo do Demiurgo Bach, não deem muita bola para a transcrição meio perdida do “Jesus, Alegria dos Homens” que encerra o álbum, e deleitem-se!
JOHANN SEBASTIAN BACH – PARTITA NO. 3 AND OTHER WORKS TRANSCRIBED FOR UKULELE – JOHN KING
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
transcrições para ukulele de John King
Suíte para violoncelo em Sol maior, BWV 1007
01 – Prelude
02 – Sarabande
03 – Gigue
Suíte para violoncelo no. 6 em Ré maior, BWV 1012
04 – Gavotte I-II
Suíte para violoncelo no. 5 em Dó menor, BWV 1011
05 – Gavotte I-II
Suíte para violoncelo no. 4 em Mi bemol maior, BWV 1010
Passada em revista a parte da família das cordas que é tocada com arcos, enveredamos por um outro ramo da família com quem os arcos não falam muito, pois as salas de concerto costumam torcer-lhes os narizes: aquele das cordas dedilhadas.
Antes que me joguem os tomates, ou me perguntem por que exus eu não apus a palavrinha .:interlúdio:. ao título de uma gravação, vejam só, de banjo, de BANJO, de B A N J O! incongruentemente atirada no meio das sacrossantas interpretações dos Pollinis e Bernsteins que os blogueiros não-vassílycos publicam por aqui, bem, antes que venham os apupos, os “foras!” e que me defenestrem, eu antecipadamente me defendo: Béla Fleck é um TREMENDO músico e merece ser ouvido.
Ok, o repertório do CD é um balaio de gatos cheio de figurinhas fáceis do repertório das coleções “The Best of”, só que ele é feito sob medida para Fleck exibir com sobras seu talento. Asseguro-lhes que dificilmente ouvirão um banjo ser tocado com tanta maestria, ainda mais acompanhado por músicos do naipe de, entre outros, Joshua Bell, John Williams e Edgar Meyer. No final, para relaxar, Fleck colocou uma ótima versão bluegrass do “Moto Perpétuo” de Paganini, mas ela está claramente identificada como tal e os puristas entre vós outros poderão deletá-la antes que ela fira algum ouvido.
E, se vocês acharam interessante o Fleck ter o nome de Béla, saibam que o nome completo do cavalheiro é Béla Anton Leoš Fleck. Sim: uma homenagem ao grande Béla, àquele Anton e a este Leoš.
PERPETUAL MOTION – BÉLA FLECK
Domenico SCARLATTI (1685-1757)
01 – Sonata em Dó maior, K. 159
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
02 – Invenção a duas vozes no. 13 em Lá menor, BWV 784
Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)
03 – Children’s Corner, L. 113 – “Doctor Gradus ad Parnassum”
Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
04 – Mazurkas, Op. 59 – no. 3 em Fá sustenido menor
Johann Sebastian BACH
05 – Partita no. 3 em Mi maior, BWV 1006 – Prélude
Fryderyk Franciszek CHOPIN
06 – Études, Op. 10 – no. 4 em Dó sustenido menor
07 – Mazurkas, Op. 6 – no. 1 em Fá sustenido menor
Johann Sebastian BACH
08 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Sol maior, BWV 796
Pyotr Ilyich TCHAIKOVSKY (1840-1893)
09 – Souvenir d’un lieu cher, Op. 42 – no. 3: Mélodie
Johannes BRAHMS (1833-1897)
10 – Cinco estudos para piano, Anh. 1a/1 – no. 3 em Sol menor, após Johann Sebastian Bach
Johann Sebastian BACH
11 – Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007 – Prelude
12 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Si menor, BWV 801
Domenico SCARLATTI
14 – Sonata em Ré menor, K. 213
Johann Sebastian BACH
15 – Invenção a duas vozes no. 6 em Mi maior, BWV 777
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
16 – Sonata no. 14 em Dó sustenido menor, Op. 27 no. 2, “Luar” – Adagio sostenuto
Johann Sebastian BACH
17 – Invenção a duas vozes no. 11 em Sol menor, BWV 782
Ludwig van BEETHOVEN
18 – Sete Variações sobre “God Save the King”, WoO 78
Johann Sebastian BACH
19 – Invenção a três vozes (Sinfonia) em Mi menor, BWV 793
Niccolò PAGANINI arranjo de James Bryan Sutton
12 – Moto Perpetuo, Op. 11 (versão bluegrass)
Béla Fleck, banjo Joshua Bell, violino Gary Hoffmann, violoncelo Evelyn Glennie, marimba Edgar Meyer, contrabaixo Chris Thile, bandolim James Bryan Sutton, violão folk John Williams, violão
Este é o único volume desta impressionante coleção que tem quatro CDs. E há um motivo para tanto: estes CDs trazem o restante das cantatas seculares, entre elas a última que Bach teria composto, de BWV 212. A única coisa que se tem certeza sobre este período da vida de Bach, apesar de ser muito bem documentado, é o fato de terem-se perdido dezenas, quiçá, centenas de partituras. Existem boatos, rumores, fofocas sobre o destino destas peças, mas não se tem certeza de nada.
Espero que estejam gostando dessa série. Para os fãs de Bach ela é fundamental e indispensável.
COMPACT DISC 1
“Auf, schmetternde Töne der muntern Trompeten” BWV 207a
For the name day of August III, August 3 1734
1 March (instrumental)
2 Chorus: “Auf, schmetternde Töne der muntern Trompeten”
3 Recitative (Tenor): “Die stille Pleiße spielt mit ihren kleinen Wellen”
5 Recitative (Bass, Soprano): “Augustus’ Wohl ist der treuen Sachsen Wohlergehn”
6 Aria Duetto (e Ritornello) (Bass, Soprano) “Mich kann die süße Ruhe laben”
7 Ritornello (instrumental)
8 Recitative (Alto): “Augustus schützt die frohen Felder”
9 Aria (Alto): “Preiset, späte Folgezeiten”
11 Chorus: “August lebe, lebe, König!”
12 March (instrumental)
Sybilla Rubens (5) e Anne Grimm (10) sopranos
Elisabeth von Magnus alto
Christoph Prégardien tenor
Klaus Mertens bass
13 Aria (Soprano): “Weichet nur, betrübte Schatten”
14 Recitative (Soprano): “Die Welt wird wieder neu”
15 Aria (Soprano):
16 Recitative (Soprano): “Drum sucht auch Amor sein Vergnügen”
17 Aria (Soprano): “Wenn die Frühlingslüfte streichen”
18 Recitative (Soprano): “Und dieses ist das Glücke”
19 Aria (Soprano): “Sich üben im Lieben”
20 Recitative'(Soprano): “So sei das Bund der keuschen Liebe”
21 Gavotte: “Sehet in Zufriedenheit”
Lisa Larsson soprano
COMPACT DISC 2 “Schleicht, spielende Wellen, und murmelt gelinde ” BWV 206
For the birthday and name day of August III, October 7, 1733
Problemas alheios à nossa vontade me fizeram trocar de servidor de armazenamento de meus arquivos (sim, mais uma vez o MEGA está fora do ar, aparentemente ação de hackers). E mais uma vez, estou trocando de servidor, desta vez estou migrando para o Zippyshare, que, segundo a propaganda, é gratuito e não tem limite de espaço. Aguardo a opinião dos senhores. Não sei se o MEGA vai voltar, e não, se não voltar, lamento, mas não tenho como subir novamente todo o meu acervo armazenado lá, sei lá quanto é.
O Quarto Volume da integral das Cantatas de Bach nas mãos de Ton Koopman está, como não poderia deixar de ser, impecável. Aqui teremos as magníficas Cantatas Seculares e foram compostas durante o período em Leipzig. Abaixo, um trecho do booklet explica :
“The fourth volume of the complete recordings of Bach’s cantatas is devoted exclusively to secular cantatas of the Leipzig period essentially from the years 1726-1734. Actually the term “secular cantata” is completely foreign to Johann Sebastian Bach and his time. It first became established in the latter half of the 19th century and paved the way for an almost fatal polarisation in the evaluation of Bach’s secular and religious vocal music, of which the effects are evident to this day, in both research and performance. In fact it is quite artificial to oppose sacred cantatas against secular. The first genre to emerge was the secular cantata, for the Italian term “cantata” was first used in the 17th century to designate the musical setting of a secular text, and it was not until 1700 in Protestant Germany that it was used to describe sacred music, when Erdmann Neumeister published his librettos Geistliche Cantatevi statt einer Kirchen-Musik in Weissenfeis, with far-reaching influence.”
Com exceção do Baixo Klaus Mertens e do tenor Paul Agnew, sempre presentes em outros volumes da coleção, Koopman troca aqui todos os outros cantores. A listagem está abaixo. Espero que apreciem esta postagem, sempre feita a toque de caixa, em virtude da total falta de tempo, e deste contratempo relatado acima, relativo ao servidor.
P.S. 1 – Depois de muitas reclamações, resolvi trocar de servidor de armazenamento. Agora estou usando o Google Drive, com o qual não creio que vá ter maiores problemas.
CD 1
“Laß Fürstin, laß noch einen Strahl” BWV 198
1 Chorus: “Laß Fürstin, laß noch einen Strahl”
2 Recitative (Soprano): “Dein Sachsen, dein bestürztes Meissen”
3 Aria (Soprano): “Verstummt, verstummt, ihr holden Saiten!”
4 Recitative (Alto): “Der Glocken bebendes Getön”
5 Aria (Alto): “Wie starb die Heldin so vergnügt!”
6 Recitative (Tenor): “Ihr Leben ließ die Kunst zu sterben”
7 Chorus: “An dir, du Fürbild grosser Frauen”
8 Aria (Tenor): “Der Ewigkeit saphirnes Haus”
9 Recitative (Bass): “Was Wunder ist’s?”
10 Chorus: “Doch, Königin! du stirbest nicht”
Lisa Larsson soprano
Elisabeth von Magnus alto
Paul Agnew tenor
Klaus Mertens bass
“Preise dein Glücke gesegnetes Sachsen” BWV 215
11 Chorus: “Preise dein Glücke, gesegnetes Sachsen”
12 Recitative (Tenor): “Wie können wir, großmächtigster August”
13 Aria (Tenor): “Freilich trotzt August’ Name”
14 Recitative (Bass): “Was hast dich sonst, Sarmatien, bewogen”
15 Aria (Bass): “Rase nur, verwegner Schwärm”
16 Recitative (Soprano): “Ja, ja! Gott ist uns noch mit seiner Hülfe nah”
17 Aria (Soprano): “Durch die von Eifer entflammeten Waffen”
18 Recitative and arioso (Tenor, Bass, Soprano): “Laß doch, o teurer Landesvater, zu”
19 Chorus: “Stifter der Reiche, Beherrscher der Kronen”
Eis Bongers soprano
Paul Agnew tenor
Klaus Mertens bass
1 Recitative (Tenor): “Schweigt stille, plaudert nicht”
2 Aria (Bass): “Hat man nicht mit seinen Kindern”
3 Recitative (Soprano, Bass): “Du böses Kind, du loses Mädchen”
4 Aria (Soprano): “Ei! wie schmeckt der Coffee süße”
5 Recitative (Soprano, Bass): “Wenn du mir nicht den Coffee läßt”
6 Aria (Bass): “Mädchen, die von harten Sinnen”
7 Recitative (Soprano, Bass): “Nun folge, was dein Vater spricht”
8 Aria (Soprano): “Heute noch, lieber Vater tut es doch”
9 Recitative (Tenor): “Nun geht und sucht der alte Schlendrian”
10 Chorus (Soprano, Tenor, Bass): “Die Katze läßt das Mausen nicht”
Anne Grimm soprano (Liesgen)
Paul Agnew tenor
Klaus Mertens bass (Herr Schlendrian)
“Tönet, ihr Pauken! Erschallet, Trompeten!” BWV 214
11 Chorus: “Tönet, ihr Pauken! Erschallet, Trompeten!”
12 Recitative (Tenor): “Heut ist der Tag, wo jeder sich erfreuen mag”
13 Aria (Soprano): “Blast die wohlgegriffnen Flöten”
14 Recitative (Soprano): “Mein knallendes Metall”
15 Aria (Alto): “Fromme Musen! meine Glieder!”
16 Recitative (Alto): “Unsre Königin im Lande”
17 Aria (Bass): Kron und Preis gekrönter Damen”
18 Recitative (Bass): “So dringe in das weite Erdenrund”
19 Chorus: “Blühet, ihr Linden in Sachsen, wie Zedern!”
Eis Bongers soprano
Elisabeth Von Magnus alto
Paul Agnew tenor
Klaus Mertens bass
“Non sa che sia dolore” BWV 209
20 Sinfonia
21 Recitative: “Non sa che sia dolore”
22 Aria: “Parti pur, e con dolore” 8’31
23 Recitative: “Tuo saver al tempo e l’età contrasta”
24 Aria: “Ricetti gramezza e pavento”
Lisa Larsson, soprano
CD 3
“Ich bin in mir vergnügt” BWV 204
1 Recitative: “Ich bin in mir vergnügt”
2 Aria: “Ruhig und in sich zufrieden”
3 Recitative: “Ihr Seelen, die ihr außer euch”
4 Aria: “Die Schätzbarkeit der weiten Erden”
5 Recitative: “Schwer ist es zwar, viel Eitles zu besitzen”
6 Aria: “Meine Seele sei vergnügt”
7 Recitative and arioso: “Ein edler Mensch ist Perlenmuscheln gleich”
8 Aria: “Himmlische Vergnügsamkeit”
Lisa Larsson, soprano
“Geschwinde, ihr wirbelnden Winde” BWV 201
9 Chorus: “Geschwinde, geschwinde ihr wirbelnden Winde”
10 Recitative (Soprano, Bass I & II): “Und du bist doch so unverschämt und frei”
11 Aria (Soprano): “Patron, das macht der Wind”
12 Recitative (Alto, Bass I & II): “Was braucht ihr euch zu zanken?”
13 Aria (Bass 1): “Mit Verlangen”
14 Recitative (Soprano, Bass II): “Pan, rükke deine Kehle nun”
15 Aria (Bass II): “Zu Tanze, zu Sprunge, so wakkelt das Herz”
17 Aria (Tenor): “Phoebus, deine Melodei”
18 Recitative (Bass II, Tenor II): “Komm, Midas, sage du nun an”
19 Aria (Tenor): “Pan ist Meister, laßt ihn gehn!”
20 Recitative (Soprano, Alto, Tenor I & II, Bass I & II): “Wie, Midas, bist du toll?”
21 Aria (Alto): “Aufgeblasne Hitze, aber wenig Grütze”
22 Recitative (Soprano): “Du guter Midas, geh nun hin”
23 Chorus: “Lobt das Herz, ihr holden Saiten”
Caroline Stani soprano (Momus)
Peter de Groot alto (Mercurius)
Paul Agnew tenori (Tmolus)
Jeremy Ovenden tenor II (Midas)
Klaus Mertens bass I (Phoebus)
Donald Bentvelsen bass II (Pan)
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN
Um grande disco, magnificamente interpretado! O Concerto de Bach para Oboé é maravilhoso, mas logo depois temos a Cantata do Casamento, BWV 202. Esta Cantata é linda. A primeira ária me mói o coração. Tudo, a lentidão inicial, os passos, a seção rápida, o retorno. Que ária! E que lindo trabalho fazem todos aqui.
Esta primeira ária, “Weichet nur, betrübte Schatten” (Dissipai, sombras problemáticas), é acompanhada por todos os instrumentos. As cordas reproduzem um motivo repetitivo ilustrando o desaparecimento do inverno, enquanto o oboé conduz com uma linda melodia até a entrada da voz, depois tocando em dueto com ela. A seção de abertura é marcada como Adagio, enquanto a seção intermediária, sobre os prazeres da primavera, é marcada como Andante. É a mudança da sombra para a luz do sol, do frio do inverno para as flores da primavera.
A BWV 202 sobreviveu através de apenas uma cópia da década de 1730. Ela apresenta um estilo usado por Bach apenas até por volta de 1714. O lento-rápido-lento da primeira ária, por exemplo, foi raramente utilizado por Bach depois de 1714. Também o jogo entre a voz e o oboé obbligato do sétimo movimento é da mesma época. Mas os biógrafos pensam que esta Cantata é do tempo de Köthen e a ocasião a um casamento, possivelmente o próprio casamento de Bach com Anna Magdalena em dezembro de 1721. O libretista não é conhecido.
O texto relaciona o início do amor à chegada da primavera após o inverno. O cupido procura por um casal. Ele os encontra. Há o desejo de sorte. O tom é bem humorado e brincalhão, o que sugere um casamento civil.
O restante do CD também é de primeira linha.
J. S. Bach (1685-1750): Concerto para Oboé / Cantata BWV 202 & G. F. Händel (1685-1759): Concerto Nº 1 para Harpa / Cantata Tra Le Fiamme, HWV 170
1 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: I. Allegro 4:26
2 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: II. Larghetto 5:10
3 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: III. Allegro Ma Non Troppo 4:28
Patrick Beaugiraud
Ricercar Consort
Philippe Pierlot
4 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Weichet Nur, Betrübte Schatten 6:18
5 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Die Welt Wird Wieder Neu 0:27
6 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Phoebus Eilt 2:55
7 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Drum Sucht Auch Amor 0:41
8 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Wenn Die Frühlingslüfte Streichen 2:29
9 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Und Dieses Ist Das Glücke 0:49
10 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Sich Üben Im Lieben 4:17
11 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: So Sei Das Brand Der Keuschen Liebe 0:22
12 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Gavotte – Sehet In Zufriedenheit 1:35
Nuria Rial
Patrick Beaugiraud
Philippe Pierlot
Ricercar Consort
13 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: I. Andante Allegro 6:00
14 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: II. Larghetto 3:48
15 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: III. Allegro Moderato 2:34
Giovanna Pessi
Ricercar Consort
Philippe Pierlot
16 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Tra Le Fiamme Tu Scherzi Per Gioco 5:28
17 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – Dedalo Già Le Fortunate Penne 0:49
18 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Pien Di Nuovo e Bel Diletto 4:39
19 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – Si, Pur Troppo e Vero 0:14
20 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Voli Per L’aria Chi Puo Volare 2:56
21 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – L’uomo Che Macque Per Salire Al Cielo 0:21
22 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Tra Le Fiamme Tu Scherzi Per Gioco 2:30
Nuria Rial
Philippe Pierlot
Ricercar Consort
Há dois dias, algumas postagens em minhas redes sociais deram conta do desaparecimento, aos 91 anos, do grande Paul Badura-Skoda, o subdecano dos pianistas (pois o decano é, sem dúvidas, o incansável Menahem Pressler: noventa e seis anos, oito décadas de carreira, participações em todas as formações do Beaux Arts Trio – de Daniel Guilet a Antonio Meneses – estreia com a Filarmônica de Berlim com noventa primaveras, e que tinha um recital marcado com o jovem Badura-Skoda para o mês passado, e que foi cancelado por indisposição do garoto austríaco). Imediatamente, comecei a escrever uma postagem lamentando o fato e celebrando a longa vida artística e, particularmente, o prolífico legado de Paul, fartamente registrado em gravações ao longo de sete décadas, muitas delas, como notou nosso colega Pleyel, em instrumentos de época, antes que esta prática entrasse em voga.
O sono me chamou, e a postagem jazeu incompleta, o que me poupou-me do vigoroso constrangimento de publicá-la só para depois constatar, com alegre cara de tacho, que, assim como acontecera com Mark Twain e das muitas teorias a darem conta de que Sir James Paul is no more, os rumores da morte do Paul austríaco foram grandemente exagerados.
Ainda bem.
Com votos de que o notável vienense se recupere prontamente, deixo-lhes o primeiro duma série de discos comemorando seu septuagésimo quinto aniversário – efeméride que, como veem, já fez seu baile de debutantes. Nele, Paul – adolescente e adulto jovem – deixa-nos alguns bombons, tanto em leituras do repertório tradicional para o piano, em peças a que voltaria dezenas de vezes, quanto em gravações para o acordeão, o instrumento favorito na família Skoda – uma delas, o arranjo para a abertura de La Gazza Ladra, que dedica à mãe pelo seu dia.
Gute Besserung, und komm schnell wieder auf die Beine!
PAUL BADURA SKODA – A MUSICAL BIOGRAPHY – 75h BIRTHDAY TRIBUTE – CD1
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
O Cravo bem Temperado, livro 1: Prelúdio e Fuga em Dó sustenido menor, BWV 849
01 – Prelúdio
02 – Fuga
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano no. 21 em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”
03 – I. Allegro con brio
Fryderyk Franciszek CHOPIN (1810-1849)
04 – Barcarola em Fá sustenido maior, Op. 60
05 – Fantasia em Fá menor, Op. 49
Hans Ulrich STAEPS (1909-1988)
06 – Pan Pan
Louis GRUENBERG (1884-1964)
07-12 Six Jazz Epigrams
Billy GOLWYN (?-?)
13 – Verbena
Leopold MITTMANN (1904-1976)
14-16 Jazz Babies
Gioachino Antonio ROSSINI (1792-1868)
17 – La gazza ladra: Abertura
Pietro FROSINI (1885-1951)
18 – Serenade italienne
Hermann SCHITTENHELM (1893-1979)
19 – Der Eislaufer (The Ice Skater)
“O piano não consegue respirar naturalmente – o pianista tem que insuflar vida no piano” – por isso que Paul também toca, como faz nesta gravação, o acordeão.
Não, você não leu errado: estas são as gravações completas dos legendários violinistas Joachim e Sarasate, feitas no começo do século XX.
Sim, Joachim: aquele que estreou sob a batuta de Felix Mendelssohn e consolidou o Concerto Op. 61 de Beethoven no repertório, que escreveu dezenas de cadenzas para concertos alheios, fundador de uma importante escola pedagógica, amigo de Schumann e de Brahms, e consultor deste último nas obras concertantes para violino.
E sim, ele mesmo: Sarasate, o mais célebre dos violinistas do século XIX depois de Paganini, receptor das dedicatórias da Sinfonia Espanhola de Lalo, do Concerto no. 2 de Wieniawski, do Concerto no. 3 e Introdução e Rondó Caprichoso de Saint-Saëns, entre outros.
De quebra, para fechar o disco, algumas das gravações que Eugène Ysaÿe, o maior violinista de seu tempo, realizou durante uma visita a Nova York em 1912.
Joseph Joachim (1831-1907)
Joachim tinha 72 anos quando realizou suas gravações – idade avançada para a época – e certamente já não estava no melhor de sua forma, tanto física quanto técnica. As técnicas primitivas de gravações, agravadas pelas dificuldades inerentes à captação do som do violino, ainda mais com as cordas de tripa que eram então a norma, exigem bastante do ouvinte que deseja apreciar a arte deste violinista legendário. As duas peças de Bach para violino solo carregam a distinção de serem as primeiras obras do Pai da Música jamais gravadas. Chamam a atenção também as ornamentações que adicionou, especialmente à bourrée, o uso muito comedido de vibrato (pois a escola fundada por Joachim assim defendia) e o que parece uma entonação distinta, que talvez estivesse em voga na distante década de 1830, quando começou a receber sua educação musical.
Joachim com o jovem Franz von Vecsey, em foto de 1903 – ano em que realizou suas únicas gravações. Aquele dedo indicador artrítico da mão esquerda dói só de olhar, e nos faz conceder um generoso desconto quando ouvimos os erros que ele deixou registrados para a posteridade.
Pablo de Sarasate (1844-1908), com seu Stradivarius que pertenceu a Paganini, o mesmo instrumento usado nestas gravações.
Comedimento era o que não existia no diminuto corpo de Sarasate, virtuose de fama mundial e compositor de diversas obras feitas sob medida para exibir sua técnica. Diferentemente de Joachim, ele abusa do vibrato e, a julgar por suas gravações, apreciava andamentos insanamente rápidos. O Prelúdio da Partita em Mi maior de Bach, por exemplo, é tocada em velocidade lúbrica, mais rápido até do que era capaz o violinista sexagenário: lá pelo segundo terço ele se perde completamente, como um estudante em pânico na prova, e só vem a se recuperar quando a obra se encaminha para o final (ele parece comentar alguma coisa no fim – talvez uma exclamação desbocada – mas não a consegui entender). O arranjo do Noturno de Chopin permite apreciar um pouco de seu afamado “cantabile”, que pelo jeito abusava do portamento. No entanto, é em suas próprias obras que o basco parece se sair melhor, principalmente no “Zapateado” e nas famosas “Zigeunerweisen” (Árias Ciganas), aparentemente abreviadas para caberem na gravação – o Adagio acaba bruscamente (em meio a instruções sem-cerimoniosamente faladas pelo intérprete) para dar lugar ao velocíssimo Finale.
Eugene Ysaÿe (1858-1931)
Já o belga Ysaÿe, aluno dos legendários Vieuxtemps e Wieniawski em Bruxelas, viveu até os anos 30. Por isso, deixou um legado maior de gravações, que nos soam mais modernas e muito mais satisfatórias que as de Sarasate e Joachim – mérito, também, da impressionante evolução das técnicas de gravação. O movimento final do Concerto de Mendelssohn, apesar dos cortes necessários para que coubesse num lado de um LP de 78 rpm, é bastante bom, e a famosa elegância do estilo de Ysaÿe fica evidente, apesar de algumas escorregadelas. Lembremo-nos de que as gravações eram feitas em uma só tomada, e o alto custo da mídia não permitia o luxo de repetir tomadas a bel-prazer.
Ysaÿe e o pianista Camille Decreus, realizando as gravações que vocês escutarão em breve, em Nova York (1912). Reparem no cone que fazia as vezes de microfone
Espero que apreciem estas gravações preciosas que permitem, pelo menos àqueles que lhe relevam os ruídos de superfície inerentes às limitações técnicas da época, uma fascinante viagem aural ao passado.
JOSEPH JOACHIM – THE COMPLETE RECORDINGS (1903) PABLO DE SARASATE – THE COMPLETE RECORDINGS (1904) EUGÈNE YSAYE – SELECTED RECORDINGS (1912)
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
01 – Partita no. 1 em Si menor para violino solo, BWV 1002 – Bourrée
02 – Sonata no. 1 em Sol menor para violino solo, BWV 1001 – Adagio
Joseph Joachim, violino
(1903)
Joseph JOACHIM (1831-1907)
03 – Romance em Dó maior para violino e piano
Johannes BRAHMS (1833-1897), arranjos para violino e piano de Joseph Joachim
04 – Dança Húngara no. 1 em Sol menor
05 – Dança Húngara no. 2 em Ré menor
Joseph Joachim, violino
Pianista desconhecido
(1903)
Pablo Martín Meliton de SARASATE y Nevascués (1844-1908)
BÔNUS: vocês sabiam que não há só uma, mas DUAS gravações de Johannes Brahms ao piano? Claro que o som é precaríssimo, pois elas são de 2 de dezembro de 1889 (imaginem, menos de um mês após a Proclamação de República no Brasil!). Brahms toca uma de suas Danças Húngaras e um trecho de uma polca de Josef Strauss. Este vídeo do pianista Jack Gibbons, que tem um dos melhores canais de YouTube para amantes do piano, guia-nos nessa experiência aural a um só tempo difícil e privilegiada:
Em uma série deste tamanho, devemos nos preparar com antecipação, não acham? Deixar tudo prontinho … quem dera, na atual conjuntura de minha vida. Mal consigo sentar no computador … com a idade vem a responsabilildade, dizem, e a falta de tempo, idem. Estou tentando manter uma periodicidade semanal, se não conseguir, só tenho a lamentar. Para os apressados, sugiro procurarem na rede mundial, está tudo lá, bonitinho.
Não pretendo me estender em maiores explicações, a obra de Bach se explica por si só. Divirtam-se.
P.S. Como sempre, Ton Kopman está muito bem de solistas nesta caixa, temos aqui a presença ilustre de Andreas Schöll …
CD 1
01. BWV.063 – 1. Chorus ‘Christen, atzet diesen Tag’
02. BWV.063 – 2. Recitative (Alto)- ‘O selger Tag! o ungemeines Heute’
03. BWV.063 – 3. Duet (Soprano, Bass)- ‘Gott, du hast es wohl gefuget’
04. BWV.063 – 4. Recitative (Tenor)- ‘So kehret sich nun heut das bange Leid’
05. BWV.063 – 5. Duet (Alto, Tenor)- ‘Ruft und fleht den Himmel an’
06. BWV.063 – 6. Recitative (Bass)- ‘Verdoppelt euch demnach’
07. BWV.063 – 7. Chorus- ‘Hochster, schau in Gnaden an’
08. BWV.162 – 1. Aria (Bass)
09. BWV.162 – 2. Recitative (Tenor)- ‘O grosses Hochzeitfest’
10. BWV.162 – 3. Aria (Soprano)- ‘Jesu, Brunquell aller Gnaden’
11. BWV.162 – 4. Recitative (Alto)- ‘Mein Jesu, lass mich nicht’
12. BWV.162 – 5. Aria (Duet- Alto, Tenor)- ‘In meinem Gott bin ich erfreut’
13. BWV.162 – 6. Chorus- ‘Ach, ich habe schon erblicket’
14. BWV.155 – 1. Recitative (Soprano)
15. BWV.155 – 2. Aria (Duet- Alto, Tenor)- ‘Du musst glauben, du musst hoffen’
16. BWV.155 – 3. Recitative (Bass)- ‘So sei, o Seele, sei zufrieden’
17. BWV.155 – 4. Aria (Soprano)- ‘Wirf, mein Herze, wirf dich noch’
18. BWV.155 – 5. Chorale- ‘Ob sichs anlie als wollt er nicht’
19. BWV.063 – Appendix 1. Duet (Soprano, Bass)
20. BWV.162 – Appendix 1. Aria (Bass)
21. BWV.162 – Appendix 2. Chorus- ‘Ach, ich habe schon erblicket’
CD 2
01. BWV.022 – 1. Arioso & Chorus (Tenor, Bass, Chorus)- Jesus nahm zu sich die Zwolfe
02. BWV.022 – 2. Aria (Alto)- Mein Jesu, ziehe mich nach dir
03. BWV.022 – 3. Recitative (Bass)- Mein Jesu, ziehe mich
04. BWV.022 – 4. Aria (Tenor)- Mein Alles in Allem
05. BWV.022 – 5. Chorus- Ertot uns durch dein Gute
06. BWV.023 – 1. Duet (Soprano, Alto)- Du wahrer Gott und Davids Sohn
07. BWV.023 – 2. Recitative (Tenor)- Ach, gehe nicht voruber
08. BWV.023 – 3. Duett & Chor (Tenor, Bass, Chorus)- Aller Augen warten, Herr
09. BWV.023 – 4. Chorus- Christe, du Lamm Gottes
10. BWV.163 – 1. Arie (Tenor)- Nur jedem das Seine
11. BWV.163 – 2. Recitative (Bass)- Du bist, mein Gott
12. BWV.163 – 3. Aria (Bass)- Lass mein Herz die Munze sein
13. BWV.163 – 4. Recitative (Soprano, Alto)- Ich wollte dir, o Gott
14. BWV.163 – 5. Aria (Soprano, Alto)- Nimm mich mir und gib mich dir
15. BWV.163 – 6. Chorus- Fuhr auch mein Herz und Sinn
16. BWV.165 – 1. Aria (Soprano)- O heilges Geist- und Wasserbad
17. BWV.165 – 2. Recitative (Bass)- Die sundige Geburt verdammter Adams Erben
18. BWV.165 – 3. Aria (Alto)- Jesu, der aus grosser Liebe
19. BWV.165 – 4. Recitative (Bass)- Ich habe, ja, mein Seelenbrautigam
20. BWV.165 – 5. Aria (Tenor)- Jesu, meines Todes Tod
21. BWV.165 – 6. Chorus- Sein Wort, sein Tauf, sein Nachtmahl
CD 3
01. BWV.054 – 1. Aria (Alto) ‘Widerstehe doch der Sunde’
02. BWV.054 – 2. Recitative (Alto) ‘Die Art verruchter Sunde’
03. BWV.054 – 3. Aria (Alto) ‘Wer Sunde tut, der ist vom Teufel’
04. BWV.161 – 1. Aria (Alto) ‘Komm, du susse Todesstunde’
05. BWV.161 – 2. Recitative (Tenor) ‘Welt, deine Lust is Last’
06. BWV.161 – 3. Aria (Tenor) ‘Mein Verlangen ist den Heiland zu umfangen’
07. BWV.161 – 4. Recitative (Alto) ‘Der Schluss ist schon gemacht’
08. BWV.161 – 5. Chorus ‘Wenn es meines Gottes Wille’
09. BWV.161 – 6. Chorus ‘Der Leib zwar in der Erden’
10. BWV.208 – 01. Recitative (Soprano) ‘Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd’
11. BWV.208 – 02. Aria (Soprano) ‘Jagen ist die Lust der Gotter’
12. BWV.208 – 03. Recitative (Tenor) ‘Wie, schonste Gottin, wie’
13. BWV.208 – 04. Aria (Tenor) ‘Willst du dich nicht mehr ergotzen’
14. BWV.208 – 05. Recitative (Soprano, Tenor) ‘Ich liebe dich zwar noch!’
15. BWV.208 – 06. Recitative (Bass) ‘Ich, der ich sonst ein Gott in diesen Feldern bin’
16. BWV.208 – 07. Aria (Bass) ‘Ein Furst ist seines Landes Pan’
17. BWV.208 – 08. Recitative (Soprano) ‘Soll dann der Pales Opfer hier’
18. BWV.208 – 09. Aria (Soprano) ‘Schafe konnen sicher weiden’
19. BWV.208 – 10. Recitative (Soprano) ‘So stimmt mit ein’
20. BWV.208 – 11. Chorus ‘Lebe, Sonne dieser Erden’
21. BWV.208 – 12. Duet (Soprano, Tenor) ‘Entzucket uns beide’
22. BWV.208 – 13. Aria (Soprano) ‘Weil die wollenreichen Herden’
23. BWV.208 – 14. Aria (Bass) ‘Ihr Felder und Auen’
24. BWV.208 – 15. Chorus ‘Ihr lieblichsten Blicke’
BARBARA SCHLICK, CAROLINE STAM, RUTH HOLTON, ELS BONGERS soprano
ELISABETH VON MAGNUS soprano II, alto
ANDREAS SCHOLL alto(BWV54)
PAUL AGNEW tenor
KLAUS MERTENS bass
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN – CONDUCTOR