Serguei Prokofiev (1891-1953): Sinfonia Nº 5 & Suíte Cita

Serguei Prokofiev (1891-1953): Sinfonia Nº 5 & Suíte Cita

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Sinfonia Nº 5 de Prokofiev simplesmente não tem pontos fracos. É linda de cabo a rabo. Das sete sinfonias que escreveu, a Primeira e a Quinta são as mais populares em seu país e no estrangeiro. A Quinta, composta em 1944, foi estreada em Moscou a 13 de janeiro de 1945, sob a regência do próprio compositor. O compositor parecia olhar para o passado e para tudo o que acontecera. Prokofiev retornara ao momento anterior do exílio de dezessete anos e revivera seu passado como artista e como homem. Mesmo tolhido artisticamente, viu que era preciso voltar à música de sua Rússia. A Quinta Sinfonia foi escrita quinze anos após a Quarta e dez anos após o reingresso de Prokofiev na URSS. Nesse hiato, o compositor viu seu estilo de composição sofrer uma transformação considerável. Aqui, ele volta a buscar inspiração na força melódica autêntica do seu país: “o ar forasteiro não combina com a minha inspiração, porque eu sou russo e a coisa pior para um homem como eu é viver no exílio. Devo voltar. Devo ouvir ressoar em meus ouvidos a língua russa, devo falar com as pessoas, a fim de que possa restituir-me o que me falta: os seus cantos, os meus cantos.”

Sobre a Quinta Sinfonia, ele disse: “esta música amadureceu dentro de mim, encheu minha alma” […] “não posso dizer que escolhi estes temas, eles nascem em mim e devem se expressar”. A volta ao país natal se desdobrou no retorno às raízes musicais de sua juventude, na qual demonstrara amar profundamente a música de Haydn. A simplicidade e inocência das composições de Haydn eram vistas por Prokofiev como exemplo de clareza e sofisticação. O regresso à natureza neoclássica da Primeira Sinfonia deveu-se mais ao renascimento em si do espírito haydniano que propriamente pela censura impingida à sua música pelo Comitê Central do Partido Comunista. Ao compor nos moldes do “realismo socialista”, Prokofiev inaugurou uma fase chamada por ele de “nova simplicidade”.

Nas palavras do compositor: uma “linguagem musical que possa ser compreendida e amada por meu povo”. Simples, sem ser simplista, ele fez sua música retornar ao predomínio do elemento melódico, à transparência na orquestração e à nitidez da forma, de acordo com as normas clássicas. Se os movimentos lentos I e III – Andante e Adagio – se vestem de uma ternura elegíaca e de introspecção, os allegros II e IV, um scherzo e um finale refletem o puro humor advindo de Haydn. Desse contraste, sem dores nem tristezas, nasceu uma das obras mais célebres da música soviética, definida pelo compositor como o “canto ao homem livre e feliz, à sua força, à sua generosidade e à pureza de sua alma”.

A Suíte Cita fala de Alá e Lolli. Trata-se de uma história do antigo povo cita, popularmente associado, na Rússia da época, à selvageria e à violência. É essa associação que Prokofiev explora musicalmente em seu balé através da acumulação de dissonâncias, do uso insistente de ostinato e do recurso a longas passagens em fortíssimo, intensificadas pela grandiosidade da orquestração.

Fonte: aqui.

Symphony No. 5 in B flat major, Op 100 (1944) (44:24)
1 I. Andante 13:56
2 II. Allegro marcato 8:46
3 III. Adagio 12:44
4 IV. Allegro giocoso 9:08

Scythian Suite from Ala and Lolly, Op. 20 (1916) (22:59)
5 I. Adoration of Veless and Ala. Allegro feroce 7:02
6 II. The Enemy of God and the Dance of the Spirits. Allegro sostenuto 3:14
7 III. Night. Andantino 6:43
8 IV. Lolly’s Departure and the Sun’s Procession. Tempestoso 6:00

Deutsches Symphonie-Orchester Berlin
Tugan Sokhiev

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Prokofiev na cama com o compositor Nicolas Nabokov. Não, nada de sexo, just friends.

PQP

G. F. Händel (1685-1759): Concerti Grossi, Op. 6, Vol. 3

G. F. Händel (1685-1759): Concerti Grossi, Op. 6, Vol. 3

Já postamos estes concertos diversas vezes. Eles são mesmo ótimos e estão presentes nos repertórios dos melhores grupos barrocos, mas não creio que alguém roubaria ou mataria por eles. Os 12 Concerti Grossi, Op. 6, ou Doze Grandes Concertos, HWV 319-330, são concertos escritos por Händel para um trio de concertinos de dois violinos e um violoncelo, orquestra de cordas e cravo contínuo. Foram publicados pela primeira vez em Londres no ano de 1739. Tendo como modelo os antigos concerti da chiesa e concerti da câmera de Arcangelo Corelli, e não os concertos venezianos de três movimentos de Vivaldi, eles foram escritos, pasmem, para serem tocados durante os intervalos das apresentações dos oratórios e odes de Handel. Apesar do modelo convencional, Handel incorporou nos movimentos toda a gama dos seus estilos composicionais, incluindo trio sonatas, árias, aberturas francesas, sinfonias italianas, fugas, temas, variações e uma variedade de danças. Os concertos foram em grande parte compostos de material novo: eles estão entre os melhores exemplos no gênero de concerto grosso barroco.

G. F. Händel (1685-1759): Concerti Grosso, Op. 6, Vol. 3

Concerto Grosso, Op. 6 No. 10
1 Ouverture – Allegro 1:46
2 Allegro 2:09
3 Air: Lentement 3:09
4 Allegro 2:27
5 Allegro 2:53
6 Allegro Moderato 1:42

Concerto Grosso, Op. 6 No. 11
7 Andante Larghetto E Staccato 4:43
8 Allegro 1:47
9 Largo E Staccato 0:32
10 Andante 4:20
11 Allegro 5:54

Concerto Grosso, Op. 6 No. 12
12 Largo 2:02
13 Allegro 2:58
14 Aria: Larghetto E Piano 4:10
15 Largo 0:52
16 Allegro 1:57

Concerto Grosso “Alexander’s Feast”
17 Allegro 3:34
18 Largo 1:48
19 Allegro 3:19
20 Andante, Non Presto 3:53

Collegium Musicum 90
Simon Standage

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Olha o Händel chegando aí, gente!

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Concerto para Oboé / Cantata BWV 202 & G. F. Händel (1685-1759): Concerto Nº 1 para Harpa / Cantata Tra Le Fiamme, HWV 170

J. S. Bach (1685-1750): Concerto para Oboé / Cantata BWV 202 & G. F. Händel (1685-1759): Concerto Nº 1 para Harpa / Cantata Tra Le Fiamme, HWV 170

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um grande disco, magnificamente interpretado! O Concerto de Bach para Oboé é maravilhoso, mas logo depois temos a Cantata do Casamento, BWV 202. Esta Cantata é linda. A primeira ária me mói o coração. Tudo, a lentidão inicial, os passos, a seção rápida, o retorno. Que ária! E que lindo trabalho fazem todos aqui.

Esta primeira ária, “Weichet nur, betrübte Schatten” (Dissipai, sombras problemáticas), é acompanhada por todos os instrumentos. As cordas reproduzem um motivo repetitivo ilustrando o desaparecimento do inverno, enquanto o oboé conduz com uma linda melodia até a entrada da voz, depois tocando em dueto com ela. A seção de abertura é marcada como Adagio, enquanto a seção intermediária, sobre os prazeres da primavera, é marcada como Andante. É a mudança da sombra para a luz do sol, do frio do inverno para as flores da primavera.

A BWV 202 sobreviveu através de apenas uma cópia da década de 1730. Ela apresenta um estilo usado por Bach apenas até por volta de 1714. O lento-rápido-lento da primeira ária, por exemplo, foi raramente utilizado por Bach depois de 1714. Também o jogo entre a voz e o oboé obbligato do sétimo movimento é da mesma época. Mas os biógrafos pensam que esta Cantata é do tempo de Köthen e a ocasião a um casamento, possivelmente o próprio casamento de Bach com Anna Magdalena em dezembro de 1721. O libretista não é conhecido.

O texto relaciona o início do amor à chegada da primavera após o inverno. O cupido procura por um casal. Ele os encontra. Há o desejo de sorte. O tom é bem humorado e brincalhão, o que sugere um casamento civil.

O restante do CD também é de primeira linha.

J. S. Bach (1685-1750): Concerto para Oboé / Cantata BWV 202 & G. F. Händel (1685-1759): Concerto Nº 1 para Harpa / Cantata Tra Le Fiamme, HWV 170

1 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: I. Allegro 4:26
2 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: II. Larghetto 5:10
3 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: III. Allegro Ma Non Troppo 4:28
Patrick Beaugiraud
Ricercar Consort
Philippe Pierlot

4 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Weichet Nur, Betrübte Schatten 6:18
5 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Die Welt Wird Wieder Neu 0:27
6 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Phoebus Eilt 2:55
7 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Drum Sucht Auch Amor 0:41
8 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Wenn Die Frühlingslüfte Streichen 2:29
9 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Und Dieses Ist Das Glücke 0:49
10 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Sich Üben Im Lieben 4:17
11 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: So Sei Das Brand Der Keuschen Liebe 0:22
12 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Gavotte – Sehet In Zufriedenheit 1:35
Nuria Rial
Patrick Beaugiraud
Philippe Pierlot
Ricercar Consort

13 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: I. Andante Allegro 6:00
14 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: II. Larghetto 3:48
15 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: III. Allegro Moderato 2:34
Giovanna Pessi
Ricercar Consort
Philippe Pierlot

16 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Tra Le Fiamme Tu Scherzi Per Gioco 5:28
17 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – Dedalo Già Le Fortunate Penne 0:49
18 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Pien Di Nuovo e Bel Diletto 4:39
19 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – Si, Pur Troppo e Vero 0:14
20 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Voli Per L’aria Chi Puo Volare 2:56
21 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – L’uomo Che Macque Per Salire Al Cielo 0:21
22 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Tra Le Fiamme Tu Scherzi Per Gioco 2:30
Nuria Rial
Philippe Pierlot
Ricercar Consort

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Handel é muito bom, mas Bach…

PQP

Maurice Ravel, Pablo Sarasate, Georges Enescu, Vittorio Monti, Georges Boulanger: Gypsic

Maurice Ravel, Pablo Sarasate, Georges Enescu, Vittorio Monti, Georges Boulanger: Gypsic

Um belo e surpreendente disco de música cigana com todo aquele ambiente exótico e sem grandes pasteurizações ou tentativas de tornar a coisa mais “elegante” (sim, entre aspas). Então, amigos puristas, por favor, fujam, evitem ouvir este Gypsic da violinista romena-francesa Sarah Nemtanu.

O restante de vocês, no entanto, deve ouvir e, talvez, ficar intrigado. O álbum não é um conjunto convencional de peças orientais e orientadas para o cigano como são tocadas há meio século. Experimente ouvir com atenção, concentrando-se especialmente nas faixas 2, 3 e 8 para que saber bem no que está se metendo. O álbum de Nemtanu também tenta adicionar elementos de transição modernos à forma tradicional do concerto cigano-clássico. Mais tradicional é a sua versão da Sonata para Violino No. 3 em Lá menor, op. 25, “On Popular Romanian Themes”, de Georges Enescu, interpretado por Nemtanu e pelo pianista Romain Descharmes de uma maneira direta que não exagera os elementos ciganos. A Tzigane de Ravel já é meio suja e ESPETACULAR. Então a diversão se acentua… O Sarasate tem uma parte adicionada. O tecladista francês nascido no Canadá, Chilly Gonzales, adiciona elementos de eletrônica às Czárdás de Vittorio Monti… Mais inacreditável ainda é o movimento Blues da Sonata de Ravel para violino e piano de 1927. Esta peça recebe de Gonzales o que Nemtanu chama de “etno-percussão” — a melodia é reformulada como um pedaço do pop etíope. É um risco, pois parece não combinar o resto da música do álbum, só com a versão das Czárdás. Talvez seja uma tentativa de criar um ponto de encontro entre a França e a Romênia. Nemtanu choca com conceitos de como a música clássica e os eletrônicos de sabor internacional podem ser juntados e seus esforços valem a pena serem ouvidos. Enfim, um disco excelente e diferente.

Maurice Ravel, Pablo Sarasate, Georges Enescu, Vittorio Monti, Georges Boulanger: Gypsic

1 Vittorio Monti – Czardas
2 Maurice Ravel – Tzigane
3 Maurice Ravel – Berceuse
4 George Enescu – Sonate premier mouvement
5 George Enescu – Sonate deuxième mouvement
6 George Enescu – Sonate troisième mouvement
7 Pablo de Sarasate – Airs Bohémiens
8 Maurice Ravel – Blues
9 Georges Boulanger – Avant de mourir

Sarah Nemtanu – Violin
Chilli Gonzales – Piano, organ farfisa, Drum, Percussion
Romain Desmarches – Piano
Iurie Morar – Cimbalom

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Frans Hals — A Menina Cigana

PQP

Música en el Quijote (A Música do livro Dom Quixote): Romances, canções e temas instrumentais

Música en el Quijote (A Música do livro Dom Quixote): Romances, canções e temas instrumentais

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando ouvi este CD ela primeira vez, o Quixote completava 400 anos. Eu estava perante uma contribuição distinta para a celebração do 4º centenário da obra-prima de Cervantes. Eu ouvia um trabalho que não era a “música nos tempos do…”, nem uma associação de um compositor ao mito com base unicamente na sua coincidência no tempo, nem uma obra inspirada no romance, mas precisamente aquela que todos sentiam falta: uma espécie de “trilha sonora” do Quixote, as próprias referências citadas pelo livro. Ou seja, aquilo que apimenta o grande trabalho de Cervantes e algumas de suas Novelas Exemplares são coletadas e executadas com amor e respeito. Romances e canções alternam-se com danças como chaconnes, folías e jácaras, criando uma paisagem musical bonita e precisa, na qual o bom leitor localizará facilmente as aventuras do nosso herói.

O disco marcava também o reencontro de José Miguel Moreno com seu renovado grupo, o Orphénica Lyra, após alguns anos. Nuria Rial, com uma voz que nos eleva a alturas sublimes de beleza, sensibilidade e agilidade, compartilha a cena com uma surpreendente Raquel Andueza, e ambos os sopranos se juntam à voz de Jordi Domenech. Um absurdo de perfeição. No âmbito instrumental, temos um conjunto que sabe transmitir o sabor da era cervantina: Eligio Quinteiro, Fernando Paz, Fahmi Alqhai e Álvaro Garrido, conduzido da vihuela por um Moreno em pleno comando de seus poderes.

Música en el Quijote: Romances, songs, instrumental pieces

01 Luys Milán: Pavana VI
02 Anónimo: Al alva venid
03 Juan Arañés: Chacona
04 Luys Milán: Romance de Durandarte
05 Alonso Mudarra: Gallarda
06 Francisco Guerrero: Prado verde y florido
07 Anónimo: Qué me queréis, caballero
08 Anónimo: Romance de Don Gayferos
09 Antonio Martín Y Coll: Canarios
10 Anónimo: Madre, la mi madre
11 Anónimo: Ay luna que reluces
12 Anónimo: Jácaras
13 Alonso Mudarra: Fantasía X, sobre la folía
14 Luys Milán: Romance de Valdovinos
15 Antonio Martín Y Coll: Villanos
16 Anónimo: Qué bonito niño chiquito
17 Alonso Mudarra: Beatus ille
18 Antonio de Ribera: Romance de Cardenio
19 Diego Coll: Recercada segunda
20 Gabriel: De la dulce mi enemiga
21 Anónimo: Romance del Marqués de Mantua
22 Diego Pisador: Flérida, para mí dulce
23 Anónimo: Al villano se la dan
24 Luys de Narváez: Romance de Conde Claros
25 Diego Ortiz: Recercada octava
26 Juan Arañés: Chacona: A la vida bona

Intérpretes: Orphénica Lyra : Nuria Rial, soprano; Raquel Andueza, soprano; Jordi Domenech, countertenor; Eligio Quinteiro, Renaissance guitar; Fernando Paz, recorders; Fahmi Alqhai, viola da gamba; Álvaro Garrido, percussion; José Miguel Moreno, vihuela y dir.

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Ilustração de Gustave Doré para o Quixote

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Muito me surpreenderei se James Ehnes não for um interessado em literatura, artes plásticas ou outro gênero de arte. É muito cultura envolvida, muito conhecimento e fineza de estilo, isso não vem apenas da música. Esta é a opinião de minha mulher, também uma violinista. Ehnes e o pianista Andrew Armstrong tocam juntos como só velhos parceiros de crime conseguem. Ambos fizeram notáveis gravações de Franck, Bartók, Strauss, Debussy e Elgar; agora eles se voltam para Beethoven com a mesma combinação de toque leve e clareza de ideias. Eles nunca precisam exagerar — tome a frase inicial da Kreutzer, a maneira impecavelmente eloquente com que o acorde de abertura toma-se de esplendor.

Este é o primeiro disco de sonatas de Beethoven gravado por James Ehnes e eu espero que ele e Armstrong sigam até gravar todas. O acoplamento da Kreutzer com a Op. 30/1 também é astuto, pois — poucos sabem disso — o Presto da Kreutzer era, originalmente, o movimento final do Op. 30/1.

Eles iniciam pela Kreutzer e seu movimento de abertura é incrivelmente bem tocado. Os silêncios são bem utilizados e os pizzicatos na casa dos 3min, a 6min31  e na casa dos 11 min estão suficientemente presentes. Os momentos finais são levados com extrema classe, reduzindo a dinâmica e o ritmo antes da explosão final.

Eles são um pouco mais lentos no Andante do que, por exemplo, Dumay e Pires ou Faust e Melnikov, mas assim que as variações começam, a coisa decola lindamente. Ibragimova e Tiberghien formam um dupla capaz de enfrentar Ehnes e seu parceiro, mas estes são muito mais atraentes no finale, mesmo sem deixar de lado a delicadeza.

A Op 30 nº 1 vem de um outro mundo. A abertura se desenrola muito bem. Faust e Melnikov parecem melhores, mas… Ehnes e Armstrong são arrebatadores no movimento lento, verdadeiramente molto espressivo, enquanto uma sensação de diversão fica latente, colocando o selo de IMPERDÍVEL à já notável discografia de Ehnes e Armstrong.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’

Violin Sonata No.9 in A op.47 ‘Kreutzer’
1 Adagio sostenuto 13min43
2 Andante con variazioni 16min07
3 Finale: Presto 8min23

Violin Sonata No.6 in A op.30/1
4 Allegro 7min54
5 Adagio molto espressivo 7min23
6 Allegretto con variazioni 8min16

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

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James Ehnes e Andrew Armstrong ensaiando na Sala de Transcendência e Imanência da sede campestre do PQP Bach

PQP

J. S. Bach (1685-1750): As Toccatas (completo)

J. S. Bach (1685-1750): As Toccatas (completo)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é certamente um dos principais CDs lançados em 2019. Muito se falará dele, ainda mais se considerarmos que são versões EXTREMAMENTE LIVRES E ESPONTÂNEAS das Toccatas para Cravo de Bach. Elas são, ao lado das Goldberg, das Partitas e das Trio Sonatas para Órgão, minhas peças preferidas para teclado solo de papai.

Esfahani está correto. As Toccatas serviam para que os cravistas demonstrassem, além da música, suas habilidades. Nós jamais saberemos exatamente quão livres eram as versões dos cravistas da época, mas podemos ver que Esfahani se esbalda em liberdade. Sua versão é decididamente improvisada, se considerarmos o que temos ouvido. Mas também é alta e decididamente convincente.

As sete Toccatas de Bach são obras da juventude de Bach. O jovem compositor desejava liberdade expressiva, obviamente. Seria necessário um duro trabalho de detetive para tratar de questões de ornamentação e fraseado, cor e clareza, que papai esperaria que variassem de acordo com o gosto do executante. Esfahani, que explica a complexa história das peças em um ensaio detalhado no CD, fez sua própria versão e revela para nós que nessas músicas há mistérios que talvez nunca suspeitássemos. 

Você tem duas opções. Ouvir ou ouvir.

J. S. Bach (1685-1750): As Toccatas (completo)

1 Toccata in F sharp minor BWV910 [11’14]
2 Toccata in C minor BWV911 [12’05]
3 Toccata in D major BWV912 [12’33]
4 Toccata in D minor BWV913 [14’22]
5 Toccata in E minor BWV914 [8’04]
6 Toccata in G minor BWV915 [10’08]
7 Toccata in G major BWV916 [8’28]

Mahan Esfahani (cravo)

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Esfahani dando um rolê bachiano (?) por aí.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 33 Variações Diabelli, Op.120

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 33 Variações Diabelli, Op.120

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As imaginativas Variações Diabelli de Beethoven recebem tratamento de luxo da parte de Martin Helmchen. As 33 Variações é uma obra notável, apesar de que a peça que lhe dá origem é uma ninharia. A interpretação de Helmchen é persuasiva  e convincente. Especialmente bons são os números mais lentos. Uma quietude extasiada cai sobre eles, começando pela Variação XIV. A linda variação que cita Don Giovanni (XXII) também está muito bem tocada. À medida que o trabalho mapeia profundidades insondáveis ​​– a Variação XX é quase subliminar — Helmchen transmite belezas de tirar o fôlego. Bachiana, a tapeçaria da Fughetta (Variação XXIV) está muito bela e a espaçosa trilogia (as cantáveis e expressivas XXIX-XXXI) nem se fala. No Minueto final, elegantemente moldado, estamos de volta à Terra e o final da jornada sugere que tudo foi um sonho. A realidade é que esta é uma ótima gravação.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Variações Diabelli, Op.120
1 Tema, Vivace 0:49
2 Variation I. Alla Marcia Maestoso 1:33
3 Variation II. Poco Allegro 0:52
4 Variation III. L’istesso Tempo 1:19
5 Variation IV. Un Poco Più Vivace 0:56
6 Variation V. Allegro Vivace 0:54
7 Variation VI. Allegro Ma Non Troppo E Serioso 1:42
8 Variation VII. Un Poco Più Allegro 1:10
9 Variation VIII. Poco Vivace 1:20
10 Variation IX. Allegro Pesante E Risoluto 1:39
11 Variation X. Presto 0:37
12 Variation XI. Allegretto 1:19
13 Variation XII. Un Poco Più Moto 0:54
14 Variation XIII. Vivace 1:14
15 Variation XIV. Grave E Maestoso 3:55
16 Variation XV. Presto Scherzando 0:31
17 Variation XVI. Allegro 1:00
18 Variation XVII. Allegro 1:01
19 Variation XVIII. Poco Moderato 1:40
20 Variation XIX. Presto 0:56
21 Variation XX. Andante 2:55
22 Variation XXI. Allegro Con Brio – Meno Allegro – Tempo Primo 1:13
23 Variation XXII. Allegro Molto, Alla ‘Notte E Giorno Faticar’ Di Mozart 0:55
24 Variation XXIII. Allegro Assai 0:56
25 Variation XXIV. Fughetta (Andante) 3:00
26 Variation XXV. Allegro 0:46
27 Variation XXVI. (Piacevole) 1:08
28 Variation XXVII. Vivace 0:57
29 Variation XXVIII. Allegro 1:05
30 Variation XXIX. Adagio Ma Non Troppo 1:30
31 Variation XXX. Andante, Sempre Cantabile 1:55
32 Variation XXXI. Largo, Molto Espressivo 5:24
33 Variation XXXII. Fuga, Allegro 3:25
34 Variation XXXIII. Tempo Di Menuetto Moderato 4:15

Martin Helmchen, piano

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Martin Helmchen, que grande pianista!

PQP

.: interlúdio :. Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

.: interlúdio :. Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando comprei este disco, ele já estava no formato de álbum duplo de vinil e se chamava New Tijuana Moods. Tinha um desenho de Charlie Mingus na capa. Não sou da época do Tijuana Moods original, aquele que ostentava a foto de Ysabel Morel.  Cheguei em casa com o álbum duplo e botei no toca-discos. Na segunda faixa eu já sabia que aquele álbum faria parte de minha vida enquanto ela houvesse. Claro que não o ouço com grande frequência — afinal, sou PQP Bach e tenho que ouvir muitos discos para sugerir los mejores para ustedes –, uma vez por ano está bem, até porque conheço cada solo da banda e cada grito do Mingus entusiasmado da época.

As novas faixas que o disco ganhou não são de temas inéditos, mas de takes antes rejeitados. A conclusão a que se chega é a de que a escolha deu-se no par ou impar, pela simples razão de ser tudo perfeito. O septeto de Mingus estava tocando demais — às vezes soando como uma big band, outras vezes camerístico. Como sempre, Mingus é visceral nos temas e interpretações, e radical nas mudanças súbitas de ritmo. Comprovando ser o homem digno, correto e adequado que efetivamente era, ensaiava tudo em mesas de bar, batendo na mesa com Danny Richmond e cantando enquanto bebia. Não há nada a destacar nesta obra-prima, cada detalhe é perfeito. E mais não preciso dizer.

Afinal, trata-se de um dos auges da Dinastia Mingus.

Charles Mingus – New Tijuana Moods (1957)

1. Dizzy Moods
2. Ysabel’s Table Dance
3. Tijuana Gift Shop
4. Los Mariachis
5. Flamingo
6. Dizzy Moods (Alternate Take)
7. Tijuana Gift Shop (Alternate Take)
8. Los Mariachis (Alternate Take)
9. Flamingo (Alternate Take)

Charles Mingus (bass)
Jimmy Knepper (trombone)
Curtis Porter [Shafti Hadi] (alto sax)
Clarence Shaw (trumpet)
Bill Triglia (piano)
Danny Richmond (drums)
Frankie Dunlop (percussion)
Ysabel Morel (castanets)
Lonnie Elder (voices)

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A capa original.

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741): “Il Proteo” – Double And Triple Concertos

Antonio Vivaldi (1678-1741): “Il Proteo” – Double And Triple Concertos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Só pela audição do RV 552 — com um dos violinos solistas fora do palco — este CD já valeria a pena, mas o resto também é excelente. Este disco recebeu o Gramophone 96 na categoria de Instrumental Barroco e é com certeza um dos melhores CD de Vivaldi que já foram prensados, não apenas pela execução excepcional, mas também pela maravilhosa gravação (a qualidade do som é surpreendente) e principalmente pelas obras que contém: alguns dos melhores concertos do Padre Rosso. Christophe Coin (violoncelo) e Il Giardino Armonico dão um show. Como o disco é de 1995, temos aqui um jovem Il Giardino Armonico, com instrumentos originais. cabe também destacar a notável versão do Concerto para 2 cellos, RV 531, cheia de força e com um banho de bola do já citado Coin e Paolo Beschi. Absolutamente recomendado!

Antonio Vivaldi (1678-1741): “Il Proteo” – Double And Triple Concertos

Concerto In D Major; RV 564 For 2 Violins, 2 Violoncellos, Strings And Basso Continuo
Allegro 04:31
Largo 02:33
Allegro 03:21

Concerto In F Major; RV 551 For 3 Violins, Strings And Basso Continuo
Allegro 04:29
Andante 01:54
(Allegro) 03:02

Concerto In G Minor; RV 531 For 2 Violincellos, Strings And Basso Continuo
Allegro 03:49
Largo 03:08
Allegro 03:01

Concerto In A Major; RV 552 For Violin, “Violino Per Eco Lontano”, Strings And Basso Continuo
Allegro 06:45
Larghetto 04:07
Allegro 03:40

Concerto In C Major; RV561 For Violin, 2 Violoncellos, Strings And Basso Continuo
Allegro 03:41
Largo 02:52
Allegro 02:46

Concerto In F Major; RV 544 “Il Proteo O Sia Il Mondo Al Rovescio” For Violin, Violoncello, Strings And Basso Continuo
Allegro 03:59
Largo 03:11
(Allegro) 03:14

Violin Sonata RV.063`La Folia’

Christophe Coin
Il Giardino Armonico

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Foto da cidade de Alegrete (RS)

PQP

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

IM-PER-DÍ-VEL !!!

PQP Bach tem lá suas manias. Uma delas é de considerar Fauré superior a Debussy. Ouçam este disco! Que repertório maravilhoso! Kathtyn Stott é uma intérprete internacionalmente reconhecida da música para piano de Fauré. Trata-se de uma especialista. Há muito tempo ela queria gravar os dois quartetos para piano do compositor, mas estava procurando o grupo certo. Ela descobriu o Hermitage String Trio, um conjunto com o qual ela passou a fazer turnês. Aos quartetos são acrescentados de um trabalho para piano solo de Fauré, o Noturno Nº 4. A pianista inglesa e os russos do Hermitage funcionam muito bem juntos. Os movimentos lentos, no entanto, são estranhos, parecem tensos, como se Stott quisesse um tempo e os russos outro, mas talvez seja apenas uma impressão minha. Mas ficou lindo! A leitura de Stott do Noturno Nº 4 de Fauré é sensível e bonita. Apesar de minha pequena restrição, este é um disco que desafia as grandes performances do passado.

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nº 1 & 2 / Noturno Nº 4

Piano Quartet No. 1 in C minor, Op. 15

1 1. Allegro molto moderato 09:12
2 2. Scherzo. Allegro vivo 05:17
3 3. Adagio 06:47
4 4. Allegro molto 07:52

Piano Quartet No. 2 in G minor, Op. 45

5 1. Allegro molto moderato 10:52
6 2. Allegro molto 03:29
7 3. Adagio non troppo 11:20
8 4. Allegro molto – Più mosso 08:36

9 Nocturne No. 4 in E flat major, for solo piano, Op. 36 08:17

Kathryn Stott, piano
The Hermitage String Trio

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Eu gosto de Fauré e de Manet.

PQP

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

Consistindo somente de música para trompa e piano, este pequeno disco não pode sequer esboçar a herança de Beethoven. Mas faz mais do que imaginamos, pois as primeiras peças de câmara de Beethoven, agora entre as menos conhecidas, estavam entre as mais entusiasticamente tocadas durante sua vida. A diversão é principalmente nas outras três partes do álbum, que são bem e mal-sucedidas de diferentes maneiras. A sonata de Ries imita de perto as de Beethoven, tanto no humor geral quanto em vários detalhes, mesmo sem captar sua toda aquela tensão. Carl Czerny, em seu andante e polaca para trompa e piano, op. posth., capta a parte expansiva de Beethoven e dá à trompa e ao piano uma dinâmica extraordinária dentro do contexto do início do século XIX. As peças mais atraentes são as duas obras de Ignaz Moscheles.

Beethoven / Czerny / Ries / Moscheles: A herança de Beethoven (Música para trompa e piano)

1. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Allegro moderato (8:34)
2. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Poco Adagio, quasi andante (1:29)
3. Ludwig Van Beethoven – Sonate en Fa maj op. 17 – Allegro moderato (5:02)

4. Carl Czerny – Andante e polacca op. posth – Andante (3:21)
5. Carl Czerny – Andante e polacca op. posth – Allegro alla Polacca (8:41)

6. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Largetto (12:11)
7. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Andante (3:57)
8. Ferdinand Ries – Sonate en fa maj op.34 – Rondo Allegro (6:58)

9. Ignaz Moscheles – Theme varie du Feuillet d’Album de Rossini (8:32)
10. Ignaz Moscheles – Introduction et Rondeau Ecossais op. 63 (8:21)

Louis-Philippe Marsolais, trompa
David Jalbert, piano

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O título do CD é ambicioso demais, mas Marsolais é excelente!

PQP

John Adams (1947) & Philip Glass (1937): Concertos para Violino

John Adams (1947) & Philip Glass (1937): Concertos para Violino

Começo dizendo que cresci ouvindo e amando os tradicionais Concertos para Violino. E dá-lhe Beethoven, dá-lhe Mendelssohn, dá-lhe Tchaikovski, dá-lhe Bartók, dá-lhe Shostakovich, dá-lhe Prokofiev! Na verdade, sabem?, eu não gosto muito de Philip Glass. As palavras usuais que uso para enquadrar Glass são normalmente para dizer que ele é menor, muito menor do que Adams, Riley, Reich, etc. Sigo com a mesma opinião. Ou seja, aqui me interessa mais Adams, mas o Glass até que é bom. Seu concerto é um híbrido de minimalismo, neorromantismo e neobarroco. Em resumo, mostra uma evolução do minimalismo inicial mais “hardcore”. Como Glass, John Adams é considerado um minimalista, mas em 1993, quando escreveu este concerto, ele já estava se bandeando. Seu Concerto para Violino é uma composição tradicional norte-americana escrita em um estilo que deve muito ao modernismo. A Chaconne de Adams é a coisa mais linda! Enquanto Glass transformou seu minimalismo anterior, Adams o abandona. Bom disco.

John Adams (1947) & Philip Glass (1937): Concertos para Violino

John Adams — Violin Concerto
1 – I. ♩ = 78 14:44
2 – II. Chaconne: Body Through Which The Dream Flows 11:02
3 – III. Toccare 7:45

Philip Glass — Concerto for Violin and Orchestra
4 – I. ♩ = 104 – ♩ = 120 6:25
5 – II. ♩ = Ca. 96 9:53
6 – III. ♩ = Ca. 150 – Coda: ♩ = 104 9:46

Violin, Soloist – Robert McDuffie
Orchestra – Houston Symphony Orchestra
Conductor – Christoph Eschenbach

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Adams & Glass: espero que não estejam discutindo….

PQP

Edvard Grieg (1843-1907): Cello Sonata, String Quartet

Edvard Grieg (1843-1907): Cello Sonata, String Quartet

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD espantoso que demonstra algo que os mais observadores já desconfiaram: na maior parte das vezes, os compositores ficam com seus sotaques corrigidos e melhores quando interpretados por conterrâneos. Em música, a questão da vivência cultural é preponderante. Aqui, os escandinavos responsáveis pela execução da obra do norueguês Grieg entram com os acentos e algumas dinâmicas que nunca ouvi nestas obras. E que lhe caem extremamente bem! O resultado são interpretações que dão outro gosto a estas obras complicadas do repertório grieguiano. Os caras usam uma dureza e concisão raras. Se eu fosse você, largaria tudo agora para ouvir este tremendo disco.

Edvard Grieg (1843-1907): Cello Sonata, String Quartet

1. Cello Sonata In A Minor Op. 36: I. Allegro Agitato 9:46
2. Cello Sonata In A Minor Op. 36: II. Andante Molto Tranquillo 6:29
3. Cello Sonata In A Minor Op. 36: III. Allegro – Allegro Molto E Marcato 12:02

4. String Quartet In G Minor Op. 27: I. Un Poco Andante – Allegro Molto Ed Agitato 11:59
5. String Quartet In G Minor Op. 27: II. Romanze – Andantino 6:25
6. String Quartet In G Minor Op. 27: III. Intermezzo – Allegro Molto Marcato 6:26
7. String Quartet In G Minor Op. 27: IV. Finale – Lento – Presto Al Saltarello 9:03

Truls Mørk, violoncelo
Håvard Gimse, piano

Solve Sigerland, violino
Atle Sponberg, violino
Lars Anders Tomter, viola
Truls Mørk, violoncelo

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Podes ficar feliz Edvard, recebeste um grande presente.
Podes ficar feliz Edvard, recebeste um grande presente.

PQP

Pierre Boulez (1925-2016): As Três Sonatas para Piano + Formand 3 (Miroir)

Pierre Boulez (1925-2016): As Três Sonatas para Piano + Formand 3 (Miroir)

As duas primeiras Sonatas para Piano de Boulez foram compostas durante a juventude do compositor. A 2ª foi composta quando o ele tinha apenas 23 anos. Nelas nota-se a influência de Messiaen. A 3ª e última foi escrita quando ele tinha 30 anos e já possui o conceito da “casualidade controlada”, em que o intérprete pode escolher entre possibilidades que foram escritas pormenorizadamente pelo compositor – um método que é frequentemente descrito como “forma móvel”.

O CD é excelente para quem não tem ouvidos varicosos e aceitam obras em que o timbre é tão importante quanto o resto. A partir dos anoa 70, o Boulez compositor ficou mais indulgente em seu radicalismo e passei a não gostar tanto de suas composições. Gosto mesmo é do jovem selvagem e radical.

Pierre Boulez (1925-): As Três Sonatas para Piano + Formand 3 (Miroir)

Piano Sonata No.1
1) 1. Lent – Beaucoup plus allant [5:06]
2) 2. Assez large – Rapide [4:38]
Piano Sonata No.2
3) 1. Extrèmement rapide [6:04]
4) 2. Lent [11:42]
5) 3. Modéré, presque vif [2:32]
6) 4. Vif [10:48]
Piano Sonata No.3
Formant 2 – Trope
7) Parenthèse [2:33]
8) Glose [1:26]
9) Commentaire [2:20]
10) Texte [1:21]
Formant 3 – Miroir
11) Mélange [0:28]
12) Points 3 [1:43]
13) Blocs II [3:24]
14) Points 2 [1:58]
15) Blocs I [3:06]
16) Points 1 [0:43]

Paavali Jumppanen, piano

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Boulez:
Além de compositor, Boulez é um enorme regente.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para piano Op. 7, 14 e 22

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para piano Op. 7, 14 e 22

IM-PER-DÍ-VEL !!!

18 de fevereiro de 2014 foi um dia muito especial. Foi o dia em que assisti Maurizio Pollini no Southbank Center em Londres. Às 19h, ele entrou no palco do Royal Festival Hall, sala principal do complexo. Antes da sua entrada, o locutor do teatro anunciou que o repertório do recital — cuja primeira parte seria formada por obras de Chopin e a segunda por Debussy — fora ampliado por decisão de Pollini: era estava incluindo a Sonata N° 2 do compositor polonês na primeira parte. E completou dizendo que Maurizio dedicava pessoalmente o concerto à memória de Claudio Abbado. Aquilo fez com que um arrepio percorresse a espinha de todo o teatro, desde as primeiras e caras cadeiras até o lugar mais barato onde nos encontrávamos. Ato contínuo, enquanto o teatro com mais de mil pessoas mudava o tom da algaravia comum pré-concerto, traindo a emoção de todos, Pollini caminhou para o piano. Era o início de um dos maiores momentos de minha vida. Minha mulher escreveu:

“Ele é um sábio. Tem altíssima cultura musical e concisão. Enquanto o ouvia, pensava em diversas formas de reciclagem: ecológica, emocional, psíquica… Sua interpretação é a de um asceta que pode tudo, mas demonstra humildade e grandeza em trabalhar apenas para a música. Pollini não fica jogando rubatos e efeitos fáceis para o próprio brilho, mas me fez rezar e chorar. Que humanidade, quanto conhecimento! Depois desse concerto, minha vida não será a mesma”.

Foi a primeira vez que vi Pollini em ação, após ouvir dúzias de seus discos. Acho que não vou esquecer da emoção puramente musical — pois ela existe, como não? — de ouvir meu pianista predileto. Já estava com pena dele, tantas foram as vezes que retornou ao palco para ser aplaudido. Para Pollini ser absolutamente fabuloso, só falta o que não quero que aconteça e que já ocorreu com Abbado.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para piano Op. 7, 14 e 22

Piano Sonata No.4 in E flat, Op.7
1. 1. Allegro molto e con brio 7:34
2. 2. Largo, con gran espressione 7:20
3. 3. Allegro 4:31
4. 4. Rondo (Poco allegretto e grazioso) 6:34

Piano Sonata No.9 in E, Op.14 No.1
5. 1. Allegro 6:01
6. 2. Allegretto 2:34
7. 3. Rondo (Allegro comodo) 3:01

Piano Sonata No.10 in G, Op.14 No.2
8. 1. Allegro 5:47
9. 2. Andante 4:54
10. 3. Scherzo (Allegro assai) 3:06

Piano Sonata No.11 in B flat, Op.22
11. 1. Allegro con brio 6:46
12. 2. Adagio con molto espressione 6:16
13. 3. Menuetto 3:03
14. 4. Rondo (Allegretto) 5:21

Maurizio Pollini, piano

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Porra, Pollini, tu é demais!
Porra, Pollini, tu é demais!

PQP

Schulhoff (1894-1942) / Schoenberg (1874-1951): Chamber Works

Schulhoff (1894-1942) / Schoenberg (1874-1951): Chamber Works

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O repertório desta gravação apresenta dois inovadores compositores judeus — Erwin Schulhoff e Arnold Schoenberg — que perseguiram estilos musicais muito diferentes e que encontraram destinos igualmente diversos. As três peças aqui apresentadas foram concluídas entre agosto de 1924 e março de 1927. Elas não são particularmente em estilo judaico, mas refletem mais a época em que foram escritas. O flatista Fenwick Smith comanda o disco. A Sonata de Schulhoff é muito bonita e tem final bem alegre. A instrumentação do ótimo Concertino é única: flauta, viola e contrabaixo. O resultado é um belo trabalho rústico, descrito por Schulhoff como “um flautista de pastores da Morávia nas ruas de Praga”. Esses dois trabalhos pouco divulgados recebem a transcrição ainda mais rara, preparada por Felix Greissle, da Sonata para Quinteto do Sopros, Op 26 de Schoenberg. A transcrição é para flauta e piano. O Quinteto foi a primeira composição dodecafônica de Schoenberg.

Um belo disco magnificamente bem projetado e concebido.

Schulhoff (1894-1942) / Schoenberg (1874-1951): Chamber Works

Erwin Schulhoff (1894-1942)
Sonata (1927) 12:02
for Flute and Piano
À René Le Roy
1 I Allegro moderato 4:40
2 II Scherzo. Allegro giocoso 1:34
3 III Aria. Andante 3:11
4 IV Rondo-Finale. Allegro molto gajo 2:28
Fenwick Smith, flute
Sally Pinkas, piano

Concertino (1925) 15:30
for Flute, Viola and Double-bass
Herrn H.W. Draber in Zürich
5 I Andante con moto – subito più mosso – Tempo I 5:52
6 II Furiant. Allegro furioso – Pesante 3:18
7 III Andante – Più mosso – Tempo I 3:58
8 IV Rondino. Allegro gaio 2:12
Fenwick Smith, flute
Mark Ludwig, viola
Edwin Barker, double-bass

Arnold Schoenberg (1874-1951)
Sonata (1926) 38:14
Transcription for Flute and Piano by Felix Greissle (1899-1982) of the Quintet for Wind Instruments, Op. 26 (1923-24)
9 I Schwungvoll 11:43
10 II Anmutig und heiter; scherzando 8:30
11 III Etwas langsam 9:24
12 IV Rondo 8:29
66:03
Fenwick Smith, flute
Randall Hodgkinson, piano

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Fenwick Smith: um belo disco magnificamente concebido

PQP

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo Solo

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo Solo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje é o dia do aniversário daquele que se autodenomina PQP Bach. Então, ele postará três trabalhos excepcionais. Este é o terceiro do dia.

Que som, que gravação! Como muitos violoncelistas, Alban Gerhardt esperou “amadurecer” para gravar sua versão das Suítes de Bach para Violoncelo Solo. Aguardou até completar 50 anos de vida. Valeu a pena. Sua performance é pessoal, íntima e espontânea. Gerhardt soa perfeitamente à vontade nesta música e seu som é esplêndido — um registro de tenor rico e convincente. Há uma leveza na interpretação de Gerhardt que é influenciada por performances historicamente informadas, mas sem deixar de ter o calor do instrumento moderno. O resultado geral é uma leitura que se encaixaria na classificação romântica, mas sem o peso de bigorna de alguns. Os movimentos rápidos de Gerhardt são gentis e fluidos, e ele está no seu melhor nas Sarabandas (experimente ouvir a da terceira e a da quinta suíte — a bergmaniana –, por exemplo). Gerhardt diz que qualquer leitura que ele pudesse gravar seria apenas um instantâneo e é fácil acreditar neste caráter de improviso.

J. S. Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo

Bach, J S: Cello Suite No. 1 in G major, BWV 1007 16:44

I. Prelude 2:55
II. Allemande 3:44
III. Courante 2:39
IV. Sarabande 2:28
V. Menuet I – Menuet II 3:09
VI. Gigue 1:49

Bach, J S: Cello Suite No. 2 in D minor, BWV 1008 18:13

I. Prelude 3:34
II. Allemande 2:42
III. Courante 2:09
IV. Sarabande 4:18
V. Menuet I – Menuet II 2:43
VI. Gigue 2:47

Bach, J S: Cello Suite No. 3 in C major, BWV 1009 21:39

I. Prelude 3:55
II. Allemande 3:41
III. Courante 3:12
IV. Sarabande 3:57
V. Bourrée I – Bourrée II 3:40
VI. Gigue 3:14

Bach, J S: Cello Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010 22:55

I. Prelude 4:16
II. Allemande 3:17
III. Courante 3:24
IV. Sarabande 4:02
V. Bourrée I – Bourrée II 5:12
VI. Gigue 2:44

Bach, J S: Cello Suite No. 5 in C minor, BWV 1011 21:23

I. Prelude 5:20
II. Allemande 4:08
III. Courante 1:57
IV. Sarabande 3:21
V. Gavotte I – Gavotte II 4:30
VI. Gigue 2:07

Bach, J S: Cello Suite No. 6 in D major, BWV 1012 28:12

I. Prelude 5:23
II. Allemande 5:58
III. Courante 3:41
IV. Sarabande 4:52
V. Gavotte I – Gavotte II 4:03
VI. Gigue 4:15

Alban Gerhardt (cello)

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Vermeer: A Lição de Música

PQP

Leoš Janáček (1854-1928): Missa Glagolítica & O Diário de um Desaparecido

Leoš Janáček (1854-1928): Missa Glagolítica & O Diário de um Desaparecido

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje é o dia do aniversário daquele que se autodenomina PQP Bach. Então, ele postará três trabalhos excepcionais. Este é o segundo do dia.

Uma obra religiosa escrita por um ateu, uma obra inspirada pelo amor não consumado a uma mulher casada e uma obra para homenagear a cultura eslava. Este é o resumo do que é a extraordinária Missa Glagolítica do tcheco Leoš Janáček. Mas não vamos ficar apenas no resumo. Vamos adiante.

Alexandre Pushkin foi o escritor que, para além de seus grandes méritos literários, recebeu o crédito de ter ampliado significativamente o vocabulário do idioma, normatizando várias expressões populares e codificando o russo literário. Sabemos da importância que o idioma tem para a identidade e cultura de um povo, da parte fundamental que ele ocupa em sua autoafirmação e independência.

A Morávia do compositor Leoš Janáček foi, por quase toda sua vida, dominada por estrangeiros. Até a Primeira Guerra Mundial, em 1918, por exemplo, existia o Império Austro-Húngaro, que ia do centro da Europa até a fronteira com a Ucrânia. Então, finalmente, o povo tcheco pôde celebrar sua independência… Mas esta valeu apenas até 1938, quando os nazistas resolveram anexar o país. Depois veio a URSS.

Ou seja, a região da República Tcheca foi, até a queda do Muro de Berlim, em 1989, uma região constantemente esmagada pelas potências ocidentais de um lado e pela Rússia de outro.

Em 1926, Janáček, resolveu comemorar a efêmera independência de seu país escrevendo uma Missa. Mas não com uma Missa comum: optou, como ato de afirmação étnica, por uma missa cantada na antiga língua litúrgica eslava, o eslavônico. Por isso o nome da obra – “Missa Glagolítica”, ou seja, missa numa língua escrita no alfabeto glagolítico, antecessor do cirílico.

A Missa Glagolítica (Mša glagolskaja) foi apresentada pela primeira vez em 26 de junho de 1926 em Praga.

A opção do ateu Janáček por escrever uma missa de tintas étnicas é muito simbólica. Janáček apoiava o pan-eslavismo e a obra era um modo de celebrar a identidade e a cultura eslava. Não é uma mera Missa nacionalista tcheca, ela celebra todo o patrimônio pan-eslavo, usando a língua litúrgica que foi utilizada em diversos países eslavos.

Fora as cinco seções tradicionais da missa -– aqui com títulos em eslavônico: o “Credo” virou “Veruju”, o “Gloria” virou “Slava” e assim por diante — Janáček adicionou uma introdução orquestral e, perto do final, um sensacional solo de órgão seguido de um poslúdio sinfônico curiosamente chamado de “Intrada”, sei lá para onde, mas dá para imaginar.

A linguagem musical de Janáček não costuma ser delicada, mas é de originalidade, beleza e modernidade impressionantes. Os ritmos da Glagolítica refletem tanto a aspereza da língua antiga quanto a bagagem folclórica. A orquestração e o uso da voz humana são absolutamente pessoais e convincentes. E o drama da expressão – como na passagem da crucificação de Cristo, na qual o órgão assume papel fundamental – demonstra a vocação de Janáček para o teatro.

A música começa e termina com fanfarras. Há ainda muitos trechos de grande originalidade rítmica — principalmente para ouvidos treinados para formas diferentes –, além de memoráveis passagens para solistas e coro, e o famoso solo de órgão do qual falaremos mais a seguir.

Milan Kundera escreveu: “A Missa Glagolítica é uma orgia, não uma missa”. Vamos a mais um pouco de história: o pai de Kundera — um pianista e musicólogo que faleceu em 1971 — trabalhou com Janáček e ajudou o compositor nos ensaios para a estreia. Ela é uma das várias obras, justamente as melhores de Janáček, que é marcada por dois fatos que o motivaram muito no final da vida: a independência de seu país obtida em 1918 e, bem, seu enorme amor por Kamila Stösslová, uma mulher casada e 40 mais jovem que jamais compartilhou deste sentimento amoroso, mas que jamais afastou-se dele. Sim, os dois mantiveram por anos uma profunda amizade. Janáček parecia não se incomodar muito e mantinha suas juras de amor mesmo sem a contrapartida física.

Então, a musa Kamila Stösslová ocupa um lugar incomum na história da música. Leoš Janáček, ao conhecê-la em 1917 na Morávia, apaixonou-se profundamente, apesar de ambos serem casados ​​e do fato de que ele sera quase quarenta anos mais velho. Ela influenciou profundamente o compositor em sua última década de vida. Kamila estava morando em Luhačovice (Morávia) com seu marido, David Stössel, e seus dois filhos, Rudolf e Otto. David estava no exército e até ajudou Janáček na obtenção de alimentos no tempo de guerra. Provavelmente o serviço militar de Stössel só deixava que ele passasse poucos dias em Luhačovice, dando a Janácek a chance de caminhar e conversar com Kamila durante o resto do tempo. Ele a conheceu em 3 de julho de 1917. Cinco dias depois, já escrevia apaixonadamente sobre ela em seu diário. Uma correspondência cerrada entre a dupla começou em 24 de julho.

Kamila devia ser muito inspiradora, apesar de impedir que o sexo se concretizasse. Foi para ela que Janáček criou várias mulheres de suas óperas, a Katya de Katya Kabanová, a raposa de A Pequena Raposa Astuta e Emilia Marty de O Caso Makropulos. Outros trabalhos que foram inspirados por sua paixão foram O Diário de Um Desaparecido, a Missa Glagolítica, a Sinfonietta e o Quarteto de Cordas No. 2 (Cartas Íntimas), ou seja, suas obras mais importantes. Na dedicatória das Cartas Íntimas, Janáček escreveu: “A música descreverá o medo que sinto de você”.

Como já disse, o ateu Janáček era um entusiasta do “pan-eslavismo”, movimento que valorizava mais as línguas eslavas do que o latim e as germânicas. Kundera tem razão em chamar a Glagolítica de orgia, pois há tanta música feliz, dançante e efusiva, que nem parece que estamos celebrando uma Missa, não obstante a participação do órgão. Ah, o ateísmo é libertador! Tudo na Glagolítica é moderno e original. O soprano solista parece uma guerreira, o baixo parece ter saído direto de um culto da Igreja Ortodoxa. Talvez seja a mais bela Missa do século XX, talvez melhor que a de Bernstein, que também é um espanto.

Voltando ao pai de Kundera, Ludvík: ele escreveu, numa crônica de 1927, que a Glagolítica fora “escrita por um velho homem religioso”. Janáček não parece ter gostado muito: “Não sou nem velho nem religioso”. Toma, Ludovico!

.oOo.

O alfabeto glagolítico (glagólitsa nas línguas eslavas) é o mais antigo dos alfabetos eslavos que se conhece. Foi criado por São Cirilo e São Metódio por volta de 862-863 para traduzir a Bíblia e outros textos para as línguas eslavas. O nome vem da palavra glagola, que em búlgaro antigo significa palavra. Já glagolati significa falar e pode-se dizer, um tanto poeticamente, que glagolítico são “símbolos que falam”.

O alfabeto glagolítico original constava de 41 letras, embora a quantidade tenha variado levemente com os séculos. Das 41 letras glagolíticas originais, 24 são derivadas, provavelmente, de grafemas do grego medieval, os quais receberam um desenho mais ornamental.

Os caracteres restantes são de origem desconhecida. Acredita-se que alguns podem ter vindo de caracteres hebraicos e samaritanos, que Cirilo teria aprendido em suas viagens.

O nome “Glagolítico” é em checo hlaholice, em eslovaco hlaholika, em polaco głagolica, em russo, macedónio e búlgaro глаго́лица (transliterado glagólitsa), em croata glagoljica, em ucraniano глаголиця (transliterado hlaholytsia), em bielorrusso глаголіца (transliterado hlaholitsa), em esloveno glagolica, etc.

.oOo.

Agora, um caso com o órgão presente nesta Missa. Ao folhear o livro Tudo tem a ver, de Arthur Nestrovski, dei de cara com um artigo que descreve o pânico de um organista que sumiu por medo de tocar o famoso movimento solo da Missa Glagolítica. Isso dois ou três dias antes do concerto da Osesp. Nestrovski narra seu desespero e a brilhante solução, obtida quase que por sorte. Ah, querem spoilers? Nada disso, comprem o livro — que é bom demais, com ensaios sobre literatura, música popular e erudita.

Leoš Janáček (1854-1928): Missa Glagolítica & O Diário de um Desaparecido

1. Glagolitic Mass – 1. Uvod (Introduction)
2. Glagolitic Mass – 2. Gospodi pomiluji (Kyrie)
3. Glagolitic Mass – 3. Slava (Gloria)
4. Glagolitic Mass – 4. Veruju (Credo)
5. Glagolitic Mass – 5. Svet (Sanctus)
6. Glagolitic Mass – 6. Agnece zij (Agnus Dei)
7. Glagolitic Mass – 7. Varhany solo (organ solo)
8. Glagolitic Mass – 8. Intrada

Evelyn Lear – Soprano
Hilde Rössel-Majdal – Alt
Ernst Haefliger – Tenor
Franz Crass – Bass
Bedrich Janacek – Organ
Choir und Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunk

9. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 1. “Traf eine junge Zigeunerin”/”One day I met a gypsy girl” (Tenor)
10. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 2. “Ist sie noch immer da”/”That black-eyed gypsy girl” (Tenor)
11. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 3. “Wie der Glühwürmchen Spiel”/”Throug the twilight glow-worms” (Tenor)
12. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung Max Brod – 4. “Zwitschern im Nest schon die Schwalben”/”Already swallows are” (Tenor)
13. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 5. “Heut ist’s schwer zu pflügen”/”Weary work is ploughing” (Tenor)
14. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 6. “Heissa, ihr grauen Ochsen!”/”Hey, There my tawny oxen” (Tenor)
15. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 7. “Wo ist das Pflöcklein hin”/”I’ve got a loose axie” (Tenor)
16. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 8. “Seht nicht, ihr Öchselein”/”Don’t look; my Oxen” (Tenor)
17. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 9. ” Sei willkommen, Jan”/” Welcome, my handsome one” (Alt, Tenor, Chor)
18. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzng: Max Brod – 10. “Gott dort oben, mag”/”Go all-powerful, God eternal” (Alt, Chor)
19. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 11. “Vor der Heidin Wangen”/”From the rip’ning Cornfield” (Alt, Tenor)
20. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 12. “Dunkler Erlenwald”/”Forest’s shady height” (Tenor)
21. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 13. Piano Solo
22. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 14. “Sonn’ ist aufgegangen”/”See how high the sun is!” (Tenor)
23. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 15. “Meine grauen Ochsen”/”Now my tawny oxen” (Tenor)
24. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 16. “Was hab’ ich da getan?”/”What has come over me?” (Tenor)
25. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 17. “Flieh, wenn das Schicksal ruft”/”Who can escape his fate” (Tenor)
26. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 18. “Nichts mehr denk ich”/”Nothing matters now” (Tenor)
27. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 19. “Wie die Elster wegfliegt”/”See that thieving magpie” (Tenor)
28. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 20. “Hab’ ein Jüngferlein”/”Now she bears my child” (Tenor)
29. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 21. “Vater, dam Tag’ fluch ich”/”Father, how wrong you were” (Tenor)
30. The Diary of One Who Disappeared – Übersetzung: Max Brod – 22. “Leb denn wohl, Heimatland”/”Then farewell, dearest land” (Tenor)

Kay Griffel – Alt
Ernst Haeflgier – Tenor
Frauenchoir / Women´s Choir
Rafael Kubelik – Piano / Conductor

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PQP / FDP

Wolfgang Amadeus Mozart ‎(1756-1791): Sonatas para Piano

Wolfgang Amadeus Mozart ‎(1756-1791): Sonatas para Piano

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje é o dia do aniversário daquele que se autodenomina PQP Bach. Então, ele postará três trabalhos excepcionais. Este é o primeiro do dia.

O pianista Lars Vogt tem o rosto desenhado à facão, mas tem a alma e emite sons de um anjo. Ao menos quando senta no piano e usa os dedos. Depois do ciclo de Concertos para Piano de Beethoven, álbuns solo de obras de Bach e Schubert, além de várias gravações premiadas de música para piano pelo selo Ondine, ele lança esta joia. Neste álbum, as duas primeiras sonatas têm ainda grande influência barroca. Já a tocante Sonata K. 310 foi escrita no momento da morte da mãe do compositor. O disco é finalizada pela haydniana Sonata K. 333.

Mozart escreveu as Sonatas para Piano K. 280 e K. 281 (Nos. 2 e 3) mais provavelmente em 1774, com a idade de 18 anos. Os elementos da influência barroca são claramente evidentes na Sonata K. 280. Uma característica proeminente na K. 281 Sonata é, além de seu virtuosismo, o belo movimento lento “Andante amoroso”. O K. 310 (Nº 8) foi escrito quatro anos depois, durante o verão de 1778, e está escrito em tom menor: uma verdadeira raridade entre as Sonatas de Mozart. O K. 333 foi publicado em 1784, mas o tempo de sua composição pode ter sido anterior. Este trabalho alegre com passagens virtuosas pode ser descrito quase como um Concerto para Piano para piano solo.

Wolfgang Amadeus Mozart ‎(1756-1791): Sonatas para Piano

Piano Sonata No. 2 In F Major, K. 280 (15:39)
1 Allegro Assai 4:49
2 Adagio 6:33
3 Presto 4:17

Piano Sonata No. 3 In B-flat Major, K. 281 (15:55)
4 Allegro 4:29
5 Andante Amoroso 6:00
6 Rondo (Allegro) 4:26

Piano Sonata No. 8 In A Minor, K. 310 (21:16)
7 Allegro Maestoso 8:23
8 Andante Cantabile Con Espressione 9:52
9 Presto 3:01

Piano Sonata No. 13 In B-flat Major, K. 333 (21:22)
10 Allegro 7:15
11 Andante Cantabile 7:31
12 Alegretto Grazioso 6:36

Lars Vogt, piano

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PQP

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas 64, 151, 57 & 133

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas 64, 151, 57 & 133

Este é o Vol. 15 da coleção de Gardiner e celebra o Terceiro Dia de Natal. Gardiner e sua trupe regularmente fazem descobertas que ressoam com veracidade — especialmente porque seus instrumentistas e cantores estão encharcados do idioma bachiano. Isso é maravilhosamente aparente no coro de abertura do BWV 133, onde a música otimista é tocada com a confiança extrema de músicos que falam Bach diariamente. Este volume revela exemplos de momento mágicos das performances ao vivo, como o delicioso “Süsser Trost”, de Gillian Keith, no BWV 151, e a ária esplendidamente visceral “Ja, ja, ich kann die Feinde schlagen”, da BWV 57, com de Peter Harvey. A essência de Bach parece ser efetivamente transmitida aqui.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas 64, 151, 57 & 133

For The Third Day Of Christmas
Sehet, Welch Eine Liebe Hat Uns Der Vater Erzeiget BWV 64 (17:39)
1 1. Coro Sehet, Welch Eine Liebe 2:29
2 2. Choral Das Hat Er Alles Uns Getan 0:43
3 3. Recitativo: Alt Geh, Welt! Behalte Nur Das Deine 0:37
4 4. Choral Was Frag Ich Nach Der Welt 0:49
5 5. Aria: Sopran Was Die Welt 5:31
6 6. Recitativo: Bass Der Himmel Bleibet Mir Gewiss 1:11
7 7. Aria: Alto Von Der Welt Verlang Ich Nichts 5:11
8 8. Choral Gute Nacht, O Wesen 1:07

Süßer Trost, Mein Jesus Kömmt BWV 151 (17:07)
9 1. Aria: Soprano Süßer Trost, Mein Jesus Kömmt 9:49
10 2. Recitativo: Bass Erfreue Dich, Mein Herz 1:04
11 3. Aria: Alt In Jesu Demut Kann Ich Trost 4:46
12 4. Recitativo: Tenor Du Teurer Gottessohn 0:51
13 5. Choral Heut Schleußt Er Wieder Auf Die Tür 0:37

For The Second Day Of Christmas
Selig Ist Der Mann BWV 57 (22:56)
14 1. Aria: Bass Selig Ist Der Mann 3:39
15 2. Recitativo: Sopran Ach! Dieser Süsse Trost 2:21
16 3. Aria: Sopran Ich Wünschte Mir Den Tod 6:16
17 4. Recitativo (Dialogo): Bass, Sopran Ich Reiche Dir Die Hand 0:26
18 5. Aria: Bass Ja, Ja, Ich Kann Die Feinde Schlagen 4:54
19 6. Recitativo (Dialogo): Bass, Sopran In Meiner Schoß Liegt Ruh Und Leben 1:30
20 7. Aria: Sopran Ich Ende Behende Mein Irdisches Leben 4:08
21 8. Choral Richte Dich, Liebste, Nach Meinem Gefallen 0:41

Ich Freue Mich In Dir BWV 133 (18:15)
22 1. Coro (Choral) Ich Freue Mich In Dir 3:54
23 2. Aria: Alt Getrost! Es Fasst Ein Heil’ger Leib 3:49
24 3. Recitativo: Tenor Ein Adam Mag Sich Voller Schrecken 1:03
25 4. Aria: Soprano Wie Lieblich Klingt Es In Den Ohren 7:17
26 5. Recitativo: Bass Wohlan, Des Todes Furcht Und Schmerz 1:02
27 6. Choral Wohlan, So Will Ich Mich 1:09

Alto Vocals – Robin Tyson (tracks: 1 to 8, 22 to 27), William Towers (tracks: 9 to 13)
Bass Vocals – Peter Harvey
Choir – The Monteverdi Choir
Conductor – Gardiner*
Orchestra – The English Baroque Soloists
Soprano Vocals – Gillian Keith (tracks: 1 to 13), Joanne Lunn (tracks: 14 to 21), Katharine Fuge (tracks: 22 to 27)
Tenor Vocals – James Gilchrist

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Fuga de Bach.

PQP

Beethoven / Pärt / Shostakovich: Sonata Kreutzer / Fratres / Prelúdios, Op. 34

Beethoven / Pärt / Shostakovich: Sonata Kreutzer / Fratres / Prelúdios, Op. 34

Kreutzer SonataIM-PER-DÍ-VEL !!!

Um lindo CD da dupla De Maeyer e Kende. Ela é belga, ele, holandês. A escolha do repertório é realmente excelente. A Kreutzer de Beethoven dispensa apresentações. Fratres, de Pärt, tem luz própria, porém, dentro do CD, dá continuidade poética moderna e coerente à obra de Ludwig van. O CD finaliza com alguns arranjos para peças dos Prelúdios de Shostakovich. Infelizmente, apesar de tratar-se de meu amado Shosta, é a parte mais fraca do trabalho. Mesmo assim, está acima de quase tudo o que se ouve por aí.

Beethoven: Violin Sonata No. 9 in A Major, Op. 47, ‘Kreutzer’
01. I. Adagio sostenuto – Presto 14:26
02. II. Andante con variazioni 15:26
03. III. Finale (Presto) 08:42

Pärt: Fratres
04. Pärt: Fratres 12:06

Shostakovich / arr Tsyganov: Preludes, Op. 34
05. No. 10 in C-Sharp Minor (Moderato non troppo) 02:01
06. No. 12 in G-Sharp Minor (Allegretto non troppo) 01:53
07. No. 13 in F-Sharp Major (Moderato) 01:02
08. No. 15 in D-Flat Major (Allegretto) 00:55
09. No. 16 in B-Flat Minor (Andantino) 01:07
10. No. 17 in A-Flat Major (Largo) 02:27

Jolente De Maeyer, violin
Nicolaas Kende, piano

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Jolente De Maeyer não apenas toca belamente
Jolente De Maeyer não apenas toca belamente

PQP

J. S. Bach (1685-1750): As Quatro Suítes Orquestrais

J. S. Bach (1685-1750): As Quatro Suítes Orquestrais

IM-PER-Dí-VEL !!!

Esta gravação das Suítes Orquestrais de Bach é a melhor que já ouvi, ao lado desta outra aqui. O trabalho realizado por Brüggen junto à Orchestra of the Age of Enlightenment foi esplêndido, imbatível. Bem, não se sabe quando exatamente Johann Sebastian Bach escreveu suas Suítes para Orquestra. É um grupo de 4 peças vibrantes, inclinando-se mais para o lado da diversão e do entretenimento. Estas suítes são as únicas obras do gênero que o compositor escreveu em sua vida. Apesar dos empregos, Bach nunca foi muito de trocar peças musicais por dinheiro. Todas as obras mais leves que escreveu nunca foram publicadas, incluindo estas aberturas. (Telemann, o mais famoso compositor na Alemanha na época, escreveu mais de 130 suítes sobreviventes para orquestra e, provavelmente, escreveu mais de 1000 em sua vida). Bach se sentia mais confortável ao escrever música de igreja ou obras que continham maiores desafios técnicos. Mas essas quatro obras são bons exemplos de um estilo mais leve e serviram para mostrar algumas das formas que Bach usaria para abordar o lado festivo de fazer música.

J. S. Bach (1685-1750): As Quatro Suítes Orquestrais

Orchestral Suite No. 1 in C Major, BWV 1066 22:03
1 I. Ouverture 6:23
2 II. Courante 1:57
3 III. Gavotte I-II 3:19
4 IV. Forlane 1:23
5 V. Menuet I-II 3:29
6 VI. Bourrée I-II 2:24
7 VII. Passepied I-II 3:08

Orchestral Suite No. 2 in B Minor, BWV 1067 20:29
8 I. Ouverture 7:06
9 II. Rondeau 1:49
10 III. Sarabande 3:21
11 IV. Bourrée I-II 1:45
12 V. Polonaise 3:32
13 VI. Menuet 1:24
14 VII. Badinerie 1:32

Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068 19:16
15 I. Ouverture 6:59
16 II. Air 4:59
17 III. Gavotte I-II 3:14
18 IV. Bourrée 1:11
19 V. Gigue 2:53

Orchestral Suite No. 4 in D Major, BWV 1069 19:36
20 I. Ouverture 8:01
21 II. Bourrée I-II 2:39
22 III. Gavotte 2:12
23 IV. Menuet I-II 4:12
24 V. Réjouissance 2:32

Orchestra Of The Age Of Enlightenment
Frans Brüggen

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Johannes Vermeer (1632-1675): A Arte da Pintura

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Johann David Heinichen (1683-1729): Concerti Grandi (Goebel / Musica Antiqua Köln)

Johann David Heinichen (1683-1729): Concerti Grandi (Goebel / Musica Antiqua Köln)

IM-PER-Dí-VEL !!!

Não pensem que este é apenas mais um daqueles barrocos sem sal desencavados por Goebel e sua turma. Nada disso, este é um CD extraordinário que você já deveria estar baixando, se já não o fez. Heinichen é exuberante, tem enorme imaginação e sua música deve ser conhecida. Após um longo inverno, suas obras têm sido regravadas para pasmo dos aficionados do barroco que devem perguntar-se o porquê do silêncio.

É importante sublinhar que, em 1717, Heinichen trabalhou na corte do Príncipe Leopoldo de Anhalt-Cöthen, onde foi colega de meu pai Bach. Depois, foi o Mestre de Capela em Dresden. O catálogo de obras é devido a um certo Seibel e por isso é que há aquele “S” antes da numeração. Sua obra não é pequena, ainda mais considerando-se o fato de que Heinichen era também um respeitado advogado…

Johann David Heinichen (1683-1729): Concerti Grandi

Concerto in F major Seibel 234
1. 1. Vivace 2:32
2. 2. Adagio 0:44
3. 3. Un poco Allegro 2:23
4. 4. Allegro 2:52

Concerto In G Major S.213
5. 1. Allegro 2:39
6. 2. Larghetto 3:05
7. 3. Allegro 3:17
8. 4. Entrée 1:36
9. 5. Loure. Cantabile 1:43
10. 6. Tempo di Menuet – Air italienne 3:11

Concerto in F major, S.235
11. 1. Vivace 4:15
12. 2. Andante 2:25
13. 3. Presto 3:34
14. 4. Alla breve 3:31
15. 5. Allegro 2:53

Concerto in F major Seibel 233
16. 1. Allegro 3:09
17. 2. Andante più tosto un poco Allegro 2:12
18. 3. Presto 3:15

Sonata In A Major, S.208
19. 1. Allegro 1:40
20. 2. Adagio e staccato 0:46
21. 3. Allegro 0:50

Concert Movement in C minor Seibel 240
22. Vivace 2:57

Concerto in F major Seibel 231
23. 1. Vivace 2:19
24. 2. Arioso 2:50
25. 3. Allegro 1:46

Musica Antiqua Köln
Reinhard Goebel

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Os belos que me desculpem, mas beleza não é fundamental, né., Heinichen?

PQP

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4 “Romântica” (Abbado)

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4 “Romântica” (Abbado)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Abbado faleceu aos 80 anos, em Bologna, no dia 20 de janeiro de 2014, tendo seu corpo sido enterrado na Suíça. Um ano depois, em seu tributo, a orquestra “Filarmonica della Scala” (Milão) interpretou o movimento lento da Terceira Sinfonia de Beethoven (Marcia funebre) para um teatro vazio, apresentado a uma multidão que lotou a praça em frente à casa de ópera e transmitido ao vivo pelo site do La Scala. Mas isso tudo é saudade. Esta gravação de Bruckner faz parte dos seus últimos trabalhos. E é uma coisa de louco. Esta sinfonia é uma de minha obras prediletas desde sempre e Abbado só a valorizou. Ouvi emocionado de princípio a fim. É algo muito inspirador.

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4 “Romântica”

Symphony No. 4 In E Flat Major “Romantic” (Edition: Robert Haas)
1 I. Bewegt, Nicht Zu Schnell
2 II. Andante Quasi Allegretto
3 III. Scherzo: Bewegt – Trio: Nicht Zu Schnell, Keinesfalls Schleppend
4 IV. Finale: Bewegt, Doch Nicht Zu Schnell

Lucerne Festival Orchestra
Claudio Abbado

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Abbado, velhinho e com tudo
Abbado, velhinho e com tudo

PQP